Phoenix

Phoenix

  • Por: M. Angeli
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 352
  • Visualizações: 83
  • Capítulos: 3 | ver todos

Sinopse: Nunca foi bom ter a The Phoenix atrás de você, especialmente depois de ter planejado o golpe responsável por levar o lugar à maior crise já enfrentada. Claro que depois de um ano, esperava que tivessem me esquecido, tinha esperanças disso.
Uma pena estar enganada.
Classificação: +18.
Gênero: Ação, Drama e Romance
Beta: Alex Russo

Capítulos:


Prologue
Fazia mais de dez anos que ela não chorava, havia sido treinada para agir assim. Não só ela, as duas foram. Precisavam ser fortes, não podiam demonstrar suas emoções para o inimigo, mas ali, diante do corpo sem vida de , parecia impossível.
, que sempre fora a mais controlada, tentava a todo custo manter-se firme diante do que via. Agachou-se frente ao corpo, tentando lutar contra tudo o que sentia. Tentando lutar com a dor de perder a pessoa que ela amava, mas nunca havia admitido. Alguém que ela sempre considerou parte de sua família.
, por outro lado, não conseguia fazer o mesmo. Ela não conseguia sequer olhar para o corpo caído ali sem sentir náuseas, sem sentir as lágrimas queimarem seus olhos, mesmo sendo muito mais próximo a .
— Vocês o acharam…? — chegou, correndo com logo atrás. Assim que notaram o que acontecia, pararam no lugar.
— Eu vou matar ela! — gritou, o mais alto que podia, mas tão rápido quanto veio, sua força e determinação se esvaiu. — Eu vou matar ele. — repetiu mais baixo, já chorando, e a abraçou sem conseguir simplesmente acreditar do que estava vendo, que perdera seu irmão daquela forma.
aproximou-se de para consolá-la, mas foi afastado bruscamente pela mulher.
Aquilo parecia traição com o rapaz morto no chão gelado.
Levantando-se bruscamente, ela correu até o carro preto com o qual tinham chegado até ali, no entanto, foi obrigada a se jogar atrás de um caminhão ao ouvir tiros.
Matar não tinha sido o suficiente, ele queria todos eles.
A equipe inteira.


Chapter 01
Four Months Before
De longe avistei os três homens saindo de um Bugatti preto e no mesmo instante, ainda sem conseguir ver o rosto de cada um deles, soube que não eram hóspedes normais.
Elegantemente vestidos com ternos de grife, apenas para dramatizar o momento, caminharam sem vacilar em direção ao hotel no qual eu estava hospedada, aos arredores do Palácio de Buckingham.
Finalmente haviam me encontrado. Demorou, mas eu sabia que no final, uma equipe da The Phoenix seria boa o suficiente para fazer isso.
Alguns anos atrás, eu, junto com , comandávamos nosso próprio grupo de agentes da The Phoenix. Éramos as melhores, e eu ainda me orgulhava de todo o progresso que havia feito por lá. No entanto, quando o líder da organização se deu conta de que poderíamos retirá-lo do poder em um piscar de olhos, o cara resolveu que estava na hora de nos matar.
Mas é claro que ele nunca conseguiu.
Última vez que falei com , a mulher estava fazendo um tour por todas as ilhas do Caribe, conhecendo uma a uma. Sentia sua falta, mesmo que nunca fosse admitir, mas nos manter afastadas era o preço que precisávamos pagar para ficarmos vivas. Não que tivessem nos ameaçado a isso, mas era o mais lógico a se fazer, especialmente depois do golpe que havíamos dado na organização.
Não queriam nos matar? Ótimo, nos vingamos levando todo o dinheiro que aquele lugar havia arrecadado ao longo dos anos. Nada mais justo.
A mulher em minha frente ainda tagarelava, estávamos conversando sobre algum assunto fútil do qual não me lembrava mais. Vê-los ali tomou minha completa atenção e dei as costas para ela, caminhando normalmente para dentro como se nada estivesse acontecendo além do fato de estar sendo completamente mal educada.
Passei rapidamente pela segurança com o nome falso que havia usado para me hospedar e segui até os elevadores, sem olhar para trás.
Quando estava na organização, usava meus cabelos no tom natural, mas já fazia anos que eu estava loira para despistar os agentes que poderiam chegar até mim. Era hora de descobrir se funcionaria.
Quando o elevador chegou, entrei nele o mais naturalmente possível para não levantar suspeitas. Para minha sorte, outras duas mulheres que conversavam sobre qualquer besteira entraram comigo e revirei os olhos, preferindo ignorá-las enquanto esperava o elevador iniciar a viagem. Nunca havia me dado conta do quanto demorava para as portas se fecharem, mas em uma última espiada para fora, meus olhos se arregalaram.
.
Não podia ser ele, ele não. não faria isso. Não viria atrás de mim.
Antes que eu pudesse ter certeza de que era ele, as portas se fecharam e respirei fundo, controlando a chuva de sentimentos e pensamentos contraditórios que decidiram tomar conta de minha mente.
Ser exatamente ele ali era o que fazia sentido.
Ninguém da The Phoenix havia conseguido nos encontrar e era óbvio que os únicos que conseguiriam o feito seriam aqueles que mais nos conheciam, que sabiam como agíamos. Era apenas difícil acreditar que também haviam decidido nos trair.
Entre todas as pessoas que conhecíamos, , e haviam sido aqueles que decidimos proteger. Não queríamos que fossem conosco, mas não achamos justo acabar com a vida dos três que ainda estavam limpos. Por esse motivo, escondemos deles o acontecia, simulando toda uma história, um plano, para que saíssem como inocentes. Nós sabíamos que eles entenderiam o que tinha acontecido rapidamente, deixamos pistas que somente os três encontrariam, mas cuidados para que ninguém, nem mesmo eles, nos encontrassem.
E agora eles tinham vindo atrás de nós, a mando da The Phoenix.
Conseguiria aceitar se fosse qualquer um ali, menos os três. Menos ele.
Meu objetivo inicial era seguir o plano já traçado para o caso de algo assim acontecer, mas meu ódio foi maior que a razão e por esse motivo, ao invés de seguir rapidamente até o quarto reserva onde escondia o necessário para fugir, me escondi no final do corredor, esperando o momento que ele chegaria.
E eu o conhecia bem o suficiente para saber que não levaria muito tempo.
Com a mão na cintura, onde carregava um punhal, esperei pelo elevador que novamente indicava alguém chegando. Assim que ouvi a porta se abrir, me preparei em expectativa. Sabia que era ele, algo dentro de mim parecia avisar que se aproximava e por algum motivo que só me irritava ainda mais, eu não conseguia esconder minha ansiedade para revê-lo.
Como eu imaginava, ele saiu pela porta e esperou que ela fechasse atrás de si para se mover. Ao perceber que estava realmente sozinho, buscou pela arma escondida na cintura e caminhou pelo corredor onde eu o esperava. Quando chegou perto o suficiente, arranquei a arma de sua mão em um único golpe e ainda rápido o suficiente para que ele não conseguisse reagir, o empurrei para o armário de limpeza, trancando a porta atrás de nós.
Lancei contra a parede, segurando suas mãos com firmeza atrás de seu próprio corpo e coloquei o punhal em seu pescoço, mas ele não esboçou qualquer reação. Sequer pareceu surpreso com o que eu tinha feito e isso fez com que me amaldiçoasse por ter agido tão rápido, sem esperar pelos outros dois. Ele não entraria aqui sem um plano, nunca.
— Sempre gostei de ficar preso com você dentro de armários. — falou com um sorriso no rosto, mas me mostrei indiferente ao comentário e até mesmo a ele ali. Não importava o que havia sido para mim, se estava aqui para terminar o serviço sujo da The Phoenix, eu o mataria sem vacilar.
— O que você quer, ? — perguntei firme, evitando que se movesse com o punhal em seu pescoço.
— Sempre achei que revólveres combinavam mais com você. — respondeu, ignorando totalmente minha pergunta.
Para mostrar que eu não estava brincando, apertei a lâmina contra sua pele.
, meu querido, se você não falar logo o que quer, eu vou cortar seu pescoço. — ameacei, mas ele simplesmente riu.
O filho da puta riu.
— Não vai não. Não faria isso antes e agora acho que você perdeu o jeito. — retrucou com deboche, apenas para me tirar do sério. Esse sempre foi seu passatempo preferido e não importava quanto tempo se passasse, eu ainda odiaria.
Sorri cínica, não demonstrando o quão irritada havia ficado com o comentário mesmo que ele provavelmente soubesse. Paciência sempre foi uma virtude que me fez falta.
— Perdi o jeito? Por quanto tempo vocês ficaram me procurando? Aposto que não levou menos de dois meses. – retruquei, ácida. — Aliás, caso não tenha notado, quem te pegou primeiro fui eu.
riu mais uma vez e eu passei a me preocupar com a situação. Os outros dois com certeza planejavam algo, deveriam estar perto e temia que ele conseguisse sentir meu receio.
— Levaram mais de quatro meses na verdade. — respondeu por fim.
— E quem está perdendo o jeito sou eu? – ri. — Você tem certeza?
— Sim, porque realmente acredita que me pegou.
— Desculpa, mas é você quem está com a cara na parede e uma faca no pescoço. — respondi, mas o movimento dele em seguida foi tão rápido que eu sequer fui capaz de acompanhar.
Em um segundo, a vantagem era minha, mas no outro eu já estava no chão, com ele por cima, segurando o mesmo punhal que antes estava em seu pescoço, contra o meu.
— Tem certeza? — ele sussurrou em meu ouvido com certo humor, mas ignorando a reação do meu corpo por tê-lo tão perto novamente, especialmente sussurrando tão perto, inverti as posições. Tão rápido quanto ficou por cima, ficou por baixo, mas isso só aconteceu porque ele tinha cometido o erro que nunca cometeria em uma luta real, o de baixar a guarda.
Entre todos da antiga equipe, ele era o melhor em uma luta corpo a corpo e isso só me deixou ainda mais alerta. Ou ele planejava algo com os outros ou estava realmente achando que eu tinha perdido o jeito.
E eu esperava sinceramente que fosse a primeira alternativa, pois ele estaria muito enganado.
— Sim, eu tenho. – respondi por fim, já me irritando com aquela conversa. — E você vai falar logo o que quer de mim, .
Ele riu novamente, mas não continha qualquer sarcasmo em seu tom agora. Era apenas uma risada, sendo o que eu conhecia, e travei a mandíbula para ignorar tudo o que aquilo causava em mim.
— Relaxa, . Eu não vim te matar e você sabe muito bem que se eu quisesse fazer isso, não faria assim.
Ouvir meu apelido sair por sua boca trouxe de volta milhares de lembranças que eu lutei para reprimir. Sim, eu tinha sentido falta dele, mais do que tinha sentido de qualquer um deles. era mais importante para mim do que qualquer um, mas me recusava a admitir isso. O amor era a maior fraqueza de uma pessoa como nós. Eu mais do que ninguém, sabia disso.
— Fala logo. — repeti entre dentes, ignorando completamente o que ele havia dito. Para comprovar que não estava brincando, ou talvez para provar a mim mesma que conseguiria matá-lo se fosse necessário, apertei a lâmina o suficiente para iniciar um corte em seu pescoço, vendo um filete de sangue escorrer por ele.
fez uma careta.
— Está bem, está bem! A companhia nos quer de volta em uma missão.
Foi minha vez de rir, mas diferente de , minha risada veio completamente carregada de deboche.
— Eles não estariam tão desesperados assim. — respondi, mas não o soltei. Ele ainda podia estar mentindo. Eu ainda achava que ele estava mentindo, mesmo não querendo acreditar nisso.
— Se você soubesse o que está acontecendo lá, saberia o quão sério é. Eles realmente estão desesperados, .
— Quer saber o que eu acho? — perguntei, tentando esconder a mágoa que sentia com a simples possibilidade da traição. Esse era outro dos motivos pelo qual o amor era uma fraqueza, um motivo pelo qual eu me recusava a amar qualquer pessoa além de mim mesma. — Eles se cansaram de tentar nos encontrar e inventaram essa história pra vocês nos levarem até lá. — Ele abriu a boca para falar, mas o interrompi. — Não, sabe o que eu acho de verdade? — voltei a perguntar. — Que você está aqui me distraindo enquanto os outros estão lá fora, esperando por mim. Acho que ele os mandou porque sabia que eram os únicos que nos encontrariam.
Ele ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder, agora sério pela primeira vez:
— Você realmente acha que trairíamos vocês depois de tudo? Você sabe como foi viver naquele lugar onde todos culpavam a gente pela merda que vocês tinham feito? Que droga, ! — resmungou irritado, agora segurando minha mão para que eu afastasse o punhal e deixei que ele o fizesse, culpada por ter desconfiado dele. sentou-se, passando as mãos pelo pescoço machucado e me olhou com angústia. — Vocês abandonaram a gente, nem ao menos se deram o trabalho de contar o que planejavam… Ou o que eles planejavam. Acha mesmo que deixaríamos que matassem as duas? — falou a última parte com o tom de voz um pouco mais baixo. — Foram vocês que nos traíram, . Não o contrário.
— Não queria você comigo — respondi, mesmo sabendo que doeria nele. Sim, eu era insensível e a questão era exatamente essa. Eu queria ser assim e atrapalhava isso completamente.
Ele bufou irritado.
— Quer saber? Foda-se. Vai me ouvir ou vamos continuar essa discussão ridícula?
— O que parece que eu estou fazendo até agora se não te ouvir?
— Parece que você está brigando com essa sua cabecinha louca. — ele tocou minha testa com o dedo indicador, e eu bati em sua mão para afastá-lo, esquecendo-me completamente da culpa para voltar a ficar irritada. — Por que você não pode só admitir que sentiu minha falta como senti a sua? Por que isso é sempre tão complicado pra você?
Levantei-me do chão com facilidade apesar dos saltos e o encarei antes de respondê-lo.
— Por que minha vida está completamente perfeita como está. Não me importo com a The Phoenix, me importo comigo e não voltarei. Nem por você, nem por ninguém. – decretei, firme, mas não disse que não senti sua falta. Seria mentira e ele saberia disso, daria ainda mais motivo para a discussão. E eu sempre odiei nossas discussões, especialmente por terem sempre o mesmo motivo.
— Imagino como está ótima! — ironizou. — Você tem dinheiro para viver a vida que sempre quis e pode se fazer de vítima solitária. Não é isso que você adora? Dizer o quão solitária você é? – ele se levantou também, me encarando de perto enquanto praticamente cuspia as palavras em minha direção. — Pelo amor de Deus, quando você vai parar com essa merda?!
— Essa merda sou eu! Se está tão incomodado, não deveria ter voltado!
— Voltei pela minha missão, não por você! — respondeu, para tentar me afetar, para tentar alguma reação ao que ele sabia que eu sentia, mas não demonstrava. Isso era outra coisa que nunca mudaria entre nós. Ele tentava me mudar, eu o magoava, ele tentava me magoar de volta, mas não conseguia. Pelo menos eu fingia muito bem que não.
— Você discute desse jeito com todas as suas “missões”?
Ele revirou os olhos, se afastando de mim. Eu queria que ele tivesse me puxado para ele e me beijado, apenas para provar seu ponto como normalmente fazia e depois nós discutiríamos novamente, como nos velhos tempos, mas ele não fez isso, apenas se afastou.
— Ótimo, trataremos da minha missão já que você quer assim. — ele puxou a corrente que tinha em volta do pescoço, revelando um pen drive. — Está tudo aqui, só preciso de um computador.
O encarei por alguns instantes, decidindo se era seguro ou não levá-lo para meu quarto. No fundo eu acreditava em , ele não me machucaria.
Por fim, concordei com um aceno de cabeça e sai do armário sem olhar para trás.
— Já aviso. — comecei, sem diminuir o passo ou esperar para saber se ele estava atrás de mim. Sabia que estava, seu perfume tomava conta do lugar.— Eu não volto para lá.
— A recompensa é ótima. — respondeu com simplicidade e mesmo sem encará-lo, o imaginava dando de ombros.
— Tenho cara de quem precisa de recompensa? — perguntei, mesmo sendo óbvio que não. Bastava olhar para o lugar ao redor. Estava em um dos hotéis mais cobiçados de Londres, o que mais podia querer?
, dá uma chance pra gente, é importante… — ele apertou o passo para me acompanhar lado a lado e parei onde estava para encará-lo.
— Não para mim, não mais. Eu estava bem aqui, , por que você só não me deixou? — eu estava realmente bem viajando pelo mundo, mas tinha custado muito esquecê-lo e agora teria que fazer isso novamente quando ele fosse embora. Odiaria ter que passar por aquilo novamente.
— Eu deixei, por mais tempo do que deveria. — deu mais um passo em minha direção e fechei os olhos, imaginando seu toque em minha pele, desejando que ele me tocasse, mesmo sabendo que aquilo apenas pioraria a situação. Percebendo que não me afastei, ele deu mais um passo, cuidadoso e mesmo ainda sentindo sua respiração em meu rosto, o virei quando ele finalmente tentou tocá-lo. — Eu tentei esquecer como sabia que você faria, mas quando percebi que era impossível, já não dava mais, você e haviam sumido completamente.
Por um instante realmente vacilei, muito mais pela proximidade do que por suas palavras, mas o toque de seus lábios em meu pescoço, muito mais delicado do que os que trocávamos, me despertou. Espalmando a mão em seu peito, consegui afastá-lo mim.
— Vamos logo com isso. — dei as costas para ele, soando muito mais firme do que me sentia. — Quanto mais rápido eu ver, mais rápido você vai embora.
bufou, mas não disse nada, apenas me seguiu para dentro do quarto quando abri a porta, olhando ao redor meio impressionado.
O primeiro cômodo era apenas para recepção, mas seu tamanho me permitiria dar uma festa ali se isso não fosse contra as regras do local. A decoração contava com uma lareira que eu ainda não havia tido oportunidade de acender e enormes sofás de couro na cor vinho. Eu tinha tudo que precisava ali, mas passei direto por tudo, seguindo para o quarto separado do cômodo por pequenos degraus e enormes portas de madeira.
— Humildade nunca foi o seu forte, definitivamente. — comentou, alto o suficiente para que eu ouvisse mesmo do quarto, mas no instante seguinte eu estava de volta, colocando o computador sobre a mesa de centro, já ligado e desbloqueado. Sentei-me no sofá de frente para ele, cruzando as pernas e braços e esperando que aquilo fosse o suficiente para que entendesse que deveria começar. Como bom entendedor, ele tirou o pendrive do pescoço e o conectou no computador. — Pra já, milady. — sorri cínica com seu sarcasmo, mas não respondi, apenas esperei que ele começasse. — Bom, basicamente, o que eu tenho aqui são alguns arquivos. — falou sério, abrindo o primeiro deles e precisei me aproximar para ver. — Não parece nada demais se você não olhar de onde saiu e para onde está indo, o que…
— Foram alteradas. — interrompi e ele concordou, com um sorriso no rosto.
— Foram. Tudo está sendo modificado antes de chegar aos setores… Quero dizer, sai uma ordem e chega outra, o que está criando uma baderna enorme. Todo mundo acredita que o Vlad enlouqueceu ou perdeu o jeito e até então, ele estava culpando os próprios agentes por cumprirem ordens erradas, entende?
— É, ele tem um problema. — respondi, tomando a postura inicial ao voltar para o meu lugar. Não era necessário que me explicasse que tinha alguém infiltrado na The Phoenix para que eu percebesse o óbvio com aquilo, mas ainda existiam muitas outras coisas a se considerar antes que eu tivesse a mínima vontade de interferir, o que eu definitivamente não queria fazer.
— Você não vai querer ouvir as conversas sobre a revolta que estão planejando, vai?
Neguei com a cabeça, realmente desinteressada no assunto e ele relaxou no sofá, largando o computador de lado. Parecia mais frustrado do que surpreso.
, eu sinceramente não dou a mínima para o que está acontecendo e desejo, do fundo do meu coração, que o Vlad se foda.
— Sua delicadeza me comove, mas nós concordamos quanto a última parte. — olhei confusa para ele e apoiou os cotovelos em suas pernas, se inclinando em minha direção com um sorriso que apenas me deixou mais desconfiada. — Nós não estamos te chamando para ajudá-lo, ele que está. Também não contamos sobre essa parte do espião para ele, Vlad pode até estar desconfiado, mas tem muito mais relação com sua paranóia doentia.
Estreitei os olhos ao entender aonde ele queria chegar, definitivamente gostando do rumo que a conversa estava tomando, mas aquilo apenas me fazia voltar para as variáveis, deixando que a cabeça trabalhasse em todas as chances que aquilo tinha de dar errado.
No fundo, eu não desconfiava realmente de . Sempre havia confiado nele muito mais do que deveria, mas o que garantia que ele não estava sendo enganado? Existia a possibilidade de o estarem usando para nos levar de volta e de Vlad eu esperava tudo, especialmente quando o conhecia bem o suficiente para saber que não esquecia uma traição. Além disso, se tudo fosse realmente verdade, ele podia muito bem me culpar pelo problema já que eu, junto com , tínhamos quase destruído o lugar com a maior crise financeira que já tinham passado.
, você não acha nenhum pouco estranho estarem pedindo logo a minha ajuda? Ainda não consigo entender o que eles pretendem que eu faça com isso, é muito mais fácil eu voltar para atiçar a rebelião do que controlá-la, você sabe muito bem disso.
— Quem liga? É isso que pretendemos. — deu de ombros e revirei os olhos. Eu já tinha entendido o que ele pretendia, mas onde Vlad entrava me querendo de volta que era realmente complicado.
— Mesmo que exista realmente uma missão, , por que ele ia querer logo a mim? Confiar logo em mim? – perguntei, tentando ser mais clara.
— Tecnicamente, ele quer você e a . — respondeu, e se não o conhecesse tão bem para saber que aquele tipo de coisa era exatamente o que fazia, diria que estava fugindo do assunto. adorava provar o quão impaciente eu era, especialmente quando terminávamos na cama depois. Todas as nossas discussões terminavam lá. — , vocês duas foram as únicas que conseguiram controlar aquele lugar além dele. Uma revolta pode estar começando, mas são coisas completamente isoladas, são várias pessoas o xingando pelas costas, sem um líder para iniciar algo realmente grande. Ele com certeza teme que vocês cheguem para piorar a situação e sabemos que vai ficar de olho em nós cinco, especialmente paranóico como está. Vlad não vai pensar duas vezes em nos matar se desconfiar de algo, mas antes disso, não. — levantou, sentando-se ao meu lado no sofá e apenas o encarei, sem me mover. — Eu sei que você acredita em mim, e você sabe que eu não as chamaria de volta se não acreditasse realmente no que estou falando. Vlad perdeu completamente o controle e sequer consegue perceber o espião na cara dele. Caso precise de mais provas, ele mesmo nos mandou atrás das duas apenas para fazermos essa oferta, ignorando todas as chances de dar errado, e elas são grandes. Sinceramente, acredito que vocês duas são uma ameaça muito maior para ele do que o contrário e se Vlad tentar qualquer coisa, você sabe que não só eu, mas como também e , vamos ficar do seu lado.
me olhou com convicção esperando por uma resposta e não desviei o olhar do seu enquanto pensava. Se ele estivesse certo, mesmo que Vlad planejasse nos matar após controlarmos a confusão para ele, não teria tempo, pois já teríamos agido. Sabia que não deixaria de confirmar se as conspirações eram verdadeiras antes de seguir o plano e principalmente, de nos chamar, mas não tinha certeza se deveria confiar e acreditar tanto nisso como estava fazendo, mesmo não tendo nada a perder.
— Você sabe o que exatamente o Vlad espera de nós? — perguntei, e ele tentou esconder o sorriso convencido ao perceber que eu aceitaria.
— Que descubram o problema com os rebeldes e os controlem como faziam. Ele pretende oferecer a liberdade a vocês ou um lugar fixo e seguro ao lado dele na presidência, dependendo do que vocês escolherem.
— Ah, claro. — ironizei, levantando-me do sofá e dando as costas para ele ao caminhar até a janela. — Ele nos mataria antes de dividir a presidência.
— Com certeza, e justamente por isso não temos um lugar para ele. — respondeu, não escondendo o sorriso agora. — E então? Acha que consegue fazer isso?
Sorri com o tom de desafio em sua voz, não era como se eu fosse capaz de recusar um e mesmo que eu não tivesse intenção de admitir, seria ótimo estar de volta a ativa, aquela vida de madame rica não era para mim apesar de todas as regalias.
Por fim, me virei para ele novamente, ficando satisfeita ao encontrar um sorriso cúmplice em seu rosto. Ele já sabia minha resposta, ter o poder da The Phoenix era tão atraente quando me vingar de Vlad. Eu amava as duas alternativas, não tinha como negar.
— Acho que está na hora de chamar e . — respondi, dando de ombros como se não fosse nada demais. — Temos que encontrar o mais rápido possível.

Nota da Autora:
Finalmente voltei com ela! Hahaha Acho que estava com medo de revisar e acabar odiando, mas isso não aconteceu. Enfim, vou tentar mandar os capítulos rapidamente, mas vai depender da minha disposição para revisar. Hahaha
Vou deixar um agradecimento especial para a Marcelle Cezar que me achou e incentivou elogiando a fic, acabei voltando por isso. Obrigada <3
Espero voltar logo. Até breve.

Chapter 02
Welcome to Caribbean

Nós sabíamos que estava no Caribe, mas a questão agora era: Em qual parte dele?
— Baixem o sistema de todos os hotéis e todas as ilhas. Separem neles todas as mulheres solteiras com idade entre vinte e oito e trinta anos hospedadas sozinhas — falei, andando de um lado para o outro no quarto do grandioso hotel do Atlantis Paradise Island, nas Bahamas.
— Mas ela não tem vinte e quatro? — perguntou, confuso em frente ao notebook.
era irmão de e embora fosse um gênio com computadores, era lerdo demais com qualquer outra coisa. Aquilo incomodava quando precisávamos de um plano rápido, pois alguém sempre precisava traduzir tudo para ele, normalmente o próprio , mas também era responsável por melhorar o ânimo de todos ao seu redor e no geral, não era complicado lidar com ele.
— Qual é a graça de ser outra pessoa se não se pode mentir a idade? — perguntei, me virando para encará-lo já que até então, aproveitava a vista do imenso hotel. Como nunca tinha pensado em vir para um lugar como esse antes? Agora entendia por que , por mais que tentasse, acabava sempre voltando para o Caribe. Não existia lugar mais incrível do que aquele.
— Mas o objetivo não é falar que tem menos idade? — ele voltou a questionar, agora ainda mais confuso do que antes e , que até então passava os canais da televisão sem ao menos prestar atenção em um deles, parou o que fazia para me encarar também, esperando pela resposta.
— Pra que mentir para menos? — rebati com outra pergunta, no mesmo momento em que entrava no quarto segurando uma bandeja com taças cheias com alguma bebida típica do Caribe. Peguei um deles quando ele ofereceu e não precisei falar nada para que ele entendesse minha pergunta.
— Piña colada. – respondeu, tentando imitar um sotaque espanhol. Ficou péssimo em combinação com seu já sotaque britânico.
— Você sabe que tem mais rum do que suco de abacaxi nesses, não sabe? — perguntou, pegando a taça que oferecia a ele.
— Estamos no Caribe. O que você esperava? — ele terminou de distribuir e sentou-se ao lado de no sofá. — E ainda preciso experimentar o Cliquet — continuou. — Mas sobre o que estavam falando?
— Sobre a idade de retrucou após dar um longo gole em sua bebida. — E eu ainda não entendi porque ela mentiria a idade para mais e não para menos.
— Falando que é mais velha do que realmente é, as pessoas vão se surpreender por ela parecer tão jovem. — o próprio respondeu antes que eu fizesse. sorriu discretamente antes de se voltar para a televisão novamente e olhou para mim como se perguntasse se ele estava certo. Concordei com a cabeça e ele riu.
— Isso é cara dela. — comentou, se voltando novamente para o computador. — Mas nossa lista ainda é gigante.
— Comece a comparação, você sabe o que fazer.
— Você lembra que mesmo colocando para que o sistema faça isso sozinho, eu ainda vou ter que fazer hotel por hotel, certo?
— Então acho melhor começar logo. — respondi, caminhando até meu quarto enquanto ignorava os olhares curiosos de cada um deles sobre mim. Eu já vestia um biquíni preto por baixo de uma saída de banho da mesma cor e peguei sobre a cama o chapéu que havia deixado ali, o vestindo antes de voltar para a sala.
— Aonde vai? — perguntou, sem ao menos tirar o canudo da boca, mas tentou disfarçar que meu corpo chamava sua atenção.
— Uma coisa que você não perdeu foi a forma. — não disfarçou tão bem, mas desviou o olhar para assim que este lhe encarou desacreditado. — O que foi? Ela é bonita e estou elogiando respeitosamente. Sem segundas intenções. — se justificou. — E se não fosse ela com certeza me daria uma surra.
— Ainda bem que sabe. — respondi, ignorando completamente. — Enfim, vou conhecer o hotel, sozinha. Sejam bonzinhos e ajudem o .
Ouvi bufar ao fechar a porta atrás de mim, mas esperei estar perto do elevador para sorrir com aquilo. Era realmente bom estar de volta e mais ainda ver que nada tinha mudado, mesmo depois de tanto tempo.

✘✘✘
Eu estava quase dormindo na mesa de massagem quando a mulher avisou que sairia da sala. Ela tinha me dito o motivo, mas sinceramente, não prestei atenção, apenas voltei a fechar os olhos sem me importar se ela demoraria desde que eu pudesse ficar ali.
Apesar do hotel ser extraordinariamente grande e da quantidade de informativos sobre as atividades oferecidas, preferi descobrir por mim mesma, caminhando pelo local até os pés doerem.
De imediato, o cassino e as boates me chamaram atenção, mas abririam apenas a noite e de qualquer forma, não era como se qualquer atividade ali deixasse a desejar. Pelo dia tinha parque aquático, teatros, centenas de lojas e várias outras coisas. Era complicado simplesmente decidir o que fazer, especialmente sabendo que dificilmente passaria mais de um dia ali. Era tudo muito tentador, mas foi ao SPA que não consegui resistir.
Por fim, despertei com o som da porta abrindo e apenas suspirei, ainda deitada de bruços. Não tinha ideia de quanto tempo tinha passado ali para saber se minha sessão já tinha acabado, mas não me importei quando senti o óleo cair por minhas costas. Me surpreendi com mãos firmes e másculas ao invés das de mulher como anteriormente, mas não me dei ao trabalho de perguntar o por quê.
Eram melhores que as femininas, sempre tão delicadas, mas não demorei para notar o quão familiar aqueles toques pareciam.
. De alguma forma simplesmente soube que era ele e senti um arrepio percorrer meu corpo, já completamente desperta e ciente de cada movimento dele por minhas costas. Sua mão deslizou por minha pele devido ao óleo e seguiu descendo perigosamente até a toalha cobrindo minha bunda. Por um instante, desconfiei de que ele fosse descê-la e mordi meu lábio inferior para reprimir o pensamento, desejando que ele o fizesse, mas ao invés disso ele voltou a subir, se concentrando em meus ombros e pescoço, o que não era menos excitante.
Eu não entendia exatamente o que ele fazia para tornar aquilo tão erótico, mas meu corpo se aqueceu quando voltou a despejar o óleo, agora em minhas pernas, e pude imaginar por antecedência o que suas mãos subindo por aquela parte de meu corpo causariam.
Como o esperado, ele se concentrou naquela região e apertei os olhos quando suas mãos tocaram minha pele novamente, quentes e firmes, subindo perigosamente e dessa vez, realmente invadindo a toalha.
— Vai continuar fingindo que não sabe quem é? — sussurrou a pergunta, próximo ao meu ouvido. — Você sabe desde que passei pela porta, mas eu estou deixando claro para te dar oportunidade de me impedir. Se quiser — provocou, como se já soubesse minha resposta.
Estava certo, sabia mesmo.
— Continuar o quê, uhm? Está achando que só isso vai me fazer ceder a você? — devolvi no mesmo tom, sentindo sua mão subir mais até estar em minha bunda.
— Você sabe que sim — respondeu ele, apertando uma das nádegas enquanto roçava o nariz em meu pescoço.
— Você é um cretino — reclamei, mas já havia me rendido. Sua respiração em meu pescoço foi o suficiente para despertar todos os meus sentidos de uma só vez e ele certamente sabia disso. Conhecia meu corpo como ninguém e aparentemente, não havia esquecido de nenhum detalhe ao longo dos anos.
Controlando um suspiro satisfeito que ameaçou sair de meus lábios, tentei lutar contra o inevitável e o empurrei para me levantar, pouco me importando se a única coisa que cobria meu corpo, a pequena toalha, tivesse caído no caminho. Meu corpo nu não era nenhuma novidade para ele.
, como se esperasse por isso, riu, e me acompanhou com o olhar enquanto eu seguia para as prateleiras em busca de uma toalha maior para cobrir meu corpo. Não sentia nenhuma vergonha com ele ali, olhando para pedacinho de pele a mostra, mas teria o prazer de esconder só para contrariá-lo.
Mas ele, obviamente, não se deu por vencido. Senti sua aproximação antes que ele de fato me envolvesse em seus braços e não o impedi, muito pelo contrário. Foi eu que me virei para ficar de frente para ele e depois disso, não esperou mais nada para tocar meus lábios com os seus de forma urgente, como se esperasse por aquilo tanto quanto eu secretamente esperava.
Imediatamente, a saudade que sentia de seus toques mais íntimos inundou minha mente e apenas o calor de seu corpo no meu já foi o suficiente para me fazer desejá-lo mais do que era aceitável para minha sanidade. Ao invés de me afastar, aprofundei o beijo, segurando em seus cabelos com firmeza enquanto suas mãos voltavam para meu corpo com certo desespero, o mesmo que eu tinha depois de tanto tempo sem senti-lo em mim.
Mordiscando o meu lábio inferior antes de voltar a me beijar, prendeu-me contra a parede com um baque. Arquejei com o contato agressivo em conjunto com o material gelado em minhas costas, causando-me arrepios, mas não tinha como gostar mais daquilo e ele sabia bem disso. Entrelacei os braços em seu pescoço e as pernas ao redor de sua cintura, pra juntar ainda mais nossos corpos, e segurou com firmeza em minhas coxas, dando-me apoio. Sem precisar segurá-lo, aproveitei para abrir sua camisa e o livrei de uma vez dela.
Sequer havíamos começado e já sentia meu corpo queimar por ele, como sempre acontecia com qualquer simples toque vindo de .
Seus lábios foram para meu pescoço, trilhando um caminho pela região, e não me impedi de suspirar por ele dessa vez. Já fora de mim graças a toda saudade que sentia, segurei com mais firmeza em seus cabelos com uma das mãos, descendo as unhas da outra por seu abdômen com força o suficiente para marcá-lo, como sempre gostei de fazer. Em resposta, foi quem suspirou, prendendo-me com mais força contra a parede antes de se voltar novamente para meus lábios.
— Tem uma cama logo ali. — sugeri, me dando conta da falta de fôlego apenas quando minha voz falhou.
— Eu gosto da parede. — respondeu ele, mordiscando meu ombro e descendo mais mordidas até estar em meu seio, o abocanhando de uma só vez para chupá-lo.
Gemi sôfrega com o contato de sua língua e joguei a cabeça para trás, até onde a parede me permitia, mas ainda assim reuni toda minha força de vontade para empurrá-lo e descer de seu colo, recebendo um resmungo em protesto da parte dele.
— E eu gosto da cama. — sussurrei em seu ouvido, adorando vê-lo se arrepiar antes de empurrá-lo para onde queria.
Não me importava realmente em onde faríamos aquilo ou como, nunca foi importante, mas tinha outros planos em mente, como sempre tinha, e o derrubei sentado sobre a cama para subir em seu colo, não me demorando para abrir suas calças.
Senti suas mãos de volta em meu corpo, puxando-me para si, e logo se voltou para meus seios, puxando o bico de um deles com os lábios. Suspirando em resposta, arranhei suas costas enquanto jogava a cabeça para trás novamente, rebolando em seu colo e gemendo baixo pelo contato de seu corpo com o meu quando senti seu membro já ereto entre minhas pernas.
Nunca me esqueceria do quão delicioso era tê-lo dentro de mim, mas de repente, não tinha mais ideia do que eu estava mais desesperada para fazer com ele. Queria sentir sua ereção entre minhas mãos ao masturbá-lo, ou mesmo em minha boca. Adoraria ouvi-lo gemer sôfrego para mim, mas ele também gemeria quando estivesse para gozar dentro de mim e céus, eu precisava muito daquilo.
Sexo não era algo que tinha faltado na minha vida durante esses anos que estivemos separados, mas sexo com ele era melhor e antes que me desse conta, voltava a rebolar sobre seu colo, sentindo-me ainda mais molhada quando ele soltou o ar contra meus seios, voltando aos meus lábios de forma quase necessitada.
Correspondi ao beijo no mesmo instante, descendo as mãos por seu corpo a fim de invadir o que restava de sua roupa, mas fui impedida por ele quando me invadiu com dois de seus dedos, arrancando-me mais um gemido, agora contra seus lábios.
se moveu lenta e torturantemente dentro de mim, fazendo-me suspirar outra vez. Senti seus beijos descerem por meu queixo e pescoço, explorando meu corpo com seus lábios. Logo, sua língua também se juntou a eles, acariciando minha pele enquanto suas mãos exploravam meu corpo.
— Vai admitir que sentiu minha falta agora? – provocou, envolvendo meu pescoço com uma das mãos. O desgraçado ainda sabia tudo o que me excitava, quais partes do corpo tocar e como. — Eu sei que não encontrou ninguém que te conhecesse melhor. — ele chupou o lóbulo de minha orelha, puxando-o entre os dentes enquanto aumentava a intensidade dos movimentos dentro de mim, deslizando sem qualquer dificuldade.
Eu estava ridiculamente molhada e sua voz sussurrada em meu ouvido não era algo que ajudava.
Ignorando a petulância, colei novamente nossos lábios, gemendo contra eles sem me importar de romper o beijo. tirou os dedos de mim e segurou-me com força pela cintura, voltando a juntar nossos corpos juntos, o suficiente para que eu pudesse sentí-lo outra vez embaixo de mim. Me movimentei lentamente em seu colo, pressionando minha intimidade contra o volume em sua roupa e puxei deu lábio inferior com os dentes pelo incomodo dele ainda vestir as calças. Meu corpo todo implorava por ele, e por melhor que fosse rebolar em seu colo, sentir seu membro se esfregar entre minhas pernas, seria ainda melhor se eu não fosse a única nua ali.
Subi a mão até seus cabelos, e os puxei até que sua cabeça pendesse para trás, afastando nossos lábios.
— Eu não vi nada demais ainda, . Por que não me mostra, uhm? — provoquei, ciente de que ele entenderia a deixa para se despir de uma vez.
Rápido demais para que eu acompanhasse, fui jogada contra a cama e sorri satisfeita por ser atendida. Me apoiei sobre a cama com os cotovelos e assisti enquanto ele se livrava das últimas peças que cobriam seu corpo. Retirou o preservativo do bolso da calça e o segurou entre os lábios, mas não tirou os olhos de mim para terminar de se despir. Puxei o preservativo de seus lábios, mas voltei para a posição inicial e não evitei que meu olhar se perdesse em seu corpo, tão perfeitamente esculpido. Fazia jus a todo tempo que ele dedicava aos treinamentos. Mordi o lábio inferior, arrependida de não ter passado a língua por todo seu corpo, mas foi para seu membro ereto que eu olhei quando ele se livrou da última peça de roupa, ansiando por ele.
Finalmente sem as roupas, segurou em minhas pernas e puxou meu corpo para mais perto, voltando a juntar nossos lábios enquanto eu cuidava da embalagem do preservativo para vestí-lo. Precisei interromper o beijo para isso, e ele acompanhou meus movimentos com os lábios presos entre os dentes, mas assim que terminei, ele tomou mais uma vez o controle, segurando com firmeza em minhas coxas antes de me invadir de uma só vez.
Sentindo qualquer vestígio de ar me escapar, gemi para ele sem me importar com o local onde estávamos. Agarrei suas costas e deixei que ele segurasse meu corpo enquanto estocava dentro de mim. Por alguns instantes, tentei manter meus olhos abertos, mas foi impossível e apenas joguei a cabeça para trás, permitindo que ele explorasse meu pescoço como quisesse, usando os dentes e a língua, enquanto me segurava com força junto de si.
Ela simplesmente injusta a forma como ele fazia aquilo melhor do que qualquer um.
, olha para mim. — pediu, mas não tinha como atender ao pedido enquanto o maldito subia mordidas para minha mandibula, até voltar a atenção para meu lóbulo mais uma vez. Quando não o obedeci, ergueu meu corpo para que pudesse me levar consigo para o meio da cama, inclinando-se sobre mim. As estocadas se tornaram mais fortes, e eu gemi mais alto quando ele chegou o mais fundo que eu achava possível. Levei minhas mãos até sua bunda, apertando as bandas entre os dedos, mas ainda não satisfeito segurou minhas mãos para prendê-las contra a cama. Eu ainda não tinha feito o que ele havia pedido. — Olha pra mim. — insistiu, desacelerando os movimentos justamente quando eu mais estava gostando.
— Porra, … – reclamei, tentando me mover contra ele, mas isso apenas o levou a parar de uma vez o que fazia.
— Uhm? — perguntou, cínico, e sorriu sacana quando eu finalmente fiz o que ele pedia, rebolando contra sua ereção para que ele continuasse de uma vez.
encostou sua testa na minha antes de voltar ao que fazia, mas manteve o mesmo ritmo, lento e irritantemente bom, mesmo que fosse demais para a sanidade de qualquer um, especialmente para a minha.
— O que foi? — perguntou, como se por acaso não soubesse. Ele se divertia em me torturar, era ridículo. voltou a alcançar fundo dentro de mim, sem intensificar os movimentos, e novamente precisei fechar os olhos para gemer para ele. — Olha pra mim, .
— Vai se fuder.
— Eu gosto quando você fala palavrão, é sexy. — provocou outra vez, mas mordeu os próprios lábios para se conter quando rebolei contra seu membro, tão devagar quando suas estocadas.
— Eu vou mesmo precisar mostrar pra você como faz? – provoquei também. Ele sorriu em resposta, mas voltou a se mover com com rapidez, intensificando os gemidos que rompiam minha garganta.
Aquilo era bom acima de qualquer capacidade que eu tinha de descrição e por mais difícil que fosse, mantive meus olhos abertos, amando a expressão excitada em seu rosto.
Eu sentia todas as partes do meu corpo implorarem por mais dele, mas principalmente, eu queria provocá-lo, fazer com que ele gemesse para mim como eu sempre me derreteria ao ouvir e tentei, em vão, me soltar para isso, envolvendo seu quadril com minhas pernas e invertendo nossas posições quando ele apenas me segurou com mais força.
mordeu seus lábios quando cavalguei sobre ele, sentando-me completamente sobre seu membro e rebolando ali em seguida. Sem me conter, joguei a cabeça para trás, arranhando sua barriga onde conseguia alcançar enquanto gemia alto, ficando ainda mais satisfeita ao ser acompanhada por ele.
segurou com força em minhas pernas, apenas o olhar que lançava a meu corpo já sendo o suficiente para me enlouquecer, isso se ainda houvesse alguma sanidade para isso. Mesmo assim, voltei a cavalgar sobre ele, deliciada em tê-lo completamente dentro de mim e, principalmente, ao vê-lo perder o controle que eu, certamente, não tinha mais.
Deixando escapar um gemido mais alto, tentou sentar-se na cama para me ter em seus braços e o empurrei de volta, diminuindo o ritmo quando ele fechou os olhos e recebendo outro gemido por isso, tão rouco e sem fôlego que arrepiou cada parte do meu corpo.
— Abre os olhos, . — pedi, apertando meus seios apenas para provocá-lo quando obedeceu.
Novamente, tentou se sentar e o empurrei de volta, mas dessa vez ele me puxou junto, segurando em minha cintura com firmeza para estocar com força dentro de mim, como eu definitivamente gostava.
Chamei seu nome sem conseguir evitar, pedindo por mais e sendo obedecida de imediato, gemendo sôfrega em seu ouvido enquanto segurava com força em seus cabelos ao sentir o bolo de excitação se formar em meu estômago, chamando por ele com mais urgência ao esconder a cabeça em seu pescoço.
soltou o ar perto de meu ouvido, voltando a me arrepiar enquanto eu sentia o orgasmo se aproximar, tirando-me completamente do eixo.
— Goza pra mim, . — pediu, gemendo novamente quando o mordi e sequer encontrei ar o suficiente para pensar em responder quando finalmente chegou, fazendo-me gemer enquanto me agarrava desesperada a ele, os espasmos tomando conta do meu corpo.
Duvidava que pudesse existir alguma sensação melhor do que aquela no mundo e sequer conseguia pensar nisso enquanto minha visão embaçava. Não tinha mais ideia se gemia ou gritava, muito provavelmente uma mistura dos dois, mas era impossível com ele mantendo o ritmo das estocadas, agarrando meu corpo junto ao dele quando finalmente se desfez dentro de mim.
Deixei meu corpo relaxar sobre o dele, sentindo seu peito subir e descer conforme tentava se recuperar exatamente como eu fazia, ainda sentindo os efeitos do que o orgasmo havia causado embora estivesse muito ciente dele ainda dentro de mim.
Como se pensasse o mesmo que eu, deu mais algumas estocadas lentas e mordi meus lábios para conter um novo gemido, agarrando-me outra vez a ele enquanto escondia o rosto em seu pescoço.
… — resmunguei em reclamação, voltando a ficar excitada em questão de segundos.
Em resposta, o ouvi rir fraco, meio sem ar, mas saiu de dentro de mim no instante seguinte, me fazendo resmungar outra vez por estar tão sensível naquela região agora.
— Isso quer dizer que estamos bem? — ele perguntou, mas eu já me acomodava em seu colo, não muito disposta em levantar agora. Já não estava antes, mas a preguiça aumentou depois que terminamos.
— Sempre vamos estar bem para transar. — respondi com um bocejo e acabei rindo com seu olhar irônico sobre mim. — Não estávamos mal, .
— É sempre meio difícil entender quando estamos bem ou mal… — ele deu de ombros, mas falava com certo humor. — Podia ter data certa, tipo TPM, pra eu saber quando ficar longe.
— Estaremos mal quando você voltar com as cobranças. É só não me aborrecer com isso e ficaremos bem. Mas você já sabe disso. — respondi, me aconchegando com o rosto em seu pescoço.
— Sem cobranças, certo, entendi. Mais alguma coisa que eu deva saber? — perguntou sarcástico e recebeu uma mordida por isso. — Ai! O que foi?
— Sem sarcasmo.
— Foi por isso que me mordeu?! — questionou, espantado e dei de ombros.
— Posso dormir agora? — perguntei, sem me mover de seu colo, mas negou com a cabeça.
— Acho que em algum momento, posso ter esquecido de avisar que já achamos a … — respondeu, e somente então me afastei, lhe encarando desacreditada.
! – o repreendi. Deram a ele a tarefa de ma chamar para irmos atrás de e o maldito ao invés disso trouxe até preservativos para nosso encontro.
— Estamos bem, lembra? Você só ficaria brava comigo se eu fizesse cobranças. Sem cobranças, então amigos.
— Eu disse que não ficaríamos mal e não que não ficaria brava. — devolvi, mas ele já se levantava da cama junto comigo para nos vestirmos.

✘✘✘

Tivemos que mudar de ilha para encontrar .
Bahamas era um complexo de ilhas e descobrimos rapidamente por que ninguém encontrava , mesmo sabendo que ela estava lá. A mulher mudava de uma para a outra e se aproveitava da grande quantidade de hotéis, raramente repetindo a hospedagem. Atualmente, ela estava no Grand Lucayan Resort que por maior que fosse, não chegaria aos pés de onde havíamos ficado em Nassau.
— Me explica de novo porque você só não pode se hospedar no hotel e porque também não podemos fazer isso. — perguntou novamente e em resposta, revirei os olhos, olhando para em um pedido de ajuda antes de levantar-me para sair do carro. Ele concordou com a cabeça garantindo que explicaria ao irmão.
— Mas tenta ficar longe dos SPAs. — pediu, antes que me afastasse e sorri cínica antes de dar as costas.
— Bem que seria legal encontrar outro massagista gostoso. — respondi, sem me virar para encará-lo, e segui para dentro do grandioso hotel.
No mínimo, estava de olho nas hospedagens para fugir se visse alguém suspeito e por isso se hospedar não era um opção. Eu certamente seria suspeita assim como foi para mim, no entanto, ou seriam ainda pior e por isso, insisti que ficassem longe.
Por ser um lugar escolhido por , sinceramente esperava uma segurança melhor, mas passar pela recepção foi tão fácil que chegava a ser suspeito. Só entendi que não era tão simples quando percebi que até mesmo para os elevadores precisava de um cartão do hotel.
Voltei para trás como se nada estivesse errado e abri a saída de banho ao me aproximar do segurança, fingindo esbarrar.
— Ah, desculpa! — pedi com um sorriso, soando realmente culpada pelo que havia feito. — Eu estava distraída procurando meu cartão do hotel, acho que o perdi.
O segurança, antes de tudo, desceu o olhar para meu corpo e fingi não ver, contendo o ímpeto de rolar os olhos já que era exatamente aquela reação que esperava, por pior que ela fosse.
Homens eram previsíveis.
— Na recepção eles podem te ajudar com isso. — respondeu, após uma bela olhada em meus seios, e me fiz de distraída, voltando a sorrir sem jeito.
— É que… — mordi os lábios, olhando em volta apenas por parte da encenação antes de dar mais um passo em sua direção. — Eu não deveria estar aqui embaixo. — sussurrei. — Seria péssimo se meu marido descobrisse o que eu estava fazendo aqui.
Automaticamente, o segurança seguiu com o olhar para minha mão, sorrindo ao não ver anel nenhum ali. Enxergando aquilo como uma oportunidade, dei mais um passo, nos deixando próximos o suficiente para sentir sua respiração mais perto do que gostaria.
— Entendo… — respondeu ele, passando um dos braços ao redor da minha cintura. — E o que eu posso fazer por você, uhm?
— Talvez me emprestar o seu cartão, apenas para que eu consiga subir. — alisei sua camisa, brincando com a gola por alguns instantes. — Acho que consigo pensar em algumas recompensas para isso, só precisaríamos de quatro paredes.
O homem mordeu os próprios lábios exatamente como eu havia feito a poucos instantes, mas soltou-me logo depois, seguindo até o elevador. Olhando novamente para os lados enquanto continha meu sorriso vitorioso, o segui, entrando logo atrás dele.
No primeiro andar no qual paramos, ele desceu, e mais uma vez o segui, sendo surpreendida quando o segurança me agarrou, nos enfiando em uma salinha de segurança. Mantendo o disfarce, ri de sua pressa, deixando que seus lábios fossem para meu pescoço. Tão rápido quando ele levou a mão para minha bunda, no entanto, arranquei o taser de sua cintura e o usei nele mesmo, até que caísse desacordado no chão.
Nunca deixaria de me surpreender pela forma como homens eram movidos pela cabeça de baixo.
Com uma careta de nojo, roubei o cartão que ele havia usado nas portas e fechei minha saída de banho, largando o homem caído ali antes de voltar ao elevador.
Encontrar o quarto de foi fácil depois daquilo, mas parei no corredor ao ouvir sua voz se aproximar.
E ela não estava sozinha.
Me escondi no outro corredor enquanto esperava e apenas depois de ouvir o barulho da porta se fechando, segui até lá, utilizando o cartão do segurança para abri-la novamente.
Entrei com cautela e rapidamente me escondi para não ser vista, sendo obrigada a presenciar se agarrando com um loiro que aos tropeços, lhe tentava levar para a cama.
— Já posso terminar de tirar sua roupa agora? — ele perguntou e ela riu, arrancando sua camisa antes de jogá-lo contra o sofá.
— Depois que eu me livrar das suas. — ela respondeu, previsível, e espiei em tempo de ver muito mais do que deveria quando ela arrancou as calças dele.
Ela certamente teria uma ótima brincadeira e me senti ligeiramente culpada por estragá-la.
Quando voltaram a se beijar, roubei uma almofada e a joguei longe, derrubando um abajur para distraí-los antes de estar presenciando sexo explícito quando obviamente, preferia praticar.
Em um pulo de susto, se afastou dele, erguendo a guarda tão rápido que era quase possível vê-la.
— Não foi nada… — o loiro murmurou, a puxando novamente para si e suas mãos já estavam invadindo o biquíni de quando ela o afastou, levantando-se rapidamente de seu colo e seguindo para o quarto após murmurar qualquer coisa inaudível. — Eu tenho… — começou, mas bufou quando percebeu que não adiantaria.
Mas eu sabia muito bem que não eram preservativos que ela tinha ido buscar. Sai de onde estava, e o loiro pulou pelo susto.
— Mas o que…?!
Antes que tivesse tempo de terminar, apontei o revólver para sua cabeça, gesticulando para que ele saísse, mas não tirei os olhos da porta do quarto onde havia entrado.
Imediatamente, ele correu para fora e bufei de sua atitude “corajosa”, sendo surpreendida por no instante seguinte, prendendo meus braços para trás enquanto apontava sua própria arma para minha cabeça.
Só não me pergunte como ela tinha ido parar ali. Saída secreta no quarto?
— O que você está fazendo aqui? — perguntou séria, intensificando o aperto. — Tínhamos um acordo.
— As coisas mudaram. Tenho uma proposta muito melhor. — respondi, sem tentar me soltar. Ela bufou, como eu havia feito segundos antes.
— Não me importo, não quero nada da Phoenix.
— Não estou com eles, estou sozinha, por minha conta.
— E por que , e estão esperando você lá embaixo? — questionou, surpreendendo-me com a pergunta. estava muito mais preparada do que eu para viver fugindo, isso era óbvio. — Realmente me admira que você também esteja por trás disso. Acho que até eu entenderia, mas você, ?
Me soltei de seus braços, virando-me de frente para ela ao mesmo tempo que segurava o cano da arma, a arrancando de minha cabeça com rapidez o suficiente para que ela não tivesse tempo de reagir. Não que tenha demonstrado surpresa.
— Eu estava armada também e se quisesse te matar, teria feito. Você também poderia, mas não fez, não vai fazer.
— Não, eu não vou. — admitiu ela. — Não vou te matar, mas também não pretendo aceitar qualquer proposta que venha de você. — cuspiu as palavras, e não entendi o motivo da agressividade. “Nada que venha de mim”? E por qual motivo? jogou em mim um pequeno aparelho, uma escuta, que analisei com confusão. — Já pode ir embora e por favor, leva essa merda toda com você.
do que você está falando? Essas escutas não são nossas…
Quando entendi o que acontecia, já estávamos cercadas e fui jogada para frente com um baque, mesmo sem ter ideia de onde todos aqueles homens tinham saído. Antes que tivesse chance de me defender, puxou um punhal que estava escondido atrás da estante e o arremessou no primeiro homem. Ele caiu sobre mim e o empurrei para longe, me colocando de pé e atirando contra o segundo que tentava me impedir de fugir.
— Você atirou nele?! — gritou, perplexa, batendo com a cabeça de um terceiro algumas vezes contra a televisão antes de soltá-lo inconsciente no chão, já se preparando para o próximo que se jogava contra ela.
— O que você queria que eu fizesse?! — perguntei, aos berros. Sabíamos que em algumas circunstâncias, como aquela, atirar poderia não ser uma ideia, pois chamaria atenção e mais deles podiam aparecer, mas sempre foi melhor em passar despercebida do que eu e aquela era provavelmente nossa maior diferença. Ela sempre fazia seu serviço de maneira rápida e sorrateira. Ninguém a percebia a menos que ela quisesse enquanto eu apenas fazia meu serviço e quanto mais estrago, melhor.
— Eu queria que você não atirasse nele! — respondeu como se fosse óbvio, sem parar o que fazia, derrubando homem após homem.
— Você quer mesmo ter essa discussão agora? — atirei em outro para provocá-la e mais apareceram após derrubarem a porta do quarto.
parou por um instante para olhar para mim como quem diz: “Eu avisei” e recebeu, de um dos homens, um murro por isso. Olhando possessa para o cara, arrancou a arma de minha mão, ela própria atirando nele.
— Vai se fuder! — reclamou para o homem, voltando-se para mim em seguida. — Temos que sair daqui.
— Ah, jura? Eu queria realmente ficar enquanto eles continuam caindo do teto. — respondi irônica, nocauteando mais um. — De onde eles surgiram?!
— Pelas janelas, ou já estavam aqui. Não tenho ideia.
— E nem tempo para descobrir. — respondi, olhando para os lados tentando pensar em como sair dali. Estávamos alto demais para sair pelas janelas sem o equipamento necessário e tentar usar as portas era ridículo. Precisávamos chamar atenção dos três lá embaixo, por mais que odiasse precisar recorrer a reforços. — Você tem uma granada?
— Granada?! Ficou louca? Quer explodir o quarto? — ela berrou.
— Eu quero sair daqui! Você tem uma granada?
— Eu não vou dar uma granada na sua mão!
— Está bem — respondi, o mais calma que conseguia naquela situação, e segurei pelo colarinho um dos homens que corria até mim, o empurrando pela janela. O vidro se quebrou sem dificuldade e o homem caiu com um grito que foi se afastando conforme ele se aproximava mais do chão. — Já posso explodir o quarto agora? — perguntei, ignorando os gritos do homem.
— Você jogou ele pela janela?! — gritou ela. — Enlouqueceu de vez?!
, eu vou jogar você pela janela! Precisamos sair daqui!
— Argh! A maleta no meu quarto, embaixo da cama — cedeu. — Vai logo!
abriu caminho para que eu conseguisse passar e precisei brigar com mais três homens para chegar até lá. Por um instante, me perguntei porque eles só não atiravam na gente, mas provavelmente deveriam ter sido mais bem treinados do que eu. Não, considerando toda atenção que eu já tinha chamado, a possibilidade mais inteligente era que não tinham ordens para isso, as vezes precisavam nos levar vivas, mas precisaria pensar nisso depois.
Atirando em mais um, me arremessei atrás da cama e puxei a maleta, tirando três granadas de lá. Fiquei realmente decepcionada em não ter mãos o suficiente para levar pelo menos algumas armas dali, mas corri de volta para a sala.
, sai da porta! — gritei, destravando a granada e a arremessando sem pensar duas vezes antes de me jogar atrás de um móvel qualquer.
Com um estrondo ensurdecedor, a explosão aconteceu, e sem conseguir ouvir nada direito depois disso, me levantei de onde estava. Vários homens estavam jogados no chão, sangue manchava as paredes, mas não parei para analisar o estrago e menos ainda , que apenas correu para fora sendo seguida imediatamente por mim.
Não tinha ideia do porquê de terem mandado tanta gente apenas para nós duas, mas não conseguimos chegar muito longe e nos vimos cercadas também no corredor. Tínhamos apenas as opções de nos jogarmos pela janela ou correr para o elevador e obviamente, preferimos a segunda, mas estaríamos cercadas no andar inferior também. Provavelmente tentavam nos fazer correr até lá.
— Acha que consegue falar com eles no elevador? — perguntou, estendendo a mão para que eu lhe entregasse uma das duas granadas que haviam sobrado.
— Vamos ter que conseguir — respondi. — No três?
concordou com a cabeça e após a contagem, cada uma arremessou a granada para um lado e não esperamos para assistir enquanto fugiam, nos jogando para dentro do elevador.
Apertamos freneticamente o botão do térreo, ouvindo a explosão quando o elevador começou a se mover. Por instantes, tudo pareceu tremer e realmente achei que depois de tudo, morreríamos porque o elevador decidira desabar, mas ele se manteve firme e peguei o celular mais rápido que podia, ligando para .
Ele não atendeu e o xinguei por isso. Era muito bom que não tivesse atendido porque já estava no caminho, ou o mataria depois para compensar.
— Certo, quais são nossas opções? — perguntou, soando calma ao olhar para cima, procurando uma forma de escapar, e respirei fundo para controlar a irritação. Odiava quando aquilo acontecia, odiava quando conseguiam nos encurralar.
— Eu voto em atirar na cabeça de cada um — respondi, e ela revirou os olhos.
— Deixa de ser idiota, precisamos de algo que não nos mate.
Antes que tivéssemos oportunidade de decidir, o tilintar do elevador chamou nossa atenção e a porta se abriu.
Eu não tinha ideia do que esperar ao pensar do saguão, mas definitivamente não era o que encontrei. Os hóspedes corriam aos gritos de um lado para o outro devido aos tiros que eu não tinha ideia de onde vinham, mas sem pensar duas vezes, apenas me joguei junto com no meio da confusão.
— Volta, volta, volta! — gritou, correndo em minha direção, e segurou meu braço para me fazer voltar.
— Tem milhares deles lá em cima! — retruquei ao me soltar.
— Tem milhares deles aqui também caso você não tenha percebido! — gritou, para se fazer ouvir entre os gritos e tiros.
— Porra, anda logo! Por que pararam aqui?! — gritou ao nos encontrar no meio da bagunça, o seguindo de perto.
— Precisamos chegar até o carro! — respondeu no mesmo tom, mas entrou em sua frente quando ela tentou passar, a fazendo se chocar com ele.
— Precisamos subir! — repetiu, se assustando quando uma bala passou perto de seus ouvidos.
— Não podemos parar, vai logo! — tentou nos empurrar para cima e arrastou consigo para as escadas, ignorando seus protestos.
— O que pretendem fazer lá em cima? Vão nos encurralar! — gritei inabalável e voltou a me empurrar para cima. — !
— Também estamos encurralados aqui, porra! Lá pelos menos temos um helicóptero…
— Temos um helicóptero?! Por que você não falou isso logo?!
— Porque estamos no meio de um tiroteio! — gritou como se fosse óbvio, mas antes que eu respondesse, se jogou sobre mim, nos fazendo cair no exato momento que uma bala passava raspando por nós. Escapamos daquela, mas outra o atingiu e ele vacilou por um instante enquanto tentava se levantar, travando a mandíbula para que um gemido não lhe escapasse.
Por um momento, experimentei o medo e o tempo pareceu desacelerar diante de meus olhos.
Nunca havia me importado com minha própria vida para sentir medo por ela, mas sentia pela dele, me preocupava muito mais do que deveria, do que queria, e sabia que se isso não acabasse me matando, o mataria. Aquela era a prova.
Meus pais haviam morrido por mim, porque me amavam, e cresci acreditando que aquilo era uma fraqueza. Estariam vivos se não amassem tanto alguém a ponto de se sacrificarem por ela e o mesmo valia para , embora não fosse aquilo o que mais me incomodava e sim o fato de que eu muito provavelmente faria o mesmo por ele, de que eu me sentia desesperada pela possibilidade de lhe acontecer algo.
— Eu estou bem, temos que continuar. — ele murmurou sem muita dificuldade. Já tínhamos tomado mais tiros do que poderíamos contar, mas o fato dele estar segurando com uma das mãos um ponto perto do quadril por onde o sangue escorria era preocupante.
Meu primeiro instinto foi o de socorrê-lo, mas me contive, passando um dos braços ao redor de sua cintura para corrermos para as escadas.
deixou que eu o guiasse, mas se afastou para abrir a porta, gesticulando para que eu fosse na frente.
Revirei os olhos, mas entrei, o ajudando a impedir a passagem da porta. Tentei passar novamente o braço ao seu redor para ajudá-lo a subir as escadas, mas se afastou, repetindo que estava bem antes de começar a subir as pressas. Fui logo atrás, sem dizer nada. Aquilo era, no mínimo, previsível vindo dele, mas rapidamente fomos distraídos com os barulhos na porta.
— Estão forçado, não vai demorar muito pra desabar. — avisei, olhando para o caminho abaixo e imediatamente voltou a subir, se apoiando com a mão que segurava a arma, na parede.
— Então não para — respondeu simplesmente e voltei a segui-lo, parando apenas quando a porta cedeu.
— Droga! — resmunguei baixo, arrancando a arma da mão dele e ignorando quando olhou feio por isso. — Sobe que eu distraio eles…
— Com um revólver? — ele riu com deboche, mas acabou gemendo e arrancou novamente a arma de minha mão. — Para de falar merda e continua correndo.
— Bom, mas caso você não tenha percebido, não está conseguindo correr — devolvi irônica. — Eu distraio e vou logo atrás.
— Estou em perfeitas condições… — sua fala foi substituída por um urro quando, para provar que ele estava errado, segurei sua mão por cima do ferimento e o apertei. — Porra! Você tem algum problema?! — gritou, mas apenas revirei os olhos para ele mais uma vez.
— Sobe, .
— Mas o que diabos estão fazendo parados ai?! — gritou no topo daquele andar, seu olhar meio abismado por estarmos discutindo naquele momento por mais comum que aquilo fosse. — Os dois, subam agora.
desarmou uma granada e corremos para cima em tempo de fugir da exploração quando a arremessou, correndo para cima junto conosco imediatamente.
Apesar do tiro, estava fazendo aquilo muito bem também apesar da careta, mas vacilou em algum momento por volta do sexto andar, se segurando nos próprios degraus para não cair e xingou por isso.
o ajudou a se levantar e fez com ele que passasse o braço por meu ombro. Dessa vez, não tentou se afastar e aproveitou para me entregar sua arma.
— Vocês continuam, vou esperar eles aqui e explodir mais alguns.
Concordei com a cabeça por mais que quisesse ajudar a explodir pessoas e arrastei comigo para cima, o mais rápido que conseguíamos. Ouvimos mais duas explosões antes de chegarmos até a cobertura e atirei na porta para abri-la, já podendo ouvir o som do helicóptero ligado.
— Cadê o ?! — perguntou, correndo até nós junto com para ajudarem .
— Ele…
— Aqui! — o próprio gritou, correndo até nós. Estava todo sujo graças as explosões e eu mesma não deveria estar muito diferente, não estava. — Eles também estão, temos que sair logo daqui!
Imediatamente, corremos até o helicóptero, e ajudando a subir no exato momento que a porta explodia e mais homens entravam.
— Mas por que tantos? De onde saíram? — perguntou, mas ninguém a respondeu, ninguém tinha a mínima ideia e tudo que conseguimos fazer foi suspirar aliviados, pelo menos por enquanto. Voltar para a The Phoenix seria outro desafio.