Comfort Crowd

Comfort Crowd

  • Por: Sol
  • Categoria: Shipp | Vmin
  • Palavras: 1642
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Sinopse: Park Jimin e Kim Taehyung eram melhores amigos desde quando podiam se lembrar — ou desde quando se importavam em lembrar. Como toda amizade, tinham seus altos e baixos mas, independente da situação, um sempre esteve lá quando o outro precisou, e dessa vez não seria diferente. Após um coração partido, tudo o que Jimin precisa é da companhia confortável e familiar de seu melhor amigo.
Gênero: Amizade.
Classificação: Livre.
Beta: Rosie Dunne.

Capítulo Único

Tae, você pode vir aqui? — Ouviu a voz chorosa do melhor amigo assim que aceitou a ligação.

— Quinze minutos e eu tô aí. — Disse, sem se preocupar em questionar o motivo, já calçando os chinelos e buscando pela chave da casa. — Ei Chim, eu amo você.

Eu amo você, Taetae. — A voz do outro estava entrecortada, e Taehyung não precisava estar vendo o amigo para saber que Park segurava o choro. — Não esquece o sorvete.

Em dez minutos, Taehyung estava em frente a porta do apartamento de número 13, onde Jimin vivia há alguns anos. Passou as mãos pelos fios vermelhos — os quais havia tingido no dia anterior — e adentrou o local, depois de pegar a chave reserva escondida dentro do vaso com algumas plantas falsas fazendo decoração ao pequeno hall. O colega de apartamento de Jimin provavelmente estaria em casa, era um domingo à tarde como qualquer outro e Yoongi costumava estar em casa aos fins de semana, depois de trabalhar a semana toda como produtor para uma pequena empresa de entretenimento em outra cidade. O Min era o colega de apartamento perfeito para o professor de dança, que sempre preferiu estar sozinho e ter seu próprio espaço do que viver propriamente dito com alguém. Fechou a porta atrás de si, largando os chinelos próximos a porta, junto com os sapatos dos moradores, o barulho atraindo a atenção de Yoongi, que assistia a um programa qualquer.

— Ei, Tae. — Cumprimentou, os olhos indo para a sacola nas mãos do mais novo e entendendo a situação. — O Chimmy tá mal?

— Tá. — Respondeu com um suspiro pesado. — Você sabe o que aconteceu?

— Ele chegou em casa tem uns vinte minutos, — Coçou a cabeça, confuso. — ele não quis me falar, mas não parecia nada bem.

Taehyung acenou positivamente com a cabeça, agradecendo e indo até o quarto do amigo. Assim que abriu a porta, pôde ver Jimin encolhido na cama, debaixo das cobertas. Não acendeu a luz, sabia o quanto o amigo preferia manter tudo apagado quando não estava se sentindo bem — até mesmo a janela e as cortinas estavam fechadas. Mas, com a fresta de luz que entrava pela porta aberta, conseguiu ver uma foto de Jimin com o namorado rasgada aos pés da cama. Suspirou, temendo o pior. Fechou a porta e sentou-se na cama, próximo de onde o amigo estava.

— Chimmy, eu trouxe sorvete de pêra. — Sabia que não deveria forçar Jimin a sair do casulo no qual se enrolara e, muito menos, obrigá-lo a contar o que havia o deixado assim.

— E de maçã? — A voz, fraca e quebradiça, mal podia ser ouvida.

— E de maçã. — Concordou, colocando a sacola na cama e abrindo um dos picolés para o amigo, que estendia a mão para si enquanto, lentamente, sentava na cama.

Era uma tradição de ambos tomarem exatamente esses sabores de sorvete quando um deles — ou ambos, o que já acontecera algumas vezes — estava mal. Haviam experimentado os sabores pela primeira há alguns anos, após mais um cansativo dia de aulas do ensino médio. Foram até a sorveteria próxima a escola e decidiram por provar novos sabores, alguns que não comprariam em situações normais, e foram surpreendidos por gostarem do que escolheram.
Ficaram em silêncio enquanto devoravam todos os sorvetes comprados por Taehyung e, aos poucos, Jimin se preparava para conversar sobre o que estava sentindo. Mas, mesmo depois de esvaziarem a sacola de pano, o loiro ainda não se sentia pronto. Percebendo isso, o Kim se levantou, ligando a televisão e abrindo o aplicativo da Netflix, buscando por alguma comédia besteirol que faria com que o amigo se sentisse minimamente melhor. Se acomodou outra vez na cama, trazendo o outro para se deitar em seu peito e cobrindo ambos. Passou a uma hora e trinta seguinte fazendo um carinho leve no cabelo do outro, e sentindo o peito se aliviar os ver o mesmo dar algumas poucas risadas durante todo o filme. Até a cena final — quando o protagonista finalmente beija a garota por quem está apaixonado —, quando pode sentir sua camisa levemente úmida e notou o constante levantar de ombros de Jimin.

— Tae, se eu matasse alguém, — O loiro disse em meio às lágrimas. — você me ajudaria a esconder o corpo?

Deixou um beijo no topo da cabeça do amigo antes de responder. Sabia que Park seria incapaz de fazer mal sequer a uma mosca, muito menos algum dia matar alguém.

— Claro que sim. — Voltou a acariciar os fios do outro. — E aí você poderia gritar algo como ”socorro” ou ”ajuda!”, mas, até a polícia chegar, a gente já teria sumido com o corpo.

— Por isso você é o meu melhor amigo. — Riu fraco.

— Quer me falar o que aconteceu? — Questionou após alguns minutos com Jimin chorando silenciosamente.

— Me desculpa por molhar sua camisa. — Enxugou o rosto e se sentou, vendo o amigo dar de ombros e sorrindo ao ver a nova cor de cabelo do outro. — Você ficou lindo de vermelho.

— Você sempre disse pra eu arriscar com uma cor mais forte. — Sorriu. — Não é que você tava certo?

— Eu sempre estou certo. — Riram.

Se encararam por alguns segundos, até Jimin fechar os olhos e respirar fundo, se preparando para dividir o peso que carregava no peito.

— Você lembra do Hoseok, certo? — Se referia ao outro professor de dança com quem trabalhava, recebeu um aceno positivo do amigo. — Ele viu o Hyuk com uma garota.

Taehyung franziu as sobrancelhas.

— Não poderia ser a irmã dele?

— Eu perguntei isso pro Hobi, — Passou a língua pelos lábios. — mas a menina é aluna dele e não tem nenhum irmão.

— Ah, Jimin. — Soltou um suspiro. — Mas você tem certeza?

— Eu sei que é errado, mas eu segui o Hyuk até uma cafeteria. — Suspirou. — Você sabe que se eu questionasse, ele mentiria. — Recebeu um aceno positivo do amigo, nunca havia confiado no namorado do outro. — E bem, eles pareciam próximos demais para serem só amigos.

— E o que você fez?

— Fui até eles e perguntei se ela era a irmã dele. — Deu de ombros. — Ela me olhou estranho e disse que era a namorada. — Riu amargo.

— E aí? — Taehyung a essa altura já apertava a mão do amigo.

— Eu disse que não sabia que o Hyuk era poligâmico, e que ele poderia ter me falado sobre antes de botar um chifre na minha cabeça. — Passou a mão livre pelo cabelo. — Ele ficou pálido e a menina ficou tão confusa, eu fiquei realmente com pena dela.

— Ela não sabia de nada?

— Se sabia, é realmente uma atriz tão boa que eu poderia indicar ela ao Oscar do próximo ano.

— Terminou com ele?

— Mandei ele buscar as coisas dele aqui amanhã, — Deu um sorriso torto. — mas que ele deveria vir antes do caminhão do lixo passar, por quê eu deixaria na porta do prédio e a caixa dele seria facilmente confundida.

Os dois riram brevemente, se encarando, até Taehyung puxar Jimin para seus braços novamente ao notar que o outro voltaria a chorar.

— Eu não preciso de ninguém, Tae. — Disse abafado, e o amigo só pode pensar em quantas vezes ouvira aquela mesma declaração do amigo. — Só de você.

— E eu não vou a lugar nenhum, você sabe disso. — Beijou os fios do amigo, puxando as cobertas até os dois novamente. — Você quer mais sorvete? O Yoongi pode comprar.

— Tae… — Deu uma risadinha, sabia que o de cabelos verdes não faria isso por vontade própria, mas que não seria capaz de negar nenhum pedido de Taehyung.

— YOONGI! — Gritou, tapando os ouvidos do amigo, que ria como uma criança agora.

Depois de alguns segundos puderam ouvir os passos arrastados do outro, que logo colocou a cabeça para dentro do quarto.

— O que foi? — Questionou, soltando um suspiro teatral que fez com que Taehyung rolasse os olhos enquanto mordia um sorriso.

— Compra mais sorvete pra gente? — Pediu, fazendo cara de cachorro que caiu da mudança. — Por favorzinho, hyung.

Yoongi rolou os olhos, suspirando mais uma vez.

— Aqueles sabores estranhos que vocês gostam, certo?

— Pêra e maçã. — Taehyung concordou, piscando para o outro. — Você é demais, hyung.

Assim que o mais velho fechou a porta novamente, após dizer que logo estaria de volta, os dois desataram a rir. E, fácil assim, Jimin soube que tudo ficaria bem. Sempre teria o apoio do melhor amigo, independente do que acontecesse. Um sempre estaria lá para o outro, essa era a única certeza que ambos tinham na vida. Mas também não era como se precisassem de algo além disso.

 

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Nota da autora: Então, o que vocês acharam? Essa é a primeira história de um projetinho que eu criei com shorts que se passam no mesmo universo, e não tem jeito melhor de começar do que com os vmin sendo bem boiolinhas, certo? Essa foi inspirada em Comfort Crowd, do Conan Gray. Bom, enquanto eu não volto com a próxima história, o que acham de dar uma chance para a long, com o Namjoon, que eu estou escrevendo? Vou deixar o link aqui embaixo.

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Até logo!