Flowers On The Grave

Sinopse: A formatura é sempre um rito de passagem para a vida adulta. Mas para ela, significava muito mais. Mudanças para as quais não estava preparada e inseguranças que normalmente não tinha. E quando o medo toma conta de seu coração, ele está lá para lhe abraçar e lhe dizer que tudo vai ficar bem.
Gênero: Romance
Classificação: Livre.
Restrição: Personagens do universo da fanfic Nobody Like You, mas os principais são interativos.
Beta: Regina George
Shortfic

Capítulo Único

O vestido que usava por baixo da toga era simples, mas lhe deixava com um ar que seu pai chamava de “pomposo” e causava muitos risos em porque ela achava aquela palavra engraçada. Não sabia explicar porquê, mas sempre dava risada quando ouvia aquela palavra. Suspirou, ajeitando novamente os cachos e voltando a encarar seu reflexo dos pés à cabeça. Estava bonita e tinha consciência daquilo. Se sentia bonita e aquilo era praticamente uma revolução, já que a busca pelo padrão perfeito era um mal da juventude – e não fazer parte do grupo obcecado por um estereótipo era sim um grande motivo de vitória para . Mas quando encarava seu reflexo no espelho sentia uma angústia absurda, se obrigando a desviar o olhar e precisar abraçar a si mesma em busca de conforto. Precisava aliviar aquela tensão, porque sua formatura iria acontecer em algumas horas e ela seria a oradora da turma.
E tinha que estar com um sorriso lindo para que sua prima, Maria Eduarda, tirasse fotos incríveis para que postasse na internet.
Respirou fundo, abandonado a visão no espelho e se esticando para pegar o celular em cima da cama. Desbloqueou o aparelho e sentindo que precisava conversar com alguém, abriu o WhatsApp e mandou uma mensagem para a única pessoa capaz de acalentar seu coração ansioso quando Maria Eduarda não podia fazê-lo. E naquele momento, tudo o que não queria era conversar com Madu sobre seus medos e inseguranças. Sabia que a garota iria lhe entender e tentar lhe ajudar, mas sentia vergonha. A prima tinha planos de vida tão concretos que sentia-se acuada em apresentar seus medos para ela e por esse motivo, estava evitando falar sobre o futuro após a formatura, usando a desculpa de que eles precisavam aproveitar os últimos dias de escola para terem ótimas lembranças. Mas estava mentindo para todo mundo e aquilo estava lhe fazendo mal. Precisava conversar e era, antes de ser seu namorado, seu melhor amigo. E sempre tinha bons conselhos. sorriu quando o status de mudou de online – viciado como era, estava sempre com o celular na mão – para digitando.

Amor ❤️
Tô sempre aqui pra ti amor 17:38

Nossa, tu é muito brega 17:38

Amor ❤️
Eu tentando ser romântico e tu sendo uma égua como sempre 17:38

Tu me ama desse jeitinho mesmo 17:38

Amor ❤️
Infelizmente 17:38

Ridículo 17:38

Amor ❤️
O que tu quer? 17:39

Me encontra na praça em dez minutos? 17:39
Eu tô surtando e preciso de ti 17:39

Amor ❤️
Te vejo em sete minutos 17:39

abriu um sorriso largo, calçando as sapatilhas e correndo para o andar de baixo da casa em que morava com os pais. Gritou que ia encontrar e só ouviu um “não te atrasa, temos que ir para a escola daqui a pouco” de sua mãe antes de bater à porta da frente e atravessar a rua em direção a praça onde costumava se encontrar com os amigos durante as tardes de estudo.
já estava em seu balanço favorito quando o encontrou com o olhar e ela não conseguiu diminuir o tamanho do sorriso, correndo em direção ao namorado e o beijando nos lábios após sentar-se ao seu lado e se inclinar para ele.
– Para compensar a tua breguice. – Implicou e revirou os olhos.
– Eu não sei como eu te aguento.
– Eu sou muito linda, não te faça de idiota. – Estirou a língua para o garoto, que riu e a puxou para perto, ignorando completamente as cordas do balanço entre eles.
– Então me conta, qual o motivo do surto? – Questionou, sempre cuidadoso e com seu ar de psicólogo que adorava. – E por que a Madu não foi requisitada?
– Ai amor… – suspirou, deitando a cabeça no ombro dele e sorrindo fraco quando ele a abraçou pela cintura e deixou um beijo em sua nuca. – Eu não consigo falar disso com a Madu. Me sinto um fracasso.
– Por quê?
– Tu sabe. – Suspirou, mordendo o lábio inferior em seguida. – Eu ainda não sei se arquitetura é a minha praia. E eu tô com tanto medo. – a abraçou com mais força. – Sei que passamos os últimos três anos esperando pela formatura, juntando dinheiro e tudo… Mas agora que chegou, eu não sei se eu tô pronta para isso.
– Todos nós estamos com medo, . – sorriu fraco. – Ou tu achas que eu tenho 100% de certeza sobre psicologia? – Riu. – Tu sabes que não, já conversei sobre isso contigo.
– A Madu tem certeza, . – sorriu triste e orgulhosa. – Ela tem tudo planejado. Desde o curso que quer fazer até mesmo a mudança para Florianópolis. Ela já encontrou um apartamento barato e até mesmo um lugar para fazer freela nos tempos livres e juntar dinheiro para ir embora do país depois que se formar. Eu eu tô aqui, – Riu com desgosto. – Reavaliando minha opção de curso, que eu só escolhi porque gosto muito de montar casas no The Sims. – Revirou os olhos.
– Tuas casas no The Sims são as melhores e tu sabes disso. – Ele retrucou e quando iria se virar para ele e brigar, beijou-a outra vez na nuca e a apertou em seus braços. – Tu precisas parar de se comparar com a Madu. Vocês duas são completamente diferentes e obviamente têm cabeças e planos diferentes. A Madu nasceu para a fotografia. E nasceu para voar para longe daqui. Nós sempre soubemos que iríamos perdê-la depois da formatura, porque ela iria voar para longe. Ela tem esse objetivo e se dedica a isso. A vida dela não é aqui, amor. – Sorriu triste, já que também iria sentir falta de Maria Eduarda.
– Eu queria ser assim. – suspirou por fim, cabisbaixa.
– Então eu não iria me apaixonar por ti. – sorriu e ela estalou os lábios.
– Eu poderia sobreviver a isso. – Retrucou, rindo alto quando recebeu um cutucão na cintura como forma de repreensão. – Eu tô brincando! – Reclamou, dando um tapa na mão do namorado. Deitou a cabeça no ombro dele e encarou o céu, suspirando alto. – Eu não quero ser um fracasso. Queria mesmo ser como a Madu, mesmo que eu passe a maior parte do tempo reclamando porque ela pensa demais e age de menos. – Bufou. – E o fato de ela estar indo embora apenas prova que eu sou cagona demais. E ainda vou perdê-la. – Suspirou. – Enquanto eu tô aqui fazendo merda com a minha vida.
, essa pessoa é tu. – riu. – Tu faz coisas inusitadas só porque tu achas que vai dar certo. Tu arrisca até conseguir fazer dar certo e isso é incrível. Essa persistência é sexy. – Murmurou, causando risos na garota.
– Idiota. – Estirou a língua para ele.
– Mas eu tô falando sério. Tu é incrível do jeito que tu é. E está tudo bem ter medo. – Murmurou. – Estamos saindo de uma vida estável e confortável para a vida adulta. Teremos tantas preocupações. – Suspirou. – Responsabilidades, deveres… A gente passa a infância toda querendo ser adulto e quando finalmente chegamos na porta, queremos voltar para a segurança do conhecido. Para além dessa porta, tudo será diferente. Talvez a gente odeie a faculdade. Talvez desista e vá vender arte em Floripa. Talvez sejamos demitidos de vários empregos e iremos ter que morar em uma kitnet. Ou voltar para a casa de nossos pais. – Deu de ombros. – O futuro é incerto e é essa a graça da vida.
– Eu não estou pronta. – choramingou e a abraçou com mais força. – Estou com medo. Não quero ser um peso para os meus pais. Quero escolher um bom curso, ir bem na faculdade, conseguir um bom emprego e ter um bom salário. Quero parcelar viagens de férias em 12 vezes e ter um apartamento legal. E uma bicicleta com um cestinho, porque carros poluem demais. – Torceu os lábios. – Mas agora só consigo pensar que eu sou uma droga e não vou conseguir nada disso.
– Tu vais conseguir tudo o que tu quiser, porque o mundo é teu e tu só precisa tomar ele para ti. – a beijou na mandíbula. – Em algum momento, as coisas vão ficar ruins. Eu sei disso e tu precisas saber também. Nem tudo serão flores, mas eu sempre vou estar aqui contigo. Vou te dar a mão e vamos passar por tudo isso, juntos.
– Tu vai mesmo querer dividir uma kitnet comigo? A gente nem vai poder ter um gato porque não vai ter espaço. – Mordeu o lábio inferior, completamente frustrada. riu.
– Amor, tudo vai dar certo. – Garantiu. – Eu sei que a gente tenta sempre fazer planos, mas a vida é tão inconstante. As coisas simplesmente acontecem e tudo o que a gente pode fazer é viver, experimentar, amar, se entregar… Se der certo, ótimo. Se não der, tentamos de novo. – Deu de ombros. – Não te prende nessa paranoia de ter tudo planejado porque as coisas não saem como a gente quer.
se virou para ele e também sorriu, unindo seus lábios em um beijo cálido.
– Eu te amo. Tu sabes disso, não sabes? – Indagou. – Eu sei que eu sou surtada e difícil, mas nos meus piores momentos, é sempre tu que estás aqui para evitar que eu quebre. – Sorriu.
– Sei. – Ele assentiu. – E te amo muito em retorno. E sempre vou estar aqui. Tudo é temporário, menos o meu amor por ti. – Acariciou o rosto dela com os polegares e suspirou, escondendo o rosto contra o pescoço de . Permaneceram abraçados por incontáveis minutos, até um grito conhecido lhes chamar a atenção e ambos levantarem as cabeças em direção ao som. Madu vinha correndo, usando seu vestido de formatura e com a sua inseparável polaroide em mãos.
– Estamos atrasados para as fotos! – Exclamou animada e riu. Encarou por um instante antes de murmurar:
– Se as coisas saírem do controle da Madu, ela vai surtar.
– Ela vai aprender com a vida, assim como nós. – Sorriu fraco.
– Do que vocês estão falando? – Maria Eduarda questionou, cruzando os braços em frente ao corpo e franzindo o cenho para a prima e o melhor amigo.
– Que tu estás linda nesse vestido e Shawn Mendes deveria abandonar o Vine para vir casar contigo. – mentiu e Madu abriu um largo sorriso.
– Quando ele ficar famoso e lançar álbuns, virá em turnê e ninguém vai impedir meu casamento. – Deu de ombros. – Agora vamos tirar fotos de vocês, preciso colocar no meu portfólio! – Puxou os amigos, seguindo com passos apressados para fora do parque, enquanto e , de mãos dadas, partilhavam daquele momento tão importante para a garota.
– Tu vais ficar bem. – murmurou por fim e a garota assentiu com a cabeça.
– Porque tu vais estar comigo. – Sorriu largo e se deixou ser abraçada por ele.
Eles tinham a vida toda pela frente e estava ansiosa para viver todos os seus dias com o amor de sua vida.