California Gurls.

California Gurls.

Sinopse: Tudo o que as cinco amigas buscavam eram férias divertidas em Long Beach, Califórnia, depois de finalmente concluírem a faculdade. Os três amigos só queriam espairecer e ajudar o amigo a superar o último relacionamento amoroso. O que ninguém imaginava para essa semana era um término, um ex, antigas colegas de escola, um conhecido atraente e um desconhecido gostoso.
Gênero: Comédia e romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Os nomes Derek e Alissah já estão em uso.
Beta: Sharpay Evans.

– 911, qual é a sua emergência? – atendeu o telefone como se fosse da polícia e começou a rir em seguida.
– Você é muito idiota, . – rolou os olhos e acendeu as luzes do apartamento.
– Três ligações perdidas, quatro com essa, pensei que fosse uma emergência. – adorava pregar peças com o irmão mais velho desde que eram crianças e embora ocupasse o lugar de irmão sensato, quase sempre acabava rindo das besteiras do mais novo.
– Só estava extremamente entediado e pensei que você poderia me ajudar com uma coisa. – Colocou a carteira sobre o criado mudo ao lado da cama e tirou os tênis, se jogando na cama em seguida.
– Não sendo problema com mulher ou com dinheiro, pode falar. – entrou no carro e após conectar o celular com o carro, deu partida e saiu em direção a sua casa.
– Não. Quer dizer, não exatamente. – coçou a testa se sentindo meio idiota por ligar por aquele motivo.
– Fala logo, . – Ele reclamou. – Você sabe que odeio ficar curioso. Quem é a garota?
– A ex-noiva do . – estava prestes a explicar a história, mas foi interrompido pelo grito do outro lado da linha.
– Você é louco? – berrou. – Como você pega a ex-noiva do seu amigo e sócio e não espera ter problemas com isso?
– Cala a boca! – Falou alto chamando a atenção. – Você entendeu tudo errado.
– Então explica. – falou em tom de obviedade e rolou os olhos novamente.
estava noivo, lembra? – começou a contar. – Você a conheceu quando veio para Los Angeles a última vez. – murmurou uma concordância e ele continuou. – Há dois meses ela terminou com ele, dizendo que estava apaixonada em outro cara.
– Puta que pariu! – riu com a intensidade do xingamento. – Aposto que ela não é da Califórnia.
– Não é mesmo, ela é de Nova Iorque, como o . Mas como sabia disso? – sentiu o estômago roncar e foi para a cozinha procurar algo para comer.
– Não aprendeu até hoje, ? As garotas da Califórnia são inesquecíveis. Você pode viajar o mundo todo, nenhuma delas se compara às daqui. – riu lembrando da teoria do irmão.
– A teoria de que tem alguma coisa na água daqui? Você ainda acredita nisso? – Abriu a geladeira e tirou o resto de uma pizza, colocou no microondas e se sentou na bancada enquanto esperava.
– Não é questão de acreditar, é um fato! – tinha uma confiança na voz que faria qualquer um acreditar. – E você sabe melhor do que eu, as garotas da Califórnia são espetaculares. E as de Long Beach então… – instantaneamente se lembrou do tempo em que morou em Long Beach com a família e de algumas garotas. – E é por isso que é óbvio que essa ex-noiva não era daqui. Com tanta mulher aqui ele foi arrumar uma nova-iorquina? – soltou um riso incrédulo, claramente julgando .
– Sou obrigado a discordar, . As californianas não são santas. – seria capaz de listar algumas baseado em suas próprias experiências, mas não seria o momento.
– Eu disse inesquecíveis, . Não confunda as coisas. – gargalhou. – Tudo depende do que você procura. – Mas fora isso, como estão as coisas na gravadora? – estacionou o carro na garagem e deu a volta por fora da casa, se sentando em uma espreguiçadeira com a visão da praia.
– Tudo tranquilo, tem um poder de atrair clientes que é fora do comum, mas com o mau humor está espantando alguns e é por isso que eu preciso fazer alguma coisa. É isso! – teve uma ideia e o microondas apitou ao mesmo tempo.
– Seu insight tem até trilha sonora… impressionante! – o zoou. – No que pensou?
– Vou levar o para Long Beach. Se sua teoria estiver certa, quem sabe assim ele supera isso de vez.
– Já disse que não é uma teoria, é um fato. – repetiu convencido. – As praias de Santa Bárbara não se comparam com Long Beach. Se brincar apareço por lá quando estiver lá. Confessa que você morre de saudade.
– Eu não sou mais esse cara, . – Os dois sabiam muito bem do passado de . – Como estão as coisas aí em Santa Bárbara?
– Tranquilas como sempre. Apresentar o programa de esportes não é um trabalho exaustivo. – A campainha da casa de tocou. – Sinto muito em interromper nossa conversa, mas tenho assuntos a tratar. – riu com a cara de pau do irmão, com certeza era uma garota e a última coisa que tratariam era de negócios.
pegou o celular e digitou uma mensagem para o . Encaminhou para em seguida, eles teriam uma reunião no primeiro horário na manhã seguinte. Deixou o telefone na bancada e depois de abrir uma garrafa de cerveja, pegou a pizza no microondas. Longe de ser o jantar ideal, mas seus pensamentos estavam em Long Beach.

chegou mais cedo na gravadora no dia seguinte, estava animado com o seu plano e esperava que desse certo. Tinha até mesmo levado o café preferido de cada um deles e depois de colocar de frente da cadeira de cada um, se sentou e começou a jogar Candy Crush, o vício que ele nunca deixava de lado.
Pouco tempo depois apareceu na sala de reuniões, com a mesma feição emburrada dos últimos dias. Era como se mais nada valesse a pena desde o pé na bunda e, honestamente, toda a equipe do estúdio já estava até receosa em tentar falar com ele, pois era sempre mau humor ou má vontade em resolver as coisas. Sendo donos da gravadora e músicos de sessão, eles precisavam ser simpáticos e abertos a opiniões, mas isso não vinha acontecendo com e era o motivo de terem perdido alguns clientes ultimamente.
– Bom dia. – o cumprimentou com um sorriso de onde estava.
– Bom dia. – respondeu, mas pela entonação era mais provável estar desejando uma catástrofe mundial. não se deixou afetar pelo tom do amigo e voltou a se concentrar na fase do jogo em que estava.
– Qual o motivo dessa reunião relâmpago, ? – perguntou apenas para quebrar o silêncio da sala enquanto não chegava. A verdade era que costumava se sentir um pouco culpado depois das patadas gratuitas que ele vinha distribuindo, mas era muito mais fácil culpar a situação do que assumir que ele estava sendo um pé no saco.
– Desculpa, o que eu perdi? – entrou com a respiração ofegante na sala. Ele havia acordado atrasado, para variar, e um sorriso brotou nos lábios dele ao ver o café em frente à sua cadeira, ele estava faminto. – Oh, café! Muito obrigado, ! – Ele deu um grande gole no mesmo, sentindo seu corpo se aquecer.
– Nada ainda, está fazendo suspense. – continuava mal humorado e essa era a última tentativa de de melhorar a situação.
– Como sabe que fui eu que trouxe o café? – perguntou, tirando os pés de cima da mesa e guardando o celular no bolso da calça. fez uma cara bem óbvia, não mal andava fazendo as coisas para ele mesmo, não estaria fazendo gentilezas assim para os outros. – Enfim, essa reunião é para comunicar que nós vamos tirar férias. – Ele anunciou e e o olharam como se ele fosse de outro planeta e então começou a rir.
– Fala sério! – negava com a cabeça.
– Estou falando. – repetiu. – Nós três vamos tirar férias juntos. Vamos ficar duas semanas em Long Beach, vocês precisam conhecer mais a Califórnia.
– Nós nunca tiramos férias ao mesmo tempo. – continuou com o tom monótono.
– Eu já tirei férias esse ano, inclusive. – lembrou tomando mais um pouco de seu café, mas diferente de ele estava gostando daquela ideia. Uma viagem sempre caia bem.
– Não interessa, nós vamos fazer essa viagem. Eu tenho 40% da empresa, eu decidi. Fim. – Anunciou deixando claro que não estava em pauta de discussão.
– Deixa eu ver se eu entendi. – começou com um tom zombeteiro e um sorriso. – Vou ser obrigado a tirar férias, indo pra onde você quer e com você?
– Exatamente. – ia contestar, porém foi mais rápido. – Todos nós estamos precisando de férias, esse ano foi bem estressante. Vocês não sabem como a Califórnia é maravilhosa, eu cresci em Long Beach.
– Claro que sabemos, Los Angeles fica na Califórnia. – usou um tom como se questionasse a inteligência de .
– Vocês não são daqui e conhecem Los Angeles e mais o que? – preferiu não se meter na discussão deles. Alguns dias na praia seriam muito bem-vindos. – Olha, essa é minha última tentativa de tentar ajudar você a superar e a voltar ao normal. – falou encarando , dessa vez seu tom era sério. – Todos estão aguentando seu mau humor e sua má vontade, todos nós pisando em ovos e tentando ser o mais compreensivo possível com você, mas você não parece estar querendo mudar a sua situação.
… – o chamou sabendo que poderia explodir a qualquer momento se ele continuasse jogando os fatos para cima dele. o ignorou.
– Eu olhei nossas contas, apesar de ter sido um mês produtivo, nós perdemos muitos clientes, a maior parte deles por não se sentirem bem na sua presença. Isso não pode continuar acontecendo. – abriu a boca e fechou duas vezes, mas nada disse, pois sabia que não era mentira. – Se não quiserem ir, não vão, não posso obrigá-los, obviamente. Minha tentativa era resolver isso de uma forma legal e descontraída, mas façam o que quiserem, essa situação só não pode estar assim quando eu voltar. – pegou o copo de café e se levantou indo em direção à saída da sala de reuniões.
– Espera aí! – o chamou, fazendo com que ele virasse seu corpo e ficasse de frente para ele. – Quando partimos? – Perguntou com um sorriso. sabia que tinha a melhor das intenções e sabia também que a imagem da gravadora não podia ser negativa.
– Pretendo sair amanhã cedo, são só trinta minutos de carro e eu quero aproveitar a praia.
E dizendo isso deixou a sala e seguiu para o seu primeiro compromisso do dia, ele tocaria guitarra para uma banda em duas faixas.
– Você sabe que ele tem razão, não sabe? – ficou de frente a cadeira de , atraindo a atenção para si. não respondeu. – Vai viajar conosco ou vai inventar outra desculpa e ficar sofrendo por ela que está com outro?
– Não acho que uma viagem vai resolver meu problema. – Ele disse se levantando.
– Tenho medo de não ter uma gravadora quando voltarmos se você ficar… vai que espanta todos os clientes. – fez uma careta e riu da própria piada.
– Estou atrapalhando tanto assim? – perguntou sem estar na defensiva pela primeira vez em muito tempo.
– Está e acho que o chegou no limite. – Nenhum dos dois falou nada por um tempo e então se pronunciou.
– Vou me decidir e aviso a vocês. – Ele caminhou para fora da sala e fez o mesmo, já com a cabeça nas coisas que levaria para uma semana em Long Beach.

– Não acredito que finalmente estamos passando as férias juntas novamente! – comemorou, ajeitando-se em sua espreguiçadeira.
– Eu não acredito é que finalmente saí daquela universidade. – respirou forçadamente, mostrando alívio e concordou com ela.
– Se eu tivesse que ficar lá mais um semestre acho que morreria. – fez drama. – Não quero pensar em nada do meu futuro nessas férias.
, suas amigas que vieram são legais? – perguntou e olhou para a amiga por cima das lentes dos óculos de sol.
– São sim, super divertidas e animadas. São melhores companhias do que eu. – fez uma careta, mas era a verdade. No mesmo instante o celular dela vibrou. – Ah, elas chegaram no bar, vou encontrá-las e trago bebidas pra gente, o que vocês querem?
– Bebida uma hora dessas da manhã? Você está louca, ? – tinha uma expressão de perplexidade no rosto e gargalhou.
– Olha quem fala, né? – Empurrou o ombro de . – Não sei como você não está com um copo na mão ainda.
– Ei, a bêbada aqui não sou eu não. – se defendeu e apenas ria das duas. – Você só não bebe acetona porque não pode.
– Andem logo, elas estão esperando. – reclamou e enviou uma mensagem para as duas dizendo que já estava indo encontrá-las.
– Eu quero um sex on the beach. – pediu e rolou os olhos.
– Vou querer uma margarita. – sorriu e voltou a colocar os óculos de sol.
fez o caminho pela areia até o bar que não ficava longe de onde as amigas estavam. Logo avistou e sua irmã ao lado do balcão.
– Vocês vieram mesmo! – abraçou as duas em um abraço só.
– Nós falamos que viríamos, você precisa acreditar mais nas pessoas, . – disse séria.
– Mentira, ela queria deixar você curiosa mesmo. – entregou a irmã e a empurrou de leve.
– Tem alguma coisa mais estraga prazeres que irmã mais nova? – mostrou língua para ela.
– Já estou vendo que vocês vão dar super bem com as meninas. Essas férias serão maravilhosas! – disse de forma empolgada. – O que vão querer beber? – Perguntou pegando um dos cardápios em cima do balcão.
– Alcoólico ou não alcoólico? – perguntou olhando por cima do ombro de .
– O que vocês quiserem, a quer um sex on the beach e a uma margarita. – entregou o papel plastificado para as irmãs.
– Que chique! – disse ao ouvir os pedidos das outras. – Sendo assim vou querer um cosmopolitan para acompanhar.
, você vai tomar o quê? – perguntou ainda encarando as opções em suas mãos.
– Ainda não sei, estou considerando entre ser a amiga legal ou a tiazona sóbria. – sorriu sem mostrar os dentes.
– Vou querer um mojito e você vai tomar uma caipirinha que eu sei que você gosta. – Colocou o cardápio sobre o balcão e fez os cinco pedidos para o barman.
– Nós estamos sentadas ali na frente. – apontou para as espreguiçadeiras e ele assentiu.
do céu! – disse um pouco mais baixo e segurou o braço da amiga e da irmã ao mesmo tempo, fazendo as duas pararem de andar. – Se o barman já é gato assim, imagina os surfistas. – estava empolgada.
– E desde quando você tem interesse por surfista? – devolveu em tom de zoação.
– Desde que chegamos aqui. – respondeu sem se abalar e voltou a andar.
, , essas aqui são e . – apresentou as amigas umas às outras.
As duas haviam acabado de tirar as saídas de banho e se deitar na espreguiçadeira quando as bebidas chegaram.
– Bem-vindas à Long Beach. – ergueu a taça e as outras a imitaram.
– Às melhores férias das nossas vidas! – falou mais alto. – Por enquanto. – Completou e novamente as taças se encontraram.
– Como essa paisagem é maravilhosa. – comentou olhando o mar e as pessoas que passavam.
– Você ainda não viu nada. – respondeu com um sorriso e percebeu que estava certa, as amigas aproveitariam bastante as férias.
, aquele ali não é o ? – soltou e se sentou de uma vez na espreguiçadeira.
– Aonde? – Perguntou num tom um pouco desesperado. Só então percebeu que e riam dela.
– Rá rá, que engraçadas. – fechou a cara.
– Falei que ainda tinha uma queda por ele. – deu de ombros. – Minha bebida está na sua conta. – Sorriu satisfeita na direção de .
– Vocês apostaram sobre a minha vida? – perguntou incrédula.
– E mais importante, quem é ? – soltou bastante curiosa.
– Exatamente! – concordou com a irmã e tirou os olhos para encarar .
– Ninguém! – respondeu prontamente e fechou os olhos, mesmo com os óculos de sol, para não ter que encarar nenhuma delas.
– Como assim ninguém? – soou ultrajada. – E como assim você nunca contou para elas do ?
– É o cara que a mais teve interesse até hoje. – entregou a amiga sem se importar.
– Não acredito! – praticamente gritou e deu um tapa em . – Como nunca me contou isso em cinco anos de faculdade? – ria das duas, mas preferiu não entrar na roda já que ela mesma tinha seus segredos.
– Não contei porque não era importante. – disse em tom de obviedade.
– Claramente uma mentira se ele foi o cara que você mais gostou até hoje. – devolveu.
– Não venha me analisar não. – sempre dizia isso para a amiga, desde que ainda cursava psicologia.
– Não estou analisando nada, para de ser paranoica. – se divertia em ver o desespero de , isso a entregava totalmente. – Se você não vai me contar, elas me contam. – Indicou e com o indicador alternando entre elas.
– Com prazer. – disse e se sentou na espreguiçadeira, virando para o lado de .
– Fofoqueira. – resmungou baixo, mas elas ouviram e riram ainda mais.
estudou com a gente até metade do ensino médio, aí ele mudou com a família dela para Las Vegas e nenhuma de nós nunca mais viu ele. – resumiu. – Até hoje, no caso.
– Espera aí, ele está aqui em Long Beach? – ficou muito mais interessada na conversa.
– Achei que vocês estavam só zoando a . – tinha deixado o celular de lado e estava escutando a história.
– Eu também achei. – até tirou os óculos, pois mesmo sem querer admitir aquela informação era muito bem-vinda.
– Agora a gente falou zoando. – explicou. – Mas quando foi encontrar vocês ele passou com dois caras.
– Dois caras maravilhosos, por sinal. – achou digno incluir sua opinião.
– Não exagera, . – a cortou.
– Você que ficou cega depois que começou a namorar, não posso fazer nada. – Deu de ombros. – Falando nisso, me explica de novo porque ele não veio passar as férias com você.
– Porque ele conseguiu um emprego de última hora, já disse. – explicou pela quarta vez e deixou claro que não engolia aquela história.
– Podemos voltar para o foco dessa conversa? – sorriu sem mostrar os dentes. – , você tem certeza que era o ? – Ela perguntou sentindo o coração bater diferente.
– Ah , certeza absoluta não tenho né, até porque tem séculos que não vejo ele, mas parecia muito. – Ela afirmou.
– Parecia mesmo. – confirmou.
– Parece esse aqui? – abriu uma foto no celular dela e mostrou para elas.
– Pra um ninguém você tem até ele no whatsapp? – provocou.
– Deixa eu ver! – puxou o celular da mão da amiga e mostrou para a irmã.
– Arrasou, . – sorriu e devolveu o celular para a dona. – Até entendo porque ninguém naquela faculdade nunca te interessou.
– Tenho o número dele sim, a gente se fala em datas comemorativas, tipo umas 4 vezes no ano. – riu.
– Olha que safada, escondeu isso da gente todos esses anos. – riu e concordou com a cabeça.
– Parece ou não? – repetiu a pergunta.
, ele passou lá. – Ela apontou com o dedo. – Não dá pra eu ter certeza assim, mas esquece isso. Ele é um ninguém. – Ela repetiu com um sorriso zombeteiro.
– Eu odeio vocês. – disse, mas não conseguiu permanecer séria e acabou rindo com elas.
– Mentira, você ama a gente. – falou convencida e voltou a se concentrar na bebida.
– Sem querer te ofender, , mas você fez um resumo péssimo do passado da . Eu ainda quero saber mais sobre isso. – falou.
– Uma merda de resumo mesmo. – gargalhou. – Vai contar ou eu conto? – ela encarou com uma sobrancelha erguida.
– Ok, eu falo. – suspirou vendo que não ia ser deixada em paz. – O que você quer saber?
– Tudo ué. – respondeu o óbvio. – Claramente não sei da maior informação amorosa da sua vida.
– Se você fosse mais discreta… – soltou e a ignorou.
– Pode começar me contando quanto tempo durou seu rolo. – bebeu mais um pouco e quase engasgou com a risada de e . – Qual é a graça? – Ela perguntou depois de tossir algumas vezes.
– A gente nunca ficou. – respondeu. – Por isso nunca contei, não é importante. Eu gostava dele, mas nós éramos só amigos.
– É uma pior que a outra pra contar, credo! – reclamou. – Deixa eu contar.
– Por favor. – e falaram juntas.
– O morava perto da casa da e eles sempre iam juntos para a escola. Como nós três sempre fomos amigas, ficava com a gente às vezes, mas ele era amigo mesmo da . – foi interrompida.
– Até chegar na adolescência. – disse como uma lembrança desagradável.
– Ele ficou feio e nojento com espinhas? – perguntou com uma careta, provavelmente lembrando de algo relacionado à adolescência dela.
– Não, isso foi o que aconteceu com todos os outros meninos da sala. – disse e pigarreou chamando a atenção.
– Continuando, enquanto todo mundo virou patinho feio o ficou mais e mais bonito, atraiu cada vez mais atenção…
– E passou a andar cada vez menos com a . – cortou. – Ah, não faz cara feia pra mim, .
– Ele e até tinham momentos juntos, mas fora da escola. – continuou.
– Mas e por que nunca rolou nada? – não tinha visto sentido ainda.
– Porque vocês conhecem a . – respondeu simplesmente.
– Ei, eu estou aqui ainda. – balançou a mão.
– Não estou falando isso com sentido ruim. – Ela se defendeu. – Mas você nunca foi de ficar com qualquer um e o virou bem o oposto, né.
– Vocês se lembram do boato de que ele ficou com um cara da universidade? – perguntou com os olhos arregalados e levou as mãos à boca.
– Estou impressionada. – riu fraco.
– Isso foi boato, gente. – rolou os olhos. – Vocês sabem que nós não tínhamos segredos. Se ele me contou até daquela vez que fez sexo com as duas melhores amigas lá… – Ela sabia bem o nome, mas não faria questão nenhuma de citar.
– É threesome o nome, . – zoou a amiga. – E eu queria. – Fez uma cara safada. – Não com o ! – Se prontificou a dizer.
– Ou menage à trois, mais chique em francês. – soltou. – Ou…
– A gente já entendeu. – socorreu vendo a cara de sofrimento de . – Mas como assim a continuou gostando de um cara que fez isso? – Foi a vez de ela se fingir de horrorizada.
– Vocês parem, eu não sou tão chata assim. – disse e acabou rindo.
– Conta essa história aí, fiquei curiosa. – pediu e riu.
– Não sou só eu… – Falou sem se importar.
– Ele aceitava sair com qualquer garota que quisesse, até porque elas estavam disputando, uma delas chamou ele pra ir pra casa dela, e quando ele chegou lá a melhor amiga também estava. A dona da casa começou a beijar ele e depois beijou a amiga e enfim, não fiz questão dos detalhes. Final da história, ficou com as duas. – odiava lembrar daquela história, odiava mais ainda o fato de nem coisas assim terem feito ela gostar menos dele.
nunca falou a verdade pra ele e também não deixou a gente falar e no ano seguinte a família dele se mudou. – terminou a história.
– Mas se ele estava aqui, por que vocês não chamaram ele? – questionou, adoraria conhecer o crush da amiga.
– Dois motivos: não queríamos perder esses lugares maravilhosos e não ia arriscar pagar mico. – explicou. – Vai que meu médico não está certo e minha visão não é tão perfeita quanto ele diz.
– E eu sou míope mesmo. – confirmou. – Agora mudando de assunto, vocês jogam algum esporte?
– Não exatamente, por quê? – se animou com a ideia de talvez conhecer um surfista. – Se envolver caras bonitos eu estou dentro.
– Sempre organizam uns campeonatinhos aqui na praia e passaram mais cedo chamando pra jogar, mas essas duas sem graças aqui não querem jogar nada. – e fizeram um high-five.
– Férias, querida. Não quero fazer nadinha. – bebeu o resto da caipirinha. – A não ser beber mais uma.
– O que você vai jogar? – estava realmente interessada.
– Vôlei, é o que menos passo vergonha. – Ela deixou o copo de lado.
– Passar vergonha é comigo mesma. – falou guardando o celular. – O que eu perdi?
– O que você tanto faz nesse telefone? – tentou pegar o aparelho das mãos dela.
– Não é da sua conta. – Escondeu o celular.
– Estou tentando convencer alguém a se inscrever nos jogos comigo. – repetiu.
– Ah, legal. Quero jogar futebol se tiver. – se levantou.
– Também me animo para o futebol. – levantou em seguida e depois de um gritinho animado de elas foram para a banca de inscrições.

A garota que estava na organização tinha um bronzeado de dar inveja, ela entregou os papéis de inscrição e assim que as três devolveram ela avisou que elas receberiam os horários dos jogos por whatsapp. saiu do rumo da barraca e viu que o cara que ela tinha achado bonito estava logo atrás dela, se lembrou então que ele estava andando com o suposto . Se eles estavam juntos antes, ele deveria estar por perto agora e então ela o avistou preenchendo uma das inscrições ao lado de . Era realmente ele, deu alguns passos para o lado dela e forçadamente esbarrou nele.
? – tinha uma expressão extremamente surpresa e forçada no rosto. – Não acredito! Quanto tempo!
?! – Ele sim estava surpreso e a puxou para um abraço.
– É esse? – sussurrou para a irmã e indicou ele com a cabeça.
– Acho que sim. – Levantou os ombros.
, essas aqui são e , amigas da . – apresentou e ele as cumprimentou.
– Não brinca, a está aqui também? – Um sorriso verdadeiro ocupou o rosto dele e e se entreolharam tendo a certeza que ele era o do assunto.
– Está sim, ela e a . Você lembra dela, né? – teve a ideia de levá-lo até elas vendo que ele passou os olhos pelo local, provavelmente procurando as duas.
– Claro que lembro, vocês viviam juntas. – O cara que havia achado bonito se aproximou. – Meninas, esse é o , um dos meus sócios. – apresentou e as meninas se apresentaram uma a uma ao se cumprimentarem.
– Sócio? – O interesse de aumentou naquele momento. era muito gente boa e ela deduzia que também seria.
– Sim, quando mudei para Los Angeles eu conheci o e o e abrimos uma gravadora. – contou orgulhoso. – Acho que já tem quase quatro anos.
– Por aí mesmo. – concordou e quando ele sorriu praticamente ficou hipnotizada.
– E quem é o ? – perguntou só para evitar o momento constrangedor com , mas assim que apontou para o cara mais atrás com os braços cruzados foi ela quem quase babou.
– É aquele ali. – apontou. – Mas ele anda num péssimo humor, eu evitaria contato se fosse vocês. – riu do comentário.
– Triste verdade. – Concordou com . – O que vocês vão jogar? – puxou assunto.
– Futebol. – e responderam ao mesmo tempo.
– E eu fiquei no vôlei. – contou torcendo internamente para que ele estivesse jogando o mesmo. – E vocês?
– Nos inscrevemos no handebol, os outros já estavam cheios, ficamos como reserva. – Ele explicou.
, nós vamos voltar, ok? – falou e recebeu olhar de reprovação das duas, pois queria continuar conversando com e estava satisfeita em apreciar a beleza do tal .
– Espera aí, quero ver as meninas. – se intrometeu e nenhuma delas achou ruim. – Vou só chamar o . – sorriu e pode ver as segundas intenções naquele sorriso.

. – chamou a amiga que murmurou um “hum”, mas nem mesmo abriu os olhos. – Você ainda gosta do ?
– Pra que essa pergunta agora? – A garota devolveu com outra pergunta. – Não faz diferença, nós nem temos contato mais.
– Porque ele e os dois gatos da estão vindo pra cá com as meninas. – tirou os óculos e encarou a amiga descrente.
– Duas vezes no mesmo dia não tem graça, . – Ela reclamou.
– Eu estou falando sério. – não se moveu. – Olha para trás então. – E quando ela o fez não acreditou no que seus olhos viram.
– Puta que pariu, ! É o ! – tinha uma cara de desespero e riu.
– Acho que isso responde a pergunta, você gosta dele. – Ela confirmou.
– Eu vou matar a . – sentia o coração batendo mais rápido que o normal. – Anos sem nos ver e ele vai me ver assim, descabelada e de biquini.
, relaxa. Respira. – Dessa vez ela ouviu o conselho e respirou fundo.
– Olha só quem nós encontramos fazendo as inscrições. – disse animada em alto e bom tom. E em falsa surpresa também.
! – foi a primeira a reagir e tentou ganhar um tempo para que mudasse a cara de desespero dela.
! – Ele a abraçou com o mesmo entusiasmo que tinha na voz. – Não acredito que passei por aqui e não reconheci vocês.
– Não nos vemos há muito tempo e também não é como se você tivesse procurando a gente… – Ela disse e viu que havia finalmente levantado.
! – Pela voz dele não havia dúvida no quanto ele havia gostado de reencontrar as colegas de escola.
– Que saudade, ! – Para a surpresa das amigas ela não hesitou em se jogar nos braços dele, e era um abraço diferente dos outros, principalmente porque puderam ver os dois cochichando coisas um para o outro.
– Você faz tanta falta! – cochichou no ouvido de enquanto se abraçavam.
– Senti falta de você também, e do seu abraço. – Ela disse tão baixo quanto ele e depois de beijá-lo na bochecha eles se soltaram.
– Por que não me contou que vinha pra cá? – Ele perguntou diretamente para a melhor amiga e as outras quatro garotas se entreolharam.
– Impressão minha ou isso não está com cara de quem só conversa quatro vezes no ano? – perguntou para que estava ao seu lado.
– Também estou achando isso suspeito. – concordou e escutou e concordou com a cabeça.
– Não sei o que me intrigou mais, esse abraço dos dois ou a relação da sua irmã com o celular. – comentou vendo que estava de novo com o aparelho nas mãos, digitando rapidamente.
– Também estou estranhando isso. – ia encher o saco da irmã quando a voz de soou mais alta.
, , esses aqui são e , meus sócios na gravadora. – Ele os apresentou e todos se cumprimentaram.
– Será que agora podemos ir para algum restaurante? – questionou deixando transparecer todo o tédio dele e as meninas se entreolharam tentando entender o que estava acontecendo. – Eu estou com fome e esse sol está forte. – Reclamou e saiu andando. e rolaram os olhos.
– Por favor, ignorem ele. – sorriu e internamente ele agradecia a por aquela viagem. Que teria mulher bonita ele já sabia, mas serem amigas do era ainda melhor. – Está em crise desde que a noiva deu um pé na bunda dele. – Resumiu.
– Poxa, que barra. – se solidarizou.
– O problema é que já tem uns três meses e ele continua sendo um babaca com todo mundo. – indicou a atitude do amigo, exemplificando o problema.
Enquanto a história era contada, as meninas vestiram as roupas para poderem entrar no restaurante e não ter que carregar muita coisa. Se certificaram que não estavam deixando nada para trás e então acompanhadas de e seguiram o caminho que havia acabado de fazer.

, me empresta a chave do carro? Quero pegar uma coisa que deixei lá. – pediu assim que chegaram à entrada do restaurante. entregou e nem chegou a entrar no local. – Já volto. – Saiu em direção ao carro e os demais entraram.
– Claro que ele estaria na mesa mais escondida. – identificou o amigo sentado.
– Pelo menos ele escolheu uma mesa que cabe todos nós. – ponderou e eles riram.
– Talvez a pudesse falar com ele. – sugeriu e todos os olhares se voltaram para ela.
– Eu? Eu nada, . – riu, mas a amiga sabia que era de nervoso. Ela não era fã de ser o centro das atenções.
– Ah, você tem o dom de falar com as pessoas. – puxou saco dela. – Foi você mesma que disse que às vezes é mais fácil falar com um desconhecido. – Ela deu de ombros como se não fosse uma tarefa tão difícil.
– Ok. – Suspirou e lançou um olhar não muito amigável a . – Eu posso tentar.
– Já gostei de você! – abraçou , ele realmente não aguentava mais o comportamento de .
Sendo assim, sentou ao lado de , tentaria uma conversa mais leve primeiro. O lugar ao lado dela ficou vago para que o ocupasse. se sentou do outro lado de , pois tinha um pouco mais de paciência com ele do que . tratou logo de sentar na cadeira ao lado do seu mais novo crush. se sentou entre e e ficou entre ele e a cadeira vazia.
– Enquanto vocês escolhem o almoço, eu vou ao banheiro. Com licença. – avisou e se levantou.
– Espera aí, eu vou com você. – também se levantou. Passaram por trás de e de , que estava com o celular na mão.
– Ei! – gritou. – Por que você tem uma foto do meu namorado? – Puxou o telefone da mão de , que estava perdido assim como o restante da mesa. – Mais importante, quem é essa aqui com ele? – puxou o telefone de volta.
– Eu não tenho uma foto do seu namorado, minha ex-noiva acabou de postar essa foto. Esse cara é o novo namorado dela. – Ele disse com visível nojo.
– Como é que é? – A voz de subiu algumas oitavas e atraiu atenção das outras mesas.
, para de gritar! – chamou a atenção.
– Como assim, namorado dela? – Ela ignorou completamente o pedido de . – Esse aqui é o meu namorado. – afirmou.
– Deixa eu adivinhar, ele te disse que não podia viajar com você porque tinha conseguido um emprego. – tinha um sorriso amargo no rosto.
– O que? Como você pode saber disso? – estava indignada.
– Sinto dizer, mas você caiu exatamente na mesma mentira que eu. Tecnicamente fomos cornos pelas mesmas pessoas. – Pela primeira vez em semanas o tom de não era acusador e isso não passou despercebido pelos dois amigos.
– Sente uma ova! Vai a merda! Filho de uma puta! – continuou gritando e tentou acertar um tapa em , mas a segurou.
… – tentou chamar, mas foi em vão. levantou e ajudou a segurar e foram as três para o banheiro.
– Que merda foi essa? – riu descrente e encarou os outros três ali.
– Uma bem grande. – disse e colocou a mão na cabeça. – Não era isso que esperava quando a me convidou para as férias.
– Por que raios você fica vendo fotos da sua ex-noiva até hoje? – tinha uma expressão que claramente mostrava sua opinião sobre os problemas mentais do amigo. – Se não fosse isso nós estaríamos almoçando agora tranquilamente.
– Então a culpa é minha? – voltou ao tom defensivo e saiu rapidamente dali.
– É sério, ? – riu, totalmente descrente.
– Não briguem, ok? – pediu com as palmas das mãos viradas para eles. – Eu vou lá tentar falar com ele.
saiu do restaurante e logo avistou sentado no meio fio, avistou também o carro, estacionado no mesmo lugar, mas não estava ali. Deu de ombros, afinal ela adorava um problema e era um daqueles.
– Ei. – chamou sua atenção ao sentar ao seu lado. – Não foi culpa sua. – Ela disse a primeira coisa que veio em sua mente.
– Tanto faz. – Ele continuava com a cabeça virada para o lado oposto a .
– Sabe… – Pensou nas palavras certas, mas não as encontrou. – Algo me diz que você tem muita coisa guardada, coisas que seria bom se você colocasse pra fora. – Foi cautelosa. O silêncio permaneceu e ela continuou. – Essas merdas acontecem na vida de todo mundo, o que a gente tem que fazer é decidir se vai deixar isso definir o resto da nossa vida ou não. – Mais silêncio da parte dele. – Se quiser conversar com alguém que não vai julgar e nem contar pra ninguém, pode me procurar. – se levantou e bateu no short para tirar a areia.
– Espera. – Pediu quando ela começou a voltar para o restaurante. – Eu vou voltar com você. – Ela sorriu e esperou por ele. – Obrigado.

– Filho da puta! Argh! Que ódio! – deu um murro na bancada da pia do banheiro. – Me dá meu celular, vou achar essa foto e mandar agora para aquele desgraçado!
– Não vai fazer merda nenhuma! – pegou o celular da mão dela e entregou para .
– Vou sim! – rebateu tentando se soltar do aperto de . – Me devolve, . – Pediu e seus olhos começaram a encher de água.
, você está com raiva, vai acabar fazendo alguma coisa e se arrependendo. – tentou acalmá-la.
– Mas é claro que eu estou com raiva! – Tentou se soltar mais uma vez. – Como você se sentiria descobrindo que é corna há sei lá quanto tempo? – Ninguém falou mais nada e à medida que ela foi se acalmando o choro veio.
– Chora, deixa sair. – a abraçou e continuou parada, ela nunca sabia como agir em situações assim. – Pelo menos vocês namoraram só por dois meses.
– Eu quero ir pra casa. – falou limpando o rosto quando se acalmou.
– Nós vamos com você. – se prontificou.
– Não, , eu vou com ela, você fica. – a cortou. – Suas amigas vieram pra cá por sua causa.
– Você está louca se acha que vou deixar você ir embora sem almoçar com o ! – tentou descontrair e riu fraco.
– Besta. – rolou os olhos. – Eu posso encontrar ele depois.
– Eu só quero ficar sozinha. É sério. – respirou fundo. – Fiquem as duas aí, só porque minha vida está uma merda não preciso fazer isso com a de vocês.
, para com isso. – pediu.
– Eu percebi que você gostou do bonitinho, vai lá conhecer ele. – novamente forçou um sorriso.
– Mais tarde passamos na sua casa então. – a abraçou e confirmou com a cabeça.
– Inclusive, vou sair direto. Peçam desculpas para o mal humorado ou não. – Ela deu de ombros e ela deixaram o banheiro.

, você viu a no banheiro? – perguntou ao voltar com e ver que a irmã ainda não havia aparecido.
– Não, só tinha a gente lá. Ela não voltou até agora? – estranhou e no mesmo momento ela apareceu no restaurante com o rosto vermelho e ofegante.
– Aonde você estava? O que aconteceu? – questionou com uma careta.
– Ah, um pessoal pediu para eu tirar algumas fotos deles e acabamos indo longe. – Ela respirou fundo recuperando o fôlego. – Quando me toquei voltei correndo. – Terminou de explicar e se sentou.
– Bom, como ficamos só nós dois aqui a gente pediu dois pratos. – avisou.
– Ainda bem, estou faminta. – sorriu e o estômago de roncou ao mesmo tempo.
– Acho que meu estômago concorda com você, .

– Oba, a sessão beleza já começou. – disse assim que entrou no quarto de , seguida pelas outras três.
– Que sessão de beleza? – Ela questionou. – E como vocês entraram aqui?
– Sua mãe deixou a gente subir. – explicou já se jogando em um dos puffs.
– Nossa sessão de beleza para arrasarmos hoje à noite. – esclareceu. – Que bom que já está fazendo as unhas. – Foi até ela e devolveu o celular. – Eu não pretendia ficar com isso.
– Obrigada. – Ela pegou o celular. – Mas o que vamos fazer hoje à noite?
– Vamos para a inauguração da Teenage Dream! – mostrou as entradas.
– Não acredito! – pulou da cama e pegou um dos ingressos da mão dela. – Estavam esgotados, como você conseguiu?
– Eu dei meus jeitos. – Se fez de misteriosa.
– Sem querer apressar ninguém, mas não temos tanto tempo assim para nos arrumarmos não… – disse ao checar as horas e guardar o celular. – Temos no máximo quatro horas.
– Só isso? – e pularam de uma vez e começaram a disputar o banheiro.
– Que exagero, posso dormir por duas horas e vocês aí sofrendo. – zoou as duas.
– Mentira que você gasta só duas horas para se arrumar! – estava incrédula.
– Às vezes menos. – disse deitando na cama de .
Penteados, maquiagem e quatro horas depois as cinco estavam prontas para curtirem a noite no melhor estilo. tinha escolhido um vestido com uma manga só, de paetês dourados, até o meio da coxa. Saltos bem altos, também dourados e uma maquiagem mais trabalhada, pois a intenção dela era aproveitar a noite como se não houvesse amanhã e ficar com todos os caras que ela conseguisse, isso tudo ainda era raiva do que havia acontecido mais cedo.
optou por um cropped de renda preto e um short da mesma cor, sandália também preta e de salto tão alto quanto o de . A maquiagem foi feita por , com o destaque maior para os lábios com batom vermelho. escolheu um vestido preto curto e justo, de mangas ¾ e com um decote generoso. Depois de finalizar a maquiagem calçou sapatos pretos de salto alto e pegou uma bolsa também preta.
, depois de trocar de roupa três vezes, decidiu por uma saia preta de cintura alta e uma blusa vermelha. O salto era mais alto do que o das outras e a maquiagem era básica já que ela não tinha muita habilidade.
– Odeio vocês. – reclamou vendo as amigas praticamente prontas. – Por que vocês têm que sair sempre tão bonitas assim?
, é inauguração da boate, vão ter fotógrafos e um monte de gente importante. – apontou o óbvio.
– Odeio ir com roupa que me deixa desconfortável. – continuou reclamando. – E ainda vou ter que usar salto ou vou parecer uma anã.
– Ai que drama! – rolou os olhos. – Não sair de calça uma vez na vida não vai te matar.
– E de salto muito menos. – completou.
A contra gosto acabou deixando as amigas escolherem o que ia vestir e no final estava usando um short preto de paetês e uma uma blusa de ombro caído nude. Nos pés um salto da mesma cor e a maquiagem era comum, assim como ela não tinha muito talento naquilo.
Com a intenção de não voltarem sóbrias para casa, se dividiram em dois táxis e pouco tempo depois estavam na entrada da Teenage Dream. A fila não estava muito longa, mas mesmo com convites elas tiveram que esperar um pouco para entrar. Passaram o tempo analisando as outras pessoas que estavam ali, como havia dito realmente tinha algumas pessoas mais famosas e alguns fotógrafos. Assim que passaram pela entrada, um dos seguranças colocou as pulseiras de camarote em cada uma e indicou as escadas que levavam para a área dos mesmos.
– Você conseguiu o camarote? – gritou empolgada.
– Mas é claro! – respondeu em tom superior. – E eu por acaso faço as coisas pela metade? – Elas riram e subiram as escadas, pegando uma das mesinhas com sofá que ainda não tinha sido ocupada.
– Algo me diz que essa noite vai ser bem interessante. – comentou olhando o pavimento inferior, encostada no parapeito.
– Já achou alguém? Que rápida! – se encostou ao lado dela e olhou para o mesmo lugar. – Entendi o que quis dizer. – Sorriu para ao ver vários caras que pareciam bem interessantes.
– Mas antes… – virou as duas para a mesa onde já havia vários shots de tequila.
– Meu Deus, vocês já querem ficar bêbadas? – riu ao notar que tinha pelo menos três tequilas para cada uma delas.
– Claro que não, quem fica bêbada com três tequilas? – disse já puxando um para o lado dela.
– Vamos beber juntas! – gritou se sentando no sofá. – Um, dois, três. – E então as cinco viraram as três doses de tequila, uma atrás da outra.
– Argh! – reclamou sentindo a bebida arder em sua garganta, seguida de um calor. – Acho que já estou tonta.
– Repete isso que vou aí balançar a sua cabeça. – desafiou.
– Vai lá embaixo achar um boy, vai. – fez sinal com as mãos indicando para ela ir.
– Não sei se ela vai, mas eu estou indo. – anunciou e se levantou. – Muitas bocas me esperam. Me achem na hora de ir embora, só me deixem se eu tiver muito ocupada. – Deu um tchauzinho.
– Espera aí, eu também vou descer. – levantou. – Preciso ir ao banheiro. – E juntas desceram as escadas.
– Quero beber mais, alguém me acompanha? – alternou o olhar entre as duas.
– Eu! – respondeu imediatamente. – Acompanho no que você quiser beber.
– Gostei dela, . – sorriu e foi pedir as bebidas.
– Aproveitando que estamos a sós… – trocou de lugar e sentou ao lado de . – Você não me engana e eu não acreditei que você e o não tem contato.
– Mas eu nunca disse isso. – riu e tentou desconversar. – Eu falei que a gente se fala em datas comemorativas.
– Aquele abraço de vocês quando se viram não foi um abraço de quem não se vê desde o ensino médio, . – O olhar de desconfiança não era algo que conseguia suportar.
– Mas eu não disse que não tinha visto ele, a gente se encontrou por acaso num festival de música há um ano e meio mais ou menos. – Ela contou esperando que fosse o suficiente.
– Eu sabia! – comemorou. – E por que você não disse?
– Vocês preferiram ouvir a versão da , eu só deixei. – Ela deu de ombros e agradeceu mentalmente pela volta de .
– Aqui está. – entregou um mojito para e ficou com outro na mão. – Ah, eu amo essa música. Vamos dançar. – Puxou primeiro e depois para dançarem com ela.
A quarta música já estava terminando quando voltou, com as bochechas rosadas e ofegante.
– O que você foi fazer no banheiro? – riu maliciosamente.
– Nada do que você está pensando. – Sorriu para ela. – Um carinha me chamou pra dançar e me pagou uma bebida, dançamos umas duas músicas e nossa, lá embaixo está muito quente. – Se abanou e passou a dançar com a irmã e as amigas no camarote.
– Nossa! Acho que esqueci meu batom na bancada do banheiro. – constatou ao mexer na bolsa. – Vou lá procurar. – E em menos de duas músicas já tinha desaparecido novamente.
– Só não esquece a cabeça porque está grudada no pescoço. – comentou e deu mais um gole na bebida.
Outra música começou e um grupo de garotos que estava na mesa do lado se aproximou das três e começaram a dançar. Eles tinham coreografias e isso fazia as meninas rirem e também constatarem que eram gays, mas quando se está numa boate e sua única meta é dançar eles eram a melhor companhia. Eles as aplaudiram quando a terceira música acabou e voltaram para a mesa deles.
– Achei que ia ficar de vela aqui. – falou e só assim as três a notaram perto da grade.
– Você e todas nós, com certeza são gays. – afirmou.
– Eu não vou ficar de vela coisa nenhuma. – se pronunciou. – Daqui a pouco acho alguém interessante. – Passou os olhos pelo camarote.
– Achou o seu batom? – perguntou ao notar que não tinha batom nenhum na boca de e que o cabelo dela não estava tão arrumado quanto antes.
– Achei sim. – Ela apontou para a bolsa, indicando que tinha guardado e tirou de lá o celular.
– Não acredito que você vai mexer no celular agora. – fez menção de tomar o celular da mão dela e percebeu que já não estava com os melhores reflexos.
– É só a minha amiga. – explicou bloqueando a tela do aparelho e voltando a colocá-lo na bolsa. – Ela conseguiu vir e está lá embaixo. Vou encontrar com ela. – Anunciou e desceu as escadas mais uma vez.
– Impressão minha ou a está dando um perdido atrás do outro? – perguntou para e .
– Eu não acreditei em nenhuma das histórias que ela contou. – falou como boa entendida de dar perdidos.
– Será? – soou surpresa. – Não prestei muita atenção para falar a verdade. – Deu de ombros.
– Ela está de rolo e eu quero saber com quem. – disse e puxou pela mão.
– Vão vocês que eu acabei de achar alguém interessante. – indicou um rapaz com a cabeça e saiu na direção dele.
– Não acredito que a está pegando alguém escondido. – riu, a irmã era pior do que ela própria.
– Nem eu, mas faz sentido. – continuou puxando pelo meio das pessoas. – Por isso ela não larga o celular.
– Olha, a não perdeu tempo mesmo. – apontou para a garota com o vestido brilhante.
– Aquela ali nunca perde. Mas nosso foco é a sua irmã. – E então parou de uma vez e as duas viram aos beijos com um rapaz loiro bem no canto da boate.
– Espera aí, é o ? – falou se aproximando e a segurou, a intenção não era passar vergonha na mais nova.
? O ex-namorado dela? – estava confusa.
– Vai saber, é louca. – deu de ombros e deu meia volta. – Prefiro continuar bebendo com a do que ficar assistindo isso. – As duas começaram a rir e fizeram o caminho inverso, mas foram pegas de surpresa ao ver quem estava na mesa que elas ocupavam antes.
, você convidou eles? – perguntou para a amiga antes de chegarem lá.
– Claro que não, nem convites eu tinha. – respondeu com sinceridade, já que tinha duvidado dela antes. – Mas te agradeço por ter me feito vir assim. – sorriu para a amiga e foi cumprimentar , e, por último, .
– Isso é que é coincidência. – sorriu. – O cara bonito era o . – Ela cochichou no ouvido de e ela entendeu tudo.

levou a mão ao pescoço de , impedindo que a mesma interrompesse o beijo deles e funcionou por um tempo. A verdade é que todo o clima de estar fazendo algo escondido deixava com mais vontade de aproveitar o momento com ele.
– Eu… preciso subir. – Ela disse com a respiração descompassada enquanto passava a mão pelo cabelo.
– Você vai ficar nessa de subir e descer a noite toda? – perguntou levemente frustrado.
– Você tem uma ideia melhor? – Ela devolveu a pergunta.
– Você pode simplesmente me levar com você e aí nem precisamos ficar escondido. – Ele sorriu achando sua ideia maravilhosa.
– E ouvir a falando no meu ouvido o resto da noite? Não, obrigada. – Sorriu sem mostrar os dentes.
– Então fala que está com um cara, sei lá. – Ele deu de ombros, achava aquilo besteira. – Sua irmã não tem que se meter na sua vida.
– Se eu falar isso ela e as meninas vão falar para eu levá-lo lá para cima e vou ter que inventar mais uma desculpa. – Ela fechou os olhos e a puxou novamente para perto e voltou a beijá-la.
, eu estou falando sério. – disse quando conseguiu romper o beijo.
– E eu também. – Roubou um beijo e ela acabou rindo.
– Nem sei o que eu vou falar quando perguntarem da tal amiga que eu falei que estava aqui. – Ela riu fraco, percebendo que não tinha sido uma mentira muito boa.
– Fala que ela começou a pegar um cara e você ficou de vela. – Não era a melhor escapatória, mas a essa altura ela só esperava que estivesse mais bêbada do que sóbria ao ponto de não se importar.
– Daqui a pouco eu volto. – Deram um rápido selinho e ela o deixou ali, no canto.

– Eu já disse que não sou sua namorada! Me solta! – puxou o braço com força para que o desconhecido a soltasse.
– Para de mentir, Carly. – O cara colocou a mão no ombro dela e num único movimento jogou o resto da bebida em sua mão no rosto dele. Saiu com raiva e esbarrou num rapaz que acabara de entrar ali.
– Ei, você está bem? – Ele perguntou quando ela ficou estática o encarando.
– Não, mas você pode resolver isso. – Respondeu sem um pingo de constrangimento e ele lhe lançou o melhor sorriso.
– Com prazer. – Passou a língua no lábio inferior. Já estavam bem próximos quando afastou a cabeça.
– Você não está acompanhado, está? – Pior do que ser confundida com namorada de alguém seria ser a outra depois de ser a corna no mesmo dia.
– Não até agora. – E dizendo isso o recém chegado a puxou pela cintura e ficou surpresa com a intensidade do beijo dele. Com certeza era o dono do melhor beijo da noite, por enquanto.

já tinha perdido a conta de quantas bebidas e já tinham tomado, só sabia que os copos delas esvaziavam numa velocidade muito maior do que o dela. Estava sendo muito divertido ali com os três, principalmente porque sob efeito de álcool não tinha um pingo de mau humor.
– Ué, cadê a sua amiga? – soltou no maior estilo egípcia assim que chegou na mesa.
– Ah… – ganhou tempo na resposta cumprimentando os meninos. – Começou a ficar com um cara e eu fiquei de vela.
– Você está feliz demais pra alguém que estava de vela. – também fez a sonsa, mas começou a rir alto.
– Elas estão te zoando. – contou sem nem se tocar que estava se intrometendo.
– Como assim? – disse fingindo não entender.
– Fazer a sonsa é de família mesmo. – não se aguentou e riu também.
– Vocês duas são péssimas. – falou para e . – Nós vimos você com o , não precisa ficar de desculpinha mais não. – Virou-se para . – Vamos dançar? – O puxou pela mão antes mesmo que ele respondesse.
– Bem sutil. – foi irônica, mas no fundo ela estava surpresa pelo comportamento da irmã sobre ela estar com de novo. Sabia que sua irmã era totalmente contra voltar com ex. – Aproveitem a noite. – Ela disse animada e fez o mesmo caminho que havia feito com .
– Eu quero dançar no meio das pessoas, vamos descer? – sugeriu e , e concordaram, pois estava começando a ficar estranho.

– É bem legal te ver de bom humor. – comentou enquanto ela e dançavam.
– Eu andei pensando sobre o que você disse mais cedo… A oferta para ser minha ouvinte ainda está valendo? – perguntou com uma expressão tão fofa que ela não conseguiria dizer não nem se quisesse, por isso ela apenas assentiu. – Acho que quando uma desconhecida fala o que seus amigos estão falando há semanas você é obrigado a encarar a verdade.
– Eu te disse, às vezes um desconhecido pode te ajudar melhor que os amigos, porque ele não te conhece e não vai te julgar. – Era uma das coisas que mais gostava na psicologia, ajudar sendo imparcial.
– Você já deve saber a história, depois daquele lance lá no restaurante. – disse numa tentativa de não precisar repetir detalhes do passado.
– Na verdade não. – Ela sorriu e foi uma forma de ganhar a confiança dele, pois se soubesse que falavam dele pelas costas o rumo da conversa poderia ser outro. – Eu entendi só o que aconteceu com a . No caso que o namorado dela tava com outra, que no caso é a sua ex. – Ele assentiu.
– Realmente, faltam algumas informações. – Ele pegou pela mão e a guiou até o balcão e pediu duas bebidas com gin e suco para eles. – Nós namorávamos há três anos quando a pedi em casamento. – Ele começou a contar e ela olhava nos olhos dele, se mostrando interessada. – Duas semanas depois do pedido ela me devolveu o anel. – arregalou os olhos, talvez já fosse culpa do álcool. Mesmo assim deu um gole generoso da nova bebida que estava em sua frente. – Disse que percebeu que estava apaixonada por outra pessoa e que não seria justo comigo.
– Que merda. – expressou e voltou a beber e escutar.
– Põe merda nisso. – Ele também bebeu um pouco antes de continuar. – Já era ruim o bastante eu ter que assumir para minha família e meus amigos que não ia ter mais casamento, assumir para mim mesmo que eu tinha ganhado um pé na bunda. Mas é aquele ditado, nada está tão ruim que não possa piorar. – Ele respirou fundo e manteve em mente que seria a última vez que aquela história seria contada, ele tinha que deixar aquilo para trás.
– Infelizmente sempre pode ficar pior. – A expressão de era solidária, mas ela não sentia tanta pena dele assim, afinal essas coisas aconteciam.
– Não consegui excluí-la da minha vida instantaneamente. Aliás, até hoje, mas enfim… Quando entrei no facebook alguns dias depois vi que ela estava num relacionamento sério com outro.
– Que rápida. – não conseguiu segurar o comentário. – Tudo bem que ela estava apaixonada por outro, mas podia ter esperado um tempo.
– Concordo, mas além disso o relacionamento sério já tinha oito meses. Oito meses! – Ele elevou o tom de voz. – Nunca imaginei na minha vida que seria traído e fui traído por oito meses! – não soube o que dizer e ambos ficaram em silêncio, apenas bebendo. – Nunca quis que as pessoas sentissem pena de mim, mas percebi que era mais fácil ser um coitado do que admitir o fracasso do relacionamento. Ninguém se aproxima e você não sofre. – Ele concluiu. – Nossa, isso soa bem patético em voz alta. – Admitiu e riu fraco. Por pior que fosse, de certa forma, ele se sentia menos rancoroso.
– Não é patético. – Ela se aproximou um pouco. – Cada pessoa reage de uma forma, mas isso não faz de alguém melhor ou pior. Olha a , por exemplo, ficou sabendo hoje que estava sendo traída e já deve ter beijado pelo menos uns cinco aqui. – Deu de ombros. – É a forma como ela lida, se sente superior.
– É, eu só queria que tudo desaparecesse, mas é como se eu revivesse isso dia após dia. – Desviou o olhar, se sentia fraco por admitir isso.
– Me responde uma coisa. – falou e ele voltou a olhá-la. – Se ela aparecesse aqui nesse minuto e quisesse voltar com você, você voltaria com ela?
– Claro que não! – respondeu sem um pingo de dúvida.
– Então. – Ela disse como se a conclusão fosse óbvia. – Tira isso da sua vida, você não precisa disso. Aposto que você é uma pessoa ótima, mas está afastando pessoas que realmente gostam de você, por alguém que claramente não vale uma pipoca molhada. – Ele riu da expressão que ela usou e foi uma risada tão sincera que ela acabou acompanhando.
– Que o não me ouça dizendo isso, mas realmente, a Califórnia é incomparável. – jogou o cabelo para trás.
– Mas é claro que é. – Indicou a si mesma e terminou a bebida.
– Eu já estive em vários lugares, mas nada chega perto disso aqui. – Ele também finalizou a bebida dele e praticamente colou o corpo dele no dela. A vozinha no fundo da mente de dizia que aquilo ali não deveria acontecer, ele ainda estava frustrado com a ex, porém quem dá ouvidos a essa voz?
No instante seguinte eram os rostos que estavam praticamente colados, segurou a respiração enquanto os olhos de alternavam entre os olhos da garota e os lábios. Ela fechou os olhos e ele entendeu como um sinal positivo para continuar, como era bom voltar a beijar alguém depois de tanto tempo. nem mesmo tinha percebido como aquilo fazia falta. Para a felicidade dele, a ex não ocupou seus pensamentos nem mesmo uma vez e para a felicidade dela, ela poderia colocar a culpa nas bebidas.

tinha percebido um interesse por parte de , mas ao mesmo tempo quando ele tentava se aproximar ela se esquivava e isso o fez questionar até que ponto era verdade e até que ponto era coisa da sua cabeça. Quando chegaram na pista de dança, a sua intenção era dançar com ela, mas quando se aproximou viu que ela já estava dançando com um outro rapaz. Entre ficar sobrando com e ele preferiu dançar com outra garota, que passava por ali. Ela sorriu extremamente satisfeita pela atitude de , mas ele nem mesmo prestou atenção, pois mesmo dançando com outro encarava constantemente.
adorava joguinhos, não quebrou o contato visual com nem por um momento, principalmente quando passava suas mãos em seu próprio corpo ou nas costas e ombro do desconhecido. Pelo sorriso no rosto de ela pode perceber que ele tinha entendido o que estava acontecendo ali e quando uma nova música se iniciou ele dispensou a garota e se livrou também do cara, dando de cara com um sorriso provocante por parte de .
Nenhuma palavra era dita, e também não precisava ser, os olhares e sorrisos diziam tudo. virou de costas para ele e continuou dançando do jeito sexy que ela amava, mordeu o lábio inferior e negou com a cabeça, ela era boa naquilo, mas ele não cederia, ela teria que beijá-lo primeiro ou pedir por isso. No entanto seu autocontrole parou de funcionar quando ela passou as mãos dele pelo corpo dela, ele a virou de uma só vez e quando estava prestes a beijá-la ela virou o rosto e se afastou, sorrindo satisfeita.
– Aposto que não aguentam mais meia hora sem se beijarem. – indicou e com a cabeça e riu.
– Só se o for muito bom nisso, porque quando a coloca uma coisa na cabeça… – nunca via a graça nisso, mas sabia que a amiga adorava um doce. – Mas não vou apostar em alguém, apostaram em mim hoje e não foi legal.
– Apostaram em você, hum? – Ele sorriu de canto e só então ela lembrou que a aposta tinha a ver com ele. – Sobre o que era a aposta?
– Besteira. – Ela tentou desconversar e sorriu aliviada quando apareceu do lado deles.
– Licença, . Preciso do emprestado por alguns minutinhos. – E com um sorriso empurrou para longe. rolou os olhos e continuou dançando em meio as pessoas.
– Eu preciso de um favorzinho. – tinha uma expressão super meiga.
– Diga. – segurou um riso, ela já estava alterada.
– Me passa o número do . – Ela desbloqueou o celular e esperou, mas ele não fez nada.
– Por que não pede a ele? Vocês estão tão íntimos. – adorava zoar as pessoas e não ia perder a oportunidade.
– Não é da sua conta. Me passa logo o número e eu te dou uma informação valiosa. – Como curioso que era, bastaram aquelas duas palavras para ele passar o contato de a ela. – Você devia ficar com a , ela é apaixonada por você desde sempre. – arregalou os olhos um tanto surpreso em ouvir aquilo, ele reconhecia que o tipo de relacionamento que eles tinham não se comparava a nenhum outro que ele tinha, mas nunca tinha imaginado isso. – De nada. – Ela sorriu e saiu dali, dançando com o primeiro cara sozinho que encontrou.
– Você voltou. – disse assim que apareceu a puxando pela cintura de forma que eles dançassem mais perto um do outro. Aquela proximidade não facilitava as coisas para ela, mas uma das condições de quando eles ficaram da última vez era que ninguém soubesse e não seria ela quem quebraria isso.
– Voltei. – Ele a girou e voltou a segurá-la pela cintura. – Quer dizer que você é apaixonada por mim desde sempre? – A pergunta a pegou totalmente desprevenida e ela quase desequilibrou.
– Eu? – Soltou um riso nervoso. – De onde tirou isso, ? – balançou a cabeça em negação, como se fosse algo absurdo.
– Um passarinho me contou. – Ele sorriu de lado, adorando vê-la desconcertada.
– Um passarinho que merece uma pedrada. – olhou feio na direção de , mas essa estava mais concentrada em provocar a distância.
– Se é verdade, por que não aceitou meu pedido de namoro quando estávamos ficando? – Ele ainda tinha um sorriso no rosto, mas o tom mostrava que ele falava sério.
– Ai, … – colocou uma mão em cada lado do rosto dele e o beijou. retribuiu, fazia seis meses que eles não ficavam mais e ele não podia negar que sentia falta daquilo.
– Uou. – soltou e desviou o olhar, um pouco sem graça. – Preferiu me beijar na frente das suas amigas ao invés de me responder, quer dizer que a resposta é séria. – Ela não soube o que dizer naquele momento. – Você sabe que não vou desistir até saber, não é? – Ela suspirou.
– Eu sei, só não hoje, não aqui. Tudo bem? – Pelo menos assim ela ganhava um tempo para organizar melhor os pensamentos.
– Desde que você continue me beijando, está tudo ótimo. – Ela sorriu verdadeiramente.
– Espertinho. – Ela passou as unhas na nuca dele para provocá-lo e com isso fazê-lo esquecer do assunto.
– Essa é só uma das minhas qualidades. – Se gabou e ela rolou os olhos.
– Cala a boca e me beija logo. – Ela sabia bem de todas as qualidades e dos defeitos, e o fato de nenhum deles a abalar ou fazê-la se afastar era o que ela considerava um tipo de amor. E bem, beijar com certeza era uma das qualidades dele, e naquela altura da noite ela já não estava se importando com o fato de as amigas verem ou não.

A boate estava consideravelmente mais vazia e os pés de imploravam por chinelos, porém ela parecia ser a única naquele estado. Ela havia ido ao banheiro e avistou perto do balcão, com a feição séria olhando a tela do celular.
– Aconteceu alguma coisa? – A expressão dele se suavizou e ele guardou o celular.
– Meu irmão veio pra cá e me mandou mensagem quando estava entrando, já tem mais de uma hora e eu não o vi, ele também não ficou online mais. – Contou a ela, mas conhecendo ele sabia que não precisava se preocupar.
– Vamos dar uma volta, a gente procura ele e descobre se as meninas já querem ir embora. Meus pés estão me matando. – Imediatamente ele olhou para os pés dela.
– Imagino. Quase nunca te vi de salto. – Essa era mais uma vantagem em sair com ele, a diferença de altura dos dois não era grande. – Achei. – Ele apontou para um casal perto da escada. – Está com a garota de vestido brilhante.
– Não acredito que a está pegando seu irmão! – levou a mão à boca em sinal de surpresa.
não mudou nadinha e todo mundo achava que eu era o errado da família. – riu alto e a encarou tentando entender o que era engraçado.
– O certo é que não era, né? – Ele fez questão de mostrar que não tinha achado graça, mas ela continuou rindo.
– Como é a gente faz quando quer calar a boca de alguém mesmo? – Foi a vez de ela ficar séria, mas não durou muito, pois segundos depois os lábios dele estavam nos dela.

– Que ressaca dos infernos! – reclamou quando abriu a cortina do quarto.
– Sua boca ficou desocupada em algum momento para você beber? – a provocou e ela mostrou o dedo do meio.
– Só com o irmão do você ficou mais de uma hora. – colocou pilha.
– Você não pode falar muito não, . – falou abaixando a bola dela. – Eu vi muito bem você beijando o .
– O que? – se sentou de uma vez no colchão.
– Não acredito que você não me contou. – jogou o travesseiro na direção de , mas não a acertou.
– Não acho que você queria que eu atrapalhasse a sua pegação para isso. – desconversou. – E não teria acontecido se alguém aqui não falasse mais do que deveria. – Lançou um olhar fulminante na direção de .
– Você deveria me agradecer, mas não ligo. Eu precisava do telefone do , eu… – De repente ela pareceu desesperada e revirou os lençóis até encontrar o celular. – Merda! Merda! Merda!
– O que você fez dessa vez? – perguntou sentando ao lado dela para ver o aparelho.
– Não sei o que é, mas é bem feito. – deu de ombros.
– Mandei mensagem para o falando que quero beijar ele. – deixou o corpo cair no colchão.
– Ué, vocês não se beijaram ontem? – tinha certeza de que eles tinham ficado e negou com a cabeça.
– Com aquela tensão sexual toda? Duvido! – , que até então tinha decidido ficar de fora da conversa, acabou se metendo.
– E você viu alguma coisa que não fosse o ontem, ? – A irmã aproveitou a deixa.
– Claro que sim, vi até você e o se pegando. – fechou os olhos e fez uma careta.
– Não acredito que você ficou com o emburradinho. – realmente parecia surpresa.
– Nem eu. – confessou, mas explicou em seguida o que realmente queria dizer. – A gente conversou, ele estava super de boa, mas eu não deveria ter ficado, não ficaria se estivesse sóbria. Tenho certeza que ele só quis me beijar por raiva da ex.
– Mas foi bom? – perguntou o que para ela era o que importava naquele momento.
– Foi. Nem sabia que ele tinha um tanquinho daqueles… – tinha um sorriso não muito puro no rosto.
– Então dane-se os motivos. – deu de ombros e se levantou.
– Está quase na hora dos jogos, nós temos que ir. – pegou sua bolsa de praia e passou a mão nos cabelos mais uma vez.
– Vamos sim. – se levantou na mesma empolgação.
– Ainda bem que não vou jogar nada. – respirou aliviada e concordou com a cabeça, mesmo que não estivesse com ressaca.
– Só queria saber uma coisa antes. – falou e todas olharam para ela. – , porque estava pegando seu ex em segredo?
– Eita, essa história eu perdi. – olhou de uma para a outra.
– Ah, você e a vivem falando que voltar com ex é burrice, não queria ficar ouvindo sermão nas férias. – Ela deu de ombros.
– Até hoje eu nem entendi porque vocês terminaram. – confessou.
– Ele deu ataque de ciúmes por causa daquele trabalho que eu fiz na casa do Derek, não quis ouvir o que eu tinha a dizer e aí nós terminamos. Depois ele viu que o nome da Alissah também estava no trabalho e conversou com ela e resolveu acreditar em mim. – Rolou os olhos. – Totalmente desnecessário.
– Homens sendo homens. – constatou o óbvio.
– Mas e você, ? – chamou a atenção da amiga. – Teve algum motivo para não ficar com o ou foi só doce mesmo?
– Não resisto a uma provocação, você sabe. – assentiu. – E ele é muito bom nisso. – Ela suspirou. – Pena que hoje vou ter que fugir dele.
– Mas por quê? – questionou não vendo a lógica da situação.
– Porque mandei a mensagem e agora estou sóbria. – respondeu e a outra continuou sem ver sentido naquilo. Mas não queria perder o jogo, então tratou de tirar todas de casa de uma vez.

– Ah, a Califórnia é mesmo maravilhosa! – sorriu satisfeito e riu, aquela teoria era idiota, mas até que fazia sentido.
– É, mas por que está falando isso? – não conhecia ainda.
– Shorts curtos, biquinis, peles bronzeadas… – A expressão de era de alguém realmente maravilhado.
– Ele tem essa teoria louca que a água daqui tem alguma coisa de diferente. – dividiu a história que era o real motivo de estarem ali.
– Olhem aquelas garotas ali. – indicou três mulheres que estavam tomando sol. – Agora reparem nos caras que passam por elas.
– O que tem eles? – perguntou achando chato olhar para caras.
– Não tem um que não vira a cabeça e quase quebram o pescoço para olhá-las por mais tempo. – Depois da explicação os três perceberam que ele tinha razão.
– Do que falam? – perguntou apenas para que as notassem atrás deles.
– De como os caras quase quebram os pescoços para encarar vocês. – disse na maior naturalidade.
– Claro, somos lindas, novas, corajosas… Nós dominamos. – deu uma piscadela para ele.
– Viu. – a indicou com as duas mãos. – É tipicamente alguém daqui.
– Muito interessante essa conversa de vocês, mas temos que ir para o jogo. – passou no meio de todos e foi andando na frente.
– Acho que alguém não gosta de perder. – comentou e confirmou com a cabeça.
– Ué, cadê a ? – perguntou notando que era ela a garota faltante.
– Provavelmente se escondendo de você por causa de alguma mensagem… – respondeu, devolvendo o que ela havia feito na noite anterior. riu e não disse mais nada.

O primeiro jogo seria o de futebol que e iam jogar, depois na mesma arena improvisada seria o jogo de vôlei que jogaria e então o jogo de handebol dos meninos que aconteceria em outra arena. O jogo começou e as duas estavam no mesmo time, o restante estava na arquibancada e até tinha aparecido para torcer por .
– Como vocês são melhores amigas desde o colégio e eu não lembro de ter te visto antes? – perguntou a .
– Porque eu ia para a sua casa e ela não. – respondeu.
– Mas a gente estudava no mesmo lugar, não faz sentido. – ainda estava inconformado. – E vocês conhecem elas como?
– Elas fazem faculdade com a . – respondeu e logo em seguida levantou para comemorar um gol do time das meninas.
– Não fizemos o mesmo curso, mas conheci em uma matéria em comum e a antiga colega de apartamento tinha se mudado, então ela e a irmã dela se mudaram para o meu apartamento, já que ela e a não quiseram ir para Los Angeles comigo. – sempre fazia questão de deixar claro como se sentiu traída quando as amigas preferiram ir para São Francisco.
– Mas estamos todas aqui agora, inclusive… – cutucou que estava do outro lado de . – A está bem ali e acho que seria um ótimo momento para vocês se beijarem. – e fizeram um hi-five.
– Também acho. – disse decidido e desceu as arquibancadas.
– Gostei desse garoto. – apontou para . – Tem atitude.
– Não por isso. – gargalhou e puxou para um beijo totalmente inesperado.
– Só podia ser irmão do mesmo. – Ela disse como se fosse algo ruim, mas pelo sorriso ela havia adorado.
– Ei, eu não tenho nada a ver com isso não. – Ele se defendeu. – Mas em caso de estarem se perguntando, os dois estão se beijando. – Todos os olhares se voltaram a e .
– Esse povo de Los Angeles é rápido mesmo. – zoou sendo a única ali que não morava lá.
O time de e ganhou por cinco a três e quase perdeu o jogo, pois não parava de beijar , pareciam querer tirar todo o atraso da noite anterior e só se separaram quando as meninas passaram uma a uma dizendo para eles arrumarem um quarto.
até jogou bem, mas a dupla dela não era muito boa e elas acabaram perdendo o jogo por dois sets a um. Com a recuperação no segundo set até tiveram esperança, porém a outra dupla era realmente muito boa. Todos se encontraram na descida da arquibancada para ir até a outra arena onde os jogos masculinos estavam acontecendo. e pararam para comprar picolés e o restante continuou andando. Um a um desejou boa sorte a , e .
– O que foi? – perguntou a quando ele segurou o braço dela.
– Eu ainda quero a resposta da pergunta de ontem, . – Ele desceu a mão pelo braço dela e segurou a sua mão.
reconheceu a voz de e, ao ver que ele conversava com , puxou para se esconder atrás da arquibancada e fez sinal de silêncio. Quando olhou pelos espaços da arquibancada ela entendeu o que era e tentou escutar.
– Se você realmente gosta de mim, por que não aceitou namorar comigo? – O tom dele era calmo, completamente diferente da reação das duas quando ouviram aquilo. e se olharam, ambas com os olhos arregalados e as bocas abertas em sinal de surpresa ao constatarem que a amiga tinha escondido isso de todo mundo.
, depois do jogo a gente conversa. – se esquivou novamente e as amigas ficaram ainda mais surpresas.
– Você está me enrolando, já disse isso ontem. – Ele a acusou.
– Não estou, eu juro! Depois do jogo a gente conversa. – Ele, por fim, assentiu. – Faz um gol pra mim! – Ela pediu e o beijou rapidamente.
– Vou fazer. – Ele saiu sorrindo pelo mesmo caminho que os amigos tinham feito.
– Qual é o seu problema? – perguntou fazendo o sorriso no rosto de ser substituído por uma mão no coração.
– Que susto, infeliz! – deu um tapa no braço de . – O que vocês estão fazendo aqui?
– Surpresa, ué. – tentou escapar, não esperava que fizesse aquilo.
– Não acredito que vocês estavam me espionando. – estava séria e brava, mas no fundo era nervosismo por não saber o que exatamente elas haviam escutado.
– Estávamos sim, e não aconteceria se você não escondesse as coisas das suas amigas. – a conhecia bem demais para cair na chantagem emocional.
– Já pensou que talvez seja justamente esse o motivo pelo qual eu escondo? – novamente tirou a culpa dela.
– Parem com isso! – reclamou e ganhou atenção das duas. – Ficar jogando a culpa de um lado para o outro não resolve nada. Nós erramos em espionar a , isso não era da nossa conta. – assumiu a culpa delas. – Mas você tem que concordar que nós temos motivos para ficar chateadas com você também, .
– Não era para ter sido nada assim. – se sentou na arquibancada. – Não era para ele estar aqui, não era para nós nos vermos de novo.
– Que tal começar do começo? – sugeriu ao se lembrar do que ela havia lhe contado na boate. – Vocês se encontraram num festival de música. – Ela começou e impediu de reclamar sobre não saber nem disso.
– Exatamente, nós conversamos pouco nesse dia, mas o suficiente para eu saber que ele também estava morando em L.A. Nós combinamos de nos encontrar um dia e depois outro, e então nós ficamos. – fez menção de reclamar novamente, mas foi ignorada. – Não contei para ninguém porque eu não achava que ia passar disso. Você conhece a reputação dele tão bem quanto eu, .
– Tá, você conseguiu escapar dessa. – Ela entendeu que era uma forma de evitar de se apegar.
– Só que nisso passou um mês, depois outro e sempre que nos encontrávamos a gente ficava. Imaginei que vocês já achariam ruim por eu ter escondido por esse tempo e achei que logo acabaria e ninguém precisaria ficar sabendo. – Ouviram o apito do árbitro e subiram rápido para o local em que os outros estavam.
– Mas e o pedido de namoro? – sussurrou, não queria chamar a atenção de ninguém para aquela conversa. – Por que raios você recusou isso quando obviamente você ama o cara? – respirou fundo antes de responder, sabia que não concordaria com ela.
– Ser amigo colorido te permite manter uma amizade, se eu aceitasse e não desse certo eu perderia meu amigo e não queria correr esse risco. – foi direta e voltou a prestar atenção no jogo.
– Eu não acredito! – estava realmente indignada. – Você bem que podia confiar em mim e na quando a gente diz que ficar com amigos só melhora a amizade.
– Eu confio, tanto que ficamos por quase um ano.
– O quê? – gritou e a interrompeu.
– Cala essa boca! – sussurrou.
– Ficar não é namorar, . E eu surtei, ok? Não estava esperando nada disso e não sabia como ia ser depois que me formasse. – estava prestando atenção na conversa, mas não tinha muito como opinar já que não conhecia . Não julgava a amiga porque ao se colocar no lugar dela conseguiu visualizar a si mesma fazendo exatamente aquilo.
– E você vai falar a verdade pra ele? Vai contar porque não quis? – subiu e desceu os ombros em sinal de que não tinha escolha.
– Ele não vai me deixar em paz agora que, graças à , ele sabe que eu sempre gostei dele. – Ela rolou os olhos. – E sim, ela fez isso na boate ontem. – respondeu a pergunta muda de .
– Eu amei vocês juntos. – se intrometeu. – Tomara que vocês conversem e se resolvam, porque visivelmente tem algo rolando ainda.
, olha seu gol! – gritou, assustando as outras duas. seguiu com os olhos pela areia e ele realmente fez o gol e mandou uma piscadela para a dona do gol.
– Meu otp está vivíssimo! – comemorou.
O jogo terminou nove a sete para os meninos, com direito a dois gols de , dois gols de e um de .
Embora os dez tivessem saído juntos ao final do jogo, aos poucos os casais foram se dispersando. Ao passarem pelo aluguel de pranchas de surfe, e engataram uma conversa sobre o esporte e tanto quando ficaram empolgadas para tentar aprender a surfar. Os quatro então alugaram pranchas e foram para a água.
Os seis estavam sentados na areia, curtindo o movimento da praia e as ondas nos pés, quando por algum motivo a conversa terminou em uma competição de castelos de areia de homens contra mulheres. aproveitou a brecha para sair e conversar com , não sem antes respirar profundamente várias vezes e afirmar para si mesma que ficaria tudo bem.
– Ei, aonde você vai? – gritou quando notou e se afastando. – Nós temos um castelo para fazer!
– Eu confio em vocês! – gritou de volta.
– Droga! – reclamou, ela sabia que a amiga tinha talento para castelos de areia.
– Relaxa, . Eles precisam conversar. – falou baixo. – Nós ainda vamos ter o melhor castelo. – Olhou com superioridade para e .
– Rolou alguma coisa que eu não sei? – tentou puxar alguma lembrança na memória.
– Só um mal entendido, coisa deles. Agora vamos logo com isso porque eu não aceito perder. – começou a fazer um morro de areia.
– Não se preocupa, . Se você perder eu te dou um beijinho de recompensa. – disse do outro lado. Na noite anterior ela não tinha feito questão de esconder o quanto tinha gostado do beijo dele.
– Vai se ferrar. – Ela xingou, mas ria.

e caminhavam lado a lado sentindo as ondas molharem os pés em silêncio. Não era desagradável, mas ela sabia que precisavam conversar, só não sabia como começar.

… – Os dois disseram ao mesmo tempo.
– Pode falar. – Ela sorriu e sem perceberem eles não estavam mais andando.
– Eu… – também parecia não encontrar as palavras certas para o que ele queria dizer. – Eu percebi que insisti numa coisa que é pessoal e você não precisa falar nada só porque eu meio que te pressionei. – Ele sorriu aliviado ao ver o mesmo sorriso no rosto dela. No fundo ele queria saber, no entanto era mais importante aproveitar o momento do que a afastar em nome da curiosidade dele.
– Eu sei que não preciso, mas eu quero. – Ela se sentou na areia e ele sentou ao lado dela. – Só não sei bem como começar. – confessou e riu fraco. – O que é bem estranho, quando foi que começamos a medir palavras um com o outro?
– Boa pergunta. Nós já fomos melhores nisso. – Ela concordou com a cabeça. – Que tal começar me contando se é verdade o que a me falou ontem à noite?
– Sobre eu ser apaixonada por você? – Foi a vez de ele assentir. – Não sei se eu usaria essa palavra. Paixão é algo que dura pouco e tem muito a ver com o físico, o que claramente não foi o que me fez gostar de você. – a empurrou com o ombro fazendo com que ela o corpo dela fosse de encontro com a areia.
– Vai falar que meu corpo não de atrai? – Ele perguntou com a sobrancelha arqueada.
– Está carente de elogio, ? – riu e deu um beijo na bochecha dele quando ele fechou a cara. – Hoje seu físico é bem atraente sim, mas o que eu quis dizer é que eu sempre gostei de você por quem você é e sempre foi comigo. E não é como e você não soubesse disso. – Ela podia esconder dos outros, porém nunca escondia dele.
– Eu sei, só que eu achava que era como amigo. Sempre foi mais que isso? – De repente ele se sentiu burro por nunca ter percebido.
– Não, quase sempre era como amigo, mas nossa amizade sempre foi diferente. – Ele balançou a cabeça em concordância. – E um dia eu percebi que talvez existisse um outro sentimento e então você se mudou e era mais fácil manter uma amizade a distância entre dois adolescentes.
– Por que você nunca disse nada? – não se lembrava de ter percebido qualquer sinal da parte dela.
– Ah, . – Ela rolou os olhos achando totalmente desnecessário ter que falar aquilo. – Você era a sensação do colégio, cada dia estava com uma… – Ele poderia concluir o restante.
– E então nós continuamos amigos por cinco ou seis anos como se você nunca tivesse gostado de mim. – Foi a constatação dele.
– E eu achei que só tinha estado confusa sobre meus sentimentos e que na realidade eu sempre gostei de você como amigo… até te reencontrar no festival. – abraçou os joelhos na tentativa de se sentir protegida. Mesmo sendo o melhor amigo dela ali, era difícil se abrir. – Naquele dia foi como se nunca tivéssemos nos afastado e depois quando saímos percebi que eu ainda tinha um sentimento por você.
– Uau. – Ele tinha um sorriso no rosto e mesmo um pouco envergonhada ela estava feliz por estarem conversando como adultos. – Desculpa, mas eu vou ter que repetir a pergunta. Nós ficamos por praticamente um ano, se você gostava de mim porque me deu um pé na bunda quando te pedi em namoro? – sorriu ao ver que ele ainda levava tudo de bom humor.
– Eu fiquei assustada, , e fiz o que faço melhor, me afastar. – Confessar aquilo envolvia uma série de outros sentimentos dentro dela.
– Mas você namorou antes. – Eles tinham conversado sobre os outros relacionamentos, por que um com ele seria o problema?
– Não pelo namoro em si, você me pediu para mudar para o seu apartamento e isso levou tudo para um outro nível, que eu não estava nenhum pouco preparada. – estranhou a facilidade com que tinha conseguido falar sobre aquilo e então foi pega de surpresa pela risada dele.
– Não acredito que foi por causa disso, . – Ela desviou o olhar ao sentir as bochechas mais quentes e ele passou um braço pelo ombro dela, puxando-a para mais perto. – Eram pedidos independentes, você podia ter aceitado um e recusado o outro.
– É, só que não enxerguei isso na hora. – Ela se defendeu. – Você é o cara que tem uma namorada por semana e a imagem de ser trocada duas semanas depois não me agradou.
– Quanta merda você tem nessa cabecinha, hein? – Ela sabia que ele não estava errado. – Você sabe que isso foi uma fase há muito tempo. Caramba, . A gente ficou por um ano! Não é possível que você ainda ache que eu sou aquele cara. – não saberia definir o que sentia naquele momento.
– Eu não acho. – voltou a olhá-lo. – Acho que sou errada da cabeça mesmo. – Riu fraco.
– Quer dizer que nós podíamos estar namorando há seis meses? – a achava a pessoa mais absurda naquele momento.
– Sim. – riu de nervoso, mas por dentro estava verdadeiramente feliz, assim como ele, pois ambos sentiam que compartilhavam o mesmo sentimento.
– Então, dessa vez, aceita namorar comigo? – mal havia terminado a pergunta quando se jogou em cima dele, o derrubando na areia e então se beijaram incontáveis vezes.

Conseguir cortesias para as dez pessoas para aquela festa na praia tinha caído como uma luva e embora ninguém soubesse como tinha tantos contatos, todos estavam extremamente gratos.
A iluminação da praia estava diferenciada, com lanternas suspensas, típicas de festas ao ar livre. Tinha uma tenda só para o DJ que estava fazendo um ótimo trabalho e uma tenda que era o bar da festa. As meninas dançavam numa rodinha quando os meninos chegaram com copos para eles e elas de alguma coisa colorida.
– Antes que todos fiquem alterados demais para se lembrar, eu quero dizer algumas coisas. – falou e as meninas logo olharam para , que rolou os olhos. – Primeiro quero agradecer a pelos ingressos da festa.
– Por nada. – Ela sorriu e ele continuou.
– Preciso agradecer ao , por ter dado essa ideia maravilhosa de vir para Long Beach.
– Quando você vai aprender que todas as minhas ideias são maravilhosas? – disse em tom de obviedade e deu um tapa no braço dele.
– Se ache menos, garoto. – o provocou.
– Como eu estava dizendo… – voltou a atrair os olhares. – Essa viagem, ideia do , era para tentar ajudar o . E parece que está funcionando! – Todos gritaram para implicar com ele. – Isso em dois dias aqui, então acho que até o final da semana nossas férias serão maravilhosas. Às nossas férias! – E então todos levantaram os copos e beberam em seguida.
– Era só isso? – perguntou com um tom de frustração na voz. – Não que eu não esteja feliz por você! – Esclareceu logo para , o que fez os outros rirem. – Achei que vocês iam nos contar que estão namorando. – Ela apontou de para .
– Ah, isso também. – disse como se não fosse importante, mas o sorriso no rosto dele deixava claro que era.
– O quê? – e gritaram juntas.
– Sua vaca! – pulou em cima da amiga, quase jogando as duas no chão. – Nem pra me contar!
– A história é longa, depois conto pra vocês. – Ela falou para as amigas. – Agora nós temos uma festa pra curtir! – e foi isso que fizeram, não só na festa, mas em todos os outros dias daquelas férias.

FIM

 

Nota da autora: Espero que tenham gostado! Eu me diverti muito escrevendo, mesmo ficando insegura em alguns momentos por lidar com tantos personagens ao mesmo tempo!
Obrigada a todas as minhas amigas lindas que foram inspirações para as personagens e que me deram opiniões e me incentivaram durante a escrita! <3
Para quem quiser conhecer outras fics minhas, é só fazer parte do grupo: https://www.facebook.com/groups/fanficsdalari/
Beijos e até a próxima!