Mr. Worldwide Handsome

Sinopse: O autoproclamado Worldwide Handsome, Kim Seok Jin, se vê sendo rebaixado para segundo lugar na lista de Homens Mais Bonitos do Mundo com o surgimento de RM, o rapper que conseguiu destrona-lo após três edições invicto. Jin então tem a brilhante ideia de começar a sair com Kim Namjoon na intenção de fazer com que todos percebam que ele é sim o homem mais bonito. O que não esperava era que o rapaz acabaria também sendo o detentor do titulo de grande amor de sua vida, dividindo Jin entre suas ambições e seus sentimentos.
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: +16
Restrição: linguagem impropria e sexo
Beta: Rosie Dunne

Capítulos:

Prólogo

Taehyung acordou num sobressalto ao ouvir a porta da frente de sua casa bater com força. Seu coração praticamente parou de bater quando o pavor de possivelmente estar sendo roubado o atingiu como o peso de três elefantes.

Tateou rapidamente o criado mudo ao lado da cama, sem tirar os olhos da porta fechada do quarto, em busca do celular, prontinho para ligar para a polícia. Estava para apertar o botão da chamada quando reconheceu os passos pesados e os resmungos se aproximando, então se deixou relaxar. Por isso, quando Seok Jin apareceu com fogo nos olhos e marchou até sua cama, não ficou nem um pouco surpreso. Taehyung se limitou a deixar escapar um bocejo sonolento acompanhado de uma coçadinha nos olhos inchados e vermelhos.

— O que houve, hyung?

—O que houve? O QUE HOUVE?

Jin estava profundamente irritado. Buscou no bolso traseiro da calça um jornal enrolado que havia saído naquela mesma manhã e jogou na cama, começando a andar de um lado para o outro, prestes a abrir um buraco no chão, movimentação que deixou o Kim mais novo um pouco tonto. Este então abriu o jornal e logo deu de cara com a enorme foto de seu hyung e uma manchete um tanto… debochada logo na primeira página. Já estava para ler o texto quando se assustou com a voz raivosa de Jin próxima de sua cabeça.

— Em voz alta, só para eu confirmar que estou ficando doido e não li o que eu penso que li.

Taehyung engoliu em seco e umedeceu os lábios antes de começar:

— “Kim Seok Jin: O (nem tão) Worldwide Handsome. — Jin gemeu, completamente ultrajado. — Na madrugada desta segunda feira foi divulgada a Lista dos Homens Mais Bonitos deste ano, e qual não foi a surpresa para a maioria dos Coreanos (talvez do mundo?) quando viu-se que Kim Seok Jin, autoproclamado “Homem mais bonito do mundo” e que detinha o primeiro lugar há três edições, foi rebaixado ao segundo lugar por RM, o novo queridinho da Coreia”…. — franziu as sobrancelhas — Esse não é um daqueles rappers que estourou esse ano?

— Eu sei lá quem é esse cocozão! Como puderam dar meu título pra ele? Taehyung, eu não sou bonito mais?

Agora menos sonolento, Taehyung fez biquinho e se levantou, finalmente fazendo seu hyung parar no lugar. Tirou alguns fios desalinhado da testa do mais velho e fez carinho nas bochechas, lançando seu combo de sorriso retangular e olhinhos sorridentes, marca registrada do garoto.

— Você é o homem mais bonito do mundo. Não, do universo inteirinho, hyung! Com certeza eles ficaram doidos esse ano, só pode.

Jin se acalmou apenas o suficiente para se sentar na beirinha do colchão e cobrir o rosto com as mãos, desiludido. Fora empurrado do pódio sem dó nem piedade, caído para a segunda pessoa mais bonita. Caramba, suas olheiras estavam tão ruins assim? E sua pele? Muito oleosa?

Não sabia responder, só conseguia se sentir o patinho feio da lagoa. Respirou fundo antes de falar.

— Eu nem vi foto desse cara. Você disse que ele é cantor?

— Não vamos pensar nisso agora, hyung. São seis horas da manhã. Vem, deita aqui pra gente dormir mais um pouquinho.

O mais velho arrancou os chinelos com chutes no ar e logo se esticou ao lado do amigo, vendo-o pegar o cobertor do pé da cama e cobrir o corpo dos dois. Em seus lábios grossos um biquinho se pendurava, manhoso feito uma criança birrenta. Taehyung achava extremamente fofo.

— Você devia ficar bravo também, Tae. — Jin disse, fazendo o outro abrir os olhos — Você caiu para terceiro.

Um sorrisinho se abriu nos lábios do mais novo: — Eu não me importo, Jinnie.

— Eu sei. As vezes eu te odeio por não se importar. — ponderou por alguns segundos. — Ah, acho melhor você falar com Jimin assim que acordar.

— Ué, mas por que? — Tae respondeu, franzindo as sobrancelhas. Jin tirou uma mão debaixo do cobertor e apertou com o indicador entre as duas, desmanchando a careta. Sempre repreendia Taehyung pelo mesmo fazer tantas caretas. Dizia que isso causaria rugas no futuro.

— Se tem alguém que surtaria tanto quanto eu com essa lista, esse alguém é Jimin. Ele desceu também. Três posições.

O queixo de Taehyung caiu, completamente chocado.

— Não é possível, como isso? — virou-se em direção ao criado mudo buscando o celular pela segunda vez naquela manhã.

— Dois entraram na lista. — Jin pensou, buscando na memórias os nomes. Eram um pouco estranhos, mas exatamente por isso eram mais fáceis de lembrar. — J-alguma-coisa em quarto e Sugar em quinto.

O Kim mais novo se sentou enquanto digitava freneticamente no celular. Jin se aproximou e abraçou a cintura fina do amigo, pousando a cabeça em sua coxa.
Ouviu o toque de chamada e logo uma voz chorosa.

— Jimin? Você tá aí?

Não era preciso estar no viva-voz para conseguir ouvir a voz do Park, alta como sempre.

— Tete! — exclamou choroso — eu tô muito triste…

— Não fica triste, Chimmy. É bobeira.

— Aqueles dois… aqueles três! Como puderam! Cadê o Jin-hyung?

Rapidamente Taehyung colocou a ligação no viva-voz.

— Está aqui comigo, pode falar.

— Hyung — Jimin chamou, manhoso — Você viu o que aqueles idiotas fizeram conosco?

Instantaneamente o biquinho de Jin voltou.

— Eu vi. Tô puto.

— No próximo show deles a gente pode tacar ovo neles, né?

Os dois Kim’s se entreolharam. Foi Taehyung quem falou a seguir:

— Como assim, Minnie?

— Ué, eles não são do mesmo grupo? Os Cypher?

— Não acredito que fomos destronados por três de uma vez! — Jin rosnou em frustração.

— Pelo menos o idiota do Jungkook caiu também.

Os dois riram com como especificamente essa informação conseguia deixar Jimin feliz. Ele e o cantor Jungkook não se davam muito bem, e suas trocas de farpas eram de conhecimento público. Entretenimento de primeira para os sites de fofoca.

— Jiminie, vou desligar. Amanhã nós nos vemos na agência. Purple you.

— Purple you também. Tchau, hyung.

— Poxa, queria um “purple you” também.

Jimin riu antes de falar “você tem todos os purple you que você quiser, hyung” e desligar. Então os dois se aninharam e se concentraram apenas em dormir. Tae logo pegou no sono, mas Jin só conseguia montar vários rostos em sua mente, tentando encontrar a combinação que seria capaz de arrancá-lo do top 1.

Todos os anos eram assim. No dia em que a lista saia, Jin ficava acordado até o horário de entrega dos jornais, e era sempre o primeiro a comprar seu exemplar em uma banca pertinho de seu prédio. Todos os anos também ganhava os parabéns do dono da banca, e então saia desfilando orgulhoso, doidinho para chegar em casa e compartilhar com todos sua vitória. Mas não naquele ano. Notou o sorrisinho constrangido do moço da banca, mas achou que, sei lá, ele havia soltado um pum?

Mas quando leu aquela manchete com sua cara tomando quase a primeira página inteirinha, quase gritou de tanta revolta. Se fosse possível, provavelmente mataria aquele tal de RM só com a força do pensamento.

Não lembrou sequer de pagar pelo jornal antes de sair pisando alto, entrando no primeiro táxi que viu e ditando o endereço de Taehyung. Só queria xingar e morrer de desgosto. Agora ali, percebendo que Taehyung já estava no décimo sono — coisa rara, visto que o mesmo anda sofrendo de insônia — puxou o celular do bolso e entrou no Instagram, digitando na pesquisa aquelas duas letrinhas que se tornaram seu maior pesadelo. Menos de um segundo depois lá estava aquele perfil verificado. E vê-lo então, nossa! Só o deixou mais irritado!
Como alguém que não posta sequer uma foto do próprio rosto podia ser o homem mais bonito do mundo?

Cap 1: Enfia essas flores no #%

Seok Jin e Taehyung tiveram uma longa conversa antes do mais velho deixar a casa do outro, e cobrir o rosto com uma máscara preta para andar pela rua residencial até a avenida principal da região em busca de um táxi. Trabalharam juntos a ideia que aquela revista não era importante, sua colocação numa lista não ditava sua beleza e que, pra começo de conversa, não devia existir sequer uma lista, pois todas as belezas são únicas e não deviam ser compiladas reforçando um padrão estético tóxico imposto por uma sociedade conservadora, que consequentemente prejudicava a visão estética das pessoas sobre a própria aparência. Jin não precisava da aprovação de um bando de estranhos. Se se sentia o homem mais bonito do planeta, então era o que era. Pronto. Simples. Algumas nuvens não são capazes de cobrir um céu azul e Jin com certeza era um daqueles céus azuis que a pessoa olha e fala “puta dia bonito da porra”. Era um novo dia e Jin era um novo homem.

Ok, era o mesmo dia e Jin definitivamente não se sentia um novo homem.

Deu uma corridinha quando percebeu um carro laranja se aproximando e sinalizou com a mão, fazendo-o encostar para então pular no táxi dando o endereço de seu apartamento. Estava inquieto e a perna balançando sem parar só comprovava isso. O fato do motorista ficar olhando-o pelo espelho também não ajudava.

— Eu conheço você — o homem de meia idade disse, cerrando os olhos em fendinhas assim que pararam num semáforo.

Jin riu baixinho e puxou a máscara até o queixo, dando um belo sorriso.

— Ah, oi. Tudo bem?

O rosto do homem se iluminou como se finalmente tivesse percebido de onde o conhecia. Jin nem se importou, afinal era um ator muito famoso e cotado. Sua popularidade ultrapassara os muros da Coreia do Sul e já era reconhecido até em Hollywood. Até havia sido convidado para comparecer ao Golden Globe. Pena que seu inglês era uma merda.

— Você trabalhava pertinho de casa, numa vendinha, né? Filho dos Khan…

Jin petrificou. Nunca havia trabalhado em vendinha nenhuma e não era filho dos Khan. Ele era um Kim! Kim!

— Desculpa. — falou amargurado. — O senhor deve estar me confundindo.

Não havia se passado nem doze horas desde que fora rebaixado e já estava irreconhecível? Que vidinha de bosta.

— Não, eu tenho certeza de que seu rosto me é familiar…

Se aquele homem fizesse mais um palpite besta, Seok Jin ia pular do carro em movimento. Até olhou pela janela pedindo pelo amor de Deus pra ele não dizer mais nada.

— Aí, caramba! Você é…! — o queixo do homem caiu. — E no meu táxi! Você é o Seok Jin!

Por Deus, finalmente! Até se sentia mais leve! Quase se sentia idiota, mas e daí? Seu dia não estava sendo fácil.

— Agora você acertou!

Os dois engataram numa conversa — um pouquinho limitada, já que o senhor se enroscava sempre que lhe olhava pelo espelho — sobre trivialidades do dia a dia e rapidinho chegaram ao destino final. Jin pagou em dinheiro com as notas trocadinhas e o senhor se virou totalmente no banco e lhe pediu com os olhos suplicantes:

— Por favor, se eu contar não vão acreditar em mim. Meu telefone não tem câmera, sou a moda antiga, mas o senhor poderia me dar um autógrafo?

“Que meigo!” Seok Jin pensou, sorrindo mais abertamente.

— É claro, eu só não tenho papel aqui comigo.

— Ah, mas eu tenho aqui, o perfeito ainda por cima.

O homem se curvou sobre o passageiro e buscou algo que aparentemente estava no chão. Em seguida abriu o porta luvas e pegou uma caneta, rabiscando a própria mão para testar a tinta, e então se virou com um sorrisão que quase derreteu Jin de tanta fofura. Então tomou a caneta para si e o maço de papel. Ai, só podia ser piada.

E bem ali estava sua cara estampada junto com a manchete que o atormentava. Jin forçou um sorriso olhando pro homem.

— O senhor lê jornal também. — comentou falsamente.

— Sim, senhor. Não gosto dessas tecnologias malucas. Tudo o que você precisa saber está aí no jornal.

— Ah, é mesmo. O senhor quer que eu assine aqui? – disse, folheando as páginas e parando em uma qualquer.

— Não, pode ser na que tem sua foto mesmo. Vai ficar mais especial.

— Claro, especial. Verdade.

Jin levou a caneta até um espacinho em branco pertinho de seu rosto e se sentiu como se ao autografar aquela manchete horrorosa estivesse, na verdade, assinando seu atestado de morte. Sua raiva subiu novamente e pela milésima vez amaldiçoou RM e a maldita lista.

A caneta percorreu rapidamente deixando o rastro azul na folha fina. Jin devolveu os objetos para o homem e ainda deu-lhe dois tapinhas no ombro antes de sair do carro. Sabia exatamente o que faria naquele momento.

Se encaminhou em direção contrária de seu prédio, ao mesmo tempo em que buscava um número de telefone no Google e o digitava para fazer a ligação. Virou a esquina rapidamente e alcançou a banca de jornais. Estava indo pagar pelo de mais cedo que levara de graça, praticamente, devido a seu ataque de fúria.

— Seul Town News, bom dia?! — a voz robótica, típica de recepcionista, soou na linha.

— Eu quero falar com o seu diretor A-GO-RA.

— Perdão, mas quem está falando? — a mulher perguntou confusa.

— Aqui é Kim Seok Jin — falou mais baixo essa parte, lembrando que estava num lugar público e que não seria bom chamar atenção.

— Kim Seok Jin? Desculpe, mas não posso…

— Garota, eu tenho poucas e boas para falar e acho que você não vai querer me ouvir, né?

Fez-se silêncio do outro lado e então ouviu um suspiro.

— Vou ver se o Sr. Choi pode atendê-lo agora.

— Obrigado. — respondeu seco.

Se aproximou do pequeno balcãozinho e logicamente o senhor sabia do que se tratava.

— São xxx wons, senhor Kim.

Jin abriu a carteira, que estava guardada no bolso da jaqueta, e puxou um compartimento de moedas, escolhendo alguns trocados.

— Senhor Kim, vou transferir sua ligação. — a secretaria anunciou no celular.

—Tá bom. — respondeu ríspido para a mulher. Não era intencional, só estava bravo demais.

Estendeu uma nota para o vendedor quando não encontrou o quantia necessária.

— Seok Jin! A que devo a honra de seu contato? — a voz do homem toda engraçadinha fez Jin recuar a mão e fazer careta.

— Que merda é essa que você publicou?

— Uau, que agressivo. Eu apenas relatei o que a outra revista divulgou. — a falsa inocência o irritou. Conhecia Choi Minho de outros carnavais e digamos que não se bicavam bem. Choi o achava convencido e prepotente; Jin o considerava uma vadia pretensiosa e oportunista.

— Relatou? Você escreveu… — Jin olhou ao redor procurando por algum jornal, mas não encontrou. O vendedor entendendo do que se tratava buscou seu próprio exemplar e estendeu a Jin. —“Kim Seok Jin: o (NEM TÃO) Worldwide Handsome”, em letras garrafais e uma foto bem grande na primeira página!

— Você não aguenta concorrência, não é? Se fosse um título “Seok Jin é eleito o homem mais bonito do ano de novo e choca o total de 0 pessoas” você não reclamaria.

— Eu adoraria que você alterasse para isso, muito obrigado. — falou, devolvendo o jornal ao senhor. Este apenas guardou e esperou pelo dinheiro. Jin abriu a nota e desamassou-a um pouco antes de direcionar ao vendedor.

— Seok Jin-ssi, sejamos claros aqui: você perdeu, existe alguém mais bonito que você e nem sou eu quem está dizendo isso. Você já passou da idade também né, se fosse uns dois anos atrás…

Jin abriu a boca, chocado. Choi o estava chamando de velho? Ele só tinha vinte e sete anos! E não tinha sequer uma ruguinha em sua pele de porcelana.

— Velho é você, seu maracujá de gaveta!

Desligou a ligação completamente consternado. Será que era isso? A idade o estava fazendo ficar feio?

Chateado até o último fio de cabelo, finalmente deixou que o vendedor pegasse a nota de sua mão. Este abriu uma caixinha e mexeu ruidosamente em algumas moedas.

— Não fica triste não, senhor Kim. — estendeu a mão e devolveu o troco. — Para mim, o senhor continua sendo o homem mais bonito. Top 1 de longe!

— Muito obrigado. — falou fungando. — É uma pena que aparentemente o senhor é o único que pensa assim.

O homem sorriu complacente enquanto Jin se afastava. Podia estar bem triste, mas sua raiva era ainda maior. Voltou a pesquisar algo no Google para depois colar no teclado e fazer a ligação. Chamou duas vezes antes de ser atendido.

— TC Candler, can I help you? — impressionante que não importa o país, a voz robótica parece ser sempre a mesma.

— Hi. I’m Kim Seok Jin. I’m very angry and I wanna… — pensou um pouco. — Talk? Acho que é talk. I wanna talk with the president of TC Candler NOW!

***

Jin estava de olhos fechados e respirava calmamente enquanto sentia as batidinhas leves em seu rosto, Jisoo cobrindo com maquiagem todas as imperfeições que o deixavam feio, enquanto ouvia o barulhinho dos dedos de Taehyung batendo contra a tela do celular sem parar. Abriu um dos olhos e o olhou de canto, vendo-o com a linguinha de fora e olhos brilhantes.

— Que foi que houve? — perguntou, afastando as mãos da maquiadora que se virou e começou a arrumar alguns pincéis espalhados pela bancada.

— Ai, hyung, é mais difícil do que a gente pensava.

— Por que? — franziu a testa. — Do que exatamente estamos falando?

— Eu não consigo achar foto nenhuma de perto, dá pra ver o rosto, mas só de longe.

— De quem vocês estão falando? — Jisoo perguntou, se apoiando e olhando para os dois.

— Ninguém. – Jin disse imediatamente, tentando encerrar o assunto. Jisoo era uma pessoa muito boa, mas não queria que ninguém pensasse que estava com inveja ou coisa parecida. Era seguro de si próprio para isso. Né?

Taehyung sorriu daquele jeito retangular, e mexeu a sobrancelha provocando.

— RM, sabe quem é?

A garota arregalou um pouquinho os olhos se virando para Jin, que apenas deu de ombros murmurando “Não é como se eu me importasse com ele”. É claro que era mentira, se importava muito. Se pudesse, proibiria a referência ao nome daquele cantor perto de si, pelo menos dois quilômetros de distância.

— Eu sei sim, ele é bem legal.

Os dois se voltaram para a maquiadora que apenas jogou o cabelo longo e vermelho para trás.

— Você o conhece? — Taehyung perguntou, cruzando as pernas sobre o sofá onde estava e a encarando curioso.

— Conheço. Quer dizer, não conheço. Há alguns meses recebi um convite para maquiar alguns artistas para uma premiação e por um acaso o RM e os outros dois estavam lá. Eu falei com ele por alguns minutos enquanto retocava a base em pó que estava abrindo na testa e ficando meio…

— Jisoo — Jin chamou. — Você está divagando sobre maquiagem de novo.

— Ah, é mesmo. Enfim, ele é muito simpático e gentil.

— E…? — Taehyung indagou, incentivando-a a chegar onde sabia que queriam.

— Ele é bem bonito, desculpa, Jin-ssi.

O mais velho revirou os olhos cruzando as pernas.

— Se ele é tão bonito assim, por que não tem foto do rosto dele em lugar algum?

Jisoo cruzou os braços e segurou o queixo com um dos indicadores, olhando para a esquerda enquanto pensava.

— Bom, ele diz que quer que as pessoas o valorizem como cantor e pessoa, não por sua aparência. Irônico, não acham? — a garota se virou e começou a guardar suas maquiagens dentro de uma enorme mala de rodinhas.

— Odeio esse tipo filosófico. Fala essas baboseiras, mas é o homem mais bonito do mundo.

Jin revirou os olhos enquanto os outros dois riam. Jisoo fechou a tampa da mala e puxou o zíper.

— Jin-hyung, eu achei alguns vídeos… — Taehyung mordeu o lábio.

— Que foi?

Jisoo se despediu brevemente beijando-os no rosto e deixando os amigos sozinhos.

O Kim mais novo se aproximou e sentou em uma das coxas de seu hyung, apontando o celular na frente dos olhos para que este pudesse ver o vídeo reproduzido. Eram três rapazes, dois usando uma espécie de kimono de veludo, um roxo e o outro dourado, e o terceiro usava uma jaqueta azul. Cantavam uma música que dizia algo como “iuma te” – Jin realmente era péssima em inglês. – e se moviam daquele jeito despreocupado que só se vê em cantores de rap.

— Qual é ele? — Jin perguntou.

— É esse de azul.

A iluminação do vídeo não era tão boa, muito menos a gravação tremida, mas tinha que se considerar que era uma fancam, porém era fácil de perceber o cabelo acinzentado e a pele amorenada brilhando com o suor.
Fizeram silêncio até o vídeo acabar, então passaram para um próximo e agora podiam ver melhor os traços de seu rosto, como o nariz e olhos pequenos e o sorriso branco de dentes perfeitos. Por Deus, Jin quis socar o próprio rosto quando as covinhas afundaram nas bochechas emoldurando um sorriso de tirar o fôlego de qualquer um.

— Ai, hyung, não me mata, mas ele é bem gostoso. — Tae exclamou, recomeçando o vídeo.

— O que? Eu também sou gostoso! — Jin retalhou, cruzando os braços de forma birrenta.

— Hyung, você é gostoso de um jeito mais elegante. — apontou para a telinha. — Ele é… selvagem.

Jin voltou a assistir o vídeo. Não queria admitir para si mesmo, mas aquele homem era realmente sexy, em todos os movimentos esbanjava um charme atrevido. RM parecia exatamente com aquele tipo de cara que sua mãe te fala mil vezes para não se envolver, mas você tem certeza que com você vai ser diferente. E então ele termina com você e te deixa de coração partido, mas você simplesmente não consegue parar de olhar para a forma como ele passa a língua pelo lábio enquanto te prende com um único olhar.

— Ai, caralho! — Taehyung mordeu o lábio. — Acho que quero sentar na cara dele.

— Garoto-

O Kim mais velho empurrou o outro e se colocou em pé, esticando-se e espreguiçando-se, tentando afugentar toda a preguiça que o fazia querer ir embora para a casa e simplesmente abandonar as gravações da novela.

Sons de passos logo tomaram conta do corredor e não demorou muito até que a porta fosse aberta e uma Lalisa carregada de flores e copos de café aparecesse.

— Boa tarde, queridos! — exclamou animada, deixando o enorme buquê de flores coloridas na mesinha de centro e entregando um dos copos para Jin. — você entra em cena em cinco minutos, ok? Aquilo é pra você, deixaram na recepção. — apontou para as flores.

A garota mal deu tempo para qualquer pergunta e, tão rápido quanto entrou, saiu.

— Uau, que rápida!

Jin concordou e foi até as flores, pegando o conjunto nas mãos e levando-as até o nariz para sentir o perfume leve que exalavam. Sorriu bobamente acariciando uma das pétalas macias.

— Quem foi que mandou, hyung? —Tae perguntou todo curioso, se sentando ao lado do amigo e tomando as flores de suas mãos.

— Foi o Jaehwan, ele adora essas coisas românticas. Deve ter visto a lista e está tentando me animar. — falou despreocupado, já pegando o celular do bolso para mandar mensagem agradecendo pelo presente.

— Hyung! — O mais novo exclamou estupefato, chamando atenção do outro. — Você vai ficar muito bravo.

Estendeu um cartãozinho na direção de Jin, que franziu as sobrancelhas desconfiado. Os dedos tortinhos logo agarram o papel e o abriu. Os olhos percorreram rapidamente as palavras em uma caligrafia bonita e seu queixo quase tocou o chão.

“Seok Jin-ssi,

Sinto muito por todo seu desconforto em relação a
aquela tal lista e, para demonstrar minhas sinceras desculpas,
Pedi para que selecionassem as flores mais bonitas de minha
floricultura favorita para presenteá-lo. Ainda que sejam belas,
nenhuma sequer se compara a sua beleza 😉
Com os melhores sentimentos,
RM”

— A-Ah, que fofo! — Taehyung tentou desconversar ao ver o quanto seu hyung estava ficando vermelho. — Que sensível, né, Jin? Estou feliz que ele seja tão atencioso…

— Atencioso? — Jin pegou as flores e apontou para o outro. — Isso aqui é um presente de consolação! Presente de grego! “Aí desculpa se sou mais bonito que você, vou ficar com sua colocação, mas tó essas flores pra você ficar mansinho.”

Jogou as flores na direção de Taehyung — que agarrou como um buquê de noiva — e Jin pegou novamente o celular enquanto o mais novo ficou a observá-lo preocupado. Digitou um pouco e falou um “enviar” antes de apertar o botão de bloqueio e jogar o aparelho ao lado de Taehyung.

— Me sinto até mais leve. — chacoalhou os ombros. — Com licença, Tetê, vou pro estúdio agora. Te amo.

Taehyung o observou sair da sala sem dizer nada. Quando a porta bateu atrás de Jin, o garoto se apressou em pegar o próprio celular e abrir na rede social em que provavelmente uma mensagem havia sido postada.

Bem no alto da time line, com milhares de favoritos e retweets, as cinco palavrinhas praticamente berravam na cara de Taehyung:

“Enfia essas flores no cu”

Cap 2: Trending Topics

É claro que fora questão de minutos até que algumas tags subissem para o Assuntos do Momento no Twitter, como a “Meu Humor Hoje é o Seok Jin” e “Quem Será Que Vai Enfiar As Flores”. Taehyung encarava a tela brilhante de seu celular pensando no que aquilo poderia render para seu hyung, quer dizer, não eram raros os surtos do mais velho naquela rede social, mas ele tweetou um palavrão, e dos feios. O pior: nem era sua conta pessoal, e sim a profissional. Quando Lisa visse aquilo iria ficar doida, como sempre.

Convenceu a si mesmo a ser otimista pois, de alguma forma, por um motivo aparentemente desconhecido para todos os coreanos, Kim Seok Jin tinha essa permissão oculta e estranha da sociedade de falar o que bem entendesse e ninguém iria se incomodar — benefício que a maioria dos outros artistas coreanos não tinha. —, até mesmo achariam engraçado. Na verdade, as únicas pessoas que se preocupavam com as repercussões das ações do mais velho eram o próprio Taehyung e a diretora da novela, Lalisa.

Enfim, o Kim mais novo percorria as tags para ver o que estavam falando a respeito e a maioria estava apenas curiosa acerca de quem mandara as flores que haviam deixado o ator tão bravo. Mal sabiam elas de quem se tratava, e visto que o fato de que Jin havia perdido o primeiro lugar na lista também estava sendo muito comentado na rede, era melhor que não soubessem ou o mais velho acabaria virando chacota. Coisa que o deixaria ainda mais furioso, lembrou. Respirou fundo e decidiu que deixaria para pensar nessas coisas mais tarde — até porque sabia que a cena a seguir seria Jin chegando no camarim com a diretora em seu encalço dando-lhe um sermão. O que fez então foi abrir o próprio Instagram e fazer algo que estava pensando desde que o mais velho fora embora pela manhã.

Abriu a barra de procura e digitou o primeiro nome, recebendo no topo da lista o perfil verificado. Clicou na foto e encarou a header da conta. Suga escrito ali, logo embaixo uma frase que Taehyung deduziu ser latim, Vine Vidi Vici, e por último o link para o álbum Tear dos Cypher. Após absorver bem essa parte — Taehyung acreditava que a header das pessoas dizem muito sobre elas — passou para as fotos. E, uau. Ele tem aquela coisa, aquele ar de malvado e, por Deus, como amava esse tipo de cara. Cada vez que rolava o feed e parava em uma nova foto, a vontade de lamber a tela ficava cada vez maior. Estava tão entretido que, quando se deu conta, havia voltado tanto no feed que conseguiu chegar em algumas fotos de uma era da carreira dos três garotos em que Suga usava um lenço na cabeça e cordão de ouro grosso, completamente delicioso,. Taehyung ficou tão focado em analisar cada centímetro da imagem que quase teve um aneurisma quando a porta foi aberta abruptamente e um Jin apareceu. Como previsto, Lisa estava logo atrás.

— Por Deus, Jin! Você não apenas surtou, você falou um palavrão! — a garota encarava o próprio celular, incrédula.

— Pois não me arrependo. E a culpa é sua. — o garoto se virou para a diretora e apontou para ela com o dedo tortinho, o que a fez erguer as sobrancelhas, surpresa. — Você me trouxe… me trouxe aquilo!

— Como eu ia adivinhar que o cara lá que mandou?! Pensei que pudesse ser um presente daquele seu namoradinho…

— Não, não! Namoradinho não, nunca diga uma coisa dessas em voz alta. Paredes têm ouvidos, não custa nada para o meu nome estar novamente nos tabloides insinuando um relacionamento que não existe. — Jin se sentou na frente de um de seus espelhos e chegou bem perto do reflexo para observar os poros. As câmeras de última geração sempre conseguiam captar os mínimos detalhes e, por Deus, sua pele ficava ridícula na televisão.

— Jin, por favor, apague isso e se desculpe. Não vai demorar nada para começarem a te difamar e sujar sua imagem. Você sabe que isso pode prejudicar a novela.

O Kim mais velho se virou para Lisa, encarando-a profundamente. Lalisa era nova no ramo, Mama Pop era seu primeiro trabalho e conseguira decolar a novela assim que fora lançada, comprovando o talento da mesma. Além da qualidade de roteiro — que também era dela —, tinha atores de peso compondo o elenco, como Seok Jin, Irene e Youngjae. Apesar de todas as vitórias com Mama Pop, Jin não podia se esquecer que Lisa era uma das únicas mulheres dirigindo algo na televisão e que tudo o que acontecesse, que a incluía minimamente, poderia acabar com sua carreira e transformar um sucesso num verdadeiro fracasso.

— Tá bom, mas só porque você pediu com jeitinho.

Lalisa sorriu e instantaneamente o dia de Seok Jin se iluminou. Apesar de todo o profissionalismo dentro da empresa, eram amigos fora da mesma, e a garota possuía esse dom incrível de melhorar os ambientes em cem por cento só com sua animação. Sempre que se sentia muito chateado, era para ela que ligava durante a madrugada e a quem pedia um sorrisinho sonolento só para poder dormir e sonhar com dias melhores. O sorriso de Lisa era o sorriso do gato de Alice no país das maravilhas, brilhando no céu profundo.

— Só para você saber — finalmente a voz de Taehyung se fez presente no local. Estava observando os dois até então. — seu nome já está nos trending topics do país. Você é inacreditável, Jin!

— Falem bem, falem mal, falem de mim. — disse simplesmente, enquanto olhava para todos os lados em busca do celular. Aprendera aquela frase com uma fã brasileira em uma de suas lives. Era de uma filósofa famosa no Brasil, aparentemente.

Taehyung pegou o aparelho que estava a seu lado no sofá e Jin resmungou sobre o mesmo não ter lhe mostrado antes. Tomou-o do amigo e jogou-se no estofado, recebendo os pés de Taehyung no colo, o que fez Lisa acenar a cabeça em reprovação e ameaçar escorraçar-lo dali se sujasse o figurino de Jin.

Assim que a tela de bloqueio acendeu, uma nova leva de notificações começaram a saltar sem parar, o que o assustou. Taehyung se aproximou e olhou, cerrando os olhos.

— São respostas de um tweet novo. Tem dois users nas respostas. Quem é “rmonsta”?

Lalisa se aproximou também, sentando-se no braço do sofá ao lado do mais velho. Todos os três olhavam a tela fixamente, vendo os dedos longos e tortinhos de Jin desbloquear a tela e clicar em uma das novas notificações que apareceram. Logo foram direcionados ao twitter e a resposta da pessoa. Jin puxou para baixo, fazendo assim aparecer o tweet que estava causando tanto alvoroço. Levou alguns segundos para entender de quem se tratava mas, quando a fixa caiu, Jin nunca se sentira tão bravo em toda a sua vida.

RM havia citado seu tweet raivoso, e respondera de uma forma um tanto inesperada. A frase “Han? Quer sair comigo?” gerando aqueles milhares de retweets, provando que a pessoa que mandou as flores para o ator fora RM, o mesmo que o havia tirado de seu primeiro lugar.

Taehyung pensou, assim que viu o rosto e pescoço de seu hyung tornando-se vermelho vivo, que se fossem parte de algum cartoon, com certeza Jin seria animado com fumaça saindo pelo nariz e orelhas, como quando os personagens estão muito, muito bravos.

— Mas que merda é essa?! — levantou-se num salto, assustando os outros dois. — Esse abusado! Eu vou mandar matar esse garoto! Taehyung, você é de Daegu, me passa o número de algum traficante agora!

— Hyung, eu vou escolher não me sentir ofendido com como você imagina Daegu… — o mais novo cruzou os braços e fez um biquinho chateado.

— Desculpa, desculpa. — pediu e deixou o corpo cair dramaticamente sobre a cadeira de maquiador. Era um ator, afinal. A dramaticidade era natural. — O que eu faço? Gente, vocês precisam me ajudar. — olhou suplicante para Lisa, que acenou negativamente com as mãos. — Ah, o que é? Vai negar ajuda agora, Manoban? Já não basta ter causado tudo isso?

— Aish, quando você fala assim parece até que eu sou a vilã! — a garota reclamou, bagunçando a franja loira na testa. — O que eu posso fazer, em? Sou um gênio da dramaturgia, não da ciência para voltar no tempo, querido Jin.

— Linguinha afiada, anda passando muito tempo comigo e Jimin, pelo jeito. — uma lâmpada pareceu se acender no alto da cabeça do rapaz. — Jimin!

— Ah, não. Nem pensar! Fique longe do Jimin! — Taehyung pediu, se apressando em pegar o celular das mãos do Kim mais velho, o que o fez xingar Tae com um palavrão tão bom quanto o que havia postado no twitter.

— Qual o problema? Por que ele não pode falar com Jimin? — Lisa estava realmente curiosa.

— Duas mentes malignas pensando juntas, esse é o problema. Jin e Jimin sempre tem as piores ideias quando inventam qualquer coisa. — Taehyung escondeu o aparelho atrás das costas quando Jin se aproximou para pegá-lo de volta.

— Só ele me entende! Se você fosse meu amigo de verdade, também me entenderia! — Jin protestou, vendo Taehyung desviar e enfiar o celular nas calças, bem na frente. Franziu as sobrancelhas. — Você é burro? Eu vou pegar aí do mesmo jeito!

— Ui! Tá gelado! — Taehyung teve tremeliques, ganhando um olhar enojado de Lisa e um revirar de olhos de seu hyung.

Jin tentou algumas vezes enfiar as mãos sob a calça do mais novo, mas elas eram realmente apertadas. Chegou a ficar preocupado se não pararia a circulação das pernas de Taehyung, pedindo para o mais novo comprar algo do tamanho certo.

Por fim jogou-se no sofá caramelo, sentindo-se derrotado.

— O que é que eu faço? Alguém olha lá e vê o que aquela droga de tweet causou. — tanto Lisa quando Taehyung abriram os celulares para averiguar. — Então? Está muito ruim? Já virei a piada nacional?

— Na verdade… — a garota franziu o nariz, o que fez Jin reclamar que causaria marcas de expressão na mesma. — acho que as pessoas… gostaram? — perguntou para Taehyung para confirmar.

— Sim, gostaram. Ai que fofo! Vocês já tem um ship! — o Kim mais novo comemorou.

— Que droga é essa? — Jin perguntou, se sentindo um tiozão.

— O nome de vocês de casal. Foi rápido, demoraram semanas para inventar VMin e TaeKook… — disse a última parte mais para si mesmo.

— Hum. Qual é o nome? — não admitiria para ninguém presente naquela sala, mas estava um pouquinho curioso.

— Namjin. Até que é fofo, vai hyung! — Lisa disse.

— As pessoas querem que você aceite o convite, hyung. Elas não param de citar seu nome aqui. — Taehyung comentou, tirando o celular de Jin das calças e estendendo para o mais velho, que se encolheu recusando-se a tocar.

— Garoto! Passa um álcool nisso daí, depois você me entrega! — Taehyung revirou os olhos e procurou nas gavetas do balcão de maquiagem por lenços umedecidos. — Ele não me chamou para sair, ficou doido?

Taehyung riu, se divertindo com a negação teimosa do mais velho.

— Ele literalmente perguntou se você quer sair com ele, hyung. A não ser que “quer sair comigo?” tenha algum sentido oculto que não conheço.

Jin pensou por um segundo. Não, não iria rolar. Estava fora de cogitação por vários motivos: primeiro porque odiava RM com todas as forças; segundo porque ninguém sabia que ele era gay; terceiro… bom, eram só esses dois mesmo.

— Não, até parece. As pessoas vão pensar que sou gay.

— Mas você é gay, Seok Jin. — Lisa disse.

— Sim, mas ninguém além de vocês, meus amigos, e das bocas que eu beijo sabem disso. Seria terrível para o programa se isso vazasse. — concluiu.

— Você sabe que não temos essa política dentro da nossa equipe, Jinie. Nós não nos importamos com esse tipo de coisa, você pode se relacionar com quem quiser. — Lisa o lembrou, apertando o ombro do amigo.

— E quem disse que eu quero sair com RM? Ai, qual o nome dele mesmo? — perguntou, Taehyung respondendo que era Namjoon em seguida. — Retomando, quem disse que eu quero sair com Namjoon? Essa é definitivamente a última coisa que farei nesta vida! — anunciou, levantando-se e batendo no peito, orgulhoso.

*
— Eu vou sair com Namjoon. — Jin disse, dando de ombros enquanto levava um punhado de pipoca até a boca com uma mão, enquanto a outra apertava os botões do controle remoto. O celular estava apoiado entre o ombro e a orelha direita.

O que? Você disse umas trinta vezes hoje a tarde que não faria isso nem por decreto! — Taehyung disse do outro lado da linha, agora constatando de vez que não entendia como a cabeça de seu hyung funcionava. — De onde surgiu essa ideia repentina…. Não!

— Sim, eu falei com Jimin e nós bolamos um plano. — finalmente encontrou o canal de variedades que Jimin apareceria aquela noite. Estava no comercial. Ouviu Taehyung choramingar.

Você prometeu por sua mãe mortinha que não falaria com Jimin sobre isso, hyung. Agora nosso relacionamento vai ser assim? Cheio de mentiras? — Afinal, Taehyung também era dramático e também era ator.

— Eu estava de dedos cruzados, desculpe. — abertura do programa, com uma musiquinha chata, começou. — É a melhor ideia de todas, você vai ver. Não sei porque você não apoia nossas ideias…

Será porque vocês são o armagedom um do outro? Nem você e Jungkook tem ideias tão ruins quanto você tem com Jimin. — suspirou ruidosamente, fazendo a ligação chiar.

— Cite uma. — Jin pediu, o apresentador do programa começando a animar a plateia.

Não sei, talvez quando vocês decidiram que era uma boa ideia fingir um sequestro de todo o elenco de Mama Pop para comemorar o primeiro prêmio da novela numa festa surpresa, só que acabou em caso de polícia porque pensaram que todos foram sequestrados de verdade e você e o Jimin tiveram a cara de pau de fingir e levantaram falando “an, o que houve?”…

— Tá bom, Taehyung, eu entendi. — impediu que o mais novo continuasse. — Teria dado certo se a Jisoo não tivesse feito um escândalo… — resmungou.

Hyung, ela viu o Jaebum sendo carregado por cima do ombro de um cara do tamanho de um armário pra dentro de uma van preta com vidro fumê.

— Ok, essa não foi nossa melhor ideia. — deu-se por vencido.

Posso citar pelo menos quinze piores, se é isso o que você quer.

— Olha, o Jimin tá aparecendo! Tchau! — desligou na cara de Taehyung antes que ele desencavasse mais uma história que havia terminado… não muito bem.

No programa, Jimin acabava de entrar no palco quase desfilando, como sempre. Estampava um sorriso lindo e brilhante que fazia as garotas da platéia se arrepiarem e suspirarem de amor pelo artista, alimentando seu ego com a salva de palmas incessante e os gritos estridentes. Jimin gostava mesmo de ser famoso, desejava isso desde pequeno, mas a princípio seu desejo era se consolidar como o maior dançarino espacial do universo. Sim, ele era muito novo quando sonhou com isso.

As coisas não saíram exatamente como o Jimin de seis anos desejou, mas ser um dos cantores e dancers mais influentes de sua geração estava de bom tamanho. Além disso, dali uns anos iria para Marte, de qualquer forma, pois se inscrevera no programa da Nasa de popular o planeta vermelho. Sua carreira espacial já era quase uma realidade, apenas questão de tempo.

— Jimin! — o MC chamou-o, fazendo o garoto de cabelos rosa se virar para ele, já que estava distraído acenando para as fãs. — Como você está hoje?

— Estou bem, Sangmin-ssi, e você? — perguntou educadamente, sentando-se em um banquinho próximo de onde o homem estava.

— Estou ótimo, e acho que as coisas só vão melhorar daqui pra frente. — Sangmin direcionou um sorriso malicioso para o garoto que sorriu de volta, mas este era nervoso. O que ele queria dizer com aquilo? — Afinal nós não podemos jogar sozinhos, não é?

Claro!, Jimin pensou. Esquecera-se completamente que nesse programa geralmente grupos ou artistas competem entre si em jogos. Mas, tentando resgatar em sua mente distraída, Jimin não se lembrava de ter visto nenhum outro artista no estúdio.

— Não me lembro de ter visto alguém para jogar comigo. — disse sinceramente, jogando os fios rosa para o lado e se ajeitando de forma que encostasse os pés no chão.

— Ah, isso é porque nós decidimos tornar as coisas mais interessantes. Nenhum de vocês dois podiam se ver, seria mais divertido. — toda a produção riu baixinho, Jimin percebeu, enquanto a plateia apenas fez um “Huuum” curioso. — Vamos receber agora o segundo competidor de nossa noite de jogos!

Aquilo não estava nos planos. Ver aquele idiota, parecendo um urubu todo de preto, atravessando o estúdio e olhando-o divertido só fez seu sangue subir. Jeon Jungkook, a nemesis pessoal de Jimin, em pessoa seria seu oponente aquela noite.

Em casa, Jin tinha exatamente as mesmas reações da plateia do programa, mas conseguira antecipar o que viria a acontecer por ter recebido uma informação crucial há algumas horas. “Não vai dar, hyung, tenho um compromisso inadiável hoje a noite.”, o mais novo disse, “E garanto que você vai adorar!”, então gargalhou antes de se despedir.

De fato, quando Jungkook adentrou o palco ostentando seu sorrisinho arteiro e o olhar afiado na direção de Jimin, Jin soube que riria muito aquela noite. Isso sempre acontecia: onde Jimin estava, Jungkook com certeza apareceria, afinal a reunião dos inimigos mortais sempre rendeu alta audiência e as melhores cenas que a Coreia do Sul teve o prazer de vivenciar. Estavam sempre brigando, se xingando e competindo entre si, mas era tão coisa de quinta série que tornava-se entretenimento de primeira para todas as idades. O pior era que Jimin suspeitava que Jungkook sempre sabia quando essas coisas iam acontecer, mas gostava de provocá-lo do mesmo jeito.

— Jeon! — Sangmin disse animadamente, abraçando o rapaz de lado, desajeitado. Este sorriu abertamente e se direcionou para sua cadeira ao lado de Jimin para se sentar, mas não antes de dar duas batidinhas no topo da cabeça do menor, que xingou-lhe baixinho com palavras não muito bonitas. — Pronto para jogarmos esta noite?

— Estou sempre pronto! — a plateia correspondeu com gritos animados, fazendo Jimin revirar os olhos e cruzar os braços. Jungkook se achava o cara mais incrível do mundo. — E você, Jimin-ssi?

“E você, Jimin-ssi?” — remendou infantilmente. — É claro que estou pronto.

— Se sentiu ameaçado por mim? por isso está bravinho? — Jungkook provocou, fazendo todos rirem. Era sempre assim, quando começavam a brigar entravam quase num mundo particular, todo o resto sumia e só sobrava os dois. Seria romântico se nesse mundo particular eles quase não saíssem na porrada sempre.

— Ameaçado por você? — Jimin gargalhou forçadamente para ilustrar como achava aquilo uma verdadeira piada. — Você se olhou no espelho hoje?

— Você que não se olhou, se não teria percebido como esse seu cabelo desbotado está ficando laranja. — Jungkook levantou as sobrancelhas algumas vezes, provocando-o. Era um de seus passatempos favoritos deixar Jimin fodidamente irritado, achava adorável como o menor inflava as bochechas e seu rosto ficava vermelho.

— Seu filho da mãe… — Jimin tornou-se quase inaudível para todos ao que um “piiii” estridente cobriu sua voz, mas Jungkook ouviu perfeitamente devido a proximidade.

— Já te disseram que você parece um pintinho? — um silêncio se estabeleceu em todo o estúdio. Todos esperando pela reação de Jimin.

— Jeon, acho melhor você explicar isso direitinho! — disse esganiçado, cruzando os braços e dando as costas para o mais novo.

— Mesmo bravo, você é inofensivo e fofo. — Jungkook queria mesmo pensar em algo melhor para provocá-lo, mas as palavras escaparam por seus lábios sem querer.

A plateia explodiu em um “Awwn” quase ensurdecedor e Jimin olhou por sobre o ombro boquiaberto e, pior, muito ruborizado.

— Estou sentindo um clima rolando aqui? Vocês querem que eu dê licença pra vocês? — Sangmin finalmente se pronunciou desde que Jungkook havia começado a provocar Jimin. Até então estava apenas curtindo e pensando na alta audiência que o diretor havia acabado de lhe informar no ponto na orelha.

— Não diga merda, Sangmi-ssi. — novamente o palavrão de Jimin foi coberto por um “piii”. Havia se recuperado de Jungkook ter lhe chamado de fofo como um pintinho (ainda não havia decidido se tomaria aquilo por um elogio ou se se sentiria ofendido) e estava pronto para retomar o objetivo do programa.

— Ah, vamos lá, Jimin-ssi! Diga pra gente: Jeon disse que você se parece com um pintinho. Com que bicho você acha que Jungkook se parece? — era possível sentir a excitação da plateia em expectativa.

Jimin olhou para Jungkook, mas logo decidiu quebrar o contato visual. Isso fez Jungkook arquear uma sobrancelha, confuso com a repentina timidez de Jimin. O rapaz, apesar de menor que JK, sempre o olhava fundo nos olhos como se tivesse dois metros de altura e 200kg.

— Ele parece um coelhinho. — Jimin concluiu, por fim.

A plateia novamente fora a loucura. Em casa, Jin quase engasgou com a água que estava bebendo. Pintinho, agora coelhinho? Meu Deus, drogaram os dois antes de entrarem no palco?

— Por que me acha fofo? — Jungkook perguntou, sorrindo branquinho, fazendo Jimin girar na cadeira de frente para si.

— Por causa dos seus dentões de coelho! Vamos, Sangmin, levanta! — o garoto se levantou bruscamente, o que fez o MC fazer o mesmo.

— Ok, Ok! Antes que Jimin exploda, vou explicar o primeiro desafio. Alguém aqui tem medo de montanha-russa? — perguntou, interagindo com a plateia que aplaudiu animada em ver seus artistas favoritos no brinquedo radical.

— Mas Sangmin-ssi… — Jungkook chamou, fazendo todos ficarem em silêncio para esperar pelo o que viria. Quem iria imaginar que Jungkook tinha medo de altura? — temos que ver se Jimin tem altura pra entrar no brinquedo.

Todos explodiram em gargalhadas. O homem da sonoplastia com certeza foi dormir com dor nos dedos aquela noite, pois colocar um “piiii” sobre cada palavrão que Jimin pronunciou levou bons minutos seguidos. Sangmin achou que precisaria chamar um segurança para fazer Jimin soltar Jungkook, mas não foi necessário ao que o rapaz apenas ria e segurava os punhos de menor que tentavam acertar-lhe.