Donos da Noite

  • Por: Belle Castro
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 1774
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Sinopse: …Com ele estava tudo tão quente, aconchegante, colorido, muito bom. Uma das melhores noites. Não estarei preocupada com nada. Nem com o ruim da vida. Nem com o bom. As preocupações foram embora. Não há nada de ruim. Apenas o bom. Não queria dormir, apenas continuar dançando o som da batida das ondas, da música que tocava no carro próximo a nós. Para que dormir agora, pois quando morrermos iremos dormir por uma vida inteira? Queria aproveitar por uma eternidade, eternizar o momento. Aquele momento. Todos os momentos felizes. Pois nessa noite, fomos os donos da noite. E não há nada melhor do que ser rainha por um dia, ou por uma noite.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Nenhuma
Beta: Rosie Dunne

Donos da Noite

por Belle Castro
A noite caia cada vez mais. O vento batia constantemente em meu rosto fazendo os fios de meu cabelo balançarem no ar. O garoto que estava ao meu lado dirigia o carro com a velocidade máxima permitida. Tocava uma música qualquer no rádio e ele batucava os dedos no volante ao ritmo da música.

– Aonde vamos? – Perguntei.
– É surpresa, já disse a você.
– Estamos indo para o Norte… Vai me levar para o meio do nada? – Olhava para ele esperando que me desse uma resposta.
– Não… mas você vai ter a melhor noite de sua vida. – Ele respondeu com o sorriso que eu tanto amava.

Sem contrariar, apenas olhei para o lado, vendo as luzes da não tão grande cidade que morávamos.
A cada minuto, ficava mais escuro. As únicas fontes de iluminação eram dos postes de luz e das estrelas no céu.
O carro foi diminuindo a velocidade e deu uma pequena chacoalhada. A vista era perfeita. Josh estacionou o carro na beira da estrada, onde muitos carros paravam no verão. Era uma das visões mais lindas que avistei em minha vida. Podíamos avistar Port d’Arco quase por inteira. Um pouco do porto se via mais ao sul e mais a frente víamos os barquinhos com as luzes acessas.

– Gostou? – Ele me tirou dos pensamentos.
– É maravilhoso! Como você sabia desse lugar?
– Andei pesquisando por aí.

Ele vai até o porta malas do carro e de lá tira uma cesta e uma toalha de praia.

– O que é isso? – Digo rindo.
– Piquenique noturno!
– Sério? – O sorriso que estava em meu rosto aumentou. – Que tipo de namorado você é?
– Aquele tipo que ama a namorada. – Ele para do meu lado. – E eu amo a minha. – Ele dá um selinho em mim e solta a cesta, logo estendendo a toalha no chão.

Piquenique noturno com o melhor amigo que alguém pode ter, sob as estrelas e sem nenhuma nuvem a vista. Não há nada melhor que isso. Ou há?
Dentro da cesta havia um pacote com pão de forma, Nutella e duas caixinhas de suco de laranja. Quando Josh tirou-os da cesta, só me restou rir.
Passamos um tempo apreciando a vista e a comida, e, após boa parte da comida ter ido embora, deitamo-nos na toalha e ficamos olhando as estrelas e imaginando como a nossa vida seria em um futuro próximo.

– Estaremos juntos ainda? – Perguntei.
– Se aturarmos um ao outro, acho que sim.
– Como que vai ser quando nos formarmos?
– Daremos um jeito, não se preocupe. Vá que passamos na mesma universidade?!
– Mas e se não? – Olho para ele.
– Não pense nisso agora, Alex! Vamos aproveitar o agora. – Ele se levanta da toalha e dá uma corridinha até o carro. Abre a porta do motorista e em seguida uma música começa a tocar. – Vamos aproveitar essa noite.
– Como? – Me levanto.
– Dançando! Vem cá.

Vou até ele e o abraço pela cintura para que assim começássemos a dançar lentamente, acompanhando o ritmo da música. De um lado para o outro, nossos corpos acompanhavam a música lenta que tocava pelo rádio do carro.

– Não se preocupe com nada. Vamos viver ao máximo enquanto estivermos juntos. Esse é o momento de nossas vidas. Faremos o que você quiser, enquanto eu estiver com você. – Ele sussurra em meu ouvido, me causando um leve arrepio, como sempre.
Quando a música acaba, nos separamos e olhamos um ao outro com sorrisos bobos nos lábios.

– Não vamos ficar parados aqui! Entra no carro, pois não acabamos nossa jornada! – Ele diz indo pegar as coisas no chão.
– Tem mais? – Digo entrando no carro.
– Claro que sim. Achou que sou romântico ao máximo ao ponto de não ter uma diversão?

Ele começa a dar ré e logo pegando a estrada ruma a cidade. Ligo o rádio para que o momento não fique tão silencioso com o silêncio da escuridão. Começa a tocar uma música conhecida por nós. Ele me olha com os olhos transmitindo uma sensação muito boa e começa a cantar a música a plenos pulmões. Dou uma gargalhada e me junto a cantaria. Em meio as notas, os risos tomam conta de nós. A vista do porto se torna mais plena a cada segundo e metro percorrido. Era aos arredores de lá que a vida noturna existia.

 

***
As casas e lojas passavam como um borrão em minha vista. Sabia que já se passava da meia-noite, mas eu não me importava. Não sabia onde estava indo, mas estava tudo bem. Contando que Joshua estivesse comigo, estaria segura.
A rua principal estava cheia de pessoas e carros, mas conseguimos achar uma vaga em uma rua paralela. Com o carro já estacionado, descemos do mesmo e fomos caminhando perto da praia que ao nosso lado se encontrava. A caminhada foi pouca, mas o lugar que estávamos prestes a entrar era o melhor que alguém podia ir.

– PortKê? Sério?
– Não podia deixar esse lugar passar, não é?

Entramos no karaokê mais famoso da cidade, ou melhor, o único karaokê da cidade. Sempre lotado, com pessoas de todas as idades, cantando todos os tipos de músicas existentes. Nunca houve uma reclamação sobre o lugar. Sempre muito bem elogiado por seus frequentadores de todos os dias, até os visitantes que passavam pela cidade a caminho das outras mais famosas.

Mal tive tempo de apreciar o interior do estabelecimento, pois logo sou puxada pelos braços até o balcão que pedíamos a música que queríamos cantar.

– Escolhe uma. – Josh pede.
– Qualquer uma? Mesmo?
– Sim. É seu aniversário.

Em meio de tantas músicas listadas no livro, encontrei uma que transcrevia a noite que estava tendo.

– Número 953, por favor. – Falei para o carinha responsável.
– Não podia ter escolhido outra melhor. – Josh falou enquanto íamos para um lugar perto do palco.

Uma mulher cantava uma música que eu apenas sabia o refrão, mas que era divertida. Se passava cada pessoa naquele pequeno palco cantando músicas antigas, que eu apenas conhecia por causa de meus pais, e algumas mais atuais.
Quando chegou nossa vez, apenas esperei que a música se iniciasse para começar a cantar. Josh não sabia muito bem a letra da música, apenas repetia as últimas palavras das frases e fazia sons esquisitos que me faziam rir. No refrão cantamos juntos, ele acompanhava a música pela pequena televisão que passava a letra e eu o olhava. Passando vergonha na frente de muitas pessoas apenas por minha causa.

 

When we are together
 

It’s the time of our lives
 

We can do whatever, be whoever we like
 

Spend the weekend dancing
 

‘Cause we sleep when we die
 

Don’t have to worry about nothing
 

We own the night
Cantávamos a música fazendo-a soar mais divertida do que era. Encenávamos a música dançando juntos. Movíamos o corpo no ritmo da música enquanto cantávamos e não ligávamos para o que os outros pensavam sobre nós dois, interpretando uma música na vida real. Como a música diz: “Don’t have to worry about nothing / We own the night”. Sim, nesse dia nós éramos os donos da noite.

 

***
Saímos do karaokê rindo muito. Tínhamos acabado de terminar nossa apresentação. Nada dura para sempre, mas se eu pudesse, tornaria aquele momento eterno.

– Há algo mais para esta noite? – O olhei e perguntei.
– Só mais um e daí você poderá voltar à seus aposentos reais, minha rainha.
– Rainha? Que honra, meu rei.

Andávamos em direção ao mar, passando pela areia fofinha que, depois de ter tirados as sandálias, escorria entre os dedos de meus pés.

– Sou dono desse mundo. Quer dizer… Somos os donos desse mundo por essa noite. SOMOS OS DONOS DA NOITE! – Ele diz gritando e logo correndo pela areia. Eu apenas ria. – VEM, MINHA RAINHA! VAMOS APROVEITAR O QUE É NOSSO!

Corro até ele quase caindo de cara no chão. Faríamos qualquer coisa enquanto estivermos vivos, enquanto estivermos juntos. Corríamos que nem loucos pela beira do mar. Íamos de encontro às ondas do mar e voltávamos, mas acabamos por não resistir e entramos no mar, com roupas e tudo mais. Parecíamos duas criancinhas, mas apenas estávamos aproveitando o momento enquanto estávamos juntos, enquanto não havia tanta coisa para se preocupar. Poderíamos nos separar quando nos formássemos, mas isto apenas o tempo iria dizer. Mas para que se preocupar com o futuro, sendo que o nosso presente é o melhor? Viveríamos os momentos como se o amanhã não existisse. Não viveríamos os dias como se fossem os últimos, mas como se fossem os primeiros, pois, como meu professor de biologia dizia, o último desanima.

 

***
Já em casa, a cama está gelada por causa do edredom. Não havia contato humano então tudo estava gelado. Acho que é por causa da água do mar. Com ele, tudo estava tão quente, aconchegante, colorido. Uma das melhores noites. Não estarei preocupada com nada, nem com o ruim da vida e nem com o bom. As preocupações foram todas embora. Não queria dormir, apenas continuar dançando a música que tocava no carro próximo a nós. Para que dormir agora, pois quando morrermos iremos dormir por uma vida inteira? Queria aproveitar por uma eternidade e eternizar aquele momento e todos os momentos felizes, pois neste dia fomos os donos da noite. E não há nada melhor do que ser rainha por um dia ou por uma noite.