One Chance

One Chance

  • Por: Bianca
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 159
  • Visualizações: 225
  • Capítulos: 5 | ver todos

Sinopse: “Eu já estava acostumada com aquele hospital, mesmo não sendo médica ou paciente dali. Eu sabia os detalhes de cada corredor, onde ficavam as lanchonetes, onde os médicos dormiam nos intervalos de cada plantão e, principalmente, conhecia o quarto 305, onde eu passava praticamente 3 ou 4 dias da minha semana, afinal, eu tinha uma promessa com ele. Mas, no final de tudo, não adiantava eu saber de todas essas coisas, porque naquela tarde, quando ele entrou naquele quarto, tudo começou a mudar. Minha rotina virou de cabeça para baixo, meu coração virou do avesso e minha mente virou uma tempestade, um perfeito caos. Mas ele era o mais belo de todos.
Você se permitiria viver um amor, mesmo sabendo que ele tem um prazo de validade?
Eu não sei se essa pergunta tem uma resposta certa ou errada, mas às vezes tudo o que precisamos é dar Uma chance.”
Gênero: Comédia dramática/ Drama
Classificação: 12 anos
Restrição: sem restrições
Beta:  Thalia Grace

Capítulos:

PRÓLOGO

“…Eu já estava acostumada com aquele hospital, mesmo não sendo médica ou paciente dali, eu sabia os detalhes de cada corredor, onde ficava as lanchonetes, onde os médicos dormiam nos intervalos de cada plantão, e principalmente conhecia o quarto 305, onde eu passava praticamente 3 ou 4 dias da minha semana, afinal, eu tinha uma promessa com ele.

Mas no final de tudo, não adiantava eu saber de todas essas coisas, porque naquela tarde quando ele entrou naquele quarto tudo começou a mudar, minha rotina virou de cabeça para baixo, meu coração virou do avesso e minha mente virou uma tempestade, um perfeito caos, mas o mais belo de todos.

Você se permitiria viver um amor, mesmo sabendo que ele tem um prazo de validade?

Eu não sei se essa pergunta tem uma resposta certa ou errada, mas às vezes tudo o que precisamos é dar Uma chance.”

Capítulo 1

Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 8:12 da manhã.

Era metade da estação outono na cidade de Cambridge, os dias eram mais curtos e as temperaturas começavam a diminuir. procurava por uma vaga na parte leste do estacionamento do hospital onde era destinada para visitantes, fazia algumas semanas ou meses que isso fazia parte da sua rotina: chegar no hospital, procurar uma vaga, estacionar, descer no carro, caminhar até a entrada e chegar ao passo que ela estava executando agora, caminhar pelos corredores do hospital. Passou pela recepção principal e avistou uma enfermeira que não conhecia muito bem, continuou até os elevadores, entrando e apertando o número 3 nos botões, as portas do elevador se abriram no andar que ela tinha escolhido e ela desceu, chegou na recepção da cardiologia e avistou Mary, a enfermeira que trabalhava ali e já estava familiarizada.

— Bom dia, Mary — disse ao sentir o olhar dela.
-— Bom dia, . Chegou 8:20, como sempre — Mary disse, olhando o relógio que fica na parede em frente a bancada da recepção e logo depois deu um sorris.

— Bom, é o horário que começam as vis…

— O horário que começam as visitas, eu já sei, já sei. — Mary disse e soltou um risinho sem graça — Você é uma amiga muito comprometida mesmo.

— Obrigada, Mary, até mais tarde. — procurou interromper a conversa logo ali, não é como se não gostasse de ser elogiada, mas ela achava que o que ela fazia no hospital não era motivos de elogios. Todo mundo faria isso no seu lugar, não é? Ela pelo menos gostava de pensar que sim, por isso quando alguém lidava com isso a elogiando ela ficava muito sem graça.

— Até, querida. — respondeu Mary e seguiu seu caminho.

Mary era uma mulher que aparentava ter entre 32 a 40 anos, nunca teve coragem de perguntar a real idade dela com medo de acabar em uma encrenca, era enfermeira a 9 anos como a mesma havia comentando uma vez enquanto estava fazendo sua ronda, foi transferida para a ala da cardiologia a 2 anos e parecia estar se dando bem, os pacientes se davam bem com ela.

passou pela recepção depois de ter falado com Mary e virou no corredor que ficavam os quartos. Foi caminhando lendo os números 301, 302, 303, 304… E finalmente o 305. Deu dois toques na porta antes de entrar, puxou a maçaneta para baixo e adentrou o quarto

— Você precisa sempre me acordar tão cedo assim? — ecoou a voz lá de dentro.

— Se acha tão ruim eu posso parar de vir — disse fingindo estar brava, mas soltando uma risada logo depois que foi acompanhada por seu amigo.

— Eu sei que você não conseguiria nem que se esforçasse muito, eu sou irresistível.

— Você é sonhador. — respondeu, ganhando uma revirada de olhos.

— Deixa pra lá esse assunto, vem cá me dar um abraço que você chegou a 5 minutos e ainda não ganhei nenhuma demonstração de afeto.
— Claro, eu já cheguei com você reclamando. — disse, já caminhando até ele.

e se conheciam a muito tempo, nenhum dos dois sabia dizer quando essa amizade começou e muito menos quando seu sentimento passou a ser mais que isso. Talvez quando tenha ficado doente, ou no começo da adolescência com o clichê do “primeiro amor”.

estava internado a algum tempo, não é como se não pudesse sair nunca do hospital, mas seus pais acharam melhor não, mesmo não sendo mais tão novo e não dependendo mais de seus pais. Achou melhor evitar conflitos, ele era um paciente da cardiologia, sofria com uma condição chamada pericardite, mas o caso dele tinha altos riscos de complicação e por isso ele tinha ficado internado no hospital. não gostava dessa rotina, era um arquiteto formado pela Universidade de Cambridge, tinha se formado com ótimas notas e estava trabalhando a alguns meses em um grande escritório quando tudo aconteceu, ocasionando na internação.

Acho que lembrava desse dia tanto quanto

~Flashback~

Silver Street. 7 de Agosto de 2017. Segunda-feira. 9:17 da manhã.

estava no centro de Cambridge a procura da empresa que oferecia os passeios de punting para confirmar o aluguel que a agência que ela trabalhava havia feito para a sessão de fotos de uma marca.

trabalhava como coordenadora de mídias em uma empresa de Marketing, e essa era uma das marcas de mais importância para sua agência por isso eles estavam investindo bastante nessa sessão, e umas fotos em um barco no pôr do sol parecia ser a melhor propaganda possível para lançar uma nova coleção de roupas.

já tinha estacionado seu carro em frente a loja e estava entrando quando sentiu seu celular vibrar no bolso, pegou e leu o nome “” e uma foto que continha ela ao lado do amigo aparecer na tela, resolveu recusar e mandou uma mensagem:

“Estou resolvendo uma coisa de trabalho agora, mais tarde,

eu te ligo, pode ser? –

Guardou seu celular no bolso e foi até o balcão da loja, tocou a campainha e esperou ser atendida, logo um moço que aparentava ter seus 19 anos saiu dos fundos da loja.

— Olá, Bom dia, posso ajudar?

— Claro, eu quer… — celular vibrando — um minuto.

O nome aparecia no visor novamente e isso deixou um pouco irritada já que tinha avisado o amigo que estava em um compromisso de trabalho, resolveu mandar outra mensagem

eu já te disse que estou ocupada, mais tarde

a gente se fala –

— Oi moço, desculpa a interrupção, eu queria confirmar a reserva de amanhã para a Concepts Agency.
— Claro, só um minuto que vou conferir aqui no computador.

 

~celular vibrando~

 

 

“Você está recebendo uma ligação de Ana”

 

não sabia dizer como estava se sentindo naquele momento, era um misto de surpresa, desconforto e ansiedade quando viu o nome da mãe de no visor do seu celular. Ela sabia que algo tinha acontecido, ela e a Ana se conheciam bem, desde quando ela e o eram pequenos, mas não era como se a mãe do seu melhor amigo ligasse para ela com frequência por isso ficou olhando a tela de seu celular e ficou com receio de atender.

— Oi, Ana, pode falar.

Capítulo 2

~Flashback~

não sabia dizer como estava se sentindo naquele momento, era um misto de surpresa, desconforto e ansiedade quando viu o nome da mãe de no visor do seu celular, ela sabia que algo tinha acontecido, ela e a Ana se conheciam bem, desde quando ela e o eram pequenos, mas não era como se a mãe do seu melhor amigo ligasse para ela com frequência, por isso ficou olhando a tela de seu celular e ficou com receio de atender.

— Oi, Ana, pode falar.

— Oi, querida. — suspirou.

— Está tudo bem?

— Está! Na verdade, não, por isso eu liguei. — mesmo a pessoa do outro lado da linha ter afastado o celular, conseguia ouvir o choro se iniciando e o receio dela de que não fosse uma ligação comum só se confirmou naquele momento, ela não sabia o que dizer, por isso achou melhor esperar a mãe de se acalmar para ela continuar o que estava dizendo.

— Me desculpe, querida.

— Não precisa se desculpar, só me fala, aconteceu alguma coisa?

— O sofreu um acidente. — sabe aquele momento que você simplesmente para, tinha a impressão que a voz da mãe de tinha ficado distante e tudo ao seu redor tinha perdido o foco, tudo estava meio embaçado, ela sabia que tinha que perguntar, como aconteceu isso? Se foi grave? Como estava? Mas ela só conseguia pensar na pior das hipóteses entre essas perguntas e na lágrima que começava a descer por sua bochecha.

— Moça, moça? — começava a ouvir alguém a chamando e ela começou a voltar a ver as coisas com foco.

— Moça, você está bem? — perguntou o atendente da loja, aquela que nem se lembrava mais de estar nela.

— Está sim, quer dizer… Não sei.

— Você quer se sentar? Eu posso pegar algo para você?

— Nã-o, não precisa… Eu, eu já es-tou de sa-ída — disse, atrapalhada com as palavras e arrumando sua bolsa no corpo, e se virando para caminhar em direção a porta de saída da loja.

, …você ainda está aí? — ouvia-se uma voz baixinha dizendo de longe.

tinha até se esquecido do telefone em sua mão, que tinha tirado da orelha na hora que o atendente da loja a tinha chamado.

— Oi, oi…. Me desculpa, eu, eu só…. Como isso foi acontecer? — disse, empurrando a porta da loja para sair.

— Você pode vir até o hospital? Chegando aqui eu tento te explicar tudo. — a mãe de já se encontrava chorando do outro lado do telefone.

— Claro, qual hospital? — disse, já abrindo a bolsa do lado de fora da loja, procurando seu bloco de notas.

— Hospital Hallcon.

— Estou a caminho. — anotou o nome do hospital rapidamente, desligou o celular sem pensar muito bem se tinha se despedido, apertou o botão que destravava o carro, entrou nele o mais depressa possível e começou a digitar o nome do Hospital no GPS. Ficava um pouco longe, mas mesmo que não fosse, aquele caminho com toda a certeza seria o mais longo que percorreria em sua vida.

~Flashback off~

Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 8:34 da manhã

— No que você estava pensando, ? — A voz de seu amigo a chamou.

— Ah, em nada.

— Tem certeza?

— Estava me lembrando daquele dia. — disse, soltando o ar.

— Que dia? — olhou para a amiga e observou ela encarando o teto. — Ah, aquele dia.

— Sim, aquele dia.

— E por que está perturbando os seus pensamentos com isso?

— Não é como se eu tivesse controle disso , sabia? — disse, soltando uma risada.

— Grossa. — resmungou o amigo, mas logo repetiu o gesto da amiga e deu uma risada.

também se lembrava daquele dia constantemente, só não queria que essa informação fosse compartilhada, porque achava que a preocupação de todos ao seu redor já estava exagerada.

~Flashback ~

Hale St, 7 de Agosto de 2017. Segunda-feira. 7:17 da manhã.

estava entrando no seu carro estacionado em frente à sua casa, pois apesar da empresa na qual trabalhava não ficar tão longe de onde ele morava, sempre preferiu ir de carro pela comodidade. Se ajeitou no banco do motorista e ligou o som do carro, logo começou a introdução de uma música que conhecia bem e deu risada lembrando o porquê daquele CD estar ali no seu rádio.

-Alguns dias atrás-

Se quiser, coloque para tocar Somebody To Love – Queen

— Meu Deus, eu amo essa música! — dizia animada, sentada no banco do passageiro do carro de , enquanto o primeiro refrão da música começava.

deu risada da animação de sua amiga, mas acabou cantando junto com ela.

Can anybody find me somebody to love? / Alguém pode encontrar-me alguém para amar?

olhava para quando acabou a primeira frase da música e acabou sorrindo sozinho consigo mesmo

Each morning I get up I die a little / A cada manhã em que me levanto eu morro um pouco
Can barely stand on my feet / Mal consigo permanecer em pé
(Take a look at yourself in the mirror) take a look in the mirror and I cry (and I cry)
(Olhe para si mesmo no espelho) olho no espelho e choro (e choro)
Lord, what you’re doing to me?/ Senhor, o que está fazendo comigo?
I have spent all my years in believing you / Eu tenho passado todos os meus anos acreditando em você
But I just can’t get no relief, Lord/ Mas eu simplesmente não consigo nenhuma ajuda, Senhor

Os dois cantavam juntos a música, era sexta-feira eles tinham acabado de sair de um restaurante no centro de Cambridge e estava dando uma carona a ou como ele gostava de chamá-la até sua casa. Eles se olharam para cantar a próxima parte da música

Somebody (somebody) / Alguém (alguém)
Oh, somebody (somebody) / Oh, alguém (alguém)
Can anybody find me somebody to love? / Alguém pode encontrar-me alguém para amar?

aumentou o volume do som.

— Está querendo deixar a gente surdo? — disse entre risadas.

— Não, você está cantando tão alto que não estou conseguindo ouvir a voz do Freddie. — disse, dando uma piscadinha para o amigo que retribuiu com uma careta.

I work hard (he works hard) everyday of my life / Eu trabalho duro (ele trabalha duro) todo dia da minha vida
I work ‘till I ache my bones / Eu trabalho até meus ossos doerem
At the end (at the end of the day) / No final (no final do dia)
I take home my hard earned pay all on my own / Eu levo para casa meu dinheiro suado, totalmente sozinho

abriu o vidro do carro, deixando entrar uma grande de quantidade de vento no mesmo, ele observava como ela ficava bonita com os cabelos balançando daquele jeito.

(Goes home, goes home on his own) / (Vai pra casa, vai pra casa totalmente sozinho)
I get down (down) on my knees (knees) / Eu me abaixo (abaixo) de joelhos (joelhos)
And I start to pray (praise the Lord) / E eu começo a rezar (louvado seja o Senhor)
Till the tears run down from my eyes, Lord/ Até que as lágrimas escorram dos meus olhos, Senhor

, é agora novamente, grita comigo! — virou para o melhor amigo.

se preparou para seguir o pedido feito.

Somebody (somebody) / Alguém (alguém)
Oh, somebody (please) / Oh, alguém (por favor)
Can anybody find me somebody to love? / Alguém pode encontrar-me alguém para amar?
(He wants help) / (Ele quer ajuda)

Os dois cantaram juntos, gritando, e depois caíram na gargalhada, sempre achava muito bom passar um tempo com ela, e ela o mesmo com ele.

– Alguns dias depois-

deu risada voltando das suas lembranças com sua melhor amiga, ele já estava a caminho do trabalho ouvindo a música que trouxe à memória à tona.

— Ai, que isso… — disse, enquanto sentia uma dor.

Continuou tentando focar na estrada à sua frente

— Caralho, que porra é essa?! — pensava enquanto colocava uma das mãos no peito pela dor sentida na região.

Tinha acabado de entrar na Brooks Rd, logo estaria chegando ao seu destino.

— Meu Deus, o que está acontecendo? — começou a sentir uma dor muito forte, uma queimação em seu peito que lhe arrancava o ar. Ele tirou as mãos do volante por um momento pela intensidade da dor, mas isso foi o suficiente, esse momento foi o suficiente para o carro subir na calçada e bater com tudo em um poste.

Médicos em volta, luzes brancas, e seu corpo imóvel é a próxima e última coisa que se lembra daquele dia antes de acordar algum tempo depois em um quarto de hospital.

~Flashback off~

Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 8:47 da manhã

— Pelo jeito eu não sou a única que está tendo lembranças hoje.

— Ah…. Não mesmo, você me pegou.

— Estava pensando no que? — perguntou , curiosa.

— Naquele dia, no meu carro, que cantamos super empolgados a música do Queen — respondeu ), sorrindo sem mostrar os dentes.

riu.

— Esse dia foi incrível mesmo, eu amo essa música.

— Eu amo essa música.

Disseram os dois juntos.

— São tantos anos de amizade assim que já sou previsível para você? — perguntou ela, sentando na poltrona de visitas que tinha no quarto.

— Não gosto de pensar que você se tornou previsível e sim que estamos tão destinados a ficar juntos que eu completo até as coisas que você está dizendo. — ele disse, dando bastante ênfase e tentando parecer sério.

observava ele enquanto falava e logo depois do final da frase soltou uma gargalhada colocando a mão na barriga.

— Eu adoro que mesmo você vestindo essa camisola hospitalar, sua autoestima continua inabalada.

— Hey, eu fico um charme nela. — retrucou, fingindo estar ofendido.

— Não disse o contrário disso.

Ele tentava esconder o que lhe causava quando sua melhor amiga o elogiava ou simplesmente concordava quando ele dizia alguma coisa, por isso virou seu corpo na cama do hospital para o outro lado, onde agora podia observar a janela.

O quarto 305, apesar de ainda ser um quarto de hospital, gostava de pensar que era confortável. Tinha sua cama, uma janela que dava para ver as árvores lá fora, sem muita vida agora devido às temperaturas que a cidade se encontrava, tinha uma televisão de frente para a cama que ele particularmente não perdia muito tempo assistindo, um banheiro e a poltrona encostada na parede do lado direito da cama, onde as pessoas que iam visitá-lo passavam o tempo sentadas. Claro que a maioria desse tempo era ocupado por sua melhor amiga.

— A paisagem está bonita, não acha? — perguntou , que agora se encontrava em pé do lado da cama, tirando ele de seus devaneios.

— Sim, só meio, sem vida.

— Você acha? — respondeu, sentando-se na cama.

— Sim.

~Flashback~

Se quiser, coloque para tocar To Build a Home – The Cinematic Orchestra

7 de Agosto de 2017. Segunda-feira. 9:48 da manhã.

estava com o carro em alta velocidade, tinha descumprido algumas leis de trânsito talvez, mas não conseguia raciocinar muito bem sobre essas coisas agora. Ela estava com o coração acelerado e a cabeça pesada sem respostas, só queria chegar rápido ao seu destino para saber o que realmente tinha acontecido; ela já se encontra perto do Hospital Hallcon, o GPS avisava que faltavam apenas 4 minutos. Ela passou por uma rua em que se encontrava alguns policiais em volta de um acidente de carro, mesmo sendo a mesma cor do carro de não quis pensar muito sobre isso naquele momento por conta da situação do veículo que se encontrava bem destruído.

Quando ela chegou no estacionamento do hospital, colocou o carro na primeira vaga que achou, pegou apenas seu celular, saiu do carro e correu em direção a entrada. A porta abriu-se automaticamente e ela foi até à recepção

— Oi, eu quero saber sobre o .

— Só um minuto. — respondeu a moça que estava atendendo na recepção do hospital, que desviou o seu olhar logo em seguida procurando algo no seu computador.

batucava os dedos no balcão, parecia que já tinha se passado uma eternidade, mas sabia que era porque estava impaciente e que na verdade não deveria nem ter se passado o um minuto que a moça da recepção tinha pedido.

— Pronto, você deve se encaminhar até o 5° andar e….

— Obrigada! — agradeceu sem nem esperar a moça terminar de falar e saiu correndo em direção aos elevadores. Perdeu a conta de quantas vezes apertou o botão que chamava o mesmo, até que resolveu ir de escadas, mesmo com a pressa, ela sentia cada degrau que estava subindo. Chegou ao 5° andar, outra recepção, ela estava sem ar, não sabia se era pelos cinco andares que acabou de subir ou pela sensação sufocante de não saber o que fazer agora.

, é você?

Antes que pudesse se virar para ver quem estava a chamando, sentiu braços em sua volta e sentiu seu ombro começar a ficar molhado.

— Me desculpe, querida. — disse a mãe de , se soltando dela.

— Como ele está?

— Ele bateu com o carro — suspirou —, ele es-tá em cirurgia a-gora, parece que é grave. — Ana começou a chorar mais forte. — Eu não sei de muitos detalhes, o médico mandou eu aguardar, ele falou algumas coisas enquanto eu assinava alguns papéis, mas eu não consegui prestar atenção. — Ana quase não conseguia falar as frases por inteiro devido as lágrimas que desciam pelo seu rosto.

— Meu Deus, como isso foi acontecer? — já chorava também. — Eu estava com ele a alguns dias, estávamos felizes no carro dele, o mesmo carro…Meu Deus.

já chorava descontroladamente, ela não queria, mas só conseguia pensar nas piores hipóteses possíveis. fazia parte de sua vida há muito tempo, ela estava sentindo-se desesperada de pensar em uma vida sem ele e ficava desesperada também por saber que era incerto o tempo que ia ter que esperar ali sentada, sem poder fazer nada, até conseguir alguma notícia. Ana pegou um copo de água para e percebeu como a garota tremia quando lhe entregou.

-Algum tempo depois-

As duas estavam sentadas juntas ali já fazia um bom tempo, conversaram, tentaram conseguir informações com as enfermeiras que passavam ali, mas ninguém sabia de nada e única informação que elas tinham era que ele ainda se encontrava em cirurgia.

— Meu filho é privilegiado por ter alguém que se importe tanto com ele, além da família dele claro. — A mãe de disse, conseguindo a atenção de . — Eu não sabia que vocês tinham assumido alguma coisa. — agora olhava confusa para ela.

— O que? Ele é meu amigo e…

— Querida, a forma que você chegou aqui não parecia que alguém ficaria assim por um amigo.

— Eu só gosto muito dele e estava preocupada.

— Aposto que ele gosta muito de você também e…

? — Dessa vez a mãe dele que foi interrompida por um médico que saia do corredor restrito a funcionários do hospital e entrava na sala de espera.

— aqui, aqui, eu! — disse, se levantando e andando até o médico, eufórica, sendo acompanhada logo atrás por Ana.

— Você está com ele?

— Sim, sim, pode falar.

—Ele já saiu da cirurgia, a batida foi grave e a cirurgia longa. Agora devemos esperar.

— Mas ele está bem? — Ana perguntou.

— Devemos esperar a recuperação e ver o que acontece, ele teve um infarto, por isso…

— Ele o que? — perguntava meio incrédula, o amigo era jovem e levava uma vida que ela considerava saudável, como isso poderia ser possível?

— Ele sofreu um infarto, senhorita…

.

— Ele sofreu um infarto, senhorita , ainda estamos investigando a causa, mas provavelmente foi a causa do acidente.

— Estou sem acreditar

— É meio incomum mesmo na idade dele, mas agora devemos esperar e vou avisando vocês.

— Podemos vê-lo? — Ana perguntava mais como suplica.

— Ainda não, porque ele tem que se recuperar. Mas daqui um tempo eu libero vocês. — foi a última coisa que o médico disse antes de sair da sala de espera e entrar novamente no corredor restrito.

— Infarto, Ana? Como é possível?

— Não sei, querida, e talvez seja melhor não ficarmos pensando nisso agora e esperar os médicos.

— Tudo bem, acho que você tem razão.

não podia pensar em ficar mais nenhum minuto naquela cadeira, por isso resolveu descer até o térreo do hospital ver se achava algo para tentar comer. Perguntou a Ana se queria ir junto, ela disse que preferia ficar por ali. então desceu sozinha, dessa vez pegou o elevador, as portas se abriram indicando que havia chegado, ela foi até seu carro no estacionamento e percebeu que além do frio que estava começando a ficar já tinha anoitecido. Pegou sua carteira que tinha esquecido quando saiu com pressa do carro e resolveu pegar uma blusa que se encontrava no banco de trás, ela só estava vestindo uma saia midi preta e uma camiseta branca que tinha colocado para ir trabalhar, ela fechou o carro e voltou para o hospital, resolveu ir até um café que tinha ali, onde as mesas ficavam ao ar livre, entrou, pediu um café e dois lanches — um para levar para Ana—, pagou e resolveu aguardar no balcão do estabelecimento mesmo. Menos de 5 minutos depois ela foi chamada, pegou tudo e foi sentar-se do lado de fora para tomar seu café.

não conseguia parar de pensar em tudo, como as coisas acontecem muito rápido. Começou a pensar na última vez que viu o amigo em um jantar na sexta à noite e ficou pensando naquele momento até perceber que já tinha bebido todo o café e metade do lanche já tinha desaparecido também. Resolveu guardar o que sobrou e voltar para a sala de espera. Pegou tudo que se encontrava na mesa, saiu do café e foi até os elevadores, entrou e apertou o botão que continha o número 5, encostou na parede fria do elevador e ficou observando a tela passando os números, 1…2…3…4…. Até que as portas se abriram indicando que tinha chegado ao quinto andar. saiu e caminhou em direção a Ana, que se encontrava dormindo em uma das cadeiras, ela tirou a sua blusa de frio e a cobriu, pensou em acordá-la e falar para ela ir para a casa descansar, mas pensou que só acordaria ela por nada, porque não sairia dali, então imaginou que a mãe dele também não ia querer.

Ela tinha acabado de sentar-se ao lado de Ana quando ouviu alguém fazendo psiu para ela, começou a olhar ao redor, a sala de espera já estava quase vazia comparado a como estava quando tinha chegado ali, avistou uma das enfermeiras fazendo um gesto para ela ir até lá. levantou-se e caminhou até ela.

— Oi, tudo bem? Você é a namorada do moço que sofreu o acidente de carro né?

— Eu não sou namorada dele — respondeu simpática.

— Ooh, me desculpe, eu pensei que… — respondeu a enfermeira envergonhada

— Não, imagina, tudo bem, eu sou melhor amiga dele. — disse, sorrindo com a confusão da enfermeira.

— Entendo, bom, vim aqui perguntar se você quer vê-lo. Você não vai poder ficar muito tempo, mas…. Bom, se você quiser.

— Claro! Obrigada, posso chamar a mãe dele?

— Sim, sim.

Ela caminhou até a mãe de , cutucou ela delicadamente algumas vezes até sentir ela despertando, abaixou ficando na altura que a ela estava sentada.

— Desculpa te acordar, mas uma enfermeira falou que gente pode ver o um pouco se quisermos.

— Claro, não precisa pedir desculpas por me acordar por um motivo desses. — disse, se despertando.

Elas andaram juntas até a enfermeira e ela pediu que a seguissem, subiram um andar de escadas, e continuaram pelos corredores.

— Estamos chegando.

Elas entraram em um corredor onde tinha alguns quartos que a parte da frente era vidro, que possibilitava ver os pacientes que estavam em cada um desses quartos. Quase no final do corredor ela parou em frente a um desses quartos e a porta se abriu automaticamente, a enfermeira entrou, seguida de Ana e foi a última.

Ela começou a sentir suas mãos suarem e, ao contrário do que estava sentindo mais cedo quando Ana ligou, sentia que agora tudo ao seu redor estava acontecendo rápido demais. Ela começou a chorar baixinho, vendo como ele estava machucado. Sentia que a mãe dele também estava em choque, mas estava escondendo melhor que ela.

Chegou mais perto dele, pegou em sua mão e a apertou um pouco, como se dissesse para ele que estava ali. A enfermeira, que agora lia em seu crachá que se chamava Mary, quebrou o silêncio

— Eu sei que foi muito pouco tempo, mas infelizmente precisou pedir para você irem agora.

— Obrigada. — foi a única coisa que Ana disse.

— Sim, obrigada. — repetiu.

Mary sorriu agradecida e acompanhou as duas de volta a sala de espera.

, depois de conversar com Ana, resolveram juntas que iam para casa tomar um banho e pelo menos e trocar de roupa. Ela deu uma carona para a mãe dele até sua casa, depois seguiu para a sua com o coração um pouco menos pesado pelos segundos que ficou perto dele.

~Flashback Off~

Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 9:02 da manhã

— Você deve ter achado a paisagem lá fora realmente bonita, porque está olhando ela em silêncio já faz algum tempo. — ouviu a voz do amigo dizer, despertando ela de suas lembranças novamente.

— Desculpa. — riu sem graça.

— Que isso.

até pensou em falar mais alguma coisa, mas foi surpreendido por sua amiga que antes estava sentada na beirada da cama, deitando-se ao seu lado, o abraçando. Mesmo não entendendo muito bem o porquê daquela reação, retribuiu o abraço, se sentindo mais aquecido por fora e por dentro.

 

Capítulo 3
Nota:Eu escrevi essa primeira parte do capítulo escutando Friends do Ed Sheeran, então por isso se quiserem coloquem para tocar também.

Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 9:10 da manhã
até pensou em falar mais alguma coisa, mas foi surpreendido por sua amiga que antes estava sentada na beirada da cama, deitando-se ao seu lado o abraçando. Mesmo não entendendo muito bem o porquê daquela reação, retribuiu o abraço, se sentindo mais aquecido por fora e por dentro.
Ele não queria ser mais um daqueles clichês de melhor amigo apaixonado, mas poderia jurar que ficaria nessa posição com ela o resto da vida se lhe fosse permitido. se lembrava sempre das coisas que os dois tinham passado juntos e sempre que fazia isso se perguntava se era possível não acabar tendo sentimentos por ela, ele amava o jeito que eles se entendiam, como ela o conhecia e como ela era livre; livre porque ela sempre foi ela mesma, sempre correu atrás das suas coisas e que se ela criava a ideia de fazer algo, qualquer pessoa podia ter certeza que ela cumpriria, ele sempre sorria pensando nisso e no momento não estava sendo diferente, quando ele percebeu sua amiga já tinha pegado no sono ao seu lado.
olhou de canto para a porta de seu quarto que estava sendo aberta, viu a figura de Mary aparecer e fez um sinal de silêncio que a mesma correspondeu abrindo a porta devagar.

— Olá, atrapalho alguma coisa? — Mary pronunciou quase num sussurro
— Não, não. Pode entrar, Mary. — respondeu à pergunta fazendo um sinal para ela chegar mais perto com a mão que não estava embaixo do corpo da amiga.
Mary chegou perto da cama com o carrinho que trazia junto com ela, sussurrou um “desculpe” para , falou que poderia voltar mais tarde se ele preferisse, pois ela teria outras rondas para fazer com outros pacientes mais tarde, ele sussurrou um “tudo bem” e sorriu para ela agradecendo, ela deixou o carrinho com seus equipamentos para checagem simples e disse que depois voltava para pegar. Saiu do quarto deixando novamente sozinho com a imagem de uma dormindo serenamente nos seus braços, ele voltou a pensar na relação deles e em como ela deveria estar dormindo agora pois estava cansada com a rotina que sustentava, sabia que seu trabalho não era fácil, ele já tinha conversado com ela sobre diminuir as visitas à ele no hospital, mesmo que no fundo fosse a única coisa que o mantém são naquele lugar, ela se negou.
Isso o fez lembrar da Mary e sua mãe contando a ele quando ele acordou depois do acidente como tinha reagido a tudo, já pensava a um tempo se ambos já não tinha passado do estágio de amizade, a real sensação que ele tinha era de estar em um limbo, entre amizade e algo a mais, mas ele gostava de pensar que tinha a certeza que uma amiga não o trataria como trata, já acontece algumas coisas entre eles que o faziam reforçar esse pensamento, algumas coisas bem fortes inclusive, mas como ele sempre pensava, esse limbo o impedia de falar algo, o que o fazia pensar se ela também tinha esse medo, ou tudo isso era ilusão dele.
— Se quiser, pode continuar dormindo. — pronunciou para uma que despertava.
— Que horas são? — ela respondeu, coçando os olhos.
— Não sei, meu celular está longe e o relógio aqui — disse, apontando para o relógio que ficava na frente de sua cama, ao lado da televisão. — está errado.
— Deixa que eu vejo no meu. — disse, apalpando a cama atrás do celular — São, meu Deus, , são 11:34! — levantou-se num susto. — Não acredito que você deixou eu dormir tanto. — completou.
— Foram só duas horinhas. — ele disse, fingindo não estar surpreso também que ficou tanto tempo perdido nos seus pensamentos.
— Ainda bem que hoje só tenho que trabalhar bem mais tarde. O que você quer almoçar?
— Você sempre pergunta, mas sempre acaba escolhendo, então. — ele respondeu à pergunta revirando os olhos lembrando da mania dela.
— Porque você tem péssimos gostos. — ela disse, revirando os olhos também.
Ele quase riu com a frase dela, imaginando que seu gosto pelas coisas, também se resumia a ela.
Eles resolveram comer algo do hospital mesmo, às vezes quando estava lá, ela saia para pegar alguma comida, algumas escondidas para ser sincera, e os dois comiam no quarto, mas hoje ela resolveu comer com ele no refeitório do hospital, ele tinha acesso e ela pagasse se um valor poderia comer lá, mesmo tendo reclamado da escolha dela, acabou cedendo pensando que ainda não tinha feito a checagem do dia com a Mary e que seria bom comer o mais cedo e rápido possível.
informou que ia tomar banho e trocar de roupa para eles poderem ir até o refeitório, viu o amigo se levantar da cama, colocar seus chinelos, seguir em direção ao banheiro e fechar a porta do mesmo. Escutou o som do chuveiro sendo ligado e um gritinho de seu amigo, declarando que a água estava muito fria ou muito quente, riu consigo mesma sentada na poltrona do quarto, ficou vendo as mensagens que tinha recebido durante o período que estava dormindo, vendo se tinha perdido algo importante do trabalho. Respondeu algumas coisas, incluindo a mensagem da sua mãe que como sempre além de perguntar sobre sua filha, também perguntava sobre
— Pronto, podemos ir. — apareceu na porta do banheiro, secando o cabelo com uma toalha e com uma roupa sem ser a camisola do hospital.
parou e olhou o amigo, ás vezes quase se esquecia como ele era fora das paredes daquele hospital, e na verdade é que ele era alguém bem atraente, ela sabia disso, sempre foi assim, na escola ou quando ele ia buscá-la na faculdade para eles fazerem alguma coisa, sempre recebia perguntas do tipo “Quem é? Você é namorada dele? Pode me apresentar? ” de suas amigas, mas nunca se importou muito.
— Está bonito. — ela riu percebendo que ele ficou envergonhado.
— Obrigado. — disse, tentando esconder a vergonha.
Ele tinha colocado uma calça preta justa, uma camiseta preta simples também, mas ele sempre gostou de estar simples assim, e particularmente ela o achava bonito assim.
Eles seguiram em direção a porta do quarto, abriram, saíram e viraram para o lado direito para seguir para as escadas, o corredor estava bastante movimentado com os funcionários do hospital, o horário pré-almoço era bastante agitado mesmo, porque eles tentavam finalizar suas coisas para tentar comer algo na hora certa.
O hospital Hallcon era além de um hospital conhecido, bem grande, sua estrutura quando olhada do lado de fora já chamava atenção, mas quando você entrava tudo só melhorava, era um hospital de trauma nível 1, então seus equipamentos eram ótimos, tinha tantos corredores que se perdeu algumas vezes até aprender o caminho de todos os lugares necessários, eles subiram a escada até o 7° andar e seguiram o corredor até chegar a grande porta do refeitório, era muito grande, tinha muitas mesas, todas com 4 lugares, uma do lado da outra, as comidas ficavam em estilo self service, tinham bastante opções, principalmente para alguns tipos específicos como diabéticos, alérgicos, etc. achava meio estranho, já que nunca tinha visto muitos outros pacientes ali, além de , tinham poucas pessoas na mesa, mas dava para perceber pelo horário que dentro de alguns minutos o lugar já estaria mais cheio, e pegaram os pratos e cada um pegou o que gostaria para comer, depois se dirigiram a uma das janelas ali presente, sentaram em uma mesa que ficava encostada nela e começaram a comer
— Está ótimo, esse frango me faz lembrar do dia que eu tentei cozinhar para você — disse, olhando para a melhor amiga e sorrindo.
— Nossa, faz muito tempo. Você fez uma bagunça, isso sim. — disse sorrindo também.

Flashback
Hale St, 6 de março de 2011. Domingo, 6:40 da tarde.

, eu tenho certeza que corremos o risco de você colocar fogo nessa casa.
A amiga pronunciou com os olhos arregalados observando a tentativa engraçada, frustrada, na verdade, mas engraçada do amigo fazer o jantar.
— Será que dá para você ser mais otimista? Eu estou tentando fazer algo legal para a gente comemorar.
O amigo respondeu ela segurando uma panela enorme na qual ele estava tentando preparar um frango que viu a receita na internet.
— Tá bom, tá bom, eu só acho que precisamos estar vivos para ter uma comemoração. — ela disse, já se levantando do banquinho em frente ao balcão onde estava sentada e indo em direção ao amigo. — O que você acha que está dando errado?
— Eu não tenho ideia, eu segui a receita direitinho, juro. — colocou a panela na bancada da cozinha enquanto falava.
, esse frango está cru. — ela abriu a panela e pronunciou,
— Eu não acredito! — ele disse, levando a mão no rosto. — , dá para parar de rir?! — ele olhou para a melhor amiga e ela está rindo alto.
— Não dá para evitar — gargalhou. —, qual é, vai me dizer que não é engraçado?
nem precisou responder porque começou a rir também.
— Me desculpa. — ele parou de rir depois de alguns minutos e falou limpando as lágrimas nos seus olhos causadas pela risada.
— Hey, eu sei que a sua intenção foi a das melhores. — ela se aproximou do melhor amigo e fez carinho em sua bochecha.
— Foi sim, você ganhou uma premiação muito legal pela parte de artes do jornal da escola, só queria fazer algo legal também para você. — ele colocou a mão por cima da dela que estava em seu rosto e retribui o carinho.
— O fato de você se importar por eu ter ganhado uma premiação boba do colegial já é algo legal, . — ela estava olhando nos olhos de seu amigo.
Eles só perceberam nesse momento como estavam próximos e como estavam se olhando profundamente, o clima estava diferente, abraçou o amigo, ela não sabia dizer se fez isso porque realmente queria o abraço ou porque seu corpo estava dizendo que queria outra coisa e o abraço foi para evitar essas sensações.

Flashback off
Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 12:27 da manhã

— A gente tem cada lembrança juntos.

— Sim, as melhores. — colocou a última colher de comida do seu prato na boca.
esperou terminar de comer, pegou os dois pratos, levou até a parte do refeitório que colocavam eles sujos e voltou para a mesa onde ela o esperava. Perguntou se eles podiam ir, ela respondeu que sim e se levantou da mesa, seguiram em direção a saída do refeitório, mesmo pagando a comida por não ser paciente, nem nada, só era cobrado no final do mês, tudo junto, já que ela era uma pessoa frequente ali.
na maioria do tempo podia circular livremente pelo hospital, tirando, claro, áreas restritas, por seu quadro estar estável. Eles voltaram para o quarto dele, chegando nele, foi para o banheiro escovar os dentes, quando terminou saiu do banheiro, e se jogou na cama logo em seguida, pegou sua escova de dente na sua bolsa e fez o mesmo processo, mas ao invés de se jogar na cama como ele depois, guardou suas coisas e ficou em um canto do quarto em pé.

— Olá novamente. — Mary abriu a porta do quarto.

— Oi, Mary. — respondeu.

Mary abriu a porta do quarto o adentrando, puxou seu carrinho que tinha deixado ali mais cedo para mais perto ainda da cama e chegou mais perto de para fazer a checagem diária.

— Espero que o que eu vi mais cedo signifique algo. — disse baixinho só para ele ouvir.
— Mary…
— Ok, ok, desculpa, não está mais aqui quem falou. — Mary disse, fazendo sinal de redenção e riu baixinho com a sua reação. — Bom, já terminei aqui.
— Obrigada, Mary. — disse, recebendo um sorriso agradecido dela em troca.
Mary arrumou as coisas que estavam no carrinho e saiu do quarto, estava ainda em pé mexendo no seu celular.
— O que você está vendo de tão interessante nesse celular? — perguntou, olhando para a amiga
— Aaaah, estava vendo sobre uma banda que eu ouvi em um café esses dias, achei interessante resolvi pesquisar. — respondeu, vidrada no celular.
— Qual banda?
— The Carnabys
— Engraçado, esse nome não é estranho. Será que…
— Será que é porque eu falei sobre eles com você ontem? É deve ser por isso — disse uma voz vindo da porta.
se virou imediatamente assustada para o local da onde a voz surgia, e se deparou com um homem que na cabeça dela só conseguia pensar em como ele era bonito e como sua voz rouca era charmosa.
— E aí, cara, entra aí! — disse para a pessoa que estava encostada no batente da porta
— Estava esperando ser convidado. — disse, já entrando no quarto.
olhava do amigo para a nova presença no quarto, da nova pessoa presente no quarto para o amigo. Tentou repassar em sua mente todas as pessoas que já tinha conhecido em algum lugar com , mas nada era familiar, começou a pensar também que não precisaria se esforçar muito tentando lembrar, porque aquele rosto não era nada fácil de esquecer.
, dá para sentir a fumacinha saindo da sua cabeça. — seu amigo a chamou dando risada.
Ela apenas olhou para ele, fingindo estar confusa com o que ele estava falando.
— Prazer, eu sou o . — disse, estendendo a mão
era alto, tinha tatuagens que conseguiu ver porque reparou nisso nele e também no que ele estava vestindo, roupa de hospital, e era muito bonito por sinal pensou novamente.
— Posso saber o seu nome? — disse para ela, sorrindo percebendo que ela estava o olhando.
— Claro, é , me desculpe. — respondeu, apertando a mão dele.
— Sem problemas, sinto muito por sua primeira impressão minha ser com essa roupa. — disse, apontando para o seu corpo e logo em seguida sentando na cama de .
— Não tem problema, aliás quem é você?
— Uaaaau, que delicadeza! — disse, dando risada.
— Não era a intenção, para de rir, idiota. — ela fechou a cara por conta do comentário.
— Ele é paciente aqui no hospital também. — disse, dando de ombros.
— Eu acho que posso falar por mim mesmo. — respondeu em tom irônico olhando para ele.
— Uaaau, estou vendo que vocês estão muito gentis no dia de hoje. — ele respondeu fingindo ofensa.
— Infelizmente eu sou paciente daqui com ele, e você é amiga que ele tanto fala. Uma coisa ele não mentiu, seu gosto musical parece ótimo. — ele pronunciou, tirando seu olhar de e colocando-o em .
— Achei estranho não te conhecer, eu sempre estou aqui e é a primeira vez que te vejo, que na verdade sei da sua existência. — disse olhando para esperando explicações.
— Hey, não foi de propósito, você não está todos os dias aqui e acabou que conheci esse mala aqui — disse, apontando para ele. — em uma caminhada incrível pelos corredores do hospital.
— Obrigado, , eu também não sou apaixonado por você — colocou a mão no ombro dele, enquanto falava do mesmo. —, mas é como ele falou: a companhia dele é boa para matar o tempo um pouco, até porque eu não tenho uma amiga gata que vem me visitar. — disse, voltando a olhar .
sentiu suas bochechas corarem, mas manteve o olhar em , que estava ali desde a hora que ele chegou.
— É, eu tenho muita sorte mesmo pela minha amiga gata. — disse, parecendo mais sério.
— Não precisa ficar com ciúmes, como ele disse eu sou sua amiga gata — respondeu rindo e piscando para ele.
— A gente podia dar uma volta, né? — disse, já se colocando de pé.
— Claro, acho uma boa ideia. — respondeu.
— Claro. — só concordou.
levantou da cama, afinal já tinha colocado uma roupa quando eles foram almoçar, sugeriu se queria que eles passassem no quarto dele, para ele trocar de roupa e ele fingiu ofensa perguntando se estava feio, ela deu risada e no final ele resolveu “dar a volta” deles de camisola mesmo.
já conhecia bem o hospital tão bem quanto os dois homens agora que a acompanhavam pelos corredores do mesmo, eles andaram o andar da cardiologia todo, onde tanto quanto tinham seus quartos, ela colocou como nota mental perguntar depois em algum momento sobre o estado médico do , ainda no mesmo andar eles adoravam ver os velhinhos que sofreram um ataque cardíaco ou algo do tipo recebendo visitas dos seus filhos e netos, adoravam só a parte alegre claro, depois subiram as escadas até o quarto andar onde ficavam a obstetrícia/pediatria e olharam os recém-nascidos que ficavam ali, ela deu risada com tentando imitar as feições dos bebês, que de acordo com ele estava fazendo isso tentando provar que bebês não são tão bonitos assim quando nascem. Depois decidiram descer até o térreo, onde além das lanchonetes, ali também se encontrava o PS ou Pronto Socorro, e saíram na frente quando desceram no térreo dessa vez pelo elevador e só pediu para ela o seguir. Ela assim o fez, se lembrou por um momento dela e do seu amigo em uma vida fora daquele hospital e mais jovens brincando.
voltou a pensar no momento atual, quando os dois pararam em frente a um monitor, cheio de nomes e números
— Que isso? — perguntou confusa.
— É o painel do PS. — foi o primeiro a lhe responder.
— E por que estamos aqui parados olhando para ele? — ela olhava para o painel e para os dois confusa.
— Foi meio que um “jogo” que inventamos, a gente fica aqui, olha o nome da pessoa, o número do quarto, leito ou sala que ela está e em quanto tempo ela está em atendimento e cada um dá um palpite do que pode ter acontecido com ela. — foi a vez de falar, ele ia apontando para cada fileira exposta naquela tela em sua frente, mostrando o que cada uma significava.
— Não acredito que vocês inventaram um jogo com isso. — afirmou meio incrédula.
— Qual é, você tem várias coisas para fazer fora daqui, eu, quer dizer, nós — disse apontando para ele e para — não temos muito para passar o tempo.
— Tá bom. — disse se dando por vencida.
— Olha aquele ali, Gary… Está no leito 8, e está em atendimento já faz 20 minutos. — disse voltando a atenção ao painel.
— Bom se ele está no leito não deve ser muito grave, deve ser uma crise de gastrite forte ou algo do tipo. — respondeu.
— Além de bonita é esperta também, o que mais tenho para descobrir sobre você? — falou fazendo voltar a atenção a ele sorrindo sem graça.
— Não acho que tenho muitas surpresas. — respondeu ainda sem graça.
— Eu prefiro descobrir isso por conta própria. — respondeu ele sorrindo de volta.
— Você precisa descobrir, mas eu já sei tudo sobre ela. — disse se envolvendo na conversa, passando os braços por volta do pescoço da amiga e dando risada.
— Tá bom, tá bom, todos sabemos que você é meu melhor amigo desde sempre. — disse ela tirando o braço dele. — Voltando ao jogo, só eu dei um palpite.
— E um muito bom, acho que deve ser gastrite algo do tipo mesmo. — dizia com as duas mãos na cintura olhando para o painel.
— É, eu também. — olhando para o painel também, apenas concordou.
Eles ficaram alguns momentos ali, tentando pensar em alguns outros nomes ali do painel, Jane…Mary….Joane…Jonh….Ben…e por último Carl, e depois de alguns palpites como acidente de carro, parto de urgência, algum osso quebrado, resolveram voltar ao seu respectivo andar.
— Eu vou para o meu quarto. — se pronunciou assim que chegaram ao 3 andar — Daqui a pouco eles chegam para fazer o meu “check up” — disse, fazendo aspas com os dedos.
— Ok, foi um prazer. — disse.
— Foi um prazer. — ele respondeu por fim entrando em seu quarto.
e seguiram para o quarto dele em silêncio, ela ficou mais alguns minutos com ele e informou que tinha que ir.
— Mas já?
— Eu sei, lindo, mas eu tenho bastante coisa para fazer da agência hoje. — disse, pegando sua bolsa e seu casaco na poltrona.
— Fazer o que, né? — disse, fazendo bico.
— Não faz essa carinha de chateado que você sabe que é irresistível.
— Ah, é? Irresistível? — retrucou com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Não me provoca, . — estava olhando em direção a ele.
— Quanto tempo que não ouvia meu sobrenome sair da sua boca. — respondeu gargalhando.
— Cala a boca vai, tchau, tenho que ir, beijo.
— Beijo, amor da minha vida. — disse jogando um beijo para a amiga que já estava na porta do quarto.
— Tchau, amor da minha vida. — disse repetindo o gesto do amigo.
Ela fechou a porta do quarto e seguiu em direção aos elevadores, enquanto passava pela porta de se pegou a olhando e observando a enfermeira que entrava ali, com um carrinho igual faziam no quarto do , só que esse com um pouco mais de coisas, que ela não sabia muito bem o que eram, afinal não era formada em medicina ou enfermagem, ou nada que se remetesse a saúde, deveria ser hora do “check up” que ele tinha falado, e riu lembrando da forma como ele falou.
Ela apertou o botão, esperou o elevador, assim que ele chegou ao andar, ela entrou e apertou o botão que indicava o térreo, esperou o elevador parar, desceu no térreo, e foi andando até a saída do hospital, as portas se abriram e ela seguiu rumo ao estacionamento, nunca deixava seu carro em uma vaga muito distante, como ela já tinha criado uma rotina com aquele hospital, ela sabia qual era o melhor horário para achar uma boa vaga.
Apertou o botão para abrir o carro, abriu as portas do banco de trás, colocou sua bolsa e seu casaco ali, fechou a porta e abriu a porta do motorista entrando no carro logo em seguida, colocou o cinto de segurança, parou para pensar na sua visita de hoje no hospital e como sentia que sua rotina tinha acabado de ficar diferente, pela mais nova pessoa presente nela, girou a chave ligando o carro, saiu da vaga do estacionamento e seguiu em direção ao seu trabalho.

NOTA DA AUTORA:Oláaa mores, tudo bem? Espero que vocês estejam gostando de ler, como eu estou gostando de escrever <3 Esse Cap 3 traz uma nova pessoinha para a história espero que gostem e que também gostem da capa que a fic tem agora <3 Qualquer crítica é muito bem-vinda <3 Obrigada ☺

Capítulo 4

Hospital Hallcon. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 13:33 da tarde.

Apertou o botão para abrir o carro, abriu as portas do banco de trás, colocou sua bolsa e seu casaco ali, fechou a porta e abriu a porta do motorista entrando no carro logo em seguida. Colocou o cinto de segurança, parou para pensar na sua visita de hoje no hospital e como sentia que sua rotina tinha acabado de ficar diferente pela mais nova pessoa presente nela, girou a chave ligando o carro, saiu da vaga do estacionamento e seguiu em direção ao seu trabalho.

Como trabalhava em uma agência como coordenadora, ela considerava seu horário flexível; apesar de comandar uma equipe, a maioria de suas demandas poderiam ser feitas a distância, a maioria, mas não era o caso da cliente de hoje, essa que a relação se estabeleceu depois da campanha que tinham feito, tinha ajudado a organizar, estava acertando os detalhes dela no dia do acidente de . Toda vez que voltava seus pensamentos para aqueles dias, aquela semana ou até aquele mês pós acidente, não sabe como conseguiu fazer essas outras coisas da sua vida, aquelas que não envolvia estar perto de , mas ela amava seu trabalho e sabia que o melhor e o que acabou fazendo foi se ocupar com isso.

Mill Rd. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 13:41 da tarde.

A agência ficava perto do hospital, em menos de 10 minutos já estava estacionando seu carro em uma das poucas vagas que ficavam de frente para ela. Ela girou a chave desligando o carro, desprendeu o cinto de segurança, se esticou para pegar a bolsa e o casaco que tinha colocado ali minutos atrás no estacionamento do hospital, guardou a chave do carro na bolsa e saiu do carro. Agradeceu pela roupa que estava vestindo; o clima parecia combinar perfeitamente com ela, estava vestindo uma camisa social branca, calça jeans, bota com um salto quase inexistente, não gostava de saltos ou essas coisas, se obrigou a comprar botas com saltos mínimos por conta de algumas clientes da agência, sua chefe nunca pediu para ela isso ou algo do tipo, mas ela achou melhor se precaver.

Já do lado de fora parou para olhar a fachada do seu local de trabalho, riu consigo mesma ao pensar em toda a modernidade que eles aplicavam lá dentro, mas por fora tinha a aparência de uma casa antiga, mas praticamente toda Cambridge era assim, a única coisa que diferenciava era a placa grande na frente com o nome “Femme Patron” escrito. adorava o porquê daquele nome, sua chefe tinha aprendido muito sobre marketing na França, por isso o nome era francês, mas o significado dele de “Mulher Chefe” era porque a empresa era toda compostas por mulheres e ela achava isso incrível.

Caminhou até a pequena escada que dava acesso a porta de entrada e subiu a mesma, empurrou a porta de vidro com a mão e adentrou a agência, deu um sorriso ao fazer isso, gostava da divisão do seu trabalho, ninguém ali possuía salas privadas ou divididas, eram duas mesas de madeira branca cumpridas, que ficavam todas umas do lado das outras, os únicos espaços separados dali, eram as salas de reuniões e o mini refeitório do lugar.

— Olá, , chegou mais cedo do que eu esperava — sua chefe já estava vindo em sua direção complementá-la.

— Oi, Lisa, desse jeito parece que chego atrasada para os compromissos de trabalho. — respondeu, já abraçada a chefe, rindo.

— Deixa de ser boba, é que eu sei que você estava no hospital — Lisa já tinha soltado do abraço.

— Estou só brincando com você. Olá, pessoal! – tinha ficado na ponta dos pés olhando por cima do ombro de Lisa, fazendo um aceno dando oi para todo mundo que estava presente no escritório

— Madison já confirmou sua reunião de hoje.

— Obrigada, aliás, onde está Madison? — olhava ao redor procurando por sua assistente.

— Ela precisou sair mais cedo hoje para resolver um compromisso pessoal. — Lisa deu de ombros.

— Aaaah, tudo bem então. Eu vou indo arrumar a sala de reuniões, mais uma vez obrigada. — Ela seguiu para a sala, depois de dar um sorriso agradecendo sua chefe.

A sala de reuniões ficava em um canto do escritório. A porta era simples, toda branca e com uma maçaneta comum, abriu a porta e se deparou com a sala já tão conhecida, por ser coordenadora acabava cuidando das reuniões de primeiras impressões dos clientes, mostrava orçamento, portfólio da agência e os serviços que ofereciam. Era muito grata pela oportunidade que teve de crescer dentro da empresa, começou como uma estagiária no terceiro ano da faculdade, e agora apenas com o que ela considerava pouco tempo de formada, já estava ocupando o lugar que tanto desejou, em uma empresa que tinha como ideais muitos do que ela considerava os próprios.

Deixou sua bolsa em cima da mesa de madeira, arrumou as cadeiras essas que eram em oito, seis nas laterais, três de cada lado e duas nas pontas, uma em cada também, conferiu os equipamentos, como o retroprojetor e a caixa de som, não tinha certeza se iria usar os dois, mas achou melhor prevenir. foi até sua bolsa e pegou o caderno e o estojo que mantinha ali com os detalhes de todos os clientes, mesmo que esses dados estivessem no computador, ela sempre achou melhor ter em seu caderno também, como uma cópia impressa pessoal, tirou seu macbook da bolsa também e o pen drive para deixar já conectado ambos caso a cliente quisesse ver fotos, gráficos ou algo do tipo. Estava acertando os últimos detalhes quando bateram na porta

— Licença. Chegaram, , posso mandar entrar? — Olivia, outra funcionária, tinha colocado a cabeça para dentro da sala pela fresta que tinha aberto da porta perguntando.

— Oi, Olivia! Claro, pode sim, já estava terminando aqui, obrigada. — sorriu agradecida novamente como tinha feito para a sua chefe mais cedo, Olivia sorriu de volta, com seu rosto sumindo de vista e logo em seguida a porta sendo fechada.

Enquanto esperava a entrada da cliente, ela foi até o filtro de água que ficava do lado da mesa de reunião e pegou um copo de água

, quanto tempo! — uma voz surgiu da porta novamente.

— Oi, Celiny! — se virou em direção a porta novamente e riu da forma como ela pronunciou seu nome.

— Você está muito formal, anunciaram para você que eu tinha chegado, até parece que a gente já não se conhece. — a mulher na sua frente cujo o nome era Celiny já estava parada, dando sinal para um abraço.

— É procedimento, e também para você não me pegar desprevenida. — ela deu um abraço rápido na cliente, dando uma risada quando se soltou e viu a careta que a mesma estava fazendo devido ao comentário dela.

— Minha intenção não é essa. — respondeu, continuando com a careta.

continuou rindo, adorava quando as reuniões eram com clientes que deixavam o clima assim mais descontraído, ela apontou para as cadeiras, Celiny sentou em uma das laterais e colocou sua bolsa em outra, ela antes de sentar perguntou se sua cliente queria algo, ela negou. sentou em uma das cadeiras das pontas, a que ficava mais próxima da cadeira que a cliente tinha sentado e elas deram início na reunião.

Como ela esperava o encontro marcado por Celiny não tinha nenhum motivo grave por trás, ela só queria se atualizar de tudo, mesmo mandando relatórios semanais ou mensais dependendo da demanda do cliente, ela gostava das conversas presenciais, o encontro não foi tão longo, ela agradeceu mentalmente por ter deixado tudo pronto quando foi solicitado pela cliente ver os gráficos e as fotos dos últimos ensaios.

— Muito obrigada, , por ter me recebido, é sempre bom conversar com você, até mesmo sobre negócios. — Celiny já estava guardando tudo que tinha tirado para a reunião de volta na bolsa.

— Eu concordo, inclusive logo logo espero marcar outra “conversa”. — fez as aspas no ar. — como essa para falarmos das novas campanhas.

— Se for igual a última, já está aprovada. — Celiny disse sorrindo.

— Fico feliz que tenha gostado. — disse sorrindo de volta.

— Eu amei, só é uma pena que você não conseguiu estar presente no dia, afinal você que pensou em tudo. — ela já tinha terminado de guardar tudo na bolsa.

— Eu sei, e eu nunca vou deixar de pedir desculpas por isso. — estava olhando para baixo, sem graça com a situação.

— Hey, quer levar outra bronca? Já falei que não tem nada para se desculpar. — ela pegou na mão de .

— Obrigada, sério. — disse sorrindo agradecida.

Ela sorriu de volta e se levantou para ir embora, a acompanhou no movimento se despedindo e a acompanhando até a porta da agência, resolveu aproveitar que estava no seu local de trabalho e fazer algumas coisas por lá mesmo. Voltou para a sala de reunião, pegou suas coisas e seguiu em direção a sua cadeira na grande mesa compartilhada, conversou com suas duas colegas que estavam ao seu lado, mas sentiu falta de sua assistente, ligou o computador, conferiu postagens agendadas da semana e respondeu alguns e-mails, ficou focada em mais algumas coisas de trabalhos e quando se deu conta já tinha dado 17:14, fechou as coisas no seu computador, pegou sua bolsa, tirou a chave do carro de dentro dela e se despediu de todo mundo indo em direção a porta, saiu da agência, apertou o botão que destravava o carro, abriu a porta adentrando nele, colocou a chave na ignição, girando, ligando o mesmo e seguiu em direção ao seu apartamento.

Sturton St. 18 de Outubro de 2017. Quarta-feira, 17:28 da tarde.

Fazia apenas alguns meses que tinha decidido morar completamente sozinha, antes tinha morado com seus pais e depois com amigas durante uma época da faculdade, mas como se estabilizou rápido depois da conclusão de sua graduação resolveu tornar-se totalmente independente pelo menos nesse quesito. Tinha alugado um apartamento que ficava perto do seu trabalho, se não fosse o motivo hospital iria andando trabalhar todos os dias, mas como ambos ficavam de lados opostos, ela preferia ir de carro para evitar empecilhos.

Chegou rápido ao seu destino, estacionou na vaga destinada à sua unidade, saiu do carro pegando todas as suas coisas e foi em direção ao elevador que por sorte se encontrava parado no subsolo, entrou nele, e apertou o botão com o número 3, riu consigo mesma do engano, por conta do costume do andar do hospital, esperou o elevador parar no terceiro andar e apertou o número 4 que correspondia ao número certo, ela desceu e abriu a porta do apartamento, entrou, tirou os sapatos na entrada, e deixou suas coisas no balcão da cozinha, foi tirando uma peça de roupa para cada cômodo que passava, chegando ao banheiro somente de calcinha, resolveu tomar um banho rápido no chuveiro mesmo pelo cansaço que sentia, ligou o mesmo para a água ir ficando na temperatura ideal e tirou a única peça de roupa íntima que faltava no seu corpo e entrou no box, se perguntassem naquele momento para ela qual uma das melhores sensações que ela poderia sentir, com certeza ela descreveria a água quente caindo no seu corpo.

Terminou o banho rápido, saiu, secou-se rapidamente com a toalha e seguiu em direção ao seu quarto, se encontrava no canto dele uma arara com todas as suas roupas, ela nunca se importou em comprar muita coisa tinha o essencial e gostava assim, pegou uma camiseta preta simples e vestiu, junto com a calcinha, como não pretendia fazer mais nada naquele dia, achou que seu “look” estava perfeito para dormir, pensou se olhando no espelho, saiu do quarto e foi passando nos cômodos recolhendo as roupas que antes tinha jogado para colocar no cesto, entrou na sua cozinha e seguiu reto até a pequena lavanderia que se encontrava ali, jogou a roupa, onde ficavam as roupas sujas e voltou até a geladeira, abrindo e pensando o que poderia comer. Decidiu por comer apenas um lanche simples, mesmo tendo almoçado cedo, não estava com muita fome. Pegou alguns ingredientes como queijo, presunto e o pão que estava no balcão da cozinha e preparou seu lanche, depois pegou um copo de suco e com os dois foi até o seu sofá sentar para comer, resolveu não ligar a televisão e curtir sua própria companhia, ela adorava ter esses momentos de reflexões e eles eram cada vez mais frequentes desde que seu amigo tinha ficado internado e toda vez que refletia acabava pensando sobre a vida.

Ela comeu e bebeu o suco rápido, levou tudo na pia, e resolveu lavar na hora por ser pouca coisa, pegou seu celular na bolsa no balcão da cozinha e seguiu de volta para o quarto, apertou o botão que destravava e conferiu o horário 18:33, ainda era cedo, mas resolveu ir deitar mesmo assim, se ajeitou na cama, quando seu celular vibrou

“Fazendo o que aí? –
Sorriu quando viu de quem era a mensagem, ele sempre mandava alguma em um horário da parte da noite, como se fosse um “Boa noite dorme bem”, embora nunca falasse com essas palavras, mas ela sempre continuava se sentindo feliz ao receber as mensagens

“Acabei de deitar e você? –
Seu celular vibrou novamente indicando outra mensagem

“Você pergunta como se eu tivesse muita opção além de estar deitado também –
“Idiota (risos) você tem um novo amigo, poderiam estar se divertindo pelo hospital –
“Acho que ele estava cansado hoje, fui até o quarto dele e ele já estava dormindo –
“Bom, então somos dois, porque eu também já vou pegar no sono –
“Aaaaah, estou vendo que o que vai me restar é ir dormir também então –
“Sim, amanhã estou ai, xoxo –
Conferiu o despertador, bloqueou o celular, deixando ele do lado vazio da sua cama de casal e virou seu corpo em direção ao outro lado, observando a janela e caindo no sono aos poucos.

Sturton St. 19 de Outubro de 2017. Quinta-feira, 8:17 da manhã.

tentava fingir que não estava ouvindo o barulho ensurdecedor do seu celular ao seu lado, indicando que o despertador programado dele estava tocando e que ela tinha que levantar, tinha resolvido que no dia de hoje ia trocar a ordem de eventos do dia anterior, ia passar primeiro na agência para depois terminar o seu dia no hospital.

Sentou na cama tentando acordar aos poucos, e se levantou para começar o dia, foi direto para o banho, só que dessa vez ligou na água fria, sempre achou que não tinha nada melhor do que tomar um banho frio logo de manhã para acordar, se secou e foi procurar o que iria vestir naquele dia, optou por uma calça preta, uma camisa também preta de botões e um sobretudo bege por cima, escolha decorrente do tempo que observava pela janela do seu quarto, colocou sua meia e uma botinha marrom para combinar com o seu sobretudo, foi para a sua cozinha e decidiu tomar só um café e comer algo no caminho, fez aqueles cafés de maquinas, escovou os dentes e pegou suas coisas, saindo do seu apartamento logo em seguida, apertou o botão do elevador e logo em seguida voltou para trancar tudo, ele não demorou a chegar e ela entrou já apertando o botão do subsolo.

Já estava a caminho do trabalho, quando se deparou em como achava linda aquela época do ano, ela chamava de “meio termo de tudo”, ela olhava para o clima e não conseguia definir uma estação só, mas um misto, por isso o termo criado, passou em um drive thru de rosquinhas, pegando algumas para ela mesma e algumas para o pessoal do escritório.

Mill Rd.19 de Outubro de 2017. Quinta-feira, 9:02 da manhã.

Tinha estacionado seu carro em frente ao trabalho e já estava entrando pela porta

— Bom dia, pessoal.

— Bom dia, . — todo mundo respondeu quase que em um uníssono.

Ela foi até sua parte da mesa e ficou feliz ao se deparar com a sua assistente.

— Madison! Tudo bem? Não te vi por aqui ontem. — ela exclamou de uma forma tão alta o nome da assistente que recebeu um pulo de susto como resposta. — Desculpa pelo susto.

— Tudo bem, pela pergunta e pelo susto — deu risada — Eu tive que resolver umas coisas, desculpa não ter falado direto com você.

— Não precisa se desculpar, só fiquei preocupada, mas se você disse que está tudo bem, eu fico tranquila — disse se sentando e abrindo a caixa de rosquinhas — trouxe para você, pega. — empurrou a caixa para mais perto de Madison.

— Obrigada, como está o ?

— Olha só, hoje até que você demorou para perguntar, ele está bem, ainda bonito — ela arqueou uma sobrancelha em sinal provocativo e deu uma mordida na rosquinha em sua mão, que tinha pego antes de passar a caixa.

— Isso eu não duvido — Madison riu.

— Como eu nem sei mais o que falar sobre essa sua queda platônica pelo meu melhor amigo, só vou focar no meu trabalho. — disse se virando para o computador o ligando, Madison apenas riu do comentário de sua chefe e voltou a trabalhar também.

As horas na agência naquele dia demoraram mais para passar do que no dia anterior, ela fez algumas demandas pendentes, que admitia não era o que mais gostava, mas era necessário, chegou o horário do almoço e todo mundo resolveu pedir comida naquele dia, ela agradeceu, afinal não tinha levado nada pronto, pediram tacos, comeram e deram muita risada no mini refeitório da empresa, ela escovou os dentes logo em seguida depois da refeição e percebeu que já eram 13:21 da tarde, resolveu ver se tinha mais alguma coisa pendente antes de ir para o hospital, percebeu que tinha deixando alguns e-mails para trás, mas isso era coisa rápida de se resolver, avisou sua chefe que já estava saindo, mesmo ela já tendo falado inúmeras vezes que não precisava, ela não conseguia se desvencilhar do costume, falou com a Madison que já estava indo também e ela mandou um beijo para o , riu e revirou os olhos com o pedido, mas disse que ia mandar, se despediu de todo mundo e foi até seu carro, para seguir destino ao hospital.

Hospital Hallcon.19 de Outubro de 2017. Quinta-feira, 13:47 da tarde.

Ela estava fazendo hoje coisas que não estava tão acostumada, ela geralmente não ia dois dias seguidos para o hospital, mas pelo decorrer da semana, achou que essa era a melhor opção e também mesmo adorando passar a tarde com seu melhor amigo, era outra coisa que não tinha costume, geralmente ia na parte da manhã, o estacionamento e o hospital eram mais caóticos na parte da tarde para noite, ela deixou o carro mais afastado dessa vez, mas não achou um grande problema, pegou apenas o celular, a chave do carro e a carteira na bolsa, mas resolveu deixar o restante das coisas tudo no carro, foi caminhando em direção a entrada, apertando o sobretudo no seu corpo pelo vento frio que soprava no estacionamento.

Entrou no hospital e como já tinha tomado nota mental, a recepção estava bem mais cheia, do que ontem por exemplo quando ela veio na parte da manhã. Seguiu direto para os elevadores e apertou o botão que correspondia ao terceiro andar, logo chegou e desceu, passou pela recepção e avistou Mary

— Oi, , fazia tempo que não te via chegar nesse horário. — Mary disse com seu sorriso caloroso de sempre.

— Pois é, é que resolvi ir trabalhar primeiro hoje — respondeu retribuindo o sorriso.

— Ah sim, entendo, bom o não está no quarto dele. — Mary disse voltando sua atenção para uns papeis que estava mexendo em mãos.

— Não? — perguntou com uma cara de confusa.

— Não, a última vez que o vi, ele estava no quarto do . — ela disse ainda com a atenção nos papéis.

— Tá bom, Mary, agradeço por avisar.

— De nada querida.

seguiu para o quarto que se lembrava ter reconhecido como de no dia anterior, escutou uma melodia ficando mais alta conforme chegava mais perto, quando se deu conta já estava parada de frente e a porta do quarto estava aberta

— Aaaah, desculpa entrar assim e te atrapalhar, me falaram que o estava aqui e…

, calma — respondeu rindo da garota na porta do seu quarto — Pode entrar, o estava aqui, foi fazer algo que eu esqueci, mas já deve estar voltando.

Ele percebeu que a garota ficou parada na porta do quarto parecendo estar decidindo algo.

— Está tudo bem? — ele resolveu perguntar, colocando o olhar sobre ela.

— Bonito seu violão. — ela respondeu.

— Aaaaah, obrigado. — ele disse desviando o olhar para o instrumento.

— Sabe, quando eu cheguei escutei você tocando algo, parecia bem bonito, mas pessoal. — já estava um pouco mais adentro do quarto, em pé olhando para que se encontrava sentado na poltrona com o violão.

— Isso, sim, sim, eu até te mostraria — Ele estava envergonhado- mas não sei se estou preparado para mostrar ou compartilhar isso com alguém — Tinha adquirido um olhar triste.

— Me desculpa, eu não deveria ter comentado, eu já estou indo. — ela tinha ficado sem graça pensando em como deixou a curiosidade falar mais alto e foi meio invasiva com o garoto na sua frente.

— Não, volta aqui — estava de pé agora, segurando o violão em uma das mãos e pegou o braço de com a outra — Eu canto outra para você.

que já estava olhando para , por conta do movimento que seu corpo fez quando o mesmo segurou seu braço apenas assentiu, ele soltou seu braço e voltou para a poltrona que estava minutos atrás, sentando novamente, apontou com a cabeça para a cama, sinalizando para sentar-se, ela mesmo se sentindo envergonhada, aceitou o sinal e sentou na cama de frente para ele. se ajeitou, começou a dedilhar no violão e uma melodia começou a ser formada, ele parou por um momento e só se podia ouvir sua voz ecoando no quarto do hospital

Recomendo colocar para tocar Sweet Child O’ Mine – Versão Captain Fantastic

She’s got a smile that it seems to me
 

Reminds me of childhood memories
 

Where everything was as fresh as the bright blue sky
 

(Ela tem um sorriso que me parece
 

Trazer à tona recordações da infância
 

Onde tudo era fresco como o límpido céu azul)
Ele voltou a tocar o violão levemente e continuou cantando conforme a melodia

Now and then when I see her face
 

She takes me away to that special place
 

And if I stare too long
 

I’d probably break down and cry/
 

(Às vezes quando olho seu rosto
 

Ela me leva para aquele lugar especial
 

E se eu fixasse meu olhar por muito tempo
 

Provavelmente perderia o controle e começaria a chorar)
olhava para as mãos do homem na sua frente e prestava atenção em cada movimento que elas faziam

Oh, oh, oh
 

Sweet child o’ mine
 

Oh, oh, oh, oh
 

Sweet love of mine
 

(Oh, oh, oh
 

Minha doce criança
 

Oh, oh, oh, oh
 

Meu doce amor)
mudou a velocidade na qual tocava e a música ficou um pouco mais agitada

She’s got eyes of the bluest skies
 

As if they thought of rain
 

I hate to look into those eyes
 

And see an ounce of pain
 

(Ela tem os olhos como os céus mais azuis
 

Como se eles pensassem em chuva
 

Detesto olhar para dentro daqueles olhos
 

E enxergar o mínimo que seja de dor)
Ela estava focada na imagem a sua frente, parecia que naquele momento só tinha ele

Her hair reminds me of a warm safe place
 

Where as a child I’d hide
 

And pray for the thunder
 

And the rain to quietly pass me by
 

(Seu cabelo me lembra um lugar quente e seguro
 

Onde, quando criança, eu me escondia
 

E rezaria para que o trovão
 

E a chuva passassem quietos por mim)
Oh, oh, oh
 

Sweet child o’ mine
 

Oh, oh, oh, oh
 

Sweet love of mine
 

(Oh, oh, oh
 

Minha doce criança
 

Oh, oh, oh, oh
 

Meu doce amor)
 

Say oh, oh, ooooh
 

(Disse, oh, oh, ooooh)
fechou os olhos para cantar esse verso e o refrão novamente

Sweet child o’ mine
 

Sweet child o’ mine
 

Sweet child o’ mine
 

Sweet child o’ mine
 

(Minha doce criança
 

Minha doce criança
 

Minha doce criança
 

Minha doce criança)
Sweet, sweet, sweet
 

Sweet child o’ mine
 

Sweet child o’ mine
 

(Doce, doce, doce
 

Minha doce criança
 

Minha doce criança)
continuava a olhar um de olhos fechados apenas repetindo a mesma frase, às vezes trocava a repetição da frase inteira, por uma única palavra, mas mesmo ela começava a se questionar se realmente tinha sido uma boa ideia estar ali, naquele momento, porque ele parecia estar envolvido, que realmente aquela frase deveria ter um significado muito especial, foi perdida nos pensamentos que ela não percebeu que ele havia terminado a música e encarava o violão, não sabia direito o que dizer, então agradeceu mentalmente quando ele quebrou o silêncio

— Então, o que achou? — ele estava a encarando.

— É linda , muito linda. — ela continuou o encarando também.

— Obrigado — ele estava com um sorrisinho sem graça nos lábios que fez

sorrir também.

— Você está bem? A música… — Ela parou de falar, percebeu que estava sendo invasiva novamente e ficou se xingando mentalmente por isso, deve ter percebido porque deu uma risada, quebrando o clima tenso, que só deveria estar na cabeça de .

— A música tem um significado especial, , eu posso te chamar assim? — ela assentiu — Então , — ele já tinha se levantado da poltrona e parado do lado da cama onde ela ainda se encontrava sentada — ela tem sim um significado especial, mas eu escolhi tocar essa ao invés da outra, porque ela representa duas coisas importantes para mim, o fim do ciclo de algo que eu gostava, aliás amava, — ele disse em um tom mais baixo — mas também representa sentimentos que espero muito ter a oportunidade de sentir novamente por alguém, um ciclo novo que espero que seja melhor do que o último que se encerrou. — ele continuava olhando nos olhos de e ela não pensou em nenhum momento em deixar de sustentar aquele olhar.

Nota da Autora:
Oiii amores, como vocês estão? Espero que bem ☺ Esse capítulo 4 é um pouco diferente, ele é mais focado na vida da fora do hospital, espero que vocês gostem como eu gostei de explorar isso <3 Aaaaaah agora temos um grupo no facebook, se quiserem entrar o acesso vai aqui embaixo <3 Muito obrigada por estarem lendo e por todas as devolutivas, meu coração se enche de amor <3 <3
Link do grupo:
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