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[REVIEW] Map Of The Soul: 7, o novo álbum do BTS

[REVIEW] Map Of The Soul: 7, o novo álbum do BTS

No último dia 21 o grupo sul coreano BTS fez o seu tão aguardado comeback com o lançamento de seu quarto álbum de estúdio, Map Of The Soul: 7. Mostrando-se um álbum extremamente pessoal e sentimental, aborda a trajetória do grupo ao longo dos sete anos de carreira e atingiu a marca histórica de 4,02 milhões de cópias vendidas apenas durante a pré-venda, se tornando a maior para um álbum coreano. Somando mais de 2 milhões de vendas apenas durante as duas primeiras horas após lançamento, MOTS7 ultrapassou as vendas totais do álbum mais vendido de 2019, sendo também o segundo álbum coreano mais vendido da história, segundo a Forbes, quebrando o recorde de seu antecessor Map Of The Soul: Persona em apenas um dia e atingindo a marca de álbum com melhor desempenho de vendas durante a primeira semana.

Totalizando vinte músicas, das quais cinco fazem parte de seu antecessor, o grupo apresenta para os fãs o álbum mais sincero de sua carreira. Composto por solos e músicas do grupo, cada uma apresentando um estilo único e aproximando ainda mais BTS e Army.

A primeira das quatorze novas músicas, Interlude: Shadow, interpretada por Suga, e lançada dia 9 de janeiro como forma de promoção do álbum, faz uma crítica a superexposição presente na mídia e se mostra como um diálogo entre o “eu-pessoa” e o “eu-artista”, apostando no conflito entre as duas personas.

Na faixa seguinte, Black Swan, também lançada para a divulgação do álbum no dia 17 de janeiro, o grupo abraça a arte e trás o grupo esloveno de dança moderna MN Dance Company com uma reinterpretação do clássico balé de Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes, e reflete sobre seus medos e inseguranças, de acordo com comunicado liberado à imprensa junto da música, o BTS “mergulha profundamente em seu interior artístico para enfrentar as sombras que eles haviam escondido”.

A faixa de número 8, Filter, é interpretada por Jimin e traz uma vibe mais latina para o álbum, possuindo diversas interpretações. Questiona o ouvinte sobre qual versão de Jimin você deseja ver hoje, mostrando-se como uma faixa sensual e apimentada mas também como uma forte crítica, tendo se tornado o maior debute de um solo coreano.

Em My Time, Jungkook se abre sobre as inseguranças e dificuldades de ter amadurecido antes do tempo, e os reflexos que esse crescimento tem em sua vida até os dias de hoje. Sendo completamente sincero, inicia a música com os versos: “Vinte e quatro, eu sinto que me tornei adulto mais rápido que as outras pessoas / Minha vida tem sido um filme o tempo todo / Eu corri para onde o sol nasce todas as noites / É como se eu estivesse no amanhã de alguém / Um mundo grande demais para aquele garoto”.

Já em Louder Than Bombs, uma faixa emocional co-escrita pelo cantor Troye Sivan, o grupo canta sobre como a dor e a tristeza crescem ao se encontrarem em todos os lugares ao redor do mundo, deixando claro também o recado de que todas as histórias devem e continuarão serem ouvidas.

O lead single do álbum, ON, deixa uma forte impressão com o verso: “Não podem me parar, porque você sabe que eu sou um lutador” presente no refrão e carrega todo o significado do álbum. Antes do lançamento, o grupo foi ao programa The Zach Sang Song e explicou que “Uma mensagem que penetra no álbum todo é que você deve encarar suas sombras interiores, mas resistir e ficar submerso às próprias profundezas.”, completando que “Você deve encará-las e seguir em frente”. Além da versão apresentada nos dois MVs oficiais, o álbum também possui uma colaboração com a cantora Sia.

A música seguinte, UGH!, é interpretada pela rap line, composta por RM, J-Hope e Suga, e descrita pelo trio como um modo de expressar “sua raiva contra a raiva cheia de malícia”, sendo uma crítica à uma sociedade na qual as pessoas se aproveitam da anonimidade da internet e se escondem atrás de máscaras para atacar e destilar ódio uns sobre os outros. Expressando a convicção do grupo todo de se levantar contra um mundo dominado pelo ódio e pela dor.

A número 13 é interpretada apenas pela vocal line, formada por Jimin, Jin, V e Jungkook, e se chama Zero O’Clock. É uma música de conforto para a rotina exaustiva do dia a dia e de esperança para um dia melhor. Sendo uma faixa sincera ao te dizer que quando o relógio marca meia noite, embora nada mude na prática, é o começo de uma nova chance e você pode finalmente respirar.

Interpretada por V, a faixa Inner Child é uma das mais emotivas do álbum e aborda fases complicadas do passado do cantor, que busca afirmar ao seu eu do passado que ambos vão ficar bem, independente do que estejam passando no momento.

Friends, interpretada por V e Jimin, é uma declaração de amizade dos dois, que se conheceram no ensino médio e se descrevem carinhosamente como almas gêmeas. Faz uma releitura do momento em que se conheceram, abordando episódios do passado e afirmando o desejo de terem um ao outro pelo resto de suas vidas.

A próxima música, escrita, produzida e interpretada por Jin, intitulada Moon, é uma declaração de amor aos fãs, onde o cantor abre seu coração sobre o significado que o Army tem para si. Apresentando versos como “Você é minha Terra / Para você, sou apenas uma lua / A sua pequena estrela que ilumina seu coração / E tudo que vejo é você.” e “Mais do que qualquer palavra / Mais do que agradecer / Eu ficarei ao seu lado”.

Como faixa de número 17 nos é apresentado o quase diálogo entre RM e Suga, Respect propõe justamente uma reflexão sobre o verdadeiro significado da palavra respeito e o que é afinal de contas respeitar algo ou alguém, trazendo pensamentos da dupla sobre o tema.

A penúltima música é, provavelmente, a mais emocional e favorita dos fãs. We Are Bulletproof: The Eternal fecha a trilogia, fazendo conjunto à We Are Bulletproof pt1 e We Are Bulletproof pt2, trazendo uma reflexão sobre os sete anos de carreira e agradecendo aos fãs por sempre estarem junto do grupo, realizando o que antes eram apenas sonhos e os levando a conquistar coisas muito maiores do que imaginaram.

Outro: Ego fecha as novas músicas do álbum. Interpretada por J-Hope, Ego narra toda sua trajetória como cantor, trabalhando de forma bem humorada as dificuldades e o desejo de desistir que se fazia constantemente presente nos anos anteriores, e como as mesmas foram superadas. Trazendo à tona logo em seguida o presente brilhante e o futuro ainda maior que aguarda por todo o grupo, descrito como o maior e mais interessante ato do pop na atualidade.

De forma geral, Map Of The Soul: 7 é a confirmação de que o BTS entrou no cenário musical internacional para ficar, conquistando seu espaço permanente e influenciando toda uma indústria que, ainda nos dias de hoje, se apresenta de forma extremamente racista e xenofóbica. Sendo o maior grupo da atualidade, o BTS usa sua influência nos fãs de forma positiva, carregando mensagens de amor próprio e esperança e buscando retribuir todo o amor e carinho dos fãs na mesma intensidade.

Escrito por Sol.