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[COLUNA LITERÁRIA] Quando o Sol voltar, de Olívia Pilar.

“Como Dara gostava de dizer, tínhamos chegado ao fundo do poço. Eu demorei um ano desde que ele assumiu o poder para perceber que ela estava certa, mas não tinha como negar: tudo tinha piorado. E isso vindo de uma garota negra que sabia o que era o pior da vida. Na minha cabeça, eu achava que era impossível que a sociedade fosse ainda pior para nós.” (p. 2.)

Na minha última coluna literária (que você pode ler aqui!), comentei que recém tinha adquirido um dispositivo Kindle e, junto com ele, a assinatura oferecida pela plataforma. Passei o mês de janeiro me aventurando pelos títulos disponíveis, principalmente pelos contos, e foi num revirar do catálogo que encontrei a obra “Quando o Sol voltar”, escrita pela Olívia Pilar, autora de outros contos como “Entre Estantes”, “Pétala” e “Tempo ao tempo”, todos publicados de forma independente na Amazon.

Assim como as outras obras de Olívia, Quando o Sol voltar conta uma história de amor entre mulheres negras, dessa vez Dara e Bianca. Após a eleição de um líder conservador, a violência com aqueles que fogem dos padrões estabelecidos pela maioria só cresce, fazendo que, a cada dia mais, os jovens sejam perseguidos nas ruas e proibidos de se expressarem. 

No meio das vítimas desse governo totalitarista, temos o irmão de Dara, um dos inúmeros jovens presos injustamente nos últimos dois anos. Com a nova realidade batendo tão fortemente em suas portas, o casal precisa tomar um decisão difícil, mas que as manteria seguras: abrir mão da relação até que possam se encontrar novamente, sem que corram qualquer risco.

Olívia traz uma narrativa em primeira pessoa, que nos coloca na pele de uma personagem tão necessária como Bianca, protagonista de uma história cheia de representatividade e, francamente, não tão distante da nossa realidade, o medo que a mulher sente está sempre fazendo sombra naqueles marginalizados pela sociedade brasileira.

“No começo não pareceu muito diferente do que acontecia antes. “Estamos acostumados”, muitos líderes da oposição diziam. “Vamos lutar e eles não vão vencer”, completavam. Mas, aos poucos, fomos engolidos pela violência, pelo ódio, pelas agressões. Por pessoas na rua que apontavam e avançavam contra nós e então sabíamos que mesmo correr se tornara inútil.” (p. 3)

Como disse anteriormente, Quando o Sol voltar é um conto, possuindo apenas dezesseis páginas e podendo ser lido em menos de meia hora, sendo a história perfeita para carregar consigo durante o dia, aproveitando as filas e pequenas pausas, ou para se ler antes de dormir. Mas não se enganem pelo tamanho, Olívia conseguiu me envolver completamente na leitura, me fazendo torcer do início ao fim pelo momento em que o Sol finalmente voltaria e Bianca e Dara poderiam se reencontrar, me provocando um ansiar pelo final, devorando parágrafo atrás de parágrafo e me encontrando ainda mais imersa conforme as páginas passavam. Quando o Sol voltar pode ser lido na assinatura Kindle Unlimited ou comprado por apenas R$ 2,99, as duas formas disponíveis neste link.

Por Sol.