Me voy

Me voy

  • Por: Ray Alves
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 5063
  • Visualizações: 88

Sinopse: Ir (v.i) Locomover, sair de um lugar para o outro.
É necessário saber a hora de ir embora, e aquela era a hora, na verdade, era quase tarde demais.
Mas eu resolvi ir, eu estou indo, eu fui embora.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Os nomes Hayley e Taylor existem de forma fixa na fic.
Betas: Natasha Romanoff

O relógio me mostrava que já era quatro e meia da madrugada. Daqui a mais ou menos uma hora, eu veria o sol nascer e eu estaria renascendo com ele naquele momento. Fazia exatamente seis horas e dez minutos que eu tinha deixado para trás aquilo que vinha me destruindo por cerca de dois anos, e fazia quatro horas que eu estava compondo a música mais dolorosa e necessária da minha vida. Eu fui embora e agora isto estava escrito em um papel, com direito a rimas e melodias.
Comecei a ler aquelas palavras e as lembranças foram me consumindo.

“Yo te amaba, tú fingías
Como un ángel me tratabas
Como si fuera, yo, tu único ser”

— Não sai daí, amor. Tenho uma surpresa para você.
Não desobedeci ao pedido de . Fiquei ali, parada exatamente no mesmo local.
Faltava apenas alguns minutos para virada de ano e estávamos em uma linda praia no Nordeste do Brasil, rodeados de amigos e alguns desconhecidos simpáticos. Esperei pelo que parecia uma eternidade e cheguei a temer que não voltasse antes da meia noite, mas quando achei que o início de ano perfeito estava perdido, eis que ele surgiu na minha frente, ficou de joelhos e falou:
— Primeiro de tudo, não surte, não é um pedido de casamento. — Rimos juntos, enquanto as pessoas começavam a olhar para nós dois. — Eu só quero começar esse ano mostrando para você como eu te amo e como você é a mulher que eu sempre sonhei em ter ao meu lado. Por isso, espero que aceite esse anel, que deixa ainda mais firme nosso compromisso e ainda mais claro, para quem quiser ver, que eu te amo e sou louco por você.
Eu ria em meio às lágrimas de emoção que caíam dos meus olhos.
Era apaixonada por desde o momento em que ele entrou em meu camarim, antes de entrarmos em um programa de televisão, só para me desejar boa sorte e dizer que eu era linda. Daquele dia em diante, o amor foi crescendo até chegar àquele momento, onde ele parecia não caber mais em mim e escorria pelos olhos. Amava com todo o meu coração e me sentia ser amada na mesma intensidade.
— Claro que aceito, meu amor. Eu seria uma louca se não aceitasse seu amor.

“Yo me creía tus mentiras
Y tú reías a mi espalda
Y robabas lo mejor, ladrón tú”

Era a terceira vez na semana que me dava bolo, mas hoje isso não poderia estar acontecendo. Era o casamento da minha prima e seríamos padrinhos. Haley não tinha intenção de chamá-lo para tal posto, justamente por causa de seus diversos furos, mas eu insisti e ele prometeu que estaria aqui. Mas não estava.
— Ele vai chegar, ele vai chegar — eu falava, baixinho, para mim mesma.
, melhor amigo e empresário de , me olhou penalizado e falou:
— Sinto muito por isso, . Não entendo como ele pode estar fazendo isso novamente. Vou tentar ligar para ele mais uma vez e daremos um jeito nisso. — Quando já estava se afastando para fazer a ligação, o ouvi falar sozinho: — Aquele filho da mãe mimado e babaca.
Esperei mais alguns minutos me forçando a segurar o choro. Segurar o choro estava sendo algo frequente ultimamente, mesmo que depois virassem sorrisos.
não aparecia em nossos programas e, quando estava em sua casa, o via chegar durante a madrugada se esgueirando pela cama, na intenção de que eu não o visse. Mas eu sempre via. Então a gente começava uma discursão, mas nunca se sustentava porque ele sempre tinha uma boa desculpa e eu, talvez por inocência, sempre acreditava. Aquilo estava me destruindo, mas eu não podia acabar, ele me amava e eu o amava também.
— Sinto muito, falou, enquanto se aproximava. — Ele não atende, deve ter acontecido alguma coisa.
— Você acredita nisso? — Perguntei, tentando encontrar mais alguém que ainda acreditasse nas palavras do meu namorado.
— Você acredita? — Foi o que ele me perguntou, antes da organizadora do casamento chegar e mandar nós dois entrarmos.
— Mas eu não sou o padrinho. — interveio.
— E cadê ele? — Indagou, um pouco sem paciência.
— Ele está atrasado, mas ele vai chegar.
A mulher me olhou impaciente e falou:
— A não ser que esteja aqui para ser madrinha do próximo casamento, não desse, você deve entrar agora. E só tem duas opções: ou entra sozinha, ou entra com seu amigo aqui.
Eu me sentia humilhada demais para levantar a cabeça. Foi quando senti uma mão segurar a minha e outra tocar em meu queixo, levantando meu rosto:
— Eu não vou deixar você passar por isso sozinha. Vou entrar com você.
— Obrigada, . — Agradeci, o abraçando.
Entramos juntos e vi o futuro esposo da Haley sorrir de maneira estranha para nós, era como se ele, que nunca gostou muito do , tivesse gostado do meu novo par. Quando estávamos todos no local certo, inclusive a noiva, vi aparecer na porta da igreja todo amassado e tentando colocar a gravata. Foi quando nosso olhar se encontrou e ele assumiu um semblante de ira. Olhei para e vendo meu rosto ele olhou para frente e enxergou também.
— Preciso ir até lá. — Falei, baixinho.
, estamos no meio da cerimônia. — Falou, sem soltar minha mão.
— É rápido, prometo.
Sem me preocupar com mais nada, soltei a mão de e pelos cantos fui até a frente da igreja.
— Você entrou sem mim? — Ele perguntou, ofendido.
— Você não atendia o telefone e nem apareceu, eu tive que entrar.
— Teve que entrar? — Perguntou, irônico. — Por acaso alguém te obrigou? Você entrou porque quis.
— É o casamento da Haley, o que queria que eu fizesse? Não entrasse?
— SIM! Era essa atitude que eu esperava de você.
— E eu esperava que estivesse aqui, como combinado. — Falei, com uma lágrima escorrendo.
— Se eu demorar um pouco para chegar em casa e ficar com você, vai me substituir pelo também?
— O quê? , pelo amor de Deus! Eu precisava entrar. Onde você estava?
— Estava à procura disto — Ele falou, enquanto jogava uma caixa retangular nos meus pés.
Abri e vi um lindo colar lá dentro.
— Pede para o colocar no seu pescoço.
Eu poderia ter pensando melhor e ter visto que ele não usou todo aquele tempo para comprar um colar, mas sempre conseguia fazer eu me sentir culpada e isso aconteceu ali novamente.
— Me desculpa, . É lindo, meu amor. Posso pedir para que o desça e você suba. Quer isso? Posso fazer?
— Não. Curte tua festa, vou te esperar na sua casa.
Não curti festa alguma. Voltei, assinei os papéis, tirei as fotos necessárias, mas cada parte de mim se sentia péssima. Ultimamente, era sempre assim.

“Y hoy te digo que yo te dí toda mi fuerza, mi ilusión
Y en cambio me dejas sola, confusa
y llena de desilusión”

Desde o casamento de Haley, que eu tentava colocar tudo no lugar. Estava sempre presente quando pedia e me mantinha longe do mesmo esse sendo a pessoa que mais me entendia. Mas nada parecia dar certo, nosso relacionamento não melhorava.
— Onde estavas? — Perguntei, quando escutei entrando no quarto.
— Vai começar com o interrogatório? — Indagou, impaciente.
Agora ele não me dava mais nenhuma desculpa, não falava mais nada. Apenas dizia que eu não tinha direito de controlar a vida dele, mesmo ele controlando a minha.
— Você some quase todos os dias, só volta pela madrugada, o que quer que eu faça? Espera que eu pense o quê?
— Nada. Que você não pense em nada, és boa nisso, em não pensar.
, você está me traindo? — Eu suspeitava que sim, mas nunca tinha tido a coragem de perguntar, só que não dava mais para adiar.
— Acho que se sim, já estaria em todos os jornais.
— É que…
— Vou dormir no sofá, não estou com paciência para você hoje. — Falou, e foi rumo à sala.
Eu nem sabia por que ainda continuava dormindo na casa de , talvez fosse porque ele insistia para que fosse assim, talvez fosse porque eu tinha esperanças de tudo voltar ao normal, não sei. O que eu sabia é que passaria mais uma noite sozinha.

“El dolor que dejaste al pisar mi corazón y si crees que eres tú
Ya verás, cuándo vuelvas aquí?
Se irá el dolor”

Saí um pouco daquelas lembranças que doíam tanto em mim. Como pude demorar tanto para ver que aquilo não poderia dar certo? Que não tinha como ser feliz mendigando atenção de alguém?
É engraçado como é difícil ver quando se está dentro desse tipo de relacionamento e como o fim parece algo óbvio quando já não estamos mais nele.

“Y tu sombra me persigue
me asfixia y me rompe
El fantasma que ahora eres tu”

e eu chegamos à conclusão de que não dava mais para continuarmos. Mas eu não sabia que seria tão doloroso como estava sendo.
Por mais sádico que fosse, eu sentia falta dele em quase tudo, e fazia questão de não ser esquecido. Ele ia a todas as festas — festas essas que ele nunca gostou — que eu também estava. Cantava as músicas que eu mais gostava e, mesmo de longe, não deixava minha amizade com voltar ao normal.
Ele estava mais presente do que já fora em boa parte do nosso relacionamento. Era um fantasma mais presente que o ser físico.
Haley, e eu estávamos conversando um pouco, enquanto minha prima esperava seu marido chegar para buscá-la lá em casa, quando o celular de tocou e vimos ele bufar.
— Tenho que ir, meninas.
— Como assim? Hoje era nossa noite de jogos! — Falei, um pouco chateada.
— O dever me chama, precisa de mim. Prometo que amanhã vou me esforçar para estar aqui.
— Por que o sempre precisa de você quando está conosco? — Haley perguntou, irritada.
Seu celular tocou novamente com outra mensagem e ele me olhou profundamente depois de ler. Não entendi aquele olhar, mas algo em mim foi tocado e segurei o ar.
— Você o ama?
Eu tentava não o amar, achei que tinha motivos suficientes para deixar de amá-lo rapidamente, mas eu não conseguia. Ele não me permitia esquecê-lo.
— Sim.
sorriu um pouco triste, um pouco penalizado e falou:
— Ele te ama, . Ele não vai deixar você esquecê-lo. E se você o ama, então chega dessa agonia.
— Agonia maior do que a que ela vivia com ele, ? Como você pode falar algo assim? Você é burro? Ganha para dizer essas coisas?
Eu não entendi o porquê de tanta irritação da Haley, mas ela parecia prestes a explodir.
é o meu melhor amigo e a é minha melhor amiga. Se eles se amam, devem ficar juntos e felizes.
— Mas ela não vai ser feliz com ele, você sabe. — Ela insistiu, como se eu nem estivesse ali escutando tudo.
me olhou, segurou meu rosto e beijou o topo da minha testa.
— Se olhe a fundo e veja o que é melhor para você, vou estar contigo.
— Se eu voltar com ele, ele não vai querer a gente tão próximos como estamos.
— Independente, ainda vou estar com você.
Olhei para minha prima, que parecia irritada demais conosco, e depois olhei para o meu amigo, que demonstrava agonia pela minha decisão.
— Você acha que devo voltar com ele?

— Seja sincero, por favor.
— Não. Mas eu não mando no seu coração.

“¡Siempre fuerte! … ¡Siempre débil!
¡Terminar, regresar, nada es estable!
¡Y yo rompo el vicio!
¡Aquí!”

Ao ler essa parte, a lembrança do dia de hoje me voltou à mente.

Estávamos na nossa terceira tentativa, já tínhamos acabado duas vezes e eu não aguentava mais suas ameaças de que acabaria comigo mais uma vez. Estava cansada de todo o medo de ficar sem ele, de todas as humilhações que eu aceitava passar apenas para tê-lo. Eu era uma das maiores cantoras jovens da atualidade e exemplo para milhares de garotas, mas na minha vida pessoal estava sendo uma garota omissa e sem nenhum amor próprio.
— Eu já te disse, assim não vai mais dar para continuarmos. Você nunca faz as coisas direito, .
— Eu não faço, ? O que eu fiz dessa vez? Achei ruim você estar cantando outra mulher?
— Você é mimada, infantil, neurótica. Eu não fiz nada disso. Para de bancar a idiota.
— Chega, ! Chega de falar assim, de agir como se eu fosse um nada!
— O que você vai fazer? Ir embora? — Perguntou, com um sorriso nos lábios.
— É o correto a se fazer. A gente não dá certo.
me olhou confuso, ele não esperava por aquilo.
— Eu devo estar mesmo me amando pouco demais, você faz tudo isso e ainda parece surpreso com minha coragem de dizer que devemos acabar.
— Eu te dei muita coisa, . Eras uma cantora iniciante quando começamos a namorar, muitos dos fãs que você tem hoje foram graças a mim. Eu mantive nosso segundo término em segredo apenas para que as pessoas não caíssem em cima de você. Você deveria ser grata a mim.
Eu não podia estar escutando aquilo, não podia. Era demais…

“Y hoy te digo que yo te dí toda mi fuerza, mi ilusión
Y en cambio me dejas sola, confusa y llena de desilusión.
El dolor que dejaste al pisar mi corazón y si crees que eres tú
¿Ya verás, cuándo vuelvas aquí?
Se irá el dolor.

No hay nada que decir, ya no tienes que mentir
Trágate tu vil traición ya me voy
No existe un perdón, no existimos tú y yo
No aguanto tu actitud yo me voy”


— Como você pode estar dizendo isso? Eu trabalhei duro, eu me dediquei, você não pode tirar esse mérito.
— Só estou te dizendo o quanto eu sempre te amei e o quanto você deveria ser grata a mim por isso.
Meu celular começou a tocar e fui pegá-lo para atender.
— Você vai parar nossa briga para atender o celular?
— É a Haley — Falei, olhando sua foto e nome no visor e atendendo.
— Deixa eu ver se adivinho: ela ligou para saber se a prima dela está bem, afinal, uma mulher de vinte e quatro anos não pode tomar conta de si sozinha.
Não dei ouvidos a ele e apenas escutei minha prima.
— Promete que não vai chorar? O twitter está cheio de fotos do te traindo. Você quer ver? — Ela me perguntou, enquanto eu apenas encarava o pior cara do mundo à minha frente.
— Não precisa, Haley. Não mais.
Desliguei a ligação e fui para o quarto recolher tudo que tinha de meu naquele lugar.
Quando viu o que eu estava fazendo, ele começou a colocar tudo no lugar onde estava antes. Eu tirava minhas coisas do guarda-roupas e colocava na cama, quando virava as costas, ele ia lá e guardava de volta.
— O que você está fazendo? — Ele quis saber.
— Indo embora. — Me limitei a responder, até para tentar conter as lágrimas.
— Você sabe que isso não é definitivo, sabe que voltaremos novamente, por que fazer isso mais uma vez?
Eu ri. Comecei a rir enquanto algumas lágrimas escorriam sem eu querer dos meus olhos.
— Eu não vou mais voltar, . Não mais. Eu estou indo embora e dessa vez é para sempre.
— O que a Haley te disse? O que ela inventou agora?
— Ela não inventou nada. Apenas me disse que o twitter está cheio de fotos suas com outra mulher. Mas isso não importa, te juro, faz o que você quiser. Eu nem sei como pude estar nesse relacionamento por tanto tempo.
— Eu não vou mais atrás de você, fica logo sabendo.
Eu já ia respondê-lo, quando ouvimos alguém entrar em casa.
, seu filho da mãe. Você já viu o seu twitter? — surgiu dizendo.
— Se você vai contar que está lotado de fotos dele com outra, chegou atrasado. Já contei.
ficou pálido e me encarou sem saber o que dizer. Depois olhou para minhas mãos cheias de coisas e perguntou:
— Você viu?
— Não, mas já soube. Você me leva em casa?
— Cla-claro.
riu sem humor.
— É sério que você vai pedir para o te levar?
Aquilo era demais para mim.
Joguei as coisas que tinha acabado de pegar em cima da cama e gritei, irada.
— Você vai mesmo voltar com isso? É sério?! Chega dessa história, chega das suas proibições e provocações. Ele disse que pode, então ele vai me levar. Eu não sou mais sua namorada e ele ser seu empresário não o impede de ser meu amigo.
— Aham. — Ele falou, calmo demais para a situação. — , conta para ela por que eu estou achando ruim. — Ele pediu, de maneira provocadora.
Olhei para confusa e vi seu rosto enrijecer.
— Chega, . Você não vai piorar ainda mais as coisas.
— Deixe que ela vá sozinha. — Fez outro pedido, esse com um tom de ameaça.
— Eu não vou deixá-la pegar um taxi depois da lambança que você fez.
— Fala para ela, .
— Para de ser babaca, . Chega, deixa a menina em paz.
— Eu posso ser um babaca, talvez eu seja mesmo, mas eu não sou… como se chama? Não consigo lembrar.
— Cala a boca! — ameaçou, e eu fiquei ainda mais confusa.
— Ah! Lembrei. Sou babaca, mas não sou fura olho. É assim que se chama alguém que quer roubar a namorada do amigo, não é?
Vi avançar rumo ao e mesmo sendo algo bem idiota, me pus no meio. Eles não começariam uma briga agora, não enquanto eu não entendesse aquela história.
— Fica aí, — ele parou no mesmo instante. — Ele merece muito, mas você não é disso, além do mais, eu preciso entender o que foi isso.
— É tão difícil assim, ? Ele paga pau para você, simples.
— chamei-o.
— Você não podia ter feito isso, . Não podia. — falou, entredentes.
.
Dessa vez ele me encarou e respirou fundo antes de falar.
— O que você quer que eu diga? Ele já falou tudo.
— Para de bancar a burra. É claro que você já fazia ideia. — disse, sem paciência.
Era muita coisa para um dia só. Eu não estava pronta para tudo aquilo.
— Cala a boca. — Falei, chorando.
Em silêncio, recolhi tudo que pude, passei por , que me encarava esperando mais alguma coisa e cheguei até .
— Vamos.
Não virei para trás, não disse mais nada. Apenas segui fazendo o que era melhor para minha vida.

¿Lo que ves es lo que soy?
Lo que ves ya se marchó, ¡oh!


Era exatamente isso. A garota de dois anos atrás já não existia, coisa que até eu demorei para perceber. Agora eu era outra pessoa e ao entrar dentro daquele carro eu tinha dado o último passo para minha mudança.
— Você está bem? — quis saber.
— Vou ficar.
— Olha, quero que saiba que eu nunca quis acabar com seu namoro, eu sempre…
— Você poderia ter acabado. Poderia ter me contado o que o fazia.
Ele me olhou confuso, já que sua intenção era falar do que sentia, não do que sabia.
— Não cabia a mim fazer isso. Fora que estava tudo tão na cara. O é meu melhor amigo, a gente sempre brigava quando falávamos desse assunto, mas eu não podia simplesmente ir até você e acabar com o namoro de vocês.
— Mesmo gostando de mim. — Pensei alto.
— Eu não sabia como…
— Não fala, isso é outra coisa que não importa. Você teve tempo demais para isso e, verdadeiramente, esse não é o momento.
Eu não sabia se tinha razão em estar irritada com aquilo, mas eu estava.
atendeu meu pedido e seguimos em silêncio até minha casa.
— Fica bem. — Ele falou, quando abri a porta para descer do carro.
— Vou ficar. — Nos encaramos e quando percebi que ele tentaria me abraçar, falei: — Obrigada, .

Decidi repetir umas estrofes e terminei a música por completo.
Por incrível que pareça, dormi muito bem aquela noite. Talvez se livrar de algo, mesmo que te doa, te alivia. Seu subconsciente parece saber disso.
Acordei com uma mensagem do me perguntando se a gente poderia se ver, não dei a resposta que ele queria, apenas perguntei se tinha ficado tudo bem entre ele e o . Ele disse que sim e pareceu entender que aquele não seria um bom momento para conversarmos.
Lidar com as perguntas sobre a traição não foi muito fácil, mas eu tinha me saído bem. Entrei no twitter e dei a notícia que todos esperavam.

    • e eu não estamos mais juntos. Estou bem e ele também deve estar.

 

    Fiz uma música, já temos a primeira faixa do próximo cd!”

Aceitar e superar que passou por um relacionamento como aquele foi um processo um pouco doloroso para mim. Era sempre difícil lembrar das coisas que tive que me submeter para estar com ele. Batia vergonha, raiva, vontade de voltar no tempo e fazer tudo diferente. Haley estava comigo para tudo, e , mesmo de longe, tentava mostrar que estaria sempre aqui para mim.
Ele mandava mensagens engraçadas, fotos fazendo poses bizarras e, algumas das vezes, perguntava se um dia seria desculpado.

— Algum dia você vai voltar ao normal com o ?
— Posso dizer que sempre torci por ele? — Taylor, esposo de Haley, perguntou, com um sorriso brincalhão no rosto.
— Todos sabiam menos eu?
— Bom, tava um pouco na cara. — Haley disse.
— Mas ele sempre mandava eu seguir meu coração, nunca falou algo como: não fica com ele, fica comigo.
— Ele é amigo do , não queria fazer isso. Fora que você tinha que querer acabar com o , não adiantava ele te ter pela metade.
— Finalmente, entendo sua cara quando entrei com o no casamento. — Falei para Taylor.

Quatro meses tinham se passado desde meu término e eu ainda não tinha me encontrado com o . Não era raiva, não mais. Eu só não podia encontrá-lo sem me encontrar antes. Queria poder dizer a ele tudo que eu sentia sem que segundos depois eu fosse mudar tudo, e para isso eu precisa descobrir mais daquela nova .
Mesmo longe, ele ainda era alguém importante para mim. Alguém que eu lembrava quando via algo engraçado, quando escutava uma música diferente, quando via alguém falar que odiava chocolate. Foi nesse momento, depois de me avaliar por inteira e ver que sentia mais falta dele — mesmo trocando algumas mensagens — do que sentia de qualquer outra coisa que eu tenha aberto mão, que eu percebi que existia algo.
Precisei de mais quinze dias para finalmente dizer que queria vê-lo novamente. Eu precisava vê-lo para saber o que sentiria, se algo mudaria.
A gente tinha marcado de se ver na casa de praia do Taylor. O casal estaria lá e tínhamos marcado uma noite de jogos. Cheguei à casa quando era tarde e encarei os quatro cantos ansiosa.
— Ele está na praia. — Haley me falou, com um sorriso nos lábios.
— O Taylor tá com ele? — Perguntei, um pouco envergonhada.
Haley riu mais abertamente.
— Não. O Taylor tá lá em cima arrumando nossas coisas.
— Vou à praia, então. — Disse, respirando fundo e provavelmente com o rosto vermelho.
— Vai logo! — Minha prima gritou, animada, e eu corri para a praia.
Não precisei andar muito para encontrá-lo de costas, encarando o mar. Parei um pouco para encará-lo, mesmo sem ver seu rosto, só para me certificar do que falaria assim que ele virasse. Mesmo tendo certeza de que tudo sairia diferente do programado.
. — Chamei-o, um pouco baixo.
virou para mim e vi seu rosto iluminar. Era como se ele tivesse visto algo ainda mais lindo que aquele mar imenso.
Ele colocou as mãos no bolso da bermuda e falou:
— Você veio.
— É. — Falei, dando um passo para frente e sentindo todo meu sangue correr para minhas bochechas.
— Achei que nunca mais falaria comigo de verdade.
— Eu precisava de um tempo. — Respondi, dessa vez ficado no mesmo lugar.
— A raiva passou? — Ele quis saber.
— Não era mais para isso.
O rosto de assumiu uma expressão confusa e ele perguntou:
— E era para o quê?
Dessa vez, fui eu quem abriu um sorriso enorme. Era a hora.
— Para ter certeza se deveria fazer isto.
Antes que ele perguntasse mais alguma coisa, corri para os seus braços e lhe beijei.
Era ele, meu Deus, era ele!
Nos beijamos por mais alguns segundos até que nos separamos e ele segurou meu rosto com as duas mãos e me encarou.
— Eu espero que seus sentimentos continuem os mesmo de antes, . Se não, acabei de fazer uma grande besteira. — Falei, mordendo o lábio.
— Não continuam.
Mudei minha expressão e já pensava em me afastar quando ele falou:
— Depois desse beijo, eu fiquei ainda mais apaixonado por você, mesmo tendo achado que era impossível te amar mais do que te amo.
Me lancei sobre ele novamente e voltei a beijá-lo. Tendo a certeza de que desta vez estava fazendo a escolha certa, porque pela primeira vez eu queria um relacionamento não para ter alguém ao meu lado me amando, agora eu me amava até mesmo sozinha, e escolhi estar com ele porque ele era o melhor homem que eu conhecia e mexia comigo como ninguém jamais mexeu.
Eu o amava, e o melhor, tinha aprendido a me amar também.

N/a: Essa é a short mais short que já fiz rsrsrs e uma das mais importantes também, espero muito que gostem.
Beijos e, se gostarem, comentem muito e entrem para o meu grupinho.

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Involuntariamente (A Seleção – Em Andamento).
Ela (Originais – Finalizada).