De Repente: EU

  • Por: Belle Castro
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 523
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Sinopse: Após o aniversário e as férias de inverno, a vida vira de ponta cabeça pelo simples fato de que agora o crush virou namorado. O sentimento de ser uma pessoa super diferente, mais leve, mais feliz, mais tudo e agora ter aquele que sempre imaginou ter ao lado, não sendo em um sonho, era a melhor coisa de sua vida.
(CONTINUAÇÃO de DE REPENTE: VOCÊ)
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: +12
Restrição: Nenhuma
Beta: Rosie Dunne

Capítulos:

De Repente: EU

Por Belle Castro

CAPÍTULO 01

It’s like flowers in the springtime
Every day is Valentine’s
So good it’s hard to describe
That’s what your love’s like

AGOSTO
Primeira semana

– Bem-vindos novamente, alunos. – O professor de sociologia exclama assim que entra na sala de aula. – Que maravilha começar o segundo semestre do ano já com sociologia, não é?
– É uma maravilha, professor. Você não sabe minha alegria de ter que acordar às 6h30. – Disse Thiago ironicamente.
– Que ótimo, acordei às 6 horas hoje. – O professor responde colocando suas coisas na mesa e logo se encostando nela. – Bom… espero que vocês tenham aproveitado essas férias de inverno, pois agora não vai ter moleza nenhuma para vocês. O vestibular e ENEM estão chegando e nós, professores, fomos muito legais com vocês no semestre passado.
Muitos legal que colocavam os trabalhos e provas tudo para a mesma semana. – Escutei alguém do fundão dizer.
– De acordo com a reunião pedagógica da semana passada entre todos do colégio, teremos muito simulados, redações e se preparem, pois ninguém vai jogar no peso leve. Nada de cineminha, nada de saidinha no shopping com as amigas, nada de namoricos… Ha… soube que temos um novo casal na turma.

Eu estava um pouco distraída conversando com Dani sobre o episódio de Grey’s Anatomy que tinha assistido ontem. Apesar de estar conversando baixinho com Dani, um ouvido estava atento ao que o professor Sérgio dizia, mas quando ele anunciou este novo casal fiquei calada.

– Parabéns, Daniel e . – Ele disse e logo continuou a falar sobre os planos da matéria de sociologia e os planos do colégio com os alunos do terceiro ano.
– Você está toda vermelhinha, . – Dani falou e senti meu rosto queimar mais ainda. – Olha lá como o Daniboy está te olhando todo apaixonadinho.
– Cala a boca, Danielle.

Me endireitei na cadeira, pegando minha caneta para começar a passar no caderno o que o professor escrevia no quadro.
Após meu aniversário, minha vida virou de ponta cabeça pelo simples fato de que comecei a namorar Daniel. Eu me sentia uma pessoa super diferente, mais leve, mais feliz, mais tudo e, ter agora ele ao meu lado, não sendo em um sonho, era a melhor coisa da vida.
No meio entre olhar para o quadro e olhar para o caderno, dou uma espiada no outro lado da sala e lá estava ele me olhando atentamente. Dou uma risadinha e ele abre um sorriso maravilhoso, que me faz sorrir também. Ficamos por um tempo assim até eu sentir alguém me cutucando.

– Dá para sentir o cheiro do fogo daqui. – Danielle disse me fazendo enrubescer.

CAPÍTULO 02

Oh baby, look what you started
The temperature’s rising in here
Is this gonna happen?
Been waiting and waiting for you to make a move

AGOSTO
Última semana

Daniel estava atrasado. Estava um domingo lindo, então não havia desculpas para atrasos. Íamos no shopping Jardim das Américas, que ficava relativamente perto de nossas casas, então resolvemos ir juntos e era para ele vir aqui em casa às 15 horas. Já era 15h11.

Dani
tá chegando?
15h11

Caraca Daniel
Tu ta onde piá?
Era para tu estar aq em casa 15hrs
Foi fabricar a roupa?
15h13

Calma mulher
Minha mãe ficou me prendendo aqui
Já chego
15h14
Tive que ajudar ela numa parada e ela n
deixou eu sair antes de ajudar ela
15h15

podia ter falado antes né?
15h15

desculpa
tô saindo
15h16

É bom vir voando pq o filme vai começar logo
e sla quando o ônibus vai passar.
15h16
Pq com esse teu atraso, nós indo andando
vamos perder com certeza a sessão de agra
15h17

Ta
15h17
To chegando
Já fica na frente
15h18

***
Estávamos esperando a sessão começar e já havíamos detonado boa parte do balde de pipoca salgada. Os trailers ainda nem haviam começado e eu já começava a sentir aquele frio de barriga típico antes de eu assistir um filme de terror. Uns amigos já haviam assistido ao filme da Annabelle, mas eu não era de assistir este tipo de filme, então peguei coragem e, como havia alguém para ir, aqui estou eu.

– Tem certeza de que não quer trocar de filme? – Daniel pergunta e logo pega um punhado de pipoca.
– Sim. Sempre tem uma primeira vez, né? – Respondo colocando umas pipocas dentro da boca para tentar acalmar a ansiedade.
– Não quer ir lá pro fundo, assim, ninguém lá de trás vai ficar vendo você se encolhendo toda. – Ele dá uma risadinha e olho para ele depois de ter enchido o interior da minha boca de pipoca.

Consegui sentir uma segunda intenção no meio dessa frase e corei um pouco. Ainda bem que foi bem nessa hora que as luzes diminuíram. Assenti e, no mesmo momento em que os trailers começaram a aparecer, levantamos e subimos os degraus até os últimos bancos da sala de cinema quase vazia.

***
– Você está muito avoada hoje, . – Dani fala assim que nos sentamos na muretinha. – O que aconteceu?

Estávamos no intervalo do colégio e realmente, eu estava avoada, mas estava assim desde que cheguei ontem em casa depois da saída minha e Daniel.

– Nada… – Dou uma mordida no meu hamburgão. – Ha… ontem eu e Dani fomos no cinema assistir Annabelle 2. – Quando digo, Dani dá uma engasgada no suco Tikito dela.
– Vocês foram no… Cinema?
– Sim, foi o que eu disse. – Respondo como se fosse algo natural.
– Cinema.
– Sim, Danielle.
– No escuro… Filme de terror… provavelmente se sentaram no fundo… DO CÉU! – Ela dá um berro, que os alunos que estavam no pátio viraram o rosto olhando para nós como se fossemos loucas. – Vocês transaram no cinema. – Ela se aproxima de mim e fala.

Eu olho para os lados para verificar que ninguém havia escutado aquele absurdo. Deveria estar com as bochechas pegando fogo de vergonha pelo o que Dani havia falado.

– Ta louca, Danielle? Claro que não…
– Claro que sim! Você está toda esquisita hoje… Só pode ser porque tu transou. Como que foi? Não imaginava que tu iria perder a virgindade no cinema, justo você que é toda santa pura, mas nem tanto.
– Não, Dani. Não fiz isso. – Ela me olha com um olhar duvidoso. – Isso não…
– O que foi então?
– Não vou te contar aqui… vai que um professor passa e escuta. To morta daí. – Enquanto terminava de falar, ela pegou o celular que estava no bolso da jaqueta do uniforme e logo sinto meu celular vibrar. – Sério?

Me conta
por aq
10h08

Tu é louca
10h08
É para ficar calada daí
haaa mona… não consigo
to me remoendo toda por dentro
heheuheue
10h09

para de enrolar
vai acabar o recreio e tu vai se negar de contar dentro da sala
10h10

ta
assim
nós fomos no cinema de boas só que primeiro nos sentamos em uma das fileiras do meio da sala daí antes de começar os trailers e tals
daí ele perguntou se eu não queria ir lá pro fundo.
10h10
eu já estava percebendo uma segunda intenção, mas ok. daí fomos e ficamos bem de boas lá até chegar nas partes assustadoras do filme. Eu nem estava querendo mais assistir daí ficava com a cara colada no Daniel. Daí ele começou a fazer um carinho nas minhas costas e a mão dele começou a descer e foi parar na minha bunda e logo na coxa.
10h13

meu deus
guria
ele te abusou
10h13

claro que não
eu deixei
e foi bom
10h14
e foi só mão
10h15

Assim que envio a mensagem final, levanto meu rosto e encaro Dani a minha frente. Ela estava com a boca aberta com um olhar meio surpreso e meio assustado.

– Não fala nada. – Falo para Dani enquanto desço do murinho e vou em direção à sala no mesmo momento em que o sinal toca.

CAPÍTULO 03

Pensando bem
Eu não confio em ninguém
Mas você me deu vontade de tentar
Você me deu vontade de tentar
SETEMBRO
Primeira semana

Já era sexta-feira e já estava querendo o fim de semana. As provas do 3º bimestre já estavam chegando e os professores estavam pegando bem mais no nosso pé por conta dos vestibulares que se aproximavam. Minha vida estava super corrida por conta do colégio e do cursinho, mas pelo menos tinha Daniel para me acalmar um pouco e trazer um pouco de paz.
Meu relacionamento com Dani era algo que sempre havia sonhado. Não havia aquela pressão dele sobre mim, pois ambos sabíamos que o outro estaria ocupado estudando para as provas decisivas e sempre poderíamos contar um com o outro para nossos problemas, tanto pessoais quanto em relação aos estudos. Poderia dizer que ele era um príncipe e, definitivamente, ele era o meu príncipe.

Estávamos na última aula do dia, que era de inglês. A professora havia pedido para passarmos um trecho de um livro do português para inglês.

– Ein, . Traduz para mim, please. – Escuto Dani falando baixinho atrás de mim.
– Você sabe que a professora deixou fazer em dupla, né? – Falo para ela, me sentando de lado na cadeira. – Coloca a cadeira aqui do lado, guria.
– E você nem tinha me convidado antes, sua vaca! – Ela fala enquanto se levanta da cadeira para colocá-la do lado da minha. – Eu estava me matando para achar as palavras no dicionário enquanto tu estavas na maior moleza aí.
– Estava querendo ver se tu ia conseguir fazer uma tarefa sozinha. – Dou risada enquanto a espero se ajeitar ao meu lado para que eu comece a traduzir o texto para ela.

Como eu estava em meu último semestre do curso de inglês, eu conseguia ter uma interpretação boa. Não era todo mundo que tinha um conhecimento bom de inglês na minha turma, então quem sabia era sempre requerido quando havia trabalhos.

– “When they entered the Defense Against the Dark Arts classroom, they found…”.
– Vai com calma, mon amour! Fala na minha língua tudo isso.
– Ai, Dani… Vai copiando do meu caderno então que é mais rápido. – Falo para ela que logo ergueu a cabeça para enxergar meu caderno.

Minutos depois, enquanto eu quase terminava o texto, sinto meu celular vibrar no bolso da minha jaqueta. Era de Daniel.

vc + eu -> my house?
11h30

Acabo por dar risada e Dani me ignora. Ela já havia se acostumado do fato de eu estar namorando, então atualmente ela só ignorava se eu dava uma risada boba para o celular, pois tinha certeza de que era Daniel. Havíamos combinado de irmos para a casa dele para passar o tempo.

yes, my lord

11h31

ok
eu já tinha falado para minha mãe
deixar o almoço separado para ti
tbb
11h31

que bom

pois to varada de fome aq

kkkkkkk

11h31

HAHAH
tu já terminou o texto?
11h31

quase

falta só a última linha

vou terminar aq e daí vou para o teu lado

11h32

Bloqueio a tela do celular e o guardo no bolso novamente. Termino o trecho, dou meu caderno para que Dani terminasse de copiar e levanto da cadeira para ir até meu namorado.

***
Estávamos eu e o Dani deitados na cama dele, enquanto assistíamos um episódio de Black Mirror. Tenho que admitir que eu não prestava tanta atenção, pois com Dani do meu lado e eu colada nele, sentindo seu calor e seu corpo, qualquer pessoa ficava alucinada, ainda mais eu, que sempre sonhei com isto desde o momento em que o conheci.

– É mó louco isso o que fizeram com estes soldados. – Ele comenta enquanto olha compenetrado para a tela da televisão. – Tipo… Ver pessoas como baratas. Muito sinistro. Muito Black Mirror. – Ele dá uma risada tão gostosa de se ouvir.

Eu já nem mais assistia o episódio da Engenharia reversa, apenas assistia aquele ser maravilhoso que estava coladinho comigo. Eu olhava com tanta atenção para ele, olhando atentamente para os traços de seu rosto.
Ele devia ter percebido que eu já havia enjoado de assistir a série, já que começou a acariciar meu braço e fazendo um chamego gostoso em mim. Ao invés de vir um sono como de costume, isto só me atiça mais ainda. Como se fossem imãs, ele vira o rosto, me olhando. Sorrimos um para o outro e me levanto um pouco para alcançar seu rosto e beijar seus lábios.
Começamos como um beijo qualquer, mas logo as coisas começam a esquentar. Abro um pouco minha boca para que nossas línguas possam tocar uma a outra. Nossas bocas vão abrindo e fechando e a cada segundo que se passa, pressionamos nossas bocas mais ainda para estarmos mais próximos ainda.
Aproveitando que já estávamos na cama, eu acabo por ficar em cima dele, logo me sentando em seu colo. Suas mãos, involuntariamente, vão direto para a minha bunda, eu não sabendo se era para me dar apoio ou por se aproveitar e ficar apertando minhas nádegas, coisa que eu gostava. Minhas mãos estavam em suas bochechas, para que assim eu pudesse passar elas por seu rosto e pelos fios de cabelos castanhos que eu tanto amava.
Suas mãos passeavam pelas minhas costas, causando um arrepio em mim que proporcionava um milhão de borboletas no estômago. Por ação involuntária, começo a me mexer em seu colo, mais especificamente: a rebolar. Ficamos nessa posição por um tempo, nos beijando intensamente, até que eu posso perceber que Dani começou a ficar animado.
Em algumas vezes em que ficamos juntos, já aconteceu de que Daniel ficasse excitado e ele parasse por minha causa, mas dessa vez ele não parou. Ao invés disso, ele me abraça e inverte nossas posições.
Damos uma pausa de alguns segundos, para recuperarmos a respiração e nesse breve momento em que olhamos intensamente um para o outro, desejando um ao outro tão loucamente como se fossemos amantes a muito tempo atrás. Conseguia perceber o brilho nos olhos dele e poderia ter certeza de que os meus estivessem também com um brilho apaixonante. Os lábios dele estavam já vermelhos e um pouco inchados e, só de olhar, já dava uma vontade de beijar novamente, e foi o que eu fiz, após molhar os meus.
Suas mãos exploravam o meu corpo e eu passava as minhas por suas costas e as vezes me aventurando e passando por sua bunda e dando uma apertada. As mãos dele estavam por baixo de minha camiseta, indo em direção a meus seios, que logo que chegam, ele os aperta e fica os massageando. Eu não conseguia prestar atenção em nada, além de seus toques. Quando há alguém beijando seu pescoço e apertando seus seios, não há muito no que pensar. Eu estava enlouquecendo.
As mãos de Daniel saem de meu busto e vai descendo lentamente até a base de minha barriga e assim que chega ele para, tira suas mãos e para de me beijar por um momento, para que assim eu o veja, rapidamente, tirar sua camiseta e eu fico paralisada, observando-o com seu tronco nu. Era a visão de um anjo. Se meu coração já estava acelerado antes, agora só aumentou a velocidade mais ainda. Ele dá uma risadinha pela provável feição que eu devo ter feito e volta com suas mãos e beijos em mim.
Foi questões de segundos para que eu perceba onde que tudo isso estava se desencadeando. Suas mãos logo foram para o botão de minha calça jeans, que estava me incomodando muito, e ele começou a abrir.
E foi aí que eu entrei em choque.
Foi aí que eu percebi que estávamos prestar a transar, a fazer sexo, a ficarmos nus na frente do outro.

– Dani. – O interrompo enquanto ele começava a abaixar o zíper. Ele para e me olha.
– Oi. – Sua respiração está acelerada, assim como a minha.
– Acho… acho que… – Sinto que começo a enrubescer, pois sinto um calor ardente em minhas bochechas.
– Você quer parar? – Ele diz com um olhar, que percebo que está desapontado. Como não consigo falar nada, assinto. – Tudo bem, . Nos empolgamos demais… – Ele dá um riso nasalado e dá um beijo em minha testa.
– Desculpa. – Digo, enquanto me sento na cama. – Eu meio que entrei em choque. Desculpa. – Eu o olho e vejo que ele estava olhando fixamente para um ponto qualquer da parede de seu quarto. – Para o que você está olhando? – Ele fica em silêncio por um tempo. – Dani?
– Calma… To tentando relaxar aqui. – Ele fala abaixando o rosto e eu acompanho o movimento e é aí que eu percebo o volume notável entre suas pernas. A ardência nas bochechas aumenta mais ainda.
– Desculpa? – Eu digo enquanto tento não olhar para sua calça.
– Não precisa pedir desculpas, . – Ele diz olhando para mim. – Se você não está preparada, então vamos esperar. Não estou namorando com você por causa de sexo, mas sim porque eu realmente gosto muito de você. Eu vou esperar não importa o tempo que for, então nem liga, beleza? – Assinto com a cabeça, mais apaixonada por ele a cada momento. – Você está linda com essa cara de quem andou beijando uns homens por aí e com o cabelo todo bagunçado. – Nós rimos.

CAPÍTULO 04

There’s nothing I want more in this world
Than somebody who loves me naked
Are you ready to fight just to see what’s lost behind my flaws
Can you love me naked?
SETEMBRO
Terceira Semana

Já era fim de semana e Danielle iria vir posar aqui em casa. Estávamos tentando marcar uma girls’ night há muito tempo e finalmente surgiu a oportunidade.
Os dias haviam se passado voando, já que na semana passada havia tido feriado de Independência do Brasil e eu havia viajado com minha família para uma cidade litorânea de São Paulo.
Desde o ocorrido (o quase sexo com Daniel), havíamos nos falado normalmente e estava totalmente normal nosso relacionamento. Eu não havia comentado com a Dani sobre o ocorrido por pura vergonha e pois não iria querer comentar com ela no colégio, mas iria falar sobre tudo o que aconteceu já nesta noite.

– Então… Vamos assistir um filme? – Perguntei à Dani enquanto eu ligava a TV.
– Partiu! Coloca DUFF. Estou na TPM e estou necessitada de filme fofo. – Ela falava enquanto quase se deitava no sofá ao meu lado. – Estou me sentindo muito DUFF ultimamente, já que você ta namorando, a Lindy tá conquistando todos os boys com aquele cabelo rosa dela, a Gabi é a Tumblr do grupo e eu to aqui. Sábados à noite na casa da miga, enquanto poderia estar muito bem acomodada nos braços de um boy lindo, alto, charmoso, cheiroso, gostoso e com uma peg…
– Ta bom, Dani! Você está na TPM, já entendi isso. – Interrompi ela, antes que ela começasse a chorar. – Mas veja… Apesar de eu estar namorando, eu estou em casa com minha best prestes a assistir filme.
– Mas…
– Mas nada, guria! Pode pegar o sorvete… – Antes mesmo que eu termine a frase, já vejo Dani se levantar toda desengonçada do sofá e ir correndo até a cozinha para pegar o sorvete. – …de flocos.

O filme estava quase no final, quando as meninas estão fazendo o vestido da Bianca, quando escuto Dani fungar.

– Você está chorando? – Pergunto rindo para ela.
– Estou. Mas me deixa… – Ela responde. – Ein, . Posso te perguntar uma coisa? – Ela muda de posição no sofá e se senta.
– Já fez uma.
– Idiota. Mas sério…
– Pode. – Falo, estranhando-a com seu questionamento.
– Você e o Daniel já se pegaram hard?

Fico em silêncio por um tempo, processando a pergunta que me pegou de surpresa, pois já havia desistido de comentar com ela sobre o que rolou dias atrás.

– Já. – Respondo e já começo a corar.

Era estranho comentar sobre assuntos íntimos para mim. Pois eu nunca havia sido aquela pessoa que pega geral e que tem tantas histórias para contar como minhas outras amigas, que até faziam a contagem de pessoas que beijavam.

– E… – Ela incentiva para que eu conte a história toda.
– Tipo… As vezes, quando vou na casa dele, as coisas esquentam um pouco, mas paramos antes de realmente rolar algo. Na semana antepassada foi a que foi mais longe.
– Como assim? – Ela indaga, pegando o controle da TV para pausar o filme. – Quero detalhes!
– Nós quase fizemos… – Paro no meio da frase para que ela entenda que quase transamos. E ela arregala os olhos e dá um gritinho fino. – Mas eu não consegui ir a frente. Meio que empaquei.
– Por quê, guria??? – Era notável sua animação, já que quase pulava no sofá.
– Sei lá, eu estava gostando e é algo que eu até quero com ele. Mas daí me lembrei que, para que isto aconteça, teremos que ficar nus e tudo mais, daí eu não quis mais. – Percebo que ela para por uns segundos e fica com uma expressão mais séria.
– Você tem vergonha… Do seu corpo?
– Mais ou menos. Às vezes me sinto insegura com ele, por exemplo, quando eu to indo tomar banho e acabo me vendo pelada, não é algo que me agrade e isto faz com que minha autoestima vá lá para baixo.
– Mona… Não precisa se preocupar com isto. Se o Dani, que é o teu namorado, te ama e gosta mesmo de você, ele não vai ligar para isto. Pois, se não, ele não estaria com você e sim indo em boates para transar com as plastificadas. – Eu dou um grande suspiro. – Você é linda, . Não pode ficar com essas coisas na tua cabeça, viu.
– Eu sei, Dani. Eu super tento me auto aceitar, ainda mais agora que eu to com o Daniel, pois é um incentivo para mim, pois na minha mente eu fico pensando “se alguém foi capaz de gostar de mim do jeito que eu sou, então eu mesma posso gostar de mim mesma”. Mas fazer sexo é algo muito grande.
– Grande só se o…
– DANIELE! – Eu grito o nome dela antes que eu passe mais vergonha do que já estava sobre falar algo tão pessoal para mim. Nós duas rimos por um tempo. – No dia que quase fizemos, eu falei para ele que não estava preparada e ele foi um amor. – Digo, enquanto sorria apaixonadamente. – Ele falou que iria esperar eu estar preparada e de boas com o assunto, então se acabar sendo com ele a minha primeira vez eu irei ficar bem feliz, pois vai ser com uma pessoa que eu gosto muito, muito mesmo.
– Isso é ótimo, miga. O Daniel é um cara bem gente boa e ele realmente gosta de ti e é isso que importa. Só que depois que vocês fizerem, não fiquem quase transando em todos os lugares do mundo, pois é nojento. Se eu já tenho fogo na raba sem nem ter perdido a minha virgindade, não quero ver você depois que dar para o teu namorado.
– Credo, Dani! – Nós rimos. – Nem sei quando que vai ser isto, mas não vou ficar demonstrando para o mundo todo que não sou mais virgem.
– Ele é? – Ela pergunta, enquanto volta a deitar no sofá e dá o play no filme.
– O quê? – Pergunto voltando a prestar atenção nos últimos minutos do filme.
– Virgem, dã?
– Acho que sim. Mas eu nem ligo. – Respondo.

Eu não ligava se meu namorado fosse ou não virgem, apesar de ter quase certeza que ele não era.

CAPÍTULO 05

C’mon get me, get me on the floor
DJ what you, what you waitin’ for?
OUTUBRO
Primeira semana

O tempo parecia que não passava. Com tanta coisa para pensar, a mente ficava cheia de preocupações e isso só implicava com o tempo que parecia nunca ir para a frente. Os professores pareciam querer matar todo mundo, passando matérias uma atrás da outra, sem dar descanso para ninguém. Mês que vem já vinha ENEM com a bagagem de logo atrás vir os vestibulares que me aterrorizavam, já que, além do colégio, eu estava fazendo cursinho, pois estava desesperada para passar em alguma faculdade.

***
Com o mês de outubro começando, o pessoal da sala já começa a mostrar sinais de cansaço dos estudos (menos o pessoal que não estava ligando).

– Ein… Vejam lá no grupo da sala no Whats. – Thiago vira para trás para falar para mim.
– O que tem? – Pergunto, enquanto dividia minha atenção entre copiar a matéria de sociologia do quadro e no que Thiago falava.
– Vai ter uma festa de Halloween fim do mês e daí ‘tamo chamando o pessoal da turma para ir. Parece que vai ser massa essa festa. – Ele vira para frente para prestar atenção na aula.

Fico um tempo refletindo se iria ou não nesta festa de Halloween que parecia que o pessoal da sala já estava comentando sobre, já que um burburinho estava presente no ambiente.
Como Danielle havia faltado hoje, pois teria uma consulta no médico, não poderia comentar com ela sobre, então olho para o outro lado da sala para ver se Daniel havia sido informado sobre a festa. Quando viro para o ver, ele já estava me encarando e assim que o olho, ele levanta e abaixa as sobrancelhas e tento decifrar o que ele queria com aquilo. Ele fala algo que não consigo entender e faço cara de desentendida. Ele revira os olhos e vira as páginas do caderno até chegar na última folha e escrever algo.

“VAMO NA FESTA?”
Vejo o que ele havia escrito, sorrio e assinto.

***
Já era fim de tarde e eu já havia feito as tarefas pendentes e estudado um pouco das matérias que estavam no meu cronograma de estudos. Estava conversando com o Dani pelo telefone e conversávamos sobre fantasias:

– Que tal Batman e Mulher-Gato? – Ele sugeriu enquanto eu apenas rolava os olhos, mesmo que ele não pudesse ver.
– Daniel, eu já falei que não vou ir de fantasia combinando.
– Por quê? Se formos, iremos ganhar o concurso de melhor fantasia de casal! Pensa que legal seria. – Ele reclamava todo animado fantasiando com o momento que falava.
– Dani… Eu sei que você nem quer isso. Vai ser muito brega. E há tantas fantasias mais legais para vestir que não há uma que seja par. – Falo enquanto sentia meu celular vibrando avisando que havia chegado umas mensagens.
– Okay, então, . – Ele fala. – Nem estava querendo mesmo, só estava vendo se você não ia ser aquela namorada louca que quer se vestir combinando em eventos igual àquela cantora que tu gostas.
– A Britney? – Pergunto rindo, pois eu havia mostrado uma foto de quando Britney e o Justin Timberlake haviam ido combinando com roupas jeans em uma premiação tempos atrás.
– Sei lá. Eu vou desligar agora, pois irei ver com os rapazes como eles vão e ver o que irei vestir. Você vai do quê?
– Não sei ainda, tenho que ver ainda. Acho que vou no Centro amanhã à tarde, para ir às lojas de fantasia. Mas eu não vou te contar.
– Aff… Beleza. Vou indo, mor. Beijos.
– Beijos e tchau, tchau. – Desligo a ligação sorrindo.

Vou ver quem havia me mandando mensagens e era Danielle. Ela havia criado um grupo com algumas das meninas da nossa turma e aparentemente elas estavam mandando inúmeras fotos de fantasias como sugestão.

CAPÍTULO 06

It’s inevitable everything that’s good comes to an end
It’s impossible to know if after this we can still be friends, yeah
OUTUBRO
Terceira semana

Finalmente o dia da festa que todos aguardam chegou. A festa em si era de um outro colégio, mas que quase todos os jovens da cidade sabiam.
Estava na casa da Dani, junto com nossas outras amigas da turma. Havíamos chegado à brilhante ideia de irmos fantasiadas de princesas da Disney. Dani quis ser Jasmine, Lindy é a Bela, Gabi escolheu Ariel e eu acabei por ser a Cinderela. Estava guardando segredo de Daniel sobre minha fantasia e ele não quis contar a dele para mim também.
A festa seria em um pub no bairro chique da cidade, há uns 30 minutos de carro. A mãe de Dani iria nos levar, então nos apressamos para terminarmos de nos arrumar.

***
Entramos no salão, já cheio de pessoas, que estava todo decorado com cores coloridas juntamente com as luzes que passavam por todo o salão e um globo brilhante em cima da pista de dança, onde muitos já dançavam alguma música da Dua Lipa.

– Você sabe se o Daniboy já chegou? – Dani pergunta quando começamos a percorrer o salão em direção às mesas.
– Ele mandou uma mensagem falando que sim. – Respondo enquanto pego meu celular de dentro da bolsinha que havia trazido. – Deixa eu mandar uma para ele para saber onde ele está.
– Acho que não vai ser preciso… – Dani fala e eu levanto a minha cabeça.

Quando a encaro e a vejo olhando para um ponto fixo à nossa frente, vejo que ela está olhando para Daniel. Minha boca se abre involuntariamente. Ele estava… lindo, maravilhoso, bonito pra caramba. Após um tempo nos encarando enquanto ele vinha em nossa direção, dou um riso ao cair a ficha de sua fantasia: Príncipe.

– Uma pergunta: à meia noite você vai sair correndo da festa, perder um sapato de cristal e irei ter que ficar procurando você por dias depois?
– Se não me engano, minha fada madrinha disse que sim. – Respondo-o e rimos juntos.
– Que pena, então tenho que aproveitar a donzela no tempo que resta. – Ele diz e logo em seguida me beija.

O beijo do Dani, para mim, era como se fosse a 8° maravilha do mundo. Um beijo lento, delicado, com a língua dele fazendo movimentos suaves tocando a minha. Com sua boca colada à minha, suas mãos pressionavam minha cintura, fazendo com que ficasse o mínimo de espaço entre nós. Minhas mãos foram em um impulso para seus cabelos que estavam arrumados com gel. Fazendo carinhos suaves em sua nuca, passando as pontas das unhas delicadamente pela região, sentindo-o ficando arrepiado. Seu beijo era uma brisa fria no verão, inesperado e gratificante, fazendo com que eu sempre quisesse mais. Com ele ali, colado a mim, eu esquecia de todo o resto, com a mente e alma nas nuvens, sem mais ninguém além de nós.

– É… casal? – Escuto alguém chamando. Era Danielle. Nos separamos e eu já começo a corar. – Desculpa atrapalhar a pegação de vocês aí, mas eu vou estar por aí rebolando minha raba e tentando achar um guri para dar uns pegas. Au revoir, friends.

Ela sai e volto o meu olhar para o meu namorado e rimos juntos.

– Vamos comprar alguma coisa para comer e depois vamos para a pista um pouco. – Falo puxando Dani pela mão em direção ao caixa para comprar uma ficha para pegar um prato de batata frita.

Into You da Ariana Grande havia começado a tocar pelas grandes caixas de som. Estava no meio da pista de dança com minhas amigas e dançávamos loucamente ao som de uma das divas do pop.
Já estava há um bom tempo dançando, tanto que meu namorado já tinha desistido de ficar junto e foi dar uma volta pelo local da festa com os amigos dele. Daniel não era realmente de dançar, tanto que enquanto ele estava comigo, tinha que pegar seus braços e movimentá-los para dar um molejo no guri.
Eu movimentava meu corpo ao ritmo da música, as vezes levantando os braços e fazendo com que participassem do movimento. Meu quadril ia de um lado para o outro e movimentava meus ombros para complementar uma dança que só eu sabia. Eu e as outras meninas cantávamos a música a plenos pulmões, rindo de vez em quando, aproveitando o momento para esquecermos que provas decisivas de nossas vidas estavam chegando.
Começa a tocar uma música que eu não conhecia, onde a melodia era maravilhosa e eu fecho meus olhos para sentir a música. Movia meu corpo de um lado para o outro, ao ritmo que a música ia ficando mais agitada. Enquanto dançava, sinto alguém me abraçando pela cintura e penso em ser Dani, então apenas continuo dançando colocando minhas mãos por cima das que me abraçavam. Não era um funk onde iria provavelmente rebolar, mas estávamos bem colados.

– Você dança muito bem. – Escuto a voz masculina sussurrar perto de meus ouvidos. Me sobressaio ao perceber que não era Daniel. Saio de seu abraço rápido e me viro para encará-lo. – Opa… Desculpa te assustar. – Ele ri um pouco.
– Ai, moço… Pensei que era meu namorado. – Falo, ainda assustada e com muita vergonha e medo de alguém conhecido ter visto a cena. Olho ao redor procurando alguma das gurias e não vejo ninguém por perto.

Viro-me para sair de perto do menino, que apesar de ser bonito, não poderia nem sequer pensar na possibilidade trair Daniel. Queria ir logo atrás de alguém que eu conhecia, sendo Daniel, Danielle ou alguma das meninas com quem vim. Apenas necessitava de um pouco de ar depois do susto que levei e da dança abraçada com um ser desconhecido.

– Calma… – Escuto o menino falar e sinto ele pegando em meu pulso e trazendo meu corpo perto do dele.
– Piá… Eu realmente tenho namorado, okay? Você chegou por trás e eu só pensei que fosse ele.
– Se tivesse namorado estaria com ele aqui, não acha? – Ele vai se aproximando e eu vou me distanciando dele, mas nem tanto já que ele ainda segurava meu pulso. – Posso até tentar acreditar em você, mas te achei muito linda. Um beijinho não vale nada.
– Por favor, me solta. – Peço, sentindo meu coração se acelerar a cada segundo. – Solta, se não vou gritar. – Falo desesperadamente, pensando que ele me deixaria ir.
– Tá bom. Mas qual seu nome? – Ele pergunta. Encaro-o desconfiada antes de responder:
– Por…

Ele me beija.
Tento me soltar dele, mas ele havia colocado sua outra mão em minha cintura, pressionando meu corpo no dele, fazendo com que eu não tivesse saída. Eu não era forte o suficiente para bater, empurrar ou qualquer outra coisa nele. Minha mente estava uma confusão e o coração parecendo que iria ter um ataque cardíaco a qualquer segundo.

?

Escuto meu nome ser chamado e o menino que tinha me beijado a força me solta por um momento ao perceber que era comigo que queriam falar. Mas aquela voz era bem conhecida por mim e meu corpo. Eu me afastei e meus olhos se encheram de lágrimas ao olhar para Daniel que me encarava boquiaberto.

– Dani… – Vou em sua direção para tentar ter um pouco de consolo depois do que aconteceu.
– Não. – Ele estica seus braços fazendo com que eu não me aproxime dele. – Não me encosta.
– Dani, por favor. Ele me beijou a força. Por favor. Eu não quis aquilo. Não é o que você está pensando. – Lágrimas escorriam pelas minhas bochechas e mesmo eu implorando para que Daniel acreditasse em mim, seu olhar continuava rígido com uma expressão tensa e de certa forma melancólica, ele me olhava despontado.
– Não adianta falar nada, . Não adianta. Assim não dá… Eu vi, . Como você pode fazer isso? Eu jamais esperaria isso de você…
– Daniel! Eu não queria!
– Não queria, mas beijou mesmo assim! Caralho, ! Não tem volta, já tá feito. Se for para ser assim, não dá mais. Não dá.
– O que você tá querendo dizer? Por favor, vamos primeiro conversar sobre isso.
– Conversar sobre o quê? Sobre você ter simplesmente se cansado do nosso relacionamento e ter ido procurar diversão? Poderia ao menos ter terminado antes, seria menos doloroso para mim. Não dá mais para namorarmos. Acabou. Terminou. Por favor, não fale mais comigo e se vira para voltar para tua casa. – Ele diz tudo isso, se vira e vai embora.

Não sei ao certo quanto tempo fiquei parada encarando a porta pela qual Daniel havia saído. Toda a cena que acabara de acontecer se repetia milhares e milhares de vezes na minha mente. Eu tentava entender como uma simples festa, aparentemente inofensiva, havia se tornado em um terrível pesadelo, porém, nada parecia fazer muito sentido e tudo o que eu tinha certeza era de que Daniel não voltaria.
Sai pelo salão, no meio de tanta gente que parecia não terem percebido a cena que havia acabado de acontecer no meio da pista, em busca de um banheiro para poder lavar o rosto ou simplesmente chorar mais, ainda não havia me decidido. No momento que entrei no banheiro me arrependi totalmente da ideia, o lugar estava lotado de meninas se maquiando no espelho ou vomitando em algum canto. Tentei encontrar um espaço para usar a pia e conseguir limpar o rosto, mas foi impossível, portanto, decidi esperar ao lado de uma garota fantasiada de Princesa Lea. Tentei fazer minha melhor expressão de quem estava se divertindo, mas foi em vão, não demorou mais do que dez segundos para que a garota ao meu lado notasse que eu preferiria estar em qualquer outro lugar do mundo do que naquele banheiro.
– Olha, eu não sei direito o que aconteceu com você, mas tenho certeza que chorar no banheiro não vai melhorar muita coisa. – A garota disse com um pequeno sorriso. Ela estava segurando uma arma de brinquedo em uma mão e na outra um copo com uma bebida com cheiro extremamente forte. – Se eu fosse você sairia daqui e ia beber até esquecer porque estou triste…, mas quem decide isso é você, princesa. – Ao dizer isso ela piscou e saiu do banheiro junto com uma outra garota que tinha acabado de sair de uma das cabines.
Normalmente a ideia de beber não seria algo com que eu realmente me importasse. Já havia bebido antes, apenas para experimentar, mas jamais para “esquecer porque eu estou triste”. Talvez fosse uma boa ideia ou talvez eu me arrependesse amargamente das consequências, mas de uma coisa eu tinha certeza: ficar chorando não melhoraria em nada minha condição.
Sai do banheiro e fui a procura de Danielle, mas não a encontrava em lugar algum. Decidi procurar na pista de dança mas, ao invés de encontrar Dani, acabei esbarrando na garota com quem eu tinha acabado de conversar.
– To vendo que a princesa finalmente saiu do banheiro, fico feliz que decidiu se divertir um pouco. – Ela se virou para ir embora, mas eu a chamei antes que a perdesse de vista.
– Hey! Será que eu posso te pedir um favor?
– Pode sim. Só falar.
– Aonde eu consigo um desse? – Disse sorrindo e apontando para o copo que ela segurava.

Acordo no dia seguinte e por um momento me esqueço completamente onde estava. As lembranças da noite passada estavam vindo totalmente embaralhadas em minha mente, mas principalmente as de Daniel terminando comigo após o fatídico acontecimento. Resmunguei pela dor de cabeça que começou e pela dor em meu coração e no meu corpo. Me sentia fraca e sem forças para me levantar. Abri meus olhos, tentando focar em alguma coisa próxima de mim para tentar procurar meu celular. Quando finalmente consigo enxergar direito, vejo que Danielle estava sentada no fim da cama me encarando.

– Oi, . – Ela diz e dá um sorriso gentil. – Como você está? – Ela pergunta e percebo sua expressão de preocupação.
– Dolorida. O que houve? Por que está com essa cara? – Pergunto enquanto tento me sentar na cama apoiando meus braços.
… – Ela começa a falar e sua feição piora. – Você não lembra? – Em minha mente veio o término, mas ela não deveria saber ainda.
– Lembrar do quê? – Me faço por desentendida para saber o que ela sabia.
– Você bebeu bastante ontem. Nunca te vi daquele jeito. – Ela da uma risada nasalada.
– Ha… Pois é. – Respondo me lembrando que comecei a beber assim que Amélia, a menina que estava vestida de Princesa Lea, pegou uma garrafa de bebida para mim e assim comecei a beber até começar a chorar desesperadamente por causa de Daniel e Danielle ter me encontrado. – Senti vontade de beber um pouco.
– Eu já sei, . De todo o porquê que tu bebeu e sumiu. – Ela volta a falar me olhando com pena.
– De mim e Daniel? – Pergunto já sentindo meus olhos marejarem. Ela assente. – Como? Eu não te contei e o simples fato de eu ter bebido e estar chorando poderia ser uma mera briga.
– Ele me contou.

Mil perguntas começam a aparecer em minha mente. Como ele estava? O que ele contou? Como ele contou? Ela me conta que viu quando ele saiu do salão da festa e foi para a entrada do espaço andando apressadamente, parando apenas para falar algo para os amigos dele. Ela foi atrás dele, pois pensava que ele estaria indo me encontrar, já que ela estava tentando me procurar. Ele ficou parado um tempo sozinho com a respiração forte até que minha amiga chegou até ele perguntando sobre mim. Ele estava muito abalado pelo o que ela havia dito e começou a contar o seu ponto de vista. Enquanto Dani me contava como ele havia visto a cena, lágrimas começaram a sair de meus olhos, pois tudo havia sido um grande mal-entendido.

– Dani… Não foi nada de propósito. – Eu implorava à minha amiga para me entendesse.
– Então me explica, . Pois fiquei com muita raiva de você quando o Daniel me contou.
– Eu estava dançando com os olhos fechados, daí chegou o cara lá por trás e eu juro que pensei que fosse o Daniel, mas fui perceber só quando ele falou e eu fiquei tentando me distanciar dele e falando que não queria nada, ele então perguntou meu nome e quando fui perguntar o porquê ele me beijou do nada. Juro, juradinho, Dani, que eu não queria nada e estava tentando me afastar e ir embora de perto dele. Eu não tenho forças para empurrar um garoto como ele, e ele estava segurando meu pulso. Nem você ou as outras meninas estavam lá por perto, fiquei desesperada no momento e… Olha como está tudo agora. – O aperto em meu peito ia se apertando e tudo o que eu queria fazer naquele momento era só me deitar e chorar pelo resto de minha vida. – Daniel não quis me escutar, eu queria explicar tudo para ele do mesmo jeito que estou te explicando, mas ele não quis ouvir nada e só… Terminou tudo.
– Desculpa, ! – Ela se aproxima e me abraça forte. – Desculpa por ter sumido. Mil desculpas. Consigo te entender agora. Eu deveria estar com você todo o momento. Daniel me contou e do ponto de vista dele pareceu que você estava fazendo porque queria, mas agora sei que não. Ai, . Eu to querendo chorar agora.
– Agora não tem volta, Dani. Ele não vai querer me escutar e nem voltar mais. Meu coração está todo quebrado e não tenho vontade de fazer nada.
– Eu deixo você chorar o quanto quiser hoje, . Tem um pote de sorvete na geladeira e ficamos comendo-o e assistindo filmes de romance para que você seque todas as lágrimas. Eu gosto muito do Daniboy, mas você é minha amiga, melhor amiga e estarei do seu lado sempre, não importa o que houver. Estaremos juntas sempre. Promete que vai tentar ao máximo seguir em frente? – Eu reflito tudo o que Danielle me disse e só consigo agradecer por ter uma amiga como ela. Seria difícil esquecer de Daniel, pois ele foi o garoto que eu havia gostado durante o ensino médio inteiro e no último ano, no meu aniversário de 17 anos, ele havia me pedido em namoro. Estes poucos meses que estávamos juntos, foram uns dos melhores, pois como nunca havia namorado antes ou ter alguma coisa com alguém, tive experiências maravilhosas com ele que mudaram tudo em minha vida.
– Prometo. – Digo enquanto seco as poucas lágrimas que ainda caiam por minhas bochechas, dando um sorriso pequeno à Dani.

CAPÍTULO 07

So far away, but still so near
(The lights go on, the music dies)
But you don’t see me standing here
(I just came) to say goodbye
NOVEMBRO
Primeira semana

O clima na sala de aula era muito tenso. Ninguém falava muito, além dos professores que também tentavam dar uma descontraída. Muito era pelo ENEM ser no próximo final de semana, alguns vestibulares estarem chegando também e fim do ensino médio, mas parte era pelo fato do que aconteceu na festa, ou seja, eu e Daniel termos terminado. Muitos boatos rolavam pelo colégio, onde uns falavam que era claramente que eu havia beijado aquele guri por vontade própria, outros falavam que após Daniel ter saído do salão e ficar conversando com a Dani, eles haviam ficado, a cada dia piorava a história e quando me perguntavam o que havia acontecido eu apenas falava que não queria comentar sobre o assunto e a pessoa poderia acreditar no que quisesse.
Esses últimos dias foram difíceis, mas eu tinha minha melhor amiga e minha mãe por perto para me alegrarem. Ver Daniel na maioria da semana no colégio fazia meu coração doer e nos primeiros dias após o ocorrido, minha vontade de ir até ele tentar conversar era bem grande, mas Danielle me impedia disso e íamos para o lado oposto ao qual ele estava.
Percebi que ele havia mudado em poucos dias, parecia mais arrogante, estando com uma pose de garanhão, tentando fazer com que ele se saísse como o mocinho da história e eu sendo a pessoa má. Não contava para ninguém, mas quando não estava perto de ninguém em casa, durante o banho ou antes de dormir, lágrimas escorriam por meu rosto e geralmente virava a noite chorando ou dormia de exaustão.

***
Estávamos na última aula da sexta-feira e a única coisa que eu queria era que ela acabasse e eu pudesse ir para casa e passar o resto do dia com a cara nos livros para estudar para o segundo dia do ENEM. Tinha meus momentos para ficar triste, já que queria tirar uma nota boa nas provas do ENEM para tentar uma bolsa pelo PROUNI para conseguir entrar em uma universidade boa se não passasse na UFPR.
Com tudo o que havia em minha mente em todos os dias que haviam se passado, até tinha mudado meu lugar na sala de aula, me sentando na primeira cadeira de frente ao quadro, para focar na aula e somente nela em todo o período da manhã. Minha amiga, Daniele, para não me deixar isolada e “triste, pois ficaria muito longe dela se ela não mudasse também”, havia mudado também.

… – Escuto Dani e sinto ela me cutucando no ombro.
– Oi, miga. – Respondo e viro para olhar ela. Estávamos entre a troca de professores, então teríamos um tempinho para conversar.
– Você vai fazer a prova onde?
– Na PUC, te falei esses dias.
– Nem prestei atenção, tô tão avoada esses dias com o tanto de coisa, vestibular e aqui no colégio também não está tudo às mil maravilhas. – Ela desabafa colocando as duas mãos na cabeça, mostrando sua preocupação. Ela respira fundo e continua. – Você quer sair depois? Quando acabarmos? – Ela pergunta, fazendo um olhar de suplicação.
– Onde? Dependendo podemos ir até. Shopping?
– Pode ser, podemos ir ao Estação que tem mais coisa para ver… Eu só quero relaxar, lá em casa não está tudo às mil maravilhas e ta tendo briga sempre.
– Ai, guria… Devia ter falado para mim, para desabafar e não ficar com essas coisas na sua cabeça. Pior coisa. Mas vamos sair, te pago um açaí daí. – Falo para ela dando um sorriso solidário.
– Por isso que gosto de você. – Ela fala dando uma risada depois e me abraçando como pode sem sair da cadeira.

Escuto o professor entrando na sala e colocando os livros na mesa com um baque, me fazendo dar um mini pulo na cadeira de susto. Vou virando para me sentar corretamente, virada para o quadro, e de relance consigo observar que Daniel me observava do lugar que estava. Meu peito fica com uma sensação de aperto e até minha respiração se acelera. Sempre que isso acaba por acontecer a vontade de chorar era imensa, mas tentava ao máximo me controlar.
Pior coisa namorar alguém da sua turma. Nunca mais iria deixar que isso acontecesse, pois é horrível a sensação após o término, mesmo que tudo não passasse de um mal entendido e ele foi estúpido por não ter me deixado explicar o que realmente aconteceu.
Idiota.

***
Domingo, pós prova do ENEM, onde tinha deixado metade da minha alma junto com os inúmeros cálculos que havia feito, onde provavelmente metade deveria estar incorreta e marquei a letra B de “bem feito não ter estudado o suficiente para esta prova miserável”. Estava sentada num banco na frente do bloco que havia feito minha prova esperando Dani me encontrar, já que ela tinha ficado num bloco mais distante.
Já havia se passado mais de 30 minutos que estava esperando minha amiga sair da prova e em mais alguns minutos o horário máximo de entrega iria chegar, e apesar de não querer ficar tanto tempo esperando ela, já que estava sozinha (não literalmente, pois a cada minuto o campus ficava mais lotado, com o aglomerado de jovens se encontrando e debatendo sobre as questões marcadas na prova), poderia facilmente acreditar que ela poderia ser uma das 3 últimas pessoas a entregar a prova, tendo que esperar até todos terminarem para sair da sala.
Mexia em meu Instagram para passar o tempo e parecia que o universo e os astros estavam todos contra o meu ser, já que a cada 3 fotos vistas, 1 era de algum casal, sendo de amigos, conhecidos ou famosos. As fotos que tinha postado junto com Daniel, meu, agora, ex-namorado, haviam sido mandadas para o arquivo, que eu nem entrava, mas ainda não tinha conseguido ter coragem para apagar definitivamente. As amizades que eu tinha que não via todos os dias, já que não estudavam comigo, perceberam que o relacionamento havia acabado quando viram que eu não havia mais postado fotos com ele e havia tirado o status de relacionamento serio no Facebook.

– BU! – Daniele grita atrás de mim, me dando um susto que me faz derrubar meu celular.
– Filha da mãe!!! – Falo para ela, colocando a mão no peito com o susto que havia levado e pelo medo de ter quebrado o celular. Ela gargalhava vendo a minha reação. – Se meu celular estiver quebrado você vai pagar por outro. – Comento enquanto me abaixava para pegar o mesmo.
– Já vou indo para o meu ponto rodar bolsinha, então. – Ela fala ainda rindo. Para as graças dos deuses, meu celular não havia quebrado. – Ai, ó… Não quebrou. Hoje foi teu dia de sorte, cara amiga. Agora que cheguei para sua alegria, vamos dar um rolê no shopping e tu me pagar o açaí que prometeu que ia comprar para mim.
– Não prometi nada… – Falo, enquanto abria o aplicativo do Uber para chamar um carro para irmos até o shopping.

Eu e Dani estávamos sentadas na praça de alimentação comendo o açaí que tinha falado que iria comprar. Nesse meio tempo já havíamos dado uma volta no shopping, ficado um bom tempo na Livrarias Curitiba olhando os novos lançamentos, ampliando a lista de próximas leituras para as férias e olhando os cadernos, agendas, canetas e tudo o que há na área de papelaria. Enquanto esperávamos o açaí ficar pronto e, durante uma colherada e outra, comparávamos as nossas respostas da prova, onde a maioria estava diferente e torcíamos para que a prova do vestibular fosse mais fácil.

, é burragem minha falar isso, mas não olha para trás. – Dani fala baixinho e logo em seguida enche uma colherada de açaí e coloca na boca.
– Por quê? – Pergunto, ignorando completamente o que ela tinha pedido e depois que me viro para trás tenho a infelicidade de ver quem eu não queria.

Daniel com outra guria, sentados um do lado do outro, enquanto ele a abraçava pelos ombros, enchendo a bochecha dela de beijos enquanto ela sorria abertamente.
Era minha ruína, já que ainda estava tentando suprimir tudo o que estávamos passando, tentando superar ele e seguir em frente. Mas ele não colaborava também. Não fazia nem 1 mês que ele tinha terminado comigo. Nem 1 mês que tudo tinha ido por água abaixo. Não fazia 1 mês desde que ele tinha me destruído completamente, querendo acreditar somente no que havia visto, sem querer explicações e sendo um hipócrita e não querendo me escutar para saber o que realmente havia acontecido.
Ele já estava com outra. Já havia seguido em frente e estava ficando com outra pessoa. E aparentava estar feliz, enquanto eu ainda chorava por ele todos os dias.

– Dani… – Chamo minha amiga, enquanto viro para ela sentindo um bolo se formando na minha garganta. – Podemos ir embora? – Peço, olhando para ela, sentindo que já se formavam lágrimas.

Ela não responde e apenas assente a cabeça e começa a se levantar. Eu nem termino de comer meu açaí e já levanto com o copo na mão que tremia muito. O meu desespero para sair logo daquele lugar era tão grande que acabo esbarrando numa cadeira que acaba fazendo um barulho alto. Como se me chamasse, eu instantaneamente viro em direção ao lugar que Daniel estava com a menina e vejo que agora os dois estavam me olhando. Meu coração começa a bater mais rápido. Ele estava com os olhos arregalados, como se estivesse surpreso em me ver e a menina me olhava como se estivesse debochando de mim. Eu havia empacado no lugar e não conseguia me mover pois encarava meu ex-namorado de forma intensa, como se pedisse através do olhar para que ele me entendesse e voltasse para mim, pois apesar de tudo eu ainda gostava dele. Vejo que a menina ao seu lado comenta algo e dá uma risadinha enquanto olhava para mim de lado, assim ele desvia o olhar e olha para ela e dá um sorriso e uma risadinha e dá uma olhada rápida em mim, tendo uma expressão indecifrável.
Meu lábio inferior começa a tremer e antes que eu começasse a passar vergonha e chorar no meio do shopping lotado, minha amiga toca meu ombro e fala para andarmos e irmos embora. Ela me abraça de lado e me acompanha até a saída para chamarmos um Uber, já que de acordo com ela eu estava sem condições de ficar andando e pegar um ônibus.

CAPÍTULO 8

I’m not gonna need, not gonna need
Not gonna need you if I fall, so why am I crying?
I’m not gonna miss, not gonna miss
Not gonna miss you, not at all
So what am I doing here on the floor crying?
/center>
NOVEMBRO
Primeira semana

– Quer conversar sobre? – Escuto Dani ao fundo da minha mente perguntando.

Havíamos vindo para minha casa, onde ela iria passar a noite junto comigo. Enquanto estávamos no carro a caminho de casa, ela havia ligado e avisado a mãe que eu não estava me sentindo bem e suplicou para deixá-la posar em minha casa esta noite. Estávamos em meu quarto, eu deitada de barriga para cima na cama e ela sentada na cadeira que havia em frente a escrivaninha, me olhando preocupada. Já havia se passado uma meia hora desde que chegamos e eu estava na mesma posição nesse mesmo tempo.

– Eu quero… mas também não quero. – Murmuro, sentindo um baque de lembranças da fatídica cena vindo em minha mente.
– É bom desabafar, . Não deixe na sua cabeça essas coisas, pois podem te fazer mal. Daniel não sabe o que está fazendo.
– Ele deve saber muito bem o que está fazendo, amiga. Vai saber de onde ele conhece aquela guria. Eles pareciam muito próximos e estavam de chamego um com o outro.
– Se tu quiser eu dou uma pesquisada e descubro quem é a menina, onde ela estuda, mora e daí vamos tacar fogo na casa dela. – Ela fala animada e dou uma risada nasalada.
– Não precisa, miga. Não sabemos quem ela é, nem o que pensa de mim, nem se sabe quem sou ou qualquer coisa. Não é culpa dela…
– E sim do Daniel, aquele escroto. – Daniele fala fazendo cara de repúdio ao dizer o nome daquele que eu gostava.
– Eu nem quero pensar nele…. Eu queria não pensar nele, mas é tão difícil. O jeito que ele me olhou, amiga. Ele estava surpreso e eu queria muito, mas muito ir até ele e fazer com que ele me escutasse. Nem mensagem eu consegui mandar para ele depois da festa, sabia? Ele me bloqueou e to até agora bloqueada no whats dele. Eu já cansei de ser a má da história e o pior é que ninguém viu. Ninguém sabe. Só eu sei o que realmente aconteceu, porque até para o Daniel é uma mentira a verdade. Eu queria saber o que estava passando na cabeça dele naquele momento que me viu no shopping. Queria ter o poder de ler mentes, pois isso de não saber o que a pessoa pensa sobre você é agonizante. É horrível, Dani. Horrível.
– Mas você não precisa saber o que ele pensa de você agora para seguir em frente, amiga. Você é você e não pode ser influenciada por ninguém a agir do seu jeitinho.
– Eu sei, mas mano… Eu ter namorado o piá que eu gostei durante o ensino médio inteiro, é como se tivesse realizado um sonho. E mesmo tendo namorado ele por pouco tempo, foi intenso, sabe? Foi algo maravilhoso e que aderiu a mim, pois aproveitei cada minutinho, sem querer pensar no amanhã.
– Entendo… É aquela clássica frase: foi bom enquanto durou. O melhor que tu poderia ter feito era ter aproveitado todos os minutinhos com ele, mas agora acabou, miga. Você vai ter que se reinventar, criar uma versão melhor ainda de você, seguir em frente e ser feliz, com ou sem Daniel.
– Mas como? Eu não tenho forças para continuar… Nesses dias que se passaram e, tenho certeza, que estão para vir eu estou dividida entre estudar e chorar. Se um bebê caga, chora e come, eu, , estudo e choro.
– Você come e caga também. – Dani fala dando uma risadinha ao final e olho para ela com um mini sorriso. Nós nos encaramos por um momento tentando ficar sérias, mas não aguentamos por muito tempo e acabamos por gargalhar. – Eu vou te ajudar a seguir em frente. Pensa em alguma coisa que queira fazer e vou realizar seu desejo. – Ela fala empolgada.
– Eu quero sorvete de flocos. – Respondo. – To com fome e sorvete é a melhor comida para sair da fossa de acordo com filmes e fanfics clichês.
– Além do sorvete, que mais?
– Não sei.
– Vamos sair então… Uma festa! – Ela se levanta da cadeira e abre meu guarda roupa, mexendo em meus vestidos. – Você precisa estar esbelta e sexy, mas sem ser vulgar.
– Não sei se sair para uma festa seja a melhor solução. – Comento enquanto me sento na cama, encarando-a sem muita animação.
– Claro que é, . O ENEM que você queria já passou, o vestibular da Federal é daqui 2 semanas e sei que você já deve ter estudado tudo o que vai cair e, de acordo com a minha filosofia, o melhor é sempre dar-se o prazer para curtir um pouquinho da vida e relaxar em alguns dias. O melhor para se fazer agora, é sim, ir em uma festa e se embriagar… – Ela para por um momento como se tivesse se lembrado de algo e olha para mim. – Mas com moderação, viu, gatinha.
– Okay, então… Você procura um lugar então. – Falo para ela e no segundo seguinte meu celular toca, avisando que havia chegado uma notificação.

Oiiii, .
É a Amélia da festa a fantasia.
Como vc ta?
Espero que esteja bem.
Seguinte
Queria te convidar para ir à slainte semana que vem.
Topa?
Uns amigos tão querendo combinar
e falaram que poderíamos convidar quem quiséssemos
e lembrei de ti por um acaso
Pode chamar aquela tua amiga para ir se ela quiser tbb
Se quiser, me avisa que coloco já o nome de vcs na lista
É no sábado, daí vamos chegar às 20h para tentar não pegar tanta fila e conseguir entrar de graça kkkkk
Bjs

***
Segunda semana

Estávamos no meio da pista de dança cheia de pessoas. O pub estava bem agitado, mas era de se esperar já que em todos os fins de semana era lotado. Havia ido junto com Dani, que estava mais animada do que eu para esse dia. Os amigos de Amélia eram pessoas maravilhosas e estávamos todos dançando loucamente uma música que nunca havia escutado, mas que tinha uma batida contagiante.
Já era, se não me engano, o terceiro copo de caipirinha que estava tomando. Por conta disso já sentia meu corpo mole, como se meus sentidos começassem a não responder aos meus comandos, porém, até o momento me sentia bem.

– Migaaa… Vamos lá fora comigo? – Dani fala bem perto de mim, para que eu conseguisse escutar ao tempo em que um remix de Drag Me Down da One Direction começava a tocar através das caixas de som que estavam praticamente ao nosso lado.

Eu apenas assinto e ela já pega meu pulso e seguimos em direção a área aberta do local.

– Eu estou com vontade de tequila agora. – Ela comenta. – Você vai querer?
– Tequila?
– Sim, você nunca tomou? – Ela para de andar assim que chegamos na fila do mini caixa que tinha no quiosque no fim do espaço. Nego. – Então vai tomar agora.

Não retruco e nem falo nada, pois já estava em um momento onde aceitava qualquer bebida que ela me desse. Pagamos por dois shots de tequila e esperamos ao lado o barman entregar os copinhos, sal e limão. Vejo Dani beber tudo e misturar com o sal e o limão, fazer careta e partir para o próximo.
Olho para os meus e apenas bebo sem pensar nas consequências.

Já deveria ser mais do que 1 hora da madrugada e minha cabeça doía um pouco pela música alta e constante juntamente com o álcool que havia bebido. Estava sentada nos bancos da área externa do pub, enquanto Daniele beijava um amigo de Amélia. Outras pessoas do grupo estavam por perto, mas não estava com vontade de interagir com ninguém.
Respirava fundo como se quisesse segurar alguma coisa, mas não sabia o que era. Por um momento, mesmo que eu estivesse rodeada de pessoas com quem havia passado as últimas horas junta, eu me sentia sozinha. Provavelmente estava muito embriagada. Olhava para os lados tentando achar algo que pudesse me distrair, mas de um era em direção ao interior do espaço onde haveria um aglomerado de pessoas e uma música altíssima, do outro tinha minha amiga com um rapaz.
Olhei para o casal ao meu lado mais uma vez e eles estavam conversando, rindo e se beijando. É estranho ficar encarando a amiga enquanto ela se pega com outra pessoa, mas no momento tudo o que veio em minha mente só se focou em uma pessoa: Daniel.
Eu estava num loop onde eu não conseguia superar ele e me odiava por isso. Pois qualquer mínimo detalhe ou coisa que eu via, era capaz de eu me lembrar dele.
Involuntariamente, sinto lágrimas grossas descerem pela minha bochecha e quando me dou conta estou em pé, indo em direção ao banheiro feminino. Ninguém vem atrás de mim.
Felizmente não havia fila na entrada do banheiro e melhor ainda, havia 1 espaço vazio, que foi onde eu entrei, tranquei a porta e me encostei na divisória.
Eu estava chorando muito. A respiração estava acelerada.
Como eu consegui chegar a esse ponto? Já havia conversado e desabafado com minha amiga mais de mil vezes sobre meu ex-namorado. Tentava seguir em frente, mas horas depois parecia algo impossível de se realizar. Eu não queria que isso fosse nosso final. E não deixaria.
Pego meu celular que estava preso na minha cintura e vou clico nos contatos. Daniele havia me dito para apagar o contato de Daniel, mas não consegui, então o número dele ainda estava salvo.
Olho para a tela do meu celular por longos segundos e mesmo meu cérebro falando que não, quando percebo, já estou com o telefone encostado na orelha e escuto-o chamar.
Chama uma, duas, três vezes. Quando começa a bater a consciência do que estava fazendo alguém atende. Devia ser quase 2 horas da manhã, ele poderia muito bem estar dormindo, o celular provavelmente no silencioso já que era fim de semana e ele gostava de dormir até tarde. Não era sempre que ele ficava acordado após meia noite, principalmente no início desse semestre, já que ele tinha uma rotina definida de estudos já que queria muito conseguir uma vaga na UFPR. Portanto, quando escuto o toque de que a ligação foi atendida, me veio a surpresa.

– Alô?

Era uma voz de uma mulher.

CAPÍTULO 9

This is a shout out to my ex
Heard he in love with some other chick
Yeah, yeah, that hurt me, I’ll admit
Forget that boy, I’m over it
NOVEMBRO
Quarta semana

As últimas duas semanas foram cheias de, vamos dizer, emoção. A cada momento aparecia alguma coisa para me preocupar ou simplesmente ocupar minha mente. Agora, era literalmente a reta final do colégio. Adeus, ensino médio. Apesar de eu estar feliz por estar terminando essa fase de minha vida, sabia muito bem que o pior estava por vir e que a faculdade não seria nem um pouco fácil. No início da semana havia saído o resultado do vestibular da PUC-PR. EU PASSEI!!! Apesar da felicidade de ter conseguido passar em uma faculdade, ter ido no tão sonhado banho de lama junto com as amizades que também tinha passado, eu decidi não fazer a inscrição. Havia sido uma decisão que tomei juntamente com minha mãe, pois apesar de todas as emoções e momentos que havia passado durantes as últimas semanas, consegui manter focada nos momentos sérios e que tinha as horas de concentração que eram importantes para meu futuro; o que eu queria mesmo, desde o princípio era conseguir alguma bolsa em uma universidade pelo PROUNI ou tentar entrar em uma das públicas da cidade pelo SISU.
Mas e a Universidade Federal do Paraná? Infelizmente não passei na primeira fase por 2 questões incorretas. Me frustrei muito e a tristeza se juntou com a tristeza pós-término de namoro. A cada dia eu tentava e me esforçava muito para criar uma nova, uma pessoa diferente que tentava ser forte, independente do que estivesse acontecendo. Muita coisa aconteceu e esse ano foi uma bela de uma montanha russa, cheia de altos e baixos que acabaram por passar em uma velocidade altíssima, que quando percebemos, já acabou.
Eu estava deitada na minha cama, enquanto Dani estava na cozinha conversando com minha mãe, provavelmente fazendo uma pipoca de chocolate que a minha mãe sugeriu. Me ofereci para ajudar, mas ela recusou falando que eu iria queimar a pipoca se colocasse 1 pé na cozinha. Estava tentada em concordar com ela, pois eu era um desastre na cozinha e sempre queimava pipoca quando fazia, então simplesmente fiquei quieta, deitada em minha cama de casal, olhando para o teto. Estava definitivamente em um momento de reflexão da minha vida, onde passou um filme sobre tudo o que havia acontecido nos últimos tempos e o que me levava a estar neste momento onde estava.
Uma das coisas que tentava ao máximo não pensar era no acontecimento de 2 sábados atrás quando fui à Slainte. Uma menina havia atendido o celular de Daniel, quando eu, claramente em um estado anormal meu, liguei para ele em plena madrugada. Quando escutei a voz feminina do outro lado da ligação, entrei em estado de choque e não consegui falar nada. Por um momento até considerei que ela pudesse saber que era eu, mas quando ela perguntou quem era, baixou na mente que muito provavelmente ele tinha apagado meu número de sua lista de contatos.
Ele havia seguido em frente e eu estava lá… chorando por ele.
Na semana seguinte, descobri que ele estava namorando outra menina. Lilian era o nome dela, a mesma que havia visto com ele no shopping dias depois do nosso término. Daniele, minha amiga, foi uma das melhores pessoas no momento já que me distraia ao máximo e me apoiava ao máximo para tentar seguir em frente; tanto que era por causa disso que ela estava em minha casa nesta noite.

– Voltei! – Escuto Dani entrando em seu quarto e me levanto, sentando-me na cama cruzando as pernas enquanto bato palmas de animação, pois com a comida chegando iríamos começar nossa maratona de séries.
– Finalmente, eu estava já pensando que quem tinha queimado a pipoca era você.
– Ha ha ha, engraçadinha você, . – Ela revira os olhos e se encosta na cabeceira da cama, pegando o controle remoto e colocando na Netflix. – Vai ser Modern Family mesmo?
– Sim!!! – Respondo e vou até seu lado e aproveitando e pegando um punhado de pipoca, colocando algumas na boca.

Já havíamos assistido uns 6 episódios da série e apesar de cada um deles ser ótimo, estávamos a começar a nos distrair. Eu encarava a TV sem realmente prestar atenção no que se passava, a mente não conseguia associar legenda com cena, então estava tudo uma mistura onde a visão chegava a ficar embaçada. Olho para meu lado e vejo Dani entretida com o celular e as vezes dava risada de alguma coisa e voltava a mexer no aparelho.

– O que você fica vendo nesse celular que é tão interessante, Daniele? – Pergunto depois de um tempo olhando para ela.
– Ai, miga. – Ela começa a falar e logo ri. – Eu baixei o Tinder nessa semana e tem cada cara gato, mas também tem os engraçadinhos que colocam na bio umas coisas muito aleatórias. Olha aqui.

Ela me passa o celular e vejo na tela a bio de um tal de Jorge, de 21 anos e que estuda na UFPR.

“Sou capricorniano, mas não sei o que significa isso, mas se você for aquela pessoa que gosta de saber, fique a vontade.
Estudo Psicologia, pois sou louco e futuramente posso ser louco por você”.
Encaro o celular por alguns segundos e depois começo a rir.

– Que isso, Daniele? – Devolvo o celular para ela rindo. – Desde quando você está querendo achar alguém?
– Desde sempre, . Preciso achar o amor da minha vida, vai que ele está no meio desses machos aqui? Sei que deve ter algum que preste e não vá partir meu coração em milhões de pedaços. Você deveria criar uma conta, . Vai que damos match na mesma pessoa?! – Ela fala empolgada e eu apenas dou risada.
– Não, obrigada, mas eu quero ver mais disso. Passa para o próximo. – Me aproximo dela para acompanhar a jornada atrás do “amor da vida” dela. – Esse é bonito. – Falo depois que ela passa alguns e para em um tal de Tiago, 25 anos, e Dani clica para lermos a bio dele.

“BOSS: eu mando e você obedece”
– Credo, , olha a pessoa que você acha bonita. – Dani exclama após lermos a bio dele. – Tem 25 anos e está se apelidando de daddy sugar.
– Eu lá ia saber! – Falo rindo muito depois. – Não se julga um livro pela capa.
– Vai te catar. Os homens mais velhos, alguns são bem babacas assim. Os melhores são os mais jovens, mais perto da nossa idade.
– Esse aplicativo não é para maiores de 18 anos? – Pergunto desconfiada. Ela me olha como se a resposta fosse óbvia. – DANIELE!
– Ai, , não é como se eu fosse sair com algum deles. Baixei só para ficar zoando e perder meu tempo vendo uns homens por aí.

No momento em que ela termina de falar aparece uma notificação de que havia um match novo. Dani clica na notificação e a tela muda para o chat com o novo match dela. Rivon, 19 anos.

– Que diabos é Rivon? – Pergunto quando vejo o nome do ser.
– Eu dei like nele só por causa da bio e ele é bonitinho também, . Olha aqui. – Ela fala e mostra as fotos do garoto. De fato, ele era muito bonito.

“Era isso ou enviar um SMS com a palavra amor para 48022”
Leio o que estava escrito e começo a rir pois era algo bem cafona, apesar de ser bem engraçado.
Ficamos um bom tempo mexendo no aplicativo, dando deslikes em muito e likes em poucos, e mesmo assim quando Dani dava um like em alguém, imediatamente aparecia na tela que havia dado um match. Não que ficássemos surpresas, já que o perfil dela havia fotos maravilhosas de minha amiga e quem rejeitasse ela seria mais burra que o próprio burro do filme do Shrek. Quando paramos para dar uma respirada, vemos que já se passava das 2 da manhã e como se fosse um choque de realidade, eu bocejo.

– Ta tarde. Vamos dormir, . Não aguento mais ver foto de homem na minha frente. – Dani fala enquanto coloca o celular para carregar na cabeceira de minha cama. Concordo e simplesmente entro debaixo das cobertas, reclamando que estava frio em pleno fim de novembro, onde já começava a esquentar moderadamente.

Neste pouco tempo em que fiquei vendo caras e mais caras com Dani, mesmo sendo algo supérfluo, parece que tudo em volta havia se dispersado e eu esqueci completamente de tudo o que envolvia outro certo alguém. Vendo que existia diversas pessoas, pareceu que o mundo é bem mais amplo do que aquilo que eu vivia e imaginava, já que praticamente criei uma bolha, um mundo só meu, onde eu não consegui olhar para ninguém. Passar esses últimos dias praticamente colada com minha amiga, sair um pouco da minha zona de conforto, conhecer outras pessoas, mesmo que eu não estivesse vivendo o momento completamente, acabou porque, neste exato instante eu percebesse que eu não estava sozinha e que poderia viver realmente. Sem ficar às custas de um ex-namorado.

– Dani. – Chamo por minha amiga que parecia estar já dormindo, mas precisava conversar com ela.
– Hm. Que foi?
– Você me ajuda com uma coisa? – Pergunto e viro de lado para olhar para ela. Ela abre os olhos e aguarda eu continuar. – Eu preciso me livrar de tudo o que me lembre de Daniel, de verdade. Não aguento mais e hoje foi finalmente o dia em que eu percebi e que bateu a consciência de que eu tenho que seguir em frente. – Enquanto eu falo, vejo que ela vai arregalando os olhos aos poucos. – Se ele seguiu em frente em pouco tempo, porque eu não posso também, né? – Quando termino de falar ela dá uma risadinha.
– Pouco tempo não foi né, querida. – Ela fala e reviro meus olhos. Sei que demorei até chegar aqui, mas pelo menos estou tomando uma iniciativa de seguir em frente. – Mas eu te ajudo sim, quando acordarmos, a primeira coisa que iremos fazer é juntar todas as coisas que você tem guardada que ele te deu ou que lembre dele e vamos queimar.
– Você está louca! Minha mãe vai achar que é bruxaria. – Comento com os olhos arregalados, achando estranho o que ela sugere.
– Não é sua mãe que fica queimando erva pela casa quando quer espantar o mau olhado? – Ela olha para mim falando algo óbvio pois ocasionalmente minha mãe fazia realmente isso e eu sempre achava estranho. – Ela vai entender, . Não se preocupe. Eu já vi em algum lugar que é preciso queimar aquilo que te lembre de alguma pessoa que você não quer mais saber, pois daí queima toda a essência que ela te trouxe e literalmente some da sua vida. E, você pode pensar que semana que vem é nossa tão aguardada formatura e que depois desse dia você não vai precisar ver o querido Daniel nunca mais. Ele não conseguiu passar na Federal? – Assinto. – Então…. certeza de que ele vai passar na segunda fase, daí vocês acabam por estudar em faculdades diferentes e prontinho… Esquece do passado.
– Até que você tem razão, não tinha pensado nisso. É só aguardar até a formatura e então nunca mais.

CAPÍTULO 10

Just stop your crying
It’s a sign of the times
Welcome to the final show
Hope you’re wearing your best clothes
DEZEMBRO
Segunda semana

O ano de 2017 estava finalmente acabando. Parecia que eu tinha vivido uma vida inteira em todos estes dias, já que muita coisa havia acontecido e sem pensar muito, demoraram para chegar até este momento, o agora. Comecei o ano como se nada demais iria acontecer. Aproveitando as férias de verão e aproveitando a vida, fevereiro veio e uma das coisas que se passavam por minha cabeça era o fato de ter mandado uma foto particular para o crush da época. Surpreendentemente, acabamos por fazer um trabalho escolar juntos, o que provavelmente havia sido planejado pelo professor. Esse trabalho havia sido o início de uma reviravolta em minha vida, já que lá pelo último dia de encontro com a minha dupla, do nada havia dito que gostava dele. O que era muita verdade, naquele tempo. Acho que a minha maior surpresa, dias depois do ocorrido, mesmo tendo chorado e ficado me remoendo escutando músicas românticas da Taylor Swift, ou seja, praticamente quase todas, foi que o sentimento era recíproco; tanto que, no dia do meu aniversário, depois de ter chegado atrasado, no meio dos parabéns, Daniel havia me pedido em namoro. Estava nas alturas, já que o sonho de namorar alguém, principalmente se esse alguém fosse a pessoa que eu gostava muito desde o primeiro ano do ensino médio, se tornou realidade. Foram semanas maravilhosas onde me transformei em uma outra . Houve um amadurecimento, já que a vida virou em algo completamente desconhecido, onde eu só sabia a teoria de “namorar”. Daniel era tudo o que eu sonhava e tudo o que eu queria. Até chegar o maldito dia da festa.
Dói um pouco lembrar o que havia acontecido. Terminar um namoro nunca é fácil, principalmente se houve um mal entendido e a pessoa que terminou não quis saber de explicações. Hoje, não sentia nada mais por Daniel. A parte ruim ficou pra trás e as únicas memórias eram as boas. Ele seguiu em frente e eu fiz o mesmo.
Na última semana havia sido nossa tão esperada formatura, então agora eu estava finalmente formada do ensino médio. Ensino superior, aí vou eu. Foi um dia muito legal para se lembrar, minha família estava lá, algumas amigas de fora do colégio também foram. Eu estava feliz e Daniele estava junto para celebrarmos aquele momento juntas. Se tudo desse certo, iríamos estudar na mesma faculdade também, então sabia que minha amiga nunca iria sair do meu lado e, por tudo o que ela fez por mim, eu não sairia do lado dela.
Algo que aprendi ao longo de todo o ano, foi valorizar as amizades. De aproveitar cada segundo que eu passava ao lado de quem eu gostava. Daniele era a prova viva de que as amizades nunca iriam embora e que, não importa o momento, seja ele bom ou ruim, ela ainda estaria lá. Até mesmo com Daniel, meu ex-namorado, ele foi meu amigo também, foi uma das melhores pessoas para se estar ao lado, mesmo que nosso final não tenha sido o melhor.
De qualquer forma, meu atual eu estava na melhor forma possível: feliz. Fiz várias amizades nesses últimos meses e uma das pessoas que apareceram e que eu iria levar para o resto de minha vida era Amélia. A garota da festa que havia me ajudado a me embebedar pós término de namoro e a que havia sido uma das pessoas a me incentivar a seguir em frente. Tanto que, agora mesmo estava a caminho de sua casa, pois havia sido convidada para um churrasco com os amigos dela. Seria um peixinho fora d’água, já que a maioria já estava na faculdade e eu nem em uma estava matriculada, mas apesar disso, estava indo pois me sentia bem e isso era a única coisa que importava no momento.

– A CHEGOU!

Assim que chego, sou recepcionada pela anfitriã que logo que aproximamos do fundo da casa, que havia mais umas 5 pessoas, que eu já conhecia devido ao último rolê. Pelo fato de ter poucas pessoas, vou a cada uma para cumprimentar adequadamente. Daniele não iria vir, já que havia viajado com os pais para a praia, então seria um ambiente completamente diferente para mim, pois quase sempre, em situações novas como essa, estava sempre acompanhada de minha melhor amiga.
Um dos amigos de Amélia, Gabriel, estava fazendo o churrasco e às vezes aparecia no meio da rodinha que havíamos formado para oferecer pão de alho, linguiças ou umas asinhas de frango recém feitas. O espaço era muito agradável, ao ar livre, com uma área grande e o sol iluminava tudo. Melhor do que isso era impossível.
Apreciando o momento, eu estava muito confortável. Era incrível perceber que, mesmo não conhecendo aquelas pessoas direito, tendo saído apenas uma vez com elas, eu estava bem. Nem parecia que eu era a mesma pessoa do início do ano, que era quieta e tinha medo de estar em situações assim. A sensação era tão boa que estava completamente relaxada.

O pessoal estava conversando sobre os momentos embaraçosos da vida de cada um, trazendo as memórias do passado, de quando eram crianças e as vergonhas eram tão quanto vergonhosas como eles passavam atualmente. Eu apenas ria de cada um, já que não tinha nenhuma memória boa para contar, mesmo assim ria bastante, o suficiente para que nem percebesse que a campainha da casa havia sido tocada, a anfitriã havia levantado e que agora aparecia com uma nova pessoa no recinto.
Aparentemente, os outros estavam animados com a presença do outro, fazendo brincadeiras sobre atraso ou coisa do tipo, mas, para mim, o mundo havia desacelerado. O menino em minha frente possuía algo diferente, que não sabia explicar direito, apenas estava encantada e completamente fascinada com ele. Provavelmente estava pagando papel de boba na frente de todos os outros. Não sabia quem ele era, mas era muito bonito. A pele bronzeada, o cabelo castanho bagunçado, os olhos escuros e até mesmo as pintinhas no seu rosto. Era a definição da palavra charme em pessoa. Acompanhava seus passos enquanto abraçava e cumprimentava cada um, tomando cuidado com o violão que estava em suas costas. Estava o encarando que quando percebi, já estava em minha frente.

– Oi, sou Luan.

Sua voz era doce de se escutar e tão harmoniosa, que parecia um anjo falando. Para não parecer uma louca, dou um sorriso com um pouco de vergonha.

.
– Prazer em te conhecer, . É a nova amiga da Lia, né?
– Isso, provavelmente ela não deve ter comentado sobre mim. – Comento dando uma risada.
– Ela falou um pouco. Se você continuar saindo com ela, provável que vamos nos encontrar mais por aí. – Ele fala e aproveita que havia um banco ao meu lado para se sentar e encostar seu violão. Ao terminar de falar, dá um sorriso e no final a única coisa que consigo sentir é meu coração batendo mais rápido.

A partir da nossa pequena conversa, ao nos apresentarmos um para o outro, voltamos a interagir com o resto do grupo. Luan era o típico cara que aparentava ser amigo de todos e possuía uma facilidade em fazer amizades, já que como era o único que eu nunca tinha visto antes, os outros contavam histórias sobre ele e com ele. Eu tinha muita facilidade de me encantar, para não falar apaixonar, por alguém que tinha acabado de conhecer, já que se a pessoa fosse legal, simpática e educada, conquista na hora meu coração. Com ele não estava sendo diferente.
Dava risadas das histórias engraçadas que ele havia passado e ele tentava conversar comigo um pouco mais, para, nas palavras dele, me conhecer melhor. Na presença dele não havia nenhum outro em meu pensamento.

– Ô, cara… Toca algo aí. Trouxe o violão e ta deixando a coisa parada. – Um dos meninos fala enquanto estávamos entretidos numa conversa sobre qual a melhor bebida que existia.
– Pode deixar. – Luan responde e se levanta de onde estava para pegar o violão, abrir a capa e tirar o instrumento. Ele se ajeita no banco, olha em volta e me encara de um jeito que sinto minha espinha arrepiar. – Vai, , escolhe alguma música aí.

Assim que ele fala, eu travo por um segundo. Não sabia o gosto musical dele direito, eu escutava mais músicas internacionais do que nacionais. Na minha percepção, esses caras que tocam violão geralmente vão ser mais fãs de MPB e devem saber de cor e salteado todas as cifras dos maiores sucessos brasileiros.

– Hã… Prefere brasileira? Meu gosto musical é meio louco? – Pergunto, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Estava simplesmente com muita vergonha.
– Pode ser, fala uma que você conhece, vai que eu conheço. – Ele fala dando um sorriso lindo.
– Deixa eu pensar. – Paro por alguns segundos, tentando lembrar de alguma música brasileira que eu gostasse e que é boa para tocar no violão. – Sutilmente do Skank. Sabe?
– É perfeita. – Ele fala dando uma piscada em minha direção e em seguida começa a tocar os acordes com perfeição.

A melodia preenchia o silêncio que havia se instaurado no meio do ambiente. Todos os presentes prestavam atenção em Luan que começou a cantar.

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
A voz dele se encaixava perfeitamente e parecia que foi feita para ele cantar. A letra, de certa forma fácil e repetitiva, era recitada com emoção por ele e o mesmo mal olhava para o violão e sim para mim. Sentia minhas bochechas de certa forma quente, pois com certeza elas estavam vermelhas pela vergonha e timidez que contaminavam meu corpo, já que não estava acostumada a ser encarada assim por pessoas. Juntamente, estávamos no meio de outros colegas, então o desconforto seria um pouco maior. Mas, apesar disso, não queria sair dali ou desviar meu olhar. Parecia que eu estava hipnotizada por aquele ser.

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Quando o refrão chega, todo mundo começa a cantar junto com Luan, formando um coral até que afinado. Eu acompanho baixinho, pois toda a concentração de minha pessoa estava somente em uma coisa. Ele continuava a cada estrofe a me olhar e, no decorrer da música, até me dei o direito de sorrir para ele e dar uma risada, pois a situação estava engraçada.

E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce yeah
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
A música vai terminando e meu coração bate até que mais rápido. O nervosismo de não saber o que estava por acontecer era grande. Era até estranho pensar que aquilo estava indo muito rápido, mas eu acreditava em amor à primeira vista. Ele era legal, tínhamos dado bem um com o outro, achei-o bonito, não era como se ele fosse me pedir em casamento no primeiro dia que havíamos nos vistos.
Ele termina e todos aplaudem.

Por mais alguns minutos ou até mesmo horas, Luan toca mais algumas músicas que o pessoal pedia e o show melhorava a cada segundo. Era como se o mundo fosse só dele e de mais ninguém. Brincava, mudava as letras e todos acompanhavam a melodia cantando cada vez mais alto.
Já havia escurecido e minha mãe havia mandando uma mensagem de texto falando que daqui a pouco iria me buscar. Triste, pois hoje havia sido um dia maravilhoso e que com certeza iria gostar de repetir.

Estava sentada no chão, encostada na parede, um pouco longe do pessoal, já que estava conversando com Daniele por um momento, para atualizar a mesma sobre como estava sendo o meu dia. A mesma havia pirado quando comentei sobre o novo garoto que havia conhecido e trocado uns olhares durante uma música. Olhando meu celular e verificando as redes sociais nem havia percebido a aproximação de alguém.

– Está solitária aí por quê? – Escuto e meu corpo se arrepia ao identificar quem era a pessoa dona daquela voz. Olho para cima e vejo Luan me olhando com um sorriso torto nos lábios.
– Só conversando com uma amiga. – Respondo enquanto vejo ele se abaixando para se sentar ao meu lado.
– Hm… Deveria aproveitar um pouco o momento conosco. – Ele comenta e eu fico em silêncio. – Gostei de te conhecer. – Ele fala e assim que me encara, sinto as minhas bochechas esquentarem. Eu parecia uma adolescente que nunca havia beijado, ignorando totalmente tudo o que havia acontecido neste ano.
– Digo o mesmo. – Consigo responder depois de alguns segundos tentando lembrar como que se respirava ou falava. – Minha mãe já deve estar vindo para me buscar. – Comento aleatoriamente, apesar de que queria que fosse mentira, pois meu desejo maior no momento era de prolongar o dia.
– Que bosta. Vamos então fazer um joguinho entre nós dois enquanto ela não chega, que tal? – Ele pergunta animado, apesar da infelicidade no início.
– Pode ser. O que é?
– Eu falo uma palavra e você fala a primeira coisa que vem na cabeça e explica e vice versa. – Eu assinto, mostrando que havia entendido. – Bolo.
– Aniversário… – Dou uma pausa para tentar achar alguma explicação. – Lembrei do meu aniversário e o bolo estava uma delícia. – Falo dando risada e ele me acompanha. – Música.
– Música? Violão… Eu toco o instrumento e gosto de compor algumas músicas com ele. – Ele responde. – Azul?
– Mar… Me lembra da praia, calmaria e férias. – Respondo animada, pois na próxima semana iria finalmente para o litoral e aproveitar de verdade minhas férias. – Pássaro?
– Pombo. – Ele responde de prontidão e o olho de forma estranha segurando a risada. – Tem um monte lá na Praça Rui Barbosa e lembro de que quando era criança, adorava correr atrás deles. – Damos risada e ele continua: – Festa?
– A fantasia. – Paro por alguns segundos, já que apesar do momento ser de descontração, algumas memórias chatas chegam em mente. – Foi a última que fui e não irei em outra por um bom tempo. – Termino de falar e ficamos em silêncio por algum tempo, enquanto me recuperava. Sentia seu olhar sobre mim, querendo lá no fundo saber o que aconteceu, mas era um assunto que não iria comentar, muito menos com ele. – Faculdade?
– Estresse. – Ele responde e dá uma risadinha. – Já passei muito nervoso com ela, o semestre passado foi um saco. – Televisão?
– Modern… Ai, peraí, é minha mãe. – Escuto meu telefone tocar e quando atendo minha mãe avisa que já estava na frente da casa de Amélia me esperando. – Vou ter que ir embora. – Falo para Luan tristemente e faço um bico. Não queria ir embora, pois queria aproveitar mais meu tempo conversando com ele. Havia conhecido uma pessoa totalmente aleatória, gostado dela e quando temos um tempo sozinhos para nos conhecermos melhor, minha mãe chega para atrapalhar tudo.
– Poxa, estava com cada palavra na cabeça pra lançar para você. – Ele finge um choro. – Mas tudo bem… Eu te levo até o portão.

Assim que ele fala, começamos a nos direcionar até o portão, sem antes eu me despedir de todos os que estavam presentes e agradecer a anfitriã pelo convite. Amélia fala que adorou que eu tinha ido e quando nos despedimos ela manda uma piscada. No fundo da minha mente, queria acreditar que ela havia convidado Luan e certeza havia falado sobre mim para ele, pois não era possível algo assim ter acontecido, parecia que eu estava vivendo literalmente uma fanfic.
Quando chegamos no portão, me viro para ele para, finalmente, me despedir. Não era uma situação para beijar na boca, mas também o que havia entre nós não era algo simplesmente só de amiguinhos. Não era possível só eu ter sentido um clima e ele não tinha cara de santo.

– Então… Tchau. – Dou uma risada pois a situação estava até que constrangedora para mim.
– Espero te ver em breve, ein. – Ele fala enquanto abre o portão para mim. Quando estava quase chegando ao carro, escuto-o me chamar. – Você por algum acaso quer sair durante a semana? – Ele pergunta e coça a nuca, como se estivesse com vergonha. Eu o olho, o coração esquenta e começo a sentir borboletas na barriga. Abro um sorriso enorme no rosto e respondo ele.
– Sim.

Nota da autora: Vocês não sabem o quanto De Repente: EU significada para mim. Todo o processo de amadurecimento da personagem tem um pouquinho de mim e consigo sentir só orgulho dela. Comecei De Repente: VOCÊ como se não quisesse nada, apenas para participar de um desafio de uma amiga e me inspirei no crush da época. De Repente: EU veio para eu mesma seguir em frente de uma forma maior e não viver pelos outros, mas sim para eu aproveitar o máximo a vida. Mas, como apreciadora de clichês que eu sou, apesar de termos criado um ranço grande pelo Daniel nessa história, não vai terminar assim, pois as coisas precisam se resolver, portanto, em um futuro teremos uma continuação, onde já estaremos na faculdade, vivido mil e uma aventuras, mas sempre recordando do nosso passado, pois sem ele não estaríamos onde vamos estar.
Agradecimento especial à minha amiga Gaby Pingituro por ser minha leitora e conselheira, além de me incentivar a escrever e nunca desistir de minhas histórias <3