Eclipse

Eclipse

  • Por: Claire
  • Categoria: Livros | Restritas
  • Palavras: 4760
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Sinopse: Você sempre viu algo de interessante nele, e ele em você; mesmo que estudem juntos em Hogwarts desde o primeiro ano, são como filhos do sol e da lua: tão separados quanto podem. A história se passa durante o quinto ano, quando você e suas melhores amigas, Lilly Evans, Marlene McKinnon e Donna Foster acabam envolvidas com os marotos, seja pelo ódio ou pelo amor.
Gênero: Romance, drama.
Classificação: +18 anos.
Restrição: Sexo, palavrões, violência.
Beta: Thalia Grace.

 

Eclipse, por Claire
 

Capítulo 1 . Torneio Tribruxo
 

Era o início do ano; o garoto Black aloprava alguns novatos do primeiro ano e era perseguido por Peter, que também queria ganhar algum ego adicional por incomodar os mais novos. Era o quinto ano deles agora e apesar já terem tanto tempo de vivência todos os cinco anos em Hogwarts e principalmente o fato de serem da grifinória parecia não ter ensinado absolutamente nada sobre decência para eles.

— Parem com isso, seus idiotas, nós vamos para a detenção no primeiro dia de aula por causa de vocês. — James disse, bufando e tentando segurar o riso quando um garotinho saiu de perto deles com um bilhetinho colado nas costas. Sirius olhou para ele meio confuso.

— Qual é, você pedindo pra gente parar? Essa é nova.

— Eu não quero ir pra detenção!

— Desde quando se importa com isso? — Lupin tirou os olhos do livro parecendo meio confuso e surpreendendo a todos os seus amigos, apesar de já conhecerem sua habilidade de dividir sua concentração em duas tarefas naturalmente.

— Eu não me importo, mas é chato, é demorado… vocês sabem.

Sirius olhou para ele, tombando o rosto. Desde que se entendia por gente, ele era como a sombra de James. Onde havia um James, havia logo atrás um Black, e assim eram desde pequenos; eles se conheciam melhor do que qualquer um ali, embora fossem igualmente próximos entre si, e ele reconheceria de longe que o amigo não dizia a verdade ali. Procurava o que ele escondia dentro de seus olhos e encontrou no fundo negro de sua pupila o reflexo ruivo que passava por eles naquele instante. Alguns passos em uníssono tiraram a atenção dos marotos de suas trapaças rotineiras, e então Sirius pôde ver: James não queria parecer um idiota na frente de Lily. Ela passava por ali no momento, com seus livros nos braços. O cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo alto balançava de um lado para o outro e sua boca não parava de se mover enquanto ela conversava com suas amigas que andavam ao seu lado. Marlene e Donna discutiam a receita de alguma poção com a garota, que parecia não ter dúvidas acerca do que afirmava ser a receita correta. Atrás das três, a última garota do grupinho que eles zombavam chamando de “as marotas” às vezes, estava com o rosto focado no livro em suas mãos. Era , uma garota conhecida e diga-se de passagem que extremamente estonteante. Assim como Lily, costumava chamar a atenção dos garotos de toda parte. Elas combinavam perfeitamente, o que acreditavam ser a razão pela qual se davam tão bem: eram igualmente petulantes, decididas e extremamente inteligentes. Ela andava atrás das amigas parecendo desinteressada na conversa delas, respondendo algo que lhe era perguntado de quando em vez.

James se levantou do murinho que dava do corredor para o campus imediatamente, enfiando as mãos nos bolsos e tentando parecer mais digno. Ele recebeu olhares engraçados e desaprovadores de seus amigos, e o olhar especial de , que fechou o seu livro parecendo tê-lo terminado. Ela olhou para a pose que ele tentava forçar e então para Lily, o seu alvo, e riu baixo. Se virou para ele dizendo “desista” baixinho e gesticulando para que ele entendesse o que ela dizia sem chamar a atenção das amigas e então se enfiou no trio a sua frente, empurrando Donna para o canto e se intrometendo no assunto sobre a poção.

— Alguém sabe o que diz. — disse Lupin, rindo.

— Vocês não tem mesmo nada melhor pra fazer?

– x –

O salão comunal estava cheio e Dumbledore acabara de fazer seu típico discurso de início de ano, apresentar o novo corpo estudantil — que independente do ano, sempre tinha alguns ajustes. Ele parecia aguardar os ânimos se acalmarem antes de pedir silêncio.

Lily e se sentavam lado a lado, de frente para Donna e um lugar vazio que pertencia a Marlene. Ela tinha sumido alguns minutos antes de todos os alunos invadirem o gigante salão comunal e ocuparem suas respectivas mesas, mas não era surpresa ou suspeita alguma para suas amigas: Marlene era a mais fujona delas. Sempre escorregava pelos cantos mais sombrios do colégio e conseguia chegar a qualquer lugar usando as passagens secretas que conhecia.

— O que está havendo? — Peter perguntou a , que se sentava ao seu lado enquanto todos faziam silêncio.

— Bem, eu não sei. Acho que teremos de esperar. — ela sussurrou de volta e ele assentiu fazendo silêncio; um sorriso largo se formou no rosto doce de Dumbledore e ele por fim começou a falar.

— Neste ano, como todos sabemos, um evento memorável para a comunidade bruxa será sediado por Hogwarts pela primeira vez na história. O torneio tribruxo! — ele deu uma pausa para as palmas. — Para àqueles que ainda não sabem do que se trata, o torneio tribruxo é a maior competição entre bruxos do mundo; três escolas escolhem através do cálice de fogo, um aparato mágico seletivo, o seu herói: um aluno apto para competir com os outros em três desafios perigosos, interessantes e também mortais. É uma honra receber em nosso colégio os poderosos alunos do Instituto Durmstrang e seu respectivo diretor, professor Solveig Delavec, e as graciosas alunas da Academia de Magia Beauxbatons e sua respectiva diretora, Adeline Carpentier. Sejam bem vindos!

Todos pareciam deslumbrados quando as garotas vestidas em seda azul com chapéus tipicamente franceses deixaram um suspiro e fizeram uma apresentação repleta de borboletas e flores, se posicionando à frente com sua diretora — uma mulher baixa e rechonchuda, cuja expressão poderia amedrontar até mesmo ao próprio Dumbledore.

Ela deu passos largos e cumprimentou o velho como se fossem velhos amigos, firmando um aperto de mãos caloroso após um abraço. Então se posicionou ao seu lado e suas alunas se sentaram na ponta da mesa da grifinória a convite dos alunos, enquanto os garotos de Durmstrang entravam pela porta principal;

Eles usavam grossas roupas de frio com capas e um chapéu tipicamente russo, faziam acrobacias e batiam enormes tacos no chão. Então alguns alunos vieram pulando e abrindo espaço para o homem alto, albino e esguio de expressão fechada e furiosa que vinha logo atrás. Ele cumprimentou Dumbledore ligeiramente e também à Adeline, e então sugeriu que seus alunos se sentassem na mesa da sonserina. O Instituto Durmstrang não aceitava alunos cujo sangue não fosse puro, e tendo isso em vista, era preferível que seus alunos se sentassem com a casa da serpente aos olhos de Solveig.

— Eu perdi a entrada dos gatinhos? — Marlene disse, se sentando e bebendo um pouco do suco de uva que se serviu sozinho quando ela apareceu um pouco descabelada e apressada.

— Não perdeu nada. — disse com uma expressão entediada enquanto oferecia um pouco de seu pão de batata para a amiga. Os da travessa haviam acabado e só reapareceriam após algum tempo; Marlene aceitou de bom gosto e olhou para Lily, que parecia exclusivamente quieta.

— É raro ver você quietinha assim, Lily.
— Só estou pensando em Severo. Ele parece meio sozinho do lado de lá.

— Ele tá bem. Até diria que ele tá com cara de quem quer se inscrever para o torneio. — Donna disse, olhando para a mesa da Sonserina e se voltando para as amigas.

— Me inscreveria se não tivesse tanta certeza de que não serei escolhida. — Lily parecia triste por isso.

— Você não tem como ter certeza disso, tem, Lily? — disse James, que passava por trás dela naquele instante. Ele deu uma piscadela de um olho e ela o olhou furiosa, com aquelas bochechas rosadas e sardentas que indicavam a raiva que sentia naquele instante;

— Como ele pode me chamar pelo nome? Quem ele pensa que é, afinal?

— James Potter, o mais babaca. — disse, levantando uma sobrancelha. Marlene interveio:

— O quase mais babaca. Black ganha dele. — deu de ombros e elas riram; Donna parecia prestar muita atenção em algo e não dava atenção à conversa delas, e logo se levantou saindo da mesa. Apesar da confusão, nenhuma delas pareceu querer intervir.

A um Peter de distância delas, James, que acabara de voltar, e Sirius conversavam baixinho; fingia não notar os olhares sutis de Remo, mas podia perceber muito bem que os olhos dele não se desgrudavam dela.

— Ei, vamos nos inscrever.

— O que? — Remo desviou o olhar de para seu amigo Potter, que o olhava animado com Sirius. Ele arregalou os olhos como se não acreditasse. — Sabe que eu não posso.

— Vamos nos inscrever. — os dois afirmaram.

— Sabem os perigos desse torneio? É coisa real, vocês correriam risco!

— “Vocês”? Você vai com a gente, Aluado, não se preocupe. — James riu. — Que risco é páreo para os marotos?

— Não vou deixar você se matar só pra impressionar uma garota, nem que ela seja Lily Evans!

— Não que eu esteja fazendo isso por ela, mas até mesmo você cairia de amores por mim depois de me ver com aquela taça na mão. — James disse, olhando com os olhos brilhantes para a enorme taça tribruxo, que cintilava azul reluzindo em seus detalhes perolados. Lupin revirou os olhos como se aquilo fosse a maior idiotice do mundo.

— Tá, até eu tô começando a achar ridículo. — Sirius disse, enfiando um sonho na boca enquanto olhava para o amigo com uma sobrancelha levantada. — Nós vamos nos inscrever, mas já sabemos que nenhum de nós vai ser escolhido.

— E por que não?

— Porque Amos Diggory existe. — ele bufou, olhando com certa irritação para a mesa da lufa-lufa.

Amos Diggory era um dos garotos mais populares dali. Não que os próprios marotos não tivessem lá sua fama dentre as garotas, mas não chegavam aos pés do famoso “Ammo”, um dos mais geniais estudantes. Não podiam negar que ele era bonito também, mas eles negavam mesmo que discordassem. James sentia uma rixa inabalável contra ele, embora seu maior inimigo fosse Severo, e no fim das contas torcia para que Amos não recebesse atenção alguma em vista de que agora os garotos de Durmstrang eram uma novidade ali; ele desejava que Amos sofresse o esquecimento de suas fãs insuportáveis.

— Ele é um otário, não vai ser o campeão de Hogwarts nem por decreto. — disse decidido. — ouviram Dumbledore: o cálice fica disponível a qualquer instante durante os intervalos, tudo o que precisamos fazer é ir lá e jogar os nossos nomes.

— Não acha que é muito novo para ser o campeão, Pontas? — Lupin tentou uma última vez a convencer seu amigo de não fazer tal burrada.

— Não acho.

– x –

as garotas

A aula era de poções, dividida entre a grifinória e a Sonserina. Os marotos voltavam direto do intervalo, após colocarem seus nomes no cálice de fogo; formaram duplas como solicitado. Lily e também participavam daquela aula, diferentemente de Donna e Marlene, que aparentemente odiavam tanto o professor quanto a matéria e se negavam a participar. Elas estariam na aula de adivinhação naquele instante.

— Acha que vão ser escolhidos? — Lily disse para enquanto lia a receita da poção em questão.

— Eu duvido. São rapazes fortes, mas se nem nós o levamos a sério, o que diria do cálice? — a amiga respondeu, jogando uma folha de arruda dentro do caldeirão delas sendo seguida por alguns líquidos e bálsamos que Lily derramava.

— Onde acha que Marlene estava mais cedo?

— Bem, ela estava desarrumada e por sinal chegou ao mesmo tempo que o Black. Realmente tá me perguntando o que eu acho? — ela riu, olhando para a amiga.

era um pouco menor do que Lily em questão de tamanho. Seus corpos se assemelhavam muito no formato; ela tinha olhos acinzentados, que podiam parecer mais claros ou negros dependendo da iluminação. Sua boca, avermelhada por natureza, contrastava com os cabelos compridos ondulados e completamente negros. Ela tinha um olhar sincero e inocente, coisa da qual Lily compartilhava também; apesar da expressão constantemente petulante e teimosa, era muito quieta e reservada. Ela era extremamente estudiosa e dedicada, e era considerada uma pessoa tranquila, gentil e bondosa por todos que a conheciam de fato. Era, entretanto, um pouco tímida e para tanto parecia um tanto misteriosa para os de fora. Costumavam ser as melhores alunas de poções, adoradas e veneradas pelo professor Slughorn, as duas estrelas do Clube do Slug; sempre estavam em primeiro lugar na lista preferencial de Horácio, juntamente à Severo, o estranho porém genial amigo de Lily que todos tanto odiavam. Era outro fator entretanto onde se diferia: ela não via porque odiar o garoto e, em fato, não via porque odiar ninguém. Era muito compreensiva e apesar do comportamento por vezes arrogante e intolerante de Severo, ela podia compreender que o garoto não tinha uma vida fácil. Ela não perdoava, entretanto, injustiças e era por isso que tinha receio quanto aos marotos. Sabia que eles eram os responsáveis pelo inferno de Snape, assim como Lily sabia e igualmente a enojava.

Ela olhou de relance para a amiga que parecia observar algo ao longe. Viu que o livro de Lily estava naquela página há um bom tempo e aparentemente haviam minutos desde que fez a última alteração na poção, embora tivesse várias nozes para descascar e uma uva para dissecar corretamente. Seguiu o olhar da ruiva até James; ela parecia horrorizada e ele parecia não ter a mínima ideia do que estava fazendo. Tanto ele quanto Black despejavam diversos ingredientes no caldeirão, mas nenhum deles estava sequer na receita.

— Eu sei que você quer muito ir lá ajudar seu amor — ela começou, amarrando seu cabelo em um rabo de cavalo alto enquanto olhava a página do livro que dava instruções sobre a poção. —, mas a nossa poção vai cozinhar demais se você deixar as uvas encharcadas desse jeito.

Lily pareceu cair em si e olhou assustada para o caldeirão e para , que tinha um sorrisinho engraçado no rosto; ela riu também enquanto começava a dissecar as uvas com sua faca — técnica que Severo a ensinara algum tempo atrás.

, aquilo lá tá muito errado… — ela disse rindo baixo e sussurrando, referindo-se a James e Sirius.

— Eu sei. Sabe o melhor? — riu. — Eles jogaram figos; mais um pouquinho de baba de trasgo e o caldeirão vai decolar.

Elas caíram na risada enquanto pegou uma colher e mexeu um pouco o caldeirão, que borbulhou verde como o professor pedira; o mesmo se alarmou ao vê-las tão perto de atingir o objetivo, mas não chegou a se levantar ou surpreender, afinal de contas eram Lily e .

A ruiva jogou um fio de cabelo no caldeirão, como o livro pedia; supostamente deveria dissolver-se em meio à poção, mas só se dissolveu pela metade. Elas concordaram então em duplicar os limões, pois era o item mais corrosivo e certamente funcionaria. Começaram a rapidamente cortar os limões.

— Você viu que o querido aluado não para de olhar pra você, né? Me diz que viu!

— Ele só quer saber o que estamos fazendo, porque sabe que vamos acertar. — riu em resposta. — Digo, ele é um cara inteligente, mas Peter…

— Não seja idiota, , eles já terminaram há muito tempo. — Lily disse, olhando para Lupin do outro lado da sala que simplesmente deu um sorriso gentil e desviou o olhar delas imediatamente.

— E nós também já teríamos terminado se você não estivesse ocupada olhando pras belíssimas feições do seu querido Potter. — ela disse de um jeito engraçado arrancando risadas da ruiva e também um leve tapinha no ombro.

— Não ficaria com ele nem que fosse o último cara da Terra. E de toda forma, qual o problema em eu ter me distraído um pouquinho rindo do James que se ferrou? Fazemos isso desde sempre.

— Você é má.

— Ah, não me venha pagar a boazinha, !

Elas não paravam de rir quando finalmente o fio de cabelo se dissolveu e levantaram as mãos. O professor Slughorn veio avaliar a poção, deixando cair um fio do próprio cabelo, que ao cair se dissolveu imediatamente sem deixar rastros. Ele avaliou a mesa de trabalho delas vendo as inúmeras cascas de limão.

— Pelo que vejo, minhas queridas não seguiram a risca a receita, seguiram? — ele disse com um sorriso gentil. Lily balançou a cabeça negativamente.

— Mas sabemos onde erramos, professor. — disse, olhando para Lily com uma sobrancelha levantada e fazendo a ruiva rir novamente e erguer as mãos em forma de redenção.

— Tudo bem, foi minha culpa! Eu me distraí e deixamos cozinhar demais, foi isso.

— Bem, vocês chegaram lá, não chegaram? Aposto que alguns desses alunos não conseguiriam sequer pensar em consertar essa poção como vocês. — ele disse, coçando o queixo, referindo-se a James e Sirius que pareciam extremamente entediados em seus devidos lugares. — Parabéns, queridas, não esperava menos de vocês duas! Dez pontos para a grifinória pela criatividade e estão dispensadas.

Elas pegaram seus materiais e se dirigiram para a porta, e então ouviram o professor gritar:

— Não se esqueçam dos deveres!

Asssentiram e então finalmente saíram dali, indo em direção aos campos ao encontro de Marlene e Donna que já estavam ali há algum tempo. Gostavam de se deitar ali quando tinham tempo livre; se sentou escorada em uma das pedras cravadas no chão e tirou seu livro da mochila, colocando-se à sua tarefa habitual de leitura. Donna e Marlene tentavam ler a mão uma da outra, o que tinha sido a tarefa da aula de adivinhação, e Lily gostava de observar o céu sempre que podia.

— Lily, seu amigo seboso passou aqui mais cedo. Ele perguntou de você e disse que queria falar com você quando terminasse a tarefa de poções. — Donna disse em um tom de deboche. levantou os olhos do livro para Lily por um minuto só para perceber o quão furiosa estava pela forma como Severo fora mencionado; Marlene parecia meio alheia à tudo, porque depois daquilo o clima pareceu ter ficado pesado e a ruiva saiu de lá batendo os pés, sem dizer mais nada. Aparentemente havia ido atrás do amigo.

Suspirou, olhando desaprovadoramente para Donna que tinha uma expressão de dúvida e um sorrisinho de escárnio no rosto. Olhou para Marlene levantando as mãos como se procurasse entender.

— O que eu disse?

— Você disse “seboso”. — Marlene respondeu, revirando os olhos.

— Há algo de errado nisso? Ele realmente é seboso.

— Às vezes você tem comentários tão infelizes, Donna, que eu tenho vontade de te bater até você sumir.

— Se desculpe com a Lily e vai ficar tudo bem. — disse sem tirar os olhos do livro e então Donna se levantou, saindo de lá resmungando como se tivesse razão. Marlene balançou a cabeça negativamente, se deitando escorada na pedra onde a amiga estava também.

— Lily não vai aceitar as desculpas dela tão fácil assim.

— Eu sei, mas eu precisava fazer ela parar de falar ou sair daqui. — riu. — E afinal de contas, ela foi uma imbecil e deve mesmo desculpas.

Elas ficaram em silêncio por um tempinho, então notou que Marlene parecia extremamente ansiosa e feliz, e parecia realmente querer dizer algo que a alegrava muito naquele momento; ela fechou o livro e se sentou em perninhas de índio de frente para Marlene, encarando-a com o rosto apoiado nas mãos.

— Disserta, Lene!

— Ah, eu não acredito, como você sabia?!

— Não existe ninguém mais indiscreta que você. — riu.

— Tá… Mas promete não dizer pra ninguém? Especialmente para Lily?

Aquela seria uma promessa especialmente difícil de cumprir, mas, em prol da amiga, assentiu, aceitando o desafio.

— Eu e o Sirius… sabe? — ela disse corando um pouco e sorrindo feliz e satisfeita. Recebeu uma expressão extremamente feliz e ao mesmo tempo surpresa; a boca de virou um “O”. Apesar de desconfiar e viver fazendo brincadeiras acerca dos dois, ela não fazia ideia de que estavam realmente juntos.

— O quê?! Como assim você não disse nada, Lene?! — ela disse sorrindo e parecendo feliz e revoltada por não ter sido alertada antes.

— Não era nada certo, mas agora meio que é! A gente se vê às vezes.

— Como é isso?

Marlene ficou um longo tempo descrevendo as vezes em que havia visto Sirius no fim do ano anterior e como voltaram a ficar juntos no início daquele ano novamente. Disse que nenhum pedido havia sido feito, mas que ambos se sentiam como se estivessem de fato namorando; ele parecia gostar dela e, apesar do jeito livre dele de ser, parecia satisfeito em se amarrar à ela. Estava incrivelmente feliz e exultante e cada palavra dela, arrancava um sorriso satisfeito de . Viram os marotos descerem juntos o morro em direção ao ponto de encontro deles; Marlene e Sirius acenaram um para o outro e então todos os amigos dele passaram a azará-lo e se deitou no chão olhando para o céu, soltando um suspiro de felicidade.

— Eu tô tão feliz por você, Lene! — ela gritou, voltando a se sentar enquanto os garotos pareciam descer cada vez mais lentamente. Eles pareciam querer envergonhar Sirius, já que James gritava algumas vezes para Marlene sobre o quanto ele falava dela. A garota não tirava o sorriso do rosto e vez ou outra olhava para trás, para ouvir o que Potter tinha a dizer.

— Eu sei… — ela disse, sendo interrompida pelo próprio Sirius que apareceu ali. Ele cumprimentou com um aceno de cabeça que ela devolveu, e então se voltou para Marlene.

— Vamos sair daqui, por favor? Eles querem muito me fazer passar vergonha. — eles riram e então Marlene se levantou, olhando para amiga como se pedisse a permissão dela. fez um leve aceno positivo para que a amiga fosse logo, e então eles andaram juntos para a direção contrária à e ao resto dos marotos, que agora desfalcados se sentaram em sua pedra.

se encostou novamente na pedra pegando seu livro de dentro de sua mochila e voltando a lê-lo, satisfeita por toda a felicidade que a cercava e ao mesmo tempo dividida entre se sentir bem e se sentir mal por ter sido deixada sozinha.

os marotos

— Você realmente me dá muita vergonha, aluado. — James o olhou balançando negativamente a cabeça, fazendo com que o alto Lupin o olhasse engraçadamente irritado.

— Cala a boca, Pontas. — suspirou, pegando sua mochila e planejando terminar suas tarefas de poções.

— Cara, ela tá ali sozinha! Por que você não vai lá?!

— Eu não quero ir lá, James, já falei! — ele disse, olhando para . — E fala baixo!

— O que, não quer que a saiba que você tá afinzão dela? — James disse, elevando seu tom de voz e se levantando, e então Lupin bateu a mão na própria testa e fazendo com que o amigo se sentasse.

Ele aproveitou a distração que Peter arranjou e se envolveu em suas tarefas, começando a escrever. James o olhou dessa vez irritado e frustrado, parecendo realmente decepcionado.

— Sério, você me deixa exausto. Assim você vai perder toda chance mínima que tem com ela.

— Primeiro de tudo, não tenho chance alguma, e depois, você não é a melhor pessoa do mundo pra falar sobre chances e garotas, né? — ele o olhou com o rosto tombado.

— Eu vou bater em você.

— A culpa não é minha se a Evans te odeia. Na verdade, Pontas, ela tá cheia de razão.

— Eu tenho os melhores amigos do mundo! — James disse ironicamente enquanto ria junto com o amigo. — Sério, a força que vocês me dão supera mundos.

— Não podemos te dar força, é a Lily e ela simplesmente te odeia. — foi a vez de Peter de rebaixar o amigo, recebendo um aceno de cabeça de Lupin que aparentemente concordava dele.

— Eu tô aqui tentando ajudar você e é assim que você me devolve?! — James fingiu estar revoltado.

Todos eles riram e então se aquietaram por alguns instantes quando Remo reiniciou o assunto anterior acidentalmente.

— E pra ser sincero, a gente não combina muito.

— O quê?! — Peter e James disseram em uníssono, e depois somente Potter continuou: — Vocês não poderiam combinar mais! Sério, olha pra ela!

— Exatamente! Olha pra ela! — ele suspirou, olhando para , que passava a página de seu livro. Ela lia algum clássico inglês, ele podia identificar aquilo pela capa cravejada e azul escura. Algumas mechas rebeldes de seu cabelo caíam sob o rosto saindo do rabo de cavalo, fazendo com que ela tivesse que colocá-las atrás da orelha de vez em vez. Remo não negava nem por um instante que ela era com certeza uma das garotas mais bonitas que já havia visto em sua vida: ele era completamente atraído por ela, desde menores, mas nunca dera espaço para tal atração crescer a níveis maiores, tornarem-se um possível romance ou amor. Não podia dizer que gostava dela, mas podia dizer que seria o cara mais sortudo do mundo se ela fosse sua namorada.

— Ok, a gente sabe que ela tá entre as três garotas mais inatingíveis de Hogwarts em todos os aspectos possíveis — James começou — e que você não chama lá muita atenção…

— Obrigado. — Lupin disse sarcasticamente.

— Mas ela também é meio tímida, assim que nem você… E mesmo ela sendo gata demais, ela não parece ligar muito pros caras que ficam atrás dela, né?

— Ela conhece eles desde sempre, sabe exatamente quem é quem aqui. Mas e os alunos da Durmstrang?

James meneou a cabeça para um lado e para outro e então acabou negando.

— Duvido que eles chamarão a atenção dela, mas não é parado aqui conversando comigo sobre o quão bonita, genial e perfeitinha ela é que você vai chamar, né, Aluado?

— Desiste, Pontas. Vamos terminar essa tarefa e subir pra aula de DCAT logo. — ele suspirou, e então todos se focaram no caderno dele enquanto era o único deles que conseguia resolver as receitas que ali pediam por uma resposta.