That’s Enough

That’s Enough

Sinopse: Relacionamentos nunca foram fáceis. Esses, muitas vezes são duros; doem, machucam, arrancam o pior de si ao mesmo tempo em que procuram pelo seu melhor. Fazem com que sorrisos virem lágrimas de tristeza e gritos de ódio logo virem juras de amor. É uma montanha russa constante, cheia de altos e baixos com curvas acentuadas que são impossíveis de prever. Mas ainda assim, as pessoas lutam por ele; pelo amor. Lutam porque pensam que se entregarem um pouco mais do que tem, se tentarem mais uma vez, talvez a história mude, que talvez assim sejam felizes. Mas para que exista uma mudança, é preciso deixar ir e vir. E às vezes, alcançar a felicidade seja um pouco mais difícil e doloroso que isso.
Gênero: Romance, drama.
Classificação: 12 anos.
Restrição: Pode conter palavras de baixo calão e insinuações de sexo.
Beta: Elizabeth Bennet.

00Agora…

olhou para mais uma vez, admirando seu rosto tranquilo mergulhado em um sono profundo e sem sonhos; observou a forma como o seu cabelo se esparramava sobre a fronha do travesseiro, o jeito como os dedos dela se prendiam na ponta do lençol e a maneira com a qual seu ombro desnudo ficava exposto pela colcha, que não a cobria devidamente. Subiu o olhar até a face dela e, subitamente, sem nem ao menos se dar conta, levou a ponta dos dedos de encontro à pele tão macia de sua . O contorno de sua face parecia ainda mais delicado enquanto ela dormia; seus lábios ainda mais convidativos, e seus olhos, ainda que fechados, conseguiam fazê-lo perder o foco de tudo para que se concentrasse apenas neles.
E assim, mais uma vez em tão pouco tempo, enquanto decorava cada pequeno detalhe da garota desacordada à sua frente, não conseguiu evitar e se questionou de novo qual teria sido o erro que os levou até onde estavam hoje.
A de agora, serena e inofensiva, nem parecia ser a mesma de horas atrás, que gritava em plenos pulmões, devastada e esgotada, o quão estava cansada de todas aquelas discussões e do quão estava farta daquele ciclo sem fim que ambos criaram sem nem ao menos perceberem. As palavras ásperas ditas na noite anterior rondavam sua mente de forma tão insistente que quase o deixavam zonzo. Mesmo que ele não quisesse, as cenas ainda eram vívidas demais; parecia, ainda, que ele estava revivendo tudo aquilo como uma forma de punição pela decisão que havia sido feita.
sentia seus olhos queimarem; sabia que estava prestes a chorar, mas se segurava para não deixar que isso acontecesse, pois esse não era um feito comum de sua parte. E, além disso, não queria acordar assim. Não queria ter esta imagem dela gravada em sua memória quando saísse: ela assistindo-o ir embora. Queria se recordar dela exatamente da maneira que ela se encontrava agora: plena.
Sorriu quando lembrou-se de que, mesmo depois de terem se tratado tão mal horas antes, terminaram a noite juntos. Ele a tomou para si de forma tão intensa que pediu internamente para que aquele momento nunca fosse tirado de sua memória; queria se recordar de cada segundo, cada beijo, cada toque. Ele a amou como nunca tinha amado antes, pois sabia que aquela seria a última vez.
Queria poder se lembrar dos seus corpos juntos, do amor que sentiam um pelo outro, de todas as mil e uma sensações que ela causava nele quando o olhava nos olhos, sussurrava em seu ouvido ou quando o abraçava. Queria poder se lembrar, mesmo quando já não estivesse mais ali, que foi o melhor erro que já cometeu.
Afastou com a ponta do indicador alguns fios de cabelo que caíam sobre a testa dela e deixou que o canto de sua boca se erguesse num sorriso contido.
Tão linda!
Aproximou-se dela apenas o suficiente para dizer baixinho próximo ao seu rosto:
— Eu amo você, ! Sempre! Pra sempre!
E, antes que a coragem de desaparecesse, e ele sucumbisse aos encantos da mulher, levantou-se sorrateiramente da forma mais cuidadosa que conseguiu; pegou a mala deixada em um canto que arrumou durante a madrugada e vestiu o casaco que antes estava jogado no encosto de uma cadeira. Olhou pela última vez e lembrou-se de todas as coisas incríveis que viveram juntos, de todos os prazeres que compartilharam e, mesmo contra sua vontade, de cada desentendimento que tiveram. Soltando um último suspiro de lamento, se esgueirou para fora do quarto.
Quando passou pela porta de entrada, quase não pôde acreditar no que estava fazendo, mas percebeu que faria aquilo outras mil vezes, se fosse preciso, caso este fosse o preço a se pagar pela felicidade de .

+++

Semanas antes…

— Não, não, não! Chega! — A voz de veio acompanhada de um grito esganiçado e dolorido. — Eu não aguento mais nada disso, ! Nós estamos andando em círculos o tempo todo! Não consigo mais! É uma tortura!
O garoto soltou um riso nasalado, cheio de comentários escondidos. Não queria ser grosso, mas não conseguia mais lidar com todo o drama vindo de sua namorada. Cada conversa que iniciavam se tornava algum tipo de discussão minutos mais tarde. Definitivamente, aquilo não era saudável para nenhum dos dois, mas, ainda assim, repetiam o ato como se o mesmo fizesse parte do script de suas vidas.
já havia procurado outros caminhos; esses que o levaram de volta ao mesmo lugar. Neste exato momento, olhando fundo nos olhos da garota que amava, se sentiu derrotado por si mesmo e impotente por saber aonde tudo aquilo estava levando-os.
— Não há nada a fazer, . — Sua calma de agora nem se comparava aos nervos de antes, mas não sabia se eles tinham mais tempo para continuar se destruindo ainda mais.
Ela o olhava, incrédula; piscava os olhos, numa tentativa falha de impedir que as lágrimas escorressem por seu rosto, mas estava fracassando debilmente em tal ato. Como ele podia dizer isso quando tudo estava se desfazendo bem na frente deles?
— Como pode dizer uma coisa dessas? E tudo o que temos? Todo o nosso amor? Você quer mesmo jogar tudo isso fora? — A voz embargada de cortou o coração de .
— Não, não quero jogar nada disso fora. Eu amo cada parte disso! Mas nós temos que acordar, ! Temos que encarar os fatos e, quem sabe, superar essa bagunça que somos?!
O silêncio tomou conta do ambiente no momento seguinte.
— Você está desistindo de nós — ela declarou, por fim, após um longo momento.
— Não, . Mas nós estamos jogando os mesmos jogos e esperando que o fim seja diferente. Não faz o menor sentido!
Ela se recusava a aceitar que ele tinha razão; recusava-se a acreditar no que estava ouvindo sair da boca do homem com quem compartilhou seus maiores sonhos e seus maiores anseios.
— Isso porque nós não fazemos sentido, .
— E talvez seja por isso que não saímos do lugar.
Nenhum dos dois sabia ainda, mas este havia sido o primeiro dos muitos sinais que mostravam o quão próximos estavam do fim. Os passos que dariam a seguir, as tentativas frustradas que se seguiriam, seriam cruciais para o resultado final desta história.

+++

Agora…

O sol finalmente conseguiu achar uma fresta por entre a cortina e alcançou o rosto de . A garota continuava na mesma posição que havia a deixado horas antes, imóvel, aproveitando o conforto e o calor de sua cama.
Contrariada, apertou os olhos, antes de abri-los minimamente quando a luz se tornou impossível de ser ignorada. Esperou alguns segundos, até que os mesmos se acostumassem com a claridade, para que pudesse levantar um pouco o tronco e olhar ao redor. Sentiu falta da presença de seu namorado; achou estranho que ele não estivesse ali ao seu lado deitado preguiçosamente com um braço estendido sobre seu tronco, como de costume, mas manteve esse pensamento bem guardado em sua mente. Piscou lentamente e observou o cômodo. Tinha algo faltando, ela via isso, mas, talvez, por causa do seu raciocínio lento afetado por seu estado grogue, não conseguiu captar de primeira o que exatamente estava fora dos eixos.
só soube com certeza o que estava diferente quando não encontrou as coisas de no seu quarto e nem em lugar algum da casa. Tudo que pertencia a ele tinha sumido sem mais nem menos. Era como se ele nunca tivesse estado ali com ela. Até mesmo seu perfume, que, antes, estava impregnado em cada cantinho do corpo da garota, parecia já estar desaparecendo aos poucos. Seus olhos se encheram de lágrimas, e sua mente começou a trabalhar desenfreadamente numa explicação para isso.
Ele a tinha deixado?
A única coisa que restava, talvez como uma prova de que o que tiveram foi real, era a foto colocada em um porta-retrato numa mesa ao lado do sofá na sala de estar.
Ali, eles estavam juntos, felizes, sorrindo para a câmera e abraçando-se com carinho, enquanto curtiam a bela paisagem e a companhia um do outro. Era uma felicidade tão verdadeira que se tornava quase palpável para quem observava! Bem diferente do que estavam vivendo agora!
Quando ela desviou minimamente a atenção que tinha para um lugar próximo a foto, teve esperanças. Seu coração acelerou, e ela quase soltou um suspiro de alívio.
Quase.
Ao lado do mesmo havia um pequeno papel: um bilhete. Porém, ao contrário do que ela tanto queria, não sorriu quando o leu, nem ficou calma. Na verdade, levou a mão à boca, desacreditada, quando passou os olhos naquela tão conhecida caligrafia:
“Apesar de todos os mesmos erros que cometemos, não apague o que tivemos. Mantenha-me em sua memória. Deixe de fora todo o resto.

— J. ”
Suas pequenas esperanças se esvaíram na hora. Suas pernas bambearam, e ela caiu de joelhos. Finalmente, se deu conta de que tudo o que teve com havia chegado ao fim.

+++

Dias antes…

— Eu fiz tudo o que podia, porra! — berrou e socou a parede à sua frente. Não conseguia encarar , pois estava quase fora de controle. — Quando você vai parar de se fazer de vítima e se dar conta de que tem tanta culpa nisso tudo quanto eu?
O garoto estava sem saída; já tinha gastado todas as suas fichas. O que mais ele precisava fazer para que ela finalmente percebesse que ele estava dando tudo de si a um relacionamento que estava fadado a dar errado?
O problema era que ela não estava fazendo diferente dele e sentia-se frustrada por não notar seu esforço diário e sem resultado, que acabava descontando todos os seus nervos nele sem nem perceber de imediato.
— Eu me fazendo de vítima? — mordeu o lábio e se segurou para não soltar um palavrão e bons xingamentos que estavam presos em sua garganta. — Se situa, ! Eu estou lutando, enfrentando cada desafio e entregando cada pedacinho de mim para salvar o que temos! Isso é loucura!
Ele pensou por um segundo, respirou fundo e tentando inutilmente se acalmar.
— É, , você está certa! Isso tudo é loucura, porque nós somos loucos! Por isso, estamos aqui, agora, errando e errando de novo, nos afundando ainda mais! — fechou os olhos com força. Lá estava ele de novo, repetindo todo o mesmo discurso e esperando que, desta vez, alguma coisa fosse diferente.
— Você quer desistir! — ela soltou com a voz trêmula, balançando a cabeça para os lados como se isso afastasse tais pensamentos.
— Não coloque palavras na minha boca, — ele a repreendeu com voz baixa e rouca.
— Então me diga o que tudo isso significa! — Ela soou tão convicta e firme que foi impossível para não encará-la, surpreso pela reação de sua garota. — Eu não consigo te entender! Quanto mais de perto eu olho, mais confusa fico. O que quer que eu pense se não esclarece o que quer?
— Eu quero parar de olhar para trás, . Cansei de procurar alternativas diferentes para me deparar com o mesmo fim. Já estivemos neste lugar um milhão de vezes, e nada mudou. Você diz que me ama, eu digo o mesmo a você, mas será que esse amor é o suficiente?
Por um instante, a garota perdeu o ar.
— Eu não vou gastar meu tempo, desperdiçar minha noite, com você dizendo idiotices aleatórias e sem sentido! — declarou, inflexível. Havia se assustado, sim, com o que o namorado falou; uma pontada de surpresa a tomou momentaneamente, mas logo ignorou qualquer vestígio que restava de tal. — Você precisa parar de dizer coisas da boca pra fora.
A garota o olhou firmemente por alguns segundos. Virou sobre os calcanhares, logo em seguida, e se colocou a andar apressada para fora daquele lugar. A atmosfera carregada não lhe agradava em nada. Tudo que queria agora era um ar fresco para poder esquecer de vez as palavras que havia dito. Talvez, um banho quente ou uma taça de vinho a ajudassem, quem sabe?!
Infelizmente, teve seus pensamentos interrompidos com a voz cansada de seu namorado soando a poucos metros de distância:
— Continue fazendo isso, . Continue fugindo. — Ela o olhou sobre o ombro. — É desta forma que não chegaremos a lugar nenhum.
Ele podia não ter certeza, naquele momento, mas as palavras que saíram de sua boca decidiriam, de uma vez por todas, o futuro de ambos.

+++

Agora…

não conseguia acreditar.
Achou que, se tomasse um banho, a sensação da água caindo sobre seu corpo anestesiaria de alguma forma toda a dor que sentia. Ela não estava totalmente errada; sentia-se, sim, anestesiada de frente para o vidro do box, sentindo o frio do azulejo contra suas costas, mas não sentia-se mais relaxada ou menos vazia. Com o olhar fixo no chuveiro, abraçou seu corpo e deixou que ele deslizasse até o chão. As lágrimas quentes se misturavam com a água fria que caía ininterruptamente sobre sua pele ao mesmo tempo em que o ar começava a lhe faltar. A sensação de que o fim chegou finalmente a atingiu.
Não muito distante dali, as sensações de eram parecidas. Ele fez o caminho até sua casa dirigindo no modo automático: pisar na embreagem; trocar a marcha; acelerar; frear; repetir tudo.
Tentou a todo custo se manter atento ao que acontecia ao seu redor, mas sequer sabia dizer onde estava. Seus pensamentos não colaboravam com seu senso de localização; estes estavam dispostos a enlouquecê-lo naquele dia, sempre levando-o de volta ao seu ponto fraco, sempre levando-o de volta a .
Essa que também não conseguia tirar seus pensamentos de .
A garota sentiu-se idiota por não ter notado que a noite passada havia sido a última. Estava explícito em cada mísero detalhe! Como não percebeu?
Infelizmente, ela sabia a resposta: estava inebriada diante das ações de . Aquela tinha sido outra tempestade antes da calmaria; essa calmaria que estava mais para desastre. O segundo desastre em menos de vinte e quatro horas. Ela não conseguia aceitar! Não mesmo!
Quando finalmente estacionou o automóvel no prédio onde morava, não teve forças para impedir que sua cabeça caísse sobre o volante e algumas lágrimas grossas rolassem de seus olhos. Ele havia feito o que ela lhe pediu, e isso doía na alma. Estava acabado, destruído! Os dois estavam. Mas a deixou em paz e, consequentemente, ele a deixou também em pedaços.

+++

Noite passada…

Diferentemente das outras vezes, e não gritavam mais, não se atacavam com palavras, nem ao menos tentavam fugir da discussão; achar explicações de como chegaram a isso ou de como resolveriam o ocorrido. Desta vez, sentados um de frente para o outro — ela recostada de braços e pernas cruzadas em uma poltrona, e ele sentado em uma cadeira, apoiando os cotovelos em seus joelhos —, conversavam pelos olhos. Sérios, inexpressivos, cansados daquele jogo antigo que costumavam jogar e daquele antigo amor que costumavam sentir, já não sabiam mais ao que recorrer. Aquela droga os havia quebrado, corpo e alma, e ambos sabiam que já tinham tido o suficiente.
— Então é isso? — O olhar perdido da garota mostrava o quão desacreditada, o quão saturada ela estava de gritar e dizer coisas que ele fingia não ouvir.
não respondeu com palavras. Deixou que sua garota vasculhasse em seu olhar todas as respostas que ela queria para todas as perguntas que ela tinha.
Quando , finalmente, achou o que procurava, seu olhar, antes determinado, agora, caía sem rumo para algum lugar que não fosse . Não sabia o que estava sentindo. Raiva? Tristeza? Mágoa? Descrença? Todas essas sensações e mais algumas, talvez. Mas não sabia qual dessas a havia feito falar:
— Vá embora — murmurou, logo tapando sua boca com a mão.

— Não, — ela o deteve. — Pegue suas coisas e vá embora.
Ele a olhava com um olhar de detetive, mas, pela primeira vez, não conseguiu decifrar o que ela sentia de verdade. nunca tinha sido um mistério para ele, mas, agora… Agora, lê-la parecia algo impossível!
Perplexo, o garoto levou as mãos até seu rosto. Os papéis estavam invertidos. Não era mais ele que tentava dizer que tudo aquilo não estava dando em lugar algum, era ela quem finalmente estava colocando um ponto final. Mas, apesar do choque inicial, ele sabia que não era aquilo que queria. Seus olhos tristes e avermelhados, e sua voz entrecortada mostravam que ela não queria dizer nada daquilo. Não de verdade, pelo menos.
abriu a boca e tentou juntar palavras para tirar aquilo, que parecia absurdo, na visão dele, da cabeça de sua garota.
Ela, percebendo o que ele faria a seguir, imediatamente, disse:
— Você não pode retirar tudo o que disse! — ela o lembrou repentinamente. E a fala de sumiu. Amaldiçoou-se em pensamento, mas não sabia deixar claro por qual motivo exato.
E daí que eles eram um quebra-cabeça ambulante que nunca estaria completo? E daí que viviam entre tapas e beijos? Ele amava isso. Ele a amava. Mas, antes que ambos se destruíssem, era preciso mudar de rumo. Era preciso fazer a coisa certa, mesmo que doesse imensamente.
— Eu sei — foi tudo o que ele conseguiu responder. — Sei que tudo está de ponta cabeça, mas…
— Eu já escutei tudo isso um milhão de vezes, ! — A voz de se tornou subitamente aflita. — Eu não sou do tipo que esquece.
— Eu sei! — repetiu, incapaz de dizer qualquer outra coisa.
Inesperadamente, ela começou a chorar silenciosamente. Seus lábios juntos numa linha reta, e sua cabeça balançando levemente para os lados. Ponderou a situação. se perguntou o que faria se pudesse voltar no tempo; se teria mudado alguma coisa ou feito tudo exatamente da mesma forma.
Ironicamente, a garota pensava exatamente a mesma coisa.
— Eu só queria que tudo estivesse em paz. — A confissão de saiu tão baixa que só entendeu porque estava focado na garota à sua frente. As palavras dela acabaram com suas últimas tentativas de manter sua postura até então inabalável.
Em um segundo, ele já não estava mais sentado na cadeira, ele estava sentado ao lado de sua garota, abraçando-a firmemente contra si, enquanto ela derramava lágrimas em sua camiseta. Ele não se importava com isso desde que ela continuasse junto dele por mais um tempo.
— Shhh! — ele cochichou em seu ouvido. — Tudo vai ficar bem.
— Não, ! — ela reclamou entre um soluço e outro. — Não tente mudar de ideia, porque eu também não mudarei a minha.
— Sei que não, — o garoto concordou firmemente. — Mas, desta vez, é uma promessa: tudo vai ficar bem.
Um largo espaço de tempo se formou até que falasse:
— Toda promessa é vazia até que se tome uma iniciativa.
Por um momento, ele se afastou dela, apenas o suficiente para olhar nos olhos tão especiais e sedutores de , e, então, no segundo seguinte, encostou sua boca na dela; tão rápido que ela não teve forças para impedi-lo.
— O agora é tudo o que temos. — disse com seus lábios roçando nos de , suas mãos segurando o rosto dela, e seus polegares enxugando algumas lágrimas que teimavam em cair.
— Para com isso! Estamos no meio de uma briga! — Ela, por um instante, achou que ele havia enlouquecido ou perdido a noção do que estavam fazendo.
— Não estamos, não. — objetou, de repente. — A briga acabou, . Acabou, ok? Chega! É o suficiente.
Ela voltou a derramar lágrimas. Não estava entendendo o porquê o namorado estava dizendo tudo aquilo. Analisando bem as circunstâncias, ela só conseguia vê-lo xingando e gritando mais um pouco, como era o usual, mas as atitudes que ele estava tendo… Essas estavam sendo totalmente incomuns, para ela.
— O que pensa que está fazendo?
— Dando um jeito em tudo, . — Com seus lábios ainda nos dela, ele quebrou todo o espaço que restava entre eles e a beijou. Por um momento, ela relutou, desconfiada, sem entender muito bem, mas quando relaxou ao seu toque, entendeu seus lábios entreabertos como um convite para sua língua encontrar a dela. E foi o que ele fez. Ele a beijou tão intensamente que, por um instante, a fez se esquecer dos momentos péssimos que antecederam o que estavam fazendo.
Ela estava entregue a ele.
— Desculpe-me, ! — pediu, enquanto passava a beijar sua têmpora e, depois, descia os beijos por todo o seu rosto, até encontrar de novo os lábios que ele tanto amava. — Desculpe-me! Eu falo sério!
— Desculpe-me também. — A garota segurou as mãos de na lateral de seu rosto. Ela acalmava sua respiração pouco a pouco, enquanto se deixava envolver pelos carinhos de seu namorado.
— Tudo vai ficar bem — ele repetiu mais uma vez, voltando a encostar seus lábios no dela delicadamente.
não respondeu com palavras, apenas consentiu. Acreditava nele. Acreditava piamente nessa promessa.
Os beijos do garoto desceram úmidos pelo pescoço e ombros dela. já não respondia mais por si; estava extasiada demais para pensar em algo que não fosse ele e ela ali naquele momento. Preferiu esquecer todo o resto. Não queria mais pensar em nada, fosse no passado, fosse no futuro, ou mesmo no presente.
Tudo ficaria bem
.
As mãos de não se encontravam mais em torno do rosto de , ambas escorregaram para caminhos opostos; uma segurava gentilmente a nuca dela, e a outra acariciava levemente sua cintura. As mãos de , por sua vez, se alternavam entre massagear os braços definidos dele ou puxar levemente alguns cabelos de sua nuca, fazendo-o se arrepiar vezes seguidas.
— Eu amo você, — declarou num sussurro como se revelasse um segredo.
Ele, de forma inesperada, passou uma mão por baixo do joelho da garota e a puxou agilmente para que se sentasse em seu colo, uma perna de cada lado, assim tendo mais contato com o corpo dela; segurou firme na cintura de , enquanto ela deslizava suas mãos por seu tórax ainda coberto pela camiseta.
— E eu amo você, minha . — confessou num suspiro contra o pescoço da garota, que se arrepiou por completo.
Um olhar bastou para que as demais coisas fluíssem: os beijos passaram a ser mais ágeis; os toques mais intensos; e a temperatura parecia nunca parar de aumentar. O desejo entre e crescia a cada segundo. Pouco a pouco, foram se entregando um ao outro como nunca tinham feito antes.
Deixaram a sala e se direcionaram ao quarto, não muito depois. Algumas roupas foram deixadas pelo caminho, junto com frases desconexas e grunhidos de prazer, quando se deixaram viver mais uma noite de amor.
Sua última noite de amor.

+++

Agora…

O que, para um, teria sido uma reconciliação, para o outro, não se passou de uma despedida.
Ninguém disse que seria fácil.
Aquela linha tênue em quem e caminhavam já existia há muito tempo; desde antes de terem seu primeiro desentendimento, ela já estava lá para os dois. Ela aguentou firme durante muitos casos, bambeou em vários momentos, mas foi forte. Infelizmente, algumas manutenções não foram bem-sucedidas. Eram tantas falhas distribuídas por uma longa extensão que se tornou impossível de consertar.
O desgaste era grande. Vários avisos foram dados de que algo urgente deveria ter sido feito, mas, infelizmente, chegou a um momento em que já não era mais possível chamar um técnico para resolver o caso, ou tentar arrumar com as próprias mãos. sempre fez tudo o que podia para mantê-la firme, mas chegou a um momento em que dar nós já não resolvia mais. O prazo de validade — que não necessariamente existia, mas tornou-se necessário para o bem de ambos — chegou, e essa linha, que tanto suportou, finalmente, arrebentou.
Agora, eles estavam livres para viver, não estavam presos a um romance antigo que não crescia e não mudava. Não estavam mais presos a um ciclo sem fim que, por muitas vezes, quase os destruiu. Já haviam tido o suficiente.
, por muito tempo, achou que, se ignorasse um pouco o que havia de errado, se pouparia de sofrer; achava que, assim, as coisas ruins desapareceriam e dariam espaço às boas. Ele não estava totalmente errado, mas era, sim, preciso passar por coisas ruins como as de agora, para crescer, amadurecer e, assim, depois de muitos tombos, finalmente, achar algum motivo pelo qual ser feliz de verdade e permanecer de pé, firme. Aconteceria com sua também.
O mundo de , agora, poderia estar em cacos, todo em preto e branco, sem prumo, mas, aos poucos, começaria a ganhar cores de novo. Com pequenos gestos, pequenos momentos, os pedaços começariam a se encaixar um a um. Levaria tempo, mas sua vida voltaria ao rumo certo em breve, assim como a de .
Tudo ficaria bem, ele prometeu.
Por agora, ambos podiam duvidar dessa promessa, mas ela era verdadeira. Aos poucos, tudo se ajeitaria. Não da maneira desejada, obviamente, mas da maneira certa. Em algum momento mais à frente, eles perceberiam que essa montanha-russa de emoções teve, sim, um propósito e que o amor deles não teria sido em vão. E que, no final, tudo ficaria bem.
Tudo estaria bem.

Fim

Nota da Autora: Hey, pessoal! Espero que tenham gostado dessa fic. Foi inspirada na música e vídeo clipe Same Old Love da Selena Gomez, e foi escrita com bastante carinho <3
Quero ver a opinião de vocês aqui embaixo!
Quem tiver interesse de ler outras histórias minhas, leia Dear Diary (One Direction/em andamento) disponível aqui no site! Se quiserem, me sigam no Twitter também. Logo mais tem história nova chegando.
Beijos e até a próxima! Xx