Lost In Stereo

Sinopse: Eles eram de mundos opostos, porém estavam ligados por uma das pessoas mais importante de suas vidas: O irmão mais novo dela, e melhor amigo dele. Seu relacionamento se tratava de olhares furtivos e pensamentos isolados, tão furtivos quanto, porém aquilo parecia mudar quando, pouco a pouco, notavam que tinham muito mais em comum do que podiam imaginar. Só restava saber se era tarde demais pra descobrir.
Fandom: EXO
Gênero: Romance
Classificação: +18
Restrição: Ligeiramente inspirada na música Lost in Stereo, do All time Low.
Beta: Alex Russo

O som da agulha penetrando na pele da garota com um braço estendido sob a guia de contrastava de maneira surpreendentemente harmônica com a música alta vinda das caixas de som espalhadas pelo estúdio onde trabalhava, exatamente embaixo da casa onde morava com seu irmão.
A garota estava perfeitamente concentrada no que fazia, deixando hipnotizado, lhe observando de longe, da porta do cubículo onde ela fazia suas artes no corpo das pessoas.
Ele estava recostado a entrada do cubículo de maneira quase displicente, mas estava tão distraída com seu trabalho que sequer notou, mesmo que não fosse, nem de longe, o tipo que passa despercebido. A recepcionista da garota, que também era sua melhor amiga, ainda o observava um tanto atordoada com a beleza de modelo da Calvin Klein que ele ostentava. , no entanto, parecia que nunca lhe notaria, tão perdida, tão envolvida….
Nada no mundo parecia importar quando uma música que ela gostava estava tocando.
sentia como se estivesse esperando a muito, muito tempo, porém ela estiava tão completamente fora de seu alcance, tão linda e envolvente, porém impossível de envolver também, que acabava sendo seu destino apenas esperar.
! – , a recepcionista e amiga de , gritou de repente, chamando a atenção de , que virou para encarar o amigo, que voltava de sua casa com uma mochila nas costas. – Feliz aniversário, feliz aniversário! – ela sinalizou com a mão, mesmo que ele pudesse ouvir. Quando estava afobada, esquecia que ele era mudo e não surdo e, bem, ela ficava afobada com frequência perto dele.
Era louca pelo garoto, qualquer um podia ver. Exceto ele, é claro, que não parecia ter autoestima o suficiente para acreditar que alguém podia ser louca por ele, não importa quantas vezes ou já houvessem dito aquilo ao garoto.
Ele sorriu e sinalizou um muito obrigado, abrindo os braços para que a garota o abraçasse, parecendo perfeitamente satisfeito quando ela o fez, pousando a cabeça no topo da sua. sorriu com a cena, rolando os olhos para quão idiota era por não acreditar nele toda vez que dizia que ela gostava dele.
– Aonde vocês vão? – surgiu bem atrás de , fazendo com que ele virasse assustado para encarar a garota, que olhava para , séria. Ela era protetora demais em relação ao irmão e entendia, afinal não devia ser fácil ter alguém com necessidades especiais, que não podia simplesmente, anh, falar o que tivesse vontade. se virava bem com os sinais de libras, mas ainda assim, era protetora, não havia como não ser.
sinalizou, explicando com os dedos que já haviam tido aquela conversa. Eles iam fazer rapel.
– Já tivemos essa conversa, e, justamente por isso, eu achei que estivéssemos decididos. Você não vai fazer rapel, . – ela retrucou, de braços cruzados, a voz soando ao mesmo tempo cansada e impaciente, mal se assemelhando a garota que observava pouco antes, vidrada na música que ouvia. Ele só conseguiu imaginar como aquilo devia ser difícil para ela, estar constantemente preocupada com o irmão quando ele não estava por perto, se perguntando se ele estava bem, se estava sendo compreendido.
– Eu vou estar lá o tempo todo. – murmurou, fazendo com que todos os olhares se voltassem para ele, já que, quando se tratava de , ele nem sempre tinha coragem de falar as coisas que queria. Ele respirou fundo, se obrigando a tirar as mãos dos bolsos e parar de parecer tão inseguro. – É aniversário dele, você quer mesmo estragar o dia do garoto? Eu vou estar com ele o tempo todo, ele é meu melhor amigo, sabe? Me preocupo com ele também. – mordeu o lábio, claramente insatisfeita, mas ainda assim, sustentou seu olhar, esperando seu veredicto.
respirou fundo, desviando o olhar para , que fez um coração com as mãos e piscou várias vezes seguidas, apelando. rolou os olhos, rindo.
– Ele é responsabilidade sua. – apontou com o dedo para o rosto de , voltando a encará-lo.
assentiu, abrindo um pequeno sorriso sem conseguir se conter e ela rolou os olhos, dando as costas e fazendo sinal para que os dois fossem de uma vez, antes de entrar em seu cubículo para terminar a tatuagem da garota que esperava por ela lá dentro.

+++

Á noite, havia preparado uma pequena celebração para o aniversário do irmão, com seus amigos mais íntimos, uma torta de chocolate feita por e algumas pizzas da pizzaria na esquina.
Como era de se esperar, já que era o melhor amigo de , ele estava lá, observando do canto onde estava junto com e outros amigos dos dois dançando com , sorrindo da maneira mais genuína que já havia visto, como parecia sempre acontecer quando havia música envolvida e, mais ainda, quando ela podia dançar também.
Se parecia feliz e leve ouvindo uma música de que gostava, quando dançava ao som de uma música que gostava ela parecia uma rainha, para se dizer o mínimo, demonstrava uma capacidade de hipnose completamente inegável, de olhos fechados enquanto movia os quadris, torcendo os dedos no vestido, do qual não conseguia tirar os olhos.
Pelo menos, não conseguiu por um bom tempo, antes de lhe cutucar e sinalizar um: Pare de encarar minha irmã, fazendo o garoto rir e concordar, se deslocando até a varanda, sentindo-se necessitado de ar fresco.
Aquela garota mexia com ele, mexia demais.
não achava que fosse segredo, nunca foi sua intenção ser, quão fascinado ele era por , o que era no mínimo irônico, já que a garota estava tão envolvida nas músicas das quais tanto gostava e em sua vida, por si só, que mal o notava. Ao menos, podia se consolar com o fato de que ela não notava mais ninguém também.
– Me desculpe, eu…. Não sabia que estava aqui. – a voz, sem jeito, da garota chamou a atenção de , que viu trocar de maneira desconfortável o peso do corpo de um pé para o outro, segurando um cigarro entre os dedos.
sorriu, de leve.
– Pode fumar, eu não me importo. – fez sinal para que ela se aproximasse e a garota lhe deu um pequeno sorriso, sem mostrar os dentes, antes de se aproximar, parando no parapeito e acendendo o cigarro, tragando em seguida.
a observou soprar a fumaça e fechar os olhos, parecendo obter um prazer pacifico daquilo, mesmo que não houvesse nada realmente positivo naquilo. Pelo menos, não a longo prazo.
– Não gosto de fazer isso na frente do . – ela murmurou, abaixando o cigarro – Mas eu meio que preciso, ás vezes.
– Eu entendo. – assentiu – Você quer ser um exemplo pro seu irmão mais novo. – murmurou, deixando claro que compreendia aquilo e sorriu, de maneira quase triste.
– Eu tenho que ser, . – ela retrucou, virando para encará-lo. – Sou tudo que ele tem.
– Não deve ser fácil. – elemurmurou e ela deu de ombros, sem querer falar do assunto. não precisou de muito para entender que ela se sentia culpada quanto a aquilo e desejou ser, pelo menos, um pouco mais próximo dela. Não o amigo de seu irmão com quem ela se batia vez ou outra, que ela não fazia ideia ser completamente vidrado por ela, mas pelo menos seu amigo, alguém de quem ela fosse aceitar um abraço naquele momento. E pensar naquilo fez sentir como se levasse um tapa na cara, imaginando como devia ser viver daquele jeito.
era uma pessoa cheia de vida, não era difícil de notar, seus olhos brilhavam com as menores coisas, desde encontrar um pedaço esquecido de pizza na geladeira quando pensava não ter mais nada para comer a ouvir sua música favorita, quando fosse, como fosse. Ela era incrível, do tipo de pessoa que qualquer um ia gostar de ter por perto, mas notar o esforço que ela fazia para só deixar aquele lado de si aparecer foi um tanto quanto triste. A quantidade de coisas que ela devia guardar para si mesma, empurrar para o mais fundo possível em seu ser…
– Você nunca pensou em fazer outra coisa? – ele perguntou, sem pensar, e enrugou a testa, virando para encará-lo com uma interrogação no olhar.
– O que?
– Digo, além de cuidar dele. – murmurou, apoiando as mãos no parapeito antes de respirar fundo e desviar o olhar para a frente, para a rua abaixo dos dois, procurando as palavras certas para falar o que estava pensando. – Sua vida não pode ser só o seu irmão, . Eu sei que se preocupa com ele e seus desenhos são incríveis, você é ótima tatuando, de verdade, mas… – ele parou, dentro de ombros. – Tudo isso parece muito pouco para o que você merece. Para o quão grande você pode ser.
sorriu com suas palavras, parecendo triste de um jeito estranho, como se soubesse mais que ele e não gostasse nada do que sabia.
, posso te perguntar uma coisa? – ela lhe encarou e ele assentiu, lhe encarando também. – Você está indo para uma universidade do outro lado do país, uma das melhores no mundo e, ás vezes… Ás vezes você para e imagina fazer tudo diferente? Não ir? Não seguir os passos do seu pai, mesmo que tenha dado tão certo para ele?
coçou a nuca, desviando o olhar ao ouvi-la.
– Sim. – respondeu, dando de ombros. – Sei que perto dos seus problemas, dos problemas de , isso soa…. Sei como soa, mas…
– Não, não é isso que quero dizer. – ela o interrompeu, tocando seu braço por meio segundo ao lhe interromper, puxando a mão de volta, imediatamente, quando ele virou para lhe encarar, surpreso. nunca havia tocado nele antes, mas, bem, eles nunca haviam conversado sobre aquele tipo de coisa antes. Ou sobre qualquer coisa que não . – É que é sempre complicado, sabe? Tomar decisões? E a gente nunca vai estar cem por cento certo do que queremos, do que estamos fazendo. – ela se explicou – A gente só faz o que acha que tem que fazer e torce pra tudo dar certo no final. Eu me pergunto ás vezes, aonde estaria agora se meu irmão pudesse falar, se nossa mãe não estivesse morta, mas… São só perguntas que nunca vão ser respondidas. Porque é tudo que eu tenho e eu sou tudo que ele tem e nenhuma resposta vale mais do que isso.
sorriu ao ouvi-la, olhando em seus olhos por um instante, o grau de admiração pela garota crescendo de maneira exorbitante.
– Ás vezes eu me pergunto. – ele disse, desviando outra vez o olhar e ela fez o mesmo, voltando a encarar a rua, levando o cigarro aos lábios. – E se eu fizesse tudo diferente? Será que eu quero levar a mesma vida que o meu pai? Será que eu… Não quero nadar, surfar… Sei lá, qualquer outra coisa que não fazer administração numa universidade da Liga Ivy? – ele olhou para garota pelo canto do olho e ela sorriu, lhe encarando de volta.
– Será?
Ele sorriu também, da mesma maneira triste que ela fazia antes e então suspirou enquanto ela voltava a fumar, balançando a cabeça de maneira cansada antes de uma ideia, um tanto maluca e arriscada, surgir em sua mente, fazendo com que ele virasse de frente para a garota de imediato, lhe assustando.
– O que foi?
– E se a gente tivesse a resposta um para o outro?
– Se a gente tivesse, isso não ia mudar nada. – ela devolveu, dando de ombros como se fosse obvio. Além de não conseguir imaginar como poderiam ter a resposta do outro também, mas não se deixou abater.
– Pelo menos, íamos saber.
– Do que você está falando, ? – a garota perguntou, agora curiosa e ele sorriu, passando a língua pelos lábios.
– Me leva num encontro, me mostra o que você mais gosta de fazer no mundo inteiro e depois eu faço o mesmo. Talvez isso seja a nossa forma de encontrar as respostas de que precisamos, que merecemos.
– Através um do outro? – ela estreitou os olhos, pouco a pouco absorvendo suas palavras, o significado delas. Fazia sentindo, afinal. e tinham vidas completamente opostas, então era como se estivessem embarcando na vida um do outro para descobrir a si mesmos, entender o que tinham, o que teriam e o que podiam ter, se tomassem as decisões que nunca tomariam.
– Não parece fazer sentido pra você? – arqueou as sobrancelhas e ela riu, balançando a cabeça em seguida.
– Parece. – concordou – Sim, parece.
– E então…?
– Eu topo. – ela riu, fazendo com que ele risse também. – Eu topo.

+++

Durante o resto da semana, sentiu uma ansiedade crescente lhe tomando, pensando nas palavras que trocara com . Ela nunca havia falado sobre aquilo com ninguém antes, nem mesmo com , que era sua melhor amiga desde quando ela podia se lembrar.
Parecia errado sequer pensar aquelas coisas, como se, de alguma forma, desejasse uma vida diferente da que tinha quando nunca conheceria o som da própria voz.
De qualquer forma, no sábado, quando ela terminava de trancar o estúdio, estacionou o carro em frente a ele, abaixando o vidro para que ela pudesse vê-lo. rolou os olhos, sem conseguir se conter. Muito modelo da Calvin Klein mesmo.
– Você está bonito, . – ironizou, deixando claro que achava que ele sabia daquilo. Fala sério, não tinha como ser ele, olhar no espelho e não saber que estava bonito, especialmente quando ele caprichava daquele jeito, usando o cabelo para trás, calças jeans e uma blusa social por dentro da calça, inegavelmente evidenciando seu corpo alto e esguio.
– Obrigado. – ele disse, parecendo genuinamente surpreso com o elogio e rolou os olhos, se aproximando mais do carro.
– Achei que eu ia te levar num encontro, por que veio de carro?
deu de ombros, já que não tinha carro imaginara que precisariam do dele, mas agora que ela perguntara, pareceu no mínimo indelicado falar aquilo. Não que fosse preciso, pareceu entender só com seu olhar o que ele queria dizer, terminando por rir da conclusão do garoto.
– Ah, , se vamos fazer isso, vamos fazer direito. Quer dar um mergulho na minha vida? Vamos de ônibus. – ela falou, fazendo sinal para que ele saísse do carro e ele estreitou os olhos para ela, como se a combinação das palavras fosse completamente nova em sua cabeça. riu outra vez. – Anda logo.
– Eu nunca fiz isso antes. – ele retrucou, levemente constrangido e ela rolou os olhos.
– Como se eu não soubesse disso. – devolveu – Vamos, eu te ensino.
A contragosto, saiu do carro, dando a volta até ela depois de dar o alarme no veículo, enfiando a chave no bolso. o olhou da cabeça aos pés e balançou a cabeça, tentando parar de pensar nele como um modelo de cuecas, especialmente porque aquilo incluía imaginá-lo de cueca e já tinha problemas demais para, ainda por cima, pensar em se envolver com o amigo de seu irmão mais novo.

Os dois saltaram do ônibus quase do outro lado da cidade e parecia, ambos, fascinado e aterrorizado. Ele claramente nunca andara de ônibus antes e todo o processo não parecia ter sido mais engraçado para , o assistindo olhar em volta, captando toda a dinâmica como se fosse algo tão especial e não completamente cotidiano.
Enfim, os dois chegaram no estúdio onde costumava ir quando tinha tempo. Era um estúdio simples, parte de uma ONG que tentava proporcionar acesso as artes para crianças e adolescentes carentes, do qual gostava muito. Ela passou todo o percurso até lá explicando a o trabalho que faziam, como ela ajudava e tudo o mais.
Quando podia, quando tinha tempo e tudo o mais, ela ensinava dança aos inscritos, mas, quando não podia, ela ajudava apenas enviando a quantia que podia. No entanto, ainda assim, sempre conseguia tirar pelo menos uma hora por semana para estar lá.
– Eu achava que você gostava do que fazia. Com as tatuagens. – murmurou e ela sorriu, entrando com ele numa sala de dança completamente vazia, exceto pelo espelho cobrindo uma das paredes e pela barra.
– É diferente. – ela murmurou, deixando o casaco e a bolsa de lado num canto da sala enquanto seguia para o centro dela, ficando sem os sapatos para sentir o assoalho nos pés, olhando em volta e constatando mais uma vez o mesmo que concluía todas vezes que ia naquele lugar. Precisava ir lá mais vezes, aquilo lhe fazia bem. – Desenhar me mantem sã, me faz bem, mas dançar…. Dançar me faz sentir viva. De um jeito que nenhuma outra coisa nunca fez. – ela explicou por fim, voltando a encarar , sentado no chão com uma perna estendida e a outra dobrada, o rosto apoiado no joelho, os olhos nela.
Ela lhe encarou por um instante, umedecendo os lábios, atitude que não passou despercebida por ele. Pela primeira vez, a tensão não era só dele, ela estava sentindo também, todo o cômodo estava envolto, e, se tentassem, podiam cortar com uma faca o ar pesado em volta deles. olhava para aquele homem, no mínimo, lindo sentado no chão, olhando para ela de volta e sentia coisas demais, desde um embrulho violento no estomago a todas as suas incertezas e certezas se revirando em sua mente, bagunçando-a como se a intenção fosse simplesmente fazer com que ela parasse de acreditar em tudo que acreditava, de levar suas crenças de toda a vida tão a sério, ainda que só naquele momento, que os dois haviam combinado de ser um experimento, uma resposta para suas perguntas.
Talvez devesse simplesmente abrir a mente ali.
– Você quer assistir, ? Ou quer mergulhar? Na minha vida? – a garota perguntou e ele sorriu de leve, estendendo o braço longo para alcançar o som e ligar, um instante antes de se levantar.
– Preciso confessar uma coisa. – ele murmurou, se aproximando da garota, que mordeu o lábio e sustentou seu olhar, esperando. – Estou bem assustado em imaginar o que as respostas que estamos procurando podem fazer conosco.
– Eu disse que era mais fácil não saber. – ela abriu um pequeno sorriso e ele imitou, sentindo as mãos coçarem para tocá-la. Aquela era uma vontade antiga, mas naquele momento em especial os lábios dela pareciam mais convidativos do que nunca e ela estava tão perto, tão acessível. Nunca na vida a presenciara tão acessível, em todos os anos que conhecia e a garota e ele queria demais entrar as mãos em sua nuca, seus cabelos e juntar seus rostos, seus lábios, experimentar o gosto com o qual tanto sonhara.
– Eu ainda quero saber. – ele devolveu e ela riu, mas não disse nada, ouvindo os toques suaves da música no rádio encherem o cômodo, levando a estender a mão para ela. – Vou mergulhar nessa com você. – ele disse e ela sorriu para suas palavras, aceitando sua mão.
puxou a garota para si, trazendo seu corpo para junto do seu, as costas dela ficando rentes a seu peito, de forma que ela pudesse sentir sua pulsação contra a própria pele. fechou os olhos, respirando fundo enquanto parecia sentir o corpo todo pulsar contra o dele, um instante antes de ele girá-la pelo cômodo outra vez, não conseguindo tirar os olhos da garota.
se moveu pelo cômodo de maneira graciosa, os dedos de uma das mãos fazendo um arco em volta de si enquanto ficava na ponta dos pés, erguendo uma das pernas até pouco acima do joelho e girando o corpo, com a maestria de uma dançarina profissional, de fato. ficou vidrado, se perguntando se ela sabia que parecia um anjo quando se movia daquele jeito, tornando praticamente impossível que ele ou qualquer um fosse capaz de tirar os olhos dela.
achou que pudesse ter o mundo nas mãos caso quisesse, bastava dançar.
Em seguida, ele não conseguiu mais ficar longe, parando atrás dela e inclinando o corpo para frente, fazendo com que os dois baixassem os corpos em direção ao chão, só para subir novamente em seguida, a mão dele deslizando de seu ombro até encontrar a dela, entrelaçando seus dedos e a virando de frente para si. subiu as mãos para sua nuca por reflexo e ele levou as suas próprias para sua cintura, impulsionando o corpo da garota para cima e lhe tirando o ar conforme ela sentia os pés saírem do chão, abrindo os braços quando ele a ergueu acima de sua cabeça.
nunca imaginara que tivesse qualquer tipo de desenvoltura para dança, nunca o vira fazer aquilo antes, mas ele era realmente bom e ela notou isso antes mesmo de ele coloca-la no chão e girar no cômodo, indo para trás da garota e pousando as mãos em suas costelas, fazendo com que ela abrisse os braços, sendo posta, literalmente, de cabeça para baixo.
Ela pousou as mãos firmes nas pernas dele e abriu as pernas, permitindo que ele a embalasse devagar no ritmo da música antes que a garota fosse ao chão, escalando com perfeição, as pernas abertas e completamente esticadas no chão.
– Uau – murmurou e ela riu, estendendo a mão para que ele lhe ajudasse a levantar. – Você é incrível.
– Você também. – ela retrucou, arqueando as sobrancelhas quando ele desviou o olhar. – Não sabia que dançava.
– Eu faço praticamente tudo. – ele riu, sem muito humor – Meus pais sempre me criaram para saber o máximo de coisas possíveis.
– Aposto que não teve muitos amigos na escola. – devolveu, o fazendo rir, se obrigando a concordar com a cabeça.
– É, não tive. – riu, vendo a garota suspirar, deitando-se no chão de maneira relaxada. Ele sorriu, sentando-se perto dela. – Você gosta muito disso, não é? – lhe encarou e desviou o olhar, antes no teto, para seu rosto. Novamente, foi atingido em cheio por sua beleza, pensando em todas as vezes que lhe vira dançando e cantando, distraída, tão genuinamente entregue.
– É a coisa que mais me faz sentir viva no mundo, . – ela respondeu, dando de ombros como se aquilo explicasse tudo e, bem, explicava mesmo. – Eu preciso desse lugar, sabe? Me dá esperanças, como se, algum dia, a vida pudesse ser diferente. Eu pudesse fazer mais. – ela explicou e sorriu, triste, batendo de leve em uma de suas pernas em seguida.
– Vem aqui. – chamou e ela desviou o olhar para sua perna por um segundo, depois para seu rosto, antes de obedecer e se aproximar, deitando a cabeça em sua perna, suspirando quando sentiu os dedos dele se infiltrarem em seus cabelos, acariciando seu couro cabeludo num cafuné preguiçoso. – Se serve de alguma coisa, você é uma das coisas mais lindas que eu já vi quando dança. – ele murmurou, sem realmente se preocupar com o modo como aquilo ia soar. Ele só queria que ela soubesse, que soubesse que, mesmo não tendo o mundo inteiro na palma das mãos como merecia, ao menos a ele, ela tinha.
não disse nada, mas sorriu com suas palavras, se dando conta que sim, servia de alguma coisa.

+++

Durante a semana que se seguiu, e conversaram um com o outro quase todos os dias, sobre praticamente tudo, mais do que jamais haviam feito antes em todos os anos que se conheciam. Sempre tiveram o número um do outro, mas nunca haviam sequer imaginado que conversar como vinham fazendo pudesse ser tão bom, lhes fazer tão bem.
Bom, pelo menos não. sempre fora fascinado por ela e, a cada dia que se passava, estava mais envolto por seu feitiço.
O próximo encontro dos dois, quando mostraria a garota o seu lado, o modo como vivia e tentaria lhe dar a sua resposta finalmente chegara e, não queria admitir, mas a garota passara toda a semana ansiosa por aquele dia, curiosa nem tanto por sua resposta, mas pela vida dele, pelo que motivava a acordar todos os dias e levantar da cama quando obviamente já tinha tudo. Ele só lhe dissera para colocar um biquíni na bolsa quando ela tentou arrancar algo dele sobre o destino, alguns dias atrás e não tinha muita certeza do que devia pensar.
– Pronta? – ele perguntou após estacionar o carro, dando a volta no veículo para abrir a porta para a garota, que rolou os olhos para sua atitude.
– É aqui? – quis saber, olhando em volta ao sair do carro. Estavam em um lado da cidade que não conhecia muito bem, em frente ao que parecia ser um clube, com enormes piscinas, tobogãs e afins.
– Não me julgue ainda. – ele pediu, pegando em sua mão para seguir para o interior do local, assustando a garota com a atitude. Ela olhou para suas mãos juntas e piscou, balançando a cabeça quando começou a se perguntar o que diabos era aquilo que ela estava se permitindo fazer, com o amigo de seu irmão. – Kim Jong-in. – ele murmurou para o senhor na portaria, que assentiu e o deixou passar, com em seu encalço.
Ela se obrigou a não fazer nenhum comentário sobre aquilo, ou sobre as pessoas que acenaram e cumprimentaram , sobre como todos ali pareciam saídos de seriados como Revenge e Gossip Girl, basicamente sobre gente rica fazendo besteira e saindo impune. se obrigou a lembrar que aquele não era o proposito daquele dia e, mais ainda, que ele lhe pedira para não julgá-lo, por ora. A companhia de era boa o suficiente para que ela levasse o pedido a sério.
Os dois subiram escadas que davam para um restaurante todo de vidro, com enormes lustres, e então passaram por uma ponte de madeira, com uma piscina bem debaixo dela, uma destinada a adultos, já que não se via nenhum tobogã com formato de bicho ou mesmo nenhuma criança por perto, mas aparentemente, não era aquele o destino deles também.
mordeu o lábio, curiosa, e não soltou sua mão em nenhum momento durante o percurso, abrindo com a mão livre uma porta de vidro fumê que dava para uma sala com uma piscina gigantesca, uma arquibancada e, um pouco mais afastado, um frigobar e um armário, onde provavelmente estavam as toalhas mais estupidamente caras possíveis.
não podia negar que estava um tanto quanto boba com a visão do local, de como tudo parecia perfeito e luxuoso ali.
– A piscina aqui dentro é aquecida. – murmurou, fechando o vidro que separava a sala do resto do clube. – Normalmente, quando eu venho aqui alugo a sala para ficar sozinho. – ele explicou e ela piscou, virando para encará-lo.
– Isso não deve ser barato.
– Vivemos vidas diferentes, lembra? – ele retrucou e ela assentiu, o fazendo sorrir antes de se afastar, finalmente soltando sua mão, indo até a piscina e colocando os pés para dentro, sentando na borda dela. – Sei o que está pensando. O que diabos pode existir de tão profundo numa piscina? – ele riu e ela o imitou, dando de ombros e enfiando as mãos no bolso.
– Se parar pra pensar, não é uma pergunta tão difícil – brincou e ele riu, chutando de leve a água.
– Quer dar um mergulho? – perguntou, puxando a camisa para cima e assustando , que precisou conter o ímpeto de agir como uma criança e desviar o olhar, embora fosse difícil demais não desviar o olhar e manter os pensamentos sob controle quando ele estava com o abdômen a mostra daquele jeito.
– Sério? – ela perguntou, surpresa, e ele deu de ombros, se levantando para tirar a calça, ficando apenas de sunga. Dessa vez, realmente desviou o olhar para os pés, tentando evitar que a bagunça em sua cabeça se tornasse maior ainda.
– Prometo que você vai entender quando eu explicar. – ele garantiu e ela rolou os olhos, assentindo antes de se obrigar a tirar os sapatos e, em seguida, a roupa, ficando só de roups intíma. Dessa vez foi quem tentou não olhar, aproveitando-se do fato de já estar na piscina para mergulhar, colocando a cabeça para fora um segundo depois, tentando não parecer indiscreto. – A agua está ótima.
– Quente? – era pra ser uma piada, mas assim que falou, se sentiu quente e, algo no olhar de , fez a garota tremer na base.
– Quente. – ele concordou, sentindo muito mais como se estivesse prestes a entrar em combustão. – Entra aqui.
assentiu, se aproximando da piscina e apoiando os braços na borda enquanto colocava as pernas para dentro, deixando-se deslizar inteira para dentro da água em seguida. A temperatura estava quente de maneira incrivelmente relaxante e agradável. Ela olhou nos olhos de , recostado a parede do outro lado da piscina, e se permitiu lhe dar um sorriso, experimentando aquela água também, tentando descobrir o que era seguro ou não fazer.
– Isso é o que me faz sentir vivo. – ele falou, finalmente se afastando da parede e se aproximando dele. Quanto mais perto o garoto chegava, mais quente se sentia e ela se privou de tentar imaginar o porquê daquilo, mordendo o lábio. – É irônico porque é só uma piscina, mas quando eu estou sozinho aqui eu posso, sei lá, só respirar, sabe? Ou não respirar. – ele deu de ombros, rindo e ela lhe escutou com atenção, observando com atenção também cada um dos traços de seu rosto, sentindo as mãos pesarem para tocá-lo. – Me faz bem mergulhar e não pensar em mais nada, não precisar me punir pelo que eu tenho medo de querer, por aquela vozinha no fundo da minha cabeça me dizendo que talvez eu queira algo diferente, que talvez mereça algo diferente…
– É preciso ter coragem para admitir esse tipo de coisa. – ela concordou e ele assentiu, suspirando em seguida.
– Quando eu estou sozinho, aqui, debaixo da água onde ninguém pode me ver… Eu posso só deixar essa vozinha falar, sabe? Ao em vez de repreendê-la o tempo todo.
– E o que ela diz? – perguntou, com o corpo dele cada vez mais perto, a água quase fazendo com que seu abdômen encostasse no corpo dela com seu movimento leve, triscando de maneira tão, mas tão superficial que era ao mesmo tempo uma tortura e um alivio. O corpo dela vibrava em expectativa e ela nem mesmo tivera coragem de admitir para si mesma que queria algo de , algo além de respostas.
– Que posso tomar minhas próprias decisões. – ele falou. – Que eu devo tomar minhas próprias decisões. – acrescentou, vendo os olhos dela desceram para seus lábios, por um segundo quase inexistente, já que assim que tomou consciência do que acontecia a garota desviou o olhar, mas notou antes dela, desejando mais do que nunca poder beijá-la de uma vez.
– Eu acho que deve. – concordou, se esforçando para olhar em seus olhos e não agir como se seu corpo inteiro vibrasse em tensão e expectativa. – Deve fazer o que quer, .
O olhar dos dois se encontrou por um segundo, um breve e ínfimo segundo, antes que finalmente segurasse sua nuca e atacasse os lábios da garota com os seus, levando-a a passar os braços ao seu redor de imediato, sentindo o corpo inteiro ceder a expectativa daquele momento, torcendo os dedos em seus cabelos enquanto, com a outra mão, segurava em seu ombro, apertando a pele da região com aquela sensação quase insana de que precisava senti-lo, que precisava sentir tudo que ele tivesse para ela. A língua de brincava com a sua de um jeito bom demais, enquanto as mãos dele exploravam seu corpo, uma fazendo seu caminho pela parte inferior de seu corpo até alcançar sua bunda e cobrir e a outra em seus cabelos, juntando os fios entre os dedos um instante antes de a garota morder sua boca, fazendo menção de romper o beijo para puxar o ar.
Antes que ela o fizesse, no entanto, segurou em sua nuca e voltou a intensificar o beijo, impedindo que ela se afastasse. Sentindo-se ao mesmo tempo excitada e atordoada, fez a única coisa que podia fazer e afundou as unhas em sua nuca, deslizando uma das mãos até a lateral do corpo de para puxá-lo para mais perto de si, conseguindo assim sentir cada parte do corpo dele contra o seu, a própria atitude causando estragos, no mínimo, extremos no corpo e na mente de .
queria aquilo a tempo demais, mal podia contar a quantidade de vezes que sonhara em poder beijá-la e tocá-la, que se perguntara o sabor que ela teria e, agora que finalmente estava acontecendo, ele não conseguia pensar em nada, nem na mais insignificante das coisas, completamente preso nas sensações.
Ele era apenas sensações naquele momento.
Quando mordeu sua boca pela segunda vez para romper o beijo, ele permitiu, mantendo a testa colada à sua e os olhos fechados, tentando normalizar o ritmo de sua respiração, ao passo que não conseguia tirar os olhos dele, absorvendo em sua mente cada um dos traços do garoto, deslizando os dedos de seus ombros para seu peitoral e explorando, experimentando tocá-lo com tanta liberdade.
– Você já imaginou que isso fosse acontecer? – ela perguntou, erguendo o olhar para encontrar o dele e sorriu de lado.
– Só todos os dias desde que conheci você. – retrucou e ela mordeu o lábio, não conseguindo resistir a vontade de beijá-lo outra vez, puxando o garoto para si e invadindo sua boca com a língua, soltando o ar em seguida, quando a prendeu contra a parede, fazendo com que a garota passasse as pernas ao seu redor.
Os dois sentiam o corpo quente demais e a proximidade não ajudava em nada naquele quesito, lhes dando a sensação de que poderiam entrar em combustão a qualquer momento. já podia sentir a ereção crescer entre as pernas, mas não conseguia parar mesmo assim, mesmo sem ter certeza de quão longe podia ir com ela. Ele passara tempo demais querendo aquilo para simplesmente parar quando finalmente a tinha em seus braços e ficou satisfeito de reagir apenas com gemidos e suspiros pesados contra a boca dele quando o garoto entrou uma mão em seu sutiã, encontrando um de seus seios.
Ela apertou com mais força em sua nuca e gemeu, puxando seu rosto mais para si mesmo mal encontrando condições dentro de si de beijá-lo com a mesma intensidade, se afastando apenas para que ele terminasse de livrá-la do sutiã em seguida.
O tempo que seus lábios ficaram separados foi apenas o suficiente para colocar a peça de roupa de lado, na borda da piscina, puxando a garota novamente para si em seguida, sentindo os seios dela desnudos irem de encontro ao seu abdômen, lhe fazendo sentir, no mínimo, quente demais para o que quer que fosse saudável. Ela apertou mais as pernas ao redor de e ele mordeu sua boca, deslizando os lábios por toda a extensão de seu pescoço em seguida, explorando de maneira tão minuciosa que chegou a ser até mesmo cruel quando ele parou. Ou teria chegado se, ao parar, ele não houvesse abocanhado um de seus seios, fazendo com que ela jogasse a cabeça e o corpo para trás, gemendo excitada enquanto afundava ainda mais as unhas na nuca e costas do garoto.
conseguia sentir a ereção dele contra seu corpo de maneira intensa demais na posição em que estavam a cada pequeno movimento de qualquer um dos dois, fazendo com que ela o apertasse em seu encalço um pouco mais a cada instante, ignorando que não houvesse mais nenhum espaço entre os dois, especialmente quando depositou um beijo gelado entre seus seios, para só então voltar a abocanhar seus lábios, impulsionando o corpo contra o dela como se já estivessem transando, tornando fácil demais para sentir sua ereção contra o próprio sexo molhado. alcançou com as mãos a bunda de e apertou, o puxando para mais perto com a atitude e fazendo soltar o ar, sentindo a ereção pulsar forte demais entre as pernas, desfazendo as tiras do biquíni da garota em seguida, ao mesmo tempo em que ela baixava a sunga que ele vestia.
Ele nem mesmo se preocupou em terminar de despir a peça, se enterrando ansioso dentro dela no instante seguinte, fazendo com que afundasse a cabeça em seu pescoço, gemendo contra sua pele. A atitude fez com que todo o corpo de vibrasse, o deixando enlouquecido ao se mover dentro dela, estocando rápido e forte, do jeito que descobriu imediatamente que ela gostava, pela maneira deliciada que a garota gemeu, afundando as unhas em suas costas enquanto pedia baixo por mais.
deu o que ela pediu, indo e vindo dentro dela com estocadas fortes, mordiscando toda parte do corpo dela que podia alcançar durante o percurso. Seu pescoço, ombro, nuca, sua orelha, a região de trás dela, tudo.
E pareceu bom, pareceu que ele estava acertando conforme gemia de maneira cada vez mais escassa, lhe deixando excitado demais para toda e qualquer experiência que o garoto podia se lembrar de já ter tido antes. De repente, ele nem ligou de ter esperado tanto, porque valera a pena, cada toque e beijo que trocavam naquele momento, cada estocada em seu interior deliciosamente molhado, tudo aquilo valia demais toda a espera porque cada segundo que se passava se tornava o mais delicioso de sua vida, enquanto estava dentro dela.
segurou no rosto de e mordeu seu lábio inferior, inegavelmente entregue, sorrindo quando ele não resistiu e mordeu sua boca de volta, um instante antes de finalmente fazer o que ela torcia para que fizesse e moldar seus lábios, movendo de maneira quase agressiva a língua contra a sua, mesmo que suspirando pesado durante todo o percurso. aumentava o ritmo de suas estocadas a cada vez que tomava folego, ainda que não permitisse que ele passasse muito tempo realmente recuperando o folego, viciada em seus lábios, os atacando sempre que tinha a chance, mesmo que as estocadas dele dentro dela, tão fundas e deliciosas, por si só já enlouquecessem a garota de maneira inegável.
Não que ela fosse, de fato, perder tempo negando aquilo, especialmente quando o aquilo era tão bom, tão intenso e tão viciante.
Ela só desejou que a satisfação daquele momento durasse o quanto fosse possível, mesmo que já sentisse todo o corpo ceder, pouco a pouco perdendo forças até mesmo para beijar como fazia antes, respirando de maneira entrecortada contra sua boca.
, em seguida, prendeu completamente a garota contra a parede da piscina e moveu-se devagar para sair de dentro dela, depois devagar de volta para dentro, colando suas testas e deixando-a sem folego, sentindo cada centímetro dele ir e vir em sua intimidade repetidamente.
… – ela gemeu, ao mesmo tempo deliciada e enlouquecida e, em resposta, o garoto segurou seus cabelos outra vez, juntando-os num bolo antes de beijá-la novamente, atacando seus lábios sem qualquer pudor antes de deslizar inteiro para dentro dela, dessa vez rápido, firme. sentiu o ar travar em sua garganta, mas não se atreveu a romper o beijo ainda assim, apertando mais as pernas ao redor do garoto, sentindo o corpo ser, pouco a pouco, tomado pela sensação mais intensa de calor que já tivera em toda sua vida.
A queimação do orgasmo pareceu quase mortal em conjunto com a agua quente da piscina, mas sequer absorveu qualquer uma daquelas sensações supérfluas que deveriam ser tão intensas ou até desconfortáveis, sentindo o liquido de explodir em seu interior ao mesmo tempo em que ele gemia contra sua boca, soltando contra seu ouvido o som mais delicioso que ela já ouvira na vida, um gemido rouco que devia ser capaz de impulsionar qualquer uma a fazer aquilo tudo de novo com ele mesmo que sequer houvessem realmente terminado.
– Você realmente não tem ideia do tanto de vezes que eu imaginei isso. – ele murmurou contra a boca da garota, que puxou seu lábio inferior entre os dentes antes de se permitir sorrir. Os dois ainda estavam inundados por todas as toxinas do orgasmo, ainda que ele ainda estivesse dentro dela, as pernas dela ao redor da cintura dele.
– Sorte sua que eu sou muito boa então. – retrucou e ele riu, finalmente saindo de dentro dela, suspirando junto com a garota ao o fazer.
– A melhor. – disse por fim, soltando uma piscadela para ela, que riu, fazendo com que ele se juntasse a ela em seguida.

Quando estacionou o carro em frente à onde morava, nenhum dos dois falou nada no primeiro instante. O sexo fora ótimo, muito provavelmente o melhor da vida de ambos, porém não era naquilo que pensavam, não era esse o motivo de o silencio que reinava no carro pesar tanto.
pensava em todo o conceito da ideia de tomar uma decisão que definiria todo o curso de sua vida, pensava em como aqueles dois encontros com foram intensos, em como se ver pelos olhos dele lhe mudara. Ainda podia ouvir, no fundo de sua cabeça, falando que, dançando, ela era uma das coisas mais lindas que ele já vira. Ainda podia sentir tudo que as palavras lhe fizeram sentir, e, querendo ou não, parecia não ser capaz de imaginar uma vida sendo a pessoa que ele parecia ver nela.
– Céus, eu sabia que era mais fácil não saber. – ela reclamou, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.
sorriu triste.
– Ei… – estendeu a mão, brincando com seus dedos e ela virou para encará-lo, tentando não transparecer estar tão abalada quanto de fato estava. Só por pensar em estar abalada porque precisava cuidar de seu irmão, estar com ele, se sentia culpada. Não tinha nenhum direito de sentir aquelas coisas, seu irmão não podia nem mesmo falar, caramba. – , não deixe as memórias de hoje, daquele dia na sala de dança, te deixem triste. Sempre vão ser as minhas melhores memórias de você. – ele pediu, fazendo com que ela desse um leve sorriso diante de suas palavras.
– As minhas também. – ela disse – É que… Era realmente mais fácil não saber.
– Era sim. – ele concordou, desviando o olhar ao mesmo tempo em que ela o fez, ambos recostando o corpo no banco do carro, observando as pessoas caminharem tranquilamente pela rua, alheias ao ar pesado dentro do carro, como se estivessem prestes a adentrar numa tempestade particular. suspirou. – Então, parece que eu estou indo para a universidade.
– Parece que eu estou continuando exatamente como estou. – ela disse e seus olhares se encontraram, num momento de entendimento do qual nenhuma outra pessoa jamais poderia participar. poderia se apaixonar por outras garotas, até casar, mas ninguém nunca seria como ela, a garota que vivia perdida no som… – Vou sentir sua falta quando você for. – ela confessou, baixinho. – E também.
– Vou sentir a sua também. – murmurou, ignorando seu comentário sobre o irmão, sabendo que ela só falava aquilo por puro constrangimento, causado pela própria confissão. sorriu ao pensar naquilo, satisfeito ao notar que a conhecia bem demais, no fim das contas. – Vou sentir de verdade a sua falta, .
Quando o garoto disse aquilo, os dois olharam nos olhos um do outro mais uma vez e então a puxou para si, moldando pela última vez seus lábios, se permitindo aproveitar a sensação de ter seus lábios contra os dele mais uma vez antes de ir embora. torceu os dedos contra seus fios, segurando com a outra mão em sua nuca, soltando o ar contra seu rosto um instante depois, quando rompeu o beijo.
Os dois ainda mantiveram os olhos fechados por um instante antes que tocasse gentilmente os lábios dela com os seus outra vez e então se afastasse.
– Nunca pare de dançar, ok? – ele murmurou e ela sorriu, assentindo.
– E você… – mordeu o lábio – Não precisa estar na água para fazer o que quer. Só chuta o balde de vez em quando. – falou e ele assentiu. – Promete?
– Se você prometer não parar de dançar, então sim, prometo. – ele falou e ela riu.
– Fechado. – disse, se aproximando e beijando suavemente sua bochecha antes de abrir a porta do carro para sair, acenando para ele antes que ele desse a partida e saísse de seu campo de visão.
Uma vez sozinha, suspirou e pegou ás chaves de casa na bolsa, entrando na propriedade que dividia com o irmão e subindo ás escadas até dentro de casa, sorrindo ao encontra-lo com , dividindo um cobertor enquanto vinham um filme na sala de estar.
Fora difícil, ter forças para ver o que sua vida poderia ser e, ainda assim, convencer a si mesma que não precisava daquilo, não precisava ser a pessoa magnifica e fora do comum que via nela, mas agora, vendo seu irmão tão confortavelmente deitado com sua melhor amiga, vendo um filme aleatório na TV, se sentiu em casa.
? – chamou e ela piscou, sorrindo para ele, que fez sinal para que ela se aproximasse. sorriu e acenou também, então ela se aproximou, aceitando o cobertor que estenderam para ela.
Aquele podia não ser seu sonho, podia não ser o máximo que ela podia fazer, mas não era nenhum sacrifício viver daquele jeito, no fim das contas. E ela ficaria bem, assim como sabia que ficaria, mesmo que seus destinos não se cruzassem no final da história.

FIM

 

Nota da Autora:
Oie!!!!!! E aí, gostaram?
Apesar dos apesares, gosto dessa fic, espero que tenha agradado. Me deixem saber, tá?
Xx.