Comfortable

  • Por: Lívia Velásquez
  • Categoria: Originais
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Sinopse: O amor parecia fictício demais para ela, até um certo vocalista de banda de garagem lhe mostrar que no amor nada mais precisa além de que ambos estejam dispostos à se entregar de peito aberto para tal.
Gênero: Drama, romance.
Classificação: 18 anos.
Restrição: Nomes Josh, Liam, Dexter, Charlie (Charlotte), Watson e Lily em uso.
Beta: Elena Alvarez.

— Ele não pode estar falando sério. – Disse sem muita empolgação, assim que estourei a bolha que fiz com o chiclete que mascava.

— Não é como se você fosse recusar, darling. – Respondeu galante, junto do sorriso encantador que sempre pendia em seus lábios.

— Não me envolva nisso.

— Algo me diz que é exatamente isso que ela quer, . – Watson apareceu para limpar o balcão do bar, brincalhão como de costume.

— Cuide do seu bar, Watson.

— A reserva do hotel já está no nome dela. – piscou, mordendo o palito entre os lábios.

— Não dá ponto sem nó. Meu garoto! – Risonho, Watson deu dois tapinhas nas costas de e se embrenhou no estoque do bar. jogou o palito que mordia para trás do balcão e se aproximou, permanecendo de frente para mim, imitando a posição que estava recostada ali, com uma mão ancorando meu rosto, que descansava nela.

— Está falando sério, ?

— Não sei se posso. Charlie já vai estar na cidade e…

— Sua irmã tem dezesseis anos! – Exclamou óbvio. — Vai saber se virar. Sabe que ela pode ficar com meus pais também.

— A casa já abriu, está na hora de ir para o palco, garotão! – Desconversei, puxando a gola de sua jaqueta preta de couro e depositando um selinho demorado em seus lábios. Assim que nos desvencilhamos, o homem à minha frente mordeu o lábio inferior, prendendo mais um dos sorrisos hipnotizantes.

bagunçou um pouco os cabelos, talvez não porque os quisesse assim, de fato, mas por mania do gesto mesmo. Buscou seu violão que descansava no suporte e sentou-se na banqueta no centro do palco, me dando a certeza de que as luzes intimistas azuis do local realçavam o brilho de suas írises. Mas ele não precisava saber, certo?

O repertório que tocava não se diversificava tanto, exceto nos dias em que haviam pedidos da plateia e muitos deles partiam do momento em que o álcool começava a ser o protagonista da noite.

cumprimentou a meia dúzia de pessoas no bar e se apresentou, começando a tocar logo em seguida. Diferente da personalidade despojada e sagaz, sua voz soava suave e acolhedora da maneira que me acalmava instantaneamente ao ouvir.

Me custava dizê-lo em alto e bom som, mas haviam poucas coisas –ou nenhuma– naquele homem que não me derretessem por completo, em unanimas vezes.

A sagacidade da fala, o jeito simples de viver e observar ao redor, a inteligência, o carinho, aconchego e a segurança que me fazia sentir, são ímpares e únicas como sequer havia experimentado anteriormente na vida.

, antes de me ensinar amar, propriamente, me ensinou sentir.

Sentir coisas que não conhecia e que na minha inteligência, eram nobres demais para alguém como eu desfrutar de tal.

— Não consegue disfarçar, . Você é louca por ele!

— Watson, como está enxerido hoje! – Suspirei, pegando das mãos do mais velho a bandeja com as bebidas da única mesa ocupada no local, não sem antes deixar uma piscadela marota para Watson.

O bar de beira de estrada estava mais vazio que o normal e isso se dava por conta do feriado, em que muitas famílias decidiram viajar, parando por ali os que buscavam a estrada para o norte do estado.

Uma hora fora o bastante para que o bar tivesse mais uma dúzia de mesas ocupadas, rendendo pedidos de música na beirada do palco e enchendo o cofrinho com gorjeta para funcionários. Após cumprir com muito gosto todos os pedidos de música da mesa dois, ganhou uma cerveja equivalente à cada rodada que os clientes da mesa pediam e estamos falando de dez rodadas muito bem servidas, obrigada. Sua risada começava a sair mais solta, as piadas que aprendeu com seu tio saíam também e quando eu e Watson nos olhamos, soubemos que a atração musical se aposentaria mais cedo hoje.

Até que cumprisse meu horário e o bar fechasse, me esperou pelos poucos minutos em que ainda trabalhei e permaneceu nas banquetas rentes ao balcão, recebendo elogios calorosos e escrevendo músicas nas horas vagas. Vê-lo aceitar beber mais algumas cervejas com a mesa que quitou as anteriores, me fez ter a certeza de que ele não me aguardou para me acompanhar até em casa porque hoje, eu quem precisaria deixá-lo na cama.

Suas palavras eram emboladas e um pouco desconexas e este é o resultado das cervejas em , pior que qualquer vodca. Dirigia com cuidado pela madrugada, rindo nasalado vez ou outra sempre que o homem ao meu lado soluçava, se irritando como não estava sóbrio o suficiente para controlá-los.

— Essa não é a minha casa, . – Apontou seu dedo para mim, em um falso ultraje.

— A sua é longe demais, e não será sua primeira vez aqui, não é, baby?

— Você vai tentar me usar durante a noite inteira. – Puxou sua jaqueta como quem tentava esconder qualquer pele exposta.

— Da última vez, você insistiu pra que eu o fizesse. Vem, vamos entrar. – Deixei um selinho em seus lábios, afastando um cacho rebelde que caía sobre seus olhos.

Quando entramos, não me importei em me desdobrar para arrumar as coisas que estavam fora do lugar, e mesmo que quisesse, não tive tempo pra tal, enquanto o homem se esticava no sofá.

— Não durma, babe. Vou te passar um café. – Adentrei a cozinha, falando alto o suficiente para ter certeza que ele me ouvira, mas não ouvir nenhum resmungo em resposta me dizia que já era tarde demais.

Atravessar a sala e sentir o coração aquecer era uma proeza que apenas me proporcionava, apesar de seus coturnos estarem encima das minhas almofadas. Céus! Já o avisei milhões de vezes! Fui até o quarto buscando cobertores e travesseiros, e retornando à sala para aconchegá-lo da melhor forma possível. Gostava da forma como unia as palmas de suas mãos e as encaixava entre o rosto e o travesseiro em cem por cento das vezes que caía no sono. Gostava da sua respiração tranquila quando adormecido, diferente do ar pomposo que gostava de exalar. Gostava do bico quase imperceptível que seus lábios formavam quando tinha um sonho bom. Gostava de tê-lo por perto. Gostava até demais.

Sem muitas delongas, busquei um moletom antigo que esquecera ali tempos atrás, vestindo-o para cair de costas na cama e apagar tão rápido quanto o homem na sala.

O cheiro gostoso de café sendo passado logo invadiu meu quarto e perdeu espaço para o cheiro doce do que pareciam ser panquecas. Levantei-me preguiçosa, mas curiosa o suficiente para fazer minha higiene matinal às pressas e ir até o cômodo. Ele vestia meu robe de cetim que pendurava atrás da porta do quarto e eu precisava acrescentar que sua cintura ficara muito bem marcada na peça. Ri com meu próprio pensamento e seus olhos me encontraram imediatamente, escorada no batente da porta e com um sorriso tão besta que seria ainda mais patético se tentasse escondê-lo. Seus braços me puxaram para seu abraço quente, enquanto sentia os beijos ardentes pelo pescoço me desejarem o melhor ‘bom dia’ que já pude ter.

— Eu meio que desmaiei noite passada, desculpe por isso, sei que você odeia quando não respeito suas almofadas com meus coturnos! – Mordeu o lábio inferior, remexendo os cabelos um bocado sem jeito.

— Tenha certeza de que essas panquecas ficarão ótimas e me faça dezenas delas, e estará desculpado! – Pisquei sorridente, virando-me para pegar a chaleira, enchendo nossas canecas com o café que fora responsável por me acordar.

A pilha de panquecas começava a crescer e minha inveja das suas habilidades culinárias também. sempre teve facilidade na cozinha, especialmente para doces que sempre foram minha paixão.

Exceto pelos momentos que me deixava de cabelos em pé, me pegava pensando que, talvez, e eu disse, talvez, este homem que nos prepara panquecas deliciosas para o café da manhã seja, deveras, o homem pelo qual tantas fanfics já foram escritas. Talvez, ele não seja o que me completa, mas tenho certeza de que ele é a união das nossas melhores metades, que resulta numa versão ainda melhor de nós mesmos.

— Vou com vocês para Grantham. – Lhe confessei finalmente decidida.

— Está falando sério? – Parou a garfada de panqueca que levaria até a boca, arregalando seus olhos e fazendo-os brilharem da forma que me derretia mais do que o pequeno tablete de manteiga no topo das panquecas.

— Vocês vão precisar de uma “tia de apoio”. – Fiz aspas com os dedos, sem esconder o sorriso que fui contagiada assim que o vi sorrir.

, você é a melhor do universo! – Levantou-se para distribuir beijos desde o topo da minha cabeça, até os ombros. — Obrigado por confiar em mim, principalmente na banda.

— Está perdoado! – Dei-lhe um selinho, roubando a garfada de panqueca que esquecera no prato.

estava sempre bem humorado também, mas hoje melhorou em cem por cento e tudo se tornara motivo para gritar aos sete ventos de que eu aceitara acompanhar a banda no concurso tão sonhado por eles no condado de Lincolnshire. Sua destreza na música me fez acreditar em seu sonho de ser músico profissional desde o primeiro segundo em que o ouvi cantar.

Durante o dia não precisamos ir para o bar, apenas à partir do começo da noite permanecendo até o começo da madrugada e então, aproveitamos para visitar os caras da banda individualmente, enquanto eu me encarregava de comunicar suas respectivas namoradas de que tudo ocorrerá bem. Josh, Liam, Dexter e formam o The Struggle, a banda de pop/rock/indie que tinha o maior potencial depois de Arctic Monkeys, e estamos prontos para roubar o posto da banda de Sheffield. Alex Turner deveria ser mais cuidadoso!

Watson me torrou a paciência quando contou-lhe que eu viajaria com eles, alegando que aquilo não lhe era novidade porque estava estampado na minha testa que não conseguiria largar .

Fora a coisa mais absurda que ouvi nos últimos tempos.

Poucos dias nos separavam da viagem até Grantham e anunciar que os acompanharia não mudava muita coisa, então não havia o que adicionar. Noites e madrugadas no bar distraíam parte da ansiedade que sentia com o concurso, este, que proporcionaria um álbum gravado pela Virgin Records para um ano muito promissor de contrato com a gravadora musical, junto de uma maleta recheada de notas de libras e instrumentos profissionais para a banda. Era, de fato, um sonho e eu só estou fazendo meu papel em acompanhar o próximo Alex Turner!

A pequena mala que arrumou, já fora conferida mais de cinco vezes apenas para certificar-se de que não estava esquecendo nada e na última madrugada, não pregara o olho, mas também não permitiu que eu o fizesse, encarando o teto e confessando todas suas inseguranças sobre o que poderia acontecer enquanto disputavam o concurso.

Entre os cinco, dividimos o valor do aluguel de uma van que proporcionaria maior conforto e o espaço adequado para tudo que precisaríamos. Revezaríamos o volante até que chegássemos lá também, apesar de três horas não serem o que me cansaria, queria apenas deixá-los aproveitar a ansiedade pouco tempo antes de se tornarem a maior banda na Terra da Rainha.

Desde a entrada na pequena cidade, já haviam cartazes que anunciavam o concurso, junto de pequenas barracas que vendiam artefatos personalizados com o logo da competição como camisetas, canecas, bonés e até garrafas de cervejas artesanais. Parecido com o Lollapalooza, o uniforme do público alvo era quase que em unanimas vezes camisas xadrez e jaquetas de couro, o que era irônico porque estávamos exatamente assim.

As apresentações das bandas não se iniciavam hoje, porém na mesma arena dos shows hoje serão apresentados os jurados, as regras, critérios de desempate e para fechar com chave de ouro, as bandas que ganharam as edições anteriores.

Cada vez que enlaçava nossos dedos, seu toque se tornava mais firme, seus olhos ganhavam um brilho adicional sempre que encarava alguma novidade por ali e seu sorriso era indiscutivelmente a coisa mais reluzente dali. Senti meu celular vibrar no bolso da jaqueta e mostrei o visor para ele, que continha o nome de Charlie, ouvindo-o sussurrar para que mandasse um beijo pra ela, abrindo espaço em meio o aglomerado de pessoas e saindo para atendê-la.

— Diga, Charlotte.

Não me chame pelo nome completo, não fiz nada dessa vez! – Ralhou. — Exceto… – Suspirou, fazendo-me revirar os olhos. — Não vou pra Londres, tudo bem?

— Já estamos em Grantham para o concurso de bandas que The Struggle vai participar. Pode ficar com a mãe do se quiser, não precisa ficar em casa sozinha.

Ela ainda faz aqueles bolos inesquecíveis de bons?

— Faz, interesseira. – Ri nasalado assim que a ouvi bufar. — Charlie, porque não vem pra Grantham, então?

Só vou aí se vocês decidirem se casar!

— Viemos para uma competição de bandas, não para uma liquidação de vestidos de noiva!

Não fale assim comigo. Sou muito bem resolvida na vida amorosa, diferente de você que não dá o braço a torcer!

— Você só tem dezesseis anos, Charlotte! – Exclamei óbvia. — Bom, te mandou um beijo, qualquer coisa me avise nem que seja por mensagem e não faça nenhuma besteira!

Tá bom, mãe. – Se limitou, irônica e eu praticamente pude vê-la revirar os olhos. — Se casem! – Desligou de uma vez, sem me dar a chance de rebater.

Ri de leve e logo abri nossa conversa por mensagens, digitando o segundo aviso para que ela não fizesse nenhuma besteira, Charlie apenas era responsável quando lhe convinha. Ouvi o alvoroço se tornar ainda mais animado entre gritos e assovios, bloqueando o celular para voltar e ver que uma das bandas ganhadoras das últimas edições já se apresentava, levando o público a êxtase puro. Me esgueirei pelo mar de gente, encontrando os três no mesmo lugar que antes e que só foi possível achá-los tão facilmente porque estavam pouco distanciados do balcão do bar.

, na verdade, tomava uma cerveja acompanhado de uma ruiva que não me atentei às suas características físicas, porém encarando os outros três integrantes da banda, me limitei à apenas arquear a sobrancelha, pois isso já os faria saber sobre o que estava silenciosamente perguntando.

— Ela é da produção, chamou ele pra explicar sobre alguns dos contratos fajutos que podem aparecer nessa primeira etapa de concurso. – Joshua se adiantou, explicando tudo de uma só vez.

— Ele é o líder da banda, . – Liam deu de ombros.

— Eu sei. – Engoli em seco, virando-me para assistir –ou tentar– o show que tanto animava o público. Meus olhos, no entanto, não pareciam querer curtir tanto do show assim, já que vez ou outra se desviavam até e a tal ruiva, que agora enchia a caneca de ambos, para cruzar as pernas e fazer da sua saia ainda menor.

— Ele só tem olhos pra você. – Dex sussurrou atrás de mim, abraçando meus ombros. — É um ramo difícil, , sabe disso. – Explicou calmamente, soltando um muxoxo em seguida.

Tentei curtir um pouco do show, até mesmo para ajudá-los depois, observando as características que a banda ganhadora poderia deixar como dicas para serem os próximos vencedores. Dexter me distraiu um pouco, sabendo o quão confortável me sentia naquela posição até que após o que pareceu uma eternidade, os braços de enlaçaram minha cintura.

— Desculpe, Lily estava me explicando sobre tudo que pode acontecer no começo do concurso pra que a gente não caia em nenhuma roubada. – Beijou minha bochecha, carinhoso como sempre, porém permaneci quieta. — Está tudo bem com Charlie?

— Sim, só ligou pra me atormentar, não vai sequer pôr os pés em Londres.

— Ela poderia vir pra cá.

— Sugeri a mesma coisa, mas ela também não falo…

— Venha , vou apresentá-los. – “Lily” voltou apenas para puxar o braço de para sumir com ele pela multidão.

O show da banda ganhadora da primeira edição acabou mais rápido do que imaginávamos que seria, no entanto, não sabíamos que se apresentariam as vencedoras das cinco edições e sem mais delongas, o segundo ano de concurso apresentou seu vencedor. Eu e os meninos paramos para tomar algumas cervejas e experimentar outras artesanais que nunca ouvimos falar. Tentei me distrair enquanto Dex provava lanches de diversas nacionalidades, gastando boa parte de suas economias apenas ali. Diferente de Dexter, não sentia fome, pelo menos não enquanto a cerveja descia pela minha garganta.

Os três fizeram até uma vaquinha para comprarem presentes personalizados com os nomes de suas respectivas amadas e eu fiquei de fora, porque neste momento, não era algo que tinha certeza se queria fazer. Com desaparecido, andamos aproveitando um pouco de tudo que o Pavilhão oferecia, com direito à um parque de diversões uma quadra à frente e todo o tempo que perdemos tirando inúmeras fotos na cabine de fotos, garantindo que cada um de nós, tivesse suas fotos dos quatro juntos como memória do primeiro dia de um sonho realizado.

Quando tirei o celular do bolso da jaqueta para ver as horas, algumas ligações de estavam como notificações e suas mensagens perguntavam repetidas vezes onde havíamos nos metido. Após respondê-lo com a localização do parque de diversões, o vocalista da banda ainda demorou cerca de quase eterna meia hora para se juntar à nós enquanto atirávamos em garrafas para ganhar ursos de pelúcia.

Os cabelos um pouco emaranhados dele era caraterística marcada das diversas vezes que remexia seus fios sempre que ficava ansioso, e diferente do que o diabinho no meu ombro dizia, não era pista certa de que nada acontecera.

depois de ver as fotos que tiramos, insistiu para que tirássemos as que o incluía também e após ele se tornar um pouco irritante, aceitamos, contudo a fila da cabine de fotos começava a se confundir com a fila dos demais brinquedos e nos limitamos à voltar para a van, focando em achar a estrada certa para o hotel barato em que conseguimos reservas. Após minhas cervejas, Liam se encarregou de tomar o volante já que entre nós, o seu poder abstêmio prevalecia e ficamos responsáveis de ouvir as trezentas histórias animadas demais que tinha pra contar de “Lily”.

Minhas costas agradeceram quando as estiquei no colchão do quarto de hotel, e meus pés livres dos coturnos descansavam após um dia inteiro de andança para lá e para cá. Separei apenas a toalha para que pudesse ir tomar banho, pensando já no próximo passo que era voltar à cama e dormir o resto da noite inteira. Amanhã temos o primeiro e um dos mais importantes passos: a estreia no festival.

Na primeira aparição, estava em jogo, principalmente, a presença de palco já que a primeira impressão é a que fica e os jurados poderiam criar suas maiores expectativas a partir dali. Os pensamentos embolados não me confundiram o suficiente porque ouvir a voz de ao fundo, fazia meu corpo relaxar mais do que a água quente do chuveiro era, de fato, capaz.

O horário poderia fazer com que alguns dos hóspedes reclamassem, mas se escutassem aquela voz que cantava, pensariam melhor e agradeceriam por ouvir àquele homem.

Apesar de tão concentrado na música, sabia que estava cantando porque estava ansioso e esta era a sua melhor maneira de desencanar. Após o banho me enrolei na toalha e o observei, quieta, sem me pronunciar, como gostava de fazer até que conseguisse captar todos os pequenos detalhes da essência livre de , do seu jeito simples.

Não sei por quanto tempo o observei, mas apenas consegui me desligar dele quando o vi puxar a capa para guardar o violão.

— Toca mais um pouco. – Choraminguei, juntando-me a ele na beirada da cama.

, está tudo bem? – Assenti energética e o vi largar o violão para enlaçar nossas mãos. — Sobre a Lily, nada aconteceu, ela só foi muito legal em me orientar em coisas que eu não fazia ideia.

— Eu sei, não se preocupe e se não for tocar, nós vamos dormir. Amanhã é o grande dia! – Deixei um selinho rápido em seus lábios, sem querer estender o assunto que me causava um buraco no estômago, apesar de saber que tudo o que ela lhe dissera era válido para a banda. “É um ramo difícil, , sabe disso.” ouvia a voz de Dexter reverberar vez ou outra.

Apagamos as luzes e deitamos abraçados, sentindo sua respiração bater na minha nuca, enquanto a mão dele passeava em desenhos desconexos por todo o meu braço. começou cantarolar alguns versos calmos à sua maneira rouca que eu sempre amei.

Afastou os fios de cabelo no meu pescoço, aproveitando a pele nua que poderia desfrutar e o fez de imediato, fazendo um arrepio subir minha espinha quando começou beijar lentamente entre nuca e ombros. Sua mão correu até minha cintura, fincando seus dedos rígidos ali, deixando explícito qual o seu desejo. Arfei quando inundou uma das mãos nos meus cabelos e enroscou seus dedos para puxá-los para trás, de forma que mais um pouco do meu pescoço se arrepiou quando recebeu seus beijos molhados.

What happens to a flame when it burns out?

(O que acontece com uma chama quando ela se apaga?)

What happens to a love that’s not new?

(O que acontece com um amor que não é novo?)

What happens when I’m no longer impressive?

(O que acontece quando não sou mais impressionante?)

When there’s nothing left to learn about you

(Quando não há mais nada para aprender sobre você.)

— Jamais duvide do quão louco eu sou por você, . – Sussurrou arrepiando os poucos poros que por algum milagre ainda não haviam se eriçado completamente. Mordeu o lóbulo da minha orelha e precisei descontar o efeito que me causou puxando os lençóis para que conseguisse refrear o gemido que queria sair com tão pouco estímulo.

Virei para enlaçar os braços por seus ombros e tomar impulso suficiente para subir em seu colo. Nossos olhares eram magnéticos e integralmente dependentes um do outro. As bocas já faziam parte do corpo do outro e isso era fato consumado. Os corações batiam juntos e se aceleravam na mesma intensidade, porque o sentimento comandava sem que sequer percebêssemos e só queríamos a liberdade de vivê-lo até que nos seja possível.

puxou a camisa larga que eu vestia, dedilhando todo o meu tronco, como se cada centímetro de pele fosse novidade para ele, mesmo sabendo que as pontas dos seus dedos já mapearam meu corpo inteiro e respondiam à cada ameaça de toque seu.

Os beijos ardentes e apressados demais resultavam em lábios que formigavam, entretanto, tinham sede de mais, como viciados, que precisavam daquilo para sobreviver.

As costas largas do homem já haviam alguns vergões como prova de que os poucos estímulos que provocava, era o suficiente para me fazer reagir intensamente. Mordi seu lábio inferior, usando da proximidade para encarar suas írises que se dividiam entre a luxúria e a ternura, na medida certa.

Saí de seu colo, sentindo a instantânea falta do seu toque em chamas, recostando gentilmente os ombros dele na cabeceira da cama e me posicionei rente ao cós da sua calça. Olhei-o de esguelha para me alimentar da ansiedade que continha as feições do seu rosto e me curvei para abrir vagarosamente o zíper, descendo a calça junto da boxer para que pudesse espalhar pequenos beijos à medida que sua pele se revelava. Sua ereção clamava pelo fervor e eu não queria disfarçar que o queria tanto quanto ele demonstrava me querer, mas poderia facilmente usar aquilo a meu favor, até ouvi-lo suplicar.

Segurei seu membro, sentindo a sutileza das veias que pulsavam entre meus dedos e deslizei minha língua por seus centímetros sem pressa, ouvindo o arfar alto e retornar seus dedos para agarrar meus cabelos com força. Controlou poucos dos meus movimentos, até que me soltei do seu toque para voltar a torturá-lo como bem entendia.

Abocanhei-o de uma vez, deslizando os lábios para chupá-lo devagar, à medida que brincava com a língua que explorava a glande, com destreza. Os movimentos vaivém eram revezados com a mão que comecei masturbá-lo, chupando a cabecinha e ouvindo alguns murmúrios desconexos.

A ponta da língua deslizava, atrevida, por toda a glande enquanto a masturbação fazia sua respiração acelerar de forma que custou até que conseguisse concluir sua frase.

… Você está tão louca quanto eu. – Levantei meu olhar para ele enquanto o chupava. — E eu preciso te foder. – Deslizei a língua por seu membro mais uma vez para me levantar e antes que pudesse fazer algo, senti-lo atrás de mim, segurando meus braços com força. — De quatro. – Sussurrou rouco, tornando suas palavras ainda mais sujas. Deslizou uma mão pelas minhas costas, como se estimulasse a posição que ordenou e com um sorriso no rosto, eu acatei. Um tapa ardeu na minha nádega e posicionou de forma estratégica para que o pênis brincasse com minha entrada, ameaçando me penetrar. — Empine mais. – Mais um tapa fez-se arder na minha nádega e desta vez mais forte e fora impossível segurar o gemido que o fez sorrir satisfeito.

Curvou-se para beijar minhas costas, deixando algumas mordiscadas que colaboraram para aumentar a temperatura entre nós. Rebolei quando senti provocar minha entrada e suas mãos seguraram minha cintura, com firmeza.

— Mulher, eu amo cada detalhe seu. – Sussurrou da melhor maneira que a luxúria permitiu até me penetrar de uma vez e mandarmos para o caralho a sanidade.

Os movimentos ritmados eram como uma coreografia que faziam nossas respirações falharem e nossos corações trabalharem desenfreados. Era surreal o estado de êxtase que caíamos quando dividíamos a mesma onda de prazer. Que me deixava de pernas bambas, arranhões cruéis e lábios inchados.

Empinei-me o máximo que podia, sentindo-o penetrar fundo e impiedoso, exatamente do jeito que gostava. Me esforcei no que a posição permitia para que o baque de nossos corpos fosse maior, criando a sensação gostosa que se formava em meu ventre. pareceu compartilhar da mesma sensação quando acelerou as estocadas e nós dois não contivemos os gemidos que ecoaram o quarto inteiro, deixando que ambos corpos caíssem suados sobre o colchão, aproveitando os espasmos que corriam.

Estiquei o braço com a mão um tanto trêmula para afastar o cacho que me impedia de te olhar fixamente, sorrindo e virando-me para encaixar em seu corpo mais uma vez, sentindo as pálpebras pesarem e eu dormir com a tranquilidade dos seus braços ao meu redor.

Acordei com o cheiro de sabonete que sua pele exalava e seu peso sobre mim, enquanto deslizava as mãos por minhas costas, algumas gotas de água pingaram do seu cabelo quando curvou-se para beijar lentamente meus ombros.

— Não vou conseguir fazer suas panquecas hoje, mas podemos procurar algumas tão boas quanto por aqui. – Sussurrou sereno e eu sorri de leve.

— É impossível achar panquecas tão boas quanto as suas, sabe disso.

— Isso é verdade! – Rimos e me virei para olhá-lo. — Bom dia.

— Hoje é o grande dia. – Depositei um beijo em sua testa antes de me levantar para me arrumar e fazê-lo cumprir o que me dissera sobre achar as maravilhosas panquecas deste lugar.

Estava sentada na beirada da cama, mandando mensagens para Charlie e aguardando que por conta dos cabelos sempre demorava mais do que eu para se arrumar. Chamamos os meninos para tomarmos café juntos, mas o fato de nenhum deles sequer ter visualizado a mensagem nos dizia que ainda estavam dormindo.

O dia amanhecera agradável e o Sol já dava as caras para nos convencer a deixar as jaquetas no quarto. Realmente pesquisamos pelas melhores panquecas em Grantham, porém no final das contas, no fundo, no fundo sabíamos que iríamos no local mais perto que achássemos, e este fora três quadras à frente o hotel.

— Acha que os meninos vão ficar nervosos demais na frente dos jurados? – Perguntei assim que nos aconchegamos numa mesa ao lado da janela com uma vista simples do pequeno parque que tinha do outro lado da rua.

— Acho que vão se sair melhor do que eu. – Riu, nervoso. — Estou tão nervoso que às vezes me falta ar. – Confessou baixo, como se se envergonhasse dizê-lo.

Babe, vá com o pensamento de que é o seu sonho de todos os dias dos últimos quatro anos, e cante tranquilo como cantou pra mim ontem à noite.

— Estava certa quando disse que precisaríamos de uma tia de apoio!

Fizemos os pedidos e tomamos café da manhã tranquilos, ou pelo menos tentando nos manter assim, já que vez ou outra pegava encarando um ponto qualquer da lanchonete e sabia que estava perdido em pensamentos que o deixavam ainda mais ansioso.

Dirigia a van no caminho que nos levava até o Pavilhão da competição e desde que deixamos o local noite passada, a decoração se tornara bem mais chamativa do que vimos horas atrás. Havia maior público desta vez apesar de estarmos na terceira banda apresentada, a galera estava animada e sabíamos que tudo isso ajudava a diminuir toda a tensão.

Três bandas ainda não haviam dado as caras e The Struggle se apresentaria mais cedo, suprindo a posição das bandas que deixaram um buraco na programação, estas estavam vetadas das próximas três edições da competição.

Isso fez com que os meninos precisassem ir para a passagem de som às pressas. Por não ser membro da banda, a partir dali eu não poderia acompanhá-los e agora eles estão sozinhos para fazerem o que sabem de melhor. Meu coração se apertou quando alguém da produção apressou enquanto nos despedíamos e poderia jurar que vi seus olhos marejarem ao soltar suas mãos, para permitir que aquele homem que eu sempre amei, pudesse realizar o maior dos seus sonhos.

See I used to wonder ‘bout you

(Veja, eu costumava me perguntar sobre você)

What it would be like to love you

(Como seria amar você)

Now I’ve seen every hole in your heart

(Agora eu já vi todos os buracos no seu coração)

I’m used to loving slowly

(Estou acostumada a amar devagar)

But this time you already know me

(Mas desta vez você já me conhece)

I hope you like all the broken parts

(Eu espero que você goste de um coração partido)

Não conseguíamos ter noção do que se passava entre os jurados, nenhum dos três demonstrava nada além de manter suas anotações nas planilhas e uma feição compenetrada. Revezava os olhares entre o palco e os poucos passos que me dividia das escadas para a passagem de som dos meninos, eles aguardavam a banda que fazia seus últimos ajustes antes que pudessem fazê-los. Uma cabeleira ruiva que conhecia desde a noite passada voltou a tomar os holofotes quando aparecera para cumprimentar com beijos demorados na bochecha e um ‘tchauzinho’ sem muito ânimo para os outros três integrantes da banda. Assistir de longe os sorrisos largos no rosto de ambos fazia minha boca secar, sabendo dentro de mim, que era muito mais fácil para ele estar com alguém que entendia o que era estar neste ramo por experiência própria. Sabia que era engrandecedor para ele estar com alguém que tinha a quem procurar por conselhos em acorde X ou Y. Sabia que lhe tornava mais fácil as decisões técnicas de quem sabia muito bem sobre o que falava. Sabia que era mais fácil para ele desabafar com quem compartilha das mesmas frustrações. Sabia que era mais fácil estar com alguém que queria a mesma jornada que ele.

Me embrenhei em meio ao público para que ficasse o mais próximo possível do palco como boa groupie que era e o coração acelerou ao ouvir sua voz soar. Cada segundo da sua voz tinha o poder me causar ondas de pura alegria, como não sentia há tempos e pude curtir cada momento de forma genuína como se fossem os últimos.

A voz de entoava suave e firme na mesma intensidade, seus olhos fechavam-se da maneira que fazia para se concentrar nas notas altas e se abriam ainda mais famintos. O homem exalava confiança e estava certo de cada passo seu, claramente refletindo nos demais integrantes que estavam radiantes e puramente intensos.

Oh, we can’t run away from the comfortable

(Oh, não podemos fugir do conforto)

‘Cause it’s inevitable

(Porque é inevitável)

In love, in love

(No amor, no amor)

Oh, it’s time we make way for the comfortable

(Oh, é hora de abrirmos caminho para o conforto)

Cause it’s already comfortable

(Porque já está confortável)

In us, in us

(Em nós, em nós)

A plateia reagia a altura da energia que os meninos alastravam enquanto cantavam e instantaneamente vi um mínimo sorriso pender no canto dos lábios de um dos jurados. Tudo pareceu ferver até engatar o refrão de Somebody Told Me do The Killers e o coro cheio de palmas calorosas acompanhá-lo, resultando em sorrisos largos nos homens que assistiam a plateia implorar por mais músicas. Difícil era mediante aquilo tudo, ter que engolir a regra de que nenhuma banda competidora poderia se alongar de acordo com a programação de minutos cronometrados. The Struggle precisou dar as costas à insistentes clamores por mais.

Retribuí o beijo no ar que Dexter me mandou e me arrependi de tirar os olhos do meu amigo quando vi as pernas que enlaçaram firmes a cintura de . Os cabelos longos de Lily cobriram parte dos dele quando o abraçou fervorosa e os Assistentes de Palco forçando-os a sair, me impediu de ver o que acontecera depois, mas que fora suficiente para me prender em um transe, este que pouca coisa seria capaz de me tirar se não fosse pelos olhos tão parecidos com os meus que encarei em meio à multidão. Tão parecidos que arriscava dizer que compartilhavam até mesmo da mesma angústia.

, está tudo bem? – Charlie segurou-me firme pelos ombros.

— Eu… – Engoli em seco, respirando fundo. — Eu poderia ter ido te buscar. – Demorei a finalizar, ainda confusa.

— Ia esperar pra te fazer uma surpresa depois do show, mas chega de surpresas por aqui, não é? – Comentou mais para si mesma do que para mim. — Não caia na pilha dela, . – Disse de uma só vez, como quem confessava algo.

— Não queira o defender agora, Charlotte.

vai te pedir em casamento.

— O quê? – Uni minhas sobrancelhas, confusa, rindo incrédula pouco tempo depois.

— Me ouça. – Revirou os olhos. — Eu te disse que viria apenas se fossem se casar e estou aqui, não estou?

— Você vai ter que lembrá-lo disso porque…

— Até o Watson está aqui!

— Watson jamais fecharia o bar por um concurso de bandas.

— Prioridades. – O homem se materializou ao meu lado, pronunciando-se tranquilamente e me oferecendo uma cerveja. — Tarde demais para querer enterrar seus sentimentos pelo . – O homem apertou a jaqueta em seu corpo quando a brisa soprou gélida. — , eu o vi crescer e nunca o vi tão feliz como agora.

— Precisei contar, ela estava ficando louca. – Ouvi Charlie dizer tediosa atrás de mim e no meio tempo entre encará-la, irrompeu de bochechas vermelhas, lábios entreabertos e alguns fios de cabelo grudados na testa devido o suor.

… – Tentou recuperar a respiração, com dificuldade.

They say the honeymoon

(Eles dizem que a lua de mel)

Is just a puppet show

(É só um show de marionetes)

They say nobody

(Eles dizem que ninguém)

Really makes it through

(Realmente consegue fazer isso)

And though a part of me wishes

(Embora uma parte de mim deseje)

That this was two July’s ago

(Que fosse julho retrasado)

The rest of me

(O resto de mim)

Is safer here with you

(Está mais seguro aqui com você)

— Não achei que pudesse sair de lá até a próxima etapa. – O interrompi, não querendo ouvir o que tinha pra dizer, naquele momento havia muita coisa em jogo.

— Esqueça isso, mulher! – Abanou a mão no ar, puxando minha garrafa de cerveja que já havia esquecido sobre ela e dando grandes goladas. — Acredite em mim, nada aconteceu. Não sei nem o que falar, mas acredite em mim! Também não tenho muito tempo, eu realmente não poderia ter saído de lá. – Bagunçou os cabelos, puxando os mais curtos perto da nuca, demonstrando o quão frustrado se sentia.

Não sabia muito o que pensar, muito menos o que dizer, com o medo de piorar as coisas. Na dúvida, empurrá-lo de volta à onde deveria estar poderia facilitar as coisas, ele acatou, pois sabia que havia mais do que ele mesmo com o pescoço na guilhotina naquele momento. Virou-se e o encarei desconcertada, tentando entender o que diabos aquele homem estava fazendo. “Ouça a Charlie!” foi o que gritou por último, o mais alto que pôde até se embrenhar em meio as bandas mais uma vez.

— Todos deveriam me ouvir um pouco mais! – Minha irmã deu de ombros, marota, e eu e Watson nos permitimos cair no riso. — Sério, , esqueça essa coisa de pagar de orgulhosa. – Suspirou. — é incrível e te trata como uma princesa mesmo você sendo uma megera! Já ouvi falar que o amor é cego, mas , meu amigo… Você superou os limites! – Charlie comentou, teatral, quebrando o gelo da situação. — Não me responda, apenas pense, porque agora temos os classificados para a segunda etapa.

Após tanta coisa, sequer me lembrava de quais eram, de fato, os critérios de desempate apresentados na noite passada, só esperava que The Struggle estivesse entre as finalistas. A segunda etapa era também a última de todo o concurso, onde menos da metade do total de bandas seria classificada para tocarem uma música cem por cento autoral e se consagrarem os próximos Beatles.

Não enrolaram para anunciar os finalistas, mas me pareceu uma eternidade até que conseguisse distinguir quantos concorrentes teríamos, porque quando o apresentador fez uma pausa, temia que fosse apenas aqueles nomes que já anunciara. Enchi os pulmões para começar a protestar, quando o apresentador recebeu o que pareceu ser mais um envelope. Diferente de minutos atrás, um silêncio se instalou na grande maioria da plateia, talvez como forma de empatia, com a agonia que eu sentia e cada um ali sentia também, até que o locutor pigarreou.

Algumas pessoas já protestavam contra a demora do apresentador e ele não pareceu se abalar, ainda checou a informação com os organizadores, não apenas uma, mas três quase imortais vezes!

Não soube distinguir o que senti, e nem queria, apenas queria sentir tudo de uma só vez, porque a The Struggle era finalista.

Um grande número de pessoas comemorou na plateia além de mim, Charlie e Watson que demos um show à parte.

Tentei persuadir Dexter dias atrás para me dizer qual música tocariam no bônus autoral, e ele manteve o segredo que corria apenas entre a própria banda. Agora seria o momento em que eu finalmente entenderia sobre o que era o grande segredo e mais rápido do que imaginei, já que apesar de ser a última anunciada, The Struggle era a primeira a se apresentar.

Oh, it turns out you think my favorite song’s annoying

(Acontece que você acha que minha música favorita é irritante)

Turns out no one makes me sensitive like you

(Acontece que ninguém me deixa emotiva como você)

I used to be sad that the honeymoon’s behind us

(Eu costumava ficar triste porque a lua de mel ficou pra trás)

Until I realized that it means we made it though

(Até eu perceber que isso significa que nós conseguimos)

Diferente da aposta que fizeram para a primeira etapa, a música era lenta, muito suave e delicada.
A letra falava sobre amor, um amor puro e genuíno, de duas pessoas que conseguiam mudar tudo ao seu redor, mas que pouco mudavam quando se encontravam porque estavam imersas na abundância que se tratava o sentimento de um pelo outro. A música era um retrato falado e poderia ser do amor puro e genuíno de qualquer ali, mas o fato de me acelerar o coração e fazer lacrimejar meus olhos sem que eu percebesse, era a resposta que eu precisava para a pergunta que sequer havia me feito.

O refrão romântico embalou os corações enamorados do público e reacendeu a chama certeira que tinha no meu, que me dizia com toda a certeza, aniquilando o orgulho besta que me fantasiei por tanto tempo, que era ele. Era . O homem por quem me apaixonei facilmente e que me ensinou sobre tudo o que esse sentimento representa.

Watson estava certo desde o começo: não consigo disfarçar, sou completamente louca por ele.

— Isso pode parecer loucura, e eu espero que seja. – falou ao microfone, ofegante. — Essa competição é um dos maiores sonhos da minha vida, sem via de dúvidas. – A plateia vibrou e ele pigarreou, puxando o microfone para que saísse do tripé, se livrando também do ponto que dava o retorno dentro da sua orelha.

Meu olhar revezava entre Liam, Dex e Josh que ficaram sozinhos no palco quando sumiu, se embrenhando dentre os outros concorrentes e sendo seguido pela luz de um holofote quando começou a se emaranhar no meio da plateia.

— Ai meu Deus… – Charlie bateu palminhas festivas atrás de mim e deve ter dito mais alguma coisa depois que não me atentei, porque não conseguia fazer muita coisa após ter os olhos hipnotizantes de sob mim.

— A competição, é sim, um dos meus maiores sonhos, mas não o maior deles. – Fincou seus olhos nos meus e meu coração já tão acelerado não sabia que poderia acelerar mais, até sentir seus dedos deslizarem suaves por minha bochecha, guardando atrás da minha orelha uma mecha de cabelo. O cheiro daquele homem era capaz de me deixar tonta apenas com a sua proximidade, já que ao fazê-lo, não parecia ter noção do que era capaz de causar em mim.

Com apenas um sorriso, aquele homem me deixava de pernas ridiculamente bambas.

— Não existe nada que eu consiga fazer sem você, porque tudo se torna insignificante demais sem você por perto. – Ouvi alguns murmúrios derretidos à nossa volta e sorri. — E se me permitir, quero fazer todas essas coisas insignificantes com você. – Riu nervoso, respirando fundo e olhando para os lados à procura de Charlie, que se apressou para segurar o microfone para ele. — Katherine Bernard-Doyle, você aceita se casar comigo?

Não sei quando as lágrimas começaram à escorrer pelo meu rosto e nada disso me interessava, porque agora, me proporcionara a chance de ser mais feliz do já fomos em qualquer outro momento e nada mais rondava a minha cabeça a não ser um enorme e explícito: SIM.

Oh, we can’t run away from the comfortable

(Oh, não podemos fugir do conforto)

Cause it’s inevitable

(Porque é inevitável)

In love, in love

(No amor, no amor)

Oh, it’s time we make way for the comfortable

(Oh, é hora de abrirmos caminho para o conforto)

Cause it’s already comfortable

(Porque já está confortável)

In us, in us

(Em nós, em nós)

NOTA DA AUTORA: Hello, hello! ;D Tudo bem com vocês? Espero sim!

A doida dos ficstapes voltou e dessa vez com esse casal, que… Uau! Não posso ver um mísero casalzinho que já tô shippando, e esses dois então?! PELAMOR!!!!
Respirei bem mais calma quando a pp finalmente deu o braço a torcer e percebeu que pagar de orgulhosa não tá com nada, e logo tascou esse homão que se tornou a melhor parte dos meus sonhos! HAHAHAHA
Espero que gostem tanto quanto eu gostei.
Se cuidem!

XOXO ♥