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Review: SUPERBLOOM, o primeiro album solo de Ashton Irwin.

Na última sexta feira, 23 de outubro de 2020, Ashton Irwin, baterista da 5 Seconds Of Summer, lançou seu debut album que leva o título de SUPERBLOOM. O álbum conta com 10 faixas com uma pegada bem grunge.

O álbum foi produzido em sua própria casa, num estúdio improvisado junto de seu amigo e produtor Matt Pauling, com quem mora junto; e tem influências como My Bloody Valentine, Foo Fighters, Silverchair, entre outros. Suas letras são profundas e relatam situações que o próprio Ashton vivenciou, seja em sua pele ou na pele daqueles que são próximos à ele. “Eu precisava atingir um certo grau de maturidade lírica para escrever sobre algo que realmente importa para mim“, ele disse à musicfeeds, e ainda completou “São músicas que não poderiam ser cantadas por mais ninguém além de mim“.

Scar é a faixa de abertura, tendo uma introdução diferente do que poderíamos imaginar, com um som que lembra harpa ou algo do gênero, seguido por um riff de guitarra bastante denso. Ashton diz que essa música tem uma mensagem para sua família, e ele inclusive cita o nome de sua irmã Lauren na letra.

Seguimos para Have U Found What Ur Looking For, onde também há um riff denso de guitarra e baterias. A letra segue com a profundidade de uma batalha travada contra si mesmo, onde podemos notar uma certa crise de identidade que fica ressaltada no verso “Ninguém vai me mostrar quem eu sou?“.

Logo chegamos em Skinny Skinny, que foi a primeira faixa a ser lançada, sendo definida como lead single. Skinny Skinny trata de dismorfia corporal, onde o próprio cantor a descreve como “não se sentir em casa com o próprio corpo”. Diferente das duas faixas anteriores, essa conta com um ritmo mais calmo, sem nenhuma bateria de fundo e, além disso, Irwin diz ter sido a primeira música em que sentiu-se bem com sua própria voz em uma faixa completa, sendo esse o motivo para ser o single de estréia.

Greyhound tem uma pegada de rock clássico que lembra David Bowie e AC/DC. É a faixa mais longa do album, mas ainda assim aparenta passar num sopro. Seu solo de guitarra é impecável, tem uma letra mais simples se comparada com as outras, mas nem por isso deixa de nos fazer questionar algumas coisas. Irwin diz que essa é uma música sobre o ciclo da vida.

Matter Of Time é um interlúdio calmo no meio do album. É aquela canção calma e confortante que tem a capacidade de melhorar o dia de alguém. O trecho “a escuridão aparece / não a deixe crescer / a luz vai brilhar / então seu coração seu coração saberá / que todas as coisas / que nos causam dor / vem e vão” mostra a luz no fim do túnel. 

Seguindo a tracklist chegamos em Sunshine. A faixa tem um som de violoncelo de fundo, trazendo um ar clássico e lembrando uma orquestra. A canção traz um pouco de como a sociedade nos faz sentir mal com nós mesmos e sobre como as condições socioeconômicas afetam o mundo, mas que sempre devemos tentar ver a “luz do sol”. Ele traz essa sensação de esperança nos versos “veja a luz do sol / como na primeira vez”.

The Sweetness é a segunda faixa mais longa de todo o disco, tendo quase 6 minutos de duração. Nessa canção o eu lírico busca quebrar o esteriótipo masculino, onde são criados como seres sem emoções, incentivando a presença de sentimentos.

I’m To Blame volta a ter um instrumental pesado, marcado pela bateria. Ashton disse que essa música é sobre aceitar a culpa, e que a assumir não deveria ser algo ruim e sim algo saudável, e que esse é o primeiro passo para parar de remoer a dor. Isso fica explícito no refrão, onde ele canta “eu sou o culpado” seguido por uma harmonia leve “eu te mostrarei a luz“.

Chegamos então em mais uma faixa reconfortante: Drive. Bem calma com um baixo que se destaca, o eu lírico canta sobre querer ajudar uma pessoa a se livrar da dor que sente. Ashton disse ter escrito essa para sua namorada, Kay Kay Blaisdell e em como ele lutou para ajudá-la a passar pelo luto após a perda de seu pai no início deste ano.

A última canção é Perfect Lie. Essa é uma canção sobre como ele e seus companheiros de banda foram forçados, diversas vezes, a escrever e cantar sobre o que eles não queriam, e ainda assim mentir sobre estar adorando o momento. Ela fecha o album com um ar mais sombrio, e traz em seu arranjo diversos eventos desarmônicas, representando o que eles passaram quando precisavam forçar algo em sua banda. A música encerra com um solo de violão calmo que se assemelha a introdução de Scar, formando um ciclo perfeito.

Sendo bem sincera, este album é uma obra de arte. Eu sou apaixonada por cada faixa e cada letra cantada, contudo não é algo para se ouvir como passatempo, e sim para autoreflexão. Não sei ao certo definir uma música favorita, porque minha opinião muda a cada 5 minutos… Mas podemos dizer que *agora* a minha favorita é I’m The Blame, e a sua?? Conta aqui nos comentários!!

por Amanda Ritis.