Mindhunters

  • Por: Stephanie Pacheco e Vanessa Vasconcellos
  • Categoria: Original | Restritas
  • Palavras: 715
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  • Capítulos: 3 | ver todos

Sinopse: Mindhunters. Uma divisão do FBI formada por sete agentes e conhecida por capturar os mais notórios criminosos da atualidade. Comandados por Dawson Burton, são comprometidos com a isenção de nódoa moral e sua luta pelos inocentes.
Porém, a pureza sempre atrai os mais perversos. Em qualquer lugar, nos mais oportunos momentos eles estão à espreita, ansiando satisfazer seus mais obscuros desejos, trazendo questionamentos, desafios e enigmas. Um em especial, prometendo ser o mais difícil de suas carreiras.
Estaria a equipe de Burton preparada para o que lhes aguardava?
Gênero: Policial, Suspense.
Classificação: 18 anos
Restrição: Alguns nomes são fixos. Cenas pesadas de violência e tortura.
Beta: Rosie Dunne

Capítulos:

PRÓLOGO

 

ELA SENTIU UM PESO martelar sobre sua cabeça e os olhos pesados, mexeu-os algumas vezes na tentativa de abri-los e gemeu de dor. Tinha algo errado e a garota tentou procurar a reposta ou até mesmo uma lembrança no fundo da sua mente, mas nada veio.
Era um vazio completo.
Forçou as órbitas mais algumas vezes e as abriu, logo sendo invadida pela claridade do local, que fez com que piscasse algumas vezes em busca do foco de sua visão. E quando o encontrou, dois rostos desconhecidos apareceram em seu campo, fazendo com que a menina desse um pulo no lugar em que se encontrava deitada. Não conhecia nenhuma das garotas que estavam diante dela e, muito menos, o lugar em que se encontrava.
Sentiu-se sufocada ao constatar o tamanho do cômodo. As paredes com a tintura descascada davam a aparência de um local abandonado e um embrulho no estômago se fez presente quando detectou o odor forte de urina que havia ali, misturado ao de umidade.
Voltou seu olhar mais uma vez para as meninas, recebendo olhares assustados em sua direção e percebendo o lábio de uma delas um tanto inchado, o que fez com que seus sentidos entrassem em estado de alerta. Abriu a boca, tentando encontrar sua própria voz para questionar o que estava acontecendo ali, mas sentiu que sua garganta doía e um nó havia se formado. Respirou fundo, repetindo para si mesma que precisava manter a calma, por mais crítica que fosse sua situação, e quando se sentiu segura o suficiente para tentar mais uma vez, ouviu-se em um tom rouco, muito diferente do habitual.
— Que lugar é esse? — esperou por uma resposta, mas tudo o que recebeu foi apenas um aceno de cabeça em sinal de negação, o que indicava que nenhuma das duas fazia ideia.
Mordeu o lábio, tentando ignorar o quanto sua cabeça latejava, bem como a sensação de que desmaiaria a qualquer momento.
Observou as duas garotas por alguns segundos. Não eram muito diferentes dela. Todas tinham longos cabelos castanhos e lisos, o corpo pequeno e olhos escuros.
— Quem é você? — se assustou ao ouvir a voz de uma delas, que soou tímida e tão amedrontada quanto ela.
Porém a resposta nunca veio.
De maneira brusca, a porta, que ela mal havia notado, se abriu, revelando alguém que lhe pareceu levemente familiar, embora a garota tivesse certeza de que nunca havia lhe visto antes.
Percebeu que uma de suas companheiras levou as mãos à boca, sufocando um grito de pavor e aquilo fez com que seu corpo inteiro se arrepiasse e ela se encolhesse, numa maneira tosca de se proteger.
— Não, não! Por favor, não! — a outra começou a gritar e sem que pudesse fazer nada para ajudá-la, assistiu a moça ser arrastada para fora do cômodo.
Seus olhos se encheram de lágrimas, o medo soprava em seus ouvidos todas as coisas terríveis que poderiam acontecer a qualquer momento e ela abraçou as próprias pernas.
Enquanto se balançava, chorando e temendo por sua própria vida, a garota ainda conseguia ouvir os gritos.

Nota das autoras: Essa parceria é simplesmente TUDO para nós. Prepare o coração porque os surtos estão apenas começando. Esperamos de verdade que tenha gostado.
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Kisses,
Ste e Vane.

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CAPÍTULO UM

respirou fundo e encarou o prédio à sua frente. Já se encontrava sentada em seu carro há alguns minutos, na expectativa de que ficar parada ali olhando para o nada fosse ajudá-la a se acalmar de alguma forma, exceto é claro, que só estava piorando tudo. Riu de si mesma pela milésima vez naquela manhã e puxou o ar o máximo que conseguiu uma última vez, decidindo então que estava na hora de encarar o que viria pela frente.
Essa mudança vai ser boa para a sua carreira. Repassou em seus pensamentos até chegar à porta de entrada.
Sabia que não tinha motivo para estar tão insegura, já que a razão pela qual estava mudando de divisão era simplesmente pelo fato de ela ser atualmente a melhor agente que o FBI tinha no país todo. Sabia de sua competência, mas também tinha total consciência de que aqueles que se sentem confiantes demais, acabam cometendo erros. E para Kramer, erros eram absolutamente proibidos.
— Kramer — repetiu para si enquanto caminhava em direção à recepção. — Ou devo usar só Kramer? Agente…
Parou de falar no momento em que notou os olhos de todos sobre ela. Apesar do coração acelerado, os olhos sobre ela não a deixavam nervosa, sabia que seu nome era conhecido no país todo devido aos inúmeros casos que já havia conseguido solucionar ao longo de sua carreira. Se tinha uma coisa que não a incomodava, eram pessoas que a admiravam por seu trabalho e tinham vontade de conhecê-la. Para ela era um prazer poder repassar o máximo de seu conhecimento para outras pessoas e criar novos agentes do FBI com ao menos cinquenta por cento de sua capacidade em solucionar casos.
Não demorou a localizar o balcão da recepção e se aproximou, mantendo sua expressão o mais neutra possível, por mais que estivesse de certa forma ansiosa pelo que lhe aguardava naquele lugar. Por mais competente que fosse, ainda era surreal para a mulher que tivesse conseguido chegar a DC.
Abriu um sorriso simpático para a mulher à sua frente, sentada atrás do balcão. Não parecia ser muito mais velha que ela e embora a idade não fosse realmente um problema para Kramer, seria bom ter ao menos alguma amiga de uma faixa etária equivalente à sua.
piscou seus olhos, se dando conta de que precisava se apresentar para que os devidos procedimentos fossem tomados, mas não foi de fato necessário, já que ela escutou uma voz conhecida se pronunciar.
— Ora ora, se não é a única parceira decente por aqui. — Seu rosto se iluminou em um sorriso de imediato, porque era impossível não reconhecer quem falava com ela.
— Eu poderia te dizer o mesmo, mas até que tive uns parceiros interessantes — brincou, vendo-o fazer uma careta de indignação.
— E você joga na minha cara assim as suas traições, Kramer? — Foi praticamente impossível para ela não rir daquele comentário.
Quem ouvisse os dois, pensaria que havia algum tipo de envolvimento romântico entre eles, mas passava bem longe disso.
— Dawson Burton, você sabe muito bem que é insubstituível. — Piscou para ele, vendo-o sorrir convencido por aquele comentário.
— É difícil de acreditar que finalmente tenho você na minha equipe. — Dawson apenas fez um sinal para a recepcionista, deixando claro que ele podia assumir dali. — Me acompanhe, por favor.
— Como eu poderia recusar um convite especial seu? — respondeu, assentindo e seguindo Burton pelas dependências do prédio. — E depois, essa sua equipe tem ficado cada vez mais conhecida. Todos os agentes querem fazer parte dos Mindhunters. Com certeza eu seria louca se recusasse. — Deu de ombros, vendo Dawson lhe lançar um sorriso torto pelo último comentário.
— Nós dois sabemos que você seria louca a esse ponto se suas ambições fossem outras, .
A mulher o observou então por alguns segundos, levemente desconcertada. Fazia alguns anos que não tinha real contato com Dawson e ainda assim ele parecia conhecê-la muito bem.
— Por acaso você deixou alguma escuta implantada em minhas coisas esse tempo todo? Não é possível que ainda me conheça tão bem. — O viu negar com a cabeça enquanto ria e adentrou o elevador assim que Burton lhe indicou que o fizesse.
— Eu me atento aos detalhes, Kramer. Apenas isso — respondeu, com um pequeno sorriso.
encarou seu próprio reflexo no espelho e ajeitou uma mecha teimosa de seus cabelos que insistia em cair sobre seus olhos. Encarou Dawson de volta ao notar que o homem a observava discretamente, então se limitou a apenas sorrir mais uma vez.
— Está nervosa, não é? — E mais uma vez ele havia conseguido ler completamente suas emoções.
— Muito — soltou, ao mesmo tempo em que um suspiro escapou de seus lábios.
— Não se preocupe, tenho certeza de que o restante da equipe vai gostar de você. — E a forma como Dawson lhe encarou realmente lhe passava segurança.
acenou em concordância. Confiava em Burton o suficiente para acreditar que tudo ocorreria mesmo da melhor forma. Kramer odiava primeiros dias em qualquer lugar, isso era um fato. Ter alguém como Dawson ao seu lado era realmente importante.
— Esse lugar é enorme — disse ao ver os números passarem em uma pequena telinha que tinha dentro do elevador, indicando para qual andar estavam indo.
10º andar, psiquiatria e criminologia. Leu na placa que explicava o que continha naquela dependência.
Os dois saíram do elevador de forma calma, o que demonstrava para ela que Dawson parecia não ter pressa nenhuma e que era — estranhamente —, um dia calmo na divisão do FBI de Baltimore, algo bem incomum pelo que ela tinha ouvido falar. Ah sim, havia lido bastante sobre aquela divisão, na intenção de se inteirar o máximo que conseguisse e leu sobre todos que faziam parte dos Mindhunters. Exceto por um, é claro, esse parecia ser estritamente confidencial e nem mesmo o velho amigo lhe passou alguma informação sobre o agente em questão, nem com muita insistência de sua parte. Logo, estava ansiosa para poder conhecê-lo e o tempo todo se pegava passando os olhos através do lugar, se perguntando quem ali poderia ser o tal misterioso — ou misteriosa.
— Ele não está aqui — Dawnson disse enquanto empurrava uma enorme porta de vidro, com insulfilme bem escuro, o que impedia que ela pudesse ver o lado de dentro.
revirou os olhos e o seguiu para dentro da sala. Era um lugar com uma luz bem leve, algumas mesas com computadores e mais à frente tinha alguns estofados onde ela imaginou que seria para algum tipo de relaxamento ou consulta, exatamente como uma das salas de psiquiatria que tinham na divisão a qual ela pertencia antes.
— Eu sabia que seria hoje, só não achei que teria a honra tão cedo. — Uma voz rouca e levemente calma falou, fazendo com que os parceiros virassem abruptamente, procurando pelo dono dela.
A mulher se esforçou ao máximo para não deixar transparecer o quanto tinha gostado da aparência do homem à sua frente, mas era bem difícil. Reparou primeiro no corpo másculo dele, com braços avantajados — mas nada exagerado — e depois correu os olhos para o rosto do homem, reparando que seus olhos eram azulados, então constatou que o lhe deixava ainda mais atraente eram os cabelos levemente enrolados.
Gostoso. Era isso que corria os pensamentos de Kramer naquele momento.
— Hm — resmungou, ao perceber que não tinha falado nada e só estava ali parada, encarando o homem como se fosse algum tipo de maníaco, então estendeu a mão para ele. — Me desculpe. Sou Kramer, a nova agente da divisão Mindhunters.
Ele riu fracamente e olhou levemente para Dawson, que apenas revirou os olhos, pois sabia exatamente o que estava se passando na cabeça do homem naquele momento.
. — Finalmente segurou a mão de , que sorriu de forma simpática. — A maioria aqui me chama de Dr. , mas pode me chamar de .
apenas assentiu e soltou a mão dele da forma mais natural que conseguiu.
— Eu sei que a sala pode ser um pouco intimidadora — comentou, ao vê-la passar os olhos pela dependência.
— É, a sala… — Dawnson resmungou, enquanto encarava os dois e tentava dar um pouco de espaço para que pudessem se conhecer melhor.
— Não, tudo bem. — deu de ombros. — Na verdade, fui intimidada por você. Li tudo sobre seu trabalho, é realmente impressionante.
não pôde conter o riso, afinal, não era aquela resposta que estava esperando.
— Gostei dela. — Encarou Dawnson, que riu fraco.
— Não tem como não gostar — o mais velho afirmou. — Bom, Kramer, esse é , como ele se apresentou. É o nosso psiquiatra na equipe Mindhunters e é o melhor do país atualmente, claro.
apenas assentiu, dando a entender que estava ouvindo e que ele poderia continuar.
— Vocês vão trabalhar muito juntos, afinal, o papel dele é muito importante para que você consiga chegar ao seu alvo. — assentiu, enquanto ainda passava os olhos através do lugar e tentava ao máximo não encarar o novo parceiro. — Certo, tem algo que queira mostrar para ela?
— Não. — negou com a cabeça. — Acho que vou dar um tempinho para você mostrar o restante do lugar para ela e no jantar de hoje à noite eu posso alugá-la por alguns minutos e falar um pouco de trabalho. Não quero assustá-la ainda.
— Certo — Dawson concordou. — Bom, vamos… Ainda tem algumas pessoas e lugares que precisa conhecer.
— Foi um prazer, disse encarando o psiquiatra.
— Pode acreditar, o prazer foi todo meu — disse firme, o que arrancou outra revirada de olhos de Dawnson. — E, , não precisava ter se apresentado dessa forma. Você é bem famosa e, bem, também pesquisei sobre você.
A mulher riu fraco, assentindo para e se virou para acompanhar Dawson até a saída, mas parou antes de sair e virou-se para o homem.
— Ah, Dr. , nada me assusta — disse firme e saiu seguida do velho amigo, que tinha um sorriso estampado no rosto, assim como o psiquiatra.
— Você gostou dele — Burton afirmou, assim que os dois se distanciaram alguns metros da sala do homem. se sobressaltou pelo comentário, encarando-o com indignação exatamente por não ter sido uma pergunta.
— Claro, ele me parece ser um ótimo profissional. — Arqueou a sobrancelha para Dawson, que sustentou seu olhar de forma irônica.
— Fala sério, Kramer. O Dr. não é conhecido nesse prédio apenas pela excelência na profissão, se é que me entende.
O comentário fez com que as bochechas de esquentassem e ela acabou por revirar os olhos.
Realmente, tinha gostado de . Não apenas a aparência do psiquiatra era agradável aos seus olhos, mas também a forma como se portava e o tom de sua voz eram atraentes. Como se todos os dias ele treinasse na frente do espelho maneiras de encantar as pessoas ao seu redor.
Céus, ela estava falando mesmo em encantar?
— O que mais vai me apresentar desse andar mesmo? — Resolveu desconversar, mesmo prevendo a reação de Dawnson à sua atitude. De qualquer forma, ela sabia que o velho amigo não lhe deixaria mais em paz.
Seguiram então para mais algumas salas daquele andar, onde Burton explicou rapidamente mais algumas atividades exercidas no setor. Embora psiquiatria não fosse a área de especialização de , ela nutria bastante interesse pelo tema, então prestou atenção em cada detalhe.
Voltaram ao elevador e os dois permaneceram em silêncio, imersos em seus próprios pensamentos até atingirem o próximo local a ser explorado por Kramer.
12º andar, agentes de campo.
não conseguiu evitar um sorriso por saber exatamente o que lhe aguardava por ali. Era nesse andar que os agentes planejavam suas próximas ações, redigiam seus relatórios e, a parte favorita da mulher, realizavam o treinamento corporal. Dawson sabia muito bem disso, mas adorava observar as reações de Kramer quando ficava ansiosa e adiou a chegada dos dois à sala de treinamento o máximo que pôde, deixando para levá-la ao lugar por último.
Mesmo mostrando-se extremamente atenta a cada informação que lhe era passada, mordia o canto dos lábios, pensando que dar alguns socos no saco de areia lhe aliviaria um pouco a tensão. Começar a trabalhar em um lugar novo sempre causava bastante estresse a ela, por mais confiante que fosse.
— Aqui também temos alguns dormitórios para os agentes de plantão descansarem. Obviamente, essa parte do prédio opera vinte e quatro horas por dia. Vamos cadastrar a sua biometria assim que acabarmos esse tour, para que você tenha acesso sem precisar interfonar cada vez que adentrar os departamentos — Burton explicou, indicando rapidamente a grande porta atrás deles, que bloqueava o acesso aos corredores daquele andar. havia observado aquilo também no bloco da psiquiatria, mas esperou que o mais velho explicasse aquela informação da forma que havia planejado. Era de extrema importância que cada andar fosse acessado somente pelo pessoal autorizado, ou a integridade das investigações seria prejudicada.
— Tá ótimo, Burton. Agora pula logo para a parte interessante desse setor. — não se conteve, o que acabou fazendo o amigo rir.
— Estava aqui me perguntando quando é que você ia me interromper para reclamar disso. — Piscou para ela, que estreitou os olhos, mas acabou abrindo um sorriso.
— Você é péssimo. Já te disseram isso?
— Olha lá como você fala com o chefe, garota. — O comentário fez a agente arquear uma sobrancelha.
— Chefe? Até parece que você consegue se virar sem mim — retrucou convencida.
— Sabemos que não consigo ou você não estaria aqui — Dawson admitiu a derrota.
— Então para de me enrolar e me leva logo pra sala de treinamento.
— Gosto de quando você é mandona, Kramer. — Abriu um sorriso de canto.
— E de apanhar também, pelo jeito. — estreitou os olhos mais uma vez para o mais velho, lhe dando um tapa leve nos ombros.
— Quer mesmo que eu responda a isso? — Burton riu, fazendo um sinal para que eles voltassem a caminhar.
No fim das contas, a sala de treinamento não era tão distante dos dormitórios assim e dava para se ouvir sons de luta conforme os dois se aproximavam do lugar. Depois do encontro com o psiquiatra, , havia criado altas expectativas em conhecer seus outros colegas de equipe.
Ao chegar diante da porta, no entanto, ela ainda conseguiu se surpreender ao ver a agente ali presente se livrar facilmente de uma chave de braço, desviando do próximo golpe de seu “adversário” e conseguindo imobilizá-lo com suas pernas de forma tão rápida que, se Kramer piscasse, temia perder alguma parte do show. Ela sabia muito bem quem era a mulher porque tinha lido a ficha dela, mas teve a certeza de que as palavras não faziam bem jus a Maze Griffin.
Com a respiração ofegante, vendo o oponente bater as mãos no tatame, declarando sua derrota, Maze o soltou e deixou que se levantasse, imitando o gesto em seguida.
— Mais uma? — a mulher perguntou, arqueando a sobrancelha e posicionando-se para lutar novamente.
— Griffin — Dawson chamou a atenção da agente, que virou o rosto imediatamente na direção dele, encarando-o curiosa e desviando seu olhar para a agente Kramer.
— Burton — respondeu, dispensando o colega de luta com um gesto e se aproximando sem tirar os olhos de . — E imagino que essa seja a agente Kramer, certo? — comentou, enquanto analisava a mulher de cima a baixo. abriu um sorriso de canto, estendendo sua mão para a mulher.
— E você é Maze Griffin. É um prazer conhecê-la — disse de forma simpática.
— O prazer é todo meu, acredite — Maze respondeu prontamente, aceitando o cumprimento e segurando na mão de com firmeza. Kramer gostou da atitude de Griffin, só a presença da mulher mostrava o quanto ela era confiante e determinada a ir atrás do que queria.
— Dawson havia me passado que você é a melhor lutadora que temos na equipe, mas devo dizer que ainda assim me surpreendi com a sua agilidade — elogiou, referindo-se à luta que acabara de presenciar.
— Gosta de luta corporal também, ? — a mulher questionou, não se importando em agir com intimidade demais ao chamar a colega por um apelido. Dali em diante, trabalhariam juntas e a forma como se chamariam era o de menos.
— Um de meus setores favoritos daqui. Ajuda a aliviar a tensão — respondeu, até gostando da forma que Griffin falava com ela.
— Podemos treinar juntas uma hora dessas. Seria ótimo te ajudar com isso. — ergueu uma sobrancelha, questionando mentalmente se as palavras de Maze haviam soado com segundas intenções, porque, se eram, ela tinha adorado.
— Não vejo motivos para recusar uma oferta como essa.
Dawson olhava de uma para a outra e acompanharia aquela conversa das duas pelo resto do dia, mas ainda estavam em um local de trabalho e tinha o restante dos departamentos para conhecer.
— Tô vendo que vocês vão se dar mais do que bem. Que tal guardar um pouco disso para o jantar mais tarde? Tenho mais setores para te mostrar, agente Kramer — interveio, recebendo olhares das duas mulheres.
— Tem razão. Nos vemos mais tarde, Maze Griffin — se despediu da colega.
— Mal posso esperar — Griffin respondeu, sorrindo uma última vez e então retornando ao tatame enquanto e Dawson saíam da sala.

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Foi preciso ao menos mais uma hora para que Dawson terminasse de apresentar o restante dos setores para Kramer e, mesmo assim, ela não conseguiu conhecer todos que faltavam da sua equipe. Por um lado, a agente estava feliz por ter finalizado o tour. O lugar era enorme, mas sabia que com o tempo iria se inteirar de tudo e todos e que logo estaria sentindo como se ali sempre tivesse sido seu lar.
Os dois mais uma vez pegaram o elevador e dessa vez seguiram para o último andar do prédio, que era o de número onze. Assim que desceram, Dawson falou rapidamente sobre sua secretária e que especialmente Kramer não precisava de hora marcada por ela para falar com ele, bastava apenas informar o nome e ela liberaria a agente imediatamente para ir até sua sala.
O andar era bem amplo e com muitas salas, a dele ficava bem no final de um extenso corredor. Assim que adentraram o espaço, ela não pôde conter o sorriso. A dependência era enorme, como ela havia imaginado, toda de vidro e com uma vista incrível para a cidade de Baltimore, o lugar perfeito para se ficar o dia todo resolvendo casos e tentando colocar as ideias no lugar.
Dawson caminhou até sua mesa e sentou-se em sua cadeira, enquanto foi em direção à enorme janela que dava a ela uma linda vista. A mulher colocou as mãos nos bolsos da calça e respirou fundo enquanto permanecia vidrada. Pela primeira vez desde que havia pisado naquele prédio, teve a certeza de que havia feito a escolha certa.
Ir para Baltimore estava entre as melhores escolhas que tinha feito nos últimos meses.
— Eu sei, é uma vista privilegiada — Dawson comentou, fazendo com que Kramer voltasse à realidade.
respirou pesadamente e se virou para o homem, ainda passando os olhos pela sala e se atentando a cada detalhe.
— Realmente — comentou, enquanto começava a caminhar lentamente. — Fiz a escolha certa ao vir para cá.
Dawson abriu um sorriso ao ouvi-la dizer aquilo.
— Eu sei, você me avisou — completou, dando de ombros.
— Eu não ia dizer isso, apesar de ser verdade — o mais velho brincou. — Enfim, você tem alguma dúvida?
riu de forma retórica e continuou andando até onde seu chefe encontrava-se sentado. Recostou-se em sua mesa, ficando bem ao lado dele, que levantou o olhar, encarando-a por um instante para depois voltar a mexer nas papeladas. Ela tinha evitado a conversa que estava prestes a iniciar entre eles desde que Dawson havia ligado para ela oferecendo o trabalho porque não queria forçar a barra logo de cara, mas agora era preciso trazer o assunto à tona.
— Kramer, alguma dúvida? — Dawson perguntou, como se pudesse ler os pensamentos dela.
Ele continuou mexendo nas papeladas, mas agora de forma um pouco apressada.
— Dawson, que tal pararmos de enrolar e irmos direto ao assunto que interessa? — Kramer disse, sem se preocupar em fazer rodeios.
O homem riu fracamente, parou o que estava fazendo e direcionou o olhar para .
— E qual seria o assunto? — perguntou, fingindo não saber do que se tratava.
— Dawson, você sabe o apreço que tenho por você — disse enquanto o encarava, fazendo uma pausa para pensar no que diria em seguida. — Porém, nós dois sabemos que você é péssimo em mentir.
O mais velho riu, fazendo sinal para que ela continuasse.
— Quero saber o real motivo de você ter me chamado para fazer parte da equipe Mindhunters — explicou. — Você tem ótimos agentes. Por que precisaria de mim?
— Não se diminua dessa forma, Kramer — a repreendeu.
— Não estou — deu de ombros. — Só estou dizendo que você não dispensaria seu tempo e meu talento me trazendo aqui se não fosse algo realmente importante.
— Dawson disse e levou sua mão até a da mulher, colocando-a sobre ela. — Você sabe exatamente por que está aqui e te chamei por saber que não me pediria para entrar em muitos detalhes. Ao menos, não agora.
A agente pendeu a cabeça para o lado e deixou um sorriso leve formar-se em seus lábios. Não precisava que ele tocasse no assunto detalhadamente com ela, apenas queria que fosse honesto e assumisse o real motivo de tê-la chamado.
— Pelo sorriso, isso é o suficiente para você — Dawson afirmou, deixando transparecer um sorriso também.
arqueou uma sobrancelha, pois outra coisa a havia ocorrido.
— Ou não.
— Minha equipe sabe? — perguntou firme.
Dawson retirou a mão que estava sobre a da mulher e sua expressão ficou mais séria.
— Não quero que fique bravo comigo… — explicou. — É só que eu preciso que eles confiem em mim e não acho que isso vai acontecer se eu estiver mentindo para eles.
— Eu prometo que eles sabem o necessário — afirmou, agora um pouco mais relaxado. — Só preciso que confie em mim, como nos velhos tempos.
o encarou por alguns instantes para então responder:
— Eu confiaria minha vida a você. Sabe disso. — Sorriu.
— E eu também não prejudicaria sua carreira, caso isso a esteja preocupando. — Dawson se inclinou um pouco, lançando-a um olhar sugestivo.
— Não é com a minha carreira que estou preocupada — respondeu, já levantando-se e passou os olhos ao redor para verificar se tinha alguém ao lado de fora os observando.
— O que foi? — Dawson olhou um pouco confuso com a atitude da mulher.
O gesto que veio a seguir foi sem má intenção alguma, era apenas algo que ela já queria ter feito desde que o havia encontrado mais cedo. A agente se inclinou, abraçou o amigo de forma que já não fazia há muito tempo e, antes de se afastar por completo, depositou um beijo rápido no rosto de Burton.
O homem não esperava por aquilo, então apenas sorriu, vendo-a ir em direção à saída do lugar.
— Te vejo no jantar — Kramer disse, já abrindo a porta.
? — Dawson a chamou, fazendo com que ela se virasse para ele. — É bom te ter de volta.
Ela sorriu para o homem e então saiu da sala.
Durante o caminho que fez até a saída, foi tomada pela preocupação da conversa com Dawson e o real motivo de ter começado no novo trabalho, mas sabia que nada poderia mudar como as coisas se encaminhariam dali para frente, então preferiu se concentrar no jantar daquela noite. Como por exemplo, o que iria vestir?

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A mulher encarou seu reflexo no espelho e sorriu satisfeita com sua aparência. Para o jantar na casa de Dawson ela havia escolhido usar uma calça social preta, com um blazer da mesma modelagem e cor, e, para complementar, tinha colocado uma camisa branca por baixo. Ela encontrava-se no elevador, onde tinha escolhido ir em direção até o primeiro andar da casa, já que havia estacionado seu carro no subsolo.
Ela saiu do local, rindo em escárnio ao olhar o corredor em que tinha saído. Não saberia dizer o porquê, mas, mesmo com todos os anos de amizade com o homem, ainda se surpreendia com seu luxo e riqueza.
Caminhou por um tempo até finalmente chegar a uma porta de cor marrom e bem alta, que empurrou, dando a ela a visão de uma sala de estar enorme, onde algumas pessoas bebiam e conversaram.
passou os olhos, tentando procurar algum rosto familiar, mas não encontrou nenhum, por isso caminhou calmamente por entre as pessoas, já indo em direção ao bar. Enquanto caminhava até seu destino, ponderou a ideia de beber ser uma má ideia — afinal, já tinha escolhido pôr uma roupa mais apropriada caso surgisse algo — e decidiu que talvez só uma dose não faria mal a ninguém, não ficaria bêbada por isso.
— Uma taça de vinho, por favor — pediu ao chegar ao bar.
Enquanto esperava, aproveitou para passar os olhos mais uma vez pelo ambiente e seu rosto se iluminou ao ver rostos conhecidos. Maze e , os dois agentes de sua equipe que havia conhecido mais cedo na academia, encontravam-se em uma roda de amigos, com uma mulher bem atraente e um outro homem muito bonito também. Sorriu assim que seus olhos cruzaram o da mulher com quem tinha trocado flertes pela manhã, e esta fez sinal para que ela fosse até lá.
— Aqui está sua taça, senhorita — o homem do outro lado do balcão informou.
— Obrigada — agradeceu, já saindo dali para ir até a roda de amigos.
Não podia deixar de pensar em como estava gostando cada vez mais de Baltimore, porque na divisão em que trabalhava antes não tinha pessoas com a metade de toda essa beleza. Mordeu o lábio inferior com as coisas que cruzavam seus pensamentos naquele momento e respirou fundo, obrigando-se a se controlar ao chegar mais perto.
— Gente, essa é Kramer — disse, assim que notou a presença da mulher. — A nova agente responsável pelo “tal caso”.
sorriu, aproximando-se para cumprimentar os que não conhecia.
— É um prazer. Você deve ser Naomi, certo? — a agente disse, estendendo a mão, mas foi surpreendida pela mulher, que a puxou para um abraço e depositou um beijo em seu rosto.
— Muito prazer, agente Kramer — Naomi disse ao soltá-la com um sorriso no rosto. — Não seja tímida, nós gostamos das ousadas.
Maze riu fracamente ao trocar olhares com , enquanto levava o copo da bebida que estava tomando até a boca, observando tudo.
— E você deve ser . — abriu um sorriso de ponta a ponta e estendeu a mão para o homem.
Ele a encarou por alguns instantes e segurou a mão de ao mesmo tempo em que tinha um sorriso torto nos lábios.
— É um prazer, — ele disse e aproximou-se dela, que ficou tão confusa quanto os outros que se encontravam ali. — Você se importa se eu…
Antes mesmo que ela pudesse responder, ele levou as duas mãos até a gola de sua blusa — que se encontrava desarrumada — e começou a colocar no lugar. Kramer riu em escárnio, levou sua mão direta até a mão esquerda de e o afastou com força, prensando-o contra a parede.
— A próxima vez que tocar em mim sem permissão — disse firme e um sorriso se formou e seus lábios. — Vai desejar ter nascido sem mãos.
Os outros três agentes olharam boquiabertos, exceto Maze, que não poderia esperar menos do que isso da mulher.
— Sua blusa estava desarrumada — disse, como se fosse algo realmente importante e afastou-se dele.
e sua obsessão com organização — disse, revirando os olhos.
Todos riram e Maze aproveitou a deixa para se aproximar de Kramer, que lançou um olhar para ela e puxou os cabelos, colocando-os para o lado direito de seu pescoço.
— Essa mulher, além de forte, não é linda? — perguntou sorrindo, fazendo com que a agente sorrisse para ela.
A uma certa distância, na sala de jantar, o agente misterioso sobre o qual havia lido a pasta, que não continha nenhuma informação pessoal e nem ao menos fotos, conversava com Dawson sobre alguns últimos detalhes do tal “caso” que dividiria com a mulher. Os dois tinham uma longa amizade dentro e fora da vida profissional e, por isso, o mais velho confiou a ele o cargo de ser um agente infiltrado.
Por isso, essa noite ele não estava ali como , mas Geralt Sayers.
Ele encarava o chefe ao mesmo tempo em que passava os olhos pelo lugar. Ainda não tinha conhecido as pessoas que seriam parte de sua equipe e Burton não havia nem dado a ele pastas explicando quem eles eram. Segundo o homem, queria que ele fosse apresentado apenas pessoalmente.
Não tinha gostado da ideia, mas o que poderia fazer?
— Seu nome a partir de agora é Geralt Sayers — Dawson disse, tentando conter o riso.
revirou os olhos e passou as mãos no cabelo.
— Geralt? — indagou. — Sério, Dawson?
— É um bom nome — o mais velho afirmou, dando de ombros enquanto ria internamente.
— Para um palhaço, né? — sugeriu sério. — Não poderia colocar um nominho mais normal ou ao menos que pareça de um agente do FBI como o meu?
indica que você é um agente, algo que não queremos — Dawson afirmou. — Geralt, no máximo, vão sugerir que você é aquele Bruxão daquela série nova da Netflix.
Nessa hora, Dawson caiu na gargalhada enquanto apenas o olhava com aquela cara de poucos amigos, de quem tinha odiado o nome e mais ainda a piada de mal gosto feita pelo velho amigo.
— Muito engraçado — afirmou, enquanto levava o copo de bebida que estava em sua mão até os lábios.
A conversa foi interrompida pelo toque do celular de Dawson, que se afastou rapidamente com uma expressão de extrema preocupação. achou aquilo um tanto estranho e decidiu andar um pouco pela casa só para ter certeza de que não estava tendo nenhuma movimentação estranha, afinal, aquele lugar estava lotado de agentes do FBI.
Sentia-se totalmente perdido ali, não conhecia ninguém e todos pareciam ter olhos curiosos. Em parte, parecia ser por sua aparência — não é que não fosse humilde, apenas tinha olhos — e a outra pela curiosidade em saber quem era aquele estranho olhando para todos os lados como se tivesse acabado de ver um fantasma. Infelizmente, esse era um dos poucos hábitos ruins que ser da polícia lhe trazia.
Estar sempre em alerta e preocupado.
Com uma rapidez que ele não conseguiu acompanhar, sua noite mudou da água para o vinho quando seus olhos pararam em uma pessoa específica que se encontrava em uma roda na qual havia dois rapazes e mais três mulheres. piscou algumas vezes, se perguntando se aquilo era uma das muitas peças que sua mente gostava de pregar nele e engoliu em seco. Levantou em seguida seu copo até a boca, tomando de uma só vez todo o líquido que continha ali dentro.
Seu coração bateu de forma frenética assim que os olhos da mulher encontraram os seus, com certa confusão no olhar.
— Porra. — Foi tudo que conseguiu dizer enquanto a encarava.
Estava pronto para ir até lá e perguntar o que ela estava fazendo ali, quando uma movimentação estranha tomou conta da “festa”. Dawson passou pelo grupo, parecendo passar algumas informações importantes, fazendo com que todos ali o olhassem com a mesma cara de preocupação que ele havia feito mais cedo. Então viu todos se dispersarem, ficando apenas a mulher e seu chefe.
— Agente Geralt Sayers — Dawson disse próximo a ele, dando-lhe um susto.
Nem tinha notado que o homem havia andado até ali.
— Agente Kramer — o homem continuou, dando a entender que estava lhes apresentando. — Vocês vão trabalhar juntos neste caso e nós temos uma ocorrência agora mesmo.
— Aquele caso? — Kramer perguntou enquanto encarava o mais velho, que apenas assentiu. — Me desculpe, é um prazer conhecer você, agente.
Ela estava com a mão estendida para ele, que segurou ainda atordoado.
— O prazer é todo meu… — respondeu de forma insegura e quase automatizada.
— Agora que estão devidamente apresentados, precisamos ir — Dawson disse, já se encaminhando para a saída.
Até aquele momento, nem havia se dado conta de que o amigo tinha trocado de roupa e usava até um colete a prova de balas.
— Licença — disse, puxando Dawson pelo braço e o agente permaneceu parado no mesmo lugar, vendo os dois se afastarem.
Kramer queria se certificar de que seu chefe — e amigo de longa data — estava bem para ir até o local do crime. Por isso, puxá-lo para longe era a melhor opção, além de que não tinha gostado nada da forma como o tal de Geralt a ficou olhando antes que os dois fossem apresentados e depois disso.
— Dawson, você está bem? — perguntou quando já estavam longe o suficiente.
— Kramer, não pergunte nada — pediu. — Só me siga.
Ele disse, passando por ela e em seguida por , que observava os dois e foi seguido pela mulher.
— É agora que eu começo a dar ordens? — perguntou atrás dele, já do lado de fora, enquanto recebia um colete de outro agente.
O homem virou-se e sorriu para ela.
— Está esperando o quê?
sorriu enquanto terminava de colocar o colete, pegou a arma que estava presa à bota que usava e sacou um coldre, colocando-o em volta da cintura, onde guardou sua arma e se posicionou para olhar a movimentação que tinha ali antes de começar de verdade seu trabalho.
— Tudo bem, pessoal — disse em tom alto, já caminhando pelo recinto e recebendo atenção de todos. — Eu quero quatro equipes. Preciso que todos cheguem lá preparados para executar seu trabalho. Não quero ter que dizer a vocês o que fazer, fui clara?
Dawson observava tudo orgulhoso, enquanto todos tinham a atenção voltada para a gente.
— Certo — afirmou, encarando-os. — Espero que saibam que esse vai ser o caso mais difícil da carreira de vocês e eu não admito erros.

 

Nota das autoras: Finalmente chegamos com o primeiro capítulo dessa história. Nós estamos MUITO empolgadas, principalmente por essa chuva de agentes deliciosos + a ideia de que juntos eles vão desvendar casos interessantíssimos. Contem pra gente o que vocês acharam e se já estão shippando a pp com alguém (como eu e a Van estamos hehehe).
Comentem aqui para nós sabermos!
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Kisses,
Ste e Vane.

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CAPÍTULO DOIS

O colchão onde ela estava deitada era muito mais macio do que a pequena garota havia imaginado. No entanto, nem todo o conforto do mundo faria com que conseguisse fechar seus olhos e se render de fato ao cansaço que fazia com que estes pesassem, evidenciando as olheiras. Elas se acumulavam conforme o passar dos dias.
Havia perdido completamente a noção do tempo presa naquele lugar, assistindo novas companheiras entrarem, depois saírem e serem substituídas seguidamente simplesmente porque algumas delas não retornavam mais.
Uma parte de si possuía uma curiosidade genuína em obter ao menos um vislumbre do que acontecia às garotas que eram arrastadas em direção àquela porta. A outra berrava como um grande alerta de que sinceramente ela não gostaria nem um pouco de descobrir.
O pavor sussurrava em seus ouvidos toda vez que suas pálpebras ameaçavam se fechar. Em resposta, suas pupilas dilatavam, seu corpo estremecia em espasmos involuntários e sua respiração irregular fazia com que sua caixa torácica se movimentasse rapidamente, tentando trazer mais oxigênio aos seus pulmões simplesmente porque ela parecia a ponto de sufocar.
Já fazia algum tempo que a jovem se encontrava ali, acompanhada apenas por uma outra tão pequena quanto ela, com os cabelos longos e tão escuros quanto os seus. A semelhança entre ambas era assustadora e ao constatar que elas estavam ali por tempo demais sem receberem uma nova companheira, aquilo só poderia significar que uma delas era a próxima escolhida. A chance que cada garota tinha era exatamente de cinquenta por cento.
Imersa em meio ao próprio medo, seus ouvidos lhe traíram, deixando de captar o som da porta se abrindo e com um certo espanto, somado à uma pequena parcela de alívio, seus olhos registraram a chegada de mais uma garota que poderia muito bem se passar por ela.
Seus lábios tremeram ao ver o corpo adormecido da menina ser depositado sob a cama ao seu lado. Um filete de sangue escorria pela testa pálida e observar aquele ferimento fez com que as mãos da espectadora seguissem em direção à própria cabeça, onde uma casca fina evidenciava o processo de cicatrização. Como ela, a pancada havia sido a causa de sua súbita inconsciência.
Mais uma eternidade se passou enquanto as três foram deixadas sozinhas e assim que a recém chegada despertou, o desespero refletiu-se no olhar afoito ao seu redor, identificando o lugar fétido onde se encontravam, unindo algumas peças para chegar à conclusão do que de fato havia acontecido consigo. O que não ficou nada claro era o motivo de serem mantidas em cativeiro daquela forma, como animais esperando pelo abate.
A agonia trouxe o nó na garganta mais uma vez, já que a novata nunca saberia, a menos que sua hora chegasse.
— Que lugar é esse? — ouviu a voz rouca ecoar pelo recinto.
Apenas deu de ombros, respondendo de forma muda que não fazia a menor ideia, mas a outra não viu o gesto e ela não tinha muita força para repeti-lo. De qualquer forma, sua outra companhia também havia respondido com seus próprios gestos.
Poucos minutos de silêncio se passaram onde o medo ainda era cultivado.
— Quem é você? — Sua companheira questionou a recém chegada em um tom tímido e ao mesmo tempo inquisidor, quase como se ela fosse a culpada por tudo o que lhes acontecia. No entanto, no fundo sabia que todas se encontravam na mesma situação de vítimas.
Antes mesmo que qualquer resposta fosse proferida, a porta se abriu de maneira brusca, fazendo com que os olhares apavorados se direcionassem para o indivíduo que era seu carcereiro.
Um arrepio percorreu toda a extensão de sua coluna e de repente era como se o pavor baforasse em sua nuca em uma brisa gelada, capaz de congelar cada nervo de seu corpo.
De uma certa forma, a garota, que até então agarrava-se à esperança de que nunca saberia o que havia atrás daquela porta, soube que era a sua vez. Ela havia sido a escolhida. Tinha perdido a batalha contra suas companheiras de cativeiro.
Com resignação, levou suas mãos à boca, sufocando um grito enquanto seu corpo inteiro passou a tremer em desespero. Desde pequena, a curiosidade sempre fora sua maior virtude, no entanto, naquele momento, ela desejava morrer sem saber o que lhe aguardava. Preferiu a ignorância.
Agarrou então os próprios joelhos, enroscando-se como uma bola, tentando se proteger quando seu carcereiro se aproximou, estendendo uma das mãos para que a garota a segurasse em um gesto gentil de uma maneira completamente doentia e confusa.
Ouviram-se gritos de protesto vindos de suas companheiras, mas a jovem não conseguiu distinguir quais palavras utilizavam. Sentiu-se presa aos olhos que lhe encaravam como se ali estivesse um objeto peculiar.
— Venha, minha criança. — Mesmo alheia a qualquer outro som, aquela voz lhe soou incrivelmente nítida.
Engoliu a seco, sentindo as lágrimas molharem suas bochechas enquanto estendia a mão de uma forma que julgou patética. Nem ao menos conseguia pensar em estratégias de fuga, sabia que estas seriam inúteis.
Ergueu-se, mas automaticamente sentiu suas pernas fraquejarem ao mesmo tempo em que sua bexiga se esvaía em pavor. A urina escorreu pela sua pele, causando uma expressão de repulsa a quem lhe aguardava quase impaciente pela demora em atender ao seu chamado. Ela mesma teria sentido nojo e a vergonha tomaria conta de suas feições, mas não conseguia se importar com algo como o constrangimento. Este lhe parecia completamente banal e inútil como qualquer tentativa de fuga, embora algo dentro de si protestasse, gritando contra seu crânio que precisava se mover, fugir, se salvar.
— Mas olhe a bagunça que você fez! Ele não ficará nem um pouco satisfeito — soltou em um tom de repreensão, ao mesmo tempo em que sua cabeça se moveu de um lado para o outro em negação.
Encarou a cena, sentindo um calafrio diferente tomar conta de si.
— Temos que limpá-la antes que chegue. Venha logo! — Arregalou os olhos ao adquirir urgência na voz, então puxou a garota pela mão, mas de repente os pés dela travaram no chão e a pequena jovem não conseguia se mover.
— Não — implorou com a voz tão fraca que não imaginava que pudesse ser ouvida, mas foi.
Um puxão mais forte fez com que seu pulso protestasse.
De repente, o instinto de sobrevivência pareceu ter despertado, então ela começou a se debater e chutar o ar, tentando se desvencilhar.
No entanto, as mãos do carcereiro eram muito mais fortes.
Gritou em desespero, sendo arrastada e sentindo o chão ralar sua pele. Sua garganta ardeu em protesto, a voz foi adquirindo um tom rouco quando um nó na garganta surgiu e ameaçou sufocá-la.
Antes de a porta se fechar, conseguiu ver os rostos de suas antigas companheiras pela última vez. A esperança havia partido.

🧩
 

Mesmo com as ordens de , ele não conseguia se concentrar em absolutamente nada, e para isso era um problema mais do que grave já que ele nunca perdia o foco quando se tratava do trabalho. Parecia que tudo à sua volta estava em câmera lenta enquanto a mulher parecia ter total controle da situação e ele tentava tomar nota de tudo que ela falava e ao mesmo tempo agir para que pudesse fazer sua parte.
Afinal, eram parceiros nesse caso.
Apesar de fazer muito tempo que não a via, a sensação era de que os anos não tinha passado para ela. Kramer ainda tinha o mesmo jeito autoritário, totalmente focado no trabalho e aquele brilho que o havia atraído tanto na época, contudo também sentia como se ela fosse uma completa estranha, da mesma forma que ele parecia ser para ela, já que a mulher agiu com completa naturalidade ao serem apresentados.
Será que ela não se lembrava? Não era possível…
Esses pensamentos estavam matando por dentro de uma forma tão profunda que ele mal havia se dado conta de que já se encontrava dentro de uma das viaturas que estava seguido em direção ao local do crime. Parecia total loucura, mas ele nem sequer conseguia lembrar como tinha ido parar ali e se algo de importante havia sido dito para ele. Mais uma vez concluiu que aquela mulher era sua perdição.
Estava completamente fodido, sabia disso…
— Sayers, você está me ouvindo? — Seus pensamentos foram cortados por , que se encontrava sentada bem ao lado dele dentro do veículo.
Seus olhos a encararam enquanto um milhão de coisas ainda se passava dentro de sua cabeça.
O que caralho estava acontecendo ali? não saberia explicar. E o fato de ela o chamar por um sobrenome quem nem mesmo era seu tornava tudo ainda mais estranho.
— Agente Geralt, você está me ouvindo? — Dessa vez a voz da mulher era mais firme e parecia particularmente irritada com ele.
— Desculpa, eu estava um pouco distraído — admitiu, pois não tinha nenhuma explicação realmente boa para sua total falta de atenção em um momento como aquele.
revirou os olhos, demonstrando o quanto aquilo era inaceitável para ela e seus olhos cruzaram os de Maze, que tentava com todas as forças conter a risada enquanto só queria se enfiar em um buraco bem fundo e não sair de lá tão cedo de tanta humilhação que estava sentindo.
Todos praticamente pularam da viatura assim que ela encostou na cena de crime. Para variar, o local já estava rodeado de repórteres e pessoas curiosas querendo saber o que exatamente tinha acontecido ali e se tinha alguma relação com o tal caso que vinha assombrando cada dia mais Baltimore.
Kramer continuou dando as ordens e ela foi obrigada a dar outra revirada de olhos ao olhar para Geralt, que se encontrava sem o colete à prova de balas. Então ela caminhou rapidamente até a viatura, puxou um colete e andou ainda mais rápido até ele, jogando-o contra o peito definido do homem, que soltou um grunhido de susto.
— Será que você pode ao menos vir de forma apropriada para a cena de crime? — falou alto, sem se importar com quem estivesse ouvindo.
O homem apertou os olhos de forma frustrada e começou a colocá-lo rapidamente.
— Onde você precisa que eu fique? — Maze perguntou, aproximando-se deles.
— Quero que me acompanhe até a cena — pediu e começou a caminhar.
Sayers percebeu que ela não havia pedido para que ele fosse junto e apressou o passo, indo atrás das duas mulheres.
— Eu vou também — informou, afinal estava no comando do caso tanto quanto ela. lhe lançou mais um olhar rápido e conteve outra resposta atravessada porque não tinham tempo para perder discutindo aquele tipo de coisa. Com um aceno de cabeça, indicou que Griffin e Sayers deveriam trazer os kits forenses, então concentrou toda a sua atenção na cena de crime onde entrariam.
Maze tomou a frente, afastando os repórteres, que tentavam abordá-los e até mesmo cruzar os limites estabelecidos para que tudo fosse menos contaminado possível. se manteve em silêncio ao lado de , evitando pensar na vergonha que estava sentindo por simplesmente esquecer de algo crucial como um colete à prova de balas.
Tudo o que menos queria era que a mulher o achasse estúpido, afinal, se fosse, ele não estaria no comando daquele caso. Por isso, enquanto percorriam os poucos metros que restavam até o local da ocorrência, empurrou para as profundezas de sua mente todas as indagações que surgiam quando o assunto era a agente Kramer e o passado que ela parecia nem ao menos se dar conta.
Muniu-se do profissionalismo que havia lhe tornado um grande agente e procurou manter todos os seus sentidos aguçados, encarando com atenção o galpão abandonado assim que passaram pela entrada, isolada pela faixa zebrada.
Mesmo tendo recebido algumas informações sobre o que encontrariam, nunca era fácil ficar cara a cara com atrocidades como a que havia sido cometida ali, principalmente quando os agentes perceberam a pouca idade da vítima.
Griffin fotografou as exatas posições em que o cadáver fora encontrado, bem como o estado inicial do local de crime, enquanto Kramer ligava o gravador para recitar as evidências que encontrava e fazia a coleta dos materiais encontrados. Haviam escolhido uma análise em espiral, porque assim conseguiriam percorrer todo o perímetro em busca de todo o tipo de vestígios, principalmente aqueles que não eram facilmente percebidos.
Assim que adentraram o local, percebeu algumas manchas do que poderia ser o sangue da vítima seguindo um possível rastro desde a entrada do galpão até o lugar onde o corpo foi encontrado. Havia alguns sinais na poeira a uma certa altura que indicavam que o suspeito precisou arrastá-lo por alguns metros, o que o deixou um tanto confuso, principalmente porque até mesmo o formato das pegadas pareceu se alterar.
Se tratava de apenas um suspeito ou seriam dois?
coletou uma amostra das manchas escarlate, olhando brevemente na direção de ao ouvir a voz da mulher explicar com precisão uma boa parte do que ele havia acabado de observar.
— Vítima do sexo feminino, idade aparente entre 15 e 18 anos. Corpo encontrado em decúbito dorsal. Há alguns sinais de luta corporal, sem evidências aparentes de violência sexual — Kramer manteve uma postura o mais profissional possível embora seus pensamentos vez ou outra ressaltassem o quanto aquela garota parecia ser jovem.
Mais chocante do que a idade era a forma como seu corpo se encontrava. Deitada ao chão com as pernas em um ângulo torto, a pele tão branca quanto os papéis no bloco de anotações do agente Sayers. Os olhos abertos tinham um tom opaco e pareciam fixos e apavorados, o que indicava que ela havia morrido encarando seu agressor. Ao descer o olhar, encontrou o abdômen da vítima completamente dilacerado, bem como o estômago. O conteúdo estomacal havia se espalhado pelos outros órgãos.
Qual havia sido o propósito naquilo? Era um simples ato de brutalidade extrema ou fruto do desespero? A necropsia lhes diria com maior precisão de quantos golpes se tratava, mas fazendo uma análise preliminar realmente pareciam ser muitos.
— Possível causa da morte: hemorragia devido a inúmeras lesões perfurocortantes. Arma do crime: ausente — declarou.
voltou a caminhar, analisando o local mais uma vez, aproveitando o tempo que tinha para garantir que nada passasse despercebido aos seus olhos. Tentava entender ainda como a vítima subitamente passou a ser arrastada, mas de repente seu olhar foi atraído para a única janela presente no ambiente.
Sentiu-se um tanto idiota por não ter percebido a marca do que pareciam dedos no parapeito, o que era evidenciado por uma camada mais fina de pó no local. No entanto, ao fazer o procedimento em busca de impressões digitais, estas não foram encontradas.
Seguindo seu instinto, direcionou seu olhar para o lado de fora, que dava para os fundos do galpão e felizmente não estava ocupado pelos repórteres e populares curiosos com o que o FBI estaria fazendo por ali. Talvez o agente já estivesse sentindo que encontraria algo crucial para a investigação do caso e seus olhos até brilharam de satisfação.
— Agente Kramer. Encontramos a arma do crime.
Imediatamente, sinalizou a que poderia fazer os procedimentos para levar o corpo e eles deram a volta pelo lado de fora do galpão. Como era uma área aberta, precisaram utilizar a fita zebrada para isolar a região e evitar que as pessoas invadissem e atrapalhassem seu trabalho.
Anos de treinamento ensinaram a cada um dos agentes a ignorar os flashes das câmeras, as perguntas e até mesmo alguns xingamentos. Se fossem dar atenção a cada um deles, não conseguiriam executar seus trabalhos.
Maze fotografou o bisturi ensanguentado, liberando em seguida para que fizesse a coleta e etiquetasse de forma adequada.
— Vou pedir a Naomi que processe essas evidências o mais rápido possível. Precisamos descobrir quem fez isso antes que mais corpos apareçam — disse mais para si mesma do que para os outros dois em si.
Depois disso, foi dado seguimento à análise da cena de crime por mais algum tempo e quando já não havia mais o que ser observado, Griffin prontificou-se a conversar com o casal que havia encontrado o cadáver e acionado a polícia local para tomar o testemunho. lançou um olhar rápido a Kramer porque não sabia se seria uma boa ideia permanecer sozinho com ela em algum lugar, não quando suas feições pareciam quase explodir em teorias. Resolveu, por fim, que acompanharia Maze.
encarou a silhueta daquele que conhecia como Geralt se afastar aos poucos e pela primeira vez lhe ocorreu que foi dura demais na forma como falou com o agente horas antes, mas não era hora para pensar nisso, precisava manter o foco no que acabara de analisar.
Estava tudo muito claro, mas ao mesmo tempo confuso. Então desejou que as evidências pudessem preencher as lacunas que por hora sua mente não havia conseguido.

🧩

A divisão estava tomada por um caos incontrolável. Os Mindhunters estavam tentando a todo custo correr contra o tempo para obter resultados, teorias e até mesmo algumas respostas sobre o caso em um curto período, já que o corpo encontrado naquele balcão abandonado havia sido o de número três, fazendo-os pensar que poderia ser um caso de Serial Killer. Logo, o trabalho que teriam pela frente não seria nada fácil.
Enquanto cada um se ocupava de sua função, Kramer estava com a cabeça lotada de informações e dividia seus pensamentos entre o caso, a cena de crime que havia presenciado há poucas horas e sua preocupação com Dawson, que tinha apenas dado algumas ordens e depois se trancado em sua sala, deixando a ordem de que não falaria com ninguém e que não queria ser incomodado. Ela sabia que tinha liberdade para quebrar a regra imposta por ele se quisesse, mas não faria isso porque não seria profissional de sua parte e queria dar um tempo para o homem pensar.
passou o olhar pela sala pensando se precisava dar mais algumas ordens e constatou que não, já que quem estava ali encontrava-se fazendo exatamente o que havia sido pedido por ela e quem não estava provavelmente tinha ido a outro departamento atender às suas ordens.
Seus olhos estavam pesados, afinal, já passavam das duas horas da manhã e seu corpo estava exausto, mas não poderia se render ao cansaço. Esse caso em específico deixava claro para ela que teria que vencer todas as questões físicas e emocionais para que pudesse encontrar respostas e, com muito esforço, chegar ao responsável pelas mortes tão brutais e ao mesmo tempo cheias de algum cunho teatral.
— Vou precisar de muito mais café do que eu estava planejando — disse a si mesma ao recostar-se em uma bancada da sala enquanto apertava os olhos com as pontas dos dedos.
Kramer riu fracamente e foi tomada pela sombra de alguém à sua frente, o que a fez erguer o olhar. Geralt estava parado bem diante dela com dois copos de café na mão e estendeu um na sua direção enquanto sorriu de forma simpática.
— Não precisava — ela disse um pouco sem jeito e pegou o copo.
Tinha sido extremamente grossa e antiética com ele diante da situação na cena de crime e vê-lo ali entregando aquele café a fez se sentir culpada.
— Foi um longo dia. — Geralt deu um meio sorriso, demonstrando sinceridade.
o encarou e retribuiu o sorriso de forma simpática, pensando em como começaria o que estava prestes a falar.
— Está tudo bem — Sayers disse, dando a sensação de que conseguia ler os pensamentos da mulher.
— Na verdade, não está — Kramer disse e colocou o café na bancada para que pudesse se concentrar no que tinha para falar. — O que eu fiz foi totalmente inaceitável e antiético. Eu jamais deveria ter gritado com você daquela forma.
O homem se segurou para conter a risada, pois uma lembrança da mulher gritando com ele no passado, exatamente da mesma forma, apareceu em seus pensamentos quase como se isso tivesse acontecido há pouco tempo e não há anos.
— Eu estava errado — afirmou. — Ir para a cena do crime sem colete à prova de balas é inaceitável.
De fato, era mesmo. E mais do que ninguém tinha se julgado o suficiente por uma atitude tão idiota.
— De fato, é mesmo. — Kramer riu, apesar das palavras diretas que ecoaram exatamente os pensamentos dele. — Mas isso não justifica minha reação. Poderia ter acontecido com qualquer pessoa, já que fomos pegos completamente de surpresa na festa.
Geralt apenas assentiu.
— Bom, só queria me desculpar e dizer que eu espero ter uma boa parceria com você — Scarllet afirmou e virou-se para finalmente pegar seu café.
Enquanto o homem analisava as palavras dela, a mulher aproveitou para dar um gole na bebida.
— Boa eu não sei… — Geralt disse, e pela segunda vez, deixou escapar um meio sorriso. — Mas intensa com certeza.
Os dois ficaram ali se encarando enquanto tomavam café, porque nenhum dos dois sabia muito bem o que dizer depois da conversa que tiveram. Kramer estava ainda com os pensamentos muito acelerados — apesar do cansaço — devido ao que tinha visto mais cedo, ao pensar na idade da garota que foi morta de forma tão brutal. Enquanto tentava de alguma forma criar teorias em sua cabeça que pudessem lhe dar alguma resposta mais conclusiva sobre o que eles haviam encontrado.
— Precisamos ir até o departamento de genética — Kramer disse ao pegar o celular que tinha acabado de apitar.
Geralt jogou seu copo no lixo, assim como ela, e os dois logo seguiram para a saída.
— Ela já tem os resultados? — Sayers perguntou enquanto atravessavam a porta, pensando em como havia sido rápida.
— Eu sei que parece rápido, mas já são mais de duas da manhã — a mulher explicou enquanto os dois caminhavam e apertou o botão do elevador assim que chegaram a ele. — E eu pedi para a Naomi acelerar os resultados.
— Uau! Ainda assim, ela os conseguiu em um tempo recorde, de fato — Geralt disse enquanto colocava as mãos nos bolsos. — Tenho a sensação de que não voltaremos para casa tão cedo.
— Eu também — respondeu e adentrou o elevador que tinha acabado de chegar ao andar.
Enquanto iam até o departamento, a agente recebeu uma mensagem de informando que precisava falar com ela sobre o caso e ela o respondeu pedindo que a encontrasse no lugar para onde estava indo, já que assim não precisaria ir até ele repetir tudo que escutaria de Naomi. Ao pensar na mulher, percebeu que estava extremamente ansiosa para saber os resultados, tentando criar esperanças de que seria algo que os ajudaria muito, mesmo sabendo quais eram as possibilidades considerando o que havia coletado.
Os dois colocaram suas digitais para adentrar o departamento e caminharam em direção à antessala onde a equipe da genética realizava alguns de seus trabalhos. Era o máximo que poderiam adentrar, já que o departamento era composto por uma série de laboratórios, nos quais eram tomadas medidas extremas de segurança para evitar que houvesse contaminação das amostras. Uma das regras mais rígidas era que nunca se poderia sair pela mesma porta que chegassem.
Assim que chegaram, deram de cara com uma Naomi que aparentava estar extremamente disposta, algo que deixou com um pouco de inveja já que ela estava um caco.
— Você parece ótima — comentou com um sorriso no rosto.
— Eu só posso concordar — Sayers disse rindo.
Naomi riu e aproximou-se dos dois.
— Meu departamento é extremamente essencial, preciso estar — a mulher afirmou e fez sinal para que os dois se aproximassem mais dela enquanto pegava uma pasta na mão. — Os resultados são ótimos para o assassino, péssimos para nós.
O agente cerrou os punhos, enquanto Kramer se manteve com a mesma expressão e pegou os papéis entregues pela parceira.
— O conteúdo é sangue — Naomi explicou. — E ele pertence à vítima.
— Vejo que cheguei na hora da má notícia — disse adentrando o local, o que chamou a atenção de todos. — Exatamente como eu havia previsto após ler o relatório.
Kramer fechou a pasta que estava em sua mão e se aproximou de , enquanto e Naomi apenas encaravam.
— Se você chegou a alguma conclusão que não colocamos no relatório, eu preciso que me fale — pediu.
riu fracamente.
— Eu preciso ir até a cena de crime — ele afirmou, fazendo com que a mulher franzisse o cenho em confusão.
— Por quê? — Kramer perguntou intrigada.
— Porque eu preciso estar no lugar dele para compreender.

Nota das autoras: O que foi esse capítulo? Essa interação da pp com o segundo pp? Comentem tudo com a gente. Queremos muito saber o que estão achando.
Feliz Ano Novo pra todas vocês e que 2021 seja muito melhor.
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Kisses,
Ste e Vane.

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