How To Get The Girl

How To Get The Girl

Sinopse: Ela já teve sua cota de corações partidos, mesmo com apenas 21 primaveras de vida. E para ela, o amor havia deixado de ser uma meta a ser atingida, passando a ser apenas um obstáculo que ela havia deixado para trás. E mesmo que não tivesse nenhuma intenção de se apaixonar, sua volta para Toronto, após um longo tempo na França, coloca em seu caminho um fotógrafo de olhos azuis cheio de sonhos e pintinhas pelo corpo. Uma noite juntos é o suficiente para fazê-lo se encantar por ela e mesmo tentando fingir que nada havia acontecido, ela acaba sendo obrigada a conviver com Connor Brashier todos os dias, já que ele é um dos fotógrafos principais na empresa de seu pai, onde ela começaria seu primeiro emprego após a formatura em publicidade e propaganda.
“Lyrical smile, indigo eyes, hand on my thigh
We can follow the sparks, I’ll drive”. – I Think He Knows (Taylor Swift)
Gênero: Romance
Classificação: +18
Restrição: Alguns personagens fixos. A história se passa dentro do universo de Nobody Will Ever Be Like You.
Beta: Regina George
Finalizada

Capítulo 1

Connor
Tinha apenas dois pensamentos naquele momento, enquanto encarava a pista de dança abaixo da área de camarote que ocupava, em uma das dezenas de casas noturnas de Toronto.
1 – Iria matar os amigos, por terem o abandonado sozinho naquela festa.
2 – Era um idiota e deveria ter feito como Madu e recusado a sugestão incrível de Becca para aquele sábado à noite.
Afinal de contas, sair com dois casais jamais seria uma boa ideia.
Havia perdido Alice e Henrique de vista assim que adentraram o pub. Becca e Olivia até tentaram fingir que não o deixariam sozinho, por cerca de uma hora, mas quando Connor pediu licença para ir ao bar e retornou a mesa, encontrou apenas as garrafas de cerveja vazias e precisou conter a vontade de dar um soco em si mesmo. Não que fosse incapaz de curtir a noite sozinho. Poderia beber e dançar um pouco sem qualquer problema. E com alguma sorte, conseguiria o telefone de alguma garota que iria sumir de sua vida em menos de uma semana. Estava acostumado com aquilo, de toda a forma. Mas naquela noite, algo estava diferente. Não saberia explicar, mas sentia que as coisas não seriam como sempre eram. Talvez fosse a música horrível que o estava deixando desanimado.
Suspirou, puxando o celular do bolso e abrindo o WhatsApp. Procurou pela conversa com Madu e logo estava digitando algumas mensagens para a amiga.

Estou arrependido de ter rejeitado Simplesmente Acontece 10:28 pm
Deveria ter aceitado seu convite 10:28 pm

Maduzinha
Tarde demais para voltar atrás, Brashier 10:28 pm
Teddy e eu já estamos na cama, prontas para dormir 10:28 pm
A festa está tão ruim assim? 10:28 pm

Não exatamente 10:29 pm
Só estou desanimado 10:29 pm

Maduzinha
Acho que você precisa beijar na boca 10:29 pm
Ainda lembra como é? LOL 10:29 pm

Falou a beijoqueira 10:29 pm

Maduzinha
Não quero me exibir, mas beijei há um mês 10:29 pm
Já você… 10:29 pm

Pare de andar com a Becca 10:29 pm
Está fazendo mal para a sua personalidade 10:29 pm

Maduzinha
HAHAHAHAHHAHAHHA 10:29 pm
Se ela descobrir que disse isso, mata você 10:29 pm

E você é uma ótima amiga e não irá contar para ela 10:30 pm

Maduzinha
Só porque você me dá carona 10:30 pm
Vai procurar alguém para beijar, Connor 10:30 pm

Já vou, mãe 10:30 pm
Boa noite Madu, não escute One Direction antes de dormir 10:30 pm
E pare de ver esse filme chato sobre melhores amigos idiotas que não tinham coragem de confessar que estavam apaixonados um pelo outro 10:30 pm

Maduzinha
Vá a merda 10:30 pm
Para sua informação, estou assistindo Para Todos Garotos que já amei 10:30 pm

Namoro falso. Clichê demais 10:30 pm
Boa noite, Maduzinha 10:30 pm

Maduzinha
Boa festa, Connor 10:30 pm

Connor riu sozinho, bloqueando o celular e guardando no bolso outra vez. Levou a garrafa a boca e encontrou o recipiente vazio, bufando irritado e se obrigando a descer para o térreo em busca de mais bebida no bar. Se iria passar mais algum tempo naquela festa, ao menos o gastaria bebendo. Já estava na terceira cerveja quando Becca e Olivia surgiram ao seu lado, uma mais bêbada que a outra. Connor revirou os olhos e estava com o xingamento na ponta da língua quando percebeu que as amigas não estavam sozinhas e ele não poderia proferir todos os palavrões que havia aprendido ao longo da vida. Não costumava ser mal educado e não iria começar naquele momento.
– Connor! – Becca festejou e o garoto apenas bufou, sem nenhuma paciência para aturar Rebecca bêbada. Sóbria ela já era irritante, sobre efeito de álcool era impossível não querer matar a garota. – Me desculpe por ter sumido!
– Aham. – Connor estalou os lábios.
Becca se virou para a namorada, com um bico gigante nos lábios. – Eu disse que ele iria ficar triste!
Olivia revirou os olhos. – E você disse que não ligava.
– Você é uma péssima amiga. – Brashier decidiu, desviando o olhar de Becca e o focando na garota que as acompanhava. Era realmente bonita, não poderia negar. Tinha longos cabelos dourados, olhos castanho claros e uma simetria quase perfeita no rosto. Mas Connor achava adorável o olho preguiçoso que grande parte das pessoas tinha e nela, ficava ainda mais bonito. Os lábios eram finos e estavam cobertos por um batom rosado, no mesmo tom clarinho de suas bochechas. Usava roupas comuns para uma festa e a única singularidade era uma faixa que ela mantinha amarrada no pulso. A garota sentiu o olhar de Connor a analisando e abriu um sorriso de canto, passando a avaliá-lo de cima abaixo e alargando o sorriso quando seu olhar encontrou o dele e o rapaz desviou o olhar imediatamente.
discorda de você! – Becca retrucou, chamando a atenção do fotógrafo outra vez.
– É? – Arqueou as sobrancelhas para a desconhecida.
– É. – Concordou. – Becca é uma ótima amiga. Me salvou da solidão nesta festa horrorosa. – Abriu um sorriso pequeno.
– Salvou você e me abandonou. – Connor torceu os lábios.
– É o plano feminista para acabar com os homens da face da terra. – Olivia comentou, arrancando um riso alto de Becca.
– Você está passando muito tempo com a Maria Eduarda. – Connor murmurou e a garota deu de ombros.
– Madu sempre está certa, de qualquer forma.
– Eu amo essa música! – Becca quase gritou, puxando Olivia para a pista de dança no instante seguinte. Connor tentou decifrar a música que tocava e sem qualquer sucesso, voltou a beber a cerveja. sentou-se ao seu lado e após pedir um drink ao barman, virou-se para o rapaz, com seu olhar determinado e levemente sexy.
– Você e Becca são amigos há muito tempo? – Questionou.
– Não. – Connor respondeu, após um longo gole na bebida. – Nos conhecemos há cinco meses, mas só nos tornamos amigos por causa de Madu.
– Madu? – Franziu o cenho. – Esse é um nome brasileiro demais para o Canadá.
– Ela é brasileira. – Concordou com a cabeça. – E o ponto de ligação entre Becca e eu.
– Becca é ótima.
– Completamente insana. – Foi a colocação de Connor, arrancando uma risada de .
– É uma verdade da qual eu não posso discordar. – Murmurou.
– Está na cidade há quanto tempo? – O fotógrafo questionou. – Seu sotaque entrega. – Sorriu fraco.
– Sou canadense, na verdade. Quebec. – Explicou. – Mas passei os últimos quatro anos na França com a minha mãe.
– Por isso o sotaque. – Connor voltou a sorrir.
– E você?
– Toronto, durante toda a vida. – Deu de ombros.
– Toronto é diferente. – bebericou o drink e Connor manteve um segundo a mais do seu olhar preso nos lábios dela.
– É a cidade mais incrível do mundo.
– E você já saiu daqui para embasar sua teoria?
– Poucas vezes. Mas foram o suficiente. – Eles riram juntos.
– Preciso concordar que a cidade é realmente linda. – Suspirou. – Senti falta daqui.
– E por que passou tanto tempo longe?
– Estava estudando. – Estalou os lábios. – E sentia falta da minha mãe.
– Entendo. – Connor sorriu fraco.
Alguns minutos de silêncio fizeram companhia a eles, enquanto Connor aproveitava sua bebida e o observava. Estava pronto para retomar o assunto e perguntar de onde a garota conhecia Becca, quando ela tomou a frente e o deixou boquiaberto, encarando-a com surpresa.
– Então, você vai enrolar mais quanto tempo para me beijar? – O olhar inquisitivo estava ali e por mais chocado que estivesse, Brashier não conseguiu evitar de descer seus olhos para a boca dela. E por mais que não estivesse com aquilo em mente antes, era tudo no que ele conseguia pensar naquele momento.
– Eu não tinha essa intenção. – Confessou. – Até esse segundo.
– Sério? – arqueou as sobrancelhas para ele, meio em dúvida.
– Sério. – Assentiu. – Não tenho o costume de sair para festas com esse intuito. – Deu de ombros.
– E o que normalmente você faz em festas?
– Bebo, danço… Esse tipo de coisa.
– Você parece um garoto bom demais. – Ela murmurou, causando um arrepio na nuca do rapaz quando ela mordeu o lábio inferior.
– Talvez eu seja. – Deu de ombros e ela sorriu largo.
– Então, aonde nós iremos? – Se colocou de pé, segurando a mão de Brashier e o puxando junto dela. O fotógrafo não perdeu tempo, se aproximando dela em dois passos e parando a poucos centímetros de distância. Eles tinham quase a mesma altura e seus olhares não desviavam um do outro. Connor segurou a cintura de , deixando seu toque um pouco mais firme na pele da garota, que sorriu de canto no mesmo instante.
– Quer conhecer meu apartamento? – Questionou.
– Achei que não era esse tipo de cara. – provocou e Connor deu de ombros.
– Não sou. Mas você pediu por isso. – Retrucou.
– Você nem imagina as coisas que eu realmente pedi, Connor. – Ela garantiu. – Mas eu posso te mostrar todas elas.
Connor soltou um risinho incrédulo, sem realmente saber como compreender aquela garota. Eles mal se conheciam e até uns minutos atrás, ela era apenas uma garota como qualquer outra. Mas agora Brashier estava encantado até pela forma como ela franzia o cenho ao falar e não conseguia explicar aquela súbita atração.
– Estamos perdendo tempo aqui. – Disse por fim, afastando sua mão da cintura dela e unindo seus dedos, rumando para a saída do pub.

Capítulo 2


O sol batia em seu rosto e a garota soltou um resmungo nada satisfeito. Estranhou a cama onde dormia mais do que o usual e torceu os lábios, suspirando antes de abrir os olhos e encontrar um corpo repousando ao seu lado. Os cabelos loiros escuro estavam revirados e abriu um pequeno sorriso quando as lembranças da noite anterior a fizeram reconhecer o garoto com quem havia dormido. Ele estava de costas para ela e a garota poderia contar as pintinhas que ele tinha nas costas.
Connor. Connor Brashier. Era um nome bonito, precisava admitir. E combinava com o rapaz de uma forma absurda. Aquele rosto tão bonito era realmente algo impressionante e apesar de ser magro demais, o rapaz era realmente um pecado em forma de homem. Lembrava com clareza dos beijos que haviam trocado e das mãos dele apertando seu corpo em todos os lugares mais certo possíveis. Apesar da cara de bom moço, Brashier não era um cavalheiro na cama e gostava daquilo. E poderia repetir a noite que haviam tido sem nem pensar duas vezes, caso voltassem a se encontrar novamente. Toronto era uma cidade enorme, mas as coincidências sempre aconteciam quando se menos esperava.
Sentou-se na cama, se espreguiçando e deixando um beijo nas costas de Connor antes de se levantar e procurar por suas roupas. Prendeu o cabelo em um coque e vestiu a calcinha, para logo em seguida soltar um resmungo inconformado por não encontrar o sutiã. Não conseguia lembrar onde Brashier o havia jogado na noite anterior, já que estava muito ocupada em aproveitar as carícias do rapaz em suas áreas sensíveis. Encontrou o vestido e os sapatos, mas nada do sutiã e estava desistindo de vestir a peça de roupa quando seu olhar bateu na cama e não encontrou Connor adormecido. E aquilo era realmente surpreendente. Em todas as vezes que acordava antes do homem, sabia que eles fingiam estar dormindo até que ela saísse. E quando acordava depois, apenas trocavam breves palavras antes de ela ir embora e eles nunca mais se falarem. Estava acostumada com aquilo e gostava daquela dinâmica. Mas o olhar divertido de Connor lhe deixava claro que as coisas com ele não seria daquela forma. Ele abriu um pequeno sorriso quando ela franziu o cenho e estendeu a mão esquerda para baixo da cama, puxando o sutiã preto debaixo da cama. cruzou os braços em frente ao corpo, soltando uma risadinha em seguida. As coisas realmente seriam diferentes.
– Então você escondeu o meu sutiã? – Questionou e Brashier estalou os lábios.
– Não. Eu apenas sabia onde havia largado ontem. – Deu de ombros. – Eu estava ocupado, mas fiz uma nota mental para me lembrar disso.
– E por quê?
– Porque eu sabia que você não iria encontrá-lo tão facilmente. Você tem cara de quem abandona os caras pela manhã. E eu não gosto de ser apenas mais um. – Deu de ombros.
sorriu. Voltou a subir na cama, engatinhando na direção de Brashier e sentando-se na cintura dele. Apoiou a mão esquerda nos ombros do fotógrafo e selou seus lábios rapidamente, enquanto a direita recuperava o sutiã que Brashier segurava. Ele também sorriu e voltou a unir seus lábios em um beijo profundo. Sentou-se na cama e puxou o corpo de em direção ao seu, segurando em sua cintura com precisão enquanto a garota abaixava as alças do vestido. Connor sorriu animado, apenas para ouvir o riso divertido dela quando vestiu o sutiã e voltou a subir as alças da peça de roupa. Segurou o rapaz pelo rosto e selou seus lábios uma última vez, pulando para fora do colo dele e da cama no instante seguinte.
– Uma última vez antes de você ir embora. – Soltou um muxoxo e negou com um aceno de cabeça.
– Eu preciso ir embora. – Mordeu o lábio inferior. Vestiu o casaco que havia deixado em cima da poltrona do quarto e acenou para Connor antes de sair do cômodo. Sua bolsa estava no sofá da sala e já estava com ela no ombro em direção a saída do apartamento quando Connor a alcançou. Ele havia vestido uma calça de moletom e segurou a garota pelo braço, a virando de frente para ele e dando passos em direção a parede, de forma que o corpo dela ficou prensado contra o seu.
– Quando eu vou ver você de novo? – O rapaz questionou, o olhar fixo nos lábios dela.
– Não vai, Brashier. – Riu. – Não por qualquer planejamento. Talvez a gente se esbarre por aí, mas nada além disso.
– Por quê?
– Nós não vamos começar a sair e nos conhecer melhor. – Retrucou, os braços caídos ao lado de seu tronco, sem fazer questão de encostar no rapaz. Connor a segurou pela cintura com força.
– E por que não? – Franziu o cenho. – A noite foi ruim?
– De forma nenhuma. Foi incrível. Uma das melhores da minha vida, sem dúvidas. – Abriu um pequeno sorriso. – Mas eu não estou em busca de amor. Não quero um relacionamento. Não é pessoal. – Deu de ombros.
– Não precisamos ter um relacionamento. – Connor insistiu. – Podemos manter isso apenas como algo casual.
– Isso nunca dá certo. – riu. – Você sabe que não. Alguém sempre se envolve demais. E quando os dois se envolvem demais, entrar em um relacionamento é inevitável.
– E qual seria o problema nisso?
– Eu tenho milhares de outras coisas para resolver na minha vida antes de adicionar um relacionamento na minha lista de dores de cabeça. – Torceu os lábios. – Você é um amor e nossa noite foi incrível, mas não vai acontecer de novo.
– Certo. – Connor deu um passo para trás, para a surpresa de . Não estava acostumada com caras que realmente entendiam e aceitavam uma recusa clara como aquela. – Você sabe onde eu moro, em todo o caso. – Sorriu convencido.
– Você não era um bom garoto? – Arqueou as sobrancelhas para ele.
– Bons garotos não fazem o que fizemos ontem. – Retrucou e a garota gargalhou, acenando para Connor antes de sair do apartamento. Estava esperando pelo elevador quando ele a chamou pelo nome e se virou com o cenho franzido em questionamento.
– Não conte para a Becca. – Connor pediu. – Ela pode tentar bancar a cupido. – Suspirou.
– Ela não vai saber. – Garantiu, dando as costas novamente e entrando no elevador quando as portas se abriram. E só então um pensamento tomou conta de sua mente. Connor e Becca eram amigos. Próximos, já que haviam saído juntos no sábado. Segundo o rapaz, não eram amigos há muito tempo. E moravam longe um do outro. E com os olhos arregalados e o coração acelerado, um temor tomou conta de seus pensamentos ao cogitar o lugar onde eles haviam se conhecido. E por todas as divindades, a garota estava implorando para que eles não fossem colegas de trabalho.
Passou todo o caminho até em casa torcendo os dedos pelo nervosismo, sem ter coragem de chamar Rebecca no WhatsApp para lhe perguntar de Connor. Fazer aquilo deixaria completamente claro que eles haviam passado a noite juntos e tudo o que não precisava era de Becca em seus ouvidos falando do rapaz. Conhecia a garota a tempo o suficiente para evitar qualquer chance de tê-la insistindo em alguma coisa. Seguiu para seu quarto sem checar se seu pai estava em casa, ocupando o banheiro com pressa em busca de um banho quente. Ter saído de vestido não havia sido a melhor das ideias por causa do frio absurdo que fazia em Toronto. Em um pijama quentinho e com uma xícara de chocolate quente em mãos junto de um pacote de biscoitos, finalmente pegou o celular e abriu o Instagram. Em nenhuma hipótese chamaria Becca, então precisaria investigar sozinha.
As últimas fotos de Becca eram um ensaio que ela havia feito com Connor e mais uma garota. Não havia legenda e suspirou, abrindo o perfil da garota desconhecida para tentar encontrar a informação que precisava. Maria Eduarda era uma fotógrafa incrível, precisava admitir. E ao mesmo tempo em que descobria que aquela era a ex namorada de Shawn Mendes – de quem era muito fã da música, mas desconhecia muito sobre a vida do cantor -, encontrava seu próprio pai no Instagram de Maria Eduarda, em uma foto junto de Becca tirada por Connor. fechou os olhos, largando o celular na cama e escondendo o rosto contra as mãos.
– Puta que pariu. – Xingou, sem realmente acreditar na burrice que havia feito. Como não havia ligado os pontos? Como pudera não se dar conta de que Becca e Connor se conheciam do trabalho? Cuja empresa era de seu pai? Onde ela mesma começaria a trabalhar? – Puta que pariu. – Repetiu.
– Xingando em francês? – Seu pai riu e levantou o olhar para ele, encontrando Fernand escorado no batente da porta de seu quarto. Nem havia se dado conta de que estava falando em francês e torceu os lábios em descontentamento.
– É o costume. – Suspirou. Fernand entrou no quarto e sentou-se na beirada da cama da filha, segurando sua mão direita com carinho.
– Está mesmo feliz por ter voltado? – Ele questionou. – Eu vou entender se quiser voltar para a casa da sua mãe. – Sorriu fraco.
– Estou feliz, pai. De verdade. – Garantiu. – Vou poder exercer a minha profissão finalmente. E você sabe que eu amo o Canadá.
– Mas estava acostumada com Quebec. Toronto é diferente.
– Paris também era diferente do Quebec e eu sobrevivi. – Riu e ele a acompanhou.
– Tudo bem. – Fernand assentiu. – Estou ansioso para trabalhar com você. E passar mais tempo com você, de todo jeito. – Deu de ombros. sorriu, puxando o pai para um abraço apertado.
– Eu também. – Assentiu. Permaneceram em silêncio por alguns instantes, até a garota suspirar e voltar a falar: – Pai? Existe alguma política de relacionamento na empresa? Que proíba relacionamento entre funcionários?
– Por que isso é relevante? Você pretende namorar alguém de lá? – Arqueou as sobrancelhas em confusão.
– Não. – Sacudiu a cabeça para os lados. – Mas é melhor prevenir que remediar, não é? – Forçou uma risada e Fernand a acompanhou. Mas não lhe respondeu, apenas beijou o topo de sua cabeça e saiu do quarto. suspirou, se jogando nos travesseiros e passando a mão pelo rosto. Havia feito uma merda gigantesca.

Capítulo 3

Connor

Estava de ressaca. E não tinha muitas lembranças da noite anterior. Havia perdido seu casaco e realmente esperava que Brian achasse a peça de roupa em sua casa, ou então precisaria bater em si mesmo por ter bebido a ponto de não lembrar nem seu nome quando foi embora. Justo uma noite antes de uma reunião importante no trabalho. Haviam limites para o quanto uma pessoa podia ser burra e irresponsável e Connor havia ultrapassado todos. Mas ao menos não havia feito aquilo sozinho e sua derrota estava espelhada em Maria Eduarda e Becca quando se encontraram no refeitório para o primeiro café do dia. Connor já havia bebido duas xícaras em casa e iria dispensar o café da empresa naquele dia.
– Bom dia. – Murmurou baixo, segurando o braço de Maria Eduarda e escorando o rosto contra o ombro da amiga.
– Para quem? – Becca reclamou e Brashier apenas ergueu o dedo do meio para ela.

– Tenha um péssimo dia então. – Retrucou.

– Bom dia. – Madu desejou e Connor levantou a cabeça apenas por tempo o suficiente de sorrir para a brasileira.
– Madu está mesmo tendo um ótimo dia. – Becca riu e Connor franziu o cenho em confusão. Só então se lembrou com quem a garota havia ido embora na noite anterior e sorriu animado, sacudindo o braço dela e causando risos na garota.
– Como você não está de ressaca depois de todos aqueles shots? – O rapaz questionou com confusão. Madu parecia a menos destruída do trio e ela havia bebido muita tequila.
– O choque evaporou com todo o álcool do meu corpo. – Deu de ombros.

– E o casal mais fofinho do mundo voltou ou… – Deixou a frase no ar e Madu riu, sacudindo a cabeça para os lados.
– Não. – Mordeu o lábio inferior. – Ainda temos muito para resolver.

– Vocês são tão complicados. – Becca bufou.

– Não dê atenção para a Becca. Ela apenas finge ter um coração quando a Liv está por perto. – Connor implicou, recebendo o dedo do meio como resposta.
– Vá a merda, Brashier. – A garota estalou os lábios, finalizando seu café e indicando que deveriam subir para a sala de reuniões, após guardar o copo na bolsa. Madu terminou o café e se afastou para lavar seu copo na pia. Ela evitava usar os copos de plástico descartável e havia obrigado tanto Connor como Becca a comprarem copos térmicos para evitar o desperdício de plástico.

Connor abraçou a amiga pelos ombros e novamente deitou a cabeça no ombro dela, bocejando alto quando entraram no elevador e Becca deitou a cabeça em seu ombro. Eram uma escadinha de pessoas sonolentas e cansadas.
– Me lembrem de nunca mais ir a qualquer festa em uma segunda-feira a noite. – Connor murmurou.
– Me lembrem de nunca mais beber. – Becca chiou e recebeu olhares descrentes. – Muito. – Completou a contragosto.
– Você pegou o número daquela garota? – Madu questionou Connor.

– Sim. – Assentiu.

– Maisie né? – Ele assentiu outra vez. – E a garota de sábado? – Franziu o cenho e Connor fez uma careta.
– Que garota de sábado? – Becca indagou atenta.

– Nenhum futuro ali. – Connor disse por fim, tentando acabar com o assunto. Becca não podia saber sobre , mesmo que não houvesse qualquer chance de eles terem algo.
– Que garota? – Becca insistiu e Brashier revirou os olhos.

– Ninguém. – Foi firme. – Olha, nossa andar. – Mudou de assunto assim que as portas do elevador se abriram. Seguiu com as amigas pelos corredores da empresa até a sala de reuniões. Metade da equipe fixa de fotógrafos já estava lá e após rápidos cumprimentos com os conhecidos – por parte de Connor e Becca, já que Madu preferia se manter afastada -, ocuparam lugares a mesa, se juntando ao grupo que esperava por Fernand , dono da empresa, e a nova publicitária que começaria a trabalhar com eles.
Connor tirou alguns minutos no celular, para se distrair e fazer o tempo passar mais rápido. Estava quase vencendo uma batalha no torneio de campeões da Marvel quando Maria Eduarda o cutucou na cintura, indicando que Fernand estava entrando na sala. Connor soltou um suspiro frustrado por precisar pausar seu jogo e guardou o celular, enquanto levantava o olhar para a porta e arregalava os olhos ao encontrar
ao lado de Fernand.

– Que porra… – Murmurou alto demais, chamando a atenção de todas as pessoas na sala. Madu deu um tapinha no ombro do amigo, para que ele não terminasse o xingamento e Becca soltou uma risadinha. lançou apenas um olhar para o garoto, mas sua expressão não mudou. E Connor entendeu que ela sabia que ele estaria ali, porque sabia quem ele era. Havia sido o único idiota a não se questionar de onde a garota conhecia Rebecca.

– Tudo bem, Connor? – Fernand questionou com o cenho franzido em confusão. O rapaz pigarreou, assentindo com a cabeça em seguida.
– Sim. Me desculpe. Foi uma câimbra. – Inventou qualquer coisa. Fernand assentiu, parecendo acreditar. Sentou-se na ponta da mesa e
ficou parada ao lado do pai. Usava roupas sociais e os cabelos longos estavam presos em um rabo-de-cavalo. Connor se pegou a admirando por alguns instantes, antes de sentir um puxão na roupa e se virar para uma Maria Eduarda ansiosa e curiosa.
– É garota de sábado. – Informou baixinho, para que Becca não ouvisse. Madu arregalou os olhos e cobriu a boca com a mão para esconder seu choque.
– Mandou bem, Brashier. – Murmurou em retorno e Connor revirou os olhos para ela, arrancando uma pequena risada da brasileira.
– Bom dia a todos. – Fernand desejou, recebendo cumprimentos em retorno. – A reunião será rápida, prometo. – Sorriu. – Sei que estão todos ansiosos para começar a trabalhar nesta terça-feira. – Riu e foi acompanhado por parte dos presentes.
– Não estou ansiosa para fazer fotos externas. Pode demorar, se quiser. – Becca comentou e Fernand sacudiu a cabeça para os lados. Todos conheciam Rebecca e estavam acostumados com o jeito da garota.
– Vamos deixar Becca tão incomodada quanto ela nos deixa às vezes e sermos rápidos nessa reunião, – O homem brincou, causando risos nos funcionários. Menos em Connor, que mantinha seu olhar fixo em , que encarava um ponto no outro extremo da sala. – Queria apresentar, formalmente, a minha filha para vocês. vai começar a trabalhar conosco, – Informou e Connor se afundou ainda mais na cadeira. Estava vivendo um pesadelo, tinha certeza. – E antes que me acuse de nepotismo, – Apontou para Madu, que quase ficou roxa de vergonha ao mesmo tempo em que ria. – Afirmo com toda certeza que é uma ótima profissional porque analisei o currículo dela e repassei para o restante da equipe do RH para tomarmos uma decisão em conjunto.
– Confiamos no seu julgamento, Fernand. – Maria Eduarda murmurou, ainda envergonhada.
– Ontem ela apenas se familiarizou com a papelada, então a partir de hoje, ela assume as funções que o cargo de publicitária exigem dela. E apesar de ser minha filha, ela é parte da equipe como qualquer um de vocês e todos sabem que não existe favoritismo aqui dentro. – Sorriu para os funcionários, antes de se voltar para
. – Quer dizer algo, querida?

– Me chamar de querida anula sua última afirmação, pai. – Foi a resposta da garota e Connor mordeu o sorriso. Havia se encantado pelo jeito descarado e sincero da garota e não acreditava que precisaria vê-la todos os dias, apenas para passar vontade. Poderia facilmente esquecer daquela noite caso
tivesse sumido de sua vida. Mas com ela ali, tão perto e tão alcançável, viveria um verdadeiro inferno caso a vontade de tê-la outra vez se manifestasse.
Fernand revirou os olhos enquanto a garota ria.

– Não tenho nada para falar. – Completou. – Apenas espero fazer um bom trabalho. – Sorriu para todos e seu olhar evitou Connor deliberadamente.
– Reunião finalizada. – Fernand anunciou, para desgosto de Becca, que soltou uma reclamação bem audível e arrancou um sorriso do homem.
Aos poucos, a sala foi esvaziando. E quando apenas Maria Eduarda, Connor e
sobraram no cômodo, a brasileira levantou os polegares para o amigo e saiu apressada da sala, de forma nada discreta. Connor revirou os olhos e quando finalmente olhou para ele, soltou um suspiro alto antes de se aproximar. Sentou-se na mesa, em frente ao garoto e tudo no que Connor pode pensar fora nas pernas dela que estavam cobertas por aquela calça social escura. E na vontade absurda de tê-las em torno de sua cintura outra vez.
– O universo está tentando me punir por alguma coisa. – Murmurou e
mordeu o sorriso.

– Ou te agraciar. – Retrucou.

– Você não vai transar comigo outra vez. – Connor foi direto. – Não existe nenhum agrado universal aqui.
– No sábado, não pensei que poderia encontrar você aqui. – A garota estalou os lábios. – Achei você lindo e quis transar com você. Não pensei nas consequências. – Deixou os ombros caírem.
– Acho que você deveria pensar menos nas consequências e me dar mais uma chance. – Connor sorriu torto. – Talvez essa coincidência essa um plano do universo para nós dois. – Estalou os lábios. revirou os olhos.
– Eu não iria tão longe. – Ela retrucou.

– Meu apartamento é perto. – Connor devolveu. – Você sabe. – Piscou para ela, que riu com gosto e se inclinou para Brashier, segurando o rosto dele e focando seu olhar no dele.
– Você não vai querer brincar comigo, Brashier. – Arqueou as sobrancelhas para ele.

– Talvez eu queira. – Ele deu de ombros, se inclinando um pouco mais em busca de um beijo.
– Então boa sorte. – retrucou, encostando dois dedos nos lábios do rapaz e o afastando dela. Pulou para o chão e seguiu para fora da sala em seguida, enquanto Connor a observava com apenas um pensamento em mente: iria conquistar aquela garota.

Capítulo 4


Soltou um suspiro cansado e maneou a ponta dos dedo indicadores em suas têmporas, em uma falha tentativa de afastar a dor de cabeça. Sua primeira semana havia sido uma loucura e estava ansiosa para que o ponteiro do relógio indicasse que finalmente eram seis horas da tarde e que ela poderia desligar o notebook e ir embora, para só voltar a se preocupar com o trabalho na semana seguinte, às oito horas da manhã. Havia feito uma nota mental para reservar o final de semana para assistir séries, já que não estava com a mínima vontade de sair. O frio a obrigava a ficar em casa e não tinha forças o suficiente para lutar contra seus cobertores quentinhos.
Ajustou os últimos detalhes de um cartaz de divulgação e enviou para o pai por e-mail, batucando as unhas na mesa enquanto esperava por uma resposta, o olhar indo para o relógio e voltando para a tela do computador inúmeras vezes. Percebeu quando um certo rapaz de olhos azuis escorou-se no batente da porta de sua sala, os braços cruzados em frente ao corpo, um pirulito na boca e um sorriso astuto nos lábios bem desenhados – aos quais ela conhecia intimamente -, mas resolveu ignorar e deixar Connor tomar a frente. Ele não havia procurado-a no meio da semana e aquilo havia deixado aliviada com a possibilidade de Brashier não insistir na idiotice de tentar conquistá-la. Mas bem, ali estava ele para lhe provar que também estivera atolado de trabalho e por isso não havia ido atrás dela.
– Você vai mesmo fingir que não me viu? – Ele questionou após quase um minuto onde passou apenas encarando . Ela ergueu o olhar até Brashier, quase entediada, dando de ombros em seguida.
– Você quem está na porta da minha sala, faltando três minutos para o expediente acabar. – Lembrou. – Então diga o que quer.
– Você sabe. – Connor sorriu, descruzando os braços e tirando o pirulito da boca. Adentrou a sala, circulando a mesa e escorando-se na beirada do móvel, ao lado esquerdo da garota. Próximo demais para que ela não notasse o perfume amadeirado que ele usava, precisando todo seu autocontrole para não puxá-lo pela gola da camisa e colar seus lábios aos dele. Brashier era o tipo de cara que 90% das mulheres queriam agarrar apenas por olhar naquele rosto lindo e se incluía naquela porcentagem sem nenhuma reclamação.
– Minha memoria anda péssima. – A garota suspirou, fingindo um cansaço absurdo. Recostou-se na cadeira e abriu um pequeno sorriso torto para Brashier, em pura provocação. – Muito trabalho. – Deu de ombros.
– Eu achei que você não quisesse entrar nessa brincadeira. – Connor arqueou as sobrancelhas para ela.
– Eu avisei que você não deveria brincar comigo. Nunca disse que não iria participar. – Sorriu outra vez. – Eu não sou boa perdedora e faço de tudo para ganhar. O que é uma pena para você.
– Também não gosto de perder. – Brashier sorriu. – E tenho certeza que vou ganhar.
– Tudo isso por uma noite de sexo? – Estalou os lábios. A conquista era sempre uma delícia, mas não se manteria entretida naquela brincadeira apenas por sexo. Connor precisaria se esforçar um pouco mais.
– Não, C. – Sorriu largo, se inclinando para ela e misturando suas respirações. – Tudo isso por você. Quando eu disse que queria entrar nisso, não era visando apenas mais uma noite. Eu quero várias. – Deu de ombros.
– Está dizendo que vai fazer com que eu me apaixone por você? – A garota riu. – Brashier, eu não me apaixono. Não mais. – Suspirou. – Eu já quebrei a cara diversas vezes. Vocês são todos iguais e eu não tenho mais paciência para essa coisa de relacionamento.
– Então se você tem tanta certeza de que não vai se apaixonar por mim, – Connor não parecia abalado e aquilo deixou desconfortável. Estava acostumada com grosserias e ofensas quando deixava claro que não queria se apaixonar, porque homens eram realmente todos iguais: o ego era tão frágil quanto uma taça de cristal e nada que afetasse sua masculinidade e dominância era deixado de lado. Mas Connor parecia seguro de si de uma forma nada egocêntrica e aquilo era estranho, pois colocava em uma situação que ela não conhecia. E não lidava bem com o desconhecido. – Não vai ver problema em sair em um encontro comigo amanhã. – Ele alargou o sorriso esperto e franziu o cenho imediatamente.
– Não acho que essa seja uma boa ideia.
– Com medo? – O garoto provocou e lhe lançou um olhar nada amigável.
– Muito pelo contrário. – Sorriu com maldade. – Só acho que vai ser difícil para você me manter interessada no encontro se estiver usando roupas. – Deu de ombros.
– O caminho da minha casa sempre está livre para você, C. – Ele a fitou com intensidade. – Não precisa passar vontade.
– Prepotente. – Acusou.
– Porque você acabou de afirmar que gostaria de me ver sem roupas. – Retrucou. – De qualquer forma, será sábado à noite. Podemos estender nosso encontro pela madrugada sem qualquer problema. – De novo o sorriso torto e resolveu que estava na hora de virar o jogo a seu favor. Brashier estava brincando com ela e odiava não estar no controle de qualquer que fosse a situação.
– Você aguenta só até a madrugada? – Fingiu uma expressão surpresa. – Chame um amigo então, porque eu preciso de mais. – Abriu um sorriso angelical e Brashier gargalhou em puro divertimento. estreitou o olhar, nada satisfeita com a reação do rapaz.
– Tenho certeza de que posso conseguir alguém. – Ele garantiu. – Amanhã à noite, então?
– E aonde diabos você pretende me levar? – Cedeu de mau grado, cruzando os braços em frente ao corpo enquanto um bico se formava em seus lábios. Connor a encarou sorrindo, passando a língua pelo próprio lábio inferior e mantendo o olhar de preso naquele ato.
– Surpresa. – Ele estalou os lábios. – Mas esteja preparada para o frio.
– Todo e qualquer canto dessa cidade faz frio agora. – Retrucou.
– Exatamente. E por isso você não vai descobrir aonde nós iremos amanhã à noite. – Se inclinou e estalou um beijo na bochecha esquerda da garota. Voltou a colocar o pirulito na boca e estava se dirigindo para fora da sala quando lhe chamou.
– Você nem sabe onde eu moro. – O lembrou e Connor sorriu ainda mais largo.
– Você mora com o seu pai. – Murmurou e a garota soltou uma exclamação de compreensão. Era óbvio que Connor sabia onde se localizava a casa dos . – Passo por lá às 8h.
– Não se surpreenda se ficar esperando no frio. – Ela retrucou. Brashier riu outra vez.
– Estou ansioso para acampar em frente a sua casa. – Lhe mandou um beijo estalado e seguiu pelo corredor. o observou puxar Maria Eduarda e Becca para o elevador e piscar para ele antes das portas se fecharem. A garota suspirou, já arrependida por ter aceitado aquela loucura. Voltou a encarar o relógio e pulou da cadeira quando percebeu que se expediente já havia acabado e seu pai havia mandado uma resposta positiva sobre o cartaz. Teria que fazer alguns minutos de hora extra porque Connor havia lhe tomado a atenção. Malditos olhos azuis, ela pensou.

Capítulo 5

Connor
Paciência não era uma virtude de . E Connor pudera perceber aquilo dois minutos após a garota ocupar o banco do passageiro de seu carro e começar a reclamar que odiava surpresas. E com o Google Maps aberto no celular, estava rastreando toda a área pela qual Brashier dirigia. E apesar de ser um pouco esquisito e neurótico, o rapaz estava achando divertida toda aquela situação. Ela nunca conseguiria descobrir onde ele a levaria e Connor tinha 90% de certeza de ela que iria odiar o passeio. Mas os 10% restantes lhe garantiam que ela iria gostar da ousadia de Brashier ao escolher o local para o jantar e que eles teriam uma noite muito divertida juntos.
Connor esperava por aquilo, ao menos.
– Tem dezenas de restaurantes nessa área. – A garota reclamou, bufando em seguida e arrancando outro riso de Connor.
– Você não consegue apenas aproveitar? – Questionou por fim e revirou os olhos para ele. – Toronto é linda coberta de neve.
– Eu sei. – Retrucou. – Mas odeio não saber o que está acontecendo. – Confessou. – Eu tenho sérios problemas de controle.
– Eu já havia notado. – Riu e a garota franziu o cenho para ele.
– E está me colocando nessa situação por quê?
– Você precisa sair da sua zona de conforto. Uma aventura às vezes faz bem para a alma.
– Então você é do tipo que testa os limites das pessoas? – O encarou com diversão. Connor sorriu para ela brevemente, logo voltando a prestar atenção na estrada.
– Eu sou do tipo que gosta de viver. Então eu arrisco. Se não der certo, ao menos eu não morro com a dúvida do que poderia ter acontecido. – Deu de ombros e o encarou admirada por alguns instantes, sendo trazida de volta a realidade quando Brashier estacionou o carro. Ela quase colou o rosto na janela do carro, tentando descobrir onde estavam. Connor riu, não dando tempo para ela buscar a localização no Maps e a puxando para fora do carro. A placa do ONoir era pequena e discreta, de forma que não identificou o nome do local onde jantariam naquela noite.
Connor guiou a garota pelo local e após dar seu nome para a recepcionista e confirmar sua reserva, foram guiados até o bar, onde realizaram seus pedidos – utilizando um cardápio em braile – e então foram guiados para o quarto onde jantariam. As luzes ficavam acesas apenas por tempo o suficiente de se acomodarem e então o quarto entrava em um breu completo. pulou na cama quando as luzes se apagaram e procurou o braço de Connor em busca de segurança.
– O que está acontecendo? – Questionou alarmada. Connor riu fraco, segurando a mão dela e tentando lhe confortar.
– ONoir é um restaurante diferente. – Explicou. – Não existem mesas aqui, cada reserva garante um quarto. Jantaremos no escuro e seremos atendidos por garçons cegos ou com problemas de visão. É uma experiência diferente e uma ótima forma de valorizar o trabalho de pessoas que normalmente não estão aptas para essa profissão por terem alguma deficiência. – Sorriu, mesmo que ela não pudesse ver. – E a comida é divina.
– Isso é… – Não conseguiu encontrar uma palavra e Connor sorriu, apertando a mão de contra a sua para lhe dizer que havia entendido. – Diferente. E surpreendente. – Ela murmurou, mesmo que não precisasse. – Você me surpreende com frequência.
– Ponto para Brashier. – Comemorou, sorrindo largo quando a garota soltou uma risada espontânea. – É agora que eu pergunto a você o motivo de ser tão…
– Fria? Nojenta? – Sugeriu e o garoto riu.
– Eu usaria a palavra “esquiva”.
– Menos ofensivo do que eu poderia esperar. – A ouviu estalar os lábios. – O escuro me deixa confortável em falar, porque me sinto sozinha. Se não fosse a sua mão, poderia facilmente adormecer agora. – Murmurou.
– É por isso que ONoir é meu restaurante favorito. Sem claridade, não sabemos onde nos esconder. – Connor falou. – Janto sozinho aqui com frequência. Para colocar a minha cabeça em ordem.
– E qual foi a última vez que precisou vir aqui? – questionou e Connor se empertigou na cama. Era bom para ele que ela estivesse interessada em sua vida, assim como ele sentia-se pela dela.
– Quando uma de minhas melhores amigas estava sofrendo por um coração partido e eu não sabia como ajudar. – Suspirou. – Precisei analisar a situação com muito cuidado, para evitar machucá-la com qualquer palavra ou ação. Ela já estava machucada o suficiente e só precisava de apoio.
– Maria Eduarda? – enrolou a língua para pronunciar o nome da brasileira.
– Sim. – Connor suspirou. – Mas agora ela está bem. Precisou de apenas uma conversa com ele para se recuperar. – Riu e a garota o acompanhou. – O amor faz esse tipo de coisa com as pessoas.
– Não gosto da ideia de colocar a minha felicidade nas mãos de outras pessoas. – confessou e Connor franziu o cenho em admiração. Não esperava que ela realmente falasse com ele sobre seus sentimentos. – Fiz isso antes, inúmeras vezes. E sempre quebrei a cara. – Suspirou. – Decidi que não valia mais a pena buscar uma realização romântica, porque eu não nasci apenas para ser o amor de alguém. Nasci como e essa pessoa tem sonhos e metas. E eu vou atrás disso, ao invés de procurar confusão romântica. Porque isso apenas nos limita e machuca. – Deu de ombros.
Brashier abriu a boca para falar, mas nada saiu. Passou alguns minutos apenas divagando sobre as palavras da garota. Não a julgava, de forma nenhuma. estava certa em buscar suas realizações pessoais ao invés de um relacionamento. Todas as mulheres deveriam fazer aquilo, mas Connor sabia que a sociedade criava a maioria delas apenas para buscar a realização romântica. Quando finalmente soube o que dizer, foi interrompido pela entrada do garçom com o jantar. E apesar de o momento ter passado e eles terem mudado de assunto, Connor não conseguiu tirar aquilo da cabeça. E quando estacionou em frente a casa de , quase quatro horas mais tarde, segurou a mão da garota antes que ela saísse do carro.
– Não estou falando de mim agora. – Murmurou. – Mas talvez você não devesse se privar de viver experiências românticas, porque isso faz parte da vida humana. E tendo outros objetivos, você não vai deixar que isso tome todo o seu tempo e foco. Um bom amor é aquele que nos ajuda a somar e multiplicar, ao invés de subtrair e dividir. – Sorriu para ela e sacudiu a cabeça para os lados.
– Eu nunca vi um amor assim. – Foi sua resposta.
– Eu já vi. – Connor sorriu, encarando-a com intensidade. – E talvez eu possa mostrar a você. – Deu de ombros. – Não estou dizendo que quero ser o amor da sua vida, . Apenas que posso lhe mostrar algo que você ainda não viveu.
– Então o jogo sexual acabou, Brashier? Vamos virar amigos? – Arqueou as sobrancelhas para ele.
– De forma nenhuma. – Mordeu o lábio inferior. – Vou apenas acrescentar mais coisas a minha lista. – Deu de ombros.
o encarou com curiosidade. – Por quê?
– Porque eu quero. – Foi a resposta do fotógrafo. – É a única coisa que importa aqui.
não respondeu. Lançou um último olhar para o rapaz e então saiu do carro, seguindo para sua casa sem olhar para trás. E Connor abriu um sorriso largo ao perceber que aquele era um sinal de que ele poderia tentar conquistar aquela garota.

Capítulo 6


Dor de cabeça. Era tudo o que conseguia sentir naquela segunda-feira. E assim que entrou no refeitório da empresa, encontrou o motivo pelo qual havia enchido a cara no dia anterior. E naquele dia, os cabelos loiros estavam ainda mais revirados enquanto os olhos azuis mal apareciam por conta das pálpebras pesadas por conta do sono. E o bocejo alto que Connor deu em seguida apenas provou para que o garoto estava sonolento. E com um sorriso diabólico, ela montou o plano perfeito para colocar em andamento uma pequena vingança por ele ter deixado sua cabeça uma bagunça completa depois do jantar no sábado à noite.
Após deixar o carro de Connor e ocupar seu quarto, tudo no que conseguia pensar era: perigo. Aquela ideia de lhe mostrar um novo tipo de amor era uma droga. Era estupidez, burrice. não queria se apaixonar. E mesmo que Connor afirmasse que ele não estava tentando fazê-la se apaixonar por ele, a garota sabia que as coisas não terminariam bem. Ela iria acabar se apaixonando. Se não por Connor, pela ideia de se apaixonar. E não tinha nenhum benefício naquilo. Apenas mais distração. Apenas mais uma forma de se decepcionar e precisar juntar seus cacos e se reconstruir.
Connor havia assumido o controle daquela brincadeira ao sugerir que eles não ficassem apenas nos joguinhos sexuais e envolvimento casual. Ele havia avançado um passo, para o qual não estava pronta e não queria seguir.
E talvez aquilo a tornasse a pessoa mais covarde do mundo. Ela não ligava. Era feliz com sua vida e gostaria de permanecer daquela forma. Amor era uma bobagem e não tinha tempo para aquilo. Precisava reaver o controle sobre sua calcinha, para que não perdesse o controle sobre seu coração. Brashier precisaria entender que as coisas iriam funcionar como queria ou então, não haveria nada entre eles.
Tomou fôlego, ajeitando os fios de cabelo rebeldes e seguindo para perto de Connor, que ocupava uma mesa sozinho e parecia encarar o nada, enquanto levava o copo com café a boca de tempo em tempo. Não deu tempo para que ele percebesse sua presença, já que segurou-o pelo braço e o puxou para que se levantasse. Connor franziu o cenho em confusão, sem entender o que diabos estava acontecendo.
– Bom dia. – Murmurou com a voz arrastada. – O que aconteceu?
– Vem comigo. – impôs, ignorando completamente a saudação do rapaz.
– Por quê? – Questionou, mantendo todo o peso do corpo no chão e evitando ser arrastado.
e nem checou os arredores quando murmurou, com a voz entrecortada: – Porque hoje é o seu dia de sorte e eu vou chupar você dentro do almoxarifado.
Esperou que ele arregalasse os olhos. Esperou que o cenho se franzisse e a boca se abrisse por conta do choque. Esperava por aquilo, já que seria a reação mais natural de qualquer pessoa normal. Mas Connor apenas sorriu torto e então abandonou o café na mesa, cedendo ao puxão da garota e a seguindo para uma das salas onde os materiais ficavam guardados.
Atravessaram a empresa de uma ponta a outra e Connor mal havia fechado a porta às suas costas e já estava colando sua boca na dele. O empurrou contra a porta, enquanto sua língua pedia passagem para a boca dele. E mesmo que estivesse cega pela vontade de arrancar aquele sorrisinho da boca de Connor, ela não pode conter o gemido baixinho de satisfação que reverberou por sua garganta. Brashier era muito bom em tudo que envolvia toques físicos e o beijo dele era espetacular.
O beijou com força, ritmo e intensidade. Sua língua chupava a dele e seus dentes mordiam o lábio inferior de Connor vez ou outra, enquanto suas mãos puxavam os cabelos de Connor de forma provocante e ele a tocava em todas as partes alcançáveis de seu corpo. Pernas, bunda, cintura, nuca… uma confusão de toques que deixava seu corpo em chamas. Separou os lábios de Connor quando o ar finalmente lhe faltou e desceu os beijos para o pescoço do garoto, mordendo e sugando a pele para dentro de sua boca enquanto o rapaz suspirava e apertava sua bunda.
– Cadê o sorrisinho sacana? – Provocou e Connor riu, um pouco sem ar, voltando a segurar pela nuca e voltar a beijá-la.
As mãos da garota logo estavam no botão da calça jeans de Brashier e ela não se demorou no beijo, voltando a brincar com o pescoço dele enquanto suas mãos abaixavam as calças e a cueca dele. A calça e a cueca foram abaixadas apenas o suficiente para deixar o membro de Connor ao alcance total das mãos de e ela sorriu quando Brashier gemeu um pouco mais alto, após ela traçar toda a extensão de seu pau com as unhas.
– Você quer brincar. – Connor constatou e afastou a boca da pele dele apenas para poder encará-lo, os olhos faiscando em divertimento. Segurou a base do pênis de Connor e começou a movimentar a mão, acariciando-o por completo e sentindo o pau dele endurecer em sua mão. Usou o lubrificante natural do garoto para facilitar os movimentos e escorregar a mão por sua extensão com mais facilidade.
– Eu quero que esqueça essa bobagem de me mostrar que amor pode ser bom. – Foi sua resposta e sua mão aumentou a velocidade da masturbação. – Nós temos um problema de tensão sexual e não precisamos acrescentar mais um problema nessa lista.
– Não seria um problema. – O garoto retrucou, mordendo os lábios para conter um gemido mais alto quando usou o polegar para acariciar a cabecinha de seu pau. Mais lubrificante natural e decidiu que ele estava pronto para ela.
– Não discuta com a mulher que está a um passo de chupar o seu pau. – Chiou, novamente usando as unhas para provocá-lo. Connor voltou a sorrir, mas logo fechou os olhos e escorou a cabeça na porta quando a garota se ajoelhou a sua frente e o colocou na boca.
Em um primeiro momento, apenas o provou com a língua. Acariciou a glande com a ponta do músculo, sugando para dentro da boca algumas vezes antes de o engolir por completo. A destra segurou a base do pênis, para acariciar o pedaço do membro que não cabia em sua boca. E então o chupou. E não se conteve ou poupou esforços. Chupou Connor como se eles tivessem horas para aliviar aquela tensão sexual. Como se depois ele fosse colocá-la contra a parede e a foder até suas pernas ficarem bambas. Como se o estivesse preparando para ela. O deixando ainda mais duro para sentar nele até eles se desfazerem em um orgasmo intenso. Sem nunca desviar o olhar do rosto de Connor, que mantinha os olhos fechados, a respiração ofegante e os lábios entre os dentes, para evitar que seus grunhidos e gemidos chamassem atenção de qualquer colega de trabalho.
Quando ele se desfez em seus lábios e engoliu todo gozo de Connor, abriu um sorriso de lado quando ele a encarou, puxando o ar para os pulmões com força. Segurou-a pela cintura, movendo a mão para a cintura da garota, em uma tentativa de lhe mostrar que iria retribuir. E apesar de sentir a calcinha encharcada. a garota apenas estalou os lábios contra os dele, juntou a bolsa que estava largada no chão e então pediu licença para poder sair da sala. Ela queria muito que Connor retribuisse o gesto. Mas o faria quando ela quisesse e não quando ele achasse conveniente.

Capítulo 7

Connor
O rapaz soltou um suspiro, passando as mãos pelos cabelos e então encarando Maria Eduarda, esperando uma resposta coerente da amiga, que sabia apenas balbuciar e franzir o cenho em confusão, completamente em choque. Connor havia confessado a ela sobre o pequeno e rápido momento com no almoxarifado, mesmo que alguns dias mais tarde. O dia de São Valentim era na próxima semana e eles estavam atolados de trabalho, o que limitava o tempo de interação entre os amigos. E aquilo era algo que o ele sabia que não poderia contar por mensagens, então aguardou o momento certo.
– E aí? – Perguntou por fim e Brashier soltou uma risadinha.
– E aí o quê? – Arqueou as sobrancelhas.
– Você revidou?
– Não. – Connor suspirou. – Ela sumiu. Aparentemente, está colocando em prática a parte do “eu escolho onde, quando e como”. – Deu de ombros.
– E isso não incomoda você? – Madu parecia preocupada e Connor abriu um pequeno sorriso para ela, bebericando seu café em seguida. Estavam no refeitório da empresa, sentados no chão, escorados contra as janelas de vidro e com as pernas esticadas a frente. Madu tinha estendido a manta por cima dos dois e os cafés quentes ajudavam a esquentar o corpo, enquanto a neve caia do lado de fora.
– Um pouco, para ser sincero. – Mordeu o lábio inferior. – Ela é uma garota ótima. E se quisesse, poderíamos realmente tentar e ver se daria certo. Às vezes as coisas começam por menos que um interesse físico. – Deu de ombros.
– Às vezes começam com um esbarrão em uma cafeteria. E uma companhia em uma festa ruim. – Madu sorriu largo e Connor revirou os olhos para a amiga, boba apaixonada como era, sorrindo em seguida, porque sabia que ela tinha razão.
– Mas ela não quer. – Continuou. – E eu não vou insistir. Não dessa forma.
– Você deve ser um dos caras mais decentes que eu já conheci, Brashier. – Madu elogiou. – Sério, não existem muitos como você por aí e ela não sabe a sorte que tem.
– Você me deu um foro. – Connor retrucou e Maria Eduarda lhe estirou a língua, beliscando o braço do garoto em seguida.
– Ah, vá a merda. – Chiou. – Supere. – Torceu os lábios.
Connor gargalhou, abraçando a garota pelos ombros e então beijando o topo de sua cabeça. Seu olhar passou pela porta do refeitório e então encontrou parada na fila da máquina de café, encarando a cena que Connor protagonizava com Madu com os lábios cerrados e os olhos com um resquício de… aquilo não poderia ser ciúme. Ela não tinha nenhum motivo para ter ciúme. Tudo bem, haviam tido um momento intimo no início da semana. Mas havia deixado claro que tudo o que eles teriam era algo casual. E dentro da casualidade, não havia espaço para aquele olhar. Levou apenas dois segundos para abrir um sorriso torto e deixar outro beijo nos cabelos de Madu, deitando a cabeça no ombro dela em seguida, sem desfazer o abraço.
está na fila para o café. Seja discreta e me diga se ela não parece estar com ciúme.
Madu abriu um sorriso largo, fingindo que ajeitava os cabelos para direcionar o olhar até a fila do café e encontrar os encarando. Não, não a eles. Encarando Connor.
– Parece ser. – Falou, voltando a encarar o amigo. – Ela sabe que tenho Shawn, não sabe?
– Todo mundo sabe, Maria Eduarda. – O loiro retrucou e a garota lhe estirou a língua.
– Bom, isso não é verdade. Não voltamos. Ainda. – Acrescentou com um largo sorriso.
– É por isso que a Becca tem vontade de bater em vocês. – Riu.
– Vá falar com ela. – Madu incentivou, empurrando Connor com o cotovelo. O rapaz fez uma careta.
– Ela vai me arrastar para o almoxarifado de novo. – Disse de forma exasperada. – Está muito frio para ficar sem roupas lá. – Torceu os lábios. Maria Eduarda revirou os olhos, empurrando Connor para longe e se levantando. Puxou a manta das pernas do garoto e lhe atirou um beijo, dando as costas e seguindo para fora do refeitório. – Traidora. – Connor grunhiu, alto o suficiente para que ela ouvisse. Madu se virou e abriu um sorriso largo para ele.
– Não seja um bundão. – Retrucou, atravessando a porta e sumindo em seguida. Connor bufou, voltando a atenção para o café, enquanto batia um pé no outro, tentando se entreter e não ceder à tentação de cabelos claros e olhar felino.
Que andava em sua direção e quando Connor percebeu, já era tarde demais. O bico fino das botas da garota pararam ao lado de suas pernas e ele tomou folego antes de levantar o olhar até ela, fingindo surpresa, mesmo que ela soubesse que ele havia notado sua presença minutos antes.
– Oi C. – Acenou com a cabeça.- Tudo bem?
– Meu pai não vai estar em casa no final de semana. – murmurou, parecendo desinteressada. Mas os olhos dela não deixavam o rosto de Connor e ali ele encontrava o desejo. A vontade de estar com ele. E por isso sorriu de forma travessa, antes de estalar os lábios e murmurar:
– Estou cheio de compromissos. – Suspirou de forma dramática. – Vai precisar de mais do que isso para me convencer, .
– Posso chamar qualquer outra pessoa e você sabe disso. – Ela arqueou as sobrancelhas para o rapaz.
Connor deu de ombros.
– Mas você não quer fazer isso. Se quisesse, o teria feito. Mas veio até aqui, porque quer a mim.
se agachou ao lado de Connor, o olhar divertido em suas irises.
– Talvez sim, talvez não. – Murmurou com descaso.
– Eu vou. – Connor disse por fim. – Mas…
– Mas o quê? – Ela torceu os lábios.
– Vamos assistir algum filme. Juntos. Sem sexo. – Decidiu. – E eu vou cozinhar. Para você.
– De novo essa bobagem romântica, Brashier? – Bufou. – Não podemos apenas transar?
– Não. – Connor estalou os lábios. o encarou por alguns instantes.
– Merda, esses seus olhos me deixam meio tonta. – Reclamou e quando Connor riu, revirou os olhos para ele. – Se você for um péssimo cozinheiro, vou amarrar você na minha cama. E você não vai gostar de apanhar. – O sorriso safado estava ali e Connor se inclinou para ela, próximo o suficiente para que ela sentisse seu cheiro, mas ainda longe para que seus lábios se tocassem.
– Você pode me amarrar. – Falou. – E um chicote é sempre interessante. – Outro sorriso de canto, antes de se afastar e levantar do chão. Seguiu o mesmo caminho de Madu e gritou às suas costas:
– Às 8h da noite.
Connor se virou: – Às 7:30. – Lhe atirou um beijo, sumindo de seu campo de visão em seguida. até podia achar que detinha todo o controle, mas Brashier faria questão de lhe lembrar que aquele jogo poderia ser jogado por dois.

Capítulo 8


Eram exatamente 7h30 da noite quando abriu a porta para Connor. Estava usando moletom e camiseta e as roupas confortáveis e arrumadas do garoto lhe fizeram franzir o cenho em confusão. Mas o olhar que recebeu de Brashier lhe deu a certeza de que não importava o quão velha era a camiseta que vestia: ela estaria no chão de seu quarto dali algumas horas.
– Trouxe comida. – Connor levantou as sacolas do mercado até a linha dos olhos da garota, assim que ela fechou a porta as suas costas.
– Achei que você ia cozinhar. – Entortou os lábios.
– Nós vamos cozinhar. – Corrigiu e aumentou a careta.
– Não sou boa na cozinha.
– Eu gosto de ajudantes. – Disse por fim. revirou os olhos e então guiou Brashier pela casa. Em questão de minutos, ele tinha boa parte da bancada tomada por ingredientes e utensílios que nunca havia visto em casa. Era realmente péssima cozinheira e não por falta de tentativas de aprender, já que sua mãe era chef de cozinha e sempre tentara lhe ensinar. Mas ela simplesmente não tinha dom para aquilo.
– E o que você pretende cozinhar? – Arqueou as sobrancelhas em questionamento, após observar Connor cortar e lavar muitas verduras. Brócolis, cenoura e mais uma porção de coisas que não conhecia, mas que sempre fora obrigada a comer.
– Arroz cremoso colorido. – Connor abriu um sorriso para ela. – Com o tempo, aprendi a preparar um molho especial que deixa a receita muito mais gostosa.
– Então você gosta de cozinhar? – O encarou com curiosidade. Ocupava uma das banquetas, ao lado de Connor, que agora mantinha sua atenção nos tomates cereja.
– Sim. – Assentiu. – Era uma forma de estar próximo da minha família. Minha mãe ama cozinhar e passou esse gosto para mim.
– Minha mãe é chef. Ela tem um restaurante quatro estrelas em Paris e está lutando para ganhar mais uma estrela. – Comentou. – Eu amo comer por causa dela. – Riu por fim.
– E como você saiu sendo péssima na cozinha? – Questionou de forma divertida. – Seu pai também é um bom cozinheiro. E sei disso porque no último jantar que fizemos entre os funcionários, ele fez questão de cozinhar para todos nós. Mesmo que eu tenha certeza de que parte da comida ele encomendou. – Riu e revirou os olhos, rindo junto de Connor em seguida. Aquilo era típico de seu pai.
– Sem dúvidas ele encomendou alguma coisa. Papai é ótimo na cozinha, mas morre de preguiça.
– Guardarei a informação. – Estalou os lábios e voltou a atenção para os alimentos.
E por muitos minutos e entre muita conversa, observou Brashier com atenção. Não que precisasse de muito para conhecer cada pedaço dele – a noite que haviam passado juntos havia sido o suficiente para que ela marcasse todas as pintinhas que ele tinha no rosto e no resto do corpo em sua mente -, mas conhecer Connor, daquela forma mais intima do que um dia inteiro transando, era algo realmente surpreendente. Não se assustou quando ele começou a falar de sua família, de seus medos e de suas manias. Não correu para longe quando falou sobre o sonho de cursas Psicologia, mesmo que fosse um fotógrafo incrível. Não tirou as roupas e mudou de assunto quando ele começou a perguntar sobre ela. E mesmo que a resistência para se abrir para ele ainda estivesse ali, não deixando que expusesse toda sua vida, entendeu que eles poderiam ser bons amigos. Connor era um rapaz… inusitado. Diferente de todos os outros que ela havia conhecido. A tensão sexual não deixaria de existir, ela sabia. Lembrava com exatidão do toque dele em sua pele e a forma como a beijava. Com carinho, cuidado e intensidade. Mordendo quando deveria e sugando sua língua quando ela menos esperava. Lembrava da sensação do corpo dele contra o seu, investindo contra ela. Entrando e saindo em um ritmo que fazia seus olhos revirarem e a respiração falhar. Lembrava de tudo aquilo e queria aquilo. Queria repetir aquela noite, mas também poderia ter uma noite apenas com jantar e um filme bom na TV. Poderia ser amiga de Connor.
Desde que eles continuassem transando.
O jantar havia sido maravilhoso e havia coletado muitas informações sobre Brashier, assim como havia compartilhado sobre sua vida. Ajudou com a louça – porque naquilo ela era boa – e então levou Connor para o segundo andar. Para seu quarto, usando a desculpa de que eles poderiam ficar confortáveis na cama para poderem assistir ao maldito filme. Mas assim que fechou a porta do quarto, Connor não puxou outro assunto aleatório, o que fez se virar para ele com o cenho franzido. Estava encostado contra a porta do quarto. Os braços cruzados em frente ao corpo, olhando para ela com um sorriso torto nos lábios.
– O que foi? – Questionou e ele deu de ombros.
– Viu como é fácil estar com alguém sem sexo?
Ela revirou os olhos, sentando-se na cama em seguida.
– Nunca disse que era difícil. Eu apenas evito. – Deu de ombros. – Partir para o sexo é muito mais fácil e economiza tempo.
– Você é prática demais. – Connor condenou e ela revirou os olhos outra vez, mas sentiu o corpo entrar em alerta quando ele sorriu torto e deu alguns passos em sua direção. – É bom brincar um pouquinho. – Seu tom de voz diminuiu consideravelmente. Parou a sua frente, se inclinando sobre seu corpo e obrigando-a a deitar no colchão. se acomodou, abrindo as pernas e dando espaço para que ele se colocasse entre elas. As mãos em suas coxas e a boca quase colada a sua. Seus olhos estavam presos nos de Connor e ela movimentou os braços para envolve-lo pelo pescoço, trazendo-o para perto e mordiscando seu lábio inferior em provocação.
– Você não quer ver filme nenhum, não é? – Questionou em um sussurro e Connor sorriu torto.
– Para falar a verdade, eu quero. – Soltou seu peso sobre o corpo dela, sem afastar as mãos das pernas da garota. Mais um pouquinho e eles estariam se beijando. E tinha certeza que Brashier mandaria o filme para o inferno caso aquilo acontecesse.
– Nós podemos ser amigos. – Sugeriu. – Que transam. Gosto da sua companhia. – Confessou.
– Por mim tudo bem. – Mas…
– Mas o quê? – Franziu o cenho, roçando seus lábios contra os de Connor.
– Você não pode fugir de mim se descobrir que se apaixonou. – Brashier falou e seu tom de voz era sério. Seus olhos não se afastaram do rosto de , para se certificar de que ela não iria mentir para ele naquele momento. – Porque eu não vou fugir ou fingir que não aconteceu, caso eu me apaixone. E eu não vou ser um babaca. – Disse por fim.
o encarou por longos minutos, sua mente analisando todas as chances de que aquilo poderia dar errado. De que acabaria sozinha e de coração partido outra vez. Que iria ser trouxa e quebrar a cara. Mas os olhos de Connor não mentiam para ela. Ele estava sendo sincero e aquilo lhe deixava um pouco confiante. Menos receosa.
– Eu não sei se vou me apaixonar. – Foi o que disse.
– Não estou pedindo por isso. – Connor sorriu. – Mas não quero que descarte a possibilidade.
– Tudo bem. – Assentiu por fim. – Agora podemos transar? – Arqueou as sobrancelhas e Connor riu, sacudindo a cabeça para os lados.
– Podemos ver o filme.
– Eu estou excitada. – Foi direta, movendo a boca para o pescoço do loiro e mordendo a pele dele de forma provocante. E precisou de apenas mais uns beijos para que Connor finalmente a segurasse pela nuca e unisse seus lábios. E logo a boca dele estava em todo seu corpo e o filme ficara esquecido. Talvez em uma próxima.

Capítulo 9

Connor
Havia comprado flores. E chocolates e apesar de saber que aquilo era o cúmulo do clichê – e que havia uma grande possibilidade de Celine enfiar sua cabeça na parede quando ele aparecesse em sua sala com aquilo -, não havia conseguido se conter. Não eram namorados, não estavam nem perto daquilo, mas achou que seria uma boa ideia presentear a garota. Sem nenhuma intenção. Apenas para que a data não passasse despercebida por Celine.
– Uau. – Ouviu a risada de Madu as suas costas e torceu os lábios, rezando internamente para que Becca não estivesse junto. Se a loira o visse com aquelas flores, iria passar o resto da semana – e talvez do mês – lhe enchendo o saco. Connor se virou e encontrou a amiga com um sorriso gigante no rosto, suspirando em alivio quando percebeu que ela estava sozinha.
– Oi Madu. – Sorriu. – Achei que já tinha ido. – Franziu o cenho. Lembrava com clareza de Maria Eduarda correndo para se arrumar no banheiro, meia hora atrás, porque Mendes estava chegando para buscá-la.
– Shawn pegou trânsito. – Torceu os lábios. – E ainda não me contou aonde vamos jantar. – Soou descontente e Brashier riu.
– Deixe o garoto se divertir um pouquinho. – Exclamou para ela, que revirou os olhos e lhe atirou um beijo, antes de sair batendo os pés e resmungando sobre homens que defendiam outros homens a todo custo. Connor gargalhou, voltando sua caminhada para a última sala do andar. A luz ainda estava acessa e o vulto de Celine se movia dentro da sala, causando um sorriso em Connor quando as lembranças do final de semana tomaram conta de sua mente.
Tinha muita consciência e clareza da sensação de ter a garota contra seu corpo durante toda a noite de sábado. O filme havia ficado esquecido e ele passou muito tempo provando-a e aproveitando das caricias que trocavam. Não podia negar que estava ficando viciada na garota, mesmo que não tivesse qualquer problema em admitir aquilo. Quem tinha problemas para se envolver era Celine, não Connor.
Tomou fôlego, parando em frente a porta e então usando a mão livre para dar duas batidinhas. Se entrasse sem avisar, ela o faria comer as flores, tinha certeza. Era um buquê simples, o que ele havia comprado. Meia dúzia de rosas brancas, já que não sabia as flores favoritas dela. Mas todo mundo gostava de rosas, acreditava. Até Maria Eduarda, que era louca por girassóis, havia se rendido as rosas – por mérito de Shawn, ele sabia, mas ainda sim, era alguma coisa. A voz de Celine soou arrastada quando liberou sua entrada e Connor girou a maçaneta, enfiando a cabeça para dentro do cômodo e sorrindo para a garota.
– O que você quer? – Celine questionou.
– Que amargura. – Implicou, estalando a língua. – Hoje é dia de São Valentim. Não pode estar de mau humor.
– Posso estar de mau humor quando quiser. – Retrucou, de forma acida.
– Não costumo atribuir os mau humores femininos a TPM, porque isso é machista – Connor murmurou. – Mas tenho algo que talvez melhore o seu humor. – Sorriu largo e Celine desviou o olhar para o corpo que Brashier escondia.
– Sem dúvidas você tem. – Ela abriu um sorriso safado e Connor gargalhou, se colocando para dentro da sala e então se aproximando da mesa, estendendo as flores e os chocolates para uma Celine de olhos arregalados e queixo levemente caído.
– Tenho certeza de que não estava falando disso. – Brashier soltou outra risada, sentando na beira da mesa de Celine e entregando os presentes para ela.
– Por que isso?
– É São Valentim. Todo mundo merece ganhar algo legal.
– Não somos namorados. – Celine estreitou o olhar para Connor, mas nas entrelinhas, ele percebeu que ela havia gostado. Os ombros não estavam retesados e um cantinho de seus lábios estavam repuxados par um sorriso, talvez.
– Não. – Concordou. – Mas trouxe flores e chocolates. – Deu de ombros. – E acho que você não vai recusar um orgasmo. – Se inclinou para ela, beijando-a nos lábios em seguida. Celine deixou as flores e os chocolates em cima da mesa, movendo as mãos para a gola da blusa de Connor e o puxando para si.
E continuou puxando o garoto, até que ele estivesse ajoelhado a sua frente, com os lábios vermelhos por causa do beijo. Mordeu o lábio inferior de Celine, rompendo o beijo e então afastando as mãos que seguravam a garota pela nuca. Um segundo de olhares intensos sendo trocados e Connor moveu os lábios para a mandíbula de Blanchard, deixando beijos leves e mordidas provocantes em sua pele, descendo para o pescoço enquanto as mãos se ocupavam com o zíper do jeans. Mais um beijo e Celine impulsionou os quadris para cima, o suficiente para Connor puxar sua calça até as canelas e colocar uma perna dela em cada lado de sua cabeça. Celine repousou a cabeça na cadeira, usando a destra para envolver os cabelos do loiro e a canhota para segurar no braço da cadeira.
Brashier desceu os lábios pelo corpo da garota, beijando-a por cima das roupas e então chegando a sua virilha. Não de demorou na provocação, soltando um riso abafado quando Celine lhe lançou um olhar insatisfeito. A tomou nos lábios, fazendo-a suspirar e morder o lábio inferior quando Connor movimentou a boca em sua intimidade. Começou devagar, provando-a como se nunca tivesse feito aquilo. Não desviou os olhos do rosto de Celine quando brincou com os pequenos lábios de sua boceta com a língua, antes de tomar o clitóris e arrancar um gemido estrangulado da garota, que puxou seus cabelos com um pouco mais de força, indicando que ele deveria continuar daquela forma. E foi o que fez. Brincou com ela, como se a estivesse beijando nos lábios. Usou a ponta da língua e os dentes para lhe causar ainda mais tremores pelo corpo, obrigando-a a morder os lábios para que os gemidos não chamassem a atenção de ninguém.
Deslizava a boca por ela com facilidade, fosse por estar encharcada ou pela saliva do garoto, ele não ligava. Mantinha-se mais empenhado a cada revirar de olhos de Blanchard e a cada suspiro estrangulado que ela soltava.
– Mais. – Resmungou, com a voz fraca. Connor sorriu, sugando-a com um pouquinho mais de força e então afastando uma das mãos das coxas dela, movendo para seu interior e a penetrando com dois dedos. Manteve o ritmo dos dedos conforme a chupava: devagar, com força e intenso. Torceu os dedos dentro dela quando a garota tremeu em sua boca, sentindo que ela iria atingir o orgasmo e não querendo perder nada daquilo. Um pouquinho mais de rapidez com a língua em seu clitóris e os dedos a fodendo com intensidade foram o suficiente para ela grunhir e deixar o orgasmo tomar conta de seu corpo. Connor a bebeu por completo, lambendo os dedos e os lábios quando se afastou. Se aproximou dela e a beijou, compartilhando seu gosto e sorrindo entre o beijo preguiçoso que trocavam, graças ao cansaço da garota.
– Droga, Brashier. – Chiou em reclamação. – Por que você é tão bom nisso? – Os lábios estavam torcidos em descontentamento e Connor a beijou mais uma vez, dando de ombros em seguida.
– Porque você é gostosa e eu como você com vontade. – Foi sua resposta, ajudando a garota a vestir as calças e então voltando a sentar-se contra a beirada da mesa. Celine piscou lentamente para ele, soltando uma risada em seguida.
– Obrigada pelos chocolates e pelas flores. Foi… legal. – Abriu um sorriso tímido.
– E pelo orgasmo. Não esqueça disso. – Sorriu, e de forma espontânea, a beijou outra vez, antes de se afastar e seguir para fora da sala de Blanchard, com o gosto dela ainda em sua boca e uma vontade de mais que não acabava nunca.

Capítulo 10


Ajeitou a saia e o casaco, dando uma última olhada no espelho do banheiro antes de se mover em direção a porta. E dar um pulo para trás quando deu de cara com Becca e sua expressão nada satisfeita. Olhou para os lados, de forma nada discreta, a procura de algum indicio de que Connor ainda estava por ali. Suspirou em alivio e quando abriu um sorriso para a amiga, Becca a empurrou para dentro do banheiro e fechou a porta as suas costas. logo soube que estava em maus lençóis e puxou o folego para os pulmões com força.

– O que foi? – Tentou desconversar e Becca revirou os olhos.

– Eu não acredito que vocês estão se escondendo de mim. – Chiou. – Fala sério, . – Parecia magoada e logo sentiu-se péssima. Não queria magoar Becca, mas também não achava necessário contar sobre seu casinho para a amiga. Mesmo que ela e Connor estivessem deixando de ser apenas algo casual.

– Não estávamos escondendo. – Retrucou, mesmo sabendo que estava mentindo.

– E por que eu sou a única que não sei a respeito de você e Connor? – Estalou os lábios. – Até a Maria Eduarda sabe e vocês nem se conhecem direito!

– Connor contou para ela. Não fui eu. – Suspirou. Se escorou na pia e encarou a amiga de forma culpada. – Me desculpe. Eu não sabia como contar.

– Vocês começaram isso quando?

– Na festa. Transamos naquela noite e desde então… – Deixou a frase no ar e Becca aumentou a careta no rosto.

– Na festa? – Chiou. – Vai fazer um mês!

– Eu sei! – Exclamou. – Mas não deveria ter continuado. Era para ser coisa de apenas uma noite, mas eu não me dei conta de que ele poderia trabalhar aqui. – Foi sincera. – E quando finalmente percebi, não havia mais o que fazer. – Deu de ombros. – Eu não pretendia manter isso, mas Connor decidiu que iria me conquistar e então… – Se calou, sem saber como continuar a explicar.

– Vocês estão namorando? – Becca arregalou os olhos.

– Não! – Foi rápida em negar. – Claro que não. Nós estamos nos conhecendo.

– E transando como dois coelhos. – Alfinetou; – Ele saiu desse banheiro parecendo que havia sido atropelado. – Torceu os lábios.

– Mérito meu. – Não conseguiu conter o sorriso satisfeito e Becca lhe lançou um olhar curioso.

– Eu realmente estou tentando entender o motivo de vocês estarem juntos. Quero dizer, – Suspirou, passando as mãos pelos cabelos loiros em frustração. – Você sempre diz que não quer um relacionamento. E Connor pode parecer cafajeste com aquela carinha bonita, mas ele não é esse tipo de cara.

– Eu sei que não. – foi sincera. – Sei que ele não procura só isso. E no começo, foi um problema, porque eu não estava disposta a ceder mais. Apesar de ele pressionar um pouco, ele torna fácil. Coisas que sempre pareceram difíceis antes. Não é forçado, não é uma obrigação. – Respirou fundo. – Só estou deixando levar, porque foi isso que ele sugeriu. Não me privar, mas também não me obrigar a nada.

– Isso é inesperado. – Becca confessou. – Mas não esperava nada de diferente dele. – Acabou rindo fraco. – Connor é o único cara que eu conheço que levou um fora e se tornou melhor amigo da pessoa por quem ele estava interessado. E nunca foi escroto com a Madu por causa disso. Apoiou ela o tempo todo, principalmente quando eu não conseguia fazer isso. Eu sou um pouco bruta demais. – Suspirou.

– Ele é diferente. – concordou. – E por isso eu concordei em tentar. Não é um namoro ou um relacionamento desprovido de rótulos. Nós passamos algum tempo juntos, de acordo com a disponibilidade de tempo que temos. Transamos. – Mordeu o lábio inferior. – E é legal.

– Você vai se apaixonar. – Becca murmurou.

– Fala como se isso fosse ruim. – Franziu o cenho para a amiga, que abriu um sorriso largo.

– Não é, de forma nenhuma, – Falou. – Eu me apaixonei por Olivia em nosso primeiro encontro. – Riu e a acompanhou. – Apenas… – Encarou a amiga com apreensão. – Se não acontecer, não minta para ele. Nós vivemos brigando, mas Connor é um cara incrível e merece toda a felicidade do mundo.

– Não pretendo magoar ele, Becca. Falo sério. – Garantiu e sua sinceridade estava espelhada em seu olhar.

– Certo. – Becca estalou os lábios. Se aproximou da amiga e a abraçou com força. – Se permita sentir, . Quando é fácil, não há motivos para ter medo.

– Estou fazendo o melhor que posso. – Garantiu. O abraço durou mais alguns minutos e então Becca correu para fora do banheiro, atrasada para um editorial que precisava fotografar naquela tarde. suspirou e girou a maçaneta, sendo interrompida outra vez. Daquela vez era Connor e ele tinha o olhar cauteloso. – Vou realocar a minha sala para o banheiro. – A garota murmurou impaciente e ele sorriu.

– Becca não comeu o seu fígado?

– Por muito pouco. – Suspirou. O rapaz se aproximou, estendendo a mão para ela em um convite mudo. não aceitou prontamente, mas acabou cedendo e se aninhou no abraço que Brashier lhe oferecia. Era confortável e ele cheirava a café. Adorava aquele cheiro, principalmente quando o beijo de Connor tinha aquele gosto também.

– E você explicou tudo? – Questionou. assentiu. – Então posso convidá-la para passar o feriado comigo?

– Fazer o que no feriado? Está frio! – Torceu os lábios.

– Podemos almoçar no St. Lawrence Market. – Sugeriu. – Ou em algum restaurante no Distillery District. – Abriu um pequeno sorriso ansioso. acabou assentindo em concordância, recebendo um beijo suave nos lábios. E uma palpitação estranha no peito quando Connor acariciou seu rosto e murmurou que estava ansioso para o passeio na segunda-feira.

E por tudo o que era sagrado no mundo, esperava que aquilo fosse infarto.

Capítulo 11

Connor
A segunda-feira de feriado amanheceu fria e coberta de neve, como em todos os dias desde que o inverno havia chegado em Toronto. Connor acordou razoavelmente cedo e fez sua higiene, vestindo roupas quentes e checando as mensagens no celular. já estava acordada e havia enviado um texto de que estava pronta e esperando por ele há cinco minutos. Connor sorriu largo e respondeu que estava a caminho, pegando algumas barrinhas de cereais e saindo de casa instantes depois.
O caminho até a casa de foi rápido, já que as ruas estavam quase vazias por conta do frio e do feriado. Não sou do carro, apenas mandou outra mensagem para a garota em poucos minutos já estava acomodada no banco do carona, vestindo um casaco pesado e uma touca colorida. Sorriu para Connor, deixando um beijo na bochecha dele – algo que lhe causou um sorriso bobo – e então deixou a bolsa no banco de trás, antes de afivelar o cinto de segurança.
– Bom dia. – Murmurou.
– Bom dia. – Connor lançou um olhar rápido para ela, antes de manobrar o carro e seguir em direção a Old Toronto. – Dormiu bem?
– Como um anjo. – A garota implicou. – E você?
– Dormiria melhor com você. – O rapaz piscou para ela, que riu com gosto.
– Não são 11h da manhã e você já está flertando comigo, Brashier?
– Todo horário é horário de flertar com você. – Deu de ombros. – Seu pai sabe que você vai estar comigo hoje?
– Posso ter comentado. – Estalou os lábios. – E me arrependido no instante seguinte, porque ele quer que você jante lá em casa. – Revirou os olhos.
– O dia que você quiser. – Connor sorriu divertido e ela lhe estirou a língua.
– Afinal, o que vamos fazer hoje? – Questionou curiosa.
– Vamos almoçar. E depois podemos patinar.
– Você sabe patinar? – Ela arqueou as sobrancelhas para ele.
– É claro. – Lhe lançou um olhar descrente. – Nasci patinando.
– Bom, veremos. – Provocou e foi a vez de Connor lhe estirar a língua.
Chegaram ao Distillery District alguns minutos mais tarde e quando saíram do carro e Connor uniu sua mão a de , a garota apenas lhe lançou um olhar surpreso, mas não puxou a mão e recebeu um sorriso de Brashier. Eles andaram um pouco pelo bairro, olhando vitrines e tentando decidir onde almoçar. Acabaram optando por comida japonesa – que era a favorita de , Connor descobrira – e passaram quase duas horas no restaurante, entre o almoço em si e taças de vinho. Connor falava muito mais que , mas conforme a conversa ia fluindo, ele ia descobrindo muito mais coisas sobre ela. E cada sorriso frouxo de , faziam Connor pensar que talvez ele estivesse atingindo seu objetivo, mesmo sem querer. Porque eles flertavam, era óbvio. Mas Connor não forçava nada. Não parecia se esforçava para ser legal e conquistar a simpatia e atenção de . Estava sendo ele mesmo e aquilo era o suficiente para encantar , já que Brashier era realmente um cara diferente de todos os outros que ela já havia conhecido.
– Agora vamos patinar? – Questionou, assim que saíram do restaurante e Connor voltou a entrelaçar seus dedos. Andavam lado a lado, como um casal apaixonado, mesmo que não o fossem. Ainda.
– Você está tonta ou algo parecido? – Connor questionou e revirou os olhos para ele.
– É claro que não. Foram só algumas taças de vinho, Brashier. Preciso de mais do que isso para ficar bêbada.
– Gosto de como você fala meu sobrenome quando está me repreendendo por alguma coisa. – O garoto comentou de forma aleatória. – Com sotaque francês. – Sorriu largo quando as bochechas dela assumiram um tom mais rosado e ele sabia que não era por causa do frio.
– Você gosta quando eu falo o seu nome de forma geral. – Acusou.
– Eu não vou nem me esforçar para negar isso. – Deu de ombros. – Gosto da sua voz. – Sorriu outra vez, soltando a mão de para abrir a porta do carro para ela.
– Só da minha voz? – Ela arqueou as sobrancelhas assim que Connor ocupou o banco do motorista. Franziu o cenho para ela, descrente daquela pergunta.
– Gosto de tudo em você, . Achei que já soubesse disso.
– Você nunca disse. – A garota deu de ombros, parecendo acanhada. Brashier abriu um sorriso esperto, se inclinando para ela em seguida e tomando sua nuca com a mão esquerda, enquanto a destra segurava o rosto dela com cuidado.
– E você quer que eu diga as coisas que gosto em você? – Questionou em um sussurro. – Achei que não quisesse ser conquistada, . – Arqueou as sobrancelhas para ela. vacilou e puxou o ar para os pulmões com força.
– Talvez…
– Talvez? – Ele incentivou.
– Talvez eu esteja percebendo que você torna as coisas fáceis e não esteja com medo. Talvez não seja uma ideia tão ruim, deixar que você tente me conquistar. – Deu de ombros, sem olhar diretamente nos olhos de Connor.
– Talvez… – Ele começou a falar, movendo o polegar pela bochecha dela em uma caricia cuidadosa. – Eu já tenha conquistado você.
– Isso é prepotência.
– Ou franqueza. – Estalou os lábios. – Gosto de você, . Gosto de passar um tempo com você, gosto de conversar com você. Gosto de ficar com você e não tenho medo disso. Posso estar me apaixonando, porque esse tipo de coisa é imprevisível. Existem tantas maneiras de se apaixonar, tantas intensidades. Às vezes é perceptível, outras vezes, precisamos que algo aconteça para que possamos perceber.
– Talvez eu esteja no último grupo. – Disse por fim. – Ou talvez eu ainda não esteja apaixonada, mas posso estar disposta a isso. – E dessa vez ela o encarou e Connor sentiu a sinceridade transbordar em seu olhar. Assentiu e selou seus lábios em um beijo suave, como uma brisa de primavera.
– Estamos os dois dispostos a isso, então. – Sorriu ao findar o beijo. – Ainda quer patinar?
– A ideia foi sua. – Retrucou, com um sorriso divertido. O beijou outra vez, recostando-se no banco em seguida. – Mas eu quero. E depois, podemos ir para o seu apartamento. – Sugeriu e Brashier sorriu para ela.
– É uma ótima ideia. – Foi o que disse, afivelando o cinto e então manobrando o carro para fora do estacionamento, em direção ao centro da cidade. Tinham uma tarde de patinação os esperando.

Capítulo 12


Sentia o toque de Connor por todo seu corpo. Os lábios dele em sua clavícula, as mãos em seus quadris, o tronco dele pressionado contra sua barriga. Soltou um suspiro alto quando sentiu uma leve mordida no ombro, movendo as mãos que estavam nas costas do rapaz e envolvendo os cabelos loiros por entre os dedos. Puxou Connor para seus lábios e os tomou entre os seus, iniciando um beijo lento e intenso.
– Com calma. – Brashier resmungou quando moveu as mãos para a barra da camiseta que ele ainda usava e que já estava se tornando um incomodo para ela.
– Não gosto de calma. – Retrucou e ele riu contra sua pele, beijando a curva de seu pescoço enquanto seus dedos agarravam a blusa dela e a puxavam para cima, deixando apenas de sutiã e jeans.
– Eu sei. – Assentiu. – Mas quero aproveitar cada pedacinho seu.
– Você sempre aproveita, Brashier. – Estalou os lábios. – Não precisa de calma para isso. E eu já estou molhada, desde que começou esses beijos lentos no meu pescoço. É o meu ponto fraco, você sabe. – Abriu um sorriso esperto quando Connor franziu os lábios, as irises escurecendo de desejo. – Quero você em mim.
Connor não disse nada, apenas voltou a unir seus lábios e deixou que o despisse com agilidade. Quando estava apenas com a boxer, afastou-se dela para conseguir tirar os jeans da garota, voltando a deitar sobre seu corpo quando ela estava livre da calcinha, resmungando satisfeito com o contato entre suas intimidades, mesmo com uma camada de tecido entre eles. Subiu as mãos que estavam nas coxas de pela lateral de seu corpo, dedilhando sua pele com a ponta dos dedos, fazendo-a suspirar quando rompeu o beijo e voltou os lábios para sua nuca. Brashier abriu o sutiã de e jogou a peça longe, sorrindo para ela antes de tomar seu seio esquerdo por entre os lábios e sugar o mamilo para dentro da boca. suspirou e puxou os cabelos de Connor com mais força, suspirando em aprovação quando ele passou a beijar seu seio como fazia com sua boca, causando arrepios em sua espinha enquanto ela mexia os quadris por conta da frustração.
– Connor. – Gemeu em um suspiro quando os lábios dele tomaram seu outro seio, abrindo mais as pernas para acomodar o garoto contra seu corpo. Se inclinou para frente, rompendo o contato da boca de Brashier em seu seio para empurrar a cueca dele e finalmente tê-lo nu em cima de seu corpo. Esticou a mão até a mesa de cabeceira e abriu a gaveta, tirando um preservativo e entregando para Connor, que abriu outro sorriso torto antes de desenrolar a camisinha em seu pau. Voltou a subir em cima de , unindo seus lábios e segurando sua cintura com a canhota, enquanto a destra descia até o meio das pernas de e seus dedos passaram a acariciar sua boceta, o polegar provendo caricias circulares em seu clitóris enquanto o dedo médio e o anelar encontravam o caminho para dentro dela.
Gemeu contra a boca de Connor quando ele moveu os dedos para fora e então para dentro, escorregando com facilidade e sentindo o sorriso dele contra seus lábios. Abriu os olhos e o encarou, envolvendo o pescoço dele com o braço direito e descendo a mão esquerda para a bunda de Connor, empalmando a pele dele e fazendo pressão em seu toque para que suas intimidades se tocassem. Brashier gemeu de forma estrangulada, finalmente tirando a mão da intimidade de e segurando a coxa dela com firmeza, para que ela erguesse a perna, já que naquela posição a penetração se tornava ainda mais profunda, do jeito que eles gostavam.
– Enfia. – Foi o que a garota gemeu quando sentiu a cabeça do pau de Connor contra sua entrada. – Tudo. – Abriu um sorriso sacana e Connor grunhiu, movendo os quadris contra ela, estocando até o talo e gemendo em seus lábios junto do grunhido satisfeito de .
A perna que ela ainda mantinha esticada foi erguida, envolvendo o quadril de Connor com a panturrilha. Quando ele se moveu dentro dela, completamente para fora e então enfiando tudo outra vez, agarrou os cabelos de Connor e o contato entre suas bocas foi rompido, já que nenhum deles conseguia se concentrar no beijo. Cada estocada arrancava gemidos e grunhidos deles, que pressionavam os corpos um contra o outro com mais vontade, buscando mais contato, mais prazer, mais deles. erguia os quadris, procurando por Connor quando ele retirava o pau de dentro dela, apenas para puxar os cabelos dele com força quando voltavam a se encontrar, cada vez mais intenso.
Mais forte e com mais rapidez, até o barulho de seus corpos se chocando ser abafado por seus gemidos e resmungos incompreensíveis. Ambos tomados pelo prazer e pelo êxtase que haviam sincronizado e transformado em algo mais do que um ótimo sexo. Haviam tornado aquilo mais do que um encontro entre dois corpos e quando se encararam, através das pálpebras baixas e com o orgasmo lhes tomando por completo, sentiu uma tranquilidade tomar conta de seu coração, com a certeza de que não estava prestes a entregar o coração para um babaca transbordando de si enquanto ela gemia o nome de Connor e apertava as coxas contra ele. Soltou os cabelos de Connor quando ele caiu em cima de seu corpo, deixando um beijo preguiçoso em sua clavícula e puxando o ar com força para os pulmões.
respirou fundo quando Connor rolou para o lado, caminhando até o banheiro e se livrando da camisinha. Voltou para a cama e se cobriu com a coberta, a exaustão em seu rosto. Abriu os braços para ela, em um convite mudo, enquanto seus olhos se mantinham fixo nos dela, completamente honestos e sinceros sobre querer dormir abraçado. não tinha o costume de fazer aquilo. E odiava quando os caras simplesmente a puxavam, não lhe dando opção e a obrigando a sair correndo ainda com o coração acelerado por causa do orgasmo. Mas o convite de Connor lhe causou um sorriso e ela assentiu em concordância, deixando que ele a abraçasse e descansando o rosto contra o peito dele.
– Você quer jantar com o meu pai no sábado? – Questionou após alguns minutos, sonolenta, esperando que Connor não tivesse dormindo ainda. Ele a envolveu pela cintura, mostrando que estava acordado.
– Tem certeza? – Questionou. – Seu pai vai achar que estamos namorando.
– Eu sei que vai. – Deu de ombros. – Não sou adepta a rótulos, mas se quiser definir assim, não vou me opor. – Sussurrou baixinho e então Connor tirou a mão de sua cintura, segurando o queixo dela, para que pudesse se encarar.
– Não quero forçar você a nada. – Foi o que disse. – Nunca quis.
– Você só insistiu um pouco. Mas eu nunca fiz nada que não quisesse, Connor. – Foi sincera. – Ainda não estou apaixonada e acredito que você também não. – Quando ele assentiu, sorriu. – Podemos tentar. Também gosto de estar com você.
– Então vamos jantar com o seu pai no sábado. – Connor disse por fim, sorrindo e então unindo seus lábios aos de . O coração dela se derreteu e ela o sentiu pronto para tentar novamente. Pela primeira vez, em m

Capítulo 13

Connor
havia dormido em sua casa na sexta-feira. Após o jantar na casa de Shawn – onde haviam conhecido a “namorada” de Brian, bebido e comido pizza vegana até quase passar mal -, Connor havia lhe questionado se ela queria ir para casa ou se gostaria de passar a noite com ele. apenas se aconchegou em seu abraço e Brashier teve resposta o suficiente, colocando apenas seu endereço como destino no aplicativo do Uber.
Estavam cansados e depois de um banho quente, caíram na cama juntos e pela primeira vez, dividiram o móvel sem que uma sessão intensa de sexo tivesse acontecido entre eles. E Connor havia gostado daquilo. Mais do que havia imaginado que gostaria. Quando acordou no sábado, tinha um braço em torno de sua cintura e a respiração batia contra seu ombro. Foi involuntário abrir um sorriso e beijar a testa da garota antes de se colocar de pé, ocupar o banheiro e fazer sua higiene. Seguiu em direção a cozinha e preparou panquecas para o café da manhã. surgiu na cozinha minutos mais tarde, com os cabelos revirados e usando uma camiseta de Connor. E ele decidiu que poderia e queria se acostumar com aquilo.
Passaram o dia juntos. Não saíram de casa por causa do frio, mas assistiram uma temporada inteira de uma nova série e se despediu de Connor com um beijo ao final da tarde. Iria para casa para se arrumar, já que Connor iria jantar com seu pai naquela noite. Brashier não sabia exatamente o que fazer e precisou mandar mensagens para Madu e Becca e lhes questionar sobre o primeiro encontro com os sogros. Becca não ajudou muito, pois só disse que Connor já conhecia o pai de porque ele era seu chefe. Mandou a loira a merda e esperou a mensagem de Madu, que chegou quase tarde demais – já que a garota estava em Los Angeles para uma festa de aniversário -, mas que foi de grande ajuda para ele.
Maduzinha
Não sou o melhor exemplo para isso. Eu tive um surto quando conheci os pais de Shawn e não conseguia nem falar direito. Mas essa era realmente eu e não acho que fingir algo que eu não era, teria surtido resultado. Então seja você. gosta de você desse jeito – aprendeu a gostar – e o Fernand já adora você, Connor. Claro, agora ele deve querer te matar porque você está dormindo com a filha dele, mas tenho certeza de que ele quer o melhor para ela. E também tenho certeza de que você é o melhor, então creio que vai dar tudo certo 18:45 pm
Agradeceu imensamente a amiga, sentindo o coração mais leve enquanto vestia roupas quentes e então seguia para o carro. Não iria beber naquela noite, então não havia motivos para chamar um Uber. Levou 20 minutos para atravessar a cidade e tocou a campainha junto da ansiedade, que havia dado as caras assim que o rapaz saíra do carro. Abriu um sorriso quando a maçaneta girou, mas quando encontrou Fernand do outro lado, precisou se obrigar a não fazer uma careta e engoliu em seco quando o homem sorriu de forma simpática para ele.
– Connor. – Saudou. – Entre, por favor. – Deu espaço para Brashier entrar na casa e após deixar o casaco no cabideiro, seguiu com Fernand para a cozinha. estava em frente ao fogão, mexendo uma espécie de creme que cozinhava na panela. Ela sorriu para o rapaz, deixando a tarefa de lado por míseros segundos onde selou seus lábios aos de Connor e perguntou como ele estava. Brashier suspirou após tomar fôlego.
– Nervoso. – Confessou e Fernand riu. Estava no balcão cortando legumes e lançou um olhar divertido para os dois.
– Antes de começar a trabalhar, me perguntou a respeito da política da empresa sobre envolvimento entre funcionários. – Murmurou e Connor arqueou as sobrancelhas para a garota, que deu de ombros. – No começo eu fiquei confuso, mas precisei apenas de duas semanas para entender que algo estava acontecendo. Não sabia com quem, mas fico feliz que seja você. – Tinha os olhos fixos em Connor, que soltou o ar que estava prendendo e então se aproximou de Fernand.
– Precisa de ajuda com o jantar? – Questionou e recebeu um olhar de aprovação do homem.
– Pode assumir o corte dos legumes enquanto eu preparo a carne. – Abandonou a faca em cima do balcão e Connor tomou o seu lugar. – Mas me digam… onde vocês se conheceram? Porque na empresa não foi.
– Em uma festa. – estalou os lábios. – Com Becca.
– Becca. – O homem riu outra vez. – Eu deveria ter imaginado.
– Foi no final de semana antes de eu começar a trabalhar. Desde então temos… – E encarou Connor, sem saber que palavra utilizar.
– Estamos nos conhecendo. – O rapaz disse por fim e ela sorriu para ele.
– E isso já é um namoro? – Fernand indagou com sutileza. revirou os olhos.
– Pai! – Chiou em desgosto e o mais velho riu.
– Só estou tentando entender. – Se defendeu.
– Nós não rotulamos. – Connor falou. – Ela é… difícil. – Soltou uma risada quando lhe lançou um olhar insatisfeito. – Mas estamos nos conhecendo e aproveitando a companhia um do outro.
– Entendo. – Fernand assentiu. – É um namoro sem chamar de namoro. Tudo bem, não vou discutir com jovens. – Deu de ombros e os dois riram. encarou Connor por um instante e ele lhe devolveu o olhar, confuso com a intensidade e o objetivo com o qual o encarava.
– Na verdade, – Ela estalou os lábios. – Acho que eu deixei bem claro que se você quisesse rotular, eu não iria me opor. – Retrucou e Connor sorriu.
– É? – Arqueou as sobrancelhas. – Mas a questão envolve o que você quer, . Não apenas as minhas vontades. – Estalou os lábios em provocação e riu.
– Madu tinha razão. Canadenses são lerdos. – Foi sua resposta e Connor riu com gosto. E trocando um último olhar com , ele finalmente entendeu que eles estavam mesmo namorando. Apenas havia sido lerdo demais para entender a forma esquisita como expunha suas vontades.

Capítulo 14


não sabia exatamente como agir. Ela já tinha namorado. Mais de uma vez, tinha que admitir. E aquilo nunca havia sido algo fácil e tinha terminado muito mal em todas as vezes. Connor sabia daquilo, porque ela havia lhe contado. Havia sido um dos motivos pelos quais ela havia recusado uma chance de algo a mais com ele na manhã após a festa. E mesmo que se sentisse estranha com aquela situação, não estava com medo. Então quando deixou claro para seu pai – e para Connor – que eles estavam namorando, não foi algo que lhe causou medo ou desconforto. Foi natural, como se estivesse falando que a neve estava caindo lá fora. O relacionamento deles havia evoluído de tal forma, que aquilo não era uma novidade. Era a coisa mais correta e normal a se fazer.
Gostava de Connor. Gostava de conversar com ele, gostava da forma como ele desmontava que gostava dela e se interessava. Gostava da segurança e conforto que ele lhe passava. Gostava do beijo dele – tinha um gosto tão único e deixava seu estômago com algumas borboletas-, gostava do abraço e do sorriso torto que ele lhe lançava após ouvir uma piadinha ou algum comentário ácido. Gostava, principalmente, de nunca ter preciso fingir algo ou se inibir para que ele gostasse dela. Seus relacionamentos anteriores sempre haviam começado porque se esforçava para ser o suficiente. Com Connor era diferente. Ele a havia visto como realmente era e gostado daquilo.
– Você não gosta de abraços. – Brashier deduziu, quando a garota se remexeu mais uma vez. Era a quarta em menos de um minuto e ela não podia culpa-lo por pensar aquilo.
Após o jantar com seu pai – que misteriosamente tinha compromissos inadiáveis fora de casa naquela noite, e Connor ocuparam a sala de estar para assistirem a um filme, já que segundo o garoto, dá última vez que ele havia feito aquela sugestão, havia arruinado seus planos com toda sua vontade de transar. O sofá era espaçoso, mas a garota sentou-se ao lado de Connor e ele a abraçou pelos ombros. Era uma posição extremamente confortável, mas ela realmente não sabia o que fazer. Deveria deitar a cabeça no ombro dele? No peito? Entrelaçar seus dedos na mão que pendia em seu ombro?
– Eu gosto. – A garota suspirou. – Só não sei o que fazer. Não sei o que você espera que eu faça ou o que quer que eu faça nisso. – Apontou para a posição em que estavam. Connor sorriu e seus olhos tinham gentileza quando se inclinou e beijou a ponta do nariz de .
– Quero que faça o que quiser, o que sentir que é confortável para você. Vamos nos acostumar um com o outro, C. Aos poucos. – Murmurou. – Não existe um código ou um manual para relacionamentos, porque todos eles são singulares, porque são formados por pessoas singulares. Ainda não conheço todos os seus gostos ou suas manias, mas irei. Assim como você vai descobrir coisas sobre mim e com isso, vamos aprender a nos encaixar.
– Nos encaixamos muito bem. – Arqueou a sobrancelha e seu tom malicioso arrancou uma risada do fotógrafo.
– Claro que sim. Mas não é só esse encaixe que importa. – Deu de ombros. – Vamos aprender tudo isso, mas precisamos falar sobre. Nos importar, realmente querer que isso – Apontou para os dois. – Dê certo. – Sorriu.
– Eu quero dar certo com você. – A garota murmurou e Connor alargou seu sorriso.
– Eu também quero dar certo com você. – Garantiu.
– Seremos um exemplo de casal. – decidiu, se aconchegando no abraço de Brashier e segurando a mão dele. Estava confortável daquela forma e sorriu quando Connor a beijou no topo da cabeça.
– Assim como Madu e Shawn ou Becca e Olivia. – Estalou os lábios. – Aliás, quero que conheça eles. Meus amigos. – Explicou.
– Já conheço Madu, Becca e Olivia.
– Mas você nunca esteve com elas juntas. Com Shawn. É diferente. – Deu de ombros e a garota riu. – Vamos jantar na sexta-feira e gostaria que fosse comigo.
– Tudo bem. – assentiu em concordância. – Você conheceu meu pai. Posso conhecer seus amigos.
– Sabe Brashier? – Questionou após alguns minutos de um silencio confortável. – Eu estava certa, afinal de contas. – Sorriu e encarou o então namorado. Connor franziu o cenho em confusão.
– Sobre o quê?
– Quando nos conhecemos e conversamos no bar daquela festa ruim. – Soltou uma risadinha. – Eu disse que você era um garoto bom.
– E eu disse que talvez fosse. – Retrucou.
– E você é. Realmente um cara bom. – O beijou de leve nos lábios. – Tão bom que nem precisou realmente se esforçar para me conquistar.
– Eu escondi seu sutiã. – Replicou e a garota gargalhou com gosto.
– Porque eu queria fugir de manhã sem dizer nada.
– Você era uma garota má, . – Semicerrou o olhar para ela de brincadeira. deu de ombros e se virou no sofá, subindo para o colo de Brashier e envolvendo o pescoço dele em um abraço. Beijou seus lábios com lentidão e Connor tomou sua cintura com as mãos em um aperto firme e que lhe causou um arrepio na nuca.
– É esquisito dizer que nos completamos? Mesmo que não falte nenhuma parte em nós? – Questionou com a voz baixa.
– Podemos dizer que deixamos a balança estável. Ela não pende para nenhum dos lados e permanecemos juntos, mantendo o equilíbrio certo. – Outro beijo, dessa vez apenas um estalar de lábios. mantinha os olhos nos de Connor, sem querer quebrar o contato visual.
– Quero aprender a amar você, Brashier. Daquele jeito que você prometeu que iria me mostrar, mas que não tinha a intenção ser ele para mim.
– Talvez eu tivesse mentido sobre não querer ser o amor da sua vida. – O rapaz estalou os lábios.
– Vou deixar você de castigo. – Ameaçou e ele arqueou as sobrancelhas para ela.
– Na sua cama?
– Foi assim que tudo começou, não foi? – Sorriu de forma divertida e Connor assentiu, a puxando para outro beijo. E o filme foi esquecido mais uma vez, enquanto ambos se entregavam a aquele sentimento que estava nascendo e que iria se multiplicar e transbordar com o tempo. Porque era tudo o que eles nem sabiam que queriam, mas que agora precisavam. Connor tinha conquistado a garota. E iria continuar conquistando-a todos os dias a partir daquele.