Oops, Baby, I Love You

Sinopse: Suponha que exista um amigo seu incrivelmente lindo. Acrescente a essa lista que seu sonho de consumo seja um dia ficar com ele. Mas, suponha também que, depois de uma festa regada a bebidas, ele acidentalmente acorde em sua cama, mesmo tendo dito seriamente que caso um dia ficassem juntos, ele jamais te veria da mesma maneira.
Agora, se essa suposição se tornasse algo real, o que você seria capaz de fazer para salvar essa amizade?
Gênero: Romance, Drama
Classificação: 14
Restrição: Álcool, insinuação de sexo e heterossexualidade.
Beta: Bridget Jones

(Especial de fim de ano)

10/12/2016 3h14min
Maix um drink! – Falei, entre uma risada e outra, o mais alto que pude para que , meu amigo e acompanhante da noite, me escutasse e me entendesse por cima da música alta que tocava na boate em que estávamos. – Vai pegar maix um drink pra noix!
O garoto bem diante de mim, jogando o cabelo de um lado para o outro enquanto sorria para nada em especial, nem pareceu me dar muita atenção ao passo que se mexia ao ritmo das batidas intensas, porém parou de dançar repentinamente logo depois, apenas para me encarar pelo mais longo segundo que já vivi.
– O quê? – Ele me respondeu sem muita paciência, o sorriso se esvaindo e as sobrancelhas juntas mostrando sua total confusão. – Não entendi uma sílaba do que você falou, !
– DRINK! – Repeti gritando, dessa vez bem alto e próximo do seu ouvido, apontando simultaneamente para o copo vazio em minha mão, esperando que aquela cabeça de vento entendesse finalmente meu alvoroço.
Meu copo estava vazio já fazia alguns minutos, e pelo tanto de tempo que eu vinha dançando initerruptamente, seria impossível não ingerir nenhum líquido. Eu morreria desidratada a qualquer instante!
– Você só pode estar brincando. – respondeu completamente sério, seu tom de voz perto da descrença. – Eu mal consigo entender o que você está dizendo. Está completamente bêbada!
Ixu é mentira! Men-ti-ra! – Falei, acidentalmente tropeçando nos meus próprios pés. Era muito ruim discutir com alguém tão bonito quanto meu amigo. O foco se perdia muito rapidamente. E nessa noite em especial… Nem Jesus na causa.
– Ah, deixa de palhaçada, você mal consegue ficar em cima desses saltos. E além disso, está falando igual uma criança de dois anos com a boca cheia de comida.
Me contive para não revirar os olhos e fazer careta enquanto tentava desajeitadamente empurrá-lo para longe, desistindo em seguida apenas para me aquietar no mesmo lugar.
Voxê é um idiota, .
– E você devia parar de beber. – Meu amigo levantou um dos cantos da boca soando naturalmente irritante, sua fala soando um pouco mais arrastada que o costume também. Foi impossível não conseguir soltar uma reclamação dessa vez.
Ixu naum tem graça!
– Claro que não tem. – Concordou e de imediato me amparou desajeitado quando a mulher dançando ao meu lado me acertou em cheio com seu quadril. – Essa é a deixa, . Vou te levar para casa antes que você desmaie ou vomite em cima de mim. E eu acabe caído por cima de uma das duas opções.
Acredito que tenha sido por causa do ambiente barulhento e cheio de gente, somados a letargia das bebidas que acabei demorando alguns segundos para de fato entender que estava me guiando para fora da boate.
Naum, tá doido, friendi? – Interrompi meu passo com certo esforço no meio do caminho. – É a noxa comemoraxaum? Naum é todo dia que paxamox por maix um xemestre de Publixidade e Propaganda e Design gráfico!
– É, mas nem por isso você precisa entrar em coma alcoólico. – Me ignorou completamente enquanto continuava se espremendo por entre as pessoas, minha mão presa na sua e seus olhos meio perdidos vagando pelo lugar. – Vou chamar um Uber pra você.
Naum, ! – Eu o interrompi e travei os pés no chão firmemente, soltando minha mão do aperto da sua e fazendo-o parar mesmo contra a vontade, me encarando. – Vamox ficar!
– Já deu pra gente, .
– Te pago outro drink! – Insisti dando um passo em sua direção, os olhos lindos de brilhando tão forte como as luzes que piscavam na boate. – Vamox dançar de novo!
– Eu acho que nem pé tenho mais!
– Quero continuar comemorando, !
– E você pode continuar comemorando em casa, . De preferência, dormindo. – Eu resmunguei para a careta que ele fez, minha visão presa nos seus lábios cheios que pareciam contrariar tudo o que eu dizia.
– Qual é, , ixu naum é divertido! – Apoiei um dos braços sobre seus ombros, torcendo para não cair no chão a qualquer instante e aproveitando a oportunidade de me aproximar ainda mais de , que comentários à parte, mesmo chato continuava extremamente lindo.
– E o que é divertido para você, ? – Ele perguntou passando um braço por minha cintura para me tirar do caminho de um casal bêbado que estava esbarrando em absolutamente tudo e eu agradeci, não só pelo apoio, mas obviamente pela proximidade que vinha com isso também.
Quantas vezes eu havia imaginado exatamente isso?
– Hm, tenho vááárias ideiax em mente. – Acabei soltando junto de um sorriso malicioso totalmente não planejado e nem um pouco discreto.
Primeiramente riu da minha expressão, mas como, muito provavelmente, ela continuou a mesma, meu amigo acabou se interrompendo e me encarando, percebendo que eu, de fato, estava falando sério.
Ou tão sério quanto alguém não mais sóbrio podia falar.
– Você está louca, .
– Sempre fui louca, . – Minha língua estava sem freio, e passei o outro braço também por cima dos seus ombros, voltando a sorrir abertamente para ele.
Seus olhos desderam das minhas próprias pupilas dilatadas para minha boca, e ele umedeceu seus lábios com a íngua.
Percebi por um breve instante que pareceu hesitar. Eu não estaria sendo sincera se não assumisse que queria mesmo que ele esquecesse seu bom senso, o deixasse de lado por apenas cinco minutinhos e me segurasse junto de si. Seria como ter um desejo realizado.
– Para com isso, , você não está nada sóbria. – Ele balançou a cabeça para os lados como se expulsasse a ideia que passasse em sua cabeça. – E nem eu estou 100%.
– Ué, e quem xe importa? – Insisti mais uma vez, impulsionando meu corpo para o dele, querendo que ele retribuísse com gestos aquilo que parecia se passar em sua expressão.
Meu estômago tremeu, ansioso. Por que agora? Algo gritava em minha mente? Por que logo hoje fazer isso? Mas meu coração batia tão forte quanto a batida da música e estava tão descompassado que eu mal podia acompanhar em contagem, mal podia raciocinar os pensamentos anteriores.
E eu não podia culpar a bebida por tudo aquilo.
– Eu me importo, ! Nunca mais conseguiria te olhar da mesma forma. – disse por fim, como se encerrasse o assunto, mas continuou ali, me fitando, olhos nos olhos, suas mãos ainda ao redor da minha cintura.
E ainda que eu tenha franzido minha testa, não absorvi o que ele disse. E percebi no mesmo instante que talvez nem ele próprio tenha compreendido suas palavras, pois quando colei meu corpo junto ao seu, permaneceu sem mexer um músculo sequer diante de mim.
– É aí que extá a parte bem boa! – Murmurei o mais próximo de seu rosto que consegui. – Ninguém vai xe lembrar dixo amanhã, . Xe deixe levar!
E então, me aproveitando do segundo em que ele me encarava perplexo, decidindo o que faria ou não no próximo instante, me inclinei sobre e encostei meus lábios no seu.
Um beijo, eu pensava. Apenas um beijo, e esqueci a vontade do tal drink, a tentativa dele de querer ir embora, esqueci até mesmo meu próprio nome, porque retribuiu o toque, e eu estava finalmente fazendo o que há muito eu vinha desejando.

10/12/2016 11h43min
Antes mesmo de abrir os olhos, eu já sabia que alguma coisa estava diferente. Tinha noção que era de manhã por causa da claridade através das minhas pálpebras, e que a dor de cabeça era uma ressaca louca causada pela noite anterior regada a bebidas que eu havia tido. Mesmo as dores por todo o meu corpo eram, de certa forma familiares, mas tinha mais. Tinha algo que não se encaixava.
A sensação de ansiedade me fez abrir os olhos de uma vez em expectativa, e imediatamente quando minhas pupilas se ajustaram à luz desejei ter continuado dormindo.
O choque tomou conta de mim dos pés à cabeça.
Alguém, um cara estava deitado ao meu lado sob as cobertas, dormindo serenamente como se nada no mundo importasse além daquele momento. E eu poderia ter lidado com isso. Poderia, mas não era um cara qualquer. O fato era que esse cara que estava ocupando o travesseiro ao lado do meu, se tratava do meu amigo, meu melhor amigo .
Tentei manter a calma e controlar minha respiração errática. Porém, à medida em que eu ia olhando para outros pontos do quarto, tentando pensar racionalmente, foi impossível não reparar nos detalhes que de pronto me deixaram praticamente em pânico, tornando a situação que já parecia naturalmente estranha, completamente péssima.
O braço de estava esticado sobre minha cintura, um peso que até então não havia notado. Mas pior que saber que ele estava me abraçando livremente enquanto dormia, era me dar conta da sua falta de roupa, e então perceber a minha completa nudez por debaixo das cobertas também.
Engoli a vontade de gritar e de sair correndo pela minha própria casa em completo desespero.
Não, aquilo não estava certo, não podia estar acontecendo! Devia existir uma explicação completamente racional para aquilo tudo. Por que estávamos assim? jamais me levaria para a cama, isso era algo completamente fora do contexto!
Por isso me obriguei a pensar, mesmo com aquela dor de cabeça infernal, a clarear todos os acontecimentos da noite passada o mais rápido que eu conseguisse antes de ele acordar.
Contudo, no segundo em que a memória de fato retornou, aos pedaços, cheia de falhas, mas com informações claras o suficiente para eu completar as lacunas, quis poder desaparecer dali naquele momento.
É obvio que não teria sido ele a me levar para a cama. Fui eu que o fiz.
– Ai, meu Deus, meu Deus… – Comecei a murmurar baixinho e com muitas pausas, rezando internamente para acordar daquele pesadelo em forma de vida.
Claro que estava tudo fora de contexto. A culpa era minha!
De repente, tudo relacionado à noite passada parecia tão claro em minha mente, que senti meu rosto corar inteiramente em vermelho vivo pelas lembranças do que nós dois havíamos feito. Por onde minhas mãos tinham estado, o que eu tinha feito com minha boca… Socorro.
Jurei a mim mesma que jamais, depois de tudo isso, beberia outra vez a ponto de tal situação vir a acontecer.
Eu havia me jogado sobre !
Como uma doida!
Inutilmente tentei, mais uma vez, controlar minhas emoções e agir de forma controlada para não parecer uma louca histérica prestes a ter uma síncope. Entretanto, qualquer mera tentativa foi fadada ao fracasso quando , que ainda parecia adormecido, respirou fundo e abriu os olhos, os piscando preguiçosamente para mim.
Seu gesto, por mais sutil que fosse, fez com que eu me tornasse uma estátua de tão imóvel e tensa que fiquei.
Ele abriu um sorriso leve, quase sonolento e então me puxou para si, com o braço que ainda descansava sobre minha cintura, depositando um beijo em meus lábios logo antes de dizer:
– Bom dia, .
Então eu explodi.
Putamerdaputamerdaputamerda! – Falei em um tom completamente perplexo e saltei para fora da cama, agarrada com o lençol ao redor do meu corpo, deixando tão assustado que se sentou no colchão, olhando para baixo de súbito, imediatamente puxando o travesseiro para cobrir suas partes também (o que de certa forma era hipocrisia da nossa parte, visto o que fizemos durante as últimas horas antes de cair no sono…).
– O que foi? O que aconteceu? – Meu amigo perguntou olhando para os lados, alarmado, procurando algo errado. Mas como ele perceberia que o que de fato estava errado era eu e ele daquele jeito?
– Eu e você… e a cama… – Passei a mão pelo cabelo, exasperada, e amarrei o mais firme que consegui o lençol ao redor do meu corpo. – , o que diabos aconteceu?!
– Como assim o que aconteceu? – Ele sorriu desconcertado, ainda pressionando a almofada contra sua virilha enquanto me encarava. – Ué, , nós… – E seu sorriso genuíno desapareceu tão rápido quanto se formou, a realidade o atingindo em um segundo. – Você não se lembra, não é?
Imediatamente eu neguei, balançando a cabeça para os lados da forma mais convincente que encontrei, pois apesar de lembrar cada detalhe que nos levou a fazer aquilo, negar era mais fácil do que admitir que a culpa era inteira e completamente minha.
Se eu fingisse não recordar, podia facilmente cumprir o que havia dito durante a madrugada: ninguém se lembraria disso.
Ou, ao menos, podíamos ambos viver como se nada nunca tivesse acontecido.
– Sinto muito, mas eu não… – Engoli em seco torcendo para que acreditasse, e me interrompi no meio da frase com o olhar vazio que ele me lançou, partindo meu coração em mil pedaços.
Foi breve, uma mudança tão rápida que ele próprio mal deve ter percebido o que fez. O intervalo de meio segundo foi suficiente para abrir um sorriso despreocupado como sempre fazia em uma situação embaraçosa, como se tudo estivesse bem, como se nada sequer tivesse acontecido.
Mas eu me lembraria daquele olhar por mais tempo do que de fato gostaria.
– Eu sou um grande idiota. – Ele falou entre um riso e outro.

– Não, , tudo bem. – Meu amigo passou a mão pelo semblante torcido, mas ainda assim manteve o sorriso aberto, evitando, porém, que seus olhos encontrassem os meus. – Eu devia imaginar que isso não daria certo. Nós dois estávamos… Eu devia ter sido firme e impedido tudo isso. Sou um completo babaca.
– Hey, calma aí! – O interrompi, sentindo o peso da mentira começar a crescer em minhas costas. – Não é como se fosse culpa sua… Vamos ignorar tudo, ok? Podemos fingir que nada disso aconteceu e viver nossas vidas como sempre fizemos! Não pode ser assim tão difícil.
– Quer esquecer o que aconteceu noite passada?
, eu nem sei como chegamos aqui. Como posso então esquecer de algo que sequer lembro de ter feito?
Soltei um riso seco numa tentativa de descontrair a tensão que se formava entre nós, porém aquele mesmo olhar de antes passou como uma sombra por seu rosto mais uma vez quando pronunciei tais palavras, e a sensação de que ele me conhecia bem o suficiente para saber quando eu estava ou não mentindo, me tomou da cabeça aos pés.
Houve um segundo de silêncio onde ele correu seus olhos por mim e depois os baixou até o chão, como se estivesse magoado e ferido. Mas quando fiz menção de ir em sua direção, ele já estava sorrindo outra vez despreocupadamente, concordando plenamente com minha sugestão.
– Ótimo, se é o que você quer, acho que as coisas ficam mais fáceis assim. – disse em total concordância.
– Está falando sério?
– Claro que sim, . – Ele concordou mais uma vez, soando descontraído, mas sendo traído por seu próprio semblante. – Que tipo de amigo seria eu se te impedisse de esquecer algo que jamais devia ter acontecido?
E aquela simples frase consumiu todo o meu ar. Não devia ter acontecido? Claro que era aquilo que pensava. Era por isso que se fazia de desentendido todas as vezes que eu dava em cima dele de alguma forma, mesmo que de brincadeira, porque não devíamos e porque não era certo.
Mas eu desejava secretamente que aquilo acontecesse, certo? Por que então estava negando isso depois de feito?
?
– Oi? – Respondi automaticamente.
– Será que você pode pegar minhas roupas para eu me vestir?
E ainda em transe, tentando sair do modo pausa em que minha mente estava, recolhi todas as peças minhas e dele jogadas pelo chão, me atrapalhando um pouco no processo, retardada pelos pensamentos que ainda se assomavam em minha cabeça. Depois de separá-las devidamente e entregar o que era de para ele, me dirigi ao banheiro do meu quarto para poder finalmente tirar aquele lençol enrolado em mim ao estilo greco-romano e vestir algo descente que não fosse também aquilo da noite passada.
Fechei a porta e apoiei ambas as mãos na beira da pia, respirando fundo e assimilando a conversa bizarra de minutos antes. Senti vergonha de mim mesma por ter pedido a ele que fizesse o que havia concordado em fazer. Eu não tinha o direito de pedir nada, não depois de ter começado com tudo aquilo. Não depois de ter sido uma mentirosa. Não depois de ter sido e estar sendo tão hipócrita com tudo como de fato eu estava sendo.
Rapidamente vesti uma camiseta qualquer e um short jeans que estavam jogados no banheiro, descartados na noite anterior enquanto me aprontava para a festa antes mesmo de imaginar o final daquela história toda. Eu não podia fazer desse jeito. Não podia ser tão patética.
Decidida, resolvi que não poderia deixar que acreditasse na minha mentira, por mais descabida que fosse, e se sentisse culpado por algo que não havia começado de verdade. O mínimo que eu devia a ele era a sinceridade.
Abri a porta de supetão e logo de cara já vi , completamente vestido, apenas terminando de amarrar seus sapatos, bem ali diante de mim.
, eu…
– Ah, aí está você. – Ele me recebeu, sentado na cama e com um sorriso no rosto tão grande que me deixou sem ar. – Eu já vou indo, ok?
– O quê? Mas nós…
– Não resolvemos tudo? – Balancei a cabeça para os lados, as sobrancelhas se unindo em uma única e ele riu da minha expressão. Riu de verdade. , não precisa se preocupar. Já esqueci! Ninguém vai ficar sabendo desse erro estúpido. Vamos continuar com nossa amizade do jeito que ela sempre foi. – Perplexa e com as palavras entaladas em minha garganta, não consegui impedir que ele continuasse falando como se de fato aceitasse tudo aquilo. – Tenho alguns compromissos agora, mas depois nos falamos, certo?
– Certo. – Respondi, novamente, no modo automático.
então sorriu para mim mais uma vez e beijou minha testa, num gesto de carinho comum da sua parte e fechei os olhos com o toque sutil de seus lábios contra minha pele, a familiaridade que aquilo tinha, as sensações que me trouxe.
Fiz menção de chamá-lo, uma tentativa inútil de tentar reverter a merda que eu havia sugerido a nós dois fazermos. Só que quando abri os olhos de novo, já havia se retirado do meu quarto e saído pela porta da frente sem nem sequer olhar para trás no caminho, me deixando ali, imóvel e sem ar com toda aquela maldita culpa me possuindo mais do que nunca, fazendo-me pensar que nada mais seria como antes.
Eu sabia que não seria.

12/12/2016 13h20min
Sentada na praça de alimentação, com o celular em cima da mesa bem em minha frente, eu esperava há cinquenta minutos. Havia enviando incontáveis mensagens e ligado diversas vezes, mas como resposta, todas tinham ido diretamente para a caixa postal, ou sequer haviam sido visualizadas.
Engoli em seco.
Toda segunda-feira, sem falta, e eu almoçávamos juntos depois da faculdade e seguíamos para o trabalho. Nossa tradição.
Desde que nos conhecemos, esse era nosso compromisso fixo. Em quatro anos de amizade, as horas de almoço de todas as segundas-feiras eram nossas e de mais ninguém. Mesmo durante as férias ou a datas comemorativas, não importava se seria em casa ou na rua, esse almoço era somente meu e dele sempre. Jamais cancelado.
Isso, pelo menos, até a esplêndida madrugada do dia dez quando eu provavelmente acabei com tudo.
Quão imatura, estúpida e esperançosa eu fui quando realmente acreditei que estava falando sério ao dizer que nossa amizade continuaria do jeito que sempre foi? Que aquela noite não teria mudado nada?
Tomei mais alguns goles do suco que restava no copo e tentei não pensar que estava me evitando propositalmente, mesmo tendo certeza de que na verdade era exatamente isso que ele estava fazendo. E por mais que eu tentasse não remoer os acontecimentos, não adiantava negar para mim mesma que a culpa era minha. A ideia de fazer e depois esquecer aquilo tinha sido minha.
Eu só também não esperava que ele fosse simplesmente aceitar tão fácil o que eu queria. Sem sequer retrucar. Sem sequer dizer o que realmente estava pensando.
Apoiei a cabeça em minha mão, esfregando a têmpora. E por mais que tentasse não pensar, a lembrança veio fácil.
Tudo tinha começado há quatro anos, no primeiro dia de aula da universidade quando vi pelos corredores da faculdade. Como qualquer caloura, perdida do jeito que eu estava naquele ambiente maluco e completamente diferente do que eu estava acostumada até então, tudo o que eu desejava inicialmente era me encaixar em um grupo, encontrar aquelas pessoas que me fariam sentir pertencentes a algum lugar.
Eu me lembrava de ter pensado que talvez não encontrasse ninguém interessante o suficiente para querer me aproximar naquele lugar quando coloquei meus olhos sobre ele. Extrovertido, solto, alegre, um sorriso tão lindo no rosto enquanto estava encostado no muro ao lado da lanchonete, conversando despreocupadamente com tanta gente, que pareceu ser fácil me aproximar de .
Foi com um “tudo bem com você?”, literalmente, que nossa amizade se iniciou. E assim, por acaso mesmo, sem qualquer tipo de planejamento, me interessei por ele.
Sim, eu sabia o quão ferrada estava. E não, eu não fazia a menor ideia do que fazer sobre isso, senão contar a verdade sobre lembrar tudo, de cada detalhe e não conseguir fingir o contrário. Simplesmente eram sensações intensas demais para conseguir esconder. Eu mal consigo pensar em agora sem pensar também na maneira em que ele havia tocado meu corpo.
Mas se ele mal estava querendo atender as minhas ligações, provavelmente abominaria me ver pessoalmente.
Teria sido assim tão ruim para ele nós dois termos ficado juntos que agora ele sequer conseguia falar comigo? Não importava. Tinha sido eu quem pediu para que esquecêssemos os fatos. Consequentemente, eu já não tinha mais o direito de saber.
E exatamente por isso que eu não devia ficar frustrada com as escolhas dele. Eu claramente merecia isso. Pela mentira e pela hipocrisia. Eu merecia não o ter por perto.
Me levantei da mesa e agarrei meu celular, deixando o dinheiro do suco e saindo do restaurante enquanto ignorava meu ressentimento e voltava direto para o trabalho, porque se era espaço e tempo que queria, então era exatamente isso que eu daria a ele.

16/12/2016 18h26min
Já era fim do expediente quando comecei a recolher o material da minha mesa de trabalho. Em uma sexta-feira comum eu estaria encontrando depois do trabalho para irmos juntos a alguma festa ou mesmo ao cinema assistir qualquer filme em cartaz, talvez alguma série tosca em uma plataforma on-line na minha casa.
Hoje, entretanto, eu deixava o celular tocar até cair na caixa postal e esperava que ele desistisse de falar comigo. Exatamente o contrário do que eu queria no início da semana.
Sei que deveria atender, que deveríamos conversar, mas eu não encontrava coragem suficiente para dizer a ele que menti. E encontrava menos coragem ainda de levar aquela loucura sugerida por mim adiante. Estaria sendo falsa não só comigo mesma, mas com ele também. E , de todas as pessoas que eu conhecia e convivia diariamente, não merecia isso em absoluto.
Mesmo que tivesse me dado um toco na segunda-feira e que tivesse aceitado tão simploriamente minha ideia desesperada e distorcida de como devíamos levar aquilo adiante.
Sentei-me por um momento na cadeira e respirei fundo, exausta. Estava prestes a me levantar e dessa vez seguir direto para o ponto de ônibus quando meu chefe, Robert, apareceu sorrindo e puxou uma cadeira para poder ficar ao meu lado. Trazia uma expressão no rosto como de quem tinha algo muito importante para dizer.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntei quase imediatamente, percebendo que a movimentação dos outros funcionários se mantinha constante, e toda a atenção de Robert estava sobre mim.
– Na verdade, aconteceu sim. Me desculpe por te segurar aqui mais que o necessário, . – O homem mexeu em sua gravata com nó perfeito e pigarreou em seguida.
Totalmente apreensiva, arrumei minha postura até que ela ficasse ereta e o encarei pacientemente.
– Não, tudo bem. – Respondi. – Do que precisa, Robert?
– Que você faça a capa da nossa revista, a primeira de 2017.
Achei que entendi errado e por um segundo o mundo parou de girar.
Meu chefe sorria abertamente para mim, como se me incentivasse a comemorar o que dizia, ao menos sorrir com a notícia (ou talvez ele só estivesse rindo da minha expressão de completa boba mesmo), mas eu era incapaz de fazer qualquer coisa. Ainda o olhava estática sem mexer um músculo sequer quando tentei formular as palavras que haviam se perdido em minha boca.
– O quê?
Minha resposta incrédula o fez rir ainda mais.
– Me desculpe ser assim tão direto, mas você é uma jovem talentosa, , tem um dom incrível para desenhos, ainda maior para softwares de diagramação. É criativa, divertida, muito sensível em suas composições de imagem. – Disse enquanto mexia despreocupadamente em seu terno. – Como ficou a meu critério escolher quem faria o design da edição inicial da nossa revista contando sobre as festividades de dezembro, decidi dar a chance para você, nossa estagiária… e designer efetiva, se aceitar a proposta.
Eu literalmente não sabia o que dizer, fazer, para onde olhar.
– Isso é sério? Mas como… É claro que sim!
– É um pouco difícil de acreditar, não é?
– Demais. – Concordei. Por que desde quando coisas assim aconteciam comigo? Estava mais acostumada a ir buscar café na esquina para o pessoal, poucas vezes tinha a liberdade de criar algo sem que alguém puxasse meu tapete. Quando muito, era colocada para analisar os trabalhos, procurar erros e corrigi-los antes de enviar para a gráfica. Eu era um ninguém naquele lugar. Ou pelo menos, era isso o que eu achava. – Me sinto lisonjeada, senhor.
– Acha que consegue nos impressionar com desenhos e esboços prontos até o dia vinte e oito?
E finalmente, saindo do meu completo estado de inércia, abri um sorriso tão grande e largo que foi possível, com certeza absoluta, ver todos os meus dentes.
– Sem dúvidas! – E, perdendo qualquer tipo de compostura, abracei meu chefe ali mesmo, o pegando completamente desprevenido para tal gesto. Mas de que outra forma eu poderia agradecê-lo por uma oportunidade tão incrível e maravilhosa como essa? – Juro que não o decepcionarei!
Eu estava completamente sem palavras para descrever o quão incrivelmente honrada eu me sentia em relação a tal oportunidade. De como estava me sentindo importante. Reconhecida.
Nós prolongamos a conversa por mais algumas dezenas de minutos, pensando em ideias para a construção do desenho, nos requisitos que ele tinha a princípio, o que mais seria incluído na edição da revista para que eu tomasse como partido para minha própria diagramação e design. Então meu chefe me liberou.
Extasiada e perplexa, peguei tudo o que me pertencia e saí em disparada para o ponto de ônibus, tão feliz que contagiava a qualquer um que olhasse. Carregava o celular em mãos pronta para ligar e poder contar a mais nova notícia àqueles mais próximos. Até o momento em que percebi que a única pessoa quem de fato eu me interessava em contar algo desse nível era .
E falar com ele não estava nos planos.
Então voltei para casa, já sem aquela animação momentânea toda que inicialmente eu sentia. A alegria dando lugar a um súbito vazio.
Com um aperto no peito, esperei pela hora em que finalmente poderia dormir e enfim não pensar em absolutamente nada fosse o que fosse.

20/12/2016 19h56min
– Acha que a mamãe vai gostar dessas botas? – Lilian, minha irmã mais velha, perguntou enquanto andávamos pelo shopping em meio a nossas compras usuais de Natal em cima da hora.
– Você sabe que sim, ela ama qualquer coisa que se use no pé. – Acabei respondendo para o alívio dela.
– Bom, isso é ótimo. Menos uma preocupação. – Ela acabou rindo para si mesma. – Já sabe se vai passar o ano novo com a gente, ?
– Ainda não tenho certeza. – Disse depois de voltar minha atenção a ela. – Alguns amigos da faculdade querem assistir à queima de fogos no centro, estava pensando em ir com eles. Mas não sei se até lá estarei com muita vontade de sair por aí. Eu te aviso qualquer coisa.
Ela assentiu, mas mal sabia que esses “amigos” na verdade era somente . E que eu e ele já (muito provavelmente) não podíamos mais ser considerados como amigos.
– Se você não avisar, vou importunar sua virada de ano, sabe disso, não sabe? – Ela me lançou seu olhar ameaçador, mas tudo o que fiz foi rir de sua tentativa fracassada de me fazer sentir medo.
– Não que seja alguma novidade você me importunar, não é? – Falei sarcasticamente e ela deu de ombros para continuamos com nossa caminhada para qualquer loja em promoção.
Não se passou nem um minuto em que estávamos em silêncio apreciando anéis e outras joias quando meu telefone começou a tocar dentro de minha bolsa, tão alto que tirou toda minha concentração. Imediatamente o peguei, porém assim que vi o nome no visor, não fui capaz de fazer mais nada além de recusar a chamada imediatamente.
– Quem era? – Lily perguntou sem conseguir conter sua curiosidade.
– Ninguém importante. – Tentei desviar o assunto e logo devolvi o celular no mesmo lugar em que estava antes.
– Desde quando não é importante? – Minha irmã devolveu cheia de sarcasmo e não consegui conter a lufada de ar.
– Se tinha visto o nome não precisava ter perguntado quem era.
– Nossa, que grossa! – Lily se fez de ofendida por um momento, mas logo seguiu caminhando com suas várias sacolas. – O que vai dar de presente para ele?
– Provavelmente nada. – Respondi soando pior que o planejado, e como resposta a isso, recebi um olhar cheio de indignação.
– Como assim, nada?
– Não nos falamos há dez dias. – Esclareci. E sem mais nem menos Lily parou de caminhar e me impediu de continuar fazendo o mesmo.
Ficamos nós duas., então, paradas no meio do corredor, atravancando a passagem de dezenas de pessoas com as compras de Natal atrasadas e pela metade. Mas ela se importava com isso? Não, de maneira nenhuma.
Como assim, ?
– Será que podemos não falar sobre isso? – Revirei os olhos e tentei me distrair com a vitrine de eletrônicos ao nosso lado, mas como já era de se esperar, Lilian não me deixaria escapar assim tão rápido sem respostas completas para suas dúvidas.
– Foi tão sério assim, ? Não quer me contar?
– É muito pessoal, Lily.
– Qual é, ? Muito pessoal? Conheço você minha vida inteira, não existe nada que seja pessoal demais e você não possa me contar. – Lilian falou tão irritadiça e gesticulando tanto que por um momento me senti culpada de verdade por não ter contado nada disso a ela. Mas não mudava o fato que minha irmã estava começando a me dar dor de cabeça. – Olhe para mim, !
– O quê? – Eu a encarei sem um pingo de paciência.
– Vocês transaram?
E minha carranca se desfez. Será que isso estava tão explicito assim em meu rosto ou só era óbvio porque ela conviveu comigo tempo o suficiente para me entender?
– Você sempre foi muito sutil, Lily. – Consegui responder.
– E você sempre foi muito transparente. – Ela sorriu simplesmente e enfim suavizou sua forma de falar: – Mas o que tem de errado nisso? Anda logo e me conta o que aconteceu. Te pago um chocolate quente.
Mesmo não querendo de verdade, concordei com sua oferta irrecusável, pois afinal, se existia alguém, além de , com quem eu poderia contar tudo, essa pessoa era minha irmã Lilian, que mesmo que doesse, nunca esconderia a verdade de mim, e mesmo que o mundo estivesse acabando para mim, daria um jeito de me ajudar a consertar tudo.
Por isso fomos até a cafeteria, onde contei para ela tudo sobre os acontecimentos de dias atrás enquanto tentava afogar minhas mágoas com biscoitos e chocolate.

20/12/16 20h33min
– E vocês não tem se falado desde então? – Lily perguntou entre um e outro biscoito de gengibre em formato de bonequinhos que comia, começando a compreender a história finalmente.
– É, bem, na verdade eu que tenho recusado suas ligações desde terça passada quando ele resolveu dar sinal de vida e…
– Não acredito, ! – Ela gritou e todos ao nosso redor nos encararam. Vendo isso, minha irmã conseguiu se acalmar novamente e enfim seguir com seu sermão: – Você já é adulta, precisa lidar com situações como essa.
– Acontece que eu não sei o que fazer! – Reclamei recostando as costas na cadeira com mais violência que o planejado.
– Mas não era o que você queria desde que o conheceu? Ficar com ele? – Minha irmã disse com tanta naturalidade que quase me esqueci da dor de cabeça que tudo isso vinha me causando. – Bingo! Foi o que conseguiu, e ainda teve um extra com isso.
– Você não entende, ele acha que eu não me lembro de nada! Ele acha que eu não queria nada, que provavelmente só me joguei pra ele porque estava bêbada.
– E você acha certo ignorar o cara por isso?
Bufei completamente desconcertada.
– Não é de propósito, já falei! Eu só não consigo fazer isso. Penso nele e imediatamente lembro de nós dois nos beijando e…
– Ok, chega. Não preciso saber tanto. – Ela balançou a cabeça em desgosto. – Mas você precisa saber que está apaixonada.
– Claro que não, Lily. Essa nem é a questão!
Minha irmã começou a rir descontroladamente, e com isso quase acabou se engasgando com os farelos dos tais biscoitos que não parava de comer.
– Tanto faz, está agindo exatamente como uma garota apaixonada, . – Afirmou fingindo falso desinteresse. – Quanto tempo vai durar seu estado de negação, aliás?
– Do que você está falando, Lilian?
– Nada. Mas quer um conselho?
Soltei um suspiro longo e cheio de cansaço, e ainda olhando para minha irmã, desencostei da cadeira e apoiei ambos os braços sobre a mesa, mostrando total atenção sobre ela.
– Diga. – Pedi de uma vez.
– Você devia ser sincera com ele.
– Eu sei. – Concordei até mesmo para a surpresa dela.
– Se sabe, então por que não faz?
– Porque antes de eu sequer beija-lo, havia dito que “jamais poderia me olhar da mesma maneira” se algo acontecesse entre nós.
Achei que com isso, tivesse calado minha irmã finalmente, pois o olhar que ela me lançou foi aquele repleto de surpresa, desarmado e sem qualquer argumento. Por vários segundos, tudo o que fizemos foi encarar a fumaça do chocolate quente subir, contudo, de repente um sorriso começou a crescer no rosto de Lilian e seu olhar subir vagarosamente até que seus olhos se prenderam em mim, e ela falou enfim:
– Não seja tão covarde, , e faça alguma coisa.

27/12/16 21h40min
Passeis os olhos pelas dezenas de desenhos que eu havia feito nos últimos dias, e ainda assim me senti insatisfeita. Voltei a encarar a folha em branco, completamente vazia, que descansava em minha frente e tentei pensar em algo meramente interessante para poder desenhar ali com intuito de expressar o que as festas de fim de ano simbolizavam na vida das pessoas. Mas aquilo simplesmente não estava funcionando.
Olhei para a tela do computador, o software aberto, a folha em branca sobre ele também, refletida em minha mesa digital.
Nada. Nem um pingo de criatividade.
Eu estava completamente decepcionada comigo mesma.
Por que parecia tão difícil colocar no papel coisas aparentemente tão simples? Eu sabia que tinha algo de errado comigo, esse bloqueio criativo não era nem de longe normal. Contudo, tudo era um reflexo daquilo que estava acontecendo em minha vida, e, com meu prazo final acabando, eu sabia que não teria outra saída senão usar algo que já havia feito.
Usar como base, editar, fazer qualquer coisa em cima daquilo. Qualquer coisa minimamente satisfatória.
Comecei, então, a busca, sabendo que estaria decepcionando meu chefe com isso, quando um ruído, o barulho de alguém batendo em minha porta, me interrompeu. Três toques secos que reverberaram pelo meu apartamento silencioso.
Pelo horário, não podia ser ninguém conhecido, talvez algum vizinho querendo algo emprestado ou mais provavelmente alguma criança batendo no apartamento errado propositalmente. Mas mesmo assim me levantei, o mais quieta que pude, e segui em direção a porta, pronta para primeiramente olhar pelo olho mágico e descobrir de quem se tratava a visita inesperada para depois decidir se atenderia ou não.
Porém, assim que encostei meu rosto na superfície de madeira lisa e vi através daquele singelo pedaço de vidro, meu coração acelerou, prendi a respiração e meu corpo ficou completamente imóvel.
Lá estava , de cabeça baixa e uma touca cobrindo seus cabelos. Carregava alguma coisa nas mãos, mas não pude ver claramente o que era. Entendi imediatamente que ele só havia conseguido subir porque há muito já frequentava minha casa e era um velho conhecido pelos condôminos. Entretanto, naquele momento desejei que tivesse recebido uma ligação da portaria como aviso. Nem de longe eu estava preparada para isso, para vê-lo diante de mim.
Ainda completamente parada, permaneci encostada a porta. Foi quando voltou a bater gentilmente na madeira, e, pelo movimento dos seus ombros, deduzi que ele estava suspirando pesadamente.
, sei que você está aí – Ele falou convictamente. –, consigo ver a sombra pelo vão entre o chão e a porta.
Continuei em silêncio. Mesmo querendo muito deixá-lo entrar, talvez pelo choque ou pela tensão, meus músculos não respondiam aos meus comandos e as palavras ficaram completamente entaladas em minha garganta. O que estava acontecendo?
– Olha, , eu sei que você se lembra de tudo. – disse, insistindo com a voz abafada pela porta que nos separava. – E eu não estou bravo com você por isso.
Ainda completamente muda e colada à porta, soltei o ar vagarosamente dos meus pulmões. Era como se um peso tivesse sido tirado de minhas costas por saber daquele detalhe. E ainda assim, eu não conseguia me mexer.
– Só quero que me escute, não precisa dizer nada por enquanto. Não tem que se culpar pelo que aconteceu, ok? – Ele prosseguiu, encostando sua testa contra a superfície de madeira. – E tudo bem você não querer falar comigo, fui um babaca por não ter te atendido quando me ligou e ainda mais babaca por ter furado com nosso almoço de segunda. Mas admito que não conseguiria levar nada adiante fingindo que não dormimos juntos, e estava com medo de você me dar um fora e eu estragar tudo de vez. Só que, ainda assim, preciso dizer que não esperava que você me ignorasse da maneira que está fazendo agora.
“Sou seu amigo antes de qualquer coisa, , não tem que fugir de mim. E precisa saber que respeito qualquer decisão que você tome daqui para frente em cima dos últimos acontecimentos. Porém, não posso deixar que faça isso sem antes dizer para você meu ponto sobre isso tudo.
“E meu ponto é o seguinte: eu faria tudo de novo. Cada acontecimento único e cada situação embaraçosa que passamos, eu não me importaria de repetir mais uma vez. Mil vezes. Digo e repito isso porque você, , é uma das pessoas mais incríveis que eu tive o prazer de conhecer e ainda conviver durante a minha vida. Você foi minha luz nos momentos mais escuros e a alegria mais intensa dos meus dias mais felizes. Só estou onde estou hoje porque há quatro anos você acreditou em mim e porque desde então esteve ao meu lado.
“Sabe todas as vezes que você flertou comigo e eu fingi não entender? Pois é, na verdade eu entendi sim. Cada uma daquelas cantadas horríveis. Mas me fiz de distraído propositalmente. Sabe por quê? Porque eu jamais conseguiria te olhar da mesma maneira.
“Às vezes penso que te conheço como a palma da minha mão, e ao mesmo tempo, acho que você é um enigma completo. Foi difícil durante todos esses anos resistir à vontade louca que eu tinha em aceitar suas investidas e ficar com você. Mas uma coisa que eu nunca entendi era se, quando acontecesse, seria pra valer ou não. Entretanto, agora que tudo se tornou verdade, acho que finalmente recebi a resposta, não é mesmo? Provavelmente foi um erro meu ter me deixado levar, como você mesma tinha dito. Mas foi o melhor erro de todos. E eu estava certo no fim das contas, já não te enxergo mais da mesma forma, porque agora… Agora eu acordo todos os dias desejando ter você ao meu lado.”
Se antes já era difícil respirar, agora então havia se tornado impossível. Meus olhos estavam tão arregalados em descrença por ouvir tudo aquilo, que achei que eles podiam saltar para fora das órbitas a qualquer instante. Meu coração batia tão rápido que achei que ele poderia explodir entre uma batida e outra. E minha voz, que não parecia querer sair adequadamente anteriormente, agora desaparecia de vez.
– Por isso estou aqui hoje. – continuou após um instante. – Passei dias pensando em como te diria tudo isso, mas no fim as coisas simplesmente fluíram. Assim como isso que eu fiz para você, pensando em nós dois. Em tudo o que somos e tudo o que podemos ser, porque estou apaixonado por você, .
E foi quando todas as estruturas que ainda me mantinham ali desmoronaram.
Deslizei as costas pela superfície da parede ao lado da porta e abracei minhas pernas quando encontrei o chão. As coisas que ele dizia, todas elas ecoavam em minha cabeça. Era um perfeito eco em repetição constante. “Estou apaixonado por você”.
Não sou o tipo de garota que chora por tudo, e exatamente por isso que me surpreendi quando naquele momento senti meu rosto molhado por lágrimas que escorriam durante um choro completamente silencioso, assim como o som que vinha do outro lado da porta. Parecia que ele mesmo estava chocado com o que tinha saído de seus lábios. Desprevenido e traído pela própria língua.
, diga algo… ? – Ele pronunciou meu nome de tal forma que meu coração se apertou ainda mais em meu peito, como se estivesse se retorcendo. Tapei a boca com uma das mãos e torci para que nenhum soluço que escapasse se tornasse audível. Eu era incapaz de pronunciar uma palavra sequer. E ficar ali, impotente, depois de tudo o que ele tinha falado, me quebrava ainda mais.
– Você, você não… – continuou, mas imediatamente se interrompeu e soltou um suspiro derrotado. – Tudo bem, entendi. Eu… eu vou embora. Só… Feliz Natal atrasado.
E quando achei que finalmente seria capaz de fazer alguma coisa além de ficar ali sentada no chão feito uma inútil, o barulho de passos apressados tomou conta do hall. Mas quando consegui enfim me levantar e abrir a porta, ele não estava mais lá. Nem sequer estava em algum lugar das escadas.
Eu o havia deixado partir sem mais nem menos, eu o havia deixado escapar por entre meus dedos.
Tudo o que restava em minha porta era o pacote, aquele que eu havia notado logo que o tinha visto pela primeira vez.
Dentro de casa novamente, não resisti ao impulso de abrir o que quer que fosse. Vi a inscrição no bilhete colado ao pacote, e mesmo estando completamente desestruturada por tudo o que havia falado, mais minha completa incapacidade de conseguir ir atrás dele, li: “eu fiz para você, pensando em nós dois”.
Aquela frase tão simplória foi suficiente para que a curiosidade me vencesse de uma vez, mesmo que eu estivesse prestes a entrar em prantos por me sentir uma incapaz de primeira linha.
Mas ainda melhor que a frase inscrita, era o objeto em si. Quando de fato desembrulhei tudo, uma sensação indescritível cresceu em meu peito. Estava diante do melhor presente que alguém seria capaz de receber.
Um mural de fotos com todas as coisas que fizemos juntos desde que nos conhecemos. Desde os momentos mais incríveis, das aventuras mais absurdas, até os acontecimentos mais simples e espontâneos. Tudo ali registrado e colado em meio a fotos, recortes diversos, desenhos aleatórios e frases soltas cheias de significados para nós dois.
Mas era bem ali no meio, no centro de toda aquela bagunça maravilhosa, dentro de sua própria moldura em relevo, estava a melhor foto de todas.
Tirada por uma polaroid, na praia, nós dois riamos espontaneamente um para o outro e nos olhávamos com o mais puro brilho nos olhos, a expressão de completa satisfação como se nada mais no mundo importasse de fato. E, logo embaixo, para completar a arte, com letras cursivas e trabalhadas, estava escrito: “de tudo o que somos, para tudo o que podemos ser”.
E então, como um insight, imediatamente tudo pareceu clarear em minha mente. Um sorriso surgiu em meu rosto e meus olhos brilharam quando voaram para a folha em branco que ainda jazia sobre a mesa, a tela do notebook ainda acesa, voltando imediatamente para o presente ainda em minhas mãos.
Eu já sabia o que fazer. Já sabia como resolver tudo.

31/12/2016 23h43min
– Não tem como ir mais rápido? – Questionei impaciente, olhando pelo vidro da janela.
Eu estava há quarenta minutos dentro de um Uber, em meio ao trânsito infernal típico de pré-virada de ano, tentando, de alguma maneira, chegar ao centro da cidade desesperadamente. Eram tantos carros na rua, tanta gente por todo lado, que não pude me imaginar chegando no horário com tanto congestionamento. Era insano!
– Olha, desculpe, mas estamos presos. – Me respondeu o motorista, completamente indiferente, como se isso já fosse algo rotineiro. – Não tem como sair daqui, tá tudo parado.
Tentando achar uma solução, passei as mãos pelo cabelo, exasperada.
– E se eu for andando?
– É, se tiver coragem talvez até consiga.
Ele riu com sarcasmo, achando que fosse algum tipo de brincadeira sarcástica. Com certeza o homem não esperava, mas a mera possibilidade de conseguir chegar lá antes da meia noite foi o suficiente para me fazer tomar uma decisão.
Joguei sobre o banco algumas notas e gritei um “obrigada e feliz Ano Novo” enquanto saltava tão rápido para fora do banco de trás do carro que quase abracei o chão da calçada da maneira mais desajeitada possível.
Meia dúzia de pessoas pararam para me encarar enquanto eu começava a correr e esbarrar em qualquer um que se colocasse em meu caminho. Quem via parecia não aprovar minha atitude, mas ligar para o que eles estavam pensando era a última coisa que eu faria no momento. Tudo com o que me importava era chegar ao centro e encontrar .
Sim, . Meu amigo . O mesmo que havia acordado em minha cama. O mesmo que havia batido em minha porta e dito todas aquelas coisas. O mesmo que eu estava teimando em não conversar. O mesmo que foi minha inspiração para meu melhor trabalho. E o mesmo que agora era dono de todos os meus pensamentos e que eu estava, sim, totalmente apaixonada.
Terça-feira, após abrir aquele maravilhoso presente e enfim conseguir me recompor parcialmente, não tive dúvidas do que deveria fazer, e, depois de tal certeza, do insight súbito, virei a noite fazendo aquela capa, colocando ali coração e alma, coisas tão simples e ao mesmo tempo tão complexas que acabou resultando no desenho mais sincero e verdadeiro que já fiz.
Eu me sentia orgulhosa por isso.
Rapidamente abaixei o olhar até minha mochila apenas para conferir se a revista e o desenho original estavam ali comigo. Não adiantava nada ir encontrá-lo sem ter em mãos o que eu havia feito.
Mesmo que ele não quisesse, precisava me ouvir, precisava saber de tudo!
Em certo ponto comecei a ofegar. Parei rapidamente para retomar o fôlego, alguns segundos apenas. Minhas pernas começavam a tremer e ainda faltavam dois quarteirões até o local marcado. Doze minutos para a meia noite. Daria tempo, eu chegaria. Não seria uma dorzinha no músculo da perna que me impediria.
Continuei a correr como nunca corri em minha vida. Pelo caminho, tropecei mais vezes do que achava possível, mas finamente cheguei à praça. E infelizmente, assim que cravei meus pés no chão, engoli em seco.
Deviam ter mais de dez pessoas por metro quadrado ali. Tanta gente que aquela muvuca mais parecia um show de alguma boyband com todos os ingressos vendidos que uma festa civilizada para assistir à queima de fogos de artifício de fim de ano. Aquela visão me deu vontade de chorar e desistir.
Mas foi assim, quase entrando em prantos, que eu o vi, ali, afastado de todas as pessoas, com uma garrafa de cerveja nas mãos e os olhos presos no céu, completamente alheio a tudo que acontecia ao seu redor, lá estava , tão lindo quanto sempre, mas tão recluso como nunca vi.
E mesmo estando com os pulmões ardendo e todos os músculos reclamando, fui até ele, o mais rápido que pude enquanto gritava por seu nome.
? – Ele finalmente baixou seus olhos até mim e me olhou completamente descrente. – O que está fazendo aqui?
– Preciso falar com você. – Disse de uma vez, vendo seu semblante se torcer e um brilho de dúvida surgir em seus olhos.
Apesar de parecer interessado e até surpreso em me ver ali, felicidade não parecia ser a palavra certa para definir o que ele esteva sentindo. Era algo mais próximo de mágoa que qualquer outra coisa.
– Por que agora, ? – Ele questionou. – Por que não quando te liguei uma dezena de vezes? Por que não quando fui até sua casa?
– Porque eu não estava pronta, .
– Pronta pra quê?
– Pra dizer que te amo. – Respondi, sorrindo, e imediatamente soube que o deixei completamente desarmado.
Incapaz de fazer qualquer movimento, simplesmente sem palavras, ele ficou me olhando.
Era engraçado pensar que há poucos dias, era exatamente essa a expressão incrédula que eu carregava no rosto enquanto o ouvia falar do outro lado da minha porta.
– Você o quê? exclamou, e não pude conter uma risada pura de nervosismo ecoar livremente.
– Me desculpe, , me desculpe por ter sido uma completa criança e não ter tido a decência de encarar os fatos e ao menos a coragem de falar com você devidamente. – Despejei de uma vez. – Mas quando você tinha dito que jamais conseguiria me olhar da mesma maneira, achei que fosse do pior jeito possível e por isso disse a você que ninguém lembraria nada. Eu nunca tinha parado pra pensar que poderia ser num bom sentido o que você havia dito, nunca tinha parado pra pensar que você talvez… talvez gostasse de mim também.
– É muito mais que isso, .
– Eu sei. – Confirmei. – Agora eu não tenho dúvidas disso. E é por isso que fiz isso.
Retirei a capa da revista de dentro da minha mochila junto com o desenho original e entreguei para , ele olhava para os papéis com uma curiosidade fora de si.
– O que é tudo isso? – Perguntou enquanto passou os olhos calmamente por cada uma das formas.
– É seu presente de Natal. – Sorri em resposta. – Há uns quinze dias meu chefe me chamou e disse que estava deixando em minhas mãos o design da capa para a primeira semana do ano. Eu precisava colocar ali tudo o que fazia as festas de fim de ano serem assim tão significativas para as pessoas. Mas preciso confessar que estava sendo mais difícil do que parecia, eu não conseguia fazer nada, não estava chegando nem perto de algo um pouquinho interessante. E você me conhece, não era por falta de empenho, eu só não estava conseguindo desenhar algo bonito, significativo e sincero. Não pelo menos até você ir à minha casa e dizer tudo o que disse.
me encarou por um momento, as sobrancelhas juntas demonstrando sua total confusão.
– Quer dizer que…
– Que você me inspirou a fazer tudo isso. – Respondi e indiquei a capa sutilmente com a cabeça, mesmo tento plena consciência de que ele não havia tirado seus olhos de mim por sequer um instante desde que comecei a falar. – Queria ter vindo conversar com você antes, mas não poderia aparecer aqui sem te mostrar tudo o que eu fiz graças a você. Infelizmente a gráfica só enviou a capa oficial hoje para a empresa. Fui até sua casa horas atrás, mas você não estava mais lá, então perguntei ao pessoal e me disseram que você estaria aqui. Vim o mais rápido que pude.
Lentamente então seus olhos deixaram meu rosto e gentilmente suas mãos seguraram os papéis. Enfim seu olhar admirado começou a dançar pelo desenho em suas mãos e de repente não havia mais nenhuma mágoa presente em seu rosto. Percebendo isso, uma paz interior começou a crescer dentro de mim. Mal me lembrava mais do mal-estar causado pela corrida de vários quarteirões até aqui. Saber que ele tinha gostado do que eu havia feito compensava tudo.
, esse desenho… – Ele se interrompeu por um momento enquanto analisava os detalhes presentes nas folhas. – Somos nós? Essas coisas aqui, como…?
– De tudo o que somos, para tudo o que podemos ser, lembra? É basicamente a junção de tudo o que nos faz feliz. Cada pequeno detalhe, cada mera palavrinha e cada insignificante objeto. – Expliquei. – Quando desembrulhei seu presente, imediatamente eu soube o que devia fazer. E está tudo aí, , cada mero traço tem algo ligado a nós, porque foi naquele instante em que percebi que tudo o que mais importa, o que realmente faz meus dias valerem a pena, envolve você.
“Mas como eu diria isso? Não sou boa com palavras, você sabe. Só sei me expressar a partir de tintas, pinceis e tela. Ou nesse caso, com nanquim e papel. E acho que consegui. Sei que você pensa que é um pouco tarde, eu sei, mas melhor terminar um ano com você ao meu lado, que iniciar 2017 sem você. E olha só, não é que eu consegui mesmo? Ainda faltam dois minutos para a meia noite.”
Por um momento, nada foi dito entre nós. permanecia completamente inexpressivo, recluso em seu próprio mundo de ideias, sua atenção voltada para os papeis que segurava.
Eu não entendia todo o seu silêncio. Até então imaginava que ele estaria surpreso demais para dizer qualquer coisa, porém sua falta de palavras era tão grande que comecei a ficar com medo de que ele achasse tudo aquilo uma completa bobagem.
Isso, até seus olhos encontrarem os meus.
– Você não existe, .
– Como assim?
– Isso aqui é… – Ele respirou fundo e um sorriso nasceu em seu rosto. – É simplesmente incrível. Eu não consigo encontrar uma maneira de expressar como tudo isso é maravilhoso.
– Mas existe uma maneira de dizer. – Falei imediatamente.
– Qual então?
– Me perdoando por tudo o que fiz. – Disse. – Se você quiser, se estiver disposto, eu estou desesperadamente precisando do meu amigo de volta. Talvez você não queira mais acordar todos os dias ao meu lado como disse outro dia, mas…
– Está brincando? – Ele me interrompeu seriamente.
– Não, eu não est…
, não diga besteira. – Novamente me cortou, suas mãos alcançando, finalmente, as laterais do meu rosto. – Eu nunca desperdiçaria a chance de acordar com você ao meu lado por todos os dias da minha vida. Eu sou verdadeiramente, loucamente, profundamente apaixonado por você desde sempre e nada no mundo me faria pensar o contrário. Eu já era seu muito antes de ter cedido ao seu charme naquela noite.
Repentinamente o ar ao nosso redor mudou, as pessoas que antes conversavam e riam deliberadamente, se juntaram num coro de vozes enquanto a contagem regressiva finalmente se iniciava.
Dez.
Nove.
– Isso é sério?
Oito.
Sete.
– Bobamente e completamente, amo você de tudo o que sou, .
Seis.
Cinco.
Quatro.
– Então quer dizer que…
– Que somos oficialmente mais que amigos.
Três.
– Me beija, .
Dois.
Um.
– Feliz Ano Novo, .
Zero.
E enquanto sua boca encostava na minha, com o sentimento mais puro de amor que um dia imaginei sentir, o céu se enchia de brilho e a luz da lua se misturava a cor dos fogos de artifício na mais maravilhosa bagunça.
O primeiro minuto de mais um ano que começava, apenas uma pequena parte de 365 novos dias que mal se iniciavam, mas eu já considerava aquele o meu momento favorito de todo o ano, de todos os anos. Não existia sensação melhor que estar nos braços da pessoa em quem eu mais confiava no mundo. Não existia sensação melhor de se sentir perfeitamente completa.
Não havia sido um erro a dar início a isso tudo. Sem dúvidas, tinha sido o melhor acerto de todos os tempos.

Fim.
Nota da Autora: A todos os leitores que chegaram até aqui, só tenho a agradecer por esse ano incrível que me concederam no mundo das histórias. E por mais louco, inesperado e desestruturador que 2020 tenha sido para todos, desejo que 2021 seja louco e inesperado também, mas que seja também repleto de esperança, realizações de sonhos, milhares de novas oportunidades para todos e acima de tudo fé, independente de onde a mesma seja depositada, porque sem fé, nunca chegaremos a lugar algum.
Obrigada mais uma vez, de coração.

E para quem leu e gostou, leia minhas outras histórias!

Dear Diary {One Direction|em andamento} – Longfic
Me Ame ou Me Deixe {outros|finalizada} – Shortfic/Oneshot
O que (não) me resta {outros|finalizada} – Shortfic/Oneshot
That’s Enough {outros|finalizada} – Shortfic/Oneshot
Uptown Girl {outros|finalizada} – Longfic

Beijos e até a próxima!