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[REVIEW] D-2, nova mixtape de Agust D

D-2 é a segunda mixtape de Suga do BTS, pelo pseudônimo Agust D. A mixtape foi lançada em 22 de maio e conta com 10 músicas, sendo 4 delas colaborações com outros artistas, inclusive RM também do BTS.

Diferente da primeira mixtape lançada pelo rapper em 2016, onde ele refletia sobre sua carreira e sua vida antes do estouro global do BTS, essa segunda mixtape é definida pelo artista como “um lado mais cru” dele, onde ele pode se expressar mais abertamente, mas não deixa de cantar sobre sonhos e esperanças.

Moonlight tem um ritmo contagiante e o refrão fica na cabeça mesmo que as palavras em coreano ainda sejam difíceis de compreender. Na letra da música Suga reflete sobre sua carreira e soa como o desabafo de uma pessoa em um dia ruim. Reles mortais iriam para o Twitter reclamar da vida. Suga cria uma música incrível.

Daechwita é o lead single e o MV foi lançado junto com a mixtape. A música debutou em primeiro lugar em 52 países e o videoclipe recebeu mais de 20 milhões de visualizações no YouTube nas primeiras 24 horas. Diferente das reflexões em Moonlight, em Daechwita temos Suga se enxergando como um “rei”, confiando em si mesmo sobre seu trabalho. É uma letra forte que literalmente manda os haters para o inferno e o videoclipe é repleto de referências históricas. Tem até uma participação de Jungkook e Jin em
uma briga simulada enquanto Suga continua cantando. Já What Do You Think segue a mesma linha de Daechwita, onde Suga reflete sobre o sucesso dele não ser resultado do fracasso dos outros.

Strange é a faixa em colaboração com o RM e a letra é simplesmente maravilhosa. Sendo ambos rappers incríveis, eles conseguem criticar o sistema de forma clara e coesa, usando frases como “aquele que não
está doente em um mundo doente é considerado um mutante, isso não é estranho?”.

28 é uma faixa em colaboração com NiiHWA e Burn It com MAX e uma parece completar a outra. Enquanto a letra de 28 fala sobre crescimento, mudanças na vida de adulto e sonhos que Suga tinha sonhado e que ficaram para trás, em Burn It ele deixa o apego de lado e resolve queimar seu antigo eu, porque é alguém que ele já não conhece mais.

People já começa com uma batida mais leve e ela em si é uma música mais tranquila. Mas não destoa do conjunto e reforça o misto de emoções que ouvir essa mixtape causa. Ter Suga cantando um pouquinho é
sempre um prazer para os ouvidos, principalmente quando ele reflete sobre a vida e pessoas de maneira tão coerente que acaba nos fazendo refletir sobre nossa própria vida.

Honsool e Set Me Free seguem a mesma linha mais lenta. A primeira é praticamente o discurso de alguém que bebeu sozinho e está refletindo sobre tudo e nada e Set Me Free é uma interlude com referências a
Shadow, música solo de Suga no Map Of The Soul: 7, último álbum lançado do BTS.

Dear My Friend é em colaboração com Kim Jong Wan do NELL e fecha a mixtape com maestria. A melodia é maravilhosa, mas para mim, é a letra mais pesada de toda a mixtape. Fala sobre um amigo que ele deixou de conhecer e de quem sente falta, mas de quem também guarda uma mágoa profunda. São quase cinco minutos de música e quando ela acaba e você se dá conta de que a mixtape acabou, só coloca para tocar de novo porque ouvir apenas uma vez não é o suficiente. Na live do dia 28, Suga mostrou um pedacinho dessa canção em uma versão com Jungkook e é tão impecável quanto a original.

Suga fez um trabalho incrível depois de 4 anos desde o lançamento da primeira mixtape dele. Claro que nem todos têm a mesma opinião e algumas pessoas acharam a mixtape (e principalmente Daechwita)
muito agressiva, mas se levarmos em consideração que apenas o haters tinham uma opinião ruim para dar (e na maior parte dos casos uma opinião explicitamente xenofóbica), Suga realmente não tem com o que se preocupar além de saborear todos os #1 que a mixtape conquistou, já que debutou em primeiro lugar no iTunes em 79 países no dia do lançamento e acabou barrando o feat da Lady Gaga com a Ariana Grande no top 1 dos charts globais, mesmo sem qualquer divulgação e com um lançamento de surpresa arquitetado pelo próprio Suga. E para uma mixtape de um rapper coreano, isso quer dizer muita coisa.

Ps.: Essa review foi escrita alguns dias depois do lançamento da mixtape. Toda a polêmica em cima de What Do You Think e da sample usada por Suga ser um pedaço de um discurso de Jim Jones (o líder religioso responsável pelo assassinato em massa de 918 pessoas) aconteceu depois de eu ter escrito essa review, mas de forma nenhuma isso apaga a grandiosidade do trabalho de Suga. É necessário estudar apenas um pouquinho para entender como as samples são usadas na Coreia e interpretar mais um pouquinho para entender que Suga não estava usando o discurso para legitimar uma opinião e sim, para rebater as palavras preconceituosas discursadas por Jim Jones. De todas as formas, toda a bagunça que essa sample causou acabou resultando em um pedido de desculpas por parte da Big Hit e a sample foi retirada da música em todas as plataformas digitais.

Escrito por Grazie S.