Talvez a Deus

Sinopse: Rodes fora, há muitos séculos, o local que abrigava o maior  templo para a deusa Afrodite de toda a Grécia. Afrodite era a deusa da beleza, da sexualidade e principalmente, do amor. E para a deusa, mesmo adormecida devido aos séculos sem ser cultuada, não existia ofensa maior do que alguém afirmar aos céus que jamais iria se apaixonar. E para o azar dela, a deusa havia tomado para si o desafio de fazê-la se apaixonar.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Beta: Regina George.

Parte 1

era uma mulher difícil, como seus pais adoravam falar. Sua mãe, sempre sonhara com a filha casada e a casa cheia de crianças para ela mimar como a avó coruja que gostaria de ser. Seu pai, esperava que arrumasse um marido e tivesse uma vida feliz e segura. Já , havia conseguido tudo o que queria. E por tudo o que ela queria, pode-se entender que era tudo que os pais dela não queriam para ela.
Nada de casamento, filhos ou vida tranquila. era uma alma livre e em tudo o que se envolvia, colocava a seu gosto liberdade junto. Sua profissão, como agente de viagens, a fazia viajar bastante, vivendo em hotéis, dos mais variados tipos. Conhecendo pessoas dos mais variados lugares. Toda a estabilidade financeira que seus pais desejavam para ela, era gasta com festas, roupas, bebidas e mais viagens. tinha a vida que desejava. E a única coisa, que a deixava mais orgulhosa do que sua carreira, era o fato de nunca ter se apaixonado. Ela jamais havia amado. Jamais havia tido um namorado sequer. Jamais havia se entregado em uma relação. Seu negócio era sexo casual e ir embora o mais rápido possível. se considerava inteligente demais para se deixar cair em uma armadilha como a paixão. As pessoas tendiam a ficar cegas, surdas e mudas. E na maioria das vezes, por conta disso, acabavam com o coração aos pedaços. E seu coração estava bem do jeito que estava, obrigada. E por conta disso, ela se gabava enquanto bebia uma cerveja com as amigas durante o primeiro dia de suas férias na Ilha de Rodes, na Grécia.
não sabia, mas Rodes era o lar, há muitos séculos, do maior templo para a deusa Afrodite de toda a Grécia. Afrodite era a deusa da beleza, da sexualidade e principalmente, do amor. E para a deusa, mesmo adormecida devido aos séculos sem ser cultuada, não existia ofensa maior do que alguém afirmar aos céus que jamais iria se apaixonar.
E para o azar de , a deusa tomou para si mesma a declaração como um desafio.

 

Parte 2

Escuto o som de olhar pro céu, eu nunca vi
Nada de perto tão bonito, parece que
Guarda meu mundo num sorriso, que amanheceu
E faz da minha dimensão particular

O dia amanheceu ensolarado, como o de costume na Ilha de Rodes. O cheiro da maresia embriagava os turistas e a paisagem natural atraia a atenção de todos os viajantes. Bem, não todos. , o mais novo projeto da deusa Afrodite, ainda dormia em seu quarto de hotel, perdendo todo o encanto da ilha na primeira hora da manhã. Mas graças aos planos da deusa, ela não iria repousar por muito tempo.
O quarto em que ela estava hospedada, junto com as amigas, era amplo e tinha uma varanda, cujas portas estavam fechadas. Era pintado de cores claras, com tons de azul no teto, que davam a sensação de se estar olhando para o céu sem nuvens. Tinha uma cama de casal, bem ao centro do quarto, que recebia diretamente a luz solar quando as cortinas que escondiam a porta da varanda estavam abertas. Dois criados mudos, um em cada lado da cama, um roupeiro grande, carpetes em tons de azul claro, uma mesa com quatro cadeiras estofadas e um espelho grande, perto da porta que levava ao banheiro. Era um quarto bonito. Perfeito para um casal que estivesse em férias românticas. E ter três garotas de ressaca, que usavam as roupas do dia anterior e tinham os rostos bordados de maquiagem e os cabelos revirados, não agradava em nada Afrodite.
Com o senso de humor que apenas uma divindade poderia ter, as cortinas da porta da varanda foram puxadas para a esquerda, graças ao vento que vinha do corredor do hotel. Logo o sol bateu no rosto de e a mulher resmungou, colocando a mão em frente ao rosto e tentando voltar a dormir, sem ter sucesso em sua intenção. Acabou por bufar e abrir os olhos, tentando se situar no tempo e no espaço.
Quarto de hotel, ela pensou. Rodes, na Grécia. Tudo bem, estou de ressaca.
E com esse pensamento, ela se colocou de pé, logo amaldiçoando a ideia imbecil de Ayala em misturar cervejas com tequila e whisky. Nadir seguiu até a sua mala, procurou sua nécessaire e o vidrinho de aspirinas, engolindo duas sem precisar de água para fazê-las descer pela garganta, pois já estava acostumada com aquele ritual pós festa. Ocupou o banheiro em seguida e aproveitou o tempo livre das amigas para lavar os cabelos com cuidado, os hidratando fora do chuveiro e voltando para o quarto em seguida. Acabou optando por vestir uma saída de praia rosa claro e chinelos brancos, junto de seu biquíni preto favorito. Não se importou em trocar de roupa no quarto ou sequer se sentiu constrangida pela possibilidade das amigas a verem nua. não era uma pessoa frescurenta e se sentia muito confortável em seu próprio corpo. Passou o protetor térmico nos cabelos e generosas camadas de protetor solar no rosto e no restante do corpo, temendo pegar uma insolação como havia feito em Santorini em alguns anos passados. Nadir sentiu a barriga roncar e resolveu sair para comer alguma coisa, antes atirando almofadas nas amigas para que elas acordassem e pudesse lhes avisar de seus planos. Ayla apenas resmungou para comprar comida para ela e voltou a dormir, fazendo a amiga rir e catar sua bolsa pelo quarto.
Em questão de minutos ela estava andando pelas ruas de Rodes, procurando por algum restaurante que lhe agradasse o estômago para almoçar. Afrodite, que havia se empenhado com muito afinco para achar o pretendente perfeito que arrebataria o coração de , usou de sua influência para fazer um desconhecido trombar com a mulher em uma das ruas de Rodes. Vários folhetos caíram no chão e se desculpou imediatamente, ajudando o homem a juntar os papéis e percebendo que ele tinha em mãos um folder de divulgação de um novo restaurante, localizado a poucas quadras do hotel onde ela estava hospedada. sorriu, tomando aquilo como um sinal e seguindo em direção ao restaurante do folder. Mal sabia ela, que aquele era realmente um sinal divino. O primeiro passo da deusa Afrodite para fazer se apaixonar perdidamente pela primeira vez em sua vida.
Entrar no restaurante acabou por lhe trazer um sentimento de puro conforto. O local era adorável, iluminado naturalmente por várias janelas, decorado com flores de vários tipos. Quadros ocupavam as paredes e toda a mobília era branca. As mesas tinham toalhas rendadas e as cadeiras estofados na cor salmão. se sentiu extremamente confortável naquele local e ocupou uma das poucas mesas vazias. Era horário para o café da manhã, então todos os estabelecimentos alimentícios de Rodes estavam recebendo os turistas da ilha para a primeira refeição do dia. Pegou o cardápio em cima da mesa e folheou o objeto, sentindo sua boca salivar ao visualizar aquelas imagens de pratos maravilhosos.
– Bom dia, senhorita. – Uma voz masculina a saudou, de forma simpática. – Gostaria de ouvir a respeito do nosso especial do dia?
afastou o olhar do cardápio e o focou no homem a sua frente, quase deixando seu queixo cair, de forma totalmente inapropriada. A deusa Afrodite soltou uma sonora gargalhada, quando analisou, minuciosamente, o corpo de de cima abaixo, perdendo a linha de raciocínio quando ele abriu um sorriso que poderia guardar o mundo dela inteiro. Aquele era, sem dúvidas, o homem mais bonito que ela já havia visto e ela certamente já havia visto diversos homens bonitos.
– Sim, por favor. – murmurou, sentindo suas bochechas corarem levemente.
sorriu ainda mais largamente, sendo observado por quase em choque, que apreciava a perfeição daquele rosto bem desenhado. Ele certamente tinha tudo no lugar. O maxilar, o contorno do rosto, o formato do nariz, os cabelos bagunçados propositalmente e aqueles olhos brilhantes que poderiam criar uma dimensão particular toda vez que olhasse para eles.
– O prato especial para o café da manhã consiste em panquecas com geleia caseira de framboesa, torta de palmito com catupiri e suco natural de laranja, mamão e morango. – explicou, de forma descontraída. – Tambem lhe indico o nosso café expresso, que posso lhe afirmar ser o melhor café de Rodes.
– Tudo parece maravilhoso. – comentou, se referindo a sugestão para o café da manhã e para o homem que lhe atendia. – Vou querer as panquecas e o suco, por favor. E, duas porções iguais ao meu pedido para levar.
anotou os pedidos em um bloco de notas, sorrindo uma última vez antes de se afastar da mesa.
– Seu pedido será entregue em dez minutos. – Informou. – Qualquer coisa que precisar, podes chamar por mim.
– E que nome deve lhe atribuir? – Ela sorriu, de forma galanteador a. lhe arqueou as sobrancelhas, compreendo parte das intenções de ao perguntar seu nome.
, senhorita. Ao seu dispor. – E com isso, ele se afastou de vez da mesa.
E durante todo o café da manhã, o observou andar de um lado para o outro dentro do restaurante, suspirando ao vê-lo sorrir e se sentindo uma idiota, por estar tão atraída por um homem que nem conhecia.

***

voltou ao restaurante por dois dias seguidos, sempre sendo atendida por . Eles trocavam palavras breves, o homem sempre sendo muito simpático e atencioso. Mas naquele dia, havia tomado uma decisão. Iria chamar para sair, independente da incerteza que essa decisão lhe trazia. Terminou seu café e se levantou da mesa que ocupava, se dirigindo ao caixa em seguida. Agradeceu a qualquer divindade, por encontrar o homem atendendo naquele setor do restaurante. Afrodite recebeu os agradecimentos de com um bater de palmas animado e apenas se manteve observando o crescente interesse da mulher em .
– Então, gostou da torta? – indagou, de forma atenciosa.
– Eu nunca comi uma torta tão maravilhosa, acredite. – elogiou. – E eu já comi tortas em quase todas as partes do mundo.
– Então a senhorita é uma nômade?
– Quase isso. – Sorriu fraco.
– Interessante. – Foi o que comentou, após procurar um embrulho no balcão ao seu lado. – Separei as duas tortas e os cafés que a senhorita havia pedido quando chegou.
– Muito obrigada. – agradeceu. – Eu já havia esquecido.
somou o valor total e avisou que pegaria no débito. O homem estendeu a máquina e ela passou o cartão, digitando sua senha em seguida.
– Não preciso da minha nota fiscal.
– Como quiser. – disse.
– Então, me diga uma coisa… – Ela falou, num tom de voz mais baixo. , que até então estava concentrado no computador, de forma a fechar a comanda de , levantou o olhar até a mulher e a fitou com curiosidade.
– Sim?
– O que uma mulher precisa fazer para sair com você, além é claro de tomar café da manhã aqui por ter dias seguidos? – Ela questionou, sem rodeios. arqueou as sobrancelhas, realmente surpreso com a atitude da mulher. Afrodite batia palmas, sorrindo largamente e não precisou intervir para que aceitasse o pedido de . A atração entre eles era inevitável, pois a deusa havia sido minuciosa em sua busca para o par perfeito de .
– Me encontrar ao final do expediente. – Foi o que respondeu, sorrindo em seguida. – Eu saio às 17h.
sorriu largamente, pegando seu pacote e acenando para com uma das mãos.
– Até as 17h, então.

O mar contorna o meu formato
Abraço que é calmaria
E de imediato, mergulha em mim
E o pôr do sol no fim do dia, carinho meu
Banho de lua que me traz, o teu olhar

A mulher saiu do banheiro afobada e quanto mais nervosa ela parecia estar, mais Afrodite se divertia com a situação.
Ayala e Olívia observavam a amiga correr de um lado para o outro, abismadas e surpresas, pois jamais a haviam visto surtar daquela maneira por causa de um encontro. Afinal, saia com diversos homens e nunca se abalava por nada.
… Está tudo bem? – Olívia indagou, de forma cuidadosa.
parou de fuçar em sua mala e encarou a amiga, em confusão.
– Sim, é claro. Por quê?
– Porque você está agindo como uma lunática. – Ayala respondeu.
– Eu só estou nervosa, ok? E sim, sei que é incomum.
– Incomum não é a palavra. É a primeira vez que te vejo assim. – Ayala retrucou. – E eu te conheço desde os seis anos.
– Eu sei, eu sei. Só preciso ficar com ele e essa coisa vai passar. – garantiu e a deusa gargalhou com vontade, já que a aquela “coisa” não iria passar de forma nenhuma. E ela garantiria isso.
– Se você diz. – Olívia deu de ombros, se jogando na cama e ligando a TV.
– Vocês vão ficar no quarto hoje? – enrugou a testa, desacreditada.
– Eu estou muito de porre. – Olívia suspirou.
– E eu não vou sair sozinha. – Ayala disse, buscando seu celular no criado mudo e se entretendo com um jogo qualquer.
voltou sua atenção para a mala, buscando a roupa perfeita para aquele encontro. Acabou optando por um vestido azul soltinho e um par de rasteirinhas trabalhadas com pedrarias. Se deu por satisfeita com a escolha e então voltou para o banheiro para se vestir. Secou os cabelos e os deixou soltos, optando por passar pouquíssima maquiagem no rosto. Apenas rímel e um batom clarinho. Borrifou seu perfume favorito no pescoço e nos pulsos e voltou ao quarto. Transferiu seus pertences de uma bolsa para outra e então olhou para o relógio. Eram dez para as 17h e ela tinha tempo de sobra. Sorriu para si mesma, se orgulhando de sua rapidez para se arrumar. Havia passado a tarde na piscina do hotel com as amigas e quase havia perdido o horário para se arrumar e encontrar com . Mas Afrodite havia lhe dado uma forcinha, mesmo que a própria não soubesse daquilo.
– Estou indo. – Ela avisou as amigas. As duas desviaram o olhar do que faziam e sorriram.
– Bom encontro. – Olívia disse.
– Bom sexo. – Ayala riu e levantou a mão, estendendo em um high-five a distância.
– Vai ser! Beijo, amores. – E com isso, se dirigiu para a porta, fechando-a atrás de si e quase correndo pelos corredores do hotel e ruas de Rodes.
Quando chegou ao restaurante, a esperava em frente ao estabelecimento. Ele tinha os cabelos molhados e cheirava a rosas. Usava uma bermuda preta e uma camiseta azul. Sorriu largamente para quando ela finalmente se aproximou.
– Atrasada? – Ela questionou, com uma careta.
– Nada que seja relevante. – Ele deu de ombros. – Para onde, senhorita?
– Na verdade, esperava que você nos guiasse. É a primeira vez que venho para Rodes. – informou. – E o único lugar que conheci, não lembro exatamente como chegar lá.
– E por que não lembra? – indagou, curioso. Estendeu o braço para e a mulher arqueou as sobrancelhas, espantada. Não estava acostumada com homens cavalheiros e Afrodite sabia muito bem daquilo.
enganchou seu braço no de e então eles começaram a caminhar, enquanto a mulher escolhia as melhores palavras para contar a história. Pela primeira vez em sua vida, estava constrangida em contar seus feitos para um homem. Alguma coisa em lhe indicava que ele era diferente dos demais e ela não estava sabendo agir normalmente.
– Estou de férias com duas amigas. Chegamos domingo pela tarde e saímos a noite. Bebemos. – Ela disse. – Muito. – Destacou e riu. – E acabamos andando demais. Nem sei como fizemos para voltar para o hotel. – Ela riu, sentindo as bochechas corarem.
– Nada mais normal. – concordou, também rindo. – Já perdi a conta de quantas vezes fiz isso. – Riu novamente. – Aqui em Rodes acabo não fazendo, para não matar a minha mãe do coração. Mas em Londres, acontece com frequência.
Ainda mais surpresa, encarou com curiosidade. – Então você é de Londres?
– Não. – Ele sorriu, negando com a cabeça. – Nascido e criado em Rodes. Atualmente moro em Londres, por conta do mestrado.
– E o que você faz?
– Sou biólogo. – disse, com certo orgulho. – Mas e você, o que faz? – Ele questionou, a fitando com interesse.
– Sou agente de viagens. – Ela contou. – Basicamente, eu sou paga para viajar para diversos lugares e montar roteiros.
– E onde você guarda esses roteiros? – questionou, curioso.
– Cardiff. – Ela respondeu. – Tenho um loft perto da casa dos meus pais. E é lá onde a filial mais importante da agência onde trabalho reside.
– Quase vizinhos. – comentou, rindo. assentiu, com um sorriso largo no rosto.
– Mas então, você vem para Rodes para trabalhar no restaurante?
– Sim. – Ele assentiu. – É um negócio de família. Venho visitar meus pais e ajudo com o trabalho.
– Isso é admirável. – comentou, realmente admirada. Afrodite bateu palmas para si mesma, orgulhosa de seu trabalho.
– Minhas duas irmãs trabalham com eles, mas ainda sim, faço questão de ajudar. – contou. – É como reviver a minha adolescência.
– Entendo. – sorriu. – Mas quando penso na minha adolescência, lembro da minha mãe me levando a Igreja.
a encarou espantado, não vendo nada no perfil da mulher que pudesse remeter a alguma religião.
– Eu sei, não tenho cara de quem frequenta igrejas. – Ela riu.
– Não mesmo. – Ele concordou.
– Para meus pais, eu já deveria estar casada e com três filhos. – A mulher revirou os olhos. – Eles não aprovam a vida que eu levo, mas tento não me deixar afetar por isso. Eu gosto da minha vida.
– Você parece ser uma mulher forte. – comentou, os olhos brilhando em direção a .
– E eu sou. – Ela afirmou, fazendo os dois rirem.
Andaram por mais alguns minutos, conversando e rindo, como se se conhecessem a anos. Afrodite, muito mais do que satisfeita com sua interferência, jogou uma última ideia na mente de , antes de se dar por satisfeita e encerrar seus planos para a aquele dia.
– Já sei para onde podemos ir. – falou, atraindo a atenção de , que o fitou com curiosidade. Estavam na fila de uma barraca tradicional de lanches gregos, ainda de braços dados.
– Para onde?
– Você já viu o pôr-do-sol em Rodes? – Ele questionou, observando negar com a cabeça. – Depois de vê-lo, vai mudar toda a sua opinião sobre pôr-do-sois. – Garantiu.
Eles pegaram seus lanches e guiou pelas ruas de Rodes, enquanto a mulher observava a beleza da ilha. As casas brancas, com sua arquitetura única, eram algo que chamava a atenção de qualquer pessoa. Eles seguiram por um caminho estreito, até o topo de uma escada que levava a beira da praia. Do topo, conseguia ver o mar e o sol se pondo de forma esplêndida. No lado esquerdo, havia um morro de pedra, onde alguns turistas subiam para tirar fotos.
– Podemos escolher. – disse, fitando o perfil da mulher, que ainda encarava a vista boquiaberta. – Se continuarmos a descer, chegamos à praia. Mas podemos ficar na encosta do morro.
– Na encosta, por favor. – sorriu para e no mesmo instante eles atravessaram o caminho até a beirada do morro de pedra, sentando no chão, com um pouco mais afastada da beirada do morro. abriu o pacote dos lanches, mas não conseguia tirar os olhos do rapaz, tendo o mar e o pôr-do-sol como plano de fundo a imagem dele. Ele era lindo e ela estava muito encantada pelo homem, de forma que nunca estiveram em toda a sua vida.
lhe estendeu um sanduíche, que pegou e agradeceu com um sorriso. O copo de suco já estava em sua mão e ambos comeram em silêncio, observando a paisagem a sua frente, sentindo a calmaria invadir suas almas.
– Você tinha razão. – falou, atraindo a atenção do rapaz para ela. A luz da lua iluminava o rosto de e fazia com que seus olhos brilhassem com mais intensidade.
– A respeito do que? – Ele questionou, confuso.
– Esse pôr-do-sol ganha de qualquer outro que eu já tenha visto. – Confessou.
sorriu largamente, se aproximando de e passando seu braço pelos ombros da mulher.
Se já estava sentindo uma paz absurda, aquele meio abraço a fez mergulhar de cabeça naquele sentimento. Nada poderia estragar aquele momento e por conta disso, ela segurou o rosto de e virou-o em direção ao seu. arqueou as sobrancelhas, antes de sorrir fraco e aproximar seus lábios aos de , iniciando um beijo que causou pequenas explosões de fogos de artifício no peito de ambos.

Que desconstrói os muros
Me faz enxergar
Por outro ângulo
Tudo que eu já
Pensava conhecer e dominar

acordou com um sorriso no rosto. O cheiro de rosas invadia o quarto e Afrodite se gabou por ter tido a iniciativa de abrir a janela do quarto de . A mulher usava regata, shorts de algodão e estava enrolada nos lençóis da cama, enquanto , deitado ao seu lado, dormia apenas de bermuda e a abraçava pela cintura. abriu os olhos vagarosamente, soltando um suspiro ao focar o olhar em , seus cabelos revirados e sua respiração lenta. Sorriu, ao perceber que aquela era a terceira vez que acordava naquela mesma situação e não sentia vontade de sair correndo.
Afrodite sabia dos costumes de . Ela normalmente saia junto com o raiar do Sol, sem fazer barulho e com os sapatos nas mãos. Já havia perdido peças de roupas e acessórios por não ter tempo de procurar e querer se livrar de seus casos o mais rápido possível. sabia que se envolvia com homens que não queriam nada sério. E como ela mesma não queria nada além de uma noite prazerosa, fazia questão de sumir sem deixar rastros antes que seus parceiros acordassem e fingissem montar um café da manhã para agradá-la.
Mas com havia sido diferente desde o início e tudo graças a intervenção de Afrodite, que havia procurado pelo par ideal de e felizmente o havia encontrado em Rodes. Na primeira manhã em que acordou ao lado de , após seu segundo encontro com o homem, se pegou admirando a beleza do homem e ignorando totalmente seu despertador biológico, se aconchegou mais nos braços de e voltou a dormir. Foi acordada por ele com beijos e carícias em seus cabelos e presenteada com um café da manhã de dar inveja em qualquer restaurante. Tomaram banho juntos e foi para o restaurante após um longo beijo de despedida e uma promessa de jantarem juntos naquela noite. passou o dia com as amigas, curtindo a viagem a Rodes, mas seus pensamentos sempre voltavam para .
E lá estava ela, repetindo aquela inovadora rotina de fechar os olhos e voltar a dormir, sentindo o perfume de intoxicar seu sistema e aquela paz que só ele conseguia lhe proporcionar tomar conta de toda sua mente. Aquele era o último domingo de em Rodes, que estava voltando para casa na próxima sexta-feira, já que suas férias estavam acabando. Ela sabia que permaneceria em Rodes até o final do mês e se pegava surpresa com a vontade de que sentia de ficar com ele na ilha por mais algumas semanas. Não estava acostumada a não fugir, mas os braços de ao seu redor e a respiração lenta dele em sua nuca apenas a faziam esquecer aqueles pensamentos e se deixar aproveitar da presença do homem.
Afrodite estalou seus dedos, já impaciente frente a falta de ação naquele dia e acordou, os olhos quase fechados devido ao sono e os cabelos ainda mais revirados. Sorriu para , que encostou seus lábios nos dele em um selinho de bom dia, enquanto a apertava mais em seus braços e distribuía beijos no pescoço da mulher.
– Bom dia, linda. – Ele murmurou, rouco. sorriu largamente.
– Bom dia. Dormiu bem? – Questionou, como se acostumara a fazer, apenas para ouvir as palavras doces de que sempre a deixavam ruborizada.
– Com você ao meu lado, eu não teria como dormir mal. – Ele respondeu, beijando as bochechas coradas de no instante seguinte.
– É essa a resposta que eu gosto de ouvir. – Ela murmurou, fazendo rir e a abraçar com mais força.
– O que vamos fazer hoje? – Ele questionou, perdendo um pouco da preguiça e soando mais animado. – Estou de folga. – Ele lembrou.
– Não sei. – suspirou. – O que você normalmente faz aos domingos? – Ela indagou, o olhando com curiosidade. abriu um sorriso sereno.
– Almoço com meus pais. – Foi o que ele respondeu, deixando subitamente sem graça. Ela evitou fazer uma careta e riu, dando de ombros em seguida.
– Não é nenhum bicho de sete cabeças, . – Ele comentou, divertido. Já estava acostumado as reações inusitadas de quando ele fazia qualquer referência a algo mais sério que uma foda casual. Mas para surpresa de e total aprovação de Afrodite, a mulher não havia fugido dele e sempre se mostrava disposta a desconstruir os muros e enxergar aquele relacionamento de uma forma diferente. não sabia como e nem porque, mas gostava muito de estar se esforçando para ver o mundo de outra forma do que ela já conhecia. O fazia perceber que não era a único a pensar no futuro daquela “coisa” que tinham.
– Para mim é. – retrucou. – Só essa semana, fizemos uma porção de coisas que eu nunca faria. – Ela falou, fazendo prestar total atenção em suas palavras. Gostava quando ela se abria e deixava uma fresta de seu mundo em aberto para ele. – Jantares românticos, passeios no parque, visitas a pontos turísticos, andar de mãos dadas! – Ela exclamou, arregalando os olhos levemente. – Conhecer os pais é algo totalmente fora da minha realidade.
– Mas faz parte da realidade de um relacionamento. – sorriu fraco. – Eu não estou te forçando a fazer isso, . Só respondi a sua pergunta. – Ele deu de ombros e suspirou.
– Eu sei. – Ela disse. – Mas sabe o que me assusta? – Questionou, se virando de frente para e olhando profundamente em seus olhos.
– O quê?
– Sempre que você fala, eu sinto uma vontade absurda de tentar. – confessou. – Porque eu sei que você vai estar comigo.
sorriu, beijando-lhe levemente nos lábios, enquanto Afrodite aplaudia e soltava exclamações animadas.
– Eu me sinto muito estúpida por causa disso. – confessou.
– Pois eu acho isso maravilhoso. – argumentou. – Porque eu estou me apaixonando por você, . E não queria entrar nessa sozinho. – A sinceridade na voz dele fez se assustar e ainda mais, quando ela percebeu que também estava se apaixonando por ele.
– Você não está entrando sozinho, . – falou por fim, após alguns longos minutos o encarando e remoendo as palavras dele em sua mente. – Estamos entrando nisso juntos.
Mais um beijo foi trocado, antes de sorrir largamente e segurar o rosto de por entre suas mãos.
– Então, quer almoçar com a minha família? – Ele indagou, com animação. E apesar do medo que sentiu, sorriu e assentiu com a cabeça.

***

Ayala interrompeu o caminho que traçava com a mão esquerda do pote de salgadinhos até sua boca e encarou com os olhos arregalados, enquanto Olívia quase engasgada com o suco de laranja que tinha em mãos.
– Espera, você vai o que? – Olívia questionou, após tossir diversas vezes e sentir as lágrimas nos olhos.
– Almoçar com a família do . – repetiu. Estava sentada no sofá, com um espelho em mãos e sua nécessaire aberta no colo.
Havia se despedido do homem a quase duas horas, para poder tomar banho e trocar de roupa, para enfim encontrá-lo para o almoço em família. Estava assustada, não podia negar, mas Afrodite havia lhe soprado um pouco de coragem, então lá estava ela, usando um vestido floral, um par de rasteirinhas, alguns acessórios e os cabelos presos em um coque frouxo, enquanto cobria alguns defeitos em sua pele com base e passava rímel nos cílios.
– O fim do mundo chegou e eu não beijei o Chris Evans! – Ayala lamentou, dramaticamente. revirou os olhos, sem se dar ao trabalho de responder a amiga.
– Amiga, eu não estou te reconhecendo. – Olívia exclamou, realmente admirada.
– Nem eu estou me reconhecendo, Olívia. – respondeu. – Mas estou gostando disso, sabe? É bom. Não é o apocalipse que eu sempre pensei que seria.
– Estamos mesmo discutindo sobre você estar apaixonada? – Ayala questionou, abandonando os salgadinhos e correndo para o banheiro para lavar as mãos, voltando ao quarto e se sentando ao lado de .
– Sim. – deu de ombros. – Pelo menos eu penso que isso é paixão.
– Tudo bem. – Olívia estalou os lábios, focando toda sua atenção em . – Essa é a sua primeira paixão, certo?
– Certo. – Assentiu.
– E você não está assustada? – Olívia indagou, curiosa. – Você abominava o amor até dez dias atrás, . Sempre discursou a respeito do quão perigoso é se apaixonar e deixar sua felicidade na mão de outra pessoa que não seja você mesma.
– Acreditem, eu sei de tudo isso. – soltou o ar vagarosamente. – Mas é diferente, não sei explicar. Com é tudo tão fácil. Eu nunca pensei que pudesse ser assim, tão simples quanto o ato de respirar. Ele demonstra se importar, tenta me agradar de todas as formas, mas não se anula para isso… E eu me sinto bem ao lado dele. Em paz, sabe? – Sorriu com a lembrança. – Eu estou apavorada com tudo isso, mas não consigo não querer estar com ele.
– Porra. – Ayala murmurou, parecendo chocada. – Você está apaixonada para um caralho.
E enquanto dava de ombros, Afrodite sorria largamente e aceitava os créditos por ter feito aquilo acontecer.

E me muta sem saber
Me refaz sem perceber
E desfaz todo nó e bagunça

estava nervosa. Tamborilava os dedos contra a mesa, causando barulhos quando suas unhas se chocavam com a madeira. Os óculos de sol e o chapéu escondiam um pouco seu nervosismo, mas Ayala e Olívia conheciam a amiga bem demais para acreditarem que ela estava “ok” com aquela situação.
– Se você vai vomitar, vomite antes do seu namorado chegar. – Olívia comentou, risonha.
bufou, estudando o dedo educado para a amiga.
Elas estavam em um restaurante localizado perto da praia, aproveitando o clima ameno daquela quarta-feira, enquanto esperando por , para que o homem finalmente conhecesse as amigas de . Afrodite se mantinha um pouco distante, apenas observando os frutos daquilo que ela havia influenciado a ser plantado.
– Eu estou bem.
– Você está verde. – Ayala ressaltou.
– Eu nunca fiz isso, ok? – Suspirou. – É claro que eu estou nervosa.
– Bom, nós já fizemos. – Olívia deu de ombros, tentando tranquilizar a amiga. – E nosso maior medo era você. Então acredite, nós somos fichinha perto do que era apresentar alguém para você.
– Em primeiro lugar, ele não é meu namorado. – retrucou, fazendo Ayala revirar os olhos. – E em segundo lugar, eu nem era tão bruxa assim.
Olivia gargalhou, bebendo seu suco de morango e encarando com diversão. – Você lembra do Peter? – Ela questionou.
– Mas ele era ridículo! – contestou. – Ficava te puxando e te obrigando a fazer as coisas que ele queria.
– E antes de descobrir isso, você implicou com ele por causa da camiseta que ele usava. – Olívia argumentou.
– Era idiota e machista. – deu de ombros.
– Para você. – Olívia lembrou, fazendo a amiga suspirar e jogar a cabeça para trás.
– Eu era um monstro. – Ela murmurou, de olhos fechados. Sentiu um par de mãos tocar em seu rosto e o cheiro de rosas já tão conhecido inundar seu olfato. Abriu os olhos e encarou , abrindo um largo sorriso em seguida.
– Você é linda. – Ele falou, se inclinando e beijando nos lábios suavemente.
Abismadas, Ayala e Olívia trocaram um olhar cheio de significados, fosse por conta da reação de ou fosse pela figura de . Ele era realmente bonito e agora elas entendiam o motivo de ter se encantado por ele logo de cara.
– Um monstro bonito então. – disse por fim, após se afastar de e indicar a cadeira ao seu lado, para que ele se sentasse.
O homem sorriu em agradecimento, ocupando o assento e entrelaçando seus dedos aos de , finalmente se voltando para as outras duas mulheres e sorrindo de forma simpática.
– Vocês devem ser Ayala e Olívia. – Ele disse, recebendo acenos de cabeça em confirmação.
– Eu sou Ayala. – A morena disse, estendendo a mão para cumprimentar . – Ouvi horrores sobre você. – Comentou, recebendo um olhar ameaçador de , que era encarada por pelo canto dos olhos.
– Espero que coisas boas, apenas. – sorriu.
– Como se existisse algo de ruim para falar de você. – rolou os olhos, fazendo rir alto.
– Olívia. – A outra também este deu a mão para . – E gostaria de saber se você tem irmãos. – Riu, deixando constrangida.
– Que péssima ideia eu tive. – Ela murmurou, enquanto ria e a abraçava pelos ombros.
– Apenas irmãs. – Ele respondeu.
– Tudo bem. É com você Ayala. – Olívia suspirou, fingindo decepção, enquanto Ayala alargava o sorriso e se inclinava para , pronta para colher informações a respeito de suas irmãs.
– Ignore-as. – pediu, lançando olhares feios para as amigas.
– Nan. – sacudiu a cabeça. – Estou esperando pelo momento em que elas vão começar a soltar seus podres. – Ele lembrou, recebendo um tapa no braço.
– Você é um idiota, . – exclamou, enquanto suas amigas gargalhava e se dispuseram a contar os causos mais absurdos para , que comentava e se divertia as causas de .
E apesar da expressão emburrada, a mulher estava feliz demais por ver suas melhores amigas e o cara por quem estava apaixonada, se dando tão bem.

***

passou o braço esquerdo pela cintura de , a puxando para mais perto do seu corpo e dando espaço para que ela deitasse a cabeça em seu ombro. Estavam no telhado da casa dos pais de , apreciando a vista da cidade e aproveitando da companhia um do outro, na última noite de em Rodes. A mulher pegaria um voo particular para Atenas na manhã do dia seguinte e eles não sabiam quanto teriam uma oportunidade de se ver novamente.
Porque apesar de morarem na Grã-Bretanha, residia em Londres e em Cardiff, no País de Galês. Eram quase três horas de viagem de uma cidade para a outra e ambos tinham suas vidas e rotinas individuais. Seria complicado, mas para a surpresa de , ela estava disposta a tentar.
E para a surpresa de Afrodite, aquele sentimento em nada tinha sua influência.
– Eu não queria que você fosse amanhã. – confessou, suspirando em seguida.
– Eu também não queria ir. Mas eles estão me esperando na agência na segunda. – Deu de ombros. – E mais cedo ou mais tarde, sabíamos que isso iria acontecer.
– Pensei em voltar no final de semana. – disse e o encarou, com as sobrancelhas arqueadas.
– Você ainda tem duas semanas aqui, . – Ela lembrou.
– Mas eu poderia passá-las com você.
– Eu não quero que você abra mão do seu tempo com a sua família, por minha causa. – alegou. – Não deve ser assim que uma relação funciona.
– Todos fazem concessões. – deu de ombros. – É assim que relacionamentos dão certo.
– Mas só você fazer concessões não é justo. – argumentou. – Eu adoraria passar mais alguns dias com você, mas não assim. – Sorriu triste, acariciando o rosto do homem com a ponta dos dedos.
– Tudo bem. – Ele suspirou, fechando os olhos e aproveitando o carinho que recebia. – Vamos dar um jeito.
– Podemos nos ver aos finais de semana. – sugeriu. – Alternar as viagens. Uma final de semana onde eu vou para Londres e no outro, você para Cardiff.
– Mas e o seu trabalho? – questionou, receoso. – Não vai te provar de viajar para a agência?
– Não exatamente. – sorriu, o reconfortado. – Sempre viajo durante a semana, pela baixa dos preços. E não passa de uma ou duas vezes no mês. – Garantiu.
se virou para , segurando suas mãos e fitando seus olhos com intensidade.
– Você quer mesmo tentar, ? – Ele indagou, subitamente. – Porque isso pode ser apenas um amor de verão. Eu não ficarei bravo com você. Quero tentar, mas não vou te obrigar a nada.
– Eu nunca pensei que diria isso na minha vida, … – sorriu, beijando o homem nos lábios rapidamente. – Mas eu quero muito ver no que isso vai dar. Com você.
sorriu, puxando a mulher para um beijo intenso, que tirou o fôlego de ambos.
estava certa de sua escolha. havia mudado suas perspectivas, alterado sua visão de mundo e bagunçado todas as ideias que ela já tinha. E por mais maluco que aquilo pudesse parecer para ela, estava disposta a deixá-lo refazer seu olhar para o mundo. Apenas para tê-lo por perto. As coisas poderiam ser coloridas e não o preto e branco com o qual ela estava acostumada.
E tudo isso graças a intervenção de uma certa deusa grega.

Mergulhar nesse lar, é frio na barriga
Que dá quando se encontra, quem se ama
Queda de cachoeira, é bronca da vida
Que massageia alma e ilumina

 

Parte 3

Quem conhecia , podia afirmar que ela era uma mulher forte, determinada e independente. Seus pais atribuíam a ela outras duas definições: teimosa e irresponsável. Ela tinha o emprego dos seus sonhos, o apartamento confortável que parecia ter saído de uma revista de decorações e uma agenda de festas e viagens de dar inveja a qualquer um.
Mas fora isso, também estava recebendo uma outra definição, após voltar de viagem de Rodes. A maioria das pessoas que a conheciam antes de a mulher embarcar naquela viagem, jamais poderiam defini-la com aquela palavra, que agora parecia mais uma extensão da própria do que qualquer outra coisa. Apaixonada, era isso que ela era. E não apenas pela vida e pelas pessoas que a cercavam, mas sim, romanticamente apaixonada.
, após afirmar aos céus e a todos que a quisessem ouvir discursar, que o amor era algo doentio e que ela jamais se apaixonaria na vida, estava naquele momento, no Heathrow Airport, em Londres, cuidando o telão que mostrava os voos da Grécia para a Inglaterra.
O clima a obrigava a usar jeans, jaqueta e botas, mas suava como se estivesse prestes a pular dentro de uma cachoeira, tamanho o nervosismo que sentia.
Ela e estavam se falando diariamente desde que ela fora embora de Rodes. Trocavam confidências, contavam suas rotinas e comentavam a respeito da expectativa para o dia da chegada do rapaz a Londres. Eles tentariam um relacionamento a distância e estavam ansiosos demais para se receberam após semanas apenas se falando pelo celular.
sorriu largamente, quando a linha que indicava o voo 570 teve seu status atualizado para: desembarque. Com passos firmes, se adiantou para o portão de saída, sentindo um frio na barriga com o qual não estava acostumada. Em menos de 15 minutos, avistou os cabelos revirados de e o sorriso que guardava o mundo inteiro de . Ela suspirou em alívio, correndo até o homem, que a recebeu de braços abertos e a levantou do chão quando a abraçou, aspirando profundamente seu cheiro e beijando seu pescoço com suavidade.
E ali, soube que deveria agradecer aos céus por ter se apaixonado. Porque nada no mundo poderia ser tão bom do que encontrar aquele a quem ela amava. E agraciada pelos agradecimentos, Afrodite sorriu e retornou para seu templo, esperando pela próxima pessoa que desdenharia da capacidade do ser humano em se apaixonar.

Fim.

Nota da autora: EU AMO, AMO, AMO DEMAIS ESSE PLOT! Espero que tenham gostado, é um dos meus escritos favoritos. Não deixem de comentar <3

Vocês podem entrar no meu grupo de leitoras no WhatsApp e no Facebook e também me encontrar no Twitter com minha conta pessoal e no fc. @graziesescreve no Instagram também!