Sunday Morning

Sunday Morning

Sinopse: “Aquela manhã de domingo poderia ser como qualquer outra manhã, mas não era. Não era porque o sol brilhava mais do que o normal, o clima estava mais agradável que o usual e, especialmente, porque ele estava junto à ela. Há cinco meses os momentos raros que passavam juntos eram os responsáveis por fazer seus dias serem qualquer coisa, menos normais. Simplesmente porque um idol e uma fotógrafa não poderiam se considerar um casal normal, e por isso precisavam fazer valer cada um dos minutos roubados que conseguiam dedicar um ao outro. E, bem, naquela manhã de domingo eles definitivamente estavam aproveitando o momento para aplacar a saudade que sentiam.”
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Os membros da unit NCT DREAM são personagens fixos.
Beta: Alex Russo

 

Os raios solares que habilmente tomaram o quarto pelas frestas das persianas naquela manhã funcionaram como um delicioso despertador natural. A temperatura ligeiramente elevada lhe fez ponderar sobre o horário antes mesmo que seus olhos se abrissem. Nada, no entanto, lhe incomodava. Seu corpo começava a despertar junto com sua mente sonolenta e um sorriso pequeno ornou seus lábios assim que ela sentiu o calor tão aconchegante da pele dele contra a sua. Ainda que estivessem inertes, o simples toque era o suficiente para fazer com que se sentisse plena. Estar com daquele jeito era sempre um presente que seu coração amava receber.
O quarto iluminado pela manhã de início de verão esteve em seu campo de visão assim que seus cílios bateram uns nos outros, acostumando-a com a claridade e despertando-a por completo. A respiração regular e tranquila que saía por entre os lábios do namorado, que tinha o rosto acomodado entre seu pescoço e ombro, a fez constatar que ele ainda dormia, o que lhe alertou para os cuidados com os próprios movimentos a fim de que ele continuasse a descansar como merecia. Com cuidado, descolou as costas de seu tronco e girou o corpo até que estivesse de frente para ele, com seus rostos alinhados e próximos o suficiente para que ela sentisse sua respiração bater quente em seu queixo.
Sua preciosa peça de arte.
desconfiava de que jamais iria se cansar de admirá-lo. A pele bonita e natural parecia ainda mais brilhante diante da fraca iluminação e seus lábios rosados sem auxílio de nenhuma maquiagem pareciam tão convidativos entreabertos do jeito que estavam que ela se sentia tentada a levar seu polegar até eles, dando-lhes o carinho que mereciam. Não querendo acordá-lo, porém, ela se limitou a sorrir para sua figura adormecida, provavelmente parecendo mais boba do que jamais gostaria de admitir. Caso a flagrasse, certamente implicaria com ela por dias. Apesar disso, não se conteve em levar uma das mãos até seus cabelos lisinhos, que caíam escorridos em sua testa e escondiam suas sobrancelhas, afastando os fios com o indicador, deixando a expressão dele ainda mais inofensiva. Deixou com que as mechas macias passassem por entre seus dedos e se inclinou para encostar os lábios em sua testa, beijando-a com delicadeza, recebendo de volta um suspiro de quem, mesmo inconsciente, aprovava o carinho.
Sua missão seguinte era conseguir sair de seu abraço, tão bem encaixado graças à forma como ele envolvera sua cintura durante grande parte da noite, e não acordá-lo. Deus sabia como era extremamente raro receber autorização para passar uma noite fora e o fato dele ainda ter sido liberado para ficar pela manhã era um bônus que a namorada recebera com enorme surpresa. Faria seu melhor, então, para que ele continuasse a dormir mesmo que o sol já brilhasse alto do lado de fora. Cada momento que conseguiam juntos era precioso, mas ela abriria mão de todos para que ele se mantivesse descansado e saudável. Uma preguiçosa manhã de domingo parecia o presente perfeito para prolongar as comemorações pelos cinco meses que completava junto de .
Arrastando o corpo devagar para longe dele, quase podia sentir sua pele reclamar da falta imediata de seu calor característico, o que a fez quase rir pela constatação. Era cômico e espantoso como suas vidas tão diferentes se cruzaram e como suas rotinas completamente opostas – a dele tão exaustiva e cheia de compromissos que lhe fugiam ao próprio controle e a dela tão pacata e flexível quanto o trabalho como fotógrafa permitia – se alinharam da melhor forma que podiam somente para que eles pudessem tornar aquele relacionamento real, mesmo com todas as limitações com que precisavam lidar todos os dias. não esperava que alguém como fosse entrar em sua vida daquele jeito um dia, mas olhando-o descansar enrolado em seus lençóis cor de caramelo, enquanto já estava de pé ao lado da cama, ela jamais poderia dizer que não se sentia feliz por tê-lo.
Sem deixar de sorrir, lhe deu as costas para seguir preguiçosamente seu ritual matinal. Com uma breve olhada no aparelho de celular descobriu que ainda estavam a poucos minutos das nove, logo, teria tempo de sobra até precisar acordar o namorado. O fato de não encontrar nenhuma notificação de piscando em sua tela já lhe dizia que estava tudo sob controle. Isso porque sempre que obtinham autorização para estarem juntos, fazia questão de ficar incomunicável, sob a justificativa adorável de que precisava se concentrar nela e nada além. O membro mais velho, então, recorria à comunicação com a mulher sempre que existia alguma emergência, recado urgente ou sempre que precisava fazer o papel inconveniente de dizer que era hora de voltar ao dormitório.
– Por mim você ficava com ele, mas Donghyuck ficaria solitário, sabe? – era o que lhe dizia entre risos e sob protesto do companheiro de quarto atual de ao fundo da ligação.
Em poucos minutos a jovem mulher arrastava silenciosamente seus chinelos em direção à sala, adiantando-se para abrir as cortinas e deixar que a luz solar iluminasse o pequeno ambiente que ela mesma decorara com muito empenho. Viver no último andar de um pequeno edifício de cinco era seu pequeno luxo particular, que lhe dava uma bela vista do pacato bairro ao sul do rio Han. Na grande janela ao leste todo o parapeito estava tomado por plantinhas que ela começara a cuidar desde que se mudara para aquele apartamento ao fim da graduação. Logo se adiantou até a área de serviço para buscar o regador e molhar a terra dos vasos, como fazia todos os dias.
Estava adicionando um pouco de adubo ao mais novo pé de agrião quando ouviu os passos atrás de si. Ainda que tentasse, não era tão silencioso e por isso sempre falhava na intenção de surpreendê-la ou assustá-la. A mulher mordeu um sorriso enquanto afastava a terra com a pá pequena e esperou por sua aproximação. O rapaz, no entanto, não tinha intenção alguma de assustá-la, ainda que sempre fosse divertido tentar. Apenas parou por alguns instantes atrás do sofá marrom e com os olhos ainda sonolentos perdeu alguns segundos admirando a imagem que lhe trazia tanto aconchego ao coração quanto acordar em um domingo na casa da avó e ser mimado durante um dia inteiro. estava completamente iluminada pela luz solar, inclinada na direção de suas plantinhas enquanto cuidava delas e murmurava canções de trot¹. Ao perceber isso, conteve uma risada mais alta.
– Noona² – sua voz naturalmente grave parecia ter essa característica acentuada pelo fato de ter acordado há pouco –, você parece uma ahjumma³ desse jeito. Cantarolando, cuidando de plantinhas, vestida em um pijama velho…
Sua risada reverberou na curva do pescoço de no momento em que ele a abraçou, envolvendo sua cintura com os braços e colando seu tronco às costas dela, apertando-a contra si como se já estivesse sentindo sua falta. O riso da mulher veio junto de um conhecido e gostoso frio na barriga que insistia em aparecer quando ele se aproximava assim. Não era algo que ela pudesse evitar, ainda que achasse a reação completamente desproporcional levando em conta que já deveria estar acostumada. Apesar de deixá-la indignada algumas vezes – porque aquilo significava, entre outras coisas, uma vantagem para ele e uma fraqueza para ela –, sabia que cada pequena resposta de seu corpo às ações do rapaz significava que ela não estava errada em deixá-lo entrar em sua vida. Ainda que tentasse, resistir a não era algo que fosse possível para ela.
– Aposto que sou a senhora com a aparência mais jovial que você já viu. – com um sorriso espertinho nos lábios, girou o corpo até ficar de frente para ele, sem sair do contorno de seus braços e unindo as mãos para trás de si, cuidando para que suas luvas sujas de terra não esbarrassem nele.
Oh, sim estreitou seus olhos mornos para ela, ainda mantendo a brincadeira infantil –, eu devo ser muito sortudo mesmo.
riu abertamente, jogando um pouco seu corpo para trás e o rapaz riu apenas por ela tê-lo feito. Seu sorriso fora o primeiro achado de nela. O riso aberto, gostoso, tão genuíno que era impossível controlar seus próprios lábios a não se esticarem também. Seus olhos sempre riam junto e seu rosto então se iluminava de uma forma que faria inveja até mesmo ao sol. não duvidava sobre ser um sortudo. Ainda que houvesse quem falasse que era ela a ter a sorte grande nesta equação, o rapaz sabia que ele era o verdadeiro afortunado. Isso porque, para além das qualidades que o cativavam, seus defeitos também se embolavam na lista do que ele amava nela, equilibrando a balança de seus sentimentos de uma forma que o jovem rapaz não achou que fosse possível.
– Dormiu bem? – analisou sua expressão com carinho e sorriu quando ele assentiu repetidamente com a cabeça, fazendo com que as mechas de seu cabelo dançassem sobre sua testa.
– Como um bebê! – ele lhe apertou um pouco mais contra si e aproximou seus rostos para colar seus lábios aos dela em um beijo curto, mas aconchegante, fazendo-a sorrir novamente.
– Isso é bom – a mulher roçou o nariz em seu queixo, fazendo-o fechar os olhos diante do carinho –, porque eu não planejava acordar você antes das dez.
– Não tem problema – a largou para que ela pudesse continuar a fazer o que fazia antes de sua chegada, sentando-se no braço do sofá para observá-la –, sei que você gosta que eu descanse, mas eu prefiro ficar com você estando acordado.
o olhou por cima do ombro rolando os olhos teatralmente, o que arrancou um riso dele. A mulher achava que era mania de idol não colocar qualquer limite em suas capacidades físicas básicas, porque levando em conta o que capturava de seus companheiros de grupo, parecia uma constante entre todos abdicar de sono e descanso para atingir uma excelência, que em sua humilde e ingênua opinião, eles já tinham. Era meio enlouquecedor para ela ouvir falar sobre sua rotina quando conversavam no final da noite, então era um tanto impossível não fazer o papel de namorada super protetora, mesmo que às vezes soasse mais brega que o recomendado e a fizesse parecer mais velha do que a já pequena diferença de idade que tinham. Era mesmo uma ahjumma presa no corpo de uma noona.
Eu sei – deu ênfase na resposta, terminando de molhar a terra escura no vaso de pimenta –, mas você estava dormindo tão gostoso que eu não tive coragem de acordar você.
A forma como ela falou fez rir.
– Não que você estivesse me observando dormir, é claro! – ele implicou, rindo ao vê-la virar para si com uma expressão indignada enquanto tirava as luvas e as jogava no balde ao lado do regador, no chão.
– Eu não faço essas coisas, você sabe.
Seu indicador dançou na direção dele enquanto uma expressão de falso desdém tomava conta de seu rosto. caminhou para ele em seguida, encaixando seu corpo entre suas pernas e deixando que ele a abraçasse novamente. Quando estavam sozinhos, era um tanto quanto impossível que o toque constante fosse evitado, mesmo que esse não fosse um costume geral. Havia uma necessidade de sentirem um ao outro naqueles raros períodos em que podiam demonstrar seus carinhos sem qualquer preocupação, então eles o faziam com os abraços mornos, os toques macios de seus dedos sobre a pele um do outro e os beijos doces sem maiores intenções.
– Claro! Ou ficaria decepcionado com você se tornando uma namorada melosa.
A expressão da mais velha se desfez em uma risada divertida e sorriu para ela novamente, evidenciando em suas bochechas as covinhas que ela tanto amava. Se dependesse dele totalmente, todos os dias seriam como aquela manhã de domingo, com ela em seus braços e com o riso tão frouxo que se desprendia por seus lábios por qualquer motivo bobo. Sendo honesto, se sentia muito honrado e grato pelos seus esforços o terem levado onde estava, era seu sonho, afinal. , no entanto, lhe mostrara o que lhe faltava, mesmo que ele não tivesse sentido falta alguma antes. Depois dela, havia uma nova e linda motivação e nos dias mais exaustivos era em momentos como aquele que ele pensava, porque ele sabia que ela renovaria suas energias como o melhor chá de ervas das montanhas jamais faria.
– Longe de mim decepcionar meu favorito! – rolou os olhos diante da frase e ela se adiantou para deixar um beijinho na ponta de seu nariz antes de mudar de assunto – Está com fome?
Doenjang jjigae⁴? – seus lábios se esticaram em um sorriso ao fazer a sugestão.
olhou para o relógio antes de responder e assentiu quando conferiu que ainda tinham tempo até que ele precisasse ir. Ela amava quando tinham um momento para cozinharem juntos e logo os dois estavam na pequena cozinha dela, que era separada da sala apenas pela longa bancada de mármore. Enquanto ela retirava a pasta de soja do refrigerador, se ocupou em usar o controle remoto para iniciar uma das playlists que ela era viciada em criar. adorava ouvir música enquanto fazia qualquer serviço doméstico. Mania de quem passava tempo demais sozinha, era o que dissera a ele em outra ocasião.
Ao dar play em uma das listas que ela nomeara como “Sunday Morning”, os dois ouviram Fine de Taeyeon tomar todo o cômodo e sorriram um para o outro enquanto começaram a cantarolar juntos e dividiam-se entre cortar os legumes e ferver a soja. Para quem olhasse de fora, era uma cena um tanto adorável. Uma pintura doméstica em tons claros e mornos, passível de transmitir uma tranquilidade que somente às silenciosas manhãs de domingo conseguiam.
, enquanto usava a colher de madeira para misturar a pasta à água fervente, gostaria de poder dar um pulo em seu estúdio e tomar sua câmera em mãos para fotografar a cena que via. Com certa habilidade, cortava o rabanete branco com concentração. Seus dedos compridos pareciam tão bonitos e atrativos, além de serem uma combinação contrastante ao bico fofo que ele levava nos lábios ao estar tão absorto em sua função. Percebendo seu silêncio, o rapaz a espiou pela esguelha, apertando os lábios para reprimir o riso, mas falhando logo em seguida, fazendo-a perceber que ele a flagrara o observando tão atentamente.
– São bonitas, não é? – o tom convencido a fez soltar uma risada alta – Também gosto de minhas mãos.
– Odeio elas.
Sua resposta o fez gargalhar.
– Ontem você as amava…
! – ela o repreendeu pela insinuação, mas riu junto.
Achando graça, ele se inclinou para ela e deixou vários beijinhos em sua bochecha, fazendo-a se encolher para impedi-lo de continuar. Não havia como não ceder, porém, quando ele descia os beijos para seu pescoço e colava seu corpo ao dela, abraçando-a pela cintura ao deixar os legumes de lado. deslizou a pontinha do nariz pela curva do pescoço até seu ombro e descansou o queixo, fechando os olhos ao deitar a cabeça ali, sentindo o cheiro bom que vinha dos cabelos dela.
– Amo você. – a voz grave saiu séria, mas a fez sorrir.
virou o rosto para tocar com seus lábios a bochecha macia dele em um beijo demorado. Seus olhos se fecharam e ela o sentiu apertar-se ainda mais contra si. Afastou seu rosto após alguns segundos, apenas para encará-lo de pertinho, vendo tão nitidamente as íris brilhantes de seus olhos sempre tão neutros, mas que naquele momento pareciam capturá-la com carinho e intensidade. Aproximou-se para mais um beijo, dessa vez em seus lábios e não deixou que ela se afastasse até beijá-la devidamente, abrindo seus lábios com os dela e trazendo aos corpos a sensação agora tão familiar de seus gostos misturados tão harmonicamente.
– Amo você. – ela respondeu em um sopro, assim que suas bocas se separaram, sorrindo para ele como se dissesse mais do que apenas confessar seu amor.
esfregou seus narizes em um carinho preguiçoso.
– Eu sou muito sortudo mesmo, não é?
– Você é – ela riu, beijando-o uma última vez antes de se afastar para voltar a mexer a panela –, mas agora continue o que estava fazendo ou você vai se atrasar.
O desjejum não demorou em ficar pronto e sobre a bancada eles arrumaram as tigelas de pedra e os recipientes com os acompanhamentos de vegetais. O colorido dos alimentos sobre a pedra do mármore fazendo um bonito cenário entre o casal, que se sentara um de frente para o outro nos bancos altos da cozinha. A música ainda tocava e contava para ele sobre o último ensaio que fizera, com um casal que esperava seu primeiro bebê. Foram interrompidos pelo celular dela vibrando e nem precisaram olhar o visor para saber de onde vinha a ligação. A mulher tomou o aparelho em mãos e o balançou para o namorado depois de confirmar quem era.
– Quer atender?
abanou uma das mãos, negando, e logo voltou a mergulhar a colher na sopa para continuar a comer. atendeu a ligação de pronto.
-ah! – ela cantarolou e seu sorriso esticou seus lábios assim que ouviu sua resposta do outro lado da linha.
– Oi, ! – ele riu por sua animação – Não está muito cedo para todo esse bom humor? Pelo visto andou se divertindo…
Seus olhos rolaram, mas uma risada escapou de seus lábios, fazendo levantar o olhar para ela, adivinhando que o amigo estava implicando com sua namorada de alguma forma. e ele nunca perdiam uma oportunidade para tal e era por isso que ela os adorava.
– Não é tão cedo assim – ela riu, apoiando-se na bancada e segurando o aparelho ao ouvido, sob o olhar atento de –, mas não posso negar a outra parte… – os dois riram juntos antes que ela continuasse – Só que você ligou para cortar meu barato, certo? Qual o recado?
– Odeio fazer esse papel – quase podia ver o bico que se formara em seus lábios finos do outro lado da linha e sorriu por isso –, mas o carro vai passar em breve para buscá-lo. Pontualmente ao meio-dia. Acho melhor acordá-lo logo.
– Hmmmm, anotado. Ele já está de pé aqui, está comendo, mas vou avisá-lo. – a mulher afastou o celular ligeiramente para se dirigir ao mais novo – Seu carro chega ao meio dia, babe. Você precisa se apressar.
A careta que tomou conta de seu rosto bonito a fez rir, mas foi o comentário do outro lado da ligação que a fez gargalhar.
– Ora, ora, ouço apelidinhos carinhosos. vai ficar sabendo disso, ! – apesar da seriedade na voz, ria.
– Ei, uma mulher tem o direito de fraquejar, não?
Vendo suas risadas e a expressão divertida dela enquanto falava com o amigo e companheiro de grupo, se sentia ainda mais sortudo. Apesar das poucas oportunidades de aproximação com os outros rapazes, ganhara o apreço e o carinho de todos com certa facilidade. Podia contar nos dedos as vezes em que ela esteve com alguns deles por mais de uma hora, mas também podia dizer que cada minuto foi preenchido com risadas e conversas que emendavam uma a outra. detestava climas estranhos e sempre cuidava para que eles sumissem de sua área de influência. Era por isso que era extremamente fácil estar com ela, em qualquer situação.
– Ok, ok, você tem seu argumento. Preciso desligar agora. Não esqueça, ao meio dia.
– Sim, senhor! Pode deixar que estou no comando aqui.
– Você sempre está.
riu, fazendo-a rir junto antes de se despedirem. Ao encerrar a ligação, voltou sua atenção para e ela poderia jurar que o sorriso pequeno em seus lábios já era saudoso. Não era para ser tão complicado, afinal, tinha sua rotina pessoal e profissional, assim como tinha a sua, mas o fato de não saberem quando teriam outro fim de semana como aquele era o ponto que dava às suas despedidas um gosto sempre agridoce. Não era como se pudessem dizer vejo você mais tarde ou volto no sábado, com eles era mais como me deixe saber quando você puder vir de novo ou vou tentar acelerar nas práticas para conseguir mais tempo livre e quem sabe permissão.
– Você deveria ir para o banho.
, porém, aprendera com ela a não deixar que seus momentos juntos fossem tomados por qualquer ponta de melancolia quando chegava a hora de um ou outro ir embora. Ainda que às vezes ela deixasse uma pontinha de chateação destoar, ele estaria lá para fazer como ela faria caso acontecesse com ele.
– Você vem comigo?
– Garoto, você… – ela apontou o jeokkarak⁵ na direção dele, mas sua risada não lhe deixou continuar e soube que sua missão estava cumprida – Não vou nada! Não temos tempo pra distrações.
– É uma pena – ele contornou a bancada para lhe abraçar –, porque gosto quando você me distrai.
– Vai logo, ! – mandou, entre risadas, e ele lhe deu um beijinho antes de sair em direção ao seu quarto em uma corrida breve – Ou vai ficar difícil deixar você ir.
Sua voz mais baixa terminou a sentença, mas ele já não podia ouvir. moveu o indicador pela tela de seu celular e checou as horas, deixando-se distrair pela imagem que era sua proteção de tela. e ela no aniversário de Mark há algum tempo atrás, provavelmente sua foto favorita das que tinham juntos. Observar a imagem a fez lembrar que tinha revelado as demais fotos que havia tirado naquele dia em sua câmera analógica. Alguns filmes tinham se perdido porque Renjun havia tentado fotografar os amigos, mas havia borrado a maioria. A simples lembrança a fez rir. Ela então levantou e foi até o pequeno cômodo que transformara em estúdio e procurou pelo envelope, levando-o até o quarto depois de encontrá-lo.
– As fotos do aniversário do Mark estão aqui. – balançou o envelope marrom nas mãos quando saiu do banheiro, trazendo o aroma de lavanda para todo o quarto – Renjun estragou a maioria, mas consegui salvar algumas.
Depois das risadas e dos comentários sobre o dia no passado, tudo o que ouviram por alguns minutos foi o barulho do secador de cabelo. deitou a cabeça nas coxas dele enquanto usava o aparelho para tirar a umidade que a toalha não conseguira. O cheirinho gostoso do shampoo junto ao zunido constante do ar quente quase a fizeram cochilar, mas o beijinho do rapaz em sua bochecha a despertou novamente.
– Hora de ir, jagi⁶.
checou as horas novamente e restava um minuto para o horário marcado. Enquanto guardava suas coisas na mochila preta, ela foi até sua penteadeira e retirou uma máscara descartável da caixinha, levando até ele e encaixando os elásticos em suas orelhas, beijando-lhe carinhosamente antes de cobrir parcialmente seu rosto. Ainda que não visse seus lábios, pela forma como seus olhos se apertaram, ela soube que ele sorria e sorriu de volta enquanto entrelaçavam seus dedos e caminhavam até a porta.
– Ligo para você à noite. Você ainda vai trabalhar? – o rapaz perguntou enquanto colocava o boné e esperava que ela destravasse a porta com a senha.
– Tenho um ensaio pra editar, mas não é muita coisa. Até a noite já devo estar livre. – com um aceno de cabeça ele assentiu e ela se inclinou para abaixar a máscara e juntar seus lábios mais uma vez – Agora vá. Te amo.
– Te amo mais.
Com um último beijo, ela o viu passar pela porta e seguir em direção ao corredor, com o coração se apertando um pouquinho pela falta que sentiria dele assim que sumisse de seu campo de visão. Acostumar-se à era muito fácil e amá-lo também, o que sempre tornava difícil deixá-lo.
– Ei! – ela o chamou assim que as portas do elevador se abriram – Aproveite seu domingo.
Abaixando a máscara novamente para que ela visse seu sorriso, virou para a namorada com metade do corpo dentro da máquina de aço.
– Já aproveitei.
A resposta fez o sorriso de aumentar e seu coração esquentar um pouquinho.
– Aproveitei com você.


¹Trot
é um gênero de música pop coreana classificado como antecessor do KPOP. Sua origem data os anos 1900, período de ocupação japonesa. Apesar do declínio, ainda é popular entre os mais velhos.
²Noona é um honorífico utilizado por rapazes para se dirigir às mulheres mais velhas, mas ainda em sua faixa etária. Pode ser usado para se referir a irmãs, amigas ou namoradas. Lê-se “Nuna”.
³Ahjumma é um honorífico utilizado para se referir às mulheres mais velhas, geralmente aquelas que estão na faixa etária que chamamos de meia idade no ocidente.
⁴Sopa de soja fermentada muito comum nas refeições sul-coreanas. O desjejum tradicional costuma ter as mesmas comidas das demais refeições do restante do dia, o que difere muito do nosso tradicional café da manhã.
⁵Jeokkarak são os “palitinhos” coreanos, tradicionalmente feitos de metal. Lê-se “Chôkarah”.
⁶Jagi é o encurtamento de Jagiya, termo carinhoso utilizado para se referir a alguém dentro de um relacionamento como namorados ou casados. Em tradução adaptada seria algo como querido/querida ou amor.

Nota da Autora:
Algumas vezes eu sou atingida por ondas de inspiração completamente inesperadas. Foi exatamente em uma dessas marés refrescantes de amor que essa oneshot nasceu, sendo a primeira fanfic da minha NCT/WayV Short Series. Espero em breve poder compartilhar novas estórias com os demais membros.
Espero que tenham gostado e me deixem saber! Para ouvir a playlist da protagonista, é só clicar aqui.
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