Where Do Broken Hearts Go

Where Do Broken Hearts Go

  • Por: Tai Aguiar
  • Categoria: Originais
  • Palavras: 2899
  • Visualizações: 413

Sinopse: Quando ele se encontra perdido após o término de seu relacionamento com ela, todos os adultos o mandam para onde vão os corações partidos; mas ele não sabe como chegar lá.
Gênero: Romance
Classificação: 10 anos
Restrição: Capítulo único
Beta: Sharpay Evans

Capítulo único

O sol batia na cortina refletindo o tom escuro de azul da parede do quarto de em uma manhã de quinta-feira. Ele abriu os olhos lentamente, se revirando na cama e posicionando o corpo em direção ao seu criado mudo; apalpou devagar o móvel, e carregou para si o porta retrato de cabeceira. No objeto, , sua ex namorada, sorria carregando Zara e Zeus, a dupla dinâmica de cavaliers da moça.

e se conheceram na escola, mais precisamente com dez anos de idade; aos treze começaram a namorar, e agora, com quinze havia pedido um tempo no relacionamento. Mas, aparentemente esse tempo estava sendo mais doloroso do que ele acreditava que seria. O fato de estarem de férias da escola não ajudava em nada, porque ele não conseguia esquecer da garota, nem se sentia animado o suficiente para acompanhar os amigos nas aventuras de outono sem a companhia da sua parceira de cinco anos.

? — A voz do avô Geraldo batendo na porta do quarto foi o que despertou o jovem do pequeno transe — Você já está acordado?

— Oi vô. — Ele respondeu sentando na cama, coçando os olhos — Pode entrar. — Autorizou, vendo o senhor entrar no quarto sorridente, como sempre, indo sentar ao seu lado na cama.

— Como você está? — Perguntou, observando o objeto que o neto tinha em mãos.

— Acho que finalmente percebi o grande erro que cometi, vô. — Suspirou, frustrado e devolveu o porta retrato para a cômoda.

— Não existe nenhum erro que não sejamos capazes de reparar, querido. — O mais velho opinou.

— Então o senhor realmente acha que eu posso voltar com a ? — Franziu a sobrancelha.

— Sim, mas não acho que vá ser a coisa mais fácil do mundo. — Ele levantou — Já seria bom se você levantasse da cama e tomasse uma atitude. — Sorriu sincero para o neto.

— Você acha que eu devo ir na casa dela? — pediu uma opinião.

— Não sei, talvez você deva procurar aonde vão os corações partidos. — Geraldo respondeu com um sorriso, se dirigindo para fora do quarto.

— O quê?

— Você vai descobrir. — Essa foi a última resposta do senhor, antes de fechar a porta do quarto do neto e abrir um sorriso vitorioso do corredor.

franziu o cenho, sem entender quase nada e se dirigiu ao banheiro, para fazer sua higiene matinal. Como era quinta, de uma semana de férias, ele não sabia o que a garota faria naquele dia, então tivera a ideia de primeiro ir procurá-la em casa, já que não havia entendido a referência do avô. Terminou o banho e saiu de casa sem tomar café da manhã, subindo em seu skate e descendo o quarteirão.

morava exatamente a duas quadras de distância da esquina do e do avô, e em menos de dez minutos o menino já tocava a campainha da casa dos . Quem abriu a porta foi Mariana.

— Oi . — Ela não parecia surpresa com a aparição dele — Você gostaria de falar com a ?

— Oi tia Mari. — Ele cumprimentou educado antes de continuar — Sim, ela está em casa?

— Não querido, ela tem saído todos os dias bem cedo. — Explicou.

— E a senhora não sabe para onde ela foi? — Ele estranhou a resposta incompleta, já que conhecia a família o suficiente para saber que informava cada passo a mãe.

— Se eu fosse você, procurava aonde vão os corações partidos. — Respondeu com um sorriso, já fechando a porta — Tenha um bom dia, . — Encerrou a conversa, sem ao menos deixar o menino responder.

Ok. Dois adultos agora falavam sobre esse lugar desconhecido para onde os corações partidos vão, mas não fazia ideia do que queriam dizer com isso. Suspirou subindo no skate outra vez e indo para a cafeteria mais próxima da casa da garota, tomar o seu café da manhã e tentar colocar a cabeça no lugar.

O cheiro de café com baunilha invadiu suas narinas quando ele adentrou o espaço com o skate embaixo do braço. Ele abriu um sorriso triste ao lembrar de tantos momentos que vivera ali, ao lado da sua não só namorada, como também melhor amiga. Entrou na fila do caixa, e encontrou o atendente que já o conhecia de outras idas ao local.

— Hey garoto, o de sempre? — O rapaz perguntou.

— Sim. — Ele respondeu sorrindo, mas logo desfez — Mas sem o chocolate quente, e o sonho de doce de leite. — Completou, lembrando do pedido da namorada.

— Eu sei, a mocinha já veio pedir o dela hoje. — O atendente sorriu, entregando a nota fiscal para ele — Não preciso dizer, mas você aguarda ali no balcão.

— Espera, a esteve aqui hoje?

— Ela vem aqui todos os dias, irmão. — Ele falou como se fosse óbvio — Próximo da fila por favor. — Gritou, quase mandando sair do lugar.

Depois de pegar seu café da manhã, o menino sentou na mureta da padaria, para comer em paz, e também tentar pensar onde poderia encontrar a menina. Se ela havia passado na padaria pela manhã, talvez agora ela estivesse em algum lugar que também gostava de frequentar, seguindo essa teoria, não seria muito difícil de encontrá-la. Ele terminou de comer o mais rápido que conseguiu, quase engolindo o sanduíche inteiro, e mais uma vez se pôs a subir no skate, para começar a busca.

O primeiro lugar que ele visitou, foi a biblioteca central da cidade. costumava passar o tempo livre no local, porque o Jardim era agradável e os livros eram sua companhia preferida. Como ela não estava do lado externo, ele entrou no local, cumprimentando a bibliotecária já conhecida, e foi em direção aos livros de romance, os preferidos da garota; mas ela também não estava lá, e ele deixou o prédio um tanto quanto frustrado.

sentou na grama, com os pés apoiados no skate, e abriu as notas do celular, fazendo uma lista dos lugares mais frequentados por ela na cidade. Como eles moravam em uma cidade pequena, no litoral, não tinham muitas atividades nem locais possíveis.

— Ok, ela não estava na cafeteria, nem na biblioteca. — Falou sozinho, riscando os itens da lista — Me restam a igreja, o clube e parquinho de pets. — Ele pontuou, levantando e guardando o celular no bolso.

A segunda parada foi o clube, mas o porteiro afirmou com convicção que a menina não havia passado por ali; primeiro porque não constava no registro de entradas do clube e segundo porque as piscinas estavam em manutenção então o lugar só abriria de fato pela tarde. Então, educadamente ele agradeceu e desceu a rua em direção ao parque dos pets.

A velocidade do skate já não era mais a mesma quando ele chegou em um dos locais preferidos da na cidade, já sendo abordado por um golden de pelos dourados, no qual ele fez um rápido carinho antes do cachorro mudar a atenção para o passarinho que passava. O espaço não era muito grande, e ele encontrou alguns amigos com seus cachorros, que pareciam curtir as férias de um modo mais adequado.

— Hey . — Leandro, seu amigo dos passeios de skate se aproximou, com o cachorro em seu encalço — Tá fazendo o que por aqui? Você sumiu.. — O menino comentou, cumprimentando o outro com um toque de mãos que os dois estavam acostumados a fazer.

— Oi Lê, você viu a por aqui?

— Não, não tenho visto nem ela nem os cachorros desde que.. entramos de férias. — Explicou, abrindo um sorriso murcho para o amigo.

— Obrigada, vejo você por aí então. — deu meia volta, na direção da igreja. Já havia desistido de usar o skate e começou a seguir a pé, com o objeto embaixo do braço.

Só restava mais um lugar frequentado por que ele conhecia, e ele já estava perdendo as esperanças de encontrá-la. Soltou uma risada triste e abafada ao pensar na fala de Geraldo e Marisa “ir para onde os corações partidos vão”, aquilo não fazia nenhum sentido para ele… Já havia visitado todos os lugares que a garota se sentia confortável, para onde mais ela poderia ir?

Ao se aproximar da igreja pôde perceber que não estava acontecendo nenhuma missa, mas tinham algumas senhoras organizando as barraquinhas para a quermesse que aconteceria em breve. Ele conhecia uma das organizadoras, que também era a responsável pelo grupo jovem, no qual ele sabia que fizera parte quando eles se conheceram.

— Bom dia, dona Helena. — Ele acenou do portão, deixando o skate apoiado no muro, antes de entrar no pátio da igreja. A senhora sorridente de cabelo branquinho, quase lilás se aproximou com um tubo de linha nas mãos.

— Bom dia, querido, o que faz aqui? O grupo jovem só vem ajudar mais tarde. Você está bem? — Ela desatou a falar, como sempre fazia, e perguntou observando a feição um pouco triste do jovem.

— A senhora se lembra da , não é?

— Claro querido! Aconteceu algo com ela? — Helena ajustou os óculos no rosto, com uma das mãos, olhando com cautela para o menino.

— Não, ela está bem, eu só estou a procurando e não a encontro. — Frustrado, ele passou a mão nos cabelos, tirando os cachos que caiam em seus olhos — Mas pelo visto ela não passou aqui, não é?

— Não, faz um tempo que não a vejo pela região. Eu soube que vocês romperam o relacionamento. — Comentou, esperando a reação do mais novo.

— Sim, as notícias correm por aqui não é?

— Essas senhoras precisam ter algo sobre o que falar enquanto organizam a quermesse né? — Ela indicou com a cabeça, e ele sorriu, sem graça — Só tenho um conselho para você, querido.

— A senhora também vai dizer para eu procurar aonde vão os corações partidos? Porque se for, com todo respeito, não precisa. Não sei como encontrar esse lugar. — Chutou uma pedrinha que estava na sua mira para longe, vendo a senhora se aproximar ainda mais, e segurar sua mão.

Helena guiou a mão direita de até o peito, com um sorriso sincero, antes de oferecer o seu conselho.

— Para de pensar um pouquinho, e siga seu coração, ele vai saber aonde você deve ir. — Ela concluiu, apoiando a palma da mão do garoto do lado esquerdo do peito.

piscou algumas vezes, tentando absorver as palavras da mulher, enquanto ela se despedia com um aceno e voltava para sua atividade, ele murmurou um obrigada um tanto quanto baixo, e saiu arrastando os pés pelo estacionamento de brita.

De todos as missões que ele havia tomado para si, durante seus quinze anos de vida, encontrar naquele dia parecia ser a mais difícil de se concretizar. Na cabeça dele, as opiniões alheias circulavam com força, mas não consiga pensar em mais nenhum lugar para fazer essa procura. Já não controlava o corpo, nem guiava seus pés; andava agora sem rumo, se sentindo desolado, perdido e sozinho.

O barulho do mar e das ondas batendo, foi o que fez com que levantasse a cabeça novamente. Havia descido quatro quadras a pé desde a igreja, sem ao menos se dar conta de onde estava indo. Olhou para o horizonte, onde o mar cruzava com o céu e sorriu de verdade, pela primeira vez no dia.

Um pontinho de cabelos castanhos sentado na areia com dois cachorrinhos encolhidos ao redor foi o que chamou atenção dele, durante o passeio com o olhar. Ele saiu da calçada, descendo pela areia e se aproximando da menina. Sorriu com a própria conclusão que agora rodava em sua mente. Então era isso que os adultos queriam dizer com “ir para onde vão os corações partidos”. Seguir o próprio coração.

— Ei Zeus, volta aqui. — A voz baixinha e autoritária de chamaram atenção do , quando viu o cavalier preto sob seus pés. A menina olhou para trás, na direção de onde o cachorro tinha ido, vendo o menino em pé, acariciando o macho, mas olhando para ela. — Ah, oi. — Cumprimentou.

— Oi. — Ele acenou com a cabeça, carregando Zeus, e caminhando em direção à menina. — Posso sentar?

— A praia é pública, . — Ela sorriu, pegando Zeus de volta, e o colocando no colo, ao lado de Zara, que dormia tranquila.

— Estava procurando por você. — Ele comentou, sentando na areia, colocando o skate com as rodas para cima, e olhando para a menina. Ela levantou o olhar, franzindo a testa em direção ao garoto.

— Para que? — perguntou, acariciando o cachorro e acalmando-o em seu colo.

— Na verdade, eu passei a manhã toda te procurando, e esqueci de pensar no que exatamente ia dizer pra você. — Ele sorriu.

— Como você me achou aqui? — Questionou, com desconfiança.

— Eu meio que parei de procurar… — Hesitou, apoiando a mão no colo — Segui meu coração, e parece que vim para onde..

— Vão os corações partidos. — Ela completou, e os dois falaram em uníssono. O sorriso de abriu, assim como o de , no mesmo instante.

— Você também estava me procurando?

— Estava… queria conversar, saber se você estava realmente bem com essa escolha, minha mãe falou essa doideira do coração partido, e quando fui na sua casa, de manhã, seu avô também me falou isso. Acabei desencanando e vim parar aqui.

— Os dois também me falaram isso. — Ele deu risada, levando a menina a fazer o mesmo.

— Isso foi uma espécie de armação? — Ela arqueou a sobrancelha.

— Sua mãe não parecia muito surpresa quando abriu a porta pra mim, então acho que sim. — Ele afirmou, sem conseguir parar de sorrir.

— Eu senti sua falta, . — Ela falou sincera, se aproximando.

— Eu também, todos os dias, Ni. — Ele falou, afastando uma mecha de cabelo do rosto da garota, colocando atrás da orelha.

Os dois se mantiveram naquela posição por cerca de cinco minutos, apenas trocando olhares suficientes para entenderem que o que sentiam um pelo outro era forte o bastante para não ser quebrado sem nenhuma razão. O primeiro a tomar uma atitude foi , se aproximando ainda mais, e sussurrando envergonhado se ela o perdoava por ter cometido um grande erro. Quando a resposta positiva veio, foi a vez dela se aproximar, beijando o garoto.

O beijo foi interrompido por lambidas caninas de um Zeus animado e sujo de areia. Os dois riram, se afastando, e foi o primeiro a levantar.

— Acho que está na hora de irmos aonde os corações preenchidos vão. — Ele estendeu a mão, e a menina segurou, sorrindo.

FIM.

Nota da autora: OI GENTE <3 primeiro queria agradecer a você, que chegou até aqui! Segundo, eu escrevi “Where do broken hearts go” para um trabalho da disciplina de literatura infanto-juvenil da faculdade, então ela precisou seguir algumas regrinhas tipo: ser leve, ter personagens mais jovens, voltada para um público juvenil! Mas aí eu me inspirei na música de mesmo nome do One Direction e o resultado foi essa fofura! O 10 veio, graças a deusa kkkk mas como eu tenho um carinho muito grande pela história, resolvi que ela não podia ficar parada na minha pasta de “trabalhos entregues”, por isso, escolher postá-la aqui no site tornou tudo ainda mais especial! Muito obrigada por ter lido, eu espero que vocês tenham gostado! Em breve chego aqui no fofic com mais histórias de amor, tá? Beijão!