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Indicação: Black Magic – M. Angeli

Por: Sol e Thalia

Contendo apenas cinco capítulos e um enredo refrescante, a obra Black Magic, da autora M. Angeli, nos apresenta o bom clichê do garoto popular capitão do time de futebol do colégio e a garota “normal” que, até então, se sentia invisível — não que considerasse algo ruim. É aí onde o clichê acaba, pois ambos os personagens principais — ainda que os secundários também valham muito a menção honrosa — se desprendem dos estereótipos esperados. Sendo esta história interativa, iremos nos referir aos personagens principais como “mocinho” e “mocinha”

A mocinha, em que a visão do narrador se foca durante boa parte da obra, não é aquela garota que espera um dia um príncipe encantado irá notá-la, muito pelo contrário: ela não se importa com a opinião alheia e é forte e decidida sobre si mesma, não se dobrando para nenhuma situação que em um clichê normal a faria recuar. A mocinha contorna com um bom humor sarcástico todos os obstáculos que se interpõem em seu desenvolvimento, como a vilã “justiceira” Tracy, e até mesmo os sentimos curiosos a respeito do mocinho.

Agora, o mocinho se apresenta como um garoto muito bem humorado, descontraído e extremamente simpático, completamente fora do esperado. Coisa que surpreende até mesmo a mocinha, pois mesmo ela — que estudava na mesma turma que o mocinho — sequer imaginava que o garoto fosse se misturar com os “who” e ser tão amável, algo que ele comenta, sobre as expectativas das pessoas sobre seus rótulos.

A história começa com nossa mocinha saindo do carro do mocinho, o capitão do time e o cara mais popular da escola. Ambos atraem os olhares da escola toda — principalmente após uma aposta, que os faz entrar abraçados —, que assume imediatamente que estão juntos, o que está bem longe da verdade. Diante disso, escutam alguns comentários de que ela o teria enfeitiçado, usado uma poção do amor ou alguma outra magia, afinal de contas ela é somente mais uma loser. O melhor amigo do mocinho então tem a ideia de os quatro — o casal principal e o casal secundário — patentearem e venderem a tal poção do amor, batizada de Black Magic, prometendo as garotas da escola que isso deixaria seus amados de joelhos.

Black Magic possui um enredo simples e bem construído, o que torna a experiência dos leitores prazerosa e confortável, sem dar chances para grandes preocupações ou qualquer sentimento que a torne menos do que brilhante. Um caso que serve de perfeito exemplo para o “menos é mais”, pois não necessita de conflitos estrondosos ou reviravolta exorbitantes, nem mesmo de romances escancarados para se apoiar, pois a autora soube condensar todas as expectativas a respeito de um bom clichê adolescente e torná-lo ainda mais excepcional.

Em um contexto geral, a obra utiliza do humor — e com êxito, diga-se de passagem — para desconstruir estereótipos comuns no gênero, assinalar a respeito das inseguranças comuns em qualquer garota e mostrar que não existe uma fórmula secreta, nenhuma mágica maior do que ser segura de si e acreditar em seu potencial, mesmo que precisemos de um empurrãozinho às vezes.

Black Magic, com certeza, pertence ao alto escalão do FOFIC no que diz respeito ao melhor dos clichês adolescentes capaz de nos surpreender por seu caráter único.

Leia a fanfic aqui.