Ultraviolet

Sinopse: Um garoto com o coração quebrado. Um baile no País das Maravilhas. Uma aprendiz de feiticeiro, buscando um sacrifício. Um beijo a meia noite e uma súbita morte. Tudo isso dentro de uma peça de teatro, escrita por dois estudantes. Ele, um músico nato, apaixonado pelas artes. Ela, o prodígio das líderes de torcida, aspirante a surfista. Por conta de um trabalho de literatura, seus mundos completamente distintos, entram em colapso, causando uma sequência de mudanças em suas vidas que nem os raios ultravioletas poderiam danificar.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Beta: Regina George.

ULTRAVIOLET

PERSONAGENS
Adam, o estudante com o coração quebrado.
Emma, a aprendiz de feiticeira.
Justine, a ex namorada.
Tedd, o melhor amigo.

ÉPOCA: presente; LUGAR DA CENA: Nova Orleans.

PRIMEIRO ATO

Casa de família de classe média. Sala de estar com sofá, estante, televisão, poltronas, espelho e outros objetos próprios. Saída à direita, dá para a porta principal, saída da casa. É noite.

CENA I

Adam, Tedd. Adam em frente ao espelho, Tedd sentado na poltrona, assiste televisão.

ADAM (Irritado) (Ajeita a gravata com as mãos) – Não estou gostando nada desta ideia!
TEDD (Olha para o amigo, revira os olhos) (Entediado) – Você já reclamou dez vezes! Termine logo isso para que possamos sair!
ADAM (Rende-se) (Afasta as mãos da gravata, vira-se para o amigo, deixa os ombros caírem) – Tudo bem, você venceu. Vamos logo para esse maldito baile!
TEDD (Levanta-se da poltrona, desliga a TV com o controle remoto) (Animado) – Esse baile vai te fazer bem! Logo você não saberá nem quem é Justine!
ADAM (Triste) (Caminha para a porta) – Obrigado por me lembrar do motivo pelo qual estou indo ao baile com você e não com ela.
TEDD (Impaciente) (Parado, a poucos passos da porta de entrada) – Ela não é a primeira e não vai ser a última garota a terminar um relacionamento com você, Adam. (Se aproxima do amigo) – Estamos indo para o País das Maravilhas. Espere por mágica esta noite, meu amigo. (Dá dois tapinhas no ombro de Adam) (Amigável) – Vamos logo, ou chegaremos após as portas se fecharem!
ADAM (Sai pela porta) (Contrariado)
TEDD (Segue o amigo, fecha a porta atrás de si).

Nothing goes to plan
It’s all a game of chance they say in Wonderland
There’s magic in the air
A tragic love affair that I don’t
understand

A primeira vez que notou não foi no primeiro dia de aulas na Saint Mary’s High School. Também não foi na primeira semana ou no primeiro mês. Não chegou a ser nem no primeiro ano e isso era realmente algo surpreendente, já que a garota era a líder das cheerleaders da Saint Mary’s e, uma surfista em ascensão naquela pequena cidade da Califórnia. Todos conheciam , por onde ela andasse, fosse por suas habilidades com uma prancha de surf, com as acrobacias das cheer ou por seus cabelos cor de fogo que batiam em sua cintura.
Mas não era um garoto comum. Vivia com o rosto enfiado em algum livro e com um caderno de rascunhos embaixo do braço. Ele estava sempre tão envolvido em seu próprio mundo, que não percebia que outros mundos o circulavam, e que a qualquer momento, poderiam colidir com ele.
E foi uma dessas colisões despercebidas.
Mas não podemos dizer que ela reparava em antes daquela fatídica aula de Literatura, no período antes do intervalo, em uma terça-feira ensolarado e quente. só foi mesmo reparar em quando a professora Higgins avisou que eles fariam dupla pelas próximas quatro semanas, graças a tarefa que valeria metade da nota do semestre. Sentada na primeira classe, procurou pelo tal pela sala de aula, o encontrando sentado na última fileira. Os cabelos escuros e a pele bronzeada contrastavam com o castanho claro de seus olhos e se surpreendeu por nunca o ter visto na Saint Mary’s antes daquele dia.
Daquele momento em diante, ambos souberam sobre a existência um do outro. E seus destinos foram cruzados de forma que eles jamais poderiam imaginar.

SEGUNDO ATO

Ginásio de escola pública. Baile dos veteranos. Pista de dança, bar, cabine de fotos, teto iluminado, mesas, cadeiras, arquibancadas, palco com DJ. Entrada a esquerda, porta da frente, entrada pelo estacionamento. A direita, saída para o jardim, porta dos fundos. É noite.

CENA II

Adam, Tedd. Adam sentado à mesa. Tedd em pé, parado ao lado da mesa. Figurantes dançando, bebendo, tirando fotos. Música de fundo.

TEDD (Distraído pela música no salão) – Você não vai ficar a noite toda sentado, não é?
ADAM (Revira os olhos) (Impaciente) – Eu vim para o maldito baile. Não serei obrigado a socializar.
TEDD (Mal humorado) – Que péssima ideia eu tive em te obrigar a vir!
ADAM (Debochado) – Eu não poderia concordar mais! (Olha ao seu redor, foca a atenção no bar)
TEDD (Segue o olhar do amigo) (Sorri com diversão) – Aquela não é a Emma? Da aula de inglês? A Halloweemma?
ADAM (Bufa, em irritação) – Você tem que parar com essa mania de rotular as pessoas. (Olha atentamente para Emma) – Ela está bastante bonita.
TEDD (Assente, concordando) – Mais bonita que a Justine.
ADAM (Suspira) (Se coloca de pé) – Vou ir falar com ela.
TEDD (Arregala os olhos) (Segura Adam pelo braço) – O que? Por quê?
ADAM (Olha para Tedd) – Ela está bebendo sozinha.
TEDD (Exclama) – Ela sempre está sozinha! É a Mrs. Halloween, o que você espera?
ADAM (Dá passos para longe da mesa) – Que ela não beba sozinha em Nova Orleans hoje.

Mrs Halloween
Is drinking at the bar again in New Orleans

estava atrasada. E sabia disso porque seu relógio indicava que já eram 4h30min da tarde, quando eles deveriam estar montando aquela peça de teatro desde as 4h. Mas ele não poderia reclamar, visto que a garota lhe avisou que se atrasaria. Tinha uma reunião com a professora de dança por causa das cheerleaders que não poderia ser adiada. Então esperou por , dentro da biblioteca da escola, enquanto lia um livro sobre a história da música clássica. Não era um livro muito bom, ele admitia, mas seu mentor das aulas de piano havia lhe indicado e ele não poderia tecer críticas até finalizar a leitura. Pensou que poderia terminar o livro ainda naquela tarde, já que não fazia ideia de quando iria aparecer.
Ele leu quase dois capítulos e ouviu o barulho dos tênis da garota contra o piso. Fechou o livro e levantou o olhar, encontrando em seu uniforme de cheer, com o maior sorriso de desculpas que ela poderia abrir.
– Mil desculpas! – Ela murmurou, arrastando a cadeira em frente a e se sentando. Largou a mochila em cima da mesa e respirou fundo. – A sra. Barry ficou falando e falando e não parou mais.
– Está tudo bem. – deu de ombros. – Aproveitei o tempo livre para ler.
– Você adora isso, não é? – Ela questionou, com curiosidade.
– Desculpe? – se perdeu no assunto e viu um brilho de divertimento passar pelas otites verdes de .
– Ler. – Ela indicou o livro com a mão. – Está sempre com algum livro. E eu nunca te vi nos jogos ou até mesmo na cantina durante o intervalo.
– Meu lar é a biblioteca e a sala música. – respondeu, fazendo a garota rir.
– O meu é o mar. – Ela comentou, sorridente.
– Pensei que iria falar que era a quadra e os pompons. – brincou.
– Não. – Suspirou. – Só estou na equipe por diversão.
– Legal. – Foi tudo o que disse. Alguns minutos de silêncio enquanto organizava seu material na mesa foram o necessário para deixar um clima desconfortável. pigarreou, incomodado. – Vamos começar? – Questionou.
– Claro! – assentiu. Abriu seu caderno e pegou uma caneta, para poder anotar suas ideias. – Já pensou em alguma coisa?
– Não sou muito bom em criar histórias desta maneira. – admitiu. – Sou muito melhor escrevendo músicas.
– Eu gosto de música. – comentou. – Podemos fazer algo baseado na letra de uma música, já que ambos temos familiaridade com o assunto.
– Seria interessante. – falou, se inclinando para frente de modo a conseguir ler as palavras que escrevia no caderno. – Qual o seu artista favorito?
– Isso pode ser surpreendente para você, mas é uma banda. – riu. – Eu amo Whitesnake.
a encarou, sem saber o que dizer. Não esperava por aquilo. era fã de Whitesnake? Aquele não era o tipo de música que pensou que ela poderia gostar. Estava imaginando que ela falasse Lady Gaga ou Beyoncé. Não Whitesnake, que era uma de duas bandas favoritas.
– Você está brincando. – Ele decidiu, arrancando uma gargalhada da garota.
– Não estou. – Exclamou. – Eu gosto de Whitesnake. – levantou os olhos até o rosto dele e riu com gosto. – Essa é a expressão que todos fazem quando descobrem meu gosto musical.
, que tinha o queixo caído e os olhos arregalados, sacudiu a cabeça para os lados e murmurou um pedido de desculpas.
– Eu apenas fiquei surpreso.
– Compreensível. – assentiu. – Eu tenho mais cara de Beyoncé.
– Não posso discordar. – Ele resmungou, fazendo a garota rir novamente. – De qualquer forma… Pensei que poderíamos usar uma música original.
– Como assim? – enrugou a testa, em confusão.
– Montamos os elementos básicos da história. Escrevemos a música e a usamos como base para a peça.
– E de quebra, teríamos a trilha sonora. – exclamou, sorridente. – Ficará ótimo!
– Certo. – sorriu brevemente. – Sobre o que será a nossa peça?
sorriu, antes de explanar todos os temas que achava interesse e junto de , montar um roteiro base, tanto para a música, quanto para a peça de teatro. Se despediram quase duas horas mais tarde, quando avisou que pegaria o turno da noite na sorveteria em que trabalhava e precisava ir. lhe ofereceu a carona, que o garoto gentilmente recusou, afirmando que o ônibus o deixava bem em frente ao seu local de trabalho. passou seu número para e com um beijo no rosto, entrou em seu carro e sumiu pelas ruas da pequena cidade. , muito mais animado do que o costume, caminhou para o ponto de ônibus, cantarolando uma melodia que mais tarde viraria a base para a música da peça.

CENA III

Adam, Emma. Adam anda até o bar, Emma sentada, em um dos bancos, bebendo um drink.

ADAM (Sorri fraco) (Para ao lado de Emma no bar) – Oi.
EMMA (Arqueia as sobrancelhas) (Sorri, com segundas intenções) (Bebe mais um gole de sua bebida)
ADAM (Suspira) – Te vi aqui sozinha e pensei que pudesse querer companhia.
EMMA (Observa Adam) (Misteriosa) – Eu estava bem. (Sorri) – Mas obrigada pela preocupação.
ADAM (Dá de ombros) – Admito meu egoísmo ao vir aqui.
EMMA (Encara Adam) (Curiosa) – Por que diz isso?
ADAM (Olha a sua volta) (Desconfortável)
EMMA (Joga um feitiço na bebida de Adam)
ADAM (Volta a olhar para Emma) – Meu amigo Tedd estava me tirando do sério. E estar com uma garota afasta outras garotas.
EMMA (Ri fraco) (Bebe novamente) – Se com outras garotas você quer dizer Justine, então posso compreender.
ADAM (Exclama) (Acompanha Emma em sua bebida) – Eu não dou a mínima para Justine.
EMMA (Debocha) – E esse coração solitário? Eu nem precisaria de um dardo para parti-lo ao meio. Ele está em pedaços.
ADAM (Sacode a cabeça, negando) – Está enganada.
EMMA (Sorri) (Se levanta, segura a mão de Adam) – Então me prove.

She throws another dart
It narrowly avoids my lonely broken heart
Torn apart

estava jogado na grama, com seus óculos de sol no rosto e os cabelos revirados. Usava um caderno como apoio para a cabeça e tinha um livro em mãos. A brisa leve amenizava o calor absurdo que fazia em Santa Barbara, deixando o clima muito mais agradável que o normal. O violão de estava repousado ao seu lado, junto das palhetas e do caderno de músicas do rapaz. estava sentada perto do violão, usava uma canga para evitar sujar seus shorts jeans e a blusa de alcinhas não a deixava suando. Os cabelos presos em um rabo de cavalo, enquanto ela rabiscava em seu caderno os cenários e figurinos necessários para a concretização da peça de teatro. Ambos tinham período livre de literatura para planejar a peça de teatro. E apesar de aquele ser o terceiro encontro da dupla, a peça estava quase finalizada, pois eles realmente haviam se empolgado com o roteiro e com a canção.
– Talvez devêssemos trocar a cidade mencionada. – A menina murmurou, atraindo a atenção de , que a fitou com interesse. Ele estava lendo um livro que ensinava a escrever peças de teatro, para que pudessem entregar o trabalho escrito da forma correta.
– Por quê?
– Santa Barbara não é exatamente uma cidade mística. – deu de ombros. – Estive pensando em Nova Orleans.
– É uma boa. – assentiu, abandonando o livro e se sentando em seguida. Abriu o caderno em que havia rascunhado a letra da música e após alguns minutos batucando nas pernas e sussurrando a melodia para si mesmo, sorriu orgulhoso e reescreveu algumas linhas. – Agora sim!
Entregou o caderno para , que o pegou com expectativa enquanto passava os olhos pelas frases da música. Abriu um largo sorriso e bateu palmas, extremamente animada.
– Nós vamos tirar a melhor nota nesse trabalho! – Ela garantiu.
– Claro que sim! – concordou, sorrindo de forma boba para a garota. A verdade era que, a cada dia que passava, ele ficava mais encantado por aquela garota do verão. Eles eram tão diferentes um do outro, mas de alguma forma, sentia que seus destinos não haviam se cruzado por acaso. Ele ainda preferia ficar em casa, tocando violão ou lendo, mas chegou à conclusão que poderia fazer isso sentado na areia da praia, enquanto aproveitava o verão que ela tanto amava e surfava. tinha algumas suposições de que deixaria seus livros de lado apenas para observar a garota sorrir.
– O único problema é não termos figurantes. – suspirou. – Precisamos, de pelo menos, mais uma pessoa para interpretar o Tedd.
– Meu irmão pode nos ajudar. – disse. – Ele é dois anos mais novo, mas é tão alto quanto eu.
– Seria maravilhoso! – alegrou-se. – Passarei o final de semana costurando nossos figurinos.
– Tudo bem. – concordou. – Que tal terminarmos essa música?
– É claro! – A menina assentiu. Se esticou até sua mochila, a poucos centímetros de distância, pegando outro caderno e abrindo em uma folha pré determinada. – Tracei mais algumas ideias para o roteiro.
– Sou todos ouvidos. – falou, largando o livro de vez e focando toda a sua atenção em , que sorriu levemente e corou.
– E se Emma usasse uma flecha? Para realizar o sacrifício? – sugeriu. – Eu acho poções tão clichês!
– Ficaria mais dramático. Podemos fazer o efeito do sangue com ketchup. Ou fazer uma receita de sangue caseiro mesmo. – deu de ombros. – Consigo encaixar isso na música.
– Ótimo! – exclamou. – Pensei também em montados três cenários. O primeiro, a sala de estar da casa de Adam. O segundo, sendo o baile da escola com o bar, para a Mrs. Halloween atrair a atenção do Adam e o último, o jardim, onde ela finaliza o sacrifício.
– E usando Nova Orleans, podemos dar todo o contexto da bruxaria de forma convincente. Podemos ambientar nos anos 60 também. – sugeriu.
– Os figurinos ficariam lindos! – concordou. – Espera, vou desenhar! – Ela disse, trocando de caderno e focando toda a sua atenção nos rascunhos que fazia.
E enquanto desenhava, a observava quase embasbacado. Não acreditava que havia perdido dois anos da presença de . Não acreditava que não sabia da existência da garota até duas semanas atrás. Naquele momento, ele poderia afirmar que não via mais um mundo sem os cabelos esvoaçantes da menina e o cheiro de maresia que ela emanava. Ele estava apaixonado, era bem verdade, mas também havia criado laços de amizade com que não poderiam ser desfeitos de nenhuma forma. Eles trocavam mensagens todos os dias, almoçavam juntos quase sempre e estudavam para outras matérias na biblioteca dia sim e dia não. já havia aparecido na sorveteria em que trabalhava três vezes, e eles haviam ficado conversando por horas a fio. , já havia acompanhado a garota a um pequeno torneio de surf no último final de semana. Sem contar os dias que marcavam para realmente preparar a peça de teatro. Eles passavam mais tempo juntos do que se davam conta.
observou a forma como suspirava, quando algo que desenhava não saia como ela queria. Também contou as pintinhas que ela tinha no rosto e a gravou em seus pensamentos a forma como ela mordia o lábio inferior e deixava uma ruguinha se formar entre suas sobrancelhas quando estava pensativa. E foi perdido nesses pensamentos, que o rapaz não percebeu quando o encarou de volta, ainda mais corada do que antes e com um brilho diferente no olhar.
Brilho esse que indicava algo que ela conhecia muito bem e estava abraçando com todo seu coração. A necessidade que sentia de .

TERCEIRO ATO

Jardim de escola pública. Arbustos, árvores, flores, banco de pedra, dois postes de iluminação. Entrada para o ginásio a esquerda. Meia noite.

CENA IV

Adam, Emma. Adam em pé, parado em frente a Emma. Emma sentada no banco.

ADAM (Encara Emma) (Fascinado, sob o efeito do feitiço)
EMMA (Sorri, sedutora) – Talvez você queira conversar sobre Justine.
ADAM (Nega com um aceno de cabeça) – Talvez eu quisesse conversar sobre você.
EMMA (Pisca lentamente) – Sobre mim?
ADAM (Sorri) (Segura a mão de Emma) – As pessoas dizem coisas sobre você.
EMMA (Revira os olhos) – As pessoas dizem muita coisa sobre muitas pessoas.
ADAM (Dá de ombros) – Eu acho que elas estão erradas. (Se inclina para frente, beija os lábios de Emma)

Kissing her lips at midnight
Under the stars and moonlight
But I never thought we’d be this wrong

entrou na sorveteria em que trabalhava com determinação. Usava uns shorts jeans e uma camiseta, junto de seus inseparáveis All Star brancos. Os cabelos presos em um coque frouxo e a pele bronzeada a deixavam com a cara do verão e assim que colocou os olhos nela, pensou que o prefeito de Santa Barbara deveria chamar para modelar nas campanhas turísticas da cidade.
A menina sorriu para ele assim que chegou ao balcão, se debruçando sobre a madeira e lançando um olhar penetrante para . Faltavam cinco minutos para o turno dele acabar e a sorveteria estava quase vazia.
– Oi . – cumprimentou, com animação.
– Oi . – sorriu. – O que te traz aqui?
– Além do maravilhoso sorvete de chocolate com desconto, vim te arrastar para um lugar.
arqueou as sobrancelhas, antes de se virar para a máquina de sorvetes e já providenciar o pedido costumeiro de .
– Que lugar?
– Você será a minha companhia de hoje. Vamos extravasar e ser jovens. – Ela exclamou, fazendo rir.
– Mas nós somos jovens. – Ele retrucou.
– Não é o que o seu programa de passar a noite na Netflix me afirma. – A garota deu de ombros, sorrindo largamente quando lhe entregou o potinho com sorvete de chocolate e muita cobertura.
– Não existe nada de errado com Netflix. – defendeu o serviço de streaming, estreitando o olhar para .
– Assim como não há nada de errado em sair à noite. A vida é muito curta para desperdiçar nosso tempo sem viver cada minuto como se fosse o último. – não se abalou e assim que o ponteiro do relógio parou no número 7, ela fez um sinal para sair de sua frente. – Vamos logo, troque de roupa. Vou te esperar aqui na frente.
E dito isso, ela se virou e seguiu para fora da sorveteria, não sem antes deixar as notas necessárias para pagar o sorvete e deixar uma bela gorjeta. sorriu, antes de seguir para os fundos da sorveteria e trocar de roupa.
Quase 15 minutos mais tarde, estavam os dois descalços, andando na beira da praia, rindo de qualquer besteira que contara sobre um cliente da sorveteria.
– Mas então, você já decidiu para onde vai depois da formatura? – indagou, fitando rapidamente. Batia os pés na areia e sorria, realmente contente por estar em contato com a areia da praia.
– Não exatamente. – O rapaz deu de ombros. – E você?
– Pretendo entrar na UCLA. – respondeu. – Sabe, perto do mar.
– Claro. – sorriu, compreendendo a garota. – Se eu pudesse escolher, iria para Massachusetts. A Berklee College of Music seria minha primeira escolha.
– Você vai ser um músico incrível, . – comentou, e o rapaz sorriu para ela, sem precisar agradecer após aquele gesto.
– E você uma surfista mundialmente conhecida. – Ele falou. – Vai aproveitar verões em todas as partes do mundo.
– Sabe o que é mais estranho do que pensar que estaremos formados em seis meses? – questionou, e a encarou com curiosidade. – Pensar que até três semanas atrás, eu não fazia ideia da sua existência.
gargalhou, puxando pela mão quando chegaram ao pier. Não fizeram questão de colocar os sapatos, então apenas andaram pelas atrações e as barraquinhas de comida.
– Sabe que já pensei nisso? – Ele confessou, ainda rindo. – É muito estranho pensar nisso.
– Deveríamos agradecer a professora Higgins por esse trabalho. – A menina sugeriu, parando em frente a barraquinha de algodão doce, comprando o maior doce para si, que mais parecia uma nuvem cor de rosa.
– Sem dúvidas. Ela merece até um beijo! – riu.
E eles continuaram conversando por horas, enquanto comiam pipoca e doces dos mais variados tipos. Andaram na roda gigante e no carrossel, e conforme a noite avançava, os olhares que trocavam ficavam cada vez mais frequentes e intensos. Resolveram voltar para a praia, onde se sentaram na areia e ficaram observando o mar em silêncio por um longo tempo.
– Obrigado por ter me arrastado para cá. – disse por fim, sorrindo agradecido para .
– Mas nossa noite ainda não acabou! – A menina riu. – As noites são longas e estamos apenas começando.
E com isso, ela se levantou e tirou o moletom e os shorts. Prendeu os cabelos em um coque mais apertado e correu para o mar, se jogando na água enquanto soltava gritinhos animados. Incrédulo, levou alguns minutos para reagir. Apenas quando lhe gritou foi que o rapaz se pôs em pé, tirando as roupas e correndo para o mar apenas de cueca. bateu palmas em animação, mergulhando algumas vezes enquanto se acostumava a temperatura da água.
Ela pegou o rapaz desprevenido ao atirar água em seu rosto e apenas riu, antes de pegá-la pela cintura e girar com em seu colo. A garota ria e gritava, e quanto finalmente a soltou dentro da água, acabou caindo junto com ela e os dois submergiram instantes depois, rindo sem controle.
– Hey, garota do verão. – Ele chamou, quando finalmente parou de rir. o encarou, ainda com o riso frouxo nos lábios, e se surpreendeu quando sentiu os lábios de se chocarem contra os seus. Ela o abraçou pelo pescoço, aprofundando o beijo que tanto desejara por semanas. Quando se separaram, sorriram largamente e sem falar uma palavra, seguiram para fora do mar, vestindo suas roupas novamente.
– Que tal um pouco de Netflix agora? – sugeriu, após calçar seus tênis. o fitou rapidamente, assentindo com a cabeça, para a surpresa do rapaz.
– Só se você me carregar nas costas. – Falou e no mesmo instante se virou, se curvando um pouco e sentindo pular em suas costas no mesmo momento. Segurou-a pelas pernas e ela o abraçou pelo pescoço, enquanto ria e apreciava o cheiro de merecia que ele emanava.
– Você está cheirando a mar. – Ela comentou, rindo baixo.
– Estou cheirando a você. – E dito isso, correu para fora da praia, com as suas costas, rindo como uma criança.

CENA V

Adam, Emma. Adam em pé, os braços em torno da cintura de Emma. Emma com os braços jogados ao lado do corpo.

EMMA (Levanta-se) (Aprofunda o beijo)
ADAM (Suspira) (Se afasta de Emma, sorri encantado) – Você está linda essa noite.
EMMA (Sacode a cabeça para os lados) (Abaixa os ombros) – Você não está vendo com clareza, Adam. Está cego.
ADAM (Sorri) (Abraça Emma com mais força) – Estou intoxicado por você.
EMMA (Levanta o olhar) (Remorso) – Não deveria ser você. (Puxa um dardo do bolso de seu vestido, segura com força)
ADAM (Fora da realidade) (Sorri) – Você parece brilhar. Estou apaixonado por você.
EMMA (Levanta o braço, enfia o dardo no peito de Adam) – Você não está bem, Adam.
ADAM (Arregala os olhos, olha para o ferimento em seu coração) (Murmura, fraco) – Você disse que não precisaria de um dardo. (Cai de joelhos)
EMMA (Se afasta) – Mas preciso do seu coração solitário.

She’s looking good tonight
I love the way she glows in ultraviolet light
Intoxicate my mind
I know that love is blind and i’m not seeing right
I’m not alright

e se abraçaram ao final da peça. A professora batia palmas de forma muito animada, enquanto o restante da turma fazia comentários admirados a respeito do roteiro, da música e da caracterização dos personagens da peça que eles haviam apresentado. O irmão do rapaz realmente os havia ajudado e interpretado Tedd, mas todo o restante ficara por conta deles. Haviam costurado as roupas, montado o cenário e gravado a música que tocava de fundo enquanto eles atuavam.
Por ter sido os únicos a montarem cenários detalhados, haviam sido os últimos a apresentarem o trabalho. Desceram do palco de mãos dadas, sendo encarados por alguns colegas mais desatentos, que não faziam ideia de que o novo casal sensação da Saint Mary’s eram e . Todos dentro da escola falavam sobre eles.
Citavam suas diferenças, suas semelhanças e concordavam que eles faziam um belo casal.
– Meus queridos! – A professora Higgins os chamou com um aceno de mãos, ainda muito animada. Eles se aproximaram, com largos sorrisos. – Eu queria parabenizá-los pelo lindo trabalho. Deveriam apresentar essa peça no show de talentos!
– Prometemos pensar no assunto, Sra. Higgins. – falou.
– Mas nós queríamos lhe agradecer por ter solicitado esse trabalho, professora. – comentou. – Sem ele, não teríamos nos esbarrado. – Sorriu para a namorada, enquanto a senhora Higgins sorria largamente.
– Eu fico muito feliz que tenham saído de suas bolhas sociais. A vida é curta demais para nos limitarmos. – A mulher disse. – Caso exista alguma dúvida, vocês tiraram 10. – E se afastou, deixando ainda mais sorridente do que o costume.
– Eu sempre disse que tiraríamos 10. – Ela comentou, abraçando pelo pescoço e o beijando rapidamente.
– Mesmo se tivesse tirado menos, eu estaria feliz. – O rapaz deu de ombros.
– E por que diz isso? – Ela arqueou as sobrancelhas para ele, curiosa.
– Eu ganhei muito mais do que uma boa nota com essa tarefa. – Sorriu, beijando-lhe novamente, com muito mais vontade.
– Netflix hoje? – questionou, arqueando as sobrancelhas.
– A noite é longa demais. Vamos analisar nossas opções.
sorriu largamente, pulando nas costas do namorado e gargalhando enquanto ele corria pelos corredores da escola. Afinal, seus destinos estavam cruzados e eles gostavam muito de como aquela ideia soava.

Fim.

Nota da autora: Escrever um roteiro é muito mais difícil do que uma narração, é sério. Essa foi a primeira e última vez que eu fiz isso (espero, mas se me derem um emprego eu vou HAHAHHAHA). Espero que tenham gostado, não deixem de comentar <3

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