We Own The Night

Sinopse: Quem nunca sonhou com a vida perfeita? Ela não só sonhava com a vida como a desejava fortemente, e foi então que criou uma lista de itens que a levaria ao objetivo. Faculdade perfeita, curso perfeito, amigas perfeitas, namorado perfeito… Ou era o que ela achava, até o dia em que as coisas começaram a mudar. Às vezes o perfeito está nas coisas simples e não planejadas que acontecem, e ela descobriu isso.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Os nomes Kath, Seb e Jeff estão em uso.
Beta: Sharpay

– Oi, . – disse assim que pulou da sacada do seu quarto para a sacada da vizinha.
– Oi, . – Ela sorriu. – Você sabe que pode usar a porta ao invés de parecer um criminoso invadindo a minha casa, né?
– E qual seria a graça? Eu fiz isso a vida toda.
– Sim, mas agora eu tenho um namorado e não acho que ele vai gostar de ver outro cara entrando no meu quarto pela sacada. – Ela explicou sabendo que ele não aceitaria a mudança sem discutir.
– Então é isso… Você arrumou o seu tão sonhado namorado perfeito e já está me tirando da sua vida na primeira oportunidade. – Ele concluiu dando de ombros como se não se importasse.
, não é isso e você sabe.
– Pode não ser isso agora, . Mas quando você menos perceber, vai ser exatamente isso que vai ter acontecido.
– Ah , qual é? Não precisa jogar isso em cima de mim. Nós sempre fomos muito diferentes e na verdade não sei como nossa amizade durou tanto.
– Eu entendi errado ou você realmente acabou de dizer que nossa amizade deveria ter acabado? – Ele continha um sorriso enquanto ela se esforçava para não o deixar chateado.
– Não é isso, mas se formos parar pra pensar, você é o completo oposto do que eu procuro nas pessoas. – Ele ergueu a sobrancelha a desafiando a continuar. – Você não pensa no futuro, você deixa pra estudar meia hora antes da prova, você sai quase todo dia…
– Há quanto tempo você pensa isso sobre mim? – Perguntou, agora sem o sorriso. – Eu sei a resposta. Foi quando você inventou de fazer aquela lista de “como ter a vida perfeita”, não foi?
– Talvez. – Não queria entrar em detalhes.
– Desde que você começou a escrever essa lista, você deixou de viver o presente, . Você vive pensando na sua vida quando acabar a faculdade e você nem terminou o ensino médio! É por isso que você ficou uma chata.
– Há quanto tempo você pensa isso sobre mim? – Ela repetiu as palavras dele.
– Você começou a mudar quando começou a pensar sobre a vida perfeita. – Ela o encarava. – Mas só tive certeza quando você ignorou meus sentimentos e preferiu namorar com o Sr. Perfeitinho.
– O nome dele é Liam e você sabe.
– E você não gosta dele e você sabe. – Ele a acusou.
– Mas posso gostar. Eu vou gostar. – Ela falou se convencendo. – Ele é a melhor opção pra mim. – riu descrente.
– Eu espero que seja mesmo. – Ele deu as costas, pulando de volta para a sua sacada.
, espera! Volta aqui! – Ela correu até a sacada.
– Seu namorado pode chegar a qualquer momento, . Não vai ser bom ele me ver por aí. – Ele sorriu, mas ela soube que não era um sorriso verdadeiro.
– Droga, você gosta mesmo de mim, não é ? – enfim percebeu.
– Eu me declarei em frente à escola toda na semana passada! Você tinha dúvida?
– Como eu ia imaginar? A gente sempre foi amigo, e você sempre estava de rolo com alguém. – Se defendeu.
– Não era como se eu fosse te esperar pra sempre, né . – Ela ficou sem palavras e só voltou à realidade quando ouviu a campainha tocar. – Vai lá, não deixa o Liam esperando.
! – Ela chamou quando ele já estava de costas. – Isso é um adeus? – perguntou com um aperto no peito.
– Você precisa saber o que você quer .

7 anos depois

– Achei que o combinado era passar o dia com as suas amigas. – deu ênfase na última palavra enquanto apontava de si para .
– E o que é que nós estamos fazendo? – a encarou sem entender. – Tudo bem que estamos organizando as coisas para a minha festa, mas estou passando o dia com vocês. – Ela repetiu.
– O que o Liam está fazendo aqui então? – Ela riu ao ver a confusão na cara da amiga.
– Não acredito que você chamou o Liam, . – fez uma falsa cara ofendida.
– É sério? O Liam está aqui? – caminhou até a janela vendo-o caminhar em direção a casa.
Antes mesmo que ele tocasse a campainha, abriu a porta e ele se assustou.
– Não sei o que você veio fazer aqui, mas a é nossa, então você vai ter que esperar até mais tarde. – disse com um sorriso, mas ele permaneceu sério.
– É importante e não vai levar muito tempo. – Liam não parecia de bom humor, então ela saiu do caminho e o deixou passar.
– Oi, amor! Que surpresa boa. – Ela deu um beijo e ele não retribuiu. – O que foi? – Ela perguntou demonstrando preocupação.
– A gente precisa conversar. – Olhou para as amigas dela ali, atentas. – Em particular. e trocaram olhares achando tudo aquilo estranho e logo o casal já tinha subido para o quarto de .
– Você está estranho, o que foi? – voltou a perguntar.
… Não tem jeito bom de falar isso e eu realmente sinto por estragar seu aniversário. – sentia seu coração bater rapidamente, o que viria a seguir com certeza não era nada bom. – Mas precisamos terminar.
– Precisamos? Como assim, Liam? – ela estava em choque e provavelmente foi o que impediu as lágrimas de caírem.
– Eu andei pensando e não quero passar a faculdade toda namorando. A gente entrou na faculdade namorando e agora só tenho mais um ano e quero passar solteiro.
– Esse é o seu motivo? – Incredulidade a definia naquele momento.
– Sim. Não é nada com você, é comigo. – Ela riu descrente. – A gente ainda pode ser…
– Não me venha com tantos clichês ao mesmo tempo, Liam. – o cortou. – Já fez o que veio fazer, agora, por favor, vai embora. – Se virou para a janela e viu em sua cama olhando para ela.
Ficou na mesma posição até ouvir a porta do quarto fechar. Queria ter certeza que ele já teria ido embora quando ela descesse, não queria as amigas fazendo perguntas, porém as batidas na porta logo vieram e as duas entraram no quarto. deu as costas à janela e fitou as amigas em silêncio.
– O que foi que aconteceu? – foi a primeira a se manifestar já que parecia buscar a melhor forma de tocar no assunto.
– Liam terminou o nosso namoro. – respondeu sem emoção.
– É sério isso? – parecia mais incrédula que a própria havia ficado.
– Sim.
– Mas por quê? – insistiu. – , eu juro que vou lá e quebro a cara dele se ele tiver te traído!
, você não vai quebrar a cara de ninguém. – disse no mesmo tom. – Agora vamos descer porque ele não vai estragar meu aniversário.
– Você ainda vai fazer sua festa? – estranhou.
– Claro que sim, . Não vou desconvidar as pessoas para uma festa que começa em 4 horas.
, espera aí. – a impediu de sair do quarto.
– O que foi, ? – Agora não parecia ter paciência.
– O seu namoro de sete anos acabou e você não vai nem… sei lá, quebrar um vaso desses, chorar ou gritar? – riu do comentário exagerado da amiga.
, ainda está pra nascer o homem que vai me fazer chorar. E gosto muito desses vasos. – Ela deu um sorriso que não convenceu a ninguém, mas por hora todas voltaram ao andar de baixo para terminar de arrumar a festa.
Três horas depois os sofás tinham sido colocados nos cantos e a mesa da sala de estar tinha se transformado em bancada para as bebidas. Na outra sala seria a pista de dança e o DJ já tinha instalado todo o equipamento. e já tinham ido se arrumar e deveria estar fazendo o mesmo, mas estava deitada em sua cama olhando pela sacada novamente. não estava mais lá e ela ainda podia escutar as palavras ditas por ele a tantos anos atrás. “Essa vida perfeita não existe, .” Saiu de seus pensamentos ao receber uma mensagem de mostrando seu novo vestido vinho que deixava suas pernas à mostra, seguida de uma foto de com uma saia preta e uma blusa rendada azul marinho e correu para o banho, deixando o vestido preto brilhante sem mangas em cima da cama.

Os convidados pareciam aproveitar muito a festa, a pista de dança estava lotada, além de pessoas no balcão ou nos sofás. se esforçou a noite toda para manter um sorriso no rosto, mas estava longe de estar se divertindo. Se sentiu aliviada quando o rolo de , Seb, apareceu com um amigo que achava um gato, com todas entretidas pode sair de cena e aproveitou para levar alguns presentes que havia ganhado para o quarto.
Fechou a porta assim que entrou, colocou os presentes na cama e se sentou na beirada. Fechou os olhos e respirou fundo, não tinha vontade de voltar para a festa.
– Sabia que te encontraria aqui a meia noite. – levantou em um pulo de susto, mas não deixou de sorrir aliviada ao ver ali.
– Que susto, ! – Ela não pode deixar de notar o quanto ele estava bonito mesmo que vestisse jeans e camiseta.
– Feliz aniversário, . – Ele deu alguns passos na direção dela, incerto do que poderia acontecer e foi surpreendido por um abraço forte dela.
– Obrigada. – Ela disse baixinho ainda no abraço. – Acho que esse abraço foi a coisa mais verdadeira no dia de hoje. – Confessou se afastando dele.
– Achei que você precisava mesmo de um quando te vi encarando minha janela por tanto tempo mais cedo.
– Você me viu? – arregalou os olhos e ele assentiu. – Você sabe o que aconteceu?
– Tenho uma ideia a julgar por você sozinha na sua própria festa e nada feliz. – Ele coçou a cabeça um pouco sem graça. – O carro dele também não está aí e eu estou aqui. – Fez uma careta confusa e ambos riram.
– Você sempre soube, né? – ficou em silêncio ao notar um tom triste na voz dela. – Você me avisou que não daria certo. – As lágrimas haviam achado o caminho enfim e, sem saber o que mais poderia fazer, ele a confortou em outro abraço. Ali ela chorou tudo o que não tinha chorado durante o dia.
– Como você sabia que eu estaria aqui a meia noite? – perguntou com curiosidade tentando limpar o rosto borrado. – Lembrei de quando fingi que esqueci seu aniversário e fiquei aqui escondido para te dar parabéns às 23:59. Me pareceu uma boa ideia. – Ele sorriu e ela teve vontade de sorrir junto.
– Eu fiquei com tanta raiva sua! Eu acreditei mesmo que você não havia lembrado do dia.
, você tá aí? – Perguntou batendo na porta.
– Vai lá, afinal você ainda tem uma festa. – sorriu e beijou-a na bochecha antes de pular de volta para a sua sacada.
se sentiu feliz com o gesto e ao mesmo tempo culpada por ter se afastado tanto tempo de alguém que só quis o bem dela. Ajeitou a maquiagem e, olhando uma última vez no espelho, deixou o quarto.

– E aí, meninas? Como está a viagem? – perguntou ouvindo as duas pelo viva voz do celular de .
– Está maravilhosa, ! – exclamou feliz. – Eu não tinha ideia de que o Caribe era tão perfeito.
– É mesmo, mas não é a mesma coisa sem você. – emendou.
– Aí nem me fale! Estar de férias da faculdade e do estágio foi a pior coisa, as horas não passam e não tenho vocês para sair.
– Bem que a gente insistiu pra você comprar o pacote quando compramos o nosso… – começou a falar, mas foi interrompida por .
– Eu tinha planos com o Liam, né? Não dava pra saber que ele ia cagar em tudo.
– Realmente. – e falaram ao mesmo tempo.
– Ele não te procurou?
– Não e é melhor que nem procure mesmo.
– Credo, . Tira esse ódio do seu coração. – riu.
– Não estou com ódio, estou super entediada.
– Bom, eu sinto muito por você, mas precisamos ir porque nosso passeio de barco é daqui a vinte minutos.
– Está me despachando, ? É isso?
– Então… – as três riram.
– Aproveitem por mim.
– Pode deixar. E encontre alguma coisa pra fazer!
Assim que desligaram se virou na cama e viu segurando um papel pelo vidro da sacada.

“OCUPADA?”

negou com a cabeça e pegou um caderno para responder. Aquilo era ridículo, mas era válido para matar o tédio.

“NÃO. PQ?”

Ela podia ver ele escrevendo algo.

“TEM FESTA HOJE À NOITE. VAMOS?”

Ela negou com a cabeça novamente.

“POR QUE NÃO?”

Ela deu de ombros sem realmente ter um motivo. E voltou a escrever.

“PULA PRA CÁ.”

Ele riu e virou outro papel.

“PULA PRA CÁ VOCÊ!”

” VOCÊ JÁ ESTÁ ACOSTUMADO.”

“ANDA, ! DEIXE DE SER CERTINHA UMA VEZ NA VIDA.”

Ela riu fraco pensando se faria aquilo ou não, mas não aceitava um não tão facilmente.

“VEM PRA CÁ.”

Ela abriu a porta e caminhou até o peitoril, ele fez o mesmo.
– Eu não sei como você faz isso, olha essa distância. Não consigo pular não.
– É claro que consegue, . Eu estou aqui, te ajudo se precisar.
sabia que a distância não era tão grande, a adrenalina de fazer algo assim é o que estava a fazendo tremer. Ela subiu e se equilibrou, em seguida pulou e foi segurada pelos braços de .
– Eu não sei como você faz isso. – Ela ria ainda de nervoso.
– Do mesmo jeito que você acabou de fazer.
– Prefiro usar a porta do que tentar isso mais uma vez. – rolou os olhos diante do drama de .
– E então? Vamos a festa? – Ele refez o convite e mordeu a própria bochecha tentando encontrar uma resposta.
– Acho melhor não.
– Tem outro compromisso? – Insistiu e ela apenas negou com a cabeça. – Então qual o motivo?
– Acho que não estou em clima de festa.
– Você sabe que tem que voltar a viver, não sabe? – a encarou sério.
– Eu estou vivendo, espertinho.
– Chama ficar no seu quarto de viver? – Retrucou irônico.
– Está me espionando de novo, ?
– Talvez. – Ele brincou.
– Olha que vou achar que você quer outra coisa. – Ele nada disse e a imaginação dela entrou em ação. Ele havia se declarado há muito tempo, será que ele ainda tinha sentimentos em relação a ela?
– Já tem duas semanas que vocês terminaram e suas amigas viajaram logo em seguida. Você realmente deveria aceitar meu convite para hoje.
imaginou o que as amigas diriam sobre esse convite, mas, independentemente da opinião delas, ela sabia o que queria fazer.
– E se você se interessar por alguém? Não quero empatar a noite de ninguém.
, se eu estou te convidando é porque quero a sua companhia. Sei que meu charme é irresistível, mas um dia sem me interessar por alguém não vai me matar.
– Charme irresistível, ? Quem andou te iludindo? – Ele parou com um sorriso. – O que foi?
– Tinha muito tempo que você não usava meu apelido. – sentiu as bochechas esquentarem. – Eu gosto.
– Eu também gosto.
– E ninguém me iludiu, queridinha. Tenho espelho. – Ele piscou com um olho fazendo charme. – Além disso a Kath e o Jeff vão. Você lembra deles, né?
– Lembro, sempre achei que ele era uma má influência pra você. – gargalhou.
– Não sei de onde você insiste que fui influenciado para o mal.
– Ah, qual é, ? Só de te olhar já dá pra saber que é encrenca. – Ela o provocou.
– Que horas podemos ir? – Ele não se daria por vencido e acabou se animando com a ideia.
– Às 22h está bom. – Respondeu e pulou de volta para a sacada dela. – E nada de me espionar enquanto me arrumo. – Ela gritou e entrou.

Pontualmente estava na entrada da casa vestindo um conjunto de saia alta e cropped com estampa em preto, branco e cinza. O carro de estava do outro lado da rua e ele caminhou até ela. Vestia uma camiseta azul marinho e um jeans claro e tinha arrumado o cabelo do jeito que ela mais gostava.
– Você está linda, . – Ele a beijou na bochecha.
– Você não está mal. – Ela brincou. – E está cheiroso. – Aquilo ela não tinha planejado falar em voz alta e, quando se deu conta, começou a rir.
– Vamos? – Ele estendeu o braço e ela entrelaçou o dela. Juntos caminharam até o carro onde ele fez questão de abrir a porta para ela, o que não passou despercebido. Não lembrava quando da última vez que Liam havia sido gentil como estava sendo.

A fila para entrar na boate onde era a festa estava grande, mas não pareceu se importar. Caminharam lado a lado até a entrada da boate parando a cada 4 ou 5 pessoas para cumprimentar alguém.
– Caramba, . Não fazia ideia que você era famoso assim. – Ele riu. – Além de cumprimentar metade das pessoas ainda nem precisa da fila?
– Olha só, a herói da noite chegou. – O segurança falou alto e abraçou , liberando a entrada para os dois em seguida.
– Theo, essa é a . , esse é o Theo. – os apresentou e a garota trocou um sorriso com o segurança.
– Jeff e Kath já estão aí. – Ele avisou e pegou na mão de , a guiando pelo local.
– Herói da noite? – zoou.
– Eu não sou famoso, ok? Essa boate sempre foi muito boa, mas os donos não estavam conseguindo manter o local e a qualidade estava caindo então eu e o Jeff fizemos uma proposta e compramos 70% dela.
– Você é dono daqui e nunca me falou? – Ela parecia indignada.
– Não é como se fossemos melhores amigos ultimamente, né ? – Ela se deu conta de que, embora não parecesse, eles haviam ficado anos distantes.
– Adorei o ambiente. – deu um giro analisando toda a boate que ainda estava praticamente vazia. A grande pista de dança, o palco do DJ, as luzes, os dois bares. – Parabéns.
– O que você quer beber? Nesse bar aqui tem cervejas, bebidas de dose, refrigerante, suco e água. – Apontou para o bar mais próximo. – Naquele lá os drinks. – Apontou para o bar do lado do DJ.
– Acho que água. – deu de ombros e caiu na gargalhada.
– Você está brincando, certo? Ou vai me dizer que você nunca bebeu? – Ela ficou sem graça e ele gargalhou.
– Cala a boca! – Ela deu um tapa no braço dele, mas a risada dele provocou a dela própria. – Não me parece interessante beber algo que vai me deixar fora de mim.
– Não falei pra ficar bêbada, . Você pode experimentar alguma coisa, você pode gostar de alguma bebida e isso não vai transformar quem você é. – Como não falou nada, ele voltou a segurá-la pela mão e caminharam até o segundo bar.
– E aí, lenda! – voltou a rir.
– Oi, Brad. Faz dois especiais, favor. – O barman assentiu e começou a preparar os drinks.
– Lenda?! – A garota soltou querendo a explicação daquele apelido tão ridículo quanto o primeiro.
O barman encarou como quem pede autorização para contar uma história, o que deixou mais curiosa ainda.
– Tem um cliente que vem bastante aqui e ele é meio louco, desenvolve teorias bizarras, fica bêbado e tenta convencer, quem estiver por perto dele, a veracidade das teorias. Um dia ele chegou dizendo que tinha uma teoria sobre o . – rolou os olhos. – Não sei quantas noites ele tinha analisado, mas o ponto era: nas noites que estava aqui, a festa nunca morria e nas noites em que ele não estava, as festas acabavam rápido. Ele mesmo chamou o de lenda e aí não teve como não zoar. Acabou que a zoeira passou e o apelido ficou. – assentiu.
– Você é a alma das festas então. – Ele deu de ombros.
As bebidas ficaram prontas e fez questão que experimentasse ali mesmo. Como ela já esperava, adorou o gosto e foi surpreendida quando não a zoou por isso. Estava curiosa e, mesmo perguntando para o que tinha no drink, ele só disse que era seu drink secreto.
Com uma mão nas costas de , ele a guiou pelo corredor mínimo até as escadas e depois pelo andar de cima.
– Aqui são os camarotes. – Ela observou os espaços com sofás e mesas no centro. – Diferente dos outros lugares, eles não estão sempre disponíveis a quem quiser pagar. Só podem ser reservados para aniversários ou outras comemorações específicas e não cobramos por isso. E aquele último do canto, é onde sempre fico com o Jeff quando não estamos lá embaixo.
cumprimentou Jeff e Kath depois que o fez e logo ela não estava mais tensa. Pensou que talvez o casal pudesse a tratar de forma diferente pelo que ela havia feito com . Ao contrário, eles fizeram questão de conversar sobre como os dois eram bagunceiros na escola e todas as aventuras que eles passaram naquela época.
Depois de mais ou menos uma hora, a boate já estava com uma quantidade grande de pessoas e Jeff cedeu ao pedido de Kath para irem dançar.
– Vamos também, ? – convidou.
– Vamos. – levantou de uma vez e ele fez uma cara assustada. – O que foi?
– Você aceitou muito fácil, já estava me preparando para insistir.
– Achou que eu nunca tinha dançado também?
– Não, já te vi dançar muitas vezes.
– Então para de falar e anda logo que já perdi Jeff e Kath de vista. – Ela o puxou pela mão, fazendo o caminho oposto que tinham feito antes.
Uma música eletrônica tocava e os quatro dançavam juntos, ou era o que achava. Logo Kath e Jeff começaram a se beijar e quando ela se virou percebeu que não estava ali. Não se importou, fechou os olhos e dançou como há muito tempo não fazia.
Abriu os olhos assim que sentiu alguém a abraçando por trás e sorriu ao ver ali. Ele entregou outro copo para ela, mas continuou atrás.
, como está o seu copo? – Ele falou próximo ao ouvido dela por causa do volume da música. Não era um sussurro e nem tinha outras intenções, mesmo assim ela sentiu um arrepio.
– Já está bêbado, ? Que pergunta é essa?
– Não estou bêbado, ridícula. – Ele mostrou a língua para ela. – Como está o seu copo?
– Cheio? – Ela respondeu em dúvida.
– Exatamente. – Ele sorriu. – E é exatamente assim que seu coração deve estar hoje. Você deve se sentir completa e aproveitar a sua vida. – Ela concordou com a cabeça e deu um gole na bebida.
– E agora? – Ela perguntou ainda próximo ao ouvido dele, mostrando um copo um pouco menos cheio.
– Engraçadinha! Acaba esse que te trago outro. – negou com a cabeça, não pretendia beber mais depois daquele.

A música eletrônica tinha acabado e agora Single Ladies da Beyoncé tocava fazendo todos dançarem. dançava como a cantora no clipe e cantava também, o que instigou a fazer o mesmo. No refrão, ambos já cantavam e dançavam numa performance engraçada.
Excluídos por Jeff e Kath que não se soltavam um minuto, e dançavam cada vez mais próximos e a garota sabia que não se divertia assim há muito tempo, sem se preocupar com nada que não fosse aquele momento.
– Obrigada, . – Ela disse novamente ao ouvido dele.
– De nada. Mas qual o motivo? – Fez graça como sempre.
– Ter me tirado de casa hoje. Foi a melhor coisa que você podia fazer.
– Não sei não… Já me disseram que faço outras coisas maravilhosas.
– Ah, é? O que? – se fez de inocente e até podia colocar a culpa no álcool, mas ela sabia o que queria. Queria aquilo desde que tinha aceitado sair naquela noite, queria aquilo desde que deu o fora nele a sete anos atrás.
– Isso. – Sem demora, ele a envolveu com um braço, a trazendo para mais perto de seu corpo, os dois sorriam e, no instante seguinte, juntou os lábios aos dela. No início o beijo foi bastante intenso, as mãos de passeavam pelas costas de , enquanto as dela brincavam com a nuca e cabelo dele. Aos poucos o ar foi faltando e o beijo foi se tornando mais romântico, de qualquer forma a química entre eles era inegável.
– Eu juro que não queria atrapalhar o casal, mas vocês não se desgrudam um minuto. – Kath falou chamando atenção dos dois.
– Sabe como é, são sete anos de atraso. – fez uma cara safada e negou com a cabeça.
– Nós já vamos, vocês vão ficar? – Jeff perguntou já com as chaves na mão.
– Já quer ir, ?
– Você quem sabe, .
– Nós vamos ficar, Jeff. – Pegou na mão de e ela o encarou. – Hoje nós somos os donos da noite.

FIM

 

Nota da autora: Eu nunca fui fã The Wanted para falar a verdade, mas sempre gostei muito da música e da letra de We Own The Night e achei que daria uma boa fic.
Quem nunca sonhou com uma vida perfeita? Eu já, muitas vezes, e a vida fez questão de mostrar que o perfeito pode estar em coisas minúsculas do nosso dia a dia.
Sem mais delongas, comentem aqui e me digam o que acharam!
Se quiserem conhecer outras fics minhas, é só dar uma passadinha no grupo do Facebook
Beijos e até mais!