Essa droga de crush em você

Essa droga de crush em você

  • Por: Tatye
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 5635
  • Visualizações: 3758
  • Capítulos: 8 | ver todos

Sinopse: O carma é definido no hinduísmo como uma reação a boas ou más ações. Para ela, ele era exatamente assim, seu carma particular, principalmente quando se classificava na posição de melhor amigo e quase irmão do seu ciumento irmão mais velho. Como se não bastasse, ainda existia duas mães loucas querendo juntar um casal impossível.
Gênero: Romance
Classificação: +16
Restrição: Sem restrições
Beta: Sharpay Evans

Capítulos:

Prólogo
2019
se xingou ao constatar seu atraso astronômico pelo visor do celular e abriu a porta de uma vez. E embora a mulher não tivesse exatamente culpa do seu atraso, ainda se sentia responsável por deixar o melhor amigo do irmão sozinho e preso no apartamento. Ela fechou os olhos com força sentindo um cheiro que não sentia há uns bons meses, na verdade, a última vez que ela tinha sentido o cheiro daquele tempero havia sido quando sua mãe tinha ido lhe visitar.
Ele não poderia estar cozinhando!
A confirmação veio junto com a surpresa de encontrar um homem incrivelmente lindo, sereno e entretido na sua pequena cozinha, deixando-a imersa na vontade de prendê-lo ali pelo resto do mês quem sabe, ou talvez até do ano. Não era entendível ao primeiro impacto, mas a garota se perguntava como ele tinha ficado tão mais lindo e gostoso ao longo do tempo, embora soubesse que o imenso crush que ela tinha nutrido e ainda perdurava, mesmo que pouco, no melhor amigo do irmão, poderia intensificar ainda mais as coisas.
-Não, não, não, ! – Ela fez um bico de choro bem fingido, enquanto jogava as bolsas no sofá do apartamento. – Eu não acredito!
-O que foi? – O homem lançou um sorriso divertido, à medida que fazia a linha desentendido.
-Eu disse que a gente ia sair! – esganiçou ao ponto de fazê-lo rir. – Desculpa o atraso! – O bico formado nos lábios dela o fez menear a mão, mostrando que pouco importava.
-Não tem problema, a gente janta aqui mesmo! Você já me carregou a semana toda pra lá e pra cá, o mínimo que eu poderia fazer era cozinhar pra gente. – O cuidado na voz do mais velho quase a fez derreter em cima das próprias pernas.
-Você tá trabalhando. Você é visita! – A garota se debruçou por cima do balcão como se ainda tentasse protestar a boa ação dele. Afinal os dois estavam destruídos da semana. – Minha mãe me mataria se visse isso.
-Sua mãe não tá aqui, sua mãe não vai saber! E nem a minha mão vai cair por cozinhar, eu gosto. – Ele riu divertido com a careta que fez. – Mas vai lá, toma um banho, bota um pijama legal e volta. Nosso jantar é aqui! – piscou mais uma vez em um curto espaço de tempo, arrancando um suspiro derrotado dela.
-Sério mesmo que você tá cozinhando? – inclinou de leve a cabeça em uma olhada até mais discreta pelo corpo dele, à medida que se praguejava por desejá-lo tão terrivelmente. Controle-se garota, você não tem mais 15 anos!
-Estou! – soltou uma risada divertida, reparando em como ela tinha olhos tão profundos. Basicamente uma imensidão que ele se afogaria fácil, fácil. Se não fosse a irmãzinha do seu melhor amigo, claro. – Até melhor do que a gente sair, porque aí eu já agradeço pela estadia. – O sorriso foi bonito. – Isso! Jantar de agradecimento!
-Você não existe! – A garota suspirou, finalmente se dando por vencida e o viu comemorar em ter conseguido convencê-la. Os dois riram!
-Existo sim! Estou no mundo há 32 anos. – O homem piscou sapeca, despertando nela a reação mais indiscreta de suspiro e risada, seguidos.
-Sei bem. – Ela passou a mão pelos cabelos curtos e umedeceu os lábios. não iria morrer se ficasse um pouco sozinho. – Eu vou pro banho, já volto. Não demoro! – mandou um beijo alado e sumiu rapidamente pelo corredor, se praguejando por ter pensado tanta sacanagem em uma frase tão curta.
O banho foi mais rápido do que ela planejava, ainda mantendo na cabeça que não era cordial deixá-lo esperando mais tempo depois de ter ficado o dia todo sozinho. Ela colocou um pijama de seda escuro que não estava encaixado em qualquer categoria de sedução, era apenas a roupa de dormir preferida da garota. Confortável, bonita e apresentável até mesmo se tivesse visitas em casa.
-Tchará! – O gritinho da garota preencheu a cozinha, assim como a imagem dela abrindo os braços, trazendo de volta a lembrança de uma menina que ele conhecia muito bem e sabia que aos poucos, tinha sumido.
-Uau! Era pijama, não terninho de gala! – brincou enquanto mexia o molho na panela, fazendo se inflar com o comentário.
-Sério? Achei que era um super jantar, não podia fazer feio. Quer beber alguma coisa? – A enfermeira soltou uma risada frouxa, deixando a entender que ele estava em casa.
-Quero! – levantou a cabeça em busca do pacote de papel na bancada. – Tem vinho na sacola em cima da mesa. – O homem apontou a induzindo a olhar. – Pega, por favor?
-Não acredito que você comprou vinho. – A mulher sentiu a boca salivar só em lembrar do sabor da bebida alcoólica, já se mexendo pra tirar a garrafa da sacola de papel. – SOCORRO! Esse é maravilhoso, eu ganhei de presente uma vez! – Os olhos de brilharam em ver a bebida argentina, uma das melhores que ela já tinha bebido. – Você tem bom gosto! – Ela soltou um gritinho que o fez rir e chamá-la com um aceno de mão.
-Vem experimentar a comida!
-Ainda tenho direito a degustação? Nossa senhora. Você devia voltar mais vezes por aqui! – O convite divertido pulou da boca dela, ainda que a garota ansiasse que ele voltasse mesmo mais vezes e mais íntimo a cada visita, se possível.
-Sempre que der! – O homem piscou. Os dois riram. – Vem provar! – insistiu mais uma vez e ela tomou fôlego da forma mais fingida, andando na direção do amigo. Um ato de cuidado tomou forma assim que o cozinheiro da rodada soprou levemente a massa enganchada ao garfo na intenção de que a comida quente não queimasse a boca dela.
-Que delícia! – Os olhos arregalados denunciaram que o sabor estava magnifico e sem esperar por mais nada, agarrou o rosto dele, dando o beijo apertado na bochecha que fez o homem rir mais do que satisfeito. – Deus, essa massa só lembra a minha mãe!
-Certeza que não tá nem parecida com a dela, mas sabia que você ia gostar! – Ele riu alto com a animação dela e mesmo sabendo que a comida não chegava aos pés da que Lauren fazia, abraçou-a de lado como um ato de agradecimento pelo elogio, completado por um beijo forte na bochecha.
Ela travou com a atitude dele em fazer aquilo, sentindo o baixo ventre se revirar e se praguejando por desejar aquela criatura que parecia ainda mais irresistível a cada ano que passava. poderia muito bem já ter começado ficar barrigudo com a idade, mas não, ele insistia em estar incrivelmente gostoso no auge dos 32 anos.
-Tá bom mesmo? – A curiosidade estampada nos olhos dele a fez acenar freneticamente que sim e logo soltar do meio abraço.
-Maravilhoso! – disse coberta de euforia enquanto colocava o vinho nas duas taças dispostas ao balcão. Era querer demais aquele homem ali todo santo dia? – Eu nem imaginava que você lembrava disso. – Ela tomou um gole do vinho, empurrando de leve o copo pra mais perto dele.
-Me puxei! – O músico soltou uma gargalhada espontânea, carregando a risada dela junto. – Era o mínimo que eu podia fazer! – Ele piscou mais uma vez, despertando vontades libertinas na mais nova ali. soltou o ar pelo nariz e mordeu de leve a boca.
-A questão é que você prestou atenção! Você é unha e carne com meu irmão, não comigo. – A garota explicou a situação o vendo dar de ombros como se aquilo não importasse.
-Você também é minha amiga, . – verbalizou uma das frases que mais tinha machucado a mulher há alguns anos, embora surtisse um efeito bem diferente na presente data.
-Sim, mas a diferença de idade já influiu bastante. – A enfermeira apontou ao tomar mais um gole de vinho, sabendo que aquele era seu fraco nas bebidas. Se quisessem matá-la, era só envenenar uma boa garrafa de vinho Argentino.
-Quando a gente era mais novo, sim. Mas agora passou, , somos adultos. – riu baixo e até meio desconfortável.
-Não vai beber? É uma delícia! – Ela abriu um sorriso cordial ao levantar a taça de vidro, o vendo apontar para as panelas como se aquela fosse a desculpa do século. – Ah para, não é como se você ficasse alterado com uma tacinha boba de vinho. Não faça essa desfeita, Mr. . Se é pra ser despedida, vamos fazer ser despedida!
-Estou ocupado, só se você me der na boca! – A frase saiu bem mais safada e maliciosa do que a intenção, fazendo-a suspirar e logo prender o cabelo no topo da cabeça. Por que vinho sempre dava um calor infernal?
-Mas só o vinho na boca? – O resmungo quase inaudível escapou da boca da moça, enquanto ainda esperava a resposta da proposta brincalhona. – Eu vou ser bem legal com você, vai abre a boca! – riu meio desesperada com a situação e o ajudou com a bebida arroxeada, ficando extremamente perto do corpo volumoso.
-Nossa, uma delícia mesmo. Obrigado! – O homem suspirou tentando não pensar besteira com o corpo da criatura tão perto do seu.
Praguejando-se terrivelmente por em uma fração de segundos ter pensado em se referir a ela daquele jeito. Porra, ! Era a irmãzinha do … que puta que pariu, estava um mulherão, principalmente na personalidade. Quando tinha mudado tanto?
A mulher se afastou rindo com a cantoria repentina do amigo e escorou levemente na bancada, vendo o showzinho se seguir com uma coreografia péssima.
-Que horrível, ! – O grito estrondoso o fez gargalhar e rebolar ainda mais, mesmo que incrivelmente desajeitado. – Virou gogo-boy?
-Vim me apresentar em Toronto, sabia não? – Ele entrou na vibe das brincadeiras, ouvindo-a rir completamente espontânea. Talvez fosse até efeito do vinho nos dois, mas o ambiente estava tão familiar que trazia certas lembranças.
-Mas me conta, gogo-boy. Como estão as coisas por lá? – A mulher tomou mais um gole de vinho e se escorou a bancada, prontinha pra ouvir tudo que ele tinha a dizer.
-Tudo ótimo! – Ele se animou pra responder. – Uma correria imensa, mas que eu não vivo sem. – Um sorriso largo escapou ao se referir a escolinha de música que ele tinha junto com , irmão de .
-E os seus pais? – ela soltou um gritinho tão eufórico quanto. – A Charlotte tinha uma paciência enorme comigo. – negou com um aceno divertido, sabendo que a paciência da mãe dele ia bem mais além do que apenas paciência. Charlotte e Lauren haviam colocado na cabeça a incrível ideia de que os filhos tinham que ficar juntos, não importava como fosse.
Se já tinham juntado um casal, não iam sossegar até juntar o outro!
-Estão ótimos! – Um sorriso imenso surgiu nos lábios avermelhados. – E sentem muito a sua falta, aparece lá um dia! Minha mãe realmente te adora. – fez o convite e ela afirmou com um aceno frenético.
-Pode deixar, quando eu for visitar os meus velhinhos, corro lá pra ver os seus! – disse divertida e os dois riram baixo. – Eu não sei como ela aguentava meu chororô por vocês não quererem andar comigo. – A mulher fez um bico de ressentimento bem fingido. – Nossa, eu era muito chata!
-Hey! – O homem protestou sacudindo a colher de pau. – Não era assim, a gente queria andar com você sim e era chata nada. Chato era o seu irmão com todo aquele complexo de proteção. – A careta veio por parte dupla, por saber que nem de longe precisava daquilo e por pensar que não pararia tão cedo com aquilo.
-Não! Vocês não queriam andar comigo, só aque sempre me amou desde que eu era um filhote. – Eles riram pela comparação e logo ela lembrou de um filhote que já tinha alegrado a sua vida. – MEU DEUS! E A DELILAH?
-Cresceu! Tá velha! – O homem gargalhou com a expressão indignada da mais nova e desviou da rolha que voou no meio da cozinha. – Mais brava do que nunca, fica brava com todo mundo, aposto que até com você se chegar perto dela!
-Óbvio que não! Ela me ama! – deu de ombros com uma expressão convencida e os dois riram mais uma vez. – Você que era um chato. Você e o cansaram de me passar a perna. Eu tinha um ódio ferrado!
-Perdoa o moleque idiota! – inclinou a cabeça de leve, fazendo um biquinho extremamente fofo e que convencia qualquer um. – Mas hoje em dia eu garanto, eu te adoro! – Ele apagou o fogo da comida e aspirando o cheiro gostoso na cozinha, abriu um sorriso imenso e convidativo.
-Que horror! Eu não fiz nada pra você na época. – protestou pra lá de ofendida com a declaração dele, ainda que fingisse tudo enquanto via aquele homem tão lindo montar dois pratinhos com o maior cuidado e carinho. – Por que tanto ranço de mim?
-Não era ranço, . – O bico de súplica aumentou. – Era idiotice de quem se achava O adulto! – disse ao montar o prato dela bem em frente a mulher na bancada, o rolinho perfeito de macarrão com o molho por cima e algumas azeitonas espalhadas, lembrando perfeitamente a dona Lau.
-Eu só tinha 16 anos, poxa! – Ela recebeu o prato com a mesma gratidão que ele havia entregue, aspirando o aroma que lhe atingia em cheio. – Você era um idiota. – A garota riu ainda presa no cheiro da comida.
-Não poderia concordar mais! – soltou uma risada convicta de que ela estava certa.
-Você não é obrigado a me ouvir te xingar! – A mulher tomou o resto do vinho na taça e sem mais demoras, os dois sentaram a ilha na intenção de comer aquele macarrão que estava com uma cara ótima.
-Mas passou. – O homem deu de ombros e realmente ele estava certo, mas se tinha passado, ela poderia contar o que movia a situação, certo? Claro que podia, os dois eram adultos, no máximo iriam rir alto e verbalizar o fato de tanta devoção ter sido ridículo. – Agora você pode gostar de mim, eu presto. – Uma grande garfada no macarrão foi dada, o deixando com as bochechas bem maiores do que o habitual.
Ela respirou fundo e ao ajeitar a massa no garfo, tomou fôlego pra falar.
-Deus, eu sei que eu vou me arrepender disso pro resto da minha vida. – fechou os olhos com força e antes que provasse da comida, soltou: – Mas porra, , eu tinha um crush desgraçado em você!
De repente a cabeça do homem que estava baixa e concentrada em comer, levantou de uma vez com as bochechas maiores ainda e uma expressão de espanto que ela nunca tinha visto na vida. engoliu tudo que estava na boca de uma vez e fez uma careta horrenda por, com certeza, ter passado rasgando na garganta.
-Chega a ser ridículo! – completou o tiro, vendo o homem tornar a ficar verde.
-O quê? Em mim? – Ele piscou já entrando em completo pavor com aquilo, embora risse meio desesperado. Céus, será possível que todas as brincadeiras sem sentido da sua mãe tinham um fundo de verdade? Droga, , olha o que você tinha feito a garota passar!
-É, tapado! Em você. Não ri que a coisa é séria! E era tão descarado que sua mãe percebeu. – sacudiu a cabeça pra mostrar o quão aquilo era óbvio.
-Minha mãe não percebeu! – O esganiço saiu desafinado. – Você gostava de mim…? – O mais velho riu completamente desacreditado daquilo, ainda que seu subconsciente gritasse que ela estava sendo sincera.
-Eu era apaixonada por você, ! – Ela arregalou levemente os olhos, vendo-o perder ainda mais a cor rosada dos lábios. Será que já dava pra ficar em alerta pra RCP*? – E a Charlotte percebeu sim, ah se percebeu! Na verdade, eu acho que ela tem dó de mim até hoje, por causa disso. – soltou uma risada espontânea em lembrar do quão idiota era, mas não ouviu o melhor amigo do irmão fazer o mesmo.
colocou a mão no peito e tentou concentrar na respiração, não dava pra desmaiar ali. Uma, ele era um homem feito e podia muito bem lidar com a situação, principalmente porque tinha que agir com maturidade igual a . E duas, ela tinha falado tudo no passado, não é como se um mulherão daqueles continuasse com aquela visão infantil perante a ele.
…? – A enfermeira chamou um tanto receosa e recebeu o olhar meio apavorado do homem que procurava a taça de vinho vagando por ali. – Era algo infantil, eu era uma garota idiota. Você, melhor amigo do meu irmão, lindo, legal, me dava atenção… mais clichê minha vida não podia ser. – ela tentou explicar a situação e o viu virar a bebida toda de uma vez. – HEY! Vai com calma! – esticou as mãos, ponderando se tinha feito certo em contar aquilo. Talvez não, mas já era. – Era da idade, relaxa! Era fase, o sabe de tudo isso!
sabe? – O grito indignado surgiu juntamente com a careta desgostosa. – Eu vou matar aquele cara! – O resmungo saiu entredentes, tão bravo quanto ele estava com o amigo por nunca ter sequer mencionado aquilo.
-Não, você não vai matar ninguém! – Ela esticou as mãos, já mergulhada na convicção de que não deveria ter aberto a boca sobre aquilo. – Enfia no juízo que você sabendo ou não, não iria mudar nada em como você me olhava, . Ia apenas causar um afastamento entre nós dois.
-Que droga! Que vergonha, . – Ele choramingou enfiando o rosto nas mãos e causou uma risada alta na, então, amiga. – Não ri! – O esganiço se fez presente.
-Qual é? Ia ser pior se você soubesse, veja meu lado! – A mulher soltou uma gargalhada estrondosa pelas expressões do amigo. – Isso tem uns oito anos, não dá pra não rir.
-Mas eu fui um grande idiota com você! – O homem movimentou as mãos como se aquilo fosse deixar seu desespero mais aparente. – Me desculpa, . Sério, eu era um idiota. – O pedido saiu meio suplicante quando ele agarrou as mãos dela, na tentativa que o pedido surtisse total efeito. A mulher soltou uma risada parcialmente construída em desespero com aquela enxurrada de gentileza.
-Não exatamente! – sacudiu as mãos dele na tentativa de tirar aquele peso horrível do peito. Talvez ela nem devesse ter tocado na droga do assunto, principalmente quando a pena estampada na cara do lhe dava ânsia. – Você não era um idiota comigo, só não me dava bola. Eu tinha 16 anos, meu Deus. Que bom que você nem me olhava, sério! – Mais uma tentativa frustrada de fazê-lo não se sentir tão mal e o homem se deu por vencido, soltando uma breve risada.
-Passou, . O importante é isso. – O mais velho dos irmãos, disse com certo alívio na voz e ao se esticar sobre a bancada, beijou a testa da amiga com todo carinho habitante nele. Ainda que seu cérebro gritasse pra que ele deixasse de ser um tapado e consequentemente, de vê-la como uma garotinha indefesa.
-Eu sei que sim! – A garota tomou fôlego. – Então relaxa. Você não ia andar de mãos dadas comigo pra cima e pra baixo. Sua idealização de namoro na época era muito diferente da minha.
-Nisso você tá certa, provavelmente eu não ia mesmo. – Ele coçou a cabeça meio impaciente em começar a pensar em tudo aquilo. Sua cabeça iria explodir!
-Nós estávamos em fases diferentes a vida. Você era atrativo por ser mais velho e, teoricamente, menos babaca que os garotos do colégio. O que acabou sendo mais. – riu ao ver a cara de bunda presente nele. – Eu queria um namorado de revista e você queria uma garota pra sexo. Não encaixava. – Ela deu de ombros e o viu suspirar frustrado.
Como raios a situação tinha chegado aquele estado e ele sequer tinha percebido? Aquilo era culpa da mania horrorosa de Charlotte e Lauren em querer juntar os filhos a força.
-Você sabe que é verdade! – Ela acusou e o homem fez a maior cara de dor.
-Infelizmente, eu sei.
-Céus, eu deveria ter ficado calada. Não achei que você fosse ficar assim. – A garota soltou uma baforada de ar, enquanto se enchia com o macarrão que estava tão gostoso.
-Não, não deveria. Talvez sim, mas agora já era! – bebeu mais um grande gole do vinho e decidiu que era hora de mudar a postura. Parecer assustado e apavorado não iria resolver nada, só deixar chateada pela incrível falta de reação.
O dono da escolinha de música largou tudo do seu lado da bancada e sem mais demoras, percorreu o pequeno espaço até , abraçando-a com força de lado. Ela aproveitou o momento fofinho e o abraçou fortemente com os dois braços, ouvindo um grunhido engraçado sair da boca do amigo como se ela fosse alguém extremamente fofinho. Feito isso, a mulher gargalhou.
-Não se magoa com isso. Eu entendo perfeitamente o seu lado! – A frase acompanhou a risada, o fazendo rir junto e escorar perto dela na bancada depois de beijá-la na cabeça.
-Desculpa o retardado do seu amigo? – O bico surgiu manhoso nos lábios dele.
-Para! Eu estou me sentindo uma vaca! – fez outro ainda maior. – Faz séculos, tem mais nem graça. Relaxa!
-Mesmo assim, eu quero ser perdoado pela amiga mais linda que eu tenho! – O bico de quase dobrou no queixo, fazendo-a arquear uma das sobrancelhas muito bem feitas.
Ah qual é? Linda? Ele podia fazer melhor que aquilo. Se aquela brincadeira já tinha começado, que ela fosse até o fim com os devidos elogios que merecia. Embora ela tivesse superado bem toda a história, nunca era tarde demais pra ouvir dizendo que ela havia crescido e não era mais uma garotinha.
-Eu sei que você pode fazer melhor. – A mais nova dos piscou ao cutucar a barriga do outro, se praguejando miseravelmente por fazer aquilo e sentir o abdome durinho daquela peste. – Amiga linda você tem de monte!
, … – ponderou o afronte dela quase gritando que o elogio que ele queria dar, ele não podia.
-Coloca a culpa no vinho e faz que nem eu quando falei da minha queda por você. – A mulher arqueou a sobrancelha sem se dar conta do teor da frase e completou: – Eu quero ouvir você dizer que eu cresci.
-E como cresceu! – ele suspirou meio desesperado com o tom malicioso que tinha saído da sua boca. – Tá gostosa pra caramba!
-Oi? – a mulher quase encostou o queixo no chão ao ouvir aquilo saindo da boca dele. estava mesmo falando aquilo? Socorro! Ele só poderia estar bêbado. Quando ela mais esperava um mulherão, ele soltava que ela estava gostosa.
-Você… – Ele apontou sem perceber com quem estava falando. – Tá gostosa! – E ouviu uma gargalhada estrondosa, a gargalhada mais característica da garota. – AI MERDA! – arregalou os olhos querendo se matar pelo momento e findou caindo na risada com ela, até remoer o assunto e finalmente perceber algo que havia passado despercebido. – Espera… – o vincou as sobrancelhas. – Você disse que tem uma queda por mim?
-Eu disse tinha, ! – Ela frisou bem o passado que era pra ter sido esboçado. – E eu esperei “mulherão” sair da sua boca, não você me jogar na cara que eu era gostosa! – encarnou a pose ofendida pra tentar mudar de assunto.
-Você disse tenho! – foi firme, ignorando a mudança parcial de assunto. Ah que ele ia tirar aquele assunto a limpo, oh se ia.
-Tinha. – A mulher mudou a postura brincalhona, afinal quem sabia dos sentimentos dela era ela e se ela dizia que tinha passado, é porque tentava acreditar naquilo todo santo dia. Óbvio que não tinha mais qualquer devoção esquisita pelo cara, mas uma queda por aquele maravilhoso homem, ela tinha.
-Você usou no presente! – Sério que ele iria começar analisar os tempos verbais nas frases? era professor de música, não de gramática. Ainda que fosse pedagogo.
-E o que diabos você quer que eu faça? – abriu os braços como se aquilo fosse o intimidar e rapidamente viu a postura do amigo mudar, ganhando um ar completamente proibido.
Que Deus a perdoasse, mas a mulher seria capaz de mantê-lo em cárcere privado até que satisfizesse todos os seus desejos mais reprimidos, principalmente quando envolvia os dois pelados e embolados fossem em uma cama, sofá, banheiro ou até em cima daquela bancada. Céus, quando a casa tinha ficado tão quente? E o mais importante, quando havia chegado tão perto ao ponto de estar quase entre suas pernas?
-Que você me beije. – O sussurro saiu envolvente demais ao ponto de fazê-la fechar os olhos só pra ouvir a voz baixa. Sentir a mão que já deslizava sob sua cintura, ansiando colar ainda mais o corpo dos dois naquele pequeno espaço na cozinha.
-Você quer que eu te beije? – teve forças pra retrucar, mesmo com aquele cheiro envolvente e amadeirado do perfume dele tão perto de si. Era questão de tempo até que ele agarrasse sua nuca e a deixasse molinha?
-Quero que você me beije. – O pedido baixo vibrou nos lábios dela, não restando outra opção a não ser beija-lo.
Os dedos sorrateiros tomaram a nuca dela sem qualquer pudor, deixando-a completamente rendida ao jeito que os lábios e a língua dele se moviam em sua boca. Talvez fosse a ideia de que tudo aquilo era proibido, mas nunca tinha experimentado um beijo tão bom na sua vida e o mesmo vinha de . Era assustador pensar em tudo que já tinha acontecido e perceber o quanto os dois estavam atracados no meio da pequena cozinha, mas era maravilhoso na mesma proporção, não parecia errado e muito menos fora de contexto. Simplesmente, o jeito que os corpos dos dois se encaixavam e ficavam a vontade no meio daquele beijo era algo certo e até familiar demais. O homem apertou ainda mais a mão entre os cabelos da nuca dela, sentindo-a quase enfiar as unhas em seus braços como se o puxasse ainda mais pra perto do corpo. Que não inventasse de o abraçar também com as pernas, ou a merda estava feita, não seria qualquer esforço colocar a mulher em cima da bancada da cozinha e dar seguimento a algo que já começava a lhe fazer falta.
Ela mordeu a boca dele, puxando o lábio do cara entre os dentes e ouviu um suspiro sofrido de quem não estava gostando nadinha de ter perdido a linha do beijo. soltou uma risada desesperada até certo ponto e tentou respirar fundo, mas teve seus lábios capturados em mais um beijo faminto, dando a entender que o homem não queria parar tão cedo. E na verdade, nem ela queria, mas sabia que provavelmente aquilo atingiria níveis péssimos e era melhor não acabar com uma maravilhosa convivência.
… – O pequeno chamado acompanhado de uma mão aberta no peito enorme dele, fez com que o homem respirasse fundo e frustrado ao mesmo tempo, ainda passando o nariz e os lábios nos dela. – Eu não quero que você sinta pena de mim, ou qualquer coisa do tipo… porque não vai acontecer. – Ela manteve os olhos fechados e respirou aliviada em saber que ele tinha entendido só pelo enrijecer do corpo.
-Ei , olha pra mim. – pediu ao segurar o rosto dela, virando pra direcionar ao seu.
-Eu não quero que você perca seu tempo e sua paciência comigo porque eu disse isso e você se dói por nunca ter notado nada na minha época de adolescência. Eu não quero nada que não seja 100% real. – Ela abriu os olhos claros e brilhantes só pra ver a expressão arrependida e dolorosa dele, restava saber se por ter sido um cara idiota na adolescência, ou por ser extremamente sensível agora. era um enigma dos mais engraçados de desvendar. – E não adianta dizer que é real, não tem como algo ser real depois de uma hora de conversa e um deslize meu.
-Eu não estou compensando nada, . Na verdade, eu estou disposto a tentar!
-Não! – O grito esganiçado da garota desencadeou uma reação de susto nele, das mais engraçadas, inclusive. – Não encarna o espirito daquelas duas, pelo amor de Deus! – A garota suspirou meio exausta com aquilo tudo. Ela não deveria ter aberto a boca grande, não deveria ter dado abertura e muito menos ter beijado , mas a merda já estava feita mesmo!
-Você tem certeza? – O homem fez carinho no rosto dela, fazendo com que a mulher acomodasse ainda mais o rosto contra sua mão.
-Absoluta! – soltou um esganiço mais do que óbvio.
Não dava pra ser criança àquele ponto, principalmente quando sabia que nada daquilo iria ter futuro se continuasse. era um dos tais caras que ela não se envolveria apenas por diversão. Por que? Ele tinha uma carga pesada demais do seu lado, mais conhecida como Charlotte e ela outro peso gigantesco, que também atendia por Lauren.

Parte um: Um passado que a gente deveria enterrar

2011 - Oito anos antes

A Delilah é minha também!
A garota de 17 anos riu com alguma coisa que a melhor amiga da mãe havia falado e balançou de leve as mãos ao olhar o corredor dos quartos de e . A moça era sua amiga desde sempre, não ligando em nada pra diferença de idade que as duas tinham. Enquanto estava com 22, fazendo faculdade e fingindo, ainda que vergonhosamente, namorar com , irmão de , pra agradar duas loucas que atendiam por Lau e Lottie, a mais nova estava no fim do colegial, decidindo sobre fazer faculdade ou não, pra possivelmente sair de casa, e ainda nutria uma paixão ferrada e platônica pelo melhor amigo do irmão e irmão mais velho da amiga.
Poderia não ser tão complicado se não fossem a mãe dela e a dele fantasiando até o casamento dos dois juntos. sacudiu a cabeça afastando todos aqueles pensamentos mais bobocas do mundo, era completamente esquisito gostar tanto de alguém que nem parecia notar ela. Mas ah, ele não se importaria de descer pra comer bolo também, se importaria? A garota apostava que não e com o convite mais furado do mundo em mente, a moça se preparou pra chama-lo na porta do quarto, mas ao invés disso, sua atenção foi presa por um bichinho muito fofo, que parecia bem bravo ao lutar com um tênis velho.
DE QUEM ERA AQUELE CACHORRINHO BEBÊ?
-Ai meu Deus! Que fofinho! – O gritinho dela despertou a atenção do bichinho, que parou de uma vez de morder o sapato, ficando a postos pra o que quer que fosse. arregalou os olhos, se segurando pra não o assustar ainda mais e sentou pertinho do Chihuahua. – Oi fofinho! – A mão dela se aproximou devagar e logo a moça conseguiu fazer carinho na cabeça do cachorro, o fazendo deitar no chão de barriga pra cima.
sorriu encantada com a fofura do pet e não tardou a sentar no chão para brincar com o pequenino, que com certeza, era dos irmãos . Uma pena sua mãe não deixar ela ter um cachorro.
-Você já tem nome? – A pergunta saiu em voz bem boba, fazendo o chihuahua abanar o rabinho, mesmo que estivesse deitado no chão. – Socorro! Você é menina! – riu alto ao se deparar com a descoberta da vez. – Você é muito lindinha! Quem te trouxe pra cá, coisa fofa? – A vozinha de criança saiu uma das mais engraçadas possíveis, quando ela estava adorando transbordar seu amor por aquele bichinho tão pequeno.
-Delilah! – A voz de sobressaiu em todo o corredor, fazendo o estômago da garota contrair e revirar ao mesmo tempo. O quão ridículo era aquilo? Seja menos criança sua, idiota! – Delilah, cadê você? – O rapaz chamou pela nova companhia mais uma vez e finalmente teve uma resposta, ainda que trêmula.
-Tá brincando comigo! – fechou os olhos com força ainda tentando se controlar na tremelica sem sentido.
? Oi! – O rapaz sorriu largamente ao abrir de vez a porta do quarto. – Achou a pestinha? – riu levemente, fazendo as bochechas ficarem salientes e a garota quase infartar com a fofura, embora se praguejasse por aquilo.
-Não tem problema né? Estava brincando um pouquinho com ela. – A moça fez carinho mais uma vez na cadelinha, pegando-a de vez no colo. – Ela é sua, ?
-Imagina, sem problemas! – piscou rapidamente, sem saber que uma simples piscada era capaz de quase matar a pobre criatura. – É minha, sim! Adotei tem 2 dias. – O garoto sorriu pro cachorrinho e agachou em frente a , começando a fazer carinho em Delilah.
-Ela é muito fofinha e simpática! Já lambeu minha cara quase toda! – Os dois riram, ela bem mais envergonhada e nervosa que ele. Por que droga precisava ser tão bonito e abaixar tão perto dela? – Delilah o nome, certo?
-Sim, Delilah! Ela estava brincando com meu tênis?
-Sim, sacudindo esse treco fedorento! – A garota fez uma careta bem fingida e ouviu o melhor amigo do irmão soltar uma gargalhada mais do que espontânea.
-Não é fedorento!!! – retrucou em protesto.
-Você tem chulé! – esganiçou como se sua vida dependesse daquilo.
-Fica mais fácil de ela me conhecer pelo cheiro! – Ele foi óbvio, arrancando dela a maior careta de nojo existente.
-Que. Nojo! – A garota simulou um arrepio que o fez rir alto mais uma vez. Por que a risada de era tão contagiante?
-Se eu te disser que comprei brinquedo aos montes e ela encarnou em dois tênis meus. Eu posso com isso? – Ele sacudiu de leve a cabeça, ainda com um sorriso bonito pra cadelinha.
-Ela é um amorzinho! – afagou a cabeça da cadelinha, vendo-a se contorcer com o carinho em seu colo. – É verdade que você vai sair de casa? – A pergunta foi direcionada a , à medida que a garota parecia bem apreensiva com a possível afirmativa.
-Não tá fácil convencer a dona Charlotte, mas vou! – Ele afirmou animado, mesmo ainda concentrado na sua futura companhia.
-Vai morar em outra cidade?
-Não, eu só cansei de ser inquilino dos meus pais! – O rapaz deu de ombro e os dois riram baixo.
-Você não é inquilino deles! – A garota usou de um tom de voz mais do que óbvio, principalmente quando mantinha toda a atenção nele, esperando que ele fizesse o mesmo e olhasse pra ela. – E não dá pra ir muito longe, eu preciso ir visitar a Delilah!
-Não vai ser pra longe, ou minha mãe me mata! Então você pode ir visitar a Delilah, a gente vai adorar, não é? – O filho mais velho dos sorriu grandemente, deixando a garota trêmula mais uma vez. Não importava quantas vezes ele sorrisse tão lindo daquele jeito, ela sempre ficaria trêmula e nervosa.
-Ano que vem eu acho que vou morar com a em Toronto. – suspirou um pouco ansiosa e até receosa com a ideia, ainda era um pouco assustador pensar em sair de casa. Ela mordeu a boca levemente ao ponderar a ideia mais uma vez e umedeceu os lábios. – Não sei se quero realmente, mas eu passei, então preciso ir.
-Não exatamente, . Você ainda é novinha, não precisa fazer o que não quer, muito pelo contrário. Ainda tem bastante tempo pra decidir como vai aproveitar e planejar sua vida. – Ele tentou explanar a situação, mostrando que ela tinha bem mais opções do que achava que tinha e mesmo sem a intenção, fez a moça torcer o nariz em dizer que ela era novinha.
-Sem dar uma de pedagogo pra cima de mim! – Ela arregalou de leve os olhos e os dois riram. – Mas eu quero fazer faculdade e fui aceita. Então…
-Sem zombar da minha formação! – protestou sobre a piada e suspirou de leve. – É… pode ser difícil no começo, mas você tira de letra!!!
-Eu espero! – pronunciou meio eufórica. – Você sabe que a dona Lau tá quase expulsando a gente de casa né? Eu e o mal pensamos em sair e ela já planejou destruir todos os quartos reserva pra fazer sei lá o que! – A declaração veio um pouco indignada e o garoto riu alto.
-Se eu tivesse que morar com o , eu também expulsava! – O garoto zoou só pra ver sair em defesa do irmão como sempre acontecia.
-Para! O é maravilhoso. A gente é mais amigo do que irmão, quando ele não surta.
-O problema é que ele surta bastante! – arregalou os olhos só pra confirmar a veracidade da informação e ouviu a gargalhada estrondosa da menina.
-Idiota! – O xingamento saiu sem qualquer licença, fazendo-a perceber que tinha dito merda e se praguejar eternamente por aquilo. Onde já se viu, chamar o garoto de idiota sem mais nem menos? Ela não estava conversando com o , por que raios saía xingando os outros? – Desculpa!!!
-Pelo quê? – vincou as sobrancelhas, confuso com o pedido de desculpas mais repentino que ele já tinha visto.
-Ter te chamado de idiota, mas é força do hábito de fazer isso com o ! – A justificativa veio tão depressa quanto a brincadeira e arrancou um sorriso divertido do rapaz.
!!! – Ele abraçou-a de lado com a maior força, deixando a garota à beira de um colapso. – Não precisa pedir desculpas por isso! Nós somos amigos e amigos são assim! – Outra piscadela surgiu, fazendo entrar em um espiral de sentimentos em que metade deles se referiam a choro por ser chamada de amiga e a outra metade, a alegria pela mesma classificação.
-Tudo bem! – O resmungo animado saiu da boca dela.
-Agora gostei! – A exclamação animada do rapaz mais velho sete anos, veio acompanhada de um beijo apertado e carinhoso na bochecha, que havia causado as reações mais confusas dentro de uma garota tão pequena. Céus, como seria a sensação daqueles mesmos lábios na boca dela?
-Mas eu… – se afastou de uma vez do causador de tanto reboliço, entregando Delilah a ele. – Preciso ir, ou sua mãe desiste de me dar bolo. Eu vim só lavar a mão. – A adolescente bateu as mãos no short e ainda com o estômago revirado, viu encher a cachorrinha de carinho.
-Eu e a bebê estaremos aqui. Né, Delilah? – Ele tratou o animalzinho pequeno como se fosse uma criança e ouviu a risada desgovernada da amiga mais nova. – A gente vai esperar a .
respirou fundo mais uma vez e seguiu direto pro banheiro do corredor, precisava lavar as mãos e acalmar de vez a droga do coração. Deixe de ser burra, garota, ele não é mais do que o melhor amigo do seu irmão, além de ser irmão da sua melhor amiga.

-x-x-x-
Um mês depois

Se arrependimento matasse…
A garota ajeitou a roupa no corpo e sacudiu o cabelo, ansiosa só de esperar que abrisse a porta. O rapaz tinha mudado pra um apartamento próprio há umas três semanas e mesmo perante todos os choros de Charlotte, ela parecia ter entendido que aquilo era de uma imensa importância pra ele, principalmente pelo fato de que o garoto já tinha 24 anos e precisava viver sozinho. entendia bem o lado dos dois e não pretendia ir embora daquela cidade tão cedo, por mais que a vaga na faculdade em Toronto lhe aguardasse, depois que ela não passou nem perto de entrar na McGill.
Ela respirou fundo ao ajeitar o cabelo rebelde no rabo de cavalo e apertou as mãos uma na outra em ansiedade assim que viu a maçaneta rodar, ensaiando na mente a desculpa de ter batido ali tão cedo.
! Hey! – O garoto sorriu e parecia arrumado pra sair. Ela tomou fôlego pra falar alguma coisa, mas só conseguiu sorrir mais e pensar como ele estava bonito.
-Hey!! – A garota arregalou os olhos, mergulhada em uma animação repentina. – Eu! Eu disse que vinha ver a Delilah! Aposto como ela tá morrendo de saudade. – A moça soltou uma risada anima ao ouvir a dele e entrou no apartamento do amigo do irmão, assim que o rapaz deu espaço.
-Eu lembro. E você veio mesmo! – O rapaz riu com a promessa dela. – Mas eu não sei se ela sente sua falta, a Delilah tá sendo bem cuidada! – A cara de cocota convencida surgiu no garoto e os dois riram com aquilo, assim que ele fechou a porta de casa.
-Eu estou meio sem rumo já que acabei o colégio, aí vim ver minha bebê! – fez uma pose ao justificar mais uma vez a visita e se sentindo em casa, começou procurar a chihuahua com a vista.
-Putz, já acabou, verdade!
-Eu adiantei um semestre, na verdade. – riu meio desesperada em saber que tudo estava mudando tão cedo e vincou as sobrancelhas ao começar estalar os dedos. – Mas nem sei se vou mesmo pra faculdade esse ano. Lilaaaaaa!
-Tem que ir, . Vai ser bom, novos ares! – piscou e fez uma careta gigantesca. Ela tinha dado um apelido pra sua cadela? Que? – Lila? Você deu apelido pra minha cachorra?
-Claro que dei, eu disse: ela me ama mais! – A moça riu e pegou o pet no colo, fazendo carinho no pinguinho de cachorro animado. – Não sei, não quero sair de Montreal, mas passei longe de entrar na McGill. – Ela explicou sobre precisar sair da cidade e sorriu pra cadelinha feliz.
-Mas é bom pra gente sair um pouco de casa, . Pensa nisso! – sorriu tentando confortar a amiga, mesmo sabendo que pela cara dela a resposta era negativa.
-Eu vou ver, ! – Ela arregalou de leve os olhos pra ele, mas voltou a brincar com a cadelinha do pelo escuro com branco.
-Ta bom, né? – sacudiu a cabeça negativamente. – , já volto. – Ele sorriu fechado buscando a aprovação da menina, que meneou a mão.
-Tudo bem, você tá em casa! – A moça sorriu até com os olhos e logo sentou no chão pra brincar melhor com Delilah, enquanto sacudiu um osso de borracha e via a cadelinha pular atrás dele, quase brava por não conseguir pegar o brinquedo e rosnando como se fosse parar de brincar daquele jeito.
-Mandy!!! Tá pronta? – gritou no corredor do pequeno apartamento, fazendo a irmã do amigo arregalar os olhos bem assustada. Ele não estava sozinho em casa? Uma garota tinha dormido lá? estava namorando?
A mais nova levantou de uma vez do chão, finalmente soltando o osso que Delilah brincava e sentiu toda a coragem descer pelas pernas, percebendo o quão tinha sido ridícula em procurar uma desculpa pra visitar ele e a cachorra.
-Sim! Só guardando as coisas na bolsa, me avisaram que o Mr. Boone vai atrasar hoje! – A voz doce da garota ressoou pelo cômodo, fazendo o estômago de revirar ainda mais.
-Eu não sabia que você estava com alguém aqui. – A moça se atropelou nas palavras sem saber o que fazer com as mãos suadas de nervosismo. – Desculpa! Eu devia ter ligado antes. Droga, .
-Imagina, ! – piscou brincalhão, chamando a cadelinha com estalos de dedo. – Minha namorada tá aí. Daqui a pouco ela tem aula, aí eu vou levar. Mas como você é de casa, fica brincando com a Lila até eu voltar! – O rapaz disse com um sorriso imenso, sorriso esse que causou algo bem diferente do recorrente reviramento no estômago. – Amor, vem cá!
-Estou indo! Cheguei! – A moça de olhos verdes e o cabelo cor de fogo, natural, chegou sorridente na sala do pequeno apartamento, deixando a garota mergulhada em um pavor gigantesco. – Hey! Tudo bem? – O sorriso simpático se fez presente em ver a amiguinha do namorado ali.
-Hey, tudo bem sim. – A moça prendeu a respiração mais uma vez pra evitar que seu estômago reclamasse da decepção.
-Deixa eu fazer as apresentações… – abraçou Amanda de lado, pronto para apresentar as duas garotas. – Mandy, essa é a . , essa é a Amanda! – ele apontou de uma pra outra, prestando atenção apenas no sorriso imenso da namorada. – É a pequena !
O bolo no estômago da mais nova dos só aumentou, enquanto ela só queria vomitar todo o café da manhã e tinha plena consciência de que se aquele circo continuasse, ela vomitaria.
-A irmã do ? É um prazer! – O grito de Amanda foi de quem já conhecia aquele grupo há muito tempo, tanto os irmãos quanto o mais velho filho dos . Então já namorava ela há muito tempo? – Seu irmão é muito gente boa!
-Sim, eu sou irmã do . – A moça sentiu a garganta parecer um deserto de tão seca. – E também é um prazer te conhecer, Amanda. Eu vim só ver a Delilah, já tava de saída, não vou atrapalhar vocês.
-Eu falei que você pode ficar, ! – O rapaz riu de leve com a insistência dela. – Eu vou só deixar a Mandy na faculdade e nem é tão longe assim. – Ele sorriu mais uma vez e beijou a bochecha da ruiva.
-Eu não posso! – O sobressalto da mais nova chamou a atenção dos dois, enquanto a impulsividade dela a fazia tomar uma das decisões mais loucas da vida. Ela iria pra Toronto sim, e no fim da semana, se possível. – Minha mãe vai me levar pra ver as compras da viagem, então eu não vai dar.
-Eu vou logo tomando café pra ser mais rápido ainda, a McGill não é tão perto, amor! – Ela arregalou os olhos claros e incrivelmente redondos, mostrando a tamanha intimidade que tinha com o garoto por quem era perdidamente apaixonada desde os 15. Sem falar que a perfeitinha fazia faculdade na McGill e a mais nova não tinha passado nem perto de entrar lá. – Pra onde você vai?
-Fazer faculdade em Toronto. – A moça sorriu fechado, à medida que respirava fundo pra não desmaiar.
-Fazer faculdade em Toronto! Não é incrível? – exclamou realmente eufórico com a conquista da menina.
-WOW! Toronto? Que incrível, eu não cheguei nem perto dos classificáveis por lá. – Amanda sorriu feliz pela moça que ela tinha conhecido a pouco. – Parabéns, mesmo! A prova é uma das mais difíceis e precisa de um alto nível de notas pra passar!
-Obrigada, Amanda! – sorriu triste com , mas ainda agradecida pela sinceridade da namorada dele e por mais dolorido que fosse, a garota a sua frente não merecia raiva de ninguém. – Mas eu vou indo, prometi a mamãe que não ia me atrasar. – A moça amassou os dedos das mãos e ao olhar pro chão, viu a pequena Delilah brincar com a barra da sua calça.
-Essa garota é sucesso! – disse rindo ainda abraçado a namorada, de alguma forma ele se sentia realmente feliz pelas vitorias da quase irmã. – Eu vou deixar a Mandy na faculdade, passo lá e te deixo em casa!
-Eu estou com o carro do meu pai, então não precisa. Mesmo! – sorriu fechado e abaixou pegando a cadelinha no colo. – Tchau, Lila! – A garganta quis travar por toda a situação ruim. – Tchau, Amanda. Tchau, ! Espero ver vocês ainda antes de ir pra Toronto. – A moça foi cordial, recebendo sorrisos iguais.
-Nossa, até eu tô emocionado com essa menina indo pra Toronto! Eu sou amigo do irmão dela desde sempre, então imagina… ela é da minha família! – puxou a garota pra um abraço de surpresa que não foi sequer retribuído eficazmente, principalmente quando o jogo de palavras usado não estava fazendo-a se sentir bem. – Se eu não te ver mais… boa sorte em Toronto, irmãzinha!
-Obrigada, vou mesmo precisar. – A pequena frase sem expressão, saiu até meio dolorosa da boca dela. Irmãzinha? Sério, ? Você era tão cego àquele ponto?
-Tchau, ! – A ruiva sorriu de uma forma meiga. – Adorei te conhecer, aparece antes de ir, a Delilah gosta mesmo de você! – Amanda riu divertida. – Eu não posso nem chegar perto!
-Posso levar ela? Eu prometo que deixo ela na sua mãe e você pega ela depois. – cortou as despedidas ao pedir permissão pra levar Delilah pra casa, embora a vontade fosse de sequestrar a pequena cachorrinha.
-Pode! Pode, Claro! – O rapaz sorriu animado e jogou a chave da moto pra cima, mesmo que involuntariamente fazendo entender que aquele era o aviso pra ela ir embora.
-Obrigada! – Um sorriso fechado partiu da moça destruída em questão e sem esperar por mais qualquer contato de despedida, acenou para o casal que era tão bonito e parecia tão feliz ali no meio da sala.
Talvez fosse realmente um grande idiota como sempre tivera pintado pra ela, um cara que não estava nem aí para tanto sentimentalismo. Talvez mais uma vez, seu irmão tivesse coberto de razão com tudo aquilo e Lauren e Charlotte fossem apenas mais duas loucas que não sabiam os limites das relações entre os filhos.

Eu odeio seu maldito irmão idiota!
A garota entrou no quarto respirando fundo, frustrada, brava e decepcionada com o que tinha acabado de acontecer, ainda que soubesse que não tinha o menor direito daquilo. nunca tinha lhe notado mesmo, não ia acontecer àquela altura do campeonato. respirou fundo e apertou o telefone sem fio na mão, enquanto esperava que atendesse ao telefonema.
-EU ODEIO O SEU IRMÃO! – O grito injuriado fez a moça do outro lado da linha tomar um tremendo susto. – Odeio! Odeio com todo o meu ser e eu vou embora pra Toronto e vou sequestrar a cachorra dele!
Ei ei ei ei, fala devagar! pediu confusa com toda aquela gritaria. Desde quando odiava seu irmão? Aquilo era meio doido, pra falar a verdade. – Eu não entendi nada. Uma coisa por vez, moça !
-O seu irmão é um tremendo idiota!!!
É, eu sei.– A mais velha suspirou em concordância com a melhor amiga. – Por que estamos com raiva dele? – O apoio veio em uma frase simples, mas que fez toda a diferença em .
-Porque ele tem uma namorada bonita, inteligente, mais velha e simpática. – O bico de choro rapidamente se formou na boca da mais nova, enquanto a amiga soltava um muxoxo desgostoso com a informação. Ela já sabia que o irmão estava namorando, não fazia ideia de que ainda estava às cegas com aquilo, era praticamente impossível quando exibia Amanda aos quatro ventos. – Você sabia, não sabia?
Você me odeia? – O suspiro frustrado escapou pela ligação, enquanto a irmã de apenas resmungou que não. Bem lá no fundo, ela sabia que não tinha feito por mal. – Ótimo, então eu concordo com tudo, menos em trazer a Delilah. Não dá pra gente morar com um cachorro!
-Deixa eu levar ela! Ela nem gosta da namorada dele! – protestou mais uma vez, pedindo como se a amiga fosse uma espécie de mãe e ao entrar no personagem, a filha mais nova dos , negou como uma. – Eu cuido!
, não dá! – a moça foi ainda mais firme, ouvindo um grunhido de choro bem sentido.
-Eu vou fazer ele comer na minha mão. Pode escrever e ai eu vou pisar nele! – O grito estridente da mais nova causou na amiga uma das reações mais engraçadas e contraditórias, só por ela ser irmã do dito cujo.
IHÁ! ASSIM QUE SE FALA, PISA NO VAGABUNDO!
-Você não tá me levando a sério, . – respirou fundo e se jogou sentada na cama. – Ele me chamou de irmãzinha! – O resmungo baixo veio pegando de surpresa até , que bufou irritada com a capacidade do irmão de ser um idiota aquele ponto.
Ah merda, ! – a garota disse frustrada e até decepcionada com a postura do rapaz.
-Você me aceita aí? Eu prometo que não sou criança e aprendo tudo rápido!
Eu já estou limpando seu quarto enquanto a gente conversa! sorriu encorajadora e ouviu um suspiro grato e aliviado da amiga e possivelmente futura cunhada, mas pelo lado do , quem sabe. Principalmente se Lauren e Lottie continuassem com aquela loucura.
-Eu te amo, ! – declarou imensamente feliz por estar sendo tratada como alguém relevante. – Eu quero crescer! Odeio ser tratada como uma criança, ou como uma pessoa frágil.
Então vamos crescer! – a mais velha incentivou a mudança que viria pela frente. – Você é maravilhosa e eu quero que lembre disso, okay? Também te amo!
sorriu em finalmente entender que ela fugiria de uma vida tão pequena e logo começaria a mudar completamente, pra melhor, se possível. A moça olhou pra cachorrinha brincando no chão do quarto e só aí conseguiu perceber que pra esquecer de vez , ela precisava deixar a pobre cadelinha em paz com o dono desnecessário. Era preciso desapegar de tudo que ainda lembrava o crush, começando por Delilah.
-Eu vou sim! – Ela disse convicta. – Eu vou lembrar disso! Mas preciso desligar e contar a minha mãe que precisamos comprar minhas malas!
Eu quero presente! – o gritinho da mais velha fez as duas rirem. – Beijo, ! Até o fim da semana!
-Beijo! Até! – disse eufórica e não esperou muito pra correr dentro de casa após bater a porta do quarto. – MÃE, EU VOU PRA TORONTO!

Parte dois: O jeito é esquecer tudo isso

2019

Então, eu acho que beijei “o quê” não devia
A mulher tomou fôlego ao bater as unhas médias na pedra de mármore da cozinha e pegou o celular de uma vez. Era melhor ligar prae contar o que tinha acontecido na noite anterior, principalmente quandotinha saído bem estranho da casa dela. O homem parecia bem desconfortável por ter, possivelmente, tomado um fora e não estava digerindo muito bem aquilo, quando a enfermeira pediátrica não via motivo pra que ele estivesse tão retraído.
Oi!atendeu ao telefone e parecia bem animada com a ligação da amiga, principalmente quando a última organização para as bodas estava tirando o juízo de todo mundo.
-Heeey! – O tom condenatório defoi o necessário pra que a outra entendesse que alguma merda ela tinha feito e não era pequena, pelo visto.
Ih, não gostei desse tom não, fala logo!
A garota respirou fundo e mordeu a boca, parando de andar em círculos na sala do apartamento.
-Primeira coisa é que eu odeio o fato de você me conhecer tão bem! – A mais nova resmungou, fazendo a amiga rir convencida. – E a outra é: eu acho que deu merda a estadia do seu irmão aqui em casa!
Ah merda! O que ele fez? Vocês brigaram? Porque vocês brigaram????? – o nervosismo na voz da cunhada fez a mais nova respirar fundo diante da situação.
-Então, sabe que não. A gente tava convivendo que nem adulto até ontem. –mordeu a boca só pra completar seu tom muito culpado. – Aí ele inventou de cozinhar por agradecimento e comprou vinho.quando eu bebo vinho eu fico boca solta!
O que você fez,?
-Eu posso ter falado do crush antigo? – O tom culpado da enfermeira fez a outra bufar, já imaginando a dor de cabeça que viria. – Eu bebi, ele bebeu, a gente entrou em assuntos antigos e eu deixei seu irmão transtornado quando falei que era louca por ele.começou se culpar e aí a merda maior aconteceu…
Espera aí… transtornado como?, me conta!!!! soltou um esganiço nada bonito com aquele diabo de notícia. – PIORA?
-Ele ficou se culpando por algo nada a ver! – A mais nova soltou meio desesperada. – Bom, talvez piore. – Ela mordeu a boca, se sentindo mais culpada do que tudo na vida.
Fala! – O suspiro da Mrs.parecia bem saturado. – Você bagunçou o coitado do meu irmão,!
– Ele me bagunçou bem antes, meu bem!vale tanto quanto eu. Ou seja, nada!
, desembucha logo!
Um suspiro pesado foi dado e logo a enfermeira começou contar o ocorrido:
-A gente meio que entrou em um momento discussão apavorada e eu perguntei o que ele queria que eu fizesse… –mordeu a boca e por mais que não quisesse, um sorriso vitorioso brotou nos lábios dela ao despertar uma pontinha bem pequena e malvada de vingança.
Isso não acaba bem… – A cunhada cortou levemente a frase, já prevendo a bagunça que viria a seguir.
-E eu beijei o que não devia.
VOCÊ O QUÊ,?
-A CULPA NÃO FOI MINHA, DROGA! Ele disse que queria que eu beijasse ele, poxa! Você acha que eu ia recusar? Um homem daquele tamanho que já tinha verbalizado com todas as letras que eu tinha ficado gostosa. Eu não resisti! – A mulher explanou bem os argumentos para o tal beijo, ouvindo uma risada irônica da cunhada.
Realmente, impossível resistir, fato. usou do seu maior deboche, ouvindo a risada alta damais nova. – VOCÊ NÃO TEM 16 ANOS MAIS,!
-E você acha que com 16 eu ia fazer isso? Meu bem, oportunidade eu tive! –riu mais um pouco da postura indignada da melhor amiga. – Com 16 eu via seu irmão mergulhado em uma devoção escrota! Eu era retardada! Agora é diferente, eu vejo um homem maravilhoso que arrastou uma asa imensa pra mim e a gente acabou beijando!
Que merda,! – A Mrs.xingou o irmão como se ele pudesse ouvir e a curiosidade lhe atingiu sobre como tinha ficado a situação depois do tal beijo. – E aí?
-Ele nem olha na minha cara. – A enfermeira pediátrica coçou a testa, tendo plena consciência da merda que tinha feito.
Vocês vão ter que conversar. É impossível vocês ficarem assim nas bodas. Não dá! esganiçou meio apavorada com o provável papelão que os dois fariam na festa da Lauren.
-E você acha que eu não sei? Dona Lauren já deu um jeito de combinar meu vestido com a gravata dele! Qual o problema dessas duas? Elas não se tocam?
Eu juro que tentei intervir, mas me convenceram! soltou uma gargalhada estrondosa com a história que a mãe e a sogra tinham encenado, ouvindobufar, mas logo se dar por vencida, rindo junto. – Elas contaram uma historinha tão linda que eu não quis interferir!
-Ai… –suspirou. – Acho que ele vai chegar meio puto com o, mas você já deixa meu irmão preparado. Só não conta que a gente acabou se beijando, ou vai dar siricotico.
Tá doida? Eu não estou com paciência pra ouvir ele surtando com isso. Os dois que se entendam! Mas sério, você precisa conversar com oe melhorar essa bagunça.
-Eu sei, amiga. Eu sei! E eu vou, prometo. Assim que eu chegar aí, a gente vai conversar e se entender!
Obrigada! Agradeço de coração. – As duas suspiraram contentes com o consenso.
-Preciso ir,! Organizar minha vida depois desse furacão que foi a passagem do seu irmão por aqui.
Tudo bem, cunhada! Boa sorte! desejou energizada com a boa semana que estava por vir e ouviu gritinhos animados.
As duas riram e após se despedirem,prometeu que estaria na Península de Bruce do Norte em algumas semanas, finalmente desligando o celular pra que pudessem organizar a vida depois do acontecimento que mesmo não querendo, respingava em todo mundo.

 

Você é um grande idiota, !

O homem parou a foto em frente à casa da irmã e respirou fundo. Não era possível que tinha deixado tudo chegar àquele ponto, sem falar deque poderia ter dado uns cutucões nele em relação ao tratamento para com.sabia que não tinha feito nada de errado durante todos aqueles anos, mas possuía a plena certeza de que poderia ter evitado muitos constrangimentos, principalmente quando nem imaginava que a irmã mais nova dostinha passado tanto tempo gostando dele.
Bom, entender aquilo tinha sido o mais perturbador durante toda a viagem de volta pra casa.
Ele entrou na casa que osmoravam e por já se sentir em casa, não tocou a campainha ou bateu na porta. Colocou o capacete no sofá claro que decorava a sala da frente e logo ouviu a cantoria do melhor amigo parecer vir da cozinha.
-QUEM É? – gritou de onde estava, fazendo o amigo rir.
! Onde vocês estão? – A pergunta veio com um tom de deboche para zoar os quase, não mais, recém-casados.
-Eu estou na cozinha consertando o liquidificador, sua irmã tá arrumando os quartos! – A informação foi confirmada assim quechegou ao cômodo e os dois se cumprimentaram como os bons e velhos amigos que eram.
O filho mais velho dosencheu um copo com água e logo tratou de sentar na ilha da cozinha, embora estivesse bem chateado com o fato de todo mundo ter escondido dele os antigos sentimentos de. E por mais que ela estivesse certa em defender que aquele era um assunto dela, o irmão mais velho dese encontrava levemente magoado por não ter dado conta da situação anteriormente.
-Como foi a viagem? Deu certo lá na? –perguntou ainda preso ao fio descascado que ele tentava reencapar pra evitar choques futuros. – Ela ainda mora sozinha?
-Não, não. Tem três caras morando com ela! –bufou cheio da ironia, percebendo o amigo virar pra ele e rolar os olhos.
-Por que você é tão idiota? – osacudiu a cabeça.
-Sou seu amigo! – O homem abriu um sorriso irônico e fechou a cara logo em seguida. – Na boa, eu devia realmente dizer pra minha irmã separar de você!
-Me poupa,! – não deu atenção aos chiliques do pedagogo sentado a sua bancada e coçou a cabeça ao procurar a outra fita isolante. – Vai, sem gracinhas. Como foi lá? Como tá minha irmãzinha? Ela sempre fala que tá tudo bem, mas um olhar externo sempre é valido.
-Óbvio que ela está bem,! Quem levou na cara fui eu! –soltou um protesto mais frustrado do que bravo, vendo o amigo virar mais uma vez pra ele, parecendo bem indignado até.
-O que merda você fez, tapado? – O grito desafinado saiu sem demora. – Ela tem 24 anos,! Pelo amor de Deus! É a!
-Eu descobri uma coisa que o tapado do meu melhor amigo, esqueceu de me contar! – Ele soltou bufando de ódio e pulou da bancada, assim que ouviu a gargalhada estrondosa de sobre o assunto. Então era verdade mesmo. – Eu devia dar na sua cara!
-ERA TÃO NA CARA! Você que era cego, cara! – O músico esfregou os olhos por baixo dos óculos e suspirou. –deveria estar muito louca pra te contar isso, sério!
-A gente estava bebendo e ela acabou me contando. – O homem respirou fundo, pedindo paciência pra não esganar o amigo irônico.
-Bebendo? – arqueou as sobrancelhas com aquela confissão.
-Ah, pelo amor de Deus. Ela não pode beber, agora? –rolou os olhos com a superproteção irritante que o amigo tinha para com a irmã mais nova. Era tão complicado entender que ela era uma mulher muito bem resolvida, por sinal. – Sinto informar, masbebe. E não é pouco!
-É a minha irmã! Queria que não bebesse. – Obufou irritado consigo por dar tanta atenção aquilo. – E você depois que bebe não é gente, idiota!
-Ela não pareceu reclamar nadinha! – O jogo de palavras não foi o melhor utilizado por ele e junto ao sorriso, que tinha como objetivo apenas fazer o amigo se irritar ainda mais, distorceu completamente o sentido da frase. A quem ele queria enganar? Era a mais pura vingança por ser um bocó.
-Era só o que faltava na minha vida. O tapado do meu melhor amigo… – perdeu o ar com a notícia e olhou pro teto da cozinha pedindo paciência, ou mataria o idiota do melhor amigo. – QUAL O SEU PROBLEMA?
-QUAL É O SEU PROBLEMA? VOCÊ DEVERIA TER ME CONTADO, DROGA! –enfiou as mãos nos cabelos, bem mais puto do que já estava com a situação. Era cruel demais pensar que ele tinha magoado uma pessoa tão doce como.
-CLARO QUE NÃO! – O outro arregalou os olhos, defendendo ainda mais a teoria de que segredos deveriam permanecer assim, em segredo. – Ver a minha irmã sofrendo por um idiota mais velho já foi bastante! Você ia simplesmente sumir da vida dela,, e todo mundo sabe disso! – Os dois suspiraram frustrados com a afirmação, embora soubessem que era a mais pura verdade. – Não ia resolver se você soubesse! – A voz do mais novo voltou a alterar na conversa, ele ficara tão puto quanto antes só por imaginar que tinha acontecido merda naquele apartamento. – E TRANSAR COM ELA TAMBÉM NÃO RESOLVEU,! – estourou em fúria com sua cabeça ferrada.
-É ISSO QUE VOCÊ ACHA DE MIM? –gritou exatamente no mesmo tom de incredulidade. Ele não estava querendo acreditar no que o amigo acabava de falar e muito menos o outro homem, que tinha desabado na bancada, só de frustração. – Você acha que eu ia ser tão idiota a esse ponto?
O Mr.soltou todo o ar dos pulmões e decidiu que era melhor acalmar os ânimos, ou causaria uma confusão ainda maior do que aquela. Claro quenão valia uma moeda furada desde que ele conseguia lembrar e já tinha feito muita merda, não parava com mulher nenhuma e era o terror dos pais da vizinhança, na adolescência dos dois. Mas ele nem era mais um adolescente, o cara já estava com mais de 30 e segundo ele mesmo, queria mais era sossego na vida. Não ia transar comsem mais nem menos!
-Não, porra! – O músico passou a mão pelos cabelos de tom loiro. – Mas ninguém é santo nessa merda, eu conheço a minha irmã e eu conheço você! – Ele coçou a nuca entrando em mais um estado de pavor por não querer internalizar aquilo. Sabia que tinha uma mania horrorosa de imaginar a irmã como uma criança, mas provavelmente não deixaria de fazer aquilo antes que ela completasse 30 anos. – Na verdade, eu conheço até demais a minha irmã! Inferno!
-Me conhecendo, você sabe que eu não ia transar sem mais nem menos com a sua irmã. Droga, você é meu melhor amigo! E eu respeito vocês! –abriu os braços, mostrando o quão óbvio era o posicionamento dele e de uma forma bem estranha, confortou .
-Eu sei que você não ia fazer isso. Mas ela é uma mulher muito bonita, pro seu governo! – Ele apontou ainda defendendo sua atitude de irmão mais velho e protetor.
-E você acha que eu não sei? –soltou um senhor esganiço sobre a beleza da moça, sabendo que ela era muito mais do que apenas bonita. Ele tinha até verbalizado, na verdade!
-Então foi só conversa e pronto? – olhou incisivo pro melhor amigo, não sabia se acreditava muito na conversa, principalmente por duvidar da irmã, mas queria muito confirmar que tinha sido apenas a conversa desastrosa.
iria rolar os olhos, mas se impediu no mesmo momento que lembrou do beijo enlouquecedor que tinha compartilhado com. Ele estacou brevemente, o tempo necessário pra que ocerrasse os dentes e apertasse as têmporas, pedindo forças pra não cometer um homicídio doloso no meio da sua cozinha.
-E O SEU RESPEITO, CADÊ, CARALHO?
-EU NÃO TIVE CULPA! – Ogritou no desespero, abrindo os braços como se aquilo fosse o redimir da culpa.não era mais qualquer criancinha e pra começo de conversa, ela tinha beijado ele. A convite dele, mas ela quem tinha beijado.
-CLARO QUE TEVE! VOCÊ BEIJOU ELA? – O tom saiu da boca do casado como se aquela fosse a coisa mais absurda de todos os mundos.
-Cara… –passou a mão pelos cabelos, mostrando total e completa impaciência com aquele assunto. – Uma mulher linda daquelas confessando que era apaixonada por mim… você queria exatamente o que, droga? Que eu jogasse baralho com ela?
-QUE VOCÊ SE CONTROLASSE, CACETE! Olha o tamanho da merda que você fez,! – O mais novo sacudiu as mãos como se aquilo diminuísse sua vontade de esganar o amigo até a morte. – Você beijou a minha irmã, mesmo sabendo que não sente porra nenhuma por ela!
-QUEM FOI QUE DISSE? – Osoltou um esganiço imenso com aquela conversa mais sem pé nem cabeça. Óbvio que ele sentia alguma coisa por ela, mesmo que fosse um imenso carinho de amigo, ainda era alguma coisa, certo? – Quem disse que eu não sinto nada? Eu não fui! – O homem bateu no peito, ouvindo o cunhado soltar uma risada irônica.
-E você planeja casar com ela e ter seis filhos? – cruzou os braços com uma das sobrancelhas arqueadas, sabendo bem que tinha ganhado aquela discussão quando viu o mais idiota da dupla bufar derrotado, ainda que mascarasse isso.
-Sinceramente? Vai te catar! –rolou os olhos e se encolheu um pouco mais na bancada.
Não era possível que estivesse brigando com o melhor amigo da vida, por causa daquilo,não era nenhuma inocente e sabia muito bem. Se ela queria, ela fazia e ninguém impedia o furacão que a menina mulher se tornava.
-Não dá pra conversar com você, eu me importo comsim. Eu me senti um merda quando ela me contou tudo e sendo bem sincero, não estou melhor agora! – O suspiro escapou frustrado.
O irmão da moça enfiou os dedos entre os cabelos e respirou fundo. Ele não ia internalizar aquilo mais do que já tinha feito e precisava urgente conversar com a esposa,deveria saber de tudo, no mínimo dos mínimos e provavelmente não tinha contado nada a mando de, ou porque o assunto realmente não desrespeitava a ele.
-Mas você tem a minha palavra,. –suspirou derrotado. – Eu não vou me envolver comse não for 100% real, okay? Não vai rolar se não tiver sentimento envolvido. – A frase de conforto surtou o efeito desejado nos dois, um por ser um irmão ciumento e o outro por estar confuso sobre o que queria com a mulher, então era melhor que fosse assim.
-Espero que seja cumprido. Eu quero zero dor de cabeça, tá me ouvindo? Zero! – O homem apontou pro outro ainda em posição defensiva. – São as bodas dos nossos pais e eu espero profundamente que vocês não causem um desastre!
, não vai acontecer nada! –soltou uma risada divertida, sabendo que aquelas duas iriam enlouquecer o resto dos filhos até o grande dia. – Eu respeito você acima de tudo, a gente é irmão!
-Eu sei que não vai, mas não custa nada ameaçar. – Oabriu um sorriso debochado e os dois caíram na gargalhada, se abraçando logo em seguida pra selar um acordo que ainda causaria muita confusão.
-Minha irmã tá aí? Vou falar com ela! – O pedagogo passou a mão pelos cabelos e viu o melhor amigo afirmar. – Você sabe que se eu vier aqui e não disser ao menos um oi, ela fica louca! Mas se bem que… ela desconta em você! – O sorriso debochado surgiu acompanhado de um encolher de ombros, fazendo arquear ainda mais a sobrancelha. – Acalme sua fera!
-Pode deixar! – O outro abriu um sorriso sacana. – Adoro um sexo selvagem! – A expressão idiota só foi interrompida por uma de dor assim que a mão pesada deatingiu em cheio as costas do amigo.
-MINHA IRMÃ, PORRA!
-AGORA VOCÊ SE DOI? – arregalou os olhos sem entender porque tanta defensiva.tinha beijadoe além do mais, oseram casados, não tinha porquê tanto escândalo. – ELA É MINHA ESPOSA!
-Eu BEIJEI sua irmã, ninguém fez sexo. Menos ainda selvagem. – Ose torceu como se fosse realmente tenebroso ouvir aquilo da boca do amigo. – Caralho, minha irmãzinha…
tem 31 anos maravilhosamente completados, meu amigo. Minha esposa é maravilhosa. – Ele levantou o indicador, deixando bem claro. – Eainda é anos luz mais nova que você, tarado! Ela tem 24!
-Paga mais pau, , tá pouco. – O homem prendeu a risada, vendo um rolar de olhos que precedia uns tapas pra que ele sumisse dali. – 24, jura? – Ele tornou ao assunto da idade da mais nova, enquanto deixava a cozinha pela grande porta e já na sala, gritou: – Garanto que parece mais!
-VOLTA AQUI, SEU CRETINO! – O outro gritou em uma indignação bem fingida, ouvindo as gargalhadas mais idiotas do melhor amigo.
era um belo filho da mãe quando bem entendia, mas conseguia ser um cara incrível na mesma proporção e se ele dizia que aquela era uma promessa, não tinha com o que se preocupar, ele iria cumprir.
…A não ser quefizesse o contrário.

Vem cá! Preciso conversar com você!

Depois de algumas semanas de indecisão, sem saber exatamente comoe iriam reagir a presença dela em Montreal para as bodas conjuntas das duas mulheres mais doidas que ela conhecia,resolveu deixar o receio de lado e viajar logo. Ela tinha conseguido um mês inteirinho de férias e embora fosse sentir saudade das suas crianças da ala de queimados, ansiava fervorosamente que eles fossem pra casa logo.
A recepção na casa dos pais não poderia ter sido melhor, muita festa, abraços, carinhos, chamegos e as melhores comidas que a garota poderia imaginar. Era incrível como estar em casa se tornava tão saudoso, à medida que ela passava mais tempo morando fora, o jeito que os pais e o irmão a recebiam era completamente sem igual, era… esplêndido. Naquela vez tinha sido ainda maior, porque os vizinhos, os pais dee, também haviam feito a maior festa com a chegada da moça, alegando que a alegria estaria completa e que a festa seria inesquecível. Mas se aquela era a maior festa do ano, como a mulher ia simplesmente negligenciá-la? Não ia de jeito nenhum.
Porém, a única pessoa quenão tinha visto naquele bolo, chamava-se. O homem parecia ter sumido do mapa depois do beijo e por mais que a enfermeira suspeitasse que aquilo era obra de um ciumento, ainda acreditava que oestava ainda ressentido pelo beijo no apartamento.
: Conseguiu achar a sandália?
A mensagem chegou vibrando no celular e a moça não perdeu tempo pra responder a cunhada e melhor amiga.
: Achei uma incrivelmente perfeita! Acho que minha mãe vai surtar quando ver KKKKK
: A Lau tá surtando com tudo relacionado a essa festa hahaha
: A tia Lottie não tá diferente kkkkk essas duas vão matar a gente antes dessas bodas
: E você acha que eu não sei? Nós 4 somos os cavaleiros do apocalipse
: KKKKKKKKKKKKKK PORRA,
: É SÉRIO KKKKKK
: Mas ei, a gente vai sair mais tarde. Quer ir junto?
: Óbvio! Vou só em casa ajudar em umas coisas e corro pra aí!
: Vou ficar esperando ;*
: Bejoooo!
Ela colocou o celular de lado, afivelou o cinto de segurança do carro e engatou a primeira, objetivando sair logo daquele estacionamento de shopping. O fluxo de carros àquela hora não era tão intenso, mas ainda assim, necessitava de uma grande atenção de quem estava dirigindo, qualquer horário que você dirigia, merecia atenção. A moça ligou o som do carro na rádio mais famosa da cidade e soltou uma risada divertida ao ouvir um programa de flashbacks que tocava todas as músicas que tinha marcado sua adolescência.
Dois mil e onze parecia ter sido tão perto, mas ao mesmo tempo parecia tão distante da realidade que a enfermeira vivia, talvez fosse apenas um marco de amadurecimento da menina, que agora era uma mulher e tanto. Ela poderia ser considerada sim como impossível, daquelas que vai até o fim pra conseguir tudo que quer, independente do que fosse, se ela queria, ela conseguia.
Um dos semáforos acendeu a luz vermelha, parando um lado da avenida e enquanto esperava o sinal abrir novamente,encostou a cabeça levemente ao vidro, tentando pensar em uma maneira de conversar com, já que ele tinha simplesmente sumido depois que ela havia chegado na cidade. Nem pra comer os biscoitos da dona Lauren, ele tinha aparecido e ainda tinha a cara de pau de alegar ser muito trabalho acumulado na escolinha de música, o que era completamente sem noção, principalmente quando e, sócios do pedagogo, pareciam ter bastante tempo livre pelas férias de verão.
Até que em um lampejo, o dito cujo dobrou a esquina, andando animadamente pelas calçadas das lojinhas de doces, enquanto carregava o que parecia ser uma revista enrolada em cone, nas mãos. Ela riu com o jeito engraçado quese movimentava, sempre como se suas pernas estivessem cansadas demais pra segurar o próprio corpo. Quando mais nova,sempre considerava como um desleixo proposital e bonitinho, usado principalmente para conquistar as garotas. Mas agora, ela percebia que era tão espontâneo como o jeito dele rir, ou de puxar a barra da camisa pra baixo.
PORRA,! PARE!
Não demorou muito pra que ela o acompanhasse com o carro, dirigindo devagarinho no acostamento, o que assustou levemente o filho mais velho dos. A mulher riu da desconfiança dele e baixou o vidro, assobiando pra chamar a atenção do melhor amigo do irmão.deu um pulo ao olhar pra trás, assustado com a cena inusitada, soltando uma risada divertida ao ver que era.
-Hey! – O homem acenou assim que parou de andar e ela também parou o carro, segurando-o ligado em neutro.
-Quer carona? – Ela ofereceu ao desabrochar um sorriso bonito e gentil, embora percebesse certa confusão e pavor em aceitar aquela carona. Óbvio que muita coisa tinha acontecido, mas não significava que aconteceria novamente.
-Não precisa,. –mordeu de leve a boca. – É aqui perto! – Ele apontou pra um ponto qualquer na rua e foi desafiado com uma erguida de sobrancelha.
-Que fofinho! Mas tá mentindo. – A garota fez um bico e os dois acharam graça, quando o homem já coçava a nuca sem saber como recusar. – Estou indo pra casa. Não quer mesmo? – A pergunta foi o bastante pra que ele mostrasse o quão desconfortável estava, à medida que olhava pra rua procurando uma desculpa plausível. – É uma carona,. Você passou uma semana no meu apartamento.
O homem bufou frustrado e se deu por vencido ao entrar no carro, embalado por gritinhos animados.era mesmo uma figura.
-Deixa eu tirar essas sacolas daqui. – Ela pegou as sacolas de papel que ocupavam o espaço à frente do banco e rapidamente se esticou entre os bancos, colocando-as atrás e percebendo o quantoestava cheiroso aquela manhã. O que era aquilo tão viciante? Essência de anjo caído?
-Você comprou um shopping? – O homem soltou a brincadeirinha, virando a cabeça um pouco de lado pra ver melhor a quantidade de sacolas e se praguejou terrivelmente por dar com o nariz quase no cabelo dela.era indiscutivelmente, uma mulher muito cheirosa e que por obra do destino, ele não poderia chegar nem perto. Imediatamente voltou a postura reta no banco, fingindo que tinha algo muito melhor pra verificar no celular, do que ficar se impressionando com o cheiro dela.
-Ganhei dinheiro e torrei ele! – Ela piscou astuta e os dois riram baixo. – Acabei comprando umas roupas legais e uma sandália pra usar nas bodas. Pelo visto, vai ser o evento do ano né?
-Nem me fale! – O homem coçou a cabeça e se recostou no banco como se escorresse por lá. Essa história de aniversário de casamento em conjunto estava tirando o juízo dele, principalmente quandonão tinha qualquer plano de casar, justamente pra evitar aquele estresse.
-Não sabia que você andava a pé! –engatou a primeira marcha, pronta pra sair do acostamento.
-Comi demais no fim de semana. Tem que queimar a gordura! –soltou uma risada espontânea quando afivelava o cinto de segurança e ouviu um resmungo duvidoso da garota.
-Continua do mesmo jeito de antes dessa estrapolada. – Ela alegou e pelo canto do olho, viu o homem dar de ombros. A moça suspirou e com a concentração no trânsito, decidiu que era hora de tocar no assunto e resolver aquilo,não ia pular do carro, no fim das contas, então ia ser obrigado a ouvi-la e resolver tudo. – Por que você me evitou todo esse tempo?
O questionamento o atingiu como um soco no estomago, tanto ao ponto de ele tomar fôlego pra responder. Talvez conseguisse encontrar na cabeça desesperada uma desculpa plausível pra infantilidade dele. Sim, a meta era não se envolver mais daquele jeito com a irmã do melhor amigo, mas não precisava necessariamente ter fugido da garota em todos os âmbitos.
-Eu não estava. Eu… – Ele mordeu os lábios, se praguejando por ter gaguejado. – Trabalhei demais. Muito trabalho mesmo.
riu desacreditada e sacudiu de leve a cabeça, entrando em um dos desvios que voltava ao bairro que os pais dos dois moravam e ela estava temporariamente.
-Muito trabalho é? – A risada solta, mostrou que ela tinha identificado a mentira dele. Benefícios de ter o irmão trabalhando junto com o melhor amigo. – Estava ensinando música pro vento? Vocês não estavam em férias de verão? – A interrogação imensa habitou a testa dela, assim que a mulher desviou rapidamente o olhar pra ele.
-Planejando o próximo semestre. – Ele deu de ombros ao encontrar provavelmente a mentira perfeita. – Ou você acha que é só chegar e tocar?
-Sendo bem sincera? Mesmo? – Ela suspirou frustrada, pronta pra ir realmente direto ao ponto. Não era complicado conversar sobre algo que não deveria ter acontecido, embora os dois quisessem que acontecesse de novo.
Ela ouviu um resmungo de afirmação.
-Achei que você não fosse agir assim. Eu sei que foi uma bagunça lá em casa aquele dia, mas nós somos adultos. – A explicação surgiu cheia de autoridade, assim como a postura da mais nova que mostrava saber administrar bem demais as situações. – Quantas vezes você ficou com alguém e não deu bom? Evitou ela também? –alfinetou o homem que já estava na casa dos trinta, mas começava a agir feito um moleque amedrontado. Ela era uma mulher, não uma serpente. Talvez um pouco dos dois!
suspirou frustrado, reconhecia que estava sendo infantil naquele quesito.
-Desculpa por isso, mesmo. Mas é um pouco complicado pra mim. – Ele afagou o joelho dela na inocência, mas se praguejou terrivelmente assim que tirou a mão. Os dois, definitivamente, não tinham intimidade para aquilo. – Eu sinto que acabei te iludindo,! Principalmente depois de tudo que você me contou.
-Han? – Ela virou com uma expressão de confusão imensa. –, não tem nada complicado nisso! Você não me iludiu! Foi um beijo, só um beijo. – Ela arregalou um pouco mais os olhos claros na tentativa de fazer tudo aquilo penetrar na cabeça dele.
-Eu sei que não, mas…. puta merda!!!!
-Foi seu primeiro beijo? Garanto que o meu, não. – A pergunta cheia de deboche o fez bufar meio emburrado e a garota riu alto. Céus, porque complicar tanto uma ficada? – É só você agir que nem um adulto, não tem complicação nisso. Eu estou agindo.
suspirou se dando por vencido e só aí, conseguiu relaxar dentro daquele carro imenso, que nunca tinha pego, diga-se de passagem, talvez fosse os privilégios de ser a princesinha da família. Que estava agindo com mais maturidade do que ele, no fim das contas. As mulheres tinham fama de amadurecer mais rápido e o homem não poderia concordar mais.
-Eu ainda mato o seu irmão! – O professor de música arregalou de leve os olhos e ouviu a risada estonteante dela, resmungando um “entra na fila”. – Eu sou o primeiro da fila! – Ele arregalou os olhos enquanto apontava pro peito e ela sacudiu a cabeça, mostrando que os dois estavam exagerando naquela história.
O silêncio se instalou vagarosamente no carro e ao invés de ser constrangedor ou desconfortável, foi até engraçado como o clima tinha mudado tão de repente. Às vezes, era mesmo necessária uma conversa pra colocar os pingos nos “is”, principalmente quando dos dois eram amigos de muito longa data.riu de algo que mexia no feed de uma rede social e curtiu a foto de uma ex-namorada, sendo pego de surpresa ao ter a ideia de que a irmã do melhor amigo odiava seus relacionamentos antigos. Será que era? Não arrancava pedaço tirar a paciência dela.
-Hey,? – Ele chamou com a ponta de deboche presente, ouvindo um resmungo de afirmação. – Você fazia voodoo pras minhas namoradas? – O homem prendeu a risada que se transformou em um grunhido de dor quando sentiu a mão pesada dela acertar em cheio a parte descoberta do braço dele, ressoando um estalo.
-Tá me achando com cara de que? – O berro esganiçado fez o homem soltar uma gargalhada imensa. Ela tinha ficado irritada? O garoto brincalhão dentro dele tinha achado aquilo fascinante. – Credo! Eu só conheci a Amanda e desencarnei de você depois dela! – A mulher rolou os olhos mostrando o quão superior estava diante daquilo e só o fez rir ainda mais. – Idiota! Eu não tenho culpa se você não segurava suas namoradas. – A acusação surgiu um tanto maliciosa.
-Eu não tenho tanta certeza disso! – Ele apontou com o indicador, usando o mesmo tom que ela.
-Alguém tinha que não prestar nessa história! – a moça soltou uma risada baixa e por mais que soubesse que na atual situação, nenhum dos dois prestava, precisava jogar a culpa em alguém.
-Se eu prestasse, quem sabe a gente tava casado e com filhos! –deu de ombros, levando a brincadeira do quem presta menos, a outro nível.com certeza ficaria uma fera, a garota não era conhecida por relacionamentos longos e duradouros. Pelo quesabia pela boca da irmã e do cunhado,se encaixava perfeitamente em uma heartbreaker.
-Você e a Mandy? – A enfermaria analisou a situação e chegou à conclusão que sim, eles seriam um casal que daria certo. – Olha, daria bem certo sim!
-Eu e você. – A frase saiu em uma simplicidade tão grande, mal parecia que o homem quase sufocava-se para não rir com a reação que estava por vir. Ele apanharia mais uma vez!
-CREDO! SAI DAQUI, SATANÁS! – A garota gritou, enquanto a mão livre tratava de distribuir tapas no homem que ocupava o carona, ouvindo a gargalhada estrondosa de umque estava dividido entre se encolher e zombar do desespero dela. – Você sabe quantos anos eu tenho??? Eu nem cheguei nos 30! Ainda vou fazer muita merda até lá e garanto que casar não tá na lista!
-Quem disse que eu iria querer? – Ele soltou uma esganiçada engraçada pelos tapas e ouviu o suspiro sensato de.
-Eu não tenho nenhum plano de casar, sinceramente! Casamento é roubada,. Escuta o que eu estou te dizendo! – A moça sacudiu o dedo, ainda prestando atenção trânsito, mostrando muito bem que poderia fazer duas coisas ao mesmo tempo.
-Casamento pra mim, só daqui uns 10 anos! – Ele verbalizou sem dar muita atenção ao assunto, enquanto respondia alguma mensagem do amigo sobre as responsabilidades da escolinha.
-Eu não nasci pra isso! Eu amo criança com todo o meu coração, mas as crianças dos outros. Nada de ser mãe pra mim. –soltou uma gargalhada de deboche. Casamento parecia tão arcaico quanto os conceitos que rondavam a definição.
-Muito menos eu. Pai, no caso. – O homem riu baixo e passou a mão entre os cabelos. – Só espero que osnão descubram isso, os dois estão muito bem juntos.
-Que desastre! Você tem a maior cara de papai do ano. – Ela fez um bico zombeteiro e os dois riram alto quando a moça sacudiu a cabeça rapidamente. – Escuta. Você vai pra casa ou vai passar na sua mãe?
-Só se for dos meus filhos da escolinha! –arregalou os olhos pra justificar bem a tal cara de pai. – E vou passar na minha mãe, ou a dona Lottie surta que eu sou um filho relapso e coisas do tipo.
-Que amorzinho! Ele tem os filhos da escolinha! – O gritinho da garota reverberou agudo dentro do carro, junto ao tapa na coxa dele, deixando o pedagogo até meio assustado com a reação dela mais uma vez. Que intimidade era aquela? – Quero ir lá ver todos os pestinhas que você e meu irmão orientam!
-As portas estão abertas! –piscou assim que o carro do pai deparou na entrada da garagem da enorme casa dosoriginais.
-Entregue, filhote exemplar! – Ela desligou o automóvel e encolheu os ombros, fazendo um bico que tenderia a ser infantil, mas atingiu o amigo ao lado de uma forma completamente diferente.
Ele soltou uma risada anasalada e entendeu que não fazia mal brincar um pouco com a situação que os dois tinham se metido, por mais que sua cabeça gritasse que ele se controlasse com certas brincadeiras que não conseguiria controlar em um futuro próximo.
-Não vou te beijar, não adianta insistir! – O bico foi zoado prontamente.
-Quem falou em beijo? Você quer um beijo? –fez a linha confusa.
-Você vai ser informada com antecedência. –piscou extremamente sinuoso, vendo um sorriso malandro surgir nos lábios mais do que convidativos da filha mais nova dos. – Tchau,, valeu pela carona! – Os dois riram com o clima leve e o homem beijou a testa dela como uma despedida saudável.
-Por nada! – Ela aproveitou a proximidade e o abraçou carinhosamente, saindo do carro quase que simultaneamente.
ajudou-a a retirar todas as sacolas de papel do banco traseiro e, com um sorriso, se despediu com um aceno animado vendo um enorme e brilhante sinal de proibido entrar na casa dos pais.

É sempre uma bela mão conversar com seu irmão

O verão da Península de Bruce do Norte era um dos melhores do país, as manhãs na pequena comunidade de Lion’s Head geralmente eram frescas, mas aqueciam rapidamente antes das 9 ou 10 da manhã, deixando que a população e a leva de turistas que enchiam o lugar e o comércio local aquela época do ano, tão confortáveis e aconchegantes como se estivessem em casa.
e tinham decidido dar mais atenção às atividades físicas que deixavam de lado na maior parte do ano e resolveram correr na orla da praia aquele dia, era uma forma de restabelecer a amizade dos irmãos que passavam tanto tempo longe um do outro. Ela via nele um espelho de amor e carinho a ser seguido e o homem não conseguia enfiar na cabeça que a irmã não era mais uma garota boba. Ele não conseguia entender quese tornara uma mulher muito bem resolvida. O casal de irmãos se dividia entre brincar com o pouco de água potável que ficara na garrafa e admirar a bela paisagem povoada de turistas de um lado pro outro.
-Ome contou. – soltou a frase um pouco deslocada depois de pensar por vários minutos se deveria entrar naquele assunto ou não.
-Contou o quê? –passou a mão no rosto pelo suor da corrida e sentiu que o irmão não a acompanhava. Ele tinha parado no meio do caminho?
parecia estacado pela cara de pau dela em questionar do que diabos ele estava falando.não era lerda assim, muito pelo contrário, fazia a egípcia pra passar bem.
-Como o quê,? – O loiro rolou os olhos azuis brilhantes em uma ironia que a fez rir alto. – Dessa bagunça toda no seu apartamento em Toronto. – Ele movimentou as mãos, finalmente diminuindo o espaço que havia entre os dois.
… – Ela coçou a cabeça meio impaciente. Sabia que não adiantava esconder do irmão, uma hora, algum dos dois iria entrar no assunto. – A gente tava bebendo vinho, eu me exaltei e achei que era o momento de contar sobre essa coisa toda ridícula envolvendo o que eu sentia por ele. – Os dois suspiraram e depois se abraçaram de lado.
-O que ele disse? – O mais velho mordeu a boca, mesmo que soubesse a versão do amigo, queria entender pela visão de.
-Eu achei que vocês tinham tido uma super conversa conceitual de homens adultos sobre isso. – Ela inclinou de leve a cabeça no deboche e os dois riram alto, se acochando um pouco mais no abraço fraternal.
-Eu queria saber a sua versão da história. – O músico mordeu de leve a boca e os dois suspiraram.
-Primeiro ele ficou se culpando horrores por nunca ter notado. – A garota mostrou o indicador, numerando os tópicos da reação. – Se xingou de idiota e confesso que não neguei. – Eles acharam graça. – Aí ele me pediu desculpas por tudo que tinha me feito passar, confesso que fiquei até com pena. Mas no mais, foi tudo bem paz,… a gente conseguiu se resolver no fim das contas. Não foi tão desastroso assim.
-Tem certeza que foi só isso? – O homem arqueou a sobrancelha grossa e delineada naturalmente que dava inveja em qualquer uma. A esposa ainda o ameaçava raspar durante o sono.
arqueou a sobrancelha em rebate na pergunta silenciosa se ele não sabia mesmo o que tinha acontecido. bufou frustrado e rolou os olhos: “Por que raios ele precisava ser tão transparente quando precisava sondar as pessoas? Qual era a dificuldade em saber esconder certas coisas?”
-Eu só sei que vocês não têm segredo na amizade,! – A garota arregalou de leve os olhos. – Nunca tiveram, então eu achei quenão ia te poupar disso, até porque ele parecia bem puto contigo por não ter contado do crush, por mais que fosse um assunto meu. – O homem coçou a cabeça e bateu de leve o pé no ladrilho, fazendo o resquício de areia fina voar em uma nuvem rala de poeira.
-Me garante que não tem mais nada que te faça sofrer por ele? – Ele fechou um dos olhos e a irmã se limitou a suspirar bem saturada.
-Quando você vai começar a me ver como uma mulher,? –cruzou os braços e ao encara o irmão, viu uma careta horrenda decorar a cara expressiva dele. – Eu já repeti isso mil vezes nos últimos cinco anos. NÃO! Eu não sinto nada por, será que é tão complicado entender? – Ela arregalou os olhos claros, ouvindo o resmungo desgostoso do irmão mais velho.
-Então por que você beijou ele? – O esganiço ofendido foi jogado na cara dela e a mulher se dividiu entre gargalhar do jeito ofendido dele e tentar bater no irmão.
-Tá com ciúme,? – Ela abriu um sorriso sem vergonha e viu o rosto dele queimar, possivelmente de raiva. Ele com raiva era algo realmente maravilhoso de se ver e rir.
-Morrendo! – O homem rolou os olhos. Odiava quando ela fazia aquilo pra desviar de todos os assuntos importantes e o mais irônico é que os dois eram exatamente iguais naquele quesito. Mas era como dizia o ditado: dois bicudos não se beijam. – Não desvia do assunto. Ele me disse que você beijou ele, por que beijou então?
-Porque eu quis, ! – Ela sacudiu as mãos a inflou o peito pra cima dele. – Eu quis enfiar a língua na boca do seu amigo e beijar ele. Eu juro que foi o mais puro tesão acumulado e nada além disso. Ele me deu o maior mole e eu, sinceramente, não ia deixar passar! –fechou a boca e pela cara de dor no irmão, percebeu que talvez tivesse pegado um pouco pesado com as palavras.
-Merda! Doeu ouvir tudo isso da sua boca e finalmente me dar conta que você cresceu! – O homem massageou o peito como se doesse fortemente e ouviu a gargalhada dela, acompanhando-a. Os dois se abraçaram novamente eganhou um beijo na cabeça cheio de carinho.
-Eu disse a você que tinha crescido! – A enfermeira pediátrica assegurou rindo e viu o músico rolar os olhos. – Acho fofo seu cuidado comigo, mas tá na hora de dar um freio nisso aí, não acha? – A carinha de pau da moça fez os dois rirem e finalmente,afirmar com o pedido dela.
-Concordo, desculpa por pegar no seu pé durante anos a fio. – Ele pediu com um bico que era impossível de negar qualquer coisa e a irmã estreitou os olhos como se o condenasse pelo jogo baixo.
-Só se você me pagar um sorvete! – A carinha de criança sapeca se apossou das expressões dela, não tardando a acontecer o mesmo com ele.
-Quem chegar a banquinha por último é a mulher do padre! – Um homem, exatamente, um homem de 32 anos correndo igual a uma criança desgovernada na orla da praia era o que estampava a cena, o que só tornava ainda melhor era o fato detambém estar correndo atrás dele como se os dois não passassem dos dez anos de idade.
Ela soltou uma gargalhada entre uma arfada pelo condicionamento físico duvidoso e por um momento, sentiu o vento bater em seu rosto antes de trombar com um corpo maior que o seu. O homem loiro acastanhado de lábios grossos e olhos claros soltou uma risada divertida ao segurarpelos ombros e foi questão de segundos pra ela soltar um gritinho animado ao se dar conta de quem era, logo estalando um selinho inocente nos lábios do amigo. Um ritual antigo e que nem tinha mais tanta estranheza pra quem via.
! – O gritinho da enfermeira foi estrondoso ao ponto de algumas pessoas olharem em volta, inclusive , que parou no meio do caminho e sorriu largo por ser “fã” do cara. Rapidamente ela envolveu o tronco volumoso e foi acochada em um abraço cheio de saudade.
-Eu achei que ia precisar ir na sua casa! – O rapaz sacudiu-a enquanto a tirava do chão e sentiu vários beijos em seu rosto. – Que saudade da minha melhor amiga!
-Eu sei! Estava quase indo descobrir em que buraco você se enfiou, mas minha mãe está me deixando louca com essas bodas! – Ela disse com uma expressão radiante e apertou um pouco mais as mãos dadas.sorriu largamente e beijou o dorso da mão dela.
-Eu estou sabendo dessa bagunça toda, minha banda vai tocar em toda a festa. –arregalou os olhos e comemorou animado, junto com ela. – HEY,! – o aceno se estendeu aos poucos metros.
! – acenou de volta com a mesma simpatia.
-Fala sério! –voltou ao assunto de o melhor amigo tocar na banda e o abraçou mais uma vez. – Então a gente precisa almoçar pra conversar sobre isso! – Ela piscou.
-Amanhã! – Ele instituiu. – E não aceito resposta negativa!
A despedida se instituiu com mais alguns beijinhos na bochecha e após um abraço apertado, cada um seguiu seu caminho na corrida matinal.abraçou o irmão de lado e recebeu a casquinha mista com bastante gosto.
-Vocês deveriam namorar! – soltou como se não fosse algo muito importante.
-Eu sou uma bruxa desapegada, meu anjo! – A mulher fez um bico ridículo e os dois riram. – Minha missão no mundo é beijar homens solteiros e encantá-los.
-Porra,! – O mais velho soltou um berro esganiçado e apertou-a um pouco mais pelos ombros. – Mas vamos? Ou vão nos crucificar por demorar na caminhada, alegando que estamos fugindo do trabalho!
-A gente podia dar um perdido e deixar os filhos dospor conta, na boa!
-Concordo em partes. –rebateu.
-Pau mandado! –mostrou a língua e viu o irmão negar com a cabeça, embora soubesse que ele repreendia a língua mostrada e nunca a denominação de “pau mandado”.

Explodindo clichês

O quarteto fantástico, ou os quatro cavaleiros do apocalipse, comotinha definido no dia anterior, se reuniu na sala do casal mais bonitinho que os outros dois conhecia. Uma barca de petiscos pedida por delivery tinha decorado a mesinha de centro entre os estofados de cor clara, várias garrafas secas de longnecks denunciavam o quanto eles já tinham bebido e as outras cheias por cima da mesa, ou nas mãos, indicavam que o grupo de amigos pretendia beber ainda mais pra afogar as mágoas do cansaço.
Aquele momento entre amigos tinha sido incrível, era maravilhoso finalmente conseguir se inserir no círculo de amizade daqueles três e não ver diferença nas conversas, atos ou piadinhas que rondavam o happy hour. Ao menos pra ela, o universo parecia finalmente alinhado, principalmente quando o irmão e o amigo pareciam ainda ser dois moleques ranhentos com as brincadeiras de mal gosto entre si.
Depois de tanto beber, rir e conversar, o casal da noite resolveu que era hora de deitar, afinal cada um tinha obrigações a cumprir no dia seguinte e lidar com uma ressaca infernal não era lá a melhor opção. Eles acomodaramecomo dava, uma vez que a casa não era muito grande, deixando o homem com o sofá e algumas cobertas e a moça no quarto de hóspedes.
A enfermeira bufou ao ouvir o celular tocando e levantou imediatamente da cama, se era de Toronto, era algo de emergência e mesmo que estivesse de férias, curtindo o efeito da cerveja e morrendo de sono, ela precisava atender. Um burburinho acontecia do outro lado da linha e quando a moça abriu a boca pra perguntar o que estava acontecendo e tentar entender o que o número estranho queria, ouviu um adolescente gritar um pedido de desculpas e rapidamente desligar na cara dela.
-Que mal educado! –xingou mirando a tela do celular e por segundos, se deu conta que há não muito tempo, ela era aquela adolescente chata.
Caminhou pelo pequeno corredor enquanto puxava de leve a barra do mini short que fazia par com um camisão enorme e a deixava confortável pra dormir. ainda era o chato que implicava quando não via a irmã vestida como uma criança e ela não queria mais uma causa pra aquela dor de cabeça chata, além da cerveja.
A moça adentrou a cozinha da casa média, se deparando com um corpo muito bonito e costas definidas, diga-se de passagem, que parecia estar na saga incessante de procurar uma analgésico, talvez. Ah, mas já estava tão velho assim que não aguentava umas cervejas a mais? Ele poderia estar velho, mas com certeza só ficava mais gostoso a cada ano que passava. Céus, que corpo era aquele?inclinou de leve a cabeça pra secar um pouco mais as costas e envergadura do velho amigo, se impedindo de suspirar até que sacudiu a cabeça pra espantar os péssimos pensamentos.
-Te enxotaram do sofá? – Ela alteou o tom da voz e foi questão de segundos até que o pedagogo virasse de uma vez como uma criança que tinha sido pega no flagra. A visão? Bom, ela só ficava melhor!
-Que susto! – O homem sacudiu o cabelo que já estava bagunçado pelas inúmeras tentativas de cair no sono ao fritar no sofá. – O sofá é meu essa noite! –sorriu brevemente e não deixou de reparar na falta de roupa que cobria o corpo da mulher, se praguejando em seguida, inclusive. – Mas vim procurar um remédio. Só que parece que minha irmã não guarda as coisas em lugares convencionais!
-Ih, se automedicando pra quê? – Uma careta de repreensão surgiu no rosto dela. Será que a cerveja já tinha acabado com ele?
-Minha cabeça tá um show de Rock! –arregalou de leve os olhos e os dois riram comedidos pra não incomodar os donos da casa. – Você tem alguma ideia de onde a sua cunhada guarda os remédios dessa casa?
-Claro que sei,! – ela foi bem óbvia em suas palavras, caminhando rapidamente pra bem perto do armário queguardava todas as medicações. – Estou aqui há dias e sei mais onde ela guarda as coisas do que você que mora perto dela. – A mulher sacudiu a cabeça em negação ao ver o descaso com que ele deu de ombros. Que belos ombros, inclusive. – É esse armário em cima da pia, logo atrás dos copos! – A moça ficou na ponta dos pés e quase que involuntariamente,mirou a vista nas coxas descobertas da irmã do melhor amigo.
Só podia ser castigo uma coisa daquelas, de verdade! era um verdadeiro cuzão e o universo lhe odiava mais a cada dia que passava. Ele suspirou com a mão no peito e mordeu levemente a boca ao inclinar a cabeça pra ver melhor.
-Sem zoar o enfermo. – A resposta veio tardia para a provocação dela, à medida queencostava os cotovelos na bancada, disposto a observar e aproveitar tudo que a situação tinha a lhe ofertar. Se bem lembrava,não tinha dito nada sobre olhar. Então olhar ele podia, certo?
-Cheio de ressaca, você quer dizer. Cachaça não é doença, Mr.! –segurou um pouco mais de tempo na ponta dos pés e conseguiu pegar a caixinha com vários analgésicos, que possivelmentetendia a esconder de quando ele decidia beber demais sem motivo.
-Dá na mesma! – Ele suspirou maravilhado com a vista e o rosto encostado na mão. Ela tinha um conjunto muito bonito de pernas e bunda, não era ele quem ia negar e se os dois já tinham resolvido os assuntos “crush em você” e “não sou mais criança”, não tinha problema nenhum em sentir as vontades avassaladoras que ele estava sentindo.
Tão sem vergonha quanto as olhadas dele, foi o ímpeto dela ao se deparar com o homem lhe secando dos pés à cabeça. Ah e quer dizer que agora ele estava finalmente lhe vendo daquele jeito? Quem te viu, quem te vê,. Comeu com os olhos achando que não ia ser pego?
-Perdeu alguma coisa? –A mulher estreitou os olhos ao perguntar na cara de pau o que ele tanto olhava.
-A sanidade e a vergonha na cara. – Ele piscou, embora portasse um sorriso meigo que chegava a encher as bochechas rosadas. Definitivamente,não tinha jeito!rolou os olhos por levar em consideração que ele ainda estivesse sob efeito do álcool e recolheu a cartela amarela da caixinha. – Obrigado! –agradeceu sinceramente pela ajuda, esperando receber a cartela inteira.
-Abre a mão, você vai tomar só um. –segurou a cartela de alumínio, já com os dedos prontos pra expulsar um dos comprimidos da cápsula.
-Me dá a cartela! Um não faz efeito!
-Eu não vou deixar você se dopar com analgésico. Só um,. – O modo enfermeira foi ativado com sucesso, quando ela brigou com ele sobre tomar mais do que era necessário.
-Eu não vou me dopar. Dois! – O filho mais velho dosinsistiu. – Eu sei que eu preciso de dois pra fazer efeito!
-Um, você vai tomar um. – Ela não estava disposta a ceder à negociação e tinha plena certeza que ganharia, mesmo que os dois passassem a noite brigando pela quantidade de medicação. – A praga do comprimido tem um grama.
-Dois! – O marmanjo encarnou a criança birrenta, fazendo a enfermeira pediátrica incorporar sua postura mais do que firme pra lidar com crianças teimosas. Óbvio que o carinho e amor sempre estavam presentes, mas algumas vezes era necessária uma postura mais rígida pra conseguir resolver os problemas.
-Um. Um comprimido e compressa fria, ou é isso, ou vai continuar com o rock na cabeça. – O sorriso meigo se fez presente e o suspiro derrotado detambém. Desde quando ele perdia uma negociação daquelas, ainda mais pra? A cabeça era dele e a dor também, que droga!
-E a compressa, quem vai fazer? Você? – O sorriso sem vergonha apareceu dançando nos lábios do homem, enquanto ela queria rir da cara dele. Quem diria queestaria lhe secando tão descaradamente?
-É o que enfermeiro faz pra cuidar de doente, não é? – Ela piscou ao despejar apenas um comprido na palma da mão dele.olhou pra mão desgostoso e suspirou derrotado ao se encostar na bancada que contornava a pia.
-Também acho. –repetiu o piscado. – É seu trabalho, sua vocação!
-Tapado! – A mulher xingou e os dois riram alto. – Toma a aspirina e eu vou procurar a compressa nas gavetas dessa casa.
-Você que manda, enfermeira! – Ele jogou a capsula na boca e com ajuda de um gole de água, sentiu ela descer rasgando a garganta.
fez uma careta desgostosa pelo incomodo e sacudiu de leve a cabeça como se aquilo fosse melhorar seu estado, mas pode considerar uma certa piora na atenção assim que viuagachada perto da última gaveta dos armários. Óbvio que ela não estava de bunda pra cima, mas as pernas torneadas e tensionadas chamavam ainda mais atenção do que se a mulher estivesse de bunda pra cima, bem sinceramente.
-Achei! – O pulinho animado fez com que o camisão enorme queusava, voltasse a cobrir uma das partes mais chamativas do corpo dela.
-Mas já? A vista estava tão boa! – O homem fez um bico imenso como se fosse uma criança pidona, o que claramente contrastava terrivelmente ao teor da situação que se repetia naquela cozinha, porém mais adulta, no fim das contas.
estreitou os olhos pra ele com uma das suas expressões mais duras, o repreendendo veemente só com o olhar felino e conseguiu que o melhor amigo do irmão desse de ombros. Ele tentava se justificar ou desculpar por ter dito o que não deveria?
-Respeito é bom, obrigada. – A repreensão se tornou real, ainda que tivesse um toque de zoeira quando o homem recebeu o pano de prato na cara, soltando um “AI!” que fez os dois rirem.
-Isso não é desrespeito! –apontou rindo e continuou com a mão esticada pra receber a compressa fria quepreparava.
-Claro que é! Olha o que você tá me dizendo, eu tentando ajudar o bebum e ele olhando pra minha bunda. Boa,.
-Eu valorizo demais sua ajuda, enfermeira, mas não é minha culpa se os meus olhos são atraídos por esse shortinho aí. É demais pra minha sanidade! – O filho mais velho doscolocou a mão no peito em uma postura quenunca tinha conhecido antes, será que ainda era resquícios da cerveja? Desde quandoera tão safado quando o assunto era ela?
-Homem é tudo igual, mesmo. – Ela rolou os olhos ao terminar de preparar a compressa e sem mais demoras, colocou o artefato gelado na nuca dele, vendo a careta de morte do homem. – Eu sou a caçulinha dos. Não esquece. – O ressentimento pulou da boca dela sem o menor vestígio de vergonha.
-Teu irmão não me deixa esquecer. – O homem deu um sorriso completamente sem sal, embora estivesse gostando muito da proximidade em que os dois estavam. A mulher de frente pra ele, segurando a compressa na nuca e com um sorriso tão superior que o encantava de uma forma quenunca iria entender.
O suspiro saiu confortável e satisfeito, gostando até demais daquela proximidade que não sabia se teria outra oportunidade além da cerveja. Aproveitando o momento, o homem apoiou a mão sorrateira na cintura de, trazendo-a um pouco mais pra perto e quase grudando o corpo dos dois. A mulher não duvidava que ele quisesse, principalmente depois queencarou o corpo dos dois no maior descaramento.
Ela riu baixo com a postura dele e decidiu que era hora de dar o troco, depois de tanto tempo e com ele finalmente agindo daquele jeito, era sim hora de dar um troco mais sujo a altura do que ele estava fazendo.arrastou levemente a mão sob o braço descoberto dele, partindo do ombro e percorrendo as tatuagens até perto do punho, tendo a visão privilegiada das expressões de, os olhos fechados pelo deleite do toque tão leve e sacana ao mesmo tempo, óbvio que ela estava aproveitando todo o momento, mas apostava que não tanto quanto ele. Um suspiro forte foi dado por ele assim que a moça agarrou seu punho e delicadamente levou a mão do pedagogo até sua nuca, o fazendo segurar a compressa gelada.fez uma careta horrenda de desgosto ao entender totalmente a situação.
-Você consegue. -Ela soltou uma piscadela, junto com a mão que segurava a o tecido gelado.soltou uma risada desgostosa com a péssima surpresa.
-E o prêmio de trouxa do ano vai para…! – O homem suspirou derrotado, embora ainda gostasse da proximidade que os dois estavam. Lembrava o episódio do beijo que tinha sido muito bom, inclusive ele adoraria repetir se ela deixasse.
Ela soltou uma risada divertida e deu um leve tapinha no ombro do ressacado, satisfeita em ter ganhado o jogo.
-Não é assim que as coisas funcionam mais! – A enfermeira pediátrica mordeu levemente a boca, se referindo a épocas passadas que ela se derretia completamente por ele. Ultimamente ela preferia ver os homens aos seus pés.
-Estou vendo, estou vendo. O jogo só ficou mais sujo e mais interessante. –soltou uma piscadela ainda mais safada do que seu tom de voz, vendodar de ombros em uma expressão de indefinição e logo depois rir. – Mulher ruim! –se deixou rir junto, ainda que tentasse protestar as atitudes dela.
-Que nada, sou boa até demais. Sua dor de cabeça já passou pelo que vejo!
-Um santo remédio essa compressa, hein? – O sorrisinho infame apareceu no canto dos lábios, sendo acompanhado por um exatamente igual ao dela.
-Eu disse que você não precisava de dois comprimidos! Sei das coisas. –arrastou levemente as unhas pelo ombro de, dando fim a um contato corporal bem esperado.
-Claro que sabe. – Ele se escorou ainda mais no braço que apoiava o corpo na bancada e percebeu que a posição só deixava ainda mais perto dos lábios dela.
-Sempre soube! – A piscadela surgiu. – Última vez que eu te ajudei com uma compressa fria, você me deu um beijo na bochecha e sumiu no meio do mundo. –apontou porta da cozinha a fora como se aquela fosse a dos seus pais. – Agora é minha vez. Boa noite. – A moça sorriu e beijou-o na bochecha, um beijo forte e marcado que deixaria rastros. – Até mais. Melhoras!
-Quê? Não! Não! –protestou até meio indignado quando percebeu que ela já estava longe o bastante. – O profissional da saúde não pode desassistir o paciente!
-Ué, você me disse que a dor passou. Que a compressa tinha sido um santo remédio, então minhas intervenções por aqui já acabaram.
-Burro,! Vai ser bocudo assim na China! – O homem fez uma careta pelo grito exagerado e ouviu a risada divertida dela.
-Vou dormir,! Boa noite! –mandou um beijo alado.
-Tudo bem, boa noite! Obrigado pelas intervenções. – Ele agradeceu de todo coração, recebendo um sorriso em troca e, graciosamente,saiu da cozinha, deixando o melhor amigo do irmão completamente bagunçado com o que tinha acabado de acontecer.
Desde quando ele ficava parecendo um adolescente em crise por causa de mulher? Panaca, era isso que ele era, um panaca!

Parte três: Talvez a gente devesse se resolver

2019

Esse ciúme habitante em você

tinha uma lista em mãos. Uma de tarefas que ela tinha de dar conta em uma semana pra conseguir salvar a festa das bodas. Tudo bem, talvez não salvar a festa, mas ajudar a resolver um punhado de coisas e entre elas confirmar a playlist da festa com o seu melhor amigo desde seus 10 anos de idade.era um dos seus melhores amigos em todo o mundo e a moça estava bem ansiosa para passar algumas horas com ele, após alguns meses longe dali. Enquanto ela tinha seguido na área da saúde, ele tinha uma banda que tocava nas mais importantes festas e uma loja de instrumentos. Talvez fosse um dos maiores fornecedores da L’Art Musical, a escolinha de música do trio de ouro.
No entanto, o dia não parecia estar tão favorável assim, de um lado ela tinha um trânsito parado, pessoas buzinando e as reclamações que sempre surgiam durante os engarrafamentos, do outro, umbatucava de leve no volante do carro de, rindo de toda irritação dela e insistindo que ficar com raiva não iria melhorar o estado.
-Eu já disse que ficar emburrada não vai fazer o caminho se abrir. – O homem abriu mais as pernas e suspirou confortável no banco do motorista.em contra partida, rolou os olhos até meio indignada com aquilo.
Era ótimo o fato de que nenhum dos dois estava ligando muito para os flertes distribuídos na noite anterior.
-Eu preciso ver alguém! – Ela soltou meio esganiçada. – E aproveitar pra fechar a setlist com a banda logo de vez, ou as nossas mães vão surtar.
-Elas já escolheram a banda? – O pedagogo mordeu o canto do dedo e suspirou meio chateado com o trânsito parado. Tinha se oferecido pra ajudarcom as tarefas como se ela não conhecesse aquele fim de mundo de cabo a rabo, mas parecia magnético o jeito que ele sentia a necessidade de estar no mesmo ambiente que ela.
-Já! –soltou um gritinho fino. – Encontrei oontem pela manhã e fiquei sabendo que a banda dele iria tocar, mas estou rezando que não tenha mais qualquer evento no dia, porque vou precisar de toda a disponibilidade para toda a festa. –arregalou os olhos pra deixar bem claro seu desespero. – Se bem que…
-O quê? Não, nem inventa, eu não vou trazer a banda antiga com seu irmão e os outros caras. – O homem esticou o dedo pra barrar o sorriso psicótico dela e ganhou uma gargalhada espontânea e até meio cruel.
-Eu não tinha pensado nisso, mas confesso que seria lindo!
-Claro que não,! –esganiçou em um baleies quase incompreensível. – A gente era moleque sem noção.
-Mas agora são belos homens, dava uma senhora capa de álbum muito da bonita! – Ela abriu as mãos uns centímetros a frente do corpo como se fosse uma tela. – Nossa, seria uma bela imagem hein?
-Você não pode tá falando sério. –se deu por vencido, rindo junto com a enfermeira e comemorou contidamente ao ver a pista livre.
-E na verdade, não estou! –riu. – Minha última esperança seriam os alunos de vocês.tocaria metade da noite e vocês têm uma semana pra ensaiar um coral lindo com as crianças. – Um sorriso trincado deixou claro que aquilo não era um pedido, se enquadrava mais como uma ordem.
-Ai… o que eu não faço por você? – O homem suspirou em uma frustração fingida e recebeu um gritinho animado, mais puxado pra eufórico e um abraço repentino da moça. Ela abriu um sorriso imenso e encheu a bochecha dele de beijos estalados, fazendo o homem rir altamente satisfeito. Era simplesmente maravilhoso receber aquela atenção toda. – A gente podia almoçar junto hoje e combinar direitinho isso aí, aposto como ovai adorar a ideia e…
-Não posso, marquei com o. – Ela cortou as esperanças dele, tirando toda a alegria do convite anterior e fazendosentir algo estranho na boca do estômago. Raiva, indignação e frustração. Não era possível que ela ia simplesmente largar de almoçar com ele pra ver o amiguinho de colégio.
O homem bufou e enrijeceu no banco, desejando que o trânsito fechasse de novo pra que os dois atrasassem e ela não conseguisse chegar a tempo no tal almoço. Que merda! Ele estava com ciúmes? De repente, até a ideia maluca de voltar com a banda de adolescência parecia algo genial, só pra não ter otirando ainda mais esse pedaço de atenção dele.
Céus,, qual era a grande droga do problema? Só você poderia ter a atenção da mulher? Tudo bem que ela tinha confessado tudo, mas deixado bem claro que era parte do seu passado, então ele não merecia tanta atenção assim. Mas o ego masculino, ah o ego masculino…
-Pela minha lista, a gente precisa ir primeiro na moça dos doces pra confirmar os sabores. –mordeu a boca bem atenta ao seu planner semanal. – Acha que consegue ir mais rápido? – Ela balançou a perna que pendia dobrada e ouviubufar.
-Acho que sim. – Mais uma resposta curta foi dada e finalmentepercebeu a mudança de humor querendo rir loucamente daquilo.
-Quero ficar livre antes das 2pm. – Ela fingiu que morder o canto da unha era bem mais importante do que dar atenção ao humor de, o deixando ainda mais emburrado. E irresistível, na opinião dela. – Marquei almoço com o, você sabe.
-Ok, vamos trabalhar pra isso. – O pedagogo brecou o carro ao errar a pisada no pedal, sentindo as orelhas esquentarem levemente. Droga,, seja menos transparente!
-Essa cara feia é fome? –inclinou levemente a cabeça ao olhar pra ele em mais uma fase do joguinho de ciúmes. – Eu te libero pra ir almoçar, você me deixa com oe depois a gente se encontra na casa do meu irmão.
As reuniões diárias do quarteto iriam ser extremamente importantes naquela reta final de festa, principalmente quando alguns assuntos estavam pendentes. E sefosse encontrar mais vezes ummeio bêbado e meio pelado na cozinha, em busca de analgésico, pra ela estava de bom tamanho.
O homem soltou um grunhido concordando com o que ela disse, mas em momento algum, focou a visão na enfermeira.
-Vamos concentrar em fazer as coisas, sim? – odeu uma de filho exemplar.
-Não acredito que você tá com ciúme! – Ela sacudiu a cabeça em uma gargalhada aberta, deixando o brabinho de lado. – Ninguém mandou fechar a formação com os meninos. Talvez assim nossas mães tivessem escolhido vocês. A banda era bem boa! – A mulher piscou e baixou o quebra sol, passando o dedo pelo lábio como se corrigisse o batom.
-Eu não estou com ciúmes,. –respirou fundo e mordeu a parte interna da boca. – E era banda de garagem. – Ele quis inferir que o negócio não iria muito longe, embora soubesse que se o quinteto tivesse insistido, talvez fizessem algum sucesso na cidade vizinha. – Crescemos e temos outras prioridades. – Por mais que a vontade fosse ligar correndo pro amigo e perguntar se ele ainda tinha a guitarra antiga.
Ela arqueou as sobrancelhas desafiadoramente.
-Agora eu fiquei curiosa… –inclinou levemente a cabeça, mordendo um sorriso safado e malandro. Céus, por que era tão maravilhoso provocar certos bravinhos e arrancar as melhores informações deles? – Ciúme de quê? De não tocar nas bodas dos nossos pais, ou de mim? – Ela mordeu a boca e viu o homem prender a respiração.
-Que coisa chata,. Eu não tenho ciúme. Ciúme de quê? –arregalou os olhos meio desesperado pra fechar de uma vez aquele assunto e deu graças a Deus por já estar quase em frente à doceria.
-Desarma, homem! – Ela achou graça da situação e mais uma vez, esfregou levemente a coxa dele, fazendo parecer que era meramente para confortá-lo, por mais quesoubesse que ela não dava ponto sem nó. Quando? Simplesmente quando a garota meiga tinha se tornado aquela mulher sedutora e matadora?
-Chegamos! – O ar aliviado na voz dele interrompeu qualquer atitude que viesse a seguir e o homem deu graças aos céus porse animar ao ver a fachada da loja de doces e esquecer completamente a sua perna.
, limpe sua guitarra porque nós vamos tocar!
Era ridículo ter sido movido pelo ciúme habitante nele? Claro! Mas o ego não estava lá muito íntegro depois de refletir era professor de música e sequer havia preparado algo para as bodas dos próprios pais.não sabia se praguejava a própria vida pelo descaso, ou por ser impulsionado por meia dúzia de provocações de uma garota oito anos mais nova.
-Nossas matrículas dobraram só nesse período de verão. –sorriu orgulhoso ao mostrar a planilha ao amigo na tela do notebook esorriu largamente, mesmo pegando o assunto só pela metade. – A gente só precisa decidir quando voltaremos com as aulas.
-Acho que já podemos na semana antes de voltarem as aulas. –deu de ombros com a sugestão e viu a irmã fazer uma leve careta. Ela comandava toda a burocracia da escola de música e os dois marmanjos que se perdiam no meio das crianças.
-Tirar a última semana de verão das crianças é crueldade. – Ela riu levemente e arrancou a mesma reação dos outros dois. – Como o espaço é grande, a gente pode tentar uma colônia de férias pra integrar os alunos novos e os antigos! – O sorriso genuíno deatingiu o marido em cheio, o fazendo beija-la apertadamente na bochecha como se ainda namorassem.
-Perfeita! Minha mulher é a personificação da perfeição. – O famoso paga pau abriu os braços e tomou um pedala do amigo., em contra partida, empinou o nariz bem convencida com o elogio do amor da sua vida.
-Vocês me enjoam. – O solteirão fingiu nojo e sentiu um chute na canela por baixo da mesa. – Ai,! – Ele arregalou os olhos, mas findou rindo. – Mas confesso que foi genial, pirralha. Essa colônia de férias vai deixar nossos meninos ainda mais empolgados com a música. – A animação se instalou no trio e, de repente,lembrou sobre a quantidade de crianças juntas que seriam na colônia. – A gente vai precisar de monitores.
-Eu falo com a. –tomou um gole do café que tinha distribuído para os três. – Ela é da pediatria, tem jeito com criança e nem vai cobrar nada. Uma já temos! – A mulher sorriu inflando as bochechas de forma convencida e os três acharam graça, embora concordassem plenamente com ela.
-Os outros a gente lança o anúncio e fica como trabalho de verão, vai ter adolescente fazendo fila na nossa porta! –sorriu esperto, finalmente se inserindo na conversa ods, por mais que quisesse meter o assunto sobre tocar, no meio de toda a conversa burocrática. – Acham que tem necessidade de cobrar algum valor?
-Uma inscrição simbólica pra pagar os monitores. –deu de ombros e os irmãosafirmaram. – Se os moleques vão trabalhar, vão querer receber.
-Concordo plenamente, amor. –apontou pro marido e fez a anotação no caderninho o qual organizava sua vida dentro da L’Art Musical. – Eu me responsabilizo pelas declarações formais do currículo deles, já que provavelmente vão querer contar ponto pra faculdade.
-Então decidido? –ainda parecia distante, por mais que tivesse prestando atenção nas decisões tomadas.
-Decidido! – O outro se espreguiçou e recolheu as três xícaras da mesa, focado em enche-las novamente com café. – Você esteve com ahoje? – A pergunta saiu curiosa, fazendo o pedagogo enrijecer o corpo.
arqueou de leve a sobrancelha ao ver a postura do irmão e esperou pra desculpa esfarrapada que ele iria dar por ter ficado tão desconfortável. O que merda ele etinham feito aquela manhã? Céus, custava aquietar o fogo no rabo?
-Levei ela até a doceira, mas depois ela saiu com o. –bufou baixo, se impedindo de rolar os olhos só pelo jeito que sua irmã mais nova lhe encarava.podia jurar como tudo aquilo era o mais puro ciúme pela filha doster dispensado ele, na verdade se encaixava mais como ego ferido.
-A gente encontrou ele ontem na orla. – O Mr.sorriu animado ao lembrar da cena. – Pareciam duas crianças se encontrando depois de semanas sem se ver.
-Eu gosto dele! –prendeu uma risada ao ver o queixo do irmão quase ir ao chão. Ela não poderia estar falando sério. – Além do mais, os dois formam um casal bem bonito. Você não acha,?
Congelado.estava congelado no lugar sem saber exatamente como encarar aquilo, como entender ou responder sem queimar todo o seu ego machucado sem sentido. De fato, os dois combinavam quando juntos, mas depois de toda a provocação no carro e o claro clima de tesão que estava no ar entre ele e, o homem nunca admitiria uma coisa daquelas. Nunca!
-Eu acho que a gente deveria tocar alguma coisa na festa, é isso que eu acho. – O homem mudou de assunto e recebeu de bom grado a xícara com café que o amigo lhe entregara.
-Por que? –inclinou um pouco a cabeça e sem saber, deu abertura pra que a esposa torturasse um pouco mais seu cunhado.
-É,. Por que? –fixou os olhos no irmão, vendo o marmanjo sequer olhar direito pra ela. Há ele estava com ciúme e não aceitava aquilo.
-Porque nós três temos uma escola de música e seria um desleixo passar a data batida. – Ele deu graças aos céus por poder usar a escolinhas e os empregos como desculpas, por mais que tentasse veemente acreditar que só estava tão incomodado por aquele motivo.
Osfindaram por concordar com ele sobre a situação e o homem respirou fundo. Ele ia se convencer do motivo apresentado pra conseguir tocar e não tinhano mundo que o fizesse voltar a sentir ciúme dela. Aquilo era extremamente ridículo pra um homem feito de 32 anos, livre e desimpedido.

Quando duas loucas vão casar, até o cachorro entra na roda

bocejou afundada no enorme sofá da casa dee deu graças a Deus que nem sua mãe, nem a mãe dele tinham dado na falta dela. Com toda a correria de se arrumar pras bodas conjuntas, a casa do professor de música tinha virado quase um SPA, araras com vestidos pra um lado, um dos quartos tinha virado um estúdio de maquiagem, o outro o ateliê dos vestidos, sapatos e acessórios para arrumação da festa. Algumas flores da decoração do espaço ainda estavam por ali e várias pessoas passavam de um lado pro outro, organizando, levando, trazendo na intenção de deixar tudo tão perfeito quanto tinha sido planejado por Lau e Lottie.
As duas eram amigas desde a sexta série, sempre tinham feito tudo juntas, o primeiro namoradinho, a carta da faculdade, o planejamento da primeira gravidez, só o casamento que por obra do destino, não tinha acontecido sequer no mesmo semestre, mas por obra do destino, as comemorações iriam acontecer nas bodas de 35 anos de casadas de cada uma. Até os filhos elas tinham feito questão de tentar juntar, dando certo come, mas fracassando lindamente come, para o desespero das duas.
A filha mais nova dosmordeu um sanduíche que tinha feito depois de assaltar a geladeira dee se afundou ainda mais no estofados, desejando nunca ser encontrada, ou teria que participar das inúmeras conversas sobre a vida de casada. Como atétinha entrado naquele buraco sem fundo?
-Shii! –olhou pra cachorra brava que costumava ser sua amiga e ouviu o rosnado da Chihuahua mesclada que vinha sendo seu pesadelo desde a primeira hora da manhã. Droga! Ela não podia começar latir logo naquele momento da fuga clandestina. – Você costumava gostar de mim, Lila! – Ela sussurrou com os olhos arregalados e viu a cadelinha mostrar os dentes. – Delilah! – A garota pulou no estofado como se aquilo a protegesse de um possível ataque e assustou o bichinho de estimação, que começou a latir repetidamente pro lado da enfermeira. – Para de latir! – O pavor acompanhou os olhos arregalados. – Delilah! Para de latir! Cadê seu pai idiota? – Toda palavra dita era encoberta por um grunhido ou latido bravo da cadela em pose de ataque. Um pedaço de sanduíche foi sacudido e Delilah pareceu ponderar o ataque, embora continuasse latindo pra mulher encolhida na ponta do sofá.
-O que você tá fazendo com a minha cachorra? – A risada estrondosa desimplesmente brotou na sala, fazendo a amiga olhar pra trás de uma vez e até um pouco assustada pelo grito repentino.
-ELA ME ODEIA! – A garota soltou um esganiço sem tamanho como sepudesse controlar o bichinho de estimação. – Ela costumava me amar,! O que você fez?
-Eu? Você some da vida da bichinha e a culpa é minha? – O homem dizia entre risadas divertidas e não demorou a pegar Delilah no colo. – Ela brigou com você foi, amor? – A pergunta direcionada a cadela fez a boca deir ao chão.
-Pra sua informação, eu estava prestes a dividir meu sanduíche e evitar de ser morta por essa coisinha brava! – Ela sacudiu o dedo indicador.
-Ela não come sanduíche! –parecia indignado com a oferta de comida. – Da dor de barriga nela,!
-Mal-agradecido! – Ela mostrou a língua tanto pra cachorra quanto pro dono. Não era possível que a Delilah tinha se revoltado tanto dentro daqueles anos, as duas eram amigas quando a garota era adolescente.riu do protesto dela e deixou que a cadelinha lambesse sua cara em um carinho que estava deixando a filha mais nova doscom uma careta horrenda.
-Quer um beijo também? –zoou a cara feia dela e a mulher franziu ainda mais o cenho.
-Obrigada, mas dispenso. – Ela se encolheu mais uma vez e ouviu a gargalhada estrondosa do homem, que parecia mais um moleque remelento quando o assunto era a Delilah.
O pedagogo colocou a cadelinha no chão e aproveitou o momento pra fazer cócegas na barriga da bichinha, usando ainda de um palavreado bem infantil pra conversar com ela, mas não chegou a se surpreender quando viu sua atenção e carinho esmagador ser trocado por latidos animados, assim que a chihuahua viuna porta da sala, correndo na direção da gerente da escolinha. As duas tinham virado grandes amigas com o tempo e era um completo mistério para quem conhecia o pequeno demônio da Tasmânia.
-O quê? – O grito esganiçado e até indignado dereverberou na sala. Ah ela estava bem inconformada com aquilo, como assim a Lila gostava de?era sim maravilhosa, mas queria distância de bicho há uns anos.
-Ela sabe conhecer boas companhias! – A Mrs.piscou pra cunhada e achou graça da careta dela.
-Lila! –gritou mais uma vez. – Isso é inadmissível, vocês não podiam se ver. Como assim?
-Elas são bravas, se entendem! –soltou uma risada divertida e passou a mão pelo rosto, onde a cadelinha tinha lambido. A irmã dele se limitou a dar de ombros, confirmando a afirmação do mais velho e apontou pros dois como se fosse uma espécie de guardiã legal.
-Juízo, hein? Estou de olho em vocês! – Ela manteve o braço esticado ea olhou com a maior cara de deboche, enquanto pousava a mão no peito.
-Eu sou comportadíssima, querida. Só estou fugindo do furacão de casamento. – A enfermeira se pôs em legítima defesa, sentindo o assento ao seu lado afundar porter se jogado sentado nele.
-Vou guardar seu segredo até quando conseguir. –pegou a cadelinha no colo, recebendo vários beijos alados da cunhada, depois deixou o cômodo.
-Fugindo da festa, senhorita? – O tom de repreensão na voz dea fez suspirar. Poderia ser cruel fugir de toda aquela animação, mas era algo que estava deixando-a apavorada.
-Gloriosamente. –riu e se recostou um pouco mais no sofá. – E você? Achei que aqui fosse um ambiente exclusivamente feminino.
-Ainda é minha casa. – Ele riu e beliscou de leve o joelho nu da mulher ao seu lado.parecia a típica madrinha de casamento das comédias românticas produzidas pela Netflix, uma touca no cabelo cacheado – que provavelmente, era pra manter o cabelo bonito depois -, além de usar um robe de cor clara e tecido acetinado. – E sinceramente? Eu não aguento essa conversa de marido, na casa dos. Tentei fugir um pouco pra cá, sei lá, rir um pouco de você desesperada nas mãos dessas três.
-Que horror, Mr.. Como ousa? – Ela estreitou os olhos ao tentar intimidá-lo e os dois riram. – Embora eu também faria o mesmo se fosse o contrário, deve ser hilário te ver perdido na conversa de homens adultos e casados.
O homem fez uma careta de protesto e a empurrou de leve com o peso do corpo, vendo a mulher pender levemente pro lado e estapeá-lo depois. Os dois riram com a situação infantil e pelo movimento de brincadeira, as desviadas e seguradas,findou com uma das pernas dobradas sobre o joelho dele, a mulher estava sentada quase de lado no sofá e o momento emanava uma intimide imensa. Dentre tudo, aquilo não tinha acontecido ainda entre os dois, nem o beijo havia sido tão íntimo assim.
-Tá animada pra festa? –umedeceu a boca após soltar um murmúrio baixinho, encarando o joelho dela por cima do seu.
-De verdade? –respondeu no mesmo tom, embora cutucasse de leve a unha. – Muito pouco, eu sei que a gente vai mais fazer sala pro pessoal do que aproveitar. Quem sabe lá pro fim dela dê certo.
-Exatamente. – Ele soltou uma risada anasalada, tomando a liberdade de encostar a ponta do polegar no osso protuberante do joelho. Um toque de extrema delicadeza e até respeito, mas que tinha feito a pele da garota arrepiar, oh se tinha. – Odeio festa de família quando eu sou da família.
-Pois somos dois… –respirou fundo. – Quero que dê tudo certo com a festa deles, então provavelmente eu serei a mãe responsável hoje, aquela que pega briga até com o fotógrafo se ele chegar atrasado.
-Pode contar comigo pra fazer seu plano dar certo! – Ele piscou ao abrir um largo sorriso.foi um pouco mais além e bateu de leve com o indicador na bochecha, mostrando que ela merecia um beijo ali.
Ele estreitou os olhos quase repreendendo a amiga, mas já tinha se dado por vencido desde que vira o sorriso sapeca dela de quem iria provocar até que um dos dois perdesse a linha e aí iria fingir que nada estava acontecendo. Cilada,sabia bem que era cilada, mas não resistia a uma daquele tipo. Belos olhos, segura, linda e ainda por cima, inteligente. Aproximou o rosto do dela e pressionou firmemente os lábios na bochecha macia, fazendo questão de roçar levemente a barba por fazer.
Ele era um filho da puta? Ele era um filho da puta. Mas no fim das contas, até que era um filho da puta bem gostoso.
Os lábios quentes se intuíram a querer passear pela bochecha dela, quase na linha da mandíbula como se saboreasse o momento, a proximidade, ou o clima que havia se instalado ali. Céus, quanto fogo pela ansiedade de um beijo! Foi questão de segundos até os toques fossem mais além dos lábios etomasse o joelho dela com a mão grande, ansiando deslizá-la por ali até debaixo daquele robe. O que os dois não contavam, era que seriam interrompidos por um pigarro animado. Isso mesmo, satisfeito até!
-Vocês não querem me contar alguma coisa? – As esperanças na fala de Charlottie transbordavam quaisquer limites ali.
Os dois suspiraram desgostosos ecoçou a cabeça meio impaciente.
-Que você deveria não interromper as pessoas, dona Lottie, isso é muito feio! –fez um bico indignado pra mãe de, não sabia se por terem sido pegos, ou porque ele tinha tirado a mão do joelho dela. A mulher mais velha, em contrapartida, soltou uma gargalhada estrondosa.
-Só queria saber porque vocês andam escondendo isso da gente. – A Mrs.parecia empolgada demais pra fingir desapontamento.
-Mãe, por favor. – O marmanjo rolou os olhos meio desconfortável com os olhos julgadores da sua genitora. –!
-O quê? – a garota prendeu a risada de deboche. – Quando você ia contar a sua mãe? Poxa,. – Ela balançou a cabeça em negação, ganhando o olhar mais tedioso das américas. Ele ficava uma fofura!
A enfermeira soltou sua gargalhada presa, mostrando que tudo aquilo era o maior fingimento e provavelmente não iria mudar, pra tristeza das matriarcas daquela família. Óbvio que existia uma inegável tensão sexual entre os dois e ela continuaria aumentando à medida que a convivência ficasse mais próxima, masenão precisavam estar em um relacionamento amoroso pra sanar toda aquele desejo que os rondava.
-Você não presta,! – O homem se deixou largar nas costas do estofado, aliviado pela brincadeira ter chegado ao fim e apanhou da mãe raivosa.
-Vocês ainda vão queimar a língua com todas essas brincadeiras sem graça! – Charlotte apontou pros dois com os olhos estreitos e deixou o casal sozinho na sala, rindo com a indignação dela em não ter conseguido o que queria.
-Essas duas são doidas demais. – A garota suspirou pra parar a crise de riso e viuafirmar veemente.
-Culpa minha que não é! – Ele apontou no deboche e ganhou um tapa na coxa, ardido pra caramba. – Ai,! – O homem arregalou os olhos em protesto pelo tapa.
-Foi bom conversar com você, babe… – A filha mais nova doslevantou do sofá se espreguiçando e mesmo sem a intenção, acabou levantando o robe um pouco acima da linha média da coxa.findou por desviar a vista das pernas da garota. – Mas preciso voltar pra imersão 24 horas no casamento, por que depois dessa? Não quero posto nem de madrinha mais.
-Uma mulher esperta, é outro nível! – Ele soltou uma piscadela e esticou a mão fechada para um cumprimento de toquinho. Ela riu largamente e completou o gesto. – Vou só pegar umas coisas e me mandar daqui antes que a sua mãe também comece com o assunto desnecessário.
-Eu agradeço! – Ela soltou um gritinho e os dois riram alto.
levantou do sofá juntamente com a garota e depois de checar se tudo estava nos bolsos traseiros da calça, lembrou do que tinha praticamente decidido sozinho e pressionado oa fazer também. Será que ele falava ou guardava segredo até o fim? De repente uma onda de euforia invadiu seu peito e a necessidade de verbalizar aquilo pra ela só aumentava a cada momento. Era como se a merda do ciúme sem sentido quisesse vencer a batalha com o.
! – Ele gritou antes que ela se afastasse de vez e viu a garota virar com um sorriso confuso. O movimento teria feito os cachos balançarem se não estivessem presos nos bobes. – Eu e ovamos tocar uma música na festa das bodas. –abriu um sorriso imenso de orgulho e satisfação, vendo-a abrir outro exatamente igual.
-Estou ansiosa pra isso. –mordeu a boca, sentindo uma necessidade imensa de provocar o bom moço. Conseguir o que queria, na verdade! – Sempre tive uma queda por vocalistas! – ela piscou e subiu as escadas quase desfilando, deixando umcom ânsia de comemorar veemente, pra trás.

O grande dia chegou!

O salão que acontecia a festa estava deslumbrante, as cores em rosa chá e perolado se misturavam as vistosas rosas brancas que decoravam mesas, arranjos e qualquer canto de coluna que segurasse o teto daquele lugar. O lugar climatizado tirava maior parte do desconforto causado pelo clima quente do verão e dava a liberdade necessária pra usar os lindos vestidos de gala e ternos alinhados que vestiam os convidados. Ose osainda não tinham dado o ar da graça em sua própria festa, mas era uma das exigências do cerimonial, os filhos fariam sala e recepcionariam os convidados e logo depois os noivos apareceriam para o grande show: a cerimonia de renovação e a coreografia de dança milimetricamente ensaiada. Restando a todos, entender que Lauren e Charlotte não tinham poupado qualquer valor pra fazer daquela festa a mais incrível e única de todas.
etinham sido convocados a recepcionar a família e os amigos dos pais que chegassem ao salão de festas, além de organizar a banda que chegara no horário estipulado, evitando maiores dores de cabeça.erecepcionariam seus familiares, assim como os filhos do, e também ficariam responsáveis por colocar a equipe de mídia na linha, fotógrafos e a equipe de filmagem das bodas.
Os garçons da festa serviam a todos os sucintos convidados com uma graciosidade de dar inveja a qualquer equipe de bufê daquela cidade, Lauren e Charlotte realmente tinham escolhido a melhor do ramo. Ninguém ficava com a taça seca em momento algum da festa.bebericava a sua primeira de champanhe da noite, depois de muito esforço e chamado – que fique bem claro -, vendo a hora precisar engolir tudo de uma vez por um grupo de familiares que adentravam a porta principal do salão.
-Eu pedi prosrecepcionar essa, pode beber tranquila. –soltou uma risada divertida com o alivio dela em poder dar mais um calmo gole.
-Sinceramente? Acho que virei você. – Ela pendeu a taça em uma das mãos, não deixando de notar o quantoestava um espetáculo no terno escuro e gravata combinando com seu vestido. Tinha ficado bem bonito no fim das contas!
-Ah é? – Ele pegou um dos copos que pairava pelo salão em cima de uma bandeja prateada. – Me diz como! – O gole na bebida quente desceu rasgando. Ele fez careta.
-Odeio festa de família quando eu sou da família. –foi bem enfática ao repetir as palavras do amigo e o homem soltou uma gargalhada gostosa de ouvir. Era fácil se sentir à vontade pra rir do mesmo jeito. – Saudade de quando eu era uma criança que só corria entre as mesas.
-Saudade de quando eu era um adolescente correndo atrás das amigas da minha irmã. – A frase sugestiva fezrolar os olhos e consequentemente ganhar um beijo surpresa na bochecha. Tinha sido bonitinha a cara de nojo dela ao ouvir aquilo. Os dois beberam o resto do álcool de uma vez só elhe estendeu o braço. – Pronta pra voltar a realidade de filha exemplar?
se deixou respirar fundo e passou as mãos pelo cetim verde esmeralda, como se tentasse comportar ainda mais o vestido longo no corpo. Empinou de leve o nariz e após tocar o coque cacheado que deixava seu longo pescoço a amostra, enganchou o braço ao desendo guiada até onde toda a chatice acontecia.
Não demorou pra que os dois casais se apresentassem ao público em uma linda aparição no pequeno palco que tinha ali e era ocupado pore sua banda. Um mediador da espiritualidade praticada por eles comandou a troca de votos e não demorou pra que a salva de palmas entoasse uma demonstração incrível de felicidade pelos dois casais completando aniversário.e, cada um de um lado do pequeno palco estouraram os papeis picados de cor dourada e mostraram que sempre estariam ali pelos pais. Os quatro filhos foram puxados para a foto pós votos e no fim das contas ilustravam uma linda e alegre família.abraçavado lado doseestava perto dedo lado dos.
Logo uma coreografia que havia sido ensaiada por semanas a fio, começou ao som de uma música escolhida a dedo e muito bem ensaiada pore sua banda. Os dois casais flutuavam pelo salão com uma imensa leveza que emocionava a todos que estavam ali, em um dado momento da coreografia, os casais trocaram de parceiros pra mostrar a cumplicidade de uma amizade tão linda, causando histeria nos quatro cavaleiros do apocalipse postados à beira da pista de dança.ejá não seguravam mais o choro com algo tão emocionante e estavam sendo consolados pore.
A noite realmente não poderia ficar melhor, depois de todas as exaustivas fotos tiradas, incluindo tanto os dois casais de bodas como os filhos e até alguns pedidos bem inusitados de Lau e Lottie para come– fazendo os dois ficarem juntos nas fotos como um casal. As homenagens começaram com vídeos, mensagens e fotos, seguindo aquele modelinho padrão dos casamentos, até que no auge do momento, os dois rapazes prodígios subiram ao palco pra assumir alguns dos instrumentos que a banda usara.tomou um violão acústico em mãos eo outro que estava ali, arrumou a alça no ombro e ao longe viucom um sorriso bonito, restando piscar galante e vê-la rir.
-Espero que não passe dessas provocações bobas. –pigarreou perto da amiga como se não houvesse muita importância em sua fala e a mulher riu.
-Não viaja. –recuperou a compostura. –tem medo de muita atitude, todo homem tem, na verdade. A mulher mostrou uma imensa atitude? Eles se recolhem. – Ela fez um bico desgostoso e abraçou a melhor amiga de lado.
-Meu irmão é um pateta! – A Mrs.da nova geração cobriu o rosto com uma das mãos em um gesto de quem não aguentava mais uma criatura daquela e as duas explodiram em risadas. – Mas confesso que foi fofinho da parte dele em chamar opra cantar algo especial.
A garota estreitou os olhos com que a dona da escolinha tinha acabado de falar.quem tinha chamado opra tocar? Então ele estava mesmo em uma briga de egos gigantesca com o, por mais que o segundo fosse completamente inocente naquilo.
-Também achei! – As duas começaram se balançar ao começo da música. Wonderwall era atemporal e Oasis era Oasis, principalmente quando a música e a banda tinham marcado tanto a vida daquelas famílias. – Ele me disse hoje mais cedo e achei que não fosse ser esse espetáculo todo.
-Espetáculo todo é? – A mais velha incitou com um sorriso maldoso e a outra se limitou a dar de ombros. Mulheres bem resolvidas agiam assim.
-O conjunto! –justificou o elogio e as duas acharam graça, ainda que parecessem duas fangirls dos rapazes bonitos com dotes musicais. – Nossa, foi um crime que esses dois desistiram da carreira musical famosa, de verdade! Olha isso! – A garota apontou pro palco no incrível momento que a canção atingia o clímax e a iluminação do local só deixou a apresentação ainda mais perfeita. Céus, por que aqueles dois estavam fora dos palcos?
-Quem atropelou a gente? Você anotou a placa? –respirou fundo ao ser atingida pela imagem maravilhosa do marido como um guitarrista, supondo que a cunhada tinha reparado também, só que em.

Eu te dou um salgado se você me der um beijo

Finalmente a festa tinha começado de verdade e depois de conversar durante um bom tempo comatrás do palco,decidiu procurar comida na cozinha do salão. O cheiro dos salgados adentrava forte nas narinas e a moça ouviu o estômago roncar só em estar no mesmo local que várias frituras. Que a vida saudável a perdoasse, mas nada era mais gostoso do que frituras e um copo gigantesco de refrigerante gelado. Após um pedido comedido, conseguiu de um dos funcionários da cozinha uma porção generosa com várias frituras doces e salgadas, além do refrigerante gelado, pedindo a todas as divindades que ninguém a encontrasse pra resolver qualquer problema.
-Ladra! – O grito deassustou a mulher pega no flagra esó quis matá-lo enforcado por aquilo.
-Eu paguei por isso! – Ela segurou a bacia contra o corpo e fez questão de sorrir com as bochechas atoladas de comida. Era uma das cenas mais ridiculamente engraçadas que ele já tinha visto. – O que você faz aqui, fiscal?
-Os nossos pais pagaram por isso! Eu mereço também. –arqueou a sobrancelha. – O que eu faço aqui? Acho que eu vim te pegar no flagra sendo traíra. Você não me chamou pra comer! – Ele fingiu indignação eprendeu a risada, ainda de boca cheia. – O que tem aí?
-NADA! Eu sou traíra, sai daqui! – A garota revidou com as palavras que tinham lhe atacado. – E se eu sou traíra, você não vai comer a comida de traidores, vai?!
-Claro! A fome fala mais alto. – O pedagogo deu um passo à frente, causando na moça a reação de apertar ainda mais a bacia contra o corpo, não se importando se ficaria com cheiro de fritura ou não. – Nós somos amigos e não se nega comida pra amigos!
se limitou a negar com um aceno bem vagaroso de cabeça.
!!!!!!!!
-É minha comida e eu pedi com educação ao pessoal daqui. – Ela deu um passo pra trás. – E você tá fingindo que é meu amigo pra pegar a minha comida.
-Ai credo, que horror,! –pôs a mão no peito, agora coberto apenas pela camisa clara de botões que também estava com as mangas arregaçadas. A moça não deixou de notar a enorme tatuagem que se alastrava no antebraço.
-É tudo verdade,. – Ela mostrou a língua em uma atitude bem infantil. Os dois riram e o homem se aproximava ainda mais, sem que ela percebesse. – Tá de larica, por acaso? Andou puxando uns beck do? –entrou na zoação de que o irmão gostava de puxar uma vez ou outra.
-Sim! Me dá comida! – O homem voltou a protestar adicionando um bico imenso a cena.
-NÃO! Você não me chamou pra fumar!
-Olha,, eu não queria… – Ocoçou a cabeça e suspirou como se já estivesse saturado de tanta recusa. – Mas você não me deixa outra alternativa. – Ele colocou uma das mãos na cintura, soltando o braço em seguida como se pesasse uma tonelada.
-Vai me amarrar e roubar minha comida? – A sobrancelha perfeitamente bem feita da mais nova dosse arqueou assim que ela soou cínica. – Essa eu quero ver!
-Eu até poderia, mas hoje não. – Os dois morderam um sorriso cheio de segundas intenções com aquela frase sem vergonha.
-E pretende fazer futuramente? –cravou os olhos nele e umedeceu os lábios avermelhados, mostrando estar bem interessada naquela história, por mais que seu subconsciente gritasse dizendo que aquilo não era certo. Eles eram amigos! Amigos… Otambém era seu amigo e os dois já tinham transado uma vez (remota, na verdade), então comtambém podia.
-Se eu precisar, quem sabe? – O pedagogo deu uma piscadinha sem vergonha ao estar extremamente perto dela, segurando o olhar incisivo da mulher com o seu.
-Espero que precise.
deu de ombros e umedeceu a boca mais uma vez, na intenção de prender a atenção dele em sua boca e de forma consciente, induzi-lo a querer beijá-la, mas foi surpreendida com as mãos do homem ao redor do seu corpo. Era da forma que ela queria? Claro que não, afinalhavia começado uma sessão de cócegas como se os dois fossem apenas duas crianças brigando por comida. As mãos passeavam pela cintura apertada no vestido verde, fazendo-a se contorcer com o desespero de sair daquilo e começar a rir como se não tivesse outra alternativa.
-SAI! CÓCEGA NÃO! – Ela gritou em meio ao desespero das cócegas. – PARA! PARA COM ISSO, EU DIVIDO! –deu tapas estalados nos ombros do amigo, ouvindo o homem rir como se aquilo não fosse nada.
-Larga a bacia, que eu paro! –propôs a negociação ainda que fizesse cócegas na enfermeira escandalosa.
-EU PROMETO! – A mais nova arregalou os olhos pelo desespero. – É palavra de!
-Iiiiiiih, não sei se posso confiar. – O homem fez uma careta desacreditada e parecia não estar disposto a soltá-la das suas mãos nervosas.não aguentava mais rir de desespero e sem esperar mais um pedido desesperado ou qualquer piadinha dele, largou a bacia de plástico na bancada de mármore como se a vasilha desse choque. Dito e feito,havia parado com as cócegas, mas ainda continuava segurando sua cintura na espontaneidade.
-Obrigado! – O agradecimento surgiu com um sorriso meigo que não enganava a ninguém. Ela respirou fundo e acalmou o coração acelerado que queria sair pela boca de tanto bater. Bater, exatamente como ela iria revidar a gracinha de.
-Idiota! –estapeou o peito dele e só aí se deu conta que ainda estava entre os enormes braços do homem. Colados demais pro gosto dela.
-Ai, não me bate. – Ele fez uma careta ao enrugar o nariz, mas continuou segurando a cintura decom uma das mãos, à medida que a outra estava ocupada em levar salgadinhos até boca.
-Você merece uns bons tapas,! – A garota xingou e fez uma careta horrível por sentir que a roupa apertava mais que o normal. – Droga, esse vestido tá apertando na cintura, ele não estava ssim quando dei a última prova. – Ela olhou para o colete da roupa e puxou de leve pra baixo como se aquilo fosse a fazer respirar melhor depois de tanto remelexo pelas cócegas.
-Tá apertado? Isso é Deus te falando pra parar de ser gulosa e dividir comida com os outros. – Ele piscou com um sorriso preso no canto dos lábios, fazendo-a rolar os olhos.
-Vai te catar! – A mulher finalizou com um bico debochado e findou achando graça. – Eu quase não estou conseguindo respirar. – Ela puxou fôlego e percebeu que estava mesmo ruim de concretizar algo tão simples, aproveitando pra afastar a mão dele tão agarrada em sua cintura. O pedagogo voltou-a novamente earqueou a sobrancelha pra ele.
-Se você desmaiar, eu faço respiração boca a boca. Prometo. – Mais uma piscadinha sem vergonha completou o tom cheio de malícia. Céus, o que tinha dado em?
-Ah claro, respiração boca a boca? E você sabe como funciona? – Ela voltou a pergunta cínica e o viu dar de ombros em uma resposta indefinida. A moça pegou um salgadinho na bacia e jogou na boca como se nada estivesse acontecendo. Como se o cheiro intenso do perfume dele não entrasse em seu nariz, como se a mão enorme não lhe deixasse ansiosa com o que ela poderia fazer.era ótima em fingir, porém, era melhor ainda em mostrar o que queria. – Eu já larguei a bacia. Não vai me soltar?
-Não. – A cara de pau dele tinha sido ainda maior que ela dela e pra mostrar que não cederia,acomodou um pouco mais a mão aberta na cintura da irmã do melhor amigo, chegando a sentir a pele nua dela nas costas do vestido. Merda!
-Posso saber por quê? Sua mão está encostando em mim. –segurou o olhar incisivo decom seus olhos claros e parecia impenetrável as investidas veladas.
-Não, não pode. –fez um bico zoeiro e voltou a comer dos salgados na vasilha, enquanto era observado atentamente por ela. Qual é? Ela não ia parar de encarar? Era mais fácil quando ele encarava, quando ele provocava as bochechas vermelhas e não o contrário.
-O que foi? Não gostou do meu vestido? –estreitou os olhos e encheu a voz de ironia por ver que ele tinha desviado o olhar dela. Imediatamente os dois voltaram a se encarar, dessa vez ele estava disposto a levar quaisquer provocações onde quer que elas fossem.
-Tá linda! – O sorriso sincero estampou o rosto bonito de. – Gostei bastante dele.
-Obrigada! – Um sorriso sincero e meigo finalmente escapou entre os lábios dela, contrastando as provocações incisivas. – Eu gostei da sua gravata, casualmente combinou com meu vestido. –passou a mão pela faixa de pano e os dois acabaram rindo alto da zero casualidade daquilo.
-Um acaso chamado Lauren! – O homem soltou mais uma risada larga e beijou a bochecha dela de surpresa. – Mas obrigado! – Ele piscou com o elogio sobre a gravata.
-Minha mãe é doida, sinceramente. Ela viaja a anos luz. –fez barulho de uma nave decolando e conseguiu mais uma risada espontânea do homem que estava tão perto do seu corpo. Será que ele não sabia que aquilo era perigoso demais?não era burro, deveria saber. – E você,. O que quer? – Ela passou a língua nos lábios, puxando toda a atenção dele.
-Muitas coisas. Não sei se você iria gostar de saber. – Ele mordeu o próprio lábio, acariciando o queixo dela com o polegar.
-Quem sabe dá match com o que eu quero também. – A garota sorriu sacana e foi puxada um pouco mais para o encontro do corpo dele, sentindo quando a mão detomou suas costas nuas, espalhada por sua lombar como se esperasse só uma desculpa pra descer e agarrar sua bunda. – Afinal, você tá gostoso pra caramba! – Ela puxou um sorriso de canto ao passear a mão no peito dele, agarrando a gravata como se o homem fosse um cachorrinho.
-Então acho que formamos uma bela dupla. Porque você é, seguramente, a mulher mais gostosa dessa festa inteira. E com esse vestido…. –suspirou como se deliciasse o momento e pressionou o corpo dela no seu. Ele queria mesmo era encher a mão e apertar a bunda dela, mas por enquanto, ainda era certo o limite.
-Hhm, garoto malvado! – A garota bateu a língua contra os dentes fazendo um barulho de negação vagaroso e ouviu a risada gostosa dele.
-Talvez… – O homem deu de ombros e ao aproveitar a proximidade, aproximou o nariz do pescoço dela. – Hm… e além de gostosa, é cheirosa. Cheirosa pra caramba! –se encolheu em reflexo ao rosto depraticamente fincado em seu pescoço e suspirou querendo mais, deixando bem claro ao enfiar os dedos nos cabelos arrumadinhos dele. Ela puxou um pouco mais a gravata verde que o professor de música usava e pode jurar que a língua tinha encostado em seu pescoço quando o homem abriu a boca pra soltar o ar preso nos pulmões.
-E você é abusado, abusado demais! – A enfermeira aproveitou que estava com os dedos fincados nos cabelos da nuca dele e puxou-o pra trás, vendo a risada sacana soprar por entre os lábios dele. – Pra sua felicidade, eu gosto! – Ela mordeu um sorriso tão sacana quanto às expressões dele e ainda segurando firmemente a cabeça do amigo, juntou o nariz dos dois em uma distância mínima. – Me beije. – O sussurro saiu vibrante e não demorou milésimos pra quetomasse a boca dela quase que violentamente pela vontade em estar novamente com a língua colada a da moça.
O beijo era ardente, eufórico e quente demais pra ocasião. A filha mais nova dosse segurava fortemente nos ombros doe ainda arrastava as unhas pelo pescoço descoberto dele, à medida que sentia as mãos enormes do homem se esgueirarem vagarosamente por sua lombar, certamente elas fariam uma parada mais do que esperada, na bunda da mulher. Uma mordida safada no lábio inferior ocasionou uma pisada em falso e os dois acabaram prensados na bancada inox, enquanto riam da situação mais aleatória daquele dia.voltou a beijá-la e quase suspendeu a mulher com uma segurada firme nas nádegas, fazendoarfar em uma agonia maravilhosa.
-Safado! – Ela abriu um sorriso largo ao sentir uma leve mordida no queixo.
-Eu não fiz nada! – A falsa inocência denão enganava a ninguém, muito menos a ela que sentiu a bunda ser apertada mais uma vez.
-Você tá com a mão na minha bunda! Sobe! – Ela ordenou e viu um sorrisinho filho da puta surgir nos lábios dele, só pelo duplo sentido da última palavra. O homem fez um bico e alisou levemente o local, não movendo um dedo como ela pediu.
-Posso continuar agora? – Ele soltou uma baforada de ar fingindo estar indignado pela interrupção e foi questão de segundos até sentirsegurar suas mãos e colocá-las praticamente no meio das costas. O homem rolou os olhos e mesmo tentando esconder um sorriso, não conseguiu. Céus,, o que tinha dado em você?
? –umedeceu os lábios e sentiu um beijo sugado no canto da boca, como se ele também quisesse que a língua dela umedecesse os dele. Por via das dúvidas, ela fez. Passou a língua pelos lábios rosados do homem, onde os dois findaram em mais um beijo caloroso, porém mais vagaroso e safado.
-Hm? – Ele respondeu à pergunta, sem muita atenção nas palavras.
-Eu vou ficar com a casa só pra mim durante a próxima semana, inteirinha. –mordeu levemente a boca, enquanto explorava o peito dele com as pontas das unhas, deixando a atenção demais perdida do que aquela situação. – E eu acho simplesmente péssimo ficar sozinha. Completamente sozinha! – Um beijinho cheio das 500 intenções foi dado na mandíbula do homem e ele suspirou querendo morrer por não ter perdido totalmente a sanidade ao ponto de ceder aos pedidos dela.
-É, é péssimo… – Ele mordeu a boca e fechou os olhos com força. Que ele não ia dormir, ele já sabia, mas queria passar a noite acordado com ela. –… não dá. E-eu tenho uma penca de coisa pra resolver sobre a colônia de férias, você sabe. – A apertada na cintura da moça foi inevitável com a mordida que ela deu na pele dele.
-Você é péssimo com mentiras. Nunca soube mentir. – A mulher soltou uma risada larga e aquilo o deixou sem jeito. Merda, por que ela lhe tirava tanto do seu eixo? – A situação é complicada? É isso?ainda pesa? – Ele coçou a cabeça e se deu por vencido ao confirmar que por enquanto não dava pra ir mais além.riu baixo e o beijou levemente. – Eu supero, não vou morrer em ficar sozinha!
-Para de jogar na cara! – O homem vincou as sobrancelhas, se condenando completamente não digno do pinto que tinha. Qual é? Ela estava claramente o convidando pra lhe fazer companhia aquela noite e não era pra jogar UNO. Mas ele simplesmente resistiria até o fim. Era uma bosta, mas era verdade.
-Que eu vou ficar sozinha? Sem ninguém em uma casa enooorme. É péssimo ficar só! –fez um bico.
-Porra,! – O pedagogo suspirou sofrido, embora não tivesse soltado-a um segundo sequer.
-Desculpa, eu estou me vingando? – Ela apertou a boca dele entre o indicador e o polegar, vendo o amigo tentar capturar seu dedo com a boca. Os dois riram.
-Do quê, exatamente? – O homem mordeu levemente o lábio dela.
-Do seu péssimo comportamento há uns bons anos. –piscou.
-Deus perdoa.faz sofrer? – Os dois riram assim que o homem a acomodou um pouco mais ao corpo dele. Os dois queriam aquele beijo de novo, queriam aquele contato em desespero dos corpos, por mais que só deixasse o tesão ainda mais afiado.
-Basicamente! – O sorriso superior da mulher tomou forma nos lábios carnudos dela e após uma puxada na gravata, fezbeija-la novamente com a mesma volúpia e tesão de antes. Se os dois não iam transar aquela noite, poderiam ao menos aproveitar o tempo que restava pra dar uns amassos.

Você deveria dançar comigo, não com ele

Fim de festa era sempre melhor do que todas as representatividades pomposas do começo. As pessoas pareciam mais alegres e relaxadas, não se sabe ao certo se pelo alto teor de álcool nas veias ou se pelo fato de que todas os problemas já terem passado, mas sem dúvidas, era a melhor hora pra rir e conversar.eestavam dançando na pista como dois irmãos unidos que eram, a amizade era realmente muito linda e enchia os pais de orgulho.
-Eu sei que você vai ficar sozinha lá na casa da mãe. – Ele disse enquanto a fazia girar em volta do próprio eixo e os dois acharam graça com o divertimento. – Então, em nome da segunda geração dos, queria dizer que lá em casa tem um quarto livre e todo seu, se você quiser.
A moça sorriu tão largamente que havia encolhido seus olhos redondos, abraçando o irmão com força em seguida, esmagando as costelas do músico como se aquele fosse o seu presente de natal mais desejado. O homem riu com a meiguice dee a abraçou tão calorosamente, sacudindo de leve o corpo mais franzino da enfermeira.
-Obrigada! – Ela beijou-o na bochecha. – Eu vou sim, só preciso juntar minhas coisas amanhã e na segunda já chego lá bem cedo, afinal também quero ajudar com os preparativos da colônia de férias e entender melhor como vai ser.
-E o prêmio de melhor irmã do mundo vai para… –sacudiu-a de leve e viu na hora em que a irmãzinha fez uma pose exagerada, sendo anunciada pelo pedagogo que estava um pouco alto àquela altura do campeonato.
! – O outro falou com a voz grave e parecia acompanhado da mãe. Merda, Lottie, por que você precisava ser tão incisiva com aquilo?tinha certeza que a mulher faria os dois dançarem como se fossem namorados. – Vai, larga sua irmã que eu vou dançar com ela! – O sorriso sem vergonha varou o rosto dele, embora só ela entendesse perfeitamente o que aqueles lábios gostosos queriam dizer.
-Claro que não! – O músico deu mais um rodopio com a irmã pra desviar do amigo e os dois riram como crianças.de um pulo pro lado e assim que os irmãos pararam o rodopio,estava praticamente nos braços dele, tinha sido sim um movimento muito bem pensado. –! – Os dois gritaram ao mesmo tempo, indignados!
-HÁ! – O outro rebateu rindo e empurrou de leve o melhor amigo, como se disputasse a dança com a moça. – Minha vez! – O homem riu e saiu rodando com ela pro meio do salão, enquanto ouvia os gritinhos de duas loucas e as gargalhadas inconfundíveis de. Os dois acabaram rindo também.
-Qual o problema dessas duas? –sacudiu de leve a cabeça, enquanto acomodava os braços nos ombros dele e sentiasegurar delicadamente a sua cintura.
-E eu lá entendo elas? – Ele deu de ombros.
-Não olha. Mas eu acho que a Lottie tá cutucando as amigas. – A moça comentou em um sussurro e viufazer exatamente o contrário do que ela tinha pedido, parecendo algum daqueles personagens tenebrosos que giravam a cabeça em 360 graus. –! – Ela ralhou ao praticamente segurar a cabeça dele.
-Elas estão mesmo olhando pra gente? – O homem não foi nada discreto, fazendosoltar um suspiro indignado. – Minha mãe está bêbada. – Ele esganiçou ao encarar a amiga, que prendeu uma risada. Quem não estava meio alterado àquela altura do campeonato?
-Você não vai dar corda para essas duas malucas! –foi firme e ganhou um beijo na bochecha, bem afrontoso. – Minha mãe tá doida! Vai dar PT na segunda lua de mel!
-Dar corda é legal! –abriu um sorriso malandro e aproveitando que poderia culpar qualquer elemento daquela festa, juntou um pouco mais o corpo dos dois, lembrando dos minutos oportunos na cozinha do salão.
-Não mesmo! – Ela esganiçou um pouco alterada, aproveitando pra passar a vista pelos arredores do salão circular. Gente, tinha gente demais ali observando algo que era pra ter sido casual e embora ela soubesse encarar várias situações, aquilo – ou talvez a bebida- começava lhe revirar o estômago. – Você tá vendo isso? Tem plateia, eu me sinto com 16 anos e a merda de um vestido ridículo bufante.
soltou uma gargalhada espontânea e aproveitou a proximidade com o pescoço dela pra abafar que a risada saísse alta demais e consequentemente, chamou mais atenção por mostrar uma intimidade suspeita com. Desde quando eles tinham toda aquela proximidade e intimidade gritante para “Não é apenas amizade”?
-A gente não deu o que elas queriam na sua festa de 16, as duas estão se cobrando. – O homem continuou a achar graça, mas dessa vez bem menos escandaloso.girou em volta do próprio corpo, induzida por ele, que fez o mesmo depois. – E não precisa ficar tensa,. Eu não vou fazer nada! –piscou ao receber ela de volta nos braços.
-Você também não ia lá dentro da cozinha. – Ela aproximou um pouco mais a boca do ouvido dele, sussurrando a frase pesadíssima de malícia.
-Ah, mas lá foi divertido. Aqui eu vou ouvir gritos! –ponderou sus atos e ouviu a gargalhada espontânea da garota que era a tentação em pessoa.
-Eu sinceramente, não tenho culpa de nada. Você quem ficou com a minha amiga, para desgosto da sua mãe e da minha! – A garota girou em torno do próprio eixo e foi segurada novamente pela cintura, apoiada tão firmemente no corpo dele que podia jurar haver um magnetismo entre os dois.
-Você não me deu bola, eu fiquei com quem deu. –riu com a audácia do que disse e ouviu a gargalhada dela de deboche. Os dois sabiam bem que não tinha sido exatamente daquele jeito, mas ela não ia perder a oportunidade de rir daquilo, mostrando que estava superior a qualquer birra idiota.
Mentirooooso!cantarolou levando na onda de brincadeira e sentiu um beijo estalado na bochecha, à medida ouvia gritinhos escandalosos das duas noivas do ano. – Mas já que bateu o peso na consciência, vou te confessar uma coisa…
-Que você ainda gosta de mim? – O homem arqueou a sobrancelha como prepotência e a única coisa que conseguiu foi uma risada de deboche.
-Que eu espalhei pra toda as meninas do bairro que você era bem mini. Não me orgulho, mas eu fiz. Desculpa! – A garota prendeu uma risada bêbada, pelas inúmeras rodadas no meio do salão, ao ver que o queixo ele quase encostava no chão de indignação.
-Eu desmenti todos mesmos. – O sorrisinho sem vergonha tomou conta dos lábios dee a enfermeira lhe cobriu no tapa, ouvindo o homem rir alto.
-E eu jurando que tinha conseguido o feito de acabar com a sua vida! – Ela bufou inconformada, mesmo sabendo o quão infantil tinha sido todo aquele ciúme sem sentido, afinal era óbvio que na época,só ia conseguir encará-la como uma irmãzinha e nada mais que isso.
-Você bem que tentou, mas eu triunfei. – O homem piscou sinuoso e em um movimento elegantíssimo, fez com que a amiga se distanciasse levemente do seu corpo como se tentasse mostrar o quanto ela estava estonteante naquele vestido verde esmeralda que tinha tirado o seu juízo.
Osó não esperava o que aconteceria a seguir,aproveitou que ela estava longe dee abraçou-a levemente por trás como se roubasse o par de dança do mais velho, notando que o pedagogo não tinha gostado nenhum pingo daquilo.riu pelo duelo pacífico – até aquele momento – e não deixou de ouvir a vaia de, com certeza, provocando o melhor amigo e toda a pompa que ele tinha usado pra roubar a vez na dança.encaroubem incisivo sobre não soltá-la, mas o músico parecia não dar a mínima para os olhares reprovadores do filho mais velho dos, o mais novo era bem conhecido por ser pirracento.
-Garanto que você vai cansar de correr atrás da gente se não soltar a mão dela. –provocou com um sorrisinho de deboche e arrancou uma arqueada de sobrancelha bem duvidosa da moça.
-Que pirralho mais mal-educado. –bufou como se tivesse o peso de meio século nas costas e se deu por vencido ao soltar a mão de, voltando ao bar ajeitando as mangas dobradas da camisa, deixando a filha mais nova doscom peninha do acontecido.
-Te salvei de aguentar as conversas de um velho de meia idade? –riu ao segurar a cintura da amiga e ela mordeu a boca, esboçando uma careta de mais ou menos.
não é velho! – A garota defendeu. – Ele só ficou ofendido de ter sofrido um roubo roubado. – Ela fez careta com a frase confusa e os dois riram alto. O loiro semicerrou os olhos para aquela conversa ressentida.
-E desde quando você se importa assim com o? –perguntou ao tentar sondar a amiga e torcer pra que toda aquela história antiga tivesse mesmo sido superada.
Só ele sabia o quantotinha sofrido por um babaca mais velho e o quanto ela tinha jurado pisar noum dia. Se ela que gostava perdidamente do cara, queria isso, quem era ele pra não estar presente pra lembra-la das promessas e ajudá-la a concretizar seus desejos de vingança mais obscuros?
-Nós somos adultos,! – Ela segurou firmemente no ombro dele ao dar um rodopio no salão. Qual era o problema daqueles caras? Ela já estava ficando zonza com tanto rodado.
-E parece que você não anda me contanto o que tá acontecendo… – Os grandes olhos azuis com uma pontinha castanha se apertaram novamente e o sorriso de gases da mulher foi sem tamanho. – Ah não,! Isso de novo não! – Ele parecia desesperado o bastante em deduzir o que estava acontecendo. Ela se limitou a soltar uma senhora risada alta.
-A gente se pegou, foi só isso, pelo amor de Deus! – Ela rolou os olhos claros por trás dos cílios enormes e sentiu uma baforada de ar na cara, de alívio. – Que bufada de alívio é essa? – A pergunta era pra ser indignada, mas saiu bem mais ofendida pelo bafo do garoto.
-Porque eu sei que você tá mantendo distância segura de problemas. – Ela fez uma careta desgostosa. – E convenhamos que você não presta,, o risco de ele sair de muletas disso, é bem maior do que você se apaixonar de novo.
-Que horror,! Que imagem horrível você tem de mim! – Ela pôs uma das mãos no peito, ouvindo as risadas dele.
-Eu te conheço, bruxinha! É bem diferente. – Os dois apressaram os passos com a música que só ficava mais animada. – Sério, não destrói o coração do cara de meia idade, nessa altura da vida as coisas são difíceis de superar. – O garoto debochou e tomou uns tapas dela.
-Eu sou uma mulher, não uma adolescente! –parecia indignada, mas acabou rindo junto com ele que desviava dos tapas. – Não vou mentir que a tensão sexual entre nós é quase sufocante, mas sabe… É isso. Sexo. – Ela deu de ombros e desviou de leve o olhar pra onde o outro estava e parecia já ter superado o roubo. O pedagogo abraçava a mãe e ria do jeito que ela parecia o repreender por qualquer coisa, Lottie apontou na direção dee, fazendo o filho olhar com uma gargalhada na garganta e a moça desviar o olhar rapidamente.
-Só cuidado tá? Eu não quero que o tiro saia pela culatra. –piscou pra moça em um pedido que ela tivesse cautela nas ações e a viu rolar os olhos como se não desse importância ao aviso.

Parte quatro: Ou vai, ou racha

Música do capítulo: Hooked – Why Don’t We

2019

Essa carona foi meio arriscada
A mulher se encolheu pelo vento forte e rápido batendo na sua cara e sem hesitar, acochou os braços em volta da cintura de . O medo de cair da moto, ou de ela cair com os dois juntos, ou qualquer coisa do gênero só a impulsionava a querer segurar a cintura dele e sentir que nada a arrancaria dali, nem o vento forte que já tinha desmanchando todo seu coque. realmente não entendia o que impulsionava as pessoas se apaixonarem por velocidade, algo tão instável e assustador. Sabia bem como começava, mas nunca iria saber qual o fim que aquilo iria ter. Era tão assustador quanto se apaixonar perdidamente por alguém.

O homem soltou uma risada breve ao parar em um semáforo e sentiu-a beliscar seu abdômen por cima da camisa.

-Ai, ! – reclamou como uma criança pequena e só recebeu um tapa ardido em troca.

-Você é surdo? – Ela soltou um berro indignado, por mais que não conseguisse ter nervos pra soltar ele e brigar com dignidade. – Eu pedi pra ir devagar, eu tenho medo de morrer nova demais e você parece um louco desenfreado, !

Ele soltou uma risada divertida, assim como o guidão da moto, largando o corpo um pouco pra trás o que fez o rosto dela quase encaixar em seu pescoço de tão abraçada que a enfermeira estava.

-Eu disse que minha carona era arriscada, foi você quem aceitou. – A malandragem dançava nos lábios dele como se aquilo fosse tudo que o homem soubesse fazer. – Mas pode apertar mais, eu não acho ruim. – brincou ao contornar os braços dela em seu corpo.

-Idiota! – finalmente se soltou pra estapear o braço dele e ouvir a gargalhada divertida.

-O sinal abriu, … Acho bom me agarrar de novo. – A risadinha sem vergonha escapou do e assim que ele acelerou a moto, sentiu a moça se agarrar em seu corpo com uma rapidez imensa. Ele gargalhou.

-PATETA! – Ela xingou meio apavorada e ainda escutando as risadas incontroláveis do mais velho, sentiu a moto sair tão rápido quanto ele tinha acelerado.

O caminho até o bairro que os dois tinham crescido não durou muito, mas a garota sentia que seu coração poderia sair pela boca a qualquer momento só pela velocidade com que a moto varava as ruas vazias pelo horário. Já era quase quatro da manhã, momento em que tudo tinha sido finalizado direito no salão de festas e restado apenas os quatro cavaleiros do apocalipse pra dispensar todo mundo e agradecer pelo belo trabalho. Dali a pouco o sol apareceria pra iluminar um domingo que prometia calor, praia e quem sabe uma cervejinha, embora só quisesse dormir depois da festa cansativa. não estava muito diferente e por mais que negasse a todo custo, sabia que a idade chegava e que ele não tinha mais pique pra fazer tanta merda como fez quando era da idade da moça na sua garupa.

Ele estacionou a moto com calma em frente a casa dos , baixou o pé de ferro pra apoiar melhor os dois no chão e por fim, tirou o capacete em um movimento bem sensual, por mais que estivesse grudada em suas costas e não pudesse perceber.

-Está entregue, moça medrosa. – Ele riu baixo, tomando a liberdade de fazer carinho na mão dela quase fincada em seu abdômen. Talvez pudesse usar como desculpa pra que ela lhe soltasse.

-Você é um idiota, ! – Ela o desabraçou com rapidez e deu um empurrão firme nos ombros do pedagogo. Ele só sabia rir. – Eu pedi pra vir devagar! – desceu da moto ainda indignada pelo medo desnecessário que havia passado e recusou qualquer ajuda do melhor amigo do irmão.

-Ah, … Qual é? Foi legal! – O homem riu ao ver a luta dela pra soltar o capacete preso no queixo. Ela estava tão puta pela rapidez que mal conseguia segurar o gancho direito. sacudiu de leve a cabeça e após pendurar seu capacete no guidão, levantou pra ajuda-la com a fivela inocente, mas que causava ainda mais raiva na moça. – Deixa eu te ajudar! – A risada saiu baixa e logo ele desafivelou o fecho, ouvindo um suspiro aliviado dela. Tirou o capacete de e sem controlar os impulsos, beijou a garota brava a sua frente.

A mão da mais nova pousou na bochecha do pedagogo e como se não conseguisse se afastar o beijo só ficou ainda mais fervoroso em frente a casa clássica. O homem mordeu de leve a boca da enfermeira e suspirou frustrado por saber que não deveria sequer estar ali fazendo aquilo, quanto mais querer entrar e ver o sol amanhecer com ela deslizando em seu colo. Só que infelizmente, era tudo que ele queria e pelo olhar pidão de , ela também.

-Você precisa ir. – Ela suspirou ao verbalizar o desespero estampado na cara dele e o homem só conseguiu afirmar com um aceno frustrado, se sentindo o cara mais estúpido de todos os tempos. – Eu entendo! – riu da cara de dor dele e lhe roubou mais um beijo. – Vai pela sombra!

-Obrigado, . – Ele riu um pouco apavorado e coçou a cabeça. – Prometo que ainda vou te recompensar sobre isso.

-Eu sou paciente. – Ela abriu um sorriso convencido, o fazendo entender que estava tudo bem.

Se o gato não está em casa, os ratos fazem a festa
A organização para a colônia de férias ia de vento em poupa, tinha se engajado realmente com o evento infanto-juvenil da escolinha e embora não conhecesse as crianças, tinha ajudado a cunhada a realizar as entrevistas e selecionar os melhores monitores para a semana agitada que viria a frente. O quarteto havia se reunido mais de uma vez ao longo daquela semana pra decidir a programação e atividades que seriam desenvolvidas com as crianças.,e tinham se responsabilizado por ministrar as atividades, deixando com a parte de organização durante o evento, que estava sendo um sucesso. Até crianças que não faziam qualquer atividade na escolinha tinham se matriculado nas “Férias musicais” da L’Art Musical, sem falar nas mães que pareciam enlouquecidas por uma vaga para o ano letivo musical.

ehaviam almoçado juntas e conseguido resolver metade das pendências quee não resolveriam nem com todo o tempo do mundo, o poder era das garotas sim e quem discordasse era homem.

Nesse meio tempo, o irmão mais velho dos havia mandando uma mensagem avisando que todos os cartazes da colônia de férias haviam ficados prontos e que alguém fosse busca-los, ele tinha acabado de chegar em casa e precisava de um banho frio pra virar gente de novo. Sendo assim, a mais nova dos pegou a chave reserva de com a melhor amiga e partiu em direção a casa do pedagogo. Quanto antes elas conseguissem pendurar os cartazes na escolinha, melhor!

? – chamou, já dentro da casa média e por mais que ouvisse a bela cantoria do homem em algum lugar, não ia invadir ainda mais o local sem permissão. Principalmente quando um fator chamado Delilah raivosa poderia aparecer e querer lhe matar com o susto dos latidos. – ? – A ideia de não invasão foi se desfazendo à medida que ela não recebia resposta. A casa não era tão grande e ele provavelmente estaria arrumando algo pelos quartos, não acharia ruim se ela o achasse ali.

A porta do quarto dele estava entreaberta e a cantoria mais alta do que nunca. Ela inspirou o ar de uma vez e ainda com receio, empurrou a porta de madeira abrindo caminho pra dentro do quarto claro, avistando a cama de casal com os lençóis levemente bagunçados. riu baixinho pensando em como todo homem era igual mesmo e ao fazer uma varredura por todo o cômodo, encontrou seu sonho adolescente apenas de toalha e recém saído do banho em uma das imagens mais sensuais que já tinha visto. O tecido da toalha pendia no fim das entradas do abdômen, como se fosse um martírio estar ali e a qualquer momento poderia desistir de cobrir o homem. As tatuagens do braço estavam escurinhas e pareciam deliciosamente apetitosas a ela, com as gotas d’agua brincando de quem escorregava mais rápido. Aquele parecia mais o inferno de tão tentador e era o capeta, que ela queria sentar no colo e ser punida como a bad girl que era.

-Desculpa! Eu não sabia. – A voz aguda sobressaiu o silêncio, fazendo o homem virar com os olhos arregalados pelo susto. Como ela tinha entrado ali? – Eu vou esperar lá fora… – Ela se limitou a pontar pra fora do quarto, por mais que não tivesse dado um mísero passo. As pernas estavam derretendo feito gelatina.

Onde diabos estava a Delilah latindo feito louca quando ela mais precisava?

! Oi! – O sorriso largo e espontâneo fez as bochechas inflarem de uma forma bem bonita. – Que é isso, não precisa sair. – Ele meneou a mão. – Senta aí! – apontou pra cama no meio do quarto, mas que parecia longe demais pra que ela desse uns passos.

-Aposto que não precisa… – A mulher resmungou conformadíssima com o convite, aproveitando a oportunidade pra escanear cada pedacinho do abdômen dele com os olhos. – É… – mordeu o lábio, encontrando um par de olhos divertidos lhe encarando provavelmente desde a hora que ela havia decidido começar a secá-lo. –me pediu pra vir buscar os folders da colônia de férias!

-Tá no outro quarto! – O homem sacudiu o cabelo ainda molhado, depois apontou pro quarto ao lado. – Senta aí, eu já pego pra você, a gente fica conversando. – Ele indicou a cama após ajeitar a toalha na cintura e mais uma vez, atrair os olhares safados dela.

-Oi? – A enfermeira parecia não ter escutado nada que ele dissera. – Você acabou de sair do banho, eu vou procurar! – Consciência recobrada, mas ainda com a dignidade perdida, deu uma de respeitosa ouvindo-o rir daquilo.

-Exato, eu tenho que me arrumar e não quero ficar sozinho quando não preciso. Senta a bunda na cama, mulher! – A quase ralhada fez os dois rirem. se deu por vencida e fingindo pisar duro no chão, se jogou sentada na cama.

-O que você não pede sorrindo que eu não faço chorando? – Ela mostrou a língua e riu convencido. – Cadê a mensageira do apocalipse?

O homem riu com o novo apelido da cadela, por mais que fosse meio cruel chamar uma bichinha tão carinhosa de mensageira do apocalipse. Embora ele não pudesse discordar totalmente, ela instalava o desespero quando estava irritada!

-Quase nada! – O revidou o xingo dela. – Não vai te prejudicar em nada a sua vida sentar nessa cama, coisa reclamona. E a Delilah está no banho! – Ele esfregou uma segunda toalha no cabelo, uma bela cena no contraste do sol que entrava pela janela refletindo em seu tronco e ouviu a risada de criança que veio de .

-Meu tempo! – Ela suspirou e percebeu que logo começaria o show pelo quarto. – Por isso não ouvi latidos quando entrei. – A moça se referiu ao banho da cadela.

jogou a toalha que enxugava o cabelo em cima da cama e entrando em um assunto aleatório com ela, andou na direção do armário que guardava suas roupas. Céus, por que ele precisava ser terrivelmente gostoso daquele jeito e simpático, além de gentil e divertido? Se a de 15 anos não tivesse sido enterrada em Toronto, a de 24 anos tinha certeza que a garotinha apaixonaria vergonhosamente de novo. Entre as respostas automáticas que a mulher dava pra ter seu momento secador ambulante, pode vê-lo abaixar a postura pra pegar algo em uma das gavetas na parte baixa do roupeiro e involuntariamente inclinou a cabeça, à medida que ele empinava a bunda pequena, ainda coberta pela toalha branca. tinha feito aquilo de propósito, não tinha como ter sido involuntário!

A falta de equilíbrio traiu a desavisada e logo o corpo da enfermeira impactou no colchão de molas, deixando-a desesperada com a péssima sensação daquilo balançando sem controle.

-Inferno! – Ela tentou levantar e atraiu a atenção de um bem confuso.

-Você caiu? – O homem arqueou de leve a sobrancelha e apertou o nó da toalha na cintura, embora estivesse confuso se a deixava cair ou insistia nas ameaças daquilo.

-Ela é de molas, não me culpe! – esganiçou tentando sentar novamente e quando conseguiu, fez careta. – Como você consegue dormir aqui, ?

-Costume. – O mais velho deu de ombros, sacudindo a muda de roupa que estava em mãos, o que despertou a atenção de . Será que ele iria sair? Bom, não ofendia perguntar. – Mas me diz, por que você pulou na minha cama? Só cai assim. – A piscada provocativa a fez rolar os olhos, embora com aquele ar leve e divertido de quem estava gostando da companhia dele.

-Eu me joguei de costas, o que é diferente. – levantou o indicador pra mostrar a ele. – Não dá nem pra se mexer aqui, imagina…

-Oh, eu garanto que dá. – O homem abriu um sorriso safado no canto dos lábios, fazendo-a arquear as sobrancelhas. – Bom, achei minha roupa! – jogou a camisa de malha, bermuda e cueca na borda da cama, bem perto de onde estava.

-É transar em cima disso e atacar a labirintite, . Sem chance! – ela abriu os olhos levemente pra deixar bem claro e os dois riram, por mais que as expressões de deixassem claríssimo que dava sim. – Fiz meu ex-namorado trocar o colchão, por que sinceramente? Não dava. – A risada leve se fez presente. –Você vai sair? – A moça apontou pras roupas.

-Ainda bem que ninguém me pediu isso ainda! – Ele apontou já pronto pra tirar a toalha fora, mas queria atenção exclusiva da moça. Ele mordeu a boca bem satisfeito ao perceber o jeito que encarava seu abdome. – Não vou sair, mas quero ficar decente em casa. – disse como se não desse a mínima para toda a situação que lhe envolvia e aproveitando isso, arrancou a toalha do corpo como se fosse rotina ficar nu na frente da irmã do melhor amigo. Mas se ela estava tão concentrada em ver, quem seria ele pra negar?

! – O esganiço apavorado saiu da boca dela, enquanto a garota mirava qualquer coisa no teto muito concentrada a não olhar pra baixo.

-Que foi, caramba??? – Ele gritou tão alarmado quanto, só que pelo susto que o grito fino dela tinha lhe metido. era doida?

-Você tá nu, filho da puta! – O esganiço saiu desafinado, enquanto ela parecia controlar seus instintos de olhar novamente. Céus, por que raios ele tinha feito aquilo depois de tanto doce?

-Vai dar torcicolo. – A zoada surgiu divertida ao ponto de fazê-la rir, por mais que não quisesse. – E não tem nada aqui que você não tenha visto, mulher! Você não é enfermeira?

estreitou os olhos com o afronte que tinha saído da boca dele, finalmente voltando a olhar para o homem, só que dessa vez o rosto dele, que tinha um sorriso engraçado.

-Bom, se não tinha visto… agora viu!

-Preferiria não ter visto! – A garota sorriu com a maior carinha de convencimento. Por mais que não parecesse, não era exatamente uma mentira por ser exatamente igual ao ditado “o que os olhos não veem, o coração não sente”.

-Ah , não seja puritana. – fez um bico entristecido, deixando-a impressionada com como o clima continuava leve com tudo que acontecia ali. – Você tá louca pra baixar a vista e confirmar que todos os boatos que a senhorita mesma criou são apenas isso, boatos. – O homem soltou uma piscadela sem vergonha e deu de ombros, embora continuasse parado.

A gargalhada da garota saiu tão espontânea com aquela história, que ela não teve escolha a não ser desfrutar do momento. Ela queria ver e ele mostrar e realmente não era tão complicado assim, era bem satisfatório, na verdade.

Se tinha uma coisa que não tinha, era vergonha do próprio corpo, talvez há uns anos aquela situação sequer acontecesse. Mas o homem já tinha perdido coisas demais na vida até entender que nem toda notícia fincada na masculinidade era verdadeira.

-HÁ! – O grito vitorioso dele veio acompanhado de um dedo em riste. Os dois eram idiotas demais!

-Eu estou me sentindo suja! – Ela soltou entre risadas remanescentes e coçou o rosto que queria ficar vermelho perante a situação. nu na sua frente e bem confortavel com aquilo, ao menos era o que parecia.

-Pensamentos impuros? – O homem perguntou rindo ao ver as bochechas dela querendo ficar róseas. – Então vou te deixar olhar mais um pouco. Aproveita, eu já vou me vestir. – Ele pegou a cueca boxer em cima da cama, o que fez dar graças a Deus. Principalmente pelo modelo da roupa de baixo, levando em consideração que aquelas cuecas cavadas eram ridículas.

-Não é assim que se aproveita essas coisas, . – A mulher cruzou as pernas em uma pose bem experiente e estreitou os olhos pra completar o pacote. Os dois riram. – E a situação me deixa suja. Você parece um stripper querendo que eu olhe pro seu pinto!

-Quando eu quiser virar um, , você vai saber. Acredite! – O homem piscou sinuoso, embora satisfeito com o momento. Era como se fosse o impulso pra coragem que ele precisava pra esquecer o ciúme idiota dee finalmente ficar com . – Bom e se quiser aproveitar do seu jeito, estou disponível, mas aí precisa ser na sua casa, já que odiou meu colchão.

A mulher gargalhou com a carinha de cocota safada que ele fazia, embora fosse até fofo ver as bochechas de infladas. Ele sempre tinha bochechas muito fofas e nem quando decidia dar uma de safado, perdia a essência das bochechas.

-Eu divido casa com meus pais. Vou ter que te fazer de colchão então! – ela esboçou um pico pensativo e agradeceu ao universo por ele já estar com a bermuda em mãos. Ela nunca iria entender como um homem de cueca era mais sexy do que pelado, ainda mais quando a imagem da nudez não era das mais bonitas. – Você é tão cretino! – esbravejou ao ver que o amigo tomava outro banho, só que de perfume, aquele viciante que tinha empregando em suas narinas no outro dia no carro.

A reação de foi lhe mandar um beijo provocativo.

-Sobre o nosso combinado, vai ser assim? No seco? Sem um jantar antes? Nossa, como os tempos mudaram. – Ele suspirou fingido, ouvindo a risadinha divertida da mulher a sua frente. Ela estava com um sorriso claro esticando os lábios e o fazia se condenar por acha-lo tão lindo e hipnotizante. mordeu a boca levemente e sacudiu a cabeça, tentando esquecer o quanto aquele sorriso acabava com seu juízo e não era da forma que ele estava esperando, principalmente quando ela parecia um anjo sendo iluminada pelo sol da tarde que invadia seu quarto pelas janelas imensas.

-Você paga a pizza! – A mulher cortou o momento reflexão, mesmo sem imaginar que ele existisse e instintivamente, se apoiou no colchão pra levantar.

-Só marcar o dia! – O homem sorriu, mais encantado do que deveria e ao fechar o botão da bermuda, não percebeu o momento que ela levantou da cama box. Embora não tivesse percebido o aceite para a proposta de sexo.

-O que fizeram com você? – As expressões de pareciam realmente confusas com a naturalidade de em aceitar a proposta de sexo.

Era diferente como o clima entre os dois parecia tão natural e divertido, sem tensão e um peso que sufocava a maioria das pessoas que falavam de sexo. Talvez os dois fossem sem vergonha? Talvez. Mas o momento parecia ir bem mais além de falta de vergonha, era uma intimidade absurda que poucos casais já tinham experimentado. Intimidade ia muito mais além de falta de vergonha na cara.

-O que fizeram comigo? – Ele soltou uma risadinha confusa, embora aceitasse de braços abertos o magnetismo que puxava ainda mais o corpo dela pra perto do seu.

-Sim! – Ela preparou os dedos pra enumerar. – Você tá me propondo sexo, ficando pelado na minha cara e ainda insinuando sacanagem.

-Não, não. – Ele sacudiu o indicador como uma criança. – Quem propôs sexo foi você, dona . – interrompeu a atuação dela em fazer a inocente. Aquela mulher tinha passado bem longe das palavras paz e inocência há muito tempo.

-Logo eu, , a virgem? – A garota tentou ficar séria, mas a desculpa era tão esfarrapada que os dois riram sem perceber o quão perto estavam um do outro.

-Ah vai te catar, nem você acredita!

-Você tá muito abusado, meu jovem! – O bico fingido dela puxava toda a atenção que queria dividir entre a conversa e o calor que o corpo de emanava tão perto do seu. – Insinua que eu não sou inocente?

-De verdade? – Ele fechou um olho fazendo uma caretinha muito fofinha. – Estou afirmando!

-E você não viu metade. – Ela umedeceu os lábios exageradamente, fazendo questão que ele visse.

não demorou muito pra perder toda a vergonha na cara que carregava até aquele momento e passar as pupas dos dedos pelo abdome de , subindo pela linha alba que dividia os músculos pouco definidos dali, mas que eram realmente lindos pela pegada mais natural. Aquele momento não só fez a pele macia do homem arrepiar em reação a cadeia de sensações que a mão dela trazia, mas também o fez prestar atenção nos movimentos da garota e se perder neles. fechou os olhos calmamente e após abrir, a encarou capturando todas as intenções que emanavam dos olhos expressivos da mulher impossível que parecia bem satisfeita em brincar com ele.

-Me mostra. – O sussurro combinado ao olhar firme a fez controlar os impulsos de acochar as próprias coxas. Céus, ele não tinha encostado nela e a mulher já estava daquele jeito? Controle-se!

O clima no quarto não foi quebrado nem pelo barulho da rua ao lado de fora da casa, era apenas mais um aditivo ao gosto de proibido, principalmente quando na cabeça dos maiores moralistas aquele era o horário útil do dia e nada daquele tipo deveria ser feito. Uma pena que e estivessem mais interessados em se encarar e ver até onde o desejo dos dois ia. O homem apoiou as mãos inquietas na cintura dela em um ato ansioso pra que pudesse puxa-la, enquanto sentia as mãos dela se espalharem ainda mais em seu peito como se procurassem um lugar que pudessem apertar e fincar as unhas.

-Quer ver? – A pergunta precedeu o momento que a língua dela entrou em contato com o peito nu dele, em um beijo que o fez fechar os olhos e apertar a cintura de como se aquilo desse autorização para a mulher usá-lo como bem entendesse.

-Muito. – O suspiro foi sofrido com mais um beijo que caminhava para seu pescoço e o fazia arrepiar inteiro.

-Então eu vou te mostrar. – A risadinha vibrou contra a clavícula do pedagogo, à medida que o homem enfiava mais as pontas dos dedos no quadril dela. As unhas de já brincavam de arranhar as costas largas e vê-lo tão arrepiado e rendido.

Se aquela mulher não conseguisse o que queria, nenhuma outra conseguiria!

-Mostra vai… – Ele esticou o pescoço pra cima como se fizesse o arrepio se espalhar mais rápido, ou se intensificasse a sensação. aproveitou o movimento e agarrou os cabelos da nuca dele, puxando um pouco mais a cabeça pra trás, gesto que o fez soltar uma gargalhada rouca e tão arrepiante quanto os dedos dela.

-Pede de novo! – A ordem saiu tão firme quanto os ombros dele.

-Me. Mostra. . – aproximou o rosto do dela só pra sussurrar aquilo e apertar bem a bunda da mulher com as duas mãos. Ela se arrepiou inteira com aquilo, não sabia exatamente como ele conseguia o equilíbrio de uma apertada gostosa, mas tinha certeza que queria mais.

O tom era um dos mais desafiadores assim que saiu da boca dele, instigando a alma competitiva da garota a sua frente. E pra mostrar quem mandava ali, ela o virou na direção da cama king size, decidida a empurra-lo ali e fazer dele o melhor colchão, embora tenha sido surpreendida com duas mãos na sua cintura assim que tinha impulsionado pra trás. Os dois caíram embolados no colchão, embalados pelo som das risadas divertidas que sequer quebraram o clima quente dentro do quarto.

-x-
Merda! Ele estava fodido, viciado e impactado.

voltou a postura pra cima do colchão e como de costume quando geralmente tinha um sexo muito bom, ficou paradinha digerindo o momento, ainda sentindo o baixo ventre vibrar, as pernas bambearam e o coração parecer que ia sair pela boca. Ela não sabia se acalmava o estado de espírito, ou aproveitava toda aquela reação maravilhosa que tomava seu corpo. Talvez os dois ao mesmo tempo! A mulher cobriu o rosto com uma das mãos e respirou fundo, bem paradinha sentindo o calor gostoso do quarto, o corpo derreter e ouvindo a respiração rápida de que estava ao lado, inclusive ele estava taquipneico* e precisava controlar as 27 incursões por minuto.

? – Ele levantou a cabeça ainda tentando controlar a respiração. Ela estava sentindo alguma coisa? Fazia uns bons segundos que estava paradinha e sem dar uma palavra, ou seriam minutos? cogitou a ideia de cutuca-la, mas recebeu um resmungo em resposta. – Tá tudo bem?

prendeu uma risada que fez seu corpo sacudir levemente.

-Estou digerindo o momento, me deixa! – Ela continuou paradinha em cima da cama. – Você quem está taquipneico.

-Bom assim? – O pedagogo havia se inflado com toda a intenção, porque tinha certeza da qualidade do sexo que haviam feito. Ela se limitou a levantar a cabeça e olha-lo com uma obviedade imensa que sim, comprovava todas as possíveis dúvidas de que tinha sido incrível. – E taqui… o quê? Hein? – Ele fez uma careta.

-Respirando curto e rápido, . 27 incursões por minuto! – A enfermeira soltou uma risada divertida com a dúvida dele. Além de trabalhar com crianças, também era especializada em pneumologia, então estava muito a pá do sistema respiratório. – Respira fundo pra controlar. – Os dois riram.

-Você estava contando? – O homem arqueou as duas sobrancelhas de uma vez, ainda que tentasse controlar a respiração como ela havia pedido.

-É involuntário! Eu sou enfermeira, ajuda a calmar! – Ela arregalou os olhos como se aquilo deixasse sua fala ainda mais certa. soltou uma risada estrondosa e ganhou um tapa de leve.

-Contar a minha respiração te acalma?

-De quem está do meu lado! – sorriu com a confusão dele. Por que era tão fofinho? – É terapêutico. Eu sei que parece loucura, mas obrigada por não verbalizar. – Um sorriso agradecido se confundiu a uma mordida inocente na boca e aquilo o fez prender um suspiro perdido pela imagem do sorriso limpo e sincero.

-Então foi bom. – intuiu a resposta positiva dela. Tá certo que os dois já tinham chegado aquela conclusão silenciosamente, mas ele queria ouvir.

-Claro que foi! – A moça finalmente respondeu. – Eu geralmente não passo mais de um minuto parada, então foi bom sim, muito bom! – Ela piscou provocativa.

-Você tá uns 10 minutos parada. Foi nível ninja! – O homem se inflou como se fosse pouco mais velho que ela e os dois riram alto. – Não ri! Deixa eu me iludir! – A reclamação fingida causou uma sacudida de cabeça em negação. – Você acha que eu estou falando de mim? Eu estou falando de você! Se eu soubesse que ia ser bom assim, tinha mandado minha consciência pastar na noite das bodas. – Ele se jogou na cama bem relaxado, passando as mãos pelos cabelos.

-Não ia não! – Ela pontou rindo. – Você gosta muito do meu irmão!

fechou os olhos com força e prendeu a respiração. Desde quandotinha virado pauta em conversa pós sexo?

-Você sempre foi quebra clima assim, ou é um privilégio meu? – A pergunta saiu desafinada e até indignada. Ela deixou que uma risada espontânea escapasse e sentou na cama, tentando achar o vestido que usava antes e a lingerie.

-Você é uma gracinha! – Ela encolheu os ombros ao sentir a pele ainda hipersensível as vibrações do corpo. Era bom manter distância do corpo de , ou ela explodiria em um choque. – Queria minha roupa!

-Tá… por aí. – deu de ombros, espalhado na cama como uma estrela do mar, ainda que observasse cada movimento que fazia pra procurar a peça de roupa. Ela era linda demais e não só porque estava nua, mas porque parecia limpa, radiante e explodia uma energia boa de estar perto.

-Acho que pelo chão. – Ela se apoiou de leve nos braços, projetando a cabeça pra fora dos limites da cama, oposta ao lado que estava. – Será que foi pra debaixo da cama?

-Acho que foi mesmo. – O homem riu e levantou a postura pra ajudar ela. – Deixa eu te ajudar a procurar! – projetou o corpo pra o lado que a garota estava e encostou o peito nas costas dela, vendo a mulher se encolher violentamente como se tivesse sofrido um choque de cócegas e as risadinhas desesperadas. – O que foi?

-Meu corpo tá vibrando. – Ela mordeu o dedo com os olhos fechados fortemente. Céus, que bosta era aquela? A única reação era de rir loucamente, mas tentou prender, sentindo fazer o mesmo.

-Respira fundo! – Ele aconselhou achando lindo ela encolhida e não se conteve ao dar um selinho estalado no pescoço descoberto da moça. tremeu de novo, mas o xingou depois disso.

-Vagabundo! Eu estou tentando, você não pode fazer isso! – Ela riu um pouco desesperada pela reação do corpo, até porque nunca tinha acontecido aquilo antes.

-Não vou ajudar. – afastou um pouco o corpo pra trás, desencostando o peito das costas dela. – Você já tá dando curto assim, se eu encostar acho que você infarta! – O homem soltou uma risadinha com a zoação, por mais que esperasse ela voltar a postura normal de novo.

-Vai à merda! Não era eu quem estava respirando ofegante. – A garota respirou fundo e se recompôs, sacudindo os cachos volumosos. – Acho que sua irmã pode me matar porque eu não voltei com os cartazes.

-Ela vai ter que superar, você tinha coisas mais importantes pra fazer comigo. – terminou a frase rente ao ouvido da mulher, fazendo a pele inteira dela arrepiar. – E quem sabe eu precise de mais ajuda, enfermeira. – O homem beijou-a no pescoço e não perdeu tempo pra circundar os braços na cintura dela mais uma vez.

-De novo? – virou o rosto de uma vez, dando de cara com um homem cheio de fogo enfiado em seu pescoço.

-De novo.

-Perdido por um, perdido por todos. – Ela deu de ombros e ao enfiar os dedos entre os cabelos dele, puxou a cabeça de para um dos beijos mais fogosos que os dois já tinham dado.

*Quando a pessoa está com o ritmo respiratório acelerado.
Você não quer mesmo me contar nada?
-Não! Me põe no chão! – Ela soltou um gritinho esganiçado por estar sendo carregada por . O homem a segurava pela cintura, enquanto a garota esperneava como se fosse uma criança birrenta.

-Você já chegou reclamando que tava andando demais! – Ele riu baixo e beijou a bochecha dela em um estalo, sendo pego no flagra pela irmã que saía da sala onde era ensinado canto.

soltou no chão, à medida que recebia aquele olhar felino de reprovação de umaque não estava gostando nadinha daquela pouca vergonha. Desde o início da manhã os dois estavam de risadinhas e joguinhos idiotas, geralmente não na presença dela e de. Mas que aquilo tinha algo suspeito, oh se tinha! Tinha até demais. A filha mais nova dos amassou a boca em uma linha fina e apertou um pouco mais a caixa de papelão contra o peito, recebendo de bom grado a advertência no olhar da melhor amiga.

quer sua ajuda lá no depósito, . – A casada ali apontou na direção do local e mediu o irmão como se quisesse bate-lo até ele virar do avesso. Só podia ser burro daquele jeito em outro mundo.

-Ok, tô indo. – O homem mordeu a boca, enfiou uma das mãos nos bolsos e depois de empurrar de lado, saiu na direção de onde o amigo lhe aguardava.

A garota engoliu em seco pela cunhada que lhe encarava incisivamente e sabia que assim que capturasse o olhar dela, precisaria contar tudo que estava acontecendo e tinha acontecido na última semana, ou perderia a confiança de uma vida.

-Você quer me contar alguma coisa, ? – Ela sentou na cadeira giratória da mesa que funcionava como secretaria e ouvindo o suspiro pesado da cunhada, entendeu que sim. Ela não só queria, como precisava contar a quantas andava com e como eles três resolveriam aquilo com.

-Assim, querer é uma palavra muito forte. – trincou os dentes com o indicador em riste, parecendo uma criança sapeca.arqueou as sobrancelhas duvidando que ela fosse começar brincar naquele exato momento.

A mulher se deu por vencida, largou as caixas de papelão e sentou-se à mesa de madeira clara, se ia contar tudo a, que ao menos estivesse confortável pra maior ralhada das américas. Um suspiro foi compartilhado entre as duas amigas e ele significava tanta coisa, mostrava o arrependimento de ter subestimado seu próprio autocontrole, o medo de sair do controle e sofrer como alguns anos atrás por parte da mais nova e o desespero da Mrs. só em imaginar a confusão que daria quando aquilo tudo fosse descoberto.

-A gente tá ficando. – umedeceu a boca, procurando o fôlego e as palavras corretas para aquela conversa. – Desde a festa das bodas que vem acontecendo e…

-Vocês transaram. –apertou as têmporas e quis bater a testa na mesa, a de .

Qual era o grande problema dos dois? Ficar de provocaçãozinha idiota até que ainda ia, mas era tão complicado entender que aquilo poderia sair machucando mais gente que o esperado? não era aquela rocha intocável que pintava ser, dentro daquele coração desapegado havia uma garota sensível, gentil, meiga e encantadora que não se controlaria pelo charme de . Outro imbecil que achava poder passar por cima de tudo, mas tinha o coração mais mole que um pudim, o homem tinha o histórico das piores decepções amorosas por não saber separar as coisas. Era por aquele motivo que estava solteiro até a presente data.

-Sim. – o suspiro escapou como um fardo, afinal não ia adiantar mentir pra.

-Usou camisinha, ao menos? – A pergunta da mulher parecia a de uma mãe preocupada e mesmo querendo rir, fez uma careta imensa com a pergunta. É óbvio que eles tinham usado, seria a maior das burrices transar sem usar absolutamente nada.

-Meu Deus,! É claro que a gente usou, credo! – A garota se sacudiu em um arrepio. – Ninguém aqui é adolescente ou burro. Céus! – esfregou a cara.

-Olha, eu garanto que burros vocês são. – A outra apontou indignada com aquela presepada. – Porra, ! – o xingo veio sem precedentes, quando a pose de mulher séria e madura deixou o corpo de. – Será possível que vocês não enxergam a bola de neve em que se meteram? Eu zelo pelos dois, eu cuido dos dois e eu sei que se essa brincadeirinha sem noção der errado, OS DOIS vão sair machucados. – Ela falava frenética, enquanto movimentava as mãos.

-Não é brincadeirinha,! – A outra gritou meio indignada pelo tratamento. – A gente tá ficando!

-Sem falar no meu marido, que está no meio dessa… disso. E sequer sabe que está! Já parou pra pensar que ele vai ficar magoado com o fato de vocês estarem escondendo o que aconteceu? Já pensou na minha e na sua mãe, que ainda tem a fantasia infantil de que um dia vocês dois vão finalmente se resolver e ficar juntos? – As duas suspiraram frustradas. Como diabos uma situação simples tinha virado tão complexa e envolvendo tanta gente ao mesmo tempo? – E eu, ? Como eu fico sabendo de tudo e sem poder magoar vocês dois e o?

A mais nova soltou um grunhido desesperado por finalmente se dar conta do tamanho do problema. Apertou o rosto com força como se fosse a salvação dos seus problemas e respirou fundo, sabendo que precisava resolver aquilo, embora não fizesse a mínima ideia de como.

-Você tá brava com a gente? – mordeu a boca em uma das expressões mais culpadas.

-Não, . –deixou que o ar escapasse fluido de seus pulmões. – Eu estou preocupada com vocês, os dois não têm bons históricos com relacionamento e seria um desastre que acabassem se machucando. O Baboo é um homem incrível e não merece isso, o mesmo vale pra você, paga de durona e desapegada, mas é uma mulher incrível também. Os dois merecem ser amados. – Ela soltou o apelido de infância que costumava chamar o irmão, quando aprendeu a falar e ouviu a gargalhada estrondosa da melhor amiga.

Ok, talvez fosse a hora de usar os segredos a favor dela.

-BABOO? – ria sem controle, enquantoqueria empurrar ela da mesa pra não ser descoberta.

-Cala a boca, tapada! – A outra soltou uma risada semelhante e levantou de uma vez da cadeira, tapando a boca da cunhada ou ouviria e a terceira guerra mundial se instalaria na escolinha de música. – Se ele ouvir, todo mundo morre! –ainda tentava abafar as risadas descontroladas da cunhada.

-Então você vai me ajudar? – parecia esperançosa ao fixar o olhar na cunhada, embora tenha recebido um gesto negativo pra sua pergunta.

-Eu não vou me meter, . É algo entre você, o meu irmão e o seu irmão. – a Mrs. mordeu a boca, vendo a outra se dar por vencida e afirmar contidamente.

Um abraço apertado e cheio de gratidão fechou o momento conversa/conselho, fazendo-as entenderem que elas estariam sempre uma pela outra, não importava o que acontecesse.

-x-
O turno de organização da escolinha tinha sido um dos mais pesados e combinado com a chuva de fim de noite, ficava inviável pra continuar com as arrumações e limpeza para a colônia de férias musical, a não ser que aquela chuva torrencial de verão passasse.e haviam descoberto uma goteira no depósito no auge mais forte da chuva, que por acaso tinha alagado metade do auditório, mas nada que os dois não conseguissem resolver em alguns minutos. Depois de um pedreiro, rodos, baldes e vassouras, o quarteto conseguiu deixar o local decente para o próximo dia de entrevista com os candidatos a monitores.

geralmente se sentia sozinha quando precisava estar sozinha em uma casa enorme, ou não dividir o apartamento com alguém, mas daquela vez estava sendo realmente diferente, a moça não conseguia imaginar melhor verão desde que tinha acabado o colégio.

Já era quase 8pm quandose esticou exatamente igual ao pai após uma tarde pesada de golfe e assim como ele, disse que suas costas estavam o matando.

-Não sabia que dava tanto trabalho organizar isso. – O homem esticado parecia não saber fazer outra coisa além de uma careta.

soltou uma risada desacreditada em partes, depois sacudiu a cabeça e dando uma palmadinha de conforto no marido, disse:

-Isso é a idade, você sabe que só piora né? Imagina quando a gente tiver filhos. – Ela apontou enquanto recolhia as coisas e prendeu um suspiro feliz ao ver como era natural as piadinhas do casal.

sequer tinha prestado atenção a toda a conversa sobre ter ou não ter filhos, ele estava preocupado em ser zoado se esticasse a coluna daquele mesmo jeito, como um senhor de idade veterano de guerra.

-Só preciso de um banho quente e estou novo em folha. – O solteiro em questão soltou uma piscadela provocativa, ouvindo três gargalhadas estrondosas.

-Você passou o dia no meu ouvido dizendo que estava cheio de dor, ! – abriu o jogo e com uma jogada leve de quadril, o empurrou de lado, deixandoque tinha visto o movimento de intimidade, com as orelhas enormes.

-Não dá pra fugir da idade, cara! –deu um tapinha no ombro do amigo enquanto passava por ele. – Vamos, amor? – O homem esticou a mão prae a viu sorrir de nariz empinado, por ser a única ali que estava certamente sendo amada como deveria.

-Vamos! – Ela arrastou a bolsa da mesa de apoio na entrada e enlaçou a mão na do marido.

-Você vai com a gente, ? –olhou pra irmã curioso sobre seu destino e mesmo sem querer, ela mordeu a parte interna da boca.

-Eu… Prometi uma cerveja a depois daqui, prometo que a levo pra casa. – se enfiou em uma conversa que nem de longe era dele, principalmente quando morava totalmente oposto a casa dos , sendo quase como atravessar a cidade. O casal encarou as reações da moça sobre o convite que parecia de última hora.

– Não querem ir junto? – Ela estendeu o convite de última hora e quis gritar em comemoração a esperteza da mulher. Ele estava muito bem acompanhado. – Qualquer coisa eu fico na casa da mãe hoje a noite. – deu de ombros.

-Nah, estou velho demais pra happy hour depois de uma faxina. –brincou, por mais que mantivesse a mão na lombar e colocou o celular no bolso traseiro da calça. – Você viu minha chave? – Ele perguntou a esposa.

-Acho que você deve ter deixado na sala da bateria. –apontou na direção da sala de aula, recebendo a promessa do marido sobre voltar logo.

A mulher encarou as duas caras lisas a sua frente, até porque já estava sabendo de tudo que tinha acontecido uns dias antes pela consciência de , porque se fosse depender de , ela continuaria inocente sobre o que a dupla andava fazendo.

-Esse, é irmão desse! – a Mrs. disse encarando os dois sem vergonha ali, assim que perdeu o marido de vista. – Eu estou de olho em vocês! – O aviso parecia mais uma ameaça e antes que pudesse retrucar, o amigo voltou gritando que tinha achado a chave.

Caramba, eu estou ferrado!
O caminho pra casa de estava realmente difícil pela chuva torrencial que caía, os dois estavam usando o carro dos que estava em lua de mel pelas bodas. O rádio sintonizado em uma das estações de maior alcance do país passava algum tipo de especial pop pra categoria de adultos mais jovens, dando total certeza a da faixa etária, por conhecer exatamente todas as musicas que passavam. Era fofinho o modo como ela se animava a todo novo acorde e querendo ou não, o filho mais velho dos conhecia alguma parte da letra ou quem sabe até ela toda, por lidar constantemente com crianças e adolescentes querendo aprender tocar alguma coisa nova.

A enfermeira pediátrica soltou um gritinho pelo coro no início da música, parecia harmonizado demais até a letra vir a tona, fazendo o homem se segurar pra não cantar desde o começo. Ele conhecia!

You got a bad reputation in my neighborhood
You drive me mad with temptation ‘cause it tastes so good

You know I wouldn’t walk away, even if I could

It took one night, one try, ayy

Damn, I’m hooked

O ritmo da música era um chicletinho muito do divertido, que estava deixando encantado com as caras e bocas que fazia ao dublar a música, encostando no braço dele como se tentasse seduzi-lo. Os dois sabiam que bastava ela sorrir e correria igual a um cachorrinho de coleira pros seus pés e se ele sabia e não estava achando ruim, quem acharia?

But Then you kiss my neck and take a bite! – A mulher passou o dedo pelo pescoço e apontou pra ele como se fosse uma intérprete da música, mas não esperou o que vinha a seguir.

-Everybody said I sleep with the enemy. cantou com uma das suas expressões mais sofridas, ouvindo a gargalhada da mulher ao lado. A música tinha bastante a ver com os dois e querendo ou não, ele se referia a ela. – I don’t even care if you’re gonna be the death of me, me, me.

-Eu não acredito que você conhece a Why Don’t We. – parecia surpresa e animada, vendo-o sorrir largamente com sua empolgação. Claro que ele conhecia e assumia que a banda tinha boas músicas, principalmente pra ensinar aos seus meninos.

-Claro que conheço, anjo! – O homem gesticulou com a mão, por mais que tentasse, sem sucesso, prender os apelidinhos carinhosos. Ele não prestava para aquela vida de casual, não mais, na verdade. – Os meninos na escola adoram as músicas da banda e eu precisava entender porque não era mais a sensação entre as adolescentes. – brincou, fingindo nunca tê-la chamado de anjo e a mulher pareceu fazer a mesma vista grossa.

-Já disse que essas crianças são as melhores, vou fazer a maior bagunça com elas nessas férias musicais. – Ela apontou e logo os dois estacionaram em frente ao portão da casa do pedagogo.

-Então você não vai ser mais monitora? – soltou uma risada divertida, enquanto vasculhava os bolsos em busca do controle do portão da garagem. Ele comemorou ter achado a caixinha e não contou conversa ao apertar o botão para abrir o portão.

-Não vai abrir? – fez careta ao ver o portão sem mexer do canto, enquanto apertava freneticamente o botão cinza. – Não deu certo?

-Não… – O homem fez careta pra caixinha e a sacudiu como se fosse um brinquedo. Os dois riram. – Eu acho que deve ter quebrado. Que bosta!

-Eu vou sair e tentar abrir lá. – Ela apontou para o portão branco, tentando ignorar a quantidade de água que caía e parecia não ter hora pra parar. As chuvas de verão eram sempre inesperadas na pequena cidade e quando iam embora, deixavam um lindo sol raiando.

-Não! Eu vou! – o homem soltou o cinto de segurança, já deixando o carro em neutro pra conseguir sair antes que ela retrucasse. – Tá doida que eu vou deixar você pegar uma gripe? – Ele parecia falar sozinho quando percebeu que a mulher mais teimosa que conhecia bateu a porta do carro.

-Você é maior pra gripe se alastrar! – Ela gritou fora do automóvel e viu o desgosto presente na cara dele.

! – O homem gritou em uma última tentativa de faze-la desistir, ganhando um beijo alado em troca. Ela era impossível mesmo e ele estava bem ferrado. – Teimosa! – sacudiu a cabeça em uma risada incrédula.

Ele se largou um pouco mais no conforto do carro ao esperar que ela abrisse o portão e fez uma careta quando percebeu a força imensa que a filha mais nova dos colocava pra abri-lo. coçou a cabeça e soltou o cinto de segurança, sabia que desde o início não deveria tê-la deixado sair na chuva com a invenção de abrir o portão, mas com uma mulher teimosa não se contestava. O pedagogo se encolheu ao sentir os pingos gelados atravessarem o tecido da camisa, estreitou os olhos e deu uma corridinha até a garota molhada que tentava empurrar o portão.

-Poxa, , achei que o tríceps tinha a mesma força da mão! – O homem fez um bico zoeiro pelos tapas ardidos que ela costumava distribuir e ganhou um na parte descoberta do braço. – Outch!

-Vai te catar! – Ela xingou com toda a sua indignação fingida e foi agarrada pela cintura, soltando um gritinho e uma risada estrondosa pelos beijos que estalava em sua bochecha.

-Vai lá, eu abro o portão e você entra com o carro. – O homem abriu um sorriso imenso após ser empurrado de leve pela garota raivosa, deixando o desespero tomar de conta do seu estômago que só afundava mais.

-Você deveria comprar camisa maiores! – gritou quando já estava na porta do carro, se referindo a água e como ela deixava as camisas do pedagogo muito coladas no corpo. Aquilo deveria ser um crime, principalmente quando tinha um peito muito bonito.

-Somos dois! – O homem aumentou apenas alguns decibéis na voz, fazendo a maior carinha de safado e ouviu a risada alta dela.

-Eu gosto de roupa apertada! – A garota pôs a mão na cintura.

-Eu também gosto das suas! – Ele inflou as bochechas em uma expressão safada que a fez rolar os olhos e não demorar muito pra entrar no carro do pai, chamando de idiota.

se acomodou no banco, sentindo que levaria no mínimo, um dia pra secar o estofado e ligou a ignição do modelo clássico, buzinando pra que o homem abrisse logo o portão. O espalmou as mãos na superfície branca de ferro e botando uma força descomunal, conseguiu que ele abrisse um tanto que coubesse o corpo dele, assim ficaria mais fácil de mexer no motor por dentro. A garota fez careta ao não entender por que raios ele tinha entrado em casa e a deixado na chuva, depois enfiou a mão na buzina pra chamar tanto a atenção de como a do bairro inteiro.

! – ele apareceu de olhos arregalados pelo escândalo e a viu abrir os braços como se perguntasse porque diabos ele não abria logo o portão. – Eu estou mexendo no motor, já vou abrir! – tentou explicar pra nervosinha, recebendo uma risadinha sem vergonha.

Logo a garagem foi sendo revelada aos poucos e parecia bem organizada pra um solteirão, algumas estantes na lateral esquerda continham caixas que a moça apostava serem de ferramentas, peças da moto ou algo que poderia ser usado posteriormente. O lugar da moto, que estava dentro da escolinha pela chuva, era reservado do outro lado e tinha até a lona que costumava cobri-la, tudo muito bem organizando ao que parecia, com carinho e esmero. Como diria sua avó, ele era pra casar. A mulher desligou o carro enquanto o outro fechava o portão ainda na força manual, saiu do automóvel fotografando tudo com os olhos e sentiu sua mão ser agarrada por ele em uma brincadeira infantil de ver quem corria mais rápido.

Os dois passaram pela porta, que ligava a garagem a casa, como um raio e entre gargalhadas divertidas, diminuíram a euforia pra não esbarrar em nada na sala escura, embora fosse possível ver a organização impecável do lugar pela penumbra. se encolheu pelo frio e esfregou os próprios braços esperando que acendesse a luz, além de ansiar pela presença embravecida de Delilah. A cadela realmente não gostava dela e a garota nunca entenderia o porquê, já que as duas tinham sido muito amigas um dia.

-Já volto. – O resmungo de foi baixinho pra que apenas ela ouvisse e assim que as luzes todas acenderam, a mulher teve certeza que ele tinha ido atrás de algo que pudesse esquentar os dois.

Aproveitando que as luzes estavam acesas, os olhos curiosos varreram toda a sala e cozinha conjugada da casa média, finalmente constatando que tinha um bom gosto. O tapete de Delilah estava posto em uma divisão imaginária entre a sala e a cozinha, com uma almofada, os potinhos de comida e alguns brinquedos, fazendo-a se perguntar onde estava a mensageira do apocalipse. soltou uma risadinha contente e antes que pudesse tomar fôlego pra gritar pela brava, sentiu um par de braços lhe envolverem junto com uma toalha. Os dois riram pelo mini susto da moça e logo tratou de esquentar o corpo gelado, esfregando os braços dela com as mãos.

O pedagogo sentiu que o corpo menor que o seu tentava se aconchegar ao abraço quentinho e beijou-a na bochecha, puxando com delicadeza o rosto dela pra um beijo em seguida. escapou um dos braços por entre os dele, o rondando em volta do pescoço de pra confortar o beijo aconchegante que deixava o coração quentinho. Os dois suspiraram meio assustados pelo rumo que as coisas estavam tomando e findaram em um abraço apertado, com o rosto aconchegado no vão do pescoço dela, ao passo que a enfermeira apertava o os braços dele por cima dos seus, acochando um pouco mais o abraço quentinho.

-Você vai me emprestar um moletom seu! – A mulher inquiriu, sentindo que ele afirmava só pelo movimento da cabeça enfiada em seu pescoço.

-Quer chocolate quente pra ajudar a esquentar? – A pergunta do homem saiu abafada. – Eu faço, enquanto você toma um banho quente.

-Eu faço! – Ela protestou se soltando do abraço dele e não viu quando fez uma careta horrenda. – Mas depois do banho, nós dois vamos pro banho quente e depois eu faço o chocolate. – apontou como se falasse com uma criança, recebendo como resposta um rolar e olhos bem saturado.

-Eu não tô com frio. Tá tudo bem! – se assemelhava bem a um moleque com bem menos de 30, pelo jeito que sacudia as mãos pra tentar faze-la entender.

-Mas sua imunidade deve ser péssima, então banho quente! – apontou na direção da escada. – Eu já disse que gripe em um homem desse tamanho é mais difícil de controlar.

– A minha imunidade é ótima, meu amor! – O homem apoiou o peso do corpo em uma das pernas e arrancou uma risada gostosa de ouvir, dela.

-A minha imunidade é ótima. – A enfermeira pontou pro peito. – A sua é no mínimo, duvidosa. Não dou dez minutos pra você começar a espirrar.

-Sem graça! – Ele rolou os olhos mais uma vez, se dando por vencido naquela briga de quem faria o chocolate primeiro. Os dois já tinham comido tanto que provavelmente o chocolate seria deixado pra trás após o banho quente. – Vai logo pro banho. Se não for logo, vai ficar pelada antes da hora! – Ele gritou já se preparando pra correr dos tapas.

-O QUE FOI QUE VOCÊ DISSE? – O grito indignado dela se misturou aos latidos frenéticos de Delilah que tinha aparecido no topo da escada pra entender quem tinha chegado em casa. soltou uma gargalhada e saiu correndo escada acima com uma mulher raivosa e baixinha em seu encalço, lhe ameaçando de arrancar os órgãos pelo disparate. – VOLTA AQUI, ! – O berro ressoou no primeiro andar inteiro e o homem pegou a cadela no colo, vendo a bichinha querer chão por ele estar todo molhado.

-Você vai me bater! – Ele disse entre a crise de riso.

-Eu vou te esfolar! – O grito saiu indignado e a imagem da mulher com a mão na cintura no topo da escada era uma das mais engraçadas, principalmente quando a cadelinha começou a latir como se tentasse defender o dono da surra proposta. – A Lila não vai impedir! – esticou o dedo.

-Desculpa! – O homem colocou a mão no peito formando a imagem perfeita do falso anjo. – Delilah! Para com isso. – Ele reclamou pelos latidos incessantes que estavam dando nos nervos. – Eu vou pegar uma roupa pra você. – disse a , enquanto chamava a cadela pra deixa-la dentro do quarto.

-Onde eu tomo banho? – Ela passou a mão pelo cabelo molhado e fez careta ao ver que estava escorrendo e molhando o chão. – Desculpa por isso.

-Tá tudo bem. – O homem sorriu. – Tem esse quarto aí atrás de você… meu quarto você já sabe onde é e o banheiro também, fique à vontade. – mordeu a boca após a proposta, deixando-a realmente livre pra escolher onde queria tomar banho.

-x-
respirou fundo, tirou o braço de debaixo da cabeça e sentou de uma vez na cama. Era crueldade deixar no quarto de hospedes sem uma TV, uma cama confortável ou qualquer coisa que fosse. Se tinha uma coisa que ele havia aprendido naqueles anos, era ser um cavalheiro nas mais variadas situações e se os dois já tinham transado algumas vezes na cama dele, não ia arrancar pedaço ver um filme ou alguns episódios de qualquer série na Netflix. Eles eram adultos acima de tudo!

-Lila, eu vou chamar a . Se comporte! – Ele apontou pra cadela bem deitada no meio da cama e se pegou rindo por ter falado o apelido que a garota tinha botado na cachorra. – É sério, Delilah! Sem latido e sem ficar avançando na garota, tudo bem? – Ele insistiu e mesmo sem resposta, beijou a cabeça do bichinho de estimação.

Ajeitou o cós do moletom que usava, pôs uma camisa básica e descalço mesmo, atravessou o pequeno cômodo que separava os quartos. Mordeu levemente a boca por não saber exatamente ao que aquela atitude iria lhe levar e se impediu de bater na porta ao vê-la entreaberta.

estava sentada na borda da cama, com uma das pernas dobradas e a outra esticada, usava uma das suas camisas que ficavam enormes nela – e lindas, pra falar a verdade -, além de uma cueca boxer como roupa de baixo. A chuva tinha molhado a roupa dela toda e aquele foi o jeito de deixar a moça confortável. A garota sorria pro telefone e parecia digitar algo, por certo conversava com a mãe que estava em lua de mel e mandava inúmeras fotos em alto mar.

abriu um sorriso imenso e involuntário pela vista, suspirou e finalmente bateu na porta de madeira, puxando a atenção dela que veio junto com um sorriso imenso em resquício as conversas.

-Hey! – bloqueou o aparelho e o jogou do lado.

-Quer me fazer companhia? – Ele mordeu a boca, apontando pro quarto que geralmente dividia com a cadela que o acompanhava desde quando ele decidira sair da casa dos pais.

Ela suspirou.

-Eu estou bem cansada, . – A moça mordeu a boca ao recusar o convite que tinha entendido de forma torta. – Só preciso dormir.

Ele soltou uma risada divertida e sacudiu o cabelo.

-Eu também estou, . Estou te chamando pra ver um filme na TV, ou uma série… Você escolhe. Só não quero te deixar aqui sozinha nesse quarto solitário. – Ele umedeceu os lábios, ansioso pela resposta e que fosse positiva. Era surreal a maneira que ele queria estar na companhia dela.

-Promete? – A mulher fez sua maior expressão de súplica.

Ela queria fazer qualquer programinha idiota com ele que não envolvesse sexo, ou as preliminares disso. O dia tinha sido surreal e quando eles haviam cantado no carro, ela sentiu o tsunami de 17 anos voltando na boca do estomago, mas parecia tão mais familiar e confortável, era uma sensação gostosa de sentir e que ela queria sentir de novo e de novo e de novo.

-Prometo, anjo. – Ele sorriu levemente e quis se matar por ter soltado o apelidinho pela segunda vez em menos de duas horas. – A gente não é adolescente pra transar só porque deitou na mesma cama. – Ele lhe estendeu a mão, fazendo o estômago dela sacudir de novo. – Vem, a gente vê alguma coisa e depois você volta pra cá se quiser.

se apoiou no colchão e levantou no impulso, passou a mão pela camisa enquanto andava ao encontro de , que permanecia com a mão esticada pra ela e um sorriso imenso. Era pra segurar a mão dele ou passar pela porta como se nada tivesse acontecido? Por que a sensação de reviramento simplesmente não ia embora? Em uma ansiedade de acabar com aquele sentimento sufocante, ela agarrou a mão dele com força, fazendo o sorriso do homem ficar ainda mais bonito. Ele beijou o dorso da mão gelada da moça e aproveitando a proximidade, segurou o rosto de pra um beijo calmo onde as línguas procuravam conforto e intimidade. Aquele era um dos mais diferentes que tinha acontecido entre eles, principalmente pelo motivo, o clima que havia se instalado e as batidas rápidas dos dois corações. A mulher apertou a camisa dele entre os dedos como se aquilo desse forças as suas pernas e deixou que a calmaria tomasse conta dos dois naquela demonstração estranha de afeto.

sorriu ao roubar um último beijinho sugado e por fim, beijou-a na testa, ultrapassando dos os limites de casualidade impostos pela sociedade. O suspiro da garota escapou meio aliviado e ela o abraçou de surpresa, se enfiando no peito dele ao receber o mesmo abraço gostoso de mais cedo.

-Algo me diz que a Delilah não vai deixar que eu entre no seu quarto. – riu ao afastar a cabeça pra encara-lo, ouvindo a risada divertida que escapou da garganta do homem sorridente.

-Nós tivemos uma conversa séria. – Ele fez um bico pensativo. – Então eu acho que ela não vai se importar se a gente dividir a cama pra ver um filme. – A piscadinha marota surgiu e ela roubou um beijo estalado, segurando forte a mão dele pra ser levada na direção do quarto.

Diferentemente do que achava, a chihuahua não deu muita bola pra presença dela e continuou deitadinha em um dos travesseiros. A moça sorriu animada pela aceitação repentina, não contando conversa pra pular na cama com tudo e ouvir o latido indignado da cachorra misturado as risadas descontroladas do dono dela.

-Já era, , agora ela não gosta mais de você!

-Claro que gosta! – A enfermeira abraçou o bichinho com força e entre as desviadas pra não tomar uma mordida, conseguiu acalantar e acalmar a cachorrinha brava, que posteriormente se aninhou bem em cima da barriga dela.

Uma das comédias levinhas produzidas pela Netflix foi colocada àquela noite e enquanto os comentários se misturavam às risadas e aos carinhos feitos em Delilah, percebeu o cara incrível que era, além de como os dois tinham uma conexão muito grande, independente de qual fosse. Não demorou muito pra que ela adormecesse do jeito largado que havia deitado, assim como Delilah que parecia estar no décimo terceiro sono.

-Meu Deus, esse cara é muito… – Ele cortou a fala ao meio assim que viu as duas capotadas ao seu lado na cama.

Um sorriso escapou com a imagem simples e embora fosse uma das mais bonitas, ele não podia deixar que ficasse daquele jeito e acordasse toda dolorida no dia seguinte. conteve o sorriso e pegou a cadelinha com cuidado pra não acordar , colocou Delilah em sua cama e voltou a deitar no colchão de molas que tanto havia incomodado a moça briguenta ao seu lado, aproveitando o momento pra ajeitar a cabeça dela no travesseiro, cobri-la com o cobertor e deixar um beijo de boa noite em sua bochecha.

 

 

N/a: OI BENINAS! Desculpem a trollagem da autora em tirar a fic da categoria +18 HAHAHA, não me matem!
Mas é que eu estou tendo algumas dificuldades em escrever algumas coisas e decidi separar a possível cena de sexo em um conto erótico! Logo ele será postado pra vocês, que vão identificar na hora, porque o nome parece bastante com “Essa droga de crush em você”
No mais, queria dizer que eu amo tanto um homem todo rendido, não sei não querer um Pietro pra mim! Lara e Simon também são incríveis, não é mesmo? E não esqueçamos da mocinha chamada Amelia, essa daí é fogo na roupa! HAHAHA
Agradeço todo o amor de vocês sobre essa fic, eu não esperava tanto! Beijinho na alma!

pS: ESCUTEM ESSA MÚSICA E ESSA BANDA. WDW SÃO MEUS ANJINHOS MAIS LINDOS!

Parte cinco: Ok, talvez eu tenha me apaixonado por você

Música do capítulo: Maybe – James Arthur
2019

Tá na hora de acordar, preguicinha!
O sol entrava pela cortina mal fechada e clareava o quarto imenso de , o jeito que a cama estava colocada ficava bem em frente ao ponto máximo de luz e o homem começava se praguejar porque raios não tinha fechado o blackout direito. Tentou levar os braços até o rosto e só aí percebeu que estava preso a cama por um corpo quase em cima do seu. Abriu os olhos de uma vez, um pouco assustado e deu de cara com a expressão serena de tão acomodada em seu peito, sendo impossível não abrir um sorriso imenso por aquilo.
Por Deus, coração, era tão complicado assim não bater tão rápido?

I don’t know what’s going on
(Eu não sei o que está acontecendo)
Where you came from and why it took so long
(De onde você veio e porque demorou tanto)
All I know is that I feel it like it’s the realest thing, I mean it
(Tudo que sei é que sinto que é a coisa mais verdadeira, sério)
Something changed when I saw you
(Algo mudou quando eu te vi)
Era uma sensação gostosa de sentir, principalmente quando ele não tinha contato com aquilo há tanto tempo, uma mulher dormir em seu peito, mesmo depois dos dois nem terem transado na noite passada e ainda parecer tão calma com aquilo. Os cabelos loiros dourados espalhados pelo travesseiro, as bochechas em um tom rosa bem suave e a mão descansada em seu peito, faziam daquela, uma das imagens mais lindas que ele já tinha visto da garota.
suspirou meio apavorado por não querer tira-la dali ao precisar levantar e respirou fundo pra conter o desespero crescente na boca do estômago, afinal uma hora ela precisava acordar, melhor se abrisse os olhos mais brilhantes do mundo se ainda estivessem apoiada em seu peito.
Tomou a liberdade de beija-la na testa como se tentasse acordá-la de forma carinhosa, mas em contra partida a garota só se aconchegou mais em cima dele, jogando uma das pernas por cima do corpo do homem, que soltou uma risadinha desesperada. A única vontade era a de se enfiar nela e dormir o resto do dia ali agarradinho a garota mais incrível que ele estava tento a chance de conhecer.

Oh, my eyes can’t lie
(Oh, meus olhos não podem mentir)
You said, “They’re so damn blue”
(Você disse, “Eles são tão azuis”)
And I love how you’re so forward
(E eu amo como você está tão à frente)
Is it too soon to say I’m falling?
(É muito cedo para dizer que estou me apaixonando?)
-Porra, . – Um sussurro acompanhado de uma risada anasalada foi solto. – Como eu vou levantar desse jeito? – se perguntou na esperança de alguma resposta pulasse em seu cérebro, enquanto a mulher, ou garota (ele não sabia mais), parecia bem confortável em seu peito. – Anjo, eu preciso levantar…
Ela se limitou a soltar um grunhido desgostoso, que mais parecia repreensão, como se estivesse o entendendo. O pedagogo riu!
-A gente tem trabalho duro hoje. – disse como se os dois mantivessem uma conversa e pra sua infelicidade, ela virou para o outro lado da cama, deixando seu peito e coração, vazios.
O pulou da cama ainda contra a vontade, passou as mãos pelos cabelos enquanto sentia o sorriso aumentar exponencialmente ao ver tão linda em sua cama e teve a certeza que não seria covarde ao ponto de acorda-la sem ao menos um café feito. Tratou de tomar um banho gelado pra espantar a preguiça, fez a barba pra ganhar a cara do tio mais legal da escolinha, vestiu um jeans e pelo péssimo hábito de se sujar na cozinha, decidiu pôr a camisa assim que terminasse o café. Que foi feito na companhia de uma Delilah animada e agitada, a companhia perfeita para que o café ficasse pronto em menos tempo que o esperado, o fazendo suspirar bem satisfeito e logo ir acordar a moça preguiçosa em sua cama.
A ação começou com alguns beijinhos na bochecha que em nada estavam resolvendo o problema da dorminhoca, logo um toque suave se alastrou pela bochecha dela em um pedido desesperado pra que acordasse logo, ou ele se enfiaria na cama e fingiria nunca ter acordado.
-Só mais cinco minutos. – A enfermeira balbuciou exausta em ter que despertar e o homem soltou uma risadinha desesperada pela fofura da criatura. – Eu estou com sono, não quero ir hoje! – O protesto saiu sem nexo da boca dela como se fosse sua época de colégio.
-Não dá, a gente tem compromisso. A vida adulta chama. – Ele riu baixinho e distribuiu mais alguns beijinhos na bochecha dela.
-Sai, ! – Ela virou pro outro lado, ouvindo-o rir pela recusa sem tamanho. – Eu tenho quase 25, sou um bebê.
-Você prometeu ajudar a cuidar dos outros bebês! – Ele foi astuto na resposta, ouvindo mais um grunhido manhoso dela em protesto a ter que levantar da cama. – Sem manha, vai…
-Vou me atrasar, infelizmente. Fala pro meu chefe! – se encolheu como um besouro e levou a coberta junto. Céus, ele tinha peito pra sobreviver aquilo?
-O que tá tentando te acordar agora? – A risadinha de deboche acompanhou uma série de beijos na bochecha que ocasionalmente desciam pro pescoço da mulher, levando-a a jogar os braços em volta do seu pescoço em um abraço frouxo, porém que deixava os dois ainda mais juntos. aproveitou pra enlaçar as pernas ao redor dele e ouviu o riso desesperado de quem queria ficar por ali.
-Você não pode ficar mais um pouco na cama? – Os dois suspiraram.
-Se eu não quiser chegar terrivelmente atrasado, não. – O homem soltou uma piscadela esperta, despertando nela a expressão de surpresa, bastava entender sobre o que.
-Ai meu Deus! – arregalou os olhos e no impulso, agarrou as bochechas lisas do homem confuso. – Cadê aquela coisa linda que ficava bem aqui em seu rosto?
Fugiiiu. usou de uma vozinha ridícula e infantil, ouvindo-a soltar uma risada divertida. – Ficou tão ruim assim? – A careta nem pôde ser escondida, ele parecia realmente preocupado.
-Eu acho que morri e tem um anjo olhando pra minha cara! – Ela abriu um sorriso esperto em resposta ao questionamento dele e viu um sorriso petulante rasgar os lábios do pedagogo. – Tá lindo. – Um beijinho surgiu em meio a conversa, bem no meio dos lábios dele. – Só ficou mais novo, parece ter quase a minha idade. – A caretinha dela a deixava de bochechas infladas e o homem se limitou a suspirar.
-Como eu faço pra grudar a barba na cara de novo? Google pesquisar. – Ele fez cara de choro e se enfiou no vão do pescoço dela, como se aquilo resolvesse todos os seus problemas. Os dois acabaram rindo baixinho e sentiu que estava tudo perdido quando lhe abraçou com as pernas, fingindo que ele era um ursinho gigante. – Você também tá linda. – O elogio saiu sem pedir licença.
-Eu não fiz a barba. – A mulher lançou um sorriso esperto que o fez rir.
-E continua sendo linda. – Os dois riram com a conversa sem rumo.
-Acho que posso me acostumar com a cara do “tio ”. – Ela riu ao deslizar os dedos entre os cabelos lisos do homem. Era aí que ele não sairia nunca mais daquele abraço. – Fica. – O pedido saiu baixinho. – Os dão conta lá na escolinha.
Ele suspirou ainda mais perdido.
-Até dão. – Um beijinho perigoso se arrastou no pescoço quente da moça. – Mas minha irmã cortaria meu pinto fora e nós dois não queremos isso, queremos? – O sorrisinho sem vergonha apareceu bastante convincente, mas fechou os olhos como se tivesse ponderando a ideia. – Outch, doeu! – fez careta e massageou o peito como se tivesse sofrido um tapa ali.
-Não, eu gosto dele. – A moça finalmente respondeu, mas com um ar de deboche sem tamanho.
-HÁ! – apontou. – HÁ! HÁ! – O homem arregalou os olhos como se fosse um moleque e arrancou mais uma risada dela.
-Gosto dos dois!
-Dois? Que dois? – Ele vincou as sobrancelhas, parecia receoso com aquela história de dois.
-De você e do pinto, ! – Por que parecia tão madura falando daquilo? – Porque a gente tá falando disso a essa hora da manhã? – A pergunta saiu confusa.
-Primeiramente, agradecemos a preferência. – Ele piscou. – E depois, porque você tá fazendo manha pra levantar, a gente vai se atrasar e eu tenho uma irmã nervosa. – O sorrisinho forçado deixava as bochechas bem infladas.
-Mas aqui tá tão gostosinho. – O bico dela cresceu ao ponto de dobrar. – Cama quentinha, você me atolando de carinho e um cheirinho gostoso!
-Se você convencer sua cunhada a deixar meu pinto onde tá, a gente pode ficar aqui o mês todo, até. – declarou, deixando seu corpo sucumbir nos carinhos dos braços da moça.
-Ela te mata e me mata, Baboo. – O apelidinho infame pulou da boca de antes que ela pudesse controla-lo e, involuntariamente, o homem fez uma careta horrenda. Por que raios, tinha desenterrado aquilo de novo?
Ele não era mais qualquer criança e entendia que era um apelido carinhoso, só não gostava de ouvi-lo na boca de outras pessoas.
-A mulher nem finge mais que me ama. – Ele tentou ser razoável em relação ao apelido e a irmã, mas se apoiou nos cotovelos pra sair de cima de . – Tinha que espalhar essas desgraças pras pessoas? Não, não precisava.
-Desculpa? – A moça fez um bico gigantesco, embora não houvesse muito efeito na carranca dele. – Ela falou sem querer e se te conforta, me passou o maior esporro.
Too late now to say sorry. – O homem cantarolou se acomodando ao lado dela na cama e viu um bico maior ainda. Aquilo era jogo sujo, ele não conseguia ficar bravo com aquilo. – Não me conforta muito, mas valeu a tentativa!
-Por favor, não diz a ela que eu disse! – montou novamente em , dessa vez pra sacudi-lo até conseguir um sorriso. – Foi sem querer! Foi muito sem querer, amor! – Ela deixou o apelidinho escapar sem pensar.
-O que você não me pede rindo que eu faço chorando? – O pedagogo fez a maior manha, enquanto portava um dos seus sorrisos mais largos por ouvir o apelido que ela tinha lhe chamado. Céus, ele poderia deixar de ser tão patético!
-Você é um pateta! – Ela mostrou a língua e não demorou pra ser derrubada na cama. Os dois riram, divertidos com o movimento e a mulher o recebeu de bom grado sobre si.
-E mesmo assim você gosta de mim. – exteriorizou todo o seu porte convencido pelo sorriso, roubando alguns beijinhos do rosto dela.
-Pois é né? O que a gente pode fazer? – riu baixinho e sem que ele percebesse, o afastou pro lado. A moça sentou na cama de casal, se espreguiçou e suspirou contente. – Eu vou tomar banho, prometo que é muito, muito rápido!
-Muito, muito rápido? – Ele escorou nos cotovelos e a viu ponderar com uma careta encantadora.
O que não era encantador naquela mulher àquela altura do campeonato?
-O quão rápido você quer? Aí posso ver se dá pra conciliar. – A moça pareceu negociar o tempo de banho e com uma piscadela, findou sua fala.
-O suficiente pro seu chá não esfriar, anjo.
-Ai meu Deus! Você fez chá? – não escondeu a surpresa ao cobrir a boca com uma das mãos, recebendo um sorriso largo e todo satisfeito.
Talvez tivesse passado dos limites? Talvez, mas sempre poderia culpar sua mania de fazer café antes de sair de casa. Ok, a quem ele queria enganar? Agradar sempre tinha sido a maior pauta daquela manhã, sem exatamente um motivo para aquilo, ele só tinha acordado feliz e não ia deixar que o sentimento escapasse pelos dedos com desculpas infantis e que não combinavam em nada com um homem de 32 anos.

Talvez eu seja o seu pior pesadelo
Os dois, e , tinham chegado um pouco depois da hora marcada, já encontrando a escola aberta e com algumas pessoas lá dentro recebendo as orientações sobre como seria aquele primeiro dia. Meia dúzia de adolescentes com as camisas da mesma cor, pareciam estar atenciosíssimos em , que com calma e um sorriso, explicava que aquele primeiro dia seria realmente difícil pelo grande número de crianças e a falta de controle que as assolava durante as férias de verão.
O salão principal da escolinha estava cheio de cor e alegria, os bancos e pufes coloridos espalhados rente as paredes, os quadros cheios de mensagens motivacionais e um pequeno palco no fim do cômodo, onde estava, abrigaria um dueto com músicas animadas pra receber as crianças. O casal atrasado se esgueirou no meio deles e já com uma desculpa esfarrapada na cabeça, esperavam as milhões de perguntas sobre terem chegado, coincidentemente, na mesma hora.
A enfermeira conseguiu focar nas instruções que a melhor amiga passava, mesmo que o irmão dela insistisse em lhe empurrar ou cutucar como se os dois parecessem duas crianças.
, fica quieto! – A mais nova ralhou enquanto metia um cutucão em suas costelas, o que fez o homem se encolher ao prender uma risada. – vai matar a gente. – Ela sussurrou mais uma vez.
-Pouco me importa. – Ele voltou a murmurar perto do ouvido da moça, levando outro chega pra lá com o braço e dessa vez, chamando totalmente a atenção da Mrs. .
-Alguma dúvida, ? – A voz da mulher foi propositalmente alta, fazendo com que todas as atenções fossem na direção de quem ela falava.
cobriu o rosto com a mão, sentindo a vergonha lhe consumir pelas mancadas do homem enorme ao seu lado, mas que parecia uma criança. E fazendo jus àquilo, o filho mais velho dos soltou uma risada divertida e acenou pra irmã como se aquilo não fosse uma repreensão.
-Nenhuma, maninha! – O homem piscou com todo seu charme e mesmo sem perceber, fez algumas monitoras corarem. se limitou a rolar os olhos e prender uma risada. – Você explicou tudo muito bem e espero que o pessoal se sinta em casa dentro da nossa casa. Sejam muito bem-vindos, aproveitem a estadia pra aprender ainda mais e nos ensinar! Estamos todos ansiosos para trabalhar com vocês. – Mais uma vez galante, despertando alguns suspiros contidos das adolescentes e um empurrão de que o tirava do pedestal. – Outch!
-Vocês ouviram o ! – tomou a palavra antes que o irmão passasse vergonha. – Ao trabalho! E qualquer coisa… Eu. – Ela levantou o braço. – O , que vocês já conheceram, a , ao lado dele. – A mulher apontou pros dois, que acenaram sorridentes dessa vez. – O . – Ela apontou pro marido que estava em um canto conversando com um rapaz que parecia ser uma porção de anos mais velho que os monitores. – Ou o , o rapaz que está ao lado dele. – O sorriso de deboche se alastrou assim que a visão do irmão encontrou a dela e estacionou. – Estamos à disposição pra resolver!
Ponto pros !
! – O grito fino de foi a última coisa que se ouviu antes da visão de querer escurecer, tendo como principal motivo, um sentimento que ele não estava sabendo definir. Era raiva ou ciúme? Um pouco dos dois, talvez?
O músico abriu os braços na direção da melhor amiga ao mostrar que estava muito receptivo àquele abraço caloroso que ela queria lhe dar e assim aconteceu, a enfermeira quase o abraçou com braços e pernas, sendo impedida daquilo apenas pela ocasião que não era tão propícia. O loiro de lábios carnudos demonstrava um sorriso imenso e a esmagava em um abraço apertado, que a tirou levemente do chão. Logo iniciando uma conversa embalada sobre um milhão de coisas que parecia não caber mais ninguém além dos dois.

-x-
-O que raios o tá fazendo aqui? – parecia bem indignado com a presença intrusa do cara pra atrapalhar todos os seus planos. Tanto que tinha ido atrás do melhor amigo, quase dentro do auditório, pra reclamar.
Era um claro ciúme, mas ninguém tinha nada a ver com isso.
-Liguei pra ele hoje cedo. – não tirou os olhos da prancheta onde checava se tudo tinha sido organizado na mais perfeita ordem para o início da colônia de férias. Em algumas horas aquele lugar estaria lotado de crianças gritando e quanto mais ajuda, melhor.
! – O desesperado soltou um grito bem surtado pra quem não estava a pá de todos os assuntos.
-O que foi, cara? – o repreendeu com apenas um olhar de quem não tava nem aí pros gritos desnecessários dele. – Um dos monitores simplesmente evaporou e eu não tinha a quem recorrer. – O homem deu de ombros, mostrando que não estava ligando pra se ele ia aceitar aquilo ou não, principalmente quando tinha chegado com mais de meia hora de atraso aquela manhã. – é músico e…
-Mas não deve ter jeito com criança! – esganiçou como se trocasse a voz em mais uma das suas desculpas esfarrapadas.
-Ele pega com a , não tem problema. – O casado parecia realmente não dar bola para os chiliques do amigo e não tinha a menor ideia de onde vinha tanta recusa do cara sobre o melhor amigo de sua irmã. Se tinha achado a ideia genial, quem era pra sequer discordar da esposa? – Já acabou com o drama? – colocou a prancheta, com a lista de presença dos alunos, nas mãos do amigo. – Você recepciona as crianças hoje! – Um sorriso macabro varou as bochechas magras do casado, embora estivesse mais preocupado em contestar a contratação de última hora.
! ! Eu não compactuei com isso! – coçou a testa em mais uma tentativa frustrada de contestar o amigo.
-Uma pena, Baboo. – se pendurou no ombro do irmão com um sorriso meio psicótico. – Você que lute. – Ela piscou ao falar uma das expressões mais usadas do momento e o homem bufou indignado.
-Você me odeia, por um acaso?
-Claro que não, meu Deus. De onde você tirou isso? – Ela fez uma careta horrenda pela pergunta dele, embora soubesse ao que se referia. estava morrendo de ciúme de toda a atenção que iria dar ao melhor amigo de infância. – Bebeu?
-Óbvio que não! – Ele sacudiu a prancheta nas mãos. – Você sabe que eu não gosto do cara e ainda deixa o doido do teu marido chamar ele pra trabalhar aqui durante uma semana inteira?
prendeu um riso esperto.
-Você tem ciúme do jeito que ele rouba toda a atenção da , o que é outra coisa. – A mulher apoiou a mão no quadril, dando tempo só de vê-lo rolar os olhos teatralmente, por mais que não negasse nada que ela dissesse. – , você tá sendo idiota, de verdade. Eles são melhores amigos e eu não sei de que buraco você tirou que ele gosta dela desse jeito… – Ela arqueou a sobrancelha e antes que o irmão tomasse fôlego, continuou: – E mesmo se gostasse, não é da sua conta!
-Vai se catar, ! – Ele xingou e quando começava com aquilo, todo mundo sabia que estava na defensiva.
-QUASE NA HORA! – gritou no meio do lugar como se tentasse avisar a todos presentes. suspirou e coçou a cabeça, finalmente se dando conta que estava com a prancheta em mãos.
-Ah não, de novo não! – A careta de choro era até engraçada. – Por que raios, vocês dois sempre me metem nisso?
-Porque é o que as nossas crianças merecem. – A mulher pôs a mão no peito como se não suportasse a recusa do irmão, ele fez a maior cara de tédio. Na verdade, era bem engraçado ver perdido com a porrada de cantadas que levava das mães dos alunos quando estava os recepcionando. Óbvio que o cara era lindo e charmoso, as vezes até galante, mas em boa parte delas não fazia a mínima ideia daquilo. – E você não vai sozinho dessa vez. – piscou ao virá-lo na direção de e apontar pra melhor amiga.
-Você tá de sacanagem! – Ele soltou uma risada alta.
-Claro que não! Queremos pessoas bonitas recebendo nossas crianças. – A mulher piscou e deu um tapa na cabeça dele. – Você vai desidratar. – Ela zoou e ouviu um xingamento baixo, um pouco mais pesado que o habitual, desferindo mais um tapa na cabeça do irmão.
-Ai! – reclamou ainda que risse e abraçou a irmã mais nova com força.

-x-
As crianças não paravam de chegar e a gritaria na escolinha de música só aumentava quando os amiguinhos se reencontravam lá dentro, era contagiante o jeito que eles se relacionavam com tanta pureza e alegria. e estavam recepcionando os pequenos com cada sorriso imenso na cara que era difícil não se levar pela satisfação dos dois em fazer aquilo, além da interação que tinham e parecia bem familiar. ao longe, realmente não acreditava que finalmente estava concordando com a mãe e a sogra sobre ser uma boa juntar os dois, eles eram tão fofinhos juntos.
A enfermeira cumprimentou mais uma criancinha que entrava animadíssima com a sua mochilinha colorida e soltou uma risada encantada com o menino que tinha prometido a mãe que não ia chorar, ele já era um rapazinho. O homem não estava muito diferente enquanto perdido no jeito que a criança se despedia dos pais, mas sentiu as pernas congelarem, não por um bom motivo, quando ouviu a voz melodiosa de uma das mães que mais lhe dava trabalho.
Era certeza que e já tinham se juntando em um canto pra ver o desastre, enquanto balbuciavam que o show ia começar.
! – O gritinho fino da mulher, que não tinha mais que 30 anos, ressoou animado e ele abriu um sorriso amarelo ao ver o quanto a sobrancelha de estava arqueada com a cena. Desde quando os pais dos alunos se referiam a eles pelo primeiro nome? Em dez minutos ela só tinha escutado Mr. e Miss . – Tudo bem, querido? – A morena entregou o filho na porta da escolinha e fez questão de entregar a mochila nas mãos do homem e alisá-las.
-Hey, Mz. Turner. – Ele sorriu com a simpatia padrão, tentando tratá-la com o máximo de respeito, por mais que a mulher torcesse o nariz sempre que o ouvia chamar pelo sobrenome.
-Apenas Gianinni! – Ela piscou exageradamente e ele fingiu não ouvir.
-Tudo bem, sim! E aí, James? – O homem piscou pra criança e deu high five com ela. O molequinho era seu aluno desde que tinha sido matriculado na escola e aquilo já tinha lhe rendido alguns constrangimentos, porque a mãe do menino não tinha limites.
-Qual horário posso vir buscar o James? – Mais um sorriso cheio de segundas intenções foi lançado, enquanto a mulher se aproveitava da ocupação de pra receber as outras crianças que chegavam. Tomara que ela não tivesse escutado. – Quem sabe depois da aula, aí a gente sai pra tomar um sorvete.
-Claro. – O homem sorriu sem graça. – Aposto como ele vai gostar de sorvete depois de um dia agitado! – piscou ao dar o fora, mais uma vez, sendo sutil como sempre.
-Até mais tarde! – Gianinni sorriu mais uma vez e finalmente desempacou a porta, entrou no carro escuro e saiu da rua da escolinha, deixando livre pra simular um arrepio e pedir desesperadamente ao universo que não tivesse prestado atenção na movimentação.
-Não sabia que você gostava de sorvete, . – A voz da mulher ao seu lado parecia imitar ridiculamente o tom usado por Gianinni e o homem rolou os olhos.
-Sacanagem, . – Ele soltou uma risada pra se livrar do desespero e quando a olhou, viu a mulher com uma das maiores expressões de deboche.
Então ela também tinha ciúme? Aquilo era interessante. tomou fôlego pra rebater e provocar a mulher raivosa ao seu lado, mas findou sacudindo a cabeça e rindo mais uma vez. Ele não era uma criança pra ficar alfinetando as raivas dela, que parecia lhe encarar bem desafiadora pra quem queria mostrar que não se importava. abraçou-a de lado na surpresa e beijou a cabeça da bravinha, ouvindo manda-lo se afastar.

Será possível que eu não vou ter um minuto de sossego pra te beijar em paz?
A quem ele tinha que pagar pra ter finalmente tempo e sossego pra namorar um pouco com enquanto as crianças estavam em intervalo? tinha aparecido das profundezas do inferno e roubado sua garota e toda a atenção dela na maior cara de pau. Começou no dia de abertura, depois não deixava os dois em paz nem pra conversar, sempre aparecia se metendo na conversa como se fosse bem-vindo ali, ou como se fizesse o mesmo nas conversas dele. Até uma tentativa de almoço legal com a mulher tinha sido interrompida, mesmo depois de dois dias já trabalhando no mesmo lugar.
coçou a cabeça meio impaciente e ao olhar pra fora do depósito, viu que ela entrava no auditório pra fazer alguma coisa. Era a hora! Ali ele dava o bote e ia poder beija-la até quando bem entendesse. Aproveitou a distração da enfermeira ao chegar perto da porta e desfrutando o dom de ser silencioso quando bem entendia, virou de uma vez pra fora do cômodo. Segurou-a pela cintura e a puxou contra seu corpo, se enfiando no cômodo logo em seguida.

So maybe
(Então talvez)
Maybe we were always meant to meet
(Talvez nós sempre fomos feitos para nos encontrar)
Like this was all our destiny
(Como se esse fosse todo o nosso destino)
Like you already know
(Como você já sabe)
Your heart will never be broken by me
(Seu coração nunca será quebrado por mim)
So is it crazy
(Então é loucura)
Tudo tinha sido muito rápido e na surpresa, tanto que sentiu o coração sair fora da caixa com aquele sequestro repentino, não teve como se defender e muito menos gritar. Quando deu por si, já estava entre os braços do melhor amigo do irmão, quase escorada ao peito dele e sendo recebida com um dos sorrisos mais lindos e mistos que tinha visto, nunca em e nunca com tanta efetividade. Era formado com um toque de carinho e lascívia.
-Ficou doido? – Ela arregalou os olhos ao sussurrar aquilo pra ninguém os ouvisse e ouviu a risadinha do pedagogo. umedeceu os lábios, ainda mirando os dela.
-Talvez um pouquinho? – fechou um dos olhos em uma caretinha e puxou a garota um pouco mais pra o espaço entre suas pernas, deixou que as mãos deslizassem no peito dele em direção ao pescoço. Ele estava quase sentado em um banco alto que tinham esquecido por ali e se apoiava com as costas na parede. – Estou começando a ficar irritado com essa história de… – cortou o assunto no meio quando sentiu o nariz dela roçar no seu.
-De quê? – passou a ponta da língua nos lábios dele e ouviu o homem grunhir, fechando os olhos com força. – Estava com saudade? – De repente os dedos dela já estavam em meio aos cabelos escuros do cara mais velho, lhe enlouquecendo profundamente.
-Muita saudade, parece que as pessoas aqui não sabem ajudar os amigos. – Ele se deixou levar pela risadinha linda que ela tinha dado e investiu com um movimento de cabeça pra um beijo, recebendo o dedo indicador dela o parando, pressionado no meio dos lábios. – Qual é, ? – beijou o dedo dela.
A mulher sorriu divertida e tirou o dedo do meio, percebendo o quanto sorriso dele ficava lindo quando os olhos ficavam pequeninhos e enrugados bem no canto. O reboliço no estômago parecia que não iria diminuir, independente do quanto ela tentasse ficar imune a todo aquele tsunami de sensações invadindo seu cérebro, começando pelo cheiro do perfume dele ao lhe deixar entorpecida. Não podia ser, realmente não poderia ser!
mordeu o próprio sorriso e ao puxar o corpo da mulher pra mais perto do seu, tomou os lábios dela em um beijo calmo que era embalado pelos dedos de se agarrando a seu cabelo, que dali uns dias precisaria de um corte novo. A barba ralinha que começava crescer fazia um carinho inusitado no rosto da mulher já toda arrepiada pelo toque nada intencional. Os gostos da boca um do outro se misturavam entre o beijo reconfortante, quebrando todo o ciclo de saudade, insegurança e qualquer coisa que estivesse interrompendo a interação dos dois até aquele momento. Ele deixou as mãos caírem por cima do cós da calça que ela usava, quase alcançando os bolsos traseiros em um alisado involuntário que a estava fazendo arrepiar ainda mais. Não era nada descarado ou intencional, era realmente carinhoso o jeito que ele mexia os dedos.
sorriu ao fim do beijo, ainda de olhos fechados e segurando a bochecha de com uma das mãos. O homem suspirou mais do que satisfeito em poder matar um pouco sua sede da garota e roubou mais um beijinho que não demorou muito pra virar beijão, dessa vez mais caloroso e intenso, cheio de fervor e algumas apertadas onde a mão alcançava.
Os dois riram com os narizes colados. Uma risada meio desesperada que soltava todo o ar dos pulmões.

So is it crazy
(Então, é louco)
For you to tell your friends to go on home?
(Para você, dizer aos seus amigos irem para casa?)
So we can be here all alone
(Para que possamos ficar aqui sozinhos)
Fall in love tonight
(Nos apaixonando nesta noite)
And spend the rest of our lives as one
(E passando o resto de nossas vidas como um só)
-Você deveria dar um perdido em todo mundo e ir comigo pra casa, hoje. – sugou os lábios da moça em um beijinho surpresa, ouvindo-a soltar uma risadinha nervosa.
-Não dá! – Ela fez uma caretinha ao fechar um dos olhos. – Minha mãe chegou ontem de viagem, ainda não conseguiu me contar tudo e eu realmente quero passar um tempo legal com ela. – A moça mordeu a boca, enquanto cutucava o tecido da camisa que ele usava. – Os dois parecem bem empolgados com a segunda lua de mel, acho que posso convencê-los a passar umas semaninhas em Toronto comigo.
-Ah, mas eu também quero te contar várias coisas. – A brincadeira foi levinha, assim como a sensação dele enfiando a cara em seu pescoço e fazendo-a se encolher, enquanto soltava uma risada larga. – Dona Lottie também chegou cheia de assuntos e presentes.
-Ganhei vários presentinhos temáticos de um cruzeiro, fazia tempo que eu não via meus pais tão animados com o casamento. – Os dois riram e o homem afirmou.
-Já sabe quando vai precisar voltar? – roubou-lhe um beijo estalado.
-Em duas semanas. Vou no fim do mês, afinal acabam as minhas férias e eu preciso voltar à rotina. – estava animada com a volta pra cidade que havia lhe acolhido, não percebendo que o sorriso dele havia murchado levemente. – Eu não consigo ficar muito tempo longe do meu trabalho, cara! – Ela riu ao saber, ou ao menos achar, que ele entenderia aquilo.
-Eu sei, anjo. – tentou segurar um fio de sorriso e tomou-a em outro beijo intenso, à medida que apoiava a mão no rosto da mulher entre a mandíbula e o pescoço.
As mãos trêmulas rondaram a cintura dele com todo aquele desespero em não quebrar o contato, não demorando muito pra que estivesse agarrado aos cabelos dela com uma ânsia imensa que não fosse embora.
? – a voz de e algumas batidas fortes na porta do depósito, fizeram os dois se separar como se dessem choque.
-Que merda. – sussurrou ao sentir o coração acelerado e o homem a sua frente não estava diferente.
-Oi, ! – Ele fechou os olhos pra respirar fundo e acalmar seu estado de espirito. – O que houve?
-O Lipe tá aqui, veio fazer a matéria. – Ela deu um último tapa na porta mostrando saber que ele não estava ali sozinho. – Acho bom vocês saírem logo daí. – deu o aviso e saiu pra ir fazer sala pro jornalista, até que o irmão saísse daquele buraco.
-Ela é a mulher que tudo vê. – se apoiou nas coxas dele e roubou um beijinho do carrancudo, não dando chance para qualquer outro beijo assim que se afastou dele na intenção de voltar ao seu trabalho dentro da escolinha. – Quem é Lipe?
-Um amigo meu que é jornalista, Felipe Silotti. – coçou a cabeça um pouco frustrado e suspirou. – Veio conversar com a gente sobre a colônia de férias musical.
-Uau como vocês estão importantes. – soltou uma risada com a careta de protesto que o homem tinha feito. – Mas vai lá, preciso voltar pro meu posto de monitora staff ou o vai ficar buzinando no meu ouvido. – A careta dessa vez era de desgosto.
, , . – rolou os olhos, visivelmente chateado com o cara que mais estava atrapalhando sua vida nos últimos dias. – Por que ele não parece tão insuportável pra você?
-Porque não sou eu quem tem ciúme dele, coração. – piscou ao abrir um sorriso superior. O homem suspirou e parecia indignado. – Não adianta rolar o olho, suspirar ou fazer essas suas caras imensas de recusa, , ele é meu melhor amigo. Sabe… ele é pra mim, o que o é pra você! – A moça piscou e saiu da sala o deixando sem palavras.

 

Você não precisa engravidar pra se tornar mãe
A ideia da colônia de férias tinha sido sim uma das melhores, afinal a escola estava sendo divulgada aos quatro ventos e o trio de ouro já tinha reservado algumas vagas e até montado turmas novas no período da tarde. Se continuasse daquele jeito, estava pensando seriamente em lançar a proposta da contratação de como o novo professor de música, iria adorar e ele conseguia dobrar sem muito esforço.
Já era quase noite quando o Mr. e a Mrs. esperavam que a mãe de Luke, um dos alunos novinhos, fosse busca-lo. A mulher tinha avisado do atraso porque o carro tinha quebrado no meio do caminho e ela morava na cidade vizinha, por mais que a criança não tivesse entendido a demora da mãe e começado a chorar com medo de ser deixado ali. O desespero se instalou no casal e queria chorar junto com o pequeno, se perguntando onde estava o irmão mais velho quando ela mais precisava, simplesmente porque não era segredo pra ninguém que o pedagogo tinha muito mais jeito com criança.
No entanto, não viu outra alternativa a não ser colocar a criança no colo e tentar acalma-la, por sorte, o rapazinho de cinco anos só precisava de um pouco de carinho pra parar de chorar e esperar que a mãe fosse busca-lo. Os dois acabaram sentados no banco colorido da sala de espera, enquanto fechava todas as salas e olhava se estava tudo ok para o próximo e último dia.
-Tudo certo aí com o Luke? – O homem perguntou ao encontrar uma das cenas mais lindas que já tinha visto, embora a esposa parecesse extremamente apavorada em segurar o garotinho amuado e choroso no colo.
-Tá tudo bem né, mocinho? – Ela abriu um sorriso e o menino afirmou com a cabeça, esfregando o nariz que já estava com a ponta vermelha.
-Ótimo, já fechei tudo aqui, assim que a mãe dele passar a gente vai. Pode ser? – O músico riu baixo e sentou ao lado dos dois, encantado ao ver Luccas com a bochecha molhada e amassada no colo de . Ele deu joinha para a criança e ganhou outra com a mãozinha pequena.
-Quer ir com o tio ? – A mulher tentou esperançosa.
-Gosto do seu colo, tia. – Ele olhou para a mulher. – Parece o da mamãe! – Luke sorriu e prendeu a risada. Desde que conhecia , sabia que ela não tinha qualquer jeito com crianças menores de 7 anos e era por esse motivo que preferia ensinar canto a adolescentes.
-Tá bom, fica no colo da tia! – A mulher piscou e beijou a cabeça da criança, ganhando um sorriso imenso. Sentindo um alívio tomar conta quando uma mulher um pouco assustada apareceu na porta, perguntando pela criança.
-Desculpem a demora! – A morena sorriu e abriu os braços para o pequeno, que pulou do colo de e saiu correndo em direção a mãe.
-MAMÃE! – Luke se jogou nos braços da mulher e foi recebido com um abraço apertado, além de um pedido de desculpas pela demora.
e sorriram com a linda cena de afeto, era realmente incrível ver como uma criança mudava a vida de qualquer pessoa, a deles tinha mudado depois de lidar diariamente com elas, ainda que fossem tutores de música. Os dois se despediram da mulher e da criança, que já parecia um rapaz com a mochilinha colorida nas costas e o porte de garoto grande que não tinha chorado. Acenaram sorridentes e entraram no carro, deixando uma Mrs. bem aliviada, além de um que não aguentava segurar a risada e ganhou uns tapas no braço.
-Achei que você fosse correr assim que ele pediu colo. – O homem debochou do pavor dela e se encolheu ao ver o tamanho do bico da esposa. Será que ela iria lhe dar um tapa de novo?
-Não gostei da risada, ! – A mulher apontou, com os olhos estreitos.
O homem alargou um pouco mais a risada e abraçou-a pela cintura, não sentindo qualquer resistência com o abraço, mas vendo um bico ainda maior se formar nos lábios dela. Ele deu um beijinho.
-Você é engraçada, ! – rebateu as reclamações da risada. – Não me culpe por isso. – O músico piscou e beijou a ponta do nariz dela.
-Posso saber por quê? – A mulher cutucou o ombro dele com o indicador.
-Me disse que não tinha jeito com crianças pequenas! – Ele deu de ombros. – Mas eu vi algo bem diferente aqui, por mais que você tivesse pálida! – O Mr. apontou para o banco alegre e colorido. – Juro, achei que fosse preciso ligar pra , ou melhor, o . – A risada se espalhou, enquanto a careta da cantora só aumentava. Ela não era tão assustada assim com crianças.
-Ele não era tão pequeno! – Ela protestou.
-Mas tava chorando! – revidou, apontando pro nada como se o dedo esticado desse mais força ao argumento.
-Eu sei lidar com criança chorando! – parecia ainda mais ofendida, o que era dez vezes mais engraçado.
-Olha. – Ele beijou-a de surpresa. – Eu te amo, você é a mulher da minha vida… – O músico tomou fôlego e sua esposa arqueou a sobrancelha. – Mas todo mundo aqui sabe que você chora junto com elas! Já percebemos que você lida melhor com crianças maiores, acima de 7 anos é beleza. Mulher, você coloca ordem em adolescente, adolescentes!
-Eles sabem me dizer o que querem e sentem, ! – O sorriso foi comedido, enquanto os dedos dela pareciam ajeitar a gola da camisa polo. – Aí eu sei lidar. É muito mais fácil, na verdade! – abriu um sorrisinho e não demorou a ganhar um selinho apertado e cheio de amor do loiro de olhos azuis brilhantes.
O mais velho dos irmãos mordeu a boca e suspirou baixinho, antes de continuar com o assunto. Os dois já tinham estipulado desde que começaram a morar junto que ter filhos não era a meta primordial daquele casamento, principalmente quando já havia deixado bem claro que não tinha qualquer estrutura pra ser mãe passando pelos modos convencionais, mais conhecidos como: gravidez, hormônios e parto.
-Você ainda quer um desses pra você? – A pergunta saiu baixa. – Eu achei lindo te ver cuidando do Luccas, meu olho deu uma brilhada bonita!
-Uma criança? – A mulher fez uma careta com a proposta, nem queria pensar sobre a gravidez e os hormônios que a deixaria louca, assim como também enlouqueceria . – Honey, eu não sei lidar com bebê, nem com gravidez. E acredite em mim, nem você! – Ela arregalou os olhos pra dar ainda mais ênfase e os dois riram baixo.
-Eu não estou falando de gravidez, amor. Eu não sei se ia conseguir lidar com você gravida, hormônios e um bebê que depende da gente pra tudo! – Ele arregalou os olhos também, vendo a mulher prender uma risada. – Tá imaginando a bagunça né? Você ia ter um com o olho fundo e parecendo um homem das cavernas.
-Eu gosto desse , vamos manter esse !! – recitou com uma rapidez fora do normal que os dois riram. – A gente não tem dinheiro pra pagar a terapia das crianças da escola, é a verdade!
Os dois riram baixo.
-Mas me diz, por que você tocou nesse assunto? – Ela umedeceu a boca.
-Então, lembra da sua amiga que adotou? – mordeu a boca.
-Emma?
-Sim! – O homem se animou. – A Emma, a gente foi na festa da garotinha. Ela fez na praia como se fosse aqueles chás de bebê e levamos até um bambolê pra ela, lembra?
-Sim, lembro! – O sorriso de foi imenso, largo e brilhante. Tinha sido uma festa linda, além de cheia de amor. – Foi aí que ela falou que tinha conseguido a guarda da Sarah.
-Exatamente! – segurou a vontade de sacodir a esposa pelos ombros. – Eu não vou mentir que quero ser pai, sabe amor? Principalmente lidando com criança todo dia, mas não depende só de mim. Minha proposta é: adoção.
A mulher parou por um tempo, processou a informação que parecia não entrar em sua cabeça e mordeu os lábios pra tentar controlar toda a ansiedade e a vontade de gritar que se acumulava em sua garganta. Meu Deus, aquela era uma opção incrível!
-A-adoção?
-É… Sabe? – tomou fôlego e fez carinho na bochecha dela, enquanto tentava apoiar qualquer que fosse a decisão. Positiva ou negativa.
-Uma criança maior? – não conseguiu conter o sorriso imenso e aliviado que tomava seus lábios.
-A partir de uns 7 anos! – Ele estava tão animado quanto ela com a ideia de serem pais, de adotar uma criança e enche-la de amor.
A Mrs. não contou conversa pra soltar a risadinha encantada que prendia e pulou no colo do marido como se fosse um bichinho no colo da mãe, ela o abraçava com braços e pernas tão fortemente que seria difícil de separar os dois. O casal nunca tinha conversado sobre filhos dentro dos 3 anos de casamento, mas não imaginaram que fechariam tão bem nas escolhas e pautas sobre o assunto. segurou forte o corpo dela contra o seu e em uma vontade louca de comemorar, rodou com ela dentro do salão principal da L’art Musical, sentindo toda a felicidade tomar conta de cada celulazinha, assim como acontecia com .
-Eu quero, amor! Imagina! Coisa queridaaaaaa. – Os gritinhos animados saíram alto na voz melodiosa que ela tinha.
-ENTÃO VOCÊ TOPA?
-É CLARO QUE EU TOPO! – segurou o rosto dele com força e beijou o marido pra mostrar o quanto estava feliz com a decisão.
-Bom, a gente já tem um quarto lá em casa, é só arrumar! Redecorar e essa coisa toda. – A frase saiu eufórica. – Precisamos começar visitar os orfanatos, tem o daqui e uns 3 em Toronto!
-Os dois! – desceu do colo do marido, só pra continuar sua fala desgovernada pela euforia e nervosismo. – E falar com a ! Ela é enfermeira pediátrica, deve ter conexões! – Os dois afirmaram freneticamente. – Sobre o quarto, você pinta e eu compro os móveis. A gente vai comprar móveis legais e brinquedos e alguns instrumentos também!
-Eu não tinha pensado na ! Mas ela vai saber como ajudar a gente a adotar! – Ele ganhou um beijo fervoroso que o deixou sem fôlego. – E colocar e de padrinhos, muitos presentes, você sabe. – soltou a piadinha ainda de olhos fechados pelo beijo e sentiu a risada da esposa vibrar contra seus lábios.
-Gosto do seu modo de pensar! – piscou, ganhou mais um beijo sugado nos lábios e sentiu o corpo ser garrado com rapidez.
-Será que a gente deveria ligar pra Emma hoje? – O homem fez uma caretinha duvidosa.
-A GENTE VAI LIGAR AGORA! – A mulher magra se desvencilhou dos braços dele. – Vou pegar meu celular e a gente liga agora pra ela! – parecia ansiosa em achar o celular dentro da bolsa, mas foi parada pelo marido apaixonado que sorria como se aquela fosse a imagem mais linda do mundo.
-Calma! Eu quero te levar em um lugar. – O brilho nos olhos dele, tinha sido automaticamente transportado aos dela por uma conexão inexplicável. – A gente vai ser pais mesmo sem saber se vamos saber fazer isso! – Os dois riram alto. – Quero comemorar com você no Poppy! – Era quase possível ver corações brilhantes nos olhos do casal.
O Poppy era a sorveteria mais decisiva na vida deles, tinha sido o lugar de encontro pra decidir o plano maluco de namoro de mentira e logo depois, o destino para o primeiro encontro de verdade. Mais tarde, fora lá que eles haviam comemorado o pedido de namoro, casamento e a compra da escolinha de música. A casa nova e todas as conquistas de e como casal, tinham sido comemoradas no Poppy, aquela não poderia e nem iria passar despercebida.
-Primeiro o Poppy, depois a casa da Emma! – A mulher sorriu sentindo suas bochechas tomarem os olhos e logo saíram do prédio, tendo como destino a sorveteria mais antiga da cidadezinha.
Grandes momentos precisavam de grandes comemorações.

Assuma ou caia fora
Aquele dia estava especialmente muito gostoso, o sol quente batendo nas peles pálidas de quem passava maior parte do tempo dentro de casa, a brisa da praia enchendo os pulmões com ar fresco e a sensação maravilhosa de verão, algo que não tinha tido muito tempo pra sentir nos últimos anos. A moça trabalhava como ninguém e fazia jus ao cargo que lhe era de responsabilidade no hospital, mas era maravilhoso poder desfrutar do sol e maresia de vez em quando.
O sábado era o dia da despedida da colônia de férias mais falada do pequeno povoado da península, , e sabiam mesmo como trabalhar e fazer da L’art Musical o melhor lugar para imersão na música desde os 5 anos de idade. O encerramento do dito evento iria ser um luau fofíssimo à beira da praia, com toda a segurança necessária e a presença de ao menos um dos pais de cada criança que estaria ali pra atuar em um show de talentos.
Todos os organizadores estavam ali debaixo do sol que começava ficar escaldante, montando a estrutura de pallets, tapetes e almofadas para a festinha mais linda que aquela praia tinha visto. explicou a algumas monitoras o local dos tapetes enquanto e montavam o palco, já que estava desde cedo no centro procurando as frutas mais fresquinhas pra montar o lanche saudável dos convidados mais especiais.
-E essas caixas de madeira? – fez careta ao ajeitar uma delas nos braços.
-É pra montar as mesas de apoio das frutas, acho que a gente pode montar perto do palco. – O loiro deu a ideia, vendo a melhor amiga sorrir largamente e depois de um gritinho, se pendurar no pescoço dele por ter gostado.
-Perfeito, cabeção! – Ela piscou e foi na intenção de beijar a bochecha dele com força, mas recuou ao costumeiro selinho que os dois carregavam como cumprimento. – Quer ajuda? – passou a mão no cabelo estando sem jeito sob o olhar julgador dele.
-Sim, mas também quero saber o que eu perdi! – deu uma de mariquinha fofoqueira e arregalou levemente os olhos, ouvindo a risada mais confortável da moça. – Vai … eu te falei quando a Kat voltou a meu convívio. O que tá rolando?
Os dois miraram a visão em que estava em uma infinita guerra de areia com o melhor amigo, enquanto os dois riam igual duas crianças felizes. O palco estava quase pronto, aconchegante e a cara dos aluninhos da L’art Musical, se duvidasse até subiria ali pra arriscar uma cantadinha. se protegeu com os braços e chutou a areia com força, vendo o amigo cair todo se torcendo. Os dois eram dois moleques mesmo. A enfermeira soltou uma risada com a cena e não conseguiu prender o suspiro que transbordava um milhão de sensações.
-É sério? – Ele virou de uma vez e viu os olhos de brilhando de um jeito que fazia tempo que não acontecia. – ,
-QUÊ? Não! – O gritinho esganiçado foi abafado pela mão dela. – Na verdade… – O suspiro saiu longo e fluido. – Tá acontecendo muita coisa ao mesmo tempo, eu só não tive privacidade pra te contar, entende?
-Não! – O esganiço do homem saiu bem afeminado e arrancou uma risada alta de , algo que chamou atenção de na outra ponta do espaço. tinha prestado atenção naquilo e em como o pedagogo ficava bobo demais ao focar nela. – Você simplesmente fugiu da minha vida nos últimos dias, mulher. Ser trocado pelo grandão ali eu até aceito, mas ficar sem saber das coisas? Nunca! – botou a caixa de madeira no chão e sentou em cima, cruzando uma das pernas por cima da outra.
A mulher soltou mais uma risada e dessa vez era da cara curiosa do melhor amigo.
-É só que tem alguma coisa que não me deixa estar longe do ! – Ela soltou um sussurro apavorado em finalmente conseguir falar pra alguém o que estava acontecendo, sem precisar negar até a morte antes. – Essa semana a gente não conseguiu não se falar um minuto! Parece um ímã.
-O nome disso é paixão, ! Você tá é apaixonada pelo pateta que tem um ciúme ferrado de mim. – abriu um sorriso trincado que deixava seus olhos pequenininhos e ganhou um tapa na cabeça, reclamando com um resmungo.
-Cala a boca, ! – Ela apontou com os olhos estreitos. – Fala baixo!
-Por que você está se iludindo? – Ele levantou de uma vez pra ficar na altura da mulher, sabia que o que iria dizer precisava de olho no olho. Precisava que ouvisse cada palavra dele e entendesse bem o que elas significavam. – , tá bem na cara que o caiu na sua como um patinho, se o seu irmão não percebeu é porque ele é um pateta. – Os dois bufaram, ela mais indignada pelos xingamentos gratuitos, do que ele, embora não entendesse como ainda não tinha se tocado daquilo. Os dois deixavam tanto a desejar quando era pra esconder alguma coisa. – E você sabe bem do que eu estou falando, . Ele te olha de um jeito que eu nunca vi cara nenhum te olhar, te respeita, garota e ele gosta mesmo de você. Se você tá fazendo isso por vingancinha idiota, acho bom acabar por aqui. Ou acho bom você assumir que sente alguma coisa por ele, porque o cara é gente boa demais e não merece sofrer.
Ela abriu a boca pra tentar responder alguma coisa e ao ver que não tinha uma resposta à altura para aquilo que não fosse a verdade, algo que a moça não estava disposta a fazer no momento, suspirou de forma cansada, coçando a cabeça em meio as tranças boxeadoras. abriu um sorriso bonitinho com toda a confusão presente na melhor amiga e abriu os braços, recebendo-a em um abraço apertado e grato.
-Só estou falando isso porque eu te amo, bruxinha. – Ele beijou a cabeça da mulher, sentindo os braços dela se acocharem ainda mais em sua cintura. Querendo ou não, aquilo era uma resposta positiva ao apoio e a pergunta dele. – E não precisa me responder, eu sei que a desviada do beijo já foi resposta suficiente. – estava sim se envolvendo com , porque os dois se gostavam e a desviada do selinho era a prova mais viva daquilo.
Desde que haviam começado com aquela demonstração diferente de afeto, os dois tinham deixado claro que quando estivessem com alguém por motivos sentimentais, selinho não rolaria por respeito aos sentimentos do outro. Naqueles inúmeros anos, já tinha estado muito do lado sentimental, mas nunca havia visto tamanha incerteza em .
-OLHA O NAMORO AÍ! – gritou em um tom divertido para os dois jovens abraçados no meio da areia. Eles riram alto, embora se abraçassem ainda mais em protesto a repreensão.
e , as coisas não vão se montar sozinhas! – O tom de parecia mais rígido e ciumento que o normal, fazendo os amigos arregalarem os olhos um pro outro em deboche e soltarem risadas contidas.
-Tudo bem, capitão! – bateu continência e empurrou de lado com o quadril. – Indo montar as coisas. – Dessa vez ele falou baixo. – Você também, . – O tom zombeteiro saiu baixinho e ela chutou areia nas pernas dele, ainda que risse alto com o deboche.
-Pateta! – mostrou a língua e seguiu pra coordenar os monitores.

-x-
A noite tinha caído uma das mais lindas naquela praia, a lua estava vistosa e as estrelas pintadas no céu como se tivessem sido milimetricamente colocadas lá pra deixar a noite ainda mais linda. Todas as crianças estavam deslumbrantes com suas roupinhas brancas e os pais mais do que orgulhosos pra ver seus pimpolhos no festival de talentos. Alguns grupos menores decidiram cantar junto com o tio em uma apresentação grupal de música, deixando o homem quase escorregando na própria baba de tão apaixonado pela turminha de 5 anos que havia cantado majestosamente “Brilha, Brilha Estrelinha”.
As turmas maiores escolheram fazer apresentações sozinhos, em duplas ou em trios e estava realmente lindo o modo que eles se empenhavam com a música, deixando o trio responsável pela L’art Musical tão orgulhoso quanto se fossem pais de todas aquelas crianças. A noite pareceu passar rápido com toda a magia da música e o único destino deles após tanto trabalho foi casa.

Porque a química entre eu e você é demais para simplesmente ignorá-la
Sabe aquele ditado? O proibido é mais gostoso. e não poderiam concordar e provar mais do que aquilo, o homem tinha chegado em uma rapidez imensa depois da mensagem recebida, além de se esconder de tudo e de todos naquela rua em que a mãe dele e a mãe de eram as maiores fofoqueiras.
Não houve tempo pra um beijo na porta, ou qualquer demonstração de carinho fora de casa, ele foi logo puxado pra dentro como se a vida da garota dependesse daquilo e só aí conseguiu beija-la calmamente, sentindo os gostos e as sensações maravilhosas que estavam presentes sempre que se beijavam. A mensagem de poucas palavras, mais precisamente “Estou sozinha”, tinha sido o suficiente pra que o pedagogo inventasse qualquer desculpa e escapasse às pressas para a casa onde Lauren e , o pai, moravam há mais de 30 anos. O lugar estava vazio, as portas fechadas e o desejo absurdo que rondava os dois há uma semana era o principal fator para estarem se agarrando na sala da frente.
Um clique de consciência fez puxa-lo escada acima, enquanto o pedagogo ainda tentava assimilar como tinha ido de um homem responsável de 32 anos a um adolescente de 17, em menos de 10 minutos. Não demorou muito para que a porta do quarto em que ela estava hospedada fosse fechada na força, com os dois lá dentro, assim como o movimento rápido do corpo jogado na cama de casal e o outro lhe cobrindo felinamente, desejando brincar com cada pedacinho. se pôs entre as pernas dela e não demorou a desfrutar do sorriso delicioso que a garota esboçava ao esticar os braços na direção dos cachos espalhados pelo colchão.
Um beijo faminto eliminou qualquer espaço entre os dois àquela tarde, as mãos de se agarram a malha da camisa que cobria os enormes ombros dele, enquanto agarrava a cintura dela por dentro da blusa e se acomodava ainda mais entre as pernas da garota. A camisa preta dele foi arrancada do corpo rapidamente, o deixando no tempo de aproveitar e tirar o sapato com os próprios pés e não demorar a voltar pro amasso. Dessa vez a boca se acomodou no pescoço dela, à medida que uma das mãos enormes entrava pelo short de elástico que a mais nova dos usava. Ah qual é? Eles estavam aproveitando um tempo curto e sabe-se lá até onde a folga iria, era bom começar logo.
Infelizmente o ouvido aguçado da enfermeira tinha entrado pra jogo e ela sabia que alguma coisa não estava certa, a casa não estava mais tão silenciosa quanto antes.
-Eu acho que é a minha mãe. – Ela vincou as sobrancelhas tentando se concentrar no barulho do andar de baixo, embora fosse difícil com beijando seu pescoço e alisando suas pernas por dentro do short.
-Não é, ela saiu. – A resposta genérica dele a fez rolar os olhos.
-Olha, escuta! – Outro sussurro da garota que o fez rolar os olhos da forma mais teatral possível, além de um suspiro cansado. riu baixinho e pressionou o dedo indicador contra os lábios dele, mostrando que nada de beijo até aquela história ser tirada a limpo. – É sério!
-Eu não estou escutando nada, ! – O homem suspirou frustrado. – E tanto faz, é só não fazer barulho! – roubou mais um beijo da mulher concentrada e a fez sorrir de forma espontânea, abraçando-o pelo pescoço para que pudessem voltar ao que estavam fazendo.
-Você é surdo! Meu ouvido é bom. – A moça mostrou a língua.
-Na verdade. – O pedagogo mordeu o queixo dela. – Eu estou concentrado em outra coisa. – O sorrisinho malicioso se fez presente, sendo impossível pra não rir alto.
? Querida? – Lauren deu duas batidas na porta com a mão aberta. – Você está em casa? – A mulher decidiu sacolejar a maçaneta da porta, já que não tinha resposta.
Os dois pareciam paralisados pela voz e insistência da mulher em querer abrir a porta do quarto e só mais uma batida foi necessária pra que o homem quase caísse da cama no susto.
-Merda! Sai de cima de mim. – sibilou enquanto o já empurrava pelo peito, vendo o entrar em estado de pavor por não saber o que fazer em uma situação dela. Estava estampado na cara que ele não estava nem raciocinando direito.
-Shiu, fica quieta, quem sabe ela desiste! – Ele insistiu em continuar parado e calado, por mais que recebesse um olhar bem debochado da filha mais nova e mais atrevida dos .
? – Lauren tentou mais uma vez, dessa vez parecia preocupada com o burburinho sem resposta.
-Merda! – levantou já recobrando a consciência de um adulto e sem saber exatamente como esconder o que estava aparecendo. Nem morto que ele iria passar aquela vergonha na frente da melhor amiga da mãe. – Ela não pode entrar aqui agora! – Ele apontou de olhos arregalados, assim que viu sentar na cama, ajeitando a blusa no corpo e respirando fundo pra espalhar o vermelho que tomava suas bochechas.
-Meu computador! – A ideia parecia ter pulado na cabeça da enfermeira. – Senta na mesa e abre o notebook. Senta lá que esconde qualquer coisa. – apanhou a camisa dele no chão, jogando quase na cara do homem, ainda que o visse bem confuso com o “plano”. – Finge que está usando meu computador, por favor? – Ela arregalou os olhos parecendo irritada com a demora dele em entender. – E veste logo essa camisa.
enfiou de todo jeito a roupa na cabeça e quase torcendo o tornozelo, pulou para o lado da escrivaninha, tentando calçar o tênis novamente. Ele nunca ia estar velho pra usar vans. Respirou fundo, percebendo que prendia o cabelo de algum jeito que não fosse tão perceptível que os dois estavam se pegando e finalmente botou a aba do boné, que nem sabia estar usando até vê-lo em cima da escrivaninha, pra trás. Será que era dele mesmo?
BRITTANY LEPINE! – Lauren soltou um grito indignado em não estar sendo respondida e a filha do lado de dentro fechou os olhos com força, ela adorava o primeiro nome, mas o segundo era ridículo. Ela virou para o cara que prendia a risada e com um olhar, o ameaçou de todas as formas possíveis.
-Oi, mãe! – A mulher destrancou a porta tentando não fazer barulho e sorriu meiga, por mais que bloqueasse a visão de uma mãe curiosa.
-Quem está aí? O ? – Lauren se esticou pra tentar ver quem estava na escrivaninha. – Por que essa porta está trancada?
-Não está fechada. – A cara de pau em era sem tamanho. – Ela emperra vez ou outra, preciso pedir ao papai pra arrumar. E não é o . – Ela deu um sorriso trincado e cheio de culpa.
-E quem é? – O rosto de Lauren começava a se iluminar na situação, se abrisse a boca ela perderia todo o rumo.
-Mãe! – repreendeu como se os papéis fossem trocados.
-Sou eu, Lauren! – decidiu se pôr na conversa pra evitar especulações sobre . – ! – Foi o bastante pra mulher abrir um sorriso malicioso pro lado da filha e a garota olhar para o pedagogo querendo o fuzilar com o olhar.
-Vocês estão vestidos, certo? – A pergunta inconveniente pulou sem culpa da boca dela, deixando de bochechas vermelhas pelo constrangimento. Pelo amor de Deus, sua mãe só poderia estar pirada.
-MÃE! Pelo amor de Deus! Ele tá instalando o drive da impressora! – O grito de protesto da enfermeira veio acompanhado de uma gargalhada estridente de , que estava até um pouco nervoso com aquela conversa. – Cala a boca! – Ela apontou pra ele, mas ria junto.
-O quê? Vai saber, os dois são jovens, bonitos e têm quase a mesma idade. Nada mais normal! – A mulher mais velha deu de ombros e entrou no quarto a procura de algo que confirmasse suas suspeitas.
-Você precisa entender que nós somos amigos! – foi firme, ganhando uma olhada atravessada de . Qual é? Amigos? Só ela pra fingir que não via o que estava acontecendo ali.
-Ainda! – Lauren cutucou o boné do homem como se ele ainda fosse um jovem rapaz. – Oi querido, tudo bem? – O cumprimento veio em um abraço leve.
-Tudo bem, Lauren! E com você? – desviou o olhar para a tela do computador só pra checar a janela que tinha aparecido. Pois é, ele estava mesmo instalando o drive da impressora.
-Estou ótima! Fiquei mais feliz agora, há quanto tempo estão enfurnados nesse quarto? Veio ver sua mãe e passou aqui? – Ela sorriu meiga, mas estava disposta a pegá-los na mentira. – O que é isso? – A mulher apontou pra tela do computador.
-O drive! – assegurou com uma obviedade imensa.
-Pois é! – deu razão a ela – Na verdade eu mal cheguei. A ligou pro , dizendo que não estava conseguindo mexer na impressora. Mas ele estava ocupado lá na escola e como eu tava junto e sei mexer com essas coisas também, disse que podia vir. – O abriu um sorriso angelical e muito meigo.
-Tá vendo? – A moça cutucou as suspeitas da mãe, mesmo sabendo que poderia se queimar com aquilo. – E sua cabeça horrorosa pensando coisa errada, que feio, dona Lauren!
Transar não é errado, meu bem. Achei que soubesse!
Eles já tinham ouvido, falado e até praticado a tal palavra que tinha pulado da boca da Mrs. , mas porque era tão constrangedor ouvir a mãe dizer aquilo?
-MÃE! – arregalou os olhos para a mais velha e ouviu a risada satisfeita. – Ele vai só terminar aqui e a gente desce, prometo. – Ela coçou a testa pra tentar se livrar de encarar naquele momento e aproveitou pra enxotar a mãe fora do quarto.
-Tudo bem! – A mulher levantou as mãos em rendição. – É algo saudável, você é enfermeira e sabe disso, . Se não estão, sugiro que comecem.
-MÃE!
-LAUREN!
Os dois gritaram meio constrangidos com aquela conversa.
-Qualquer coisa vou estar na casa da Lottie. – Ela sacudiu a cabeça, enquanto soltava uma risada divertida pelo salto dos culpados.
-Tá quase pronto, aqui. – O homem apontou pro computador, começando superar todo o constrangimento de ver sua “tia” legal lhe empurrar a filha mais nova.
-Tchau, querido! – Ela sorriu e beijou a cabeça de , ganhando um sorriso bonito em troca.
-Tchau, Lau! – O homem abraçou-a com carinho e depois deu a vez a , que quase teletransportou a mãe pra fora do quarto com uma só olhada.
Lauren olhou para os dois mais uma vez como se desse a última chance pra que confessassem o que estavam fazendo, mas apenas recebeu olhares ansiosos sobre ela sair logo do quarto. A mãe de sacudiu de leve a cabeça, soltou uma risadinha esperta e seguiu pra porta do cômodo, que estava escancarada e não tinha problema nenhum com a maçaneta. Ela parou por um segundo, tomou fôlego e decidiu que não iria deixar passar o que tinha acabado de ver em , quem sabe assim eles paravam de relutar tanto com algo que era o destino.
-Ah, querido?
-Oi! – O homem sorriu tão solicito que ela quase teve pena de estragar a mentira dos dois.
-Sua camisa está vessada. – Ela piscou e bateu a porta do quarto, soltando uma risada muito satisfeita quando já estava fora do cômodo.
e estavam paralisados, com os olhos arregalados e olhando pra porta como se aquilo os fizesse voltar no tempo e prestar atenção no modo que vestiam as roupas na rapidez. Merda! Como ela poderia simplesmente soltar uma daquela e sair rindo? Será que não era uma brincadeira e pegou os dois no flagra? Ele decidiu tirar a prova e olhou para as próprias roupas em busca de qualquer sinal referente a ter vestido a camisa certa.
-Eu vou te matar! – A garota rugiu entredentes enquanto via o fechar os olhos com força. – Porra, !
-A culpa não é só minha! Você podia ter me dito! – O esganiço parecia desafinado demais pra quem estava tão calmo na frente da mãe dos .
-E você acha que eu vi? – abriu os braços. Os dois suspiraram.
-Não acredito que corri tanto que acho que torci o pé, pra colocar a camiseta errada. Que primário, . – O homem soltou uma risada mais livre, rindo da própria desgraça mostrando que ela era o menor dos seus problemas. A mulher o encarou sem entender qual a graça e com um aceno, chamou-a pra perto, recebendo de bom grado a enfermeira sentada em sua perna.
-Ela vai dizer a sua mãe que a gente tava transando, no mínimo! – Ela encostou o rosto na palma das mãos e se permitiu rir tão alto quanto ele.
-E as duas vão organizar uma festa! – Ainda acompanhando na crise de riso repentina, o pedagogo beijou carinhosamente o pescoço da moça em seu colo, abraçando-a pela cintura com um dos braços.
-Ainda bem que a gente tava vestido. – Ela resmungou mergulhada em frustração pela péssima situação e ouviu a risada dele ressoar mais alta. – Ok, eu mais do que você, mas imagina…. Que vergonha! – ganhou mais um beijo, dessa vez na bochecha. – Acho que agora deu merda e a gente vai precisar conversar com o . – A moça mordeu a boca. Estava confusa com o rumo que tudo iria tomar a partir daquele dia e pelo suspiro exausto, também.
-A gente pensa nisso depois. – Ele encostou o rosto no ombro dela, abraçando com mais força.
A mulher segurou o rosto do pedagogo e fez um carinho na bochecha de , vendo-o fechar os olhos como se aquele fosse o melhor lugar do mundo pra estar. O rosto dele era um dos mais bonitos que ela já tinha visto e nem entrava em pauta todo o sentimento, as feições do homem eram naturais e o natural a encantava. mordeu a boca, em dúvida se fazia aquilo ou não, mas decidiu beijá-lo calmamente pra livrar aquele acocho do coração, algo que tinha dado certo. Ele suspirou com o beijo sugado e abriu um sorriso comedido, batendo de leve as poupas digitais na coxa dela, enquanto observava o olhar azul da mulher iluminar todo seu coração.
-Então, anjo. – mordeu a boca de leve, recebendo um carinho bom na raiz dos cabelos da nuca. – Acho que a gente podia sair hoje né?
-Na sua casa? Claro! Acho que consigo dar um perdido na minha mãe e aparecer lá antes das 10pm. – Ela esperou a confirmação dele e viu soltar um risinho anasalado de recusa.
-Eu não quero sexo hoje, . – Ele coçou a cabeça e a moça arqueou a sobrancelha. Os dois riram baixo. – Digo, até quero, mas não é foco. Pensei em a gente sair, ir ao cinema, ou andar na orla, comer fora. Não sei. – O pedagogo suspirou com força. – Eu só… Quero fazer algo legal com você. – O homem deu de ombros, embora estivesse ansioso pra entender o que aquela expressão apática dela significava.
-Eu acho que antes disso, a gente…
-Precisa contar ao ? – Ele mordeu a boca e viu o aceno afirmativo. – Eu também concordo.
-Os dois juntos? – O brilho nos olhos da enfermeira parecia voltar aos poucos com aquela ideia.
Ela tinha se metido em um buraco fundo ao se envolver com , mesmo quando sabia que o melhor do sentimento antigo ficara guardado no fundo do seu cérebro. E ao que parecia, ele não estava tão diferente assim, o homem parecia descer ladeira abaixo em uma montanha russa sem freio e sem barra de segurança, ainda gritando com toda a adrenalina.
-Os dois juntos!

Oh, is it so crazy
(Oh, então é loucura)
For you to tell your brothers about me?
(Pra você contra aos seus irmãos sobre mim?)
Here’s hoping they’ll protect ya but I’ll look them in the eye
(Esperando que te protejam, mas vou olhá-los nos olhos)
Tell them you and I will be as one
(Diga a eles que você e eu seremos um só)
Pai? Acho que preciso daquela conversa sobre mulheres
-Hey, pai. – acenou pra Real que tirava uns sacos do porta malas da caminhonete e o homem sorriu. Abriu os braços e logo recebeu um abraço apertado do filho mais velho. – Como você tá, velho? – oOmais novo beijou-o na bochecha como cumprimento e ouviu a risada animada.
-Estou bem! Finalmente consegui que a sua mãe terminasse o plano do projeto do quintal, agora é comigo. – O mais velho parecia mesmo animado em poder voltar à ativa, ele era engenheiro civil e tinha uma construtora bem conhecida na região, por mais que fizesse anos que não colocasse a mão na massa. – Estou ansioso pra reforma, o disse que ia me ajudar no domingo.
-Posso ajudar com os sacos de cimento agora. – O homem sorriu animador ao arregalar as mangas da camisa xadrez, ganhando um sorriso encorajador do pai.
-Claro! Vou colocar dentro da casinha da piscina, é melhor que não molha se der alguma chuva de verão. – Real pegou dois sacos de cimento e viu o filho mais velho fazer o mesmo, enquanto os dois caminhavam a estradinha de pedra branca até o quintal da casa.
estava ansioso pra conversar sobre o que estava acontecendo e pedir algum conselho que o guiasse sobre a conversa com o melhor amigo. Não era segredo que era ciumento, mas os dois eram quase irmãos e adultos. Seria, no mínimo, ridículo imaginar os dois brigando que nem crianças porque o pedagogo estava apaixonado por .
-Você tem um tempo pra gente… Conversar mais tarde? – O homem mordeu a boca apreensivo, enquanto colocava os sacos dentro da casinha que guardava os materiais de limpeza e organização do quintal.
-E por que não conversamos agora? – Real soltou uma risada cansada, não era mais tão novo assim. O homem escorou as mãos na lombar e se esticou. – Aproveitamos que você já está me ajudando.
coçou a cabeça e riu. Estava parecendo um adolescente apaixonado a primeira vez. Pelo amor de Deus, cara, aja como um homem que você é!
-Essa é a cara que você fazia quando tava fugindo de algum pai raivoso e não sabia o que fazer. , você não tem mais 15 anos! – O mais velho sacudiu o dedo enluvado e o outro soltou uma gargalhada que trouxe o alívio. A risada se estendeu ao engenheiro civil, que abraçou o filho de lado como se fossem apenas dois bons amigos. – Desembucha!
-Eu acho que estou namorando de novo. – O pedagogo fez uma caretinha e recebeu a expressão confusa do pai. Desde quando um homem feito de 32 anos precisava de permissão pra namorar? – É complicado, pai. Eu sou apaixonado por ela, mas ela é arredia e não sabe se a melhor coisa é a gente assumir. Nem eu sei, na verdade. – coçou a cabeça mergulhado em tanta indecisão. Fechou os olhos com força e tomou fôlego antes de abri-los, ouvindo um pigarro chamativo do pai. Real lhe olhava com uma interrogação gigantesca na testa, sem entender porque diabos o filho estava tão perdido.
Ou melhor, talvez soubesse. O desespero de gritava a filha mais nova dos vizinhos da frente.
? – o Mr. matou a charada, deixando o filho com a boca aberta e sem nada a dizer. – !
-Que droga, Lauren. – O homem fechou os olhos com força e ouviu a gargalhada do pai que veio acompanhada de uns tapinhas nas costas. – A história da camisa já chegou nos seus ouvidos?
-Eu achei que você fosse mais esperto, moleque. Dentro da casa do , , e com a filha dele? – A repreensão saiu direta, fazendo o outro rolar os olhos.
-Eu não sou criança!
-Mas está parecendo! Camisa avessada? Pelo amor de Deus, você tem casa. – Real bufou desapontado. – Levasse pra lá, já evitava dessas duas estarem imaginando mil e uma coisas. Sua mãe finalmente tinha esquecido dessa ideia maluca, aí você me aparece com isso de novo! – Ele passou a brincar enquanto os dois voltavam ao carro pelo caminho de pedras.
-É diferente, pai! – Os dois pegaram os sacos de cimento que restavam no porta malas. – Não é transa casual, eu gosto da pra valer e ela também gosta de mim. Foi meio torto? Foi! Mas eu garanto que não é brincadeira e agora a gente tá sem saber como abordar o assunto com o .
Real levantou os olhos acima do nível das lentes do óculos, como se questionasse de qual ele falava. Porque sinceramente, não estava mais na idade de sair pedindo os outros em namoro na casa dos pais.
-O filho! Seu genro, o . – coçou a cabeça.
-Nesse caso… – Real realmente parou pra refletir sobre conselho que o filho pedia. – Sejam sinceros, . Conversem com ele na sinceridade, expliquem que vocês se gostam desse jeito e o garoto não vai ter do que reclamar. e são casados, lembre-se disso! – O homem apontou, vendo seu garoto afirmar com uma maior firmeza dessa vez.
Falar a verdade. Era isso, ele e iriam falar a verdade.

 

N/a: OLÁ MEUS AMORES! Tudo bem com vocês?
Eu nem sei o que dizer deste capítulo, porque eu amei o jeitinho que ele se desenrolou e dá pra ver bem a função de cada pessoa na vida dos nossos pps, não é mesmo?
Bom, talvez daqui pra frente as coisas compliquem um pouco, mas vamos rezar pra que não!
Beijos da tia! ️

Contos da história
Essa droga de tesão em você

Parte seis: Nada está tão ruim que não possa piorar

2019

Você bateu a cabeça onde, ?

não acreditava no que tinha escutado em pleno café com sua mãe e sua sogra, as duas aparentemente tinha uma fofoca muito boa pra contar, bem evidente pelos risinhos de adolescentes satisfeitas. Lottie não tirava o sorriso convencido do rosto e a sua filha sabia que, com certeza, aquilo tinha a ver com e pela confusão de sentimentos que ele se encontrava, apostava suas cordas vocais que também estava metida. Dito e feito!
O assunto principal da tarde foi algo sobre Lauren ter encontrado os dois trancados dentro do quarto de hospedes e o homem, que ela vira crescer, se apresentar com a camisa claramente avessada. Era realmente inacreditável o quanto ficava burro quando se entregava de corpo e alma a alguém, não tinha muita fé que fosse destroçar o coração do homem sensível e gentil, mas se ele raciocinasse bem das ideias, tinha evitado toda aquela fofoca e confusões futuras. Pensando nisso, a filha mais nova dos , não demorou muito pra seguir até a escolinha de música após o café com as duas mamães sorridentes, precisava dar um puxão de orelha no irmão mais velho e enfiar na cabeça dele a necessidade de contar ao , antes que a bomba explodisse.
A professora de canto sacudiu a cabeça ao adentrar no auditório e ouvir o barulho dentro da dispensa, era certeza que estaria lá afinando algum instrumento, ou vendo se precisava mandar para o conserto. Ela respirou fundo pra controlar a indignação e entrou no quartinho de uma vez, encontrando o irmão mais velho com a cara enfiada em um dos surdos, parecendo extremamente concentrado.
-Ótimo! Esse tambor vai servir! – A voz indignada de tirou-o dos seus afazeres e logo o pedagogo virou assustado com a ameaça.
-O que foi, mulher? – Ele botou a mão no peito. – Pra quê esse surdo vai servir? – A risada de saiu tão divertida, embora não conseguisse mudar as expressões raivosas da mulher.
-Pra eu atirar na sua cabeça, tapado! – bufou irritadíssima com a postura despreocupada do irmão mais velho. – Porque, , meu adorável irmão, eu vou te matar!
-Por que isso agora? Qual foi a grande merda que eu fiz? – Ele rolou os olhos com as ameaças da professora de canto e largou o instrumento que consertava.
-Causou a maior confusão que a história já viu, com a doida da ! – O grito da mulher saiu ainda mais possesso com o cinismo do irmão e muito diferente do que ela esperava, soltou uma risada construída em desespero, daquelas que poderia se transformar em choro sem mais nem menos.
-Eu não causei confusão nenhuma. A Lau que saiu endoidando! – Ele apontou na defensiva, como se não soubesse que nunca conseguiria tapear a irmã. – Não aconteceu nada demais, !
-Se estourar a 3º guerra mundial, eu não me responsabilizo, . Sabe por quê? Porque eu avisei! Mas ninguém me escuta. – A mulher sacudia as mãos mostrando o quanto estava possessa com a bagunça, além de usar seu costumeiro drama pra tocar na consciência dos outros.
-Você bebeu??? – Foi a única pergunta que conseguiu formular com a cena.
-Ah claro, agora a culpa é minha? O alecrim* não fez nada? – colocou as mãos nos quadris e ao estreitar os olhos, quase pode ver a vida de fugir por seus ouvidos. Ele finalmente tinha entendido onde ela queria chegar com toda aquela briga e estava disposto a confirmar que era muito mais do que só mais uma mulher.
Meu Deus, fazia tanto tempo que ele tinha deixado aquela postura de lado e sua irmã ainda não entendera a situação?
-Não é a mesma coisa, ! De verdade, confia em mim! – encostou a palma da mão no peito como se o gesto fizesse suas palavras mais fortes.
-Eu amo a Lau, mas ela é louca, ! Junto com a nossa mãe. Aí você vai lá e ajuda! – A mulher ignorou todas as palavras de efeito que o irmão tinha dito há pouco.
-EU SEI QUE ELA É DOIDA! – O esganiço na defensiva precedeu a confissão desenfreada. – Ela viu uma camisa avessada a 15 metros de distância! – Ele sacudiu as mãos só com o desespero de estar falando aquilo com todas as letras.
-Porque você é burro, tapado!!! – A mulher grunhiu apertando os dedos das mãos, como se eles estivessem rodeando a cabeça grande do irmão.
, você precisa entender que não é nada do que parece, ou sei lá o que você tá achando. É diferente, com a é diferente!
-Claro que é diferente! Ela é a irmã do seu melhor amigo, ela é família, . FAMÍLIA!
-Mas não impediu que eu me apaixonasse por ela. Não impediu nadinha! – O homem arregalou os olhos claros só pra tentar fazer a irmã cabeça dura entender de vez que ele não estava brincando, ou achando que tudo voltaria ao normal depois que voltasse pra Toronto. O que ele menos queria àquela altura do campeonato, era aquele normal monótono de novo.
-Claro que não impediu! – A mulher continuou no modo irado da situação, não se dando conta da confissão do irmão. – Por que você… quê? – sentiu o estomago revirar só com aquela informação, no mínimo, atípica. só poderia estar brincando com a sua cara, não tinha qualquer condição.
-Eu estou apaixonado, ! – Ele respirou fundo. – Eu estou terrivelmente apaixonado por ela! O jeito que ela sorri e que me empurra pra fazer pirraça. O jeito que ela se enfia em meu pescoço quando tá dormindo, a alma jovem e como ela rola os olhos quando vê que eu tô com ciúme. Eu queria ter pensado no , porque ele é meu melhor amigo no mundo! Mas FODEU tudo antes! – balançou a cabeça ao se dar por vencido, enquanto via a boca da mulher, mais nova pouco mais de um ano, abrir e fechar como se não conseguisse esboçar qualquer som. O homem umedeceu os lábios e já com o impulso das confissões, continuou: – E eu não me importo da Lau ser louca, porque eu quero ela como sogra também! – Ele se deixou aliviar depois da frase que foi a cereja do bolo.
-Então você é louco também? – Ela mordeu uma risada que logo se transformou em um sorriso bonito, carinhoso e até feliz em ter ouvido tudo aquilo. – É isso? – a Mrs. aproveitou o momento pra dar uma zoadinha de leve e ver se conseguia arrancar uma risada do irmão.
-Se for pra zoar, nem começa! – O pedagogo suspirou, se jogando no banco circular. – Mas eu não sei, eu acho que sim.
-Tudo bem, desculpa, agora é sério. – suspirou ao se abaixar na altura dos olhos cansados do irmão e segurou as mãos dele. – do céu, que tour é essa? – Ela soltou uma risadinha nervosa com a verdade tão tecida em todas as palavras dele.
-Eu não sei como aconteceu, mas não quero que acabe. Eu sou louco por ela! – Os dois suspiraram. – Sem falar que estou apavorado porque seu marido vai arrancar meu pinto antes que eu possa dizer “”.
-A irmã dele não vai gostar muito da ideia… E a sua irmã não vai deixar. – A professora de canto fez uma careta, que foi acompanhada por e os dois riram alto, a deixa pra que o abraçasse com força pelo pescoço fazendo-o levantar do banco para poder abraçá-la melhor. – A gente nunca sabe como acontece, irmão. E muito menos escolhe por quem, apenas acontece! – Ela sorriu maternalmente e fez carinho no rosto do homem preocupado.
-Eu sei e me entreguei completamente. – O sorriso saiu grato por todo o apoio que estava recebendo da irmã. – Mas Lauren e Charlotte vão surtar, fazer um escarcéu e o escambau. – Os dois fizeram careta pela ideia de ter que revelar aquilo para as duas loucas. – E eu preciso muito falar com o . – Ele fez uma careta de dor só por imaginar o teor da conversa, ouvindo a gargalhada divertida da irmã sobre aquilo.
-Ah, qual é? Ele não mata uma mosca, esse cara que você tá com medo não é o meu . Conversa com ele e explica o que aconteceu, . Ele vai surtar, porque o não existe sem surtar, você lembra de toda a problemática: Ela vai mudar pra Toronto! – Os dois imitaram uma voz grotesca, como se fosse a do homem em questão e soltaram a gargalhada mais estridente. – Ele vai entender, eu prometo! É só você contar, ou vocês dois.
-Te amo, , de verdade. – O homem sorriu, um alivio enorme por poder compartilhar suas angustias e ser entendido. – Você é a melhor caçulinha do mundo! – O abraço surgiu com uma força imensa, cheio de carinho e admiração.
-Também te amo, irmão mais velho que mais me causa cabelo branco!
Os dois riram com a piada e ele beijou-a na testa.
-Quero almoçar com você. Almoça comigo? – A pergunta saiu animada, mas antes que pudesse aproveitar o convite, o momento fraternal foi invadido por um homem possesso que parecia frustrado e decepcionado com o que acabara de descobrir na ligação rotineira para a mãe.
-Não, , você não quer!
! – repreendeu o marido.

*Deboche utilizado ultimamente pra “Alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado”
Vocês são homens e não moleques

-Eu sei que vocês precisam conversar, mas eu só vou deixar os dois sozinhos se me prometerem que não vão partir pra agressão! – apontou para os homens que pareciam se encarar com tanta fúria ao ponto de estarem prestes a pegar fogo de raiva.
-Pelo amor de Deus, ! Não somos moleques. – mudou a postura de quem estava choramingando há pouco para a de um homem adulto.
-Amor! – protestou, ainda que encarasse o cunhado como se quisesse queimá-lo com o poder da visão.
-Vocês sabem muito bem do que eu estou falando! – A mulher parecia furiosa com a pose de ataque dos dois. – Eu não quero nada que seja menos do que maduro. A está no meio disso e não merece sofrer porque dois homens crescidos não aceitam as circunstâncias da vida.
Ela sacudiu a cabeça negativamente e já sentindo a dor de cabeça vir, saiu do depósito deixando a dupla irritada pra trás. Os dois estavam errados ali e se fossem começar gritar e se ofender não ia resolver absolutamente nada.
, eu vou te explicar! A gente vai conversar e você vai entender o que tá rolando! – se adiantou no assunto e sem perceber, pronunciou uma das piores expressões existentes para tentar acalmar quem estava nervoso: “eu posso explicar”.
-Entender o quê? Como você anda transando com a minha irmã feito um moleque? Ah não, muito obrigado, eu já entendi demais por aí. Por Deus, , minha mãe pegou vocês dois trancados no quarto dela! – O homem gritou em uma indignação sem tamanho. Ele sabia que não tinha o direito de querer ditar com quem dois adultos se relacionavam, mas tinha o dever de lhe contar o que estava acontecendo. – NA PORRA DO QUARTO DELA!
-EI CARA! Não é assim, sem gritos e sem desespero. Nós somos adultos e sabemos o que estamos fazendo, pelo amor de Deus. – O outro bufou já saturado com as acusações e, se continuasse daquele jeito, não ia conseguir explicar nunca.
-Eu achei que você fosse homem pra chegar e me contar o que estava acontecendo! Eu sei que ela também me devia isso, mas você é a porra do meu melhor amigo, . É como se fosse um irmão, droga! E é sério mesmo que você achava que eu ia barrar qualquer coisa? Eu sou casado com a sua irmã! CASADO, CARALHO!
, eu sei! – P pedagogo ergueu as mãos como se tentasse acalmar um bicho feroz e viu o cunhado coçar a cabeça com força. Será que aquilo servia de alguma coisa? – E eu vou te contar se você tiver calma, eu ia te contar junto com ela. Nós dois queríamos conversar com você e eu não sei se você entende, mas a sua irmã é a prioridade aqui! Eu não fiz e não ia fazer nada contra a vontade dela.
-É assim que as coisas acontecem, eu estava realmente muito animado pra te contar que eu e a decidimos dar o próximo passo. – O sorriu cheio de sarcasmo, enquanto o sentimento de frustração tomava de conta do seu peito naquele momento angustiante. Não acreditava que estava brigando com o melhor amigo por um motivo tão… Ele suspirou cansado. – Fui trouxa né? Um belo de um trouxa em achar que você me contaria alguma coisa também.
-Espera, o quê? A está grávida? – sentiu o choque de emoções entre raiva, desespero e alegria, lhe tomar por completo.
-Não! A gente decidiu adotar, mas não acho que vai ser uma pauta muito importante pra você. – A ironia cortante de saiu escorrendo no canto da boca, como se fosse o mais letal dos venenos. Era difícil ter apoiado tanto alguém e aquele alguém fazer tudo as suas costas, como se ele fosse um monstro irracional e incompreensível. – Acho que prefere aquelas que se tratam das irmãs mais novas dos seus amigos.
Aquela tinha sido uma acusação infantil e tão sem sentido que fez perder toda a paciência e a calma restante em sua mente. estava sendo um belo de um cuzão em lhe acusar daquela forma por causa de algo que ele não fazia a mínima ideia de como tinha acontecido.
, por favor! VOCÊ PODE PARAR DE SER INFANTIL? A É UMA MULHER, SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE ISSO? – estourou como uma granada. Já tinha perdido toda a sua paciência tentando acalmar e explicar ao como as coisas realmente tinham acontecido, principalmente quando o marido de não queria entender. – VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE ME JULGAR OU CONDENAR QUANDO NÃO SABE NADA DO QUE TÁ ACONTECENDO.
-ENTENDO! EU SÓ NÃO ENTENDO COMO VOCÊ QUEBRA SUA PALAVRA DESSE JEITO!
-EU NÃO… espera, quê?
-VOCE PROMETEU PRA MIM QUE SÓ IA SE ENVOLVER COM A SE FOSSE 100% REAL! – bateu no peito ainda magoado com aquela briga fútil, idiota e que poderia ter sido evitada se o amigo tivesse sido um pouco mais franco com ele. – E eu esperei ser o primeiro a saber se isso acontecesse! Eu esperei mesmo que você tivesse essa consideração por mim depois de tudo que passamos.
-Na boa, . Vai se foder e para de drama, eu não tenho que contar nada a você! – O homem rolou os olhos e estava disposto a não explicar mais nada do que acontecia, se o queria ser criança, ele também ia ser.
-Então vai pro inferno, !

Eu preciso de você

soluçou de raiva e bateu com força no guidão da moto antes de liga-la. Tinha passado o resto da tarde enfiado na areia da praia perto da casa dos pais, tentando entender, absorver e processar a briga sem noção que havia tido com . Por que a conversa com tinha sido tão mais fácil? E por que ele simplesmente não tinha contado logo de uma vez que estava apaixonado por , ao invés de tentar fazer o amigo lhe ouvir ser interrupções? Idiota! Ele era um idiota.
Enfiou a mão dentro do capacete e coçou a nuca, ajeitando-o no lugar de volta. Precisava ver , sentir os cafunés dela, os braços ao seu redor, o jeito que ela sorria concentrada ao ouvir tudo que ele falava e, principalmente, precisava ouvir a voz melodiosa dela dizendo que iria ficar tudo bem, que era só mais uma briga e logo os dois conversariam.
Sacou o celular da mochila e após abrir o aplicativo de mensagens, digitou:
: Preciso de você hoje. Preciso muito, anjo!
: Deu tudo errado e o acabou descobrindo por terceiros.
: Brigamos feio
Não demorou muito pra que ele recebesse uma resposta efetiva. Duas, na verdade, uma de seu pai avisando que no outro dia iria buscar uns presentes das bodas que haviam ficado na casa dele, além da resposta solícita de .
: Estou pegando um uber e te encontro na sua casa. Prometo que vamos resolver juntos 😘
Ele mordeu um sorriso aliviado e ao afivelar o capacete na cabeça, seguiu rumo ao ponto de encontro.

-x-

A meia luz no quarto iluminava somente a silhueta do casal deitado a cama, os lençóis jogados cobrindo parcialmente a nudez dos dois e os travesseiros pelo chão denunciava o que tinha acabado de acontecer ali, mas nunca conseguiria explicar a intensidade de sentimentos com que os dois tinham feito amor.
usou a mão que apoiava sua cabeça no colchão pra bagunçar o cabelo preto já todo desgrenhado e ouviu a risadinha encantada de . A mulher estava apoiada em seu peito e assim como ele, o encarava sem conseguir desgrudar os olhos do sorriso imenso nos lábios do pedagogo. Ele umedeceu os lábios e subiu vagarosamente a mão que estava jogada no fim das costas dela, fazendo um carinho amoroso e mergulhado em intimidade que nem de longe era sucesso em esconder tudo que ele sentia. A mesma mão que trilhava o caminho sinuoso na pele dela, foi a que afastou os cachos loiros do ombro, pra que ele lhe desse um beijinho carinhoso.
se encolheu com o arrepio leve que as pontas dos dedos dele faziam aparecer após contornar seu ombro, depois sorriu sem conter toda a avalanche de sentimentos que lhe atingia. Não tinha mais como negar, ela não conseguia se enganar e provavelmente não enganaria mais ninguém com seu discurso clichê. , esse, já estava entregue desde a primeira vez que descobriu a mulher incrível que ela era.
-Você também sentiu. – A frase afirmativa saiu baixinha por entre os lábios do homem apaixonado.
-Como se todos os nossos futuros problemas tivessem sumido? – Ela soltou uma risada brincalhona, sentindo os lábios dele encostarem ternamente em seu ombro. – Talvez! – Os dois riram. – Na minha cabeça, toda essa briga imbecil de vocês foi um delírio coletivo.
-Queria que fosse, anjo. – sorriu comedido e ganhou um beijo sugado no meio dos lábios. Aquilo foi o necessário pra que ele tomasse toda a coragem do mundo e finalmente assumir tudo que transbordava em seu peito. – Mas não foi disso que eu falei, foi…
-Da conexão. – Ela completou simples e clara, deixando-o imerso em um misto sentimental desconhecido até o momento. – Senti sim. Dessa vez foi tão diferente, né? – Ela mordeu a boca, sentindo as bochechas corarem e viu o sorriso largo brotar nos lábios do pedagogo.
-Foi perfeito! – decretou mais feliz do que achava que já havia estado um dia.
Os dois sorriram pela cumplicidade do momento, enquanto se deixou levar pelo corpo dele e logo os dois estavam em mais um beijo calmo, carinhoso, cheio de desejo e ternura.
-Preciso te contar uma coisa… – Ele mordeu um sorriso receoso e fez carinho na bochecha dela, sentindo os grandes olhos azuis curiosos grudados em si.
-E o que você quer me contar, ? – roubou um selinho estalado e se acomodou ainda mais no peito dele, encostando o queixo no dorso das mãos.
-Que eu estou apaixonado por você, até um pouco mais maduro do que isso. – O alívio atingiu todas as células inquietas do homem, à medida que as de pareciam entrar em apoptose* desgovernadamente.
A sobrancelha da enfermeira se arqueou como se desafiasse tudo que o homem dizia e viu a careta fingida dele se expressar no reflexo da meia luz. O sorriso dela se transformou em gargalhada, à medida que um grunhido desgostoso escapava da garganta de .
-Repete que eu não ouvi direito! – Foi a frase aguda que o fez apertar o próprio rosto com as duas mãos. Ela ia lhe encher a paciência pelo resto da sua vida com aquilo, embora provavelmente também correspondesse a sentimentos tão intensos.
-Finalmente consigo entender o que você sentiu durante anos. Então acho que o feitiço virou contra o feiticeiro. – Ele umedeceu os lábios pra esconder o receio em ouvir a resposta e reação dela pra aquilo.
-Ainda sinto! – O sussurro saiu acompanhado de uma piscadinha marota e fez o pedagogo arregalar os olhos. Ela o quê?
-Espera! S-sente? – arregalou os olhos e não contou conversa ao puxar a mulher mais pra cima do seu corpo em uma tentativa de ouvi-la melhor. Sabia que iria lhe zoar até admitir de verdade, o que começou com um sorriso petulante que o fazia ter vontade de beija-la até perder o fôlego.
Ela deu uma remexida de cabeça, bem duvidosa, que o fez bufar meio impaciente. Não era difícil responder a uma pergunta inocente, era?
-Sinto! – A firmeza com que a palavra simples tinha saído de sua boca, era assustadora até pra ele que já estava acostumado com toda a atitude da filha mais nova dos . – Claro que precisei separar algumas coisas pra não confundir esse coração mole e o sentimento não é mais o mesmo, . Agora é algo maduro, – ela deu de ombros – mas sinto, sinto mesmo, nunca deixei de sentir!
-Meu Deus, anjo! – O alivio do homem explodiu em uma risada incrível e contagiante, fazendo-a sorrir com a expressa alegria dele. – Você também sente a mesma coisa que eu! Isso é… eu nem sei classificar! – Ela soltou uma risada leve e foi virada na cama de surpresa, sentindo o corpo dele se aconchegar ao seu como corpo nenhum tinha feito antes. – Bom e sobre o que você tentou separar, não precisa mais, não é mais assim!
-Ah não? – Ela colocou os braços em volta do pescoço dele, sorrindo com a série de beijos estalados distribuídos em seu colo. – E desde quando não é mais? – A pergunta o fez protestar com um grunhido abafado. Ela sabia bem, não precisava perguntar!
-Você sabe! – Ele fechou os olhos com força ao sentir a mão dela adentrar seus cabelos com tanto vigor e depois sentir um beijo desajeitado na boca.

-x-

Desespero. Era a única palavra existente pra definir tudo que invadia naquele exato momento da manhã. Seu pai e o quase sogro, na garagem, adormecida em sua cama e além de vestida com sua camisa, parecia confortável demais em estar ali, denunciando que já estivera sob aquelas cobertas mais vezes. Ele coçou a cabeça impaciente e pra não dar sopa pro azar, decidiu acordá-la mesmo que seu coração gritasse que não.
? – sussurrou em meio a agonia, ouvindo apenas um grunhido mecânico em resposta. – ! – Ele sacudiu-a dessa vez.
-O que é? – A pergunta enjoada se fez presente, assim como a vontade negativa dela em levantar da cama quentinha.
-Levanta, você precisa levantar. – tentou mais uma vez. – É sério, anjo, você precisa levantar!
-Por quê? – O mio que saiu da boca dela parecia um protesto de choro.
-Porque os nossos pais estão aqui! – O pedagogo soltou em um desespero imenso, que só ficou ainda maior quando a viu virar pro outro lado e se cobrir inteira com a coberta.
-Então não deixa entrar no quarto. – A resposta foi simples.
! Eles vieram buscar as caixas com os presentes que ficaram guardadas aqui no quarto. – O homem parecia afinar um pouco mais a voz sempre que a frase avançava, causando o efeito esperado nela, assim que a mulher pulou da cama finalmente entendendo a gravidade da situação.
-Ai caralho, eu vou te matar! – Ela ameaçou entredentes e lhe deu um tapa firme no braço, vendo-o fazer uma careta de dor.
-Caralho mesmo! Levanta, mulher! – O desesperado em questão repetiu o péssimo palavrão mais uma vez, ouvindo-a rir alto só em perceber o quanto ele estava nervoso. piscou com um sorriso malvado dançando nos lábios e calmamente saiu catando as roupas dela espalhadas pelo quarto, enquanto estava ao ponto de arrancar o couro cabeludo em tanto coçar a cabeça. Ela estava mesmo brincando com sua cara. – Por favor, colabora comigo! – A suplica foi a cereja do bolo pra que ela soltasse uma risada frouxa.
-Onde eu me enfio? – Ela agarrou o punhado de tecido entre os braços, dessa vez prendendo a risada.
-E eu que sei? – poderia ser perfeitamente confundido com um adolescente ranhento de colegial que fazia tudo escondido da mãe.
-Meu pai infarta se ver nessa situação! O mínimo que você poderia fazer era me dizer um lugar! – A resposta óbvia o atingiu em cheio. O homem parou, organizou os pensamentos e só conseguiu pensar no banheiro que fazia par com o quarto. Na verdade, aquela parecia a ideia mais genial de todos os tempos! – No banheiro, entra no banheiro! – apontou freneticamente. – Seu pai vai me matar!
-Ele vai é morrer se me vê usando uma camisa sua, dentro do seu quarto de manhã cedo! – Ela sacudiu o dedo indicador e andou a passos nada preocupados para o banheiro.
-Ele me mata primeiro! – O homem se obrigou a suspirar aliviado e fez uma vistoria rápida pelo quarto, ainda ouvindo ameaçar que lhe mataria bem logo. – Entra na fila! – O pedagogo resmungou de volta e ouviu a porta do banheiro bater com força. Ela estava se vingando dele, oh se estava! – Não bate a porta, mulher, o barulho! – Ele soltou com uma voz de choro sem tamanho, ouvindo-a realmente gargalhar. – Demônia!
O respirou fundo, ajeitou o cós do samba canção e, assim que virou pra janela imensa do quarto, viu a sombra dos dois homens subindo a escada, embora estivesse aliviado em conseguir enfiar no banheiro o mais rápido possível. Aquela mulher ainda lhe mataria do coração!
Não demorou muito pra que Real e , o pai, entrassem no quarto, enquanto riam de qualquer amenidade sobre os últimos dias em alto mar, por mais que tivessem prestado bem atenção das expressões desconfiadas do homem jovem em pé dentro do quarto. não conseguia nem disfarçar o anseio pra que eles pegassem logo as caixas e fossem embora de vez.
-Você tá com alguém aí? Eu ouvi o barulho da porta. – Real perguntou mais casualmente do que uma acusação e viu a careta do filho mais velho. Se dando conta de que sim, ele estava e esse alguém era .
-Acho que não chegamos em uma boa hora, Real. – cortou a conversa silenciosa e significativa dos dois, por mais que achasse divertido o pavor de em demonstrar que provavelmente tinha escondido a namorada dentro do banheiro.
-Ah não, imagina. Tem ninguém aqui não, ! – O pedagogo deu uma risada sem graça, coçou a nuca e suspirou. Precisava carregar logo aquelas caixas antes que fosse pego no flagra pela sua péssima atuação.
-Tem certeza? – As duas simples palavras ordenadas em pergunta e combinadas a um dedo indicador em riste, fizeram sentir todo o sangue do seu corpo sumir. POR QUE INFERNO TINHA DEIXADO A PORRA DO SUTIÃ DE RENDA JOGADO NO CHÃO?
-Vem, , vamos pegar as caixas e deixar o garoto em paz! – O Mr. deu um tapinha nas costas do amigo e não contou conversa ao empurrá-lo na direção das caixas postas ao pé da parede. Precisava ajudar o filho de alguma forma, ao menos até que eles tivessem coragem e algo mais concreto pra contar.
-Vamos lá, eu ajudo vocês com as caixas! – cortou o assunto focado em sua vida amorosa e, prontamente, ajudou-os com os presentes. Às vezes, desviando de alguns comentários sobre as lembranças da idade jovem, por mais que tivesse consciência que nem era mais tão jovem assim e já queria uma vida estável com alguém. Aquele alguém preso em seu banheiro e que provavelmente segurava uma gargalhada estrondosa.
-Sem vergonha, moleque! – ressaltou. – Ela é conhecida? Leva ela pro almoço de domingo lá em casa, apresenta a namorada nova! – O pedido surgiu quando eles já desciam a escada e fez toda a questão de desviar, enfiando qualquer assunto aleatório pelo meio. Os três colocaram os presentes no porta-malas do carro grande e após mais algumas piadinhas sobre o sutiã no chão do quarto, se despediram do rapaz desconfiado.
-Peça desculpas pelo incômodo. – Real fez uma expressão de solidariedade e viu o filho mais velho afirmar com uma careta por causa do sol forte daquela manhã. Precisava contar urgentemente pras duas famílias, afinal quanto mais demorasse, mais enrolada a história ficaria.
entrou em casa mais aliviado do que nunca, embora ainda coçasse a cabeça meio impaciente por causa da visita inesperada. Era muita falta de sorte não ter lembrado que seu pai apareceria ali pra pegar os presentes das boas, mas ao menos ninguém tinha visto , já era menos agravante do que precisar contar tudo às pressas depois de ter brigado com , o filho.
-Tá limpo! – O anúncio saiu tão aliviado que a fez soltar uma risada estrondosa, saindo do banheiro já toda arrumada, provavelmente pronta pra ir embora. – Você sabe quando alguém está tendo um A.V.C* né? Porque eu acho que estou! – se largou no colchão de molas, sentindo realmente como se toda sua força se esvaísse do corpo.
-Você não tem A.V.C nenhum, medroso. – Ela soltou uma risadinha encantada e não tardou a sentar pertinho, sendo envolvida por um dos braços dele em sua cintura. Um abraço aconchegante e que valia mais do que todas as palavras ditas na noite anterior. – A melhor do ano foi meu pai te encorajando. Imagina se ele soubesse quem era! – A mulher sorriu e ouviu o grunhido de choro abafado em seu ombro.
-Para! – Ele pediu com uma manha sem tamanho.
-Eu fui muito mal educada, né? Deveria ter saído e dado um oi! – A mulher soltou mais uma das suas piadinhas, ouvindo protestar com um resmungo.
-O sutiã fez as honras. – A risada de desgosto não pode ser contida e logo os dois estavam rindo do acontecido. o abraçou com força pelos ombros, enquanto o pedagogo só sabia se aconchegar ainda mais no cheirinho natural do cabelo dela, ansiando que a enfermeira ficasse ali pelo resto do dia.
-Ao menos é um sutiã bem lindinho. – Ela olhou pro chão e o viu levantar a cabeça pra ponderar com um aceno incerto. – Se acalma!
-Me senti com 15 anos, agora. – sacudiu a cabeça e soltou uma risada anasalada. Beijou a cabeça da mulher ao seu lado e descansou o nariz por lá em mais um ato desgovernado de carinho sobre tudo que tinha dito na noite passada. – Desculpa ter feito você levantar daquele jeito. – O pedido saiu sincero e foi retribuído positivamente com um abraço apertado e cheio de chamego.
-Tudo bem, evitamos uns gritos histéricos de um sessentão. – A moça abriu um sorriso bonito e encorajador, causando nele a reação de acariciar sua bochecha como se ela fosse a melodia mais linda que ele já tinha escutado na vida. – Preciso ir resolver umas coisas. – O suspiro pesado denunciou todos os planos que tinha de intimidar o irmão mais velho.
-Não precisa se indispor com o por causa disso. – beijou-a na bochecha, por mais que soubesse como seria difícil convence-la. – Nós vamos estar juntos hoje a tarde na escolinha, a cabeça dele provavelmente já esfriou e aí a gente conversa de verdade.
-Tem certeza? – O tom duvidoso da mulher o fez titubear.
-Na verdade, não. – Ele riu baixo. – Mas tenho fortes esperanças que sim, a gente só precisa respeitar o tempo do outro e evitar de remexer ainda mais essa história. – sorriu e beliscou a ponta do nariz dela. – tá eufórica com a nova fase da vida deles e acho que ela precisa de você bem mais do que eu!
-ELA ME CONTOU! – soltou um gritinho animado com as notícias da adoção. – Passamos a tarde juntas ontem e já temos vários planos, quero poder ajudar os dois com tudo isso. Afinal é uma criança que vai ganhar uma família e um lar. – O sorriso genuinamente encantador o deixou com o coração cheio. Aquela mulher era realmente excepcional e se encaixava perfeitamente na sua vida, como o que ele já procurava há uns anos.

*Acidente vascular cerebral
Eu não acredito que você fez isso comigo, cara!

Já havia passado alguns dias depois de toda a confusão e com ele, a esperança de que tudo se resolvesse com o tempo também tinha ido pelo ralo. parecia uma criança birrenta com ciúmes do melhor amigo e , a criança mais chata e orgulhosa do mundo que não dava o braço a torcer, ao menos não como havia esperado. Até Lau e Lottie tinham percebido o comportamento ridículo dos seus primogênitos, embora também estivessem levemente apavoradas com a ideia de terem causado tudo aquilo.
Era tarde de quarta quando a filha mais nova dos resolveu se meter na situação pra tentar resolver aquele problema ridículo. A mulher só não esperava que as coisas fossem ficar ainda piores quando entendesse tudo que estava acontecendo.
-Quando você vai voltar a falar com seu amigo, hein? – Ela alfinetou o irmão sentado no sofá, que parecia bem entretido com o Super Mario na TV. Vendo apenas um bufo de desgosto, uma que assaltava a geladeira teve certeza que ele retrucaria.
-Falei com meus amigos hoje mesmo. – O homem fingiu não dar a mínima para a conversa, destilando todo o seu deboche na resposta simples.
-Tu sabe muito bem do que eu estou falando, ! – A enfermeira sacudiu o dedo como se ele pudesse abanar o nariz do irmão. Ela suspirou exausta e andou pra perto de onde ele estava, não ia aguentar ter aquela conversa de longe. – Não vem com esse deboche de criatura ressentida pra cima de mim!
soltou uma risada larga e pausou o jogo, sabia que não ia conseguir terminar a partida até que saísse dali, mas sempre podia irritar ela como se os dois tivessem meros 15 anos. A mulher pequena bufou indignada com a postura idiota dele e cerrou os punhos, ainda estava resguardada pelo código de irmãos mais novos que saíam ilesos após uma briga e não ia deixar uns bons sopapos de fora se o babaca do irmão merecesse.
-Você perguntou se eu falei com meus amigos e eu respondi. – O homem deu de ombros. – Eu falei. Até com o . – piscou. – E eu não posso deixar com o deboche de criatura ressentida, porque eu estou ressentido.
-Com o quê? Essa eu quero ver! – A mulher bufou impaciente, ainda resguardando seu réu primário, não queria desperdiça-lo com tanta facilidade assim. – Por que eu estou transando com seu melhor amigo? – frisou bem a palavra, realmente satisfeita ao ver a cara de dor que o irmão fez ao ouvi-la, ainda que tivesse confirmado com um aceno irritado sobre ser aquilo mesmo. Quando tinha ficado tão idiota? – E outra, fiquei sabendo de algo bem diferente sobre esse seu “Eu falei com meus amigos”.
-Me diz o que você tá sabendo, que aí a gente alinha as conversas. – A expressão tediosa sustentou nos olhos do homem mais velho alguns anos e ele se recostou nas costas do estofado. Sabia que a situação era ridícula, ele e , dois adultos, se provocando como duas crianças.
-Que você tá cumprimentando o como se falasse pra dentro. – Ela suspirou com força, nunca imaginou que estaria se metendo nos assuntos de e , daquele jeito. – Eu mandei ele virar homem e resolver isso, mas ele quer te dar espaço. Infelizmente, eu não. – se apoiou no quadril com uma das mãos e abriu um sorriso trincado tenebroso.
-Eu respondi que tinha falado com ele, . – O homem bufou indignado.
-Ótimo, . Muito bom saber que você ainda me trata como uma criança boba. – Ela suspirou cansada de tentar inserir uma conversa madura e contar que os dois estavam apaixonados e era bem mais do que só tesão, ou fogo por rebeldia. – E nem muito maduro da sua parte, você é casado com a irmã dele, meu Deus! Qual o problema em aceitar que eu estou me relacionando com o seu melhor amigo e…
-ELE PROMETEU, OKAY? – A fala foi cortada antes que a enfermeira pudesse chegar na parte “nos gostamos bem mais do que você imagina”. – Ele prometeu que não ia se envolver com você e aí vai lá e… transa contigo! – Ele sentiu o amargo na garganta em verbalizar aquilo. – Você entende agora? – levantou do sofá e se suspeitava ter feito merda, confirmou quando viu a expressão empalidecida da irmã.
A informação de mal gosto a atingiu como um soco na boca do estômago e ela não conseguia assimilar o que tinha acabado de escutar. Aquilo parecia seu pior pesadelo adolescente lhe atormentando, quando finalmente tinha virado uma mulher adulta, independente e segura de si, ao menos era a ideia em deixar o passado para trás. Mas imaginar que tinha feito aquilo por suas costas, ter negociado o que aconteceria e ainda por cima com seu irmão, fora uma das piores coisas pra se ouvir naquele péssimo momento. ELE TINHA SE DECLARADO PRA ELA COM TODAS AS LETRAS, PORRA!
-Vocês não fizeram isso! – O bolo se moveu pelo estomago, deixando-a imersa na vontade de vomitar. – Jura que vocês discutiram sobre isso nas minhas costas?
fechou os olhos ao entender a bela merda que tinha dito e encolheu os ombros, ficando exponencialmente menor que o normal, ou talvez a irmã mais nova estivesse tão inchada de raiva que metia medo em todo mundo.
-Não teve uma grande conversa sobre o assunto. – Ele resmungou.
-Mas rolou, ! – A decepção fez a voz da mulher ainda mais firme. – E isso foi uma atitude bem machista. EU NÃO SOU UM OBJETO IDIOTA! Eu vou matar , porque você já ta morto! – Ela controlou toda a vontade de chorar, embora seu rosto começasse a esquentar e as narinas dilatassem sem precedentes, dando a certeza de que ela não ia conseguir segurar muito tempo.
-CALMA! – soltou um berro esganiçado, não queria que tudo tivesse sido interpretado daquela forma, até porque não verdade não havia existido uma grande conversa sobre o assunto e nem de longe eles dois tinham a intenção de trata-la como um objeto. Lembrava muito bem das palavras de : “Eu não vou me envolver com se não for 100% real, okay? Não vai rolar se não tiver sentimento envolvido.” – Ninguém achou que você é! Abaixa o fogo por revolução!
-EU NÃO VOU BAIXAR FOGO POR REVOLUÇÃO CARALHO NENHUM! – Ela esbravejou enquanto sentia seus grandes olhos azuis encherem de lágrimas quentes e doloridas. Gostar de homem só podia ser castigo, um carma! – Eu esperei bem mais de você, , que inclusive tivesse deixado de ser esse babaca controlador. Achei que confiasse em mim!
-Você é minha irmã mais nova e eu não queria que você saísse machucada dessa história toda! – Ele engoliu o amargo que voltava a garganta em ouvir “deixado de ser o babaca controlador”.
-Pelo visto é bem difícil ter uma conversa madura comigo né? – Ela pressionou os dentes no lábio inferior, tentando controlar a avalanche de choro que ela só soltaria no colo de , enquanto as duas xingavam todos os homens do mundo.
! – O homem tentou repreender de forma frustrada. – Você não vai partir pro drama, não é?
-Drama? Você acha mesmo que eu estou fazendo drama? – A mulher bufou indignada. – Eu nunca esperei isso de você. Quer saber? Eu vou embora, porque não sou obrigada a ter que ouvir você falar esse tipo de coisa. – Ela sacudiu os cachos dourados e deu um passo pra trás antes que o irmão mais velho tentasse a abraçar, ou fazer qualquer coisa que dizimasse sua raiva instantânea.
! Qual é? – Ele tentou alcança-la ainda querendo consertar a merda que tinha dito, mas se viu frustrado ao ver o furacão passar pela porta com um temperamento de quem mataria qualquer um que a olhasse torto.
Ok. Aquilo era péssimo! Péssimo pra ele e principalmente pra . O que merda você fez, cara?

Pode ir embora, eu não quero falar com você

A mulher empurrou o celular de lado na mesa após receber a enésima mensagem de depois de começar a evitá-lo, mesmo que não respondesse nenhuma delas pelo textnow, tinha certeza que ele sabia bem que ela tinha lido, só resolvera ignorar o causador dos seus problemas na última semana. O homem de 32 anos tinha ido de:
: A gente podia sair hoje a noite né? Achei que ia te encontrar em casa depois do expediente na escolinha.
: , eu sei que você tá bem ocupada, ou talvez tenha até esquecido de me responder. Ta tudo bem?
A:
: Okay, depois de tantas mensagens e visitas mal sucedidas a casa dos seus pais. Tô começando mesmo a achar que você tá me evitando. Na verdade, diria até ignorando, mas confesso que não tenho ideia de pq mereço isso. Vamos conversar?
Ela bufou irritada com a cara de pau dele em simplesmente fazer a linha inocente depois de negociar com seu irmão sobre se deveria corteja-la ou não. se sentia como em um livro de época, no qual as mulheres tinham sequer poder sobre si. E se tinha uma coisa que ela odiava, era se sentir daquele jeito.
Ignorou o celular que continuava a vibrar com as inúmeras mensagens chegando e tirou o saco do lixeiro da cozinha. A equipe de coleta passaria em menos de uma hora, então era melhor não perder o momento, ou precisariam acumular lixo pelos próximos dois dias até que eles passassem novamente. A garota colocou os sacos pretos na grade de coleta e a caixinha identificada com material cortante bem ao lado, tinha quebrado um prato no meio da semana e livrado um corte por pouco.
-Hey! – A voz grave de a fez tremer dos pés ao último fio de cabelo, era como se o timbre preenchesse seu ser novamente. Ela fechou os olhos com força, ainda de cabeça baixa e se obrigou a ser tão fria quanto já vinha sendo nos últimos dias.
-Oi.
O cumprimento seco e contido foi como um golpe no meio do estômago, mas controlou o reflexo de vomitar e enfiou as mãos nos bolsos, caminhando cautelosamente até onde uma embravecida estava. Embora ela quisesse correr pra dentro de casa novamente, não tendo que lidar com a conversa.
-Tudo bem? – Ele fez a pergunta retórica pra quebrar o silêncio assustador.
-Não, . Não está nada bem. – A mulher bufou indignada com a cara de cachorro que caiu da chuva. – Você ainda tem cara de me perguntar se tá tudo bem? Ah, , me poupe!
-Sabia. – O homem deslizou a mão pelos cabelos, afundado em frustração com toda aquela bagunça. Ela ainda estava lhe evitando por não ter se resolvido com o . – Eu vou me resolver com o , não é a primeira vez que…
-E pretendia esconder por quanto tempo? – Os olhos azuis reluziram algum tipo de ira assim que ela cortou a frase dita por ele. O homem digeriu o que ela tinha dito e escancarou a boca em uma dúvida gigantesca sobre se eles estavam falando da mesma coisa.
-O-o quê? – Ele gaguejou ao ver a fúria dela invadir ainda mais seus olhos azuis brilhantes.
-A princesa não sabe? – escorou uma das mãos no quadril em sua versão mais debochada e viu o rosto do homem a sua frente se torcer em uma careta de desgosto e, provavelmente, arrependimento. – Deveria lembrar das promessas que faz aos seus amigos, !
-AH MERDA! – sentiu o desespero se acumular na boca do estômago, assim como a vontade de vomitar. Não esperava que fosse ser o melhor mediador entre as conversas e brigas, mas tinha certeza que pelo jeito que a irmã mais nova do melhor amigo lhe atacava, ele deveria ter falado barbaridades.
-Como eu previa. – Ela lhe lançou um olhar cortante e amargo. – Agora me dê licença. – balançou a cabeça negativamente e não contou conversa pra virar na direção da porta da frente. Tão perto e tão longe.
-Calma! Calma! Calma! – tirou as mãos dos bolsos e começou sacudi-las como se aquilo fizesse a mulher ficar. Pela paradinha que ela deu ao sustentar o peso do corpo em uma das pernas, parecia ter funcionado.
-Eu não posso ter calma, eu não quero ter calma e eu não vou ter! – O esbravejo saiu indignado na impossibilidade de dar um safanão no homem com cara de santa puta querendo se explicar. – Você negociou a porra da minha liberdade como se fosse meu dono! Então aquela porra toda de não querer transar comigo era por causa de uma promessa e não de respeito?
-NÃO! NÃO, NÃO FOI NADA DISSO. – O homem desesperado não conseguiu controlar o volume da voz, enquanto sentia aquela sensação horrível de perda se apoderar da sua cabeça zonza. – Eu tenho uma explicação e eu posso explicar, !
-É o cacete, !
-Eu te respeito, ! E você sabe disso, eu te respeito e você presenciou isso! – Ele apontou, já indignado com tanta acusação sem sentido. Era muita filha da putagem de fazer uma coisa daquelas mesmo depois de saber que não era só tesão. Ele tinha que saber dos sentimentos de ! – Eu estou apaixonado por você, e eu nunca seria machista de negociar sua liberdade com seu irmão. VOCÊ ME CONHECE! Foi uma conversa infeliz onde eu prometi que não ia me envolver com você se não fosse 100% real. MAS É 100% REAL! EU SOU LOUCO POR VOCÊ, !
-ENTÃO ME DEIXA EM PAZ! Alguém me perguntou alguma coisa? Até onde eu sei eu tenho o direito de voz!
, foi unicamente uma palavra que dei a um amigo e, que na época, não me pareceu tão difícil de cumprir. Hoje eu vejo que foi a coisa mais ridícula que eu fiz na vida. – O pavor se sobressaia no desafino da voz tão bem preparada, enquanto ainda tentava convence-la de que nunca teve a intenção de soar tão babaca quanto pareceu. – Eu não prometi querendo que o te controlasse, ou que eu te controlasse, eu prometi porquê eu realmente achei que eu não ia querer isso tanto quanto eu quero!
-Querer o quê, ? – A mulher soou desaforada e viu as expressões dele se tornarem ainda mais sofridas.
-Você!
A única palavra parecia explodir quinhentas mil sensações no peito de uma confusa e orgulhosa, que mesmo depois de parar pra pensar em todas as situações, conseguia entender que não parecia tão exagerado assim como e ela tinha feito parecer. Entendia que não tinha sido proposital, mas a decepção e a sensação de ter sido enganada pelo homem no qual sempre tivera sido apaixonada ainda tomava seu peito com força, apertando as costelas e provocando ainda mais o orgulho ferido. Tinha sido a primeira vez que recebera uma declaração tão linda, tão intensa e verdadeira, sem falar no sexo que havia sido completamente diferente de tudo que ela já tinha feito na vida. A noite tinha marcado pra caramba e a decepção que viera umas semanas depois, ainda mais.
-A gente junto! – Ele completou ainda transtornado com o rumo daquela conversa. Ou seria briga?
Meu Deus, ele tinha realmente se metido em uma discussão com a só por tentar ser decente ao ponto de não querer brincar com ela ou algo meramente casual? Okay que foi uma bosta prometer aquilo a , mas mais bosta ainda foi seu melhor amigo sair com uma daquela só por estar com o ego ferido.
Ok, os dois tinham merecido.
-Não tem mais “a gente”, . Vai embora daqui e me deixa em paz! – soou irritada, por mais que tenha deixado um punhado de lágrimas transbordarem de seu rosto assim que deu as costas e entrou na enorme casa.
Faria logo o resto das malas e não contaria conversa ao pedir a seu pai pra ir deixa-la em Toronto na próxima segunda-feira.

Estamos com raiva dos dois agora!

Depois da discussão entre os irmãos , estranhava o fato da cunhada lhe dar uma desculpa esfarrapada sempre que ela tentava chama-la pra decidir sobre a adoção e tudo que a criança precisaria para ser bem recebida na nova família. Até um sorvete no Poppy, tinha recusado. E quando em sã consciência, ela recusaria um sorvete na melhor sorveteria do mundo? A mais velha sentia o cheiro de problema e decidiu que era hora de romper a bolha de espaço a qual tinha proporcionado a .
-Toc, toc! – simulou uma batidinha na porta aberta do quarto da cunhada, que parecia entretida ou ocupada, fechando uma imensa mala preta. Será que ela ia voltar mais cedo pra Toronto? – Então é por isso que você ta muito ocupada, dona ? Queria saber porque eu e os planos do meu futuro filho foram abandonados.
A mulher cruzou os braços embaixo do peito e viu um suspiro culpado tomar os lábios da melhor amiga.
-Eu vi o lá embaixo e ele pareceu bem animado em ver que eu estava aqui. – A mais velha mordeu a boca com certo receio, era visível o quanto estava levando tudo aquilo da pior maneira possível. A aparência permanecia linda e bela, ela não tinha deixado de se cuidar e ser vaidosa como tanto gostava, mas seus olhos haviam perdido o brilho mais incrível.
-Eu estou evitando o . – A mais nova passou a mão pelos cachos dourados. – Acaba que você mora junto com ele. – A cara de derrota era sem tamanho e fez a outra rir.
-Então estamos mesmo com raiva dele? – A solidariedade veio em forma de um par de braços abertos, que logo recebeu o corpo trêmulo e cheio de ressentimento de . Ela abraçou a amiga sem qualquer cerimônia e não demorou muito ao sentir aquele bolo horrível voltar com força na boca do seu estômago.
-O seu marido é o babaca mais idiota que eu já tive o desgosto de conhecer! – xingou abafada, enquanto sentia o abraço ficar ainda mais acochado.
-E o meu irmão?
-Ai …. – O bico tremeu ao passo que dobrava no queixo e foi a vez do choro não ter desculpas pra sair. O grunhido desesperado nem parecia ser da Enfermeira tão casca grossa e aquilo fez o coração de apertar um pouco mais.
O que merda seu marido tinha feito pra causar tudo aquilo? O que ele tinha causado?
1. estava um lixo depois da briga.
2. tinha se enfiado no quarto da casa dos pais e ao que parecia, só tinha permissão de entrar livremente. Até aquele dia!
3. Pelas malas colocadas no canto da parede, ela iria embora mais cedo pra Toronto.
não a culpava, faria o mesmo se tivesse no seu lugar. O abraço ficou mais forte à medida que os soluços de saíam sem qualquer freio ou filtro, a frustração e decepção era tão real e palpável que deixava o clima no quarto claro, mais tenso do que a mais velha poderia imaginar. Com esforço puxou para a beirada da cama e fez a amiga sentar, ia dar um choque de amor próprio nela, nem que isso custasse a imagem dos dois babacas que ela tinha, no momento, o desgosto de chamar um de irmão e o outro de marido.
-Ele disse que tava apaixonado por mim, ! – A enfermeira sacudiu as mãos em um desespero nada contido, partindo ainda mais o coração da outra.
-Espera… Ele disse? – A professora não conteve o espanto com a falta de sorte do irmão. Quando finalmente ele tinha colhão pra assumir os sentimentos acontecia uma bosta daquela?
-Sim! – O bico de dobrou mais um pouco. Ela respirou fundo e se forçou a enxugar o próprio rosto, sendo ajudada pela melhor amiga e ganhando um beijo maternal na cabeça. – Sem falar que foi completamente diferente o jeito que a gente transou. Eu nunca senti aquilo na vida! – O suspiro desesperado veio sem demora. – A conexão, no caso. – esclareceu pra fazer o coração da cunhada quebrar um pouco mais.
-Eu vou matar o seu irmão. MATAR! – A mulher esbravejou indignada com o belo papel de merda que tinha feito, por mais que em rebote a . Outro que não havia sido o melhor cara do mundo! Desde o começo da conversa idiota, sabia que aquilo não ia dar bom e até tentou alertar o marido, mas ele realmente não via problema em “tentar proteger o coração da irmã”, não que fosse algo ruim, mas já era bem grandinha e sabia muito bem proteger o coração sozinha.
-Se possível a gente enterra os dois na mesma cova. – A mais nova esfregou o nariz e as duas riram.
-Me conta melhor essa história de conexão? – pediu ainda receosa e mordeu de leve o lábio inferior, curiosa com a resposta da amiga. Esperava muito que não fosse “aquele tipo de conexão”, ou seria difícil de defender .
-Eu não consigo explicar, por que é tão difícil de verbalizar, cunha? – enfiou o rosto nas mãos e suspirou indignada com seu íntimo. A outra suspirou receosa e afagou as costas da melhor amiga, já tinha sacado tudo, não precisava nem continuar falando se não quisesse. – É uma definição genérica e terrível, que eu, a senhora do sexo casual, sempre abominei. Sexo pra mim nunca foi cheio de sentimento e entrega, sempre foi só sexo…
-Mas com o foi diferente? – A pergunta saiu baixinha.
A enfermeira afirmou veemente, ainda com o rosto apoiado na palma das mãos, soltando um gemido abafado por estar admitindo aquilo.
-A gente fez amor, ! – Ela soltou outro murmúrio descontente por estar assumindo aquilo em voz alta. – Por que soa tão ridículo quando a gente fala em voz alta? – As duas riram com a colocação oportuna, enquanto a professora de canto se debruçava nas costas da amiga mais nova, abraçando-a com força e carinho. – E aí ele disse que estava apaixonado por mim e falou uma porrada de coisa incrível e linda, que me deixou feito uma idiota sonhadora, porque a verdade é que eu nunca superei .
abriu um sorriso comedido e apertou um pouco mais a garota no abraço.
-Claro que superou, meu amor. Você superou ele há anos, … Agora é completamente diferente, porque você permitiu que ele conhecesse a mulher incrível que é e acabou conhecendo o cara incrível que ele se tornou. São sentimentos distintos, agora vocês se gostam como homem e mulher, é algo maduro. – Ela afagou o ombro da amiga, vendo-a, finalmente, levantar o rosto que estava entre as mãos.
-Você acha? – engoliu em seco ao relembrar de toda a cena em frente à sua casa. – Acha que essa história foi um mal entendido também?
-Hm. – pareceu ponderar com um sacudir de cabeça. – Eu tenho certeza sobre vocês se gostarem como adultos. – Ela mordeu a boca com a segunda pergunta. Será que os dois mais interessados tinham conversado sobre aquilo? – veio aqui?
-Sim? – As expressões da mais nova se transformaram em pura culpa, orgulho e arrependimento. – Ele veio pra tentar conversar, eu falei sobre a promessa ridícula que o deixou escapar. Daí ele tentou me explicar que nada foi proposital, que ele não quis me ofender e só fez isso pra tentar confortar a situação do beijo no apartamento, mas deixou claro que a tal promessa só tinha ido até: “Só vou me envolver com ela se for 100% real”. Depois despejou em minha cara mais uma sessão inteirinha de declarações apavoradas.
-E você, ? – A pergunta saiu alarmada.
-Mandei ele embora. Disse que tinha acabado tudo. – O bico da garota tremeu novamente e as duas se abraçaram no intuito de compartilhar força. sabia só pelo tom da amiga, que ela estava arrependida em ter mandado embora na outra tarde, mas tinha certeza que precisava de tempo pra refletir e digerir aquela confusão toda.
-Tá tudo bem, . – consolou a amiga confusa. – Do mesmo jeito que também tá tudo bem se você quiser voltar atrás e conversar com ele.
soltou um suspiro e afirmou com um aceno contido de cabeça, não pretendia ligar pra , mas ficava feliz em saber que poderia fazer isso sem ser julgada. Quanto ao irmão? Eles eram irmãos e as coisas se ajeitariam normalmente, não demoraria muito pra que aparecesse com um grande gesto, implorando o perdão da enfermeira geniosa.

VOCÊS VÃO ME OUVIR, DUPLA DE BUNDÕES!

saiu do quarto depois de enviar a planilha com as notas dos alunos para o email da escolinha e encontrou uma discussão idiota e pueril na sua sala de estar. e pareciam tentar encontrar um culpado sobre o que tinha acontecido, gritando feito duas crianças histéricas. Ela apertou as têmporas tentando não se incomodar com aquela ladainha sem noção e respirou fundo. Se aproximou dos dois marmanjos idiotas e apoiou uma mão no quadril.
-O que é isso? – A mulher rasgou a pergunta indignada e os viu pararem com a discussão.
Embora não tenha demorado muito pra que outra se iniciasse, cheia de acusações e nada de empatia. Ela bufou ainda mais indignada e resolveu acabar com aquilo.
-NÃO! EU NÃO QUERO SABER E VOCÊS VAO ME OUVIR! – apoiou uma das mãos no quadril e com a outra apontou o indicador em riste na de e que estavam sentados no sofá em mais uma briguinha ridícula pra culpar quem tinha magoado a . – VOCÊS DOIS! Os dois fizeram isso!
A mulher apertou as têmporas tentando recuperar a paciência e a razão antes que matasse os dois de uma esganada só.
-Acham que foi bonito toda essa discussão idiota? Você, , foi bem filho da mãe em simplesmente agir feito um moleque e mandar o ir se foder. – Ela viu o irmão engolir em seco, à medida que o marido abria um sorriso superior, discreto, mas superior. – Nem vem sorrir, ! Você foi extremamente nojento em falar tudo aquilo pra sua irmã, do jeito que você queria que ela soubesse. – Ela suspirou saturada, mas satisfeita em ter atingido o coração dos dois em cheio. – Vocês não têm a menor noção de como a ficou e eu acho muito bem feito que ela vá mesmo embora mais cedo, tomara que não dê uma palavra com vocês dois nunca mais na vida. – apelou pro drama e exagero, sabendo que tinha conseguido quando os homens em seu sofá pareciam ter sofrido um soco no estômago.
-Espera. Ela vai embora mais cedo? – se alterou ao dar o impulso de levantar do sofá. Queria correr o máximo que conseguisse e só sair da porta dos assim que falasse com ele.
-VOCÊ FICA! – A Mrs. o empurrou sentado no sofá e o viu murchar em meio ao estofado, assim como o marido também estava. – Sim, dupla de tapado! Ela vai embora na segunda e eu não tiro a razão dela, espero que vocês dois não ferrem mais nada. – Ela suspirou exausta e sentou na mesinha de centro, queria que as coisas se resolvessem na mesma proporção que queria bater nos dois homens a sua frente. – Por favor, eu estou pedindo. Não é grito e nem ordem, mas como melhor amiga da e alguém que se preocupa com todos vocês, exijo que peçam desculpas. Ela não merece sofrer assim pelos dois caras que ela mais admira nessa droga de mundo injusto, eu não sei se ela vai perdoar e na verdade, nem espero que isso aconteça. – Ela desabafou e viu a careta de desgosto no rosto dos dois. – Vocês queriam tanto não magoar ela e acabaram brigando futilmente por isso, magoaram um ao outro e de quebra ainda sobrou pra . Espero realmente vocês dois ajam feito os homens maduros e velhos que são.

Nota da autora
Por favor, tenham piedade da minha alma KKKKKKK! Queria começar pedindo desculpas pela demora, quando eu achei que ia escrever mais rápido, aconteceu o contrário, mas o capítulo foi bem tenso, então realmente precisei rever algumas coisas e ir escrevendo aos poucos. Depois eu peço desculpas pelos transtornos que causei!
Mas para vai…. tava precisando mesmo de uma sacudida dessas no amorzinho desses dois ️ e vocês já podem imaginar que estamos em uma quase reta final. Por isso, quero agradecer por tudo, vocês são preciosinhas demais!
Biejinhos da tia e até a próxima!

Ps: Podem me xingar nos comentários KKKKKK

Grupo no facebook (https://www.facebook.com/groups/273769653164318)

Trailer (FOFIC) https://www.youtube.com/watch?v=63fruO8tmGk&t=85s

Parte sete: Como merecer o perdão da

2019

Eu sempre vou estar aqui pra te apoiar, porque você é minha melhor amiga

– Você não vai me contar o que houve? – virou de lado junto com o controle do videogame velho que ele e tinham encontrado no porão dos .
– Hm… – A mulher fingiu pensar como se aquela fosse uma decisão difícil. – Não! Eu quero esquecer e não ficar lembrando e remoendo esse assunto sem sentido na cabeça… VOCÊ SAIU DA PISTA! – Ela gritou comemorando que o amigo tinha perdido a vez no jogo.
– VOCÊ ME TIROU DA PISTA, ! – parecia bem indignado com a sutileza dela em fugir dos assuntos e tirá-lo do jogo. Aquilo era jogo sujo!
– HÁ!
– Peste! – O homem bufou saturado e os dois soltaram uma gargalhada imensa pela brincadeira. suspirou um pouco preocupado e botou o controle de lado. – Por que você me ligou chorando de madrugada?
– Era 7 da manhã, idiota! Não era madrugada. – Ela bufou exausta com aquele assunto de novo. Não queria ter que explicar e nem admitir certas coisas, então levantou do chão onde estava sentada e seguiu rumo à TV na parede do quarto. – Quer ver alguma série ou algum show no youtube? – desplugou os fios do videogame.
, você tá fugindo do assunto de novo. – Ele suspirou exausto. – Sou eu, o , seu melhor amigo desde sempre e pra sempre. Eu vou estar aqui com você pra tudo que precisar, mesmo que seja pra te acalmar enquanto você chora às 7 da manhã, ou virar a noite bebendo no nosso bar, porque sexta é seu aniversário de 25. – O rapaz piscou e abriu um sorriso de apoio, que a fez soltar gritinhos histéricos.
– VOCÊ SEMPRE LEMBRA DESSA BOSTA! – soltou uma risada espontânea e divertida.
Não gostava de comemorar a data por uma série de questões, e uma delas era o fato de remeter a sua adolescência e a enorme diferença de idade entre ela e o irmão, o que sempre impedia que os dois saíssem juntos para as mesmas festas. Depois disso, só ficou o sentimento remoído de que não adiantava muito comemorar uma data que lhe aproximava ainda mais do fim.
– Qual é? É o seu aniversário, eu nunca vou esquecer. E acho que a gente precisa dar um fim nessa tradição terrível de: “Só acontece coisa ruim no meu aniversário, !” – O músico a imitou de um jeito bem forçado e ouviu-a rir ainda mais.
– Eu não falo assim! – protestou. – E só acontece coisa ruim no meu aniversário! – A enfermeira voltou a afirmar.
– Tanto faz, ! Esse ano eu quebro essa maldição dos infernos. A gente vai sair na sexta sim e se sua mãe não for fazer nada no domingo, a gente só volta na segunda. – piscou pra moça e foi questão de segundos até ter um corpo atirado ao seu, lhe abraçando com uma força capaz de esmagar ossos.
– Ela cismou de fazer um almoço de família. – A moça fez uma careta desgostosa. – Família ou . – Os dois torceram o nariz. – Vou precisar estar aqui antes das onze da manhã.
– Vamos ter tempo de soooobra. – O moço piscou e ela soube que tinha o melhor amigo em todo mundo. sorriu, o abraçou com mais força pela cintura e ganhou um beijo entre os cachos loiros. – Vamos quebrar a maldição dos 25 em grande estilo!
A enfermeira afirmou com um aceno convicto e foi esmagada no abraço mais um pouco. Só pra lhe fazer ficar mais uma semana naquela cidade e comemorar uma data que ela não era nenhum pouco fã. ficou mais um tempo no abraço carinhoso do melhor amigo, até ouvir seu alerta de mensagens tocar de forma incessante. Ela fez uma careta descontente e olhou com asco para o aparelho em cima da cama.
– Olha logo! – esticou o braço e pegou o telefone, enfiando na mão dela, antes que a melhor amiga recusasse mais uma vez.
– E se for o ? – A garota fez uma careta horrenda.
– Você manda ele à puta que pariu. Mas não vai mais ignorar suas mensagens, . Seja mulher! – sacudiu o corpo da melhor amiga e sentiu uma pontada de alegria ao vê-la dar-se por vencida e desbloquear a tela do telefone.
– É o . – A enfermeira fez uma careta confusa.
– Ué.
Uma vergonha por outra

não acreditava no que estava vendo assim que recebeu a mensagem da irmã. era uma verdadeira peste quando estava brava com alguém. A conversa daquela manhã tinha se iniciado e resumido em querendo saber o que faria pra conseguir o perdão sincero dela, por mais que a relação entre irmãos tivesse mais calma depois de toda a confusão.
– Peste! – Ele xingou a irmã enquanto a esposa desligava o motor do carro. Os dois tinham visitado o advogado aquela manhã para saber a melhor forma de iniciar a adoção, já que a cidade pequena não tinha um orfanato, provavelmente precisariam ir até Toronto conhecer as crianças.
– O que foi? – fez uma careta ao pegar a bolsa de mão no colo do marido. Os dois estavam em frente a L’art Musical, tinham acabado de chegar para dar aulas no turno da tarde que era recheado de adolescentes agitados, além da turma infantil que era responsabilidade de .
– Estou tentando convencer a me perdoar, mas ela quer é ferrar com meu resto de dignidade. – O tom exageradamente magoado do homem fez soltar uma larga gargalhada de quem estava concordando plenamente com a cunhada. Tinha tido uma discussão terrível com o marido por causa de tudo que ele tinha feito e havia prometido pra si que não tocaria mais no assunto com ele.
– Que dignidade, ? – A mulher saiu do carro elegantemente, enquanto via o marido lutar contra o cinto de segurança pra sair tão rápido quanto ela. – Você perdeu toda a sua dignidade depois de fazer isso com sua irmã. – Ela bufou indignada em mais uma alfinetada. Ele suspirou frustrado.
– Por isso mesmo que eu estou tentando compensá-la. – O loiro coçou a cabeça e se deu por vencido com o pedido da irmã mais nova. – Ela quer que eu passe uma vergonha do caramba. – fez careta assim que o casal passou pela porta de madeira do prédio, encontrando sentado à mesa da recepção. Provavelmente checando a lista dos alunos para aquela tarde.
– Quem? – O pedagogo se meteu no assunto. Desde o dia em que tinha dado o maior esporro nos dois em seu sofá, ele e o melhor amigo estavam retomando as coisas aos poucos. Ao menos não tinham mais segredos ou diferenças escrotas por pura imaturidade.
! – esbravejou ao colocar o celular em cima da mesa com a tela pra cima. – Olha a palhaçada que ela quer que eu faça. – Ele revirou os olhos e o amigo prendeu a risada, ao olhar pra indignada as costas do marido.
– Olhe, , eu acho muito bem feito. – A mulher lhe deu um tapa na cabeça, ouvindo-o reclamar como uma criança. – Maior palhaçada vocês fizeram com ela. – Ela suspirou exausta. – O que diz na mensagem?
fez uma careta antes de soltar a maior gargalhada e sacudir a cabeça em afirmação. era mesmo a melhor!
– Aparentemente, ela só vai perdoar ele de vez, quando se humilhar, pagando o maior mico da vida. – O pedagogo entregou o celular na mão da irmã pra que ela visse com os próprios olhos. – é perfeita. É isso! – Ele se esticou na cadeira e viu o dedo médio do amigo esticado na sua direção. – Minha dúvida é: O que você vai fazer? Eu posso participar?
– Vou fazer a única coisa que eu acho que sei: Cantar! – O loiro deu de ombros com um sorriso esperto. – Ou melhor, interpretar uma música perfeita e na frente dos alunos da manhã, eles são mais receptivos as minhas palhaçadas. – estava bem determinado a fazer o que a irmã tinha proposto.
– Vocês que se entendam! – soltou uma risada divertida e saiu da antessala sacudindo a cabeça. – Vou organizar minha sala pra aula de canto! – Ela avisou com a voz um pouco mais alta e recebeu respostas afirmativas.
– Ah, dude, qual é? Não tem espaço pra mim nessa pagação de mico? – usou sua melhor cara de cachorrinho e ouviu a gargalhada do melhor amigo. – Qual é a música?
-Unperfect do Just Kids. – O mais velho abriu um sorriso superior de quem tinha tido a ideia mais genial do mundo. – Ela sempre adorou a banda e fomos em uns três shows em Toronto. E… acho que posso ter mais uma carta na manga, mas isso eu vou ver ainda. – mordeu a boca ainda pensativo e viu a cara de expectativa do amigo. – Cara é o que ela quer de mim. Nós somos irmãos e eu sei que ela quer fazer eu me arrepender de ter misturado os assuntos, é assim que a gente se perdoa, passando vergonha um pelo outro. – Os dois suspiraram. – Mostra que você gosta dela de verdade, seja realmente sincero e aí eu garanto que ela vai te perdoar, dude. Na verdade, eu acho que apenas uma conversa de verdade resolve o problema de vocês. Afinal, fui eu quem fiz a merda grande.
Situações desesperadas trazem motivações desesperadas

não podia acreditar que estava indo embora na próxima segunda-feira, era inaceitável pensar em como as coisas tinham terminado. Não! Não tinha terminado absolutamente nada e ele não iria desistir sem tentar uma segunda, terceira ou quarta vez e se mesmo assim ela continuasse gritando histérica na cara dele que tudo tinha acabado. O tentaria de novo até que os dois pudessem ter uma conversa madura e sem gritos, afinal ele só queria poder se desculpar dignamente e quem sabe, reatar algum dia. Nunca tinha sentido por mulher nenhuma, todo aquele turbilhão de sentimentos que desabrochava em seu peito, espalhando-se por todo o corpo.
Era inevitável controlar as batidas desreguladas e rápidas do coração sempre que ela sorria largamente em sua direção. Até as borboletas no estômago que ele achou terem sido todas digeridas e expelidas, tinham voltando com toda força. Estar longe dela dentro daqueles cinco dias estava sendo uma das coisas mais torturantes que já tinha experimentado na vida, principalmente quando tinha uma química e um magnetismo imenso juntando os dois.
O homem desceu da moto em mais uma incessante vez que tentava contatar na casa dos pais, ao que parecia, só e estavam autorizados a entrar naquela casa pra conversar e passar um tempo com ela. suspirou meio desesperado por não saber como faria pra desviar das desculpas da mulher para evitá-lo, pensando por um momento em algo desesperado demais. A primeira coisa seria fingir ser o , algo bem impossível quando o homem era loiro, do olho azul e alguns centímetros mais baixo. Ok, é melhor descartar!
Mas será que se ele colocasse uma peruca castanha e fingisse ser a irmã iria dar certo?
Meu Deus, , largue de ser idiota!
Seu subconsciente xingou na incredulidade de acreditar que ele estava prestes a pagar o maior ridículo. Só que se a enfermeira não respondia suas mensagens, ele precisava de uma ajudinha pra conseguir falar com ela e em um lampejo de esperança, o sorriso tomou seu rosto ao ver que o carro do melhor amigo dela estacionava ao meio fio. Nunca tinha sido tão reconfortante ver aquele cabelo loiro de novo! apressou o passo e quase correndo, chegou ao lado de , feliz em poder pedir ajuda a alguém.
-Hey, dude! Você acha que eu posso… – Ele gritou animado, mas a última coisa que conseguiu assimilar foi o impacto dolorido de um punho bem na maçã do seu rosto.
O homem cambaleou pra trás cobrindo o rosto, como se aquilo fosse o proteger de um próximo soco ou diminuir a dor que começava tomar toda a sua cara. O que merda tinha sido aquilo? Será que ele tinha se assustado com a abordagem, ou estava se vingando por ? Não importava, reconhecia que estava merecendo um soco daquele, mas talvez, não com tanta força.
– Qual é o seu problema, porra? – O esbravejo indignado do tio da escolinha fez as expressões do outro se tornarem ainda mais duras, enquanto sacudia a mão como se aquilo fosse fazer a dor sumir. Nenhum dos dois ali eram exímios lutadores.
– Qual é o meu problema? – O mais novo fez uma careta pra mão dolorida. – Você tratou a como um objeto idiota! Esse é o meu problema, seu escroto!
– HEY, HEY, HEY! Cuidado com a boca, rapazinho. – incitou como se o homem a sua frente fosse uma criança e ganhou uma rolada de olhos. – Primeiro de tudo, eu nunca fiz isso. Nunca na minha vida eu objetifiquei a e não ia começar agora com 32 anos nas costas. Pelo amor de Deus, . Eu sou um homem, não um moleque! Foi o cacete do que fez esse escarcéu todo porque “não aceitava” meu envolvimento com . – Ele fez uma careta por sentir a dor e o inchaço começarem se instalar pelas maçãs do rosto, o outro não parecia muito feliz sacudindo a mão incessantemente. O quão patético aquilo tinha sido?
empalideceu com a confissão e só pelo tom desesperado e cheio de pavor que tinha usado, sabia que era tudo verdade. Como ele não sabia daquilo? Por que não tinha lhe contado? Bom, talvez porque preferiu não tocar no assunto “”, enquanto a melhor amiga estava destinada a esquecer o cara.
– Caralho! Desculpa! – O músico deixou a careta horrenda de dor se exteriorizar ainda mais e soltou um resmungo. – De verdade, eu…
Ok, tinha sido um pouco errado se precipitar tanto, mas o pedagogo bem que tinha merecido o soco. Só sabia o quanto tinha chorado depois de todas as brigas e jurou que, na primeira oportunidade, vingaria as lágrimas da amiga.
– Tudo bem, eu mereci por ter entrado na onda do . – cobriu o rosto com uma das mãos e, assim como o homem a sua frente, fez uma careta de dor. Aquilo acabou resultando nos dois rindo como dois idiotas.
Na verdade, era a oportunidade perfeita de tentar falar com a , ele estava machucado e os instintos de enfermeira presentes nela não iam falhar. Onde tinha alguém ferido, uma enfermeira estava a postos pra entrar em ação e fazer o seu trabalho!
– Cara, na verdade… eu acho que esse é um bom pretexto pra eu conseguir falar com a . – mordeu a boca e parecia meio duvidoso com a ideia, mas o lampejo animado nos olhos claros do outro cara o fez entender que era uma boa ideia sim. – Você sabe, eu estou machucado e…
– Quer que eu bata do outro lado? – entrou em cena com suas piadas e recebeu o xingamento mais zoado da face da terra.
– Vá se foder! – soltou uma gargalhada imensa, levando o outro junto nas risadas espontâneas.
Era engraçado que agora não parecia mais o monstro que ele pintava, aparentava ser um cara legal e só pelo motivo do soco, deixava o feliz em saber que sua garota estava rodeada de pessoas que a amavam mais que tudo.
– Que palhaçada é essa na minha porta? – A mulher esbravejou assim que abriu a porta da frente pra pegar as correspondências. Estava indignada com os dois homens ali plantados, sacudindo a mão esquerda como se ela doesse e , mesmo com um sorriso extremamente estranho, estava com a maçã do rosto vermelha e levemente inchada. Espera! Eles tinham saído no tapa? – Alguém pode fazer o favor de me explicar? – exigiu com bem mais firmeza.
O loiro tomou fôlego com uma das suas expressões mais culpadas, afinal sabia que levaria um belo esporro da melhor amiga, principalmente porque ela poderia estar irada de raiva, mas nunca apoiaria agressão mútua, desenfreada e sem explicação.
– VAMOS! – Mais um grito que assustou os dois marmanjos plantados a sua porta, quando a garota já tinha perdido o resto da paciência.
– Eu gritei e assustei o . Ele acabou me dando um soco pelo reflexo, . – abriu um sorriso amarelo e opaco pra acompanhar sua mentira e foi encorajado pelo mais novo amigo, que sorriu tão amarelo quanto pra confirmar. – Nada demais, eu prometo!
– Foi sem querer. – saltou de onde estava. – Eu juro! – Ele tentou com os olhos pidões e viu a melhor amiga rolar os dela. Parece que não ia ter jeito mesmo, o melhor era cuidar dos machucados antes que as coisas ficassem piores.
– Ótimo. – abriu de vez a porta da frente e deu um passo atrás, esperando que os dois idiotas entrassem pra que pudesse deixar bem claro seu descontentamento. – Dois marmanjos machucados. – Ela começou. – Nossa, foi a melhor coisa que me aconteceu, ganhei a minha tarde! – O deboche venenoso escorria das palavras da enfermeira, enquanto parecia bem mais animado que o músico, rezando que conseguisse uma conversa decente com ela.
Depois de toda a rabugice de , dois homens com o rabo entre as pernas e os ânimos acalmados, a enfermeira pegou uma compressa de gelo pra colocar nos machucados, evitando que os hematomas ficassem extremamente visíveis e dessem a falsa impressão de uma briga entre os dois. E o pior tinha sido toda aquela proximidade estranha com , o sentimento que lhe revirava o estômago em uma urgência que cobrava uma conversa, uma briga sem sentido ou qualquer contato que o fizesse derreter seu coração de manteiga.
O silêncio pairou na cozinha média e muito bem projetada, deixando-a ainda mais imersa nos pensamentos, enquanto mordia o polegar e encarava lugar nenhum na direção do chão.
– A gente pode conversar? – lançou suplicante na direção de e a viu interromper todo o seu momento reflexão pessoal, sacudindo a cabeça pra espantar os pensamentos.
sentado na bancada como uma criança, rezava pra que ela desse alguma resposta decente, afinal o cara tinha ido até ali e levado um soco de graça, só pra tentar falar com a garota de gênio forte.
– A gente não tem nada pra conversar. – Ela suspirou exausta daquela confusão e embora falasse a verdade, viu quando tomou fôlego pra insistir mais uma vez, mas acabou olhando pro músico encarando os dois como se a conversa fosse digna de plateia.
? – O pedagogo tentou incitar a consciência do outro pra que ele deixasse os dois sozinhos.
– Ele fica! – protestou com a voz firme e deu de ombros. – A gente não tem o que conversar, . – Ela coçou a testa enquanto procurava qualquer desculpa que não fosse tão esfarrapada.
– Claro que tem! – O homem fez uma careta ao levantar de uma vez da cadeira e sentir a bochecha doer. – , qual é? – Ele aumentou a cara de choro, como se pudesse amolecer o coração da mulher raivosa. – Você tá me evitando e tem ódio demais nesse coraçãozinho lindo. Não tiro sua razão de muito provavelmente querer me matar sufocado, mas eu preciso conversar com você, anjo.
Um longo suspiro preencheu o cômodo, deixando um clima de apreensão imenso até que pediu para sentar novamente na cadeira afastada da mesa de madeira. Não ia conseguir manter uma conversa de rumo sóbrio se ele estivesse a centímetros do seu rosto, usando aquele inferno de perfume tão gostoso.
Ela mordeu a boca ainda receosa e soltou o ar preso nos pulmões.
– Eu não tenho ódio e nem estou com raiva, . – A frase pequena o fez relaxar ao ponto de baixar os ombros em finalmente ouvir aquilo, por mais que tivesse confuso pela postura defensiva dela.
– Então, a gente pode voltar? Tentar de novo? – A esperança que escapou da garganta do mais velho deu uma pontada dolorida no estômago de . Ele sabia que não ia dar boas notícias só pelo suspiro pesado.
– Eu continuo chateada com tudo isso que aconteceu. – Ela umedeceu os lábios e começou amassar os dedos das mãos por puro nervosismo. – E eu não consigo fingir que nada aconteceu, babe. Não estou mais com raiva ou querendo matar você e o meu irmão, eu só quero um tempo pra deixar esse sentimento ruim passar e talvez eu esteja pronta de novo quando isso acontecer. Tentar qualquer coisa desse jeito, só vai fazer a relação ficar desgastada. – mordeu a boca, já se sentia tão mais aliviada e madura. Tinha sido bem mais fácil do que a moça imaginara e por uma quantidade significativa de segundos, a cozinha se calou.
O loiro sentado na bancada só queria um fio de esperança pra vibrar com o pedagogo de rosto esfolado. sabia o quanto gostava daquele idiota lerdo com uma compressa de gelo na bochecha e ele parecia, realmente, o homem perfeito pra ela. Fora toda a confusão, era o tipo de cara que nunca magoaria só por maldade ou prazer.
– Você me dá um sinal quando estiver pronta pra recomeçar? – Ele tomou as mãos dela em uma súplica sem tamanho e ouviu um suspiro derrotado. TINHA CONCORDADO!
– Sim, . Eu dou um sinal, eu prometo. – Ela abriu um sorriso pequeno e comedido, mas que não deixou de sacudir o coração do homem a sua frente.
– Obrigado pela sinceridade, anjo. – fez carinho na bochecha da garota, vendo-a fechar os olhos com uma simplicidade imensa e se não fosse lhe encarando da bancada, ele tinha beijado com toda a vontade que lhe consumia. – Que foi? – Ele virou para o cara que os observava.
– Nada, só quero ver até onde vai. – deu de ombros e ouviu a gargalhada estrondosa de , que deu um passo atrás. – Nossa, sua cara tá péssima, vai assustar as crianças da escolinha. – O loiro simulou um arrepio de pavor.
– Eu? Você fez isso com a minha cara. Acha que vou conseguir dar aula? Acho bom ir pensando em todos os seus dons com crianças, porque quem vai me cobrir essa semana é você, bonitão.
-Quê? – saltou da bancada enquanto esperava o protesto de , mas a mulher deu de ombros como quem mandava que os dois se entendessem. – Tudo bem. – O músico levantou as mãos em rendição. – Vai ser molezinha ser mais legal que você.
– HÁ-HÁ. – sacudiu a cabeça de uma vez e sentiu a maçã do rosto doer, enquanto continuava a discussão divertida com sobre quem era melhor com crianças, até chegarem à conclusão que tinha muito mais jeito por cuidar delas na pior fase.
Não há nada como o colo de uma mãe

A tarde daquela segunda estava ensolarada, fresca e uma das mais perfeitas desde o início do verão. E com uma praia no quintal de casa, a melhor pedida era uma caminhada, um mergulho, ou até mesmo ficar sentado na areia morna pra pensar um pouco na vida. Justamente por isso, Lauren achou que encontraria a filha mais nova por lá. Dito e feito, os cachos dourados de reluziam ao sol, parecendo ainda mais lindos.
-Hey, fofinha. – Lauren apertou a ponta do nariz arrebitado da filha mais nova e as duas riram levemente. – Procurei você por toda parte! – A mulher sorriu ternamente ao sentar junto dela na areia clara da praia.
-Desculpa ter sumido. – fechou os olhos pra sentir melhor a brisa cheirosa que vinha do mar. – Eu precisava de um pouco de concentração e vim pra cá. – Ela riu baixinho ao ver a mãe segurar o enorme chapéu de palha. – Pensar um pouco sobre o que o me disse quando foi lá em casa, ontem.
A mulher mais velha afirmou com um aceno de cabeça e mordeu a boca sentindo-se culpada por tudo aquilo que estava acontecendo, Lauren sabia que toda aquela fantasia que envolvia e tinha começado quando e começaram a namorar. Ela e Charlotte sempre brincavam com a situação de os filhos se casarem no futuro, mas a ideia só tinha ganhado força após o primeiro relacionamento vindo disso, consequentemente afetando os dois outros que não tinham nada a ver com as ideias malucas das duas.
A Mrs. sacudiu a cabeça pra tentar se livrar do sentimento sufocante, afinal sucumbir na culpa naquele momento não ia resolver nada, só piorar o estado confuso da sua filha mais nova, que agarrava os joelhos como se aquilo lhe desse conforto pra todos os seus medos. A imagem fez o coração mole de Lauren se quebrar em pedacinhos e não demorar muito pra que ela abraçasse a moça com força e carinho, sentindo a filha se aconchegar no gesto maternal.
-Desculpe, meu bem.
-Hm? – voltou sua atenção pra mãe. Não tinha escutado com clareza o que ela tinha dito, mas conseguiu pegar o contexto da fala pela expressão culpada de Lauren. – Você não me deve desculpas, mãe.
-Devo sim, . Essa situação é toda culpa minha. – As duas suspiraram exaustas e no fundo, a enfermeira sabia que Lauren tinha razão. – Desde que eu comecei fantasiar vocês dois juntos que tudo vem dando errado. Vocês se afastaram depois que você foi embora pra Toronto e o que era pra ser uma amizade saudável, virou uma situação esquisita. Eu sinto tanto, meu anjo. – A mulher declarou com sinceridade e sentiu os dois braços da filha lhe abraçarem com força pela cintura. Ela tinha aceitado as desculpas!
-Não era uma situação esquisita, mãe. A gente só… – A enfermeira suspirou. – Evitava muito contato pra vocês não ficarem imaginando coisa onde não existia, porque, na verdade, até certo tempo eu também imaginei. – mordeu de leve a boca.
-Vocês estavam namorando? – Uma faísca de esperança se revelou na frase da mulher mais velha e as duas riram.
-Eu realmente não sei responder isso, mãe. – A garota brincou com a areia solta ao se lado, tentando desviar ao máximo daquele caminho que a conversa estava indo.
-Tudo bem, querida. Não precisa responder algo que não estava definido, ou… sei lá. Não precisamos falar disso se você não quiser.
-O problema, mãe, é que eu estava rezando que você me perguntasse. Eu precisava contar tudo isso pra alguém que não quisesse jogar a decisão em minhas mãos. – respirou fundo e finalmente começava se achar naquela situação apavorante. – Eu não tenho ódio dele, eu sou louca por ele, mãe, e estar chateada com tudo isso consome todas as minhas energias. Mas eu não sou de ferro! E nem tenho sangue de barata! – O desespero ressentido na exclamação dela foi de cortar o coração.
A arquiteta afirmou com um balançar de cabeça e beijou-a entre os cabelos, enquanto fazia um carinho nos ombros da filha. Aquele era um dos melhores gestos do mundo, era um carinho que acalmava o pior dos corações desesperados e ainda lhe deixava com a cabeça menos apavorada.
-Meu amor, você só tem 24 aninhos. Não precisa dessa urgência toda pra resolver as coisas e muito menos entender seus sentimentos, . – Ela umedeceu os lábios e continuou. – Está tudo bem você estar chateada com o , eu mesma quis dar umas boas palmadas nele e no seu irmão por causa dessa palhaçada toda. Quando vão finalmente entender que você é uma mulher adulta, independente, forte e incrível? – Foi o bastante para que o semblante da enfermeira se iluminasse como a lua em uma noite de céu limpo. – Eu sei que às vezes te tratamos como um bebê, mas é mal dos pais sempre ver os filhos como crianças.
O sorriso estampado no rosto de era um dos mais genuínos, sinceros e puros que as duas já tinham presenciado. Algo que a deixava ainda mais confiante sobre o que iria decidir em relação a .
-Eu vou estar te apoiando sobre qualquer coisa e quero que saiba: suas diferenças com não vão afetar a minha amizade com a Lottie. – A mulher soltou uma risadinha. – Pode acabar com ele e vai ficar tudo bem!
-Você é a melhor, mãe! – disse após uma gargalhada mais leve. – Eu só preciso de um pouco de tempo e espaço pra ser sincera com ele.
-E você terá! – Lauren piscou e cutucou a ponta do nariz arrebitado da sua caçula. – Mas agora, eu fiquei sabendo que sábado…
-Ah mãe, não. – A garota escondeu o rosto entre as mãos ao cortar a frase da mãe. Ela já sabia o resto até de ouvidos tapados.
Ameliaaa… Não seja malvada com a sua mãe! É uma data importante sim, seus 25 anos são muito importantes e eu não vou deixar passar batido. Eu já disse que essa história de data amaldiçoada é coisa da sua cabeça, garota teimosa. – A mulher ralhou como se a filha fosse uma criança, fazendo-a soltar uma risada alta e derrotada.
-Qual é? – O tom foi suplicante.
Lauren suspirou exausta.
-Ok, eu vou deixar o sábado em paz, mas você não me tira o domingo. Vamos fazer um almoço na piscina e quem sabe você já está pronta pra encarar o daqui até lá.
-Tudo bem. – bufou se dando por vencida e foi apertada em mais um abraço amoroso e maternal, sendo convidada a dar um passeio pela orla da praia calma e reflexiva de Lion’s Head.
Eu disse que a data era amaldiçoada

Era quase noite da quarta-feira quando a estava jogada no sofá da casa dos pais, tinha passado a manhã com pra planejar o novo integrante da família. A enfermeira participava de alguns projetos sociais em Toronto, sendo a maioria deles com crianças e, por isso, estava indicando os melhores lugares para que a cunhada e o irmão buscassem conhecer o futuro filho. O advogado contratado pelos estava conseguindo orienta-los da maneira mais clara e perfeita possível sobre o longo processo de adoção e visitas do serviço social pra analisar se e estavam aptos a adotarem uma criança.
As duas famílias estavam eufóricas com a chegada do neto e os já planejavam um parquinho no quintal, deixando encantada pela aceitação genuína da opção diferente.
-Oi querida! – A garota foi tirada dos seus pensamentos quando viu a mãe e Charlotte entrando pela porta da frente da casa clássica.
-Oi mãe, oi Lottie! – acenou com uma das mãos, voltando logo a atenção pro celular. – Papai saiu com o Real, acho que vão pescar… ou é a noite dos meninos, não sei, algo assim. – Ela fez careta e ouviu a risada divertida das mulheres.
-Sim! – Lauren confirmou. – Algumas amigas nossas vêm pra cá hoje, vai estar junto. Você vai participar?
A mais nova refletiu com o convite e ao olhar para as duas mulheres de meia idade, animadas ao pé do sofá, decidiu dar uma chance a elas. Bom, talvez fosse interessante passar um tempo imersa naquele universo genuinamente feminino ouvindo as conversas engraçadas e podendo contar as dela também. Além de que, estaria junto, iria ser divertido de qualquer forma. A garota abriu um sorriso e assim que foi verbalizar a confirmação, ouviu a porta da frente abrir num rompante.
-Você vai me matar, mas eu não tive culpa! – parecia desesperado, assustando as três mulheres presentes na sala. – Desculpa, Lau e Lottie! – Ele esticou a mão.
-Tudo bem, querido. – Lauren sorriu e seguiu pra cozinha com a amiga.
-Quem diabos você matou? – sentou de uma vez no sofá. – E, por favor, não diga: !
O músico desabou em cima do sofá e respirou um pouco mais aliviado pela corrida desesperada, enquanto sua melhor amiga esperava com uma curiosidade capaz de matar todos os gatos do ditado popular que dizia “a curiosidade matou o gato”. Ela arregalou de leve os olhos e sacudiu a mão pra que ele continuasse, mas o viu pedir um pouco mais de tempo pra respirar, quando na verdade pensava em alguma estratégia que o deixasse vivo.
!
-Ok! – A careta desgostosa surgiu. – Eu recebi uma proposta de trabalho durante todo o fim de semana, e foi uma proposta muito boa pra tocar nas três noites temáticas do restaurante. Claro, eu não aceitei ainda e nem vou sem falar com você antes.
suspirou aliviada, beijou a bochecha do melhor amigo e abriu um sorriso imensamente feliz por ele, afinal sabia que ganhar a vida com música não era tão fácil quanto parecia, principalmente em uma cidade pequena como aquela. Ela já tinha batido milhões de vezes na mesma tecla sobre ele mudar pra Toronto e tentar trabalhar em uma rádio ou gravadora, mas ainda parecia resistente com a ideia, sem falar que ele estava adorando trabalhar com crianças durante aquela semana substituindo .
-Óbvio que você vai aceitar a proposta, . Tá doido que não? – Ela o sacudiu pelos ombros. – E quando for na sexta à noite, vou te ver tocar e a gente vai passar meu aniversário juntinho! – A moça piscou com um dos seus sorrisos mais lindos e foi abraçada fortemente pelo melhor amigo.
-Aceito sua visita na sexta à noite. – O homem beijou-a na bochecha. – Mas o que acha da gente sair hoje à noite? – lançou um olhar extremamente animado, um daqueles que fazia os olhos brilharem esperançosamente.
A mulher fechou os olhos com força pra fazer suspense e logo abriu um imenso sorriso animado. Tinha certeza que sua mãe não reclamaria ao dar sua falta na reunião com as amigas, elas teriam vários outros momentos para aquilo e se possível, um que não tivesse tão confusa, podendo participar integralmente da conversa.
-COM CERTEZA! – O gritinho dela reverberou pela sala. – Estou nova demais para o encontro das senhorinhas de Lion’s Head.
-SENHORINHA É A SUA AVÓ! – Lauren gritou da cozinha arrancando uma gargalhada estrondosa da filha. se rendeu ao momento e expulsando a melhor amiga do sofá, viu quando a moça correu escada acima na intenção de pôr uma roupa adequada para passar a noite dançando.
Como se a vida de já não fosse clichê o suficiente

Já era mais de duas da manhã, mais de cinco shots pra cada e umas 12 cervejas ao todo. e não sabiam mais exatamente do que estavam conversando, mas parecia ser o assunto mais engraçado mundo e contagiante, pois até um grupo da mesma faixa etária tinha se juntado a conversa sem nexo que envolvia ex-amores, decepções e até alguns chifres. A enfermeira sacudiu em uma risada pelo que a moça ruiva dizia e decidiu imediatamente parar de beber ao ver o estado de , ele cambaleava levemente no banco alto e era melhor que algum dos dois ficasse menos bêbado àquela noite.
-Acho que vou ligar pra alguém vir buscar a gente. – falou no ouvido do melhor amigo, vendo-o afirmar com um aceno cambaleante. E foi questão de segundos até a dúvida cortante se instalar em seu subconsciente: pra quem ela deveria ligar em uma situação daquelas?
Uber não era seguro, levando em consideração que os dois estavam bêbados e nada seguros do que aconteceria o resto da noite. Ela suspirou e viu se escorar em falso mais uma vez, quase caindo. Ok, tinha que ser alguém que ajudasse colocá-lo na cama, ou quem sabe até dar um banho gelado. Apenas dois nomes piscavam frenéticos em sua cabeça: e . A mulher rolou a agenda do telefone pra cima e com um empurrão não esperado, acabou ligando para o número que queria, mas ainda tinha receio.
-Hey handsome! – A voz bêbada de se fez presente assim que atenderam a chamada.
-Quem é? – A pergunta sonolenta revelou uma voz grave que a fez tremer na base.
-Não conhece mais a minha voz? – Ok, aquela manha toda só poderia ser motivada pelo excesso de álcool no cérebro. Ou ao menos ela poderia o culpar sem medo de ser feliz.
? soltou uma risada rouca. – Não esqueci sua voz, só acabei de acordar e são o que… – Ele parou por um minuto, deixando-a na dúvida se ele estava checando o horário ou tentando adivinhar. – Três da manhã. Me diz o motivo pra ter me acordado essa hora. – Ele riu.
-Eu e o estamos bêbados demais pra voltar pra casa sozinhos. Precisamos de ajuuuuuuuuda!
Droga. – O homem soltou meio assustado. – Onde exatamente vocês estão, ?
-Wave. – Ela olhou pro letreiro luminoso no bar só pra se certificar e ouviu o suspiro aliviado de . – Você vem? – O gritinho animado o fez rir.
Vou resgatar os dois! – O pedagogo disse e o barulho de molas denunciava que ele tinha levantado da cama de uma vez. – Não saiam daí com ninguém. Muito bêbados?
-Só meio calibrada, mas acho que o vai dar mais trabalho pra sair do carro. – Ela fez uma careta ao ver o amigo.
Estou chegando! deu o ultimato com a voz firme e desligou o telefone.
Não demorou muito até que ele mandasse uma mensagem avisando que estava fora do lugar, esperando os dois pra levar pra casa. chamou o melhor amigo, que incrivelmente não deu qualquer sinal de recusa, e saíram cambaleando até a porta da frente do bar. estava escorado na lateral do carro, com as mãos nos bolsos, cara amassada de quem tinha acabado de acordar e a razão de todos os descompassos do coração da enfermeira pediátrica.
-Hey! – O homem sorriu ao se aproximar da dupla cambaleante. Recebeu um aceno de cumprimento de e viu quando o sorriso de se alargou mesmo sem a permissão dela.
se pôs entre os dois, segurando pela cintura com um dos braços e dando apoio ao músico com o outro braço. Ajudou os dois seguirem até o carro grande e depois que abriu a porta do passageiro, mostrando que não estava tão ruim, ele ajudou a sentar no banco de trás, embora achasse estranha demais, a habilidade do bebum em questão.
sacudiu a cabeça pra tirar a hipótese errada da mente, passou a mão pelos cabelos e fechou a porta traseira, percebendo que estava em uma briga acirrada com o cinto de segurança no banco da frente. O homem soltou uma risada divertida e sem cerimônias, enfiou metade do corpo pela porta, prendendo o cinto no lugar e finalmente percebendo o quão perto eles estavam.
-Nossa, como você tá tão cheiroso mesmo acordando no meio da madrugada? – A mulher soltou a pergunta como se perguntasse as horas e o viu sacudir a cabeça enquanto ria.
-Tomei banho antes de deitar, olha… – bagunçou o cabelo escuro. – Meu cabelo tá frio do banho ainda. – O homem abriu um sorriso quando sentiu a mão dela se esgueirar por sua nuca, involuntariamente trazendo o rosto dele pra mais perto na tentativa de um beijo depois de todos aqueles torturantes dias. Será que era o sinal?
Um pigarro sóbrio demais veio do banco traseiro, assustando os dois despercebidos na frente e fazendo largar a nuca de como se estivesse em brasa. Ele se afastou sem jeito e coçou a cabeça, fechando a porta do passageiro em seguida. O homem que estava sem chão com que acabara de acontecer respirou fundo pra tentar conter os ânimos, à medida que passava pela frente do carro para entrar no lugar do motorista.
A viagem até a casa de foi tranquila e até divertida. A dupla bêbada fazia um dos duetos mais zoados de Sexy Back que tinha visto na vida e dava graças aos céus por ter ligado o rádio na viagem de volta. Tanto que não demorou muito pra que entrassem na rua que o melhor amigo de morava e após algumas instruções sobre qual era a casa, o pedagogo estacionou em frente.
-Está entregue, cara. – soltou uma risada leve e liberou a trava do cinto de segurança pronto pra sair e ajudar o bebum. – Precisa de ajuda aí? – O pedagogo virou de leve o corpo pra ver as feições de brincadeira no rosto do loiro.
-Estou de boas, . Tranquilo! – piscou e soltou a risada presa.
De repente ele não tinha mais a voz bêbada, o jeito cambaleante ou os olhos baixos pelo excesso de álcool, apenas a expressão de deboche de quem tinha ganhado aquele jogo. O músico se esgueirou entre os bancos da frente, beijou a bochecha de uma meio bêbada em um estalo, fez um toque de mão com e com os reflexos de alguém sóbrio, saiu do carro sem qualquer dificuldade. Isso causou no uma das mais confusas reações, ele queria rir por ter sido feito de bobo, mas estava feliz pelas intenções daquele teatrinho de , talvez fosse a chance que ele precisava pra mostrar a que estaria com ela em qualquer momento, até os em que ela estivesse bêbada e sem limites.
-HEY! – A mulher gritou indignada quando percebeu a situação e baixou o vidro do carro. – SEU TRAIDOR! – A ira dela causou as risadas mais divertidas na dupla masculina. – VOCÊ NÃO ESTÁ BÊBADO? – deu de ombros como se dissesse “entenda como quiser”.
-De nada, ! – levantou o polegar sinalizando um joinha pra e despertou a gargalhada do mais velho, ao mesmo tempo que o instinto irado da mulher no carro. Ela parecia o diabo da Tasmânia prestes a bater em alguém, enquanto xingava os dois de idiotas.
-Ele não estava bêbado! – Um bico desgostoso se formou nos lábios dela, deixando imerso em uma vontade imensa de beijar aquele bico bravo. – Você acredita? – cruzou os braços com força e ouviu a risada larga de . Logo o carro estava em movimento novamente, levando os dois pra fora das ruas do centro.

Nota da autora:
Oi amores! Tudo bem? Espero que sim e que tenham gostado desse capítulo. Foi um dos mais demorados pra escrever, mas consegui atravessar essa turbulência.
Mas em compensação é um dos que eu mais gosto por mostrar o processo de maturidade pra que você possa perdoar alguém e ser verdadeiro! Um beijo da tia e em breve vem mais! ️

Grupo no facebook (https://www.facebook.com/groups/273769653164318)