Motivate

  • Por: Lívia Vélasquez
  • Categoria: Original | Restritas
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Sinopse: Ser uma escritora de Trilogia erótica tem seu preço, e dessa vez, o bloqueio criativo que tivera a fez recorrer à medidas drásticas para que sua obra finalmente fosse finalizada. Só não imaginava que ao acabar o livro, o final feliz era todo dela.
Gênero: Romance.
Classificação: +18.
Restrição: Palavras de baixo calão, sadomasoquismo e cenas de sexo.
Beta: Elena Alvarez.



Estava há dias, quem sabe semanas, em frente ao computador na busca de algo que esclarecesse minhas dúvidas de forma completa e clara, mas parecia impossível.

Por não ser, nem de longe, meu primeiro livro publicado, me sentia frustrada por não conseguir sequer completar uma linha de raciocínio. Tudo o que eu precisava era de respostas. Estas, concisas o bastante para que pudesse começar o rascunho do novo livro. Os dias estavam passando, o prazo se expirando e nenhuma das respostas sobre a relação entre submisso e dominante me faziam sentido.

— Continua travada? – Assenti sem muito ânimo quando ouvi Selena perguntar esperançosa ao meu lado. Senti o fio de esperança na voz da mulher porque a mesma sempre torceu por mim e não havia nada -ajuizado- que ela não me apoiasse.

Minhas costas doíam, a vista se embaçava em frente ao computador e a mente estava bloqueada às sete chaves sem que rendesse um parágrafo sequer.

— Vou pedir que alonguem o prazo. – Confessei de uma vez, ouvindo em voz alta o pensamento que cogitava há dias.

— Mas,

— Selena, não digito uma virgula sequer há semanas! Pra que eu termine no prazo vou passar madrugadas em claro, que é a única coisa que tenho feito nos últimos dias e estou exausta.

— Tudo bem, . – Bebericou algo de sua caneca que fumegava. — Se dê um tempo. Ouvi dizer que esses bloqueios criativos atingem majoritariamente os escritores que se cobram demais e você, com certeza, está entre eles. – Abri a boca para argumentar, mas a loira logo me interrompeu voltando a falar. — Emendou os lançamentos de três livros seguidos, sem uma única pausa. É loucura, !

— Autores criativos, são autores proativos. Autores proativos, são autores ricos e é nesse patamar que eu quero estar. – Expliquei calmamente. — E me mata ter que aumentar o prazo, porque sei que pode desvalorizar a obra. – Passeei as mãos agoniadas desde o rosto até os cabelos. — Estou realizando o que eu sempre quis, não deveria estar com bloqueio algum.

— Deveria viajar.

— Já cogitei a possibilidade. – A vi sorrir minimamente. — Mas tenho que comparecer na editora todas as semanas durante esse mês.

— Falando nisso, preciso dar uma passada na editora agora mesmo. – Sel verificou seu relógio de pulso, virando de uma vez o que quer que fosse em sua caneca.

Selena sempre teve a paciência que eu nunca quis ter, então logo se tornou meu lado sábio, na mesma medida em que me tornei seu lado imprudente, quando a introversão da garota nunca a permitiu ser. Sel foi minha melhor amiga desde os treze anos e mais de dez anos após, ainda exerce o mesmo cargo com a mesma cautela. Todo o seu cuidado e empatia resultou em uma trilogia absolutamente divina de livros de romance infanto-juvenil, que sem rótulos, inspira meninas e meninos a serem o que sonharem, sendo felizes com as escolhas que fizerem.

Fechei o notebook, sentindo minha cabeça pulsando de agonia. Me sufocava não conseguir escrever e a sensação piorava ao lembrar que o prazo estava cada vez mais apertado. Busquei um caderno, tentando elaborar qualquer mínima coisa como quando mais nova, virava madrugadas a escrever fanfics. Nada também.

Tomei um banho bem quente, relaxando os músculos tensos dos ombros, e me enrolando na toalha rapidamente antes que o vento do clima frio me atingisse.

O pijama confortável afagava meu corpo inteiro, como forma de consolo para a mente que borbulhava. Não era novidade a pipoca que estourava no microondas, nem a televisão ligada com a abertura de Friends que parecia o melhor alívio no momento. Um edredom quentinho me embalou pelas próximas horas em que me isolei, aproveitando o que o pacote de escritora em fiasco proporcionava.

Logo cedo, o Sol que não via há dias na cidade fez o quarto se tornar alaranjado com sua luz por não ter fechado as cortinas na noite passada. Na TV, o Netflix perguntava se ainda tinha alguém assistindo, e eu mal sabia dizer se terminei o mísero episódio de vinte minutos que me propus quando me deitei.

Busquei meu celular no emaranhado das cobertas apenas para saber que horas eram, porque tinha certeza de que na editora, eu precisarei pisar daqui alguns minutos.

Nunca demorei tanto para tomar café da manhã, usando de todo esse tempo para pensar nas falas ensaiadas que proferiria na cara dos editores. Em compensação, desta vez o trânsito caótico da cidade não me privou de chegar cedo ao prédio, aumentando todo o desgosto que constantemente tenho sentido de mim mesma.

Os olhos geralmente simpáticos da recepcionista se arregalaram um bocado ao me verem ali sem nem mesmo horário agendado. Sempre brincávamos que escritor se materializava em qualquer lugar, mas quando aparecia sem horário marcado, boa coisa não poderia ser. E agora, provava do próprio veneno. Cruzei os corredores que já conhecia tão bem, até chegar à sala de Adele Bernard.

— Bom dia, . Não me enrole, vá direto ao ponto. – A editora apressou-me, severa como seu habitual, remexendo os diversos papeis espalhados por sua mesa.

— Bom dia, Adele. – Uni minhas mãos, ansiosas, apertando-as de forma que os nós se esbranquiçavam. — Vou precisar de um pouco mais de prazo.

— Vai precisar do quê? – Adele parou o que fazia, tirando seus óculos de grau e me encarando petrificada. — Impossível. O lançamento já foi marcado e a cerimônia está em seus últimos detalhes. Mande o primeiro capítulo até hoje à noite.

— Você não está entendendo. – Suspirei audível. — Preciso de um prazo maior porque até agora não escrevi absolutamente nada. – A risada da mulher soou irônica pela sala e me mantive imóvel, justamente por saber da fama de imprevisível dela.

— Não temos como voltar atrás com absolutamente nada, . Isso não é um joguinho, há inúmeros contratos que consolidam tudo isso e um deles, é o prazo desse livro. – Bebericou de seu inseparável café ao seu lado. — O que lhe impede?

— Tentei fazer algumas pesquisas, uns resumos, como fiz com os outros livros. Mas a temática deste, que resolvi mudar, complicou tudo de uma maneira que não acho respostas para o que preciso.

— Não me lembro bem, o que tanto vai mudar neste livro?

— Vou adicionar a relação de submissa e dominante no sadomasoquismo. – Esclareci convicta.

— Não deveria ter dificuldades, não deixa de ser seu gênero. – Rebateu de prontidão, encarando a mesa à sua frente, parecendo pensar por alguns segundos. — Fale com alguns copidesques ou revisores, eles devem ter algo que possa te ajudar. O prazo continua o mesmo. – Retomou os óculos de grau ao rosto e sua atenção ao emaranhado de papeis, não me deixando opções a não ser sair.

Não me surpreendi que Adele não dera o braço a torcer quanto ao prazo, mas agora me pulsava ainda mais os pensamentos aflitos. Cruzei os mesmos corredores até que retornasse à mesa da recepcionista, que desta vez sem seus olhos arregalados, comentou sobre a surpresa de me ver ali tão antes do combinado. No entanto, meu objetivo agora se tornara seguir o único conselho que Adele me dera, e Gwen era a copidesque responsável desde o meu primeiro projeto desenvolvido ali e agora era também, uma das minhas maiores esperanças.

Desde a última vez que trabalhamos juntas, sua sala havia mudado inúmeras vezes e não digo só a decoração, mas agora, ela tinha até mesmo um escritório maior. E não poderia ter merecido mais.

— Toda vez que te vejo aqui, já me preparo psicologicamente para os capítulos! – Saudou-me sorridente assim que adentrei sua sala, vendo-a se levantar para me cumprimentar. — Apesar desse rostinho não me dar spoiler nenhum.

— Gwen, estou com um bloqueio que nunca tive antes. – Choraminguei indo em direção à cadeira que ficava de frente para sua mesa de enfeites milimetricamente arrumados. — Esperava que você pudesse me ajudar.

— Não conseguiu escrever nada? – Neguei com a cabeça. — Mas tem alguma ideia da linha que quer seguir?

— Dessa vez quero apostar em um romance mais maduro, erótico igual, mas sensual na mesma medida. A proposta é introduzir a relação de sadomasoquismo que nunca escrevi antes.

— Perfeito, babe. O que mais precisa?

— As pesquisas dos livros passados foram muito tranquilas e em um mês, tinha tudo o que queria e metade do primeiro capítulo escrito. Agora, não acho as perguntas pra nada e sem elas toda essa relação se torna vaga, vazia sabe?

— Entendo. Talvez você devesse conversar com alguém, diretamente do ramo, uma submissa, por exemplo. Tem uma autora que está finalizando o trabalho gráfico e a temática dela já foi essa, hoje ela caiu nos encantos do romance sensual. – Abanou a mão no ar como se fizesse pouco caso. — Até faria o contato por você, mas não posso interferir em autoras do mesmo gênero sem a Adele. – Revirou os olhos, sorrindo doce em seguida. — Vou lhe passar o e-mail dela e vocês se acertam.

Quando disse que Gwen era a maior das minhas esperanças, eu estava certa. A mulher de cabelos crespos, sorriso doce e passos imponentes é um dos maiores cérebros dessa empresa. Tendo o endereço de e-mail em mãos e com esperança, algumas trocas deles daqui algumas horas e eu já poderia escrever com exatidão o que tanto planejei.

Troquei algumas mensagens com Selena, que me contava com detalhes a forma que a reunião com sua editora na noite passada se sucedera. Em seus áudios animados a loira dizia que a empresa queria investir mais em suas histórias, possibilitando uma trilogia escrita inteiramente por ela. Este era o sucesso que Selena merecia, e nitidamente alcançara.

Os áudios da minha melhor amiga se multiplicavam enquanto eu passeava pelos corredores do supermercado, ouvindo as duas garrafas de vinho tilintarem no cesto que eu carregava. Busquei os ingredientes de um jantar com massas como não fazia há um bom tempo, com direito a molho de tomates de receita de família e tudo.

Chegando em casa, sem muito o que fazer sabia que era cedo para começar o jantar, mas nada que uma música alta e as garrafas de vinho não remediassem. Na playlist uma grande mistura de hits atuais com os que abalaram minha infância e quando a primeira garrafa de vinho fez efeito, qualquer música parecia boa demais. Selena estava para chegar a qualquer momento para a comemoração do seu mais novo marco e as panelas ainda estavam vazias em cima do fogão, porque minha atenção estava voltada em remexer meu corpo da maneira que eu achava melhor, sem importar se fazia sentido.

A campainha tocou e eu soube que era ela, mas servi mais uma taça de vinho para recebê-la da melhor forma. Nossos sorrisos se abriram de orelha a orelha como se não nos víssemos há anos, porém eu poderia dizer com certeza que essa era a livre expressão da amizade que deu certo, onde uma fica igualmente feliz pela conquista da outra. Lhe ofereci a taça de vinho ao mesmo tempo que ela mostrou a garrafa da mesma bebida que tinha à tiracolo.

— Você não perde tempo, huh? – A loira tomou de minha mão a taça que lhe oferecera, dando uma golada conforme em passos largos ia até a cozinha.

Jogou sua bolsa no sofá e imediatamente tomou meu lugar, começando o jantar que enrolei tanto apenas para separar os ingredientes. A mulher era simplesmente perfeccionista em exatamente tudo que fazia. Retomou todos os detalhes da sua reunião com a editora tão alvoroçada quanto mais cedo, fazendo-me duvidar se a mistura de tudo que ela fazia na panela, daria realmente certo.

Quando ela terminou de contar todos os pontos que seu novo contrato implicava, um cheiro gostoso despontava das panelas fazendo o vinho se tornar um mero coadjuvante. Aproveitei da sua conversa que me dispersava o suficiente e mandei um e-mail para Layla Jenkins, a autora que Gwen indicara, sabendo que esta noite estaria dispersa o bastante para não ansiar sua resposta.

Gostaríamos de poder dizer que perdemos boas calorias dançando o resto da noite adentro ao som da música alta que continuava tocando, no entanto pouco conseguimos esperar assim que o jantar ficou pronto, ligando a TV na companhia dos nossos inseparáveis e eternos Friends. As taças pareciam não parar vazias, acompanhando as fofocas que não conseguíamos parar de trocar, contudo me enganei ao pensar que isso seria suficiente ao me impedir de atualizar e caixa de entrada do e-mail procurando por novidades, mesmo sabendo que a notificação avisaria.

— Mulher! O que tanto atualiza nesse celular? Se for Tinder, eu quero saber de absolutamente tudo! – Disparou rápida como uma metralhadora.

— Adele não me concedeu um novo prazo, mas Gwen me indicou uma autora que é do ramo, mandei e-mail e estou esperando resposta. – Expliquei talvez tão rápido quanto ela. — Estou ansiosa porque coloquei fé demais nesse livro, qualquer chance de conseguir começá-lo é válida.

— Não está errada. Vai dar certo! – Apertou minha mão, como se passasse a confiança que eu sabia que depositava em mim.

Dois episódios após, Selena estava completamente desmaiada no sofá, adormecendo ali mesmo e não a julgava, tinha sido um dia e tanto pra ela. A aconcheguei da melhor forma que pude, com travesseiros e cobertores, seguindo para o andar superior, não pensando duas vezes antes de cair de costas na minha cama, encarando o teto. Antes que pudesse me afundar em pensamentos cheios de culpa, o celular vibrou ao meu lado e o desbloqueei em tempo recorde, porque o e-mail de Layla acabara de chegar.

As palavras dela reverberavam na minha cabeça enquanto eu as lia, na honra de um e-mail enorme, a escritora dizia que decidira largar o gênero sexual de fato e que se sentia verdadeiramente livre com o gênero que abordara. Afirmava que não queria ser a influência que me prenderia nessa peculiaridade, porém entendia minha necessidade profissional de precisar seguir as pesquisar até que concluísse o livro.

Sabia que Layla havia mudado o rumo de suas histórias, no entanto isso nunca me ocorreu e esperava que não ocorresse tão cedo, estou muito bem como estou e não me arrependia de nenhum dos passos que dei pra concluir as obras anteriores, o que, automaticamente, me fazia discordar de boa parte do seu e-mail.

Ao final de tudo, a mesma me passou o contato de uma submissa, que a ajudou com os detalhes quando precisou. Ambas se tornaram grandes amigas e estariam num café no centro da cidade amanhã à tarde, caso eu quisesse encontrá-las para tirar as dúvidas. Ela pareceu ler meus pensamentos, agilidade era tudo o que eu precisava agora, como uma guerra contra o tempo.

A Coffee House London é a cafeteria intimista que encanta a todos que passam pelo coração de Londres, daquelas que fazem a gente tirar um livro da bolsa e começar a ler assim que passa pelas portas do estabelecimento. Cheguei mais cedo que do que combinamos entre os e-mails de Layla, justamente para fazer jus ao desejo de abrir meu próprio livro e sentir a serenidade que o local tinha por si só.

O amor pela literatura não foi o único motivo pelo qual me tornei escritora, mas sempre tive a imensa vontade saber que outrem poderia desfrutar da mesma sensação apaixonante e instigante que me consumia apenas por ler um par de parágrafos. Essa profissão foi certeira e me proporcionou cada minuto das intensas sensações que eu sempre sonhei.

? – Uma mão tocou gentil meu ombro, tirando-me dos meus devaneios. Céus! Deve ter algo na água desse lugar!

— Sim. Pois não?

— Sou Grace Jones, Layla deve ter me mencionado em seus e-mails. – Arriscou um tanto amuada.

— Claro! Por favor. – Indiquei a cadeira livre à minha frente, na pequena mesa que ocupei assim que cheguei. — Desculpe a indelicadeza, mas Layla…?

— Teve um imprevisto, se quiser podemos remarcar. – Adiantou-se e apenas assenti negativamente, mais energética do que pretendia. Apesar do nome tipicamente londrino, a mulher tinha estatura baixa e a olhos bem puxados, adoráveis, que quase se fechavam por completo. Os cabelos lisos eram pretos e cortados em um chanel assimétrico. — Peço perdão pelo atraso, a cidade é uma loucura, mas ainda estou pegando o ritmo.

— Não se preocupe, sequer o percebi. – Passei a mão pela capa do livro que lia anteriormente. — Você e Layla são amigas há muito tempo? – Puxei o primeiro assunto que me veio à cabeça para que a mulher se sentisse confortável até que recobrasse o fôlego.

— Desde o primeiro livro que ela lançou, cerca de oito anos atrás, então, sim! – Fez um sinal com a mão, chamando o garçom que se adiantou em anotar o pedido dela. — Ela me chamou pra que eu a ajudasse com os termos do sadomasoquismo, inclusive, é disso que precisa, não é?

— Sim, exatamente. Na verdade, eu fiz o caminho inverso ao dela, comecei com o romance e agora estou engatando no sadomasoquismo, como parte de um desafio pra inovar.

— E por que preferiu tirar suas dúvidas com uma submissa? – Bebericou de seu chá assim que chegou, encarando-me logo após.

— Porque gosto de dominar, estar por cima, então creio que parte do trabalho do dominador já esteja sendo feito por mim mesma.

— Acho que deveria ter começado justamente pelo outro lado. Diferente do que imagina, o sadomasoquismo não é sobre conhecer a outra pessoa, conhecer o corpo dela, mas conhecer a si mesmo antes de qualquer coisa. Boa parte do tabu da prática tem origem disso, por priorizar o desejo próprio relacionam apenas a alguém que amarra outra pessoa unicamente por prazer próprio. E é exatamente o contrário, são fases.

— Fases? – Estreitei meus olhos, tentando buscar em minha mente algo sobre.

— Sim. Primeiro você descobre ao que pertence, sem pressupor, mas partindo exatamente do ponto de vivência. Em seguida, você deve se sentir livre após vivenciar de ambas as experiências para aí sim, se questionar à qual pertence, de fato.

— É mais difícil do que pensei. – Murmurei mais para mim mesma do que para ela, que riu baixo deixando claro que escutara. Remexeu em sua bolsa, puxando uma agenda, de onde tirou um pequeno cartão, empurrando para mim.

… Wright? – Li o nome que tinha impresso, em letras pequenas e minimalistas.

— Talvez devesse tentar falar com ele. Espero ter ajudado. – Deixou algumas notas em cima da mesa, levantando-se para jogar a bolsa em seu ombro e sem me dar tempo de resposta, marchar em passos rápidos até a saída da cafeteria.

A forma que Grace saíra, não me respondera muitas coisas e atavam minhas mãos à não ser me abraçar nas esperanças de Wright, da forma que fizera anteriormente com Grace. Finalizando o café que pedira e esquecera por um tempo, saquei meu celular, mandando um e-mail semelhante ao que mandei para Layla, para .

Juntei minhas notas às de Grace em cima da mesa e deixei o local, sentindo uma garoa fina assim que coloquei os pés para fora, abraçando meus próprios braços. Atravessei a rua para que pegasse o táxi na direção de casa, sabendo que mesmo assim talvez não fosse tão fácil, já que o tempo começava a fechar na medida em que o horário de pico na Terra da Rainha também se aproximava. A garoa se intensificou para uma chuva que fez se tornar desnecessário o tempo que passei abraçando os braços. Sem sorte nenhuma a chuva começou se intensificar e corri para conseguir pegar o ônibus que começava virar a esquina, assim que parou no ponto, algumas pessoas entraram igualmente apressadas na minha frente e apenas dei uma nota para o motorista sem me importar com o troco que nem era muito. A catraca não rodou e quando me virei para questioná-lo o que houve, a nota retornara para a minha mão, em gritos de “Moedas! Aceito apenas moedas!”, me obrigando a dar meia volta e descer do ônibus. A chuva castigava ainda mais, com pingos grossos e incessantes, encharcando meus cabelos e minhas roupas com facilidade. Minha única saída era pedir um carro por aplicativo que era um grande roubo em dias chuvosos, horário de pico e no centro da cidade, que eram somados, tudo pelo que passava.
Os primeiros motoristas cancelavam assim que notavam que a viagem seria paga em dinheiro, me fazendo finalmente entender que os londrinos estavam mal acostumados demais! Apesar de ter conseguido me esconder embaixo de uma marquise, o vento soprava impiedoso me molhando da mesma forma e na tentativa de pedir outro carro, o preço triplicou. Xinguei durante todos os minutos em que o motorista demorou a me achar, recebendo olhares tortos em resposta.

Algumas gotas escorriam das pontas do meu cabelo até minha camiseta que estava tão encharcada quanto e o interior quentinho do carro, diminuiu os calafrios que começaram correr meu corpo inteiro. A viagem durou menos de dez minutos e custou, simplesmente, um número quatro vezes maior que sua duração. O choque da temperatura do interior do carro com a da tempestade do lado de fora, reverteu em espirros repetitivos até que conseguisse adentrar em casa. Puxava as roupas encharcadas até que as conseguisse tirar do corpo, andando em passos desajeitados até o banheiro, à procura de um banho em temperatura alta como sempre gostei.

Fiquei embaixo do chuveiro até que senti os nós dos dedos aquecerem por completo. Saí com uma toalha enrolada no cabelo, e um roupão felpudo que abraçava meu corpo, as pantufas esquentavam meus dedos enquanto procurava pelo pijama grosso que estava perdido por alguma prateleira entre as roupas.

Sequei os cabelos com secador, após vestida e devidamente aquecida, ainda sem conseguir driblar os espirros que deixaram a ponta do meu nariz vermelho. Tomei um par de antialérgicos que ajudariam com a garganta que estava irritada e talvez controlasse parte dos espirros.

Ouvia meu celular tocando ao fundo, porém me custava esticar os braços para procurá-lo e quando abri os olhos tentando entender o que acontecia, fui cegada por um raio de luz que atravessava as cortinas que não puxei na noite passada. Resmunguei levantando para atender o celular que vibrava incessante embaixo do meu travesseiro.

O que aconteceu? Você sumiu! – A voz de Selena soou esganiçada.

— Está tudo bem, tomei toda aquela chuva de ontem e depois do banho tomei uns antialérgicos que me derrubaram. – Demorei mais que o normal para formar a frase, para no final dela ouvir a risada solta da minha melhor amiga.

Você está um caco, ! – Gargalhou.

— É o que dizem: você não vai ter uma alergia se estiver em coma! – Ri de leve.

Tentei te ligar ontem à tarde. O que houve?

— Fui encontrar a autora que Gwen indicou, na verdade Layla teve um imprevisto, mas sua convidada apareceu e era uma submissa. Não conseguiu me tirar muitas dúvidas e deixou o contato de um dominador.

Já falou com ele?

— Mandei e-mail, bem parecido com o que mandei para Layla, na verdade.

O que ele disse? – Uma luz se acendeu em minha mente ao lembrar que esquecera completamente de conferir as notificações do celular, e lá estava ela: a notificação da caixa de entrada no e-mail. — ? – Murmurei algo para que soubesse que ainda estava na linha, enquanto repassa os olhos pelo e-mail curto do homem. “Lisonjeado em ajudar. Amanhã, Gordon Ramsay?”

— Nos encontraremos hoje, no restaurante Gordon Ramsay. Quando caí no sono sequer vi o e-mail dele chegar. – Bati a mão na testa, como se me arrependesse.

Acorde de uma vez e não suma. Me conte tudo depois, tudo bem? – Ri nasalado de sua repreensão e não nos demoramos nas despedidas, me dando a chance de responder o mais rápido possível à .

As horas voaram e quando me olhei o espelho, analisava a escolha das roupas, com uma calça jeans que não usava há tempos e que parecia um pouco mais justa, evidenciando as poucas curvas que tenho nas pernas. Um casaco grosso estava pendurado em meu braço, um guarda-chuva dentro da bolsa e uma bolsinha repleta de moedas me garantiam que o sufoco do dia anterior não se repetiria.

Apesar do carro estacionado na garagem, desde que sofrera um acidente de trânsito, poucas foram as vezes que o consegui manobrar de lá. Girei a chave do veículo entre os dedos, disposta a vencer o medo, aproveitando da vantagem que o percurso de hoje era um dos mais simples.

Apertava o volante entre meus dedos, vendo-os se tornarem esbranquiçados tamanho o esforço e respirei fundo, colocando uma música calma para driblar a tensão.

Consegui respirar mais calma quando desliguei o veículo no estacionamento do local marcado, agradecendo aos céus o perfeito trajeto que concluíra e aproveitando os minutos de sobra para me organizar.

A reserva da nossa mesa estava em nome do ‘senhor J. Wright’ o que não me surpreendia à soberania típica de um dominador. Uma água fora servida assim que me aconcheguei à mesa, agradecendo de imediato já que minha garganta estava seca desde que saí de casa.

Observei o ambiente tranquilo e aconchegante do restaurante que não fazia esforço para nos bem acomodar, simplesmente tinha um ambiente aprazível. Algumas risadas se tornaram mais próximas a mim e me virei levemente para encontrá-las. “É sempre um prazer revê-lo, senhor Wright.” um dos garçons expressou polido, indicando ao homem a direção de nossa mesa.

Os cabelos escuros do homem contrastavam com sua pele clara, e principalmente com seu par de olhos azuis. Sua alta estatura chamava a atenção, mas não mais que seus braços fortes presos naquela jaqueta de couro marrom que se repuxou quando esticou o braço para deslizar os dedos pelos cabelos perfeitamente arrumados, que caíam entre um fio ou outro afrente de seus olhos.

Seria mais difícil do que imaginei.

— Espero que não a tenha feito esperar. – Proferiu ao meu lado a voz aveludada e firme na mesma intensidade.

— A senhorita Green chegou há pouco. Vou deixá-los a sós. – O garçom que o cumprimentou na entrada logo se retirou, e eu me levantei para cumprimentá-lo da melhor forma possível.

Green? Autora best-seller de livros eróticos? – Arriscou sorridente, exibindo um sorriso de tirar o fôlego.

— Best-seller é gentileza sua! – Nos cumprimentamos rapidamente com pequenos beijos na lateral das bochechas. Aconchegamos à mesa, e logo a água fora servida para ele também.

— Há algo que queira pedir? – Abriu o cardápio, folheando rápido como se quisesse achar uma opção específica apenas para se certificar que ainda estava ali.

— Um ceviche, me parece ótimo. – Fechei o cardápio, retornando-o para sua posição inicial ao meu lado. — Ótima escolha de restaurante, devo dizer.

— Aconchegante, huh? Faz parte do meu trabalho. – Comentou casual, fechando cardápio e impondo um ar pomposo. Chamou o garçom com a destreza de um retraído aceno de mão. — Um ceviche para a moça e para mim, ravióli de vitela. Traga o melhor vinho suave que tiverem. – Finalizou preciso, dispensando-o e arrumando o guardanapo em seu colo.

— Agradeço, mas não vou provar do vinho. – Imitei seu gesto, arrumando meu guardanapo.

— Se quiser compreender como uma relação dominante e submissa acontece, deve entender que o dominante tem lá seu respaldo.

— Entendo o suficiente para lhe dizer que tomo as rédeas por completo. – Respondi à altura de sua prepotência.

, lhe observei desde que chegara, porque sim, cheguei antes de você, mas preferi me dar o luxo de observá-la. – Sorriu ladino. — Preciso dizer que as costas retesadas podem passar uma ótima impressão de plenamente decidida para um leigo, mas seus olhos que estudavam todo o lugar, me disseram que é sim decidida. Só não o suficiente para mergulhar de cabeça, precisa estudar tudo o que quer com cautela antes.

— Você é muito convencido para quem pode se orgulhar apenas de ter se adiantado no horário marcado.

— Sei mais do que isso. – Buscou por minha mão em cima da mesa, cobrindo com a sua. O calor do toque sutil do homem percorreu minhas veias, fazendo-me precisar apertar as coxas como impulso para que o cérebro voltasse a funcionar. Era ridículo! — Sei que está furiosa com minha autoridade, e posso ver a raiva em seus olhos. Sei que está apertando as coxas para manter a pose que gosta, e sei que tudo piorou agora. – Apertou minha mão com certa força, obrigando meu coração a bombear sangue em sua velocidade máxima instantaneamente. — O vinho chegou, pode ajudar a se acalmar. – Sussurrou sombrio, até que o único som entre nós era do líquido sendo servido nas taças.

— O que lhe faz pensar que está certo, ?

— Não é sobre estar certo, é sobre observar.

— É só o que sabe dizer sobre a colisão de dois dominadores? – Arqueei a sobrancelha, um tanto irônica.

— Você é nitidamente a outra metade que preciso para o jogo funcionar, . – Levantou sua taça, brindando à minha que permaneceu na mesa.

— O que quer dizer com isso?

— Você quer entender intimamente a relação no sadomasoquismo, não é? – Assenti. — Então lhe tenho uma proposta.

— Mal posso esperar para ouvi-la. – Como ele, levantei a taça brindando à sua, bebericando da bebida leve e adocicada.

— Se submeta a mim.

— Entenda que deve ser o contrário, senhor Wright.

— Vejo que gosta de desafios. – Deu um longo gole em seu vinho. — Então aumento a proposta: submeta-se a mim, e podemos inverter os postos se necessário.

— Não tenho o que temer. – Lhe ofereci um aperto de mãos, para selar o acordo.

— Então deveria saber que os melhores acordos são selados com um beijo, senhorita Green. – Uniu sua mão a minha, correspondendo o que lhe oferecera, mas mantendo o contato das mãos unidas. Levantou-se vagarosamente, em direção ao meu rosto, até que seu movimento espalhasse do seu perfume de um amadeirado comedido. Fechei meus olhos, inspirando o cheiro do homem e custando a entender que precisava admitir que aguardava pelo beijo. — Só não ainda, senhorita Green. Precisamos saber se isso dará certo.

Pigarreei, sentindo-me o cúmulo da ridícula por ter caído aos encantados de sua boca tão próxima. Os pratos foram servidos assim que ele retomou seu lugar, junto de seu maldito sorriso ladino que lhe dava a superioridade que adorava ostentar.

Durante o jantar, falou sobre seu gosto para filmes e livros, confessando no meio tempo que antes do encontro, lera sobre mim na internet e que entendera melhor a nova trajetória que queria seguir a partir deste livro. Precisei confessar que as práticas exclusivas do sadomasoquismo, boa parte, eram novidade e que não foram todas que provei entre quatro paredes. Me causavam maiores ondas de prazer saber do que era capaz de fazer, ao invés de senti-las em minha pele propriamente e em com seu tom cômico habitual, garantia que sentia desta forma porque não fora dominada adequadamente.

— Se estiver pronta pra começar isso, lhe mandarei e-mail durante a semana e nos encontraremos.

— Espero que esteja pronto pra isso, . – Encarei-o insinuativa, até finalmente brindarmos igualmente, deixando a garrafa vazia de lado.

— Não tenho o que temer. – Repetiu a frase que proferi mais cedo, levando a taça até sua boca perfeitamente desenhada e agora um pouco mais rosada graças à bebida. — Te levarei até em casa.

— Não é preciso, não estou longe. – Seu maxilar travou automaticamente e seus olhos azuis se tornaram enigmáticos.

— Faz parte do acordo, . – Fez sinal com a mão, talvez pedindo a conta.

Me corroía profundamente em boa parte do tempo ter de ouvir ordens que não poderia refutar, a maneira de driblar as respostas que me vinham na ponta da língua era encarar as veias evidentes de sua mão quando enlaçou à minha mais uma vez, enquanto atravessávamos o estacionamento até o meu carro. No veículo, minha playlist começara a tocar e If I Ain’t Got You da Alicia Keys soar em versão acústica, obrigando-me cantarolar a música que era uma grande paixão. Não sabia dizer se foi à companhia que me deixou à vontade ou a música que era uma das minhas preferidas e fez o tempo voar, mas em pouco tempo já estacionávamos na garagem de casa, sendo o primeiro a sair do veículo.

— Quer entrar? – Percebi meus lábios proferirem, sem ter poder algum sobre eles.

— Sua casa é linda, parabéns! – A encarou de cima à baixo. — Mas hoje não, obrigado. – Assenti levemente com a cabeça, contornando a frente do carro para parar em sua frente. — Não esqueça: lhe mandarei e-mails. – Retesou sua postura, fazendo com que toda a sua força e altura se tornassem um pouco intimidadoras.

Não o respondi, apenas permiti que um sorriso pendesse em meus lábios, esticando a mão, aguardando pelas chaves do carro. Girou as chaves pela última vez em seus dedos, devolvendo-as, vagarosamente, para a palma da minha mão.

— Então estarei aguardando por seus e-mails, senhor Wright. – Proferi pausadamente, encarando as írises claras do homem, que ao ar livre, no pouco claro que ainda restava do dia, se assemelhavam ainda mais à intensidade de algum mar caribenho.

— Não me chame assim.

— Por que não?

— Porque eu te direi quando for a hora certa. – Sua mão tomou minha cintura de forma rápida e não contestei. Queria me convencer que fazia parte do acordo, mas no fundo, sabia que queria usufruir da curiosidade que tinha sobre seu toque. — Não hesitou. É um ótimo começo! Muito bem, . – Ajustou a posição de sua mão em minha cintura, aproximando-nos um pouco mais. — Preste atenção nos comandos e será recompensada. – Aproximou-se mais, de forma que sentia sua respiração bater suave em minha bochecha, os singulares detalhes na cor de suas írises já eram suficientes para me bambear as pernas. — Seja obediente. – Soprou sob meus lábios, afrouxando seu braço forte que me enlaçava, não sem antes deixar um beijo no canto dos meus lábios.

Adentrei a casa no segundo que o vi virar as costas, respirando fundo pela primeira vez nos últimos minutos, quiçá horas. Sua mão forte ainda parecia segurar minha cintura, pois sentia exatamente a temperatura alta de seus dedos em mim. Não percebi quando que a temperatura na cidade subira tão drasticamente e corri escadas acima, me livrando as blusas de manga comprida que me cobriam, chutando para o lado a calça jeans também.

Como de costume, caí de costas na cama, encarando o teto e dessa vez, diferente dos últimos dias, tendo como pauta principal dos meus pensamentos repetitivos. Me livrei do sutiã, que me apertava mais do que o habitual, permanecendo na mesma posição até que sentisse parte do calor se esvair.

Levantei-me para buscar por um vestido ou camisola leve que não piorasse as sensações calorentas que corriam sob minha pele, parando na frente do espelho antes que o pudesse fazê-lo. Observei a pele um tom mais pálido do que estava acostumada, um corpo de poucas curvas atléticas das quais poderia me orgulhar, comparado as poucas idas à academia. Passei uma mão sob meu braço, deslizando por toda extensão até que chegasse à barriga, onde a toquei com ambas as mãos. As subi até os seios, me demorando na região, desenhando-os com as pontas dos dedos, até que os envolvi por completo. Apertei-os como gostava que fizessem, sentindo os mamilos se enrijecerem com o pouco toque, desviando toda minha atenção a eles. Levei dois dedos à boca, umedecendo-os para que estimulasse as auréolas em movimentos circulares, que responderam à sensibilidade do toque assim que o fiz, resultando em uma arfada alta que saíra de minha boca.

Deitei-me na cama novamente, fechando os olhos ao me lembrar daquele par de olhos fumegantes, sentindo a pele formigar apenas com a lembrança. O que firme em minha cintura, as frases enigmáticas… Ah, … Isso pode demorar um pouco.

Desci uma das mãos que apertava os seios, deixando que apenas uma fizesse esse trabalho, descendo-a aos poucos, de forma que uma ansiedade me tomou inteiramente quando dedilhei abaixo do ventre. Distanciei as pernas, tirando a única peça de roupa que ainda me cobria, arqueando as costas assim que pude tocar livremente a pele sensível que estava coberta.

Explorei os grandes lábios, até sentir a líquido lubrificar a intimidade, tornando ainda mais sensíveis os carinhos. Dedilhei até o clitóris, lubrificando-o igualmente e iniciando singelos movimentos circulares. Mordi o lábio inferior contendo o gemido que queria escapar após tão pouco contato.

Era impossível não imaginar os toques de no lugar dos meus. Sua boca rosada desenhando todas as curvas do meu corpo, as mãos famintas deslizando minha pele, deixando rastros de fogo conforme me tocava, sua voz arrastada que era um orgasmo por si só.

Intensifiquei a velocidade da masturbação, apertando o seio com a mão livre semelhante a força com que o imaginava fazer, sentindo uma sensação peculiar formar-se em meu ventre. Soltei os gemidos que me esforçava para reprimir e minhas pernas tremeram um pouco, espalhando a turbulência do orgasmo que atingi. Diminuí gradativamente os movimentos, a fim de normalizar a respiração que acelerara igualmente.

Apesar do recém orgasmo, não me sentia satisfeita como esperava estar. Levantei-me rápido, abrindo a última das gavetas da cômoda, buscando por três vibradores, um deles que sequer havia usado e estava na embalagem desde o dia da compra, mas que estava pronto para me dar as melhores das suas vibrações durante esta noite que será longa.

Ao tentar puxar o fio do carregador do notebook, derrubei uma das pilhas de livros que estava na mesa de centro da sala, enquanto anotava tudo o que achava necessário sobre escravidão sexual e a forma como isso excitava, principalmente, porque excitava. Fetiches cheios de dor, o jogo de poder, ler o corpo do outro… Tudo era ferramenta para um bom jogo de sadomasoquismo.

Dividi as pesquisas em partes e as estudava separadamente até que esperasse o contato de , que pareceu uma eternidade, no meio dos sete dias que demorou. Não soube dizer no que lhe interessava a forma como passara esses últimos dias, mas ele quis saber e quando lhe respondi que foram “bons”, uma notificação rapidamente apareceu na minha caixa de entrada e era ele, perguntando, ou melhor, exigindo detalhadamente a forma como os últimos dias teriam sido. Claro, as masturbações com seu nome foram amplamente apagadas de meus relatos, e o homem prendeu sua atenção às pesquisas que eu fizera, fazendo perguntas que se proferidas pessoalmente, me faria corar sem pestanejar.

O último e-mail que recebera aquela noite fora com as instruções que tanto ansiei desde que o conhecera: o que faria no dia seguinte, para que nos encontrássemos no Torture Garden. “Durma bem” foram suas últimas palavras no extenso e-mail.

As roupas totalmente pretas formavam uma combinação pouco usual pra mim, que preferia cores mais claras, mas enquanto o táxi cruzava a cidade, percebi que era algo que poderia me acostumar facilmente. fora explícito em seu e-mail sobre a vestimenta de cor única e a saia preta até o meio das coxas me agradavam, não podia negar, já que o cropped simples era justo e deixava meus seios fartos. Não se especificou a lingerie e vesti uma inteiramente branca, porque queria vê-lo me desejar como o desejei durante todo este tempo.

Repassava em minha mente, as instruções sobre as palavras de segurança: Amarelo era atenção para algo mínimo que acontecesse, como beber água, diminuir a velocidade, alguns segundos para recobrar a respiração ou se me assustar com algo. Vermelho, era para que parasse imediatamente, se estiver amarrada tudo será desatado, se ainda mais urgente, as amarras poderão ser cortadas. Adicionou em negrito os dizeres claros que não jogava deste jogo sem nenhum contato sexual, o que fez minhas pernas apertarem entre si vividamente como quando nos conhecemos.

Alguns pingos grossos de chuva começavam a cair e fechei imediatamente o vidro do táxi, quando o motorista me alertou sobre estarmos próximos ao destino final. Em meio às exigências de vestimenta, não me atentei que deveria ter trazido um sobretudo a tiracolo, porém mais a frente eu o vi. Postura ereta, vestido em roupas negras como eu, uma mão no bolso dianteiro de sua calça enquanto a outra segurava um guarda-chuva. Atravessou a rua, abrindo a porta para que eu saísse, tirando uma nota alta para pagar o motorista e mergulhando a mão em minha cintura, conduzindo-me um tanto quanto protetor.

— Está linda, . – Sorriu abertamente, ainda que sua voz tenha soado um pouco abafada pela chuva que se intensificara. Tentei elogiá-lo da mesma maneira, no entanto as palavras sumiram da minha mente e apenas lhe sorri de volta.

O clube ficava em um grande prédio, pintado apenas de cores escuras e de porta de um vermelho vivo.

— Não fique nervosa, apenas lembre-se que vou respeitá-la acima de qualquer coisa. – Encarou-me atencioso, assentindo para o porteiro que autorizou nossa entrada antes que pudesse respondê-lo.

Seguimos por um corredor de luzes fracas durante poucos segundos, até que meus olhos se acostumaram por completo com a iluminação ao poder observar o salão por completo. As paredes eram igualmente de cores escuras e revezavam-se entre roxo, grafite e marsala fundindo-se com as sombras das pessoas ali, mesmo que não visse nitidamente o que faziam. Havia quem estivesse sozinho, em dupla, trio ou em maiores grupos, as vestimentas de couro brilhavam sempre que um globo de luz discreto iluminava sobre elas, espartilhos diversos e coleiras mais diversas ainda, couro ou metal marcando as peles nuas.

Tinham sofás espalhados por todo o local, estes, próprios para espancamento e sendo muito bem ocupados por quem quer que estivesse inclinado ali. Um enorme X feito de madeira estava solitário em uma das paredes e me arrepiou apenas de olhá-lo, sentindo corpo imenso de ao meu lado.

se adiantou parando diante de mim, estudando minhas expressões durante poucos segundos, sorrindo ladino. Nada disse, apenas se sentou em um dos sofás e engoli em seco, antes de me aproximar, sentando ao seu lado.

— Se quiser, podemos adiar os planos ou simplesmente cancelá-los, mas enquanto aqui quero que entenda que assim que passarmos daquela porta, você não vai falar mais nada. Não sem que eu pergunte, mande ou que seja de extrema importância como as palavras de segurança. Estar assustada não é motivo suficiente.

Olhei em volta, sentindo um frio na barriga como insegurança. O ouvi murmurar algumas coisas que não dei muita importância, tendo a atenção presa á mulher mais a nossa frente: completamente nua, inclinada sob um sofá igual ao que estávamos, os cabelos longos dela cobriam quase que completamente seu rosto de feições delicadas, fazendo com que o homem atrás de si os afastasse, depositando um beijo terno em seus lábios, sorrindo abertamente antes de começar distribuir tapas estalados nas nádegas dela, tornando-as rosadas.

Mais uma vez, minhas coxas roçaram entre si e senti que o receio de pouco tempo atrás não existia mais, porque era aquilo que eu queria.

— Podemos… Começar? – Hesitei nas escolhas de palavras, temendo soar boba.

— Lembre-se: estará livre pra parar a hora que bem entender, olhando dessa forma, é você quem manda. – Piscou maroto, levantando-se para esticar a mão, cavalheiro.

Atravessamos mais um corredor de luzes igualmente fracas, parando de frente para uma porta entreaberta, que a puxou por completo para que eu adentrasse o cômodo. Permaneceu calado e de feição compenetrada, indo em direção a uma maleta preta que não percebi ali, abrindo-a e revelando uma diversidade de instrumentos de sadomasoquismo e escravidão.

— Quer escolher algum, ? – Proferiu sem me olhar, com a voz sombria.

— Não sei.

— Não se preocupe, eu sei. Apenas tire suas roupas. – Travei, recebendo seu olhar sobre mim que parece me despir em segundos enquanto abria um sorriso. — Não achou que jogaria vestida, não é?

Não estava surpresa, só um pouco chocada com a naturalidade que ele conduzia as coisas. cruzou os braços, observando-me descer o zíper da saia lentamente, deixei que deslizasse por minhas pernas, não demorando para puxar a cropped, ouvindo seus passos que agora me rodeavam, atento, como um predador que observava sua presa. De certa forma éramos predador e presa. Não tenho do que reclamar.

Deixei as roupas no chão da mesma forma que as tirei, sem mais ouvir seus passos. Voltou para o meu campo de visão, agachando-se e tomando meu sutiã entre suas grandes mãos, cheirando-o intensamente, cravando suas írises azuis em mim.

— Fique exatamente onde está. – Juntou minhas roupas, pendurando-as em quase imperceptíveis ganchos ao lado da porta, virando-se para mim logo após. — Venha aqui. – Dei dois passos largos, porém hesitantes, parando a sua frente. Em um movimento rápido, puxou-me pela cintura, arrancando uma arfada involuntária. — Não hesite. Confie em mim e diga o que estou dizendo.

— Tudo bem.

— Quero que diga. – Soprou sobre meus lábios.

— Confio em você, e farei tudo o que pedir.

Sua mão não afrouxou em minha cintura até me puxar para seu colo quando se sentou em uma poltrona imponente.

— Feche os olhos e respire fundo, calmamente. Sinta minhas mãos em você. – A mão que estava na cintura, agora passeava livre pelas costas e a outra, em movimentos leves e circulares em uma das coxas. — Muito bem, mantenha-se concentrada. – Continuou os carinhos, subindo uma mão até minha barriga, onde arranhou suavemente com suas curtas unhas, inundando a outra em meus cabelos. Puxou-me para mais perto, fazendo possível sentir o hálito quente dele contra meus lábios. beijou apenas o lábio inferior, carinhoso e sem pressa, parando para observar minha boca que estava entreaberta. Beijou ambos os cantos da minha boca, desenhando o lábio superior com sua língua quente, beijando-me de uma vez.

Não consegui corresponder o beijo lento por muito tempo, até porque não o mantemos desta forma, alguns suspiros escaparam no meio do beijo no meio tempo em que nos devorávamos, sabendo que erámos capaz de muito mais.

A proximidade permitiu que meus mamilos se esmagassem contra seu peitoral, ainda vestido, sentindo os lábios formigarem um pouco quando puxou minha cabeça para trás através dos dedos perdidos em meus cabelos. Apenas ouviam-se as respirações ofegantes e intensificou o aperto nos cabelos.

— Quieta. – Suspirou audível. — Boa menina.

Desceu a mão livre até meu ventre e abri as pernas, involuntariamente, sentindo-o me tocar e molhar seus dedos em minha vagina, ameaçando me penetrar com um dedo. Arfei, mas nada disse, apreciei a dança do seu dedo deslizando gentil em mim, até colidir com a dor do beliscão que deu em meu clitóris. Um gemido agudo quis rasgar minha garganta, mas o contive da melhor forma que pude, sem fraquejar.

— Me acompanhe. – Levantou-se, tomando minha mão com a sua, andando até a cama na outra extremidade do cômodo. — Agora, eu vou realmente te bater, . Você quer isso?

— Sim. Eu quero.

— Muito bem. Mantenha a respiração calma, como lhe ensinei antes. – A mão que me conduziu, indicou-me a beirada da cama. — Quero que se empine para mim. – O obedeci, sem delongas, sentindo sua mão que me dera um tapa estralado, me assustando, mas desfrutando da ardência que permanecera.

Me concentrei no calor de sua mão forte em mim quando me bateu mais uma vez, e outra e outra, quase que embalando o ritmo da música que soava do lado de fora. O calor se espalhou por todo o meu corpo, obrigando-me a morder o lábio inferior para conter alguns gemidos, para não gritar a cada palmada. Era como estar presa a ele e todas as sensações que poderia me oferecer, o prazer cada vez mais rigoroso, ardendo em desejo.

— Jas… . – Disse em voz entrecortada, da melhor maneira de pude.

— Diga. – Ele interrompeu as palmadas, atentando-se ao que dizia.

— Eu preciso gozar. – Ouvi sua risada soar alta e suja pelo cômodo quando um tapa esquentou minhas nádegas novamente, repetindo-se algumas vezes. — . Por favor.

Ele deu uma risadinha fraca, antes de se posicionar atrás de mim, aproveitando minha posição, facilmente deslizando o polegar desde meu ânus até o clitóris, aproveitando do quão molhada estava para lubrificar toda a região. Senti o peso de seu corpo se curvar sobre mim e um beijo delicado ser depositado em um dos ombros, até me penetrar sem aviso prévio com dois dedos. O gemido soou alto, assim como os gemidos seguintes, enquanto o sentia entrar e sair de mim inúmeras vezes. Um tapa queimou em minha bunda, mas logo se transformou em autêntico prazer. As palmadas se repetiram ao mesmo tempo em que seus dedos não cessaram os movimentos, revezando-os com a masturbação no clitóris. Céus! Eu estava tão perto.

— Goze, . – Proferiu rouco e sujo rente ao meu ouvido. O clímax se aproximou e senti meus quadris pulsarem. Pulsarem nas mãos de , me fazendo gozar até que minhas pernas se amolecessem sem aguentar o peso do corpo. Me sentia exausta, com alguns tremores pelo corpo, mas completamente satisfeita. Estava mole, queria apenas dormir, porém as mãos de começaram a me puxar. — , olhe para mim. – Queria obedecê-lo, entendendo que muita coisa poderia acontecer quando o fazia e com muito esforço o encarei. — Foi excelente. Muito bem.

Sem controle de muita coisa por ali, senti meu corpo inteiro tremer e inda com as mãos dele em mim, o senti me segurar com mais força.

— Está com frio?

— Sim. – Descansou gentilmente minha cabeça na curva de seu ombro, esticando-se para me cobrir com um cobertor que não me interessava de onde havia tirado. — O que está acontecendo comigo?

— Sobrecarga de adrenalina, talvez endorfinas. Vai passar, não se preocupe, até mesmo submissas experientes passam por isso.

— Quase não sinto meu corpo.

— Vou ficar aqui com você. Tente normalizar a respiração. – Segurou-me suavemente entre seus braços, afagando meus cabelos. — Já fez ioga? – Assenti. — Faça a mesma coisa agora, concentre-se na respiração. Estarei aqui.

Algumas das sensações aprendi a me acostumar após poucas semanas a partir dali, enquanto os encontros nas paredes do Torture Garden continuavam à acontecer e consequentemente, as páginas do livro começarem a surgir com sensações que me arrepiam apenas com a lembrança.

Não precisei usar as palavras de segurança em nenhum momento e a forma como me conduzia era intimidante, porque fazia parecer que me conhecia há anos e conhecia notoriamente cada centímetro do meu corpo, me permitindo sentir coisas que sequer sonhei vivenciá-las.

Assim que pude pisar os pés na Editora mais uma vez, fora com longos e verídicos capítulos escritos, arrancando elogios à cada palavra digitada e inflando o ego que não sentia pomposo desta forma há tempos.

sabia que meu prazo estava há pouco de se expirar e os encontros se tornaram menos frequentes, restando-me seus e-mails pouco frequentes que logo foram substituídos pelas mensagens de celular e ligações quase que diárias. Alguns jantares começaram a ocorrer com mais frequência e os chás da tarde, eventualmente.

Sua companhia me agradava muitíssimo e me confortava saber que independia de ser entre quatro paredes. era um tremendo cavalheiro que não media esforços para agradar, ainda que o mesmo tivesse a plena certeza de que não carecia de muito para fazê-lo até porque, essa certeza fora relatada por minha própria voz que não conseguia controlá-la quando me sentia ser analisada por par de olhos tão intensos.

Estava nos últimos ajustes até que o livro fosse, finalmente e, de fato, publicado, precisando abdicar dos encontros, que quando conversado com , pareceu compreender sublimemente, nos tornando reféns dos e-mails engraçadinhos que passou a escrever, mensagens escassas e ligações quase nulas.

Um novo e-mail na caixa de entrada do e-mail em chamou a atenção instantemente, quase me fazendo esquecer que conversava com Selena ao telefone enquanto tentava abri-lo o mais rápido possível, mas o notebook pareceu ler minha ansiedade, demorando séculos até que atualizasse a página.

Daqui duas semanas.

Era a data exata do lançamento do livro e era sobre isso o e-mail que chegara, causando uma espécie de decepção, com ansiedade. Ambos em conflito. Sentia falta de presente por todos os cantos e isso fazia da estreia do livro, parecer pouca coisa, já que ele teve papel fundamental nas vírgulas digitadas na obra. Na última mensagem que lhe enviei, o havia convidado para o lançamento do novo livro, até então sem data definida, mas fui escancaradamente ignorada, me restando encarar os peques “checks” azuis no canto inferior direito da mensagem.

Não sabia o que tinha acontecido, se os encontros no Torture Garden continuariam ou se declarava guerra perdida aos e-mails que também não respondia, sem motivo aparente.

Revirei a agenda com as anotações iniciais do livro, do tempo em que ainda estava com o terrível bloqueio criativo. O cartão que Grace Jones me dera para o primeiro contato com , era ele que eu estava procurando. Nele havia todos os contatos dele, incluindo seu endereço.

Estacionei em frente à uma simpática casa, espaçosa e de cores claras, quase com um ar familiar. O jardim era de um verde vivo e perfeitamente bem cuidado, com um caminho demarcado por pedras até a porta. Respirei fundo, com o costume que o home implantara em mim sobre concentrar na respiração, seguindo o caminho das pedras e tocando a campainha. Enquanto aguardava, não ouvi nada, nem passos, nem vozes, apenas minha própria respiração acelerada que se descompensou de um segundo para outro. Levantei a mão para tocar mais uma vez, insistindo, mas fui brecada por seus olhos claros como um mar tropical, agora estáticos em mim, impossibilitando de formar qualquer frase coerente.

. – Proferiu baixo, divido entre surpreso e frustrado.

. – Pigarrei, tentando soar mais firme que ele. Oras! Isso ele não poderia dominar!

— Aconteceu alguma coisa? – Cruzou os braços, aguardando por minha resposta, e a regata branca que vestia exibia seus músculos saltados e céus! Estava ainda mais difícil se concentrar.

— Acho que devo lhe perguntar o mesmo.

— E por que o faria?

— Porque… Cacete! O que pensa que está fazendo? – Coloquei as mãos na cintura, sem realmente esperar por uma resposta sua. — Devo dizer que não pode simplesmente sumir, senhor Wright!

— Preferi lhe dar o espaço necessário para que lidasse com o livro propriamente sem que precisasse viver de me dar satisfações! – Respondeu em um tom de obviedade que nunca o ouvira em sua voz.

— Você foi parte essencial de tudo que há naquele livro. Vim lhe entregar o convite do jantar de encerramento da Trilogia. – O vi hesitar, isso mesmo, Wright hesitar ao encarar o envelope que esticara em sua direção.

— Desculpe. Não posso. – Confessou pesaroso, sem nem mesmo me olhar, como se se distraísse com minha mão que continuava na mesma posição.

— Não consigo acreditar no que se tornou, . – Recolhi minha mão, entendendo que era perda de tempo insistir ali, guardando o envelope na bolsa pendurada no meu ombro, virando-me para fazer o caminho das pedras de volta.

— Eu confundi as coisas, . – Falou alto, para ter certeza que ouvi quando estava pronta para adentrar o carro, rápido como quem conta um segredo.

— Não entendi.

— Isso… Nós. Deveria ser estritamente profissional e preciso reconhecer que não sei ainda consigo reprimir tudo que acontece.

, eu…

, não sei mais como é passar um dia sequer, sem esperar ansiosamente por qualquer mensagem sua, qualquer migalha que venha de você. – Se aproximou, em passos lentos. — Isso está me enlouquecendo. Ter você longe estava para me matar por completo. – Puxou gentilmente minha mão que descansava ao lado do corpo. — E se me permitir, gostaria de beijá-la sem ordenar que faça nada em seguida.

— E se me permitir, eu gostaria de beijá-lo primeiro. – Não contive o sorriso e nenhuma das sensações que me contiveram, nem mesmo as borboletas no estômago que sequer havia sentido alguma vez na vida.

O causador das borboletas serelepes em meu estômago era Wright, e só queria voar livres sabendo que eram verdadeiramente correspondidas.

When he moves in, I cave in

(Quando ele se move, eu desmorono)

Want him to dive in my ocean

(Quero que ele mergulhe no meu oceano)

We take off our labels on the coffee table

(Tiramos nossos rótulos na mesa de café)

2am and we just begun

(2 da manhã e nós apenas começamos)

Nota da Autora: Hello, hello! ;D Vocês estão bem? Espero que sim, porque eu estou ótima e grande parte desse entusiasmo é por conta desse casal que, preciso confessar, eu mesma duvidei que se tornariam um verdadeiro casal! HAHAHAHAHA Romântica incurável que sou, não conseguiria dormir em paz sabendo que não selei o amor desses dois e cá estamos: submissas e satisfeitas. Sei que o tema é um pouco incomum, mas me afundei em pesquisas e espero do fundo do meu coração, que gostem.

XOXO, ♥