Sometimes

Sinopse: Ela tinha uma bagagem emocional que a impedia de se jogar de cabeça em outro relacionamento. Mas para sua sorte, ele não estava disposto a desistir dela tão fácil. E ser professor da filha dela acabaria apenas beneficiando ambos.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Insinuação sexual e palavras de baixo calão.
Beta: Regina George.

Capítulo Único

Sometimes I run, sometimes I hide
– Mãe, você quer, por favor, parar quieta? – Aimée indagou rindo. Jogou os cabelos compridos para longe e fitou a mãe com diversão.
revirou os olhos para a filha, sem acreditar que uma adolescente de 15 anos estava lhe dando sermão a respeito de seu comportamento.
– Eu estou quieta, garota.
– Ah, eu estou vendo. – Disse com ironia.
– Eu só estou nervosa, ok? Depois das recentes descobertas, não esperava ter que vir na sua escola tão cedo. – resmungou, enquanto batia o salto contra o piso branco da escola de Aimée, demonstrando seu nervosismo.
– Bom, eu também não esperava ter que socar a cara do Brian. – Aimée comentou rindo, recebendo um olhar atravessado da mãe.
– Inclusive, vamos conversar sobre essa postura em casa, mocinha. – disse com firmeza. – Eu não te eduquei assim.
– Claro que não. – A mais nova riu novamente. – Você me educou para chutar o saco de moleque machista até fazê-lo chorar. E eu só soquei a cara dele uma vez. – Se defendeu, enquanto revirava os olhos, permanecendo em silêncio.
Ela realmente tinha instruído a filha a tomar aquelas atitudes, mas jamais pensou que a garota o faria dentro da escola, no meio da cantina e com todos os alunos olhando.
– A sua sorte, é que apenas um professor viu. – Resmungou por fim. Aimée gargalhou.
– A minha sorte e a sua também, né mãe? – Disse. – Ver o professor não vai ser nenhum sacrifício para você, mesmo que seja para falar do meu mal comportamento.
– Eu não sei o que eu fiz para merecer isso. – resmungou, suspirando alto.
– Sexo sem proteção com o meu pai. – Aimée respondeu, e não teve tempo de repreender a filha, pois no instante seguinte, a porta da sala do professor de História se abriu e se colocou para fora, parecendo tão nervoso quanto . O homem pigarreou baixo, olhando brevemente para Aimée e então focando os olhos azuis na mãe da garota.
vacilou. Tinha esquecido do quão bonito ele era. E aqueles olhos… ah, aqueles olhos poderiam fazê-la esquecer do próprio nome. Balançando a cabeça para os lados levemente, respirou fundo, se colocando em pé e seguindo até o professor.
– Sr. . – Ela cumprimentou formalmente. Ouviu o riso de Aimée e virou a cabeça para trás, lançando um olhar irritado para a filha.
– Oi, . – respondeu num tom de voz baixo. Um sorriso pequeno brincava no canto de seus lábios e quis sair correndo dali o mais rápido possível. Porque sua vontade era puxá-lo pela gola da camiseta e grudar seus lábios nos dele.
– Aimée, pode ficar aí. Vou conversar rapidamente com a sua mãe. – falou, olhando brevemente para a garota.
– Sem pressa, professor. – Ela disse, sorrindo largamente. – Posso até dar uma volta, caso vocês precisem de mais tempo.
– Aimée! – chamou a atenção da filha, a encarando abismada. O que aquela garota tinha na cabeça para falar aquelas coisas?, se indagava, totalmente constrangida pela situação. Ouviu a risada de e o encarou surpresa. O homem tentava controlar o riso precariamente, e encarava Aimée com diversão no olhar.
– Quem sabe outro dia? – Falou descontraído. – Hoje, infelizmente, eu tenho aula do mestrado.
– A disposição, professor. – Aimée finalizou, voltando a atenção para o celular em suas mãos.
se afastou da porta, dando espaço para entrar. A mulher respirou fundo e entrou na sala, sentando-se na cadeira posta em frente à mesa de . Colocou sua bolsa no chão, perto de seus pés e encarou , que estava escorado na mesa, os braços cruzados em frente ao corpo e o olhar fixo nela. A mulher repetiu para si mesma que deveria ficar calma umas dez vezes, antes de finalmente quebrar o silêncio.
– Então, a Aimée…
– Socou a cara de um colega que fez uma piadinha machista. – completou com o semblante sério. – Exigiu respeito a ela e todas as outras colegas. Não da forma mais exemplar, mas ela deixou o recado dado.
– E quais medidas a escola vai tomar? Você já avisou a direção? – questionou, preocupada. Apesar de sentir uma pontada de orgulho da filha, não podia evitar o nervosismo, afinal, era sua filha e ela sempre se preocuparia com ela.
– Não avisei e não vou avisar. – disse e o olhou, confusa. – Eu já conversei com Brian. Ele não vai denunciar o caso para a diretora porque, aparentemente, todas as colegas de Aimée se uniram para prestar queixa das atitudes dele. Todos usaram o bom senso e evitaram levar o acontecido para a direção.
– Certo. E você pretende castigar Aimée de alguma forma?
– Não. – Foi tudo o que o homem disse.
– Não? – questionou surpresa.
– Não. – afirmou. – Não concordo com a agressão, mas Aimée estava se defendendo. Não tenho o porquê castigá-la. E nós já conversamos. Ela prometeu que não vai ter esse tipo de atitude novamente. O diálogo é sempre a melhor arma.
– Ok. – assentiu, pegando sua bolsa e se levantando. – Acho que é isso então? – Indagou, mas não deixou espaço para que o homem respondesse. – Eu vou ter uma conversa com Aimée, para garantir que isso não vá se repetir. Ela não costuma ser agressiva, então creio que tenha sido algo de uma vez só.
seguiu para a porta com passos rápidos. Estendeu a mão para a maçaneta da porta e se virou para , encontrando o homem mais perto do esperava. segurou o braço da mulher, a afastando da porta gentilmente.
– Precisamos conversar. – Foi o que ele disse, enquanto o fitava, num misto de nervosismo e susto.
– Aqui não é o lugar e nem o momento para isso, . – suspirou.
– Tudo bem. – Ele concordou. – Eu te pego às 19h hoje.
– Não é uma boa ideia. – negou com a cabeça.
– Então vamos conversar aqui. – decidiu, não se deixando afetar pelas respostas de .
, eu…
– Olha só, , eu entendo que a situação é complicada. Eu não esperava que fosse te encontrar novamente trazendo a sua filha para a escola, sendo que minha intenção era te ver em nosso próximo encontro. Mas aconteceu e você vem fugindo de mim desde então. Já faz duas semanas. – Suspirou. – A gente não pode deixar as coisas assim. Eu não quero deixar as coisas assim.
– Ok. – finalmente cedeu. – Estarei pronta às 19h. Podemos tomar um café, mas não posso demorar. Amanhã eu trabalho e preciso chegar cedo no escritório.
– Sem problemas. – sorriu. Se aproximou de e beijou o rosto da mulher suavemente, provocando um turbilhão de sensações e lembranças que procurou evitar e jogar para o fundo de sua mente, não tendo muito sucesso, já que o perfume de estava em seu entorno e tomando seu sistema por completo.
– Tchau . – abriu a porta, com um sorriso pequeno nos lábios.
– Até mais tarde. – sorriu abertamente.
A mulher fechou a porta da sala e respirou fundo, atraindo a atenção dispensada a filha, que a esperava no corredor. Aimée notou o estado da mãe e riu alto, recebendo uma careta como resposta.
– E aí, estou encrencada? – A menina indagou, andando até o lado da mãe.
– Não. – respondeu. – Mas eu tenho um encontro com seu professor hoje.
O grito de Aimée reverberou por todo corredor, fazendo com que abrisse a porta e colocasse a cabeça para fora, procurando o alvoroço. corou violentamente e sorriu sem graça para o homem, puxando Aimée para o estacionamento da escola o mais rápido possível, enquanto a garota ria e pulava com animação.

But all I really want is to hold you tight
jogou outro vestido em cima da cama, bufando irritada. Já havia experimentado seis peças e não havia gostado de nada. Era apenas uma saída para tomar um café, não precisava de nada muito glamouroso. Jeans e uma camiseta deveriam o suficiente.
– Mas nem pensar. – Aimée retrucou e percebeu que seus pensamentos estavam soando em voz alta. Revirou os olhos para si mesma e voltou a analisar as roupas espalhadas na cama.
– Eu não vou me arrumar impecavelmente para a ida a cafeteria. – Resmungou.
– Só vai usar jeans e camiseta nesse encontro por cima do meu cadáver! – A garota falou, entrando no quarto da mãe e indo direto ao pequeno closet. Saiu de lá dois minutos depois com um vestido preto e um casaco de lã quentinho. – Coloca uma meia calça por baixo e os oxfords pretos de salto. Confortável, mas charmosa. – Estendeu a roupa para a mãe, que sorriu agradecida e puxou a garota para um abraço apertado.
– O que eu seria sem você? – Indagou amorosa. Aimée sorriu e beijou a mãe no rosto.
– Uma mulher sem cicatriz de parto. – Fez piada.
– Você não tem jeito. – revirou os olhos, enxotando a filha do quarto em seguida.
Tomou um banho, se vestiu e deixou os cabelos soltos. Fez uma maquiagem básica, usando apenas rímel, gloss labial e iluminador. Pegou uma bolsa pequena e colocou os itens necessários dentro dela, descendo para o primeiro andar da casa em seguida. Aimée estava jogada no sofá da sala, assistindo Supernatural e comendo pipoca.
– Tem dinheiro para pedir pizza no lugar de sempre. – Apontou para o cesto de frutas falsas em cima da mesa da cozinha. – Mas tem sobras de ontem, então você decide o que quer comer.
– Tudo bem. – Aimée falou, focada na TV.
– Eu não vou demorar, mas estou levando a chave para o caso de você pegar no sono no sofá e não atender a porta.
– Fica tranquila, mãe. Pode ir curtir com o Sr. sem pensar no horário. – Abriu um sorriso malicioso.
– Eu vou ignorar seus comentários. – decidiu.
– Mãe, é sério. – Pausou a série e encarou a mãe com firmeza. – É a primeira vez que vejo você assim por causa de um cara, depois que você e meu pai finalmente se separaram. Não joga isso fora. O Sr. é uma ótima pessoa.
– Eu não vou ter essa conversa com a minha filha de 15 anos! – resmungou, jogando-se no sofá ao lado da menor.
– E vai ter essa conversa com quem? – Aimée indagou, arqueando as sobrancelhas. – Você quase não tem amigos, mãe.
– Não importa. Não vamos falar disso. – Decidiu, dando fim ao assunto.
– Tudo bem. – Aimée suspirou, cedendo. A campainha soou e ela sorriu. – Então fale com o sr. .
revirou os olhos. Pegou sua bolsa e se levantou, indo em direção a porta.
– Será que já posso chamar ele pelo primeiro nome? – Indagou com diversão.
– Aimée, eu vou te deportar para a casa do seu pai. – resmungou, abrindo a porta da casa e encontrando com um suéter cinza que destacava seus olhos, jeans e tênis. O homem abriu um sorriso maravilhoso, olhando dos pés à cabeça, fazendo a mulher corar.
– Podemos ir? – Ele indagou.
– Sim.
– Melhore o humor da minha mãe, Sr. ! – Aimée gritou de dentro de casa, arrancando gargalhadas de , enquanto brigava com a filha e puxava para o carro com rapidez.
– Ela é uma figura. – comentou, indicando Aimée. sorriu.
– É a melhor coisa da minha vida, apesar de dar vontade de mandá-la para a Inglaterra morar com o pai às vezes.
– Ele está morando tão longe? – indagou, abrindo a porta do carro para em seguida. A mulher assentiu, entrando no veículo.
– Sim. – Respondeu, quando o homem ocupou o banco do motorista. – Ele vem vê-la uma vez a cada dois meses. – Deu de ombros. – Aimée não se importa muito.
– E por que vocês se separaram? – o homem questionou e suspirou, incomodada com o assunto. Ela não gostava de falar do ex. Ainda tinham feridas em seu coração não cicatrizadas desde a partida do homem. Ela não sentia mais nada por ele, mas a mágoa e o medo seriam cicatrizes que ela levaria para o resto da vida.
– O de sempre. Incompatibilidade. – Deu de ombros novamente, encerrando o assunto.
não acreditou, mas também não insistiu. Sabia que a mulher já havia vivido muita coisa e respeitava seu espaço. Mas não podia fingir que não se importava e não desejava que ela se abrisse com ele. Porque ele desejava. Gostava de e queria que as coisas dessem certo entre eles.
Chegaram ao café dez minutos mais tarde. solicitou uma mesa e logo eles estavam acomodados em um canto afastado do estabelecimento.
– Querem fazer seus pedidos agora? – a atendente questionou, parada ao lado da mesa deles.
– Sim, por favor. – respondeu. – Eu quero uma xícara de chocolate quente com chantilly e uma fatia de torta de chocolate.
– E o senhor?
– Café preto e uma fatia da mesma torta. – pediu e a atendente se retirou. Esperaram seus pedidos em silêncio, e após beber um gole de seu café, suspirou, chamando a atenção da mulher.
– Eu fiquei esperando a sua ligação. – Confessou.
– Eu sei. – disse. – Me desculpe. Eu só… fiquei tão confusa. Estava tudo bem, íamos sair de novo e então eu te encontro na entrada da escola e Aimée comenta que você é o novo professor de História dela. Eu não estava esperando.
– Entendo. – comentou. – Mas não vejo os problemas que você vê, . Somos adultos. Nos conhecemos em um bar. Saímos, transamos e repetimos a dose mais algumas vezes. Nada anormal. – Deu de ombros.
– Você dá aulas para Aimée. – retrucou. – Eu não sei como funciona a política da escola, mas não quero prejudicar minha filha. Muito menos a você.
sorriu e pegou a mão da mulher em cima da mesa. Entrelaçou seus dedos e respirou fundo.
– Eu estou saindo com você e eu não sou o seu professor. Por coincidência, sua filha é minha aluna. A única política de proibição é de envolvimento entre alunos e professores e eu sinceramente nunca me envolveria com nenhum dos meus alunos porque além de ser um profissional, qualquer envolvimento com menores de idade é crime e completamente nojento. – Declarou.
– Tem certeza de que quer persistir nisso? – indagou suspirou. Fitou os olhos maravilhosos de e encontrou sinceridade estampada em suas írises. E por todos os santos, ela queria muito acreditar nas coisas que ele dizia. – Eu sou um pouco problemática.
– Eu aceito os termos. – sorriu, se inclinando para a mulher e encostando seus lábios suavemente. Beijaram-se com calma e carinho e finalizou o beijo com uma mordida no lábio inferior do homem, que suspirou. – Se eu falar que senti falta disso, você acredita?
– Sim. – Ela disse, rendida às carícias do homem.
– Vai parar de fugir de mim? – Ele questionou, num murmúrio.
– Vou tentar.

I wanna believe in everything that you say, cause it sounds so good
O telefone celular de tocou e a mulher revirou os olhos ao vislumbrar o nome do ex marido na tela do aparelho. Respirou fundo e atendeu a chamada, desviando a atenção do computador à sua frente e recostando o corpo na cadeira giratória.
– O que você quer? – Indagou com frieza.
– Como sempre muito educada. – Leon ironizou. – Boa tarde para você também, .
– Seja direto, por favor. Estou trabalhando. – Resmungou impaciente.
– Só liguei para confirmar minha visita daqui duas semanas, para o aniversário de Aimée.
– Então você deveria ter ligado para ela, não para mim.
– Estou te avisando porque sei que Aimée está na escola. – Leon respondeu. – E porque sei que está louca para me ver.
– Me poupe. – bufou. – Você não tem uma namorada? Fica enchendo o meu saco por quê?
– Pode admitir que sente saudades, . – Leon riu e lembrou porque tinha tanta raiva do ex marido: o homem simplesmente não tinha nenhuma noção sobre respeito ao próximo. – Eu sei que não arrumou ninguém desde que fui embora.
– Não que isso seja da sua conta, porque sinceramente, não te devo nenhuma satisfação. E faça o favor de se recolher a sua insignificância e parar de supor coisas a respeito de minha vida. Passarei o recado para Aimée. – Desligou a chamada bufando irritada. Olhou brevemente para o relógio e constatou que já estava na hora de ir embora. Salvou os arquivos em aberto e desligou o computador, passando pela recepção e se despedindo de Natália, sua secretária.
Dirigiu rapidamente até a escola de Aimée, planejando uma surpresa para a filha ao livrá-la de pegar o ônibus para voltar para casa. Aimée estava parada em frente ao portão da escola, conversando animadamente com um rapaz loiro e alto, que logo identificou como Owen, seu vizinho de rua e melhor amigo de Aimée. sorriu e buzinou, chamando a atenção da garota, que beijou o rapaz no rosto e correu até o carro, estacionado um pouco mais afastado do portão de entrada.
– Podemos dar uma carona ao Owen? – Ela indagou, fazendo a típica carinha de cão chutado do caminhão de mudanças. – Ele ia de ônibus comigo, mas já que minha mãe maravilhosa está aqui… – deu de ombros, sorrindo.
– Claro que sim, filha. – concordou. Aimée agradeceu animada, largou a mochila no banco traseiro e foi atrás do colega para dar a notícia. riu e pegou o celular para checar suas mensagens, ouvindo um grito de Aimée em seguida. Levantou a cabeça, procurando a filha e a encontrou ainda em frente à escola, com Owen ao seu lado, enquanto os dois acenavam freneticamente para , que pelos portões naquele instante. se aproximou dos alunos com um sorriso aberto e com uma pasta em mãos que parecia prestes a explodir de tantas folhas que guardava.
– Ei professor, precisa de uma carona? – Aimée indagou e quase riu da atitude da filha. levou o olhar até , que sorriu tranquila, mostrando que não se importava, voltando a fitar Aimée em seguida. – Vamos levar o Owen também. Minha mãe está virando Uber. – A menina fez piada.
Fazia duas semanas que e estavam saindo, sem interrupções e fugas por parte da mulher. Eles passavam a maioria dos finais de tarde juntos, tomando café ou saindo para algum lugar mais tranquilo. por vezes ia ao apartamento do homem, mas ainda não ia à casa da mulher com frequência, já que ambos queriam que Aimée se acostumasse com a ideia. Mas mal sabiam eles que a garota já estava mais do que acostumada e torcia por eles com todas suas forças, fazendo seus próprios planos para que os dois pudessem se ver e sair.
– Se não houver problemas, ia adorar não pegar o ônibus lotado com todos esses trabalhos. – riu ao levantar a pasta que carregava. Aimée soltou um gritinho animada e arrastou os dois homens para o carro de . Entrou no banco traseiro, junto com Owen e indicou o banco do carona para .
– Aimée ofereceu uma carona. – explicou e assentiu, fitando a filha pelo retrovisor.
– Certo. – A mulher riu. – Qual a rota, madame?
– Owen e eu temos um trabalho de Biologia, então podemos ficar lá em casa. E depois você leva o professor . – Aimée decidiu.
– Mas você mora na mesma casa que eu! – exclamou fazendo graça.
– E você namora o professor . Nada mais justo que Owen e eu darmos o fora para vocês terem privacidade. – Retrucou.
– Aimée! – repreendeu e a garota revirou os olhos.
– Owen é meu melhor amigo, mãe. É óbvio que ele sabe.
– Inclusive, acho sensacional. – Owen comentou.
– Não comente. – Aimée disse para o amigo, em forma de conselho. – Ela vai dizer que não vai ter essa conversa com dois adolescentes de 15 anos.
– Eu vou fazer 16 daqui dois meses. – Owen retrucou.
– E eu daqui duas semanas. Isso não invalida meu argumento. – Aimée deu de língua e os dois começaram a discutir.
revirou os olhos, já acostumada com as briguinhas deles. Sentiu o olhar de em seu rosto e o olhou brevemente, sorrindo em seguida.
20 minutos depois e estacionou o carro em frente o apartamento de . Suspirou e se virou para o homem, que mantinha um sorriso torto nos lábios bem desenhados.
– Queria te chamar para sair. – disse. – Mas tive uma ideia melhor.
– Qual? – sorriu.
– Janta aqui em casa. – Ele largou a pasta no chão e se inclinou para . – Eu cozinho para você. A gente assiste um filme. – Roçou os lábios nos dela e ela suspirou. – Fazemos amor no meu sofá. E na minha cama. – Mordeu o lábio dela, acariciando a cintura de com as mãos enquanto ela o abraçava pelo pescoço. – E aí eu te levo para casa, já que Aimée não pode passar a noite sozinha.
– Aimée dorme na avó dela nas sextas. – comentou e sorriu.
– Então a gente faz amor na mesa da cozinha também. – Sugou o lábio inferior de , aprofundando o beijo com uma lentidão torturante. – O que acha?
– Vou chegar às 20h. – disse, puxando o homem novamente para si e o beijando com fervor.

You tell me you’re in love with me, like you can’t take your pretty eyes away from me
acordou com os braços de envoltos de seu corpo. Abriu um sorriso, antes de virar-se na cama e ficar de frente para o homem. dormia tranquilamente. Os cabelos revirados pelo sono, as bochechas rosadas e os lábios bem desenhados o deixavam beirando a perfeição, na opinião da mulher. suspirou, se aconchegando no peito do homem e o sentindo abraçá-la com mais força, indicando que ele estava acordado.
– Bom dia. – Ela resmungou.
abriu os olhos lentamente, piscando algumas vezes, tentando se situar, abrindo um sorriso gigante em seguida. Colou os lábios aos de em seguida, num selinho carinhoso e demorado.
– Bom dia, linda. – Ele disse, escondendo a cabeça nos cabelos dela e aspirando seu perfume. – Dormiu bem?
– A cama é ótima. – disse, sorrindo travessa ao completar: – Já a companhia…
estreitou os olhos para a mulher, entendendo a tirada dela, que riu com gosto.
– Você não reclamou durante a madrugada. – Ele contrapôs, sorrindo com malicia.
– Você nem me deixou terminar e já está tirando conclusões. – retrucou, fazendo um bico com os lábios.
– Então termine. – incentivou, com as sobrancelhas arqueadas.
– Eu ia dizer que a companhia é sensacional. – Ela disse, fazendo rir e beijá-la novamente.
– Vamos tomar café da manhã juntos? Ou você precisa correr para pegar Aimée? – Ele indagou, acariciando a cintura de e fazendo-a soltar alguns suspiros baixinhos.
– Preciso buscar Aimée. – Respondeu após checar as horas no relógio em cima da mesa de cabeceira. – Ela tem aula de dança pela tarde.
– Tudo bem. – murmurou, mas não soltou de seus braços. – Mais cinco minutos?
– Talvez 10 minutos. – Ela suspirou e ele abriu um sorriso gigante.
– Eu estou apaixonado por você. – confessou, com aqueles olhos lindos fixos nos de . – Sabe disso, não sabe?
Ela levou dois segundos para se esquivar do abraço, pular para fora da cama e vestir as roupas que estavam jogadas no chão. Se aproximou apenas para um selar de lábios sem qualquer emoção por parte dela.
– Eu preciso ir. – Se despediu e não teve tempo de retrucar.
estava fugindo novamente.

But every time you come too close, I move away
Aimée desceu as escadas correndo, perguntando aos gritos se poderia pegar uma bolsa emprestada. riu, antes de gritar de volta que a garota poderia pegar todas as bolsas, menos a azul. Aimée voltou para a sala dois minutos depois, sentando-se ao lado da mais velha e suspirando.
– Owen vai chegar daqui a pouco. – Comentou. – Não vou chegar tarde.
observou a filha, por trás dos óculos. A garota usava um vestido branco com desenhos de gatinhos, um Vans preto e a bolsa branca a tiracolo. Deixou os cabelos soltos e passou um gloss labial rosado.
– Tem certeza de que isso não é um encontro? – indagou, reprimindo um sorriso divertido. Aimée revirou os olhos.
– Claro que não, mãe. – Disse a garota. – Owen e eu somos apenas amigos e vamos sair para tomar sorvete como sempre fazemos quando está calor.
– Mas isso foi antes de ele crescer 20 centímetros, tirar o cabelo do rosto e parar de se esconder dentro de camisetas enormes. – Argumentou a mulher, mas Aimée não se deixou convencer.
– Eu sei que seu sonho é nos ver namorando. – Bufou. – Mas não está rolando nada. Somos amigos e é só isso. – Encerrou o assunto.
não acreditou nenhum pouco no discurso da filha, mas não insistiu. Se a garota ainda não estava preparada para admitir sua paixão, não poderia julgá-la. estava fazendo a mesma coisa com relação a .
– Tudo bem. – Disse por fim, voltando a atenção para o tricô em suas mãos.
– E você, vai passar a tarde de domingo inteira jogada no sofá fazendo um cachecol? – Aimée indagou, cerrando os olhos em direção a mãe.
– Esse cachecol é para você! – alegou, mudando de assunto.
– Eu atendi a ligação do professor hoje de manhã. – Falou em tom acusatório. – Ele me disse que você não o atende desde ontem pela manhã, quando saiu do apartamento dele.
– Você quer um cachecol mais longo? – indagou, sem nem se importar em estar evitando o assunto. Aimée bufou, pegou o celular e mandou algumas mensagens, se colocando em pé no mesmo instante em que a campainha tocou.
– Tudo bem, já sei que não vai falar com a sua filha de 15 anos sobre isso. – A menina disse e abriu a porta. – Por isso eu chamei reforços! – Sorriu para a mãe, que a encarou confusa.
– Aimée! – O grito soou por toda a casa e logo reconheceu a voz de Betina elogiando o vestido de Aimée.
– Owen está me esperando aqui na frente. – A menina avisou a mãe, mandando um beijo.
– Tia, faça ela falar! – Exclamou para Betina, saindo da casa e fechando a porta atrás de si. e Betina trocaram um olhar, a primeira assustada e a outra, diabólica.
teve vontade de sair correndo porta afora, mas mal teve tempo de levantar e a irmã já estava ao seu lado no sofá, a esmagando em um abraço de tirar o fôlego.
– Eu senti sua falta! – Betina disse, ainda grudada a irmã.
– Eu também senti. – sorriu. – Quando você voltou? E Lilian? – Se soltou dos braços da mais nova, analisando seu rosto. Estava mais bronzeada e o sorriso mal cabia em seu rosto. Realmente, a viagem para curtir o primeiro ano de casada havia feito bem demais a Betina.
– Há dois dias. E Lilian está ótima. – A mulher falou. – Mas preferimos curtir nosso apartamento novo antes de anunciar que já estávamos de volta.
– E como raios Aimée sabia que você havia voltado?
– Eu mandei uma mensagem. – A outra deu de ombros. – E então ela me contou sobre o professor dela com quem você está saindo e dando um gelo. Me apresentei para a missão de fazer você abrir os olhos.
– Meus olhos estão bem abertos. – retrucou, puxando a irmã para a cozinha. Ainda tinha bolo de chocolate e suco de laranja para oferecer e agradeceu seu tempo sobrando no dia anterior que a possibilitou cozinhar.
, por favor! – Betina resmungou, dando uma garfada no bolo que a irmã lhe ofereceu. – Isso aqui está ótimo! – elogiou, mas o assunto logo retornou a . – Me diz, por favor, que você não terminou com o homem.
– Por que você está tomando partido? – indagou, sentando-se ao balcão, ao lado de Betina. – Você nem o conhece!
– Mas Aimée conhece! E disse que ele é uma pessoa boa, decente e que gosta de você! Por que você está complicando as coisas? – Betina resmungou, inconformada.
– Eu não quero falar disso. – retrucou, bufando em seguida.
– E por que não?
– Porque ele está apaixonado por mim. – confessou, suspirando. Betina deixou o garfo cair na bancada, encarando a irmã com os olhos arregalados.
– E como você sabe disso? – Indagou ela, surpresa.
– Ele me disse ontem pela manhã, antes de eu ir embora do apartamento dele.
– Certo. – Betina estalou os lábios, voltando a comer o bolo. – Eu quero detalhes, desde o começo desse rolo! – Falou ela, com energia e suspirou. Sabia que nada no mundo faria Betina largar de seu pé caso ela não abrisse o jogo.
Então se pôs a falar. Explicou como o conhecera no bar favorito delas e como o achou interessante. Um homem bonito, inteligente e engraçado não era algo que se encontrava a cada esquina. Falou que eles se beijaram na mesma noite em que se conheceram e que ele lhe pediu seu número. Que conversaram por dias a fio, até ele finalmente a chamar para sair novamente. Falou dos inúmeros encontros que tiveram, das noites que passaram juntos, até ela descobrir que ele era professor de Aimée e sumir por duas semanas.
– Ele não tinha falado que era professor? – Betina indagou, confusa.
– Ele comentou. – suspirou. – Mas não chegou a falar a escola e eu não perguntei. Então foi um choque encontrá-lo na escola de Aimée em um dia qualquer em que eu decidi dar uma carona a ela.
– E como foi?
– Aimée o viu no estacionamento da escola e gritou animada, o cumprimentando. – riu. – Você sabe como ela é, enérgica com tudo. Primeiramente ele a viu e sorriu, mas logo seus olhos me encontraram e ficamos nos encarando, de boca aberta, por incontáveis minutos. Aimée me apresentou a ele como mãe dela e me disse que ele era o novo – e sensacional, como ela mesma colocou em palavras, professor de História da turma dela.
– E aí você sumiu por duas semanas e deixou o homem correr atrás de você como louco? – Betina sugeriu, com o tom de voz afiado.
– Quase isso. – admitiu.
– E agora você está fugindo porque ele disse que está apaixonado por você. Está se escondendo porque, um homem sensacional, está interessado em você desde que aquele bundão do Leon foi embora.
– Não é isso, Betty. – resmungou, em conflito.
– Ah sim, desculpe. – A mais nova riu com sarcasmo. – Você está se escondendo, porque, pela primeira vez desde que o bundão do Leon foi embora, você está gostando de alguém que vale a pena. – Acusou, com seriedade. respirou fundo, sendo acertada em cheio pelas palavras da irmã.
– Eu só não quero me machucar de novo. – Falou. – Eu gosto dele, de verdade. E saber que ele gosta de mim, me tira um peso do coração. Mas eu ainda tenho medo de me ferrar de novo, Betina.
– E aí você se esconde ao invés de conversar com ele? – Betina suspirou. – Olha, eu entendo que o Leon ferrou com você. Eu mesma estive presente no longo processo que foi você juntar os cacos e se reconstruir novamente. Mas me diz, com sinceridade: parece desse tipo?
– Não. – respondeu, de imediato. – Eu me sinto tão confortável com ele. Segura, sabe? Ele me passa confiança.
– Então eu nem preciso te dizer o que você tem que fazer. – Betina sorriu. – Estarei aqui, esperando Aimée chegar e comendo esse bolo maravilhoso. Inclusive, você deveria levar uma fatia para ele. – A mulher disse, enquanto empurrava para fora da cozinha.
– O que seria de mim sem você? – indagou, abraçando a irmã com carinho.
– Claramente uma pessoa mais infeliz e sem diversos livros na estante, já que eu só sei comprar livros para você de presente. – Deu de ombros, rindo. – Agora vá se arrumar enquanto eu separo uma fatia de bolo para o meu cunhado.

Hope that you will wait for me, you’ll see that you’re the only one for me
estava descalço, usando apenas uma calça de moletom cinza quando abriu a porta de seu apartamento e deu de cara com em sua porta. A mulher usava jeans e uma camiseta, nos pés uma bota de salto e na mão carregava uma bolsa e uma sacola de plástico.
– Eu te liguei. – Ele disse, num tom de voz que não soube identificar. Por um momento, pensou ter arruinado tudo. Ela nem poderia reclamar, visto que era a culpada. Mas preferiu respirar fundo e não desistir sem lutar, pela primeira vez na súbita e intensa relação entre eles.
– Eu sei. – Ela suspirou. – Eu não quis atender.
– Eu sei. – Ele repetiu a fala dela, ainda rígido em frente à porta. – Olha , eu te pedi uma chance. Te pedi para não fugir mais. Mas eu não posso e não quero te forçar a uma relação que você não quer e não está preparada para ter. E está tudo bem. – sorriu triste. – Eu só queria que você tivesse me dito antes de eu criar esperanças.
– Eu errei. – finalmente disse. – Eu tenho uma puta bagagem emocional e deixei ela se colocar entre a gente. Mas eu não estava em uma relação com meu passado e sim com você. – Suspirou, aparentando um cansaço emocional que sentia que a corroía por dentro. – Eu sei que sou confusa. Eu me escondo e fujo ao invés de conversar. Eu fico com medo e me afasto. Mas na verdade, eu só quero ficar com você dia e noite. – Confessou e arregalou os olhos, surpreso. – E isso me assusta, porque faz muito tempo que não me envolvo com alguém que goste de mim. E eu vou entender se você quiser se afastar dessa bagunça que eu sou. Mas eu não podia deixar você acreditar que eu não sinto nada, porque tudo que eu quero é ficar com você.
– Eu não esperava ouvir nada disso. – confessou, abrindo um sorriso de canto.
– E eu trouxe bolo. – comentou, levantando a sacola de plástico. – Se ainda quiser, é claro.
alargou seu sorriso, se afastando da porta e dando espaço para que a mulher entrasse em seu apartamento.
– É claro que eu quero. – Ele disse, não se referindo apenas ao bolo. sorriu, entrando no apartamento e ouvindo fechar a porta atrás de si. Eles finalmente iriam resolver as coisas e colocar os pingos nos i’s.

But all I really want is to hold you tight, treat you right, be with you day and night
entrou em casa e respirou fundo, fechando a porta atrás de si e colocando a bolsa em cima do sofá. Tirou os saltos altos e o paletó, seguindo descalça e usando apenas a blusa e saia social que usava para ir trabalhar. Ouviu barulhos na cozinha e seguiu para o cômodo, ouvindo a risada alta de Aimée e uma segunda voz com a qual ainda não havia se acostumado, apesar de tê-la ouvido quase todos os dias, durante a última semana.
– Eu não acredito que você assiste Teen Wolf! – Aimée exclamou, entre risos. entrou na cozinha a tempo de ver dar de ombros, enquanto mexia alguma coisa na panela que estava no fogão.
– É uma série que distrai! – Se defendeu. Aimée tornou a rir, notando a presença da mãe parada a porta da cozinha quando se inclinou para frente, no meio da gargalhada.
– Oi mãe! – A garota sorriu, se aproximando e beijando a mulher no rosto. – Encontrei o cozinheiro que precisávamos! – Apontou para perto das panelas, usando o avental laranja que costumava usar quando cozinhava. riu, sem realmente acreditar que tinha uma filha como Aimée. A garota simplesmente não tinha papas na língua e muito menos noção.
– Será que podemos pagar o salário dele? – Entrou na brincadeira, fazendo Aimée rir e estreitar os olhos em sua direção.
– Bem, isso é com você, literalmente! – Aimée disse, sorrindo com malícia. empurrou a filha de leve, enquanto revirava os olhos. – Eu vou para meu quarto ligar para Owen e xingá-lo por ainda não ter me enviado o trabalho de Biologia. Se comportem. – A garota disse, rindo, sumindo em seguida.
– E então, como pretende me pagar? – indagou, se aproximando da mulher e unindo seus corpos.
– Não sei. – deu de ombros. – Me diz você, como prefere ser recompensado? – O abraçou pelo pescoço, beijando seus lábios com desejo, aprofundando o beijo instantes depois. Ela simplesmente não conseguia resistir a por muito tempo, ainda mais com ele grudado em seu corpo e com a boca tão perto da sua.
– Essa é uma forma sensacional. – disse, após afastar seus lábios dos da mulher, sorrindo abertamente. Se afastaram e ele voltou para as panelas, sendo seguido por de perto.
– O que você está aprontando aí? – Ela indagou curiosa.
– Minha especialidade. – Sorriu. – Lasanha à bolonhesa. Aimée insistiu avidamente para que eu cozinhasse.
– Ela sabe ser bem convincente quando quer. – A mulher riu. – Eu faço a sobremesa, pode ser? Só preciso tomar um banho antes.
– Tudo bem. Se a sobremesa ficar tão gostosa quanto aquele bolo de chocolate que me levou, eu jamais seria capaz de dizer não a essa sugestão.
riu, beijou o homem no rosto e subiu para o segundo andar. Ouviu a voz de Aimée brigando ao telefone e sentiu pena de Owen. A menina sabia ser amável como ninguém, mas também sabia ser extremamente chata e mal-educada quando estava irritada. Entrou em seu quarto e posteriormente em seu banheiro, tomando um banho rápido e vestindo peças confortáveis. Uma calça de moletom e uma regata era o suficiente, já que era mais “de casa” do que qualquer outra pessoa. Desceu para o primeiro andar e se deteve na escada, escutando a conversa de Aimée e .
– Então ele é sempre babaca assim? – indagou, sem poupar palavras.
– Sim. – Aimée suspirou. – Desculpa mesmo , você não deveria ter escutado aquilo.
– Está tudo bem, Aimée. Eu atendi o telefone de vocês, então tecnicamente ele não estava errado em se surpreender.
– Atendeu porque eu pedi. – Aimée retrucou. – Meu pai acha que ainda tem algum direito sobre nós, mas ele perdeu qualquer respeito que eu sentia por ele quando nos abandonou. Seis visitas ao ano e alguns presentes não suprem a falta que ele fez quando decidiu nos largar. – A menina disse, com ressentimento na voz. respirou fundo, sentindo uma raiva branda pelo ex marido, mesmo sem saber o que de fato ele havia feito. Mas se tinha deixado Aimée desestabilizada daquela forma, coisa boa não havia sido.
– Sinto muito por isso. – disse. – Nem você e nem a sua mãe mereciam ter passado por qualquer coisa ruim.
– Ela ainda não te contou, não é? – Aimée indagou.
– Não. – suspirou. – Mas eu sei que ela gosta de mim é só precisa de um tempo. E eu gosto demais dela, então realmente não quero forçar nada. Quando ela se sentir confortável, vai me contar.
– Eu estou torcendo muito por vocês. – Aimée disse. – Minha mãe merece ser feliz e acho que você é o candidato perfeito.
– Obrigado, Aimée. Prometo fazer de tudo para deixá-la feliz.
– Eu sei que vai. – Aimée disse. – Mas então, você vem no sábado né?
– Não sei, sinceramente. Não quero arrumar problemas com seu pai.
– Seu você não vier, vai acabar arrumando problemas comigo. E acredite, você não vai querer isso. – A menina ameaçou, fazendo rir baixo e gargalhar. – Depois você me diz o que quer de presente. – disse e finalmente entrou na cozinha. Aimée estava sentada na bancada, ao lado de , ajudando o homem a montar a lasanha. Os dois sorriam e quis eternizar aquele momento para sempre em seu coração.

Just hang around and you’ll see, there’s nowhere I’d rather be
corria de um lado para o outro na cozinha de sua casa. Betina, sentada no balcão, ria do desespero da irmã ao invés de ajudar, como sua esposa Lilian fazia.
– Para de rir e vem ajudar! – reclamou, lançando um olhar feio para a mais nova.
– Está muito mais divertido apenas observar, obrigada. – Ela estalou os lábios, se divertindo.
– Vai ser bem divertido você dormir no sofá hoje, amor. – Lilian retrucou e no mesmo instante Betina se colocou de pé e começou a organizar os docinhos na bandeja. lançou um olhar engraçado para Lilian e as duas riram.
– Você é a melhor cunhada do mundo. – A mulher afirmou.
– Eu sei. – A outra disse, no mesmo instante em que a campainha soou.
– Eu atendo! – Aimée surgiu gritando, atravessando a cozinha em passos rápidos. As mulheres só conseguiram ouvir alguns gritinhos da menina, antes da garota atravessar o cômodo novamente, com mais amigos da escola em seu encalço. Todos se cumprimentaram e os adolescentes seguiram para o quintal, onde a pool party de 16 anos de Aimée acontecia. A casa estava lotada, tanto pelos familiares como pelos amigos da menina.
– Eu não era popular a escola como Aimée. – Betina reclamou, invejando a bagunça que acontecia na rua.
– Porque você andava comigo. – disse e ambas riram.
– Você era realmente a criatura mais introvertida do mundo. – Ela comentou. – Não mudou muita coisa, inclusive.
– Vá a merda. – xingou e Lilian riu.
A campainha soou novamente e desta vez Betina se prontificou a atender a porta. só pôde identificar uma exclamação de surpresa e posteriormente, um xingamento. Logo a mulher estava de volta na cozinha, sendo seguida por duas pessoas. A primeira, era . O homem usava jeans e camiseta, e mesmo tão simples, estava impecável aos olhos de . O segundo convidado fez revirar os olhos e Lilian bufar.
– Que recepção maravilhosa. – Leon comentou, com ironia. Betina lhe lançou um olhar fulminante, mas voltou sua atenção a bandeja de doces, sem falar nada.
– Aimée está nos fundos. – informou, se aproximando de e abraçando o homem com carinho. – Que bom que você veio. – Ela sorriu e viu o alívio estampado no olhar de .
– Eu jamais iria querer Aimée como inimiga. – Ele explicou, também sorrindo.
– É uma atitude realmente inteligente. – comentou rindo. Beijou o homem rapidamente e tirou o presente das mãos dele, colocando em cima do balcão.
– Então esse é o ? Da ligação? – Leon indagou, chamando a atenção de todos.
– Você ainda está aqui por quê? – Betina revirou os olhos. – Aimée está nos fundos, faça o favor e vá ver a sua filha.
– Eu fiz uma pergunta. – O homem pontuou.
– E ninguém liga para o que você diz. – Lilian falou, como se fosse óbvio.
já estava pronta para iniciar uma discussão quando Aimée entrou na cozinha, chamando a atenção de todos os presentes, principalmente Leon, que sorriu e correu para abraçar a filha. Ele poderia ser o cretino que fosse, mas não podia negar que ele amava a filha. De um jeito torto, mas ainda assim, amava.
– Pai! – Aimée exclamou, sorrindo.
– Oi filha. Como você está? Senti sua falta. – Leon disse e resolveu dispensar todos da cozinha. Indicou que Betina e Lilian ajudassem a levar as bandejas com comida para o quintal e logo se prontificou a ajudar, mas foi impedido por Aimée, que largou o pai e correu para abraçar um extremamente surpreso.
– Eu sabia que você viria, ! – A garota exclamou, sorrindo.
– Como eu disse para a sua mãe, jamais quero você como inimiga. – Eles riram juntos e logo Aimée voltou sua atenção para Leon, que os encarava com uma expressão irritada no rosto.
sorriu para e ambos pegaram algumas bandejas, rumando para o quintal em seguida. Afinal, tinha uma pool party para participar e dentro da cozinha não era o melhor lugar para aquilo.
There’s things about me, you just have to know
– Se eu fosse você, teria chutado ela no primeiro sumiço. – Betina disse, rindo, enquanto lhe mandava o dedo do meio.
Estavam ela, Lilian, e sentados no balcão da cozinha, enquanto Aimée e os amigos curtiam a piscina e Leon estava no banheiro, mas passara quase toda a tarde no quintal junto da filha, coisa que agradeceu internamente. Já haviam cantado os parabéns e quase todos os familiares de Aimée já haviam ido embora, permanecendo na festa apenas os amigos mais próximos da menina. abraçou pelos ombros e riu baixinho, beijando a testa dela num sinal claro de carinho.
– Eu teria sido o maior idiota do mundo deixando ela ir. – explicou e o beijou rapidamente, agradecida.
– Ele é a coisa mais amável, . – Lilian comentou. – Como você conseguiu dar um perdido nele?
– Eu não dei um perdido nele. – resmungou, ofendida.
lhe lançou um olhar engraçado, somado a um arquear de sobrancelhas e a mulher desatou a rir, sem conseguir se defender.
– Ah é?
– Tudo bem. Eu dei um perdido. – A mulher cedeu. – Mas em minha defesa, me arrependo muito.
– Pelo menos isso né. – Betina riu.
– Agora não largo ele por nada nessa vida. – completou, fazendo puxá-la para mais perto e acariciar sua mão livre. Trocaram um sorriso rápido e Betina abriu a boca para comentar, quando a voz de Leon se fez presente no cômodo e chamou a atenção de todos.
– Então você realmente está namorado com esse aí? – Ele indagou, divertido. – Que belo exemplo você dá para Aimée, . Mal se separou e já está grudada em outro. Bem o seu tipo fazer isso.
– Eu dou mal exemplo para Aimée? – levantou-se do banco e seguiu para perto de Leon, com uma expressão fechada, como se quisesse socar a cara dele. E bem, ela realmente queria.
– Trazendo um homem desconhecido para dentro de casa. Bela mãe. – Ironizou.
– Você não tem o direito de opinar sobre qualquer coisa na minha vida. – grunhiu. – A minha relação com não tem nada a ver com meu papel como mãe. Diferente de você, eu cuido de Aimée. Dou para ela tudo que ela precisa e não vou aceitar que você venha na minha casa e ofenda minha postura como mãe, quando você é o cara que aparece a cada dois meses para ver sua filha!
– Não é como se eu morasse ali na esquina, sua idiota! – Leon xingou, apontando o dedo na cara de . – E se você é uma mãe tão maravilhosa assim, por que sou eu quem paga a escola de Aimée? E os cursos dela?
– Porque eu não fiz ela sozinha e você tem as mesmas responsabilidades que eu! A diferença é que eu não fujo das minhas! – gritou, avançando para cima do ex marido, desacreditada nas palavras que ouvia. segurou-a pela cintura e a afastou do homem, enquanto Betina empurrava Leon para fora da cozinha e consequentemente, para fora da casa de .
A mulher desabou nos braços de , que olhou para Lilian buscando um auxílio. A mulher seguiu para o quintal a passos rápidos e tomou a deixa para levar para o andar de cima. Entrou na primeira porta do corredor, suspirando em alívio ao identificar o quarto como da mulher. Ajudou a se sentar na cama e a abraçou com força, enquanto ela chorava e resmungava baixinho.
tinha dispensado Betina e Lilian, pedindo para que as mulheres ficassem com Aimée enquanto se recompunha. Meia hora passada e estava visivelmente mais calma, aproveitando do cafuné que fazia em seus cabelos e do abraço gostoso com o qual ele envolvia seu corpo.
– Está melhor? – Ele indagou, preocupado.
– Sim. – suspirou. – Me desculpe por isso.
– Não existem razões para que se desculpe, . – disse. – Qualquer pessoa em seu lugar teria perdido a cabeça com aquela situação.
– Ele sempre fez isso. – confessou. – Mesmo enquanto estávamos casados. Sempre me culpava por tudo e eu boba como era, aceitava e sofria por culpas que nem eram de minha responsabilidade.
– O casamento de vocês foi ruim sempre? – O homem indagou, curioso e preocupado.
– Sim. – Ela disse. – Eu tinha 16 anos quando engravidei de Aimée. Leon tinha 18 e já morava sozinho. Acabamos nos casando por pressão de nossos pais. Mas nos primeiros anos eu era apaixonada por ele, então para mim, todos os abusos que eu sofria eram parte da vida de casada. Até que deixaram de ser. – Deu de ombros, exausta de pensar naquela época de sua vida. – Daí para a frente vivemos um inferno. Passamos quase três anos em pé de guerra declarado, até que ele finalmente foi embora de casa, após eu descobrir sua traição. Aimée tinha 10 anos.
apertou seus braços ao redor da mulher, numa tentativa bem-sucedida de espantar aquelas lembranças e confortá-la.
– Nenhuma de vocês deveria ter passado por isso. Aimée deve ter sofrido bastante com a ausência do pai.
– Um pouco. Até os 12 anos ela passou por tempos terríveis. Você sabe, crianças são cruéis. E Aimée sofria demais por ser a única criança sem pai da turma dela. – contou, fungando baixinho, ao lembrar o quanto sua filha tinha sofrido por aqueles anos. – Mas logo ela se acostumou. E hoje em dia, você pode ver como ela lida com tudo.
– Ela é muito forte. – concordou. – Você fez um trabalho maravilhoso criando-a sozinha, . Não deixe que as palavras de Leon te deixem em dúvida sobre isso. Qualquer pessoa que te conheça sabe a mãe maravilhosa que você é.
sorriu, puxando o rosto de e grudando seus lábios num beijo calmo.
– Obrigada por estar aqui. – Ela disse, com um sorriso.
– Eu quem agradeço por você permitir, finalmente, que eu esteja aqui.

If you love me, trust in me, the way that I trust in you
– Eu vou buscar mais doces. – Aimée informou, se levantando do sofá e seguindo para a cozinha a passos lentos.
e trocaram um olhar preocupado, antes da mulher suspirar e dizer: – Ela é tão cabeça dura quanto eu.
– Sem dúvidas disso. – sorriu.
– Ela não vai admitir que está apaixonada por Owen e que está se mordendo de ciúmes por vê-lo de namorico com uma colega qualquer, como ela mesma diz.
Seis meses. Era o tempo que havia se passado desde que abriu-se totalmente para , o convidando para entrar em sua vida sem prazo para ir embora. E aceitou o convite de tão bom grado, que passava mais tempo na casa da mulher do que em seu próprio apartamento. Mas apesar de querer levar aquele namoro a um patamar mais sério, não queria assustar a mulher e fazê-la fugir dele novamente.
– Talvez você devesse conversar com ela. – sugeriu, os braços envoltos do corpo de , enquanto a mulher descansava a cabeça no peito do namorado.
– Ela não vai me ouvir. – resmungou. – É igualzinha a mim.
– Vocês deveriam aprender a cochichar, sabem? – Aimée reclamou, voltando para a sala com um pote cheio de doces. Tinha uma carranca estampada na face, coisa que achava adorável.
– Não somos bons nisso. – deu de ombros.
– Também não são bons em não se meter na vida dos outros. – Aimée retrucou, dando de língua para os dois.
– Você se mete na minha vida, mocinha. – pontou, com as sobrancelhas arqueadas. – Eu tenho o direito de fazer o mesmo.
– Ultimamente eu ando bem quieta, você nem deveria reclamar. – Aimée lembrou.
– Por algum milagre chamado “amor por Owen”. – riu e reprimiu a risada.
– Tudo bem. – A garota falou, sentando-se de frente para o casal, bufando a cada dois segundos. – Vocês querem falar de Owen? Vamos falar de Owen!
e trocaram um olhar surpreso e desconfiado, antes de se endireitarem no sofá e focarem o olhar na garota.
– Ok. – Foi tudo o que o homem disse.
– Mas se formos falar de Owen, também iremos falar sobre os motivos pelos quais ainda não está morando aqui em casa. – O sorriso diabólico no rosto de Aimée só poderia ser influência de Betina e amaldiçoou a irmã por ensinar aquelas coisas a sua filha.
– Uma coisa não tem relação alguma com a outra. – retrucou, na defensiva.
– Uma explicação por outra. – Aimée deu de ombros. – É isso ou nada. – Desafiou e respirou fundo, tentando não cair na armadilha da filha. Mas infelizmente era tarde demais.
– Tudo bem. – Ela disse, arrancando um olhar surpreso de Aimée. – Quando pode se mudar para cá, ? – Indagou para o homem, que arregalou os olhos em surpresa. – Já falamos disso, só estávamos adiando por motivos incompreensíveis. – Ela deu de ombros, sentindo a veracidade de suas palavras.
– Amanhã?! – Ele disse, com um sorriso no rosto, se aproximando da namorada e lhe roubando um beijo rápido.
– Decidido isso, passemos para Aimée. – disse, sorrindo e voltando a olhar para a filha, que encarava os dois com a boca aberta e os olhos arregalados. – Quando pretende contar para Owen que está apaixonada por ele?
– Mãe! – Ela reclamou, em choque, arrancando risadas dos dois. Afinal, o tiro havia saído pela culatra.
Baby, all I need is time

Fim.

Nota da autora: Eu amo essa música, amo essa história, amo esse casal e amo a Aimée demais! Espero que tenham gostado, comentem para fazer essa autora feliz <3

Vocês podem entrar no meu grupo de leitoras no WhatsApp e no Facebook e também me encontrar no Twitter com minha conta pessoal e no fc. @graziesescreve no Instagram também!