Blue King

Blue King

Sinopse: Taehyung nunca sonhou em ser rei, embora a cor de seu cabelo não deixasse muita opção para o garoto. Desde pequeno o jovem Kim fora preparado para assumir o lugar do pai quando o mesmo abdicasse a coroa, mas a morte inesperada do governante obriga o filho mais velho a assumir o comando do reino com apenas 24 anos. Junto da coroa, vem todas as responsabilidades e inseguranças de um rei, além das ameaças que os reinos vizinhos podem apresentar. Mas nenhum desafio seria maior para Taehyung do que se ver apaixonado pelos reis Jung e Min, que secretamente possuem um histórico maior do que os Sete Reinos.
Gênero: Romance/Aventura
Classificação: 16 anos.
Restrição: História não interativa, todos os personagens são fixos.
Beta: Thalia Grace.

Oi! Antes de você começar a ler, queria deixar um aviso rápido: Blue King possui alguns arquivos extras, que foram separados para não pesar o texto da história, e todos podem ser encontrados nesse link. Boa leitura!

Parte I: Blue King
Capítulo 1

Kim Taehyung respirou fundo três vezes antes de adentrar o grande salão onde a cerimônia estava sendo realizada, suas mãos tremiam e, por isso, as cruzou nas costas, mantendo a pose e o semblante indecifrável. Assim que as portas duplas foram abertas para si, cruzou o olhar por todo o salão buscando por alguém em quem confiasse. Aproximadamente cinquenta pessoas estavam ali, o que dificultou para que encontrasse o melhor amigo junto de seu irmão, em um canto mais afastado. Andou rapidamente e com passos largos até eles, ignorando todas as vezes em que fora chamado ou as reverências respeitosas feitas a si, já podia imaginar a bronca que sua mãe o daria mais tarde, mas essa era a menor de suas preocupações no momento.

Não poderia demonstrar fraqueza alguma, nem mesmo em um momento como aquele. Todos os pares de olhos presentes estavam atentos aos seus mínimos movimentos, buscando pelo deslize necessário para desmoronar toda uma dinastia, para encerrar todo o reinado Kim. Sabia que pouquíssimos dos presentes estava ali pela razão correta, queriam apenas comer pelas beiradas e se aproveitar da situação, procuravam pela próxima grande fofoca, qual erro a grande família Kim cometeria que os tornaria motivo de risadas? Taehyung esperava que nenhum.

— Tae… — Park Jimin o chamou quando se aproximou, pousando a mão no ombro do amigo de infância. Não sabia o que dizer para fazê-lo se sentir melhor, mas sabia que não poderia simplesmente o abraçar e deixar que chorasse em seu ombro como gostaria, não com todas aquelas pessoas os olhando.

O Kim mais velho nem mesmo escutara seu apelido ser chamado, tudo passava como um borrão, mas encarava firmemente os olhos do irmão mais novo a sua frente, como se estivessem tendo um diálogo silencioso, e realmente estavam. É algo que faziam desde pequenos, não precisavam de palavras para se entenderem e transmitirem um ao outro o que estava acontecendo ou que estavam sentindo. Os irmãos encontravam-se alheios a tudo ao seu redor, mas Jimin não. Park observava nervosamente a rainha se aproximando.

No auge de seus quarenta e seis anos, SoonBok era uma mulher extremamente respeitada e igualmente intimidadora, descrita como cruel pelos empregados e muitas vezes chamada de bruxa pelos súditos, orgulhava-se da reputação que criara para si e para sua família, e não deixaria que os filhos pusessem a perder tudo para o que se dedicara a vida toda.

— Kim Taehyung, onde você estava? — Disse ríspida ao parar entre os filhos, repreendendo-o não só com o tom de voz mas também com o olhar. — Quem você acha que é para chegar atrasado e ainda ignorar os condes e duques? Eles não estão aqui por causa dele, e sim por sua causa.

Jimin observava a cena quase roendo as unhas bem feitas em nervosismo, conhecia bem a relação entre mãe e filhos naquela família e preocupava-se com os amigos. Os jovens Kim estavam no momento mais frágil de toda a sua vida, e SoonBok não parecia se importar com nada além do status.

— Oi, mamãe. — Taehyung dissera, com a voz fraca como a de uma criança assustada, buscando refúgio nos braços da mãe.

A rainha revirou os olhos, observando o filho da cabeça aos pés e ajeitando o terno que usava. De todos os seus filhos, o mais apegado a si era o mais velho, e isso é algo que SoonBok tentava destruir desde a infância. Taehyung nasceu para ser rei, não tinha tempo para sentimentos inúteis e dispensáveis, precisava focar no futuro brilhante que tinha. Satisfeita com a roupa de Taehyung, virou-se para Hyunshik, o terceiro filho, que ainda encarava o irmão mais velho como se buscasse por ajuda. Passou os olhos pelo salão em busca da filha, não a encontrando em lugar nenhum.

— Hyunshik, onde está sua irmã? — Perguntou, irritada com a ausência da garota, e revirando os olhos ao perceber que não receberia uma resposta.

Deus às costas para os filhos e para Park, sem dizer nada, indo se sentar próxima a cunhada. Jimin soltou o ar que segurava e observou atentamente os amigos, Taehyung tinha os olhos fechados, respirando profundamente diversas vezes, e Hyunshik observava os pés, abrindo e fechando as mãos nervosamente. Alguns segundos depois, o mais velho finalmente abriu os olhos e já não havia mais nenhum resquício de dor neles. Era assustadora a forma como Taehyung conseguia esconder seus sentimentos com tanta facilidade, sendo sempre algo que o irmão mais novo admirava. Hyunshik, ao contrário do mais velho, era completamente transparente a respeito do que sentia, e no momento não poderia ser mais claro para todos ali o fato de que o jovem Kim só queria correr para o próprio quarto e chorar até a dor passar. Afinal de contas, não é todo dia que se perde o pai.

Olhou para o irmão mais velho mais uma vez, levando o olhar logo em seguida para o caixão no meio do grande salão. Sentiu os olhos marejarem e respirou fundo, mas nada poderia acalmar o jovem de apenas vinte anos no momento. Hyunshik é jovem demais para perder o pai, quem o levaria para cavalgar agora? Com quem passaria horas e horas na biblioteca se distraindo com um jogo de tabuleiro ou apenas conversando? Por mais que amasse os irmãos, e amasse também todo o esforço que faziam para arrumar, em meio a suas tarefas diárias, tempo para o mais novo, não era a mesma coisa do que passar um tempo com o próprio pai.

Vendo que logo o mais novo começaria a chorar, e temendo não aguentar diante tal visão, Taehyung chamou por ele e por Jimin, indo até uma das pequenas sacadas que contornava todo o local. Serviram-se de taças de champagne no caminho e logo observavam juntos a triste paisagem a sua frente.

— Eles não se importam, Chim. — O Kim mais velho dissera de costas para o salão, observando os jardins do castelo. Costumava amar a vista, dali poderia ver toda a extensão dos jardins floridos e, mais adiante, o mar e o porto privado do castelo. Normalmente poderia ver os barcos que por ali passavam, poderia olhar para o céu e ver os pássaros que migravam naquela época do ano. Mas não nesse dia, até mesmo o céu estava cinzento, prometendo a chuva que já caía dentro de Taehyung, o mar estava agitado assim como ele e os pássaros estavam todos abrigados, esperando que o tempo melhorasse para poderem partir. Era como se os céus também chorassem a perda de ChanHyeok. — Meu pai está naquele caixão e a única coisa da qual eles sabem falar é a minha coroação.

Virou todo o conteúdo da taça de uma só vez, fechando os olhos novamente e respirando fundo. Já havia perdido as contas de quantas vezes tinha repetido essa mesma ação desde que recebera a notícia. Jimin poderia chorar só de ver o amigo nesse estado, mas precisava ser forte pelo mesmo motivo. Taehyung e seu irmão precisavam de força, precisavam que Park fosse seu apoio durante todo o evento, e por isso o menor mantinha-se firme. Passaram longos minutos em silêncio, os três observando os jardins e a fina garoa que começava a cair, podiam sentir no rosto o vento frio que soprava para dentro do castelo através das janelas e portas abertas. Foram tirados de seus pensamentos ao ouvir um pigarro atrás de si. Ao ver quem era, Jimin fez uma reverência e se retirou, dizendo baixo a Taehyung que buscaria bebidas.

— Primos. — Kim Namjoon disse, ao ter a atenção do outro.

— Majestade. — Respondeu breve, não o encarando nos olhos. Namjoon era o único que considerava verdadeiramente como sua família além dos próprios irmãos, se o olhasse não conseguiria manter a pose, já era difícil demais fingir para Jimin e Hyunshik.

— Não precisamos dessas formalidades Tae, você sabe disso. — A voz que usava com o mais novo era carinhosa, o considerava realmente como um irmão mais novo. Era difícil demais vê-lo daquele jeito.

— Nossas mães não concordariam. — Soltou um breve riso anasalado, deixando um sorriso triste se formar em seus lábios. — Onde está Geong Min?

— Escrevi a minha irmã sobre seu pai, mas ela não conseguiu voltar a tempo. — Olhou para o primo como quem pede desculpas. — Mas espere por ela durante a semana, tenho certeza que vem vê-los.

— ChinSun também não está aqui. — Taehyung diz, se referindo a mais nova entre os irmãos. — Não a vi até agora, provavelmente minha mãe está escondendo a mais fraca.

Namjoon revirou os olhos. Sua tia e sua mãe eram tão parecidas que, para aqueles que não conhecessem os laços familiares reais, as duas seriam irmãs ao invés de seus maridos. Não é a toa que se davam tão bem. Os primos foram interrompidos quando, antes que pudessem perceber, um rapaz alto e de cabelos arroxeados jogou-se em Taehyung, o abraçando e disparando a falar.

— Ah Tae, eu sinto muito mesmo. Vim pra cá o mais rápido que pude, sinto muito por te deixar sozinho com todos esses abutres até agora. — Taehyung teve o rosto tomado pelas mãos do mais velho, tendo testa, bochechas e nariz beijados por ele de forma desorganizada, que se virou em seguida para o Kim mais novo. — Hyun meu amor, venha cá! — Puxou-o para um abraço apertado. — Meu menino crescido, me sinto mais velho cada vez que olho pra você. — Suspirou. — Mas não é o momento pra isso.

Namjoon observava a cena com a testa franzida, estava curioso. Conhecia bem tudo que podia sobre os principais reinos e seus governantes, mesmo não os conhecendo pessoalmente. Sabia muito bem quem estava atacando seus primos, mas desconhecia a intimidade existente entre eles. Observou rapidamente o salão, vendo Jimin aproximar-se com os olhos arregalados, tinha uma das mãos em seus fios rosados e a outra carregava uma taça cheia, eram observados com olhares de reprovação por todos os presentes. E então fez questão de olhar um por um com repulsa e superioridade. Kim Namjoon era um rei temido, apesar da pouca idade, e faria o primo ser respeitado em seu momento de dor, sendo aquele o seu reino ou não. Ao perceberem o olhar que recebiam, desviavam rapidamente e retomavam o que estivessem fazendo anteriormente. Namjoon sorriu orgulhoso de si mesmo, gostava do poder e controle que exalava.

Quando o rapaz finalmente se afastou, arregalou os olhos ao ver Namjoon o observando atentamente, o rosto adquirindo rapidamente uma coloração avermelhada. Virou-se para Jimin, parado ao seu lado, e tomou de suas mãos a taça com um líquido que nem se importou em saber qual era, bebendo rapidamente como tentativa de tratar sua boca e garganta secas ao perceber o que havia feito. Agiu com total falta de decoro e já imaginava a dor de cabeça que teria quando aquilo chegasse aos ouvidos de seu pai, além claro de ter se envergonhado da frente do grande rei Kim Namjoon, com quem seu pai tentava firmar uma aliança há meses. Estava ferrado.

— Jin, esse é meu primo Namjoon. — Taehyung os apresentou, prendia o riso ao ver a cara do mais velho. O primo de consideração não falhava em lhe fazer rir, até mesmo em situações como essa.

Seokjin rapidamente se curvou, envergonhado demais para sequer olhar para o rei em sua frente. Foi surpreendido ao se levantar e ter sua mão puxada por Namjoon, que deixou um beijo demorado na mesma.

— É um prazer te conhecer, alteza. — Disse, com o rosto ainda próximo a mão do mais baixo e um sorriso charmoso nos lábios. — Preciso dizer que os boatos sobre sua beleza não lhe fazem jus.

— E-eu, é… — Taehyung, Jimin e Hyunshik não puderam segurar e riram ao ver o estado que o amigo tinha ficado com apenas algumas palavras de Namjoon, era a distração que precisavam para aliviar suas mentes naquele momento. — O prazer é meu, majestade, peço que perdoe minha interrupção.

Seokjin e sua família exibiam orgulhosamente o sobrenome Kim, levando todos a imaginar que possuíssem ligação direta com as outras duas famílias reais que possuíam o mesmo sobrenome. E de fato eram parentes, mas ninguém poderia mensurar o quão próximo seria o parentesco, não haviam quaisquer documentos que pudessem comprovar uma união entre as famílias além da aliança política que possuíam. Taehyung e Jin se consideravam primos pela enorme amizade que tinham e supunham que, em algum momentos, séculos atrás, algum casamento fora realizado entre seus antepassados para que o nome dos Kim se espalhasse para mais um reino. Mas aquilo não importava, não para eles ao menos.

Taehyung teve o resquício de seu riso arrancado de si quando viu sua irmã gêmea se aproximando furiosamente, não duvidava nada que a garota poderia matar alguém nesse momento. Passou as mãos nervosamente por seus fios azuis, aquilo só poderia significar uma coisa. Sunhee só se irritava dessa maneira quando a rainha estava envolvida.

— Taehyung, Hyunshik. — Chamou, ignorando todos os outros presentes. — Já viram a última da mamãe? — Taehyung franziu o cenho e pode ver o mais novo fechar os olhos e soltar um suspiro, como se já esperasse por aquilo. — Não estão sentindo falta da Sun?

Pelo tom irônico usado pela irmã, o mais velho já havia entendido ser algo muito pior do que havia imaginado. Os três nunca haviam entendido o motivo pelo qual a rainha tratava ChangSun, a mais nova, de forma diferente do que fazia com eles. Não que ela houvesse sido carinhosa ou um exemplo de mãe em algum momento em todos os vinte quatro anos de existência dos gêmeos Kim, mas era nítido como a mulher fazia pouco caso da jovem.

— Onde a Sun tá? — Hyunshik perguntou, apertando as próprias mãos até deixar os dedos brancos. Era extremamente protetor para com a mais nova, talvez por ter sido o caçula por tempo suficiente para entender o que isso significava em uma família como a sua. Sua irmã mais nova era a pessoa que o garoto mais amava em toda sua vida.

— ChangSun está, nesse exato momento, em um trem indo para um internato, com ordens da nossa querida rainha para que ninguém saiba o que aconteceu com ela. — Sunhee riu, incrédula com como sua mãe poderia facilmente piorar qualquer situação pela qual passassem.

— Vou trazê-la de volta. — Taehyung prometeu, após alguns momentos de silêncio. — Como descobriu?

A garota riu, abrindo um sorriso travesso em seguida.

— Do mesmo jeito que consigo todas as informações nesse castelo. — Brincou, e não foi necessário mais do que isso para que os irmãos soubessem que tal informação havia sido transmitida por Hyejin, a melhor amiga da princesa.

Jimin tocou o ombro do melhor amigo, sinalizando a ele que a rainha se aproximava, cortando qualquer assunto que pudesse surgir a partir dali. A mãe só o procuraria por uma razão, e Taehyung queria ao máximo adiar aquilo.

— Está falando alto demais, Sunhee. — SoonBok a repreendeu ao se aproximar. — Eu já te disse para…

— Eu sei, mamãe. — A princesa revirou os olhos, cortando a frase da mais velha. — Manter essa boquinha linda fechada.

A rainha a olhou, totalmente desgostosa de ter sido interrompida pela filha. Mas preferiu deixar aquilo de lado por agora, tinha assuntos mais urgentes para tratar.

— Taehyung, está na hora. — Decretou, fazendo o mais velho entre os filhos fechar os olhos para respirar profundamente uma última vez, antes de acenar positivamente com a cabeça e seguir a mulher. Suas responsabilidades como o próximo rei iriam começar no momento em que pisasse para fora do salão, e era palpável o quão desgostoso com toda a situação o príncipe estava.