Venice Bitch

Venice Bitch

  • Por: Karolyne Cox
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 10177
  • Visualizações: 148

Sinopse: A turnê chega ao fim, mas as aventuras estão apenas começando… (Continuação de 10. The Next Best American Record).
Gênero: Romance, Drama.
Classificação: Livre.
Restrição: Os nomes, August, June, Nolan, Norman e Robert estão em uso.
Beta: Sofia Alonzo.

CAPÍTULO ÚNICO
Planos.
A banda toda estava reunida dentro do avião enquanto cada integrante contava dos seus planos para a pequena férias que tiraríamos antes de voltar para o estúdio compor um novo álbum. August iria para uma trilha em algum lugar distante com seus amigos, ele não tinha um bom relacionamento com seus pais.
Robert por um outro lado não desgrudaria da sua namorada por nada nesse mundo e viajaria com ela para algum lugar romântico.
Me passava pela cabeça a certeza que eles iriam para a Grécia e rolaria um pedido de casamento, ele havia comprado um anel muito bonito na nossa passagem pela Itália.
Norman ficaria pela Califórnia mesmo, curtiria a sua família e passaria horas e horas enfurnado dentro do estúdio da nossa gravadora. Nosso novo álbum seria um desafio e tanto, diga-se de passagem. Desta vez, seria diferente, os meus companheiros de banda expressariam suas experiências e as transformariam em belas canções.
Norman não era muito a favor disso, alegando que as composições seriam péssimas, homens só sabiam escrever sobre sexo, dinheiro e loucuras.
Mas eu estava me recusando a escrever, um verso que fosse, sobre qualquer coisa.
Então deixei bem claro antes de sair do avião assim que ele pousou em nossa tão amada Califórnia.
— Você escreve, eu faço a turnê, nós fazemos isso funcionar. – digo antes de colocar meus inseparáveis óculos de sol me dirigindo ao carro preto que já me aguardava para partir rumo à casa dos meus pais, de cabeça baixa ignorando alguns fotógrafos que nos aguardavam.
O aeroporto de Long Beach poderia ser considerado com toda certeza o pior lugar do mundo para mim, pisar naquela pista de voo que ainda tinham claras marcas no chão que me faziam relembrar vivamente cada cruel segundo de terror que passei esperando que todo esse pesadelo acabasse e que ele, meu eterno marido, ainda estivesse comigo.
Mas nada sai como nós planejamos.
Dou risada comigo mesma olhando a paisagem pelo vidro do carro.
É incrível como a vida muda de rumo tão facilmente e você é obrigado a se adaptar à todas as suas mudanças.

FLASHBACK ON
“— Onde vamos passar as nossas férias? – pergunto a com a mala aberta em cima da cama, esperando sua resposta para colocar o tipo de roupa necessária para nossa aventura. — Preciso arrumar minha mala, .
, que tinha acabado de sair do banho e estava apenas com a sua toalha enrolada na cintura, ponderou sua resposta ao deitar-se ao lado da mala me puxando pela mão para deitar-se também.
Sorri ao beijá-lo, ele passou sua mão ainda molhada pelo meu rosto encarando-me nos olhos.
— Bom, dizem que a Europa é frio – respondeu contra meus lábios. —Então, lhe aconselho roupas quentes.
— Humm, o que vamos fazer na Europa? – pergunto me afastando para que ele me respondesse antes de me beijar. — Não sou uma pessoa muito apta ao frio.
— Vamos ir à Europa como turistas, conhecer museus e todos os pontos turísticos que conseguirmos. Você sempre vai à Europa para trabalho, conhecendo a cidade apenas pela janela do quarto do hotel, achei que gostaria de ir a passeio e ter minha companhia.
— A sua companhia é a melhor que existe, – confesso antes de beijá-lo.”
FLASHBACK OFF
Sequei uma lágrima teimosa ao lembrar-me das minhas últimas férias.
Westin, o meu segurança particular, me olha pelo retrovisor com o seu tão conhecido olhar de compaixão, ele mais do que nenhuma outra pessoa sabia o que voltar para casa significava para mim.
Durante toda a turnê, podia contar nos dedos a quantidade de vezes que pisei na minha própria casa durante todo esse tempo.
Sempre preferia um quarto de hotel, ou até mesmo a casa de algum dos meus amigos, tudo para fugir das lembranças que permaneciam vivas naquela casa.
Porém, Topanga não era mais meu lar, havia colocado a casa a venda há um mês atrás e como as notícias voam, logo os compradores fizeram fila para ter a minha casa.
Pelo celular, minha mãe me avisava por mensagem que hoje à noite teríamos um jantar importante com a família e alguns amigos e perguntou se eu tinha alguma preferência de comida, apenas mandei uma mensagem negando.

***

Assim que o carro estacionou em frente à casa dos meus pais o meu coração batia mais rápido e um sorriso maroto tomou conta dos meus lábios, era bom estar de volta ao lar. Saí do carro rapidamente andando pela rampa que me levaria a porta que já era aberta por minha mãe que corria em minha direção me agarrando em seus braços.
— Oh minha filha, quanto tempo – ela exclamou me apertando em seus braços. — Sentimos tanto a sua falta – murmurou em meu ouvido antes de encher de beijos o meu rosto todo.
— Eu também – digo no mesmo tom olhando por trás de seus ombros, sendo observada pelo meu pai que tinha o meu irmão mais novo nos braços, sorri soltando minha mãe e encaixando-me em um abraço com os dois homens mais importantes da minha vida. — Você está enorme, Nolan – pego o bebê que deveria estar com uns quatro anos se não me falha a memória nos braços.
Posso ver um sorriso formar em seus lábios mesmo com a chupeta na boca, ele me abraça encostando a cabeça com a minha como não fazia há muito tempo.
— Onde está June? – pergunto ao meu pai ao perceber que minha irmã do “meio” não veio me cumprimentar, passando para o lado de dentro da casa radiante por estar tudo conforme eu ainda me lembrava.
— Na piscina com Kaleb – meu pai disse com cara de poucos amigos.
Arqueei a sobrancelha curiosa. Quem será esse Kaleb? Pensei comigo mesma, olhando para Nolan que brincava com o pingente do meu colar.
, com licença – Westin pediu entrando logo atrás da minha mãe com as minhas malas – Onde posso deixar suas malas, querida? – perguntou sorrindo, ele era incrivelmente adorável.
Antes que eu pudesse responder, minha mãe foi mais rápida se encarregando de pedir para que ele levasse tudo para o meu quarto no andar de cima.
— Venha, vamos lá para fora – meu pai me chama passando por toda sala até a porta de vidro que nos levaria a área da piscina, pude ver minha irmã na piscina tomando sol deitada na mesma boia de colchão junto com um garoto, aquele deveria ser o tal de Kaleb. — June, venha cumprimentar a sua irmã!
– June arregalou os olhos ao me ver, desequilibrando do colchão fazendo ela e seu amigo caírem na água.
— June, sua louca – o garoto exclamou após voltar a superfície.
June apenas lhe mostrou a língua antes de aproximar-se da borda da piscina subindo em minha frente ao tomar um pequeno impulso, abaixei-me para colocar Nolan no chão e abri os braços recebendo um abraço molhado da minha irmã mais nova.
— Você está enorme – comento segurando seu rosto entre as mãos, ela dá um sorriso e percebo que está usando aparelho. — E está linda! – a elogio antes de apertá-la entre meus braços novamente.
— Eu senti sua falta – June disse fazendo bico.
— Vou passar tanto tempo aqui que vai até enjoar de mim.
— Nunca vou enjoar de você, . – abraçou-me novamente.
— Ótimo! Porque temos muitos show parar curtir durante as férias – a lembro do nosso passatempo favorito que era ir aos shows de quem a minha irmã mais admirava.
— Mal posso esperar para ver Taylor novamente e vou adorar ir a um show da Dua Lipa – June disse dando pulinhos em minha frente e batendo palmas — Vai entrar na piscina com a gente? – perguntou apontando para a piscina.
— Não antes da mocinha me contar, quem é esse mocinho? – aponto para o garoto que segurava Nolan sentado na borda da piscina.
— Vem aqui, Kaleb – June segura o bebê o afastando da piscina, enquanto o garoto saía da água ficando frente a frente com as bochechas coradas. —Kaleb, essa é a minha irmã , você já conhece ela, mas ela não te conhece então, esse é o Kaleb Coleman, meu melhor amigo.
Kaleb Coleman era um garoto de doze anos de idade, sua pele era clara e seu rosto era preenchido por várias sardas espalhadas pelo seu nariz e embaixo dos olhos, seu sorriso era “metálico” igual ao de June de aparelho, tinha os cabelos da cor castanho escuro caídos em uma franja, mas nada de estilo Justin Bieber, ele era magro e usava uma bermuda amarela que eu percebi que combinava com o biquíni da minha irmã que era amarelo e rosa.
Não posso negar que eles eram fofos, June tinha poucos centímetros de diferença de tamanho para o garoto, seus cabelos louros dourados estavam presos em duas tranças.
— Melhor amigo ou namorado? – zombo ao cumprimentá-lo com um beijo no rosto.
— O Sr. Ross disse que só podemos namorar depois dos quinze anos – Kaleb rebateu olhando para June que lhe deu um tapa no ombro. – Ai, é verdade ué.
— Ele ainda foi bonzinho só falta mais três anos – comento ao lembrar que minha irmã já estava com doze anos.
O tempo passa voando quando se está longe de casa.
— Eu aguento esperar – Kaleb respondeu sorrindo olhando para June. — O que foi, June?
A mesma arregalou os olhos antes de o empurrar de volta para dentro da piscina e pulou em seguida me molhando por completo.
Como era bom estar de volta a minha família.
— Ei, , olha quem temos aqui… – meu pai chamou minha atenção o olhando parado ao lado do portão de madeira nos fundos do quintal, eu sorri abaixando-me no chão esperando o que estava por vir.
Não demorou muito para o Husky Siberiano todo branco e olhos azuis correr em minha direção todo agitado e pular eu meu colo, cheirando-me antes de começar a latir dando várias lambidas em meu rosto.
— Blanc, você está enorme, garotão. Você é um garotão enorme agora – digo ao abraçá-lo com força alisando seu pelo macio enquanto ele continuava sua festa elétrico em meus braços.
FLASHBACK ON
, aonde está me levando? – perguntei entre risos por estar tropeçando a cada passo que eu dava em tudo enquanto me guiava para algum lugar.
Estávamos na praia andando na orla e de repente recebeu um telefonema o que fez saímos correndo para o carro. Ele vendou os meus olhos com uma camisa xadrez, seguimos viagem com o rádio ligado em um volume bem alto, tudo para distrair-me completamente e perder a noção de tudo.
— Calma, meu amor, eu estou aqui com você, não precisa ter medo – ele disse transmitindo calma em seu tom de voz. — Você vai adorar a surpresa.
— O que é? – insisto, mesmo sabendo que era inútil, tropeçando novamente.
— Ai ai. Chega cansei de rir de você caindo… – passou o meu braço por cima de seus ombros pegando-me no colo com facilidade, eu passei o meu braço livre em seu corpo para não cair.
Tudo estava em completo silêncio, aquilo fazia o meu coração disparar sem noção alguma do que estava por vir.
colocou-me sentada no chão, estávamos em um jardim, conseguia sentir o pinicar da grama.
— Pode tirar essa venda – o ouvi de longe dizer.
Assim que tirei, olhei para todos os lados a nossa volta, estávamos no jardim da casa dos meus pais, os mesmos estavam nos olhando da porta da sala gravando o que acontecia.
saiu de dentro da casa com uma enorme caixa branca cheia de corações vermelhos em mãos, era realmente enorme. Sentou em minha frente com um sorrisão de orelha a orelha.
— Surpresa! – disse apontando para caixa.
— Ai. Meu. Deus. – digo pausadamente levando as mãos ao rosto. — Qual é a loucura dessa vez, ?
— Bom, digamos… Que a nossa família vai aumentar um pouquinho, talvez fique maior com o tempo – ponderou balançando a cabeça.
— O que é? – pergunto mordendo os lábios.
— Abra a caixa, Ross. – disse, aproximando mais ainda a enorme caixa de mim.
Eu olhei para a minha família antes de tirar a tampa da caixa, que desmontou por inteira as quatro partes revelando um filhote de husky siberiano em seu interior, com um laço vermelho de cetim em volta do seu pescoço, ele tinha os olhos azuis claros como a água da nossa piscina e me olhava balançando o rabo.
O peguei no colo rapidamente, ele começou a lamber o meu rosto sem parar, fazendo com que eu sentisse seu cheirinho de leite, gravava a minha reação com o seu celular em mãos.
— Qual vai ser o nome do nosso filho, mamãe? – perguntou me deixando com essa difícil tarefa.
— Humm… Ele irá se chamar Blanc, papai. – digo de imediato escolhendo o nome para o nosso filho canino.
— Blanc – ele repetiu após guardar o celular e sentar-se ao meu lado.
— Significa “branco” em francês.
apenas concorda com a cabeça passando a mão nas costas do filhote.
— Bienvenue dans la famille, Blanc. – ele disse boas vindas em francês, antes de selar nossos lábios.’’

FLASHBACK OFF
Após mais uma lambida de Blanc em meu rosto, eu só conseguia lembrar-me de e o quanto sentia sua falta nos meus lábios.

***

Após uma longa tarde, tomando um tão precioso banho de sol, ao entardecer todos nós entramos para nos arrumar para o jantar, antes que nossos convidados chegassem e nós ainda estivéssemos em trajes de banho.
Ao sair do banho com uma toalha enrolada ao meu corpo e uma enrolada em meus cabelos, observei as minhas duas malas abertas em cima da cama em dúvida do que usaria no jantar.
Não era um jantar importantíssimo, não teria fotógrafos muito menos toda uma imprensa querendo saber da minha vida. Ao contrário, era apenas um simples jantar com as pessoas da minha família e alguns amigos dos meus pais.
Optei por usar um vestido simples na cor preta e canelado e por cima a minha inseparável jaqueta jeans com os meus cabelos presos ao rabo de cavalo e uma maquiagem bem de leve acompanhado dos meus famosos e confortáveis tênis.
Tirei uma foto no espelho do banheiro postando no stories do meu Instagram, não queria sumir de vez das redes socias e continuar com a fama de sofredora que eu estava tendo ultimamente.
? – ouvi June me chamar. — Posso entrar?
— Entra – disse ao voltar pro quarto e vê-la abrindo um sorriso ao perceber que estávamos usando vestidos quase iguais.
O vestido de June era todo fechado e seus cabelos estavam presos em um lindo coque no topo de sua cabeça, não pensei duas vezes em puxá-la para tirarmos foto juntas e postar.
— Precisa de alguma coisa? – pergunto sorrindo.
—Não – negou com a cabeça indo sentar-se na beirada da cama. – Eu queria te fazer um convite. – voltei ao quarto ficando em sua frente de braços cruzados. — Amanhã a família do Kaleb vai acampar e eu gostaria de saber se você poderia ir comigo.
Mordi o lábio inferior.
Eu não acampava desde os meus quinze anos, não era muito a minha praia.
— Mamãe me explicou que pode ser perigoso para você, mas é uma área reservada não tem perigo… Westin pode nos acompanhar, não pode?
— Bom… Como eu acabei dando férias para Westin, não estava nos meus planos fazer nada que me colocasse em “risco” – digo tentando me livrar daquela responsabilidade no momento e tentando não estragar o clima do nosso jantar.
— Eu não sabia desse detalhe – desapontou-se. – Mas o irmão mais velho do Leb vai estar conosco, ele pode te proteger de qualquer coisa – deu de ombros. – É apenas uma noite.
— Vou pensar sobre, tudo bem? – perguntei.
— Tudo bem. Mas pensa com carinho – June veio ao meu encontro abraçar-me. — Enquanto pensa, poderia me contar as loucuras que seus fãs fizeram nessa tour?
— Sem dúvidas, a maior loucura que aconteceu foi uma brasileira chamada Giovanna pulando dentro da piscina do nosso hotel no Rio de Janeiro com uma faixa com os nossos nomes, ela ficou toda enrolada na faixa não sabia nadar e o Norman pulou para resgatá-la.
— Eu vi essa notícia na MTV, mas não imaginei que fosse verdade – June comentou boquiaberta – O que aconteceu depois que ela saiu da água?
— Ah você sabe, ela ficou em choque, começou a chorar, quase desmaiou de nervosismo, aí falava com a gente e se travava toda no inglês… Depois de uns quarenta minutos ela se acalmou, a gente conversou tranquilamente, tomamos um lanche e depois Westin a levou para casa.
— Onde ela conseguiu um helicóptero? – June perguntou. – O Brasil é tão evoluído que tem Uber de helicóptero?
— Não – ri negando com a cabeça – Ela contou que pagou por uma hora de voo para conhecer os pontos turísticos do Rio de Janeiro, mas que nas alturas ameaçou o piloto caso ele não sobrevoasse o nosso hotel.
— Sempre ouvi boatos que os brasileiros eram fãs loucos, agora eles confirmaram esses boatos com toda certeza do mundo.
— Eu pensei a mesma coisa quando voltei para o meu quarto naquela tarde – concordo com a cabeça — O que acha da gente descer? Já está na hora.
June concordou com a cabeça fazendo-me suspirar aliviada ao sair do quarto, encontrando-me com a minha mãe no corredor colocando seu par de brincos na orelha enquanto permanecia parada em frente ao quarto de Nolan, o vendo andar em sua frente com um brinquedo em mãos.
Sorri ao andar em sua direção o pegando no colo e recebendo um sorriso agradecido de minha mãe.
Ao descermos as escadas, me deparei com o meu pai jogando vídeo game distraidamente com Kaleb e aquela cena fez o meu coração apertar.
FLASHBACK ON
— Temos um campeão invicto! – disse apontando para que ganhava mais uma partida do meu pai o fazendo jogar o controle na almofada ao lado, assustando o nosso pequeno filhote que dormia no sofá.
— Desisto. Quando você não está voando, você deve jogar esse jogo vinte quatro horas não é possível. – disse o meu pai cruzando os braços fazendo rir da sua indignação.
— Pior que não, sua filha não deixa… – fez bico.
— Ainda bem que sabe quem é que manda. – empino o nariz jogando o cabelo para o lado.
— Mas quando ela sai, ninguém me tira da frente da televisão – murmurou a última parte mais baixo na intenção que eu não soubesse.
O que lhe rendeu um tapa bem dado no braço.
— Norman e Robert odeiam jogar com justamente porque não sabem perder, único que o faz perder é o August. – comento com o meu pai, que não vê os meus companheiros de banda a algum tempo.
— Vamos marcar uma reunião em casa qualquer dia desses, quero me juntar com August e fazer você PERDER – meu pai enfatizou o “perder” levantando-se do sofá em seguida. – Topam uma pizza?
— Claro – eu e dissemos uníssono o seguindo até a cozinha.
— Ótimo, quem é o campeão invicto que paga – ele estendeu o telefone para fazer os pedidos e o mesmo saiu correndo da cozinha rindo.”
FLASHBACK OFF
O toque da campainha acordou-me dos meus devaneios, olhei para Nolan em meus braços que me olhava com uma carinha de quem não entendia o que estava acontecendo comigo. Lhe dei um carinhoso beijo na bochecha antes de colocá-lo de volta ao chão o observando caminhar com o seu brinquedo em mãos até o tapete da sala onde se sentou para assistir ao desenho que o meu pai tratava de colocar no canal, ao passar em um canal de música, passava um clipe da minha banda em primeira posição de um ranking, o que me fez sorrir abertamente.
, – Nolan gritou apontando para a televisão e olhando para mim.
— Eu gosto muito dessa música – Kaleb comentou ao levantar do sofá me olhando. – Eu não disse isso antes para não ser um fã apaixonado platonicamente pela irmã da minha melhor amiga, mas sua banda é incrível, .
— Obrigado – agradeço sorrindo um pouco sem graça. — Fique apaixonado pela minha irmã, não por mim – pisco em sua direção, fazendo June esconder o rosto atrás de uma almofada.
— Kaleb, seus pais chegaram! – minha mãe comenta ao abrir a porta dando espaço para que o casal passe.
— Mamãe, papai essa é a Sr. e Sra. Ross, são os pais de June, é a irmã mais velha e o bebe é Nolan – o garoto nos apresentou um por um timidamente para seus pais que também pareciam um pouco nervosos no começo, mas logo se enturmaram.
O pai de Kaleb se juntou ao meu para um drink na cozinha enquanto a minha mãe fazia a famosa “sala” para a mãe do garoto.
Olhei para a porta de vidro que dava visão para a piscina, era a minha deixa de sair de fininho para poder ficar sozinha, mas a campainha tocou fazendo-me mudar o meu percurso ao receber um olhar da minha mãe que pedia para eu atender a porta.
Eu não iria contrariar aquele olhar.
Ao abrir a porta, me deparei com um homem alto terminando de vestir uma camisa branca e listrada de botões enquanto segurava um vinho entre seus dedos torcendo para que não caísse, arqueei a sobrancelha lhe olhando, ele não me parecia nenhum pouco com algum amigo dos meus pais.
— Pois não? – digo dando um pequeno susto no rapaz que deu um passo para trás ao me olhar com os olhos arregalados. — Desculpa, eu não queria te assustar.
— Quê isso, quem tem que se desculpar por alguma coisa sou eu que estou todo atrasado e desarrumado – disse olhando para o próprio corpo ao perceber que fechou os botões da camisa de maneira torta. — Droga – murmurou em tom baixo.
Percebendo que todos na sala estavam distraídos em suas conversas, saí encostando a porta, segurando a garrafa de vinho do rapaz com as minhas coxas para poder ter as mãos livres para ajudá-lo com os botões da sua camisa.
— Posso colocar esse momento na minha lista de “Coisas Impossíveis”? – o rapaz perguntou com um sorriso nos lábios tentando me passar uma imagem de que estava tranquilo com a situação, porém o seu corpo arrepiado com o meu toque alegava o contrário.
— Contando que essa lista não seja feita em seu Twitter e eu acabe em algum site de fofoca com o título “ Ross abotoa camisa de possível affair na frente da casa dos seus pais” amanhã.
— Eu não faria isso – riu – Pode confiar em mim.
— Como posso confiar em alguém que nem ao menos sei o nome? – rebato ao terminar de abotoar a sua camisa de maneira certa e pegar o vinho do meio das minhas coxas lhe entrego o fazendo ficar boquiaberto.
— Desculpe pela minha falta de atenção. E-eu tive um dia muito corrido… – ele disse passando a mão livre pelos seus cabelos castanhos escuros os puxando atrás demonstrando todo o seu nervosismo em estar em minha frente, não posso negar que por dentro estou me acabando de rir de todo o seu jeito atrapalhado. — Sou Coleman, é um prazer conhecê-la, Ross. – ele estende sua mão em minha direção.
Aceito seu aperto de mão sem dizer mais nenhuma palavra o deixando sem graça novamente, aquilo seria a minha diversão da noite.
Abro a porta voltando para dentro da casa lhe dando passagem para que entre, se juntando aos nossos familiares enquanto sigo discretamente para a cozinha, meu pai me olha e sorri ao comentar algo sobre mim, eu apenas pego duas latas de cerveja da geladeira seguindo para o jardim novamente.
Eu tinha claramente me tornado a filha rebelde que não gosta muito de se socializar, mas o que eu podia fazer?
Aos poucos, os amigos dos meus pais foram chegando, eram ao todo três casais.
O primeiro casal, os Rittchies, eram os amigos mais antigos dos meus pais, eles tinham dois filhos no qual sempre fui apaixonada platonicamente por um, porém ambos agora namoravam e suas namoradas são saíam do meu pé tentando me agradar.
O segundo casal, os Melton, tinham acabado de ter a primeira filha e só falavam sobre crianças, junto com as outras mães.
E por último, mas não menos importante os Sullivan’s, um casal de amigos gays da minha mãe, que desde o primeiro segundo que colocaram o pé dentro de casa só queriam saber sobre o novo álbum da minha banda.
Durante todo o jantar, eu era muito bem observada pelos olhos esverdeados de , que com uma facilidade invejável conseguia participar de todos os assuntos em volta da mesa e ser agradável para todos os nossos convidados, nem preciso mencionar que ele ganhou o meu pai na velocidade da luz, preciso?
Já era tarde da noite, quando me peguei olhando para June e Kaleb sentados na beirada da piscina com os pés para dentro da água observando a lua cheia.
— Já pensou sobre o acampamento? – perguntou me pegando desprevenida fazendo-me tomar um leve susto levando a mão ao peito.
June e Kaleb perceberam a nossa presença o que deixou a mais nova sem graça levantando-se ao meu encontro.
— Já sabe se vai conosco, ? – June perguntou juntando as mãos pedindo fazendo seu famoso bico. — Por favor, por favor.
— Você vai junto? – pergunto a sem demonstrar muitas emoções.
— Claro. Sempre que volto à cidade, eu e Kaleb acampamos. – contou abraçando o irmão pelos ombros.
, quando volta para a cidade sempre me leva para viajar para irmos em algum show – June contou animada – Esse ano ela prometeu me levar no show novo da turnê Lover da Taylor Swift.
— Mas ainda a Taylor não começou os shows – comento.
— Você conhece a Taylor? – perguntou curioso.
— A já ajudou a Taylor a escrever várias músicas – June conta animada.
e Kaleb se entreolham como se aquilo fosse algo de outro mundo, mais uma vez seguro para não rir das reações do mais velho.
— Então, como a Tay ainda está preparando o novo show… Vamos ter que ir acampar para passar um tempo juntas não é mesmo, June? – aceito a proposta de acampar com os Coleman.
, eu não acredito que você aceitou, você é a melhor irmã do mundo – June me abraça olhando para os garotos. — Nós vamos acampar – cantarolou.
. Kaleb. – a senhora Coleman chama os filhos – Vamos embora, já está ficando tarde.
— Se for rápido em juntar suas coisas, deixo você ir no meu carro e tomamos sorvete antes de ir para casa – disse ao irmão mais novo.
— Oh meu Deus, me ajuda a recolher tudo, June – o garoto a puxou para dentro da casa para que pudessem ir para o quarto no andar de cima.
— Wow – exclamo – Você é sempre assim? – não me aguento em perguntar.
— Assim como? – fica sem entender arqueando a sobrancelha.
— Se dá bem com todo mundo, conquista as crianças com facilidade, eu vi que até a bebêzinha dos Melton ficou encantada com você. – digo deixando bem claro que passei a noite toda o observando, isso o deixa claramente sem jeito mais uma vez.
Aquele poderia se tornar o meu passatempo preferido.
— S-só trato as pessoas, da mesma maneira que gostaria de ser tratado – respondeu fazendo com que eu concorde com a cabeça, ele levou as mãos ao bolso da calça jeans olhando alternando seus olhares para a piscina e meu rosto. — Você também não é nenhuma Rainha de Gelo como dizem por aí.
— O que te fez pensar o contrário? – pergunto sem muito interesse.
—Foi muito gentil com todo mundo a noite toda, até mesmo com aquelas namoradas loucas te paparicando a todo segundo e o casal perguntando sobre o novo álbum. – disse deixando claro que também tinha me observado a noite toda.
— Isso pode ser tudo atuação – dei de ombros.
— Não – negou com a cabeça – Você não se daria ao luxo de gastar seu tempo tentando agradar aos outros, não mesmo.
Fiquei em silêncio pensativa e concordei com a cabeça respirando fundo.
Um a um.
Esse era o nosso placar.
, já peguei tudo – Kaleb voltou correndo com a mochila sobre os ombros. — Sorvete?
— Sorvete, amigão. – concordou dando-me as costas, eu apenas o olhei por cima dos meus ombros. — Amanhã passo pegá-las depois do almoço, tudo bem?
Andei em sua direção passando em sua frente seguindo em direção às escadas, virei-me para olhá-lo pela última vez, penetrando meus olhos aos seus.
— Até amanhã, Coleman. – digo em alto bom tom, chamando a atenção até mesmo dos nossos pais o deixando visivelmente constrangido.
— A-A… Até amanhã, Ross.

***

‘Cause we’re the masters of our own fate…
Lust For Life, a música de minha composição tocava na rádio assim que voltava para a casa, após ter feito June pular da cama para comprarmos tudo que fosse preciso para o nosso acampamento mais tarde. O meu lema era um só: já que quer fazer algo, que faça bem feito.
We’re the captains of our own souls…
June divertia-se tirando foto quando paramos em um semáforo e ela começou a prestar atenção na letra da música. A mais nova então abaixou o volume do som, me olhando como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir.
‘Cause boy, we’re gold, boy, we’re gold…
— Essa música… Quem escreveu foi você. – disse o óbvio fazendo-me segurar para não rir.
— Por que acha isso? – pergunto arqueando a sobrancelha, afim de ouvir suas teorias.
era seu garoto de ouro e você sempre dizia que ele era a paixão da sua vida – June comentou baixando o tom de voz olhando para suas próprias mãos. — Porque você mesma não a gravou?
They say only the good die young…
O que mais me chama atenção em Lust For Life, é que ela foi uma canção que originou o nome de um dos álbuns de Lana, lançado em 2017, a letra era sobre e arrepiava-me saber que os refrões fazem mais sentido nos dias de hoje.
— Não combinava com o nosso álbum na época – explico sendo sincera, não era a nossa vibe – E essa música ficou perfeita demais na voz da Lana e também do Abel.
FLASHBACK ON
“Era novidade para mim ver tão nervoso em conhecer um cantor, suas mãos soavam frio e ele parecia estar em outra dimensão enquanto observava o The Weeknd, ou para os mais íntimos, Abel. Gravar sua participação na música que compus para Lana Del Rey.
Ele tinha deixado Lana, literalmente de lado, assim que Abel pisou dentro daquele estúdio, sua admiração era tão grande que não queria perder nenhum lance de tudo que acontecia.
— Posso fazer uma observação? – Abel pediu assim que o diretor liberou cinco minutos de intervalo, para poder fazer alguns ajustes na música para podermos passar para a próxima etapa.
Olhei para Abel concordando com a cabeça em um breve aceno, estava sentada ao lado de em um sofá de couro dentro do estúdio, Abel pediu um minuto para ir até o bar onde pegou uma lata de energético voltando ao nosso encontro.
— Eu já tinha ouvido falar muito bem sobre as suas composições – começou a dizer e apertou minha mão. — As letras, são bem intensas, eu me identifico muito com a maioria delas.
— Fico extremamente feliz em saber que você admira o meu trabalho, Abel. – disse sem conseguir esconder o sorriso em meus lábios.
— Imagino que o dono de todos esses sentimentos exaltados em suas canções esteja bem em minha frente – Abel apontou para estendendo a mão para o mesmo, que sem entender muito bem, estendeu a mão para o cantor que segurou com força. —Conselho de amigo: Cuide bem dessa mulher incrível que tem ao seu lado.
— Cuido bem dela todos os dias, se ela permitir será para sempre.
— Assim seja. Se ela é tão intensa com sentimentos bons, não quero nem pensar o quão cruel pode ser expressando sua dor em canções.
— Se isso acontecer, ele vai ser assombrado pelas minhas canções sobre o nosso término pelo resto da vida – zombo , fazendo Abel rir.
— Esse era o ponto que eu queria chegar. É assim que nós artistas nos vingamos.
— Call out my name, quem o diga – entrou na brincadeira.
Abel logo parou de rir o encarando com cara de poucos amigos, o estúdio inteiro ficou em silêncio após ter pego a conversa andando e terem só prestado atenção naquela parte.
— Eu não falei por mal… – desculpou-se de imediato, fazendo com que Abel voltasse a gargalhar.
— Abel, em seu lugar – o diretor o chamou para voltar a gravar.
— Eu gosto dele – Abel disse olhando para mim. — Golden boy, Golden boy. – repetiu o apelido de antes de colocar os fones de gravação voltando para perto do microfone na outra sala. ”
FLASHBACK OFF
, o que você achou do irmão do Leb? – a mais nova mudou de assunto da água pro vinho em segundos pegando-me desprevenida, já que meus pensamentos estavam muito longe.
— Como assim? – devolvo a pergunta, sabendo que é errado, responder uma pergunta com outra.
— Achou ele bonito? – não aguento começando a rir. – É sério, .
— Achei – confesso sem entender onde a mais nova gostaria de chegar – E você, acha ele bonito? – pergunto de volta querendo saber sua opinião.
— Não conta para o Kaleb. Mas eu acho o muuuuuito bonito. – June admitiu fazendo-me rir mais ainda com aquela conversa.
— Segredo de irmãs – solto o volante lhe estendendo o dedo mindinho.
— Segredo de irmãs – ela entrelaçou seu dedo ao meu.

***

Olhei o meu reflexo no espelho, gostando do look “acampamento” que tinha montado. Um shorts preto desfiado, botas country marrom com vários detalhes na qual eu era apaixonada e faziam anos que não usava, uma regata preta com um blusão jeans claro por cima, meus cabelos soltos enrolados ao natural, sem precisar me preocupar em alisá-los e estarem perfeitos.
Eu estava longe dos holofotes hoje.
Tirei uma foto mostrando para August que ele não era o único que se aventuraria nessas férias, ele me mandou alguns áudios rindo, com medo do que poderia acontecer sabendo que eu iria acampar.
. June. Os Coleman estão aqui – meu pai gritou do andar de baixo, respirei fundo pegando a bolsa que reservei para meu celular e minha identidade, era de extrema necessidade ser identificada caso um lobo acabasse com a minha raça.
— Vamos, – June deu duas batidinhas na porta do quarto entrando em seguida. — Como estou? – ela perguntou dando uma voltinha.
June usava um shorts branco com botas pretas, sua xadrez era vermelha e seus cabelos divididos presos em suas famosas tranças.
— Quando foi que você cresceu tão rápido? – digo admirando a beleza da minha irmã.
— Engraçadinha – June revirou os olhos. – É sério, eu ‘tô bonita?
— Está muito linda, June. – a elogio andando até a tomada perto da minha cama pegando a pequena bateria portátil, a colocando dentro da bolsa.
Ela se olha pela última vez no espelho do banheiro do meu quarto antes de descermos as escadas encontrando os irmãos Coleman parados ao lado da porta a nossa espera.
Sinto um arrepio tomar conta do meu corpo ao olhar , completamente estiloso em seus trajes de acampamento, a bermuda na cor verde musgo combinada com os coturnos feitos para trilha, a camisa preta com os cabelos levemente penteados para cima com óculos escuros o fazia ganhar pontos comigo.
sorriu andando em minha direção, sem ao menos pedir permissão, beijar o meu rosto levemente fazendo com um calor subisse pela minha nuca.
— Está pronta para acampar, Srta. Ross? – ele disse ainda muito perto do meu corpo, ignorando o fato de termos crianças e os meus pais na sala.
Ele queria me mostrar o seu lado ousado, semicerrei os olhos pegando a mochila que preparei com June ao lado da escada lhe estendendo na intenção que ele pegasse para levar ao carro.
— Quando quiser, Coleman.
Com um sorriso nos lábios, sentindo que a sua demonstração de ousadia havia me atingido, pegou a mochila jogando sobre os ombros, o seu irmão mais novo repetiu o mesmo ato com a mochila da minha irmã. Eles em sincronia despediram-se dos meus pais andando até a porta da sala, onde chamou-me com a cabeça para irmos.
— Acha mesmo que é uma boa ideia? – minha mãe perguntou preocupada com a minha segurança.
— Eu vou sobreviver. – lhe dou um rápido abraço.
—É só uma noite. Kaleb disse que ele e o irmão fazem isso sempre, não vai ter nenhum perigo. – June comentou animada abraçando nossos pais de uma vez só.
— Tudo tem a primeira vez – meu pai disse a olhando com uma cara de quem queria insinuar a outra conversa.
— Oh não – digo entendendo aquele gancho, minha mãe revirou os olhos dando um tapa no ombro do mais velho. – Vamos logo, June.
— Ela ainda é uma criança – a mulher o repreendeu.
— Concordo – levanto a mão.
— Eu não sou uma criança. Estou na pré-adolescência. – June defendeu-se cruzando os braços.
— Acredite em mm, é melhor nós irmos – puxei June pela mão para sairmos logo de casa.
Ao chegar a porta, deparei-me com os irmãos dentro de um jipe amarelo, aquele não era nem um pouco parecido com o carro que havia vindo ao jantar ontem à noite.
Ele estava encostado ao jipe com os braços cruzados.
— Wow, você tem um jipe – comento andando em sua direção. — Gosta mesmo desse lance de se enfiar no meio do mato.
— Com a demora das duas, achei que estavam a ponto de desistir – comentou primeiro enquanto tirava os óculos revelando seus olhos, o colocando presos na gola da camisa preta. — Depois dessa noite, voce vai mudar sua percepção sobre o “mato” – fez aspas com os dedos.
Ri ao levar minhas mãos aos bolsos de trás do meu shorts encarando o seu próximo passo. Nossos olhos não desviavam-se por um segundo sequer.
— A gente pode ir, ou vocês vão ficar aí parados o dia todo? – Kaleb perguntou de dentro do carro junto a June.
— Certo – disse dando a volta no carro por trás para ir ao banco do passageiro, quando olho para a porta, havia dado a volta pela frente e a aberto para mim. — O que…
— Primeiro as damas. Srta. Ross. – interrompeu-me dizendo.
— O clássico cavalheirismo barato – comento ao entrar no carro. — Obrigado – puxo a porta ao deixá-lo boquiaberto.

***

Não.
Não me pergunte onde eu havia me metido. A conexão de internet não me dava ao luxo de procurar, porque estava lenta e quando por fim fiquei sem sinal, comecei a repensar se havia sido uma boa ideia acampar com um rapaz que tinha conhecido a menos de vinte e quatro horas.
E se esse fosse realmente o plano dos Coleman?
Aproximaram-se da minha família, pela minha irmã mais nova, tendo todo acesso à todas as nossas informações, entraram em nossa casa sabendo das minhas férias e armaram um plano perfeito para me tirarem do mapa.
Não acho que eles me matariam, mas acho que eu valeria um sequestro com um valor muito alto a se pedir em troca.
Afinal, eram duas Ross em perigo.
Naquele momento, enquanto pegávamos nossas mochilas no porta malas, me arrependia amargamente em não ter pego o spray de pimenta que a minha mãe ofereceu enquanto fazíamos nossas malas. Ou ter enviado uma mensagem à Westin pedindo para que ele, encarecidamente, nos acompanhasse nessa loucura mesmo que fosse às escondidas.
— Você está bem? – perguntou arqueando a sobrancelha.
— Estou. Porquê? – respondo de maneira ríspida.
— Nada. Só me parece estar a ponto de surtar a qualquer momento – ele disse exatamente o que estava prestes a acontecer, sábio homem.
Respirei fundo fechando os olhos tentando manter a calma e afastar os pensamentos ruins em minha mente. Sinto um toque em meu ombro, ao abrir os olhos está me olhando com uma cara de quem não entendia o que diabos estava acontecendo comigo.
— Relaxa – digo me afastando o que o deixa visivelmente sem graça.
— Estou falando sério, , se quiser ir embora é só falar. Eu passo a noite com eles. – ofereceu.
Agora ele era um psicopata bonzinho que me deixaria fugir? Ou aumentaria o valor do resgate por ser só a minha irmã. Os tabloides pirariam com isso?
Talvez ele soltasse uma nota que me deixou ir pois se apaixonou pela vítima.
A famosa síndrome de Estocolmo.
E que ainda por cima fui egoísta, deixando a minha irmã para trás com eles.
— Já disse que estou bem – reafirmo, não deixaria June sozinha. – Encare isso, como uma… – pensei por alguns segundos. — Paranóia de artista. – completo piscando para ele.
— Pegaram tudo? – perguntou aos mais novos que concordaram com a cabeça. – Então vamos, as damas na frente.
Olhei para June que estendeu a mão livre, a segurei seguindo pela trilha a dentro.
Andamos a cerca de uns dez a quinze minutos, quando estava prestes a começar a reclamar que nunca chegaríamos a esse tal lugar onde os irmãos Coleman acampam, Kaleb nos assustou ao jogar a barraca no chão atrás de nós começando abri-la.
— Chegamos? – June perguntou o óbvio abaixando para deixar sua mochila no chão.
— Sim. Chegamos – concordou jogando a sua barraca na direção oposta do irmão mais novo. — Primeira tarefa do acampamento – disse atraindo toda a nossa atenção. – Montar as barracas.
— Vamos para o outro lado, June – apontei para um lado mais afastado de onde ele montariam suas barracas.
— Acho que seria uma boa ideia colocar as barracas todas perto, já que vamos acender a fogueira ao centro. – opinou. — Ou duas de frente para as outras.
— Por mim, tanto faz – dou de ombros, não era a minha praia, não podia opinar sobre como as coisas deveriam ser feitas.
, ali tem duas árvores bem próximas para a nossa ideia, acho melhor montar as barracas duas de cada lado – disse o mais novo apontando para as árvores.
— Boa garoto, esperto – fizeram um toque com as mãos.
Encarei para June que já me olhava sem entender nada.

***

Após montar as barracas e continuarmos andando pelo meio do mato porque dizia que precisávamos conhecer o nosso “perímetro,” o sol começou a se despedir lentamente, o que nos deu o suficiente para voltarmos às barracas.
Enquanto os Coleman preparavam uma surpresa para nós após acenderem a fogueira, eu e June nos trocávamos na nossa enorme barraca tamanho família.
Eu sabia que comprar aquela enorme barraca tinha sido o melhor investimento desse acampamento, tinha dois “cômodos”, o meu quarto e o de June, e um espacinho para nossas roupas.
Assim que estávamos devidamente vestidas para aguentar o frio, abri a barraca praticamente com o meu coração na mão esperando que o pior ainda estava por vir.
Mas para a minha surpresa, havia um projetor apontado para um lençol amarrado entre duas árvores e o catálogo da Netflix na tela.
— Surpresa – Kaleb disse apontando para o telão improvisado. — Gostaram?
— Eu amei, Kaleb. – June sentou-se ao seu lado lhe dando um carinhoso beijo no rosto, o garoto ficou todo vermelho.
— Aqui pega internet? – foi a primeira coisa que perguntei olhando para o mais novo.
— Não. Mas eu baixei alguns filmes ontem à noite. – respondeu ainda bobo pelo beijo.
— Já está pirando longe da civilização, Ross? – não perdeu a oportunidade de me provocar, aproximando-se com os marshmallows e um saco com pães de forma.
— Já passei seis meses longe do meu celular. Uma noite a mais não vai me fazer muita diferença – digo ao pegar o saco de pães de suas mãos sentando-me em um dos bancos ao lado da fogueira.
— Eu sei. Você sumiu após a morte do seu noivo. – disse sentando-se ao meu lado.
— Um fã – foi a única coisa que saiu, enquanto engolia a seco.
— Aquele dia não está na minha lista de “Melhores Dias das Férias”. – comentou fazendo-me revirar os olhos.
— Quer dizer, então, que você faz lista para tud… Espera – arregalo os olhos. – Você estava no aeroporto no dia do…
— Estava. – disse antes que eu continuasse, prestando atenção em colocar alguns marshmallows no palito e passar para o seu irmão. — Eu ainda ajudei você e o Norman a saírem do aeroporto.
— O quê? C-como assim? – pergunto desesperada sem entender com o meu coração batendo a milhão, ele só poderia estar falando sobre o dia do acidente para me distrair de um possível ataque do nosso futuro sequestro.
— Eu era um dos passageiros que estava desembarcando no momento que o avião pegou fogo e antes mesmo que eu pudesse entrar no aeroporto, pediram para que eu e mais alguns homens que estavam comigo ajudassem a controlar a situação… A pista de voo estava um caos, centenas de bombeiros, paramédicos, policiais tentando fechar toda a área e você tinha dado um jeito de descer na pista pois queria notícias do . Eu estava atrás de você, quando recebeu a notícia que ele não havia resistido.
FLASHBACK ON
— Pelo amor de Deus. Eu só preciso saber do meu noivo, onde o meu noivo está? Ele está bem? – perguntava angustiada enquanto observava algumas vítimas sendo levadas às pressas para as ambulâncias. – Ele já foi levado em alguma dessas ambulâncias?
— Quem é o seu noivo? – o bombeiro pergunta me segurando pelos ombros pedindo repetidas vezes que eu me acalme.
— O piloto. O meu noivo é o piloto desse avião. – digo segurando o choro.
Mas parte de mim já esperava a pior notícia e quando o semblante do bombeiro à minha frente mudou completamente, eu pude vê-lo engolir a seco antes de me dar a terrível notícia.
— Sinto muito. Mas o piloto e o copiloto não resistiram.
O vazio tomou conta do meu peito, minhas pernas perderam totalmente o equilíbrio por alguns segundos, o ar havia se esquecido do caminho para os meus pulmões e antes que eu pudesse processar toda a informação necessária, ouvi o bombeiro falando com alguém atrás de mim.
Esse alguém não era Norman, era um rapaz com a farda do exército que me segurou pelos antebraços fazendo com o que eu o olhasse.
— Precisa vir comigo, senhorita Ross, não pode mais ficar nesta pista de voo.
Não conseguia formular nenhuma frase em minha mente coerente para responder o homem à minha frente, eu sentia o meu corpo todo trêmulo e o estado de choque tomar conta de mim.”
FLASHBACK OFF
— Você me ajudou – murmuro sem acreditar – Você me ajudou a sair do aeroporto com Norman sem que ninguém nos encontrasse.
deu um meio sorriso concordando com a cabeça e entregando um palito de marshmallows para June.
— Você é soldado. – confirmo esse fato o que o faz concordar com a cabeça novamente.
— Tinha acabado de voltar para a Califórnia e quando me pediram ajuda, eu não pensei duas vezes. – respirou fundo entregando-me o meu palito com marshmallows.
— Meu Deus… Isso é loucura. – digo sem acreditar.
— É. Eu sei – riu sem graça. — Qual filme vocês escolheram? – ele mudou de assunto perguntando sobre o filme ao irmão mais novo.
— A June quer assistir “Para Todos Os Garotos Que Já Amei” – Kaleb disse fazendo uma careta.
— É um filme bonito e se você baixou os dois é porque era uma das opções. – rebateu a garota.
— Claro que coloquei como opção, sei que é o que você gosta. – disse surpreendendo não só a garota como eu e .
— Eu topo esse filme, acho o Noah Centineo maneiro – levantou a mão em concordância.
— Eu também – concordo levantando a mão também e lançando um meio sorriso à .
— HAHA VOCÊ PERDEU! – June gritou dando play no filme.

***

Quando nossos irmãos mais novos, acabaram vencidos pelo sono e foi cada um para sua barraca, eu e sobramos assistindo ao final do segundo filme da sequência de Para Todos Os Garotos Que Já Amei.
— Tenho que admitir – comecei a dizer na intenção de chamar sua atenção. – Estava tensa ao chegar aqui com medo do que poderia acontecer.
— Eu sei. – ele concordou. – Eu vim pensando sobre isso no caminho. Como alguém em sã consciência aceita ir acampar com uma pessoa que mal conhece?
— Foi exatamente isso no que eu estava pensando – concordo com a cabeça, me dá um empurrãozinho com o ombro fazendo-me sorrir.
— Algo por trás das paranoias insistia em me dizer que eu estava errada. – confessei.
— Fico feliz em você ter ignorado as paranoias e dado ouvidos à razão. – murmurou de volta com um sorriso nos lábios.
Então eu sorri de volta, mas não sabia mais o que poderia ser dito.
— Me fale mais sobre você – puxou assunto como se tivesse o poder de ler a minha mente e adivinhar o que estava pensando.
— Bom, tudo que está no Wikipédia é verdade – sorri sem graça.
Ross, é uma cantora e compositora norte-americana. Uma das mais populares cantoras da atualidade. Ela é conhecida por canções narrativas sobre sua vida pessoal, que recebem bastante atenção da mídia.
me deixou sem palavras mais uma vez, por ter dito o resumo da minha página do Wikipédia.
— OK. Isso foi muito psicótico para você? – ele perguntou.
— Você não faz ideia o quanto – disse arregalando os olhos.
— Foi apenas um chute, se te deixa menos preocupada – deu de ombros.
— Amanhã eu vou fazer questão de conferir se foi só um chute mesmo.
— Não quero saber das coisas que estão no Wikipédia. – voltou ao foco do assunto.
— Fique à vontade para perguntar o que quiser, soldado Coleman – o incentivo a fazer suas perguntas, mesmo com medo do que ele poderia perguntar.
— Quais artistas você já ficou? – perguntou na lata.
— Quê? – pergunto de volta.
— É só pra saber com quem estou competindo – alegou rindo. — ‘Tô brincando.
— Noah Centineo – digo ao lembrar que há poucas horas ele havia elogiado o ator.
— Chega. Estou fora – fingiu jogar a toalha ao levantar-se.
— Homens que desistem fácil, são extremamente broxantes – lhe provoco.
— Quem sou eu perto de um ator teen famoso? – apontou para o próprio corpo.
— Estou brincando – dei risada assim que ele voltou a sentar-se ao meu lado. — Nunca fiquei com nenhuma pessoa famosa.
— Me conta algo que ninguém saiba sobre você – ele fez outra pergunta que me fez morder o lábio inferior ao pensar algo que ninguém saiba.
— Humm… Tenho uma história interessante. – começo a dizer o deixando curioso. — Em janeiro de 2018, foi feito um mural em minha homenagem para ser apresentado ao lado do Ellison Hotel em Venice Beach, o mural apresenta letras do maior single da minha banda. Gosto da cultura boemia, artista de ruas, murais artísticos e afins. Como eu passava maior parte do meu tempo por essas ruas e estava bêbada com meus companheiros de banda, uma vez um senhor me chamou de Venice Bitch.
— Ele te chamou de vadia de Venice? – perguntou incrédulo.
— Sim, ele estava todo nervoso porque era cedo e Norman havia derrubado um copo de café em sua roupa, eu tentei acalmá-lo, mas acabei só piorando as coisas, ele tinha um sotaque diferente que eu não conseguia adivinhar da onde era. Quando ele me xingou foi de uma maneira tão engraçada que não levei como ofensa.
— Você é louca – riu negando com a cabeça.
— Loucura foi o que fiz em Venice na Itália. – emendo em mais uma história. — Para fazer jus ao meu apelido, porém bem longe das praias e de toda atmosfera californiana, quando estava por passagem em Venice, prometi à mim mesma que transaria em um passeio de barco por algum daqueles rios à luz da lua.
— Oh meu Deus. O que se passa na sua cabeça quando pensa nessas loucuras?
— Que nós fomos feitos na América, aventurarmos por outros países é a nossa obrigação. – digo confiante em minhas palavras de incentivo para que ele possa usar em algum momento da sua vida, quem sabe em uma guerra.
— Em meia hora de conversa já tenho total certeza que você é insana. – constatou o óbvio.
— Você é lindo. – o elogio mordendo os lábios. – Seus olhos chamam bastante atenção.
então encarou-me fixamente com seus olhos esverdeados, nós fomos nos aproximando de maneira leve e devagar, ao som da floresta a nossa volta, não havia nenhum fotógrafo, nem algum anônimo que nos divulgaria no dia seguinte, quando nossas respirações quentes se misturaram entre si e seu nariz encostou sobre o meu, eu tive a certeza que estava pronta para dar um enorme passo a diante.
Fechei os olhos esperando que os lábios de tocassem os meus, lentamente senti-os, fazendo com que o meu coração batesse mais rápido, acendendo todo o meu corpo com um arrepio, mas antes que pudesse ser aprofundado, ele afastou-se alguns centímetros, como quem pedia permissão para continuar.
Engoli a seco respirando fundo, tomando a liberdade de levar minha mão, entrelaçando meus dedos em seus cabelos o puxando em direção aos meus lábios.
Sem pressa, nos beijamos em sincronia e lentamente, nossas línguas se conheciam sem pressa da mesma maneira que nós, tomou a liberdade de colocar suas mãos em meu rosto tornando um beijo digno de filme romântico clichê.
Noah Centineo que me perdoasse, mas será que ele alcançaria a intensidade desse beijo?
Ao cessar o beijo, afastou-se rapidamente com os olhos arregalados, suas bochechas vermelhas e daria a típica desculpa.
— Desculpa , e-eu não resisti, me desculpa – ele proferiu me fazendo rir baixinho.
apenas coloque esse beijo, na sua lista de “Melhores Beijos”. – digo antes de me levantar sendo observada por que ainda encontrava-se em estado de choque por ter me beijado, aproximei-me do rapaz beijando o seu rosto antes de jogar o meu palito dentro da fogueira seguindo em direção a minha barraca. — Até amanhã, Coleman.
— Até Amanhã, Ross. – ele diz antes de entrar para a sua barraca.

FIM.

NOTA DA AUTORA: UFA! Missão cumprida. Espero do fundo do meu coração que tenham gostado dessa continuação de The Next Best American Record, eu estava lendo e relendo a letra de Venice procurando por algo que se encaixasse e porque não dar uma segunda chance ao amor da nossa querida pp? Todos merecem seguir em frente…