Midnight Memories

  • Por: Belle C. e Queen B
  • Categoria: Restritas
  • Palavras: 19959
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Sinopse: Em seu aniversário de 23 anos, ela só tinha três desejos: 1. Passar vergonha com os amigos no melhor karaokê da cidade, 2. Aproveitar o namorado da melhor forma possível, 3. Fazer seus melhores amigos se pegarem de uma vez!
Fandom: Seventeen
Gênero: Romance
Classificação: +18
Restrição: –
Beta: Alex Russo



: chego em dez minutos, pode descer”.

A mensagem brilhando na tela do celular fez a garota xingar baixinho, com a boca cheia de pasta de dente: “não são nem nove horas ainda, peste!”, exasperou-se, digitando uma mensagem rápida –“não‘tô pronta! a porta da sala tá aberta, só entrar”. Atrapalhou-se tanto na correria que por muito pouco não derrubou o aparelho no vaso sanitário, o que teria feito sorrir, certamente, mas causaria um atraso ainda maior. Não que estivesse atrasada – dessa vez, ao menos. O combinado era que estariam na casa de às nove e meia e elas eram praticamente vizinhas. Além do mais, a balada a que pretendiam ir só ficava realmente boa depois das onze e, bem, merecia uma festa realmente boa para comemorar seus 23 anos.
Lembrar da comemoração fez com que a garota se apressasse de volta ao quarto, colocando o presente da amiga sobre a cama para evitar deixá-lo para trás. Catou os brincos pelo caminho, e tentava colocá-los ao mesmo tempo em que se esforçava para calçar as botas sem o auxílio das mãos, e por isso não conseguiu chegar imediatamente à porta ao ouvi-la sendo aberta.
? – a voz de soou da sala antes do esperado, e ela franziu o cenho: aquele era um novo recorde. Ele apostaria seu rim esquerdo (o direito não era lá grandes coisas) que ele já estava parado em frente ao prédio quando mandou a mensagem, o maldito.
— Você faz isso de propósito, né? – perguntou emburrada, rumando para a sala com as mãos na cintura.– Chega cedo só pra dizer que eu me atraso! – protestou ao rapaz que colocava dois packs de cerveja na geladeira.
Ele tomou um segundo, ajeitando as bebidas antes de se virar para a garota, e outro instante abrindo um sorrisinho pequeno antes de dar de ombros com aquela simplicidade que lhe era tão peculiar. Ela meio que odiava isso. Mas o sorriso que escapou de seus próprios lábios que fingiam se retorcer em desgosto, deixava claro que adorava isso, também.
— Sim. – respondeu, sem uma pontadinha de culpa sequer, e foi só então que os olhos dele pareceram se dar conta do que viam, vagando quase discretamente pela imagem da mulher. Na correria, não vestira a blusa recém passada que ainda estava estirada sobre a cama, e ele foi pego de surpresa ao ficar mais ciente do que o necessário do sutiã de renda que passaria o restante da noite por debaixo das roupas da garota, atormentando-lhe a mente.
Qualquer um que a conhecesse bem poderia apostar que aquilo era uma provocação barata, mas achava aquela hipótese no mínimo risível: ela era exatamente o tipo de garota que rolaria os olhos caso lesse uma cena dessas, achando idiota o artifício da protagonista. E era isso que tornava a cena fodidamente tentadora: não tentava provocá-lo, mas algo naquela naturalidade displicente fez com que ele precisasse de uma cerveja. Tipo, agora.
— Idiota… – revirou os olhos, e gostaria que ele não fosse um idiota tão bonito. – Ah merda, esqueci de colocar a comida do Mingau! – a garota resmungou, correndo até a cozinha e se espremendo entre e o armário sob a pia para pegar a comida do gatinho que era praticamente tão dela quanto do rapaz, que mimava o animal muito mais do que fazia com ela.
— Ei, ei… – puxou a garota para que ela ficasse de pé, tentando ignorar os detalhes que aquela proximidade lhe dava do que ela vestia, disciplinando os olhos para que se mantivessem onde deviam. – Vai se arrumar… Deixa que eu cuido disso. – completou, naquele tom seguro e tranquilo que fazia se sentir a criatura mais tonta do universo. Idiota. Idiota. Idiota. — Obrigada. – ela conseguiu sorrir com alguma dificuldade, porque o perfume dele agora estava perto demais, e aquela era a porra de seu cheiro favorito no mundo: o que ficava na cama depois que eles acabavam dormindo no meio de uma maratona de séries, e também o que restava nos casacos que ele lhe emprestava mesmo sabendo que não teria de volta. Como disse: idiota.
— Não agradeça, por essas e outras que eu vou pedir custódia desse gato. – brincou quando a garota já estava a meio caminho do quarto e, portanto, ele já não corria riscos de apanhar.– Sabe, alienação parental, e tal… – falou mais alto, rindo sozinho quando gritou um “VAI SE FODER!”.
Voltando ao quarto e terminando de se vestir, checou sua imagem uma vez no espelho, satisfeita com a composição que os coturnos de salto altíssimo faziam com a saia preta e a blusa branca de mangas longas. Sentiu-se também idiota por querer tanto gostar do que via: ela e já tinham se visto em quase todas as situações, pelo amor de Deus! E não era porque tinha desenvolvido um crushzinho besta em seu melhor amigo, que as coisas tinham que ficar complicadas. Eles eram simples, afinal. E deveriam voltar a ser assim antes que ela acabasse estragando tudo, como sempre.
A garota ajeitou a correntinha fina de prata que caía até o vão dos seios, mexendo nos cabelos uma última vez até tê-los como desejava, numa desordem calculada – era sua melhor estratégia, assim nunca se sentia tão bagunçada depois de chegar em casa com a maquiagem borrada e o cabelos desarrumados.
— Se eu disser que tá bonita, nós podemos ir logo? – a voz grave de causou um sobressalto na garota, o que imediatamente alargou seu sorriso. Escorado na porta do quarto, ele levou uma cerveja aos lábios, divertindo-se com a expressão irritada dela.
— Você tá excepcionalmente chato hoje. – voltou a se encarar no espelho que agora também refletia , e as coisas seriam infinitamente mais fáceis se ele não sorrisse daquele jeito para ela, por Deus…
— E você tá excepcionalmente bonita hoje. – retrucou, abraçando-a de lado e examinando, ele também, a imagem que faziam no espelho. Sorriu para , beijando seus cabelos, porque podia: mesmo com os saltos, ela ainda era muito menor que ele. E gostava daquilo, tanto quanto do modo como ela parecia sempre mais segura quando ganhava aqueles centímetros extras: adorava vê-la confiante, por qualquer motivo que fosse, e frequentemente fazia o que fosse necessário para tê-la com aquela expressão no rosto.
— Você também não tá nada mal… – a mulher sorriu pequenininho, saboreando aquele eufemismo na ponta da língua: a blusa de frio de gola alta combinava perfeitamente com os modos displicentemente elegantes dele, mas era a jaqueta de couro que fazia com que quisesse morrer. Francamente, ele parecia saído de um filme dos anos 50 e, concordaria com ela nisso: não havia nada melhor do que os galãs dos anos 50.
sorriu descomplicado, entregando a cerveja a para pegar o celular que vibrava com uma mensagem.
— É , perguntando onde estamos. – digitou uma resposta breve, só então erguendo os olhos para a garota que tomava um gole da bebida.– Falei que estamos saindo, então vamos.
— Mentira… – estreitou os olhos, conhecendo bem a peça que era seu melhor amigo. – Aposto que disse que eu que atrasei. –a garota gargalhou, roubando o celular do amigo apenas para ver que não estava enganada: “estou arrancando a de casa, me deseje sorte”, era o que dissera. –Você é ridículo. – deu um tapa mais discreto do que ele merecia no braço do rapaz, mas pegou o presente de sobre a cama, pronta para ir.
— O que você comprou pra ela? – perguntou, dando pouca importância à demonstração agressiva de afeto recebida há pouco.
— Um projetor! – sorriu, o rosto se iluminando de empolgação. E aquela também era uma das coisas que ele mais gostava sobre ela, o quão rápido podia ir da irritação a uma alegria quase infantil. Bastava apertar os botões corretos.– Sabe, daqueles pequenininhos, que projetam o filme na parede? Acho que ela vai gostar… – sorriu, ansiosa para ver a reação da amiga ao presente.
— Ela vai amar, . – sorriu, esperando que ela apagasse as luzes da sala enquanto pegava as cervejas na geladeira.
— E você? –a garota perguntou, quando atravessaram juntos a porta de casa.– Vai dar cerveja? Não conhece tua amiga até hoje? – brincou, fazendo o rapaz bufar uma risadinha.
— Tá no carro… Comprei um livro. – deu de ombros, e revirou os olhos porque achava mesmo desnecessário que ele destacasse o óbvio. Queria saber qual livro.– “1001 filmes para ver antes de morrer”. – explicou, como se tivesse lido seus pensamentos. – Acho que nossos presentes são complementares! – sorriu por um instante, parecendo verdadeiramente satisfeito, e fez o mesmo, piscando como se a aprovar aquela sintonia.
— O que será que comprou pra ela? – a garota especulou, curiosa, enquanto desciam no elevador.
— Algo extremamente meloso ou altamente sexual. – respondeu de pronto, sem parecer minimamente curioso.– De todo jeito, prefiro não saber.
gargalhou tão alto que precisou cobrir a boca com as mãos, e não reprimiu o sorriso enquanto saía do elevador com a garota ainda dando soquinhos em suas costas.
Bem, agora ela definitivamente queria saber o que sua amiga ganhara de aniversário.

não pôde evitar abrir um de seus mais doces sorrisos ao parar no batente da porta do quarto onde dormia com a namorada toda vez que ia passar a noite com ela, admirando-a finalizando os ajustes de sua maquiagem. Era engraçado, na verdade, pra qualquer um que visse de fora, o modo como ela apertava os lábios juntos, numa expressão claramente impaciente, a qual ele já estava familiarizado – era o jeito dela de se concentrar –, enquanto se esforçava para não errar a curva do delineador. Era engraçado, mas , honestamente, também achava terminantemente doce.
Veja, não se considerava do tipo que tinha muito desenvoltura, mesmo para coisas simples, portanto sempre precisava demandar concentração extra para fazer aquilo que muitos consideravam tarefas simples e cotidianas. Como maquiar os olhos com delineador. sabia que ela não se orgulhava daquilo, que era uma de suas tantas inseguranças, mas ainda assim, achava adorável. Ele fazia muito aquilo, aliás, achar tudo sobre ela adorável. se considerava muito sortuda por tê-lo encontrado, não achava que ninguém mais fosse pensar daquele jeito, mas naquele momento, olhando para ele pelo espelho, revirou os olhos, bufando.
— Sai daqui — resmungou, muito mais choramingando do que qualquer coisa e ele riu, ignorando suas palavras ao fazer o oposto do que ela dissera e se aproximar, pousando os dedos sobre seus ombros descobertos, sorrindo para seu reflexo no espelho. vestia uma blusa preta sem alças e uma saia de cintura alta rosa bebê, com a maquiagem que se esforçara tanto para fazer realçando de maneira linda o rosto que tanto amava, iluminando as maçãs do rosto, dando um brilho discreto aos seus lábios e pesando um pouco mais nos olhos, mas não muito. Só o suficiente para tornar um segredo o brilho que ela sempre tinha guardado ali, o que adorava. Daquele jeito, só olhando de muito perto, se permitindo envolver por completo em seu feitiço, para de fato ver. E era o único que tinha aquele privilégio.
— Você está linda.
— É meu aniversário, se você não dissesse isso, teríamos problemas. — ela resmungou, como se não sentisse tudo dentro de si derreter um pouco pelo elogio. riu, sabendo o que ela fazia, e se inclinando um pouco para beijar sua bochecha.
e já estão vindo. — avisou quando ela largou o delineador, suspirando e fazendo uma pequena manobra com as pernas para virar de frente para ele. O banco em que estava sentada para se maquiar não tinha encosto, então não era muito difícil fazer aquilo. — Ele disse que atrasou um pouco, mas já estavam saindo. — acrescentou, mas não prestava mais tanta atenção, baixando o olhar para os lábios finos e rosados que eram os seus favoritos.
— Você não me deu meu presente. — ela mencionou, ignorando o que ele dissera sobre os amigos estarem a caminho.
— Claro que dei. — ele retrucou, sem entender de imediato o que ela insinuava. Além de lhe preparar café da manhã na cama e encher a casa de flores, afinal, ele lhe dera um urso de pelúcia o dobro do tamanho da garota, exatamente como ela mencionara uma vez que sempre quisera ganhar. E nem fora só aquilo, lhe comprou todos os álbuns que estavam em sua lista de desejos no ebaytambém.
— Bom, eu quero outro. — a garota disse, com simplicidade específica, ignorando que seus amigos estavam a caminho. sabia, justamente por isso, que não devia ignorar também, mas sabia conseguir o que queria. Sabia olhar para ele e lhe fazer seu sem dizer coisa alguma. E ele sabia o que ela queria naquele momento, rindo nervoso enquanto desviava o olhar.
, não temos tempo pra isso agora. E já estamos prontos pra sair também…
— Ei, eu só quero um beijo. — ela o interrompeu, como se estivesse horrorizada que ele pensasse tão mal dela, rindo em seguida quando ele corou e o puxando um pouco mais para si pela nuca, de modo a fazer com que suas testas se esbarrassem. Rapidamente, segurou com uma mão em sua cintura e outra pouco acima de um de seus joelhos, o polegar ali e o resto da palma se encaixando sob a pele quente de sua coxa. — Me dá um beijo e a gente conversa sobre isso depois? — ela pediu e, como se não soubesse onde aquilo ia dar, ele assentiu, deixando que seus lábios se encontrassem, devagar, a língua acariciando a da namorada com a mesma doçura de sempre, fazendo todo o corpo de reagir a ele. A garota apertou os dedos contra sua nuca, exigindo mais do beijo e logo a mão de em sua coxa seguia o exemplo, apertando-a com mais força também só para fazê-la soltar o ar contra sua boca de maneira entrecortada, abrindo um pouco as pernas enquanto o puxava mais para si. quase perdeu o equilíbrio e caiu por cima dela, mas nem aquilo foi o suficiente para pará-los. O garoto apenas se encaixou melhor entre as pernas da namorada, que o apertou ali com os joelhos, seu centro pedindo pelo contato que sabia que não teria naquele momento, mas fingiu não saber mesmo assim. Só porque era tão gotoso tê-lo para si daquele jeito.
A verdade era que despertava aquele lado de como ninguém mais nunca fizera, ela o incendiava de um jeito muito específico e fazia parecer que não era nada demais, mesmo naquele momento, apertando sua blusa entre os dedos enquanto o beijo que trocavam ganhava mais e mais intensidade, podia apostar que ela lhe encararia naquele misto de humor e carinho quando ele se afastasse, como se a repreendesse por fazer o que fazia, o que, aliás, ele teria feito, se não houvessem sido interrompidos antes, pelo som tão inconfundível quanto inconveniente da campainha do apartamento. Seus amigos foram mais rápidos.
Ainda assim, é claro, lá estava o olhar quando encarou a namorada, que lhe roubou outro beijinho no canto da boca.
— Vou retocar o batom, você abre? — pediu, o fazendo rir ao assentir, observando-a virar novamente de frente para o espelho antes de se afastar e seguir de volta para a sala, indo abrir a porta do apartamento para os amigos. até pensou em perguntar a Deus, como normalmente fazia quando tinha alguma dúvida ou problema ou simplesmente queria pedir forças, o que fazer com , visto que aquela garota, tão dele, as vezes ainda pareciatãofora de alcance, com suas manias específicas e deliciosos testes diários, mas tinha a impressão que sabia qual seria a resposta: Agora, meu filho, aguenta. Quem mandou você se apaixonar…
— FELIZ ANIVERSÁRIO!!!! — gritou assim que abriu a porta, o fazendo lhe encarar de maneira humorada enquanto ria fraquinho.
— Eu falei que não seria ela a abrir a porta. — ele murmurou, cheio de si e fez uma careta.
— Cadê a ? — perguntou a , mas lhe cutucou o ombro e de maneira muito específica apontou para o mais novo.
— Olha direito pra ele.
revirou os olhos, mas obedeceu, só para então notar os cabelos ligeiramente bagunçados e o rubor nos lábios do namorado de sua amiga. riu. Devia esperar por aquilo, no fim das contas.
— Ai, vocês dois… — encarou em seguida — Falei pra você que estava cedo pra vir! — estapeou o amigo, que deu de ombros. Para ele, ainda valia a pena só pelo prazer de tê-la feito se apressar e irritado tão gratuitamente por chegar cedo demais.
— Ela está terminando a maquiagem. — devolveu enquanto avisava que ia colocar as cervejas na geladeira, seguindo em direção a cozinha.
— Você não devia ter comprado algo que a aniversariante goste de beber? — foi a própria quem retrucou, cruzando os braços como se estivesse muito insultada em ver dispondo tantas cervejas em seu refrigerador enquanto se aproximava dos três. Ele a encarou e deu de ombros, com um sorriso aberto, no entanto.
— Eu te trouxe um presente. — murmurou, como se aquilo justificasse todo o resto. revirou os olhos, mas não lhe deu muita atenção, abraçando invés disso, agradecendo sinceramente quando a amiga lhe parabenizou pelo aniversário, demonstrando tanto amor e carinho quanto sempre fizera. As duas sempre funcionaram bem daquele jeito, havia sinceridade e carinho em tudo sobre seu relacionamento, se entendiam sem que fosse preciso muita coisa e a conexão era essa desde o primeiro dia.
— Ei, falando em presente, o que você deu a ela? — perguntou a um instante depois, ao passo que estendia uma cerveja a ela e outra ao amigo.
— Um monte de coisas. — respondeu, sem entender a pergunta inicialmente, mas bastou estreitar os olhos de maneira acusatória para para que ele entendesse.
— Nada desse tipo, sua pervertida. — apontou o dedo na direção da amiga, que riu e levou a cerveja a boca, fugindo de responder. apontou o urso enorme no chão da sala, e encarou com ar de quem estava muito satisfeito com algo.
— Extremamente meloso, não falei?
— Extremamente meloso, não falei? — imitou, de maneira afetada e lhe encarou com falsa ofensa.
— Garota?!
— Ele ainda não me deu tudo. — retrucou, como se ele não houvesse dito coisa alguma, e passou pelo mais velho para pegar o vinho na geladeira, enchendo uma taça para si, se recusando a beber da cerveja que os outros aproveitavam. Detestava cerveja.
apenas arqueou as sobrancelhas na direção de diante da última parte, enquanto revirava os olhos, corado.
— Ainda está cedo pra sair, eu devia colocar uma música? — ele sugeriu, fugindo daquela conversa e mordeu o sorriso encantado, assentindo enquanto afastava a taça da boca para poder falar.
— Por favor, amor. — murmurou e ele assentiu, seguindo de volta para a sala a fim de ligar a TV e conectá-la ao Youtube.
Em pouco tempo, Love Talk do WayV soava vinda do aparelho. e se entreolharam e sorriram juntas, acompanhando de imediato as vozes do grupo chinês e cantando junto com eles, fazendo revirar os olhos, em sua típica expressão de “sou bom demais pra isso” enquanto seguia para a sala, sentando-se no sofá entre uma golada e outra de sua latinha.
As duas garotas foram atrás, mas muito mais para pode ver o MV que passava na TV do que qualquer coisa.
“Baby, come closer I got what you want…” cantou, com os olhos vidrados na TV, um gemidinho exasperado escapando seus lábios diante da beleza do rapaz que cantava.– Fala sério, esse garoto tem idade legal? – segredou a pergunta a , que gargalhou. riu junto, mas logo voltou a cantar, sem reparar a careta que escondeu detrás da garrafa. , no entanto, não deixou passar aquela reação curiosa do amigo.
— Hm, sabe o que? — chamou a atenção de , apontando em sua direção para indicar que falava com ela, agora já sentada entre as pernas de no chão da sala enquanto os outros dois tomavam o sofá com a mesma familiaridade de sempre. jogou um dos pés sobre o amigo, que a livrou do salto primeiro por implicância, mas logo terminou por fingir – muito mal – não lhe fazer uma massagem enquanto bebia sua cerveja. Era adorável como sempre faziam tudo como um casal, ainda que nunca sequer houvessem provado o beijo do outro. tinha vontade de bater suas cabeças juntas. lhe encarou, esperando que falasse. — Eu sei o que quero de presente de aniversário.
— Mas já trouxemos presentes. — retrucou e riu, sabendo aonde aquilo ia dar. Era impossível conhecer e não saber.
— Ela nunca ‘tá satisfeita. — ele deu de ombros com simplicidade e lhe encarou com um biquinho.
— Isso não deve ser bom pra sua auto-estima, né? — comentou, como se sentisse muito por isso e o encarou como se estivesse muito ofendida, se erguendo no lugar para bater nele.
— Fica quieto! — ordenou — Na verdade, não quero mais não. Deixa pra lá. que lute.
— Ei! — reclamou, como se estivesse muito ofendido, ainda que não ligasse de verdade. Sabendo bem daquilo, a mais nova nem prolongou a conversa, preferindo voltar a levar o vinho até a boca, já em sua terceira– talvez quarta? – taça.
, conhecendo a amiga bem o suficiente para já ter entendido do que aquela história de presente se tratava, agradeceu mentalmente que ela houvesse se distraído. Podia apostar que sabia o que pediria e aquilo não seria bom para a sanidade de ninguém.
— Já são onze? — perguntou depois de um tempo, encostando de maneira preguiçosa o corpo ao tronco do namorado, erguendo a cabeça para lhe encarar. Ele assentiu.
— Acabou de dar onze, na verdade. Querem ir, lá a gente come algo ou comemos em casa antes?
— A única coisa que tem em casa é miojo, amor. E talvez salsicha congelada. Não é exatamente comida de aniversário. — ela devolveu e ele riu, concordando.
— Tudo bem, vamos. — lhe estendeu a mão para ajudar a se erguer, o fazendo junto com ela e os outros dois se levantaram também, apoiando uma das mãos no ombro de enquanto calçava novamente os saltos. — , dedico uma música pra você se o dedicar uma pra , que tal? — sugeriu enquanto deixavam o apartamento, interrompendo as implicâncias entre a namorada e o amigo, e a garota arregalou os olhos, pulando no lugar ao virar para lhe encarar, feliz como se houvesse ganhando outro daquele urso gigante que ele lhe dera mais cedo. Ele riu, sabendo que a faria feliz por colaborar com sua traquinagem de cupido. A veia de cupido da garota, aliás, sempre se acentuava de maneira curiosa quando ela bebia.
— Eu te amo!
— Eu não vou cantar, estou indo pra julgar vocês. — retrucou como se fosse óbvio tão logo a garota berrou e o encarou de maneira preguiçosa.
— Julgar coisa nenhuma, é meu aniversário! Vai fazer o que eu disser! — ela retrucou e , ainda se fazendo de difícil, arqueou uma das sobrancelhas. Aquela altura, já entravam no elevador enquanto procurava um motorista no aplicativo de viagens para lhes levar até a balada onde comemorariam o aniversário de .
— Você ‘tá me achando com cara de ? — ele retrucou e ela fez bico, como se estivesse muito magoada. Ele riu, sem levá-la a sério, mas cedeu mesmo assim, porque, ainda que não fosse admitir nem tão cedo, agradar era até divertido em seu aniversário. E só acontecia uma vez por ano, o que tornava tudo mais fácil também. — Vou pensar no seu caso, pirralha. — retrucou enfim, bagunçando seus cabelos e ela mordeu sua mão por isso, rindo e se escondendo atrás de quando, assustado, arregalou os olhos pra ela. — Doida!
e se entreolharam e riram, optando por nem se meter na discussão boba que se seguiu entre os dois, e só terminou quando entraram no carro que chegava para lhes buscar, e isso porque foi esperto o suficiente para comentar com o motorista assim que entraram que sua namorada estava fazendo aniversário.
Tão logo o motorista parabenizou a garota e lhe ofereceu balas, se acalmou e esqueceu de implicar com .

— Ugh, tá cheio demais… – franziu o cenho, preocupada que não conseguissem um lugar decente.
— Cala a boca, nós temos reservas! piscou, enlaçando o braço ao da amiga ao procurar pela mesa que reservara mais cedo.– Francamente, você acha que eu não penso em tudo? – resmungou, fazendo a outra rir, deitando a cabeça em seu ombro –Ali! – exclamou feliz, reparando os balões cheios de gás hélio que se erguiam sobre a mesa, enormes e prateados: um enorme B 23.
Chamativo e vergonhoso, mas arrancou uma gargalhada da amiga e, bem, era esse o objetivo.
— Você é louca, garota! – ainda ria quando chegaram à mesa, que ficava bem perto do palco, no momento ocupado por um grupo de garotas que cantavam Wannabe.
All for you, my Queen. – sorriu, dando um beijo na bochecha da mais nova –! Para de puxar! – ralhou com um bico aborrecido, já que o amigo brincava puxando um dos cordõezinhos que prendia os balões. O rapaz deu um sorriso satisfeito, como se chamar sua atenção fosse o objetivo, e ergueu as mãos ao lado da cabeça em rendição.
— Amor, o que você vai querer comer? – perguntou, uma das mãos em torno dos ombros da namorada.
— Pizza! – sorriu, dando uma olhada rápida no cardápio.– Todos de acordo? Ótimo! – perguntou e respondeu, sem dar chance para discordâncias, um sorriso divertido nos lábios. Era seu aniversário, e comeriam pizza.
— Pepperoni, todo mundo? – perguntou aos outros, já sabendo a resposta, e e acenaram positivamente, sem querer conflito com a aniversariante.
— Você conseguiu um lugar bom, … – espiou o palco, e agora as Spice Girls tinham dado lugar a um rapaz que cantava uma versão exagerada demais para ser sóbria de Don’t Stop Believin’. – Vou conseguir filmar vocês passando vergonha bem de perto. – sorriu, segurando o pulso da garota antes que ela lhe atingisse no braço.
— Garoto!– exclamou, pronta pra entrar naquele combate mais uma vez.– Hoje essa mesa tá toda jogando ‘seu mestre mandou’, e a mestre sou eu. Você vai cantar sim, isso nem tá em discussão… – cruzou os braços, despreocupada, e encarou o amigo, sugerindo que desistisse logo.
— Anda, vamos pegar bebidas e pedir a pizza. – puxou o pela jaqueta ao se levantar.– O que vão querer?
— Cerveja. – ergueu dois dedos no ar.– Vodka com energético pra você? –perguntou a , que concordou, sorridente.
— Beleza. – acenou, partindo em direção ao bar na companhia do amigo.– Você já pode parar de fingir que não tá se divertindo, sabe? – cutucou a barriga do rapaz com um dedo, fazendo ele se esquivar, resmungando qualquer coisa e revirando os olhos, logo trombando em alguém. A garota riu do modo como ele claramente se incomodava com a quantidade de corpos tocando o seu conforme rompiam o caminho até o bar. – Ai, vem cá, …– alargou o sorriso, puxando a mão dele etrazendo o rapaz para trás de si, porque se dependesse dele só chegariam no dia seguinte. Era quase cômico como, mesmo com tanta marra, sempre precisava de alguém que cuidasse dele. E ela meio que gostava de fazer isso, tanto quanto ele – secretamente – amava ser cuidado por ela.
— Eu estou me divertindo. Só não vejo porque não podíamos ter continuado bebendo em casa… – comentou, aproximando o rosto da nuca dela para se fazer ouvir, e deu graças a Deus por estar de costas ou ele teria visto o modo ridículo como prendeu o lábio inferior entre os dentes no instante em que a voz dele soou assim, tão perto.
— Porque é aniversário da ! E porque não vai te matar sair de vez em quando. – sorriu, assim que chegaram ao bar.
— Eu saí com você há duas semanas! – ele protestou, indignado, apertando uma das mãos na cintura da garota para enfatizar seu ponto.– Sua mal agradecida.
— E foi divertido, não foi? – questionou, sorrindo para a lembrança da festa da faculdade para a qual conseguira arrastá-lo. Chegaram enfim ao balcão, mas, contrariando o esperado, manteve a mão onde estava, mantendo o corpo dela junto ao seu.
— Só porque você caiu na piscina. – ele respondeu com um sorriso de canto e, sem dar tempo para que a garota processasse aquela proximidade, completou – Foi uma visão e tanto, sabe? – murmurou, quase como que falasse consigo mesmo, e antes que pudesse reagir ele já se voltara para o bartender. – Vamos? – chamou, tirando de seus pensamentos e a guiando pelo caminho de volta depois de fazer o pedido, tal qual ela fizera com ele.
— Amiga! – cantarolou, assim que avistou , e as bebidas, mal reparando no drink que ele colocava em suas mãos, tão animada com a própria ideia, sorrindo como criança que faz uma arte.– Pensei em uma coisinha pra tornar a noite mais divertida…
— Lá vem… – riu, sentando-se ao lado de , empurrando-o de leve com o quadril já que o garoto se sentara na beirada no banco de propósito, para irritá-la. O garoto se afastou, mas não muito, mantendo uma das mãos por sobre o encosto dela.
— Vocês vão escolher uma música pra nós cantarmos juntos…– propôs, alargando o sorriso – E nós faremos o mesmo com vocês! – bateu uma palminha animada.
— Eu já disse que…– começou, sendo interrompido de pronto pela aniversariante, e soberana do dia.
— Seu mestre mandou: – ergueu um dedo no ar.– não abrir a boca até a hora dele de cantar! Yay! – mostrou a língua para o rapaz, que revirou os olhos, ocupando-se da própria cerveja. Talvez quando ele tivesse bebido o suficiente…
— Amiga… – encarou a amiga num misto de divertimento e pedido de misericórdia, porque sabia onde queria chegar.
— Vou dar um tempinho pra vocês pensarem, enquanto isso nós duas vamos cantar, anda! – levantou-se, sinalizando para que fizesse o mesmo. O que ela fez, porque não havia nada que aquela pestinha pedisse que ela não fizesse, francamente.
— Eu te odeio. – murmurou enquanto caminhavam para o palco.
— Você me ama. – sorriu largo, acenando para os garotos assim que subiram – E vai me amar mais quando ver o que escolhemos pra vocês…– cantarolou, e algo naquele tom fez o estômago de gelar, e ela se apressou em virar mais do conteúdo de sua cerveja, prevendo que quanto mais bêbada estivesse até lá, melhor.
— Só porque é seu aniversário, sua ridícula…– bufou, entregando o controle do karaokê para a amiga.– Vai, escolhe…
As duas passaram alguns segundos correndo através das faixas disponíveis, até darem gritinhos gêmeos ao chegarem à música perfeita. Na introdução, já podiam ouvir às risadas de , e não precisavam nem mesmo olhar para a mesa dos garotos para saber que deslizara pela cadeira, querendo se esconder da vergonha alheia.
“You’re insecure, don’t know what for, you’re turning heads when you walk through the do-o-or…” cantou, fazendo uma dancinha divertida com os ombros.–“Don’t need makeup to cover up, being the way that you are is enough…”
se recuperou das risadas a tempo de entrar para a segunda estrofe da música, e as duas se uniram a todo o bar no refrão. assoviava, gravando tudo no celular em uma filmagem que no dia seguinte seria impossível de assistir, de tanto que sua mão se mexia e ele gritava palavras de incentivo às duas.
— Eu faço o Zayn. – disse, rápido o bastante, fora do microfone.
— Sai, eu faço o Zayn! – protestou entre risadas, sentindo-se com 15 anos de novo, as duas rolando no chão do quarto aos gritos e gargalhadas enquanto brigavam sobre quem cantaria a parte de Zayn nas músicas.
— Garota, é o meu dia! – jogou a carta do aniversário, e não teve outra escolha que não deixá-la cantar a frase daquele que era o crush supremo que compartilhavam desde a adolescência.
— As duas amam esse cara. – riu, notando a briguinha cômica das duas no palco, voltando-se para apenas para ter certeza de que ele não lhe ouvira. Tinha os olhos na garota que se fingia de emburrada ao ver a amiga cantar sua parte favorita na música, e não parecia perceber o sorrisinho de canto que ocupava seus lábios, discreto o suficiente para só ser notado por quem o conhecia bem. Mas o conhecia há uma vida inteira… – Então, você e a … – tentou, sem qualquer sutileza, recebendo um olhar mortífero do outro.– Eu só ‘tô perguntando! – ergueu as mãos, num sinal de paz.
— O que tem? – resmungou, voltando a beber. Merda. Desse jeito acabaria bêbado e concordaria com qualquer merda que inventasse. Não que não fosse fazê-lo de toda forma, mas… Argh.
— Sei lá… Vocês gostam muito um do outro, sabe… – deu de ombros, tentando soar casual.– Só pensei que talvez pudessem, sei lá… Tentar. Algo mais.
— A é…– começou, impedindo-se de falar demais no instante em que as meninas desceram do palco, sob uma salva de palmas e assovios, aos quais ele se juntou porque ali estava novamente a de que ele tanto gostava: o sorriso largo e confiante na companhia da melhor amiga, gargalhando de algo segredado entre elas.– Esquece isso. – pediu ao amigo, apressado, logo aprontando uma piadinha.– Quebrou todos os vidros do lugar, parabéns! – implicou com a morena no instante em que ela se sentou ao seu lado, mas o sorriso da garota não se transformou em um xingamento, como esperado.
— Ah, cala a boca… – sorriu, roubando a cerveja dele depois de acabar com a sua.– Eu vi que você tava mexendo a cabeça com a música…
— Zayn estaria orgulhoso, baby.– sorriu, roubando um beijo da namorada, e sorriu. Eles eram tão fofosque ela sentia que suas bochechas doerem, de tanto sorrir. O que lembrava…
— O que vamos fazê-los cantarem? – perguntou a , animando-se finalmente com a brincadeira inventada por . Ela sabia que a intenção era fazê-la passar vergonha, mas nada a impedia de fazer o mesmo – talvez não com , que era uma descarada, mas com .
— YMCA. – sugeriu, sem verdadeiramente colocar esforço na brincadeira.
choramingou, querendo atenção, e ele tentou não sorrir.
— Hmm, ok… Deixa eu pensar… – encarou por alguns momentos, tentando pensar em formas de envergonhar o amigo – Marvin Gaye. – sugeriu, vendo as orelhas do outro se avermelharem apenas à menção do rei das fuck-songs.
— Ahhhh, já sei! – bateu palminhas, elaborando sobre a ideia do amigo. – Marvin Gaye, do Charlie Puth com a MeghanTrainor!
— Essa não tem graça, … – revirou os olhos, já que planejava algo mais divertido. E, por divertido, entende-se: algo absolutamente vergonhoso, que lhe renderia piadas sobre o amigo até o ano seguinte.
— Vai ser tão fofo, cala a boca! – a menina sussurrou e, antes que qualquer um pudesse protestar, disse ao garçom que acabava de trazer a pizza. – Oi! Você pode colocar o nome deles na lista, por favor? e !
— Vai ser divertido, amor! – sorriu para enquanto ele lhe servia um pedaço de pizza, uma ruguinha de preocupação entre as sobrancelhas.– Eu prometo. – entoou, atraindo os olhos dele que, ao se depararem com seu sorriso, só conseguiram sorrir de volta.
— Corta direito, ! – examinava o que o amigo fazia, recebendo um olhar de canto – O que? Tá torto! – riu, aproveitando a oportunidade de devolver a implicância do rapaz.
— Só por isso vai ficar com a parte menor. – ele disse, simplesmente, servindo a garota com um pedaço torto de pizza.
! – choramingou o nome da amiga, fazendo soltar um resmungo irritadiço, que só lhe dava vontade de rir. parou de falar com o namorado por um instante, erguendo uma sobrancelha para de modo a desafiá-lo a continuar.
— Aish… Olha, vocês duas… – chiou, trocando seu prato com o de , apenas por não querer ouvir mais um ‘seu mestre mandou’ de . Não que fosse ceder caso a amiga tivesse pedido o pedaço maior. Não mesmo.
— Obrigada! – cantarolou sorridente, estalando um beijo na bochecha dele só para irritá-lo um tantinho mais, antes de morder um pedaço enorme de sua pizza.
— Tomara que tenha indigestão. – não deixou de acrescentar, mas ria depois de conseguir o que queria.
Os quatro terminaram de comer, divertindo-se com as pessoas que se aventuravam no palco, apostando quem entre eles obteria uma nota mais alta no karaokê – e tinham alcançado um impressionante 82, e no momento estavam atrás somente de um casal que cantara Total Eclipse of the Heart, com um – comprado, diria – 89.
— Vamos, amor, nossa vez! – examinou no instante em que seus nomes foram chamados, e se levantou sorridente, puxando o namorado pela mão. – Vamos mostrar pra esse povo! –marchou, resoluta, determinada a conseguir superar o casal líder.
— UHU! – gritou bem perto do ouvido de , fazendo o garoto tampar os ouvidos e esconder um sorrisinho.– Mostra pra eles, amiga!
Os dois chegaram ao palco, e selecionou a música pedida pela amiga. No instante em que a primeira estrofe surgiu na tela, cobriu uma risada com as mãos, recebendo um sinal da namorada indicando que seria ele a começar. Céus, as coisas que fazia por ela…
Let’s Marvin Gaye andget it on…– cantou, os olhos dançando entre a tela da TV e o rosto da namorada, que ria do tom rosado de suas bochechas.–Yougot the healing that I want, just like they say it in the song: until the dawn, let’s Marvin Gaye and get it on…– continuou, sem tirar os olhos de , que dançava de olhos fechados, com um sorriso recheado de promessas. Continuou a segunda parte da música, soltando-se um pouco mais e recebendo várias exclamações de animação do público que se admirava de sua voz. A namorada sorriu orgulhosa, porque havia pouca coisa no mundo que lhe deixavam tão encantada quanto ouvi-lo cantar. Lançava arrepios por todo o seu corpo, e ela precisava se conter para não puxá-lo para um beijo.–But I love to get in trouble with you. – terminou sua parte com um sorriso pequenininho, mas que comunicava naquela linguagem que era só deles, que ela tinha sim muito pelo que aguardar.
— Mais tarde, baby. – disse ao microfone, fazendo o lugar inteiro explodir em gargalhadas, enquanto cobria o rosto de vergonha.– Let’s Marvin Gaye and get it on! começou sua parte na música, e desse instante em diante o rapaz não conseguia prestar atenção em nada além dela.
— Eu amo essa garota! – gargalhou, estalando os dedos no ritmo da música e rindo da expressão torturada no rosto de , que denunciava seu desespero por ter de manter as mãos longe de . – GOSTOSA! – gritou ainda mais alto quando a outra começou a dançar.
— Você é louca, garota. – riu baixinho, mas mesmo com toda a atenção que chamava para a mesa naquele momento, não sentiu vontade de se esconder de vergonha. Não quando estava com ela.
sorria o tempo todo, dançando um pouquinho apenas pelo prazer de ver aquele brilho conhecido e delicioso nos olhos de , um que fazia seu estômago dar cambalhotas de expectativa, especialmente diante de todo o prometido antes de saírem de casa. E bem, era seu aniversário. Ela sabia muito bem o tipo de presente que ainda lhe faltava.
Os dois cantaram juntos a última parte da música, e estava tão distraída sorrindo para o quão adoráveis eles pareciam ali, num mundinho só seu, que só se lembrou de mandar filmar o casal quando a música já chegava ao fim. Ao menos ele conseguiu capturar com a câmera o momento em que puxou o namorado pela camisa, roubando um beijo que ganhou mais aplausos que a apresentação que ganhara um, merecidíssimo, 92!
— Cadê a cara deles? – chegou na mesa, empolgada. – Quero ver a cara deles agora que ganhamos! – exclamou, fazendo o restante da mesa gargalhar enquanto pescava rapidamente seu copo e bebia mais um grande gole. A bebida misturada descia geladinho e, apesar da leve ardência na garganta, mais que bem vinda. – Também quero saber quem vai pegar mais vodka pra mim. – perguntou tão logo sua bebida terminou e riu, se levantando rapidamente. No palco, um grupo de adolescentes se divertia cantando Simple Plan, mas não se preocupava. Já colocara os nomes de e na lista e logo seria a vez deles.
Mal podia esperar.
— Eu vou. — seu namorado murmurou com simplicidade característica dele, dando um beijo no topo de sua cabeça antes de se afastar para ir buscar mais bebidas para todos. Ele não havia dito, mas aquele era o tipo de pessoa que era, afinal. Ninguém precisava pedir realmente.
Uma vez sozinha com os outros dois, abriu um sorriso predatório, não deixando passar nenhuma parte da cena que seus olhos espertos capturavam: com a latinha nas boca, a expressão explicitamente sonsa como se soubesse o que a amiga fazia e deixasse claro que fingia demência pra ela, e fingindo de maneira muito sutil não notar coisa alguma, encarando o celular com, no entanto, uma das mãos esticada atrás de . Como namorados faziam.
! — chamou enfim, estalando os dedos em sua frente e fazendo com que ele erguesse o olhar do celular, a pose indiferente arrancando um sorrisinho dela simplesmente porque não comprava absolutamente nada naquilo. — Você me ama?
— Acho que a resposta certa aqui é não. — ele devolveu e ela o encarou de maneira preguiçosa, revirando teatralmente os olhos poucos depois. riu. — Um pouquinho, . Só porque e amam e me matariam se eu não amasse. — ele, enfim, cedeu minimamente e riu.
— Bom, o porque não me importa. Aquele livro que você me deu é legal, já tenho vários planos pra ele, mas preciso falar, não entendo porque não me dá o que realmente quero se você também quer.
— Garota?! – retrucou, como se aquilo houvesse soado muito errado – e soara mesmo. riu.
— Pestinha, para com isso. Ele já concordou em cantar.
— Não concordei não. – devolveu, mais suas palavras soavam muito mais como uma birra frágil do que qualquer coisa.
concordou por você. É sua namoradinha, ela fala por você. — a aniversariante retrucou, como se fosse muito simples e abriu a boca para retrucar que não era coisa alguma, mas foi mais rápido, falando, exatamente, a coisa errada. Ou, certa parando pra pensar.
— Você fala por ? – tão rápido ele falou, se deu conta da burrada que fizera, apertando os lábios juntos enquanto rolava os olhos e abaixava a cabeça, xingando mentalmente. não lhe deixaria mais em paz depois daquilo, tinha certeza.
— Não, porque ele está sempre certo mesmo, e você não negou que ela é sua namoradinha! ARRÁ! – apontou vitoriosa, na direção de , que empurrou seu dedo.
— Quer parar de ser chata?! – ele reclamou, fingindo descaso, ainda que estivesse um tanto mortificado por dentro. Não era pra ter feito aquilo e sequer teve coragem de encarar imediatamente.
— Isso não é jeito de falar com a aniversariante. – repreendeu quando voltou a se sentar ao lado da namorada, distribuindo as bebidas que trouxera entre todos os quatro. sorriu satisfeita para suas palavras e apontou para ele enquanto encarava .
— Vê o que eu falo? Sempre. Certo. –murmurou pausadamente e riu, lhe abraçado de lado e beijando o topo de sua cabeça. Não tinha ideia do que ela estava falando, mas se ela dizia, ele concordava.
— Tanto faz. — retrucou, fingindo mal humor. Fingindo muito mal, aliás, mas nenhum dos três ligou para isso, invés disso, teve outra ideia e, imediatamente, a garota despejou nos amigos e no namorado.
— Certo, pensei numa coisa. – declarou, com resmungando por baixo da respiração um “lá vem” ao passo que e riam por isso. os ignorou. — Porque eu sou legal e sei que está morrendo de vergonha de ir cantar agora, vou sugerir que a gente faça um drinking game antes. Aquele em que a gente tem que falar uma palavra com a última sílaba daquela que foi dita anteriormente, sabe? — explicou e rapidamente escondeu o rosto entre as mãos. Maldita hora que foi ensinar aquele jogo a garota.
, se a gente ficar muito bêbado, não vamos conseguir cantar nada. – retrucou e deu de ombros, abanando o ar para demonstrar pouco caso.
— Besteira. A gente joga só umas duas rodadas.
— Ok, eu começo. — sugeriu.
A primeira palavra foi , que adorou o mimo, mas foi zoada por não conseguir pensar numa palavra para a última sílaba do próprio nome mesmo assim. Não que qualquer um deles houvesse ido muito bem nas rodadas que se seguiram, foram seis no total e apenas em duas delas um deles conseguiu lembrar de palavras que preenchesse o requisito do jogo. não reclamou, já que, no fim, pôde soltar a bomba sem culpa:
— Ok, decidi a música que quero que vocês cantem. — anunciou e, tão logo ela falou, se empertigou na cadeira e riu, provando que já estava verdadeiramente afetado pela bebida. Não demais, esperava. merecia mais. — Mesmerize.
revirou os olhos, se levantando.
— Não pense que vai ganhar algum presente meu quando fizer 24. — ele avisou, mas não parecia nem de longe tão afetado quanto estaria se sóbrio. lhe mandou um beijo no ar e o garoto revirou os olhos outra vez, mas se virou para e a esperou para seguirem juntos até o palco.
os observou batendo palminhas e riu, lhe abraçando.
— Tenho sorte de ter você. – murmurou, tão doce quanto de costume, e a garota sorriu, virando para lhe encarar e roubando um beijo no canto de sua boca. Ele apertou a pontinha de seu nariz em resposta. Achava adorável quando se empenhava pelo que queria, e era inevitável torcer por ela, mesmo que o que queria, no caso, fosse simplesmente fazer seus amigos, nas palavras dela, darem umazinha a fim de finalmente verem que eram perfeitos um para o outro.
— Eu tenho mais. — ela respondeu enfim, antes de virar para encarar o casal no palco. era um ótimo rapper, seu flow era tão bom quanto era possível ser e, por isso, sabia que ele se daria bem com aquela música. Nem estava preocupada com aquela parte, queria ver o que seria deles dizendo um para o outro as baixarias que JaRu letrara junto com Ashanti.


Haha, yeah
What up, ma?
Howyoubeen?
Yeah I know, I know
It’sallgood

Tanto a escolha da música, quanto a presença de palco de e sua habilidade no rap sacudiram a plateia de maneira surpreendente, exceto, é claro, para quem já o conhecia e sabia de seu talento. Gritinhos soaram de toda parte e abriu um sorrisinho, vendo fazer o mesmo, encarando tão apaixonada quanto era de se esperar.
Ugh, o que é que custava se beijarem logo?


Girl your stare, those eyes, I (love it when you look at me baby)
Your lips, your smile, I (love it when you kiss me baby)
Your hips, those thighs, I (love it when you fuck me baby)
And I can’t, deny I (love it when I’m with you baby)

tomou, satisfeita, os versos de Ashanti para si. Era quase como ser backing vocal e passava menos vergonha daquele jeito, ainda que, já sob efeito do álcool, passar vergonha não fosse tanto um problema aquela altura. Tropeçou nos próprios pés enquanto dançava também e riu junto com por isso, com ele se aproximando para segurá-la pela cintura. A intenção foi a melhor, é claro, mas cantar a parte seguinte da música olhando em seus olhos, com uma das mãos em seu corpo, só podia ter consequências desastrosas.


I, got a fetish for fuckin’ you wit’ch a skirt on
On the backstreet in the backseat of the Yukon
What’s takin’ so long? I’m gettin’ anxious
But patiently waitin’ for you to tell a n****to move on
Between me and you, we can find each other

A mão de lhe apertando um pouco mais forte, sem que nenhum dos dois fosse capaz de explicar o impulso, ou o que o impulso lhes fez sentir, esquentou o corpo de por inteiro, e enquanto ele continuava com excelência a interpretar seu papel, desejava matar . Como se precisasse de mais coisas para confundir sua cabeça quando o assunto era , pelo amor de Deus!
Ainda que houvesse tentado, e ele tentou, não foi capaz de manter a pose muito tempo, se divertindo com aquilo mais do que gostaria, e mesmo com o estômago revirando perigosamente toda vez que lhe encarava e cantava sobre adorar quando ele lhe olhava, beijava ou fudia, sempre acaba por rir quando a amiga fazia uma careta pra ele no instante seguinte, fingindo com maestria que aquilo não estava acabando com ela. Suas risadas, por sorte, não estavam realmente incomodando a plateia, que riam muito também enquanto os assistiam, mesmo que cantando junto e se soltando gritinhos sugestivos, do tipo “get a room!”, o que, aliás, soou suspeitosamente como a voz de . Mas aquilo não era surpresa.
Para , a surpresa veio em seguida, quando precisou de toda sua força de vontade para simplesmente não puxar para si e beijá-la ali mesmo, quando ela se aproximou perigosamente dele para cantar seu trecho, deslizando o indicador por seu peito enquanto o encarava, tão bêbada quanto deliciosamente atenta, esperta. .
Boy listen, i’m the only piece of the puzzle you’re missin’, like when we kissin’ bye bye bye — ela fez o tchauzinho com uma das mãos, parecendo se divertir mais do que devia ser certo com aquele novo, e insanamente gostoso, papel. Céus. A atração por sempre estivera lá e ele sabia, mas caramba, sabia porque nunca fizera nada a respeito?! Porque, naquele momento, não fazia ideia. Ia matar . Estava decidido. E ficou mais decidido ainda no instante seguinte, quando desceu sugestivamente em sua frente, indo até o chão e subindo triscando o dedo por sua perna até lá em cima, em seu peito, enquanto continuava a cantar — You got a girl that’ll ride ride ride, so take me, tonight… And do what you do to me baby…
teria, inclusive, perdido a deixa para continuar se alguém na plateia não houvesse puxado o coro para o refrão, arrancando uma risadinha do garoto por isso, agradecido a quem quer que fosse a alma que se compadeceu a sua distração, voltando a cantar tão logo pôde e, da mesa dos quatro, e riam lhe assistindo. , que jamais perderia a chance, filmando cada parte da cena. estava arrasando e não parava de gritar, vez ou outra aproximando dando um zoom na câmera só pela satisfação de eternizar a expressão boba de naquele momento.
Quando o casal terminou, assobios, palmas e risadas se fizeram ouvir, arrancando uma risadinha de e uma revirada de olhos de , que acenou um tanto tímido para a platéia enquanto seguia com a amiga de volta para a mesa, tão distraídos pela consciência súbita que tomavam um do outro que nem mesmo repararam no painel luminoso que anunciava um 90 que os colocava na vice-liderança.
— Nem doeu, doeu? – provocou , que revirou os olhos para ela.
— Se você sequer pensar em postar esse vídeo, eu te processo por uso indevido de direito de imagem. – ameaçou, arrancando uma risada despreocupada da outra.
— Eu não preciso postar, estou satisfeita em esfregar apenas na sua cara até o fim dos tempos. – murmurou, como se fosse muito simples, sorrindo para em seguida. – E na sua. – acrescentou para amiga, que disparou uma bolinha feita com guardanapo em sua direção.
— E na sua. – imitou, afetada como normalmente fazia, o que fez a aniversariante gargalhar. Adorava quando irritava tanto os outros que recorriam aos seus meios de descontar, ficava verdadeiramente satisfeita.
Por pelo menos mais uma hora, os quatro continuaram a rir e se provocar, a tensão crescente entre e impedindo que sequer esbarrassem um no outro sem sentir como se estivessem prestes a explodir e quando seus olhares se encontravam, então… Céus.
Secretamente, usavam a desculpa do álcool para o modo como se tocavam, num flerte descarado e preguiçoso: tinha uma das mãos descansando sobre a perna da garota enquanto brincava distraidamente com seus cabelos. Divertiam-se com as apresentações no palco, fazendo comentários ácidos, mas a verdade é que não viam a hora de sair dali, ansiosos com a tensão crescente que parecia finalmente ter atingido o momento inevitável em que simplesmente precisavam experimentar todas aquelas promessas. Só uma vez.
Com o casal de namorados de frente pra eles, as promessas seguiam sendo feitas do mesmo modo, silenciosas e letais. roçava o pé em uma das pernas de , subindo-a displicentemente só para sentir os pelinhos contra a própria canela, ao passo, que, vez ou outra, enviava alguma mensagenzinha para o celular do namorado, só pelo prazer de vê-lo corar ou rir nervoso toda vez que checava o celular e dava de cara com narrações explícitas de tudo que queria fazer quando chegassem em casa.
— Bom, como vamos fazer pra ir pra casa? Vocês vão dormir com a gente na ? – perguntou enfim pouco depois, quando a narração ficou gráfica demais. era escritora, então era ridiculamente boa naquilo e, ainda que ele morresse de vergonha, não podia dizer que seu corpo não correspondia ridiculamente a ela.
— Nop. Hoje somos só eu e você, amor. –a garota retrucou com simplicidade e cara de pau típica dela, roubando lhe um beijo na bochecha quando ele soltou outro risinho fraco e nervoso. – vai dormir com a , não é? Ela está bêbada, não pode ser deixada sozinha. — murmurou ao deitar a cabeça no ombro do namorado, o ar de preocupação e cansaço tão teatral que fez rir. Ela era terrível.
— Ei, eu não estou bêbada… – riu sozinha, porque estava, céus, como estava! – Seu carro tá na , não tá? – murmurou, virando para encarar , recebendo um aceno que, tão próximo, fez com que a pontinha do nariz dele tocasse seu rosto.– Me deixa em casa, e a gente vê o que faz? – perguntou baixinho, recebendo um sorriso secreto do rapaz que, fazendo um esforço louvável para conter a tempestade dentro de si enquanto lhe encarava de volta, assentiu.

— Tudo bem aí? – se certificou depois de colocar no banco do passageiro do carro e prender a garota no cinto de segurança, voltando para o lado do motorista depois que ela lhe acenou que sim, enrolando-se em seu assento apertando a jaqueta que o rapaz jogara sobre seus ombros após saírem da boate.
Os dois tinham acabado de se despedir de e , e agora rumavam para o apartamento de , e o rapaz francamente não fazia ideia do que faria quando chegassem lá. Quer dizer, não é como se não pensasse nela daquela maneira há muito tempo… Mas era aquele tipo de coisa que simplesmente parecia feita para permanecer no imaginário, e não para acontecer de fato.
ronronava a letra da música que tocava no rádio, os olhos fechados e a cabeça encostada no vidro do carro, parecendo tão despreocupada que ele se sentia ainda mais idiota, martirizando-se sozinho sobre algo que nem viria a acontecer. Chegariam e ele colocaria na cama, como já fizera uma dúzia de vezes. Dessa vez, contudo, dormiria na sala para evitar o sadismo de ter a tentação assim tão perto.
— Hoje foi divertido. – murmurou, quebrando o silêncio com um sorriso sonolento. A voz da menina, rouca da bebida e do karaokê, fez engolir seco.
— Foi… – sorriu para si mesmo, parando o carro no sinal e aproveitando que tinha os olhos fechados para observar a garota ao seu lado: os cabelos dela, levemente bagunçados, faziam sua mente enevoada fantasiar uma série de imagens em que seria ele a lhe deixar uma verdadeira bagunça; o batom borrado pela boca da garrafa de cerveja lhe causava um formigamento nos lábios; e as pernas sobre as quais cantara para um bar cheio, há pouco mais de uma hora, continuavam a lhe provocar bem ali, a um palmo de distância. Era um fodido mesmo.
-ah… – chamou, e ele ergueu os olhos de onde estavam, só então se deparando com a mulher perfeitamente desperta, com um sorriso que deixava claro que o observava há tempo o suficiente para saber onde sua mente estava. – O sinal abriu. – soprou, o sorriso se alargando ao reparar no modo atrapalhado como o fez arrancar com o carro.
— Eu pensei que estivesse com sono. – ele comentou, sem tirar os olhos da rua deserta ou as mãos do volante, mantendo-as bem seguras onde estavam.
— Não… Você está? – moveu-se no banco para ter uma visão melhor rosto do rapaz, que se limitou a manear a cabeça negativamente, respirando fundo. Merda, a última coisa que ele tinha naquele momento, era sono. tombou a cabeça no encosto do banco, tomando a liberdade de passear sem pressa pela imagem do homem ao seu lado: xingou mentalmente a perfeição do ângulo de seu nariz, e suspirou baixinho quando chegou à boca. Perdeu alguns segundos no modo como o peito dele subia e descia sob a respiração pesada, e deve ter feito algo para que suspirasse, cerrando os olhos por um instante antes de abri-los novamente.
, você ‘tá me distraindo. – disse, baixo, mas seus olhos nunca se voltaram para ela. Não poderiam.
— Eu não tô fazendo nada. – a garota deixou escapar o tom de sorriso em sua voz, e riu baixo, da própria desgraça.
— Você tá me olhando. – suspirou, xingando baixinho ao ser ultrapassado por outro carro, mas feliz com a distração. – Me olhando como se… – cedeu por um segundo, voltando os olhos para a garota, e sustentou seu olhar como ele não se lembrava de já ter feito antes. E porra, o que quer que pretendesse dizer morreu em seus lábios naquele instante.
— Como se…? – insistiu, sentindo seu coração batendo tão rápido que ela pensava poder ouvi-lo em suas têmporas.
“Como se me quisesse dentro de você.”, sua mente foi rápida demais na resposta, e sentiu o sangue correr rápido até seu rosto, amaldiçoando-se pelo pensamento porque 1. não deveria pensar nela desse jeito, e 2. agora não conseguiria pensar em outra coisa.
— Nada, … – soltou o ar com apenas um pouquinho de força demais, concentrando-se novamente no trânsito e controlando o que quer que fosse aquela agitação que tornava cada pequena parte de seu corpo ciente demais da presença dela. Abriu o vidro, buscando respirar um ar que não cheirasse àquela mistura excitante de cerveja, fumaça, e o perfume de um misturado ao do outro e, com alguma sorte, eles conseguiriam chegar em casa sem incidentes.
A garota franziu o cenho, muito quieta, tentando entender aquela versão de seu melhor amigo, que olhava para ela como se a desejasse intensamente, mas não era capaz de sustentar um avanço, mesmo que discreto. Era confuso, francamente, e ela não pôde deixar de desejar que aquilo fosse tão simples quanto, bem… eles.
A música que tocava no rádio se encerrou, e demorou um segundo para se dar conta da que acabava de começar. Sorriu de canto, agradecendo à produção que controlava sua vida… Depois do que cantaram em um karaokê cheio de gente, aquilo deveria ser fácil, certo? Errado, a julgar pelo modo como sentia seu estômago gelar antes de começar a cantar, tão baixinho que só seria ouvida por alguém pre prestasse atenção – mas estava sempre atento a ela.


Can’t we just talk? Can’t we just talk? (Podemos conversar?)
Talk about where we’r egoing (Conversar sobre para onde estamos indo)
Before we get lost (Antes de nos perdermos)
Let me out first (Me deixe ir primeiro)
Can’t get what we want without knowing (Não podemos conseguir o que queremos sem saber)
I’ve never felt like this before (Eu nunca me senti assim antes)
I apologize if I’m movin’ too far (Me desculpe se estou indo rápido demais)
Can’t we just talk? Can’t we just talk? (Podemos ir?)
Figure out where we’re going (Descobrir pra onde estamos indo)

cantou, tornando cada verso da canção sobre eles, e pôde ver no modo como a expressão de suavizou aos poucos, até os cantinhos dos lábios se erguerem em um sorriso rendido, que ele também. não olhou para ela quando cantava os versos seguintes, e ele não precisava. O modo como levou uma das mãos até o colo da garota, entrelaçando seus dedos aos dela, era sua resposta: simples, como eles.
Quando estacionou na garagem de pouco antes de a música acabar, os dois pularam a formalidade em que ela perguntava se ele queria subir, porque bem, ele queria, e ela também. Caminharam juntos até o elevador, mas ocuparam lados opostos, encarando-se em um silêncio confortável mas que pesava de expectativa, envolvendo-os em uma atmosfera que fazia seus olhos mais afiados e seu ouvidos mais apurados, buscando um ao outro em cada detalhe.
desviou os olhos para o visor do elevador por um segundo, respirando fundo ao ver que ainda estavam distantes do décimo andar, e não conteve um sorriso diante do gesto que deixava que visse além da compostura impecável que o rapaz se esforçava para manter. não se deixava abalar com facilidade, e de alguma forma isso a deixava ainda mais ansiosa e – a quem estava querendo enganar? – fodidamente excitada.
As portas do elevador se abriram, mas a tensão que o preenchia não escoou, perseguindo e pelo corredor até o apartamento da garota. Ela se atrapalhou com as chaves, tonta pela bebida e pela presença de que, ali tão perto, parecia tomar conta dela e impedir que seus últimos dois neurônios funcionantes agissem apropriadamente.
— Você poderia… ? – sinalizou, exasperada, para que o rapaz desse um passo para longe, e não foi surpresa alguma a risada baixa que ele soltou, ou o modo como aquilo a fez se arrepiar.
se afastou, cruzando os braços de modo bem humorado para observar a garota resolver o problema das chaves, gostando mais do que provavelmente deveria de como reagia a ele. Quando ela enfim entrou em casa, segurando a porta aberta para ele, foi a sua vez de agir feito um idiota diante da imagem tentadora da mulher que o encarava com um olhar que o convidava a conhecer um novo lado deles, despindo-se lentamente de cada barreira que se colocava entre os dois, a começar pela jaqueta com o cheiro dele, que jogou sobre o sofá.
O rapaz entrou, magnetizado pela presença dela, sabendo que não havia volta no instante em que fechou a porta, mergulhando-os no escuro. Sentiu o calor da presença da mulher quando ela aproximou o corpo do seu, e pela altura em o queixo dela tocava seu peito, podia dizer que já tinha se livrado também das botas. estendeu a mão, alcançando o interruptor para uma das luminárias da sala, dando a a visão aterradora de seu sorriso a poucos centímetros de distância, como se pedisse, por favor, que ele colocasse fim a cada um deles.
… – levou uma das mãos à cintura da garota, enquanto a outra se encaixava na curva de seu pescoço, experimentando o calor de sua pele com as pontas dos dedos enquanto a trazia para tão perto quanto era possível enquanto ainda tivessem os olhos abertos. A respiração da garota atingia seus lábios entreabertos e ele se aproximou um tanto mais, parando apenas quando seu nariz tocou o dela delicadamente. – Eu não quero conversar… – a voz grave fez seu peito vibrar contra o da garota, que se arrepiou deliciosamente sob seus dedos, deixando escapar um arfar ansioso que foi a sua ruína. , inesperadamente, sorriu.
E foi naquele sorriso que capturou os lábios de pela primeira vez.
O beijo, a princípio não passou de um selar longo, rompido apenas pela respiração pesada de ambos. Sorriram, ainda com os lábios unidos, para então transformar o beijo em uma série de selares breves e cada vez mais ansiosos, até que finalmente aprofundou o toque, deixando que sua língua encontrasse a da mulher de forma tão obscenamente lenta, que era como se estivessem alheios ao tempo, suspensos no momento em que descobriam cada deliciosa maneira como seus corpos reagiam um ao outro.
Os lábios de migraram daquele jeito preguiçosamente calculado pela linha da mandíbula da garota pelo que pareceu uma eternidade, apenas para saborear os sons deliciados de prazer que saíam de , ainda mais do que a pele dela que se arrepiava, agora sob sua língua. Antes que pudesse prever, contudo, a garota escapava de seus lábios, começando ela própria uma excursão luxuriante pelo pescoço do rapaz, sorrindo quando os dedos dele se enterraram em sua cintura, e mais ainda quando tomaram um caminho ainda mais a Sul, descobrindo curvas que pareciam ainda mais excitantes quando ocupavam suas mãos. As dela, por sua vez, brincavam com os passadores de seus jeans, trazendo-o cada vez mais para perto – ainda que perto demais ainda não fosse perto o bastante.
… – chamou sua atenção ao sentir os beijos se transformarem em mordidas e chupões que demandavam dele tudo o que queriam, e certamente deixariam marcas para o dia seguinte. A garota raspou os dentes pela região, admirando as galáxias arroxeadas que construía de seu desejo, e tentou encontrar dentro de si alguma culpa, não achando nenhuma. Pelo contrário: amava aquela visão, e o modo como dissera seu nome. Como uma senha, algo secreto e precioso demais.
— Deixa… Fica tão bonito em você. – pediu, brincando com a pontinha do nariz no lóbulo de sua orelha, e não havia absolutamente nada que ela pedisse naquele tom risonho de quem sabia que teria dele o que quisesse, que não atendesse sem arrependimentos.
Ele deixou que ela fizesse dele o que queria, mas não sem agir como suas mãos urgiam por fazer desde que chegaram ali: pegou-a no colo, encostando a garota na parede e unindo seus corpos completamente, apreciando a forma como enlaçava sua cintura com as pernas, e não sem reparar o gemido que escapou os lábios da garota quando seu centro tocou o volume entre as pernas dele, que se tornava mais evidente a cada segundo.
… – gemeu, apertando a blusa do rapaz entre os dedos quando a tensão foi demais para que a suportasse calada, sem chamar pelo culpado daquela excitação que fazia seu corpo tremer. Beliscou o lábio inferior dele com os dentes enquanto se mexia lentamente em seu colo apenas para ampliar o contato, adorando o novo som que acabava de descobrir: um grunhido baixinho que fazia o peito de vibrar, e que soava como tanto tesão que sentiu aquilo lhe atingir imediatamente onde deveria, bem onde o desejava. – Por favor… – pediu, e não precisou explicar nada para que ele compreendesse, os olhos sorrindo embevecidos daquela garota que se entregava a seus toques tão pura e completamente.
Por favor, não me provoque. Por favor, não me faça esperar mais um segundo. Por favor, por favor, por favor.
Colocou-a no chão, e as mãos de rumaram corajosamente até a barra de sua blusa, respirando pesado ao encontrar a pele quente que se aquecia ainda mais sob seus dedos. Ela não desviou os olhos nem por um segundo enquanto puxava a peça até tirá-la do caminho, determinada a se lembrar de cada segundo daquela noite.
Cambalearam juntos até o sofá, embriagados do álcool e dos beijos que privavam seus sentidos de tudo o que não fosse um ao outro, parando apenas quando ouviram o miado do gatinho que escapara de um pisão por muito pouco. O silêncio durou um segundo, mas logo foi preenchido por risadas – as de , baixas e quase sem fôlego, as de altas, e abafadas pelo modo como o abraçou, antes de sentá-lo no sofá, montando seu colo em seguida. O riso morreu de pouquinho em pouquinho quando as mãos de passaram a passear sem rumo pelas pernas da garota, atiçando-a a se inclinar para um novo beijo – dessa vez, sem subterfúgios ou intenções mascaradas. Beijavam-se num presságio do sexo, e o modo como ondulava os quadris numa sugestão clara e direta casava perfeitamente com a forma sem rodeios como tirou a blusa da garota, deixando-o frente a frente com o que, numa segunda análise, era o provável catalisador de tudo aquilo.
Ou talvez ele devesse parar de procurar desculpas para o que estava bem ali o tempo inteiro, porque no instante em o encarou com as bochechas coradas de prazer e os olhos enevoados de desejo, um sorriso tão rendido no rosto, ele constatou o óbvio: nunca houve outra alternativa, que não se apaixonar por ela.
tocou a renda branca com a ponta dos dedos, roçando-os de leve nos mamilos sensíveis da garota, hipnotizado pelo modo como ela arfou, os seios se avolumando ainda mais em sua direção. Os lábios do rapaz a tomaram ainda sobre o tecido, e se agarrou na primeira coisa sólida que alcançou, seus ombros, para sobreviver àquela primeira onda de prazer, gemendo mais e mais alto, ondulando os quadris sobre ele mais e mais rápido, desesperada pelo prazer que ele lhe prometia, sem uma palavra sequer. Em alguns instantes a renda estava fora do caminho, e lhe dizia com as mãos, a boca, a língua, que ela era a criatura mais bonita em que já colocara os olhos.
, por favor… – suspirou, afastando-se apenas o suficiente para conseguir raciocinar, o que não parecia assim tão simples quando ele lhe encarava com aqueles olhos tão negros que pareciam espelhos a refletir um desejo gêmeo do seu – Me deixa só… – pediu, fracamente, sem conseguir concatenar as ideias, o que o fez sorrir. Um sorriso largo, inesperado, mas que parecia incontrolável quando a via sem palavras, completamente entregue.
selou seus lábios por um instante, normalizando a respiração antes de mudar seu foco, descendo beijos demorados por todo o tronco do rapaz, apreciando cada músculo que se retesava ao toque de sua língua, até seajoelhar no chão diante dele, por fim, os olhos presos aos de , que a encaravam com ansiedade mal disfarçada e desejo latente. Assistiu com a respiração pesada aos dedos da garota lutarem com o botão do jeans, mas precisou cerrar os olhos no momento em que sentiu a palma de sua mão tocar a ereção que doía por ela.
, você não tem que… – começou, usando o polegar para afagar seu rosto com carinho.
— Eu quero. – ela o interrompeu de pronto, porque céus, o queria tanto. Queria tudo.
E assim, permaneceu cativo dos olhos dela – carregados daquela confiança que iluminava seu rosto e fazia dela tão, tão bonita – enquanto tirava do caminho tudo o que o separava de sua boca, e o preenchia de um prazer para o qual não estava minimamente preparado – como poderia? Em que mundo imaginaria que sua melhor amiga era capaz de fazer aquilo com as mãos e com os lábios? Que não tiraria os olhos dele enquanto o engolia inteiro, gemendo de um modo tão descarado ao vê-lo estremecer de prazer? Que sua língua o deixaria tão perto do êxtase que precisaria segurar seus cabelos, implorando não que terminasse, mas que parasse, por favor, porque não podia terminar tão logo com algo tão, tão bom.
se colocou de pé, sem conter um sorriso divertido por tê-lo naquela posição, e já se preparava para puxá-lo em direção ao quarto quando conteve seu avanço, segurando-a pela cintura e plantando um beijo quase casto em sua barriga, em contraste com os dedos que se esgueiravam na cintura da saia da garota, puxando-a para baixo e a tirando do caminho.
— Onde ia com isso? – perguntou com os lábios ainda em seu baixo ventre, encarando-a com uma sobrancelha erguida, cheio daquela arrogância calculada que só fazia com que parecesse o filho da puta mais bonito do mundo inteiro. precisou se concentrar para formular uma resposta, já que os lábios de rumavam cada vez mais em direção ao ponto de seu corpo que queimava por ele, brincando intencionalmente com os lábios sobre a renda de sua calcinha, deixando-os brilhantes de sua excitação tão rápido que seria vergonhoso, se não fosse a coisa mais fodidamente excitante que já viu em toda a vida.
— Eu achei que quisesse… Como era mesmo? – franziu o cenho, a respiração falhada mas o tom divertido, erguendo o queixo do rapaz com dois dedos, ainda que pudesse – e quisesse – tê-lo ali a noite inteira – “Me foder sem tirar minha saia?” – citou o trecho de Mesmerize que cantara no karaokê, e a risada dele lhe atingiu de formas diferentes: uma a fazia sorrir junto, enquanto a outra provocava o ponto que seus lábios ainda tocavam, a estremecendo dos pés à cabeça.
não respondeu, limitando-se a tomá-la no colo e carregá-la até o quarto, encaixando-se entre suas pernas com uma naturalidade que não deixava de espantá-los – era como se viessem fazendo aquilo há uma vida inteira, e eram ambos crescidos o suficiente para saber quão raro era encontrar algo assim numa primeira vez. Talvez por conhecerem até mesmo seus avessos, ou pelo carinho que os ligava muito além de qualquer prazer… Era fácil.
Os beijos do rapaz não se demoraram nos seios dela dessa vez, apesar da tentação que eles pareciam ali, sob a pouca luz que vinha da janela do quarto, que lançava sombras luxuriantes sobre o corpo de . Seguindo cada vez mais a Sul, podia sentir o modo como ela se contraía involuntariamente em expectativa, e não pôde conter o impulso de prolongar um pouco mais aquela doce agonia enquanto descia sua calcinha tão lentamente pelas pernas da garota que deixava evidente o caráter sacana e deliberado do gesto. A volta não foi diferente, enquanto plantava beijos longos na face interna das coxas da mulher, sentindo um prazer surreal com cada gemido baixo que ela deixava escapar, os dedos firmes em seus cabelos numa tentativa vã de guiá-lo até onde precisava dele, tanto.
, porra… – gemeu, num misto de tesão e frustração, quando os beijos dele deixaram de ser selares delicados e se tornaram demandantes, fazendo com que as pernas dela se abrissem involuntariamente, implorando.
— ‘Deixa… Você fica bonita assim.’ – sorriu felino, imitando o que lhe dissera mais cedo, e a garota não pôde nem mesmo rir devidamente, pois teve a risada interrompida por um gemido rasgado no instante em que, sem qualquer aviso, sentiu o calor da língua de em sua intimidade, movendo-se com a precisão de quem conhecia seu prazer, e todas as rotas até ele.
gemia, e arfava. O trazia para perto – para dentro dela – e o empurrava para longe, tremendo num prazer febril. Pedia, implorava, por ele. Por tê-lo dentro dela. Mas o segurava no lugar, bem entre suas pernas – ela nunca o vira tão bonito -, ordenando que não fosse a lugar algum. Queria seus dedos dentro dela, e então os amaldiçoava – porque, céus, nunca lhe dava o suficiente para que gozasse, apenas tanto quanto ela necessitava para enlouquecer por ele. Por favor. Por favor. Por favor. E foi sob seus pedidos suplicantes que assistiu ao espetáculo mais incrível de sua vida, enquanto se desmanchava em prazer em sua língua.
Ele limpou aquela tentadora bagunça com os lábios, sorrindo para o modo como se encolhia, chorosa, tão sensível que não se parecia em nada com a garota que o enlouquecia com um oral, poucos minutos atrás. Ele beijou todo o seu caminho de volta até se apoiar nos antebraços sobre ela, sentindo sua ereção doer de tesão quando avançou sobre sua boca, gemendo ao provar do próprio gosto em seu beijo.
Puta merda… – ela murmurou, os olhos semicerrados para se recuperar do modo como tudo parecia girar em uma espiral de prazer. A garota riu fraco, trazendo-o para si pelo queixo mais uma vez, apenas para morder seu lábio inferior em represália. – Pode tirar esse sorrisinho da cara…
O sorriso de , como esperado, se alargou. E beijá-lo assim, entre risadas bêbadas de tesão e olhares longos e cheios de segurança e carinho, tornou-se rapidamente uma das coisas que mais gostava de fazer na vida. Mais rápido, contudo, chegou a realização de que não conseguiriam suportar a espera por mais um instante sequer, e se esticou até a mesa da cabeceira, tirando da gaveta uma embalagem de preservativo e assistindo com olhos ansiosos ao rapaz colocar a camisinha.
Vem… – pediu, a voz falha de desejo enquanto o puxava para perto com as pernas, e ali estava ele novamente, aquele grunhido delicioso que a fez cerrar os olhos com um sorriso deleitado de prazer: não falava muito na cama, ela percebia, mas sem dúvidas se fazia ouvir.
— Eu quero fazer isso olhando pra você… – a voz dele soava mais grave do que nunca, e era tão baixa que poderia muito bem estar sonhando – não seria a primeira vez. Mas os olhos dele nos seus, trazendo-a para si, eram mais reais demais. Atentos demais. E quando enfim deslizou para dentro dela, tão devagar, naquele misto enlouquecedor de cuidado e controle, ela teve certeza de que não sonhava.
Ele não tirava os olhos de enquanto se movia, segurando os pulsos da garota acima da cabeça não em um gesto de dominação – porque a queria rendida por sua própria vontade – mas porque gostava de como suas mãos pareciam grandes a segurando no lugar, dando-lhe algo firme em que se apoiar, enquanto as pernas dela faziam o mesmo com ele, trazendo-o para si mais fundo, mais forte, mais rápido.
O ritmo das investidas aumentava de acordo com os gemidos da mulher – tudo por ela – e via a própria excitação atingir níveis que ele só conhecia em seus sonhos, sob o feitiço dos murmúrios chorosos e desconexos de , que traçava desenhos de prazer com as unhas em suas costas. Ele a beijava por toda parte, abafando gemidos contra a pele da garota, que já carregava o seu cheiro, e podia sentir o quão mais fácil ela o recebia a cada segundo, encharcada de prazer.
Quando aquilo se tornou gostoso demais, voltou a diminuir o ritmo, apoiando-se nos joelhos e passando então a penetrar tão profundamente quanto era possível, sorrindo de canto para o modo como se agarrava aos lençóis, da mesma forma como ele fazia com suas coxas. Os olhos dele agora brilhavam de excitação ao ver como ela recebia cada centímetro de sua extensão, deliciosamente pronta para gozar de novo, quando ele começou a massagear mais uma vez o ponto sensível entre suas pernas, assistindo extasiado ao modo como a mulher se perdia no próprio prazer, movendo os quadris ela mesma num êxtase longo, que o carregava junto dela até que não houvesse como prolongar aquilo por mais tempo.
… – gemeu, apertando-o com as pernas e também dentro de si, deixando escapar uma risada de prazer quando ele perdeu o ritmo por um instante, franzindo o cenho para se encontrar novamente, em meio às ondas de prazer que ela lhe provocava. – Vem pra mim… – disse, naquele tom que vinha se provando o preferido do rapaz: brincava entre um pedido e a ordem, mas conseguia dele o que quisesse.
atingiu seu ápice com os lábios nos dela, em um beijo que sufocava um gemido de êxtase; as mãos por toda parte, segurando-a tão perto como se precisasse ter certeza de que não ia se desfazer, como ele fazia; e os olhos brilhando de algo que ainda não tinha nome, mas que também encontrou bem ali, nos olhos de que se enrugavam nos cantinhos, sorrindo para ele.
O rapaz sorriu, segurando o rosto dela com carinho e roçando seus narizes só um pouquinho, antes de selar seus lábios calmamente, dessa vez. sentiu que seu corpo inteiro se reagia àquele sorriso, preenchendo-se de uma alegria e uma tranquilidade quase etéreas, e esperou que ele saísse de dentro dela para se aninhar em seu abraço – aquele que hoje, mais do que nunca, parecia-se como o lugar mais confortável do mundo. O rapaz fazia um carinho preguiçoso em seus cabelos, e o silêncio em que caíram era tão confortáveis quanto todos os que dividiam antes de se terem daquela maneira, por inteiro.
Demorou algum tempo para que alguém quebrasse o silêncio, e o fez com uma risada, daquele modo que era tão deles.
— Não acredito que a conseguiu o presente dela… – murmurou, escondendo o riso no peito do rapaz, que também se movia em uma risada baixa, tranquila.
— Pelo menos agora a gente não tem mais que se preocupar com presentes. – cerrou os olhos, com um sorriso de canto, abraçando ainda mais apertado, de modo que ela pôde sentir seu coração levemente acelerado, denunciando a convite por trás do que dizia.
— É… – sorriu, fechando os olhos e desejando, pela primeira vez, acordar logo – Eu acho que não.

Ao chegar em casa, e seguiram primeiro para o banho, se ocupando de trocar beijos preguiçosos e risadas cúmplices debaixo do chuveiro. deixou o chuveiro primeiro, avisando que esperaria pelo namorado no quarto. Vestiu a única camisola de seda que tinha, – uma rosa bebê que o próprio lhe dera de presente a alguns anos – sem se preocupar em vestir nada por baixo, e se sentou na cama para esperar o namorado, distraindo-se com o celular.
lhe enviara algumas das fotos e vídeos tiradas em seu celular e acabou rindo revendo tudo. Fora uma noite e tanto, a garota tinha certeza que não esqueceria nem tão cedo e, ainda se o fizesse, a sensação que tinha naquele momento, com o peito transbordando de carinho e amor pelas três pessoas com quem passara as várias horas anteriores, essa perduraria para sempre. Pensou em postar alguma foto ou vídeo da noite, mas decidiu deixar aquilo para depois. Ou simplesmente nem fazê-lo. A ideia de guardar a noite como um segredo, valioso demais para compartilhar por aí, até que fazia sentido também.
— Amor? – a voz baixinha de chamou sua atenção e sorriu, assistindo enquanto ele se aproximava, fechando a porta do quarto ainda que não houvesse mais ninguém no apartamento da garota. Aquilo, aliás, era bem a cara dele mesmo e sorriu com certo carinho para sua atitude. As vezes, nem mesmo parecia de verdade.
— Oi, baby. – ela sorriu, o encarando pela luz fraquinha que atravessava o vidro da janela, apenas minimamente coberta pelas cortinas. A luz do quarto não estava ligada e não ousou ligar. Era o dia dela e, se quisesse a luz ligada, teria ligado. Além do mais, não era como se ela não estivesse tão estupidamente bonita com a pouca iluminação que invadia o quarto irradiando apenas pontos específicos de si. Os olhos, a clavícula, alguns pontos da camisola. Os joelhos.
sorriu, aproximando-se da namorada e parando com uma das pernas entre as suas, empurrando gentilmente seu cabelo para trás da orelha, de modo a admirar livremente seu rosto.
— Feliz aniversário, meu amor. – murmurou, a doçura em sua voz fazendo sentir tudo dentro de si derreter, sorrindo para suas palavras. – Você é a garota de 23 anos mais bonita que eu já vi. – falou, fazendo-a rir fraco. Fala sério, não o merecia.
— Vem aqui. — o chamou simplesmente, puxando seu pescoço a fim de juntar seus lábios de uma vez. não ofereceu muita resistência, lhe beijando de maneira carinhosa, com uma das mãos em seu queixo enquanto a outra fazia movimentos circulares, quase preguiçosos, em seu joelho. O toque era minimo, mas estava esperando por aquilo a noite toda. Ela já estava pingando.
A garota segurou com um pouco mais de força em sua nuca ao passo que o beijo ganhava mais intensidade, movendo-se em direção a ele no colchão só para ter subindo a mão de seu joelho para sua coxa, apertando a pele com firmeza antes de se afastar para encará-la.
… – ela murmurou baixinho, chorosa. Em momentos como aquele, e momentos como aquele, o olhar apaixonado de sempre não bastava. precisava tê-lo entregue, obedecendo a cada um de seus mais intensos e deliciosos impulsos.
Ele beijou sua boca outra vez, mais brevemente agora, e então rumou os lábios por sua mandíbula até seu pescoço e clavícula, a mão ainda brincando esperta em sua coxa. Ela gostava tanto quando ele a tocava daquele jeito, como se não tivesse pressa, porém com firmeza que não mentia: estava tão ansioso quanto ela. O que, ainda assim, não foi motivo para que ele ousasse não dar a namorada exatamente o presente que ela merecia, afastando-se apenas para ficar de joelhos em sua frente, puxando-a pelas pernas mais para a ponta da cama, de modo a trazer sua intimidade para seu rosto.
Primeiro, os lábios do garoto beijaram de maneira quase casta suas pernas, desde os joelhos, que ele pôs por sob os próprios ombros, até o interior de suas coxas, onde deslizou os lábios devagar, com devoção, beijando de norte a sul em sua virilha antes de, enfim, dar um beijinho quase inocente em seu clitóris. A porra de um selinho. Foi tudo que foi preciso para jogar a cabeça para trás e soltar aquele som baixinho, arranhado, que ele tanto amava. Satisfeito, passou a usar a língua, pirraçando seu clitóris ao passo que os dedos seguiam espertos para sua entrada, movendo-se ali no ritmo já conhecido por , que precisou apoiar os braços no colchão para não simplesmente se deixar cair, apertando um pouco os dedos no colchão.
Deus, ele era bom demais naquilo.
A garota até tentou assistir, porque havia algo realmente muito quente no modo como o maxilar de se movia enquanto ele lhe dava prazer daquela forma, tanto quanto o modo como seus dedos apertavam sua carne e a puxavam para si, praticamente sentando-a em seu rosto. Ela tentou, de verdade, porque havia pouca coisa que gostava tanto de ver quanto aquilo, mas seus gemidos, naquele tom cada vez mais sôfrego, tanto quanto suas pálpebras pesadas e as rajadas intensas de prazer subindo por seu corpo não lhe deram escolha: seu tronco foi de encontro ao colchão e, dane-se, ela podia jurar que via estrelas naquele momento. Bem ali, no teto de seu quarto.
O tom sôfrego, deliciosamente manhoso, não era novo para , que ainda assim admirou como se fosse, assistindo de baixo o que fazia com ela. E adorando.
Logo sentiu a pressão em seu ventre se intensificar, esticando e apertando as pernas contra o tronco do namorado, e, com os gemidos ganhando ainda mais força, apertou os olhos. Ia gozar. , que a conhecia melhor do que ninguém, não precisou de muito para notar aquilo, aumentando a velocidade do movimento de seus dedos ao passo que intensificava também o movimento da língua em seu clitóris. No instante seguinte, a garota se derramava em seus braços, o gemido urgente satisfazendo , que pousou delicadamente suas pernas sob o colchão antes de ir por cima dela, lhe roubando um selinho e pairando ali por um instante, observando com orgulho o que causara ao passo que puxava um travesseiro para apoiar melhor sua cabeça. Ela parecia ainda mais bonita depois que gozava, sorrindo daquele jeito: percebera sua atitude com o travesseiro, apreciava cada parte da doçura, mas não estava completamente de volta ainda. Entregue ao clímax sempre tão intenso que a intimidade que tinham lhe permitia sentir.
Bem devagar, roçou o nariz em seu rosto, como se não conhecesse a sensação. Não teve pressa, porque eles nunca tinham, não precisavam. O relacionamento dos dois era recheado de certezas, promessas para uma vida inteira e, quando se tinha uma eternidade, não havia porque ter pressa. A mão de só deslizou para a nuca de , subindo até que seus dedos se infiltrassem nos cabelinhos da nuca do garoto, um instante depois, quando inclinou um pouco o rosto para o seu, roçando seus lábios. Suas línguas se encontraram num carinho preguiçoso e moveu as pernas de encontro a cintura do namorado, não sendo capaz de evitar uma risada quando o namorado passou a espalhar beijos por todo seu rosto. Céus, ninguém nunca amara tanto outro alguém…
– ela chamou baixinho, a voz falhada soando tão manhosa que ele não conseguiu não sorrir. Adorava ouvi-la naquele tom.
— Hm? – ele perguntou, roçando o nariz alto em seu pescoço, inspirando o cheirinho de banho que ainda residia em sua pele.
— Deixa eu ficar em cima? – ela pediu, como se precisasse. Como se não lhe entregasse tudo que pudesse querer ao menor sinal de seu desejo, e ele riu, roubando um beijinho breve em seus lábios molhados.
— Desde quando você pede? – não segurou a brincadeira e ela riu, o puxando pra si e juntando seus lábios outra vez. Aquilo era outra coisa sobre eles, sobre seu encaixe. era o tipo de pessoa que conseguia as coisas do seu próprio jeito, com algum joguinho ou olhar especifico, sem nunca precisar, de fato, pedir, exceto com ele. Com , ainda que não precisasse, ela sempre pedia.
Com os lábios juntos, enfim, inverteu as posições, indo por cima do namorado ao passo que ele empurrava sua camisola para cima também, livrando-a de uma vez da peça. não vestia camiseta, mas a calça de moletom ainda cobria a parte inferior de seu corpo e, apostava, ele usava cueca também. Ainda que os planos para noite não fossem segredo para ninguém. quase riu por isso, parando de beijar o namorado para raspar os dentes em seu queixo, deslizando em seguida os lábios por toda extensão de seu pescoço. Suas pernas eram uma mistura onde era difícil registrar onde terminava um e começava o outro, mas aquilo não durou muito. soltou um gemidinho, quase um choro, quando de maneira impensada moveu os quadris em sua direção, segurando em sua cintura e a encarando pedinte.
— A gente precisa mesmo disso? – ele perguntou, no mesmo tom choroso – Das provocações? – quis saber, e riu, ainda que não houvesse feito de propósito, o que ele nem acreditaria se ela tentasse dizer.De qualquer forma, jamais seria capaz de resistir ao biquinho discreto em seus lábios, sorrindo enquanto o ajudava a se livrar das roupas restantes, puxando seu lábio inferior entre os dentes antes de pressioná-los com os seus.
— Não, amor. – murmurou, em tom de promessa.
As mãos de foram de encontro aos pulsos do namorado, segurando-os por trás de sua cabeça ao passo que se encaixava sob ele, o ar ficando preso em sua garganta de maneira que não devia ser, mas era, de fato, deliciosa. Quando começou a se movimentar, descendo devagar sob o namorado, as mãos de deslizaram de sua cintura pra cima, os dedos encontrando os seios da namorada e friccionando seus mamilos, fazendo com que ela cedesse e gemesse baixinho, como ele gostava tanto.
inclinou o corpo para o do namorado, juntando seus lábios num beijo lento e estupidamente delicioso, do jeito mais devasso possível. Suas línguas se moviam obedecendo ao ritmo que os quadris da aniversariante ditavam. Ela não se preocupava em ir rápido, ao contrario, se deleitava em descer devagar, de novo e de novo, sob a ereção do outro, que soltava o ar baixinho e resmungava baixinho contra sua boca de tempos em tempos, forçando apenas um pouco os braços contra seu aperto para que ela o soltasse. Quando o fez, fechou os olhos brevemente com as mãos de espalmando suas coxas, uma delas indo mais a diante e o polegar alcançando seu clitóris, o estimulando com gentileza e tornando seus movimentos deliciosamente mais desordenados. deslizou, então, a mão que não estava em seu clitóris até sua cintura, tomando o controle do que faziam ao segurá-la parada sob si, estocando mais forte e fazendo assim co que precisasse apoiar uma das mãos abertas acima da cabeça do namorado, os gemidos ganhando um novo tom, deliciosamente mais entregue, e passou a espalhar beijos por seu braço, onde podia alcançar.
— Você é tão boa pra mim, baby — ele murmurou baixinho, segurando em suas costas ao tomar impulso para se sentar, ficando assim com o tronco colado ao seu, passando as pernas ao seu redor, sem realmente enlaçá-lo, e gemendo baixinho diante do modo como se encaixaram naquela nova posição. Os movimentos ganhavam um limite maior daquela forma, era inegável, mas céus, aquilo nem era um problema. Continuava sendo tão gostoso, puta merda. – Eu amo você. – continuou a sussurrar, beijando seu pescoço e orelha, arrepiando-a por alcançar o ponto fraco que já conhecia bem, e do qual nunca esquecia. Ela adorava que ele não esquecesse.
— Você… Você é mais… – ela devolvia, sem fôlego, movendo os quadris de encontro aos seus, o encontro de seus sexos parecendo muito como um fio condutor naquele momento, lhes levando direto a condição mais inflamável de suas existências. — . — gemeu urgente, apertando os lábios juntos enquanto sentia seu corpo inteiro reagindo ao resultado das rajadas de prazer que cresciam e tomavam uma intensidade absurda naquele momento. Porra.
A voz de soou esganiçada, ridiculamente entregue, quando ela gemeu no instante seguinte, o corpo vibrando e obedecendo ao impulso de quando ele voltou a tomar para si o controla das estocadas, sabendo que a namorada estava perto.
— Goza pra mim, amor. – ele pediu, naquele tom tão ridiculamente bonitinho que, céus, nem era como se estivesse tirando-a do sério apoiando uma das mãos atrás de si, no colchão, para forçar estocadas ágeis dentro dela, que choramingava e pedia por mais afundando as unhas em seus ombros e peito. — Vai, . – ele incentivou, beijando a tatuagem em sua clavícula e olhando-a nos olhos, que a garota apertou em seguida, se permitindo se entregar ao tão desejado ápice, que veio tão intenso que sua vozsoou quase gutural, selvagem, enquanto se deixava levar.
E era só sensações, entregue ao martelar forte de seu coração na caixa torácica, a respiração descompensada e ao delicioso vácuo que ainda nublava suas mentes de maneira tão bem vinda. Deus, aquilo era tão… Sequer tinham palavras, honestamente.
Quando se arrastou no membro do namorado um instante depois, como se quisesse buscar todo e qualquer resquício da sensação impensável que lhes atingia, resmungou, entregue, e inverteu as posições, de modo a fazê-la deitar na cama. se arrastou, ainda que exausto, tanto quanto aguentou dentro dela, só para lhe dar mais do que ela queria e sorriu, sabendo o que ele fazia, sabendo o quanto ele se segurava.
Céus, o amava demais.
— Amor – ela murmurou, cansada e ele beijou seus lábios, olhando-a com tanta devoção, que, céus, se perguntou mais uma vez se o merecia. – Você pode soltar, baby. Solta pra mim. – ela pediu enfim, levando uma das mãos para o meio de suas pernas, em direção ao membro do namorado e o agarrando antes que ele voltasse a investir dentro dela, segurando-o bem pertinho de sua entrada enquanto movia o pulso, sentindo a glande molhada pela excitação misturada dos dois no polegar. Céus, tão gostoso.
resmungou baixinho, o tom choroso que adorava ganhando um volume maior e fazendo-a sorrir, familiarizada. Ele não era do tipo silencioso, e ela amava aquilo, beijando todo o inicio de seu peitoral enquanto o incentivava com palavras de carinho e expectativa, só para gemer deliciada, junto com ele, quando enfim sentiu o liquido do namorado lambuzar sua mão.
Exausto, e estupidamente satisfeito, Seokminse permitindo enfim cair deitado ao seu lado, ainda que por pouco tempo. Mesmo com o peito ainda se movendo rápido, denunciando sua respiração descompassada, ele precisou apenas olhar para a namorada um instante para se sentar, deixando um beijinho na bochecha da namorada e pescando sua calça jogada de qualquer jeito no chão, próximo a cama, usando-a para limpar as pernas da namorada, meladas com seu liquido. sorriu por isso.
. – murmurou, o encarando derretida quando ele ergueu os olhos para ela. – Obrigada. Por tudo.
Ele sorriu, aquele sorriso enorme, que fazia a noite virar dia, iluminando tudo dentro da garota, e apertou a pontinha de seu nariz.
— Não há de que, baby. – piscou.
sorriu quando voltou a deitar ao seu lado, mas não se abraçaram de imediato. Seus corpos ainda estavam quentes, e aproveitaram da companhia um do outro apenas com o olhar preso no outro, suas irís conversando silenciosamente, contando todos os segredos de suas almas uma para a outra.
Até o celular de soar escandaloso no móvel ao lado da cama, fazendo a garota pular de susto e rir, lhe observando pegar o aparelho para checar o que era, juntando as sobrancelhas numa ruguinha adorável quando gargalhou.
— Falei pra você que tudo ia se resolver quando eles dessem umazinha, não é? – virou para encarar o namorado, que riu ao entender do que ela falava, não resistindo mais em puxá-la para si, fazendo-a rir enquanto deixava o celular de lado, o abraçando também. Deus, ela podia ficar encolhida ali, naquele abraço, para sempre.
— Você é a pestinha mais adorável de todos os tempos. – decidiu e ela sorriu, piscando para ele.
— Me consegue um troféu dizendo isso? – provocou e ele riu, mas concordou, como sempre. Ele sempre concordava.
— Tudo que você quiser.

FIM

Nota da Autora:
Vocês conhecem aquela figurinha do whatsapp “THIS IS SURTO”?!
Essa fic foi bem assim, fruto de um final de semana com amor jorrando de tudo que é poro, sabe? HAHAHA
Aproveitamos a sintonia de geminhas que nunca falha e tadã: Midnight Memories nasceu!
Contem pra gente se ler foi tão divertido quanto foi pra gente criar esse universo tão gostosinho!!
Beijinhos, Belle e Bru!