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Review: BE, o novo álbum do BTS

Hoje, 20 de novembro, foi lançado o tão aguardado álbum do grupo sul coreano BTS, intitulado “BE”. Completamente idealizado e produzido pelo grupo, contém oito faixas, sendo elas Life Goes On, a música-título do projeto, Fly To My Room, Blue & Grey, Skit, Telepathy, Dis-Ease, Stay e, por último, Dynamite, que ficou em primeiro lugar no top Hot100 da Billboard por dois meses. Tendo vendido aproximadamente 2,6 milhões de cópias na pré-venda e 1 milhão nos primeiros trinta minutos após o seu lançamento apenas no Hanteo, BE caminha para se tornar o álbum mais promissor da carreira do septeto.

Possuindo todos os membros creditados no KOMCA (Korea Music Copyright Association), como letristas ou produtores — na maioria dos casos, os dois —, o álbum vem sendo aclamado pela crítica desde o momento de seu lançamento, sendo descrito como uma “documentação sensível e impressionante da vida pandêmica” (NME) e “uma carta de amor a todos os seus fãs durante um ano difícil” (COS), BE cumpre exatamente com o que promete: trazer uma mensagem de conforto para seus ouvintes, lembrando-nos que, mesmo com o momento complicado pelo qual passamos, não estamos sozinhos.

Life Goes On é a faixa de abertura do ‘BE’ e não tem como descrever essa canção sem ser como um abraço apertado depois de um dia ruim e a esperança de que as coisas vão melhorar. A letra fala sobre como o mundo parou com a pandemia causada pelo COVID-19 e como essa situação atípica modificou as nossas rotinas e muitas vezes nos fez pensar que as coisas não iriam melhorar. Life Goes On é um sopro de esperança, como um eco na floresta, o dia irá voltar, como se nada tivesse acontecido, é a vida continua, é tudo o que eu preciso ouvir quando as coisas pesarem demais. Essa música faz com que eu me sinta dentro de um potinho, protegida de todo o mal do mundo.

Fly To My Room é a primeira sub-unit do álbum, formada por Jimin, V, Suga e J-hope e segue a mesma pegada de Life Goes On e prova que o COVID-19 mudou a vida de todo mundo, não apenas de pessoas comuns, já que artistas como os meninos do BTS também sentiram na pele o impacto da quarentena. Essa música soa como um desabafo sobre aceitação. Às vezes nossa própria mente nos sabota e nos faz pensar que somos quebrados e é necessário autoconhecimento para que nossa própria companhia não nos machuque ainda mais. Este quarto é muito pequeno para conter todos os meus sonhos. Eu pousei na minha cama, é mais seguro aqui.

Blue & Grey é a terceira faixa do álbum e é uma canção que deveria ir para a mixtape de V, mas acabou sendo incluída no álbum do grupo. É a música que soa mais triste dentro do álbum, de um jeito melancólico que nos faz sorrir e nos identificar com o que está sendo cantado. Todos temos dias ruins, às vezes precisamos esconder nossas lágrimas com um sorriso e isso não nos torna menos dignos de felicidade. Blue & Grey é uma faixa honesta, que fala abertamente sobre inseguranças e medos e ainda assim, soa de forma reconfortante por não ser um julgamento. Apesar dos dias ruins, nós não estamos sozinhos.

A quarta faixa do álbum não é exatamente uma música e sim uma Skit, algo nada inédito para quem conhece a discografia do BTS já que eles colocavam skits nos álbuns até 2017. A Skit nada mais é que uma conversação que faz parte do conceito do álbum e essa Skit presente no ‘BE’ faz referência a última faixa do álbum, Dynamite, que foi a primeira música do grupo a ficar em 1º lugar na Billboard Hot 100 e é sobre isso que os membros conversam. Esse áudio foi gravado após eles descobrirem que estavam no topo da Billboard Hot 100 e fica claro o quanto isso os fez felizes e orgulhosos sobre seu trabalho. Para um grupo sul-coreano de kpop isso é um feito gigantesco, porque quando não se é um artista ocidental já estabilizado dentro do cenário musical com algum lançamento aguardado ou uma canção que acaba viralizando por diversos motivos, o 1º lugar na Billboard Hot 100 não é nada além de um sonho distante.

O BTS conseguiu quebrar uma barreira invisível para todos aqueles que estão habituados a acompanhar artistas norte-americanos ou europeus. Quando você vive dentro da bolha do pop cantado em inglês, não consegue perceber que todos os artistas que cantam em outras línguas não tem o mesmo apoio das rádios ou das plataformas de música. O Spotify não coloca anúncio na Times Square para qualquer artista oriental e o BTS apenas é reconhecido dentro dessa indústria tão fechada, porque tem um fandom gigantesco que não aceita quando eles são deixados de lado por serem coreanos. Dynamite é uma canção de um grupo sul-coreano cuja letra é em inglês, mas quem colocou essa música no topo da Billboard Hot 100 foi o ARMY. Foi o fandom que se organizou, juntou fundos, criou projetos, fez stream e se empenhou para que a indústria musical ocidental não pudesse ignorar Dynamite.

Telepathy é a quinta canção do ‘BE’ e é uma música animada, quebra um pouquinho a sensação de abraço apertado reconfortante para te puxar para dançar com a certeza de que as coisas vão melhorar. A faixa fala sobre o grupo ter tempo de sobra, por conta da quarentena, para escrever para quem os deixa mais feliz: o ARMY. Eles reafirmam que o fandom são as pessoas mais especiais para eles, que ficam mais felizes quando nos veem e perguntam se estamos bem e se não estamos doentes. Condiz muito com a conduta do grupo durante a quarentena, que aparecia nas redes sociais apenas para contar coisas banais sobre suas rotinas e reiterar que todos deveriam se cuidar. Mesmo se estivermos separados agora, nossos corações continuam os mesmos.

Escrita quase completamente por J-Hope, Dis-ease é uma faixa hip-hop em estilo old school, que traz como tema as incertezas que podem ocorrer durante uma pandemia e a própria doença da profissão de um artista, mas que não deixa de retratar uma mensagem de esperança para tempos melhores no futuro. Com uma batida envolvente e refrão contagiante, é sem dúvidas a faixa mais animada de todo o álbum, te deixando refém do looping.

Stay é a segunda sub-unit do álbum, formada por RM, Jin e Jungkook, sendo descrita por Jungkook como “uma música divertida e emocional”, retrata a mensagem que, mesmos distantes fisicamente, BTS e ARMY estão juntos para sempre. A faixa EDM apresenta uma temática comum para o restante das músicas: a falta que o grupo sente de se apresentar e a ausência do contato com os fãs. A pandemia que enfrentamos vem mudando a forma como nossas relações interpessoais acontecem, e não seria diferente com uma relação entre fã e ídolo.

Dynamite fecha o álbum com maestria, reiterando que esse trabalho foi feito e pensado pelo BTS para o ARMY. É um presente para nós, nosso conforto e nossa esperança em meio de tanto tumulto e incertezas sobre a vida e sobre o mundo. É uma faixa animada, dançante e com uma pegada retro. Totalmente em inglês e com uma batida contagiante, não cantarolar dy-na-na-na, na-na, na-na-na, na-na, life is dynamite é impossível.

Com ‘BE’ o BTS provou que não é um grupo genérico, já que todas as canções desse álbum diferem de todas as outras que eles lançaram ao longo desses sete anos de carreira. A barreira linguística não deve ser um empecilho para que essa obra seja apreciada da forma que merece. ‘BE’ é um dos melhores álbuns do ano e vai quebrar os records que o Map Of The Soul: 7 já tinha quebrado.

Por Sol e Grazie S.