7 Chamadas

7 Chamadas

  • Por: Karolyne Cox
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 8147
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Sinopse: [CONTINUAÇÃO DE MATURIDADE] E nas mais tradicionais festas de faculdade, ele achou uma caloura louca das tequilas. A bebida que lhe causava uma péssima dor de cabeça no dia seguinte. Mas além da bebida, ele queria que a caloura lhe desse dor de cabeça até depois que estivessem formados… Mas quem iria ser o primeiro a admitir que estava apaixonado?
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Livre.
Beta: Thalia Grace.

PRÓLOGO – ÚLTIMA CENA DE MATURIDADE

Andrade
encurralava entre a pia, com suas bocas muito próximas, ele falava alguma coisa que eu não conseguia entender e ela olhava fixo em seus lábios tentando separar seus corpos apenas com a garrafa de cerveja que tinha em suas mãos.
Quando ele avançou a puxando para seu colo, pondo as mãos em sua coxa, a encaixando ao meio de seu tronco, sentando-a na pia da cozinha, Ana percebeu minha presença, desligando a música e chamando por Lavínia.
? — ela disse, empurrando , que bateu as costas no fogão derrubando o carvão do narguilé e sujando todo o chão. — E-eu posso explicar…
— NÃO — Ana gritou, vindo para a minha frente e colocando as mãos sobre meu peito. — Eu posso explicar , não está acontecendo absolutamente nada do que você está pensando…
— Cala a boca Ana, está acontecendo SIM, eu e a estávamos reatando nosso caso e infelizmente ele chegou para atrapalhar tudo…
— Nosso caso? Se toca ! — respondeu o empurrando novamente para poder limpar o carvão do chão antes que piorasse tudo.
Respirei fundo, dando alguns passos para trás quando veio ao meu encontro segurando em minha mão, eu a soltei olhando nos olhos.
— Vem comigo — Ela disse, seus olhos estavam vermelhos, eu nem fazia ideia que ela fumava maconha.
— Não — Nego, engolindo a seco. — Eu já entendi tudo, quem não quer nada com nada não sou eu, é você. — Lhe dou as costas, saindo do apartamento para voltar para o elevador que, para a minha sorte, ainda permanecia no andar. — Divirta-se.
— Não, ! Vem aqui, vamos conversar — puxou-me pelo braço na intenção de me parar, eu apenas puxei meu braço de volta entrando no elevador. — Eu te peço, por favor, vamos conversar.
— Acho que quem está precisando de mais maturidade para lidar com relacionamentos não sou eu , é você. — digo rápido e irritado, apertando o botão que me levaria ao térreo do prédio novamente.
me olha com os olhos marejados e solta a porta do elevador, conheço o orgulho daquela garota, ela não se humilharia tanto para se resolver comigo, ainda mais da forma alterada que ela estava, eu nem a reconhecia, aquela não era a minha caloura.

CAPÍTULO ÚNICO

Andrade
O final de semana acabou, fazendo-me espernear igual uma criança de seis anos por ter que acordar cedo para ir na faculdade, meu desânimo não era por causa do estudo, era por ter as chances de me encontrar com .
Depois de ter saído do apartamento dela na sexta feira, eu desliguei o meu celular, o largando dentro do carro. Passei o final de semana todo jogando God of War, comendo qualquer porcaria no Ifood e bebendo qualquer tipo de álcool do barzinho em frente do prédio.
Para a minha sorte, a família do Matheus o chamou de última hora para descer pra praia com a namorada, o que me resultou em uma bela fossa sem dar explicações a ninguém.
Eu lhe contei o básico, não queria falar sobre sentimentos, ele parecia entender o meu lado e ficou arrasado com a odonto fake, comentando até sobre a conversa que eles tiveram na sexta de manhã.
Ela achou que eu fosse dar mancada, acabando com todo o nosso lance, mas parece que o jogo virou, não é mesmo?
Aquilo me fazia rir, de nervoso, mas me fazia rir.
Não estávamos mais no ensino médio, não era mais namorico com quinze anos, eu não iria me esconder ou ignorá-la, então no caminho da faculdade liguei o meu celular, constatando suas milhões de mensagens e chamadas perdidas.
Ignorei tudo o que ela havia mandado, apenas respondi uma mensagem para minha mãe, lhe dando um sinal de vida e pedindo para que ela me ligasse no horário de almoço, quando eu saísse da faculdade.
Para a minha sorte, não encontraria com tão fácil, o curso dela era em um prédio muito diferente do meu, creio que ela não faça nem a mínima ideia de qual era a minha sala.
— Trombou com a caloura? — Matheus perguntou assim que entrei na sala.
— Não. Por que? — Perguntei, colocando meu notebook em cima da mesa antes de sentar na cadeira cumprimentando os demais amigos com um breve aceno.
— Ela acabou de sair daqui — Comentou, apenas respondi um “hum” voltando a minha atenção ao notebook.
Pelo sorrisinho sacana de Matheus, duvido que aquela informação era válida.
— Eu vim pelas escadas, como ela é caloura deve ter usado o elevador — Dou de ombros fazendo Matheus rir concordando comigo.
— Estou brincando, ela não seria tão desesperada por você à esse ponto.
Bingo!
Se ela tivesse vindo atrás de mim, neste exato momento nós seríamos noivos, de tão rápido que eu a perdoaria.
— Está dizendo que eu não valho a pena? — Arqueio a sobrancelha, encarando Matheus com cara de poucos amigos.
— Estou apenas brincando com a sua cara, ela não deve saber chegar a esse prédio.
—Eu to’ nem ai pra ela. — Digo de cabeça baixa, o fazendo rir alto e chamar a atenção do pessoal a nova volta.
Às vezes o Matheus conseguia ser nada discreto.
— Conta outra, , conta outra.
— Cara, só me dá um ar e não fala mais nela. Ok?
— Relaxa! Mas fica esperto que ela vai lá em casa hoje…
Olhei rápido para Matheus que caiu na gargalhada com o meu interesse em saber sobre ela.
— Você é muito pau no cu! — Reviro os olhos.
Peguei meu celular aproveitando que um dos nossos colegas agora conversa com Matheus, para ver as mensagens que havia me mandado durante a sexta feira.
Lógico que ela só tinha me mandado mensagem na sexta, percebendo que se as que enviou não tinham chegado, eu não veria qualquer outra que ela mandasse no sábado ou domingo.

, me atende!”
“Atende, nós precisamos conversar.”
“O assunto é muito sério , me atende.”
“Tô pedindo, por favor, me responde vai…”
“Porra !”

Sua insistência fazia meu coração se apertar, mas se ela não escolhesse logo se ficaria comigo ou com , só iria acabar me machucando mais ainda, ou até mesmo aquele sem noção.
Ela parecia intacta e sabia lidar muito bem com toda a situação.
Caralho, aquela garota me dava uma dor de cabeça das boas.
E o pior de tudo e que eu ainda gostava disso.

***

Queiroz
Ressaca moral.
Ressaca moral definia muito bem o meu estado de espírito durante o final de semana.
Era também o fardo que eu carregava junto comigo pela faculdade naquela segunda feira, e o empurrava para dentro do carro para voltar ao meu apartamento após o término das aulas.
Eu tinha estragado tudo.
Na sexta passada, cheguei em casa para fazer os trabalhos pendentes da faculdade depois aproveitei para tirar a minha gloriosa soneca da tarde e esperar pela Ana para tomarmos um café, eu a ajudaria com seus trabalhos até dar mais ou menos a hora em que , montando o narguilé que não fazia ideia da existência dele naquela casa, até ela comentar que ele era de Jorge, e consequentemente chamou o mesmo para se juntar a nós e fazer a boa e velha fumaça.
Só que para o meu azar, ele não veio sozinho.
Sim, furacão veio junto para fazer fumaça.
Com a cara mais deslavada possível, sem um pingo de vergonha e muito menos o rabo entre as pernas, disse que tínhamos assuntos pendentes para resolver.
Na cabeça dele, tudo estava sob controle.
Na minha cabeça, eu queria matá-lo por estar dentro do meu apartamento.
Não posso ser hipócrita e negar que gosto dele muito como amigo, tirando todas as partes ruins do nosso lance como ficantes, mas na sexta ele havia ido longe demais, o que acabou estragando o meu futuro e lindo relacionamento com Andrade, meu futuro marido e pai do meu casal de gêmeos.
Na sala de comando do meu cérebro, todos os divertidamente estavam embaixo da mesa de controle com medo do que poderia acontecer, nem eu ao menos sabia.
Mas Lavínia e suas paranoias?
É claro que eu não as tinha mais, né meu amor, eu já tinha dado um jeito de estragar tudo, pra que paranoias?
não via minhas mensagens, não atendia as minhas ligações.
Sumiu o final de semana inteiro, nem no Instagram aquela praga de rapaz aparecia online, nem um segundo sequer.
Estava declarado o nosso fim.
Coloquei o cinto de segurança, ligando o carro para partir, quando mais uma vez fui surpreendida por Matheus batendo no meu vidro me assustando.
— Desculpa. — Pediu envergonhado.
— SÉRIO MATHEUS? — Levei a mão no coração, sentindo ele pular para fora do peito.
— Acho que você anda mais assustada que o normal ultimamente. — Disse, segurando a risada e fazendo-me lembrar da nossa conversa de sexta.
— Quem lhe deve desculpas sou eu. — Abaixo a bola lembrando do seu pedido — Disse que iria te ajudar com o projeto do seu apartamento e acabei esquecendo...
— Não precisa se desculpar, eu viajei para a praia no final de semana — Interrompeu-me, dizendo. — Eu vim aqui em missão de paz. — Levantou as mãos em rendimento.
— Quê? — Perguntei sem entender o que ele queria dizer.
— Você se meteu em uma bela furada esse final de semana com o . — Esclareceu, fazendo o meu coração doer e a ressaca moral, que estava sentada no banco do passageiro, me abraçar com força.
— Matheus... Eu estou tão envergonhada! — Digo arrependida de verdade.
— Eu imagino, mas pelo que ele me contou, ele não sabe se realmente rolou algo entre você e o naquele dia.
— Ele investiu, digamos, que, hum, forte? — Disse incerta. — Eu estava um pouco fora de mim, alterada, e acabei me deixando levar...
— Não precisa se explicar para mim, — Matheus disse, querendo ser poupado dos detalhes. — Digo que venho em missão de paz, porque só eu sei o quão difícil é pro aceitar e assumir que queria algo realmente sério contigo, ir atrás de você pra ele não foi fácil, você foi bem durona.
— Eu estava com medo de, sei lá. — Dei de ombros segurando o volante. — Namorar, sabe? Nunca namorei, e o fato dele já ter traído a ex dele me deixou bastante insegura.
— Nenhum relacionamento é igual ao outro. Sem contar que você não é ela.
— Eu sei. — Murmuro, pensativa.
— E eles nem namoravam direito, foi mais a que impôs e disse a todos que eles estavam namorando, ele nunca confirmou nada nem pra própria família dele.
— O que eu devo fazer, Matheus? — Pergunto sem mais delongas.
Matheus fez uma pausa dramática, olhando para mim como se arquitetasse um plano muito bem feito para eu e seu amigo e companheiro de apartamento voltássemos a ficar juntos, mas ao invés disso ele apenas deu de ombros como se não tivesse pensado em nada que preste.
— Se você realmente quer namorá-lo, o conquiste. — Piscou antes de bater a mão no teto do carro mais uma vez, me assustando, antes de dar as costas, indo para o seu carro.
Ele veio em missão de paz, para me dar o conselho mais fajuto que eu poderia ouvir.
O famoso: Eu que lute!
Como eu iria conquistar aquele magrelo de volta?

***
Andrade
— Você é corno, sem ao menos ter começado a namorar você levou um belo par de chifres — Minha irmã mais nova dizia rindo assim que terminei de contar toda a história com ... — A lembrei do nome, segurando para não rir e Daniela servia-me mais de suco.
— A também vai te amar e nos amar, porque a família Andrade é louca, mas vale a pena se envolver.
— Então o que eu devo fazer agora?
— Usa a dica da Marília Mendonça — Daniela disse, dando de ombros. — Some que ele vem atrás.
— Então, no caso, eu tenho que ir atrás dela?
— Como pude criar um garoto tão burro? — Minha mãe perguntou. — Não vai sumir coisa nenhuma, esse joguinho de desinteresse é uma merda.
— Deu certo comigo — Daniela gabou-se.
— Meu filho, — Minha mãe segurou a minha mão — de um tempo para a relação de vocês. Você me disse que estão desde o começo do ano nessa coisa de fica ou não fica, dá um time. Vocês precisam ver se é isso mesmo que vocês querem, sentir saudade é saudável as vezes.
— Está com saudades do papai? — Daniela perguntou.
— Sim, mas isso não anula o fato que vou jogá-lo na piscina por ter levado meu notebook.
— Então o seu conselho é seguir o baile?
— Isso. Segue o baile e não reprove em mais nenhuma matéria, porque, senão, quem vai ser jogado na piscina é você.

***
Queiroz
— Você poderia ser um pouco mais específica nesse seu discurso que está dando mais voltas do que os artistas da Globo dando entrevista para outras emissoras? — Ana perguntou, me olhando sem entender uma palavra do que eu dizia.
Tentava explicar para ela, de forma didática e pacífica, que não queria mais o dentro do nosso apartamento de maneira alguma. Havia até pedido para o nosso querido porteiro — no qual eu tive uma boa e longa conversa para retirar o nome daquela criatura do cadastro.
— Eu não quero mais o aqui — Digo sendo direta e reta para Ana.
— Por que? — Perguntou com os olhos arregalados.
— Eu quero dar certo com o , e se para isso precisar cortar contato com o até ele se enroscar em outra garota e esquecer da minha existência, eu farei isso. — Tento explicar ao sentar-me ao sofá ao seu lado.
— Você sabe que ele é meu amigo também.
— Não. Vocês não são amigos, ele é meu amigo, estudei com ele o ensino médio todo, ele conheceu o Jorge e só depois o apresentei a você.
— Eu o considero como um amigo.
— Tá’ bom, que seja, Ana!
— Está me dizendo que não posso trazer mais o meu amigo aqui? — Questionou, negando com a cabeça. — Isso é um absurdo, não posso mais trazê-lo aqui porque você não sabe se controlar e pula em cima dele na primeira oportunidade.
Arregalei os olhos ao ouvir a declaração de Ana.
Em momento algum eu “pulei” no colo de .
— O quê? — Perguntei como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir.
— Ele não é o único culpado nessa história toda. Você caiu no papinho dele, tem culpa no cartório. — Revirou os olhos, cruzando os braços.
— Quem disse que estou culpando-o de alguma coisa que me aconteceu?
— É exatamente o que parece, , está culpando pelo seu erro.
— Se coloque no meu lugar. — Peço, sentindo o meu sangue subir com suas acusações — Estou com o , você termina o seu lance com o Jorge, mas mesmo assim eu continuo trazendo o Jorge aqui para vocês se encontrarem e ele continuar te machucando, você iria gostar?
— Levando em conta que o Jorge também é seu amigo, eu não proibiria a amizade de vocês.
— Cadê o bom senso, Ana? — Perguntei incrédula.
— Eu que te pergunto, . — Rebateu.
— Você nem amiga do Gustavo é direito! — Constato mais uma vez, para que ela pare com aquela história. — Ele e o Jorge não nasceram grudados.
— É aí que você se engana, enquanto você está de mimimi pra cima e pra baixo com o , me deixando de lado a todo momento, os dois são os meus melhores amigos.
— Te deixando de lado? Ana, a gente mora juntas, não tem como eu te deixar de lado! — Acabei rindo do seu drama sem sentido de forma irônica.
— Quando éramos apenas nós quatro, éramos muito mais felizes, os garotos queriam até vir morar com a gente, lembra?
— Aquilo era uma brincadeira, estávamos todos chapados. — Esclareço, lembrando muito bem da conversa que “planejamos” morar juntos.
— Quando alugamos esse apartamento, concordamos que não teríamos regras. — Ana disse ao levantar-se do sofá. — Acho que não deixei claro o suficiente, mas eu não gosto do , pra mim ele é péssimo e você está se metendo em uma furada!
— Não temos regras, apenas estou pedindo a sua compreensão e já vi que ela não está muito em alta por aqui. E você só não gosta do por conta do seu amiguinho .
— Pense o que quiser, .
Encerrou a nossa discussão, indo para seu quarto e batendo a porta com força. Me senti em uma série adolescente em que a mãe briga com a filha rebelde.

***
— Já parou pra pensar que a Ana pode estar envolvida em um “trisal” com o e o Jorge? — Felipe ponderou a situação após eu lhe contar toda a minidiscussão com Ana sobre .
— Não... Não acho que ela teria coragem e muito menos soubesse administrar um “relacionamento” assim. — Disse pensativa, mexendo no meu açaí o misturando com as frutas.
— É verdade, tem que ser muito safa... A Ana tem cara de tapada — Felipe disse rindo, na tentativa de fazer-me rir.
— Só você mesmo pra me fazer rir em uma situação dessas, Felps.
Felipe era outra amizade minha desde os tempos da escola, estudávamos na mesma sala, porém éramos de grupos de amigos diferentes, mas graças ao cursinho de vestibular acabamos nos aproximando. Ele sempre soube de toda a minha amizade colorida com entre outros relacionamentos, eu também sabia de todos os seus boys.
— Amada, essa é a minha função na sua vida. Quando ela está fodida, eu venho alegrar seus dias da mesma forma que você faz comigo, meu anjo.
— É por isso que eu te amo, mas agora chega de falar de , de Ana...
— Vamos falar do magrelo desnutrido do — Completou.
—ISSO! — Digo animada. — Preciso de ajuda, Felps. — Fiz bico.
— O que o amigo dele te disse exatamente? — Felipe perguntou, fazendo me rir de nervoso ao lembrar do que Matheus me disse.
— Ele disse que se eu gosto realmente dele, eu que lute para conquistá-lo.
Felipe gargalhou alto atraindo a atenção de um casal na mesa ao lado da sorveteria.
— Esses heteros usando nossas gírias gays, ninguém merece. — Revirou os olhos. — Eu confio no seu potencial de conquista, amiga, vai com tudo!
— Não sei como fazer isso, esse é o único problema.
— Fácil, vai lá e senta na cara dele. — Felps deu de ombros. — Ou então vá atrás dele na sexta feira e de um cheque-match.
— Eu não sei onde ele vai ir na sexta-feira.
— Descubra, joga o Joe de You para fora de você, com certeza durante essa semana ele vai acabar postando algum flyer de balada para ganhar entrada de graça ou consumação, você vê onde que é o lugar e corre pro abraço.
— É uma boa. — Ponderei, mas uma luz veio em minha cabeça formando um sorriso malicioso em meus lábios. — Mas eu tenho uma ideia muito melhor que essa.
— Conta tudo para eu ver se é diabólica do jeito que eu gosto!

***
Andrade
Haviam se passado alguns dias, mais algumas chamadas perdidas de e mensagens que resolvi continuar ignorando. Não, eu não estava mais magoado, apenas focado na faculdade para não acabar levando bomba, pagando mais caro em Dp’s.
Eu sabia que nós, no fim, acabaríamos enroscados novamente, então resolvi apenas dar tempo ao tempo, aquela caloura seria minha namorada.
— Tabacaria cara? — Perguntei, olhando para o evento no Facebook no celular de André, um colega da faculdade. —Tem certeza que isso bomba?
— Ainda mais sendo de sexta-feira — Matheus comentou, entrando no assunto.
Não existia coisa pior do que ir em rolê que não bombasse, gastar dinheiro atoa pra mim era um pesadelo, mas André era promoter das melhores baladas, sempre conseguia entradas vips, camarotes com combos de bebida com descontos.
— Bomba, irmão! Confia no pai, eu não chamo ninguém pra rolê furada! — André disse, confiante, enviando para mim e para Matheus o flyer do evento. — Só preciso que vocês postem no Instagram para me dar uma força na divulgação, vou colocar vocês na lista do meu camarote. Matheus, vai levar sua mina?
— Opa! — Ele concordou, passando o nome da namorada para a lista do André.
— E você, Andrade, vai levar a ? — André perguntou, fazendo-me arquear a sobrancelha. — Não é esse o nome da mina do curso de Designe?
Como é que ele sabia sobre ?
— Sim, mano. — Respondo sem muito entusiasmo.
— Coloco o nome dela também? — André insistiu, ele estava a um passo de ganhar um soco na cara.
Se ele estivesse pensando em investir na , eu iria cortá-lo agora mesmo.
— Não sei mano, não estamos trocando muita ideia ultimamente. — Joguei a real para ver qual era o seu interesse.
— Que fita mano, mas não fica assim não, talvez a vá na sexta, vai que vocês se trombando por lá não se acertam? — André comentou, fazendo Matheus rir.
— Fala isso que é aí que o não coloca o pé pra fora de casa.
— Irmão, eu quero é distância daquela louca da — Jogo o verde para colher o maduro.
André estava interessado em e queria ver se o caminho estava livre.
— Mas se você estiver querendo ela bem perto de você... — Completo para ter certeza do meu pensamento.
— Não mano, que isso, a mina é sua ex. — André se defendeu. — Muito errado essa fita ai...
— Ex não é atual, e o tá enrolado com a . — Matheus pegou a mesma maldade do que eu.
— É isso ai — concordo com Matheus, deixando André pensativo por alguns instantes.
— Então é suave eu dar ideia na ? — perguntou ponderando a ideia.
—Tranquilo, irmão. — Digo lhe estendendo a mão para que ele apertasse.
— Suave então. — Apertou minha mão — Sexta é nois.

***
SEXTA FEIRA
Queiroz

Foi a minha vez de bater na janela do carro de Matheus o assustando como ele fazia comigo de costume, sorri de orelha a orelha com o meu feito.
“Se tem sentimentos, porque ‘cê tá complicando esse é nosso momento...”
Matheus ouvia a música do Vitão com a Anitta no seu carro, eu lhe lancei um olhar bem significativo que dizia “não era você que não curtia ele?”
— Pra que me assustar diaba? — Matheus disse, com a mão no coração. — Em minha defesa, eu troquei de rádio e começou a tocar essa música. Esse Vitão tá’ bombando, quer que eu faça o quê?
— Prove do seu próprio veneno — Ri mostrando a língua, digo referente ao susto. —Relaxa, não precisa se justificar para ouvir Vitão, escute depois “Bomba Relógio” com a Luiza Sonsa. Seu segredo estará a salvo comigo. — Cruzei os dedos em sua frente na intenção de zombar que estava mentindo de guardar em segredo.
Matheus apenas foi levantando o vidro, mostrando o seu dedo do meio, mas o parou na metade.
— O que você quer? — Perguntou, ainda me olhando bravo. — Bomba Relógio é a preferida da minha mina.
— Pra que me tratar assim? — Fiz bico.
— Essa cara de diaba não me engana, o que você vai me pedir? — Arqueou a sobrancelha, ele estava muito esperto no meu golpe.
— É o seguinte — Limpo a garganta para fazer um suspense — Preciso das chaves do seu apartamento.
— Está ficando louca, ? — Matheus perguntou rindo. — Quer a chave do meu apartamento pra quê? Matar o ?
— Não vou matar o ... Quero apenas fazer uma surpresa... Para me reconciliar, entende? — Tento explicar sem contar o meu plano.
— Hoje vou sair, mas, como sou uma boa pessoa, vou deixar a minha chave na portaria e avisar que a NAMORADA do vai passar para pegar; Se eu falar que é alguma amiga ou qualquer coisa do tipo, a minha namorada faz questão de arrancar meus órgãos com a própria mão.
— Futura namorada — O corrijo — Ele ainda não aceitou o meu pedido de namoro.
— Vai pedi-lo em namoro? — Matheus perguntou surpreso.
— Não sei, quem sabe?! — Dei de ombros. — Vão pra onde hoje?
— Vou sair com a minha namorada. — Matheus disse, voltando a ficar desconfiado. — Vê lá o que vai fazer hein, não esquece que eu moro naquele apartamento também, tenho coisas de muito valor lá.
— Relaxa, está em boas mãos.

***
— Felps, eu chego na sua casa em quinze minutos. — Digo, pegando o meu par de saltos enquanto equilibrava o celular entre o ouvido e o meu ombro, segurando as sacolas com os itens necessários para surpresa, tentando passar o braço pela alça da mochila.
Você é um desastre , venha logo já estou pronto! — Felipe ralhou comigo antes de desligar a chamada. Continuei com o celular entre o ombro, seguindo para a sala de maneira torta, até chegar a porta onde largaria tudo no chão para calçar meu tênis.
? — Ana me chamou.
Eu a olhei, ela estava com o notebook no colo. O deixou de lado no sofá levantando-se e vindo em minha direção.
— Nós podemos conversar? — Ela pediu, mordi os lábios.
Aquela não era uma boa hora para uma discussão, mas o anjinho na minha consciência balançou a cabeça concordando com a ideia enquanto prestava atenção no meu tênis.
— Eu queria te pedir desculpa por aquela briga de segunda. — Ana começou e eu apenas continuei concordando. — Eu pensei bem, me coloquei no seu lugar, não seria nada legal ver o Jorge aqui no apartamento após ter terminado com ele... Acho que eu agi mais pela emoção e ciúmes no momento. Sem contar que você e o se conhecem a mais tempo então... Sabem muito bem lidar um com o outro e saber o momento que precisam cada um do seu espaço.
— É exatamente isso que eu tentei te falar na segunda feira.— Levanto-me ajeitando a mochila nas costas e recolhendo minhas sacolas do chão. — Se você perceber, o já entendeu que precisamos de um tempo, ele não me manda mais mensagens e até agora não veio mais aqui... Eu vi você chegando com o Jorge outro dia.
— É — Ela disse pensativa — Gustavo disse que preferia ficar estudando sozinho.
— Acredite, logo a gente volta a ser apenas amigos, mas precisamos do nosso tempo. — Lhe garanto para que ela fique tranquila.
— Mas você me desculpa? — Pede novamente.
— Claro, amiga. Já pode parar de me ignorar e deixar bilhetinhos na porta da geladeira, estava parecendo a minha mãe! — Não posso deixar de zombar da sua tática para me lembrar de levar o lixo para fora e lavar a louça nos meus dias. — Só que agora eu preciso sair, nós falamos depois.
—Tá’ com cara de quem vai aprontar, dona . — Ana comentou com a sobrancelha arqueada.
— Depois eu te conto o que aprontei. — Pisquei ao sair do apartamento.

***
Andrade
“Você me tira do sério. Eu fazia o que eu queria, não faço mais o que eu quero, tomou conta da minha vida...”
Retiro absolutamente tudo o que disse sobre o role de tabacaria que o André nos arrumou em plena sexta ser furada. Esse lugar além de ser maravilhoso, estava lotado de gente até o teto.
Ao som de Love 66, aquela maldita música fazia-me lembrar da caloura diaba que roubou meu coração, eu daria tudo para tê-la em meus braços.
Estávamos no camarote reservado de André na parte superior da tabacaria, onde tínhamos a visão privilegiada de boa parte da pista; Outros camarotes estavam na parte de baixo de nós, um pouco elevados da pista.
— Conhece algum Felipe Torres? — André perguntou para mim, olhando o celular em suas mãos e atraindo minha atenção.
—Não, por que? — Perguntei sem entender, bebendo um gole da minha cerveja.
André me estendeu o celular, era uma conversa pelo chat do Instagram com um tal de Felipe Torres, que pedia para André colocar seu nome na lista da tabacaria junto com o nome da sua amiga...
Queiroz.
— Essa Queiroz não é a sua ? — André perguntou, pegando o celular de volta, bebendo o seu drink de frutas.
— Não sei. — Disse incerto — Deixa eu ver o perfil desse cara.
Tomei o celular de suas mãos novamente e abri o perfil do tal de Felipe, bufando ao ver o perfil privado.
— Perfil privado, irmão. — André disse — Pra saber se é ela mesmo, só esperando pra ver se ela chega por aqui.
— Eu não vou esperar coisa nenhuma. — Dei de ombros mostrando-me incomodado.
Droga, não podia dar bandeira que estava sem , os cães da Engenharia cairiam matando em cima dela. Pensei comigo mesmo.
— Eu vou é ligar para ela, ver se ela está vindo. — Completei na intenção de disfarçar. — Posso trazê-la aqui no camarote?
André ponderou a ideia, mas enfiou a mão no bolso pegando duas pulseiras de cor amarela que indicava o nosso camarote, me entregando para ela e seu acompanhante.
— Fica à vontade, eu vou no bar buscar mais bebida.
— Suave, irmão. — Dei uma leve batidinha no seu ombro.
Voltei a prestar atenção no andar de baixo, não seria tão diaba a ponto de vir na mesma tabacaria que eu, ainda mais acompanhada de um outro cara.
Ela estava afim de me ver louco.
Pela primeira vez em uma semana, entrei na aba de sua conversa no WhatsApp. Eu deveria mandar alguma mensagem? Nenhum sinal da caloura online, bufei bebendo minha cerveja.
— Consigo ver sua cara de bunda lá do final do camarote, qual foi? — Matheus perguntou, pendurando-se na grade do camarote ao meu lado, do outro sua namorada.
— Um tal de Felipe Torres colocou o nome dele e da na lista do André.
— Quem é Felipe?
— Eu não faço a mínima ideia. — Esbravejei.
— Eu sei. – a namorada de Matheus falou.
— Como sabe? — Eu e Matheus perguntamos juntos.
— Conheça você com seus próprios olhos. — Apontou para a parte de baixo da tabacaria.
Meu coração gelou ao ver sorriu estendendo sua mão, que foi segurada por um rapaz moreno com um sorriso de orelha a orelha, alto e forte. O que ela fazia com um tipo de cara daqueles?
— Então aquele é o Felipe Torres. — Matheus disse por fim, virando-se de costas.
— Da onde ela tirou esse cara? — Perguntei entredentes.
— Você vem perguntar logo pra mim? — Matheus tirou o dele da reta.
— Não era você o amiguinho dela? — Mas eu o coloquei de volta.
— Que história é essa de amizade Matheus? — A namorada perguntou.
— Eu falei com ela uma vez e foi porque você me pagou, seu porra! — Matheus me deu um fraco soco no ombro. — Ih, olha lá...
Matheus apontou discretamente para perto das escadas, onde André beijava com vontade em volta de alguns amigos em comum.
— Cara, se você tinha alguma esperança de correr pros braços dela...
— Eu vou é correr pra minha cama. — Interrompo, negando com a cabeça. — Eu sabia que ele iria pegar a .
— Pelo menos é a , não a .
— De qualquer modo, ela já está com outro. — Dei de ombros, indo para o bar buscar mais uma cerveja.

***
Queiroz
Já havia se passado uma hora desde que tinha chego na tabacaria, esse era o tempo que eu e Felipe combinamos para colocar nosso plano em ação. Não podia ser tão no começo da noite, mas também não precisava sermos os últimos a sair da balada. Sem contar que o meu amigo precisava ir pro seu rolê gay, ficar ao meu lado pagando de hetero fazia Felipe beber muito.
E meu cartão de crédito iria acabar chorando no final desse rolê.
Peguei uma cerveja na minha conta e pedi para que o atendente entregasse a com um bilhete escrito no guardanapo que eu trouxe de casa pronto com a marca do meu batom e perfume.
“Tenho uma surpresa para te entregar, venha buscar no seu carro.
Ass: Sua caloura.”

— Vai pro banheiro, Felps. — Empurrei Felipe discretamente, o fazendo reclamar indo ao banheiro como combinado.
Olhei atentamente o atendente subir no camarote e seguir em direção a em uma roda de amigos, com Matheus e sua namorada e André, o promoter que colocou nossos nomes na lista com mais alguns amigos. Ele pegou a garrafa de cerveja, agradecendo o atendente com um aperto de mãos, e virou-se para ler a mensagem no guardanapo olhando em minha direção.
Garoto esperto, pensei comigo mesma.
Assim que seus olhos encontraram os meus em meio às luzes da tabacaria, pisquei o chamando com a cabeça, ele concordou pedindo licença aos amigos para descer do camarote.
Paguei minha comanda rapidamente, furando a fila de um casal que se beijava, saindo da tabacaria sem ao menos esperar por . Avistei seu carro prendendo assim um bilhete.
“Já que estamos aqui fora, acho que o seu apartamento é um lugar calmo para podermos ficar a sós...
Ass: Sua caloura.”

Prendi o bilhete no vidro, afastando-me do carro. Ele me encontrou rapidamente, vindo em minha direção. Apenas destravei o meu carro do outro lado da rua, entrando no mesmo e dando a partida, saindo sem ao menos ter certeza se ele viria atrás de mim ou não.
Andei devagar até o farol que, para minha sorte, já estava no amarelo prestes a fechar, vendo o carro de vindo atrás do meu.
Dirigi até seu apartamento, estacionando o carro na rua, ganhando tempo para subir para o seu andar enquanto ele guardava o próprio carro na garagem. Esperei o momento certo que ele entrasse no hall do prédio para apertar o elevador, o vendo correr em nossa direção e fechando as portas, literalmente, em sua cara.
Ao sair, coloquei um bilhete preso no vidro.
“Eu quero você pra mim, nego, mas você nem deixou eu terminar de te dizer...”
Respirei fundo ao entrar no apartamento, tinha pouco tempo para arrumar o que faltava. Tiro o salto alto o deixando pela porta mesmo, sigo para o quarto ligando sua televisão, colocando para tocar a nossa playlist especial, liguei o pisca que iluminava a minha surpresa extremamente melosa em cima da cama.
Escuto o barulho da porta.
? — perguntou ao entrar. Respiro fundo, olhando-me pela última vez no espelho e o espero entrar no quarto.
Pela primeira vez estamos frente a frente, ele olha para as pétalas de rosas jogadas pelo chão junto com o pisca de natal — Roubado da mãe do Felipe —, algumas mini lanternas imitavam velas pela sua mesa de estudos e algumas fotos nossas pela parede, lutei para achar aquelas fotos entre as milhares que eram tiradas pelos fotógrafos das festas da faculdade que frequentamos.
— Mano... Você fez tudo isso pra mim? — perguntou, ainda surpreso.
— Não, mané, eu fiz pra mim, pode se declara agora. — Lhe estendo a mão invertendo nossas posições — Nossa, , você fez tudo isso pra mim?
— Você sempre consegue acabar com momentos românticos, não é mesmo? — puxou-me pela mão para me segurar pela cintura.
— Esse é o meu trabalho.
— Sou obrigado a concordar. — Ele diz, fazendo com que eu morda os lábios.
— Olha, , sei que todo esse romantismo não anula o fato de precisarmos conversar. — Comecei dizendo e apenas foi embalando os nossos corpos no ritmo da música.
— Nós dois erramos, disse — Você errou com o lance do , eu errei em não ter lhe ouvido e somente te ignorado...
— Eu bem que mereci ser ignorada. — Sou obrigada a concordar com , que apenas me olhou com uma cara de debochado que tinha aprendido comigo mesmo. — Olha só, me fez tomar vergonha na cara. — Apontei para o quarto.
— Só isso?
— Me fez tomar vergonha na cara... Entender os sentimentos que sinto por você. — Olho fixamente em seus olhos, desce os olhos para os meus lábios, fazendo com que eu me afaste para não perdermos o foco da conversa. — Eu gosto muito de você, , muito, ao nível de te querer perto de mim por um longo tempo. Sei que sempre reclamo de não termos sido uma simples ficada e vazado, mas amo o fato de você ter insistido na gente e ficado no meu pé.
— Então você assume que manteve essa marra de durona, mas estava caidinha por mim?
— Eu assumo que estou caidinha por você, . Não é que eu estava, eu ainda estou, tô muito na sua que nem sei mais disfarçar. — Bufei irritada, revirando os olhos.
— Isso é bom pra mim sabia? — Disse surpreso — Se gamou no magrelinho significa que eu mando bem, geral gama...
— Geral vai gamar em nada não. — Ralhei lhe dando um tapa no ombro.
— Porque não, ? Que eu saiba, somos solteiros! — era uma cobra que acabei criando que estava usando o meu discurso contra eu mesma.
— Acha mesmo que eu fiz tudo isso aqui atoa? — Apontei para o quarto, arqueando a sobrancelha. — Meu amigo, sabe quanto custou essas pétalas de rosas? E essas velinhas então? Já que não podiam ser de verdade pra não correr o risco de botar fogo no seu quarto...
— Você está estragando o momento romântico mais uma vez. — interrompeu-me.
—Desculpa. — Peço fazendo bico — Não desiste de mim?
— Eu nunca desistiria de você, passou a mão pelo meu rosto.
— Então estou desculpada? — Pergunto com um sorriso nos lábios e ele concorda com a cabeça fazendo-me aproximar dos seus lábios, mas ele recua.
— Não tem mais nada que você queira me perguntar, não? — pergunta, sentando-se na beirada da cama e olhando para o coração formado por pétalas de rosa que Felipe fez com fotos e chocolates dentro.
— Não que eu me lembre — Dei de ombros, voltando a avança-lo, só que mais uma vez ele se afastou, dessa vez deitando-se na própria cama sem se importar em desmanchar todo o coração e amassar nossas fotos, teria me subido o sangue se ele não tivesse ficado tão fofo esparramado em meio as pétalas de rosa.
... — Insistiu manhoso enquanto eu ainda o observava — Quer dizer então que isso tudo é só um pedido de desculpa e vamos voltar para a mesma cachorrada de sempre?
— Não — Murmurei, aproveitando o seu estado para subir por cima de seu corpo.
— Então me diga exatamente o que você quer, nega. — murmurou, cruzando os braços por cima de sua cabeça.
Aproximei nossos rostos olhando fixamente em seus olhos. Com a sua atenção toda em mim, levei meu braço para baixo do travesseiro e tirando de lá o nosso mais temido inimigo.
— Quero que você namore comigo, Andrade — Digo, mostrando para ele um par de alianças presas por uma argola.
Ele caiu na gargalhada pegando as alianças de minha mão.
— Isso não foi exatamente uma pergunta né, !
— Eu sei. Foi uma afirmação, porquê você já é o meu namorado.
— Eu não posso recusar? — Perguntou, retirando sua aliança da argola.
— Aí eu vou ter que partir para o Plano B e pegar uma outra coisinha escondida embaixo da cama.
Queiroz... — inspirou e soltou todo o ar ao dizer o meu nome antes de cair na gargalhada novamente.
— Oi, Andrade!? — Repeti seu nome de forma séria.
— Quer namorar comigo? — Perguntou estendendo a menor aliança para mim.
— Não. — Neguei, o fazendo revirar os olhos. — Essa pergunta sou eu quem faço!
— Agora tá afim de perguntar é? — Debochou.
— Namora comigo? — Perguntei o enchendo de beijos.
— Pra mim nós já namoramos desde o primeiro beijo. — Aproveitou para roubar um selinho meu enquanto colocava a aliança em meu dedo, fiz o mesmo com a sua aliança deitando ao seu lado logo em seguida.
— Agora é oficial, não tem mais volta. — Digo mesmo com a mão para cima admirando nossas alianças uma ao lado da outra.
— Não mesmo... E, ? — chamou, respondi apenas com um “hum”. — O pedido de casamento sou eu quem faço. — Disse, fazendo-me sorrir, voltando a ficar por cima dele e beijá-lo.

FIM.

NOTA DA AUTORA: Quem é que torcia pra esse casal acabar junto grita “EUUUU!”. Realmente espero que vocês tenham gostado do nosso casal problema e que não esqueçam de comentar para me dizer o que acharam.