Love Between Us

Sinopse: Não poderiam mais ignorar o que sentiam um pelo outro, era intenso demais pra ficar nas sombras. Por isso, concordaram que estavam prontos para ir além do sexo que faziam tão bem. Entretanto, estavam mais assustados que o esperado com essa decisão. Tiveram que aprender a ser sinceros, a arriscar ou desistir de uma vez, expor ou deixar de sentir. Afinal, esconder o amor com sexo é burrice.
Gênero: Romance
Classificação: 18
Restrição: x
Beta: Elizabeth Bennet

Capítulos:

Um.

O choque térmico causado pelo vidro frio da mesa em contato com as costas suadas e quente de lhe causou um arrepio dos pés à cabeça, e, mesmo que fosse um arrepio bom, em nada se comparava com a pressão que crescia abaixo de seu ventre. Suas mãos seguraram a borda da mesa, procurando alguma superfície que a mantivesse segura e ficando ali por poucos segundos, antes de fazerem o caminho tão familiar: o corpo de .
Ele sorriu minimamente quando as mãos de passaram por cima das suas, que estavam tão bem encaixadas na cintura dela. O sorriso abandonando os lábios quando a mulher o apertou dentro de si, arrancando um gemido da boca de . A mesma boca que, no segundo depois, beijara a perna de ; a mesma perna que ele havia erguido e colocado apoiada em seu corpo, deixando o pé da mulher em seu ombro. Aquela posição era perfeita, pois dava a a oportunidade de ir mais fundo, forte e rápido, alcançando sempre um ponto específico em : o ponto que a fazia gemer cada vez mais arrastado, sôfrego e alto, necessitada.
beijou a panturrilha de mais algumas vezes, deixou algumas mordidas ali, fechando os olhos e sentindo que, assim como ela, ele também estava chegando ao seu limite. Iria gozar em breve, em poucos instantes, e queria tanto aquilo. Assim como queria que gozasse antes dele.
A outra perna de , aquela livre das mãos e da boca dele, o puxou para mais perto de si quando circulou o corpo dele, fazendo-o ir mais fundo e arrancando gemidos tanto dela quanto dele. procurou pelas mãos de quando sentiu um aperto específico bem embaixo de seu umbigo; os olhos fechados, e os lábios entreabertos, procurando por mais um pouco de ar. sorriu com aquela cena, sentindo-se um filho da puta sortudo por ter a oportunidade de ver com tanto tesão quanto naquele momento e, principalmente, de ser no seu pau que ela se movia tão necessitada enquanto o pedia por mais, para não parar.
Porra! Até parece que ele iria parar!
O rapper não pensava em parar. Jamais pararia. Estava empenhado em continuar estocando seu pau dentro dela do jeito que ela tanto gostava — duro, forte e rápido — e em continuar ouvindo os gemidos, suspiros e palavrões que vinham seguidos de seu nome. Era o que queria naquele momento. Parar não era uma opção. Mas foi ele quem gemeu mais uma vez e logo soltou o nome de , acompanhado de um palavrão quando ela se mexeu, rebolando do jeito que a posição lhe permitia no pau de e sorrindo para ele, que achava aquela cena a mais gostosa e excitante que via em toda sua vida: suada, com fios de cabelo grudados em seu rosto, com a respiração agitada, nua e rebolando nele. poderia morrer com aquela vista, mas, antes, precisava fazer gozar. Precisava fazê-la apertar seu pau e, então, gemer e gritar o nome dele, enquanto se desfazia com o pau dele ainda dentro dela. E, por isso, apenas por isso, segurou a perna de com suas duas mãos, apertando-a e puxando-a para mais perto dele, se é que era possível, e, então, aumentando os movimentos de seu quadril, enquanto a olhava nos olhos, em um desafio mudo para que ela não os fechasse.
não fechou os olhos, esforçando-se e conseguindo mantê-los abertos.
E, bem, se sentia-se um filho da puta sortudo por ver e conseguir fazer ficar tão fodidamente gostosa naquela bagunça que só o sexo deles dois era capaz, ela se sentia uma filha da puta sortuda por tê-lo estocando tão duro em si, com o corpo suado, os lábios grossos abertos gemendo seu nome, e os olhos fixos nos seus.
A verdade é que, naquela noite, enquanto faziam aquele sexo suado, bruto, na sala de reuniões da empresa de , ambos se sentiam sortudos. Haviam tido uma reunião, antes que um começasse a tirar a roupa do outro. Uma reunião que tinha como assunto principal eles dois; o relacionamento que ambos perceberam se tratar mais do que o sexo gostoso que faziam desde o primeiro dia. Desde que se conheceram. Confessaram seus sentimentos, mesmo que de forma “não tão direta”, para o outro naquela noite, nesta sala de reuniões, e concordaram em tentar algo além. A princípio, eles continuariam tendo o que sempre tiveram, mas acrescentaram algumas regrinhas, e contrato assinado. É, chegaram a fazer um contrato. Pois é!

E, por isso, estavam transando na mesa de vidro da sala: para comemorar o acordo fechado, selado e, mesmo que nunca e dissessem em voz alta, para comemorar também a reciprocidade de sentimentos.
Estavam felizes. Então, nada melhor do que comemorar e viver a felicidade do melhor jeito que sabiam: transando! Comemoravam a conversa concluída com sucesso, as entrelinhas entendidas, os pontos acertados e aquele contrato — tão idiota — que fizeram. Comemoravam com toques, beijos, gemidos, apertos e suor. Comemoravam porque estavam bem. Felizes. Muito bem.
Porém, quando gozaram e um gemeu o nome do outro, instantes antes de usar o corpo de como apoio, enquanto seus olhos ainda estavam abertos, focados uns nos outros, uma risada soou na mente de , e outra na de . Eles sabiam que eram as vozes de suas consciências perguntando: “A quem queriam enganar?” Aquela reunião meia-boca de nada serviu. Aquele contrato não tinha validade alguma. Eles dois já estavam em outro nível e sabiam disso. Deveriam ter sido sinceros de verdade. A sinceridade evitaria brigas que surgiriam dali poucos dias, e ambos sabiam disso também.
No amor, a sinceridade é sempre a melhor escolha.
Esconder-se atrás de sexo é idiotice.

Dois.

— Ah! , o vai… Tchau?! — interrompeu sua própria pergunta, enquanto encarava deixando o apartamento a passos apressados. continuou encarando o caminho que percorrera em menos de três segundos, até que deu um pequeno pulo no lugar em que estava quando o barulho da porta de entrada ecoou com força. olhou para , que estava sentada no sofá ao seu lado e que, por longos minutos, havia sido seu travesseiro para o pequeno sono que tirou no colo da mais velha. — Meu Deus! O que aconteceu?
— Eu não faço a mínima ideia! — respondeu, encarando-a de volta e dando de ombros. Ambas confusas com a saída repentina do rapper. — Eles chegaram tem pouco tempo, foram ao quarto e…
— Transaram. — a interrompeu, concluindo a história que sempre tinha o mesmo final, mas seus olhos se arregalaram ainda mais quando a mais velha negou com um aceno de cabeça. — Não?! Como assim?!
— Meu Deus! Será que… — também arregalou os olhos, levou a mão à boca e prendeu um riso. — Será que ele brochou? — perguntou baixo à amiga, que ganhou uma coloração avermelhada no rosto. sempre ficava envergonhada quando o assunto era sexo e, por isso, e sempre tocavam tanto naquele assunto perto dela. Ela era fofa com vergonha
! — A de cabelo avermelhado jogou a almofada na outra, logo ouvindo a risada aguda da mais velha. — Meu Deus… Será? — sussurrou, aproximando-se de , como se contasse um segredo. — Para de rir, ridícula!
— Pensa comigo… Eles sempre transam quando estão juntos. — Ergueu um dedo da mão esquerda, enumerando. — Eles chegaram não tem muito tempo, foram ao quarto, não ouvi barulhos, e ele saiu daquele jeito. Ele bateu a porta da frente, ! E sabemos que -ah é sempre muito educado. Certeza que brochou!
— Barulhos? — perguntou, ainda digerindo as palavras de e encontrando lógica na explicação.
— Eu não vou imitar os gemi…
é um idiota. — interrompeu , assustando as duas amigas, que não perceberam a chegada da mais nova na sala. ainda estava com a roupa que vestira antes de sair de casa para se encontrar com , o cabelo sendo preso em um “rabo de cavalo”, enquanto a pouca maquiagem permanecia na pele, especialmente o batom vermelho. — Idiota de marca maior! — completou em resmungo, andou até o sofá que e ocupava e se jogou entre as duas, que se afastaram para dar espaço a mais nova.
— Xingamos-o também ou…? — perguntou, observando a mais nova, que tinha os olhos fechados e a cabeça apoiada no encosto do sofá.
— Não precisa xingar, só… Argh! Idiota! — resmungou.
— Quer conversar sem xingamentos? — sugeriu.
— É só que… — Respirou fundo, abrindo os olhos e encarando as amigas.
acabou sorrindo quando observou as duas ao seu lado, preocupadas consigo. Aquela preocupação sempre aquecia o coração da mais nova.
dizia que sua vida amorosa era uma bagunça desde sempre; muitos traumas antigos e bloqueios resistentes a impediam de viver um amor por inteiro. E isto a machucava: doía não ser capaz de viver intensamente um relacionamento. Ter medo da dor era tão horrível quanto sentir a dor em si. Mas, enquanto sua vida amorosa era um desastre, sua vida no quesito amizade era incrível e linda. e eram os pontos de equilibro e porto-seguro que procurava sempre que tudo ficava bagunçado e doloroso demais. As duas eram capazes de tudo por ela, absolutamente, tudo, desde xingar quem a fizesse mal até ajudá-la a esconder algum corpo. tinha as melhores amigas do mundo e sabia que tudo o que sentia pelas duas era recíproco — essa era uma das poucas certezas que tinha em sua vida. A outra certeza era de que e sempre a ouviria, a aconselharia da melhor forma possível e lhe daria uma saída que, naquele momento de raiva e desespero, ela não enxergava.
fez uma cena de ciúmes… — começou, respirando fundo e revivendo a cena em sua mente. — Tínhamos saído pra comer pizza, conversar e depois iríamos a uma boate de um amigo dele. Na pizzaria, aquela que vamos sempre, estava tudo bem, até que foi ao banheiro, e um cara veio falar comigo enquanto isso. Nada demais, sabem? Só um cara idiota sendo idiota com seu papinho idiota. — Revirou os olhos, grunhindo, irritada com tudo que acontecera depois da chegada to tal cara. — chegou, voltou do banheiro, antes que o cara fosse embora, foi grosseiro tanto com o cara quanto comigo, principalmente, quando o cara sugeriu que eu o desse o número do meu celular. Enfim. — Respirou fundo, olhando de uma para a outra e concluindo: — Discutimos no carro, discutimos aqui no quarto e quase o mandei tomar no cu.
— Nossa! — suspirou junto com . — Ele achou que você estava dando abertura para o cara? Por isso, vocês brigaram?
— Quê? Não. é idiota, mas sabe que eu não daria chances àquele cara! — respondeu rápido, parecendo ofendida com a pergunta de . — Nós brigamos porque o foi um idiota e sentiu ciúmes.
— Como assim?
— Ele não pode sentir ciúmes de mim. — resmungou, quase gritando, o coração voltando a acelerar.
— Ué! Vocês não estão juntos? — perguntou, completamente confusa. — É normal que ele sinta ciúmes de você, e você…
— Não, não estamos. Quer dizer, estamos. Mas é diferente! — Encarou a amiga ao seu lado, respirando fundo. — Não é como você e o , ou a e o -yah. É diferente.
— Diferente como, ? Vocês vivem juntos! Ele te ajuda em tudo, vive aqui no apartamento, te conhece muito bem e…
— Nós não somos namorados. A gente transa bem e…
— Espera! Vocês estão negando o que sentem? — interrompeu , que tinha interrompido , ganhando um silêncio momentâneo que serviu como resposta. — Eu não acredito que vocês ainda estão naquele joguinho idiota de “vamos transando em todo canto e ver no que dá”.
— Não, não é isso! Concordamos em tentar além do sexo, porque sabemos que nos gostamos e nos admiramos, mas sentir ciúmes não estava no acordo! Não podemos sentir ciúmes de alguém que não nos pertence! Isso é ridículo!
— Eu tô confusa. — sussurrou, intercalando seu olhar entre e . — Espera! Mas, se vocês concordaram em ir além do sexo, então, automaticamente, também concordaram em se aprofundar no que sentem. E, se ele sente ciúmes de você, então é porque ele se aprofundou o suficiente pra gostar de você mais que só no sexo. Ele gosta de você de verdade.
— Quê? Não, , meu anjinho, ele não pode!s
— Não pode gostar de você o suficiente pra sentir ciúmes? Por que não? Você também gosta dele. — perguntou, mais afirmando que perguntando, na verdade.
— Eu gosto do…
— Se você falar que só gosta do pau dele, eu vou te dar um soco no meio da sua cara! — a mais velha a interrompeu, e suspirou.
— Você nunca sentiu ciúmes dele? — questionou a mais nova. — Nunca?
— Eu não posso sentir ciúmes dele. — respondeu, respirando fundo e sentindo uma leve vontade de chorar e gritar.
— Essa não foi a pergunta. — apontou, observando o rosto da mais nova e suspirando por saber tão bem o que sentia naquele momento. também respirou fundo, não sabendo muito bem o que fazer ou falar. As três se conheciam o suficiente para uma saber o que a outra sentia ou pensava sem que palavras se tornassem necessárias. — Vocês não podem achar que ficar transando e vivendo tudo que estão vivendo não significa nada, ou que podem controlar o que vão ou não sentir.
— Tá na sua cara que você gosta dele e que ele também gosta de você. Ele parecia bem chateado e irritado quando saiu daqui.
— Eu e não somos um casal — sussurrou, fechando e apertando os olhos por alguns segundos. — Concordamos em irmos além do sexo e estamos tentando. Também somos amigos, nos damos bem e sabemos que um gosta do outro. A gente se respeita, mas… Sentir ciúmes está em outro nível. Um nível que não podemos alcançar.
— E por que não?
— Porque o ciúmes só aparece quando uma pessoa entra tanto na sua vida a ponto de te fazer sentir medo. É quando você gosta tanto de alguém a ponto de achar que essa pessoa é sua, e qualquer ameaça te desperta um medo ridículo.
— Você acha que ele não é seu? — perguntou à mais nova, sentindo tanto por estar daquele jeito.
começou a ficar comigo porque, assim como ele, eu também só queria sexo. Ele não procurava e não procura por um relacionamento, e já disse diversas vezes que não está pronto pra viver um. E, sinceramente, acho que nem eu estou pronta também. A gente se gosta, ok, mas o que tem de mais nisso? Pessoas gostam umas das outras… É normal. — Sorriu fraco, dando de ombros e desdenhando o sentimento que a tomava por dentro por puro medo do que poderia acontecer, caso o revelasse de verdade em voz alta.
e tinham vários pontos em comum: desde o amor e orgulho que sentiam pelos seus trabalhos, o que os aproximou, até pensamentos parecidos a respeito de muitos assuntos.
Eles se conheceram quando a mulher foi contratada para trabalhar em um videoclipe de , um dos funcionários da AOMG e amigo do . Dois dias após, já estavam bebendo juntos, e no outro, dividindo a cama de um hotel. E de lá pra cá, tudo aconteceu daquele jeito inicial: sexo. Eram bons na cama, na mesa do escritório, no sofá do estúdio, na cozinha, no carro ou em qualquer lugar que ficassem juntos e sem roupa. Até que as conversas pós-transa apareceram. foi contratada como uma das diretoras da AOMG, não por estar em uma espécie de relacionamento com , mas por ser muito boa no que fazia. A intimidade, confiança e amizade foram surgindo aos poucos, com o passar dos dias, tão natural e sincero que nenhum dos dois percebeu que tudo estava diferente do começo; só notaram a mudança quando os batimentos cardíacos passaram a acelerar fora de hora, ou seja, até mesmo quando não estavam gozando juntos.
A reunião do mês passado serviu para tentarem voltar ao comando de toda a situação que, aos olhos de e , estava ficando fora de controle. Mas de nada adiantou. E não adiantaria em hipótese alguma. Eles sabiam disso. Durante aquele mês, viveram suas vidas normalmente, fazendo o que sempre faziam juntos, felizes e iludidos, empurrando para debaixo do tapete qualquer pensamento e situação que os sinalizavam que aquele contrato assinado não serviu de merda alguma.
Até que aquela noite chegou. Até que sentiu tanto incômodo ao ver aquele cara dando em cima de , e ela sorrindo, simpática, para ele, que não conseguiu reagir de forma diferente. se sentiu ameaçado de verdade naquela noite, muito mais por estar cego pela insegurança que, sorrateiramente, o consumia dia após dia, após concluir que estava apaixonado por , que pela possibilidade dela dar alguma chance àquele cara idiota.
ficou com medo de perder .
Sentiu tanto medo que estava assustado e, por isso, bebia apressado o álcool de dentro da garrafinha verde que segurava.
Sentir medo de perder não estava no contrato.
— Vocês terminaram? — perguntou, após tantos minutos em silêncio, querendo saber o que tinha acontecido antes que chegasse feito furacão em sua casa.
tinha saído do apartamento de e das meninas tão nervoso e aflito, com pensamentos e sentimentos demais em si, para que fosse direto à sua casa. Por isso, foi direto à casa de . Precisava jogar conversa fora sobre qualquer outro assunto que não fosse e, principalmente, beber. Precisava beber até que não se lembrasse e não sentisse nada, e que ficasse dormente, e só adormecesse em um canto qualquer. A casa de era o melhor lugar para aquilo naquele momento! Lá, ele não tinha memórias com — ao contrário de sua própria casa — e sabia que encontraria bebida na geladeira ao seu dispor.
riu fraco com a pergunta do mais velho, deixando de lado a garrafa verde vazia para pegar outra das que estavam em cima do balcão da cozinha. Abriu a garrafa e tomou um gole grande da bebida, limpando a boca com o dorso da mão e fazendo uma careta logo depois. respirou fundo mais uma vez, encarou o amigo, que estava ao seu lado, e suspirou.
— Se encerramos o contrato? — perguntou, debochado e rindo, quando ergueu uma sobrancelha. — Acho que sim. Talvez. Acho que o nosso tempo já deu. — Sorriu fraco, dando de ombros e desdenhando o sentimento que o tomava por dentro por puro medo do que poderia acontecer, caso o revelasse de verdade em voz alta.
Desdenhando o medo que sentia em perder , enquanto desdenhava o medo de estarem sentindo demais, mesmo que já estivessem sentindo muito mais que o planejado.
Porque sabiam que aquele medo só poderia significar uma coisa: amor.

Três.

se assustou quando a campainha tocou, largando a bolinha de brigadeiro que enrolava. Olhou para a hora na tela do celular que estava no balcão da cozinha, bem ao lado do prato que ela usava, estranhando e franzindo o cenho. Ainda não estava no horário. Não deveria ser , pois, conforme o combinado, ele só chegaria dali uma hora, junto com , após buscá-la no trabalho, e avisaria quando estivesse indo ao apartamento junto com , a aniversariante da noite.
Ainda estranhando o toque da campanha que anunciava a chegada de alguém que não fazia ideia de quem era, ela lavou as mãos rapidamente, enquanto gritava que já estava indo. Precisava retirar, pelo menos, o excesso de manteiga e brigadeiro que tinha nas palmas das mãos, ou, ao invés de um abraço, lhe daria um soco pela sujeira na maçaneta da porta.
se assustou mais uma vez quando abriu a porta e viu parado do lado de fora. Depois de tantos dias, quase três meses sem vê-lo, ele estava finalmente à sua frente, e não sabia como reagir, porque nem tinha se preparado para aquele reencontro. Na verdade, sabia que ele iria à pequena reunião surpresa que fariam para , mas tinha esquecido esse detalhe desde que começou a fazer o brigadeiro e se concentrou completamente naquela tarefa e em não perder o ponto exato para enrolar o doce. Então, , que permaneceu em sua mente por todos esses dias, foi esquecido. Mas ali estava ele em carne e osso, pessoalmente, aparecendo para de verdade, não apenas em seus pensamentos e dúvidas frequentes.
Ele estava ali.
queria tanto abraçá-lo, enquanto queria segurá-la em seus braços, encostar o rosto em seu nariz e sentir o cheiro tão característico dela. O cheiro que ele tanto sentia saudades. não foi a única a viver um inferno naquele tempo em que ficaram longe, também, mas, por serem tão orgulhosos e, especialmente, medrosos, ficaram com a saudade. A ausência do outro.
me mandou trazer mais bebidas. — explicou sua chegada antes da hora, sorrindo sem graça, enquanto segurava sacolas de mais com bebidas de mais.
— Ah, tá! — sorriu também, tão sem graça quanto o homem. — Entra.
Deu espaço para que passasse, adentrasse o apartamento, e logo o seguiu após fechar a porta. Ela o acompanhou até a cozinha, tanto para ajudá-lo a colocar as garrafas na geladeira quanto porque precisava voltar a enrolar os brigadeiros. O silêncio era interrompido quando uma garrafa batia na outra sem querer e o som agudo ecoava. e estavam quietos, calados, colocando a bebida para gelar, e apenas isso.
O silêncio no apartamento em nada combinando com o barulho que existia dentro de cada um deles.
— Você pode ficar aqui até a hora. — sussurrou, lavando novamente as mãos, antes de voltar ao banco que ocupava próximo à bancada da cozinha, e passou um pouco de manteiga nas mãos. Pegou novamente a pequena colher e a encheu com brigadeiro, ignorando e fazendo um esforço fora do comum para não encarar . — Não precisa ir embora pra depois voltar.
— Obrigado! — agradeceu, sorrindo e colocando as mãos nos bolsos da calça jeans que usava, porque, ou colocava as mãos ali, na segurança dos bolsos pequenos, ou sabia que esticaria os braços e tocaria o rosto de , afastando os fios que escapavam do “rabo de cavalo”. — Hum… Você está bem?
— Sim, e você? — respondeu, encarando-o por alguns segundos, enquanto enrolava o doce. — Que bom! — afirmou quando recebeu um aceno positivo.
ficou na cozinha, observando o trabalho de , atento ao que ela fazia, e aproveitando para matar a saudade de tê-la por perto. Já que não podia tocá-la, ficaria satisfeito em observá-la.
sentia saudades de por inteira; dos pés à cabeça, das conversas ao sexo, dos carinhos às brigas por besteiras e até às mais sérias. Tinham criado uma amizade, afinal de contas. Ele sentia carinho por ela, cuidado, confiança e sabia que era recíproco, assim como os sentimentos intensos que apareceram de surpresa no meio do caminho. Mas, sendo sincero consigo, sabia que iria acabar se apaixonando por em algum momento.
era incrível demais para não se apaixonar por ela!
Estava apaixonado… Pois é!
E também estava decidido a contar; confessar isso a . Precisava falar de uma vez, sugerir e perguntar se não poderiam tentar mais uma vez; desta vez, do jeito certo: sem contrato idiota; regras e limitações. Tentariam com verdade e esforço. Viveriam cada momento com calma, sem pressão e sem a sensação de estarem pisando em ovos ao passar ou ultrapassando alguma linha. Poderiam ser felizes mais uma vez. Bem mais felizes.
E, mesmo que estivesse ensaiando tudo aquilo há alguns dias, especialmente desde que foi avisado por sobre a reunião que aconteceria no apartamento das meninas, estar frente a frente com tirou de toda coragem reunida.
Ela sempre o deixava meio fora do rumo, como um adolescente vivendo sua primeira paixão.
Céus! Era ridículo!
olhou para de canto de olho, disfarçando sua atenção que estava nela o tempo todo e não no celular que segurava e usava como “escudo”.
Ridículo, lembra?
Observou terminar de limpar a bancada com um pano amarelo, antes de ir até o armário que ficava em cima da pia, no alto, e abrir as portas de madeira. Ela ficou na ponta dos pés para alcançar a bandeja em que queria arrumar os doces, esticando-se e quase caindo para o lado quando perdeu o equilíbrio. Quase. Porque , que se levantou quando ela ficou na ponta dos pés, foi rápido para chegar até e segurá-la.
O corpo de estava de frente para o de . A mão de estava em cima da barriga de , segurando-a firme e impedindo-a de cair, ou de sair de perto de si. sentia o coração acelerado, agora muito mais pela proximidade com que pela quase queda. Já estava tão difícil manter o controle e a serenidade com ele por perto, agora, tão perto assim… Merda.
Pensando em se livrar do toque e da proximidade, se virou quando tirou a mão de de sua barriga, esperando encontrar entre eles um espaço que deveria surgir com seus movimentos, o que não aconteceu. Sua situação só ficou ainda pior, porque, além de continuar próxima ao , ainda tinha os olhos dele em seu rosto e os lábios tão próximos aos seus.
Há quanto tempo não ficavam tão próximos assim, tão alcançáveis?!
disfarçou um suspiro com a proximidade, assim como tentou não olhar nos lábios de , focando-se nos olhos dele. , por outro lado, estava tão rendido que não tentou qualquer fuga. Ele não queria mais fugir. Estava cansado de correr de .
O suspiro disfarçado por apareceu segundos depois quando aproximou ainda mais seus rostos, tocando superficialmente seus lábios; as pontas dos narizes se esbarrando, e as respirações arrepiando o pedaço de pele que tocavam.
umedeceu os lábios com a ponta da língua, ato involuntário que ele não notou, mas, , sim.
— Senti sua falta — ele murmurou, sendo o primeiro a quebrar aquele silêncio. Os olhos observando de perto o rosto de , vendo de perto a beleza que o deixava fascinado. — Sinto a sua falta! — arrumou, sentindo a mão de apertando a sua.
Ela não tinha soltado a mão dele em nenhum momento.
… — chamou-o num sussurro baixinho, fechando os olhos por alguns segundos quando deixou um beijo no canto de sua boca, tão próximo aos seus lábios.
— Nós podemos tentar mais uma vez, . Do jeito certo, desta vez! — afirmou, olhando-a e esperando até que ela abrisse os olhos, para procurar alguma resposta e, mesmo que negasse levemente com a cabeça, já sabia de tudo. Os olhos dela sempre foram sinceros e sempre deixaram exposto o que tentava esconder. — Sem contrato idiota, regras ou tudo o que achamos que precisávamos.
— Não vai dar certo. Somos diferentes e nunca vivemos um relacionamento, e…
— Eu gosto de você, ! — falou em voz alta, olhando nos olhos dela, que se arregalaram um pouco com a confissão. já tinha dito outras vezes que gostava de , que admirava o trabalho dela e como ela lidava com as coisas, mas ela sabia que, naquele momento, ele se referia a um gostar diferente. Mais intenso. — E eu só vou desistir de você se você me pedir… Se você me disser que não gosta de mim e que acha, de verdade, que não devemos tentar. Eu não vou desistir de você por medo, . Você me conhece e sabe que eu sou assim.
sorriu, brincando com o coração de , que batia tão acelerado. Ela sabia que ele não desistia do que queria, principalmente quando via que era correspondido. E, mesmo que tivesse tentado tanto e tanto, sabia que não foi tão boa assim em esconder seus sentimentos de . Ele sempre a despia e arrancava dela a verdade sobre tudo. Quando juntos, eles ficavam nus não apenas fisicamente.
— Nós vamos brigar várias vezes — apontou, ganhando um sorriso um pouco mais largo do rapper, que concordou com a cabeça. — Eu vou querer chutar sua bunda, e você, provavelmente, vai fazer cara feia e sair batendo a porta.
riu próximo ao pescoço de quando foi deixar um beijo ali. Ela não demonstrou resistência e nem poderia. Estava com saudades dos beijos dele, do toque, daquela risada próxima ao seu ouvido e, agora que tinha ouvido dizer que gostava dela… se recusava a deixá-lo ficar longe mais uma vez.
Ela ainda sentia medo do que poderia acontecer com eles dois, mas sabia e, o mais importante, sentia que poderiam enfrentar qualquer coisa se continuassem juntos. Amadureceriam juntos, cresceriam e se tornariam pessoas melhores. Poderiam não ser o casal perfeito, mas o que sentiam era tão bom para ser escondido com sexo.
— Eu também gosto de você. — confessou de volta, observando-o erguer o rosto e olhar em seus olhos. — Podemos tentar mais uma vez. Podemos…
riu quando foi interrompida pelos lábios de cobrindo os seus, tomando-a num beijo que sempre levava tudo de si. O encaixe deles dois não era apenas no sexo, entre seus corpos, era também entre suas bocas. O beijo perfeito no ritmo certo e com tanta saudade!
causou em um impulso quando a segurou com as mãos pela cintura, fazendo-a entrelaçar sua cintura com as pernas e deixando-o colado em si.
— E, da próxima vez que sentir ciúmes, beije-me na frente do idiota, pelo menos. — sussurrou quando separou suas bocas, mordendo, em seguida, os lábios de , que riu, enquanto a levava à bancada, sentando-a ali e a beijando novamente, antes de respondê-la:
— Fechado!

 

Fim

 

Nota da autora: (27/10/2020) Essa fanfic foi escrita especialmente pra minha melhor amiga, Bruna. Espero que tenham gostado! Me digam o que acharam ali embaixo hihihi. Caso queiram me encontrar, estou no twitter como @loeykwon. Até a próxima! xx