Maturidade

Maturidade

  • Por: Karolyne Cox
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 11115
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Sinopse: E nas mais tradicionais festas de faculdade, ele achou uma caloura louca das tequilas. A bebida que lhe causava uma péssima dor de cabeça no dia seguinte. Mas além da bebida, ele queria que a caloura lhe desse dor de cabeça até depois que estivessem formados.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Livre.
Beta: Sofia Alonzo.

PRÓLOGO
Queiroz
— Mais uma tequila?
— Pode mandar – digo ao veterano que havia me adotado como o seu “bicho”, ele não sabia com quem estava lidando ainda, estávamos na terceira tequila, da marca mais barata possível que havia no open bar, eu aguentaria muitas que estavam por vir.
O rapaz da atlética negava com a cabeça enchendo os copinhos a nossa frente, brindei e contamos até três virando mais um copo para a nossa coleção.
Mexia minha cabeça no ritmo do funk que tocava, percebendo o meu veterano todo desconcentrado devido ao gosto da tequila que provavelmente descia queimando sua garganta.
— Fraco – sorrio de todo o seu drama.
Ele me encara com um olhar desafiador fazendo-me dar de ombros, peço para o mesmo rapaz da tequila encher a minha caneca com cerveja e depois lhe dou as costas voltando para a minha roda de amigos.
— Ei, aonde pensa que vai? – ele disse segurando de leve o meu braço me fazendo ficar de frente com o seu corpo suado e sem camisa.
Ele não era nenhum bombado, era um magrelo com apenas uma entradinha muito bem definida, sabe o que falam de caras magrelos e altos não é mesmo?
Eu o provaria, mas com tantas tequilas, o amigão dele com certeza não estaria em condições adequadas para atender minhas expectativas.
Seria frustrante.
— Vou voltar para os meus amigos.
— E como fica o nosso campeonato de tequila? – perguntou mordendo os lábios.
— Vou poupá-lo do campeonato. Não vai ser muito bom para sua imagem vomitar na frente de uma caloura.
— Certo, ainda mais uma caloura tão gata como você – piscou, fazendo-me olhar para seus olhos verdes penetrantes e querer ficar mais um pouco ao seu lado.
Aquilo não acabaria bem.
— Obrigado, você também é uma gracinha.
— Qual o seu nome, meu anjo? – perguntou passando a mão por seus próprios cabelos.
— Me “adotou” como bicho e não faz nem ideia do meu nome – ri da sua falta de atenção estendendo a mão em sua direção. — Queiroz, ou pode me chamar apenas por…
. – apelidou-me pelo apelido que já era meu e apertou minha mão a colocando em seu peito sobre o coração. — Estou honrando em saber seu belo nome, , me chamo , Andrade.
Sorri em resposta sem saber o que dizer e nem precisava, puxou-me pela cintura com a sua mão livre segurou o meu rosto inclinando-me para olhá-lo, seus olhos verdes me prendiam mas desci o olhar para sua boca avermelhada e pude vê-lo murmurar um “posso?” pedindo permissão para me beijar.
Apenas avancei em seus lábios como resposta do seu pedido.

¬¬¬¬¬¬¬¬
CAPÍTULO ÚNICO
“Mina, eu te falei que hoje não voltava tarde, mas fiquei parado na porra dessa cidade.”
Li a mensagem empurrando o meu celular na direção de Ana que fingiu vomitar ao lado do meu sofá com o meu celular em mãos, ri da sua encenação, as vezes ela deveria deixar o curso de designer de interiores e focar na sua carreira de atriz.
— Ele marcou com você que horas? – Ana perguntou mais para me alfinetar olhando as horas no celular.
— Às sete.
— Que horas são, meu amor?
— Nove da noite – respondi inclinando para pegar o meu celular de suas mãos que apitava mais algumas mensagens de .
Para a minha paz interior, o azulzinho do meu Whatsapp era desativado me proporcionando ler as mensagens na hora que eu bem entendesse.
“Você ‘tá ligada que eu gosto muito de você e queria muito te ajudar a estudar para a prova, mas o meu trampo é questão de necessidade pra me manter aqui ultimamente…”
“Não fica brava comigo, , podemos marcar um cinema para te recompensar?”
, me responde!!”
— Vamos voltar ao que interessa? – bloqueio o celular o deixando em cima do sofá junto com as canetas e lápis e continuo focada em meus resumos.
Ou pelo menos tentando, quando a campainha toca fazendo-me olhar para Ana com a sobrancelha arqueada, ela abaixa o papel que estava lendo para me encarar.
— Queiroz, ele não seria capaz de vir até aqui à uma hora dessas não é mesmo? – perguntou de uma forma um pouco assustadora, parecendo a minha mãe que gostava de chutar os meus amigos chatos para fora de casa.
— Não, eu ‘tô ignorando ele por mensagem… – digo incerta, ele não teria essa cara de pau.
— Ai meu Deus – Ana sussurrou ao me chamar pela mão para espiar quem era pelo olho mágico que tinha na porta do nosso apartamento.
Preguiçosamente, me arrastei até a porta na ponta dos pés tentando fazer o mínimo de barulho possível olhando pelo olho mágico colocando a mão na boca para não gritar.
E a campainha tocou novamente.
Sem ao menos ter um mísero segundo para pensar, ou até mesmo como agir, Ana abriu a porta com um sorriso de orelha a orelha.
? Jorge? – Ana fez-se de desentendida olhando para os nossos companheiros de curso em nossa frente.
— O que fazem aqui meninos? – pergunto na intenção – ou não – de entender o motivo de sua visita.
— Estávamos de bobeira no nosso apartamento e gostaríamos de saber se vocês estão precisando de uma ajuda para estudar pra prova – comentou apontando para as sacolas com dois refrigerantes em suas mãos.
— Trouxemos pizza e refrigerante, topam? – Jorge tirou a caixa de pizza atrás do próprio corpo.
Olhei para Ana que me lançou uma piscadinha rápida concordando com a cabeça, nada melhor do que estudar para prova e depois relaxar para ela.
Demos passagem para os meninos, Ana foi a cozinha buscar copos e pratos para comermos a pizza enquanto e Jorge se instalavam pela sala arranjando um lugar confortável entre a nossa bagunça de cobertas, almofadas espalhadas pelo chão e a mesinha de centro cheia de papeis.
Organização não era o nosso forte.
Senti o meu celular vibrar pelo sofá e o peguei vendo que o alerta era uma notificação de Felipe, meu melhor amigo desde o primário.
Abri sua mensagem constatando uma foto.
O meu estomago embrulhou-se fazendo a minha garganta secar.
A foto era de com a sua ex namorada, , sentados conversando em um bar não muito longe da faculdade, ele com certeza havia ido visitá-la pois a mesma estudava de noite.
Não respondi a mensagem de Felipe e voltei a minha atenção ao rapazes, me olhava com um pedaço de pizza estendido em suas mãos e eu aceitei sorrindo.
Já era tarde da noite quando Ana finalmente tomou a iniciativa de levar o Jorge para o quarto para poderem “dormir” em paz, sem precisarem dividir o mínimo espaço no sofá que se tornava uma cama comigo e com .
— Agora somos só eu e você – murmurou no meu ouvido me causando um leve arrepio que não passou despercebido pelo rapaz.
— Então acho melhor descansarmos para a prova amanhã – digo com sensatez tentando ignorar a sua provocação pegando meu celular constatando mais algumas mensagens de Felipe.
Passo os olhos rapidamente pelas mensagens.
“Eu odeio você e odeio o fato de você se envolver com um boy tão lixo como esse!!”
“Ele teve a cara de pau sem um pingo de vergonha de vir me cumprimentar, você ‘tá acreditando nisso, amiga?”
“É oficial, irei queimá-lo vivo em praça pública”.
Era inevitável não rir de suas mensagens, Felipe era um amor de pessoa, era difícil ele não gostar de alguém, mas tinha entrado para sua lista negra.
— Mas o que acha descansarmos igual a Ana e o Jorgito? – perguntando tentando atrair toda a minha atenção de volta para ele.
— Se quiser, eu vou para o meu quarto e você fica com todo o espaço do sofá – ameaço levantar ao guardar o celular, acaba envolvendo seu braço em minha cintura me encaixando em seu corpo quente.
— Aqui ‘tá melhor…
— Seus golpes são baixos – murmuro de volta amolecendo o meu corpo a cada novo toque de suas mãos.
passou a mão por dentro da camisa do meu pijama apalpando meus seios, aquilo era muito bom, nós tínhamos um lance desde a escola, então para nós, uma ficada a mais, uma ficada a menos, não havia segredos, quando virei-me ficando frente a frente com seu corpo constatei isso com seu sorriso malicioso nos lábios, estava na hora de relaxar.

***
Andrade
Além de ter dito um dia péssimo no trabalho, ter-me encontrado com não foi uma das minhas melhores opções para finalizar a noite. Eu tinha ido apenas ao bar perto da faculdade com alguns amigos que estudavam Engenharia no período noturno e acabei encontrando a diaba no caminho, fazendo-me perder a noção da hora graças à mais uma briga inútil sobre o final do nosso relacionamento.
Tudo bem, eu tinha a traído, mas perguntar o motivo pelo qual cheguei ao pronto de traí-la não era um dos meus assuntos preferidos para conversar.
Agora cá estou eu, atrasado para o meu primeiro período, porem doido atrás de , a minha caloura de Designer de Interiores que me fazia andar praticamente o prédio todo a sua procura na última sala de aula do corredor.
Mas a minha surpresa, não foi a das melhores, andava até sua sala com a mochila pendurada em apenas um ombro de mãos dadas com , bufei apertando meu passo para chegar até os mesmo antes que adentrassem a sala, pigarreei limpando a garganta fazendo a mesma olhar para mim por cima dos ombros.
— Ah, você está ai – disse com desdém, fazendo questão que seus olhos caramelos não viessem de encontro aos meus.
Seu amigo, , encarou-me com a sobrancelha arqueada, fazendo-me cruzar os braços encarando-o mais ainda, a melhor amiga de , Ana, acabou entendendo a tensão do clima e empurrou o companheiro para dentro da sala e o mesmo chamou .
— Pode ir – disse em um tom calmo. — Eu já vou.
Com a atitude de um belo pau no cu, segurou o rosto de beijando o topo de sua cabeça e entrou na sala soltando a mão da garota que rapidamente virou-se ficando de frente para mim com os braços cruzados.
O seu olhar chegava apenas no meu peito.
Aquilo fazia-me entender perfeitamente que ela não queria olhar na minha cara.
— Posso saber, porque você não respondeu as minhas mensagens ontem?
— Eu não lhe devo satisfações, sabia?
— Se eu te dou, você também precisa me dar, não acha?
— Mas você não me deu satisfação ontem – riu – Você apenas mentiu, mas na verdade estava com a sua ex no barzinho aqui perto.
— Quem me garante que você não estava com o ? – rebato apontando para dentro da sala.
— Mas eu estava – confirmou – Ele, muito diferente de você, realmente estudou comigo e acabamos relaxando depois de estudar para a prova – deu de ombros me contando que realmente rolou algo entre ela e o amigo com frieza, ainda permanecia com os braços cruzados sem expressar emoções aparentes.
, eu tive um puta dia de merda ontem, eu realmente queria ter ajudado, mas meu trabalho foi foda pra caralho e eu acabei indo beber uma cerveja só que deu tudo errado…
— E você acabou caindo na cama da sua ex, que você diz odiar e xinga ela de um monte de nome…
— Não foi isso, eu…
— Olha , a sua falta de maturidade me cansa, sem maldade – interrompeu-me negando com a cabeça.
— Parece que eu ‘tô de conversa fiada mas… – mais uma vez tentei me explicar e fui interrompido.
, até quem te vê de longe há de concordar que você não presta – apontou para o pessoal que prestava atenção na nossa conversa, bufei revirando os olhos, aquele povo não tinha nada melhor para fazer não?
Ótimo agora eu ficaria com a fama de macho escroto.
— Então o nosso lance está terminado? – pergunto curto e grosso.
— Nós nunca tivemos algo sério mesmo – deu de ombros. — Agora se me der licença vou entrar, preciso revisar a matéria pra minha prova.
Concordei com a cabeça murmurando um “claro” baixinho lhe dando as costas e engolindo a seco.
, a caloura mais gata aos meus olhos, tinha me chutado, por conta da minha falta de maturidade, isso só podia ser brincadeira.

***
— Irmão você está só a capa da gaita – Matheus disse ao entrar no nosso apartamento.
Curtindo a minha ressaca moral, deitado no chão da sala sem camisa com algumas latas de cerveja e meu fiel baseado.
— Deixa eu adivinhar… – fez uma cara de pensativo colocando a mochila na mesa que usávamos para jantar. —?
Errouuuuu – fiz uma imitação fajuta do nosso querido Faustão, olhando meu celular para ver se não tinha nenhuma mensagem daquela caloura, arrependida por ter me dado um fora.
— Mentira que a já te destruiu desse jeito? – perguntou rindo.
— Você já olhou para aquela beldade?
— Sim.
— Então, já sabe o motivo pelo qual estou assim na merda! – disse parecendo obvio.
— Olha cara, ela para qualquer garota da sala de odontologia é a mesma coisa – deu de ombros prestando atenção no notebook que ele ligava – Até me impressiona ela não estar cursando isso e ter um HB20 branco.
— O HB20 dela é preto – soltei esperando a chacota.
— Porra , vai se foder – Matheus bateu a mão na mesa rindo. — É a versão da , só que gótica?
— A não cursa odontologia, ela cursa RH, ou Marketing alguma coisa assim…
— Que seja, você continua sendo péssimo! Como vai o trampo?
— Uma merda! Não aguento mais andar de um lado pro outro montando pedidos, ando tanto que daqui a pouco sumo. – apontei para o meu próprio corpo magrelo.
— E assim que as novinhas gostam, meu campeão!
— Como vai seu namoro?
— Tranquilo, ela só surtou três vezes hoje por conta das provas, mas ‘tá tudo certo, diz ela que foi bem em todas! – Matheus disse com os olhos arregalados provavelmente lembrando-se da namorada.
Meu celular vibrou em cima do sofá ao meu lado eu o peguei rapidamente pensando ser uma mensagem de .
“Meu pai viajou, estou sozinha em casa, topa vir me fazer companhia?”
— Pelo seu sorriso sacana… ? – Matheus perguntou jogando uma bola de papel em mim.
— Ah, cara… A carne é fraca porra… Nós nos encontramos amanhã na faculdade! – disse ao me levantar indo para o quarto buscar uma camiseta, voltei para a sala calçando os sapatos ao lado da porta peguei minha chave e carteira. —Tchau mano!
— Tchau, juízo, não vou comprar fraldas pra nenhum filho de amigo meu!
— Eu prefiro a morte, do que ter um filho com a … Mas com a eu teria até dez.
— Vê se toma jeito, irmão!

***
Queiroz
Eu até já fiz café, pra tu não vir me falar, que ‘tá com sono e que o amor tem que esperar, baby, fica a gente faz, um lance na sala…
Eu e Ana cantávamos com todo o nosso pulmão a música do Vitão que tocava em alguma rádio, era um dos nossos cantores favoritos em comum.
Assim que saí do estágio, como uma boa amiga que sou, resolvi passar no estágio de Ana para que pudéssemos ir ao mercado fazer a nossa compra do mês sem muita enrolação, afinal tínhamos muita coisa para estudar.
— Amiga… Como ficou seu lance com o ? – Ana perguntou.
— Olha Ana, eu ‘tô gostando muito dele na moral mesmo, só que as atitudes dele são muito infantis e eu tenho certeza que ele ainda gosta da ex dele.
— Eu entendo que ex é um lance bem complicado, ainda mais ele que namorou com ela por dois anos… Mas você e o também são amigos desde o ensino médio e vivem dando uns amassos.
é a minha amizade colorida, meu pau amigo, minha foda fixa, entenda como quiser, a gente se conhece tão bem que não rola sentimento nenhum além de atração, admite vai, é gostoso pra caralho.
— E com um gostoso pra caralho desses, você foi gostar logo do magrelo desnutrido do ?
— Amiga, eu sou bem doida – disse dando de ombros estacionando o carro na primeira vaga que achei. — Mas você sabe da fama dos magrelos?
— Jorge foi o primeiro que fez jus à fama. – explanou me fazendo gritar.
— E eu achando que vocês tinham ido para o quarto só dormir– ironizei.
— Bobinha.
Pelos corredores do mercado e um carrinho quase cheio até a boca, eu e Ana conversávamos sobre o open bar do final de semana que nos provavelmente iriamos para relaxar das provas enchendo o caneco.
— O que acha de fazermos uma torta de frango quando…
Antes que Ana terminasse de falar, ao virarmos para o próximo corredor de congelados, um casal bateu com o seu carrinho no nosso fazendo com que o mesmo batesse em minha barriga.
Afastei indo para trás com a mão na barriga, quem além das crianças que tem as mães desnaturadas corre com um carrinho dentro de um mercado?
— Perdão eu não prestei atenção… ? – ao ouvir aquela voz fina falar o meu nome a dor sumiu tomando conta uma vontade imensa de vomitar.
Olhei para que tinha os olhos arregalados ao ver que um vinho do seu carrinho acabou quebrando com o impacto e logo atrás dela, aproximava-se com algumas caixas de pizza.
— Amor, a gente trombou e acabou quebrando o nosso vinho…
— Amor? – Ana repetiu cruzando os braços olhando para .
— Amor sim, nós estamos nos conciliando – protestou olhando para . — Não é?
olhou para mim com aquele seu típico olhar chateado de quando fazia merda, neguei com a cabeça como de costume, puxando o carinho de compras para trás.
— Vamos embora, Ana – a chamo girando o carinho para o lado oposto do corredor.
não é nada do que você está pensando, nós somos só amigos. – aproximou-se segurando o meu braço, olhei para o meu braço na intenção que ele soltasse.
— Amigos, como eu e o – rebato lhe deixando sem palavras. —Relaxa e supera , só supera.
— Pode deixar que eu faço ele superar você, queridinha! – provocou-me, mas eu apenas segui tranquilamente o meu trajeto até os caixas.
Após assarmos nossa torta de frango como combinado no mercado, já era tarde da noite quando Ana após comer um pedaço resolveu ir se deitar. Enrolei mexendo no celular esperando o pedaço de torta esfriar, comi e resolvi lavar a louça enquanto lia um artigo da faculdade.
Foi quando o meu celular quase caiu dentro da pia, vibrando por causa de uma ligação.
Andrade”
Bufei revirando os olhos, como se não bastasse encontrar ele com a ex no mercado, ele ainda insistia em ligar para dizer que não havia acontecido nada após transar com ela?
Fala.
Podemos conversar?
Apenas fala.
A gente não pode ficar do jeito que estamos, eu ‘tô gostando muito de você pra ficarmos brigados, .
Quem voltou pra ex foi você , para de ser sínico.
Eu não voltei com ninguém,
Não adianta falar, eu vi você dois juntos.
Você vai ser assim comigo? ‘Tá decidida mesmo?
É o que você merece, amor. – faço uma voz fina na intenção de imitar , sei que aquilo o deixaria irritado, fazendo assim logo toda essa briga inútil terminar.
Eu mereço isso mesmo depois de falar que gosto de você? – irritou-se como previsto.
— Falar, até o papagaio que meu pai tem em casa fala, difícil mesmo é provar que gosta de verdade, . – rebato sem muita piedade para cima dele.
Eu vou provar.
— Tá bom, vou esperar, viu? Mas vou esperar curtindo a vida, porque sentada vai cansar muito, ou melhor deitada…
’Tô falando sério! – interrompeu-me dizendo.
Só está piorando mais ainda sua situação.
Eu vou provar, vou provar pra você que não sou nenhum macho escroto como dizem.
Estou ansiosa pra ver você tentando… – ironizei antes de encerrar a ligação.
estava acostumado a ser mimado pelas mulheres da família dele, isso acabou o tornando um rapaz muito mal acostumado em lidar com os “não” impostos a ele, em quaisquer tipo de situação.
Mas não posso negar, que vê-lo correr atrás de mim me fazia gostar mais ainda dele.
Eu que lute, pra lidar com esse macho com o pézinho em Chernobyl.

***
Andrade
— É PROIBIDO SE ENVOLVER COM SENTIMENTOS – foi o que Matheus gritou no meu ouvido abraçado em mim com uma lata de cerveja na mão vendo a sua namorada dançar em sua frente.
O funk chegava em seu refrão mandando todas descerem até o chão e meus olhos só tinham de encontro a bunda da minha beldade.
dançava até o chão despreocupadamente ao lado da melhor amiga, Ana e mais algumas companheiras de sala, usava um shorts curto branco que fazia qualquer marmanjo olhá-la dançar hipnotizado com o seu rebolado, segurava o celular em uma mão gravando vídeo e na outra sua caneca da faculdade com cerveja.
Se ela não era a mulher da minha vida, eu desconhecia quem poderia ser.
, muda essa cara porque se não logo o segurança te expulsa achando que você está travando de lança. – foi a vez da namorada de Matheus me zombar.
— Ele está é travado de tesão pela odonto fake ali – Matheus apontou para mostrando ela para a sua namorada.
— Ela não faz odontologia? – perguntou sem entender.
— Ela faz aquela faculdade de The Sims que decora as coisas…
— Designer de Interiores – falei dando uma cotovelada em Matheus.
— Vai bater nos marmanjos que tão rondando tua mina, não em mim!
— Matheus, cala a boca, ninguém vai bater em ninguém, a menina é solteira deixa ela se divertir, vamos beber tequila.
— Eu a conheci tomando tequila, ela era a minha caloura – lembrei sorrindo com os olhos fixos em seu corpo remexendo agora ao som de PK.
“Eu sei que tudo nessa vida um dia passa, mas não vou deixar a vontade que tenho passar, eu sei…”
Eu devia estar muito bêbado já, mas quando jogou o cabelo olhando para trás com uma cara de safada, nossos olhares se encontraram e um sorriso malicioso brotou em seus lábios, era como se agora ela fosse rebolar para mim, lembrando de tudo que fazíamos entre quatro paredes.
Desceu jogando a bunda em perfeita sincronia com a música e encarou-me de novo, se aquilo fosse um jogo eu já tinha perdido cinco vidas só naquela descida dela.
Sem vergonha nenhuma na cara, resolvi ir me aproximando aos poucos, torcendo para que ela não percebesse e fosse para longe de mim. Mas já estar em uma distância consideravelmente próxima, Ana cochichou algo no ouvido de fazendo a mesma rir ao me olhar pelo canto dos olhos.
Droga Ana, poderia ter me ajudado na missão e não acabado com a minha vida.
Sorri sem graça para passando a mão pelos meus cabelos louros.
Ela andou em minha direção, fazendo-me ter a certeza que o meu coração iria parar de pulsar naquele momento
— Poderia me dar licença? Quero beber uma tequila – apontou para o bar atrás de nós.
— Posso te acompanhar? – pergunto de imediato.
— Você não aguenta – negou com a cabeça, lhe dei passagem para que ela chegasse ao bar pedindo duas tequilas. — Mas se quiser encarar, vamos começar com duas cada, topa? – estendeu a mão.
Aquilo era um acordo com o diabo, loiro odonto fake, mais idiota que eu já fiz em toda a minha vida.
— Desce duas tequilas pra mim, meu consagrado! – pedi batendo a mão no balcão.
— Isso não vai acabar nada bem – Ana disse ao se aproximar para encher sua caneca com cerveja.
— Amiga, relaxa, veja e aprenda como derrubar um homem ao seus pés.
— ‘Tá achando que eu caio fácil, bonitinha? – a provoco segurando a dose de tequila.
— Não acho, tenho certeza – piscou batendo seu copo ao meu e virando uma dose sem ao menos esperar alguns segundos mandando ver para dentro outra.
— ARRIBA – gritou com Ana e as duas fizeram um highfive.
— Pronto pra mais duas? – perguntou.
Eu só conseguia sentir a minha garganta queimar e uma vontade imensa de vomitar subir junto com tudo que eu havia comido no dia anterior.
Respirei fundo, mandando aquela vontade embora olhando para .
— Você quer me matar?
— Essa é a intenção. – zombou.
— Uma pausa… – pedi fazendo o sinal de pausa com as mãos.
Amor, se não for você muita gente vai querer – apontou para um rapaz atrás de mim. — Quer virar tequila comigo, gatinho?
— Claro, bebê.
— Mas cê nem deixou eu terminar de dizer… – interrompo o cara com toda a sua alegria e lhe lanço um olhar significativo de que se ele fosse se atrever a virar uma tequila com a minha mina, seria a última da sua noite, ou da hora. A última da hora porque eu sou magrelo e nunca me garantia muito bem na porrada.
— Deixa de ser chato, . – Ana revirou os olhos e pediu duas tequila para ela e o tal rapaz que chamou, ela estava ajudando Ana eu não tinha percebido.
— Manda a boa – disse colocando o copo da dose de volta ao balcão estufando o meu peito de pomba.
E novamente quatro doses de tequilas foram postas em nossa frente no balcão, me olhava com um sorriso covarde mexendo-se no ritmo da música.
Um, dois, três…

***
Queiroz
Não era minha intenção acabar o rolê no hospital, acompanhando o veterano desmaiado depois de um campeonato de tequilas, não preciso nem deixar claro quem acabou ganhando no final, certo?
Após um belo show de horrores com direito a muito vômito acompanhado de um bêbado tagarela que não calava a boca por nada, a enfermeira que cuidava de o colocou para tomar glicose na veia o largando sob meus cuidados.
Ela confiava em largá-lo comigo após eu mesma ter o colocado naquele estado?
Sentei-me ao seu lado olhando meu reflexo pela tela do celular, os cabelos presos em um rabo de cavalo todo espetado nas laterais a maquiagem toda borrada, aquele rímel novo que comprei não era a prova d’água nem aqui nem muito menos na China, onde ele provavelmente foi fabricado.
Meu batom todo borrado para um lado só de tanto que eu devo ter limpado a tequila que escorria da minha boca, típico Coringa. Agora eu sabia exatamente porque não chamava mais a atenção dos rapazes nas festas desde que comecei a beber.
— Você tentou me matar … – disse todo mole sem abrir os olhos. — Eu vou pedir pro Matheus entrar com um processo contra você.
— Acho que o Matheus não consegue processar ninguém sendo um engenheiro. – digo refrescando sua memória.
— Eu tenho um amigo que faz Direto.
— Eu sei disso.
— Só não lembro qual amigo é esse…
— Você é péssimo, .
— Eu? Péssimo? – tentou abrir os olhos, mas resmungou da luz forte em seu rosto virando de lado com a boca meio aberta. — Olhe só o que você fez comigo.
— Foi você quem aceitou virar tequilas comigo – rebato.
— E mesmo me vendo mal… Você deixou que eu continuasse?
— Desculpa – peço ao dar de ombros, não ia cair um braço meu pedir desculpa para ele, pela sua situação.
— A culpa não é sua – ele negou me deixando sem entender mais nada. — Eu só queria te impressionar.
— Não vem com essa , não agora.
— Eu falei que ia tentar provar pra você que te curto de verdade.
— Eu sei que você me curte, toda foto que eu posto você é o primeiro a curtir, já ‘tá bom já.
— Para de falar comigo com esse seu jeito de geminiana insana, você não me engana, , por dentro você ‘tá doidinha com o coração batendo a mil em saber que eu ‘tô no seu pé.
Eu não podia negar, ver ele se esforçando pra mim era legal.
Nunca fui do tipo de garota que sempre teve todos os garotos aos seus pés, sempre fui a invisível que tinha a sorte de um ou dois garotos no máximo me acharem bonita.
Saber que realmente gostava de mim, fazia o meu coração bater mais rápido.
Mas não podia esquecer que ele ainda curtia a , sua ex namorada.
— Está no meu pé e no da sua ex.
— Supera a minha ex, , que saco! – bateu a mão livre na própria perna.
— Nem você supera ela, seu folgado… – bufo negando com a cabeça.
— Folgado é aquele que fica te beijando toda hora – rebateu mais mole que o normal.
, é melhor pararmos com esse assunto, nunca saímos do mesmo lugar, eu sempre vou falar da e você sempre vai enfiar o no meio do assunto, você gosta de mim eu gosto de você, mas nos dois juntos não damos certo… ? – olhei para o mesmo que acabou dormindo com a boca entreaberta virado de lado, respirei fundo voltando a recuperar a calma após mais uma discussão que não nos levou a nada.

***
Andrade
Uma semana, havia se passado uma fucking semana desde o meu vexame em uma festa da faculdade devido a uma brincadeira idiota da me fez parar no hospital.
Até a minha família fora da cidade, zombava da minha cara por ligações.
E a diaba causadora da minha maior dor de cabeça, havia sumido do mapa como era de se esperar.
não dava as caras na faculdade, fiquei tão preocupado que até perguntei para a estagiaria da secretaria que me paquerava se ela havia trancado o curso de The Sims ou apenas estava desaparecida.
Ela não respondia as minhas mensagens nem as minhas ligações.
E Ana como uma boa e fiel amiga, permanecia em silencio e respondia apenas o básico “ela está bem”.
Mas eu sabia que tinha algo de errado em toda essa história.
— Hey, tequileiro, como foi o trabalho hoje? – Matheus perguntou assim que eu entrei no apartamento fazendo sua namorada rir.
A olhei feio e ela apenas murmurou um “desculpa” segurando a risada.
— Péssimo, para variar, vou passar a noite fora, bro, pode fechar tudo quando for se deitar.
— Está sentindo esse cheiro? – a namorada de Matheus perguntou fazendo que nos dois olhássemos para ela que respirava fundo a procura de algum cheiro e fizemos o mesmo.
— Não ‘tô sentindo o cheiro de nada – Matheus disse.
— Queimado? – questionei sem entender, as garotas do apartamento acima do nosso viviam queimando o arroz.
— Sentindo o cheiro de que um tequileiro vai ir dormir nos aposentos de dona Genz. – zombou fazendo-me revirar os olhos.
— Eu vou atrás da hoje – menti dando de ombros indo para o banheiro.
Ninguém precisava saber que eu iria ver a .
—Vamos fingir que acreditamos, a garota nem está na cidade – Matheus disse fazendo eu voltar para a sala.
— Como sabe? – pergunto de imediato.
— Boca aberta – ralhou a namorada.
— Solta a voz aí – digo cruzando os braços.
— Encontrei a Ana amiga da na fila do xerox esses dias, perguntei sobre a odonto fake e ela me contou que a amiga tinha voltado para a cidade porque a casa dela pegou fogo em um incêndio causado pelo avô e que precisavam dela.
— Então é por isso que ela sumiu a semana toda, ela nem estava aqui na cidade – digo piscando várias vezes antes de andar até o banheiro novamente. — Matheus, eu te daria um beijo se não fosse apanhar neste momento.
— Ainda bem que sabe o perigo o qual você corre. – constatou a sua ameaça.
— O que você vai aprontar? – Matheus perguntou.
— Vou ir atrás dessa diaba e ganhar o coração dela. – digo antes de bater a porta do banheiro.

***
Queiroz
Quando o ônibus fez o caminho para a rodoviária, comecei a recolher minhas coisas para descer e já pedir o meu Uber, era tarde da noite e infelizmente a Ana estava presa em uma reunião do trabalho com o meu carro.
Coloquei o capuz do meu moletom sobre a cabeça pois para minha sorte, uma chuva fina começava a cair esfriando ainda mais o clima.
Desci abraçada ao meu travesseiro enquanto colocava a alça da minha mochila sobre os ombros torcendo para que o meu celular com o fio do fone e o carregador portátil não caíssem da minha mão.
Eu era um perfeito desastre.
Corri para debaixo da cobertura da rodoviária e guardei o fone e o carregador de qualquer jeito no bolso lateral da minha mochila, o motorista tirava minha mala entre as outras do bagageiro.
Entregou-me com um sorriso no rosto.
— Você se chama ? – perguntou e eu apenas concordei com a cabeça.
Ele apenas apontou para trás de mim, fazendo-me virar de costas me deparando com ninguém mais, ninguém menos com Andrade, segurando uma folha sulfite com o meu nome cheio de corações.
— O-o que você está fazendo aqui? Como sabia que eu estava aqui?
não falou nada apenas esticou o braço que até então estava atrás de seu corpo mostrando-me uma rosa muito bonita em sua mão, aquilo me deixou boquiaberta e com o coração palpitando mais rápido.
? – disse seu nome sem acreditar.
Alguém me diz onde eu tinha enfiado a posse de durona?
— Eu acho melhor você sair debaixo dessa chuva – foi a única coisa que disse puxando eu e a minha mala para debaixo da cobertura os aproximando ainda mais, ele segurou o meu travesseiro colocando em baixo do braço entregando-me a rosa, com a mão agora livre, passou pelo meu rosto secando-o das gotas de chuva.
— Como ficou sabendo? – perguntei novamente olhando para rosa.
— Isso não importa, mas algo me dizia que era para eu estar aqui e agora.
— Não quer que eu acredite que você apenas brotou aqui com o poder da sua mente…
— Mas caralho hein, não pode ficar nem cinco minutos sem estragar um momento romântico, garota?
— Eu sou curiosa e tenho ansiedade – protestei.
— Vamos procurar uma terapia para isso na faculdade – disse pensativo, como se tivesse colocando esse item como importante em sua lista de afazeres.
— Você não deveria estar tão preocupado com a garota que fez você parar no hospital – murmurei de cabeça baixa olhando para o seu peito.
— Essa garota que fez eu parar no hospital tem sorte que eu não sou rancoroso. – disse em meu ouvido fazendo-me arrepiar.
— Que bom para ela – comentei tentando manter a pose de durona, mesmo já estando mais derretida que manteiga na panela pronta para se juntar aos ingredientes do brigadeiro.
— O bom é que eu gosto muito dela também, vim em baixo de chuva procurá-la.
— Isso foi bem cavalheiro da sua parte – concordo com a cabeça e inclino-me para olhá-lo.
— Será que ele merece um beijo como recompensa do seu nobre ato? – disse olhando fixo para os meus lábios fiz o mesmo com os seus.
— Que cavalheiro é esse que já age pensando na recompensa? – rebati.
— Eu já disse que você tem o dom de estragar momentos românticos? – ralhou colocando sua mão na minha cintura aproximando-nos mais ainda.
— E como na primeira vez, quem sempre tem que tomar a iniciativa sou eu, não é mesmo? – pergunto levando minha mão aos seus cabelos o beijando sem pedir permissão ou mais delongas.
abraçou como pôde com apenas uma mão livre, já que com a outra mão ele estava bastante ocupado segurando o meu travesseiro e a mala de rodinhas para que ninguém a levasse junto com a correria para entrar na rodoviária.
Nossa sincronia era perfeita, mesmo com a afobação de ambas as partes, umas mordidas mais fortes que o normal deixando bem registrado o desejo de algo a mais e um dente batendo no outro eram algo normal que nos fazia rir na maioria das vezes descontraindo totalmente o nosso clima, encerramos o beijo com um selinho demorando, talvez, dois ou três selinhos mais.
— Vem, vou te levar pra casa – murmurou entrelaçando nossos dedos, ajeitei o capuz na minha cabeça o abraçando de lado enquanto ele me guiava para fora da rodoviária.
Se alguém me perguntasse, como é que Andrade foi parar em minha cama em uma noite chuvosa como essa sexta feira, eu não saberia responder.
Era para esse garoto estar enfiado em qualquer bar, todo molhado fedendo a cachorro molhado, cerveja e petiscos enquanto se acabava de jogar bilhar até altas horas da noite.
Mas naquela sexta-feira em questão, ele tinha abandonado a cerveja, o bar, os amigos a ex sanguessuga, para estar no meu apartamento, no meu quarto minúsculo para estar todo esparramado na minha cama, enquanto assistia-me comer um miojo achado no armário da cozinha assistindo a qualquer besteira passando na televisão do quarto, que infelizmente não pegava Netflix e nem tinha acesso à internet.
— Eu quero você pra mim, sabia? – perguntou olhando com os olhos brilhando para mim fazendo me rir. —Nega, não se faz de difícil não, pô!
— Eu também quero você pra mim, nego! – admito o deixando sem reação.
— Então porque não ficamos juntos? – insistiu.
— O que acha de não estragarmos essa noite ficando juntos sem decidir o nosso “status”? – peço à ele de forma manhosa, não queria me desgastar com uma conversa que iria acabar sempre do mesmo jeito.
— Tudo bem… – murmurou dando-se por vencido, terminei de comer deixando o prato sobre o criado mudo voltando a me deixar de maneira que me aconchegasse ao seu lado. — E como ficou sua casa?
Arregalei os olhos, então ele sabia o motivo do meu sumiço, eu brigaria com Ana pela manhã com toda certeza do mundo.
Aquela boca aberta!
Respirei fundo fechando os olhos, ao me lembrar da casa onde eu cresci toda destruída.
— Péssima – rio sem graça – Toda queimada e destruída, meus pais vão ver o valor para reformá-la na semana que vem, agora eles estão se instalando em um apartamento que não cabe nem as nossas coisas direito.
— Como era a sua casa, ? – perguntou entrelaçando nossos dedos.
—Para mim, ela era maravilhosa. Um quintal enorme no qual eu podia correr e me divertir com o nosso cachorrinho Bingo, ele morreu no ano passado, era um pinscher que vivia mordendo o meu tornozelo. O meu quarto era no terceiro andar, meu pai dizia que era torre principal da casa, pois pra subir no meu quarto tinha uma escada em caracol que eu adorava enfeitar em diferentes épocas do ano. Se era pascoa, eu enchia de desenhos de coelhos com ovos de pascoa, se era natal, eu enchia de pisca-pisca e pendurava meias para que meus pais enchessem de doce… – ri lembrando-me dos bons momentos que passei naquela casa. — Quando eu conheci a One Direction, o meu quarto virou um santuário para todos eles, nem preciso comentar como o quartinho da escada ficou não é mesmo?
— Eu consigo imaginar, minha irmã mais nova era fanática do mesmo jeito – disse baixinho em meu ouvido. — Sua família está bem? Meu sogro e minha sogra… Eu tenho cunhado ou cunhada? Nunca perguntei.
Sorri com o seu interesse em querer saber mais sobre a minha família, virei o meu corpo ficando de frente a frente com o de , o olhando nos olhos mesmo com a pouca luz do quarto.
— Eu tenho um irmão mais velho, que faz faculdade de Direito em Campo Grande e tenho um irmão mais novo que está terminando o Ensino Médio.
—Wow, então você é realmente a princesinha da família – constatou – Vai ser difícil conquistar eles.
— Meu irmão mais novo é mais ciumento, já que os amigos dele vivem me azarando…
— Que bando de amigos folgado! Se meus amigos falassem sobre a minha irmã na maldade já iam levar uns tapas.
— Eu também não sabia que você tinha uma irmã, gostei de saber que ela também era directioner.
— Já imagino as duas juntas cantando as músicas deles – revirou os olhos.
— Arrisco dizer, que você conhece boa parte das músicas. – o provoco.
— Mas é claro que eu sei… We danced all night to the best song ever… – cantarolou fazendo-me rir e puxá-lo para um beijo de forma inesperada, veio para cima aprofundando o beijo, mas parou rapidamente separando nossos lábios. — Você pode devolver o meu coração?
— Nunca. Nem em seus sonhos mais loucos. – digo invertendo nossas posições e indo para cima dele.

***
Andrade
Eu não tinha acordado antes de , não né? Eu não acabei indo na padaria perto do condomínio comprado um monte de besteira para comermos no café e arrumado tudo para poder acordá-la com um banquete digno de uma princesa, como ela iria gostar de ser tratada, eu não fiz isso não né?
Mas é claro que eu fiz, porque o ele ‘tá diferente!
Roubei um mini sonho antes de ir até o quarto acordar , mas acabei me dispersando com o meu celular tocando em cima da pia da cozinha.
Estreitei os olhos para olhar quem era no visor, número sem nome.
Um arrepio subiu pela minha espinha, sabia muito bem quem era a dona do final nove meia meia
— O que você quer me atormentando logo cedo? – perguntei sem delongas.

Poxa amor, pra que me tratar dessa forma? perguntou do outro lado da linha.
— Porque você tem que entender, que o nosso lance já acabou há muito tempo.
Lance é o que você tem com aquela calourazinha, o nosso namoro não foi um lance, , você tenha respeito por mim e pela nossa história.
— Que nossa história, ? – pergunto revirando os olhos.
? – sou surpreendido por Ana entrando no apartamento pegando a conversa pela metade com a sobrancelha arqueada em desconfiança.
Quem está ai com você, ? pergunta ignorando a minha pergunta. —Estávamos indo tão bem juntos, porque ainda insiste em outra pessoa?
Ana mantém a porta aberta enquanto tira os sapatos e seu ficante Jorge entra fazendo o mesmo, seguido de que segurava várias sacolas do mercado, andou em minha direção deixando as compras em cima do balcão da cozinha.
— Não temos mais nada, pare de me ligar – digo ríspido olhando para baixo balançando a perna inquieto, estar sozinho com a melhor amiga de e aqueles dois me colocava em uma péssima posição, desliguei o celular o colocando dentro do bolso.
— O que você faz aqui? – foi o primeiro a perguntar parado ao meu lado.
Encostei-me a pia com os braços cruzando olhando para Ana e Jorge ao respondê-lo.
— Busquei a ontem na rodoviária e eu acabei dormindo aqui.
—Oh meu Deus – Ana disse boquiaberta. — Foi você? – apontou para o café posto a mesa e eu concordei com a cabeça fazendo bufar.
— Calma irmão. Você ainda tem a chance de cozinhar para ela no almoço. – Jorge disse segurando para não rir do seu amigo.
— E cadê a ? – Ana perguntou sentindo o clima tenso que se formava naquele apartamento.
—Ela ainda está dormindo, creio que esteja muito cansada da viagem e da noite de ontem. – digo fisgando mais uma vez andando para fora da cozinha.
Jorge parecia um aluno da quinta série, segurando para não rir de toda a situação.
Ana negou com a cabeça ao ouvir minha provocação pedindo licença para ir ao quarto acordar .
Deixando assim, eu, e Jorge sozinhos.
— Vem cá parceiro, fala pra mim… Você não cansa de ser inconveniente? – perguntou.
O cara mais pau no cu falando isso? Pensei comigo mesmo.
— Quem está sendo inconveniente aqui é você pelo visto – rebati despreocupado. — Não percebeu ainda que está sobrando?
— Por que não volta de vez com a sua ex e deixa a de boa?
— Eu não devo satisfações da minha vida e dos meus sentimentos logo pra você – ri sem humor – Você se acha importante pra ela? Você é apenas um p.a. que ela usa de vez em quando – dei de ombros.
— Essa foi pesada – Jorge, o garotão da quinta série comentou roubando um salgado de frios da mesa do café.
. . – disse às pressas ao aparecer na sala olhando entre eu e ele varias vezes. — O que faz aqui, ? – perguntou direcionando o olhar pra o rapaz.
Touché – disse baixinho o provocando.
— N-nós viemos fazer um café da manhã de boas-vindas pra você – Ana disse tentando manter um clima agradável entre nós. — A ideia foi toda minha, amiga, desculpa, eu não fazia ideia que você estaria acompanhada!
— O que faz com ele aqui, ?
— Eu não lhe devo satisfações, disse parecendo obvio dando de ombros.
O cara queria cobrar satisfação da garota que estava dentro da própria casa dela, solteira e com o cara que ela gosta, no caso, essa gostosura que vos fala.
Touché – foi a vez de Jorge dizer e olhou para mim.
— Então é assim, ?
— Somos apenas amigos.
—Eu não trouxe ninguém aqui na intenção de brigar, o que acham de tomar café? – Ana tentou apaziguar a situação que ela mesmo acabou criando.
— Já perdi as contas de quantas vezes eu já te vi com outras, principalmente em festas de chácaras – olhou para a mesa do café e sorriu pegando a rosa que decorava tudo. — Agora chega de drama, vamos comer.
—Agora o errado sou eu? – vitimou-se. — Eu vou embora daqui.
, somos seus amigos… – Ana tentou conversar, mas negou com a cabeça pegando seu calçado e indo para fora do apartamento batendo a porta com força.
Típica cena de macho escroto, mas eu sei que não sou nenhum exemplo, então vou ficar com a minha boca bem caladinha.
— Você fez tudo sozinho? – perguntou olhando para mim, seus olhos estavam inchados e sua boca bem avermelhada, acho que exageramos nas mordidas na noite passada, concordei com a cabeça ao levantar me aproximando, beijei o topo da sua cabeça puxando a cadeira para que ela se sentasse, Ana revirou os olhos sentando ao lado da amiga e Jorge ao seu lado, sentei ao lado vago de .
— Cara, o está muito puto – Jorge comentou me olhando.
— Jorge – Ana ralhou com o ficante. —Cala a boca!
— Deixa ele – respondeu, antes que eu pudesse zombar do mesmo.
me olhou como quem queria me repreender, mas apenas sorriu servindo-se de café com leite ela e sua amiga Ana entraram no assunto sobre a casa dos seus pais e Jorge ouvia atentamente.

***
Queiroz
Na minha cabeça, minha relação com o estava muito estranha, minha intuição alertava-me a todo momento “Vai dar merda, vai dar merda”.
Contei para Ana sobre minha intuição, ela disse para eu chegar meu horóscopo no Personare e ver sobre os trânsitos do meu signo, perguntei a minha mãe, ela disse que sou maluca e sempre torço para os meus relacionamentos darem errados, no fim eu seria uma velha dona de vários gatos – P.S.: Eu sou alérgica a gatos.
O porteiro do prédio, dizia para eu ir com calma, ele fazia parte do time do , junto do meu pai e meus dois irmãos, então a opinião deles não me valia muito como confiável.
Estávamos juntos uma semana inteira, sem brigas, sem desentendimentos, apenas dois otários que não se apegavam nem a própria matéria do curso, apegados igual um bicho preguiça a uma árvore – bom pelo menos esse era o jeito que eu dormia grudada a durante essa semana – muitos próximos mesmo.
A minha intuição gritava para tomar cuidado com , olhá-la pelos corredores da faculdade, fazia os meus divertidamente entrarem em colisão na minha cabeça.
Ela ainda me traria problemas com .
Mas ele seria tão imaturo a ponto de cair na lábia dela novamente?
Seria capaz de acabar com o nosso “relacionamento sério”?
Andava até o carro lentamente enquanto pensava nas minhas paranoias, quando o meu celular vibrou no bolso da minha calça.
Era uma mensagem de .
“Não vou conseguir almoçar no seu apartamento.”
O alerta dentro da minha cabeça começava a soar mais alto.
“Hoje tenho futebol com os caras do trabalho, nós encontramos mais tarde…”
Respirei fundo destravando o alarme do carro para entrar o mais rápido antes que alguém me puxasse para conversar.
Respondi suas mensagens com um simples “ok, bom trabalho e jogo”.
Ele apenas completou.
“Topa um lanche?”
Apenas li a mensagem e o ignorei bloqueando o celular o deixando no console do carro e o rádio ligou na música do Vitão que Ana deveria estar ouvindo.
“Leva o coração, mas deixa uma metade. Que se for tudo de uma vez não sobra pra mais tarde…”
Clichê.
Aquela música e o momento no qual eu estava passando iria me deixar louca, eu odiava aquela sensação.
Levei um susto ao ver Matheus batendo no vidro ao meu lado e ele riu um pouco arrependido por ter me assustado.
— Não era a minha intenção – ele disse assim que abaixei o vidro. —Humm, ouvindo Vitão!
— Você gosta? – arqueei a sobrancelha, não fazia muito a praia dele.
— Eu não. Mas o e a minha namorada vivem ouvindo lá em casa – deu de ombros.
— Não sabia que ele gostava – murmurei mais para mim do que para ele.
— Então, eu queria saber se você podia…
— Matheus, é verdade que o vai jogar futebol hoje com o pessoal do trabalho dele? – perguntei sem ao menos ouvir o que ele queria.
— Ele joga futebol com o pessoal da empresa a cada quinze dias – comentou pegando o celular para olhar provavelmente o calendário. — Semana passada ele está com você então essa sexta é a do futebol.
— E o que ele foi fazer agora na hora do almoço? – insisto nas perguntas.
— Com certeza ele foi pagar a nossa conta de internet, pois eu disse para ele se virar para correr com isso – riu provavelmente lembrando do apavoro que deu em para correr pagar a conta, pois se não ficariam sem.
— Débito em conta pra que né? – zombei lembrando que as nossas contas eram em debito automático.
— Somos marmanjos a moda antiga. Nada melhor do que uma adrenalina em pagar a conta no último dia sujeito a corte.
— Ai Matheus, eu ainda tenho o meu pé atrás com o , sinto que a qualquer momento ele vai pisar na bola, seja por causa da ou qualquer outra coisa sabe? Eu estou insegura, não acho que ele tenha maturidade para um relacionamento.
— Acredite , ele está se esforçando muito com você. Se ele pisar na bola agora que está levando a sério, ele vai ficar muito mal.
— Certo, eu vou deixar minhas paranoias de lado e levá-lo a sério – digo tentando mostrar certa confiança. —Você iria falar algo e eu te interrompi… O que seria?
— Queria saber se você podia me ajudar com o projeto do meu apartamento – disse sem graça.
— Aaaa, não era você que falou que o meu curso era de The Sims? Agora precisa de mim?
boca aberta.
—Agora precisa da odonto fake, né? – digo cruzando os braços, fazendo Matheus ficar com as bochechas coradas.
— Meu Deus, eu vou matar o … – Matheus colocou a mão sobre o rosto, eu me divertia com toda a sua vergonha.
— Mata ele não – fiz bico. —Eu te ajudo, amanhã posso ir no apartamento de vocês e discutimos sobre isso tomando uma breja e comendo alguma coisa, topa?
— Fechado, até amanhã, odonto fake! – fizemos um aperto com as mãos e ele se afastou do carro.

***
Andrade
Eu era péssimo no futebol, mas arriscar alguns dribles e fazer alguns gols não era tão ruim, eu tinha largado a academia a um bom tempo, então fazer um esporte físico não me mataria, era bom estar em forma, para aguentar o pique da minha possível – e quase – nova namorada.
Aquela garota tinha um fogo que me fazia ter vontade de largar o pessoal na mão no meio do jogo só para correr até o apartamento dela do outro lado da cidade para poder tê-la em meus braços.
E foi o que eu fiz após o jogo, deixando de lado a breja no barzinho lotado, passei no meu apartamento vazio para tomar um banho, ficar cheiroso para levar a minha gata comer um lanchão.
Mandei mensagem para , ela não me respondia desde que saiu da faculdade, deveria estar ocupada demais com os projetos que tinha que fazer.
“Logo, logo estou chegando ai!”
“Fique bem gata, vou te levar em um lugar top pra comer”.
Eu não fazia nem ideia onde iria levá-la para comer.
O lance era deixar ela escolher, sem ela saber que estava escolhendo…
Chego pedindo para ela adivinhar e durante o caminho vou conhecendo sobre o lugar se for bom é aquele, se não a gente parte pra uma opção mais próxima.
Liguei um funk no celular para tocar no som do carro e dirigi até o apartamento de tomando um red bull, estava animado mesmo com todo o cansaço pesando no meu corpo.
Mesmo ela não respondendo minhas mensagens, parei o carro em frente ao seu prédio e o porteiro me olhou com cara de poucos amigos de sempre, o cumprimentei e ele forçou sua falsa simpatia.
Era incrível como os nossos santos não tinham batido.
Mas eu tentava ser o mais agradável possível e ele liberou a minha entrada sem ao menos ligar no apartamento.
— Tenha uma boa noite rapaz – ele disse de uma maneira atacante.
Ou era impressão minha?
Segui até o elevador com uma sensação estranha e apartei o andar que me levaria até o apartamento de .
Eram dois apartamentos por andares, sai do elevador e vi que a porta do apartamento estava entre aberta, o som rolava alto e a fumaça com uma forte essência aromatizava o ar.
Dei duas batidas na porta e olhei Ana sentada no colo de Jorge em um amasso feroz enquanto ele a segurava com força pelo cabelo, eles ainda não tinham notado a minha presença, olhei para a televisão que passava o clipe da música alta que estava sendo ouvida, aquilo provavelmente geraria uma boa multa a elas, as bebidas e o narguilé acesso em cima da mesa e ao olhar para a cozinha o meu coração gelou.
encurralava entre a pia com suas bocas muito próximas, ele falava alguma coisa que eu não conseguia entender e ela olhava fixo em seus lábios tentando separar seus corpos apenas com a garrafa de cerveja que tinha em suas mãos.
Quando ele avançou a puxando para seu colo, pondo as mãos em sua coxa a encaixando ao meu de seu tronco sentando-a na pia da cozinha, Ana percebeu minha presença desligando a música e chamando por .
? – ela disse empurrando que bateu as costas no fogão derrubando o carvão do narguilé e sujando todo o chão. — E-eu posso explicar…
— NÃO – Ana gritou vindo para a minha frente colocando as mãos sobre meu peito. — Eu posso explicar, , não está acontecendo absolutamente nada do que você está pensando…
— Cala a boca Ana, está acontecendo SIM, eu e a estávamos reatando nosso caso e infelizmente ele chegou para atrapalhar tudo…
— Nosso caso? Se toca, ! – respondeu o empurrando novamente para poder limpar o carvão do chão antes que piorasse tudo.
Respirei fundo dando alguns passos para trás quando veio ao meu encontro segurando em minha mão, eu a soltei olhando nos olhos.
— Vem comigo – ela disse, seus olhos estavam vermelhos, eu nem fazia ideia que ela fumava maconha.
—Não – nego engolindo a seco. —Eu já entendi tudo, quem não quer nada com nada não sou eu, é você. – lhe dou as costas saindo do apartamento para voltar para o elevador, que para a minha sorte ainda permanecia no andar. —Divirta-se.
— Não , vem aqui vamos conversar – puxou-me pelo braço na intenção de me parar, eu apenas puxei meu braço de volta entrando no elevador. — Eu te peço por favor, vamos conversar.
— Acho que quem está precisando de mais maturidade para lidar com relacionamentos não sou eu , é você. – digo rápido e irritado apertando o botão que me levaria ao térreo do prédio novamente.
me olha com os olhos marejados e solta a porta do elevador, conheço o orgulho daquela garota, ela não se humilharia tanto para se resolver comigo, ainda mais da forma alterada que ela estava, eu nem a reconhecia, aquela não era a minha caloura.

CONTINUA EM 7 CHAMADAS.

NOTA DA AUTORA: Será que esse casal ainda acaba juntos?