Starry Night

Starry Night

  • Por: Queen B
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 3013
  • Visualizações: 124

Sinopse: O relacionamento deles sempre pairou no meio termo seguro entre a amizade e o interesse amoroso, e estavam acostumados com aquilo. Naquela noite estrelada, no entanto, ela era a garota mais linda em que ele já pusera os olhos e ele o sonho doce que ela simplesmente precisava realizar. Tudo estava prestes a mudar.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: –
Beta: Alex Russo.

sorria ligeiramente arrastado assistindo o olhar compenetrado do namorado enquanto fazia os ajustes finais no corte que dava ao cabelo de . Já estava na terceira garrafinha de soju, fazendo a transição característica do estado de espírito desinibido e alegre para o sonolento. E nem chegara ainda.
Tão logo a amiga passou em sua cabeça, a garota estirou a perna, alcançando o pé de , que dividia o chão com ela, distraído, no entanto, com o celular, e não com a maluquice de e , que acharam por bem aquela cumplicidade preocupante em mudar o visual do mais velho depois de algumas garrafinhas do entorpecente popular sul-coreano.
— Hm?
— Cadê a ? — quis saber, como se por certo soubesse do paradeiro de sua amiga e o outro juntou as sobrancelhas, confuso.
— Eu… Não sei? — soou como uma pergunta, seu raciocínio ligeiramente atrapalhado mesmo que não houvesse bebido tanto quanto os outros. era quem morava com , então faria muito mais sentido que ela soubesse onde a outra estava. era só… Ridiculamente apaixonado por ela. Mas não era pra saber daquilo.
— Ela deve ter passado pra pegar as pizzas — opinou e, como mágica, ouviram soar a campainha do apartamento que os garotos dividiam em seguida. O gatinho de , que descansava em cima da geladeira, na cozinha que ficava a dois passos da entrada do lar resmungou e fez seu caminho dali até a porta de entrada do apartamento, cheirando a madeira enquanto esperava que um dos garotos se aproximasse para abrir.
— Tadã — comentou, espalhafatoso, ao imitar o ruído da campainha e rolou os olhos, se pondo de pé a fim de ir abrir a porta.
até tentou, jurava que tentou, mas falhou miseravelmente em sustentar qualquer pose ao dar de cara com os cabelos cheios e enrolados como molinhas escuras presos num rabo de cavalo, evidenciando o rosto ridiculamente bonito da amiga. Ela segurava cinco caixas de pizza e a bolsa escorregava na metade do braço, porém , vergonhosamente, precisou de um instante a mais ainda assim, para erguer os braços e tomar as caixas dela. vestia um cropped preto, calças jeans branca e sua bota de cano médio que usava quase sempre, da qual , quando a desenhava em seu caderno secreto, nunca se esquecia. Ele havia bebido apenas metade de uma garrafinha de soju até o momento, mas quando pôs as caixas sobre a mesa e pôde encarar melhor a garota, pareceu vergonhosamente embriagado e precisou morder o sorriso idiota que ameaçou tomar seus lábios.
, por si só, era uma força, algo tão extraordinário e intenso, mortalmente belo, quanto uma tsunami e a magnitude da natureza que representava, mas por algum motivo, que sabia não ter a ver apenas com o soju que malmente bebera, ela parecia a porra de uma obra de arte naquela noite.
— Por que não falou que estava chegando? Eu teria ido até a portaria te ajudar — ele se obrigou a falar, antes que o silêncio pesasse, tão nervoso que perdeu o lampejo de divertimento nos olhos felinos de . Ele costumava perder, e era por aquele exato motivo que não havia notado até o momento, afinal, que os pensamentos de se alinhavam um pouco demais aos dele. Porque o que ele sentia, não sentia sozinho. Ainda que não de maneira tão exagerada, do jeito mais tipicamente bruto dela, gostava dele também. E queria tanto falar, estava sempre a um passo de tal ato, no entanto… Algo sempre lhe parava.
Havia outra coisa que compartilhava com , além daquela parte gostosa e tão propensa ao bom, do sentimento. Os dois eram amigos, conseguiam passar horas a fio conversando e, por pior que aquilo soasse, visto que era que sempre aconselhava suas amigas a arriscar mais e fazer as coisas que queriam sem medo – ou com medo mesmo, como ela mesma dizia – ainda lhe aterrorizava a ideia de perder a convivência tão agradável que tinha com .
Era um meio termo ridículo. Ainda por cima quando era tão adoravelmente fácil de ler. se sentia ridícula por precisar que ele agisse antes dela quando sabia exatamente o que ele sentia sem aquilo, mas bem, vergonhosamente, precisava. Talvez fosse algo a conversar com sua psicóloga, quem sabe. Sempre tivera mesmo dificuldade em acreditar que coisas boas podiam vir para ela.
— A comida chegou! — gritou assim que chegou a cozinha, mesmo que e estivessem logo atrás dele e , que abraçava a namorada por trás, riu por isso.
— Obrigado pelo aviso, cara. — ironizou e olhou teatralmente surpreso pra trás.
— Eu deixei vocês dois se agarrando na sala.
— A gente deu um selinho, para de ser ciumento. — retrucou — Eu deixo dar em você também, se quiser. — sorriu largamente para ele, como se realmente acreditasse que aquela era a solução para o problema e mimetizou seu sorriso, ao que riu e passou pelos dois, alcançando a caixa de pizza que acabava de abrir e pescando uma fatia dali depois de beijar o topo da cabeça de num cumprimento mudo. A garota sorriu, apertando brevemente seu braço em resposta.
— Deixaram algum soju pra mim? — quis saber, sorrindo ao notar que já se aproximava, lhe estendendo uma garrafinha. — Amo você, sabia?
— Também te amo, baby. — respondeu, lhe roubando um beijo na bochecha antes de pegar uma fatia de pizza na caixa e sentar em uma das pernas de , que estava na ponta da mesa, entre e . sentou perto de , finalmente pegando uma fatia para si também, bebericando sua garrafa simultaneamente.
Naquele dia, comemoravam o novo emprego de , que finalmente realizaria o sonho de comandar a cozinha de seu próprio restaurante, mas a verdade era que nem precisavam de um motivo para reuniões como aquela, que ilustravam o final de semana típico do grupo. e moravam num prédio a dois quarteirões dali, e enquanto lecionava literatura para jovens no colegial, tinha seu próprio negócio, que crescia de maneira adequada, correspondendo às expectativas e lhe inflamando a continuar batalhando para que sua marca de roupas crescesse mais e mais. Já e trabalhavam no estúdio de tatuagem que abriram juntos e era seu maior xodó. Exceto talvez o gatinho de , que naquele momento se enroscava em seus pés enquanto ele comia. vinha depois de ambos, mas não tinha problema; para ela, também vinha depois de seu trabalho e do gatinho do namorado.
O que nenhum deles sabia, no entanto, era que aquela noite seria, sim, um pouco diferente das outras. Aquele era um segredo a ser revelado algumas horas depois, sobre o manto estrelado que cobria o céu daquela noite se sábado.
Primeiro, comeriam, beberiam, e então ia sugerir que vissem um filme. E o fariam… Mais ou menos.

+++

dormia silenciosamente, estirado no chão com a cabeça apoiada numa das almofadas que pescara do sofá no inicio do filme, quando se aconchegara ali no geladinho do piso que revestia o chão do apartamento. também dormia, com a cabeça apoiada a barriga do namorado, e o gatinho dele em cima de si, também dormindo. , bem, também dormia, sentado sozinho numa poltrona, com sua enésima garrafa de soju já no finalzinho ao seu lado na poltrona.
não dormia. Nem .
Estavam, ao contrario, cientes em cada parte de si de tudo ao seu redor. De seus amigos dormindo, dos sojus que já haviam ingerido, e bem, um do outro. Dos corpos triscando dolorosamente distantes para o que queriam no sofá onde estavam lado a lado, e de seus pensamentos cada vez mais embaralhados, contrapostos com suas sensações e vontades.
Foi quando se levantou, avisando que estava meio tonta e precisava de um ar, seguindo para a varanda, que era sua parte favorita do apartamento dos garotos. Não estava realmente tonta, ainda se sentia um tanto sóbria, na verdade, mas se viu afetada, como se estivesse, pelo céu estupidamente estrelado com o qual deu de cara ao adentrar a varanda.
A noite estava tão, tão bonita.
sabia daquilo, a primeira coisa que pensara algumas horas mais cedo, antes até mesmo de chegar, quando ele espiou a varanda brevemente, foi que ela ia gostar de ver o céu aquela noite. Sabia o quanto gostava de ver o céu, estrelado, cheio de nuvens, ou tão azul que mais parecia uma fotografia bem editada. Ele achava bonito, o amor da garota pela paisagem aérea, e sorriu sozinho da sala ao vê-la sorrindo para a imensidão sobre suas cabeças, um instante antes de beber o restinho de sua garrafa e olhar em volta, para seus amigos dormindo, e então se levantar, indo em direção a enquanto fazia um esforço penoso para não pensar muito sobre o que estava fazendo, certo que, se o fizesse, desistiria.
A garota olhou por sob o ombro ao ouvi-lo se aproximar e sorriu pequenininho, sendo mimetizada por ele, que se aproximou e sentou perto dela.
— O é péssimo pra escolher filmes — comentou e riu, sem se surpreender de verdade com a tentativa tão paca de quebrar o gelo. Aquilo era, aliás, típico de e se perguntou se era certo que se sentisse estimulada quando ele parecia tão tímido. Aquilo nem mesmo era típico dela, que costumava se atrair por caras dominantes na maior parte do tempo, mas ele… Havia algo sobre a doçura de que lhe derretia inteira e não era capaz de outra coisa que não se entregar. balançou a cabeça, sem jeito. — Você ‘tá muito bonita hoje. — elogiou, arrancando um sorrisinho de .
— Obrigada. — falou, e os olhos dele nunca pareceram tão transparentes para a garota, que sorriu um pouco mais e estendeu a mão para a sua, tocando de leve seus dedos. — ?
Ele lhe encarou, não parecendo completamente ali, por inteiro lhe escutando e absorvendo o que quer que ela tivesse para dizer, e arrancando um outro sorriso de por isso. Ele estava criando coragem para algo e a garota só lhe encarou, esperando. acabou rindo, envergonhado.
— A gente é amigo há tanto tempo que chega a ser esquisito ter dificuldade pra falar algo pra você. — comentou, balançando a cabeça — Sou um bobo.
Ela sorriu, levando os dedos para seu queixo e erguendo-o para que ele lhe encarasse quando o garoto baixou a cabeça, sem conseguir ir em frente.
— Se você falar, talvez tenha uma surpresa boa — murmurou, casualmente — Talvez escute o que quer escutar.
Diante de suas palavras, ergueu o olhar para ela, que mordeu o interior de suas bochechas a fim de parar de sorrir enquanto esperava que ele falasse.
— Eu gosto de você, . Acho que isso é óbvio, e por isso não devia falar, porque se você sentisse o mesmo já teria dito, mas você disse isso e… — ele se calou diante da careta culpada que tomou o rosto da amiga — O que?
, desculpa, eu… Não achei que fosse dizer isso. Somos amigos e… — ela se interrompeu, rindo quando ele balançou a cabeça e desviou o olhar, prestes a lhe interromper, tentando agir como se não fosse nada demais. — Desculpa! — ela exclamou, rindo mais abertamente sob o olhar desconfiado do amigo. — Eu sou ridícula, desculpa. Eu não devia ter brincado, eu… Eu sinto o mesmo, . É claro que eu sinto o mesmo. — jogou, enfim, os braços ao redor do garoto, cobrindo os lábios grossos dele com os seus.
O garoto segurou em sua cintura por reflexo, abrindo um tanto chocado os lábios para ela, que intensificou o beijo enfiando a língua em sua boca, inevitavelmente pensando que só mesmo aquele garoto, tão doce e estupidamente adorável, para lhe fazer fechar os olhos e ignorar o lindo véu estrelado sobre suas cabeças.
— Não acredito que você finalmente falou — ela riu um instante depois, sua risada reverberando de maneira que julgou deliciosa dentro dele, por ter sido lançada tão contra sua boca.
— Ei, você podia ter dito também — retrucou, embora não ligasse de verdade. Não mais. Estava feliz que alguém houvesse dito e aquilo era tudo. riu e fez que não.
— Queria que você dissesse. — fez biquinho e o garoto imitou, arrancando uma risada e um xingamento da garota que apertou suas bochechas nas mãos antes de roubar um beijo estalado do amigo… namorado?
— Bom, eu disse — devolveu ao abrir novamente os olhos, um instante depois, e ela riu, tão leve que se sentiu ridícula. Será que estava tão abestalhada quanto ficou quando ficou com pela primeira vez?
— Sabe que não sou garota de ficar, não é? Se gosta de mim, vai ter que fazer isso direito e… Ei! Aonde você vai? — se interrompeu para reclamar quando afastou os braços dela de si enquanto ela falava, se pondo de pé, só para, um instante depois, apoiar um dos joelhos no chão, de frente para ela.
, eu sou completamente apaixonado por você, eu reparo em você há anos, eu te acho incrível, tudo em você, então sim, eu sei que tenho que fazer isso direito. Eu quero fazer isso direito. — ele começou, arrancando uma risada escandalosa, envergonhada e apaixonada, tudo misturado, da garota — Quer namorar comigo?
Ela balançou a cabeça, tapando a boca para não gritar que ele era ridículo e acabar acordando os amigos.
— Seu ridículo! — soltou mesmo assim, mais baixo, ao puxá-lo pela jaqueta de volta para o futton, rindo quando ele terminou por cair por cima dela, fazendo com que a garota deitasse no estofado fininho. Ele lhe roubou beijos por todo o rosto e então mordeu seu lábio inferior, olhando em seus olhos enquanto esperava uma resposta, que rolou os olhos ao dar. — Eu quero, . Quero namorar você. — murmurou enfim, o tom de obviedade arrancando um risinho do outro, que finalmente segurou em sua nuca e lhe beijou, com a garota imiscuindo os dedos em seus cabelos e massageando os fios enquanto retribuía o beijo deliciosamente apaixonado que ele iniciou.
Naquele momento, eram só eles, acompanhados apenas das estrelas, que para sua sorte, eram boas em guardar segredo. É claro que contariam para seus amigos quando eles acordassem, não era como se soubessem conviver sem compartilhar as coisas boas que aconteciam entre si, mas por enquanto, aproveitaram, ainda assim, a bolha do momento que não pertencia a mais ninguém, só a eles.

FIM

Nota da Autora:
Oi! Essa fanfic foi ligeiramente inspirada na música “Tenho Medo”, do Sorriso Maroto, escrita para uma das minhas pessoas favoritas no mundo todo. Minha melhor amiga, Jozi. Digam o que acharam, tá?
Xx