Quem vai cair primeiro?

Sinopse: Min Yoongi e Jeon Jungkook eram completos opostos, mesmo que sempre estivessem um na cola do outro por conta de seu ciclo de amizades. Jungkook achava o outro desnecessariamente grosseiro e Yoongi não tinha paciência para a hiperatividade do mais novo.
Uma noite de bebedeira faz com que eles passem uma noite juntos e diferente do que todos esperavam, eles não agem como se nada tivesse acontecido ou como se aquele fosse o maior erro de suas vidas. Min Yoongi e Jeon Jungkook começam a agir como um casal, mas o que ninguém sabia é que tudo aquilo era uma brincadeirinha nada inocente para fazer um ao outro se apaixonar. E o perdedor sairia com a humilhação da derrota e um coração partido.
Gênero: Comédia romântica
Classificação: +18 anos
Restrição: não interativa.
Beta: Regina George

Capítulos:

Capítulo 1 – Os opostos não se atraem.

Yoongi.
Não haviam muitas coisas nas quais eu pudesse pensar que conseguiam ser pior do que a faculdade. Talvez bife de fígado ou feijão no pote de sorvete, mas a faculdade com toda a certeza do mundo era uma das piores coisas que existiam. E eu dizia isso como alguém que realmente amava o curso que fazia, então imagine como deve ser para aqueles que não tem a mesma sorte que eu e são obrigados a estudar qualquer outra coisa? Tudo bem, talvez se eu tivesse escolhido Teatro ou até mesmo Filosofia não receberia o mesmo apoio que tinha de meus pais enquanto um aluno de Arquitetura, mas aquilo era apenas um detalhe.
Eu não era do tipo que vivia reclamando das coisas, para ser bem sincero, na maior parte do tempo que não odiava tanto assim a faculdade. Gosto de estudar e me empenho e divirto demais com os projetos que algumas disciplinas propõe, mas então chega aquela maldita semana e parece que toda a minha existência entra em crise e tudo começa a dar errado. Durmo pouco, faz muito calor ou muito frio, a biblioteca está sempre cheia, os alunos estão sempre gritando pelos corredores e não existe a menor chance de conseguir um lugar no refeitório sem precisar chegar meia hora antes do horário de almoço. A comida já não era lá essas coisas e para piorar, às vezes precisávamos dividir mesa com outras pessoas e isso sempre me incomodava. Eu não era antissocial ou algo parecido, eu apenas não suportava bagunça enquanto estava comendo ou estudando. Sendo filho único, nunca precisei dividir meu espaço com outra pessoa e ir para a faculdade e encontrar compartilhamento em tudo – quarto, banheiro, refeitório, sala de estudos e todo o resto – era um de meus maiores problemas. Quando estava na escola, eu ao menos podia voltar para casa e para a paz do meu quarto. Na Yonsei eu tinha um colega de quarto bagunceiro que deixava a roupa dele jogada em cima da minha cama.
Kim Namjoon tinha sorte por ser meu melhor amigo desde os cinco anos, porque caso contrário, eu já teria matado ele.
– Falta muito para o final do semestre? – Hoseok indagou e eu precisei conter a vontade de revirar os olhos. Ele vinha perguntando aquilo há três semanas e eu simplesmente não aguentava mais.
– Falta, mas as provas estão acabando. PENÚLTIMO DIA DE PROVAS! – Seokjin berrou e eu quis sumir. Eu amava meus amigos, mas às vezes odiava mais.
– Se nenhum de vocês pegar dependência né – Namjoon murmurou, recebendo olhares nada satisfeitos em retorno enquanto eu enfiava mais comida na boca para evitar rir. Seokjin estava do meu lado e eu não iria conseguir fugir de um tapão, então era melhor evitar.
– Quem?
– Quem o quê?
– Te perguntou alguma coisa – Hoseok completou, enquanto Jin caía na risada e Namjoon revirava os olhos.
– Essa é mais velha que a minha vó, como você consegue cair nisso? – indaguei desacreditado. Para quem tinha QI 148, Namjoon era lerdo demais.
– Não me enche ou eu volto a dormir no nosso quarto – ameaçou e eu dei de ombros.
– Você pode tentar, mas não estou dizendo que vai conseguir. Eu tô dormindo no chão tem dois dias porque a maquete está ocupando as duas camas – suspirei em cansaço.
– E já tá pronta? – Hoseok indagou.
– Que droga você tá fazendo? O castelo de Hogwarts em tamanho real? – Seokjin franziu o cenho.
– É um projeto de shopping, nada demais, só ficou maior do que eu esperava, tive que pedir ajuda para a Soyeon com a elétrica. Eu não precisava fazer com tantos detalhes, mas quero tirar uma boa nota com o projeto e ir para o TCC mais tranquilo – dei de ombros.
– Soyeon? Jeon Soyeon? – Hoseok franziu o cenho e eu assenti, já pressentindo o rumo que aquela conversa tomaria, porque falar de Soyeon era trazer ele para o assunto.
– Por favor, nada de falar daquela peste – murmurei. – Eu nem terminei de comer ainda para poder me estressar direito.
– A implicância entre vocês é tão sem nexo – Namjoon murmurou pela enésima vez. Eu já conhecia aquele discurso e não estava animado para ouvir mais um sermão sobre como eu deveria ser mais maduro e não implicar com o maknae daquele grupo bizarro de amigos que eu mantinha na minha vida.
O ponto é que: eu não suportava Jeon Jeongguk por uma infinidade de motivos que não cabem em uma única página de caderno.
Tudo naquele garoto me irritada, desde a risadinha, até a forma como ele batia palmas para tudo ou então aquele cabelo sem cor definida porque ele era preguiçoso demais e nunca retocava aquela merda de cherry hair. Não que eu me importasse com a forma com a qual ele se apresentava para o mundo, eu não dava a mínima, mas nós éramos tão diferentes um do outro que todas aquelas disparidades tornava nosso convívio difícil porque nunca concordávamos em nada. Não tínhamos um mísero gosto em comum e a antipatia só tinha crescido com o tempo.
E por tudo isso eu torci os lábios em desgosto quando o ouvi. Não era difícil reconhecer Jeongguk, principalmente para pessoas com a maldita mania de observação aos detalhes como eu tinha. Dava para identificar os passos dele, por conta das botas pesadas que ele usava até no verão e Jeongguk nunca fora discreto. Ele ria sem se importar se estava chamando a atenção e estava sempre pulando e batendo palmas por ai, como a droga de um coelhinho animado.
Minha paciência para ele se esgotava antes mesmo de tê-lo sentado a nossa mesa e precisei respirar fundo quando os olhos escuros, que mais pareciam duas galáxias dentro de bolas de gude, pousaram em mim e aquele sorriso irritante tomou os lábios finos. Jeon sentou-se bem a minha frente, a bandeja como sempre lotada de comida e eu fiz questão de ignorar a presença dele, acenando apenas para Jimin e Taehyung, já que Soyeon se recusava a sentar conosco durante o almoço.
E para ser sincero, se eu pudesse escolher, também não sentaria naquela mesa.

🎯

Jeongguk.
Quando se está na faculdade, você precisa de um hobby para evitar surtar e jogar tudo para o alto. As poucas horas de sono, muita matéria acumulada, professores que passam mil trabalhos e toda a bagunça de campus fazem qualquer um entrar em colapso e por isso eu me mantinha ocupado com diversas atividades. Eu era faixa preta em taekwondo e estava praticando boxe nos últimos meses, também gostava de pintar, desenhar, escrever e cozinhar. Era muito bom em boliche e qualquer outro tipo de esporte, mas meu hobby favorito era testar a paciência daquele hyung que vivia implicando comigo.
Não, eu não era aquele tipo de pessoa insuportável que vive para infernizar a vida dos outros. Na verdade, eu era bem tímido algumas vezes e na maior parte do tempo, apenas agia como qualquer outra pessoa. Eu tinha dias ruins onde queria que o mundo queimasse e virasse pó, mas quem nunca teve esse pensamento não é? Yoongi não tinha realmente motivos reais para não gostar de mim e nem eu mesmo tinha qualquer coisa de relevante contra ele, mas não nos dávamos bem de jeito nenhum.
Dentro daquela rixa não havia espaço para o clichê de amor e ódio/tesão reprimido. E mesmo que nossos amigos tivessem adotado aquele discurso por um tempo, ao menos para mim, já que eu não podia falar por Yoongi, aquilo nunca tinha sido verdade. Se fosse apenas vontade de transar, já teríamos feito aquilo e acabado de vez com aquela picuinha besta. Parecíamos duas crianças da segunda série brigando por lápis de cor e mesmo tendo ciência de que aquele comportamento era ridículo, uma vez que estávamos envolvidos naquilo, era impossível sair.
Jeon Jeongguk e Min Yoongi eram como água e óleo, impossíveis de misturar.
– Vocês ainda tem alguma prova hyungs? – indaguei antes de enfiar um pedaço de frango frito na boca.
– Sim – Jin hyung respondeu. – E você saeng?
– Apenas um trabalho para hoje e então estou livre. Namjoon hyung me ajudou com o arranjo dessa canção, então finalizei mais rápido – sorri animado e orgulhoso.
– E começou a babação de ovo com o Namjoon – Yoongi revirou os olhos e eu virei o rosto em sua direção, abrindo um sorriso exageradamente doce logo em seguida.
– Ciúme hyung? Já disse que você tem um lugarzinho no meu coração, não se preocupe – atirei um beijo para ele e Yoongi apenas revirou os olhos e voltou a atenção ao prato de comida a sua frente.
– Nós fazemos o mesmo curso também e você não me ajuda em nada! – Hobi reclamou para Jimin e eu precisei morder o sorriso apaixonado quando Park revirou os olhos e torceu os lábios.
– Eu mal dou conta dos meus trabalhos, como poderia ajudar você com alguma coisa? – bufou e eu ri baixinho, voltando a encarar meu prato e sentindo o olhar de Yoongi sobre mim. Droga, eu estava dando muita bandeira e precisava me policiar já que eu não queria que ninguém soubesse que eu estava apaixonadinho pelo Jimin hyung. Mais ninguém no caso, já que a chata da minha irmã tinha me pego no pulo e eu tinha certeza de que Taehyung desconfiava.
Não que eu fosse um exemplo de discrição de qualquer forma.
O caso era que sim, eu tinha adquirido uma crush em Park Jimin depois de oito anos de amizade. Eu não sei exatamente que porra tinha mudado nos últimos meses, mas eu não conseguia ver apenas o meu melhor amigo agora. E quem poderia me culpar? Eu era um bobo que se apaixonava muito fácil, mas Jimin hyung era simplesmente… Jimin. Não havia como explicar de outra forma, nós éramos como duas metades de um todo, tínhamos gostos em comum e nossa compatibilidade era de 99%. Só não era 100% porque ele não conseguia me perdoar por ouvir as músicas do Justin Bieber, mas eu nunca tinha afirmado que era perfeito. E ao mesmo tempo em que eu aceitava e entendi os meus sentimentos, eu já tinha decidido que nunca iria confessar nada para ele para não arruinar nossa amizade. Tinha certeza de que poderia passar alguns meses sofrendo de dor de amor, mas jamais poderia viver o resto da vida sem o meu melhor amigo.
E aqui está o fardo de ser maduro sentimentalmente. Não recomendo, em todo o caso.
– Ei, vocês vão na festa amanhã? – Taehyung indagou, interrompendo meus pensamentos e as conversas paralelas que tinham tomado conta da mesa nos últimos minutos.
– Nem estou sabendo de festa – Hoseok torceu os lábios de forma insatisfeita.
– É de um veterano do meu curso – Tae deu de ombros. – Vai ter bebida e pizza, acho que vale a pena aparecer por lá.
– Ninguém nega bebida nesse grupo – Jimin murmurou.
– Eu nego – Yoongi resmungou e eu revirei os olhos. Ele gostava de discordar do Jimin e aquilo me irritava antes mesmo de descobrir que eu estava apaixonadinho pelo Park. Min Yoongi parecia viver em um eterno mal humor.
– Porque é chato – retruquei.
– Fica quieto coisinha desbotada – abriu uma careta para o meu cabelo e eu bufei.
– Vou ficar quieto quando o hyung deixar de ser azedinho – estalei os lábios.
– E começou – Seokjin soltou o ar dramaticamente.
– Não, por favor – Namjoon praticamente implorou e como eu era um bom saeng, menos para Yoongi, é claro, decidi ficar quieto e terminar o meu almoço antes de ser arrastado para o outro lado do campus por Namjoon, já que éramos do mesmo curso e tínhamos aula no mesmo prédio.
– Então vamos para a festa amanhã? – Tae indagou apenas para garantir que ninguém iria dar para trás.
– Claro que sim, precisamos comemorar a liberdade!
– Não estamos de férias ainda – o estraga prazeres do Yoongi murmurou.
– Cala a boca Yoongi – Seokjin reclamou.
– Obrigado hyung – sorri largo.
– Fica na sua pirralho – Yoongi retrucou e eu me virei para ele outra vez, com a resposta na ponta da língua ao mesmo tempo em que meus amigos bufavam e reclamavam por estarmos começando tudo de novo.
Às vezes eu sentia pena deles, mas durava pouco porque Yoongi me irritada muito mais.

Capítulo 2 – Gosto de cereja

Yoongi.
Minha cama, videogame e um prato cheio de carne. Aquilo era tudo o que eu queria e precisava para aquela noite de sábado ser incrível. Afinal, minha semana tinha sido a porra de um inferno por conta das provas e apresentações de trabalho e tudo o que eu queria era comemorar o A que tirei no projeto de shopping na paz e tranquilidade do espaço de 8×5 do meu dormitório.
Mas eu tinha os piores amigos do mundo, já que eles só podiam me odiar muito para me obrigar a sair de casa para ir a uma maldita festa.
Deslocado era pouco para a forma como eu me sentia desde que havia sido arrastado do dormitório por Namjoon e empurrado para dentro do carro por Seokjin, enquanto Hoseok, o motorista da vez, reclamava da minha demora em aceitar a derrota, já que eu deveria estar acostumado a perder. Era realmente uma merda ser o mais baixo do grupo e principalmente, ter o físico impróprio até mesmo para correr atrás de ônibus. Como o bom estudante de Arquitetura, eu passava quase todas as horas dos meus dias sentado em uma mesa enquanto trabalhava em projetos. Não havia muito tempo para que eu me alongasse e fizesse qualquer exercício ou mesmo espaço, porque se Namjoon e eu não conseguíamos ocupar o corredor que separava nossas camas ao mesmo tempo, que dirá fazer abdominal dentro do dormitório? E eu não era maluco para tentar frequentar uma academia ou praticar qualquer luta, gostava do meu corpo fraco, obrigado.
– Ajeita essa cara hyung – Hoseok murmurou quando desligou o carro. – Parece até que a gente tá indo pra algum enterro.
– E estamos enterrando a minha felicidade nessa noite – retruquei mal humorado.
– Ele fala do Jeongguk, mas é tão dramático quanto – Namjoon implicou e eu revirei os olhos.
– Vocês são insuportáveis e eu juro que vou trocar de amizades.
– Tá bom saeng – Seokjin concordou apenas para me fazer calar a boca e não demorou a me arrastar pelo estacionamento, em direção ao prédio da fraternidade que estava dando a festa.
American Pie não havia mentido naquele quesito, porque todo o resto da vida universitária apresentada naquele filme era a maior bosta que eu já tinha visto na vida. A universidade não eram, nem de longe, um lugar de curtição, festas todos os dias e muito álcool. Pelo menos na Yonsei, aquele tipo de festa acontecia apenas nos períodos após as provas e a maioria dos estudantes só aparecia quando não pegava dependência em alguma matéria. Seria burrice pagar uma fortuna de mensalidade de desperdiçar toda a vida acadêmica com festas regadas a álcool e sexo. Eu não transava há quatro meses e não conhecia nenhum solteiro com a vida sexual ativa. A universidade era realmente uma maravilha, como todo mundo pode ver.
– Eu vou encher a cara e vocês são obrigados a cuidar de mim e me deixar no dormitório, são e salvo, já que me trouxeram arrastado para cá – avisei aos berros assim que passamos pela porta.
– Era melhor ter deixado ele no dormitório – Hoseok murmurou e eu abri um sorriso largo, satisfeito por ter tornado a noite dos meus amigos tão ruim quanto a minha seria. Eu era um bêbado insuportável e eles sempre tinham trabalho comigo quando eu estava naquelas condições.
Passamos pela cozinha para pegar bebidas e acabamos no quintal, onde a festa realmente acontecia. O calor tornava possível uma festa na piscina e encontrar colegas e conhecidos apenas de roupas de banho não foi nenhuma surpresa. Acenei para meia dúzia de pessoas, enquanto meus amigos pareciam cumprimentar o campus inteiro até que acabássemos com o grupo de sempre, já que nossa amizade se estendia para além dos almoços no refeitório. Eu não teria um ‘a’ para reclamar sobre isso caso Jeon Jeongguk não estivesse incluso no pacote de amizade.
Pelo menos naquela noite eu teria a companhia de Soyeon e talvez assim Jeongguk passasse menos tempo me enchendo o saco e mais tempo babando por Jimin. Sim, eu tinha notado, principalmente porque ele não era nada discreto e só sendo muito tapado para não perceber aqueles olhos gigantes brilhando por Park. Eu tinha cinco amigos tapados, porque só quem parecia ter notado era Soyeon e aquilo nem me surpreendia. Homens são burros, é um fato comprovado pela ciência.
– Vocês conseguiram mesmo trazer o Yoongi hyung? – Taehyung riu desacreditado e eu revirei os olhos.
– Eu fui arrastado. Literalmente – pontuei e todos riram, menos Jeongguk, que apenas estalou os lábios e sorriu sem mostrar os dentes de coelhinho.
Insuportável demais.
– Você precisa se divertir hyung – ele murmurou, em um tom claro de provocação.
– Estou me divertindo horrores – retruquei, bebendo um longo gole de cerveja para exemplificar a minha fala. Jeon apenas riu e deu de ombros, voltando a atenção para Jimin e Taehyung.
– Me diz que você tirou ‘A’ no projeto Yoongi-yah?
– É claro que sim, meu shopping tinha luz elétrica, o professor jamais me daria um ‘B’. – falei e Soyeon riu.
– Mérito meu, não esqueça e me agradeça pegando mais bebida para mim – ela sacudiu o copo vazio em frente ao meu rosto e eu revirei os olhos antes de pegar o objeto e rumar para a cozinha, sem me dar conta de que estava sendo seguido pelo Jeon mais novo.
– O hyung gasta todo o seu amor com a parte chata da família Jeon – Jeongguk murmurou quando parou ao meu lado para encher o copo de soju com o liquido da garrafa que eu tinha acabado de tirar da geladeira.
– Não é o meu amor que você quer receber Jeon, você sabe disso – pisquei para ele e Jeongguk arregalou os olhos.
– Eu não sei do que você está falando hyung – declarou, em um tom de voz nada convincente. Ele podia ser maior do que eu e ainda assim, parecia uma criança quando estava acanhado e começava a gaguejar.
– Tá bom – eu dei risada, sem querer estender o assunto, afinal aquilo não era da minha conta.
– Eu tô falando sério! – Jeongguk retrucou, franzindo o cenho em sinal de irritação. Se a intenção era me amedrontar, ele tinha falhado miseravelmente. Se não fosse tão irritante, eu o consideraria um tantinho fofo.
– Você não tem que provar nada pra mim Jeongguk – lembrei. – Mas ficar em negação para si mesmo pode ser um problema, então… pense bem. – finalizei e dei as costas para o garoto, voltando para o quintal e encontrando um grupo menor do que quando tinha ido buscar a bebida de Soyeon, que inclusive também não estava mais ali.
– Cadê o resto? – indaguei para Namjoon.
– Jimin, Soyeon e Taehyung estão dançando perto da piscina.
– Pelo menos alguém está se divertindo – Hoseok murmurou.
– Jimin vai se divertir até demais – Seokjin riu, apontando para o trio no mesmo instante em que um calouro se aproximava de Park com um sorriso nada casto.
Não precisei procurar Jeongguk com o olhar para saber que aquilo tinha afetado ele, já que o garoto puxou o copo que eu carregava para Soyeon da minha mão e bebeu todo o líquido em poucos goles antes de retornar pelo caminho que tínhamos acabado de fazer.
Se antes eu tinha alguma duvida de que ele estava caidinho por Park, agora já não tinha mais. Jeon Jeongguk tinha dois grandes defeitos, fora todo o resto que vinha com o pacote irritante e insuportável que já o acompanhava: ele não sabia mentir/ser discreto e também não sabia beber.
Para o azar dele e eu ficaria bem quietinho no meu canto apenas observando o caos.

🎯

Jeongguk.
Ciúme é o primeiro passo para um relacionamento abusivo, era o que o Namjoon hyung vivia dizendo e eu não discordava dele nenhum pouco. Qualquer sentimento de posse ou necessidade de controle sobre outra pessoa não me parecia natural e eu tinha jurado para mim mesmo que jamais seria um babaca ciumento que surtaria apenas por ver a pessoa que eu gosto com outra.
Mas bem, ao que tudo indicava eu era um grandessíssimo palhaço porque além de estar me mordendo de ciúme, eu ainda era idiota ao ponto de encher a cara para tentar esquecer que estava com ciúme e que daria tudo, tudo mesmo – até meu colecionável raro do Homem de Ferro-, para ser o cara que estava dançando com Jimin quando tentei voltar para o quintal da casa depois de dois copos de soju.
Eu já estava no quarto copo e sentia meu corpo meio mole e meu raciocínio muito mais lento, mas eu só costumava apagar com o oitavo copo e sabia que estava seguro. Afinal, eu não tinha nenhum motivo para me sentir enciumado. Jimin e eu éramos apenas melhores amigos, eu tinha decidido não expor meus sentimentos românticos para, mas não conseguia não me sentir frustrado com a situação porque eu sabia que ele nunca me veria daquele jeito se eu não falasse nada. Park nunca olharia para mim como se quisesse me beijar, porque para ele, eu era apenas seu melhor amigo, quase seu irmão caçula.
Por que ele não podia adivinhar que eu gostava dele? Ler a minha mente ou decifrar meus sentimentos de longe, sem que eu precisasse falar sobre aquilo? Nas fanfics sempre dava certo, os personagens sempre suspeitavam quando eram alvo de interesse amoroso para alguém. Em plenos 2020 nós ainda precisávamos expor nossos sentimentos com palavras? Eu me sentia como um homem das cavernas, sinceramente.
Se a minha vida fosse uma fanfic, Jimin já saberia sobre meus sentimentos e nós terminaríamos aquela noite no meu quarto. Mas eu não estava dentro de uma narrativa de fãs e a realidade me deu um chute na cara quando eu decidi que estava sendo um frouxo e abandonei o refúgio da cozinha.
Jimin, meu Park Jimin, estava aos beijos com um garoto qualquer no meio da pequena pista de dança organizada perto da piscina. E eu era apenas mais um fracassado com o coração partido porque era bundão demais para confessar o que eu sentia e aquilo me sufocava e me dava vontade de chorar. Ok, eu era chorão, aquele não era um fato que eu poderia negar, mas eu tinha certeza que estava melhorando, já que na última vez que Soyeon havia gritado comigo por causa das roupas sujas espalhadas pela lavanderia, eu tinha derramado apenas algumas lágrimas ao invés de cair no choro e soluçar como uma criancinha depois de tomar bronca.
Tinha alcançado o auge do fracasso quando precisei correr para dentro da casa a procura de um banheiro vazio onde eu pudesse lavar o rosto e disfarçar os olhos marejados.
Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira… Perdi a conta de quanto tempo eu passei fazendo aquele exercício de respiração, buscando resgatar um pouco de sobriedade, mesmo que minha cabeça continuasse girando de forma pesada e eu já não soubesse mais definir com clareza meus ideais éticos ou de autopreservação. Qualquer atitude impensada poderia me colocar em maus lençóis e meu plano não era sair mais daquele banheiro pelas próximas horas.
Mas se Deus existe, ele claramente me odeia.
Algumas batidas desesperadas na porta me fizeram erguer a cabeça e eu corri para secar o rosto com papel higiênico, já que não confiava nenhum pouco na toalha que estava pendurada ao lado da pia. Respirei fundo outra vez, terminando com o soju que ainda estava no copo que eu carregava antes de girar o trinque da porta e abrir o objeto apenas para me sentir ainda mais miserável e querer enfiar a cabeça dentro do vaso.
– Jeonggukie! – um Jimin risonho exclamou, os olhos pequenos transformados em dois risquinhos por conta da pressão que as bochechas grandes faziam em seu rosto. Porra, ele era lindo demais e eu era um fracassado que estava prestes a cair no choro. – Consegue liberar o banheiro pra nós? – apontou para seu acompanhante, que tinha uma das mãos em torno de sua cintura fina e eu quis morrer naquele instante.
Não!, meu lado ciumento rugia. Cale a boca seu idiota, o melhor amigo de Jimin retrucou e eu entendi que aquela já era uma batalha perdida, então apenas assenti devagar, por conta da cabeça pesada de álcool e sai do banheiro, deixando o espaço livre para que o cara por quem eu estava apaixonado transasse com um desconhecido.
Encontrei meu cantinho da vergonha na sala, enquanto muita gente dançava e se divertia e eu apenas aceitava todos os copos que me eram oferecidos junto de olhares pesarosos. Minha cara deveria estar uma merda, eu tinha certeza.
– Ei, você está bem?
Não desviei o olhar do copo em minhas mãos, mas eu não precisava olhá-lo para reconhecer sua voz. Min Yoongi não era alguém que você simplesmente esquecia ou confundia com outra pessoa.
– Estou ótimo hyung, por que a pergunta?
– Porque parece que mataram o seu cachorro – ele retrucou e eu ri fraco por causa do álcool. Meus pensamentos estavam mais lentos que o normal, que já não era lá grandes coisas.
– Não foi o meu cachorro que morreu – declarei por fim e Yoongi estalou os lábios, me obrigando a encará-lo.
– Você sabe que desse jeito ele não vai te notar né? – indagou e eu suspirei em derrota. – Não gosto de você, mas não posso fingir que não notei e que não acho que está sendo burro. Se você não falar ou demonstrar, Jimin nunca vai ver você com outros olhos.
– Eu não quero falar – choraminguei. – Não quero que ele se obrigue a me ver de outro jeito só porque eu estou apaixonado por ele, mas também não vejo como mostrar que eu não sou mais um adolescente e que posso ser um possível interesse amoroso para ele.
– Você sempre pode ser infantil e beijar alguém na frente dele, para que ele perceba que você não é mais criança – Yoongi riu, claramente debochando da ideia. Mas para o meu cérebro bêbado, tudo aquilo fazia muito sentido e não havia outra forma de conseguir que Jimin me olhasse com outros olhos.
Como se o universo estivesse me agraciando com alguma benção, no mesmo instante em que eu me virei para Yoongi para agradecer pela ideia, de relance vi Jimin e o-cara-desconhecido-que-eu-queria-muito-ser saírem do banheiro e meu cérebro bêbado e burro só conseguiu raciocinar em me incentivar a seguir o plano de Yoongi e sem tempo para procurar alguém para beijar, joguei o copo plástico no chão e puxei o Min pelos ombros para perto antes de grudar meus lábios nos dele.
Foi esquisito, porque me meio ao choque, Yoongi não reagiu de imediato e quando se deu conta do que estava acontecendo e fez menção de se afastar, eu abri a boca e suguei o lábio inferior dele, pedindo permissão para aprofundar o beijo. Para a minha surpresa, não tomei uma joelhada e Yoongi deu um passo para frente, buscando mais contato com o meu corpo e entreabrindo os lábios para que eu pudesse aprofundar o beijo.
E foi ai que eu perdi a completa noção de onde estava e do porquê estava beijando Min Yoongi. Eu apenas queria beijá-lo mais, sentir as mãos grandes de dedos finos se afundando em minha cintura enquanto eu abandonada o toque em seus ombros para segurar seu rosto e espalmar suas bochechas proeminentes. Yoongi tinha gosto de cereja e cada estalar de lábios ou girar de línguas, em me afastava mais do objetivo de fazer ciúme para Park Jimin e me afundava nas sensações de estar naquele beijo ansiando por mim. Não foi uma surpresa quando Yoongi me empurrou contra a parede, porque tudo no que eu conseguia pensar era em ter mais daquelas sensações, mais de Yoongi contra mim. Puxá-lo para o segundo andar a procura de um quarto vazio também não me surpreendeu e eu só me daria conta do que tinha feito no dia seguinte.
E eu não tinha certeza de que poderia culpar a bebida.

Nota: Quem vai iniciar as apostas sobre qual dos yoonkook vai cair primeiro? Jeongguk tá firme e forte na crush pelo Jimin e o Yoongi detesta ele, mas não o suficiente pra não beijar esse macho até ficar com a boca adormecido. Não tá errado, eu faria o mesmo se tivesse a chance ahhahaha

Pretendo voltar no domingo se eu não for presa por ameaçar tocar fogo no Grammy, então fiquem atentes!

E ah, sobre o smut, eu pretendo narrar sim, mas não no próximo capítulo. Minhas fanfics vão além de sexo e se você tá aqui apenas pela putaria, sugiro que volte daqui um tempo porque não vai rolar agora.

Lembrando que nosso Jeongguk tem uma conta no Twitter (@/ musicjeonjk) e a tag de Quem vai cair primeiro? é #CaiYoonkook. Vocês também podem me achar no twitter pelo @/ stillwithjeon e no gato curioso com esse mesmo @ mas eu só criei a conta e nunca usei.

Um beijo e volto logo com o capítulo 3 <3

Ps. Na tag pode rolar spoiler também 🙂