Lycanthrope

Sinopse: Em plena Era Vitoriana, uma série de assassinatos brutais começa a acontecer. Os corpos aparecem completamente destroçados, com ausência de alguns órgãos vitais e quando uma das vítimas sobrevive e revela ter sido atacada por uma besta com olhos de fogo e forma de lobo, a população da pequena Loches fica em estado de alerta, caminhando para um período marcado pelo medo.
Enquanto as autoridades policiais lutam para desvendar o caso, o escritor Graham Warwick se vê enfrentando seus próprios demônios, visto que precisa superar o bloqueio criativo para salvar sua carreira que se encontra por um fio.
Suas perspectivas começam a mudar quando ele reencontra a jovem Lennon Stonnenberg, uma antiga colega em sua adolescência que mexeu não só com sua sanidade, mas lhe deu a coragem que ele precisava para se lançar no universo da escrita.
Metida a investigar casos de assassinato, Lennon se lança em uma busca implacável, contando com o auxílio de Graham, que ao se envolver em todos os trâmites do caso percebe que a inspiração para seu novo best-seller pode estar na solução desse mistério.
Gênero: Suspense, Policial, Terror, Horror, Romance.
Classificação: 18 anos (Cenas pesadas de violência, mutilação e sexo explícito).
Restrição: Alguns nomes são fixos. A fic se passa no Século XIX.
Beta: Rosie Dunne

PROLOGUE

 

“Era por volta das dez da noite quando Leonard voltava de mais um dia cansativo de trabalho. Lidar com os clientes desesperados da renomada farmácia local não era nada fácil. Todos os dias ele enfrentava algum problema diferente: fosse algum paciente reclamando a ausência dos efeitos desejados nos medicamentos, fosse o desespero pela cura de alguma doença rara, algum cliente implorando por um preço reduzido ou quem sabe alguma reação alérgica causada pelos produtos — e este último lhe causava uma tremenda dor de cabeça para resolver. Desde que seu chefe, o senhor O’Connell, havia viajado e lhe deixado no comando de tudo, ele não tinha sequer uma boa noite de sono sem pensar em todos os problemas que precisaria resolver no dia seguinte. Se ele soubesse pelo menos um décimo do que passaria aceitando aquele cargo, talvez não o tivesse feito e se sentido tão honrado por ser o escolhido. Em dias como aqueles em que estava vivendo, na verdade ele havia recebido uma cruz para carregar.
Tentando afugentar aquele tipo de pensamento, Leonard soltou um suspiro resignado enquanto sentia seus passos diminuírem. Por mais pressa que ele sentia de chegar em casa, o cansaço lhe dominava e travava o trabalho de seus músculos, fazendo com que ele os sentisse queimando e latejando de dor e ele podia sentir o acúmulo de ácido lático gritando na forma de um princípio de câimbra que o fez bufar, enquanto que seus pés mal conseguiam mantê-lo de pé porque ele havia passado o dia todo sem se sentar por nenhum minuto e a preguiça era tanta que naquele dia ele nem ao menos se despediu dos outros funcionários antes de sair daquele lugar, que já não aguentava mais ver, mas era forçado porque dependia daquele emprego.
Seus pensamentos estavam concentrados em seu único objetivo: se jogar em sua cama e se render ao cansaço, finalmente fechar os olhos, que pesavam e insistiam por um descanso, e relaxar sua mente perturbada por todos os problemas enfrentados naquele dia. A exaustão era tanta que ele mal se importava com seus sentidos anuviados pela fome, que fazia seu estômago doer e uma pontada de enjoo lhe embrulhar quase trazendo a bile até a garganta em uma típica contração reflexa. Merda! Ele odiava vomitar!
Mais um longo suspiro escapou de seus lábios e ele se praguejou mentalmente por isso, pois sentiu o enjoo aumentar, então respirou fundo, puxando a maior quantidade de ar que podia para oxigenar seu cérebro de forma apropriada, parando por alguns segundos e apoiando as mãos em seus joelhos quando a tontura aumentou. Estava se sentindo bastante patético e particularmente idiota por ter ignorado seu organismo por tantas horas e deixado seu horário de lanche de lado para atender a Senhora Crasswell, uma madame, que além de ser irritantemente barraqueira, era casada com um dos homens mais poderosos da cidade, o dono da maioria das terras naquela região e que inclusive tinha seus olhos gananciosos vidrados na casa de medicamentos do senhor O’Connell. Leonard tinha receio do que seria de si se o chefe resolvesse fechar aquela venda, mas pelo amor que o outro demonstrava pela manipulação de produtos medicinais, o rapaz achava pouco provável que o Senhor Crasswell fosse bem-sucedido.
Embora antenado com os acontecimentos ao seu redor, Leonard às vezes podia ser tremendamente ingênuo.
Sua reflexão sobre o quanto era tolo e idiota foi interrompida quando a lamparina da rua deserta em que se encontrava piscou e apagou subitamente, lhe deixando apenas com a luz do luar para acompanhá-lo pelo restante do caminho.
— Perfeito! Como se já não me bastassem minhas pernas me deixarem à míngua! — A voz de Leonard ecoou rouca e exausta, estreitando os olhos já prejudicados pelo problema de visão que ele se recusava a corrigir com óculos de grau, tentando focar em algum pronto que pudesse orientá-lo e decidindo por segui-lo mesmo que não tivesse certeza. Ele fazia aquele mesmo caminho todos os dias nos últimos dois anos, jamais se perderia, por mais que sua casa não fosse exatamente perto de seu local de trabalho.
O barulho de seus pés se arrastando era a única coisa que podia ser ouvida àquela hora, já que uma boa parte da população da cidade já estava recolhida em suas residências, enquanto a outra desperdiçava seu dinheiro em algum cabaré lotado de belas donzelas. Se não estivesse tão cansado, talvez ele mesmo se presentearia com uma boa companhia para esquentar suas partes e satisfazer as necessidades que com toda certeza equivaliam a quase oitenta por cento de seu mau humor.
Uma risada falha e engrolada escapou de sua garganta, lhe fazendo tossir como se fosse um velho bêbado e ele pigarreou em seguida para se livrar da sensação incômoda. Como se não bastasse todas aquelas sensações que lhe faziam desejar morrer, ele suspeitava que uma constipação também começava a lhe acometer.
Mais alguns passos naquele martírio sem fim e ele se obrigou a diminuir ainda mais o ritmo, o que lhe deixou mais irritado consigo mesmo, então o clima deserto daquela rua e a ausência de ruídos lhe causou um certo incômodo no peito. Se sentindo bastante covarde por seus batimentos acelerarem e ecoarem em seus ouvidos de forma vergonhosa, ele quase gritou de forma triunfante quando teve sensação de que um vulto havia passado bem rente ao seu lado esquerdo e ele o teria feito se a reação mais óbvia de seu organismo não houvesse sido a de paralisar todos os seus músculos.
Parecia que seu coração havia saltado até sua garganta enquanto ele tentava se mover sem o maldito sucesso. E como numa brincadeira de péssimo gosto, ele viu a lamparina piscar, acendendo por breves segundos e se apagando novamente. Aquilo só poderia ser coisa de sua cabeça, mas ele não questionaria, mesmo que aquele fosse algum sinal de que estava ficando maluco. Então Leonard olhou rapidamente ao seu redor, conseguindo enxergar pouquíssima coisa, mas constatando algo que o fez odiar a si mesmo novamente: ele havia conseguido se perder.
Tantos anos sempre pegando o mesmo maldito caminho e ele havia conseguido aquele feito em questão de minutos.
— Imbecil, babaca, idio… — definitivamente, ele estava ficando maluco.
Novamente, a sensação do vulto passando ao seu lado tomou conta de si, desta vez do lado oposto ao anterior e Leonard se preparou para praguejar novamente, imaginando uma série de xingamentos que agora seriam dirigidos ao seu chefe, porém não houve chance para tal. Agora ele tinha a sensação vívida de que algo havia passado por suas costas, estava lhe cercando e em vão ele tentou olhar em volta para identificar o que poderia ser uma brincadeira de péssimo gosto, encontrando apenas o vazio e sentindo o vento frio lhe atingir o rosto.
Suspirou resignado e voltou a virar para frente, a fim de esquecer aquela paranoia repentina e se localizar para que finalmente pudesse ir para casa. Então seus músculos voltaram a paralisar e ele se sentiu tão gelado que naquele momento não lembrava da sensação aconchegante de suas extremidades aquecidas.
Um pouco adiante dele, em meio às copas das árvores, dois imensos olhos flamejantes o encaravam com o ódio explícito. Seu corpo tremeu e seus joelhos fraquejaram, o que quase ocasionou sua queda e ele engoliu em seco, sentindo um nó se formar em sua garganta. Nunca havia visto tal criatura, que ele consideraria humana se não fosse pelo longo focinho e os dentes arreganhados, emitindo um rosnado que fez com que o corpo do rapaz tremesse ainda mais.
E conseguindo forças de um lugar que desconhecia, Leonard tornou a virar na direção oposta e correu desesperado, sentindo seus músculos protestarem, seus pulmões implorarem por oxigênio e seus olhos ficarem embaçados pela tontura que não havia lhe abandonado por momento algum.
Leonard não teve tempo para ir muito longe. Não teve tempo ao menos para sonhar com sua salvação ou para ver o conhecido filme que dizem passar na cabeça das pessoas quando a morte lhe abraça. Ela veio brusca, num golpe doloroso e barulhento que lhe lançou de cara na estrada de terra, num baque que lhe fez sentir o osso do nariz estalar enquanto que seu peito era poupado de ser esfolado por causa do tecido de suas roupas, mas isso pouco importava porque suas costas doíam feito o inferno. Cortes profundos haviam sido abertos em suas costas e ele sabia que era porque a criatura havia o acertado com suas garras. Tentou buscar ar, mas tudo que foi ouvido foi apenas um som semelhante a um ganido de sua parte e que foi sufocado por um uivo que cortou a noite.
A grande pata lhe atingiu a região lombar e ele sentiu que não aguentaria mais a dor quando sua coluna se partiu, lhe imobilizando da cintura para baixo. Num resquício de loucura, Leonard tentou se arrastar, gemendo torturadamente quando mais um golpe lhe atingiu a cervical, cortando de uma vez por todas o oxigênio e o fazendo por fim se render à morte.
A criatura não parou por aí. O corpo do rapaz foi virado em decúbito dorsal e suas vísceras não demoraram a ser expostas para que toda a essência vital de Leonard alimentasse a fome desenfreada daquela que dali para frente todos passariam a conhecer como ‘A Besta de Loches’. Aquela que estaria presente nos contos das velhas senhoras, em volta de fogueiras e estampada nas manchetes dos jornais.
Quando a escuridão dominava o coração dos mais frágeis e os gritos cortavam a noite, a besta se levantava para aniquilá-los e satisfazer seus desejos mais selvagens.
Com o sangue dos inocentes tomando seus lábios, ela caminhava sedenta por mais… Deixando um rastro sangrento de caos e destruição por onde passava.
O ser humano, diante de desafios como aquele, teria sua inteligência, que considera superior, posta à prova mais uma vez. Haveria uma solução? Uma forma de parar aquela criatura?
A enorme poça do sangue de Leonard manchou a estrada que há muito tempo não havia visto um assassinato como aquele e várias horas depois, quando os passarinhos cantavam o despertar da aurora, que o grito de uma donzela alertou a população.”

Nota da autora: Olá, meus amores! Essa é a minha primeira história de época e eu estou muito ansiosa para saber as opiniões de vocês. Espero de coração que gostem!
Me sigam no instagram e entrem nos meus grupos do whatsapp e facebook para interagirem comigo e ficarem sabendo sobre as atualizações e spoilers.
Beijos e até a próxima.
Ste.

Grupo no Whatsapp
Grupo no Facebook
Instagram
Twitter
Leia minhas outras histórias aqui