Raining in Paris.

  • Por: Mari Affonso.
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 113
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Sinopse: “Paris era cidade do amor e durante anos foi para mim apenas cidade luz … Agora ela é a cidade do nosso amor.Mas, essa noite está chovendo em Paris e eu estou sozinho.”

Oliver sempre sonhou em ser médico infectologia, para realizar esse sonho ele precisou mudar de cidade. Durante os plantões no Saint Louis ele conheceu diversas doenças e tratamentos, mas principalmente ele conheceu o amor.

Inspirada em uma história real.
Gênero: Romance.
Classificação: 12 anos.
Restrição: Sem restrições.
Beta: Sofia Alonzo.

Capítulos:

 

Raining in Paris

Prólogo

Acendo um cigarro enquanto observo a Torre Eiffel iluminada e todas as luzes da cidade. Começou a chover tem alguns minutos, mas estou sem guarda-chuva e à poucas quadras de chegar no hotel. Talvez a chuva apague o cigarro, talvez ela apague toda dor ou somente leve todas as memórias.
Paris era cidade do amor e durante anos foi para mim apenas cidade luz. Nos dois últimos anos ela se transformou, o motivo tem nome e sobrenome. Agora ela é a cidade do nosso amor. Mas, essa noite eu estou sozinho e está chovendo em Paris.

Capítulo 1

Paris, 6 de março de 2018

— E mais uma vez sejam todos bem-vindos à residência médica e aperfeiçoamento multidisciplinar do Hospital Saint Louis. Está liberado o coffee e depois os coordenadores irão conversar com vocês e explicar detalhadamente como irá funcionar o trabalho.

Faziam duas horas que estávamos escutando médicos e diretores do hospital falar, e ainda tinha mais coisas para explicar. Esse era meu segundo ano de residência e a palestra estava sendo exatamente igual à do ano passado.

Me levantei da cadeira do auditório e caminhei em direção ao coffee que estava próximo à porta de saída. Observei os demais alunos conversando e se conhecendo, era possível perceber uma mistura de sotaques. Afinal, era comum muita gente vir para Paris estudar, eu era um desses alunos.

Peguei um copo de café e croissant, e fiquei no meu canto. Pouco tempo depois, Henry, meu amigo e também médico, se juntou a mim.

— Ei, você sabe se está adoçado esse café? — Apontando para a garrafa preta, neguei com a cabeça e apontei a plaquinha de “café sem açúcar”, ele riu.
— Você está bem engraçadinho hoje, ! — Dei os ombros.
— Como foram suas férias? Aproveitou as garotas de Lyon? — Meu tom saiu meio debochado, mas adorava rir da cara dele e debochar dele quando ele comentava sobre as garotas da sua cidade.
— Minhas férias foram MARAVILHOSAS! Tinha cada menina naquela cidade, você deveria ir para lá — ele disse de forma exagerada e chamando atenção de algumas pessoas.
— Muito obrigada, mas prefiro ficar quieto na minha.
— Você quer dizer “comendo quieto”, né?!
— Sem comentários, Henry — disse enquanto dava um tapa nele.

Henry, as vezes tinha a mentalidade de um adolescente na puberdade, mas era sem dúvidas um dos meus melhores amigos. Ele também era do interior da França e estava aqui para estudar. Dois médicos do interior na capital Francesa, confesso que no início esse status tinha subido para a cabeça. Então, depois dos plantões, íamos para bares à procura de uma garota para passar a noite. Meses depois eu cansei dessa ideia, mas Henry continuava fazendo isso sempre que podia.

Quando os coordenadores das residências apareceram, voltamos para nossos lugares e a equipe de residência médica de infectologia foi chamada para ir para outra sala. Eu organizei minhas coisas para acompanhar os demais alunos, escutei algumas conversas paralelas e levantei o olhar, foi nesse momento que vi uma garota observando todos se levantarem atentamente, ela mordia a tampa da caneta. Aposto que estava ansiosa para ser chamada também, esse devia ser seu primeiro ano, eu nunca tinha visto ela no hospital. Seu cabelo era longo e com um tom escuro de castanho quase pretos. Ela virou seu olhar em minha direção, então eu pude ver seus olhos castanhos intensos. Ela sorriu e eu retribuí o sorriso. Ela desviou o olhar e voltou a prestar atenção em alguém que falava no palco do auditório. Terminei de recolher minhas coisas e fui em direção à saída, antes de sair da sala olhei mais uma vez em sua direção. Ela estava anotando alguma coisa na sua agenda, ela estava tão concentrada que não percebeu meu olhar. Sorri rapidamente e saí em direção à minha reunião.

O meu preceptor explicou novamente sobre como funcionaria os três anos de residência, como se organizaria cada turno e principalmente sobre a importância do trabalho em equipe. O primeiro mês seria composto somente por aulas teóricas referente as doenças infectocontagiosas mais comuns no hospital e na França, seríamos orientados quanto à etiologia, sintomas e tratamento. Os residentes do segundo ano iriam acompanhar novamente algumas aulas, devido alterações em protocolos.

Cada equipe médica seria acompanhada por uma equipe multidisciplinar de cuidados hospitalares, fortalecendo o trabalho multidisciplinar. Eu adorava escutar sobre a importância do trabalho em equipe, mas confesso que ficava frustrado quando lembrava que na prática isso não acontecia muito bem. Médicos tem mania de se sentir um ser superior, quando na verdade precisam da equipe toda para ter sucesso no tratamento paciente.

Depois da reunião fomos liberados para almoçar, poderíamos usar o refeitório do hospital, mas a minha equipe decidiu sair para almoçar em um restaurante da região. O objetivo era conhecer os novos residentes e facilitar o entrosamento no trabalho. Não sei o que tinha acontecido comigo, mas fiquei procurando a garota de cabelos castanhos e me perguntando de qual equipe ela era.

Ao longo do almoço falamos sobre a graduação e os motivos para escolher infectologia. Quando retornamos para o hospital, realizamos uma nova reunião para separação dos alunos em miniequipes e também foi repassado o cronograma de aula.

Ao chegar em casa, coloco as chaves no aparador de vidro próximo a porta. Tiro a mochila e o casaco, o pendurando no cabideiro. Eu preciso de um banho, uma cerveja e uma ligação. Quando estou a caminho do banheiro, escuto meu celular chamar. Volto até a sala e me sento no sofá, então atendo.

— Oi mãe —digo sorrindo ao atender.
— Oi meu filho, como você está?
— Como está a vovó e Lizzie? ‘Tô bem e você?
— Estamos todos bem, somente com saudades. Me conta como foi hoje?
— Também estou com saudades. Hoje foi bem legal, conhecemos os alunos novos e…

E passei a próxima hora conversando com a minha mãe, com a minha vó e minha irmã. Minhas meninas. Sair de casa e seguir um sonho foi difícil, principalmente quando meu sonho estava quilômetros de distância. Elas sempre me apoiaram. Me apoiaram quando decidi fazer medicina e me apoiaram ainda mais quando quis vir para Paris fazer residência. Sou grato por quem me tornei graças à elas e também desejo dar muito orgulho à elas. Estava caminhando para o segundo ano longe de casa e pensando o quanto mais rápido eu retornaria.

Paris, 6 de março de 2018

Eu estava sentado no canto direito da sala, estava com sono. Acabei demorando para dormir ontem, então as possibilidades de cochilar nessa aula, eram grandes. Olhei novamente para sala cheia e não encontrei a menina dos cabelos castanhos, afastei meus pensamentos e voltei a prestar atenção no professor que estava iniciando a aula. Atenção de todo mundo foi desviada do professor, quando a garota de cabelos castanhos entrou na sala. Ela estava atrasada.

— Desculpa professor, peguei trânsito no caminho — ela parecia com vergonha da situação.
— Sem problemas! Espero que isso não se repita, senhorita…

— Ok, senhorita ! Pode se sentar — então o professor apontou para a cadeira em frente à minha. Ela sorriu sem graça, ajeitou sua mochila no ombro e caminhou para sua cadeira. Quando ela sentou, foi possível ouvir um suspiro de cansada.
— Relaxa, ele só tem cara de bravo — Eu disse próximo ao seu ouvido, talvez tenha falado próximo de mais, ela levou um susto com a minha voz e olhou assustada para trás.
— Desculpa, só quis te tranquilizar.
— Ah, obrigada! — Então ela sorriu para mim, seu sorriso era lindo. Talvez eu queria fazer ela sorrir assim mais vezes.
Ela começou a prestar atenção na aula e eu voltei a observar ela, não sei porque eu estava tão interessada nela, eu nem sabia seu nome, somente seu sobrenome, será que se eu puxar assunto novamente ela vai ficar brava? Eu estava tão próximo que eu conseguia sentir o cheiro do seu cabelo, era algo bom e refrescante, talvez menta ou alguma outra planta.

Ela escreveu durante toda aula, fez alguns questionamentos ao professor e na hora do intervalo. Ela se sentou de lado e abriu um pacote de bolacha água e sal com gergelim. Eu resolvi que era um bom momento para puxar assunto.

— Ei, muito trânsito no caminho hoje?
— Oi? Ela parecia confusa com a pergunta.
— Você disse que chegou atrasada porquê pegou trânsito.
— Ah sim — ela mexeu no cabelo e sorriu sem graça — Na verdade eu perdi a hora. Mas, não podia dizer isso no segundo dia.
— Verdade, acho que ia ficar feio — sorri.
, — ela estendeu a mão para mim, eu retribuí o aperto.
, .

NOTA DA AUTORA: Alguns acontecimentos dessa história são baseados em fatos reais, outros são meramente criados da minha cabeça. Gostaria de agradecer ao casal que me inspirou e sem dúvidas agradecer a minha amiga que viajou nessa ideia comigo, quando contei que queria escrever a história dela.

Capítulo 2

Paris, 21 de março de 2018.

, veio todo mundo da sua agenda ou teve alguma abstenção?
— Veio praticamente todo mundo, acho que só teve duas abstenções — respondi tranquilamente para Henry. Eu passei o dia no ambulatório clínico atendendo e agora estava aguardando o professor junto com Henry, a ideia era discutir os casos e alinhar alguns manejos.
— Que sorte a sua, a minha agenda teve várias abstenções. O pessoal não quer levar o tratamento a sério. — Henry estava um pouco bravo, era possível perceber pela sua voz mais alterada.
— Relaxa cara, você tá fazendo sua parte. O sucesso do tratamento não depende só de você! — eu coloquei minha mão esquerda seu ombro em uma tentativa de acalmar ele.

As duas últimas semanas tinham passado rapidamente, a minha equipe estava se revezando entre as aulas e os atendimentos clínicos. Ficamos em silêncio acho que por quase dois minutos, até o barulho do meu celular chamar nossa atenção. Sorri ao ver a mensagem de .

Ei, aula tá muito chata. Topa tomar café?

 

Do que é a aula? Café? Quando?

 

Digitei rapidamente e esperei uma resposta. Estávamos conversando bastante na última semana. Nossas conversas muitas vezes eram sobre o tema da aula e a nossa pequena experiência profissional. Ela se formou em psicologia ano passado e estava integrando a equipe do aperfeiçoamento multidisciplinar em contextos hospitalares.

Métodos contraceptivos e doenças infecciosas… Hoje! Agora ou daqui a pouco, aula tá quase acabando.

 

É muito importante saber como se prevenir! Puts! hoje eu não consigo, esperando pra discutir os casos com o professor.

 

Eu sei me prevenir, na verdade tenho essa aula desde o colégio hahahaha… Aaaaah que pena, vai perder minha companhia.

 

Verdade! Também tive essa aula no colégio. Que menina convencida hahahaha podemos tomar café amanhã cedo, o que você acha?

 

Eu acho que você deve me pagar um croissant.

 

Nossa! O que eu fiz?

 

Primeiro que você é médico e ganha bem. Segundo que você que me convidou hahaha.

Eu acho que eu devia estar com sorriso besta no rosto quando Henry deu um tapa no meu braço e apontou para o professor que já estava na sala. Me arrumei na cadeira e digitei rapidamente antes de bloquear o celular.

 

Ok, você venceu. Eu te encontro amanhã às 07h30m no Caoua Coffee Stop . E preste atenção na aula.

 

Paris, 22 março de 2018.

Chego em 5 minutos.

Suspirei ao olhar a mensagem de , ela estava atrasada para o nosso café da manhã. Observei o cardápio mais uma vez, tentando escolher o que eu iria comer. Realmente cinco minutos depois ela entrou no café. Ela sorriu a me ver e caminhou em minha direção.

— Desculpa, dessa vez realmente tinha trânsito no caminho. Vim de carro hoje.
— Você é uma péssima parisiense, você não é pontual. – Eu disse sério e ela soltou uma gargalhada antes de me responder.
— Ainda bem que eu não sou parisiense – Ela retirou o casaco preto e o pendurou na cadeira antes de se sentar. Ficando somente com um cardigã da mesma cor.

Como assim ela não era parisiense, o jeito, o sotaque. Não era possível. Enquanto ela lia o cardápio, eu fiquei observando ela e tentando adivinhar de onde ela era.

— Acho que vou querer cookies e um chocolate quente. O que foi que você está me encarando?
— Como você não é parisiense? — eu a encarei incrédulo, e ela riu mais uma vez.
— Eu sou de Saint-Denis! — Ela disse dando os ombros.
, Saint-Denis é quase Paris.
— Região metropolitana, mas não é Paris.
— Tanto faz, pra mim é a mesma coisa. Cookies e chocolate quente? Eu achei que você queria croissant.
— Eu queria, mas até ver o cookie.

Eu levantei da mesa e caminhei em direção ao balcão para realizar os pedidos.

Bonjour, eu vou querer dois cookies, um croissant, um chocolate quente e um cappuccino.
— Ok, senhor! Tudo vai dar 15 euros.

Eu peguei as notas na carteira e entreguei para o rapaz. O mesmo finalizou o pedido e disse que o pedido seria entregue na mesa. Retornei ao meu lugar.

— Pronto, agora só esperar — Disse que estava distraída observando o local.
— Obrigada! Eu adorei esse lugar é tão lindo.

Eu sorri para ela, ela parecia fascinada com o lugar. O café tinha uma decoração rústica, as paredes em tons claros contrastavam com as plantas espalhadas pelo lugar. Logo nosso pedido chegou e iniciamos uma conversa sobre locais que gostamos de visitar em Paris.

— Paris é linda, mas nada se compara as praias de Marselha.
— Desculpa aí, menino da Riviera! — Ela levantou a mão em forma de rendimento.
— Falou a parisiense que não se assume.
— Você sente saudades de lá? — dessa vez seu tom de voz estava mais sério.
— Muito!
— Por que Paris?
— Saint Louis sempre foi referência em infectologia. Eu tive professores maravilhosos em Marselha, mas todos sempre me incentivaram a vir estudar aqui.
— E você gosta de estar aqui? — Ela se endireitou na cadeira e me encarou atentamente. Acho que ela estava me analisando.
— Você tá fazendo terapia comigo?
— Não, mas queria entender seus motivos de estar aqui. Não é comum alguém do sul se mudar pra cá.
— Eu gosto daqui! A cidade é bonita. Depois para me acostumar com a frieza dos parisienses. Mas, tá sendo uma boa experiência.
— Te admiro, não sei se teria coragem de sair da cidade e largar tudo pra trás. Deve ter sido um momento difícil.
— Sim, muito. Eu sempre fui muito apegado a minha família. E nos momentos mais difíceis eu sempre tento pensar que é por pouco tempo. — Enquanto eu sorria, ela fez uma cara de surpresa com a minha fala.
— Você vai embora?
— Sim, esse o plano. Fazer residência aqui e voltar para ser médico em Marselha.
— Uaaau , boa sorte! Eu sei que você é e vai ser um ótimo médico. — Ela disse de forma carinhosa e segurou a minha mão que estava em cima da mesa.
Merci. — Sorri com o contato e virei minha mão de forma que eu fizesse um carinho em sua mão.
— De nada! Quando precisar está aí.

*Bonjour — Bom dia
*Merci — obrigado

 

 

Paris, 29 de Marco de 2018.

— Sr. Mendez, a partir de agora é tomar as medicações corretamente em casa. Antes de ir embora, não se esqueça de agendar o retorno no ambulatório. Gostaria de te ver daqui a três meses! Ficou alguma dúvida? — Entreguei as receitas para o senhor.
— Não, muito obrigado Dr. ! — ele se levantou e estendeu a mão em minha direção , retribui o aperto de mão.
— Até mais Dr.
Á bientôt — acenei com a mão enquanto ele saía do consultório.

Olhei no celular a hora e levei um susto, já eram 12:40. A manhã tinha passado muito rápido. Devido algumas consultas de encaixe, eu acabei demorando mais tempo que o esperado nessa manhã. Parece que no momento que eu vi a hora, meu estômago resolveu dar sinal de vida. Eu precisava almoçar.

Desbloqueei o celular e entrei no WhatsApp, procurei seu nome. Ela estava on-line, digitei uma mensagem.

Ei, já almoçou?

Logo a mensagem de digitando apareceu na tela, eu me sentia ansioso toda vez que falava com ela. Não sei bem o motivo, mas ela me causava essa reação.

Então, você sabe como é maravilhosa a comida de hospital! Não tem nada que eu coma no refeitório hoje.

Eu ri da sua mensagem. Tudo bem que comida de hospital não é gostosa, mas ela não come quase nada.

Acabei no ambulatório agora! Eu vou almoçar no Lá Grange, quer ir comigo?

O Lá Grange é um restaurante italiano próximo ao hospital. Eu gostava de comer lá, almoçava praticamente toda semana no restaurante. A minha família não era italiana, mas o aconchego do lugar fazia eu me sentir mais próximo de casa.

Lógico! Eu quero comida de verdade, hahaha. Te encontro na saída do hospital.

Comecei a recolher minhas coisas espalhadas na mesa e guardar na gaveta. Eu iria retornar para mais consultas depois das 14h, mas isso não era motivo para deixar a sala bagunçada. Tirei o jaleco e pendurei na cadeira. Conferi se tinha pegado tudo, quando o celular apitou novamente.

Vem logo! ‘Tô morrendo de fome.

Sorri com seu desespero, era exagerada. Podia ser coroada a rainha do drama, mas não era algo forçado, era tão natural seu jeito, impossível não gostar dela.

Calma, to chegando! Mais 5 minutos

…..

— Podemos sentar aqui fora? O dia está tão lindo! — Ela disse de um jeito tão fofo, era quase o gato do Shrek. Eu ficava muito bobo ao lado dela.
— Claro que sim! — Sorri e apontei para uma das mesas vazias na parte da frente do restaurante.
— Obrigada! — Ela caminhou em direção à cadeira, antes de se sentar ela tirou seu casaco vermelho e ajeitou na cadeira.
— Por que toda vez você tira o casaco?
—Sei lá, é mania. — Levantando os ombros — Eu não consigo comer de casaco.
— Cada louco com sua mania! — Sorri para ela e ela retribuiu mostrando a língua.
— Quem mostra a língua pede beijo — disse tão rapidamente e ergui a sobrancelhas fazendo charme.
— Haha, cheio das graças, você. — estava rindo e balançando a cabeça em negação.
— Não negue que eu sou um bom partido! — Dessa vez eu que levantei os ombros de forma despreocupada.
— Nossa, falando assim parece que estamos em 1800.
— Claro que estamos em 1800, eu tenho que pedir permissão ao seu pai para te cortejar — disse fazendo graça, enquanto me ajeitava não cadeira.
— O senhor não entende que meu pai não vai fazer nada. — Inclinando o seu corpo em minha direção.
Mademoiselle, não seja rebelde e acabe com meu cortejo — me inclinando em sua direção, acabando com nosso distanciamento. Ficamos bem próximos, eu poderia beijar ela nesse momento. Ela recuou e me encarou antes de dizer.
— Socorro! Para de graça, — tacando o guardanapo de pano em minha direção, peguei o mesmo depois do pano ter acertado meu rosto.
— Você precisa de modos ! — Disse rindo da situação, ainda segurando o guardanapo — Como você é chata, nem sabe cortejar direito! — Ela fechou os olhos e balançou em negação, enquanto eu sorria de toda situação.

…..

— Isso que é comida de verdade! — disse após terminar de comer e relaxar na cadeira.
— A que tem no hospital também é — provoquei.
— Não tem gosto e tem milhões de coisas que eu não como — ela fez um bico e depois sorriu sem graça.
— Seu paladar é muito infantil. Se bobear, uma criança come mais que você.
— Eu sei, mas não tenho culpa — sorrindo novamente, dessa vez ela mexeu no cabelo como se estivesse com vergonha.

Depois de pedir a conta ficamos em silêncio por alguns segundos, observando a movimentação da rua e o céu.
— O que você vai fazer no feriado? —Disse chamando sua atenção.
— Eu vou ficar em casa com minha mãe e meu irmão, acho que minha vó vem ficar com a gente. Mas acredite, a maior parte do tempo eu vou ficar vendo Netflix. Você vai fazer o quê?
— Bons planos os seus! Eu vou pra Marselha hoje à noite, vou ficar com a minha família
— Sério? — Afirmei com um aceno — Que legal, sério! Aproveita muito e manda um beijo para sua mãe.
— Eu mando sim! A conversa está ótima, mas preciso voltar tenho atendimento agora de tarde — Não queria ir embora, eu simplesmente passaria horas conversando com ela, passaria mais horas ainda vendo ela sorrir.
— Tudo bem, eu também preciso — Não sei, mas acho que ela também passaria horas conversando comigo.

…..

Digitei uma mensagem para minha mãe, avisando que já estava dentro do avião. Fechei os olhos e o cansaço bateu. Logo eu vou estar em casa.

Como as pessoas ainda estavam embarcando, eu resolvi ver os stories do Instagram, entre várias fotos eu parei na publicação de . Ela tinha postado uma foto do seu balde de pipoca e a tv ligada na Netflix. Respondi o story com vários emojis de palmas e mandei uma foto do interior do avião. Pouco antes de colocar o celular em modo avião, eu recebi a última mensagem o dia.

Aproveita sua família e faça uma boa viagem! Te vejo segunda no Caoua Coffee Stop!

*Á bientôt — te vejo em breve

*Mademoiselle— senhorita

 

 

Paris,17 de abril de 2018.

— Eu atendi Noemi ontem à noite no pronto socorro — me ajeitei na cadeira e escrevi rapidamente a data de hoje, enquanto Henry continuou a falar — Ela tem 16 anos, HIV positivo, está de 33 semanas, está é a segunda gestação, relata que teve um aborto espontâneo na gestação anterior. Além disso, a menina apresentava alguns hematomas pelo corpo. — Realmente não era um caso fácil. Não tinha muitos casos de adolescente grávidas aqui em Paris, mas quando tinha sempre vinha com muitos problemas. — Referente ao quadro clínico: pré-eclâmpsia, desidratada e com contrações. Foi administrado as medicações e a mesma está em observação primeiro andar. Relatou que não estava fazendo o pré-natal.

— Faz uso de alguma substância? —Outro residente da minha equipe questionou para Henry e o mesmo continua.

— Ela também contou que faz uso de álcool e cocaína, segundo ela, normalmente aos finais de semana. Mora atualmente com os pais, mas alega ter uma relação ruim com eles.

— A mãe estava no atendimento? — Perguntei quando ainda escrevia as informações no caderno.

— Sim, a mãe estava presente no atendimento, ambas estavam bem alteradas e discutindo entre si.

— E o companheiro dela? — Dessa vez quem questiona Henry é a assistente social da equipe multidisciplinar.

— Ela disse que não tem mais contato. — Henry fechou o seu caderno de anotações e encarou o resto da equipe.

— Como devemos proceder nesse caso? — O médico preceptor da residência, o Dr. Nielson questionou à todos.

Duas vezes por semana, nós tínhamos discussão de casos com a equipe multidisciplinar e em outros dois dias a discussão era apenas com nosso médico preceptor. Hoje era a reunião com toda a equipe, estava sentada do outro lado da sala e como da primeira vez que a vi, ela estava escrevendo em seu caderno o tempo todo.

— A princípio será necessário estabilizar a pressão dela, fazer a introdução dos retrovirais e o acompanhamento gestacional — respondi para o Dr. Nielson chamando atenção de todos.

— Acho que além dos cuidados clínicos é preciso entender o contexto familiar, saber como era a relação com o ex companheiro e quais são os planos para o futuro dessa mãe e bebê. — disse seriamente após terminar de escrever.

— Exatamente isso, Sra. — A Sra. Fleury, psicóloga chefe e coordenadora do aprimoramento respondeu .

Depois de várias opiniões e apontamentos, ficou decidido que irá atender a paciente e eu serei o médico responsável. O assistente social irá fazer contato com a família e os demais estarão responsável por outros casos. Quando a reunião chegou ao final, eu me aproximei de .

— Muito bem, senhorita — batendo palmas para ela.

— Deixa de ser idiota, — revirando os olhos e fazendo careta.

— Agora é sério, tomara que a menina consiga criar um vínculo com você e que dê certo o tratamento — disse mais sério.

— Tomara mesmo, mas é uma questão de ter paciência. Abordar tudo com ela de uma vez não vai dar certo, é preciso ter cautela — eu admirava tanto ela como profissional, ela era tão sensata e sempre dizia algo que nos surpreendia.

— Eu sei, , mas também sei que vamos fazer um ótimo trabalho.

…..

Paris, 21 de abril de 2018.

— Oi mãe, tudo bem aí com vocês? — Disse tentando equilibrar o celular apenas com o ombro próximo à cabeça. Eu estava ocupado amarrando o tênis.

— Oi meu filho, tudo bem sim e você? — A voz da minha mãe era doce e amável como sempre.

— Também estou bem! Eu vou colocar no viva-voz só um momento — Tirei o telefone da orelha e apertei o botão do viva voz, coloquei o celular em cima da cômoda — Pronto! É que eu estou me arrumando para sair com o pessoal do hospital — só faltava arrumar meu cabelo, e definitivamente ele não estava ficando como eu queria.

— Ah sim, meu filho! Você precisa aproveitar mesmo, ultimamente você só trabalha — sorri com a sua preocupação.

— Não é bem assim, eu tenho saído para almoçar fora.

— Restaurante na frente do hospital não vale, — revirei os olhos, ela sabia dos meus hábitos, mesmo distante.

— Me conta, como foi sua semana?

— Foi tranquila, nada de novo! — Terminei passando perfume e me olhando no espelho. Estava usando uma calça jeans com uma camiseta preta e uma jaqueta de couro por cima.

— Nenhum contatinho ou amizade colorida? — Desviei meu olhar do espelho e fiquei no celular, ela ainda estava rindo.

— MÃE! — Minha voz saiu um pouco alterada.

— Ok, Ok , achei que você ia aproveitar mais a cidade do amor.

— Eu estou aproveitando! — Peguei o celular de cima da cômoda e caminhei em direção à sala — Eu preciso desligar, falo com vocês no domingo!

— Está bem, meu filho, se cuida e não se esqueça de usar camisinha — ela estava impossível hoje.

— Mãe, eu não vou falar sobre isso com você — disse rindo da cara de pau dela — mas, pode deixar que eu me cuido! Fica bem!

— Você também e não se esqueça que eu te amo!

— Também te amo, mãe! — Encerrei a ligação, guardei a carteira no bolso e chamei um Uber.

…..

Cheguei no Le Bar l’Escadrille por volta das 23h, estava bem movimentado na calçada, afinal era uma sexta-feira e até os bares da Champs—Élysées estavam lotados. Muita gente acabava saindo do trabalho e já ficava por aqui. A minha equipe tinha decidido ir para casa, se arrumar e voltar para cá. Sorte minha que eu morava próximo. Quando consegui passar pelas pessoas paradas na porta, eu encontrei Henry e conversando, eles estavam próximos do resto da equipe. Parece que dessa vez, eu estava atrasado.

Salut! — Falei sorrindo e recebi alguns comprimentos. Me aproximei de Henry e , eles estavam rindo de algo.

— O que é tão engraçado?

— O fato do senhor pontual chegar atrasado no happy hour — disse rindo.

— Podemos brigar com ele, igual ele faz com a gente — Henry falou olhando pra , ela concordou com a cabeça e logo começou a me imitar.

— Atrasada de novo, acho que vou comprar um despertador ou vou começar a marcar mais cedo.

— Vocês são muito engraçadinhos — Revirei os olhos — O que vocês estão bebendo?

— Gim Tônica — disse levantando sua taça.

— Caipirinha — A voz de Henry saiu enrolada para dizer o nome da bebida.

— Nunca tomei, o que vai? — Apontando para bebida do meu amigo.

— Cachaça, açúcar e citron — Será que era bom? Eu já tinha visto algumas pessoas tomarem essa bebida brasileira, mas nunca pensei em experimentar. Talvez hoje seja um bom dia, estou de Uber.

— Ok, vou pegar uma caipirinha — Era difícil dizer esse nome, talvez eu precise treinar mais um pouco. Me afastei dos meus amigos e me aproximei do balcão do bar para pedir minha bebida. Enquanto esperava fui surpreendido pela voz do Henry.

— Agora eu entendi o porquê de você não parar de conversar com ela.

— Oi? — Estava sem entender o que ele estava dizendo.

— Agora eu entendo o porquê você fica todo bobo falando com ela — Continuava sem entender o que ele estava falando.

— Henry, o quanto você já bebeu? Não estou te entendendo? — Falei mais sério com ele.

— Depois eu que sou lerdo — Revirei os olhos e deixei ele continuar. — Agora eu entendo o motivo que você fica horas e horas conversando com e o porquê você não para de sorrir quando fala com ela — Misericórdia, esse menino já deve ter bebido horrores, só pode. Peguei minha bebida no balcão e voltei a encarar ele.

— Seja mais objetivo, por favor?

— O motivo é que é muito gostosa, você viu a roupa dela. Eu pegava fácil se ela me quisesse — Não fazia o menor sentido sua explicação. era gostosa, mas eu não conversava com ela somente por isso. Acho que essa bebida está deixando ele mais infantil.

— Sem sentido isso — dando o primeiro gole na minha bebida. A bebida era forte, parecia uma limonada mais azeda. — Outra coisa, a não é só gostosa. Ela é inteligente, carismática, justa, honesta, engraçada, cheirosa e uma ótima profissional — Talvez eu tenha me perdido nos elogios e só acordei com a risada escandalosa de Henry.

— Amigo, você está mais ferrado que eu pensei. Acho que você se apaixonou pela menina e nem beijou ela ainda — Apaixonado? Acho que não, ele estava certo em uma coisa, eu não tinha beijado ela ainda. Confesso que não foi por falta de vontade, mas eu gostava da amizade dela.

, me escuta! — Disse colocando a sua bebida no balcão e segurando meus ombros com as mãos — Eu só falei que a menina era gata e você fez uma lista gigante de elogios, você sorri igual idiota do lado dela e ela é sim, muito mais que um corpo gostoso.

— Sim, ela é muito mais — Balancei a cabeça em afirmação — Mas, eu não estou apaixonado por ela. — Tirei suas mãos dos meus ombros e me virei para ir embora do balcão.

— Ok, ! Você está certo e eu sou o Napoleão Bonaparte! — Olhei para trás e ele estava sorrindo, balancei a cabeça e mostrei o dedo do meio para ele antes de caminha em direção a .

*Salut — oi/olá /tchau
*Citron — limão

 

Paris 22 de abril de 2018.

Eu já tinha bebido muitas caipirinhas e estava dispensando algumas meninas. Eu simplesmente estava sem vontade de beijar elas e as palavras de Henry estavam ecoando na minha cabeça: “você está apaixonado”.

Praticamente todo mundo da equipe do hospital já tinha ido embora. A música no bar estava alta, igual o nível alcoólico dos fregueses. Lógico que sempre com muita classe, afinal estávamos em um bar de luxo.

Eu voltei para a pista de dança com mais um copo de caipirinha , procurei e não encontrei. Henry estava em um canto conversando com Marie, amiga de e também aprimoranda do hospital. Quando me aproximei dos dois percebi que Henry estava flertando Marie, era melhor me manter afastado.

Estava tocando I bet you look good on the dancefloor do Arctic Monkeys quando veio em minha direção, o seu cabelo estava bagunçado e o batom um pouco borrado. Fechei os olhos em negação quando me toquei sobre o motivo do seu sumiço.

— Cadê a dignidade, ! — Disse brincando com ela.

— Ficou perdida no caminho do banheiro — dando os ombros.

— Acho que vamos precisar buscar ela lá — eu estava tentando levar na brincadeira, mas confesso que estava com uma pontada de ciúmes. Eu não queria estragar minha relação com ela, definitivamente estava na friendzone.

— Não vai dar — Ela falou mais alto por conta da música — Ela já deve ter ido com o londrino gato que passou por lá — Me aproximei mais dela, talvez eu tenha que deixar as coisas mais nítidas, precisava mostrar minhas intenções.

— Eu posso recuperar ela pra você — disse próximo ao seu ouvido. Quando me afastei, eu pude ver sua pele arrepiada e ela me olhava de forma surpresa. Alcancei me objetivo, ela sabia agora minhas intenções.

I don’t know if you’re looking for romance or… I don’t know what you’re looking for. — Olhei fixamente em seus olhos , enquanto cantava para ela.

, você tá brincando com fogo — Ela se aproximou e disse quase como um sussurro em meu ouvido, meu corpo se arrepiou com aquela voz doce e cheia de segundas intenções.

— Talvez eu queria me queimar — Disse sorrindo após me afastar e olhar nos seus olhos novamente, enquanto ela mordia o lábio inferior.

Ela tinha acabado de beijar alguém, mas eu não me importava. A vontade de sentir seu gosto era maior, depois eu lidaria com essa situação. Dei um passo em sua direção, coloquei uma mão em seu pescoço e a outra na sua cintura. Eu conseguia sentir o calor do seu corpo. Seu olhar intercalava entre os meus olhos e minha boca. Eu posso estar errado, mas acho que ela está nervosa também. Inclinei a minha cabeça em direção ao seus lábios.

— Vamos ver o nascer do sol no Champs de Mars? — A voz alegre de Henry quebrou todo o clima, me afastei de e percebi ela suspirar.

— O que você quer, Henry? — perguntei frustrado para o meu amigo.

— Ver o nascer do sol no Champs de Mars! — A voz dele estava mais animada que o normal, Marie estava próxima à .

— Imagina gente como vai ser lindo, o sol e a Torre Eiffel. — Juntando as mãos e me pedindo, por favor.

— Eu me sinto seu pai, Henry Garcia — Passei uma mão no meu cabelo, bagunçando-o provavelmente.

— Vocês dois sabem que o sol nasce pro outro lado da Torre, né? — disse chamando atenção pra ela.

— Verdade, só dá pra ver o pôr-do-sol na Torre — Concordei com que sorria sem graça pra mim.

— Como vocês são chatos, vamos ver o céu azul na torre e tomar café da manhã? — Olhei para que afirmava com a cabeça, Marie e Henry sorriam igual dois bobos e depois eu era o apaixonado na história.

— Vamos lá, meu filho, tomar café da manhã no Champs de Mars — Bati no ombro dele e o empurrei em direção à saída do bar.

Henry e Marie foram caminhando na frente para chamar o Uber, estava caminhando mais atrás e mexendo no celular. Eu me aproximei do seu ouvido e cantei uma parte da música que estava na minha cabeça, depois daquele quase beijo.

I wish you’d stop ignoring me,
because you’re sending me to despair.

Eu observava Henry, Marie e correr pelo Champs de Mars. Pareciam três crianças e eu o pai responsável, apenas caminhava levando nosso café da manhã. Passamos em um Starbucks antes de chegar aqui , compramos café, bolo e croissants para fazer o nosso piquenique / un petit – déjeuner.

— Vem logo, gritou enquanto girava de braços abertos. Acho que todo mundo deu uma exagerada na bebida hoje, eu ri mais uma vez da situação deles.

— Calma, estou chegando com o café — Mostrei as sacolas que estavam em minha mão.

Logo eles decidiram parar em um local no meio do gramado, eu sentei e coloquei as coisas no chão, Henry e Marie sentaram também. continuava em pé, ela estava rindo e girando ainda de braços abertos.

, você vai passar mal! — falei preocupado.

— Você é muito certinho, é tão legal fazer isso — mostrando a língua para mim.

— Eu sou precavido, eu bebi e se fizer isso eu vou vomitar. — Ela parou de girar e me encarou séria.

— Verdade, melhor eu parar! — Ela ajeitou os cabelos que estavam desalinhados e se sentou ao meu lado.

— Eu amo Lyon, mas não posso negar que Paris tem seu charme — Henry disse olhando fixamente para Torre Eiffel que estava na nossa frente.

— Eu não trocaria Paris por outro lugar e vocês? — dessa vez era perguntando.

— Confesso que as vezes eu fico tentado a não voltar mais para Lyon! Olha toda essa beleza. — Henry disse rindo, enquanto apontava para o parque à nossa volta.

— Eu acho Paris bonita, é a cidade luz! Todo seu charme e elegância deixam ela mais interessante. Mas, sinto mais saudades da brisa do mar e o clima leve de verão que têm Marselha. Paris é algo passageiro para mim e não definitivo.

— Paris é não é só a cidade luz, ela é a cidade do amor! — disse empolgada.

— Não conheço amor em Paris, então é só cidade luz mesmo — Eu rebati e observei ela balançar a cabeça em negação.

— De qualquer forma, eu não sei se conseguiria ir embora de Paris, está tudo aqui! Minha família, amigos, emprego. Minha vida é Paris. — disse desviando seu olhar da Torre para mim.

— Exatamente assim que me sinto em relação à Marselha — Falei dando os ombros — Vamos comer, porque eu estou com fome — Falei enquanto abria as embalagens da Starbucks.

Comemos conversando sobre a infância e viagens que fizemos ao longo da vida. Depois de comer, ficamos deitados no gramado olhando o amanhecer.

— Acho que eu estou com sono — A voz de estava mais arrastada.

— Estamos 24 horas acordados, ficaria surpreso se você não tivesse — Deixei de encarar o céu e me ajeitei na grama, ficando de frente para ela.

— Posso dormi pelas próximas 48 horas? — Ela também virou na minha direção.

— Claro que pode, mas precisa ser na sua cama ou na minha! — Levantei as sobrancelhas em uma tentativa de parecer mais interessante o meu convite.

— Sério que você vai querer a companhia de um zumbi? — Ela revirou os olhos, coisa que sempre fazia quando alguém dizia alguma besteira.

— Você seria a zumbi mais linda! — Estiquei minha mão e toquei seu rosto, a sua pele estava quente.

— Obrigada! — Ela sorriu sem graça, acariciei seu rosto e então eu coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da sua orelha.

— Você deixa Paris mais bonita, sabia?— encarei aqueles olhos castanhos que vinha atormentando meus sonhos.

— Como assim?

— Você ilumina onde você passa, acho que você transforma ela na cidade luz. — Ela sorria enquanto eu falava, percebi que ela fechou os olhos.

— Eu te beijaria agora, mas estou com sono — Gargalhei da sua sinceridade, fazendo ela abrir os olhos de forma assustada.

—Vamos ter tempo pra fazer isso, eu prometo! — Mordi meu lábio inferior, enquanto ela sorria sem graça mais uma vez.

I don’t know if you’re looking for romance or…
[Eu não sei se você está procurando romance ou…]
I don’t know what you’re looking for
[Eu não sei o que você está procurando.]

I wish you’d stop ignoring me
[Eu queria que você parasse de me ignorar]
Because you’re sending me to despair.
[Porque você está me deixando em desespero.]

un petit— déjeuner— café da manhã