Não Feche os Olhos

Não Feche os Olhos

Sinopse: A cena do fogo queimando o carro da família era algo que Paris Melfor nunca iria esquecer e, acompanhado da tragédia, conhecer um cara misterioso e atraente no mesmo dia contribuiu para que sua vida virasse de cabeça pra baixo. O encanto com o rapaz estremeceu quando soube que ele tinha um contato íntimo com a sua irmã distante. Não estava sendo fácil manter o controle, focar nos seus objetivos e resistir à tentação. Entretanto, tudo piorou com o surgimento de um novo fato: a possibilidade dele ter participado do assassinato de seus pais.
Entre perseguições, mortes e ameaças, a detetive precisará lidar com os conflitos do coração e contar com a ajuda de quem ela menos esperava. Afinal, ela tinha um objetivo: prender os malditos criminosos.
Gênero: Suspense Policial, Romance
Classificação: +18
Restrição: Palavras de baixo calão, insinuação de sexo, violência, tortura, distúrbios emocionais, tentativa de suicídio
Beta: Natasha Romanoff

Capítulos:

Epígrafe

As chamas do fogo reluziam diante dos meus olhos. O fogo queimava o carro brutalmente. Os meus olhos, que diante do sol eram verdes, naquele momento, provavelmente estavam vermelhos. Meus olhos brilhavam. O vermelho consumia as minhas íris, como se saíssem fogo dos meus olhos.

Meu queixo tremia. Minhas pernas tremiam. Minhas mãos tremiam. Meu corpo inteiro tremia.

As lágrimas escorriam lentamente pelo o meu rosto, deixando rastros nas minhas bochechas. A cena em minha frente era cruel. Algo despertou dentro de mim. A arma estava em minha cintura. Meus pais sempre saíam armados de casa e me obrigavam a fazer o mesmo. Nunca sabiam os próximos passos, o futuro incerto que tinham dentro da agência secreta.

O fogo aumentava a cada segundo. Eu me sentia impotente, fraca, vulnerável e sem estrutura emocional para lidar com o luto. Com o futuro que teria no mundo, sozinha. A ideia de pegar a arma era tentadora. Eu não conseguia pensar racionalmente e nem queria. A minha vida mudaria a partir daquele momento. E para pior. Eu ficaria sozinha para sempre.

Meu coração batia num ritmo assustador. Como se fosse sair da minha boca a qualquer momento. Fixei os olhos embaçados pelas lágrimas para a arma em minhas mãos.

Sem pensar duas vezes, coloquei-a dentro da boca. Um soluço alto escapou do fundo da minha garganta. Entretanto, no exato momento em que eu apertaria o gatilho, o som de vidros sendo quebrados e o grito rouco de um homem me distraiu completamente. Meus olhos se arregalaram assim que a imagem de um homem forte e másculo, totalmente esticado nas flores do jardim, surgiu no meu campo de visão. Eles saltaram ainda mais ao notar a nudez do rapaz.

Prólogo

ATENÇÃO: GATILHO

Se você tem pensamentos suicidas, este capítulo não é recomendado.

E CENAS DE ESPANCAMENTO E MORTE.

Se você é uma pessoa sensível, repense se quer ler.

“E ninguém nunca diz até logo a menos que queira ver a pessoa novamente” – Tartarugas até lá embaixo (John Green).

Eu olhei para os lados, assustada. O homem pulara de uma casa de 2 andares. A rua estava silenciosa e escura. Ponderei por um momento sobre o que fazer.

Entretanto, o rapaz fora mais rápido do que eu. Ele levantou-se da grama, gemendo de dor. Seus olhos esquadrilharam o meu rosto, logo ele notou a arma em minha mão e as lágrimas que caíam deliberadamente pelo meu rosto.

Imediatamente, ele correu em minha direção.

– Ei, solte essa arma, por favor – pediu ele, desesperado.

Eu não reagi. Fiquei petrificada enquanto o olhava.

– Não faça isso, não vale a pena. – O homem aproximou-se, hesitante, com as mãos no meio das pernas.

No mesmo instante, mirei a arma em sua direção.

– Ei, ei, eu só quero ajudar. Por favor, não atire.

As minhas mãos tremiam. O clima ficou tenso, de repente.

– Me deixe sozinha – manifestei a minha primeira frase depois do que eu acabara de assistir.

Eu abaixei a minha mão, tirando a arma da mira do rapaz. Ele respirou aliviado, em seguida negou com a cabeça.

– Eu não sei o que aconteceu, muito menos o motivo que a levou a fazer isso. Mas eu te garanto que suicídio não é uma boa ideia.

– Não pedi sua opinião – respondi, friamente. As lágrimas voltaram a cair incontrolavelmente. – Eu perdi tudo. Eu não posso continuar viva.

O rapaz não respondeu, apenas continuou me encarando. Ele esperou o meu choro cessar e disse:

– Sabe qual é a pior atitude do ser humano? – questionou. Não esperou uma resposta e continuou. – É quando ele pensa em desistir de si mesmo.

Eu desmoronei. Um soluço alto escapou do fundo da minha garganta. Virei-me de costas, envergonhada.

O rapaz aproveitou do meu momento de distração e aproximou-se, tirando a arma da minha mão.

Eu não reagi.

Ele suspirou aliviado e jogou a arma em qualquer direção. Caminhou em minha direção e me abraçou fortemente. Eu retribui na mesma intensidade.

Nós ficamos juntos por alguns minutos, até o meu choro parar e a minha respiração voltar ao normal.

Afastei-me lentamente. Meus olhos caíram para a parte íntima do rapaz, fazendo o meu rosto esquentar e o garoto gargalhar, nem um pouco envergonhado.

– Desculpe – disse, tampando a parte de baixo com as mãos.

Neguei com a cabeça e dei um passo para trás.

– Você tá bem? – perguntou o rapaz.

– Não – confessei, e respirei profundamente para não chorar.

Ele olhou para a mansão à nossa frente e depois para o carro estacionado na calçada.

– Eu tô de carro, quer sair daqui? Conversar ou comer alguma coisa?

Eu apenas assenti, mecanicamente. Então acompanhei os passos do rapaz até o carro. Ele abriu a porta.

– Você deixou o carro aberto? – perguntei, parando os meus movimentos antes de entrar.

Ele apenas riu e umedeceu os lábios antes de responder:

– Eu não imaginei que demoraria ali dentro.

Fiquei tentada a perguntar mais sobre, mas fiquei calada. Entrei no carro. Imediatamente, os flashs do acidente dominaram a minha mente.

” – Mãos pra cima! Mãos pra cima, porra! – o criminoso encapuzado gritava.

Com um soco, ele quebrou o vidro da janela e apontou uma arma em direção ao homem mais velho. Ao meu pai. Do seu lado, minha mãe também tinha uma arma apontada em sua cabeça.

– Abra a porta, desgraçado. – Sua voz era forte, autoritária e com um sotaque forte.

Assim que a porta fora aberta, o bandido puxou o meu pai e o jogou no chão, começando a desferir uma sequência de chutes em seu corpo.

Eu soltei um grito apavorado.

O outro criminoso, que apontava a arma em direção à minha mãe, murmurou:

– Eu vou acabar com você, sua vadia. Quem mandou mexer com quem tá quieto?

Em seguida, ele colocou seu braço dentro do carro e abriu a porta, a puxando para si.

Num piscar de olhos, uma bolsinha preta caiu no meu colo. Minha mãe jogara diretamente para mim.

– Eu te amo, filha. – Essas foram as suas últimas palavras. Os meus olhos encheram-se de lágrimas.

Eu segurei a bolsinha contra o peito, tremendo de medo.

Um outro homem quebrou o vidro da janela e puxou o meu rosto.

– Você é linda, garotinha. Muito linda.

Com raiva e ódio, cuspi no rosto encapuzado do homem. Ele riu maleficamente. Em seguida, parou e disse, com a voz grave:

– Kristen…

Uma outra pessoa apareceu. Eu achei que fosse a tal Kristen.

Olhos verdes me encaravam fixamente. Olhei para a rua. Meus pais apanhavam de forma brutal.

Então a última cena fez o meu estômago se revirar.

Uma pessoa se aproximou do meu pai com um facão nas mãos. Levantou-o no ar e cortou a cabeça do homem.

Eu soltei um grito de horror.

A cabeça do meu pai rolou para perto do carro. O homem que me ameaçou se afastou e pegou a cabeça nas mãos.

Ele gargalhou de um jeito macabro, fazendo o meu corpo inteiro arrepiar.

– Quer de presente, gatinha?

A cabeça foi arremessada em minha direção. Eu segurei por um momento nas mãos.

Eu gritei. Eu chorei. Eu me desesperei.

Então arremessei a cabeça para o lado de fora. Não pensei duas vezes, abri a outra porta e saí correndo.

Os criminosos assistiram a minha fuga. Enquanto corria para longe daqueles assassinos, ouvi um resquício da conversa.

– A vadia está fugindo. – Um deles manifestou a sua raiva.

– Deixe-a ir. – disse uma voz firme e autoritária. Os outros obedeceram.

Assustada e perdida, virei o meu rosto, por cima do ombro, olhando na direção dos criminosos.

Um sorriso surgiu no rosto encapuzado.”

Os pelos dos meus braços se arrepiaram. Eu estava desmoronando novamente. Meu soluço saiu do fundo da garganta.

O homem abriu a porta do carro e entrou. Tomou um susto ao se deparar com o meu estado deplorável novamente.

– Meu Deus, o que houve?

– Só me leve para a casa antes que eu desista de tudo novamente.

– Eu não sei onde você mora.

– South Lake Avenue, 400.

Ele assentiu e colocou o cinto. Pegou as chaves do carro que estavam no bolso da sua bermuda preta e começou a dirigir.

*

O carro parou em frente à uma casa pequena, afastada das outras.

Ele virou-se para mim. Seus olhos claros analisaram atentamente cada centímetro do meu rosto molhado e inchado.

– Você vai ficar bem?

– Eu espero que sim. – Os meus olhos o analisaram, rapidamente. – , meu nome é .

Ele esboçou um sorriso. Seus olhos brilharam em minha direção.

. .

Ele estendeu sua mão. Imitei o seu gesto, apertando suavemente.

– Obrigada, .

– De nada,

.

. – Achei infinitas vezes melhor o meu nome sendo pronunciado pelo rapaz desconhecido. O seu sotaque era forte e cativante.

Eu saí daquela bolha de encanto imediatamente. Tirei o cinto e abri a porta do carro, colocando a alça da bolsinha no ombro.

– Tchau, .

– Até logo, .

Franzi o cenho. lançou um sorriso encantador.

– Até logo, – respondi, sorrindo também.

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Minha outra história original

Capítulo 1

“Pela sua tristeza eu me interessei. Pela sua dor eu me preocupei. Pela sua força eu me apaixonei. Mas foi nas suas respostas curtas, secas e sem desejo, que eu percebi o quanto queria fazê-la sorrir”.

– Corações quebrados (Sofia Silva)

***

Eu me surpreendia com a rapidez que “superava” os meus problemas. Meus pais haviam falecido uma semana atrás. Meu pai perdeu a cabeça em minha frente exatamente uma semana atrás.

Eu tentei um suicídio uma semana atrás.

Hoje eu estava de pé, sorrindo, conversando e estudando normalmente, mas eram apenas as aparências. Por dentro, eu estava destruída, devastada e quebrada. E com um desejo de vingança.

Coloquei na minha mente: iria fazer de tudo para vingar a morte dos meus pais. Iria passar por cima de tudo e de todos para honrá-los.

Minha cabeça lateja, havia muitos problemas para resolver. Começava com as provas que teria na semana, depois o surto que o melhor amigo do meu pai teve após o acidente, o que causou o seu sumiço repentino. E então, a porcaria do testamento.

A droga da divisão de bens.

Certo, eu não estava ligando para o dinheiro. Eu não se importava com coisas materiais. Diferente da minha irmã, que nadava em cédulas de dólares. Só de pensar que a encontraria após 10 anos, meu estômago se revirava. Eu não a via há anos, mas, mesmo assim, eu acompanhava a sua vida pelas redes sociais.

Minha irmã não era a mesma garotinha que brincava de barbie no chão da sala. Minha irmã era uma mulher ambiciosa, exibida e influencer digital. Uma mulher no auge dos seus 28 anos, mas com a mentalidade de 18. Nas duas redes sociais, ela reagia como uma adolescente. As fofocas dos sites de famosos a julgavam pelo o seu comportamento. Minha irmã era odiada pelos invejosos. Mas também era amada por muitos.

Eu odiava a minha irmã.

Não, eu não a odiava. Era um forte sentimento para ter por uma irmã.

Eu a detestava. Eu não a suportava.

Tirei os meus problemas dos pensamentos e caminhei calmamente pelo campus. Era o meu primeiro dia de volta à faculdade, após os meses em que tranquei o curso, a pedido dos meus pais. Resolvi voltar a estudar porque sabia que era algo que eles gostariam que eu fizesse.

Eu escutava murmúrios e risos abafados pela palma da mão enquanto caminhava.

Eu já sabia sobre o boato que circulava pelo campus: o novo aluno incrivelmente sexy e lindo que chegou.

Revirei os olhos. Eu não dava a mínima para o tal garoto sexy e lindo. Havia outras prioridades agora e homens, definitivamente, não estavam nas minhas.

Entrei no refeitório cheio de alunos e andei até a lanchonete para comprar um sanduíche e um suco natural. Não tinha fila, então, rapidamente, peguei o lanche e sentei-me para comer. Coloquei os livros que carregava em cima da mesa e dei uma mordida generosa no sanduíche.

Mais murmúrios e risadas. Assobios nada discretos. Eu estava começando a me irritar.

Me questionei se o tal aluno novo era uma cópia do Brad Pitt, David Beckham ou Henry Cavill.

Certo. Se ele fosse uma cópia do Henry Cavill, eu mesma faria parte daquela afobação idiota. Henry era o homem mais lindo que eu já vi.

Continuei a minha refeição, sem me importar com o que acontecia ao meu redor. A minha mesa estava vazia. As minhas “amigas” me deram as costas na primeira oportunidade que apareceu. Terminei de mastigar. Levei minha mão até o copo e bebi o suco pelo canudinho. Uma pessoa parou em minha frente.

Meus olhos subiram lentamente pela figura masculina. Primeiro, notei as mãos grandes, dedos quadrados e pulsos tatuados. Depois, os braços expostos pela regata preta. Algumas tatuagens pequenas e aleatórias marcavam a sua pele branca e pálida.

Observei as veias visíveis no seu braço forte e no seu pescoço. Ombros largos. Um arrepio suave tomou conta do meu corpo.

Então, o rosto. Eu nunca me esqueceria daquele rosto nem em um bilhão de anos.

Meus olhos fixaram em cada detalhe.
Mandíbula marcada. Cabelos castanhos e ondulados. Uma mecha caída na testa. Olhos castanhos claros. Nariz perfeitamente desenhado e o sorriso com dentes brancos e alinhados. Nas suas bochechas, duas covinhas. Eu me perdi por um momento nos detalhes do seu sorriso.

Porra!

Aquele cara deveria ser uma obra de arte. Uma obra de arte proibida para o público.

Engoli em seco e fixei o meu olhar nas íris claras e intensas que me encaravam. Eu nunca vi olhos castanhos como o dele. Eram incrivelmente lindos e brilhantes.

. – Ele abriu um sorriso largo, deixando as duas covinhas à mostra. Um sorriso sedutor brincava em seus lábios, deixando-me agitada de repente.

. – Eu retirei o canudinho dos lábios, fingindo não estar afetada pela sua presença. Eu sabia me controlar.

sorriu mais ainda. Umedeceu os lábios e arqueou as sobrancelhas.

– Você também sente isso, ?

Franzi as sobrancelhas. A minha expressão inteiramente confusa.

– O quê? – questionei.

Seu coração batendo forte. Sua mão suando. Por que nós nos encontramos novamente?

Eu fiquei petrificada. Não consegui dizer uma única palavra. Ele esboçou um sorriso presunçoso e foi embora.

Eu travei uma batalha interna entre gostar de suas palavras aleatórias ou odiá-las com todas as minhas forças. Ao olhar ao redor, várias garotas me encaravam com o olhar transbordando de ódio. Uma ruiva de cabelos longos parou em minha frente.

Ela tinha um rosto perfeito, um corpo bonito e lábios carnudos. Um sorriso falso desenhou em seus lábios perfeitos.

– Eu espero que saiba das consequências dos seus atos – ela disse, de modo ameaçador. Em seguida, jogou o copo de suco, que estava nas minhas mãos, em cima dos meus livros.

Imediatamente, arregalei os olhos, em choque. Levantei-me de súbito e gritei:

– Sua maluca! Olha o que você fez! – Peguei os livros e tentei limpar a enorme mancha com a minha blusa.

A ruiva gargalhou. Uma gargalhada diabólica e macabra.

– Isso foi só um aviso, . – Deu as costas, andando calmamente pelo refeitório.

Eu gritei e xinguei vários palavrões, enquanto tentava inutilmente limpar a mancha roxa.

Eu estava ferrada!

Os livros eram importantes e seria necessário para estudar para as provas. Além de que, eram caros e meus pais não estavam vivos para ajudar a pagar. O dinheiro da agência não poderia ser usado esse mês. Havia muitas dívidas para pagar e a herança do testamento demoraria séculos para sair.

Eu engoli a vontade de chorar.

– Ei. – Uma pessoa cutucou o meu ombro.

Me virei e uma garota de cabelos longos, amarrados em um rabo de cavalo, com óculos de grau me observava.

– Eu posso ajudar?

Eu deixei um suspiro escapar.

– Não tem solução. Estão todos manchados.

A garota pegou os livros e os olhou atentamente.

– Eu sinto muito por você. – Sua voz era suave, muito diferente do seu sotaque britânico, completamente carregado e forte. – Você estuda o quê?

– Direito.

– Talvez eu possa ajudá-la. – Um sorriso suave desenhou nos seus lábios, o seu rosto se iluminou. – O meu irmão cursava direito, mas ele abandonou o curso e agora estuda psicologia. Os livros dele estão todos guardados.

– Jura? – sorri. – Você poderia ajudar? Ele não vai achar ruim?

A garota riu e ajeitou o óculos no nariz.

– Ele não vai reclamar. O que acha de nós nos encontrarmos após o jantar?

– Eu… eu iria adorar.

– Certo. Então, te espero aqui… – A garota sustentou o olhar, esperando saber o meu nome.

.

– Lindo nome. Eu sou a Hazel.

Estendi a minha mão para cumprimentá-la, entretanto, Hazel me ignorou completamente e se jogou nos meus braços.

Eu a abracei, receosa e sorri.

***

Eram 21:00 da noite. Eu havia jantado sozinha, como sempre. Terminei a minha refeição e esperei por Hazel na porta do refeitório. Minutos depois, Hazel caminhava em minha direção, com um sorriso animado no rosto.

– Vamos? Ele tá esperando no quarto. – Ela começou a andar, porém parou quando olhou por cima dos ombros e me viu ainda parada no mesmo lugar.

– O que foi?

– Seu irmão realmente concorda com isso?

Hazel revirou os olhos e cruzou os braços.

– Sim, ele ficou feliz por alguém poder usar os livros dele. Sério, acredite em mim.

Eu suspirei, derrotada. Concordei com a cabeça e segui Hazel pelo campus. Nós caminhamos por algum tempo. A república dos meninos ficava afastada do campus da universidade. Chegamos ao enorme prédio e entramos. Enquanto andava pelos corredores da república, os homens me observavam como se eu fosse um pedaço de carne.

– Carne nova no pedaço… – Um murmúrio começou. – Gostosa, hein.

Eu fechei o punho ao lado do corpo, deixando o meu lado irracional falar mais alto. Hazel segurou o meu pulso e balançou a cabeça.

– Não vale a pena. Você só vai se ferrar se fizer isso.

Eu abri a boca para dizer algo, mas fiquei em silêncio. Hazel parou diante de uma porta de madeira e bateu freneticamente.

A porta foi aberta. Eu entrei em transe enquanto olhava o homem à minha frente.

Alto. Olhos claros. Forte. Lindo. Covinhas.

Ah, merda! Ele não… ele não…

! – exclamou Hazel, impaciente. – Você não tava transando, né? Demorou muito pra abrir a merda da porta…

Ele soltou um riso espontâneo. Seu olhar estava meio confuso, porém ainda com o brilho de divertimento nos olhos.

– Não, hoje é o dia de folga.

Hazel bufou alto, suas bochechas coraram, visivelmente constrangida pelo comportamento depravado do irmão.

– Certo. Essa é a minha amiga que eu falei…

“Amiga”, nós éramos amigas?

Hazel continuou falando enquanto eu apenas o encarava, como se ele realmente fosse uma obra de arte. A mais bela de todas. Um perfeito quadro, pintado pelo artista mais talentoso.

? – Hazel estalou os dedos na minha frente. – Ah, não… não…

– Não, o quê? – Acordei do meu transe. Fechei a cara, tentando disfarçar o encanto pelo o seu irmão.

Hazel franziu o cenho. Suspirou, dando um tapa na própria testa.

, pelo amor de Deus! Não caia nessa tentação.

Eu fiquei confusa. Seu irmão começou a gargalhar.

– Você sabe que ninguém consegue resistir a mim, Haz. – Ele se encostou no batente da porta. Seus olhos avaliando o meu corpo, sem nenhum pudor.

– Cala a boca, seu idiota. Dê os livros, nós precisamos sair.

– Mas já?

Ele entrou dentro do quarto, deixando a porta aberta.

– Entrem! – gritou ele.

Eu iria dar um passo, mas Hazel me segurou.

– Não entre, ele tá fazendo um jogo com você.

– Ok… – sussurrei, decidindo não contrariar a garota.

Nós esperamos do lado de fora. apanhou os livros nas mãos e caminhou de volta até a porta.

– São pesados, tome cuidado.

Hazel fez uma careta para o irmão e pegou os livros. Eu apenas sorri sem mostrar os dentes, um leve gesto de agradecimento pelos livros.

A garota dos livros manchados…

.

Hazel paralisou. Olhou confusa para nós dois.

– Vocês se conhecem?

fixou seus olhos em mim. Ele riu suavemente e umedeceu os lábios antes de falar:

– Você sente?

Hazel estava totalmente perdida. Seu olhar se movia entre nós dois, como se acompanhasse uma bela partida de ping pong.

Que porra é essa?

Eu engoli em seco. Os olhos castanhos claros e intimidantes de me avaliando por inteira.

Seu coração batendo forte. Sua mão suando. Por que nós nos encontramos novamente, ?

Eu fiquei tensa e travei a mandíbula. Em seguida, senti raiva pela frase de efeito ridícula que falara.

, você foi mais uma? – Hazel indagou.

Eu arregalei os olhos, lançando um olhar espantado para a garota.

– Meu deus! Não, Hazel. Claro que não.

A irmã suspirou aliviada. Eu notei o olhar malicioso do homem sobre o meu corpo.

Ainda.

Hazel bateu com os livros na barriga do irmão.

– Você respeita a garota! Ela não é igual as outras que você fode!

– Eu não disse nada demais… – Ele fez cara de inocente, levando as mãos para cima, em sinal de rendição. Eu estreitei os meus olhos em sua direção.

– Eu agradeço a oferta – comecei, entrando no seu jogo. – Mas o que eu vi… foi decepcionante, .

mordeu um sorriso e cruzou os braços, fazendo os seus bíceps saltarem diante dos meus olhos. Ergueu uma sobrancelha, em sinal de desafio.

– O que você viu… Tô perdi… Ah, merda! Você viu o… o… negócio dele?

Eu não respondi. me encarava fixamente, lançando um olhar fulminante. A tensão entre nós era palpável.

– Que nojo! Credo, !

– Não é isso o que as outras pensam quando pedem por mais – se manifestou, exibindo um sorriso de canto, fazendo as suas covinhas aparecerem.

E, novamente, fiquei sem resposta. Hazel se irritou e colocou alguns livros na minha mão, numa tentativa de me distrair. Desviei o olhar e segurei os livros com força. Sem lançar mais um olhar na direção de , nós começamos a andar. Contudo, uma mão forte e gelada me parou. Eu me arrepiei com o simples toque das suas mãos no meu corpo.

me virou, olhando nos meus olhos. Eu estremeci pela intensidade do seu olhar.

99% amam e apenas 1% se apaixonam. As aparências costumam enganar. Se eu fosse você, provaria antes de julgar, querida.

exibiu mais um dos seus sorrisos sedutores e nos deu as costas, deixando sua irmã furiosa e constrangida e eu boquiaberta e pela primeira vez sem palavras.

Nenhum homem me deixava sem palavras. Eu sabia exatamente o que dizer. O que fazer. Mas mudou todo esse conceito, desde o primeiro dia em que colocou os seus olhos em mim.

Nota da autora: O primeiro capítulo oficialmente, gente. Eu tô louca para shippar esses dois mesmo sabendo que é errado hahahaha. Quais são as teorias? Por que pulou de uma sacada – pelado – de repente? Alguém já tem uma opinião sobre os personagens? Até o próximo capítulo.

Quem se interessar em saber mais sobre a história, spoilers e tudo mais, entrem no grupo do Facebook.

Minha outra história original

Capítulo 2

“Algo em você
Iluminou o céu em mim
O sentimento não me deixa dormir
Porque eu estou perdida no jeito que você se move
Na sensação do seu toque

Um beijo é o suficiente
Para se apaixonar por mim
Possibilidades
Eu pareço com tudo que você precisa

Um beijo é o suficiente”

– One Kiss (Dua Lipa)

***

“Se eu fosse você, provaria antes de julgar”

Essa frase ecoava na minha mente. A manhã inteira. O dia inteiro. A noite inteira. Vinte e quatro horas por dia. Eu acordei igual a um zumbi após passar a noite inteira em claro, sem conseguir dormir. Culpa de .

Comi uma fruta pela manhã. Estudei um pouco no horário do almoço e à tarde era a minha prova. Eu não conseguia me concentrar. A maldita frase ecoando na minha cabeça. Com muita frustração e decepção, eu entreguei a prova após os 10 minutos de acréscimo que o professor me deu.

Mal consegui resolver metade dos exercícios. Eu estava completamente ferrada. E a culpa era inteiramente de .

Assim que os meus pés pisaram o campus, o mundo parecia estar em câmera lenta, onde eu era o centro das atenções. Todos me encaravam. Sem nem desviar a atenção. Sem nem disfarçar.

Eu caminhei em passos largos até o banheiro. Abri a porta e mais olhares sobre mim. Tinha umas cinco garotas lá dentro e todas olhavam em minha direção. Olhares de repulsa, de nojo e desprezo.

Apenas um olhar era diferente dos outros. Apenas uma pessoa me encarava de um jeito estranho. Uma garota encostada no fundo do corredor, com o celular nas mãos, me olhava com empatia ou pena, não sei.

— Que porra é essa? Por que todo mundo tá olhando pra mim? — eu explodi, passando os meus olhos por todos os rostos, buscando por uma resposta.

Elas gargalharam, menos a garota encostada na parede. Uma garota alta, cabelos ruivos e corpo perfeito aproximou-se. Era a mesma garota que jogara o suco de uva em meus livros. De súbito, a raiva me consumiu. Me controlei para não voar em sua direção e tirar o seu sorrisinho prepotente dos lábios.

— Nós adoramos olhar para a carne nova do pedaço. Principalmente, quando ela tá na lista de . A partir de hoje, docinho… Você é uma presa e todos querem saber se a lista é verdadeira. Todos querem te provar.

Eu senti o meu estômago revirar. Eu não sabia do que ela estava falando.

— Que lista? — Franzi o cenho, sentindo uma sensação estranha no peito.

A ruiva riu, um riso completamente sarcástico. Balançou a cabeça, pegou um batom vermelho dentro do bolso e virou-se para o espelho.

— As garotas mais gostosas da faculdade. E, segundo ele, vocês tiveram uma noite… Intensa. Ele também disse que te enlouqueceu completamente. É uma honra estar nessa lista, novata — disse, enquanto passava o batom vermelho nos lábios carnudos.

Abri a minha boca em choque. Eu fiquei completamente estática por alguns segundos. A mulher riu, guardou o batom e ficou de frente para mim.

— Você tá no 1° lugar.

Eu senti o meu sangue ferver. A raiva consumindo o meu interior.

— Todo mundo sabe disso?

— Todo mundo — disse ela, lentamente.

— Eu… eu acho isso onde?

— Ele colocou um link aí nos grupos.

— Como eles sabem que sou eu? Ninguém me conhece.

— Ninguém te conhecia, docinho. Mas as descrições batem. Você é nova no pedaço, meu amor.

Eu fiquei sem palavras. Meu corpo inteiro ficou tenso. A ruiva se afastou, esbarrando propositalmente no meu ombro, e saiu do banheiro.

A garota que estava encostada na parede aproximou-se, hesitante. Seus olhos escuros me avaliavam atentamente.

— É ridículo, eu sei.

— Foi ele mesmo? ?

— Absolutamente — respondeu ela, enfatizando a sua resposta. Passou as mãos nos fios cacheados e me lançou um sorriso gentil. Sorri de volta e não perdi mais nenhum segundo dentro do banheiro.

Não me importei com os olhares e fui até a república de . Eu queria olhar na cara daquele covarde. Queria enfrentá-lo. Queria encarar os seus olhos castanhos claros e acabar com aquele homem.

Enquanto caminhava, eu ouvi alguns murmúrios, assobios e risadas abafadas. Por um instante, a minha raiva falou mais alto. Eu perdi completamente o controle.

— Vão se foder, caralho! — eu gritei. Todos me olharam em choque. Eu voltei a caminhar. Em poucos segundos, eu estava diante da porta do quarto de . Bati sem parar na porta de madeira, exatamente como sua irmã fizera ontem à noite, porém com mais agressividade e impaciência.

abriu a porta, após alguns segundos.

— A que devo a honra? — sorriu sarcasticamente, enquanto apertava com uma toalha branca os seus fios castanhos e úmidos. Seu peitoral estava de fora. Sua pele úmida. Gotas de água desciam em direção à toalha amarrada em sua cintura.

Eu o encarei. era um cara forte. Másculo. Ombros largos. Braços fortes. Barriga trincada. Músculos por toda parte. Algumas pequenas tatuagens estavam marcadas em seus braços. Pequenos desenhos, bem discretos, que você só percebia se encarasse por muito tempo. E eu encarei a sua barriga por tempo o suficiente para perceber alguns traços aleatórios na sua pele. Seu abdômen era algo surreal. Lindo e definido.

Concentre-se. Foco. Eu precisava acabar com ele e não o admirar.

Eu olhei fixamente em seus olhos.

— Você é um babaca.

Ele abriu um sorriso presunçoso.

— É o que todos dizem.

— Não seja ridículo. Eu sei sobre a lista. Você acha legal, ? Eu nem te conheço e você inventa uma mentira sobre mim.

— Hum… — Ele estreitou os olhos, aproximando-se. — Eu achei interessante, na verdade.

— Você é um mentiroso! Nós nunca ficamos juntos e você falou de mim daquele jeito. Babaca, é isso que você é.

Ele riu, fazendo as suas covinhas aparecerem.

— Sabe, … eu fiz uma lista baseada nas aparências. Curioso, não? Igual você fez comigo. Quer dizer, você acha uma ofensa ser chamada de gostosa?

— Eu não quero ser conhecida na faculdade como a gostosona que ficou com . Eu não quero que falem de mim.

— Foi apenas uma maldita lista, querida. Não fique brava por isso. Eu te dei o troco. Você mentiu sobre mim também.

Eu queria gargalhar da sua infantilidade, mas apenas me limitei a revirar os olhos.

— Eu não inventei uma mentira. Eu não expus você para a faculdade inteira. Eu não te humilhei. — A essa hora, eu falava alto demais, quase perdendo o controle. Eu estava furiosa e, principalmente, magoada.

Alguns garotos olharam para nós dois enquanto passavam pelo corredor.

— Entre. — abriu a porta. Eu cruzei os braços, contrariada. — Vamos conversar como adultos, sem cena ridícula para os caras. Entre.

Ele queria falar sobre maturidade? O cara que fez uma lista das garotas mais gostosas da faculdade?

Que hipocrisia de merda.

Ponderei por alguns segundos. Depois dei uns passos para frente, passando ao seu lado como um furacão. Um rapaz alto e loiro se aproximou da porta.

— Tá tudo em cima, cara?

— Tá sim, fica de boa, cara. — falou, e fechou a porta. — Agora somos só nós dois.

Eu estremeci.

— Diga, .

Respirei fundo, virando-me de frente para ele.

— Por que eu?

— Eu já disse, princesa. Você falou mal de mim.

— Isso não é desculpa. Fale a verdade.

— Essa é a verdade.

— Você tá completamente errado.

— Estou? — ponderou, genuinamente confuso. Ele deu alguns passos em minha direção.

— Você está fodidamente errado, . Nós nunca ficamos juntos e você não me deixou enlouquecida com os seus talentos na cama.

Um sorriso de canto surgiu em seus lábios. Ele esquadrinhou atentamente o meu rosto.

— Então me deixe te provar, princesa. Me deixe te provar que eu estou certo.

Eu estalei a língua em desaprovação, negando com a cabeça. Um vislumbre de divertimento surgiu em seus olhos.

— Você quer isso, ?

Seus olhos escurecem, ansiosos. Lentamente, um sorrisinho de canto surgiu nos seus lábios. Suas covinhas me fascinaram mais uma vez. Me perdi no seu sorriso. Acordei do meu transe momentâneo ao sentir as suas mãos na minha cintura. Ele me segurou forte. Seu rosto se aproximou aos poucos, conforme eu engolia em seco.

Seus olhos avaliadores me estudavam com paciência. desceu o olhar para os meus lábios, lambendo os próprios, apertando-os, como se apreciasse algo saboroso. Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e deslizou os dedos pelo meu rosto. Eu me arrepiei com o seu toque delicado e íntimo.

Suas íris me encaravam intensamente. Não desviei o olhar. Levantei o meu braço e agarrei a sua camiseta, puxando-o para perto.

— Você não respondeu à minha pergunta, querido. Tem certeza?

— Você ainda tem dúvidas, querida? — murmurou, sua voz rouca e baixa.

Ele não esperou por uma resposta e colou os seus lábios com os meus. Sua língua pediu passagem e eu me agarrei em seu ombro, iniciando um beijo intenso, quente e delicioso. Ele avançou às suas mãos pelas minhas coxas, por cima da minha calça jeans, apertando-a com força. Aproximei o meu corpo do seu, nossos narizes se tocando enquanto minha língua rastejava por dentro da sua boca. Cravei as minhas unhas em sua nuca, beijando-o com intensidade. Ele gemeu em minha boca, empurrando-me na direção da parede. Minhas costas tocaram a parede fria, fazendo-me suspirar nos seus lábios. Nossas bocas se afastaram por alguns segundos e puxei o ar com força.

Ele deu um sorriso lascivo antes de grudar os nossos lábios novamente. Sua língua acariciava a minha com delicadeza, torturando-me. Suas mãos subiam e desciam lentamente pelo meu corpo todo. Espalmei os seus braços, sentindo a firmeza dos seus músculos nos meus dedos. era um cara forte. Não do tipo bombado, ou algo assim, mas do tipo com muitos músculos e muita força.

Ele separou os nossos lábios e gemeu baixinho. Eu apreciei aquele som. Ele puxou a minha nuca e suspirou profundamente no meu ouvido. Suas mãos mãos fortes me agarraram pela bunda, fazendo as minhas pernas flexionarem, enlaçando ao redor de sua cintura. Eu arfei quando nossas intimidades se tocaram. Ele caminhou para trás, sentando-se na cama comigo no seu colo.

Eu o empurrei para trás e me levantei. se rastejou pela cama, até estar no centro dela. Sua expressão ficou relaxada e ansiosa. Seu quarto estava escuro, apenas alguns raios de sol entravam pelas cortinas. Liguei a luz e voltei para cima dele. Meus dedos tentaram abrir a merda da calça jeans, enquanto eu me movimentava sobre o seu corpo.

Um sorriso presunçoso apareceu nos seus lábios. Revirei os olhos. Aproximei os nossos rostos e colei as nossas bocas.

Eu vou te provar que você está errada, princesa. E você vai se arrepender por ter duvidado de mim.

E eu me arrependi.

mudou completamente o meu estilo de vida. Ele me deixou sem palavras, pela primeira vez. E, principalmente, me deixou arrependida. Eu me arrependi amargamente. Pela primeira vez, eu estava errada. Estupidamente errada.

me levou ao céu e ao inferno durante a tarde inteira.

***

O despertador tocou às 5:00 am. Eu não consegui dormir durante a noite inteira. Bem… Eu queria que houvesse um bom motivo, mas eu sabia o verdadeiro motivo da minha insônia: .

E os seus talentos.

O homem de olhos castanhos estupidamente claros e profundos não abandonava os meus pensamentos. Naquela tarde, eu iria me encontrar com a minha irmã mais velha, depois de 10 anos.

Sophie, a minha irmã de 28 anos, sempre fora o oposto de mim. Mais distante da família. Embora fôssemos irmãs de mães diferentes, até os seus 18 anos nós duas morávamos juntas. Logo depois, Sophie, ainda adolescente, fora morar com a sua avó materna para fora do país.

Minha mãe sempre fora um doce com Sophie, por isso sua saída daquela casa chocou a todos. A partir daquele dia, eu nunca mais vi a minha irmã.

As redes sociais era a única forma de manter contato com Sophie. E os seus dois milhões de seguidores no seu perfil, tornando-a uma influencer digital, só complicaram a relação entre nós duas. Embora, Sophie não fizesse questão da família, eu tentava inutilmente manter contato com ela. Contudo, Sophie se tornou uma mulher ambiciosa, orgulhosa e desinibida. Além de que começou a frequentar as festas luxuosas e se encaixou muito bem nesse estilo de vida. Sua vida era puro glamour. O oposto da minha.

Sophie ignorou todas as minhas mensagens durante todos os 10 anos em que esteve longe.

Eu me abalava por cada mensagem lida e ignorada.

***

Eu entrei na biblioteca com um papel na mão, onde havia anotado os nomes de livros que precisaria para estudar. Na prateleira de Direito, achei todos os livros. Infelizmente, eu precisava terminar a faculdade. Eu treinava para me tornar uma detetive particular como os meus pais. E se eu quisesse entrar para esse mundo a partir de agora, uma vida universitária era um bom disfarce para mim.

A garota nerd e sozinha, a invisível para todos. A pessoa perfeita para espionar supostos suspeitos.

Mas, infelizmente, eu ainda não tinha um suspeito pela morte dos meus pais. Ainda não. Muito menos uma missão de espionagem.

Meu celular começou a tocar, peguei-o da minha cintura e olhei a tela. O nome de Reed com uma foto engraçada me fez sorrir. Eu atendi a ligação com um sorriso enorme nos lábios.

— Quem tá vivo sempre aparece, não é?

Eu ouvi um riso nasalado do outro lado da linha.

— Me desculpe, . Eu deveria ter ficado do seu lado.

— Reed, não precisa se desculpar. Eu entendo a sua atitude, só gostaria de ter sido avisada antes, mas tudo bem.

… — Sua voz mudou. A emoção transbordando em cada letra. Eu sabia que o rapaz era sensível e que, a qualquer minuto, poderia cair no choro. — Eu ainda não consigo acreditar.

Eu suspirei, caminhei até o centro da biblioteca, sentando-me numa cadeira e coloquei os livros em cima da mesa. Senti uma estranha sensação de estar sendo observada, fazendo os pelos da minha nuca se arrepiarem. Uma sensação totalmente estranha. Olhei para os lados e não encontrei ninguém me olhando de volta. Dei de ombros e voltei a falar com Reed.

— Nem eu… — Minha garganta se fechou. — Eu sinto a falta deles.

— Eu também — Reed fungou, soltando um soluço baixo.

— Eu quero me vingar — Eu fiquei enfurecida, fazendo a mandíbula trincar. Era difícil continuar vivendo depois do crime que cometeram contra os meus pais. Eu queria todos na cadeia. Eu queria pegá-los. — Eu preciso me vingar.

— Nós não sabemos quem é o culpado. Seus pais tinham muitos inimigos, .

— Vamos investigar. Reviramos a agência, documentos, computadores, fazemos os inimigos darem alguma pista…

… Não será fácil. O crime foi muito bem arquitetado. Podemos demorar meses para encontrarmos alguma prova.

— Reed, eu não me importo. Só quero fazer justiça.

— Ei, eu vou pensar em um plano, só quero a sua ajuda.

— Por favor, Reed, me ajude.

— Por favor, pela a sua amizade com o meu pai, por eles.

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha. Reed respirou profundamente.

— Tudo bem. Eu te ajudo.

— Muito obrigada, Reed. Você sabe que é o certo a se fazer.

— Sim, eu sei. , eu preciso ir, te vejo mais tarde?

— Ah, merda! — eu dei um tapa na minha testa. — Me esqueci do maldito testamento!

— Ansiosa para ver a sua irmã depois de tantos anos?

— Ah, claro. Tô muito ansiosa por isso — ironizei.

— Vocês duas vão se surpreender com o testamento. Mas esse é um assunto apenas para mais tarde. Te vejo lá, hein.

— Tá bom. Tchau, Reed.

— Tchau, .

Eu desliguei o celular ao mesmo tempo que uma pessoa se sentava na cadeira à minha frente. fixou os seus olhos no meu rosto.

— Oi — sua voz rouca fez o meu corpo arrepiar. Lembranças da noite passada passando pela a minha cabeça. Cada toque. Cada suspiro. Cada beijo. Cada maldito sorriso.

— Oi.

— Você ainda me odeia? — perguntou, um sorriso querendo aparecer nos seus lábios.

Eu rolei os olhos.

— Você continua sendo um idiota que me colocou numa lista ridícula.

— Certo. E… — Ele apoiou os braços em cima da mesa e inclinou-se. — Você é uma daquelas dos 99% que amam ou… 1% que se apaixonam?

O seu olhar intenso me fez engolir a saliva com dificuldade. As palavras ficaram presas na minha garganta. franziu as sobrancelhas, esperando por uma resposta.

— Hum… Você seria uma exceção… Uma daquelas que viciam e não querem soltar nunca mais?

Neguei freneticamente e arregalei os olhos.

— Claro que não! Foi só uma transa, . Apenas isso, certo?

— Claro, princesa. — Ele esboçou um sorriso de canto e voltou a se encostar na cadeira. — Apenas sexo e nada mais.

Eu queria acreditar nas suas palavras, mas o sorriso irônico no canto dos seus lábios mexeu comigo e eu acreditei que não era apenas uma noite.

Menti quando olhei em seus olhos.

— Me deixa em paz, . Foi apenas sexo, vamos esquecer isso.

Levantei-me abruptamente da cadeira e peguei os meus livros em cima da mesa. Dei as costas, começando a andar para longe dele.

— Psiu. — Meus pés pararam subitamente. — .

Virei o meu rosto em sua direção. Ele ainda continuava sentado de modo desleixado em cima da cadeira. Um sorrisinho de canto desenhava seus lábios.

— Você sabe que está completamente equivocada, né?

Não respondi à sua pergunta. estava apenas me provocando e eu não iria ceder – novamente – ao seu jogo ridículo.

— Nós iremos nos ver, princesa. Lembra-se daquela famosa frase?

Lancei um último olhar em sua direção enquanto ele exibia um sorriso largo.

— Você sente, ?

Corri o mais rápido que pude, alcançando a porta.

— O cheiro do destino. Por que nós nos…

Eu puxei a maçaneta com raiva e bati a porta. Não escutei o resto da frase, mas aquilo fora o suficiente para me abalar.

sabia exatamente como virar o meu mundo de cabeça para baixo.

E eu só o conhecia por 3 dias. Por malditos 3 dias.

****

— Então, estamos aqui para a leitura do testamento dos pais das senhoritas . Seus pais, John e Halsey Smith, deixaram seus bens para a única família: vocês.

Nós duas estávamos sentadas frente a frente. A postura reta e impecável de Sophie fez eu me sentir inferior. Ela esbanjava autoridade por onde passava. Seus olhos eram confiantes, seu corpo sempre rígido e seus lábios fixos numa linha reta. Ela não moveu nenhum músculo desde que entrou na sala. Não falara uma palavra sequer comigo.

Eu me senti ridiculamente ignorada. Fiquei triste, mas decidi guardar aquele sentimento e tentar ser um pouco confiante na sua presença.

Reed estava acompanhado de outro advogado, que se chamava Robert. Ele sentou-se, abriu a pasta preta e repousou alguns papéis na mesa.

Sophie, olhou para o papel com um ar superior. Virou-se para um homem forte ao seu lado e empurrou os papéis em sua direção. Ela fizera questão de trazer seu próprio advogado para ler os papéis. E assim o homem fez. Leu tudo com atenção e cutucava a morena para lhe mostrar alguns pontos específicos do testamento.

Eu passei os olhos pela folha, entendendo cada palavra diferente que encontrava. Após a leitura, empurrei o papel de volta ao Reed.

— Bem… — Reed pigarreou. — Como está escrito e assinado pelos seus pais, a senhorita ficará com 60% do patrimônio líquido dos , enquanto a senhorita Sophie com 40%.

As narinas da minha irmã dilataram. Ela bateu as mãos na mesa, com raiva.

— Eu não concordo com isso.

— Seus pais decidiram deixar mais dinheiro para por causa dos seus estudos no exterior, senhorita .

Sophie riu, sarcástica.

— Eles pagavam apenas a moradia, comida e o curso. As minhas roupas, maquiagens, sapatos e outras coisas saíram do meu bolso. Do meu trabalho como influencer.

Eu rolei os olhos, constatando um fato que notei desde que coloquei os meus olhos nela: Sophie se tornou completamente egocêntrica e mimada.

— Senhorita, receio que seus pais não achavam importantes esses custos. Entretanto, esse não é um assunto meu. Estamos aqui para a leitura do testamento, se os escolheram assim, então será feito.

— 60% para . 40% para Sophie . — A voz de Robert reverberou pelo ambiente.

Minha irmã abriu a boca, articulando a mandíbula. Seu advogado repousou a mão em seu braço, fazendo-a se calar.

Reed continuou:

— E, como vemos também, a mansão, única casa dos Malfor, está em seus nomes. A casa será dividida entre vocês duas.

— Eu não vou dividir uma mansão com ela! — Sophie apontou o dedo na minha direção. Uma expressão de nojo transparecendo em seu rosto.

Eu engoli em seco, controlando-me para não chorar na frente de todos. Eu estava sendo humilhada pela minha própria irmã.

Reed me olhou, parecendo notar os meus olhos marejados.

— Vocês podem vender a casa e dividir o dinheiro — ele disse.

Um vinco se formou na minha testa.

— Eu não vou vender a casa onde nasci. Não vou vender o lugar em que meus pais viveram.

Minha irmã inclinou o corpo para frente, mirando um olhar fulminante na minha direção.

— Eu não vou abrir mão de uma mansão. — Foram as primeiras palavras direcionadas a mim.

Eu sorri, entendendo o seu jogo. Sophie queria luxo. Ela queria tudo somente para ela.

— Quanto você quer, ? — indagou, empinando o nariz.

Uma risada escapou do fundo da minha garganta.

— Nada. Eu quero a minha casa.

— Eu não vou vender a minha parte — debateu.

Mordi os lábios, controlando a minha vontade de xingá-la. Em seguida, dei de ombros.

— Então vocês terão que dividir a mansão enquanto não há acordo. No testamento está claro: a mansão será de propriedade das duas. Vocês decidem.

Reed deu o ultimato, intercalando o seus olhos claros entre nós duas. Nós nos olhávamos intensamente. Eu estava totalmente disposta a não abrir mão da minha casa.

— Não vou vender — sibilei.

— Nem eu.

Olhei para Reed e recebi um olhar de volta. Aquele olhar me dizia: você tem certeza, ? E eu respondi com um simples gesto de cabeça.

— A Ferrari está no nome de Sophie. Um estabelecimento comercial, que atualmente está fechado no nome de .

— Que tipo de estabelecimento? — Sophie perguntou, interessada.

— Um mini mercado num posto.

Ela bufou, deixando os ombros caírem.

— Somente isso?

Reed passou rapidamente os olhos pela lista. Eu não me senti incomodada pelo fato do carro dos meus pais agora ser da minha irmã. Eu não gostava de dirigir e meus pais sabiam disso.

— Acho que acabou — Reed disse, por fim.

— Nós iremos entrar em contato com os seus advogados para a mudança dos proprietários — Robert disse.

O advogada de Sophie balançou a cabeça e levantou-se, estendendo a sua mão para Reed e Robert.

— Nos vemos em breve.

O advogado carrancudo acenou para mim e afastou-se com a minha irmã em seu alcance.

Sophie não olhou para trás. Não falou um tchau ou até mais. Não disse absolutamente nada.

Soltei um suspiro, passando os dedos pelo cabelo. Senti uma mão firme repousar nos meus ombros.

— Sua irmã não é mais a mesma, . Tente não se abalar com a indiferença dela. — Reed sorriu tristemente.

— É difícil — murmurei, triste.

Ele sorriu, acariciando o meu ombro.

— Eu sei, e por isso estou aqui.

Ele me lançou um sorriso confiante. Eu hesitei por um segundo, antes de abraçá-lo fortemente. Reed retribuiu o abraço na mesma intensidade. Segurando-me forte.

E, pela primeira vez, desde a morte dos meus pais, senti-me segura e acolhida de verdade.

Nota da autora: Esse pp realmente abalou as estruturas da nossa protagonista, hein. O que será que vai acontecer? Agora a irmã irá morar junto. Muitas bombas vem por aí.
Quem se interessar pode entrar em meu grupo de leitoras das minhas histórias.

Minha outra história original

Capítulo 3

“Só ficarei livre desse segredo quando ele tiver perdido todo o valor” — Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

***

Alguns dias depois.

Reed me buscou na casa onde eu estava hospedada. Ele não explicou o motivo da sua aparição. Somente me pediu para o acompanhar, pois era importante. Segundo ele, estávamos começando as investigações sobre o crime.

Estávamos circulando pelas ruas há alguns minutos e eu estava relativamente estressada.

— Eu preciso que você me diga algo, além de dirigir o carro, Reed! Preciso entender o que está acontecendo. — Ele não disse nada desde que entrou no carro. Bufei, impaciente, virando a cabeça para encarar a rua. Casas enormes, carros chiques e luxuosos, e ruas completamente desertas.

O carro virou uma esquina e eu reconheci a rua em que estávamos.

— É essa a rua do crime. — Olhei com atenção as casas enormes, até que os meus olhos encontraram a casa daquela noite. — Eu conheço aquela casa — apontei para a mansão enorme, do outro lado da rua.

Reed parou o carro. Desligou o motor e retirou o cinto.

— Foi nessa rua que aconteceu o crime. — afirmou, e trincou a mandíbula.

Ficamos em silêncio, olhando para a rua, cada um imerso em seus próprios pensamentos.

— A polícia não encontrou testemunhas, mas nós sabemos que é impossível um crime acontecer e ninguém ver, certo? Vamos interrogar as pessoas.

O encarei. Ele levou suas mãos até o banco de trás.

— Sou o detetive Smith e você a senhorita Larsson. — Ele jogou um distintivo falso no meu colo. Soltei um riso incrédulo enquanto analisava o nome falso e a minha foto ao lado.

— Você pensa em tudo mesmo, Reed.

— Obrigado. Eu sei que sou um gênio. Agora vamos.

Saímos do carro e atravessamos a rua, seguindo até a mansão que eu vi naquela noite. Paramos em frente à porta enorme e branca.

— Me diga, por que esta mansão exatamente? — questionou Reed, um pouco confuso. Eu estava decidida a começar os interrogatórios por aquela casa. Era a minha principal fonte de qualquer informação. Não vi câmeras do lado de fora, mas, naquela noite, a única pessoa que eu vi saiu de dentro daquela casa. Ou melhor, pulou da varanda do 2°andar.

— Bem… Eu saí correndo do carro, porque os criminosos iriam me pegar também. Eu corri essa rua e cheguei aqui em frente. Fiquei parada nessa calçada e, de repente, um homem pulou do 2° andar. — Apontei para a sacada. Reed levou os seus olhos para cima, franzindo a testa.

— De repente?

— De repente.

Ele soltou um riso irônico, voltando a olhar em meus olhos.

— Uma detetive particular acredita na palavra “de repente”?

Franzi o cenho.

— Querida, não existem coincidências. Existem fatos e acontecimentos. Esse cara pulou do 2°andar por um motivo.

— E qual seria o motivo, senhor gênio?

— Ah, florzinha. Pense comigo: você testemunhou um crime, correu pelas ruas escuras e desertas e, do nada, um cara pulou do 2°andar? Por que ele pulou?

— Eu não sei.

— Eu sei a reposta perfeita. Distração. Ele pulou para distraí-la.

— Me distrair do quê? — perguntei, irritada. Minha voz elevando o tom.

— É o que vamos descobrir. Mas de uma coisa eu tenho certeza, ele queria te manter longe dessa rua e do local do crime.

Cruzei os braços, pensando sobre a sua teoria esquisita.

— Vamos interrogar alguém e depois conversamos melhor. — Ele deu um passo à frente, tocando a campainha.

Segundos depois, a porta foi aberta. Descruzei o braço e dei um passo à frente, ao lado de Reed.

— Bom dia, eu sou o detetive Smith e ela é a detetive Larsson, nós somos do FBI e queremos interrogá-la sobre um crime que aconteceu há alguns dias. A senhora poderia nos ajudar?

A senhora nos olhou com um ar desconfiado. Em seguida, abriu a porta. Reed e eu entramos e seguimos a mulher até a sala de estar.

— Bem, a senhora poderia nos falar sobre os donos dessa mansão? — Tomei frente do interrogatório. A senhora indicou o sofá, e sentou-se na poltrona. Reed e eu nos sentamos lado a lado.

— Meu nome é Stacy, sou a empregada doméstica há dez anos aqui. Os meus patrões não são ruins, se é isso que você quer saber.

— Certo. E o que a senhora viu na noite do dia 07 de fevereiro?

De soslaio, vi Reed pegar um bloco de notas no bolso do sobretudo e uma caneta, anotando qualquer informação que a mulher nos daria.

Ela franziu o cenho, apertando os olhos.

— Hum… O dia do acidente de carro. Eu não vi os criminosos.

— A senhora viu algo suspeito pelo bairro? — A voz grossa e séria do meu companheiro reverberou pela sala.

— Ou alguém? — eu complementei sua pergunta.

— Não que eu me lembre… — Ela balançou a cabeça, negando.

— Um homem pulou da janela do 2°andar no dia do crime. Quem era ele?

Seu rosto empalideceu.

— Ah…

— Senhora, nós precisamos saber quem era aquele homem — eu disse, incentivando-a com um olhar sério.

— Ele não é o culpado! Ele esteve durante a noite toda aqui.

— Sim. Nós sabemos disso — Reed murmurou.

— Mas, talvez eu tenha visto algo… Estranho naquela madrugada.

— O que exatamente? — cerrei os meus olhos, cruzando os braços.

— Bem… Meu chefe abriu a porta dos fundos e duas pessoas entraram. Eu não me lembro dos rostos. Eles ficaram conversando na cozinha. Infelizmente, eu estava espiando pela porta, não consegui ouvir a conversa. Mas parecia ser algo sério. Imaginei que fosse algo relacionado ao seu emprego.

— Quem é o seu chefe, senhora? — Reed perguntou.

— O juiz Kennedy.

Reed e eu trocamos um olhar cúmplice. Nós dois sabíamos da reputação do juiz Peter Kennedy.

— Você viu mais alguma coisa?

— Vocês vão acusá-lo de algo? Olha… Eu só estou dizendo tudo isso porque achei estranho, mas não acho que o meu patrão esteja envolvido com esse crime.

— Nós conhecemos a reputação do juiz Kennedy, senhora. Mas te garanto que não iremos acusá-lo sem provas.

— Bem… O juiz trocou apertos de mãos e deu uma mala preta para eles.

— Uma mala preta? — murmurei, intrigada.

— E, bem… Eu tinha visto uma mala preta no quarto do meu patrão, estava aberta e com dinheiro. Não sei quem eram aquelas pessoas e nem o porquê do dinheiro.

— A senhora sabe que isso é muito suspeito, não? — Reed cerrou os olhos na sua direção.

— Ah… sei. Meu patrão não é o homem mais honesto do mundo, por isso, não falei nada a vocês antes. Tenho medo de isso vazar e acabar com a carreira dele.

— Onde está o seu patrão? — eu perguntei.

— Trabalhando.

— A senhora tem mais alguma informação?

Ela negou com a cabeça.

— Tudo bem, muito obrigada pelas informações. — Reed e eu nos levantamos e ele guardou o bloco de notas e a caneta de volta no bolso do sobretudo.

A senhora se levantou e a seguimos até a porta. Ela se despediu de nós com um semblante frio e distante, provavelmente arrependida por ter aberto a boca.

Nós caminhamos em silêncio até o carro. Abri a porta e me sentei, respirando fundo.

— Temos uma informação importante. O juiz Kennedy é corrupto e não é novidade para ninguém. A pergunta é: qual é o envolvimento do cara que pulou da janela? — Reed questionou, pensativo. Sua testa enrugada enquanto os seus olhos observavam o vidro do carro.

— Por que ele estaria no meio disso?

— Já te disse, . Distração, mas não sei o porquê exatamente.

Rolei os olhos.

— Vamos abrir nossas mentes e pensar em outras possibilidades, querido Reed. Há mais coisas que nós não estamos vendo.

— Sem dúvidas. Mas essas informações foram um grande passo que demos. Da primeira vez, aquela senhora não abriu a boca para o FBI quando a interrogaram.

— Precisamos ir atrás de mais informações… — suspirei, cansada.

— Sim.

— A polícia consegui alguma filmagem?

— Não exatamente. Uma pessoa da agência, que está infiltrada na delegacia, não encontrou nada. Disse que a câmera não pegou a rua inteira.

— Estranho.

— É. Eu fiquei tão abalado que nem vim atrás de informações. Confiei no trabalho de outra pessoa.

— Você sabe que isso é um erro nessa profissão, não? Detetives particulares, os bons, que querem a justiça e não a corrupção, não podem cometer esse deslize. Nós podemos ter alguém infiltrado na agência e nem sabemos, Reed. Eu sei que não trabalho lá, ainda. Mas me preocupo, pois era o que os meus pais faziam. Espionar e obter informações dos outros, isso não é trabalho em equipe, é trabalho individual.

— Eu sei. Fui insensato. Vamos checar isso agora — falou, decidido, cerrando a mandíbula.

— Claro. — Abri um sorriso, anuindo a cabeça.

***

Eu estava petrificada enquanto encarava a cena que se desenrolava diante dos meus olhos. Cerrei a mandíbula, apertando os olhos de raiva. Minhas mãos se fecharam e eu desejei socar uma parede para descontar a minha frustração e decepção.

Nas imagens, abria a porta do carro para mim, deixando-me sozinha com a minha dor. Eu estava parada dentro do carro enquanto um filme se passava na minha mente. Me lembrei daquele momento, quando a cena da cabeça do meu pai rolando me fez chorar desesperadamente.

Do outro lado da rua, caminhava até uma árvore, uma sombra cobria parcialmente a pessoa que o esperava ali. Mas as imagens da gravação não ajudavam, era impossível distinguir o rosto da pessoa. conversou brevemente e esticou os braços, recebendo um shorts. Ele se vestiu e deu as costas à pessoa, rumando até o carro.

Eu me senti zonza, levemente atordoada.

Como eu não percebi que ele estava vestido quando retornou ao carro?

Levei minhas mãos até a boca, soltando um grito gutural. Eu era uma boba. Todos os meus treinos foram em vão. Deixei a dor, a emoção e sentimentos cegarem a minha visão, escondendo o que estava na minha frente desde o início.

Eu não reparei no shorts de porque a dor do luto me cegou. Eu estava abalada e vulnerável, no momento em que apareceu. Para mim, não foi nada planejado. Eu não esperava por ele. Mas agora, vendo as imagens, eu tive a certeza de que tudo foi uma farsa. Ele esperava por mim. Tudo foi a porra de um plano bem arquitetado por alguém calculista e esperto.

O carro sumiu de vista. O dono da loja reprisou a cena e eu me afastei, incapaz de continuar vendo aquilo. Eu me senti traída. Enganada. Usada.

Caminhei até o bebedouro, peguei um copo de plástico e enchei o meu copo. Bebi a água em um gole. Respirei fundo e joguei o copo no lixo, com raiva. Em seguida, soquei a parede com força.

Com uma certeza fora do comum, aprumei a postura e sorri para a parede em minha frente.

— Eu vou para a sua festa, .

Eu estava decidida. Eu iria até a festa da república dele.

Eu iria acabar com .

***

Me observei no espelho, admirando a mulher que eu encarava. Meus olhos passaram pelo vestido preto, curto e brilhante, o colar de ouro no meu pescoço, a maquiagem preta e esfumada nos olhos verdes e os meus lábios cheios pintados de vermelho. Meu cabelo loiro estava solto e enrolado nas pontas. Eu não me vestia assim há muito tempo. Me senti completamente linda e sexy.

Exatamente como eu queria.

Me encarei no reflexo do espelho e um sorriso malvado surgiu nos meus lábios vermelhos.

— Eu vou acabar com você, . Por isso, vou entrar no seu joguinho de merda.

Marchei para fora do banheiro, me sentindo confiante.

***

Reed havia me buscado na casa em que eu estava. Eu ainda não havia me mudado para a mansão e não pus os meus pés lá desde aquela noite. Mexi uns pauzinhos e arrumei uma simples casa para ficar por enquanto.

O carro dobrou uma esquina e a música agitada chegou aos meus ouvidos. O carro estacionou um pouco distante da entrada da casa.

— Eu odeio festas de faculdade — Reed suspirou, encarando o meu rosto. — Mas, você… tá espetacular, hein. Quem é o cara?

Um vinco se formou na minha testa.

— Não há nenhum cara, Reed. — Fiz a minha melhor expressão convincente.

— Ah… Vai me dizer que você só vai ficar de olho no cara que pulou do 2°andar?

— Esse é o nosso plano.

— Sim. Mas você não iria se arrumar à toa. Você está saindo com alguém, sim.

— Querido Reed… — suspirei.

— Honestamente… — me cortou, soltando um riso nasalado. — Você nunca se maquiou assim. Definitivamente, você quer se encontrar com alguém nessa festa.

— Reed, o cara do 2°andar… — Deixei as palavras no ar, incapaz de completar a frase.

Ele se calou e me olhou. Eu virei o rosto para a janela enquanto as peças do quebra cabeça se encaixavam em sua mente.

— Espera… Tudo isso é para aquele cara?

— Ele é da minha faculdade e me convidou para essa festa.

Um, dois ou três segundos de silêncio.

— Ah… — ele disse, por fim.

— Eu tenho um bom plano, Reed.

— Eu sei disso. O seu vestido diz tudo.

— Eu espero que dê certo então. Me deseje sorte, Reed. — Me virei para ele e nossos olhares se encontraram.

Reed sorriu levemente, anuindo a cabeça.

— Boa sorte, . Eu escutarei tudo, lembre-se disso. — Apontou para o meu decote, onde estava um gravador de voz minúsculo grudado no meu vestido.

Sorri, concordando com a cabeça. Abri a porta do carro e segui até a entrada da casa. Pensei se deveria tocar a campainha ou simplesmente entrar. Ergui o braço até a campainha e então a porta se abriu.

A garota sorriu abertamente ao me ver.

! Você está linda.

Sorri gentilmente para Hazel.

— Obrigada.

— Vamos entrar, você veio sozinha? — ela gritou, assim que fechou a porta atrás de nós.

— Sim — gritei, de volta. Ela me guiou pela sala lotada de corpos suados e alcoolizados, a música explodindo na caixa de som. Fiz uma careta, tentando me acostumar com o barulho. Olhei ao redor, buscando por alguém conhecido, entretanto, as luzes me impediam de enxergar. A sala era uma escuridão, a única luz eram as luzes de neon piscando. Hazel me levou até um corredor, aos poucos, essas luzes eram substituídas pela claridade.

Ela fez uma curva no corredor e estramos na cozinha. Havia algumas pessoas ali.

— Uma bebida? — Ela se virou para mim.

— Não quero beber hoje.

Ela fez um biquinho, mas concordou.

— Então vamos para o segundo andar.

Ah, o maldito segundo andar.

Ela me puxou de volta para o corredor e andamos até a sala novamente, subindo as escadas. A música e o clima eram diferentes. Pessoas bebendo, gargalhando, flertando e dançando em cima das mesas e sofás. Me virei para Hazel.

— Você vai ficar aqui? — gritei, por cima da música.

— Não. Vamos lá para fora, mas minha amiga está aqui em algum lugar. Preciso achá-la, você espera aqui?

Balancei a cabeça. Ela sorriu antes de se afastar. Caminhei até o canto daquela sala sufocante e me encostei na parede, cruzando os braços.

— Você veio, princesa. — Uma voz se sobressaiu ao meu lado. Dei um pulo de susto, levando as mãos no coração. Ele riu, achando graça. — Você está linda de morrer.

Era essa a intenção, eu pensei.

Sorri sugestivamente e me virei para o encarar. Me arrependi no mesmo instante. conseguia se superar no quesito beleza. O desgraçado estava mais lindo do que antes. Seu cabelo castanho estava um pouco bagunçado, deixando alguns fios caídos em sua testa. Sua blusa branca apertava os seus músculos. Sua calça jeans escura marcava a sua coxa grossa. Ele era um verdadeiro pedaço de mal caminho.

E eu pensei na nossa noite juntos. Me lembrei de cada momento em que passamos juntos. Aquela noite não saía da minha cabeça.

Ele sorriu, exibindo a sua covinha.

— No que está pensado, princesa?

Em como você é um mentiroso, babaca.

— Nada — sorri de volta. Ele negou com a cabeça, sorrindo maliciosamente.

— O que ta achando da festa?

— Entediante.

— Quer sair daqui? — ele aproximou-se, colando os seus lábios no meu ouvido.

O encarei. Seus olhos brilhavam em expectativa.

— Claro. — Sorri, adorando aquele convite.

***

— Então… Você é nova na cidade? — Os seus olhos intensos me avaliavam atentamente.

— Não, eu nasci aqui.

— Nunca te vi na faculdade. — Ele cruzou os braços com uma expressão pensativa.

— Eu havia trancado o meu curso. Voltei agora após a morte dos meus pais…

Ele não disse nada, permaneceu com os seus olhos sobre mim. Um suspiro escapou dos seus lábios, enquanto descruzava os braços. Aproximou-se, tomando o meu rosto nas suas mãos enormes e quentes. Um arrepio subiu pela minha espinha. Ofeguei, mergulhando nas suas íris.

— Eu sinto muito pelo que aconteceu. De verdade.

Assenti, ainda hipnotizada pelos seus olhos.

— Eu já perdi alguém também. Já pensei em me matar… Quando eu disse que não vale a pena, é verdade, princesa. — Ele acariciou a lateral do meu rosto, sorrindo tristemente.

— Eu não penso mais nisso… Tenho um motivo para continuar viva — soprei, baixinho, contra os seus lábios. Ele entreabriu os seus lábios avermelhados, intercalando o seu olhar entre os meus olhos e a minha boca.

— Qual motivo, ?

Seus olhos caíram novamente para os meus lábios abertos. Sua respiração soprou contra o meu rosto, me fazendo fechar os olhos.

— Os meus estudos — menti.

O verdadeiro motivo era a minha vingança. Eu iria achar os criminosos e prendê-los.

E, teoricamente, era a minha primeira suspeita.

Sua mão segurou a minha nuca enquanto os seus olhos se fechavam, seus lábios entreabertos aproximando-se da minha boca. Soltei um suspiro sofrido, o puxando contra mim. Segurei o seu rosto entre as minhas mãos e o puxei. Nossas bocas se colidiram. Sua língua pediu passagem e eu me agarrei em sua nuca, iniciando um beijo intenso e delicioso.

Os lábios de pareciam ser perfeitos para os meus.

Nosso beijo diminuiu o ritmo, aos poucos. Ele saboreava dos meus lábios como se fosse o seu doce predileto. Sua boca se movia num ritmo alucinante e eu me joguei naquele mar de sensações. Sua mão direita desceu pelo o meu corpo, apertando fortemente a minha bunda. Um sorriso se formou nos seus lábios enquanto nos beijávamos. Aproveitei aquele momento para separar os nossos lábios, em busca de ar para os meus pulmões.

Ele abriu os olhos, me encarando com um sorriso safado. Sua mão ainda repousava em minha bunda.

— Espertinho — sussurrei, contra a sua boca. Ele sorriu, deslizando a sua outra mão para longe do meu rosto, indo em direção também à minha bunda. As duas mãos me seguravam fortemente. Ele não perdeu tempo e apertou a minha carne novamente.

Dei um tapa no seu peitoral, achando graça da sua ousadia.

— Eu quero você — sussurrou. Seus lábios mordiscaram os meus e desceram em direção ao meu pescoço.

Eu ri e levei as minhas mãos ao seu cabelo, dando permissão para a sua boca deslizar pela minha pele.

— Eu quero você — repetiu.

Eu soltei um riso nasalado e fechei os olhos.

Reed deveria estar se divertindo. Por um momento, me esqueci que ele estava escutando tudo.

— Não sou fácil, querido. — Afastei o meu pescoço do seu alcance. Seus olhos decepcionados encontraram os meus e eu sorri maliciosamente. — Desculpa, mas não vim com essa intenção.

— Que intenção?

— Passar a noite com alguém. Eu quero apenas dançar e rir com a minha amiga.

— Com a minha irmã — ele corrigiu.

— Sim, com a sua irmã. Aliás, ela é mil vezes mais legal do que você — o provoquei. Passei os meus braços ao redor do seu pescoço e fiquei na ponta dos pés.

— Eu sou um cara legal também, princesa. Muito mais do que ela.

— Humm… — Mordi a sua boca, soltando um riso. — Você só é bom em uma coisa, .

— Em quê? — Arqueou as sobrancelhas, me olhando de modo sugestivamente.

Em mentir.

— Em me beijar.

Ele sorriu, concordando. Nossos lábios se tocaram novamente, iniciando um beijo lento e torturante. Esses tipos de beijos me faziam arfar e suspirar. Ele me prensou contra a parede, atacando a minha boca com fúria. Nosso beijo mudou de ritmo drasticamente. Seus lábios pincelavam os meus, em desespero. Suas mãos subiam e desciam por todo o meu corpo enquanto as minhas apenas o acariciavam na nuca.

A porta dos fundos foi aberta e uma voz estridente chegou aos nossos ouvidos.

.

Separamos os nossos lábios, nos virando para a garota de óculos, que nos encarava em choque. Sua boca completamente aberta e os seus olhos arregalados.

— Porra, ! Eu não acredito nisso. — Ela apontou para o irmão. — Você poderia pensar com a cabeça de cima por uma única vez, seu babaca?

Eu ia abrir a boca para dizer algo, mas Hazel me interrompeu:

— Você sempre estraga a minha vida, . Sempre. A única pessoa que se tornou a minha amiga agora está aos beijos com você. Depois você a magoa e eu fico sozinha novamente. Você é patético.

Ela virou-se de costas e entrou para dentro da casa novamente, batendo a porta com força.

fechou os olhos com força e esfregou as mãos no rosto.

— Me desculpe por isso.

— Ela ficou magoada — sussurrei. Ele balançou a cabeça, concordando.

— Vou conversar com ela, não se preocupe. — Ele sorriu confiante e grudou os nossos lábios pela última vez. — Vamos voltar para a festa?

… Eu prefiro manter distância, por favor.

Ele franziu o cenho, visivelmente confuso.

— Por quê?

— Não sei, só quero me divertir.

— A gente acabou de…

— Foi bom, . Delicioso. Mas foram apenas beijos, certo? Você não precisa ficar atrás de mim a noite inteira.

Ele engoliu em seco e me encarou. Seus olhos estavam baixos e decepcionados.

— Entendi, . Você é do tipo que não se apega — concluiu, soltando um riso amargurado.

— Sim, .

— Somos iguais, princesa — murmurou, olhando nos meus lábios enquanto dava passos para trás. — Eu também não me apego.

deu as costas, sem esperar por uma resposta, saindo do meu campo de visão, e bateu a porta fortemente.

Eu sorri vitoriosamente.

Uma parte do plano estava concluída, agora era só esperar correr atrás de mim novamente.

1 e 0.

N/A: DEUS, É… INTENSO DEMAIS!
Eu simplesmente adoro a Hazel. Vocês não tem noção do quão fofa ela é. Fiquei com pena da situação dela agora 🙁
O que vocês estão achando da história em geral? Do nosso advogado e melhor amigo? Do pp? Da irmã dele? E DA IRMÃ DA PP?
A Sophie é bem exigente, hein!
Comentem o que estão achando dos personagens, isso é muito importante para a história, amigx. Quem tiver interesse em conhecer mais das fics, entre no link ou conheçam o meu grupo de leitores (SOLTO SPOILERS E JOGOS INTERATIVOS HAHA). Até breve.
nomeMeu grupo de leitores
Minha outra história original

 

Capítulo 4

Algo em você
Faz eu me sentir uma mulher perigosa
Algo em, algo em
Algo em você
Me faz querer fazer coisas que eu não deveria fazer
Algo em, algo em
Algo em você
— Dangerous Woman (Ariana Grande)

Voltei para a festa alguns minutos depois. Enquanto eu dançava, senti um par de olhos queimando sobre mim. Dançando na pista de dança, olhei por cima dos ombros, encontrando o olhar nebuloso de .

Sorri satisfeita, sentindo o cheiro de vitória.

Ele estava interessado em mim.

A música eletrônica foi substituída por uma batida lenta e sensual, aumentando gradativamente o número de mulheres na pista de dança. Os homens chegavam por trás, sorrindo de modo sedutor e passando as mãos nos corpos das mulheres. Algumas exibiam um sorrisinho malicioso de volta e rebolavam contra os caras, outras eram mais rudes e os empurravam pelos ombros, voltando a dançar sedutoramente, apenas para se divertirem e sentirem a música, sem pretensão de seduzir alguém em específico.

Mas eu estava na pista de dança, rebolando lenta e sensualmente ao som de The Weekend. A batida da música Earned It me deixou empolgada e os meus movimentos lentos faziam me sentir sexy.

De soslaio, vi desencostar da parede, rumando para longe do seu grupo de amigos. Ele pegou uma bebida da mão de um cara e bebeu em um único gole, seus olhos fixos em mim. Sorri por cima dos ombros, voltando a dançar ao som da batida. Passei as mãos pelos fios loiros e lisos, desci as mãos para a minha barriga e a coxa, subindo pelo mesmo caminho novamente.

Flexionei o joelho, agachando e rebolando, a música já possuía o meu corpo e a batida me fazia sentir a mulher mais sexy do mundo. Arrumei a postura, voltando a ficar reta. Abri os braços e balancei a cabeça para os lados, fazendo o cabelo bater no meu rosto.

Ri e senti o meu coração bater no ritmo lento da música. Duas mãos rodearam a minha cintura, puxando o meu corpo para trás. Senti o peitoral duro do cara atrás de mim e sorri. Seus lábios colaram no meu ouvido.

— Você quer me matar, não é?

— Eu? — perguntei, inocentemente.

Voltei a dançar, rebolando contra o seu corpo e abri os braços, levando em direção aos fios castanhos do rapaz. Passei os meus dedos entre os fios macios e movi os meus quadris no ritmo da música. apertou as suas mãos na minha cintura e enfiou o rosto no meu pescoço.

Abaixei as mãos para baixo, colocando-a por cima das mãos de em minha cintura. Acariciei o seu braço e rebolei de modo sugestivo contra o seu membro, que já se encontrava duro contra a minha bunda.

me puxou ainda, deixando-me sentir o seu desejo por mim.

— Você tá me enlouquecendo, garota.

Soltei um riso anasalado e dancei por mais alguns segundos, antes da música se encerrar. Outra batida sexy invadiu o ambiente e escutei o grunhido do moreno nos meus ouvidos.

— Eu preciso ter você agora mesmo — murmurou, com a voz rouca.

Virei-me de frente para ele e levei as minhas mãos ao seu rosto, aproximei os meus lábios dos seus.

— Vamos sair daqui…

— Querido. — Segurei o seu rosto com as mãos e selei os meus lábios nos seus por alguns segundos. — Um selinho é tudo que você terá de mim hoje.

Um sorrisinho de vitória surgiu no canto dos meus lábios e me virei para começar a me afastar, contudo a sua mão me segurou.

— Você não pode me deixar assim…

— Eu posso e vou, . Sinto muito.

Me desvencilhei dos seus braços fortes e caminhei até o outro lado do cômodo. Encontrei Hazel encostada na geladeira, com um copo vermelho nas mãos e um olhar amargurado na direção da pista de dança. Ela viu toda a cena que eu e seu irmão protagonizamos.

Soltei um suspiro derrotado e marchei até a sua direção. Percebendo a minha aproximação, Hazel caminhou para o lado oposto, passando por mim e esbarrando nos meus ombros.

— Hazel — gritei.

— Hoje não, — ela gritou, de volta, olhando por cima dos ombros, sumindo no meio da pista de dança.

Balancei a cabeça e rumei até o freezer, peguei uma cerveja barata e bebi com lentidão, apreciando o gosto da vitória. Bem, não era o melhor sabor, mas me contentei com aquela cerveja ruim.

Alguns garotos se aproximaram de mim com sorrisos sugestivos e cantadas baratas, porém dispensei todos e ri de algumas piadas sem graça, apenas para me distrair da bolha .

Depois de algumas horas, retornei para a pista de dança, que estava lotada. A música era um pop da Ariana Grande que fazia ambos os sexos moverem seus corpos ao som lento.

Movi o meu corpo no ritmo da música, bagunçando os meus fios e dublando algumas partes. Eu não conhecia nenhuma letra das músicas da Ariana Grande, mas, naquela noite, eu soltava frases aleatórias e fingia acompanhar a voz potente da cantora.

Algumas garotas se aproximaram e dançaram na minha frente. Rindo e me divertindo, juntei-me a elas, fazendo uma coreografia impressionante e sensual. No meio da música, algumas pessoas pararam de dançar para nos observar e assoviaram quando umas de nós desciam e subiam, rebolando e piscando para a plateia que se formou ao redor.

Notei no meio das pessoas e caminhei até ele, descendo até o chão enquanto o seu olhar queimava sobre mim. Mexi os quadris e sibilei a letra da música, voltei para cima, dançando para lá e para cá com os quadris e fingindo dublar a cantora.

Somethin’ ‘bout you makes me feel like a dangerous woman. Somethin’ ‘bout, somethin’ ‘bout, somethin’ ‘bout you. Makes me wanna do things that I shouldn’t. Somethin’ ‘bout, somethin’ ‘bout, somethin’ ‘bout.

cerrou os olhos e o maxilar e cruzou os braços sobre o peito. Seu olhar fixo em todos os meus movimentos. Ele umedeceu os lábios e negou veementemente com a cabeça.

Sorri maliciosamente e dei as costas para e a plateia, voltando a interagir com as garotas. Dancei sem me importar com as pessoas e ri alto, sentindo-me verdadeiramente alegre. Talvez fosse as cervejas que bebi que me deixaram mais alta, mas não me importei.

All girls wanna be like that. Bad girls underneath like that. You know how I’m feeling inside. Somethin’ ‘bout, somethin’ ‘bout. All girls wanna be like that. Bad girls underneath like that. You know how I’m feeling inside (somethin’ ‘bout, somethin’ ‘bout).

A música chegou ao fim e a nossa plateia bateu palmas e assoviou, adorando a cena. As meninas sorriram entre si e, pela primeira vez, notei a garota do banheiro no meio das garotas.

Assim que seu olhar encontrou o meu, ela correu em minha direção e sorriu abertamente.

— Você deixou os caras babando, menina! Você dança muito bem.

— Vocês também dançam bem — sorri.

ficou duro por você, acredite — ela confidenciou.

— Ah, ele não larga do meu pé.

— E com razão, né? Um mulherão desses!

Ri graciosamente e apontei o dedo em sua direção.

— Seu nome? — cerrei os olhos.

— Violet — ela esticou as mãos e trocamos um cumprimento formal demais para o ambiente em que estávamos. — Já sei o seu nome, . Aliás, quem não conhece a nova garota da faculdade?

— Oh, a lista de — lembro-me, rolando os olhos.

— Exatamente. — Ela juntou as mãos e pulou animada. — Que tal bebermos alguma coisa juntas?

— Eu topo.

Nós sorrimos e andamos até a cozinha. Enquanto eu caminhava ao lado de Violet, um par de mãos me puxou na direção contrária. Não consegui gritar por ajuda e Violet pareceu não notar a minha ausência ao seu lado.

Eu estava sendo puxada por uma sombra no meio da multidão e minha voz sumiu na minha garganta. Fui arremessada para dentro de um cômodo e a porta fechou com força.

Apertei os olhos para tentar enxergar através da escuridão.

— ouvi a sua voz.

Soltei um suspiro aliviado e ri.

virou um perseguidor de moças agora?

Ele riu levemente e ouvi os seus passos contra o chão de madeira.

— Eu tô bêbado pra caramba, tentei te esquecer, mas a minha mente insiste em você, garota.

— Oh, acho que o seu problema é outro… obsessão.

— Não estou obcecado — ele me puxou para os seus braços e passos os lábios pelo meu pescoço. — Só quero me divertir com você.

— Eu nem te conheço, .

— Prazer, me chamo , sou britânico e você já deve ter notado isso por causa do meu sotaque. Tenho uma irmã nerd e chata, meus pais são separados e eu moro no campus da faculdade. — Ele estendeu a sua mão para mim, com um sorrisinbo de canto.

Eu sorri graciosamente.

— Me fale mais, ?

— Sobre?

— Sua família… Você…

— Bem, meu pai é um empresário milionário, mas não gosto de falar sobre ele. Minha madrasta é uma socialite e eu também não gosto de falar sobre ela.

— Você odeia a sua família?

— Não, eu só não concordo com as coisas que eles fazem.

— E o que eles fazem? — perguntei, interessada.

— Segredos de família, querida.

— Hum… — estreitei os olhos. — E por que você saiu da Inglaterra?

Ele apertou os olhos, como se tentasse lembrar do motivo da sua partida do país.

— Bem… Todo ano estou em um país diferente. Já morei na Argentina, México, Cuba, Estados Unidos, Austrália… Conheço muitos lugares e sempre foi assim.

— Você fala espanhol, eu presumo.

Muy bien — ele sorriu sugestivamente.

— Por que viveu em tantos países?

— Trabalho com o meu pai.

— E você está no Canadá a trabalho também? — questionei.

Seu rosto endureceu e as palavras não saíram. Ele me olhou com o seu olhar bêbado e ergueu as sobrancelhas.

— Estou a trabalho, sim.

— O que você faz, ?

Ele me observou atentamente. Um leve humor inundando os seus olhos castanhos.

— Você me parece uma policial em um interrogatório.

Eu paralisei, minha expressão murchou. Meu sorriso fechou e meu coração bateu mais forte. Seu rosto se aproximou do meu.

— Isso é um interrogatório, detetive?

Meu coração martelava no meu peito.

De-detetive? — gaguejei, estupidamente.

— É brincadeira, gata — ele riu. — Precisamos de uma entrevista para podermos ficar juntos essa noite?

Tentei sorrir da sua brincadeira sem graça, mas um som estranho escapou dos meus lábios. cerrou os olhos na minha direção.

— Você tá pálida, o que aconteceu? Eu fiz algo pra você?

Balancei a cabeça freneticamente.

— Desculpe, eu… eu… preciso sair, agora. — Corri dos seus braços e abri a porta. Andei apressadamente pelo corredor e quando encontrei um banheiro feminino, entrei com o coração explodindo no meu peito.

Não havia ninguém no banheiro, e assim que fechei a porta, puxei o gravador do meio dos meus seios.

— Ele sabe de algo, Reed. Ele sabe. Eu senti… ele sabe.

As lágrimas inundaram os meus olhos e quase caí no choro. Respirei fundo e procurei me acalmar.

****

Na manhã seguinte, Reed me levou até a delegacia para prestar o meu depoimento. Segundo ele, a polícia da cidade estava em greve e o delegado se recusava a ouvir a única testemunha de um crime brutal.

Eu estava contando e revivendo cada detalhe daquela noite. Os olhos dos policiais e do delegado sobre mim o tempo todo. Finalizei o meu depoimento com lágrimas rolando sobre o meu rosto.

O delegado me estendeu um lenço e sorriu.

— Você é a única testemunha do crime, vai ser difícil para nós solucionarmos esse caso.

Guardei a informação de que havia câmeras de segurança com provas e uma testemunha de algo bem suspeito, e concordei com o delegado.

— Vocês precisam fazer algo!

— Iremos, senhorita.

— Por que demoraram tanto para colher o meu depoimento? O acidente foi há semanas e só hoje eu pude ser ouvida — comecei o meu drama. — Isso é uma irresponsabilidade da polícia dessa cidade! Vocês precisam descobrir quem matou duas pessoas numa noite. Fora os corpos que ainda não foram encontrados! Cadê a polícia desse país?

— Estamos começando com a investigação, precisamos de tempo…

— Isso é muito suspeito pra mim. Quem fez isso é alguém com poder. E aliás, com poder o suficiente pra atrasar esse caso e subornar vocês.

— Senhorita. — O delegado se levantou abruptamente. — Saia já dessa sala, eu não tolero insultos contra mim ou os profissionais desta unidade.

Com a raiva transbordando em minhas veias, marchei para fora da delegacia.

Reed me esperava do lado de fora e cerrou os olhos em minha direção.

— E aí?

— Eles deram uma desculpa pelo atraso, mas eu não acreditei em nenhuma palavra.

Ele pensou por um momento.

— O juiz Kennedy é o meu único suspeito em relação a isso. Ele pode ter feito algo para atrasar as investigações.

— Sim — falei, pensativa. — Mas por quê?

— E outra, aquele … esse cara definitivamente é o maior suspeito.

— A gente tem muito trabalho pela frente, meu amigo.

— Nunca achei que eu estaria trabalhando com você, .

— Sou uma péssima companheira?

— Pelo contrário, eu te vi crescer, só está sendo estranho isso pra mim ainda.

Sorri e dei uns tapinhas no seu ombro.

— Então, se acostume, Reed.

****

Eu me mudei da pensão em que estava no dia seguinte. Separei as minhas roupas e coisas importantes dentro das caixas de papelão. O caminhão buscou as minhas coisas às 08:00 da manhã. Exatamente às 08:30 o caminhão parou em frente à mansão dos meus pais. Engolindo em seco, meus olhos miraram para a mansão. Meu estômago se revirou. Era a primeira vez que eu pisaria dentro de casa depois de tudo. Meu coração batia tão rápido que precisei respirar fundo e controlar a minha tremedeira.

Desci do caminhão e caminhei até a porta, abrindo-a com a chave. Com facilidade, a porta se abriu e a imensidão das paredes claras me atingiu. Eu inalei o ar, sentindo o cheiro de produtos de limpeza.

Olhando por cima dos ombros, avistei Reed estacionando o seu carro atrás do caminhão. Com um suspiro, comecei a andar pela sala. Os sofás coloridos e enormes da minha mãe estavam ali, fazendo-me sorrir ao me lembrar do seu gosto peculiar para a decoração de casas. Passei as minhas mãos pelos quadros na parede, sentido falta de cada parte daquela casa.

— Que merda é essa? — eu ouvi uma voz feminina e estridente. Virei para a minha irmã e recebi um olhar de desdém de volta. — Que sofá cafona!

— Era da mamãe. Ela amava cores. — Cerrei a mandíbula.

— Vou comprar outro sofá. Ninguém merece uma coisas dessas.

— Você não vai tocar nas coisas dos nossos pais. — Aprumei a postura, pronta para discutir.

— É a primeira coisa que vou fazer, irmãzinha. — Ela empinou o nariz, dando as costas, e subiu as escadas.

Soltei um suspiro derrotado. Senti as mãos de Reed nas minhas costas.

— Seja paciente como era Jesus, minha querida.

Eu ri alto e o empurrei levemente.

*****

Talvez fosse a discussão que tive com a minha irmã mais cedo ou a saudade dos meus pais que me fizeram ir até um pub da esquina de casa. Eu deveria ter bebido bastante álcool, pois sentia a minha cabeça girar e minha visão turva.

Senti alguém me segurar pelo braço, puxando-o para cima. Enlacei o pescoço da pessoa, inalando o cheiro de perfume masculino. Suspirei.

— Infelizmente, sou eu, pequena . — Ouvi a voz de Reed soprar, no meu ouvido. Abri os olhos aos poucos, piscando lentamente.

— Como você me encontrou?

— Eu estava aqui também. Quando vi você bebendo e se jogando no chão, corri pra te ajudar.

— Obrigada — sorri, levemente tonta.

— Você tá muito bêbada? Se sente bem?

— Tô bem. Meu mundo não tá mais girando — ri, achando graça. Reed fechou a cara, emburrado.

— Seus pais não gostariam de te ver dando showzinho num pub. Espero que não beba muito da próxima vez ou venha com alguém de confiança. Você estava praticamente desmaiada no chão, !

— Tudo bem, papai!

Ele rolou os olhos, puxando-me pela cintura.

— Vamos embora, vou te levar pra casa.

Eu ri, passando as mãos pelo seu rosto.

— Você é muito chato.

— Eu sei.

— Chato — lhe mostrei a língua, achando graça da minha atitude.

Ele balançou a cabeça e me ignorou conforme entrávamos no carro.

— Me ignore, Reed. Seu chato.

Reed me ignorou completamente e ligou o motor.

****

Assim que meus pés pisaram contra o piso do chão, percebi uma diferença. Meus olhos se arregalaram quando reparei nos sofás. Brancos e sem graça.

— Sophie! Você não tinha esse direito! — exclamei, indignada. Senti o álcool subir até a cabeça e uma leve tontura. Marchei até o corredor que levava à sala de estar. — Que porra você fez?

Meus pés batiam fortemente contra o chão. Abri a porta da sala de estar e gritei, ao avistar a minha irmã.

— Você não tem esse direito! Eram as coisas da nossa mãe, Sophie!

A taça pairou no ar. Sophie me olhou com superioridade. Ela estava acompanhado de um homem que eu mal olhei direito. Meus olhos estavam focados na cara de deboche da minha irmã.

— Seja mais educada, .

Fechei os meus olhos com força, praguejando baixinho. Assim que abri os meus olhos, a minha visão foi direcionada ao seu acompanhante. Ao homem ao seu lado. A . Seus olhos estavam surpresos e sua boca levemente aberta. Minha expressão mudou completamente.

— Você tá bêbada, irmã. Vá tomar um banho, por favor.

Soltei um riso de escárnio, voltando a olhar para a minha irmã.

— Por que você fez isso?

— Querida, você não percebeu que estou ocupada? Eu e o meu… namorado estamos conversando. Você está bêbada, .

Meu coração martelou no meu peito.

Namorado?

era comprometido?

Nota da autora: EU NÃO ENCONTREI MÚSICA MELHOR DO QUE DANGEROUS WOMAN PARA USAR NESSA CENA!
se encaixou perfeitamente na letra e, literalmente, está se tornando uma mulher perigosa. O que vocês estão achando da história? Me digam tudo! Tenho uma playlist dessa fic tbm, o link tá no meu grupo de leitores no Facebook, espero vocês por lá ;).
Até o próximo capítulo, beijos.

Meu grupo de leitores
Minha outra história original

 

Capítulo 5: Longe de mim

“Quero que lembre quem você é, apesar de todas as coisas ruins que estão acontecendo com você. Porque essas coisas ruins não são você. São apenas coisas ruins que aconteceram com você.
Um Caso Perdido (Collen Hoover)

Senti algo se revirar no meu estômago e cerrei os meus olhos.

, você tá pálida. Vá tomar um banho para tirar esse cheiro de cachaça do corpo.

Com raiva, rumei até a mesa, batendo as minhas mãos sobre o vidro. Eu a encarei com fúria. Senti o meu rosto queimar com o olhar de sobre mim.

— Por que você fez isso? — repeti a pergunta, controlando as lágrimas que ameaçavam cair. — Por quê?

Sophie sorriu suavemente, levantando a taça até os seus lábios e bebeu um gole com lentidão, saboreando a minha derrota.

Ao seu lado, me lançou um olhar agoniado.

Meus olhos moveram entre os dois até parar sobre a minha irmã. Ouvi um pigarrear e então meu olhar desviou do sorriso debochado que Sophie exibia atrás da taça.

, amigo da sua irmã. — Ele estendeu a sua mão. Notei que ele usou a palavra “amigo” ao invés de “namorado”, como Sophie fez questão de dizer.

Meus olhos foram em direção à sua mão estendida, percebendo o seu nervosismo. Sua mão tremia levemente.

. — Sorri triunfante. — Mas você já me conhece.

empalideceu. Sophie se engasgou com o vinho tinto.

— Conhece? — perguntou num fio de voz.

— Sim. Ela quis dizer o sobrenome, eu já conheço — apressou-se em responder.

Sophie me lançou um olhar estranho.

— Não é isso, ?

— É. — Sorri amigavelmente.

, você pode se retirar agora. Quero privacidade com o meu namorado.

— Você não deveria ter mexido nas coisas da mamãe.

— Ah, é? Por que, ? — Sophie levantou-se, pousando as mãos sobre a mesa e aproximou o seu rosto do meu. — Eu moro aqui agora. Eu mando aqui.

Cerrei a mandíbula, olhando nos seus olhos.

— Você nunca os amou, não é?

Ela desviou o olhar, puxando o ar.

— Seu hálito de cachaça está embrulhando o meu estômago. Suma daqui, sua alcoólatra de merda.

— Essa é a minha casa também — debati, firmemente.

O rosto de Sophie ficou vermelho de raiva. Num piscar de olhos, ela contornou a mesa e me puxou pelo braço. Eu me debati, tentando me soltar do seu aperto.

— Sua vadia… Alcoólatra de merda.

Estiquei o meu braço livre em direção à taça de vinho que ela bebia e joguei o líquido escarlate no seu belo rosto. Seus lábios se abriram e um suspiro surpreso escapou da sua boca.

Imediatamente, sua mão voou em direção ao meu rosto. Um tapa forte tombou a minha cabeça para o lado.

Ardeu. Queimou a minha pele.

Levei os meus dedos à minha bochecha e lentamente virei o meu rosto para a encarar. Sua mão estava suspensa no ar enquanto o seu olhar transbordava de ódio.

A sala ficou em silêncio. Apenas o som das nossos respirações eram ouvidas.

puxou a minha irmã para trás, afastando-a de mim. Seus olhos preocupados encontraram os meus. Ele puxou uma cadeira, colocando a sua suposta namorada sentada. Um choro rompeu o silêncio.

Sophie começou a chorar, balbuciando palavras de desculpas enquanto afagava o seu cabelo. Ele me lançou um olhar preocupado e eu me irritei com aquela cena.

Me afastei da mesa, rumando para fora da sala. Quando eu estava no corredor, longe deles, corri o mais rápido que eu consegui, subindo as escadas rapidamente. Bati a porta do meu quarto com força.

Eu conseguia escutar o choro da minha irmã.

Torturando-me.

Apertei a mandíbula e lutei contra o impulso de querer socar uma parede. A raiva transbordando em cada célula do meu corpo. Aquele tapa marcado na minha pele.

Minutos depois, o choro parou. Tremendo dos pés à cabeça, me levantei e caminhei até o banheiro. Meus olhos se encheram de lágrimas ao notar a marca dos dedos na minha bochecha direita.

A porta do banheiro se abriu lentamente. Com a expressão preocupada, surgiu atrás da porta.

— Posso falar com você?

Fechei os olhos, controlando as lágrimas que insistiam em cair. Abri os meus olhos, encarando o homem pelo reflexo do espelho.

— Você tá bem? — ele perguntou.

— Você é comprometido, . — Ignorei a sua pergunta, virando-me para olhar em seus olhos. Vi o seu pomo de adão subir e descer devagar. — Você sabia que a Sophie era a minha irmã e mesmo assim ficou comigo.

Ele articulou a boca, mas não permiti que dissesse nenhuma palavra.

— Não, deixe eu falar. Isso é um tipo de fetiche ou você é muito esperto, ? — Dei um passo à frente, aproximando-me do seu corpo. Ele ficou tenso. — Por que eu sinto que tudo isso não são apenas coincidências? Por que do dia para a noite você surgiu na minha vida e na minha casa?

Ele engoliu em seco, desviando o olhar. Eu não desviei os meus olhos do seu rosto.

— Me diga algo, . Se eu contar tudo o que aconteceu para a minha irmã, como ela reagiria?

Seus olhos voltaram a me encarar.

— Não diga nada, por favor — ele sussurrou a última parte. Sua expressão se contorceu em dor.

— Por que você não disse que era comprometido?

— Porque… Eu… Nós não estamos juntos, de verdade. Eu… Eu nem sei o que tá rolando, . Sua irmã é doida. Isso é complicado, você nem imagina o que acontece entre a gente.

— Ela te comprou? Te chantageou? Te obrigou a ser o namorado dela?

— Você é a porra de um mentiroso, .

— Eu omiti, é diferente.

— Não seja ridículo. Você mentiu. Eu me pergunto, querido , quais são suas outras mentiras?

Ele apertou a maçaneta da porta, notei a sua mandíbula travar.

— Seu rosto está vermelho… Posso te ajudar? — Ele voltou a me olhar com preocupação.

— Você sabia que nós éramos irmãs? — Cruzei os braços, observando os traços do seu rosto.

— Não. Eu juro que não sabia. Sua irmã não usa o sobrenome.

— Você namora uma pessoa e não sabe o nome completo dela. — Ri, sem humor. — Belo futuro, .

— Ela disse que se chamava Sophie Morgan.

— É o sobrenome da mãe dela. Não me surpreendo que ela esteja se apresentando assim.

— Então você acredita em mim quando eu digo que não sabia sobre vocês serem irmãs?

Engoli a saliva com dificuldade. Analisei o seu rosto, ansiosa, e os seus olhos brilhantes.

era uma suspeita.

E eu precisava entrar em seu jogo.

— Claro. Não tinha como você saber.

Ele suspirou aliviado.

— Mas eu ainda quero você longe de mim. Por favor, não fale mais comigo.

, só some da minha frente. O meu relacionamento com a minha irmã não é bom e isso pode complicar ainda mais. Eu não quero mais confusão na minha vida. Eu preciso de paz.

Com um suspiro derrotado e os olhos caídos transbordando de tristeza, ele passou ao meu lado, saindo do cômodo.

***
Olhei para o buraco no chão. A cova dos meus pais estava aberta abaixo dos meus pés. Estranhamente, eu flutuava enquanto olhava para o enorme buraco vazio.

Os corpos ainda não foram encontrados, a voz sussurrava na minha mente.

O choro ameaçava escapar. Senti um aperto na garganta e levei as mãos em direção ao coração. Nas minhas mãos, um líquido escorria entre os meus dedos. Franzi o cenho, abaixando a cabeça lentamente. Meus olhos se arregalaram ao notar o sangue nas minhas mãos. Meu coração errou uma batida quando percebi um enorme buraco no meu peito, lugar de onde saía todo o sangue. Com desespero, coloquei as minhas duas mãos sob o peito, tentando parar o fluxo de sangue. Mas não parava. Saía mais e mais.

Chorei, sentindo as lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas.

Filha.

Ouvi uma voz me chamar. Virei o meu rosto para todos os lados, procurando o dono da voz.

Filha, aqui.

Segui em direção à voz, que parecia estar abaixo de mim. Meus olhos desceram até a cova novamente. Subitamente, uma mão cheia de terra se ergueu. Me assustei e quase caí para trás, no entanto, meu corpo voltou para a posição ereta de novo.

Olhei ao redor, apavorada.

Mais uma mão surgiu no meu campo de visão. As duas mãos abaixaram na escuridão da cova, desaparecendo. Suspirei aliviada e fechei os olhos. Contei até dez mentalmente, respirando fundo.

1…2…3…4…5…6…7…8…9…

Abri os olhos. Meu pai com a garganta cortada surgiu na minha frente, os olhos vermelhos cheios de sangue e o corpo sujo de terra. Um grito silencioso escapou da minha boca.

Acordei subitamente, sentindo o meu corpo inteiro tremer. O suor escorria pela minha testa, indo em direção ao meu rosto e pescoço. Meu coração começou a palpitar num ritmo descontrolado e senti as lágrimas brotarem nos meus olhos. Comecei a chorar, agarrando-me ao travesseiro.

Acabei cochilando no sofá após mais um dia exausto na faculdade. Meu peito subia e descia num ritmo rápido, incontrolável. Minha respiração estava acelerada e curta, senti uma sensação de sufocamento. Agarrei-me a um travesseiro, inalando o ar para os meus pulmões.

Eu sofria com crises de ansiedade desde pequena, estava acostumada a lidar com a falta de ar quando uma situação complicada surgia diante de mim. Não me assustei com a falta de oxigênio. Segurei fortemente o travesseiro, encostando a cabeça. Puxei e soltei o ar. Repeti mentalmente que era apenas uma crise e que aquela sensação iria passar.

Não passou.

Puxei e soltei o ar. De novo. E de novo, de novo e de novo.

Meu peito doía, a sensação piorava a cada segundo. Minha visão foi ficando embaçada e então o pânico me atingiu. Me levantei, cambaleando até cair no chão. Puxei o ar, o sufocamento me assustando ainda mais, meus olhos se arregalando a cada instante enquanto minhas mãos seguravam inutilmente a minha garganta.

Eu iria morrer, sozinha, sem ajuda de ninguém.

Puxei e inalei o ar, meu coração acelerando, as batidas ecoavam nos meus ouvidos. Articulei os lábios, incapaz de dizer uma única palavra. Minha voz desapareceu, o medo me atingiu em cheio. Senti meu rosto arder e uma dor latejante na bochecha, abrindo os olhos, um grito agudo saiu da minha boca.

Um par de mãos me puxou, segurando o meu rosto. Eu chorava e sussurrava palavras desconexas, minha mente levemente atordoada. Eu não sabia o que estava acontecendo.

— Respire — Ouvi a voz suave de nos meus ouvidos.

Abri os olhos. me segurava com delicadeza e preocupação inundando os seus olhos. As minhas lágrimas desciam descontroladamente, como um chafariz.

— Respira. — Ele segurou o meu queixo, olhando no fundo dos meus olhos.

Uma sensação de desmaio ultrapassou o meu corpo e o pânico voltou. Minha respiração falhou novamente. Senti como se estivesse me afogando, engolindo águas das profundezas de um oceano.

Minha cabeça inclinou na direção do seu ombro e o agarrei com força, tentando respirar enquanto meu peito parecia estar lotado de água. Com uma mão nos meus fios loiros, me acalmou, esperando pacientemente a minha respiração ficar regular.

Demorou minutos, talvez horas, só sei que quando meu peito não doía mais e minha respiração estava regular, me apertou contra o seu peito, passando as suas mãos nas minhas costas.

— Não me assuste desse jeito. Nunca mais…

Minha cabeça latejava de dor e o medo de sentir aquela sensação novamente me deixou em uma situação vulnerável. Com a cabeça contra a sua pele quente, chorei. Chorei até a minha cabeça não aguentar de dor e minha garganta arranhar.

— Vamos pro quarto — disse.

— Não — minha voz estava rouca, raspando pela minha garganta como se fosse gelo.

— E se você não se sentir bem novamente?

— Eu vou ficar bem — afirmei, levantando o meu rosto do seu peito, percebendo que ele estava usando apenas uma calça larga.

Seus músculos me chamaram atenção, mas desviei os meus olhos traidores rapidamente, engolindo em seco.

— Vou ficar bem — afirmei mais uma vez, passando as mãos no cabelo. Limpei o meu rosto molhado com a camiseta e o encarei. — É madrugada, o que você ainda está fazendo aqui?

Ele ficou me encarando por alguns segundos, completamente imóvel. Abrindo os lábios, sua voz saiu fraca:

— Eu…

Uma lâmpada se acendeu no fundo da minha mente. Uma risada fria reverberou pela sala escura e vazia, senti-me uma tola por perguntar o óbvio.

— Você é namorado da minha irmã, esquece o que eu perguntei. — Me levantei, sentindo as bochechas arderem de vergonha.

. — Ele me segurou com um toque delicado, fazendo-me congelar. Levantou-se lentamente, olhando nos meus olhos.

As luzes dos postes da rua entravam pela janela, deixando a sala menos escura e consequentemente deixando ainda mais sexy do que antes. Estávamos apenas nós dois sozinhos no escuro, aquilo não era algo bom. Definitivamente não. Eu pedi distância, não o queria mais na minha vida. Contudo, não pensei nas consequências; teria que vê-lo todos os dias ao lado de Sophie e vê-lo na faculdade. Não seria nada fácil tirá-lo da minha vida, afinal, todas as provas do assassinato dos meus pais me levavam a e Peter Kennedy, o juiz corrupto.

Com o coração quase saindo pela boca, afastei-me do seu corpo.

— Quero distância, . Você é comprometido, não devemos continuar com o mesmo erro.

— Erro? — ele perguntou, franzindo as sobrancelhas. — Não me arrependo de nenhum segundo ao seu lado, . Não diga que foi um erro, nós dois sentimos atração um pelo outro.

Sentíamos. — Eu ri amargamente. — Passado, . Eu não sinto mais atração por você. As suas mentiras são sujas e perigosas, a sua beleza não compensa o estrago que você faria na porra da minha cabeça se isso continuar.

ficou calado, os olhos fixos em mim. Suspirando longamente, aproximou-se novamente de mim, perigosamente perto.

— Minha irmã pode acordar a qualquer momento — soprei, sentindo a merda do meu coração acelerar. Estremeci com a sua presença e apertei os olhos, resgatando o meu autocontrole.

Entretanto, se ele chegasse mais perto, nossos lábios estariam colados e a porra do controle iria para o inferno.

Eu o queria, naquele momento.

— Vou dizer pela última vez, , eu não estou com a sua irmã.

Engoli em seco, sacudindo a cabeça.

— Não importa, ela parece gostar de você.

— Ela gosta do que as pessoas falam sobre nós. Sua incrível reputação, a incomparável Sophie. É disso que ela gosta.

— Eu não a conheço, . Não posso afirmar isso, contudo, vocês parecem ser amigos bem… íntimos, de longa data, eu presumo.

— Conheço a sua irmã por tempo o suficiente para garantir que não temos nada. — Ele riu nasalado, chegando ainda mais perto.

Seu peito nu próximo a mim, seu calor deixando-me inquieta e seu cheiro suave de alguma colônia masculina me deixavam atordoada.

Eu não era a mesma ao seu lado.

conseguia me tirar da minha zona de conforto e me levar a um mundo desconhecido, cujos sentimentos e emoções eram intensos e selvagens. Ele me fazia perder a razão, causando uma sensação de compulsividade. Eu não pensava duas vezes ao seu lado, me jogava completamente de cabeça em algo novo.

E ele virou o jogo.

Era eu quem deveria tê-lo nas palmas das minhas mãos, no entanto, senti-lo tão perto de mim me fez ter a certeza de que era ele quem me controlava. Eu esperava pela sua reação ou suas palavras para reagir. Se ele desse um passo, eu daria dois para ficar à sua frente, mas sempre com os seus sussurros me orientando o tempo todo qual caminho seguir.

era um suspeito. Mas, quando os seus lábios tocaram as minhas bochechas e suas mãos deslizaram suavemente pela minha pele, não pensei em assassinato, fogo ou vingança.

Um terrível erro.

Eu deveria investigar a sua vida, segui-lo, desvendar as pistas do crime. Contudo, seu toque quente me tirava do chão. Perdi completamente a sensatez e não pensei em mais nada.

Eu precisava me afastar, urgentemente. Antes que seja tarde demais.

Seus lábios traçavam um caminho perigoso em direção à minha boca. Virei a cabeça, afastando-me imediatamente.

— Não tente me beijar, .

— Se você tentar mais alguma coisa… Eu grito e, sinceramente, não quero brigar com a minha irmã por sua culpa.

— Nós não…

— Foda-se. Se você não quer se afastar, eu mesma farei isso, pelo nosso próprio bem — eu disse, caminhando para longe de seu corpo estático no meio da sala.

Quando cheguei ao meu quarto e tranquei a porta, uma lágrima deslizou pela minha bochecha. Rapidamente, afastei a dor imensa no meu peito e tentei dormir. Mas, como sempre, estava nos meus pensamentos, me torturando.

***
Meu companheiro, Reed, me levou até um sítio com a desculpa de que eu precisava conhecer um lugar. Achei, por um momento, que ele havia comprado o local, mas ele não disse nada, deixando-me completamente curiosa. Caminhamos pela sala, passando por um estreito corredor. Ele abriu uma porta e um cômodo escuro apareceu, entramos e eu esperei pelo seu próximo passo. O cômodo era extremamente escuro e pequeno.

Reed abriu uma porta no chão. Um enorme buraco e escadas com degraus sem fim surgiram na minha frente. Era um porão. Ele desceu as escadas e eu o segui. Entramos no interior do porão, a escuridão não me deixava enxergar absolutamente nada ali embaixo.

— É um porão? — perguntei o óbvio, sentindo-me uma idiota.

Reed riu e a porta acima da minha cabeça se fechou.

— Quem fez isso? — indaguei, assustada.

— Um controle remoto.

— Mas isso é de madeira.

— Há muitas coisas que você desconhece sobre esse lugar, querida.

Continuamos a descer as escadas até meus pés pisarem em algo duro. Suas mãos me seguraram pela cintura, puxando-me para começar a caminhar.

— A agência central fica aqui.

— Aqui? — berrei, a minha voz ecoando no buraco.

— Sim. Os treinos, as investigações, reuniões e, às vezes, encontros com os clientes são realizados aqui nesse porão — ele disse, mantendo suas mãos na minha cintura.

Eu o deixei me guiar, tomando cuidado para não cair, não sabia que buraco era esse e muito menos o que tinha abaixo dos meus pés.

Sufoquei uma risada sarcástica, porque quais seriam as possibilidades de treinos e reuniões acontecerem em um porão escuro e estreito?

Reed e eu continuamos a andar. Franzi as sobrancelhas, notando que o nosso destino nunca chegava. Ele parou e meus passos se detiveram abruptamente. Reed agiu em silêncio, até que escutei o barulho de uma chave e em seguida uma porta sendo aberta. A claridade do lado interior me fez estreitar os olhos. Uma luz branca, ofuscante e forte. Lá dentro havia somente o branco.

— Bem vinda à agência central de investigação e espionagem secreta do Canadá. — Sua voz banhada de sarcasmo me tirou do devaneio. O encarei, chocada.

— Então vocês possuem uma base no sub solo?

— Entre e veja com os seus próprios olhos. — Ele riu suavemente.

Com passos hesitantes e ansiosos, entrei, passando pela porta, seguindo para dentro em direção à luz. Imediatamente, minha boca se abriu em choque. O espaço era enorme, as paredes totalmente brancas. Vidros se estendiam por todo o ambiente, parecendo enormes cabines, separadas e individuais.

Percebi que havia pessoas lutando sozinhas e outras desviando de uma luz vermelha, rolando no chão e pulando. Seus movimentos eram bruscos e ágeis. Eles pareciam profissionais de luta.

— 1° piso — a voz de Reed me chamou de volta para a realidade. — Aqui ficam os treineiros. Essas cabines de vidro são configuradas com um sensor de movimento e quando aquela luz vermelha atinge um deles, os vidros se quebram, instantaneamente.

Arregalei os olhos, chocada.

— Eu tô numa realidade paralela? Ou então no universo de jogos vorazes ou algo assim?

— Não, mas as coisas que acontecem aqui são… indescritíveis. Agora vamos para o 2° piso, .

Ele me instruiu a andar entre os vidros. Eu não poderia tocar, senão eles quebrariam e os lutadores teriam que recomeçar os seus níveis de lutas. Aquilo era bizarro.

Olhei para os lados, completamente encantada. Numa cabine, avistei um rapaz desviando com agilidade da luz que o seguia. Ele rolou no chão e a luz acabou o atingindo em cheio nas costas. Um raio parecia ter atingido o vidro, que se partiu em milhões de pedacinhos, assustando-me.

Reed me segurou pelos ombros, olhando para os estilhaços no chão. Ele mirou um olhar sério em direção ao garoto, que estava estirado no chão com as mãos sob a cabeça. Seu peito subia e descia rapidamente.

— Sabe o que precisa fazer, Flynn.

O rapaz sentou-se, movendo a cabeça. Segundos depois, levantou-se, caminhando até a outra extremidade, apertando um enorme botão vermelho. Um apito suave ecoou e uma coluna de vidro desceu do teto, substituindo o anterior.

Eu estava boquiaberta e assustada.

Que merda era aquela? Em que mundo eu vivia? Por que os meus pais nunca me trouxeram até aquele lugar sensacional?

Com uma mistura de choque e horror transbordando nos meus olhos, encarei o rosto pacífico do meu amigo.

— Reed! — exclamei. — Que mundo é esse? Meus pais nunca me mostraram esse lado da agência.

— Seus pais queriam sair da agência para viver uma vida normal, .

Um outro apito me distraiu e, com curiosidade, olhei cada detalhe daquela cabine. Letras e números surgiram através do vidro.

Fase: 10 (segunda tentativa)
Flynn Stewart. Treineiro. Preparando-se para uma missão.
Suspirei profundamente, assimilando todas as aquelas informações.

— Ele repetiu de fase ou passou?

Reed riu e ergueu levemente o queixo em direção ao vidro, olhei para os vidros novamente.

Reiniciando a fase 10. Boa sorte, Stewart!
— Puta merda! — Levei as mãos até a boca.

Reed riu, puxando-me pelo corredor entre as cabines de vidro. Descemos as escadas que ficavam no final do corredor, indo em direção ao 2º piso, provavelmente. Dei de cara com mesas de escritórios, portas, cadeiras, computadores, notebooks e uma imensidão de pessoas andando para todos os lados.

— 2° piso, sala de segurança e investigação. Basicamente, temos câmeras espalhadas por todos os lugares, espionando os suspeitos, olhamos os detetives em ação e hackeamos alguns sistemas.

— Caralho, Reed! Isso é…

— Imenso. Nós mantemos em sigilo qualquer informação sobre a base de segurança. Anos atrás, os inimigos atacaram e acabaram queimando provas importantes. Felizmente, ninguém se feriu.

— Caralho.

— Bom… Mas não foi pra isso que eu lhe trouxe aqui.

— Não? Então pra quê?

— Venha. — Ele indicou uma portinha, extremamente baixa, ao lado de uma mesa cheia de notebooks.

— Essa base foi construída pelos sete anões, Reed?

— Não, sua boba. — Ele gargalhou. — Quero te mostrar três pessoas… — Ele colocou a mão na maçaneta e abriu a porta. Entrei, abaixado a cabeça e me curvando para poder passar. Quando pisei o interior da sala, o ar faltou aos meus pulmões.

Pisquei uma, duas ou três vezes para ter certeza de que não era uma ilusão. No entanto, as pessoas não desapareceram, pelo contrário, elas sorriam abertamente para mim.

— Hazel… E… A ruiva da faculdade — murmurei, atordoada, completamente em choque.

Elas sorriam e trocaram um olhar cúmplice. Um rapaz alto, negro e de olhos verdes estava ao lado das duas, me olhando com um brilho nos olhos. Reed me empurrou levemente, sorrindo de canto.

, quero que conheça Hazel , a nossa hacker e detetive particular. Hazel é extremamente inteligente, possui habilidades incríveis e ideias geniais.

Minha boca estava arreganhada, escancarada, praticamente no chão.

— E a nossa detetive particular, Dunnet. Ela está se formando em medicina, mas já cursou por algum tempo jornalismo. Dunnet é investigativa, possui qualidades que nos ajudam na hora de pegar os criminosos, sabe lutar, além de, claro, ser uma ótima motorista de fuga. — Ele piscou para a ruiva da faculdade, sorrindo.

Todos na sala riram com a piada interna, menos eu.

— E Michael, um dos melhores policiais da agência. Ele nos ajuda nas missões nacionais. Foi policial, mas hoje atua como professor numa universidade. Michael é excelente com armas e lutas. Ele trabalhou com os seus pais desde o começo e, certamente, é um dos melhores da agência.

Eu estava em choque, absolutamente atordoada.

— Por quê? — eu consegui pronunciar.

Reed me olhou com um brilho nos olhos azuis.

— Você está oficialmente dentro da agência agora, . Nós cinco seremos um time e, principalmente, estaremos em uma missão a partir de hoje.

— Missão? Que missão?

— Vocês vão entrar dentro de um clube de strip tease, em busca de provas contra o juiz corrupto e Kristen Kells — Hazel falou, seus olhos brilhando em expectativa. — Kells é a minha madastra, mãe de .

 

Nota da autora: EU TÔ MUITO ANIMADA PARA OS PRÓXIMOS CAPS MDS! QUAIS SÃO AS SUAS TEORIAS?

Alguém achou que Haz e Dunnet seriam aliadas? Vocês acham que o pp sabe mais do que parece? O relacionamento dele é de faixada ou real? O que acontecerá no clube de strip tease?

Só digo uma coisa: a pp é impulsiva e nos próximos caps só vai dar merda hahaha.

Quem tiver interesse em interagir no meu grupo de leitores, é só entrar lá.

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