Uptown Girl

Sinopse: Riqueza para ela nunca foi sinônimo de felicidade. Enquanto vivia num mundo onde seus pais buscavam ter a filha perfeita e onde aparências e status sempre falavam mais alto que os sonhos de qualquer pessoa, a garota estava sempre à procura de um momento onde pudesse ser, de fato, ela mesma. Até que encontrou um lugar, um refúgio, uma pessoa, com quem podia ser quem era e ainda muito mais. Era tudo o que havia desejado um dia.
Até quando teve que escolher entre fazer o que era preciso ou agir totalmente o contrário.
Gênero: Romance, Drama
Classificação: 12
Restrição: Sem restrições
Betas: Olivia W.Z.

Capítulos:

 

“I’m gonna try for an uptown girl
[…]
She’s got a choice”

Parte 1

Era engraçado como as coisas funcionavam. Enquanto estava em seu quarto, enrolada em suas cobertas lendo um romance qualquer pelo que pareciam ser horas e mais horas, ela estava feliz. Entretanto, bastava seu despertador tocar para que sua tranquilidade desaparecesse e desse lugar a uma plena sensação de vazio.
No café da manhã, sentada a grande mesa da sala de jantar com sua família, ela tentava não parecer entediada enquanto comia. Era sempre a mesma coisa, uma rotina constante que já durava anos e não sofria nunca uma alteração sequer.
Seu pai lia o jornal sentado a uma das extremidades, aparentemente alheio a todo o resto. Sua mãe estava em uma das laterais próxima a ele, sentada perfeitamente ereta, enquanto comia mais um pãozinho e recitava as últimas fofocas que ouvira desde a noite anterior. estava de frente para ela, remexendo com uma colher sua intocada salada de frutas, esperando que sua mãe continuasse com o monólogo e não prestasse atenção nela.
Empregados passavam por trás deles o tempo todo, servindo mais chá ou café, entregando correspondências, avisando sobre compromissos importantes ou qualquer informação relacionada à profissão de seus pais, coisa que ela preferia nem saber. Política. Tudo naquela casa era cercado e envolto de camadas e mais camadas de um mesmo assunto. A vida de poderia se resumir a isso.
Nunca foi à escola. Tivera sido educada em casa por tutores, porque estava sempre de um lado para o outro com seus pais, viajando para lugares que nem sequer sabia da existência. Nunca teve amizades fixas, pois na maioria das vezes, as pessoas ligavam mais para o que ela tinha, ao que de fato era. Não tinha permissão de sair de casa desacompanhada ou fazer qualquer coisa sozinha, e, mesmo os empregados, pessoas com quem ela tinha contato sempre direto, não permaneciam muito tempo com seus cargos para que ela criasse algum tipo de vínculo.
Ela nunca teve o privilégio de viver as coisas mais simples da vida: uma festa que durou a noite inteira, uma excursão inesquecível com os colegas de classe, o baile do colégio, uma paixãozinha pelo garoto da rua de trás ou mesmo a cerimônia de formatura. Quando terminou os estudos a única coisa que recebeu foi um certificado com seu nome e um sorriso de seu pai.
Tudo o que fez durante seus quase vinte anos de existência, não foi nada além daquilo que seus pais julgaram ser bom para ela, e claro, para os resultados que tudo aquilo traria mais tarde.
Contudo, também não era como se odiasse a vida que levava. Só achava que algumas coisas poderiam ser diferentes. Toda aquela obsessão por imagem a tirava do sério. Toda a superproteção a deixava maluca. O que havia de errado em sair sozinha e conhecer pessoas? Deixar que tudo acontecesse dentro do seu próprio tempo sem a ajuda de um script? Bom, se realmente havia algo errado, sua mãe nunca lhe contou.
tomou mais um gole do seu suco de laranja e logo começou a pensar em alguma desculpa para poder sair de casa naquele dia, quando alguém se pronunciou antes dela;
– Espero que não tenha se esquecido, , que o evento de caridade de amanhã começa às sete da noite. – Sua mãe avisou empolgada. Qualquer festa onde ela pudesse exibir a filha se tornava quase como o evento do ano. – Robert vai leva-la ao shopping para comprar um vestido novo hoje, para que amanhã você possa ir ao salão fazer cabelo, maquiagem e tudo o que mais quiser.
A garota revirou os olhos. Não via necessidade em sair para se arrumar ou comprar roupas novas se ela poderia se maquiar e fazer o cabelo em casa e ainda usar alguma roupa nova perdida dentro do seu guarda roupa. Mas mesmo que não concordasse, essa era ainda a desculpa perfeita, como sempre, para fugir da realidade que ela não gostava nem um pouco.
– Como quiser, mãe. – respondeu sem se preocupar em fingir interesse.
– Esse evento vai ser muito bom para você, filha. – Disse seu pai, não tirando o olhar do jornal em sua mão. – Muitos homens influentes vão comparecer. Tenho certeza que você poderia se interessar por algum deles. Seria perfeito.
quis se esconder debaixo da mesa e colocar cera nos ouvidos para não precisar ouvir mais nada. Estava tão cheia daquela história!
– Seu pai tem razão. – Continuou a mãe, abrindo um sorriso cúmplice para seu marido. – Sabe, os filhos dos Zummach vão estar lá. Todos já têm carreiras promissoras na política. Você poderia se dar bem com algum deles. A senhora Zummach, da última vez que nos falamos, disse que eles estavam solteiros.
– Não estou interessada. – A garota disse o mais rápido que conseguiu.
Em pleno século XXI e eles ainda achavam que ela namoraria alguém apenas por status e dinheiro.
A garota sabia que muita gente fazia exatamente isso, por bem ou por mal, preferiam uma vida cheia de regalias a uma vida cheia de felicidade plena. às vezes desconfiava que o relacionamento de seus pais era assim. E por isso que sonhava alto em relação a si mesma.
Uma pena seus pais não enxergarem tudo da mesma maneira que ela.
– E por que não, ? Não pode ficar solteira pelo o resto da vida!
– Mãe, não vou namorar ninguém pela quantidade de dinheiro que tem ou pelo cargo que possui dentro de algum partido qualquer só para ter uma vida bem falada com um armário cheio de roupas e sapatos de madame como você quer.
A mulher pareceu ofendida. Até mesmo seu pai pareceu surpreso. Sua mãe levou a mão até o peito e interrompeu o caminho que fazia com a xícara de chá até a boca.
– Que absurdo, ! – Ela exclamou mais alto. – Eu nunca disse isso.
– Mas insinuou, como sempre. – A garota respondeu, se levantando sem pedir licença. – Não é assim que quero meu futuro.
– Não quer ter uma boa vida?
– Não, não quero ter dinheiro e imagem como prioridades.
Por um momento, toda a atenção da sala estava voltada para a discussão das duas. Até mesmo os empregados, que deviam sempre agir da forma mais discreta possível, não conseguiram disfarçar a situação desconfortável qual presenciavam. Mãe e filha se encaravam sem piscar com olhares nada carinhosos.
– Acha que somos tão superficiais assim?
– Olhe ao redor, mãe. O que será que acho?
… – Seu pai a advertiu, o timbre em sua voz perigosamente sério.
– Pai, como que…
– Você tem que nos obedecer! – A mãe a interrompeu de súbito. – Somos seus pais, sabemos o que é melhor para seu futuro. E, se dizemos que você vai fazer algo, então você vai fazer. Não interessa o que seja.
A garota fez menção se dizer alguma coisa, mas seu pai foi mais rápido que ela:
– Ouça sua mãe, . Ela está certa. – Insistiu ele. – Você vai acabar concordando daqui a um tempo. Mas, enquanto não fizer isso, vai fazer o que mandarmos.
– Não vou, não. – respondeu, apertando os punhos contra seu quadril. – Posso decidir o que fazer comigo mesmo! Eu não quero ir amanhã!
– Está agindo como uma mimada.
– E não foi exatamente desse jeito que vocês me criaram?
Ambos a encararam perplexos.
Ela fechou os olhos com força em seguida. Acabara de dizer coisas que não devia, e apesar de querer se sentir minimamente arrependida por tais palavras, não conseguia. Era como se tivesse tirado uma tonelada das costas. Mas soube, assim que viu a expressão de sua mãe, que ela estava por um tris.
– Esta conversa está encerrada. – A mulher disse entredentes, se esforçando para manter o mesmo tom de voz. – Você vai subir, se arrumar e Robert vai leva-la ao shopping. Vai comprar sapatos novos, um vestido que impressione para amanhã e não vai reclamar nem uma vez sobre isso. Senão…
A frase se prolongou no ar. Qualquer que fosse a ameaça implícita, não foi dita.
– Estamos entendidas?
mordeu a língua antes de responder contra a vontade:
– Sim, mãe.
A voz da garota não passou de um sussurro.
O silêncio voltou a reinar enquanto ela subiu para seu quarto o mais rápido que pôde. Sua mãe nunca entenderia como aquelas ideias a deixavam louca, seu pai nunca saberia o quanto ela odiava ser forçada a fazer coisas que não concordava, ambos nunca compreenderiam como os planos deles nunca se encaixaria nos planos dela.
Porém, se ela dissesse o porquê, aí sim eles nunca, jamais aceitariam.
sentia como se estivesse literalmente vivendo o ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Presa entre dois caminhos distintos, mas ambos com grandes consequências: fazer o que seus pais queriam ou o que ela desejava.
Ela precisava escolher logo o que fazer. Cedo ou tarde, ela teria que decidir. E seu tempo, infelizmente, estava chegando ao fim.

***

se olhou no espelho mais uma vez e respirou fundo antes de sair do quarto e ir direto para a garagem, onde Robert, um dos motoristas da família (e talvez seu único amigo ali), a esperava já fazia alguns minutos.
Quando a viu, o homem logo tratou de abrir a porta traseira do carro. Ele esperou que ela entrasse devidamente, só para então seguir até o banco do motorista e sair da casa rumo ao shopping, onde os pais dela disseram que ela deveria ir. Ou melhor, rumo ao local para onde os pais dela achavam que ela iria.
– Você está bem, senhorita? – O motorista a olhou pelo espelho retrovisor assim que viraram a esquina, preocupado com a postura triste que ela transmitia.
– Estou sim, Robert.
– Tem certeza? – Ele insistiu. – Eu ouvi a discussão.
pareceu subitamente mais interessada em analisar suas próprias unhas.
Ela confiava em Robert, sabia que podia contar qualquer coisa a ele. O tinha como alguém muito próximo a si, como se o homem fizesse parte de sua família. Coisa que não era verdade, mas que se dependesse dela seria, pois aquele homem, o mero motorista contratado por seus pais, foi um dos únicos que esteve presente desde sua infância, que muitas vezes cuidava e se importava com ela bem mais que as pessoas que compartilhavam seu sangue de fato.
olhou pelo vidro com melancolia. Ela estava chateada com seus pais, com a forma antiquada com a qual eles estavam lidando com sua vida pessoal. Ela era uma romântica incorrigível, não era justo que eles quisessem controlar até mesmo o que ela fosse sentir por cada pessoa que cruzasse seu caminho. Era como se eles estivessem dizendo “Olha só, filha! Está vendo aquele homem ali no canto de terno, gravata segurando uma taça de champanhe? Pois é, ele pode ser um bom namorado para você, a fortuna dele é enorme. Vai lá e fica com ele!”.
Era ridículo, simplesmente ridículo!
– Eu só… – Ela soltou o ar com força, tentando acalmar seus pensamentos que momentaneamente haviam se tornado mais turbulentos. – Queria que eles pensassem diferente.
– Você podia tentar se abrir com eles, senhorita. – Mas sabia que não era assim tão fácil.
– Eles não aceitariam, Robert. Você os conhece bem o bastante para entender que eles nunca concordariam.
O motorista ficou em silêncio. Não tinha mais o que dizer. Ele concordava com a garota, entendia o medo dela. Mas ele não podia fazer muito mais além de aconselha-la a fazer o que era certo. não era sangue do seu sangue, mas vê-la assim, abatida, era como ver seu próprio filho triste sem poder fazer nada para mudar a situação.
Ele só esperava que houvesse uma reviravolta para aquela história. Ele torcia para isso. E faria o que pudesse para que isso acontecesse.
– Vai vê-lo hoje, senhorita? – Robert perguntou a ela depois de um tempo, prestes a encostar o carro ao meio fio.
– Sim, por favor, Robert! – sorriu minimamente e começou a se animar conforme o tão esperado lugar se aproximava.
O motorista se sentiu um pouco melhor ao ver tirar o semblante sério do rosto.
– Tudo bem, sabe das regras, certo? – Ela assentiu, mas o homem, competente como era, começou a recitar de novo, como das outras vezes: – Quando tiver terminado me mande uma mensagem e fique esperando na calçada. Vou comprar o vestido e o sapato. Se quando voltar sua mãe já estiver em casa, a senhorita só precisa dizer que demorou tanto nas compras porque estava em dúvida dentre qual modelo agradaria mais.
riu baixinho.
– Ela vai gostar de ouvir isso. – Comentou a garota. – Se eu acrescentar ainda que “não podia pegar qualquer coisa” ela vai ficar ainda mais convencida.
Robert tentou esconder o riso.
– Tenho certeza que sim, senhorita.
Ela riu um pouco, de verdade, pela primeira vez no dia e desceu do carro apressada. Correu direto para a mecânica, seu refúgio de (quase) todos os dias, e quando o viu, todo sujo de graxa, com ferramentas quase caindo dos seus bolsos e o olhar analítico sobre o carro, jurou nunca tê-lo visto mais lindo. Foi como se todas as coisas ruins desaparecessem. Ela não queria mais nada.

Nota da autora: Olá, pessoal! Nova história chegando. Deixem a opinião de vocês aí embaixo, viu? Não vão esquecer!
E para quem leu e gostou, enquanto não tem capítulo novo, pode dar uma fuçada nas minhas outras fanfics:

Dear Diary {One Direction|em andamento} – Longfic
Me Ame ou Me Deixe {Original|finalizada} – Shortfic/Oneshot
That’s Enough {Original|finalizada} – Shortfic/Oneshot

Beijos e até a próxima 🙂

observava o carro velho, caindo aos pedaços, com o capô levantado a sua frente e tinha quase certeza que não adiantaria fazer mais nada ali. Ele adorava uma lata velha, mas aquela em questão não tinha mais salvação. Nem mesmo se tirassem todas suas peças e as substituíssem por novas ele voltaria a ficar bom.
Estava pensando em como diria ao dono daquele carro que o único destino dele, depois dali, seria o ferro velho ou um desmanche, quando ele a viu. Seus pensamentos começaram a se confundir, o mundo pareceu parar.
Lá vinha ela, sua garota classe alta.
caminhava com tanta confiança pelo chão de cimento batido com aqueles saltos, que tinha dificuldade de acreditar que alguém como ela, sendo do jeito que é, podia ter escolhido alguém como ele, todo desleixado e nem um pouco elegante, para namorar por tanto tempo.
Ele acreditava ser terrivelmente sortudo.
Tentou rapidamente limpar o suor do rosto com as costas da mão, mas temeu ter sujado ainda mais sua face com a graxa distribuída por toda sua roupa. Passou a mão pelo cabelo e desejou ter tido tempo de passar água sobre ele para diminuir a sujeira. Contudo, não pareceu se importar se estava ou não apresentável para ela. Assim que atingiu uma distância menor de 20 cm dele, ficou na ponta dos pés e o beijou como quem não o fazia há dias.
sorriu e quase não se conteve em passar o braço pela cintura dela e sujá-la toda com uma mistura nada agradável de suor, óleo, graxa e outros resíduos de carros. Ainda assim, não queria saber de detalhes pequenos do tipo, pois embrenhou seus dedos finos por entre o cabelo dele e o manteve o mais perto de si que podia.
– Assim você vai ficar toda suja!
– Acha que me importo com isso? – Ela devolveu com um sorriso ainda maior. – Não ligo para uma sujeirinha ou outra, estava com saudade de você!
– Eu também, meu amor, na verdade ainda estou.
– Para resolver isso é só chegar um pouquinho mais perto.
Ela o olhou sugestivamente, arqueando uma sobrancelha e levantando um dos cantos da boca com malícia. Se ela estava brincando ou não, não sabia, mas esperava por uma resposta. Infelizmente tudo o que ele conseguiu falar foi uma ou outra sílaba perdida que não chegaram a formar uma palavra sequer.
O garoto queria dizer algo, só que, como sempre acontecia quando estava com o olhando daquela maneira, as palavras perdiam-se em sua boca e confundiam-se sua mente. sentia-se um pateta por isso.
Ela, entretanto, costumava achar graça de quando seu namorado se atrapalhava, e para compensar todo o constrangimento que ela sabia que ele sentia, o beijava exatamente da mesma forma que fizera agora. A garota só se esqueceu, diga-se de passagem, de todas as outras pessoas que estavam ali os observando.
– Cara, será vocês podem deixar para se agarrar depois?
– Quase todo dia é a mesma coisa!
se afastou e riu, suas bochechas coraram pelos comentários feitos pelos colegas de .
– Intrometidos. – Reclamou o garoto, mas não estava bravo de fato.
– Ih, já vai começar a encher o saco, cara?
– Mas ainda nem é meio dia pra isso!
– Vamos, vamos, garotos. – Se apressou Steven, tio de e dono da mecânica. – Voltem ao trabalho, tem muita coisa ainda a ser feita.
Os dois rapazes se cutucaram, ainda provocando de longe, mas seguiram o que o velho tinha pedido e sem demora já se concentravam mais uma vez em seus próprios afazeres. Mais tarde poderiam fazer piadinhas sobre o casal.
Steven caminhou até o garoto e a garota, balançando a cabeça de um lado para o outro como se achasse graça das brincadeiras. Seu macacão cinza também estava sujo, mas não tanto quanto o do sobrinho. O homem de cabelos grisalhos e sorriso caloroso não andava muito bem ultimamente, e por isso, passara os últimos dias o mais longe possível do trabalho pesado, esse que infelizmente, ele não podia e nem queria evitar por completo.
– Achei que tinha desistido da gente aqui, menina. – Steven disse quando abraçou brevemente .
– Quanta fé em mim, Sr. Wilson. – Ela respondeu em tom de brincadeira.
– É verdade! Esse garoto aí só estava faltando me enlouquecer.
– Tio…
– Cada dia que ele não te via, era um discurso diferente!
– Ah, é mesmo? – Ela se virou sorrindo para , que outra vez se mostrava envergonhado.
– Acredita que na terça feira ele ficou tocando piano até quase de madrugada só porque você estava ensinando ele? Não sei, não, mas acho que ele já decorou todas aquelas partituras.
sentiu algo se aquecer dentro dela quando olhou de Steven para .
– É sério?
– Ah, menina, você não sabe nem metade! – Exclamou o homem.
– Na verdade…
– Shh! – Ela cutucou quando percebeu que ele estava tentando calar Steven. – Deixa seu tio falar! Quero saber das coisas que você não me conta.
– Por que é tão curiosa? – reclamou e repetiu a pergunta, imitando a voz de seu namorado.
Steven riu da pequena discussão dos dois e não disse mais nada. Ele gostava de vê-los juntos, acreditava fielmente que era a melhor pessoa que poderia ter entrado na vida de , principalmente depois de tudo que aconteceu nos últimos anos com seu garoto antes de ela aparecer. era o brilho nos olhos do sobrinho, algo como um milagre, definitivamente.
Depois de um momento de pequenas provocações entre os dois, ela resolveu partir para ao que realmente interessava:
– Ainda falta muito para seu almoço?
pensou em falar que não, porém olhou novamente para a catástrofe do carro que ele ainda precisava dar um jeito e acabou fazendo uma careta.
– É, bem…
– Te dou a tarde de folga. – Steven interrompeu o sobrinho.
– Como?
– É isso mesmo, garoto. – O homem riu da cara de surpresa do outro. – Eu cubro seu serviço por hoje.
– Mas tio, você não pod…
– Oras, está querendo dizer o que eu posso ou não fazer? – O tom era de brincadeira, mas Steven o olhou sério.
– Vamos lá, ! – segurou seu braço. – Não é como se você pudesse prendê-lo em uma cadeira e impedi-lo de trabalhar. Se seu tio falou, então está falado!
O garoto hesitou por um segundo. Não queria deixar seu tio na mão ou fazendo mais coisa que o necessário, mas queria um tempo só com sua namorada também.
– Escute sua garota. – O tio insistiu mais uma vez.
Com um suspiro acompanhado de um sorriso contido, o garoto segurou a mão de e agradeceu Steven com um aceno de cabeça enquanto deixava o loca pelo resto do dia, decidido a passar as próximas horas com ela o mais distante possível de qualquer lugar que os distraísse.

***

– Quais os planos para hoje? – perguntou a logo depois de sair do banheiro devidamente limpo e de roupas trocadas, como já há muito gostaria de estar, especialmente para ela.
– Bem, até onde meus pais sabem, estarei no shopping o dia todo. Robert está me dando cobertura. – Ela deu de ombros, fingindo não se importar. – Então imagino que podemos fazer o que quisermos até umas seis ou sete da noite.
O garoto riu, divertido pela animação dela.
– Qual o motivo das compras dessa vez?
O sorriso de vacilou por um segundo, porém, ela conseguiu segurar bem suas emoções e ir pelo caminho mais seguro:
– Ah, só mais um evento qualquer… – Ela começou dizendo. – Meus pais estão empolgados, aquela coisa de sempre. O que importa é o que nós vamos fazer hoje!
notou que sua explicação parecia bastante vaga, mas não quis forçá-la a dizer o que não queria. Sabia que se ela não estava se sentindo confortável em falar, coisa boa não deveria ser. Contudo, entre deixá-la triste e fazê-la contar ou deixá-la feliz e tirá-la dali para algo bem divertido, definitivamente ele escolheria a segunda opção.
– Que tal uma volta pelo centro?
– Sabe que eu amo uma volta pelo centro. – Ela concordou, abrindo um sorriso cada vez maior. – Ainda mais se for com o meu garoto do centro.
passou seu braço pelos ombros dela e beijou seu rosto.
– Então está decidido. – O namorado de assentiu, se sentindo levemente melhor. se aproximou dela ainda mais e a enlaçou pela cintura. – Começamos almoçando no seu lugar preferido, depois podemos ir ao cinema assistir um filme bem cheio de drama para que a gente possa se divertir com comentários bobos depois e encerrar a tarde com uma volta no parque para relaxar e fugir de quase tudo que seja superficial. Ah, e claro, podemos também nos beijar entre uma coisa e outra, mas isso é detalhe.
o abraçou pelo pescoço enquanto riu e encostou seus lábios no dele. O beijou como nunca, com vontade, até sentir o ar faltar em seus pulmões, da maneira que vinha querendo fazer desde que o vira mais cedo.
– Então vamos lá, meu amor. – Ela murmurou acariciando seu cabelo. – Sua garota classe alta está esperando por você.

***

Horas e horas depois, eles ainda sentiam como se tivessem se passado apenas alguns poucos minutos juntos. O tempo simplesmente voava.
Andavam pelo parque da cidade, abraçados, rindo de mais uma piada interna enquanto compartilhavam uma casquinha de sorvete, quase completamente derretida.
Já era fim de tarde e o sol começava a descer no horizonte. Logo teria que ir, e, por isso, se esforçava o máximo que podia para fazer com que o tempo, se possível, parasse (o que era obviamente impossível), ou ao menos fosse bem aproveitado.
Ao chegarem em certa parte do parque, onde não havia muitas pessoas e o espaço parecia mais aberto, com as árvores mais afastadas e a grama mais limpa, ele sugeriu para que ambos se sentassem no chão e observassem o sol desaparecer por entre os prédios.
– Se você sugerisse isso da primeira vez que saímos, eu nunca teria te levado a sério. – comentou rindo baixinho.
– Ué, e por que não?
– Eu achava que você fazia o tipo durão. – não resistiu ao impulso de rir da pequena observação de sua namorada.
– No começo talvez eu fosse durão mesmo, mas agora não mais. – Ele admitiu.
-Ah, não? – Ela o provocou. – E por quê?
– Na verdade é algo bem óbvio. – Ela lhe deu um meio sorriso. – Só sou assim agora porque sou apaixonado por você.
deixou que seu sorriso ocupasse cada centímetro do seu rosto para então se inclinar levemente e encostar seus lábios no de . O beijo teve sabor de chocolate graças ao sorvete que estavam tomando.
– Eu amo ouvir você dizendo isso. – Ela murmurou para ele.
– E eu amo receber beijos, então pode ter certeza que vou repetir várias e várias vezes.
A garota soltou uma risada quase envergonhada e se sentou no gramado em seguida, sendo acompanhada por logo depois. Um encostado no outro, relaxaram por um instante, aproveitando o momento que compartilhavam. Quando já não se podia ver nenhum raio solar sobrando no céu, e as cores deixavam de ser azul claro, passando para lilás, roxo e quase azul escuro, os dois se deitaram ali mesmo.
O garoto passou o braço pela cintura de e a puxou para mais perto. Fez um comentário ou outro sobre qualquer coisa aleatória, mas tudo que recebeu como resposta foram alguns murmúrios distraídos dela.
O silêncio que ela fazia não era comum assim da maneira que estava sendo. O garoto começava a ficar preocupado com isso, imaginando que talvez o motivo, por alguma razão que ele não sabia, fosse ele.
beijou a testa de , e, enquanto via o olhar dela perdido no céu que começava a ficar salpicado de pontinhos brilhantes, perguntou:
– O que aconteceu?
pareceu surpresa com a pergunta.
– Não aconteceu nada. – Ela tentou deixar sua hesitação passar despercebida.
– Eu te conheço, . – Dessa vez precisou insistir. Tinha que saber o que estava errado. – Por que não me conta?
A garota pareceu perder o foco do que falavam por um pequeno instante, então fechou os olhos com força e soltou o ar numa lufada.
– Meus pais, é isso que aconteceu.
– O que houve dessa vez?
Ele sabia como a vida de com os pais era conturbada. Sabia que era uma relação muito fraca e quase sem comunicação. Na maior parte do tempo eles sempre estavam discutindo e por isso ela pouco falava deles. Evitava relatar acontecimentos, mas acabava contando, uma hora ou outra, cada detalhe a ele numa busca frustrada de conforto. Só que dessa vez, ela agia diferente, como se quisesse esconder, e não estava gostando nem um pouco desse novo jeito que ela mostrava agora.
– Nós discutimos essa manhã. Muito. – disse. – Amanhã, como eu disse, vai ter outro daqueles eventos de caridade meio extravagantes que eles amam, e minha mãe está doida comigo por eu não estar animada e nem querer participar daquilo. Ela espera que eu impressione os filhos das amigas dela.
– Impressionar em que sentido?
– No sentido de chamar a atenção, conquistar.
Por um instante o garoto ficou perplexo.
Conquistar?
– É, ela quer que eu namore com alguém influente ou qualquer coisa assim.
– Ela quer que você namore? – O garoto ficou momentaneamente indignado. Ela já tinha um namorado. Ele! Tudo bem, ninguém sabia dos dois, pelo menos ninguém do lado dela, mas ainda assim… – Sua mãe é doida?
– Definitivamente. – Ela concordou. – Acredite, eu tentei dizer a ela que isso era ridículo, mas falar com minha mãe, ou mesmo com meu pai, é ainda pior que falar com os quadros da parede. Eles não ouvem nada que não seja o que querem!
Houve uma pequena pausa entre o diálogo dos dois. Não era como se tivesse argumentos ou que ela tivesse algo de bom para acrescentar. Ele só queria poder fazer sua namorada se sentir melhor.
– E o que você vai fazer?
– Nada. – Ela respondeu simplesmente. – Não posso fazer nada senão o que eles querem. Quer dizer, pelo menos fingir que concordo com alguma coisa. Não quero ir.
soltou um grande suspiro.
– Queria poder ir com você. – Ele disse. – Te distrair de tudo que te incomoda.
– É, eu queria que isso fosse possível. – Ela respondeu num tom bem longe de ser animado.
Contudo, não era isso de fato que um queria dizer ao outro, era algo muito maior. Não se tratava apenas daquele evento, mas tudo. Estar juntos sempre, em todos os momentos, em todos os lugares. Poder viver um romance abertamente como quaisquer outros casais faziam. Seria como um sonho realizado.
abraçou mais forte, sentindo seu calor e a sensação reconfortante que aquilo lhe trazia.
– Eu queria poder ficar com você assim o tempo todo, não só às escondidas. – Ele murmurou baixo, finalmente colocando em palavras toda sua frustração.
O coração dela se apertou.
– Queria que as coisas fossem mais fáceis entre nós dois. – Ela comentou. – Mas às vezes acho que se fosse fácil, não estaríamos aqui agora.
O garoto concordou abrindo um sorriso inesperado. A tensão entre ambos começou a dissipar.
– Às vezes eu acho que vou perder a cabeça com tudo isso. – confessou. – É algo tão intenso dentro de mim, que sinto como se mesmo que eu quisesse e tentasse, nunca conseguiria desistir disso, sabe? Acho que sou um cara de sorte em ter o que temos.
Eles se olharam olhos nos olhos, as pupilas dilatadas. Ela sentiu sinceridade em suas palavras, e acima de tudo, amor. Tudo nele transbordava amor.
– Se isso que temos for realmente sorte – Falou . –, então eu seguirei com isso até que ela se esgote.
– Isso não importa. – Seu namorado sorriu ainda a olhando. – Mesmo que a sorte acabe, eu vou lutar por você. Não interessa a situação, meu amor. Sempre vou lutar pela minha garota classe alta. É uma promessa.
– Eu acredito em você. – Ela murmurou, tocando o rosto dele com a ponta dos dedos. – Acredito e digo que faria o mesmo. Sempre lutarei pelo meu garoto do centro, não importam as consequências. Também é uma promessa.
se inclinou sobre ela e a beijou, selando o juramento.
Não haviam dito tudo, mas haviam dito muito. Talvez parte do sentimento que tinham um pelo outro, havia sido colocado em palavras naquela tarde, mas não chegava nem perto da intensidade do todo. Agora era fácil perceber. Eles fariam sim qualquer coisa um pelo outro, qualquer coisa para continuarem juntos.
Não importa para onde isso os levasse.

Nota da autora: Hey, pessoa! Espero que estejam gostando. Deixem a opinião de vocês aí embaixo, viu? Não vão esquecer!

E para quem leu e gostou, enquanto não tem capítulo novo, pode dar uma fuçada nas minhas outras fanfics:
Dear Diary {One Direction|em andamento} – Longfic
That’s Enough {Original|finalizada} – Shortfic/Oneshot

Beijos e até a próxima 🙂