KM70

  • Por: Lívia Velásquez
  • Categoria: Original | Restritas
  • Palavras: 4952
  • Visualizações: 189

Sinopse: Manhattan: uma megalópole, mas antes de tudo a responsável por juntar da sua própria e singular maneira com dia, lugar e hora, um casal que desde o primeiro momento se encontraram trocando farpas. Tempos depois, não se viam mais separados, nem sequer, por suas diferenças entre os eventos diplomáticos dela e a Harley que ele orgulhosamente pilotava.
Gênero: Romance.
Classificação: 18 anos; Sexo explícito e linguagem de baixo calão.
Restrição:
Beta: Elena Alvarez.

Depois da minha própria casa com os costumes franceses, Manhattan era o meu lugar favorito. Sua diversidade acolhia a todos e tinha de tudo por ali. Principalmente com o clima de hoje: nuvens cinzentas e ameaçadoras, ventos fortes e o suspense típico do tempo nublado com os trovões que deixariam qualquer um de cabelos em pé, ainda que, não tão assustador a ponto de brecar o cigarro que prendi em meus lábios, estes, pintados de um vermelho vivo e abusado. Revirei a clucht que pendiam em uma das minhas mãos, à procura de um isqueiro, que parecia ter criado pernas, não o achava de forma alguma! E eu sequer estava pedindo muito, queria apenas manter meu vício em nicotina nos eixos!

Ouvi o tilintar do isqueiro e logo a ponta do cigarro estava acesa. Dei a primeira tragada, controlando a meia dúzia de palavras grosseiras que custaram a calarem-se para a mão que aparecera desavisada.

— Obrigada. Parece que os americanos sabem se portar como príncipes em cavalos brancos também. – Me virei, encarando-o com a sobrancelha arqueada, vendo que ele tragava o seu próprio cigarro.

— Não há nada que nós são façamos. – A fumaça que soltou, aos poucos se esvaiu a frente de seu rosto, mas não fora capaz de impedir que seu par de olhos claros transmitissem cor ao dia cinza da megalópole.

O ouvi rir nasalado e não me importei, voltei a observar as pessoas e os movimentos da Big Apple já que encarar dois segundos daquele par de íris fora o suficiente pra causar uma pane nos meus neurônios.

— Sou , aliás.

. – Correspondi ao aperto de mãos tímido que me oferecera e logo me aquietei novamente, agradecendo mentalmente por vê-lo fazer o mesmo.

— Na minha cabeça, madames só fumavam com aqueles cigarettes holders… tem lá sua sensualidade.

— Pensou com a cabeça errada, darling. – Cortei-o sem muito entusiasmo e a forma que bufou ao meu lado fora audível e desaforada, acompanhada de risada ladina que, como o próprio diria, tem lá sua sensualidade.

— Madame, seus modos são um tanto escassos… Apesar do decote compensar. – Sussurrou abusado, e não me restou muita coisa à não ser bater o pé como forma de me recobrar a consciência que me tirara, virando-me para ele.

— Eu só preciso de alguns minutos sozinha.

— Se quisesse tanto ficar sozinha, não estaria apertando suas coxas cada vez que eu abro a boca para falar algo estúpido, madame. – Seu sorriso ladino não cessava e ganhava um tom sujo a cada palavra proferida.

Quis me fingir de ultrajada mas precisa admitir que ele não estava errado.

— Amanhã, aqui. Às 17h. – Segurei seu queixo, firmando nossos olhares e permitindo que captasse alguns dos seus detalhes. Soprei em seus lábios as palavras pausadas como uma ordem explícita, o que, deveras, era. Não aguardei respostas e nem resmungos, porém a maneira como mordera o lábio inferior respondia por si só. Deixei que o cigarro caísse no chão e o apaguei com a sola dos saltos, adentrando o hotel mais uma vez.

tinha a masculinidade gritante e que com certeza, teria a mulher que quisesse apenas com esse poder. Os cabelos louros, um pouco já crescidos chegavam à altura do seu queixo e penteados para trás, deixava evidente o vigor que os olhos verdes nos transmitiam. A barba, clara como os cabelos, fazia com que seus lábios ganhassem um poder hipnotizante individual para cada palavra que emitia, junto dos fios teimosos que vez ou outra escapavam da forma como penteara os cabelos e se perdiam no magnífico rosto do homem, e prenderam meus olhos ali enquanto foi possível, porque eu não queria desviar.

A jaqueta de couro parecia lhe ter sido feita à medida, levado em consideração a forma como fixava nos braços fortes e vez ou outra, levantava a gola, talvez apenas por costume, fazendo com que o perfume se espalhasse onde quer que fosse. Os detalhes no homem eram facilmente lidos, e facilmente apaixonantes na mesma medida e eu, parecia ser a mais nova isca, uma vez que já estava inteiramente fisgada.

Pensando comigo mesma, eu precisava admitir que se hoje, careci apertar as coxas contendo tudo que passeara meus pensamentos, amanhã elas estariam mais do que livre e muito satisfeitas, por sinal.

As horas se arrastaram, mas os minutos aparentavam durar menos, quando a proposta para o dia seguinte reverberava na minha cabeça e novamente, eu me pegava apertando as coxas, involuntariamente. O tempo restante fora muito bem gasto para que eu me cuidasse e me demorasse na ducha da forma que tinha direito. O coque banana permanecera intacto mesmo quando passei o vestido pela cabeça, vestindo-o, me convencendo o bastante quando me olhei no espelho: com o chapéu casquete e as luvas que cobriam até o pulso, os tons de preto distribuídos pelo meu corpo sobressaía os locais que mereciam atenção e valorizavam as curvas que chamavam a atenção sem esforços.

Alguns dos milhares encontros diplomáticos me custavam o dia inteiro, então, não havia paciência que aguentasse os ricaços se esforçando com as cenas que faziam para manter as aparências, como agora. Vê-los gastarem milhões em cafés-da-manhã e brunchs apenas para terem a chance de contarem pela quinquagésima vez sobre o seu novo barco, me deixava tonta de tédio e para ignorar as respostas que não queriam ouvir, metiam as crises mundiais como assunto de pontapé inicial. Roupas caras e pose de paisagem faziam parte essencial do look primordial nestes encontros, porém os garçons enchendo taças e mais taças de champanhe faziam tudo melhorar. Nos anos passados de eventos diplomáticos, aprendi um truque que cortava pela metade as conversar tediosas: cumprimentar a pessoa ao longe com uma taça de champanhe. O que já repeti por volta de quinze vezes.

Mais três horas foram necessárias até que eu pudesse dar as costas ao grupo diplomático que me amedrontou tantas horas seguidas e antes que pudesse impedir, o pensamento ansioso sobre o evento de amanhã me fez revirar os olhos instantaneamente.

Ansiosa nas horas apáticas demais me joguei imersa nos óleos corporais pela segunda vez no dia, e sinceramente? Não me parecia o suficiente. Contudo, minha pele estava macia e convidativa da forma que sempre gostei. Nos cabelos, duas finas tranças de cada lado para livrar meu rosto dos fios mais teimosos, prendendo-as juntas, deixando que o resto caísse em cascata pelos ombros. O vestido lilás que separei não havia nada de tão especial, exceto de que ele era estranhamente fácil de tirar, e no pulso faltava apenas o relógio que busquei no criado-mudo, que fora peça essencial para cessar parte da minha ansiedade toda vez que encarava os ponteiros. Me dei o luxo de colocar para gelar a melhor garrafa de vinho tinto que já provara e não demorou até que ouvisse as batidas na porta, nada gentis, devo acrescentar, fazendo automaticamente com que minha respiração minguasse por alguns instantes.

Girei a maçaneta e meus lábios não controlaram o sorriso ladino que surgiu.

Ele veio.

Seus cabelos estavam um bocado mais arrumados do que no dia anterior, mas a jaqueta de couro, aparentemente fiel escudeira, estava à tiracolo e a barba… Céus. A barba que, à primeira vista, manifestava uma magnitude própria e eu não estava louca de ao menos tentar negar.

— Não achei que viria.

— E por que não? – Dei espaço para que ele entrasse, assistindo-o fazê-lo calmamente.

— Ainda sou uma estranha. Deveria tomar mais cuidado. – Encostei minhas costas à porta fechada e cruzei os braços, erguendo a sobrancelha e encarando-o.

— Deveria. – Fez um muxoxo com a boca. — Bonita demais e totalmente capaz de causar um estrago. Esse é o meu medo. – A voz do homem naturalmente rouca, aparentava ter abaixado alguns decibéis e me causou arrepios na espinha instantaneamente.

— Não será estrago se fizermos as escolhas certas, . – O desafiei, ainda sem desviar os olhares.

Eu sabia que estava brincando fogo. A questão, é que eu esperava para me queimar.

Servi nossas respectivas taças de vinho e nos acomodamos mais à frente, na antessala.

— Então… É aqui que você mora ou…? – Deixou que a frase morresse no meio do caminho.

— Temporariamente. Precisamos de mais alguns dias para encontrarmos o apartamento ideal.

— “Precisamos”?

— Eu e Thierry.

— Seu melhor amigo gay?

— Meu marido. – Suas sobrancelhas arquearam e depositou a taça na mesa de centro, esperando que eu continuasse. — Thierry Marc- Chermonteé. Ele é diplomata e estamos aqui para alguns acordos França-EUA. Há uma grande chance que fiquemos aqui na América até que representemos os acordos nos 50 estados.

— Onde está a sua aliança?

— Não usamos uma.

— Como não?

— Não gostamos! Fica subentendido e isso explica os horários tão específicos.

— É comum na França? – Perguntou Weston, em tom sarcástico.

— Meu marido e eu estipulamos este horário para que pudéssemos, também, lidar com os eventos sem surpresas.

— E ele está bem com isso?

— Thierry tem sua amante, Louisa. A vejo de tempos em tempos. – Esclareci calmamente e soltei um risinho nasalado, achando graça de toda a sua curiosidade. — Não esconda suas curiosidades, .

— Como isso funciona? – Perguntou de uma vez, claramente confuso.

— Não assumimos nada em público, então ninguém nunca ficará constrangido e foi assim que escolhemos viver. Está assustado? – Sussurrei perigosamente, cruzando as pernas e prontamente sentindo o olhar do homem queimar na região, ouvindo o suspiro longo dele.

— Tão perigosa quanto eu pensei.

— Se não, mais. – Completei sua frase, vendo-o se levantar para anular a pouca distância entre nós, puxando minha mão até que pudesse posicionar a outra em minha cintura, de forma que nossas respirações se cruzavam e se não fosse a firmeza de sua mão em mim, minhas pernas já haviam de ter vacilado devido a forma como seus cheiro másculo se fundia ao da bebida. Seus olhos, agora mais próximos, me permitiam captar a beleza ímpar e a vivacidade que eram próprios deles.

— O perigo me fascina, e não há nada nele que eu não goste de enfrentar. – Soprou as palavras sobre meus lábios que sentiram a vibração de imediato. Puxei-o pela gola e me encostei na parede mais próxima, beijando-o de uma vez por todas. O tesão que nos cercava fez ferver e se chocarem violentos os lábios curiosos de nós dois.

Então, aqui, no meio desse caos, sem nem saber o que meu corpo ou minha mente queriam, –e se conseguiam entrar em consenso– eu soube que essa era uma das maiores burradas da minha vida.

E eu não conseguia parar.

Haviam dias em que nossos encontros eram calmos. Haviam dias em que Netflix e conversas aleatórias bastavam. Haviam dias em que não eram tão calmos assim e ainda haviam os que nada mais se era ouvido, tampouco nossas vozes, porque, os protagonistas da vez, eram os gemidos.

Se tornava ainda mais nítido, encontro atrás de encontro, que esta não fora a mais esperta das ideias –ou o mais conveniente dos acasos– mas, com certeza, a mais prazerosa de todas.

Em mais um dos encontros nem tão calmos assim, percebemos que não perdemos tempo sequer olhando a cor do céu lá fora porque, inconscientemente, sabíamos que tudo o que precisávamos estava ali, perdido em qualquer centímetro do corpo nu do outro, a um palmo de distância.

O toque das mãos calejadas de deixava rastros de fogo no meu corpo e em segundos, eu me encontrava em chamas, contribuindo para que eu sentisse alguma espécie de dependência do seu toque. Seus cabelos louros e penteados para trás, agora, estavam constantemente emaranhados, contudo, uma coisa irreversível tínhamos em comum: os lábios sempre inchados e tão dependentes um do outro.

— Sabe que podemos oficializar isso, não sabe? – sussurrou preguiçoso, deslizando calmamente os dedos por meus ombros como o costume de sempre que deitávamos abraçados.

— Isso vai contra as regras. – Suspirei, gastando parte da minha atenção nos desenhos desconexos que fazia enquanto passeava meu dedo pelo seu peitoral. — Há muito que você ainda não sabe, .

— Então me diga.

— Não hoje, já são quase 19h30 e sabe que preciso estar em casa antes das 20h.

— Para brincar de casinha com o diplomata. – Comentou azedo e com descaso, mas nada respondi, porque apesar de grosseiras e egoístas, nenhuma das suas palavras eram mentira. O homem não expressou nenhuma reação ao ver que me vestia, o que não ia de acordo com as reações dos encontros anteriores e decidiu se manter quieto.

recusava-se me olhar e o teto lhe parecia muito mais divertido, desta forma, não me restava outra opção além de deixá-lo sozinho como demonstrava tanto querer. Peguei minha bolsa e senti uma pequena chama de ilusão se acender ao vê-lo buscar por sua boxer e se levantar, até que tão pouco pude me iludir, assistindo se direcionar e se trancar no banheiro.

Um explícito e amago “adeus” porque nas cinco semanas seguintes, ele não apareceu.

Fora estranho e me fazia me sentir como uma alienígena a forma como, deveras, tinha que arcar com outros compromissos encima do horário que era nosso e estritamente reservado para nós dois. Era incontrolável e irreversível o mau-humor que me atacava às 17h das segundas, quartas e sextas-feiras e amargava cada vez mais em minha boca, aceitar que ele saberia onde me encontrar, porém eu não compartilhava da mesma sorte.

Amargava na minha boca, o fel da verdade que ele não aparecia simplesmente porque não queria.

Desta vez, me enturmei nos leilões beneficentes no salão do hotel que eram todos os dias e destinados à diferentes bairros da cidade, predominantemente os mais carentes, todavia, nada era convincente o suficiente para me distrair durante este mês.

Um longo mês.

Vazio também.

Estranho, também, era me dar conta que este vazio era indiferente tempos atrás e me sentia perfeitamente capaz de preenchê-lo como me dava na telha. Weston parecia ter levado parte da minha força consigo, para ter o prazer de me deixar para trás totalmente viciada e dependente do seu jeito.

E a quem eu queria enganar, quando nem a mim mesma conseguia?

havia me deixado anestesiada com a sensação de cada beijo e não existia ninguém que suprisse tal necessidade. Ele era como a minha droga, mas também o antídoto. E eu estou em abstinência dos dois.

Thierry comentava animado ao meu lado na cama que dividíamos, sobre como o bajularam após seu discurso futurista no Consulado na noite passada e isso fazia amenizar a falta que ele sentia do solo francês. Apesar de não estar tão envolta quanto queria na trama que meu marido contava, via seus olhos brilharem felizes e excitados de forma que vez ou outra sentia os espasmos do seu corpo sobre o colchão, tamanha era a empolgação da narrativa do homem. Este homem, deitado ao meu lado, me salvara depois das minhas esperanças se reduzirem a pó e foi naquele par de olhos azuis vivíssimos que me encontrei mais uma chance de recomeçar. Após um tempo imersa em pensamentos, a risada gostosa e sincera de Marc me acordou do transe quando ele abraçou minha cintura, encostando a cabeça em meu ombro. Mergulhei os dedos nos cabelos curtos dele num carinho que ele dizia gostar, ainda ouvindo os detalhes da sua versão da noite passada.

Marc é uma década mais velho que eu, mas não havia quem descobrisse isso sem que contássemos pois, o diplomata é um homem de arrancar suspiros (e peças de roupa) por onde quer que passe e ainda que não fosse tão bonito assim fisicamente, o caráter e inteligência dele fariam qualquer pessoa do universo se apaixonar por ele igualmente.

Parei o carinho por alguns instantes e ele levantou a cabeça me encarando, doce da forma que era, porque parara o cafuné. E em resposta, o encarei também, suficiente a ponto de suas sobrancelhas se unirem confusas através do meu comportamento.

Se me perguntassem audivelmente, eu não saberia como responder e meu cérebro estava uma pane total, mas o corpo por si só já tomava a iniciativa de buscar pelos lábios do homem. Claramente, não havia uma vírgula de errado em tal, levando em consideração que somos marido e esposa, exceto, que o beijo carregava as intenções erradas. Eu beijava Marc com furor porque eu pensava em . Porque eu estava despindo o meu marido de sua regata, pensando em outro. Os beijos molhados, mordidas no pescoço e gemidos abafados ao pé do ouvido eram pensando em outro.

E eu nunca me senti tão desmerecedora daquele homem.

O dia amanheceu cinza e chuvoso, com algumas tempestades de neve; O inverno chegara à Nova Iorque. As nuvens carregadas combinavam com meu humor e ficava cada vez mais nítido quando os flashs da noite passada alavancavam em minha mente. Thierry se despedira antes de sair, tão encantadoramente carinhoso em cem porcento dos nossos dias casados. Apesar de amá-lo, sabia que não era justa a forma como demonstrava e retribuía ao sentimento nobre dele: superficial e frívolo.

Enxaquecas insistentes me atacaram após tantas delongas e não havia nada que eu desejasse mais do que a pequena dose de nicotina e prazer que o cigarro me proporcionava. A forma como a nicotina me lembrava das coisas boas, era de um efeito muito eficaz, mas também, muito rápido, no entanto, o suficiente para proporcionar a melancolia que queria e suprindo o que esse ciclo vicioso me impunha. Cobri a camisola com um sobretudo e calcei os saltos, porque este já era o bastante para manter a dignidade. Desfrutando dos segundos no elevador, tateei os bolsos do casaco, achando o maço de cigarros amassados em um e no outro o isqueiro, mantendo as mãos ali para esquentá-las até que vi a porta giratória da saída. Sentia o hotel estranhamente quieto esta manhã, levando em consideração que dias atrás leilões diários ocorriam ali, então, se tornara normal ver os corredores abarrotados de vasos de flores para ‘boas-vindas’ e funcionários de passos apressados.

Louis, o porteiro do hotel, sempre em uma elegância impecável, interviu assim que me viu atravessar a porta, oferecendo um sorriso simpático e como àquele, não via há anos. Não busquei alongar conversa com Louis porque de tanto me observar ali, ele sabia que antes de sentir a fumaça me causar alguns cânceres, eu não era a melhor das pessoas (nem mesmo após).

Assistir à correria nova-iorquina me distraía, mas não ao ponto de não ver, que, do seu jeito peculiar, ele sutilmente acendeu o meu cigarro.

— Não acredito que demorou cinco semanas. – Ainda de costas para ele, proferi, sem conseguir conter a grosseria que as palavras continham.

— Não pude estar à disposição do diplomata essas últimas semanas. Je suis désolé! – Respondeu calmamente irônico. Filho da puta. Quando me virei, se possível, o encontrei ainda mais atraente, ou eram os efeitos da abstinência, mas estava tão atraente quanto. — Mais de cinco semanas. Quarenta e um dias.

— Tão insatisfeito de servir o diplomata, mas contando os dias?

— Seu corpo tem contado as horas. – Sussurrou rouco e pausadamente, da forma que ele sabia me causar arrepios por todo o corpo, e agora não fora diferente, pareciam até mesmo intensos.

— O quarto ainda é o mesmo. Às 17h. – Segurei seu queixo, encarando suas írises expressivas, mergulhando na imensidão que o par de olhos eram.

— Às 17h não. – O encarei confusa. — Agora.

— Mas, … – Desisti de formar uma frase conivente com o absurdo que ouvira e ri incrédula.

— Qual a coisa de vocês com esse horário, afinal?

— Jura? – Cruzei os braços. — Quarenta e um dias passados e a primeira coisa que quer fazer é ouvir uma história? – Arqueei a sobrancelha.

— Com detalhes. – Tomou o cigarro já pequeno dos meus dedos, levando até os lábios, tragando-o calmamente. Pigarreei e ri mais um pouco, saindo do transe que Weston me prendera com tão pouco. E Céus! Ele é mais imprevisível do que eu imaginei!

— Bom, antigamente na França, das 17h às 19h eram os únicos horários em que os casais poderiam consumar o seu amor, digamos assim. Após as tarefas diárias, como trabalho e cuidar dos filhos no correr das horas do dia, às 17h haviam velhas sábias que buscavam e reuniam crianças para ensinamentos da religião em cada bairro, para deixar os pais a sós e procriarem para um família grande e feliz. – Peguei mais um cigarro do meu maço e aguardei que Wes o acendesse. — Marc e eu mantemos aos velhos costumes. Satisfeito agora?

— Não tanto quanto eu queria. – Respondeu significativo. — E cacete, … Eu estou morrendo de saudade de você.

Eu teria tempo demais pra julgar minhas próprias decisões, mas agora, eu focava em inalar seu perfume impregnado no couro da jaqueta, eternizando-o em minha mente, porque o corpo dele mantinha as chamas do meu, acesas, como labaredas indomáveis. Meus braços abraçavam a cintura do homem e ele acelerava sua Harley, enquanto ouvíamos o motor cantar e o vento refrescar nossos rostos, na longa rodovia, caminho até o esconderijo.

O nosso esconderijo fora dos horários explícitos que não eram mais suficientes para nós. Como uma segunda casa. Nosso cativeiro.

se livrou do capacete, logo arrumando os cabelos e colocando algumas mechas atrás da orelha, adoravelmente. Observei seus movimentos, atenta à cada um deles, como a forma que fechava os olhos quando abria o fecho do capacete abaixo do queixo ou como sempre, jogava as chaves no ar, antes de colocá-las no bolso.

Adentramos o quarto, sabendo que não éramos apenas nós que o frequentávamos, mas me provocando uma rememoração imediata dos momentos ali: únicos, inesquecíveis e prazerosos.

O homem se livrou da jaqueta que vestia e em seguida, da camiseta branca, permanecendo com os jeans, quando me percebera captando seus trejeitos mais uma vez.

— O que foi? – Perguntou, mesmo que já soubesse a resposta, ajeitando os fios teimosos saindo do lugar e céus! Eu amava aquela vista!

Nada respondi, apenas lhe sorri, pois foi o suficiente para que ele soubesse que as suas qualidades me cresciam os olhos, e me aceleravam o coração.

Despi-me da blusa que vestia, deitando de bruços na cama como um convite para ele, que acatou de imediato. Senti parte do seu peso sobre mim, e suas mãos passearem em desenhos desconexos às minhas costas nuas, causando arrepios involuntários. Abriu o fecho do sutiã e me levantei poucos centímetros para puxá-los pelos braços, sentindo as mãos grandes dele se movimentarem lenta e calmamente. Empurrei o frasco de óleo corporal em sua direção e ele riu nasalado, afinal, era um convite amplo; um convite de duplo sentido.

Aqueceu o máximo que pôde o líquido em suas mãos, espalmando-as e acariciando minha pele, permanecendo desta forma por alguns momentos, desde a região do cóccix até os ombros. Rebolei algumas vezes, intensificando o toque de nossos corpos e agarrei de cada lado o cós da calça que ainda estava vestida, fazendo algum esforço para descer na posição em que estava. puxou-as dos meus joelhos em diante, atirando-a longe e estalando um tapa em uma das minhas nádegas. Empinei-me luxuriosa em sua direção, ficando de quatro, encarando seus olhos sombrios e se limitou à passar o polegar nos seus lábios, prendendo o inferior entre os dentes em seguida. Levantou, seguindo até o banheiro, ligando o chuveiro e voltando até mim, despindo-se das calças sem pudor algum, lançando uma piscadela e voltando para o banheiro.

Me levantei, seguindo até o cômodo, encontrando-o de costas, tentando pegá-lo de surpresa mas, um dia da caça e outro do caçador, não é? Ele fora mais rápido, puxando meu pulso para que juntasse-me à ele, em um beijo que, devido o colar de corpos, fez nossas intimidades se tocarem. Arfei entre o beijo e o abracei, passando os braços em seus ombros largos, sentindo a água quente manter mais intensa as nossas chamas.

posicionou suas duas mãos firmes em minha cintura, deixando-me de frente ao box do banheiro e posicionando-se por trás. Segurou nas laterais da calcinha que vestia, sendo a única peça de roupa em mim, puxando-as em direções contrárias, partindo ao meio. Afastou um pouco minhas pernas, usando seu dedo do meio para masturbar meu clitóris, em círculos lentos e tortuosos. Me ouviu gemer piedosa e fincar os dedos nos lugares que pude para me equilibrar, encostando a cabeça do seu pau ereto na minha entrada, transmitindo um frio na espinha de forma automática. Segurando na base de seu membro, provocou-me ali, esfregando-se e ameaçando penetrar de uma vez.

Me impulsionei para trás, buscando-o, vendo a ponta dos seus dedos se esbranquiçarem tamanha a força que apertava minha cintura para me penetrar de uma só vez. Um gemido forte, rasgou minha garganta e ele iniciou as estocadas como repentinas e fundas, da forma que eu sempre gostei. Manteve o ritmo, alternando as velocidades em poucos momentos, apenas até me ouvir implorar por mais. Mordiscava meu pescoço, lambia meu lóbulo, batia na minha bunda, sussurrava palavras sujas ao pé do ouvido para me ver rebolar, sentindo seu pênis um pouco mais fundo, deslizando o dedo até meu clitóris, estimulando a região, provocativo. Não precisando de muito até que meu útero se contorcesse e eu sentisse as pernas um bocado bambas.

O espelho no teto nos dava a perfeita visão do corpo nu do outro, incluindo nas trocas de posições que praticamos até o fim da noite, permitindo alguns minutos para que os corpos se deitassem exaustos e suados um ao lado do outro, da forma que gostávamos de assistir.

Adormecemos aspirando o cheiro de um se misturar com o outro e com o pensamento leve, repleto de lembranças dos momentos íntimos que de pouco em pouco, deixavam de ser carnais, para adicionar brilho aos olhares que quando se cruzavam, brilhavam genuínos como de dois adolescentes.

Os ventos balançavam as pontas dos meus cabelos que ficaram para fora do capacete, e como de costume, meus braços estavam ancorados na cintura de Wes, que não quis acelerar demais hoje. Queríamos aproveitar a vista. Queríamos aproveitar o vento, o sol, o cheiro natural de nós dois e os nossos cheiros juntos, porque, era oficial, e o papel que enviara pelo correio trazia minha liberdade.

Liberdade de beijá-lo em público, de chamá-lo de meu, de puxá-lo para algum beco escuro… porque o anel que colocara no meu dedo oficializava tudo isso e eu não poderia estar mais realizada com a infame coincidência do destino, no mesmo dia e na mesma hora.

NOTA DA AUTORA: Hello, hello! ;D Vocês estão bem? Espero que sim, porque eu, definitivamente estou! Estou, por amar essa música (na verdade um hino) e tê-la como inspiração pra esse casal tão improvável, não é mesmo? Hahahaha Mas não há casal no mundo, que uma boa fic não possa juntá-los e nós sabemos muito bem disso, e este é o motivo de lhes apresentar essa história, um tanto curtinha, mas repleto de amor pra vocês!
Espero que gostem! ♥
XOXO