Out Of Love

  • Por: Tai Aguiar
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 2862
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Sinopse: Os dois se conheceram jovens e vivem em um relacionamento, até então, saudável. Até que… Ele chega de surpresa dizendo que precisa terminar; ela se encontra perdida. E ele afirma que não deixou de amá-la.
Gênero: Romance.
Classificação: 10 anos.
Restrição: Fanfic baseada na música da Alessia Cara.
Beta: Rosie Dune.

OUT OF LOVE

Capítulo único

 

Minha cabeça vai explodir a qualquer momento e eu só queria que saísse do meu quarto, mas sei que ele não vai fazer isso enquanto eu não der uma palavra, porque está com medo de ter me magoado. A novidade é que: ele me magoou. Não. Ele entrou nesse quarto e me destruiu em pedacinhos no momento em que disse “ei , precisamos conversar”. Essa frase foi feita para que términos acontecessem, e ninguém em sã consciência espera ouvi-la; pra mim devia ser estritamente proibida em qualquer tipo de relacionamento. Eu não tinha nada pra conversar além do que conversávamos todos os dias, mas quando entrou aqui e me falou isso, soube que terminaríamos.

Agora ele está sentado na poltrona ao lado da minha estante abarrotada de livros esperando que eu tenha alguma reação, mas eu não sei que tipo de reação ter porque parei de prestar atenção no que saia da sua boca, quando seus lábios rosados disseram “e, o problema não é você”; eu soltei uma risada irônica me imaginando no pior filme de romance adolescente que existe e entrei em uma espécie de transe. Os dedos de batucam na perna ansiosos, e eu sei que ele espera a minha resposta para tudo que disse — e que, vale ressaltar, eu não prestei atenção. Fecho os olhos passando a mão no rosto devagar, sentando na cama, de frente para a porta. Sinto o olhar desesperado às minhas costas, e um suspiro leve. Talvez eu devesse falar alguma coisa para que ele saia logo, mas minha garganta está seca e fechada; aparentemente meu corpo não sabe reagir a um término de namoro.

— Você vai falar alguma coisa? — ele quebra o silêncio, quase com um sussurro e eu sinto o colchão afundar atrás de mim como um aviso de que agora está sentado mais perto do que eu gostaria que ele estivesse.

— Eu não tenho nada para falar. — solto essa meia verdade para ele, porque sei que não posso dizer tudo que penso sem ser uma tremenda egoísta. Mas o que eu realmente queria dizer é “você não pode me deixar sozinha.”

, eu sei que não foi isso que planejamos, mas eu sinto que é o certo a fazermos agora. — balbucia a frase lentamente e em um tom baixo, tocando meu ombro com a ponta dos dedos. Estremeço ao toque, afastando o meu corpo de sua mão.

— Eu realmente não planejei que você deixasse de me amar. — esbravejo e ouço o meu namorado suspirar. Nota mental 1: aparentemente ele não é mais meu namorado; nota mental 2: não deixar a raiva tomar conta de mim.

— Você sabe que não deixei de te amar — é a resposta que eu tenho depois que ele levanta arrastando os pés calçados com um all star pelo meu tapete felpudo — Talvez seja melhor você descansar, acho que podemos conversar mais em outro momento. — Fala me olhando sério e abrindo um sorriso amarelo, eu concordo com a cabeça, fechando os olhos. Não quero vê-lo sair. Jogo meu corpo para trás, deitando na cama, e ouço a porta se fechar devagar.

 

☆゜・。。・゜゜・。。・゜★

 

Quando abro os olhos novamente sei que já é o dia seguinte por causa da pequena fresta de luz que entra refletindo na minha cortina em tons de cinza. Respiro fundo enquanto levanto da cama ainda zonza, lembrando da noite do dia anterior, e arranco a roupa suja do corpo, indo em direção ao meu banheiro. Não me atrevo a espiar o espelho, seguindo direto para o box. Deixo a água escorrer pela cabeça, quando começo a pensar em novamente.

Eu e ele nos conhecemos quando começamos a estudar teatro juntos, para o curso que ele se matriculou no qual eu entrei apenas algumas semanas antes. Fiquei encantada por ele no momento em que o vi pela primeira vez e ouvi sua voz calma e marcada pelo forte sotaque britânico, quando se apresentou de forma tímida para a turma de teatro. A ideia de ter outra pessoa de fora do país me alegrou muito, já que eu era a única novata da turma que vinha do outro lado do oceano e ainda me sentia um pouco deslocada. Depois da aula me bati com ele no estacionamento e começamos a conversar.

 

Flashback on

— Precisando de ajuda? — perguntei ao novato quando o avistei bater a porta do carona de um carro alugado.

— Eu ainda não me acostumei com esse lance de dirigir do lado errado. — ele respondeu sorrindo educado enquanto rodeava o carro, agora indo para o lado certo da porta do motorista.

— Tecnicamente vocês que dirigem ao contrário do resto do mundo. — alfinetei com um sorriso e ele quase se rendeu, mas logo em seguida discordou. Eu sorri abertamente, e, naquele momento soube que o britânico de cabelo bagunçado era especial.

— O que te fez sair da terra da rainha? — perguntei mordendo uma batata frita do Shake Shack, onde tem o melhor hambúrguer do mundo. Já conhecia o há uma semana por causa do curso de teatro mas era a primeira vez que comíamos juntos depois da aula.

— Meus pais estavam se divorciando e começaram a discutir em qual universidade renomada da Inglaterra eu deveria estudar, porque cada uma tinha sua favorita. — ele começou a falar, depois de limpar a boca em um guardanapo — Eu me meti e falei que havia passado em um curso de teatro nos EUA, o que na época foi uma desculpa esfarrapada — riu — Depois achei realmente legal a ideia de vir para cá. — ele piscou com o olho direito, e eu embarquei em mais uma das engraçadas histórias do sobre a mudança dele para um país novo.

Flashback off

 

Balanço a cabeça para esquecer as lembranças de quase um ano atrás, enquanto me preparo para esfregar a cabeça com o shampoo que cheira a flor de lótus.

 

☆゜・。。・゜゜・。。・゜★

 

Atravesso o campus da universidade correndo de volta para o carro quando todas as minhas aulas da manhã acabam. Hoje é um daqueles poucos dias em que chove em San Diego e eu tento me proteger dos pingos grossos, abraçando com força o corta vento rosa que cobre metade do meu corpo. Queria poder ligar para o , mas propositalmente deixei o celular em casa.

 

 

Três dias depois daquele dia que considero desastroso, aceita me encontrar no Shake Shack afirmando que conversas pesadas mereciam uma comida boa. Na troca de mensagens ela parecia mais animada do que quando a deixei no quarto, e talvez mais conformada também; eu havia lhe dado tempo suficiente para processar o acontecimento antes de termos essa conversa, que eu escolhi ser em um lugar público para que ela não pudesse fugir. Cheguei mais cedo do que marcamos porque sou uma pessoa um tanto quanto ansiosa, e agora estou sentado na mesa que sei que ela escolheria, do lado direito da varanda, onde o sol frio bate sem nos torrar.

Sei que tomei a decisão certa quando terminei com a , e até entendo a confusão na cabeça dela. Então foi por isso que pensei bastante em como começar essa conversa hoje, já que naquela primeira vez ela pareceu ter entrado em uma espécie de transe quando me ouviu falar que queria terminar. Quando levanto a cabeça, após consultar as horas no celular, vejo se aproximar da mesa; ela carrega uma expressão fechada e o cabelo está preso em um rabo de cavalo. Abro um sorriso sincero, na esperança de que isso alivie o que está a caminho.

 

 

O sorriso dele me destrói. Respiro fundo e diminuo o ritmo dos meus passos até a mesa, tendo a certeza de que quem está vendo essa cena de fora acha que eu tenho algum problema na perna, por causa da forma lenta com a qual me movimento. Passei os últimos três dias tentando assimilar tudo que foi dito pelo na nossa última conversa, no meu quarto apertado do apartamento alugado. Puxo a cadeira em frente a dele e me acomodo, antes de o cumprimentar com um singelo “oi”, porque prometi para mim mesma que não o forçaria a desistir do término com minhas tristes palavras, então quanto menos eu falar, melhor.

— Tomei a liberdade de pedir nosso lanche. — exclama depois de me cumprimentar, apontando para o dispositivo quadradinho na mesa — Você ia querer o mesmo de sempre? — pergunta, com a voz rouca.

— Por mim tudo bem. — respondo dando de ombros, e vejo franzir a testa, completamente sem jeito. Sou salva pelo gongo quando o pager começa a vibrar e piscar feito um louco em cima da mesa — Deixa comigo. — impulsiono a cadeira para trás e pego o aparelho, indo em direção ao interior do restaurante.

Eu como bem devagar de propósito, e sei que percebe, porque ele suspira quando termina de comer antes de mim. Limpo minha boca com um guardanapo e dou um gole no meu milkshake de peanut butter. Os olhos claros me encaram e eu sei que ele vai começar a falar agora.

— Isso não é fácil pra mim — ouço o quase sussurro de e automaticamente sinto vontade de chorar; engulo em seco e deixo minhas últimas batatas de lado, preciso me concentrar para que as lágrimas não comecem a rolar. Desvio o olhar quando ele continua — Eu sei que você deve estar pensando o pior de mim agora, .

Tenho vontade de gritar; mas apenas o encaro, esperando que ele diga algo que faça sentido. As lágrimas estão prestes a cair dos olhos dele, e eu por um instante me sinto culpada por ter aceitado essa conversa, estamos passando pela mesma coisa duas vezes, e acho que a segunda é ainda mais dolorosa.

— Você foi o melhor presente que San Diego me deu, mas também foi o único que me dispus a receber de braços abertos — ele continua o “discurso” e estende a mão na mesa, esperando que eu a segure, mas não o faço — Eu sinto que preciso viver um pouquinho a Califórnia, e sei que é melhor eu terminar agora do que te enrolar ou fazer merda — ele solta um suspiro e morde o lábio inferior antes de tentar continuar — , eu amo..

— Não. — O interrompo, porque não vou conseguir ouvir o resto da frase. Sinto uma lágrima solitária e gelada encostar na minha bochecha, passo a mão rápido, enxugando-a. me encara.

— Eu disse para você uma vez que você poderia me mostrar os seu lugares favoritos aqui, e fizemos isso juntos. Mas eu sinto que preciso construir os meus lugares favoritos, preciso conseguir chamar esse lugar de casa, antes de me… — ele hesita — antes de encarar alguém como minha morada.

— O lar é onde o coração está — eu respondo no automático, citando a frase que li em um livro, e suspira. Ele fica calado, com os lábios comprimidos e eu tomo a coragem de perguntar o que me atormenta — Você disse para Deus e o mundo que me amava, mil promessas. Não estou pedindo para que cumpra todas elas, mas você sabe o que penso sobre isso de “conhecer a Califórnia” — faço aspas com as mãos — Eu estou sozinha nessa merda de cidade que eu amo e chamo de lar, e quando fui embora da Austrália eu não precisei abandonar quem eu dizia amar para conhecer San Diego. — abre a boca para começar a falar e eu estendo a mão esquerda, pedindo para ele esperar — Eu sei que você vai dizer “, não estou te abandonando”, “, somos pessoas diferentes”; mas você chega do nada e termina dando a pior desculpa que poderia dar, principalmente se você prestasse atenção em tudo que conversamos nos últimos meses, antes disso aqui — faço gestos com as mãos, em círculos, indicando nós dois — Por que você não é sincero com nós dois e me conta porque deixou de me amar? — explodo, deixando as lágrimas caírem.

— Eu não deixei de te amar — ele fala baixinho, depois de quase 30 segundos de silêncio.

— Então estamos no filme “Um dia” e você vai dizer que me ama mas que não gosta mais de mim? — alfineto, e sinto a raiva e a tristeza invadindo minha corrente sanguínea com mais intensidade. Ele sabe como odeio essa frase do filme.

, por favor… — ele respira do jeito que faz quando sei que está tentando manter a paciência.

— Não me peça por favor, . — uso o dorso da mão para enxugar as lágrimas.

— Eu só não sou capaz de viver em um relacionamento agora, está bem? Me dói muito , mas não sinto mais aquela mesma vontade de estar junto, de passar o dia ao seu lado; e para um relacionamento dar certo é preciso ter essa vontade, de ambos os lados, e, infelizmente, as pessoas não são sempre as mesmas. Eu mudei, não sou mais o britânico que troca o lado do volante — ele fecha os olhos quando termina, apoiando o rosto nas mãos, e nesse momento eu sei que não vou aguentar mais ouvir uma palavra.

Acabou. Ele não sente mais o mesmo, e agora, olhando para um de olhos fechados com lágrimas escorrendo, eu sei que não posso ser injusta, não posso pedir para que ele fique comigo. Arrasto a cadeira devagar, e levanto da mesa. Ele abre os olhos levantando o rosto por causa do barulho, e me encara.

— Eu espero que você fique bem e que encontre o que precisa na Califórnia — falo, com tristeza e talvez um pouquinho amargurada, porém de forma sincera, antes de dar as costas para Mike e sair daquele lugar sufocante.

Caminho alguns quarteirões até a praia e sento em um dos bancos da calçada limpa de San Diego. As lágrimas insistem em cair, e eu respiro fundo, as enxugando. O barulho das ondas batendo me acalma e eu fecho os olhos com força. Acabou. Mas eu sei que vou ficar bem sem ele.

Talvez eu realmente seja melhor sozinha. Talvez eu realmente seja o suficiente pra mim, só preciso aprender a lidar com isso. E eu sei que vou conseguir, em qualquer lugar do mundo.

 

FIM?

 

Nota da autora: Gente, o que foi isso? Hahahahaha! Eu sei, vocês devem estar se coçando de raiva por causa do nosso pp, então já vou pedindo perdão e colocando a culpa na Alessia Cara, que escreveu essa música triste. Desde a primeira vez que ouvi a música consegui visualizar essa história, algumas cenas muito específicas, então, aqui está! Sobre o fim, bom… talvez a nossa pp mereça uma história digna agora, com várias descobertas e crescimento; não sei se isso vai sair de verdade ou se vocês vão precisar criar aí na cabeça de vocês, mas quem sabe, né? Fica aí a dúvida! Hahahaha, espero que vocês tenham curtido a história de alguma forma! Um beijão!