Reverse

  • Por: Luds
  • Categoria: Yoonmin
  • Palavras: 1421
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Sinopse: Um acidente fatal deixa a pequena Yeji órfã. Seus padrinhos, Jimin e Yoongi, não se dão bem, mas se vêem numa grande ironia do destino quando ganham a guarda da afilhada e precisam aprender a conviver juntos para cria-la.
Gênero: 16
Classificação: Romance; Drama; Não-ficção
Restrição: Shipp Yoonmin (Park Jimin, Min Yoongi); Não interativa; Palavras de baixo calão; Insinuação de sexo; Menção à morte (personagens secundários)
Beta: Thalia Grace

O relógio marcava sete da noite, Yoongi havia acabado de chegar em casa do trabalho; era produtor esportivo de um time de basquete em Seul, amava seu emprego e todas as facilidades que ele lhe trazia: ingressos para quaisquer jogos possíveis de ligas profissionais, além do apartamento luxuoso que a companhia disponibilizava a ele e, claro, a facilidade em conhecer homens e mulheres que bagunçavam seus lençóis caros quando bem entendia. Era uma vida boa, ele de fato tinha motivos para ser feliz.

Jimin terminava de fechar o caixa da pequena cafeteria que havia herdado de sua mãe e era, definitivamente, a sua paixão. Descobrira sua habilidade e paixão por doces e bolos logo cedo, sempre espiando na cozinha enquanto seus pais cozinhavam juntos, sempre entre risadas e brincadeiras; o pai, Heechul, era responsável pelo almoço e jantar, inventando um milhão de novas receitas e usando a família como cobaia, e a mãe, Jiwoon, ficava com a parte da sobremesa, sempre com seu pequeno Jimin do lado, com seus olhos curiosos sumindo em linha reta de felicidade a cada doce que fazia certo.

Sua mãe abrira a cafeteria e tinha ajuda do filho sempre que ele tinha seu tempo livre da escola e, mais tarde, da faculdade. O loiro havia escolhido um dos melhores cursos de culinária e confeitaria para se dedicar cem por cento ao que aprendeu a amar desde novo.

Depois de sua formatura, seus pais resolveram viver uma vida mais calma e longe dos tumultos da cidade grande, se mudando para o interior e deixando Jimin como dono da pequena e aconchegante Park’s Coffee.

(…)

Yoongi ouviu o celular tocando em cima da cômoda de seu quarto quando voltava do banheiro, usando apenas uma calça de moletom e a toalha secando os fios negros.

— Alô? — atendeu deixando o celular preso entre o ombro e a orelha, enquanto levava a toalha para deixar no banheiro.

— Min Yoongi? Seu número está como contato de emergência de Park Bogum. — a voz dizia abafada e Yoongi logo tomou o celular nas mãos, sentindo um frio tomar-lhe a espinha.

— Sim, sou eu. O que aconteceu?

— Desculpe, senhor. Aqui é do hospital de Seul e Oh Sehun, juntamente com sua esposa Oh Yeri e sua filha deram entrada nesta noite em nosso hospital. Sinto muito ter que dizer isso pelo telefone, mas aconteceu acidente e precisamos dos responsáveis pela pequena Yeji antes de chamarmos a assistência social.

Naquele momento Yoongi pensou ter perdido os sentidos. Tudo passou rápido demais. O tempo dele vestir uma camisa, pegar as chaves de seu carro e sair em direção ao hospital foi recorde. Quando ele deu por si, já estava na recepção procurando pela sobrinha emprestada.

— Com licença, eu procuro Oh Yeji.

— Oh Yeji, por favor. Sou responsável por ela.

As vozes falaram juntas e se entreolharam, assustados ao se darem conta de tal ato.

A ligação idêntica à de Yoongi que Jimin havia recebido o deixou abalado a ponto de deixar o caixa ainda aberto e sair às pressas da cafeteria, dando tempo apenas de trancar tudo o que conseguiu e acionar o alarme do local.

Oh Sehun era amigo de infância de Min Yoongi, se conheceram na escola e sempre foram como unha e carne. Bem como Park Jimin e Kim Yeri. Ao se casarem, os Oh trataram de formarem uma mini família, composta pelos melhores amigos de infância e, um ano mais tarde, pela pequena Yeji. Nenhum dos dois pais eram ligados à própria família e confiavam nos amigos como se fossem irmãos.

Entretanto, a relação de Jimin e Yoongi nunca fora muito boa, haviam se envolvido logo quando se conheceram, mas suas perspectivas de vida e pensamentos eram distintos demais; Park era pé no chão, não se importava com luxos, por mais que tivesse condições para tal, era introvertido e seus amigos mais próximos em Seul eram o casal Oh, Jeon Jungkook e Kim Taehyung, amigos que fez durante o tempo de faculdade. Já Min era o total oposto, vivia no mundo da lua, sonhando alto e não se importando com nada além dele, vivia em festas e conhecia muitas pessoas, mesmo que superficialmente.

O envolvimento dos dois durou pouco e, por terem gritado poucas e boas para o outro no último dia que se viram — Park dizendo o quanto Yoongi era insensível e totalmente egoísta e Min, debochado, dizendo que o loiro vivia num conto de fadas irreal e nunca arrumaria alguém dessa forma —, evitavam estar no mesmo lugar e limitavam-se a breves cumprimentos quando necessário.

Estar ali, naquela situação, parecia uma verdadeira piada para os dois.

— Podem me seguir, senhores.

— Desculpa, mas, alguém pode explicar o que aconteceu? — Jimin foi o primeiro a se pronunciar, abraçando o corpo pequeno e tentando controlar os lábios tremendo de nervosismo.

— A doutora Chane vai falar com vocês agora. — a enfermeira que os conduzia disse, com a voz calma, abrindo a porta de uma das salas da recepção.

Ao entrarem na sala simples, que continha apenas uma mesa e algumas cadeiras, Park e Min viram a pequena Yeji, que havia recém completado dez meses, no colo de uma mulher que usava um jaleco branco e um crachá indicando ser a tal doutora Chane.

— Yeji! — Jimin quebrou o silêncio, indo até a médica num pedido mudo de segurar o bebê enrolado numa manta rosa clara, segurando-a com todo o cuidado do mundo enquanto sentia lágrimas grossas descerem por suas bochechas.

— Vocês devem ser os senhores Min Yoongi e Park Jimin, certo? — quando assentiram, a mais velha estendeu a mão para um cumprimento rápido com os dois, logo retornando a falar. — Eu sou a doutora Chane, acompanhei o caso do casal Oh e sua pequena Yeji.

— Doutora, o que aconteceu com os nossos amigos? Quando vamos poder vê-los? — Yoongi soltou aflito, se sentando ao lado de Jimin, que já havia ido para uma das cadeiras com a criança no colo.

— Bom, houve um acidente na estrada que liga Busan a Seul, alguns carros bateram na traseira do outro e, infelizmente, o carro dos amigos foi um dos que tiveram maiores danos. Eu sinto muito dizer isso, mas Sehun e Yeri não sobreviveram. Nós tentamos de tudo quando eles chegaram aqui, mas já não tinha muito a ser feito.

A medida que a médica ia dizendo, os dois homens à sua frente se sentiam cada vez mais tristes e sem chão. Haviam acabado de perder seus melhores amigos e nada fazia muito sentido naquele momento.

Jimin começou a chorar enquanto abraçava com cuidado a bebê que soltava pequenos murmúrios em seu colo. Yoongi, que fungava baixo, puxou o loiro pelo ombro para abraçá-lo, voltando sua atenção para a médica.

— A Yeji, ela sofreu alguma coisa? — perguntou num sussurro, vendo a bebê no colo do homem ao seu lado com pesar.

— Não, não. Felizmente o baque foi na parte da frente do carro e, como ela estava na cadeirinha infantil, não sofreu nada.

Os dois assentiram, aliviados. Jimin acariciava a pequena mãozinha da sobrinha de consideração, enquanto Yoongi levantava, passando as mãos pelos seus fios de cabelo, tentando recuperar um pouco da consciência.

— Eu sei que não é uma situação fácil, mas como os números de vocês estavam no contato se emergência do casal, precisávamos chamá-los. Yeji ainda é muito novinha e em casos assim, preferimos primeiro buscar contatar alguém da família, para buscá-la, antes de chamar o serviço social. Nunca sabemos ao certo quanto tempo a criança pode ficar aqui.

— Casos assim? — Park perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Casos de crianças órfãs. — a médica soltou um pouco mais baixo, olhando ternamente para a bebê que agora parecia dormir no colo do loiro.

Naquele momento, ao ouvir aquelas palavras e entender o significado delas, Yoongi foi até a cadeira onde Jimin estava junto com Yeji e ficou de joelhos, se aproximando para beijar a cabeça da menina e sussurrar que a amava.

— Nós vamos levá-la para casa. — Min soltou, olhando diretamente nos olhos do menor a sua frente.