He Wasn’t

Sinopse: Agora que ele está apaixonado, vai perceber que já era tarde demais, ele não era mais o que ela precisava.
Gênero: Romance.
Classificação: Dezoito.
Restrição: Insinuações explicitas de sexo e palavras de baixo calão.
Beta: Sofia Alonzo.

 

CAPÍTULO ÚNICO


Quando meu irmão estacionou o carro em frente ao meu prédio, ele desligou o veículo encarando-me com um sorriso bobo nos lábios, eu retribuí tirando sua mão do volante e a segurando em meu colo, olhando suas linhas passando o meu dedo levemente sobre elas.
Era um costume meu, fazer isso em suas mãos e também nas do nosso pai.
Fazia meses que não via Chad, desde que ele, juntamente com os meus pais, haviam se mudado para Oxford por conta do emprego novo do meu pai e a faculdade dos sonhos do meu irmão.
Ele prometeu que viria me visitar assim que tudo se ajeitasse e aqui está ele.
Era um garoto que honrava sua palavra.
— Eu não queria tocar neste assunto mas… – Chad disse ao encostar a cabeça no banco me olhando. — Sinto sua falta em Oxford, queria que você estivesse conosco.
Imaginaria que em algum momento do nosso dia, aquele assunto seria colocado em pauta, meu irmão só estava esperando o momento certo para trazê-lo à tona.
— Chad, eu…
, eu entendo – Chad me interrompeu dizendo, neste momento ele fechou sua mão para segurar a minha com força – Eu entendo que esteja em busca da sua liberdade e continuar aqui em Baltimore, com o seu apartamento próprio e se virando sozinha sem a ajuda dos nossos pais é um começo e tanto.
— Obrigado – digo engolindo a vontade imensa que tenho de chorar.
— Eu tenho muito orgulho de você, além de ter mostrado aos nossos pais que não é apenas uma garotinha indefesa que eles tinham medo de soltar para o mundo, mostrou que não precisava daquele otário do pra nada.
— Você tem que concordar comigo que a mamãe e o papai se apaixonaram mais por ele do que eu mesma. – digo esperando que meu irmão concordasse comigo.
Chad ri concordando com a cabeça.
— Mas isso aconteceu porque você era tão a princesinha deles, que eles só queriam que você ficasse feliz.
— O problema foi que até quando eu não estava mais feliz, meus próprios pais ficaram do lado daquele imbecil – revoltei-me.
— Ei, deixa isso pra lá, bravinha – Chad disse passando sua mão livre pelo meu rosto. —Fico feliz que tenha se livrado dele.
—Graças à Deus, ele está beeeeeeeeem longe daqui – comemoro olhando para o céu.
— Em qual faculdade esse idiota foi aceito? – Chad perguntou.
— Acho que na de Michigan – pondero para não demonstrar ao meu irmão que eu sabia perfeitamente a faculdade para qual ele tinha ido.
Mesmo estando presente em sua despedida e termos uma das noites mais memoráveis.
Chad apenas me respondeu com um “hum”, pegando o seu celular no console do carro que havia acabado de chegar uma mensagem, provavelmente de sua namorada.
Mesmo com a mudança de cidade, Chad mantinha seu relacionamento com a namorada que conheceu ainda no colégio, até ela já tinha conhecido a casa dos meus pais em Oxford e eu não.
— Eu acho que você vai precisar ir – comento ao ver um sorrisinho sacana formando nos lábios de Chad.
— Prometi à Madalyn que iríamos sair jantar hoje à noite. – contou animado.
— Então, você precisa ir logo, para poder se arrumar, porque eu sei que você enrola horas no banho e pra arrumar esse cabelo então – implico passando a mão por seus cabelos.
— Se eu já demoro sozinho no banho, imagina acompanhado…
— Chega, chega, não quero detalhes da sua vida amorosa – levo minha mão a sua boca.
— Pagando de santa, como se nunca tivesse transado no banho – Chad diz rindo me contagiando também.
— Cadê aquele meu irmão que não podia falar de sexo comigo porque morria de vergonha?
— Aquele seu irmão envergonhado morreu quando pegou a irmã dele transando com a porta destrancada – Chad rebateu me deixando com as bochechas coradas. —Aquela cena é um filme de terror na minha cabeça, .
— ‘Tá bom, já chega – solto sua mão, colocando para cima em rendição. — Vou entrar, nos vemos amanhã?
— Vamos almoçar juntos, quer que eu venha te buscar ou nos encontramos no restaurante?
— O de sempre? – pergunto dando um abraço apertado no meu irmão. — Não precisa, eu pego um Uber.
— O de sempre – ele confirma beijando o meu rosto. — Tudo bem, mas você sabe que se tivesse aceito o presente do papai, esse carro seria seu, não é?
— Sabe que se não tivesse torrado toda sua mesada e os salários dos estágios de férias, teria um apartamento próprio e não moraria com nossos pais em Oxford, não é? – rebato ao lembrar de todo seu dinheiro torrado em roupas de marca e jogos.
— Odeio você – disse assim que saí do carro.
— Deveria me agradecer pelo presente – pisco olhando para ele antes de fechar a porta andando em direção ao meu prédio.
Passo pela portaria do prédio andando pelo hall até chegar ao elevador, por incrível que pareça as crianças do condomínio deviam estar atoladas de trabalhos escolares para não estarem correndo pelo hall ou brincando por aí. Pesco meu celular no bolso da calça, mandando mensagens no grupo das garotas para saber o que cada uma faria naquela noite de sábado.
As respostas não foram das melhores, jantares em família, casamento, aniversário, coisas sem um pingo de diversão.
Esperei o elevador chegar ao meu andar e liguei para Josie, minha melhor amiga, que atendeu-me quando a ligação estava prestes a ir para caixa postal.
— Pelo amor de Deus, Josie vamos sair – imploro assim que ela me atende o celular.
Já disse que hoje não dá amiga, eu vou sair com o Theo. – Josie disse com uma voz melosa que fez o meu estômago revirar em um looping.
Droga, havia me esquecido que Josie tinha me avisado logo na sua primeira mensagem do dia que não poderia sair comigo.
— Credo, Josie, não tinha ninguém melhor para você transar? – não consigo esconder o meu descontentamento com aquela decisão da minha amiga, ela podia ter qualquer homem do planeta, mas no final sempre escolhia aquele embuste.
Aquela mulher me revoltava…
Mas era aquele ditado, né, quem sou eu para falar alguma coisa dela?
Era eu quem ganhava o ranking de pior amiga que transava com boys lixos.
O primeiro lugar era meu, invencível.
Vou ignorar seus comentários maldosos sobre o meu fiel.
Josie gostava de chamar o seu boy por “fiel” na intenção de descrever que ele era o único boy fixo e com prioridades. Em outras palavras, o primeiro da fila, o pau amigo, a foda fixa e por aí vai.
— Não posso acreditar que você vai trocar de sair com a sua melhor amiga, remexer o esqueleto, para passar a noite com o seu fiel que não paga nem o seu Uber para voltar pra casa.
Ele não paga e nem precisa, você sabe como odeio ser bancada – Josie bufou do outro lado da linha, eu tinha dito aquilo apenas para infernizá-la — Além do mais, os ventos me dizem que você não estará sozinha hoje.
— Os ventos lhe trouxeram notícias erradas então… Chad foi jantar com a namorada.
Mas quem disse que estou me referindo ao seu irmão gostoso? – não preciso comentar que minha melhor amiga já foi apaixonada pelo meu irmão, não é mesmo?
— O que quer dizer com isso? – perguntei curiosa ignorando seu comentário sobre o meu irmão.
Como assim, ? O seu radar está tão falho? – riu zombando da minha cara.
— O que houve, porra? – insisto em saber o motivo pelo qual estava sendo zoada.
Pelos status do Whatsapp e os stories do Instagram, o seu querido está de volta à de Baltimore. – engoli a seco, droga.
— Josie, as vezes parece que você não me conhece, eu não tenho mais o número dele salvo… – tentei passar uma imagem de uma mulher centrada e decidida.
No celular, porque deve saber de cor na cabeça se precisar ligar.
— Que seja – não neguei, não era minha culpa se o idiota nunca mudou de número de celular durante anos – E sou bloqueada no perfil do Instagram dele.
E suas milhares de conta para stalkeá-lo?
— Excluí todas – menti revirando os olhos, nunca conte a sua melhor amiga, seus métodos psicóticos de stalker.
Wow, por essa eu não esperava – Josie disse surpresa.
— Ele não era o que eu queria, nem o que eu pensava… – começo o meu discurso de superação que nunca vai ser levado à sério nessa vida, nem nas minhas próximas encarnações.
Fico feliz que tenha superado, mas por precaução, fique em casa hoje. – alertou-me.
— É o que eu realmente vou ter que fazer já que fui abandonada pela minha melhor amiga – murmurei choramingando.
Sabia que ela não largaria sua noite de sexo por nada neste mundo, mas não me custaria nada ser dramática na tentativa de mais uma vez convencê-la.
Estou te mantendo dentro de casa para evitar recaídas, deveria me agradecer.
— Eu não tenho recaídas – neguei com a cabeça enrolando uma mecha de cabelo entre meus dedos.
Não cai. Se joga do penhasco pelo – zombou novamente.
— Vá se foder.
Qual é ? A quem você está querendo enganar? – insistiu na teoria que eu ainda era apaixonada por .
— Não estou querendo enganar ninguém.
Então, assume pra mim: “Josie, estou com saudades do , vou atrás dele e cairei de boca…”
— Você é uma péssima amiga, vai se foder com o seu fiel de pinto pequeno – foi a minha vez de zombá-la antes de acabar a ligação deixando o celular ao meu lado da cama.
Coloquei o travesseiro sobre o rosto.
Aproveitando para gritar o mais alto possível pois o som seria abafado.
Aquilo só podia ser um pesadelo!
estava de volta à Baltimore.
Essa notícia me fazia ter vontade pegar o primeiro voo para China só pra ficar o mais longe possível daquele ser humano desprezível.
Desprezível, mas muito bem dotado… Se é que me entendem!
Mas no momento, estava realmente muito entediada, sem contar que estava ficando tarde para sair.
Céus, o que aconteceu com o meu sábado?
Eu precisa sair, curtir, porque amanhã já será domingo e ninguém sai de domingo porque a segunda feira está chegando, eu odeio segundas.
Tentava ocupar minha mente, para não pensar nele, mas quando dei por mim, estava jogada sobre a cama, encarando o celular pesquisando por onde aquela praga andaria.
Com a maior cara de pau, stalkeei os amigos dele com o meu perfil do Instagram mesmo, o achando com facilidade com uns amigos em uma pizzaria.
A pizzaria na qual o seu amigo, Mason, era o dono, soltei um sorriso malicioso.
— Uma única jogada – disse a mim mesma correndo para a cozinha, na geladeira atrás do imã com o número da pizzaria.
— Quais as chances de dar certo? – perguntei à mim mesma e ponderei a resposta por alguns segundos. — Não custa tentar – dei de ombros.
Peguei o ímã da geladeira voltando para o meu quarto e disquei o número, andando de um lado para o outro do cômodo todo bagunçado.
Olá, boa noite qual será o seu pedido? – a voz inconfundível de Mason, quase me fez surtar reprimindo a vontade de gritar.
— Olá. Vou querer uma pizza de quatro queijo – digo rapidamente para que ele anote para mim.
— Qual o endereço? – perguntou logo após.
— Qual é, Mason, não reconhece minha voz não? – digo rindo.
Éramos velhos amigos, como Mason ousa me esquecer tão facilmente?
— Nossa, , me desculpe nem percebi que era você – Mason disse, pude ouvir a gritaria de fundo ao dizer meu nome. — A sua voz é diferente por telefone.
— Tudo bem, eu imagino como deve ser a correria de sábado. – ignoro sua desculpa fajuta sobre a minha voz.
— Não vai ficar brava comigo, não é, mesmo?
— Relaxa Mason, está tudo certo, eu aceito uma pizza doce de cortesia e ficamos quites.
— Já está sabendo da novidade? – perguntou me fazendo ter certeza de que ele comentava do seu amigo.
— Não estou sabendo não – digo sem mostrar interesse. — As pizzas doces estão em promoção de novo?
— Não é isso não, é uma outra novidade – enfatizou demais.
— Estou por fora das novidades, minha vida anda muito agitada depois da mudança – digo alegando não saber, mas antes que ele pudesse contar a novidade, fui mais rápida. — Quanto ficou o meu pedido?
— Vinte dólares, – disse meu nome alto demais. — Precisa de troco?
— Não.
— Está bem, logo chega aí pra você.
— Mas peça para o entregador vir rápido, estou morta de fome. – enfatizo o morta fazendo Mason soltar uma risadinha.
Será que ele tinha pego a referência? Jesus Cristo.
— Relaxa, , vou mandar um entregador o mais rápido possível, até a próxima, me deve uma. – disse a última parte bem baixinho.
— Pode deixar, eu digo à Josie que mandou um beijo. – digo antes de encerrar a ligação.
Essa é claramente a parte onde eu começo a roer minhas unhas com o esmalte preto todo detonado, olhei a minha volta e aquela bagunça estava de matar.
A jogada possivelmente tinha dado certo.
Comecei recolhendo o lixo e todo tipo de papelzinhos que acumulo nos bolsos, que quando chego em casa vou jogando por todo canto, esvaziei o cesto de roupas sujas colocando tudo para bater na máquina de lavar, estendi a cama – mesmo não sendo muito necessário – e ainda borrifei o meu perfume para dar um cheiro gostoso.
Fui para a sala constatando tudo em seus devidos lugares.
Uma ducha não cairia nada mal agora, dei de ombros indo em direção da lavanderia onde tirei toda a minha roupa, já a colocando na máquina de lavar junto com todas as outras, peguei uma toalha limpa que secava no meu micro varal de apartamento.
Passei pela sala ligando a televisão na tela do Youtube, colocando reggaeton para tocar. Adorava tomar banho dançando sensualmente aos sons das músicas.
Eu realmente precisava me distrair, se o meu plano desse certo, em poucos minutos eu teria no meu apartamento.
era péssimo para mim, ele nunca fez questão de me fazer sentir como se eu fosse especial, nunca me deu flores ou me levou para jantar em algum restaurante caro que ele nem ao menos sabe pronunciar o nome, ao invés disso, ele me levava para as madrugadas mais frias e sombrias que só se esquentam ao amanhecer e com o fogo dos nossos corpos.
Ele realmente não era o tipo de cara que eu procuraria para um relacionamento sério.
Mas que infelizmente acabei apresentando para a minha família. E meus pais, com o intuito de me fazer feliz gostando do meu possível futuro namorado, acabaram se apegando a de uma forma que para mim era incrivelmente irritante e alucinante.
Tudo que eu poderia enumerar de defeitos de , meus pais transformaram em qualidades e arrumavam um jeito de colocá-lo sob um pedestal.
que não era bobo nem nada, aproveitou-se da influência que tinha sobre os meus pais para tornar a minha vida um inferno.
Meus pais eram rédea curta comigo de um jeito que nunca foram com Chad e graças à , tudo piorou para que eu não pudesse curtir minha adolescência com tranquilidade.
Graças à ele, meus pais me viam como a filha rebelde sem causa que não consegue ao menos passar um dia sozinha dentro da própria casa sem precisar estar sob a responsabilidade de alguém. Com isso, meus pais confiavam cegamente em para absolutamente tudo, eu só podia ir as festas que ele confirmava que estaria, só podia ir a passeios do colégio no qual ele também iria.
Todos os meus amigos que tentavam me defender dos meus pais falando mal de , eram rebeldes sem causa por falarem coisas sem sentido de um garoto tão legal, inteligente e responsável como .
, , , blá blá blá…
Chegou a ter um tempo que conseguia se dar bem até com meu irmão Chad, o colocando contra mim com a imagem de garota que pega todo mundo.
Como se isso fosse algo ruim.
Mas o meu pesadelo chegou ao fim quando em uma briga em família, meu pai argumentou dizendo que se eu fizesse tal coisa, nunca iria querer assumir um relacionamento comigo. Aquilo foi a gota d’água para eu me revoltar com os meus pais e sair de casa mostrando, sim, que eu podia ser responsável.
Acabei indo morar na casa da Josie, minha melhor amiga que morava somente com a sua mãe, aos meus dezessete anos, nunca voltei para casa mesmo com os pedidos de desculpas dos meus pais e também de .
Quando meus pais fizeram um jantar em família para me contar que estavam se mudando para Oxford, eu apenas os parabenizei lhe dando o total apoio.
Meu pai pediu para que eu voltasse a morar com eles e fosse embora da cidade.
Mas é claro que eu disse não.
Não abandonaria minha cidade, minha faculdade e meus planos só para seguir os planos que meus pais tinham para Chad.
Eles apenas concordaram com a minha decisão, meu pai me ajudou com todos os papeis do meu apartamento e me ajudaram com a mudança antes de partirem para Oxford há alguns meses.
? Ele havia se mudado para Michigan para fazer faculdade.
Me deixando em paz, para fazer minhas próprias escolhas sozinhas.
Só que as vezes todos nós fazemos más escolhas e, infelizmente, era a minha escolha para esta noite.
Enrolei-me na toalha para sair do banheiro secando os meus cabelos em uma toalha de mão pequena, quando a campainha tocou fazendo o meu coração gelar.
Era ele.
Pelo menos era o que eu imaginava. Dei de ombros, mantenha a calma.
Joguei a toalha dentro do cesto de roupas do banheiro olhando-me no espelho, percebendo minhas bochechas rosadas devido à alta temperatura da agua do chuveiro.
Andei até o quarto pegando minha carteira, pesquei vinte dólares enquanto ajeitava a toalha em meu corpo de maneira que ela não caísse.
A companhia tocou novamente, me fazendo revirar os olhos.
Que entregador mais apressado!
Ao abrir a porta, fiz uma cara de surpresa ao vê-lo na minha frente, boquiaberta para ganhar pontos a mais no teatrinho.
— O-o que está fazendo aqui? – perguntei me escondendo atrás da porta.
Como se ele nunca tivesse me visto de toalha, ou até mesmo sem ela.
— Entregando pizza – respondendo parecendo óbvio.
Mas ele ainda com aquele sorriso sarcástico nos lábios, arqueei a sobrancelha mostrando para ele o quão estranho aquilo soava.
— Realmente, Michigan acabou com todo a sua grana, pra você estar trabalhando de entregador de pizza aqui em Baltimore.
—Na verdade, eu estava de bobeira na pizzaria do Mason, bebendo com os rapazes quando você ligou, ele falou que a entrega era pra você eu ia passar por aqui por perto e você estava com pressa, juntei o útil ao agradável, são vinte dólares.
— Eu sei – lhe paguei saindo detrás da porta, para que ele pudesse observar meu corpo apenas de toalha que não cobria muita coisa.
— Bom apetite – Jessie disse ao me entregar a pizza, peguei a caixa deixando a porta aberta andando até a mesa de centro onde coloquei a pizza e abri pegando um pedaço sentando no sofá de pernas cruzadas.
Eu realmente estava com muita fome.
— Quer um pedaço? – perguntei. — Tem cerveja na geladeira.
— Não sei se é uma boa ideia – passou a mão pelos cabelos.
O famoso cu doce, de sempre.
Era típico de , negava, negava e negava, mas acabava na minha cama.
— Ah sim, você deve ter muitas entregas para fazer – zombei.
— A sua foi a única – respondeu entrando no meu apartamento, fechou a porta, tomando a liberdade para ir à cozinha sem pedir permissão, abriu a geladeira pegando duas garrafas de cerveja.
— Posso presumir, então, que você estava com saudades de mim.
voltou da cozinha com uma cara de desconfiado, parou em minha frente estendendo-me a cerveja, eu a peguei com cuidado para que a minha toalha não caísse.
— O que te faz pensar que logo eu estava com saudades de alguém como você? – rebateu tentando parecer superior.
— Por que somos farinha do mesmo saco, . – dou de ombros com a boca cheia.
— Eu sou muito melhor que você, – riu negando com a cabeça ao sentar-se do meu lado.
— Não é o que parece – pisco lhe estendendo a cerveja para um brinde.
Brindei antes que ele pudesse protestar mais alguma coisa, levantei-me indo em direção ao quarto, pelo visto o jogo não seria tão fácil como eu imaginava.
— O que vai fazer? – perguntou olhando eu me afastar.
—Colocar uma roupa. – disse o óbvio.
—Pra quê?
— Pessoas usam roupas, , eu não sou uma índia – digo o olhando antes de entrar no quarto, deixando a porta aberta.
Parei em frente à minha cômoda a procura de peças íntimas, quando chegou a porta encostando seu corpo ao batente.
— Perca de tempo. – disse com os braços cruzados.
Peguei o primeiro conjunto em minha frente, um preto de renda e deixei a toalha cair sobre meus pés.
— Perca de tempo porquê? – perguntei olhando para a calcinha do conjunto e abaixei-me sensualmente para subi-la entre minhas pernas.
acompanhava meus movimentos boquiaberto.
Era esse o efeito que eu causava em .
O tirava completamente do sério.
Assim que terminei de subir a peça, ele estava posicionado atrás de mim, subi as alças do meu sutiã até meus ombros olhando para trás.
— Pode fechar para mim, por favor? – perguntei segurando meus próprios peitos.
— Sem chances – respondeu fazendo-me agora virar em frente ao seu corpo inclinando a cabeça para cima.
— O que custa fazer um mísero favor para mim? – dramatizei.
— Já disse, eu quero você sem nada. – respondeu olhando para o meu corpo.
— Está querendo mandar em mim dentro da minha própria casa?
Admiro tamanha ousadia e confiança, mas sabia que por dentro, ele se derretia, da mesma forma que eu fazia meses atrás antes que ele partisse rumo a Michigan.
— Podemos foder no corredor do prédio se preferir…
— Quem dá as cartas hoje sou eu. – o interrompo dizendo.
— Eu deixo você dar as cartas, se admitir que a pizza foi tudo uma jogada e que eu e Mason não estamos loucos…
— Você está louco – arqueei a sobrancelha. — Peça o meu histórico de pedidos para Mason, sempre peço pizza aos sábados que não saio de casa.
Aproveito sua distração pensativa para acabar fechando o meu sutiã, ando até o guarda roupas jogando em cima da cama um conjunto de moletom da Adidas.
estudou cada um dos meus movimentos, atenciosamente, como se pudesse pausá-los apenas com a força do pensamento. Até impedir que eu me vestisse, jogando o conjunto de moletom por algum canto do quarto e ficando à centímetros de mim.
— Admita que foi uma jogada, … – sussurrou assim que deslizou a mão no caminho da minha nuca até os cabelos, resultando num efeito em mim que beirava o ridículo. Assim que meus olhos se fecharam, aproximei nossos corpos, não restando nenhum centímetro de distância.
Eu estava sendo sedada pelo efeito mais uma vez.
A última vez.
— Admita. E eu prometo ser generoso com você, . – Proferiu pausadamente e pude sentir seu hálito quente causar um arrepio quente que subia por minha espinha.
Percebido por ele, sua mão se fechou enquanto inundada em meus cabelos, puxando-os até que meu pescoço estivesse completamente exposto para ele. riu baixo, beijando da nuca até o colo, revezando com mordiscadas leves que tinham ainda maior efeito sobre mim.
já passara por boas e longas madrugadas naquela cama. A minha cama. Até o amanhecer, porque ele era o primeiro a acordar, e automaticamente, o primeiro a esfriar os lençóis. Sempre sorrateiro, batendo a porta da frente sem que eu percebesse. Era de praxe acordar no dia seguinte sozinha quando estávamos falando sobre .
— Só quer me ouvir admitir pra não se sentir ridículo ao confessar que veio por vontade própria, . – Abri os olhos lentamente, encarando os dele, que estavam mais escuros desta vez.
— Talvez.
Era a maneira que ele ficava enquanto tentava controlar a luxúria que crescia dentro ele. Eu sabia bem porquê já fui a causa de diversos desses olhares.
— Você estava ansioso por mim. – Segurei seu queixo, soprando as palavras em seus lábios.
Seu corpo estava tenso. Ele estava absorto em cada mínimo movimento meu.
Eu me sentia inevitável.
Meu poder sob era inquestionável.
— Sentiu minha falta? – Prendi seu lábio inferior entre os meus, sentindo o gosto de cerveja que restava nele. — Admita. E eu serei sua.
Sua boca dominou a minha. Feroz e imediato.
Então, eu tive a sua resposta.
O beijo fora necessitado exatamente como o de quem sentira falta.
Não havia para onde correr, eu estava mais uma vez nos braços dele.
Suas roupas tiveram o mesmo destino que o conjunto que tentei vestir, e agora estavam todos jogados pelo chão do quarto.
O beijo ora fugaz, ora pausado, supria ambas necessidades que tínhamos um do outro.
Durante muito tempo esperei por ele. Hoje ele está aqui, deitado em minha cama, desfrutando do meu beijo mais demorado, mas com a diferença de não ser mais uma das prioridades que tanto prezei.
hoje, era só uma foda.
E ele cumpriria muito bem esse papel.
Assim que caí de costas sob a cama, os beijos dele correram meu colo, despindo o sutiã que vestira há pouco, descendo até parasse abaixo do umbigo.
Ele queria me ouvir implorar por mais.
— Hoje é você quem dança conforme a minha música. – Disse entre os suspiros ansiosos. — E eu digo que quero o melhor orgasmo que puder me dar, .
Sua risada nasalada bateu contra a minha pele e eu precisei morder o lábio inferior para conter um gemido que sairia por tão pouco.
Sem delongas, se livrou da calcinha que eu ainda vestia, tocando-me detalhadamente. O lábio inferior sofria preso entre meus dentes e o livrei, permitindo que o gemido soasse, resultando no começo do melhor oral que eu sabia que ele iria me dar.
As mãos dele pareciam ter sido desenhadas para cada curva minha que precisava ser tocada.
Sua língua ágil conhecia cada esquina do meu corpo, e se aproveitava dessa vantagem. Minhas costas se arqueavam conforme mais dedicado ele se tornava.
Os dedos me penetraram quando eu sequer conseguia manter um pensamento completamente são.
Movimentos suaves e sincronizados deixaram meu corpo inerte, com a sensação de formigamento habitual que eu poderia facilmente dizer ser viciante, se não soubesse que era passageira.
O peso dele sob meu corpo aumentava a temperatura a me deixar quase febril. Sentir seu perfume num misto do seu cheiro natural era a receita que dava nome à saudade que sentira nos últimos meses. Melhor que isso, era poder desfrutar da intensidade recíproca.
Eu não sentira saudade sozinha.
Poderia responder pelos dois quando dizia que ouvir os gemidos se misturarem, os beijos acelerarem, as gotas de suor mesclarem tão livremente se tornara a prova de que, neste momento, estávamos onde deveríamos estar.
Meu corpo estava enlaçado no dele e desta vez, minha mente viajava apenas pelas sensações, sem ter o coração acelerado como protagonista.
Meu coração, pela primeira vez em muito tempo, estava sereno embaixo dos toques de .

***

Quebrando totalmente a tradição de quem sempre acorda por último após uma noite juntos, esfriei os lençóis antes que cumprisse o seu clichê de todo domingo de manhã. Mas eu não iria ir embora do meu próprio apartamento, então apenas segui para o banheiro a fim de tomar um banho, relaxante relembrando todos os momentos vivos em minha mente, da noite anterior.
Ainda eram dez e meia, o que dava tempo de sobra para eu enrolar para encontrar Chad no restaurante ao meio dia. A água quente escorria pelo meu corpo fazendo arder qualquer parte que recebeu um pequeno hematoma de presente por conta do sexo selvagem que fazíamos, minha cintura, algumas marcas de dedo, a minha bunda tinham a tatuagem perfeita da mão de .
— Se você empinar essa bunda mais um pouco eu juro que te como aí mesmo no box – ouvi a voz rouca de atrás de mim, olhei de relance ele estava parado encarando-me com uma cara de sono que eu havia presenciado poucas vezes.
— Você não aguenta – o provoco dando de ombros.
No mesmo instante, veio ao meu encontro, entrando no box e me segurando pelos cabelos molhados, prensou-me contra a parede fazendo o meu corpo se arrepiar com o choque térmico do gélido azulejo com a água quente.
— O que você disse, meu amor? – disse em meio ouvido passando sua mão em mim. — Empina essa bunda pra mim – disse a apertando.
Não – digo olhando por cima dos meus ombros.
— O quê? – penetrou-me com seu dedo – Não ouvi direito.
— Eu disse não, . – repito novamente empurrando meu corpo da parede virando-me em sua direção apenas para pegar o shampoo e continuar o meu banho.
– ele disse ainda com um semblante confuso. — Qual foi?
— O quê? Achou novidade ouvir a palavra “não”? – pergunto colocando o shampoo em minha mão e o aplicando em meus cabelos começando a massageá-los.
— Não… E que achei que íamos continuar da onde paramos ontem… – respondeu incerto fazendo-me rir antes de fechar os olhos voltando a ficar de frente para o chuveiro pronta para enxaguar os fios.
Para minha surpresa, tocou os meus cabelos começando a massageá-los suavemente, foi empurrando minhas mãos para que parasse o que estava fazendo apenas para deixar com que ele fizesse. Era estranho sentir seu toque sem malícia.
Mas apenas respirei fundo e quando ele parou, entrei em baixo da água para enxaguar, quando terminei de me lavar, deu espaço para que eu saísse do box apenas beijando sutilmente o meu ombro, enrolei-me na toalha e pude ouvir um gemido dele ecoar pelo banheiro, virei-me rapidamente o vendo retrair suas costas.
Ops, havia deixado muitos arranhões por toda a sua extensão.
Saí do banheiro voltando para o quarto, troquei-me com rapidez para que ele não terminasse o banho e voltasse com suas provocações baratas para cima de mim.
Além do mais, o meu almoço com Chad ainda estava de pé e nada iria mudar isso, nem se me pedisse em casamento.
Saí do quarto vendo que acabei deixando a televisão ligada a noite toda, a desliguei pegando a caixa de pizza e levando para cozinha junto com as duas garrafas de cerveja.
Joguei as garrafas no lixo, pegando dentro da geladeira uma lata de refrigerante para poder comer a minha pizza.
Era o melhor café da manhã possível.
Encostei-me no balcão comendo o meu pedaço de pizza e mexendo no meu celular, aproveitei para olhar o grupo das garotas recebendo suas fotos de como tinha sido o sábado à noite delas e recebendo a pergunta que não queria calar.
, como foi seu sábado à noite?”
Ponderei o que iria mandar como resposta.
Em outros tempos, a adoraria ter tirado uma foto de dormindo e mandar para as amigas fingindo estar por cima da situação e sua vida ser as mil maravilhas, transando com o homem mais cobiçado do seu ciclo de amizades.
Mas nos tempos de hoje, a apenas tirou uma selfie comendo seu pedaço de pizza amanhecido e enviou com a legenda que dizia.
“Pizza e Netflix”.
— Por que não me esperou para foto? – perguntou ao entrar na cozinha dando um beijo no meu rosto antes de pegar uma fatia de pizza.
— Bom, porque você não faz mais parte da minha vida – digo o óbvio ao tomar o meu refrigerante.
— Eu parecia fazer muito parte da sua vida ontem, acho que eu estava bem dentro dela – rebateu fazendo com que eu negasse com a cabeça.
— Disse certo, ontem – enfatizo. — Quando sair fecha a porta – volto a atenção ao meu celular.
— Está me mandando embora, ? – perguntou.
— Entenda como quiser – dei de ombros – Para mim é uma novidade vê-lo pela manhã.
— Quer saber porque eu sempre ia embora antes que você acordasse? – continuo prestando atenção no meu celular mesmo que eu já não esteja conseguindo ler a mensagem de Josie respondendo minha foto. — Eu nunca soube como lidar com o fato da conversa que poderia acontecer caso eu ficasse.
— E por que você continua parado na minha frente querendo começar uma conversa da qual você sempre foge?
— Por que hoje eu quero ser diferente. Sei que a ligação para a pizzaria não foi um engano, , foi um sinal. Um sinal que eu pedi há muito tempo para acontecer para a gente poder se acertar.
– bloqueio o celular o colocando em cima do balcão – Eu e você – aponto para nos dois – Não temos mais nada para acertar.
o que eu ‘tô querendo dizer é…
, eu não vou dizer que a ligação para a pizzaria não foi um engano, ela foi simplesmente uma jogada. Eu vi pelo Instagram que você estava lá e fiz uma única jogada. A de mestre, você caiu igual um patinho. E sim, ontem eu queria transar com você, não vou negar, você manda muito bem no que faz e consegue me satisfazer, mas foi apenas uma foda, eu não estou interessada nos seus papinhos ilusórios e seus sentimentos fúteis e falsos.
— E isso que você pensa sobre os meus sentimentos? – perguntou jogando o pedaço de pizza pela metade em cima da caixa, perdendo o apetite com a nossa conversa.
— Se fossem verdadeiros tudo teria sido diferente.
— Sempre foram verdadeiros. – admitiu – Eu sempre gostei de você, desde o primeiro dia que nos conhecemos, mas você sempre foi tão dona de si que eu tinha medo de me envolver.
— Minha família me achava uma irresponsável, por sua causa.
— Eu apenas concordava com os pensamentos deles, não eram os meus pensamentos sobre você. Eu concordava para eles te privarem de certas coisas – continuou confessando, era inevitável negar que meu coração estava disparado, no meu pensamento só havia um mantra, continuar firme.
— E quais são seus pensamentos sobre mim? – pergunto cruzando os braços aproveitando para respirar fundo enquanto o encarava nervoso.
— Olha só pra você, – apontou para mim — Sempre foi diferente de qualquer outra garota e se tornou uma mulher incrível, bateu de frente com seus pais para conseguir sua liberdade e encanta todos por onde passa com esse seu jeito, você tem qualquer homem que quiser na palma da sua mão pois a sua beleza ela é única. Meus amigos são doidos para ter uma chance com você e me invejam por ser o único que a conseguiu tê-la nos braços.
me olhava esperando alguma resposta minha, mas eu apenas queria que ele continuasse o que tanto ele queria me dizer.
— Nunca revelei meus sentimentos à você porque na minha cabeça, revelar, iria me tornar vulnerável à você e toda à nossa relação, sempre tive medo do que poderia acontecer e quando fui embora para Michigan, achei que tudo ficaria aqui em Baltimore, mas me enganei, a cada storie seu, a cada notícia nova, o meu coração conseguia ir se machucando sem ao menos você saber.
— E porque você acha que eu preciso saber disso agora ? – pergunto com firmeza me virando para pegar o meu celular e meu refrigerante.
— Você precisa saber que os sentimentos são recíprocos – disse com os olhos fechados, talvez porque imaginava o que viria em seguida.
Eu apenas me aproximei, ficando frente à frente com ele.
– sussurrei seu nome fazendo com que ele abrisse os olhos – Você escondeu seus sentimentos muito mal. – ri sem graça – Eu sempre soube que era recíproco. – digo contra seus lábios e o sinto arrepiar-se mesmo sem um toque meu em seu corpo.
— O que nós dois fazemos agora, ? – perguntou aproximando-se dos meus lábios lentamente enquanto seus olhos iam se fechando no caminho.
Eu apenas desviei de seus lábios, os encostando em sua bochecha em um beijo leve e rápido.
— Nós seguimos a vida, . – digo com o meu coração quase saindo pela minha boca, ele abre os olhos que agora estão marejados e concorda com a cabeça olhando para baixo.
Ando em silencio até a sala sentando-me no sofá e antes mesmo de achar o controle para ligar a televisão, escuto o barulho da porta se fechar.
Solto um suspiro ao perceber o que finalmente havia acabado de acontecer.
Eu estava livre de .

FIM.

NOTA DA AUTORA: Quero deixar aqui um desabafo… Quando escrevi a palavra “fim”, senti como um enorme peso tivesse sido tirado das minhas costas, Não pelo fato que poderia finalmente entregar a história, mas por ter expressado de certa forma, que você pode sim, continuar amando uma pessoa, mas entender que não pode continuar persistindo no que pode não ir mais para frente. Amar também é deixar ir… Acho que acabei me vendo muito na personagem.
Espero que do fundo do meu coração tenham gostado dessa história.
Deixo aqui também o meu agradecimento a autora Lívia Velásquez, que me deu aquele empurrão que eu precisava para continuar a história, sem você, Liv, eu não teria coragem para postar absolutamente nada, obrigado!