Acorrentados no Inferno

Sinopse: Quando Raven Stolk decide fazer uma viagem com suas colegas de faculdade, ela só consegue pensar no descanso merecido após um longo e trabalhoso semestre. A ideia de fazer um acampamento lhe deixava eufórica, já que, como boa estudante de biologia, ela amava uma aventura.
O que Stolk não imaginava era que misteriosas e brutais mortes começariam a acontecer, além de aparições que fariam com que a garota questionasse sua própria sanidade.
Em meio ao desespero e à busca pelo responsável por aqueles crimes, a única coisa que Raven passa a desejar é escapar com vida, deixar aquele circo de horrores para trás.
Presa àquele lugar, agarrando-se aos resquícios de esperança, seus instintos gritam pela sobrevivência enquanto sua mente lhe prega peças. Os pesadelos se misturam à realidade, suspeitas são levantadas e ninguém parece estar a salvo. Todos tinham um preço a pagar, por mais ocultos que fossem seus pecados.
Estaria ela preparada para a própria condenação?
Gênero: Terror, Suspense.
Classificação: 18 anos
Restrição: Alguns nomes são fixos. Cenas pesadas de violência e tortura.
Beta: Donna Sheridan

Capítulos:

PRÓLOGO

Os gritos ecoavam por toda parte, exprimindo o pavor agonizante, revelando o anseio desesperado pelo prolongamento dos dias em meio à infame resignação de que a morte havia chegado. Não adiantava correr ou tentar se esconder, ali estava ela.
O rastro de sangue brilhava, ofuscando a grama, que outrora era tão viçosa, tão verde e bem aparada, aumentando a sensação de pânico de quem ainda tentava se salvar.
Com o passar dos segundos, a destruição se fazia presente em cada canto daquele lugar e quanto mais o cheiro podre de enxofre se espalhava pelo ar, maior se tornava a quantidade de corpos largados a esmo, tornando a cena mais aterrorizante.
Então, em meio aos cadáveres, surgiu uma garota caminhando trôpega enquanto olhava ao redor e segurava a barriga ensanguentada, um acesso de tosse se misturou aos soluços e à sensação de sufocamento que o nó na garganta lhe trazia. O gosto de sangue se fez presente desde o início daquele tormento e não quis abandoná-la de forma alguma. O instinto de sobrevivência lhe fez tentar gritar, mas aquilo fora em vão.
Sem forças, tudo o que saiu de seus lábios foi um grunhido sofrido enquanto a dor que sentia parecia triplicar, paralisando seus movimentos, fazendo-a travar também uma luta para se arrastar pelo local, iluminado apenas pelo brilho fraco da lua.
Demorou alguns segundos para que ela sentisse a sombra que se aproximava dela sorrateira, mas quando a percebeu, se virou bruscamente, gemendo de dor e sentindo que o pânico lhe deixava mole ao encarar diante de si o maior de seus pesadelos.
Você — sua boca se moveu e a voz saiu fraquinha, ela sentia tanta dor que seus olhos brigavam contra a sua vontade de mantê-los abertos. Era um misto do tormento psicológico com o físico e, por fugazes instantes, ela cogitou desistir de lutar.
— Olá, amor. Você também vai tentar correr? — o sorriso sarcástico fez com que a raiva borbulhasse em meio ao medo e ali estava sua humanidade, gritando para que fizesse alguma coisa, para que não fraquejasse mesmo que todos os seus músculos implorassem por isso, mesmo que o frio que percorria sua espinha deixasse evidente que seu fim estava ali, diante de seus olhos.
— Por favor… — o riso de deboche ecoou, macabramente, apagando completamente a fala ainda fraca da garota.
— Está claro que não vai, mas me diga então, está preparada para a sua condenação?
O brilho diabólico naqueles olhos era o suficiente para que ela tivesse certeza de que realmente lutar seria em vão. Aquele era mesmo o seu fim.
Abriu seus braços, em sinal de rendição, fechando os olhos e os apertando, trazendo aos seus pensamentos memórias que levassem para bem longe o quanto a morte ria de seu desespero.
Sua boca se entreabriu e a lamúria de pavor foi o último som que ecoou de sua garganta antes que seu corpo desfalecesse e ela então mergulhasse na mais profunda escuridão.

Nota da autora: Nem estou acreditando que ANI está de volta aaaaaaaaa. Essa foi a primeira história que eu escrevi desse gênero e eu sinto um carinho tão grande por ela que vocês não têm ideia!
Para quem já acompanhava antes, a partir de agora, vocês terão uma versão completamente reescrita e fica aqui o meu agradecimento por mais uma vez embarcarem nessa comigo!
Para as que estão descobrindo essa história agora: sejam muito bem vindas e eu espero de coração que gostem.
É isso, não deixem de comentar porque isso me motiva MUITO a continuar.
Se quiserem receber avisos de quando a fic atualizar, bem como spoilers ou informações sobre minhas outras histórias, além de interagir com essa autora meio doida, me sigam no instagram e entrem nos grupos do whatsapp e facebook!
Beijos e até a próxima!
Ste.

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CAPÍTULO UM – SENSAÇÃO ESTRANHA

— Só pode ser isso! — o sussurro ecoou pela sala em silêncio, fazendo a garota praguejar mentalmente quando sua atenção foi chamada pelo professor.
— Algum problema, Camille? — Ela o encarou com uma expressão de quem se desculpava, mas ao mesmo tempo queria esganar o homem à sua frente por insistir em perguntas como aquela no papel. Só ver a sombra daquele tal ciclo de Krebs fazia seu estômago se revirar de desgosto e seu cérebro dar um nó completo.
Bioquímica realmente não lhe causava nenhuma simpatia, por mais que fosse um mal necessário à sua futura profissão.
— Não, professor — respondeu, abrindo um sorriso amarelo. — Nenhum que você se dará o trabalho de resolver — resmungou baixinho a última parte, escrevendo rapidamente a última resposta que conseguiu. Ainda restavam duas questões para que concluísse a prova, mas sabia bem que aquele era seu limite e por mais que tivesse estudado, no fim das contas aquela matéria não entrava em sua cabeça.
Levantou-se da carteira, recolhendo seus materiais e as benditas três folhas de prova, então lançou um olhar rápido na direção de suas amigas, que se sentaram espalhadas na fileira dela e na do lado. Localizou apenas duas delas ali, o que queria dizer que pelo menos uma já havia acabado e esperava do lado de fora da sala. Entregou as folhas nas mãos do professor, evitando encará-lo porque não queria nem ver se ele espiava suas respostas, então deixou o local rapidamente.
— Nossa! Mal consigo acreditar que finalmente essas provas acabaram! — disse assim que avistou Kate sentada em uma das mesas do corredor, apoiando os pés em cima do banco e desviando sua atenção do celular para ela.
— Nem me fala. Se eu tiver que assinar meu nome em mais alguma folha, que seja na do meu pagamento. — Empurrou a bolsa para o lado, dando espaço para que a amiga se sentasse ali.
— Pagamento de onde, Kate? Ser biscate não é emprego não, amiga — brincou com a cara da outra, que estreitou os olhos em sua direção.
— Você vai ver a biscate quando eu picotar todo esse seu cabelinho. — Apontou na direção de Camille, que riu.
— Ui, desse jeito eu até fiquei com medo de você. — Ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Continua debochando. Logo você terá o que merece, Camille Devonne — resmungou, segurando o riso e não conseguindo porque a outra continuava a rir. — Pare, Camille! — Kate a estapeou.
— Pare você de me agredir, sua maluca! — Camille tentou se esquivar.
— Mas o que é que as duas já estão se amando e nem esperam por mim? — Se surpreenderam ao ouvir a voz de , que se aproximava com Lorraine.
— Não fique com ciúmes não, . Meus beijos sempre serão só seus. — Kate olhou na direção das amigas, bem a tempo de notar a expressão indignada da garota ao lado.
— Então é assim? Você casa comigo e me trai com a Kate? Explique-se, ! — Fez cara emburrada.
— Claro que não! Sei é nada sobre esse negócio de beijos aí. — Já foi se sentando no banco, empurrando os pés de Kate. — Dá licença aí, folgada.
— Você tá muito abusada, garota — Kate resmungou, mas deu um espaço melhor para que e Lorraine se acomodassem por ali.
— Passaglia resolveu tirar o nosso coro hoje ou foi só impressão minha? Ô provinha do inferno, uh? — Lorraine desviou o assunto, porque estava doida para saber como as amigas haviam se saído na prova.
— E quando é que ele não tira, amiga? Eu quis chorar quando ele entregou aquele monte de folhas. Por que fazer tantas perguntas? Por quê? — Camille já saiu comentando, como se estivesse só esperando a deixa para xingar seu professor menos querido.
— Se ele ao menos conseguisse ensinar alguma coisa direito, até daria para defender. O problema é que se fosse para ficar lendo slides, eu nem iria para a aula. O cara não tem um pingo de didática e isso é triste — se queixou, mas sabia que não adiantaria em nada reclamar. Tendo didática ou não, aquele professor comandava diversas pesquisas, ninguém tiraria suas aulas.
— A única coisa que eu sei é que mal vejo a hora de apresentar logo esse seminário de anatomia comparada na quinta. Férias, sua linda, tô com saudades! — Kate disse, encarando algum ponto fixo atrás das meninas, que riram do drama dela.
— Você é tão boba, Kate. — negou com a cabeça.
— E você me ama desse jeitinho mesmo. — Piscou para a amiga.
— Sinceramente, essas férias são mesmo muito bem-vindas. Não sei vocês, mas eu fiquei esgotada esse semestre — Lorraine comentou cansada.
— Mas você nunca vem, Lori! Tomei um susto quando te vi na sala hoje! — Camille brincou, fazendo as outras duas rirem.
— Nada a ver, Camille! — E bufou ao ver a expressão cética das três. — Tá bom, eu admito que falto um pouco, mas é que eu fico com preguiça de vir e o limite de faltas existe para ser usado, ué.
— Claro, Lori, nós sabemos. — tocou o ombro dela. — Mas um pouco é apelido, meu amor.
— Vai te catar, . — Tirou a mão da garota de si.
— Mas, mudando de assunto, nós vamos mesmo a essa viagem que o povo está inventando ou vocês só vão fazer fogo mesmo? — Kate interrompeu o que seria mais uma sessão de amor gratuito. — E cadê Sophie e Lucinda que não deram as caras ainda?
— Elas tinham genética agora, não? — Camille respondeu sem ter muita certeza.
— Era sim. A Lucy não parava de falar na prova que elas tinham. Aposto que ela ficou por último na sala — Lori completou e logo avistaram as duas que faltavam para completar o grupo se aproximando.
— Pelas caras de vocês, já estavam nos xingando pela demora. — Sophie parou diante das meninas com um meio sorriso enquanto Lucy lia alguma coisa no celular.
— Que nada. Já xinguei o bastante quando vocês nos traíram e pegaram genética em vez de bioquímica. — Kate deu de ombros.
— Você sabe que nem foi de propósito, Kate. As vagas acabaram — Sophie se explicou e a outra apenas moveu os ombros, como se estivesse emburrada de novo.
— Droga! Eu sabia que tinha que ter marcado a c, eu sempre faço isso! — Lucinda exclamou, fazendo uma careta desapontada, atraindo os olhares de todas.
— Oi para você também, Lucy — chamou atenção da amiga, que acabou rindo sem graça.
— Foi mal, meninas. Eu to ficando louca porque preciso ir bem nessa prova ou vou reprovar. Não quero fazer genética de novo — se queixou, deixando confusa.
— Ué, mas você não disse que gosta de genética? — questionou.
— Eu gosto, mas se vocês reclamam do Passaglia, esperem só até terem aula com o Blanchard. — Balançou a cabeça em negação, resolvendo deixar para lá o assunto aulas e provas. — Mas então, do que vocês falavam quando chegamos?
— Ah sim! A viagem, amiga. Nós vamos ou não? — Kate retomou a pergunta.
— Por mim, não era fogo no rabo, não. Eu to doida para ir — confessou empolgada e Katherine bateu palminhas, mas Lucinda permaneceu quieta, ficando pensativa.
— Ai, sim! Fiquei sabendo que o pessoal da oceanografia vai também — Sophie comentou, olhando maliciosa para as garotas.
— Jura? Agora que eu quero ir mesmo. — Lori até passou a língua pelos lábios.
— Sua safada! Já tá pensando em qual macho vai agarrar! — Camille disse, mas pensava em algo parecido.
— Como se você também não estivesse, Cami! — Kate soltou, fazendo-a rir. — Vai ser o máximo. O pessoal da oceano anima muito as festas.
— Isso é verdade. Fora que vai ser um alívio ter uns rostinhos diferentes dos da bio. Eu amo meu curso, mas variar é sempre bom — Sophie disse e concordou com um aceno de cabeça.
— E você, dona Lucy? Não falou nada até agora. Você vai, não é? — chamou atenção da menina, que tinha voltado a mexer no celular.
— Ah, não sei, meninas. Eu ainda tenho que ver — falou, sem desgrudar os olhos do aparelho.
— Ah, Lucy — Sophie começou, mas foi interrompida por .
— Não tem essa, amiga. Você vai e pronto! Que graça tem se todas nós formos e você não? — Ela estava decidida a não receber não como resposta.
— Verdade, Lucinda. Nem pense nisso! — Kate reforçou até estreitando os olhos para Lucy, que levantou seu olhar para as meninas e acabou dando um meio sorriso.
— Tudo bem, eu vou. Mas é só porque as bonitas não vivem sem mim. — Piscou para elas.
— Viver até vivemos, mas quem disse que nós queremos? — Camille retrucou em tom de brincadeira. — Agora precisamos procurar o bonitinho do centro acadêmico então. Parece que tão conseguindo um ônibus saindo daqui.
— Para onde que vai ser essa viagem mesmo? — Lori perguntou, porque não lembrava de ter visto. De início, só tinha bastado saber que o pessoal do curso estava organizando uma viagem e que as amigas iam.
— Rochester, se não me engano. Falaram em acampamento e depois que um pessoal aluga umas cabanas para quem gosta de ficar em contato com a natureza — Sophie responde, era quem estava mais bem informada sobre o assunto.
— Nossa, e tinha gente pensando em perder isso — Kate implicou com Lucy.
— Tenho certeza de que essa viagem será inesquecível — disse, sentindo um aperto gostosinho no peito e sabendo que era a ansiedade dando as caras. Tinha tudo para ser perfeito.
— Com certeza será! — Camille concordou. — Gente, vamos comer alguma coisa agora? Estou morrendo de fome e aí podemos passar no C.A. depois — propôs.
— Ótima ideia — Kate aceitou e as outras concordaram, então pegaram suas coisas e seguiram animadas para uma das lanchonetes do campus.

😈

, se perdermos esse ônibus, eu juro que esgano você e a Lorraine! — foi o que Camille disse assim que a amiga atendeu o celular, o que fez tremer de nervoso. Conhecia Cami bem até demais para não levar suas palavras em consideração.
— Eu sei, amiga, eu sei. Nós perdemos o primeiro ônibus, mas já estamos chegando — tratou de se explicar sem conseguir disfarçar o sono em sua voz.
— Bem a cara das duas mesmo, tá louco — resmungou, encerrando a ligação e revirando os olhos.
— Gente, e a Lucy? — Sophie questionou, já que não havia visto nem sinal da garota também.
— O celular dela está caindo na caixa de mensagens — Camille respondeu, contendo a vontade de revirar os olhos novamente. Ela normalmente era bem humorada quando acordava, mas sua falta de paciência em ficar esperando pelas pessoas conseguia superar qualquer coisa.
— Quer apostar quanto que ela desistiu de ir? Aí depois vai dizer que ficou sem bateria e o despertador não tocou — Katherine disse em um misto de tédio e uma certa irritação com Lucinda. Odiava quando marcavam alguma coisa com ela e desistiam de última hora. — Podem escrever que essa é a última vez que convido a Lucinda para qualquer coisa. Se quiserem que ela fure mais algo, fiquem por suas contas e riscos — soltou decidida.
— Até parece, Kate. Já perdi as contas de quantas vezes ouvi você dizer a mesma coisa — Camille disse, rindo e se esquivando de um tapa quando Katherine veio em sua direção. — Mas já está fazendo a agressiva?
— Eu não tomei café. Não exija amor de minha parte — resmungou, mas acabou sorrindo para Cami.
— Pelo amor de Cristo, ligue de novo para a . O ônibus acabou de chegar — Sophie disse agoniada, atraindo os olhares das outras duas. — E lá se vão os lugares bons — queixou-se ao ver vários colegas irem em direção ao veículo.
— Se eu tiver que me sentar no primeiro banco, aquelas duas vão sofrer até dizerem chega — dessa vez foi Katherine que ameaçou.
— Como vocês me amam, hein! Acalmem esses coraçõezinhos trevosos aí. Olhem só quem chegou. — apareceu sorridente até demais para alguém que odiava acordar cedo em pleno sábado e agindo como se não estivesse atrasada.
— Já te disseram o quanto você é péssima, ? — Kate resmungou mal humorada.
— Ainda serei péssima se disser que trouxe café? — Só então a outra notou o pacote nas mãos da garota e seus olhos se iluminaram.
— Abençoada seja. Nunca critiquei. — Aquilo fez com que risse com gosto.
— Lorraine, você veio mesmo. Isso que eu chamo de milagre, viu? Podia jurar que não conseguiria acordar nem por um decreto — disse Sophie, zoando a amiga.
— E você acha que ela foi dormir lá em casa por quê? O atraso é todinho culpa da Lori — se intrometeu, aproveitando a situação.
— Ah, cai fora, ! Você se atrasa até pensando na resposta — Lorraine retrucou, fazendo com que até a própria acabasse rindo.
— Não mentiu. — Abriu um sorriso e olhou em volta das meninas. — E a Lucy?
Camille, que estava com o celular no ouvido, provavelmente tentando insistir em ligar para a garota, abriu a boca para responder, mas foi interrompida por um grito.
— Bem aqui! — Lucinda chegou, dando o seu melhor ao correr carregando a mochila pesada.
— Minha nossa, eu não acredito que ela veio mesmo. Melhor cancelar a viagem, porque ou vai chover ou o mundo vai acabar mesmo — exclamou fingindo surpresa.
— Ha ha, como você é engraçada, . — Lucy deu língua para ela, rindo ofegante.
— Vamos embarcar de uma vez nesse ônibus, já que estamos todas aqui? Daqui a pouco sai e ficamos para trás — Camille chamou a atenção das amigas, indicando que até o motor eles já tinham ligado.
— Faz sentido, vamos logo — concordou e as seis finalmente entraram no veículo.
Exatamente como Sophie havia previsto, os bons lugares já estavam ocupados. Elas odiavam os primeiros bancos por ser um local silencioso demais. Já o fundão, era muito barulhento. O meio era perfeito, mas estava praticamente todo ocupado e como elas não queriam viajar separadas, se contentaram com o intermediário entre o meio e o fundão.
Katherine e Camille foram para o lado direito do ônibus, assim como Lorraine e Sophie. Já e Lucinda ficaram do lado esquerdo, facilitando as conversas entre o grupo.
Assim que estavam acomodadas, engataram em conversas animadas até o momento em que foram interrompidas por um rapaz ao mesmo tempo em que sentiam o veículo começar a andar.
— Galera, um minuto de atenção aí e vocês já voltam a fazer bagunça. — Ele soltou uma risadinha. Imediatamente, as garotas pararam de falar para prestar atenção nele e até abriu a boca, embasbacada porque aquele era bem o tipo dela.
— Socorro, de onde saiu essa coisinha linda? — soltou em um tom mais alto do que gostaria, o que acabou atraindo o olhar do rapaz em sua direção. Ele sorriu de canto e ela acabou retribuindo sem jeito, sentindo seu rosto esquentar.
— Quer um babador, ? — Camille disse, rindo.
— Acho que um babador não dá conta, Cami. Melhor arrumar logo um balde para ela — Kate ajudou a zoar.
— Eu mandaria as duas irem se foder, mas acho melhor aceitar o balde de uma vez. Eu to chorando com esse homem, não disse por onde — acabou entrando na delas, fazendo com que gargalhassem.
— Você não presta, . — Lorraine negou com a cabeça.
— Mas será que vocês podem calar a boca? Quero ouvir o que ele tem para falar — Lucinda resmungou, fazendo com que as garotas fizessem caretas indignadas.
— Ô loco! Calma aí, estressadinha — Kate soltou como se tivesse sido estapeada na cara.
— Não estou estressada, Kate. Só quero ouvir o que o cara está falando! — ela retrucou.
— Te falar que eu nem me importo com o que ele tem a dizer. Me interessa muito mais com o que ele pode fazer, se é que vocês me entendem. Será que ele tem namorada? — disse maliciosa.
! — Lucy resmungou, lhe lançando um olhar assassino.
— Quero andar contigo no recreio, — Sophie disse e piscou para a amiga.
— Agora fiquem quietas mesmo. Vamos ouvir o que o moço tem para dizer. — se endireitou, deixando as amigas de lado e fazendo com que elas a olhassem indignadas, mas não deu a mínima para isso.
— A previsão de chegada a Rochester ficou por volta das duas da tarde e nós combinamos com o motorista de fazer uma parada para o almoço — o rapaz falava rapidamente, querendo acabar com aquilo o quanto antes.
— Droga, quero fazer xixi — Lucy resmungou, fazendo uma careta. Duvidava ser capaz de tirar do transe em que estava naquele momento. Ela realmente tinha gostado do rapaz.
— Como vocês já devem saber, conseguimos alugar umas cabanas bacanas e mais além já vai rolar uma festa de abertura do acampamento. — Algumas pessoas gritaram em comemoração e ele precisou fazer uma pausa. As meninas acompanharam o coro e mais uma vez o rapaz olhou na direção de . Katherine e Camille automaticamente se entreolharam maliciosas e trocaram sorrisos. — Tá todo mundo de férias, então não tem regra nenhuma e, se tiver, eu não faço nem ideia, mas tentem ficar vivos — complementou, por fim, e a maioria riu novamente. — Boa viagem, galera.
se sentiu um tantinho estranha com aquela história de tentar ficar vivo, mas com certeza era a ansiedade pelo acampamento falando mais alto. Fora que aquele homem lindo a desestabilizou inteira.
— Gente, que homem! — voltou a comentar, piscando tolamente.
— Investe, amiga. Ele não usa aliança — Camille disse, arqueando uma sobrancelha sugestiva para , que sorriu de canto.
— Ah é? Perfeito mesmo — comemorou.
— Quero ser a madrinha do casamento, hein? — Sophie soltou, brincando com a amiga.
— Exagerada mesmo. Cala a boca, Sophie! — deu risada.
, você pode me dar licença? — Lucy pediu, mas estava tão avoada que mal prestou atenção nas palavras dela.
— Oi? — soltou com a maior cara de interrogação.
— Licença, amiga. Minha bexiga está gritando — repetiu se segurando para não rir da cara de perdida que fez. Aquilo era perfeitamente normal quando se tratava da . Muitas vezes ela até entendia cada palavra que lhe diziam, mas ficava tão perdida em seus próprios pensamentos que, quando percebia, já havia respondido o “Oi?” habitual, acabando por fazer a pessoa repetir a pergunta.
— Ah tá. Claro, Lucy. — se levantou rapidamente e deu passagem para ela.
voltou sua atenção para a tela do celular, ouvindo as conversas das amigas ao fundo enquanto rolava as postagens no Instagram, então sentiu que alguém se aproximava dela e franziu o cenho, achando que Lucy havia sido rápida até demais no banheiro.
— Com licença, moça. Tem alguém sentado aí com você? — Se assustou ao ouvir a voz masculina e ergueu seu olhar até o rapaz, não conseguindo conter o sorriso que se formou em seus lábios.
Ele sabia que havia alguém ao lado dela, tinha visto Lucinda com a garota.
— Na verdade… — pelo canto de olho, viu que Kate e Sophie lhe repreendiam com o olhar — não tem, não. Pode se sentar. — Pulou para o assento da janela, dando seu lugar a ele e encarando o rapaz com interesse. Ainda tinha lugares vagos no ônibus, por que então ele tinha vindo até ela?
Mais um olhar na direção das meninas e ela as notou sorrindo maliciosas em sua direção enquanto Lorraine batia palminhas animadas. Ignorou, voltando sua atenção completa para o rapaz.
— River Blackwood, mas você já deve saber disso — ele disse, estendendo a mão para a garota e ela só conseguiu absorver o quanto o nome dele era sexy. Um arrepio passou pela nuca da garota só com aquilo.
— Pior que não. Minhas amigas não paravam de tagarelar enquanto você estava ali falando e eu não tinha ouvido o seu nome — explicou, tentando não parecer tão interessada assim. Ele que lutasse um pouco. — — se apresentou, segurando a mão do garoto, que a surpreendeu ao se aproximar e dar um beijo no rosto de .
. Gostei do seu nome, faz jus a você — River elogiou, fazendo com que ela voltasse a sorrir.
— Pensei a mesma coisa quando me disse o seu — retrucou, piscando para ele, que retribuiu o sorriso dela. — Mas me diga, River, você é da oceano? Com certeza eu lembraria de você se fosse da biologia.
— Sim. Estou no último período, graças a Deus. — Ele soltou uma risada.
— Minha nossa, que sonho! Eu ainda estou no quarto período. — Fez uma careta.
— Mas o seu curso parece ser muito maneiro. Acho que, se eu tivesse que escolher de novo qual faculdade faria, seria biologia — comentou, fazendo lhe estreitar os olhos.
— Tem certeza de que não está dizendo isso só para ganhar pontos comigo? Porque eu não vou elogiar o seu curso, River Blackwood. Eu prefiro mil vezes o meu — retrucou, fazendo-o soltar um muxoxo.
— Droga! Achei que estivesse funcionando. — acabou rindo. — Fiz você rir, isso já conta.
— Talvez conte. — Ela deu de ombros e desviou o olhar dele por uns segundos, se questionando se Lucy a esganaria naquele dia ou no seguinte por deixar roubarem o lugar dela. No entanto, encontrou a amiga sentada mais à frente, ao lado de uma garota de quem ela não lembrava o nome.
— Mas eu falei sério. Realmente acho biologia um curso maneiro — River voltou a afirmar, chamando a atenção de para si.
— Vou acreditar em você, então. — Encarou-o novamente e se perdeu um pouco no olhar que o garoto lhe lançava. Parecia que tudo naquele rapaz a puxava em sua direção e por alguns segundos ela até fantasiou em como seriam os beijos dele.
Mal conhecia o cara e já pensava nos beijos. não prestava mesmo.
— Já tem ideia do que vai fazer depois que se formar? — Resolveu continuar puxando assunto ou ia passar vergonha babando de verdade.
— Mais ou menos. Eu to com um projeto na microbiologia marinha, mas ainda preciso decidir se vou continuar com essa área ou não. — precisou se segurar para não soltar uma exclamação de aprovação. — Imagino que para você seja mais complicado escolher. Meu curso é amplo, mas o seu é bem mais.
— Sim. Realmente é, mas eu já entrei para a biologia com a ideia formada. Quero forense. Sonho em ser investigadora, quem sabe até uma agente do FBI — disse toda sonhadora.
— Temos aqui uma fã de CSI? — River sorriu de canto.
— CSI, Sherlock Holmes e Hannibal. — assentiu e o sorriso dele se alargou.
— Melhor eu tomar cuidado com você, então — brincou.
— É o que dizem — não discordou e os dois riram.
— Tá aí. Gostei de você, — ele disse assim que o riso foi embora e ela sentiu novamente seu rosto esquentar. Estava achando até meio engraçado se sentir nervosa perto do rapaz.
— Que bom, River, porque eu também gostei de você. — No entanto, seu nervosismo jamais lhe impediria de flertar de volta.
Continuaram conversando durante toda a viagem e estava achando incrível a afinidade que surgia entre os dois. River escutava com atenção as coisas que ela dizia e ele tinha tantas coisas interessantes para contar que não conseguia se imaginar sentindo tédio ao lado do rapaz.
Durante a pausa para o almoço, os dois permaneceram juntos e as garotas nem ousaram interromper. Estavam era comemorando a formação do casal.
— Eles são a coisa mais linda juntos! — Sophie disse, enquanto elas os observavam de outra mesa. Tinham parado em uma estação de ônibus com um restaurante meio caro, mas era o que tinha e a fome falava mais alto em horas como aquela.
— Nossa, sim! Estou orgulhosa da — Lorraine concordou, mordendo seu hamburguer em seguida.
— Nossa neném está crescendo! — Kate abraçou Camille pelos ombros e os olhos das duas brilhavam com certeza.
— Aposto que, se fosse eu, vocês estariam reclamando de eu tê-las abandonado. — Lucy negou com a cabeça.
— Não seja boba, Lucinda. É claro que não! — Camille jogou uma batata frita na garota.
— Ei! Não desperdice batatas! — Lori ralhou com ela.
— Queria ser uma formiguinha só para ouvir a conversa dos dois. — Sophie estava tão vidrada no “novo casal” que mal notou a quase guerra de comida.
— Nem precisa disso, Sophie. Tenho certeza de que vai contar tudo nos mínimos detalhes mais tarde — Kate lhe disse e Sophie acabou rindo porque era verdade. não pouparia detalhes.
— Homem de Ferro maior e melhor, sem sombra de dúvidas, embora o Capitão seja um gostoso — disse sem um pingo de vergonha. O rapaz à sua frente, além de ser bonito, inteligente, divertido e gostar de várias coisas que a garota também gostava, trazia uma sensação de familiaridade, como se perto dele as coisas sempre fossem mais leves e poderia falar sobre qualquer coisa.
Por alguns segundos ela até questionou mentalmente se não estava delirando com alguém como River, porque era surreal demais o quanto ele parecia perfeito. E se ele era mesmo real, como ela nunca tinha lhe visto na faculdade antes? Ela via alunos da oceanografia o tempo todo e tinha até mesmo algumas aulas com alguns deles, com certeza teria o notado.
— Você acha? Eu já ouvi algumas pessoas dizerem que até na aparência ele é certinho demais — sorriu ainda maior ao vê-lo continuar com o assunto, mas logo se deu conta do que River havia dito, então negou com a cabeça, indignada.
— Como assim? Como esse homem não é o tipo de todo mundo? — ela disse em tom chocado. — Mas pelo menos sobra mais Steve pra mim. — Sorriu ladina.
River riu baixinho.
— Se eu fosse o seu namorado, ficaria ligado só pela forma como você fala de Steve Rogers. Acho que se ele batesse na sua porta agora e te pedisse em casamento, você aceitaria sem hesitar.
— Isso porque não falamos do Bucky ainda. Na verdade, ele que é o crush supremo. — Sentia as pernas ficarem bambas só de pensar no personagem. — E, vem cá, esse é o seu jeito de perguntar se eu tenho namorado, River Blackwood? — Estreitou seus olhos para o rapaz.
— Talvez. — Foi a ver de ele sorrir divertido. Não era como se estivesse escondendo que flertava com a moça.
— Então talvez eu não tenha namorado. — Piscou na direção dele, que umedeceu os lábios e se aproximou um pouco de .
— E será que eu tenho alguma chance quando o seu crush supremo é o soldado invernal? — sentia-se prestes a agarrá-lo só pelo tom de voz do rapaz. Era sedutor e meio rouco e aquilo fez com que ela tremesse por dentro mais uma vez.
— Se eu fosse você, tentaria. Quem sabe essa chance já não esteja por aí — retrucou doida para saber o que ele faria a seguir. — A não ser que você, River, tenha namorada. — Arqueou uma de suas sobrancelhas.
— Não, , eu não tenho namorada — ele respondeu de imediato e a garota pôde jurar que mais um pouco River a beijaria.
E daí que haviam acabado de se conhecer? estava fazendo aquela viagem justamente para se divertir. Talvez ela mesma tomasse a iniciativa.
— River!
deveria ter previsto que alguém apareceria para atrapalhar aquele momento dos dois.
— Não pense que vai escapar de mim, . — O rapaz lhe lançou mais uma piscadela antes de se inclinar para trás e olhar quem o chamava. — Fala, Whitmore.
— Desculpa, cara, mas o motora ‘tá dizendo que se não sairmos agora, vamos chegar tarde demais pra fazer festa. — Com um certo alívio, reconheceu o rapaz, Tyler, o que significava que Blackwood era mesmo real, ela apenas não havia esbarrado com ele mesmo.
— Ele não nos conhece — River soltou trocou uma risada cúmplice com Whitmore.
— De qualquer forma, melhor botar o pé na estrada mesmo. E aí, ? — cumprimentou a garota ao reconhecê-la.
— Bom te ver por aqui, Tyler. Já falou com a Kate? — Ergueu uma sobrancelha porque sabia bem que os dois tinham alguns lances de vez em quando.
— Acabei de falar com ela. — Sorriu abertamente.
— Espera aí, a é amiga da sua Kate? — River se intrometeu, questionando Whitmore, que coçou a nuca sem graça pela forma como o amigo havia falado.
Sua Kate? — não deixou aquilo passar e ergueu uma sobrancelha para o rapaz.
— Te agradeceria se não falasse nada pra ela. — Mesmo duvidando que a garota fosse esconder aquilo da melhor amiga, Tyler arriscou pedir mesmo assim.
— Farei o meu melhor, mas tenho certeza de que Katherine adoraria te ouvir a chamando assim. — E provavelmente ela levaria uns tapas de Kate se soubesse que estava lhe expondo daquele jeito.
— A cada minuto eu gosto mais dessa viagem — Blackwood comentou, atraindo a atenção de e arrancando um sorriso da garota, então se levantou antes que o motorista do ônibus viesse arrancá-los de lá pelas orelhas ou algo do tipo.
Enquanto o rapaz chamava a atenção de todos para que voltassem ao ônibus, encontrou as amigas a alguns metros deles, trocando um olhar cúmplice com Katherine e indicando Tyler discretamente.
Ele tinha razão sobre uma coisa: ela não esconderia nada de Kate.
Retornaram ao ônibus e mais uma vez River fez questão de se sentar ao lado de , o que a deixou um tanto eufórica porque quem sabe eles poderiam retomar o assunto interrompido.
No entanto, pelo menos por hora, Blackwood lhe ofereceu um de seus fones apenas para que os dois ouvissem música juntos.
Nenhuma palavra foi trocada entre eles e ela se sentiu um tanto incomodada, embora o gesto anterior permitisse que ambos ficassem muito próximos, com os ombros colados um ao outro.
— Tenho uma pergunta — ela disse subitamente, vendo-o se inclinar um pouco para encará-la como quem pedia para que prosseguisse. — Por que Rochester?
River ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse ponderando se deveria respondê-la ou não, o que a deixou um tanto intrigada.
Então, com um sorriso de canto, o rapaz aproximou seu rosto um pouco mais do dela.
— Ouvi dizer que é lá onde ficam os portões do inferno — segredou em um tom sério.
arregalou os olhos, um tanto assustada com a informação, mas então a seriedade nas feições de River se desfez e ele caiu na risada.
— Você devia ter visto a sua cara, — comentou enquanto ainda ria.
Indignada, ela não hesitou em lhe dar vários tapas nos ombros.
— Isso não teve graça, Blackwood. Você mal me conhece e já está me zoando? Seu ridículo! — resmungou um tanto irritada, mas não conseguindo deixar de rir com a situação toda.
— Outch! Alguém já te falou que você tem a mão pesada? Que tapas ardidos! — Fez careta e em vez de a moça parar os tapas aumentaram.
— E ainda me chama de mão pesada! Você não tem medo de morrer pelo jeito, garoto!
Seguiram com aquilo até que o riso foi cessando e ele suspirou, mantendo um sorriso nos lábios.
— Falando sério agora. Eu já fui passar as férias com meus pais por ali. É um lugar super tranquilo e a vibe é muito gostosa. Acho que vocês vão curtir.
— Eu tenho certeza que sim — respondeu, o retribuindo.
Depois disso, a viagem seguiu sem grandes novidades. Ambos continuaram conversando sobre todo tipo de coisa e quanto mais descobria sobre o rapaz, mais se sentia atraída por ele.

 

😈

Mesmo que não conhecesse Rochester, enquanto encarava a paisagem pela janela notou que mudava de campos verdes e limpos para uma floresta densa e certamente apropriada para um acampamento. Sentiu que a empolgação aumentava ao mesmo tempo em que um leve arrepio subiu por sua espinha, afinal, nunca se sabe o que podemos encontrar em uma floresta, certo? Era uma sensação de adrenalina gostosa para ela e exatamente o tipo de coisa que estava procurando.
Assim que o ônibus estacionou diante do local do acampamento, River precisou se despedir da garota para começar a organizar todo mundo.
— Nos falamos depois? — A encarou de perto, fazendo com que ela se sentisse arrepiada novamente.
— Com certeza — sorriu em sua direção, então se surpreendeu quando Blackwood se aproximou ainda mais dela e lhe deu um beijo no canto da boca.
— Então até mais tarde. — Piscou ao se afastar, deixando-a completamente embascada até mesmo para sair do ônibus.
— Eu vi isso, . — Era Katherine um pouco atrás dela.
— É, eu também vi. — Camille pôs lenha na fogueira, fazendo com que risse.
— Vocês são muito fofoqueiras — comentou risonha, vendo as duas lhe darem língua.
— Nossa, mas esse lugar é incrível — foi Sophie quem comentou isso quando todas já estavam do lado de fora do veículo.
Ela tinha razão. Eles haviam escolhido um local com algumas cabanas de madeira muito bonitas e conservadas, tudo muito simples, porém visivelmente aconchegante. Também tinha um espaço para quem quisesse armar barracas e já podia imaginar uma fogueira acesa por ali para que todos pudessem se sentar em volta dela e contar histórias ou até dançar mesmo. Ela lembrava de Tyler ter comentado algo sobre uma festa e mal podia esperar por isso.
— Vocês estão de parabéns, hein? — Kate praticamente gritou para os rapazes, recebendo sorrisos como resposta.
— Espera só até ver o que preparamos para mais tarde, Pearson — Tyler a respondeu de imediato, piscando na direção da garota.
— Sabia que ele não perderia tempo quando se trata da Kate dele não se segurou e comentou em voz baixa.
— Do que você tá falando? — Katherine se virou para a amiga com uma sobrancelha arqueada.
— Eu te conto depois — disse com um olhar cúmplice, vendo a outra assentir mesmo que contrariada.
— Galera, mesmas regras que falei lá no ônibus. Só tentem ficar vivos e para quem escolheu ficar nas cabanas, tentem manter tudo inteiro, beleza?
achou ainda mais engraçado esse comentário dele, principalmente depois da brincadeira de o lugar abrigar os portões do inferno.
Como estavam em seis, as meninas tinham optado por se hospedarem em uma das cabanas e após pegarem as chaves com os rapazes, elas seguiram para a de número cinco que, coincidentemente ou não, ficava ao lado daquela onde estavam River, Tyler e mais alguns amigos.
Blackwood demorou um tempo maior do que o normal para entregar as chaves a , seus dedos roçaram nos dela e ela mordeu o lábio discretamente, deixando sua imaginação ir bem longe até ser chamada para a realidade por uma Lucinda impaciente.
— Pelo amor de Deus, andem logo com isso porque eu preciso de um banho — resmungou, o que fez os dois rirem antes de se afastarem.
Ao adentrarem a cabana, ficaram positivamente surpresas com o quanto o lugar parecia agradável.
Havia uma sala pequena com um sofá azul marinho, duas poltronas grandes da mesma cor e uma mesinha preta de centro. O ambiente era interligado à cozinha, onde havia um balcão de mármore com bancos altos, uma pia com um armário em cima, geladeira e fogão prateados e uma porta que dava para uma pequena área de serviço. A cabana tinha três suítes, o que significava que as garotas teriam que se dividir em duplas.
— Algo me diz que a não vai passar muito tempo no quarto daqui, então quero dividir com ela — Katherine soltou, antes mesmo que as outras pensassem em dizer algo.
— Como se você não fosse também, garota! Nada disso, eu fico no quarto com ela — Camille interveio, arrancando uma careta engraçada da outra.
— Nada disso digo eu. Só porque eu estou doida pra ficar fofocando com ela enquanto desfaço as malas — resmungou, cruzando os braços na altura do peito.
— Você tá parecendo uma criança birrenta, Kate. — Lucy deu risada. — Deixa elas duas, Cami. Se elas forem para outros lugares, a gente rearranja os quartos depois.
Camille revirou os olhos, mas deu de ombros por fim.
— Eu fico com a Lorraine então. — Enroscou o braço no da amiga.
— Boa sorte com a hibernação dela — Sophie zombou, fazendo as duas estreitarem os olhos em sua direção.
— Muito engraçadinha você, dona Sophie. Mas pelo menos não fiquei com a rainha do mau humor — Lorraine alfinetou.
— Rainha do mau humor é a minha mão na sua cara — Lucinda resmungou.
— Tá vendo só? Vai apanhar dela, hein? Se cuida!
— Vocês são tão bobas — riu quando Lucy ameaçou se aproximar para dar uns tapas em Lorraine.
— Não somos, não. Aliás, você tem muitas coisas para nos contar, . — Katherine estreitou os olhos para a garota, que deu de ombros.
— Tenho, mas vocês só vão saber depois que eu desfizer minhas malas.
E saiu correndo para um dos quartos.
— Eu vou picar aquele cabelinho dela — Camille comentou com as outras, que trocaram olhares em concordância e seguiram atrás de .
— Até parece que você não nos conhece, garota — Sophie disse assim que entrou no quarto.
— Pode desembuchar. — Kate até bateu o pé no chão com impaciência.
— Não tem nada para desembuchar. A gente só ficou conversando, Pearson. — Tentou se esquivar, colocando a mala em um canto porque olhar para aquela cama lhe deu até preguiça.
— Só conversando? Eu o vi te beijar, não se faça de desentendida.
As outras arregalaram os olhos.
— Vocês já se beijaram? Puta que pariu, , como você não nos conta uma coisa dessas? — Camille estava indignada.
— Eu não beijei ninguém. Parem de ser loucas! — deu risada do afobamento delas.
— Claro que beijou! Pareceu um selinho, o que eu achei um absurdo, mas beijou sim! — Pearson acusou, até apontando o dedo para ela.
— Não beijei! Não beijei! — Negou cantarolando sem nem saber o motivo. Talvez ela gostasse de ficar provocando as amigas.
— Se ela tá dizendo que não beijou, é porque não beijou, gente! — Lucy se meteu, encarando como se duvidasse daquilo de qualquer forma.
— Ele me beijou no canto da boca, Katherine. Isso não conta — comentou, por fim.
— Eu disse! — Kate exclamou triunfante, mas então suas feições se desfizeram em uma careta. — No canto da boca? , eu achei que tivesse te ensinado melhor.
— Me ensinado o quê? A ser biscate feito você? — provocou, arrancando um olhar indignado da amiga.
— Biscate? Com certeza, mas eu vou dar na sua cara só por essa audácia. — Tentou se aproximar de , que correu para o outro lado do quarto. — Volta aqui, sua atrevida!
Vendo que a outra não facilitaria, Katherine pegou um dos travesseiros da cama e atirou na direção de , acertando seu rosto em cheio.
— Sua vaca, eu vou acabar contigo! — gritou, atirando o travesseiro de volta, porém Pearson foi mais rápida e desviou bem a tempo.
Lorraine, no entanto, não foi tão sortuda e soltou uma exclamação indignada quando o objeto a atingiu. Ela revidou e acabou acertando em Sophie, que devolveu em Camille e em poucos segundos todas se batiam e jogavam travesseiros e almofadas umas nas outras.
ria sem parar, sentindo que logo precisaria parar para respirar porque sua barriga estava doendo.
Ela se apoiou na janela do quarto, tentando recuperar o fôlego enquanto nenhuma delas parecia estar prestando atenção em si, mas de repente algo atraiu seu olhar para o lado de fora. Uma sensação estranha, um comichão no pescoço como se alguém estivesse lhe observando.
Imediatamente ela direcionou seus olhos para a janela, esperando encontrar alguém parado ali do lado de fora, mas não havia nada, o que a fez franzir o cenho, principalmente porque seu corpo inteiro se arrepiou. De repente, ela se viu paralisada e em estado de alerta completo.
— O que foi, amiga? — Camille disse ao perceber aquela reação da garota.
— Eu…
— O travesseiro deve ter afetado os neurônios que ela não tem — Sophie brincou, mas de repente aquilo não tinha mais graça. parecia realmente assustada. — Certo, agora você está me assustando, .
? — Lorraine se aproximou, tocando o ombro da jovem , que se virou para ela e sacudiu a cabeça como se estivesse com os pensamentos distantes.
— Não foi nada. Achei que tinha visto algo, mas deve ser cansaço da viagem. — Sorriu sem graça.
— Acho bom todo mundo descansar um pouco antes dessa festa que vão fazer — Lucy disse e as outras concordaram.
Elas foram se dispersando para os outros quartos enquanto permaneceu ali. tratou de ir logo ajeitar o que precisava porque seus olhos pesavam e dormir seria muito bem vindo, no entanto, vez ou outra ela ainda lançava olhares para a janela, como se esperasse encontrar a qualquer momento alguém lhe encarando por ela.
— Tá tudo bem mesmo, ? — Kate perguntou ainda preocupada.
— Tá sim, fica tranquila.
Não queria dizer que, por mais que lutasse e repetisse que não havia ninguém lhe observando, ou tentasse agir normalmente, focando nas coisas que precisava fazer, a sensação estranha não estava indo embora.

Nota da autora: Cheguei com o capítulo um finalmente! O tanto que eu amo essa fic não está escrito.
O capítulo um é bem introdutório para vocês conhecerem a personagem principal e as amigas dela. Espero que gostem!
Não esqueçam de deixar aquele comentário. Isso me incentiva muito a continuar!
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Beijos e até a próxima!
Ste.

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